Manchete PolíticaCriminalidade | Jornal Ou Mun critica fim de conferências de imprensa Hoje Macau - 4 Mai 2026 O maior jornal diário em língua chinesa de Macau criticou as autoridades por “fecharem as portas ao público”, depois de o Governo ter terminado as conferências de imprensa trimestrais sobre relatórios de criminalidade. O Executivo acrescentou que o fim das conferências de imprensa tem como objectivo “aumentar a transparência” O jornal Ou Mun publicou um artigo de opinião onde critica o fim das conferências de imprensa, organizadas pela secretaria para a Segurança, de apresentação dos dados estatísticos da criminalidade em Macau. O relatório de criminalidade 2025 foi divulgado na passada terça-feira, apenas na página do gabinete do secretário para a Segurança, Chan Tsz King, na Internet, e sem a realização da habitual conferência de imprensa. Em comunicado, o gabinete confirmou que irá deixar de realizar conferências de imprensa trimestrais para apresentar os dados, “no intuito de aumentar a transparência das informações” e contribuir “para a paz e harmonia”. A divulgação regular dos dados estatísticos criminais vai passar a ser efectuada por “meios electrónicos” e apenas presencialmente quando “necessário”. Na edição de quinta-feira do jornal Ou Mun, um jornalista escreveu uma opinião, em que considerou que a “verdadeira transparência da informação não “significa simplesmente ‘colocar dados online de forma transparente’ mas “ter coragem para enfrentar as críticas e aceitar activamente a supervisão pública”. O mesmo jornalista afirmou que o ajuste “pode fechar uma das poucas janelas de diálogo que ainda restam” entre as autoridades do território e o público. “Quando um Governo escolhe fechar os canais de comunicação com os ‘media’ e reduzir a interacção directa com os jornalistas, pode parecer que evita o incómodo de lidar com perguntas difíceis, mas ao fazê-lo, também fecha voluntariamente a porta para resolver mal-entendidos e manter a credibilidade pública”, sublinhou o jornalista. Na mesma opinião, o jornalista aponta que, no passado, as conferências de imprensa “não eram apenas ocasiões para divulgar estatísticas criminais, mas também canais importantes através dos quais os cidadãos podiam comunicar com as autoridades através dos ‘media'”. “Durante as conferências, os responsáveis tinham de responder aos jornalistas em frente às câmaras, mesmo que as suas explicações nem sempre fossem satisfatórias, e pelo menos havia um diálogo aberto”, alertou o jornalista. Papel com poder Para o mesmo autor, “por mais detalhados que sejam os dados ou bem organizadas que estejam as tabelas” fornecidas ‘online’, “sem as perguntas de seguimento dos jornalistas, sem as respostas e esclarecimentos imediatos dos responsáveis, e sem um debate interactivo em tempo real” deixa de ser possível informar correctamente o público. Fundado em 1958 com o apoio do Partido Comunista Chinês, o jornal Ou Mun possui a maior tiragem do território, representando de 70 a 80 por cento da circulação de jornais da cidade. A publicação tem mantido desde sempre relações muito próximas com o poder político local e nacional. O histórico director da publicação, Lok Po foi membro de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) entre 2003 e 2008, e mais tarde representante de Macau na Assembleia Popular Nacional (APN) entre 2008 e 2022. Antes da entrada nos dois principais órgãos consultivos e legislativos a nível nacional, Lok Po foi membro da CCPPC da província de Guangdong. Quando saiu do cargo na APN, foi substituído pelo director-geral do jornal Ou Mun, Wan Nang Hon. João Luz / Lusa