Eurodeputados querem esgotar negociações com Pequim para evitar guerra comercial

A União Europeia pretende evitar uma guerra comercial com a China e privilegiar o diálogo para resolver as actuais disputas económicas, afirmaram ontem eurodeputados europeus, que defenderam relações futuras baseadas na reciprocidade e na transparência.

Citado pela agência EFE, o eurodeputado espanhol Nicolás Pascual de la Parte (Partido Popular Europeu) disse que a UE “quer esgotar todas as possibilidades de negociação antes de adotar medidas de retaliação”. “Não queremos uma guerra comercial, queremos evitá-la”, afirmou.

O também espanhol Javi López (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) advertiu que “qualquer medida unilateral no domínio comercial desencadeará uma medida equivalente da outra parte”.

“Sabemos onde isso conduz: a uma escalada comercial com um país com o qual mantemos relações muito intensas e que, sendo honestos, tem uma grande capacidade de resistência e sofre menos pressão da opinião pública na tomada de decisões”, acrescentou, citado pela agência de notícias espanhola.

Apesar do que classificou como um “desequilíbrio insustentável” na balança comercial entre a UE e a China, Pascual de la Parte explicou que, nas reuniões com responsáveis chineses, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, Pequim rejeitou as críticas. “Eles consideram que o desequilíbrio não resulta de práticas proteccionistas chinesas, mas da dinâmica dos mercados e, por isso, entendem que não têm qualquer responsabilidade”, afirmou.

Segundo López, as autoridades chinesas responderam que cumprem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e desafiaram Bruxelas a recorrer aos mecanismos da organização caso considere existirem violações.

O eurodeputado lamentou as “consequências de grande alcance” que o desequilíbrio comercial tem para as economias europeias e apelou às autoridades chinesas para serem “imaginativas” na procura de soluções.

Pascual de la Parte afirmou ainda que Wang Yi acusou Bruxelas de “politizar” as divergências comerciais. “Fazem uma selecção das regras que querem cumprir e das que não querem cumprir. É isso que tem de ser resolvido”, disse o eurodeputado, citando o ministro chinês.

Segundo Pascual de la Parte, Pequim mostra-se particularmente incomodada com a classificação da China como “rival sistémico” por parte da UE. “Não se vêem como rivais da União Europeia, mas como parceiros. No fundo, o objectivo final é afastar os Estados Unidos da Europa e aproximar a Europa da China”, afirmou.

Questionado sobre a multa de 500 milhões de euros aplicada pela UE à plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress, Pascual de la Parte considerou que a decisão constitui “um sinal de que a Europa leva as questões comerciais a sério”.

“Vamos analisar tudo com atenção e aplicar o princípio da reciprocidade. A partir de agora, as relações comerciais, económicas e políticas assentarão na transparência e na reciprocidade”, afirmou.

Benefícios tecnológicos

O eurodeputado defendeu ainda que o desenvolvimento tecnológico chinês beneficiou da transferência de tecnologia ocidental.

“A China chegou onde está graças à transferência maciça de tecnologia ocidental, sobretudo de empresas norte-americanas e alemãs. Hoje produz, por exemplo, comboios de alta velocidade mais baratos e vende-os aos antigos fornecedores”, disse, apontando casos semelhantes nos sectores do alumínio, painéis solares e veículos elétricos.

Outro dos temas abordados durante a visita foi a acusação, feita por líderes da França e da Alemanha, de que a China manipula a taxa de câmbio da sua moeda para reforçar a competitividade das exportações, uma crítica também repetidamente formulada pelos Estados Unidos.

López estimou que essa “desvalorização artificial” ronde entre 20 por cento e 30 por cento. Já Pascual de la Parte considerou que Pequim “está a perceber que esse modelo chegou aos seus limites”, tanto nas relações com os Estados Unidos como com a Europa.

Na sua opinião, após a pandemia e a invasão russa da Ucrânia, a segurança das cadeias de abastecimento passou a prevalecer sobre os ganhos económicos imediatos, mesmo que isso implique custos acrescidos para os consumidores. “A Europa tem de encontrar o seu lugar num mundo em mudança, hostil e incómodo. Não tínhamos o vocabulário nem as estruturas adequadas, mas acredito que aprenderemos rapidamente a lição”, apontou.

24 Jul 2026

ASEAN | Pequim defende que disputas marítimas não devem comprometer relações

A China defendeu ontem, que as disputas no mar do Sul da China não devem tornar-se um obstáculo às relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), numa altura de crescente tensão com as Filipinas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou ontem em conferência de imprensa que essa foi a mensagem transmitida na quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, durante a reunião ministerial China – ASEAN, realizada em Manila.

Segundo a versão divulgada por Pequim, Wang afirmou que o mar do Sul da China é a “casa comum” dos países da região e que a China e a ASEAN têm a sabedoria e a capacidade para gerir as divergências e preservar a paz e a estabilidade.

“A questão do mar do Sul da China não deve tornar-se um obstáculo às relações entre a China e a ASEAN”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, apelando a que a iniciativa para preservar a estabilidade nessas águas permaneça firmemente nas mãos dos países da região.

Wang acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a ASEAN para “eliminar factores de interferência” e acelerar as negociações sobre o Código de Conduta para o mar do Sul da China, segundo Lin.

Esse mecanismo, negociado há vários anos, visa estabelecer normas de conduta numa área marítima onde Pequim mantém disputas de soberania com vários países da região, entre os quais as Filipinas e o Vietname.

Tensões a subir

As declarações surgem num contexto de agravamento das tensões entre a China e as Filipinas, que esta semana trocaram protestos diplomáticos na sequência de um incidente junto ao recife Second Thomas, onde Manila mantém encalhado o navio Sierra Madre e ambos os países se acusaram mutuamente de agressões.

Os dois países divergiram também sobre um outro incidente em águas próximas do atol de Scarborough, onde a Guarda Costeira chinesa afirmou ter expulsado dois navios oficiais filipinos.

A reunião da ASEAN contou igualmente com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que se reuniu com Wang Yi e recordou que Washington mantém um tratado de defesa com as Filipinas. A China reclama soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, em sobreposição com as reivindicações territoriais das Filipinas, Vietname, Malásia, e Brunei.

24 Jul 2026

Dengue e Chikungunya | Serviços apelam à prevenção

Os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a apelar à população para se prevenir face aos riscos de apanhar febre de dengue e da febre de chikungunya.

O aviso foi deixado num comunicado, ontem, e justificado com “a entrada no período de pico das férias de Verão em Macau” e o “aumento do número de turistas e de residentes que viajam ao estrangeiro”. Segundo os SS, nos últimos tempos foram detectados vários casos em alguns dos “destinos turísticos frequentes dos residentes, como o Sudeste Asiático” pelo que se aconselha maiores cuidados nas viagens.

Além disso, os SS afirmaram terem adoptado mais medidas de extermínio de mosquitos: “Por forma a salvaguardar a saúde dos residentes e dos turistas, os Serviços de Saúde, através do mecanismo de cooperação interdepartamental, intensificaram as inspecções comunitárias e os trabalhos de eliminação de mosquitos, reforçando globalmente as acções de prevenção e controlo na comunidade”, foi indicado.

SS | Mais doenças de declaração obrigatório em Junho

Em Junho, os Serviços de Saúde (SS) registaram um total de 2.755 casos de doenças de declaração obrigatória. Este valor representa um aumento anual de 70,5 por cento, dado que em Junho de 2025 foram registados 1.616 casos de doenças de declaração obrigatória. Segundo os SS, no último mês, as três doenças com maior número de casos foram a gripe (2.154 casos), a infecção por enterovírus (454 casos) e a tuberculose (33 casos).

No comunicado, os SS destacaram ainda que houve menos casos de escarlatina: “Em Junho, foram notificados um total de 31 casos de escarlatina, uma diminuição de 46,6 por cento em relação aos 58 casos registados no mesmo mês do ano anterior e um aumento de 72,2 por cento em relação aos 18 casos registados no mês anterior”, foi comunicado. Além disso, os SS indicaram que também não houve registo de casos de febre de dengue nem de chikungunya.

24 Jul 2026

Crime | Detido cúmplice de burlões

Um homem, cidadão da China, foi detido esta quarta-feira quando entrou no território por ter ajudado a concretizar um esquema de burla. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, a vítima foi uma mulher residente de Macau, de meia idade, que foi burlada em 995 mil patacas num esquema de romance online. O homem foi detido depois de passar o Posto Fronteiriço de Hengqin.

A mulher conheceu um homem numa rede social em 2024, tendo desenvolvido um relacionamento romântico com ele apenas online. Depois dos primeiros contactos, a vítima foi convencida por este homem a investir em metais preciosos, tendo feito seis transferências bancárias para uma conta bancária de Hong Kong. Neste período, ganhou mil patacas, mas depois quando a mulher quis transferir dinheiro novamente, foi informada por um funcionário do banco de que poderia estar a ser vítima de burla.

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou depois a identidade do titular da conta bancária, tendo o homem detido confirmado que recebeu instruções de uma associação criminosa, associada a burlas, para a sua conta ser usada para receber 400 mil patacas da vítima. A conta do detido está também envolvida noutros casos de branqueamento de capitais ligados a Hong Kong.

24 Jul 2026

Indústria do jogo vista como imoral mas de “grande importância” para Macau

Um académico da área da Filosofia defendeu que é aplicada uma abordagem utilitarista à indústria do jogo, argumentando que, embora o sector seja tradicionalmente visto como imoral, este tem uma “grande importância” para Macau.

“É tradicionalmente considerado que a indústria do jogo é imoral. Se os resultados positivos superarem os negativos, então podemos implementar uma política moral e eticamente justificável”, começou por dizer aos jornalistas Wang Qingjie, professor de filosofia na Universidade de Macau (UM), à margem da cerimónia de abertura da Conferência da Sociedade Internacional para os Estudos Utilitaristas.

A indústria do jogo “é de grande importância” para Macau, continuou Wang, referindo-se aos casinos, principal motor da economia do território.

O utilitarismo defende que as acções morais de um indivíduo devem estimular o bem-estar e interesses da população, mas também “enfatiza as consequências”, sustentou o professor da UM, pelo que, “quando julgamos se uma acção é boa ou má, não baseamos esse julgamento nas nossas ideias, tradições ou costumes, mas sim nos seus resultados”.

“Como é que a justificamos moralmente? Como é que a defendemos?”, interrogou. “Nas sociedades tradicionais, isso seria impossível. Esta é uma aplicação muito importante, especificamente, a sua aplicação em Macau”, defendeu.

O lado B

O confucionismo, amplamente praticado nas sociedades tradicionais chinesas, centra-se na moralidade pessoal, na harmonia social e no dever, e “tende a desvalorizar o utilitarismo”, apontou Wang.

Macau é o único território da China onde o jogo em casinos é legal. O jogo é proibido em todo o território nacional ao abrigo da lei chinesa, sendo considerada ilegal qualquer forma de aposta por parte de cidadãos chineses, incluindo o jogo ‘online’.

Comparando o utilitarismo com as tradições filosóficas chinesas, Wang sublinhou que esta corrente de pensamento tem semelhanças com o moísmo, pertencente à antiga escola filosófica chinesa, uma das correntes rivais do confucionismo primitivo. “Se consideramos que uma política é boa ou má depende do seu resultado”, afirmou.

Outro investigador presente na conferência, Li Qing, da Universidade de Fudan, em Xangai, referiu que o utilitarismo foi introduzido na China através do Japão, a partir da Grã-Bretanha. O académico destacou que este é o primeiro ano em que a conferência da Sociedade Internacional para os Estudos Utilitaristas se realiza na China.

“Anteriormente, a investigação nesta área na China não era particularmente aprofundada. No entanto, com o desenvolvimento do campo, tornou-se reconhecido que o utilitarismo continua a ser um conceito que merece ser promovido”, sublinhou Li Qing.

O investigador acrescentou que esta teoria se mantém actual, dando como exemplo a inteligência artificial. “O desenvolvimento das indústrias relacionadas tem de ter em conta a ética e a segurança, e essa ética engloba princípios como o utilitarismo”, explicou.

24 Jul 2026

Sands | Lucros com queda de 50 por cento

A concessionária responsável por casinos como o The Venetian, The Londoner Macao ou The Parisian apresentou uma redução para metade do lucro entre Abril e Junho. A tendência contrasta com o início do ano, quando os lucros cresceram 45 por cento

A operadora de jogo Sands China registou um lucro líquido de 107 milhões de dólares norte-americanos no segundo trimestre, uma queda homóloga de 50 por cento, anunciou ontem empresa. Entre Abril e Junho de 2025, o lucro líquido da operadora de casinos tinha alcançado 214 milhões de dólares, de acordo com um relatório financeiro publicado pela operadora.

Em Macau, referiu Patrick Dumont, presidente e CEO da Las Vegas Sands, a empresa mãe da Sands China, “investimentos contínuos em serviços de hospitalidade melhorados contribuíram para o crescimento dos volumes em todos os segmentos de jogo em comparação com o ano anterior”. No entanto, “um ‘hold’ anormalmente baixo no jogo VIP teve impacto negativo nos resultados financeiros” do trimestre, completou. O ‘hold’ é a percentagem das apostas que o casino retém como receita líquida depois de pagar os ganhos aos jogadores.

A queda deste trimestre ocorre depois de nos primeiros três meses do ano, o lucro líquido da operadora no território chinês ter aumentado 45,5 por cento para 294 milhões de dólares. No período agora em análise, registou-se também uma queda das receitas líquidas totais de 0,8 por cento, para 1,78 mil milhões de dólares, face ao mesmo período de 2025 (1,79 mil milhões de dólares).

Sobe e desce local

No que diz respeito às propriedades da empresa em Macau, o The Londoner Macao, o The Parisian Macau e o Sands Macau registaram subidas nas receitas líquidas de 10,6 por cento, 12,3 por cento e 33,8 por cento, respectivamente.

Já o Venetian Macau viu as receitas caírem 10,8 por cento e, no caso do Plaza Macau, a queda foi de 29,4 por cento.

No comunicado, a empresa sublinhou ainda outro factor que afectou os resultados. Entre Abril e Junho, deu-se uma diminuição de clientes VIP nas propriedades de Macau e no Marina Bay Sands, em Singapura, durante o Mundial de Futebol.

“Esta tendência foi muito evidente em Junho, tendo em conta a evolução dos negócios em ambos os mercados no início do trimestre”, refere-se na nota. Nas últimas semanas vários analistas apontaram o Campeonato Mundial de Futebol, que terminou na passada segunda-feira, como um dos aspectos a influenciar negativamente a indústria do jogo.

24 Jul 2026

Combustíveis | Governo quer evitar açabarcamento devido a fim de apoio

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) indicou ontem que consumidores e comerciantes “devem encomendar gás conforme as suas necessidades, não acumulando quantidades excessivas de GPL, (…) para evitar graves riscos potenciais de segurança contra incêndios”.

O alerta foi dado devido ao fim do Plano de subsídio aos preços do GPL e da gasolina, que termina hoje às 23h59.

O Governo realça também que a lei estabelece um limite máximo para a quantidade de armazenagem de substâncias inflamáveis e explosivas (incluindo o GPL). A DSEDT indica também que os preços internacionais do petróleo recuaram do seu pico, não mencionando o retorno da guerra no Irão e o efeito recente nos preços do barril de brent.

O Governo realça ainda a descida de 0,15 por cento do Índice de Preços no Consumidor em Junho, com quebras mensais nos transportes (1,01 por cento) e na habitação e combustíveis (0,16 por cento).

24 Jul 2026

Fórum de Macau | Secretariado permanente visita Cabo Verde

Uma delegação do Secretariado Permanente do Fórum de Macau fez uma visita oficial a Cabo Verde entre domingo e quarta-feira, onde se reuniu com o Embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang, e com vários ministros do Executivo cabo-verdiano.

O organismo sediado na RAEM indicou, num comunicado divulgado na quarta-feira à noite, que nos encontros com os ministros cabo-verdianos, a secretária-geral adjunta Xie Ying deu conta “dos progressos da China na implementação do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial, aprovado na 6ª Conferência Ministerial do Fórum”. Xie Ying sublinhou ainda que “o Governo chinês atribui grande importância” à conferência “e tem promovido activamente a execução das várias agendas no âmbito do Fórum, manifestando a disponibilidade para, em conjunto com Cabo Verde, reforçar a concretização dos resultados e melhorar continuamente a eficácia da cooperação”.

Por seu turno, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidade e Defesa Nacional, Manuel Amante da Rosa, afirmou que as relações bilaterais entre a China e Cabo Verde têm registado um desenvolvimento estável e sustentado.

O governante garantiu que Cabo Verde está disposto a reforçar o intercâmbio e a cooperação com a China no quadro do Fórum de Macau, e expressou o desejo de que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China – Países de Língua Portuguesa apoie mais as PME dos países participantes, contribuindo para o desenvolvimento económico e a melhoria do bem-estar do povo cabo-verdiano.

24 Jul 2026

Trump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático

O Presidente norte-americano, Donald Trump, suavizou ontem o tom sobre as alegadas interferências da China nas eleições presidenciais de 2020, antes do encontro entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.

“Vamos falar com eles sobre isso”, afirmou Trump aos jornalistas, referindo-se às acusações de interferência eleitoral dirigidas à China na semana passada. O chefe de Estado norte-americano acrescentou, contudo, que os alegados acontecimentos “ocorreram há muito tempo” e admitiu que “a China pode ser um pouco diferente hoje do que era nessa altura”.

“Eles fazem-nos coisas e nós fazemos-lhes coisas. Para ser honesto, também lhes fazemos coisas. Não é uma rua de sentido único, mas vamos falar sobre isso”, declarou.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que cita fontes familiarizadas com os preparativos, Rubio e Wang deveriam reunir-se ontem, à margem dos encontros ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital filipina.

O encontro ocorre menos de uma semana depois de Trump ter acusado Pequim de protagonizar “o maior comprometimento de dados eleitorais da história”, alegando que a China obteve ilicitamente mais de 200 milhões de registos de eleitores norte-americanos.

Negas de Pequim

A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, classificando-as como “calúnias completamente infundadas” e reiterando que Pequim segue o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

“A China não tem interesse nem nunca interferiu nas eleições dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da missão diplomática, Liu Chang, citado pelo jornal. Questionado no domingo sobre se iria abordar o tema com Wang, Rubio recusou revelar a agenda do encontro, alegando tratar-se de “assuntos delicados”.

O secretário de Estado indicou que continua prevista para setembro uma visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos.

“Quando existem dois países grandes e poderosos como os Estados Unidos e a China, haverá sempre divergências e assuntos em que não concordamos. Mas cabe a países importantes como os nossos continuarem a dialogar e a manter uma relação”, afirmou.

23 Jul 2026

TSMC | China acusa Taiwan de “vender” ilha aos EUA

O Governo chinês acusou ontem as autoridades Taiwan de “vender os interesses da ilha aos Estados Unidos”, numa reacção ao anúncio da fabricante de semicondutores TSMC de um investimento adicional em fábricas no estado norteamericano do Arizona.

A portavoz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, atribuiu o deteriorar da economia taiwanesa à “dependência dos Estados Unidos para alcançar a independência”, alegadamente promovida pelas autoridades da ilha, em declarações proferidas ontem numa conferência de imprensa.

Zhang acusou o Partido Democrático Progressista (PDP) de ter “esvaziado os alicerces da economia” ao sacrificar os interesses da indústria local, prejudicando o futuro industrial e os meios de subsistência da população.

A TSMC anunciou este mês um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares para construir cinco fábricas de microchips no estado do Arizona, aumentando para 265 mil milhões de dólares o montante prometido de investimento no estado norteamericano.

Na semana passada, o presidente e director executivo da TSMC, CheChia Wei, afirmou perante investidores que a nova aposta se destina à construção de fábricas de chips avançados e unidades de embalamento de última geração, no âmbito da expansão da empresa nos Estados Unidos.

“Acreditamos que este investimento contribuirá para reforçar o ecossistema de semicondutores norteamericano, fortalecer a cadeia de abastecimento e sustentar um número crescente de empregos de alta tecnologia e bem remunerados”, declarou o empresário.

O anúncio coincidiu com a divulgação de um salto de 77 por cento nos lucros líquidos da empresa no segundo trimestre, que ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares entre Abril e Junho.

23 Jul 2026

China | Nike abandona distribuidores ‘online’ após anos de queda nas vendas

A Nike vai deixar de vender produtos através de distribuidores ‘online’ na China, concentrando as vendas digitais nos seus próprios canais, numa tentativa de reforçar a marca após uma queda de quase 30 por cento das receitas no mercado chinês.

Numa carta publicada no sítio oficial da empresa, a nova vice-presidente e diretora-geral da Nike para a China, Cathy Sparks, anunciou que, a partir de Janeiro de 2027, os consumidores chineses só poderão adquirir produtos da marca através do portal oficial, da aplicação da empresa e das lojas oficiais nas plataformas de comércio electrónico Tmall, JD.com e Douyin, a versão chinesa do TikTok.

“Não se trata de reduzir o acesso, mas de reduzir a fragmentação e reforçar a experiência dos consumidores. Quando a experiência é sólida, a marca fortalece-se”, afirmou a responsável.

Segundo Sparks, a Nike pretende criar um “destino único e premium” para os consumidores, proporcionando uma apresentação “mais clara” dos produtos e uma comunicação da marca “mais forte”.

A cadeia norte-americana CNBC indicou que a estratégia anterior da Nike na China, baseada na venda através de múltiplos distribuidores, gerava inconsistências ao nível da imagem da marca e dos preços, embora tenha alertado que a mudança poderá ter um impacto negativo nas vendas no país.

Além da fraca procura, a empresa enfrenta a crescente concorrência de marcas chinesas como a Li Ning e a Anta Sports.

Após o anúncio, a Topsports, principal distribuidora da Nike na China, confirmou que deixará de vender produtos da marca através da internet a partir do próximo ano, mas manifestou apoio à decisão e assegurou que continuará a cooperar com a empresa norte-americana através da rede de lojas físicas, mantendo uma parceria com 27 anos.

23 Jul 2026

Ciência | Operações em megaacelerador de partículas para simular Big Bang

A China iniciou operações num acelerador de partículas de grande escala que pretende explorar os limites dos núcleos atómicos e desvendar os processos fundamentais da matéria e do universo.

Segundo a agência Xinhua, na terça-feira foi iniciada a fase de operações experimentais do Acelerador de Iões Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês) em Huizhou, na província de Guangdong, que visa explorar os limites dos núcleos atómicos, revelar processos de astrofísica nuclear e impulsionar o desenvolvimento da energia nuclear e das suas aplicações.

O professor Yang Jiancheng, vicedirector do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências e engenheirochefe do projecto, indicou à Xinhua que esta instalação dispõe da maior intensidade de feixe pulsado de iões pesados do mundo e do espetrómetro de anel mais preciso para medição de massas nucleares.

Aceleradores de partículas são equipamentos complexos que utilizam campos electromagnéticos para impulsionar partículas carregadas — como electrões, protões e iões — a velocidades próximas à da luz. Segundo Yang, os iões pesados de alta velocidade funcionam como “balas microscópicas” que colidem com alvos, criando condições extremas de temperatura e pressão.

Toca a acelerar

Construído pelo Instituto de Física Moderna, o HIAF gerou o seu primeiro feixe em Outubro de 2025, após sete anos de obras. A estrutura estende-se por 80 acres e inclui uma linha de feixe de dois quilómetros situada a 13 metros de profundidade.

Tratase de um dos maiores aceleradores de iões do mundo, capaz de acelerar todos os tipos de iões, com uma linha de feixe total de dois quilómetros, mais de 6.000 conjuntos de equipamentos de grande porte e quase cinco milhões de componentes.

Na fase de testes, a instalação atingiu níveis inéditos de intensidade para feixes de oxigénio e bismuto, superando os recordes internacionais anteriores em três vezes e 7,5 vezes, respectivamente.

Em termos de investigação fundamental, o HIAF permitirá simular ambientes extremos como o interior das estrelas, explosões de supernovas e os primeiros instantes do Big Bang, ajudando a explorar a estrutura profunda da matéria.

No plano das aplicações, o acelerador poderá testar a resistência à radiação de naves espaciais, apoiar o desenvolvimento da energia nuclear e facilitar a investigação de materiais funcionais. Na área médica, por exemplo, deverá contribuir para avanços significativos na terapia contra o cancro com iões pesados e na criação de novos radiofármacos.

23 Jul 2026

China condena multa da União Europeia à AliExpress e promete “medidas firmes”

O Governo chinês condenou ontem a multa de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia à plataforma de comércio electrónico AliExpress e prometeu adoptar “medidas firmes” para defender os interesses da empresa.

“A China opõe-se firmemente a que a parte europeia crie barreiras digitais sob o pretexto da regulamentação das plataformas e adote medidas discriminatórias para restringir e reprimir o funcionamento normal das empresas chinesas de comércio electrónico na Europa”, afirmou um porta-voz do ministério do Comércio chinês.

O porta-voz instou a União Europeia a “deixar de abusar da ambiguidade da legislação, e pediu que trate as empresas chinesas “de forma justa e imparcial”. Pequim vai apoiar as empresas chinesas no recurso a instrumentos legais para defenderem os seus direitos e adoptará “medidas firmes” para salvaguardar os seus interesses, acrescentou.

Castigo europeu

A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira, uma multa recorde de 550 milhões de euros à AliExpress, acusando a plataforma de não combater de forma “eficaz” a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos.

Bruxelas acusou ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detetar e remover este tipo de anúncios. A empresa chinesa respondeu que “esteve e continua empenhada em cumprir as suas obrigações perante os consumidores” e anunciou que vai recorrer da sanção, que classificou como “desproporcionada”.

A condenação do Governo chinês coincide com a visita ao país de uma delegação de eurodeputados, que mantém contactos sobre as crescentes fricções entre Pequim e Bruxelas em questões como o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica.

Entre Março e Abril, uma delegação de eurodeputados da Comissão do Mercado Interno e da Protecção dos Consumidores visitou também a China para transmitir a plataformas como a Shein, a Temu e a AliExpress que as regras europeias de segurança e concorrência devem ser cumpridas no comércio digital.

Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais, que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a sanção à AliExpress é a mais elevada.

A Comissão multou também a plataforma chinesa Temu em 200 milhões de euros, em Maio, por não prevenir a venda de produtos ilegais, e a rede social X em 120 milhões de euros, em Dezembro de 2025, por falta de transparência.

23 Jul 2026

Jogo | Grupo Estoril-Sol tem de pagar 37 milhões de euros

O Estado português está a exigir ao grupo Estoril-Sol, ligado ao já falecido empresário Stanley Ho, o pagamento de 37 milhões de euros. Segundo o jornal Público, a entidade reguladora do jogo no país está a exigir ao grupo o pagamento desse montante que diz respeito a alegados valores remanescentes de contrapartidas anuais que estarão em dívida, e que o grupo já veio contestar.

“Em Maio de 2026, o Serviço de Regulação e Inspecção de Jogo (SRIJ) dirigiu à Varzim Sol o pedido de que a mesma procedesse ao pagamento de valores remanescentes de contrapartidas anuais relativas aos exercícios de 2022 a 2026 (este, quanto ao primeiro quadrimestre), alegadamente em dívida num valor total de 36.883.109,42€”, lê-se no relatório e contas de 2025.

Diz ainda a empresa que foi solicitado ao regulador “um conjunto de esclarecimentos que, na data do presente relatório, não foram ainda prestados”. “O grupo mantém o entendimento, fundado no aconselhamento jurídico independente e especializado que obteve, de que esta solicitação não tem justificação legal ou contratual”, é ainda referido. O grupo enfrenta actualmente um processo de reestruturação, mantendo as operações relativas aos casinos do Estoril e de Lisboa, mas tendo desistido da concessão do casino na Póvoa do Varzim.

23 Jul 2026

Wynn Palace | Governo aprova construção de nova torre de suítes

A Wynn Resorts (Macau) tem luz verde do Governo para construir uma nova torre de suites no Wynn Palace, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, publicado ontem no Boletim Oficial, que revê o contrato de concessão do terreno onde se situa o resort do Cotai da concessionária.

A área bruta do resort da Wynn irá crescer cerca de 17 por cento, com mais de 534 metros quadrados dedicados à construção de um complexo hoteleiro de cinco estrelas (incluindo áreas de jogo, centro de convenções, comércio, restauração, SPA, night club, teatro e centro de entretenimento).

O despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas indica que o teatro terá uma área de cerca de 8.700 metros quadrados, o centro de convenções terá 23 mil metros quadrados, enquanto o casino mantém uma área de 43,5 mil metros quadrados.

A concessionário irá pagar ao Governo um prémio adicional do contrato no valor de 652,3 milhões de patacas, “integralmente e de uma só vez, aquando da aceitação das condições do presente contrato”.

A nova torre vai ficar adjacente à entrada leste do Wynn Palace, e irá acrescentar 432 suítes, ou 25 por cento ao total de quartos do resort. Em Maio, a concessionária indicou que a construção da torre Enclave, como foi designada, devia começar na segunda metade deste ano.

23 Jul 2026

Inflação | Junho trouxe aumento anual dos preços de 1,24 por cento

Em Junho, o índice de preços no consumidor apresentou um aumento anual de 1,24 por cento. Os dados foram anunciados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), com a subida dos preços a surgir associada às bebidas não alcoólicas e ao custo dos transportes.

“O índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 1,31 por cento, face a Junho de 2025, devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de take-away e o índice de preços da secção dos transportes subiu 3,71 por cento, em virtude da ascensão dos preços da gasolina e dos bilhetes de avião”, foi comunicado.

Também os preços do vestuário e calçado ficaram mais caros, com uma subida anual de 3,17 por cento.

Em termos mensais, entre Maio e Junho houve uma redução generalizada dos preços de 0,15 por cento. “Em Junho do corrente ano o índice de preços no consumidor geral desceu 0,15 por cento, face a Maio de 2026. O índice de preços da secção dos transportes (menos 1,01 por cento) e o dos produtos e serviços diversos (menos 0,72 por cento) baixaram em termos mensais.”, foi revelado. “Por seu turno, o índice de preços da secção do vestuário e calçado (mais 0,92 por cento) e o dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,12por cento) subiram em termos mensais”, foi acrescentado.

23 Jul 2026

Lares | Governo prevê 1.100 camas na Zona A

O Governo está a prever a abertura de três lares de idosos com cerca de 1.100 camas na Zona A dos Novos Aterros. A informação foi divulgada por Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social, no programa Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi.

Segundo Hon Wai, as autoridades vão abrir, nos próximos anos, três lares para idosos na Zona A, com cerca de 1.100 camas, para fazer face a uma procura que se espera cada vez maior, devido ao envelhecimento da população.

O responsável indicou também que as autoridades vão abrir novos centros de dia para idosos, serviços de apoio ao domicílio, lares para idosos e lares para pessoas com deficiência, de acordo com as necessidades identificadas.

Durante a participação no programa, Hon Wai reconheceu que com o contínuo envelhecimento da população de Macau, o número de famílias que necessitam de cuidados de longo prazo para idosos tem vindo a aumentar, ao mesmo tempo que a estrutura familiar tem sofrido mudanças significativas.

Os novos desafios levaram a que o Governo, em cooperação com as instituições de serviços sociais, lançasse diversas medidas para a população, como serviços de cuidados diurnos e de acolhimento temporário, cursos de formação em técnicas de cuidado e serviços de apoio emocional e aconselhamento.

Hon Wai prometeu ainda uma maior promoção da sensibilização, para que a sociedade compreenda que o trabalho de cuidar dos idosos no seio das famílias não deve ficar com uma só pessoa, mas ser antes um esforço colectivo, entre as famílias e os serviços sociais.

23 Jul 2026

Consultas Externas | Equacionado alargamento à Península e à Taipa

Os Serviços de Saúde (SS) estão a ponderar o alargamento das consultas externas comunitárias a toda a Península de Macau e à Taipa. O cenário foi descrito por Lok Mei Kun, representante dos Serviços de Saúde, à Rádio Macau, à margem de uma participação no programa Fórum Macau.

Desde Junho deste ano que os SS estabeleceram um centro de consultas externas comunitárias na Zona Norte da cidade, com o objectivo de prestar serviços gratuitos de diagnóstico e tratamento de doenças comuns aos residentes de Macau. Dependendo da avaliação feita deste programa, as autoridades ponderam alargar a medida a toda a Península e também à Taipa.

Durante o programa, Lok Mei Kun salientou também que, através do Programa de Atenção Integrada para a Pessoa Idosa, os Serviços de Saúde avaliaram mais de 13 mil pessoas que vivem sozinhas ou em casal. Desses, cerca de 1.500 apresentaram distúrbios psicológicos ou emocionais, e mais de 270 foram classificados como de alto risco, pelo que vão ser acompanhados.

23 Jul 2026

Moçambique | Empresários querem reforçar ligações com Macau

O objectivo é criar um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que utilize Macau como ligação à China

Alguns empresários moçambicanos defenderam a criação de um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), acrescentando Macau como ligação à China, para trocar experiências e resolver problemas comuns.

O pedido foi formulado, em Maputo, pelo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, durante uma sessão de intercâmbio entre empresários moçambicanos e cerca de 30 empresários de uma delegação empresarial da China e de Macau, além de elementos de outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Queríamos aproveitar esta ocasião para propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos PALOP, também com o apoio da câmara de Macau, que também ainda tem raízes de língua portuguesa, para podermos ter um fórum de troca de experiências, aproveitar as capacidades que cada país tem, de modo a, em pouco tempo, resolvermos os problemas que ainda nos caracterizam como países menos desenvolvidos”, disse Lucas Chachine.

No encontro, que serviu também para a entrega de uma carta de parceria de expansão de mercados denominada plataforma Comércio Sino-lusófona, o representante da CCM afirmou que as câmaras de comércio podem ajudar a desenvolver a iniciativa, reiterando a vontade de colaborar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), com as câmaras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e com todos os empresários.

“Vamos encontrar um espaço melhor de aproveitar as capacidades de cada lado para criarmos riqueza para os nossos países”, referiu Chachine, destacando o interesse em colher a experiência da China no desenvolvimento da agricultura, agro-indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização, infra-estruturas, comércio e produção de automóveis.

Convite ao investimento

O presidente da CCM descreveu ainda as potencialidades de Moçambique, convidando os empresários da China e de Macau a apostarem no intercâmbio entre as delegações e investirem no país africano.

O responsável pediu também a disponibilidade dos empresários das duas instituições asiáticas a recomendarem alguns dos seus membros para ocuparem funções de delegados nas delegações da CCM existentes naqueles países.

“Isto vai ajudar a aproximar os dois empresários com os empresários tanto da China como da região autónoma de Macau. Eu, com os meus colegas, faremos a promoção dos objectivos empresariais naqueles países, com apoio dos delegados que pedimos que nos ajudem a indicar”, explicou Lucas Chachine, pedindo também apoio na mobilização de empresários e de investimentos para Moçambique, China, Macau, e vice-versa.

Já o vogal do conselho de administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Luíz Jacinto, convidou os empresários moçambicanos a participarem na Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa 2026, na 31.ª Feira Internacional de Macau e na Exposição de Franquia de Macau 2026, que decorrerão entre 21 a 24 de Outubro do corrente ano.

“Esperamos, através do intercâmbio aprofundado que se segue, conhecer melhor a vossa experiência de investimento em Moçambique e explorar o potencial de cooperação futura”, disse Luíz Jacinto, após apresentar as potencialidades daquele país num balanço sobre as relações sino-lusófonas.

23 Jul 2026

UTM | Pun Weng Kun escolhido para o Conselho Geral

Pun Weng Kun, ex-presidente do Instituto do Desporto, foi escolhido para o Conselho Geral da Universidade de Turismo de Macau (UTM). A opção da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, foi divulgada ontem, através do Boletim Oficial. O mandato de Pun Weng Kun na instituição de ensino vai prolongar-se até 29 de Abril de 2029.

Ao mesmo tempo, O Lam exonerou Kan Cheok Kuan do Conselho Geral da UTM. Pun Weng Kun exerceu o cargo de presidente do Instituto do Desporto entre 2016 e 2024 e foi coordenador do Gabinete Preparatório para a Organização da Zona de Competição de Macau da 15.ª edição dos Jogos Nacionais.

Em Junho, Pun Weng Kun foi também nomeado membro do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau – CAM, onde aufere de uma remuneração anual de 1,75 milhões de patacas.

FPACE | Distribuídos apoios de 14,4 milhões no segundo trimestre

O Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética (FPACE) distribuiu 14,4 milhões de patacas em apoios no segundo trimestre deste ano, de acordo com a informação da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Este montante representa uma subida de 278,9 por cento em comparação com o período homólogo, quando foram distribuídos apoios num total de 3,8 milhões de patacas.

A maior parte dos fundos atribuídos no segundo trimestre deste ano estavam relacionados com o plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo, num total de 12,2 milhões de patacas.

Por sua vez, o “plano de concessão de apoio financeiro ao abate de motociclos a gasolina e sua substituição por motociclos eléctricos novos e com o plano de apoio financeiro ao abate de veículos antigos movidos a gasóleo” originou gastos de 2,2 milhões de patacas.

23 Jul 2026

Reserva financeira | Novo recorde histórico em Maio

Em Maio, a reserva financeira de Macau atingiu pela primeira vez um valor superior a 700 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau

Os activos da reserva financeira de Macau atingiram em Maio um novo recorde máximo, pelo sexto mês consecutivo, de mais de 700 mil milhões de patacas, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial mostra que a reserva valia 702,3 mil milhões de patacas no final de Maio. Este valor significa que em comparação com Maio do ano passado, quando o activo da reserva valia 636,3 mil milhões de patacas, houve um crescimento de 9,6 por cento ou de 66 mil milhões de patacas.

No final de Abril, a reserva financeira estava nos 697,3 mil milhões de patacas, pelo que o valor apresentado ontem representa uma subida em cadeia de 0,7 por cento ou de 5 mil milhões de patacas.

O valor atingido no final de Maio é o mais elevado de sempre. Há seis meses que os activos da reserva têm vindo a atingir de forma consecutiva novos recordes. No final do ano passado, a reserva financeira atingiu 666,7 mil milhões de patacas. Até essa data, o anterior recorde tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia, com um valor de 663,6 mil milhões de patacas.

No entanto, desde Dezembro os recordes têm sido batidos de forma consecutiva. Em Janeiro, a reserva atingiu 673,8 mil milhões de patacas, a valorização continuou em Fevereiro, ao serem atingidos 681,0 mil milhões de patacas.

Nos meses mais recentes, em Março e Abril, a tendência positiva não se alterou, com a reserva a atingir 688,2 mil milhões de patacas, em Março, 697,3 mil milhões de patacas, em Abril.

Longe de outros recordes

Desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 35,6 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas.

O valor da reserva extraordinária no final de Maio deste ano era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas, ainda de acordo com a AMCM.

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por 300,7 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados; depósitos e contas correntes no valor de 291,8 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 106,8 mil milhões de patacas.

23 Jul 2026

Ásia | Fraudes e drogas sustentam “economia criminosa multinacional”

As Nações Unidas divulgaram ontem o relatório “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, que indica que a região funciona, cada vez mais, como um centro de crime organizado com ligações ao tráfico de droga e burlas

O crime organizado no Sudeste Asiático transformouse em “economia multinacional” capaz de desafiar Estados, com perdas anuais superiores a 100 mil milhões de dólares em fraudes, alerta um novo relatório das Nações Unidas.

“Estamos a assistir a uma mudança em que grupos que antes actuavam apenas nos seus territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços”, disse a representante regional do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Delphine Schantz, num comunicado.

O estudo, intitulado “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, descreve como diferentes actividades ilícitas – do tráfico de pessoas à fraude cibernética – estão a ser integradas numa infra-estrutura financeira e operacional comum.

Segundo o relatório, o crime organizado está a deslocarse do tráfico de bens físicos para a venda de serviços digitais, como fraudes online e liquidações financeiras em plataformas, difíceis de rastrear.

As perdas anuais com esquemas fraudulentos em 2025 foram estimadas entre 88,3 mil milhões e 114,1 mil milhões de dólares, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de vários países da região. A expansão levou ao aumento do tráfico de pessoas para actividades criminosas forçadas, com vítimas de, pelo menos, 80 países, identificadas em complexos de fraude na região, com redes de recrutamento que procuram alargar o alcance à Europa e América do Norte.

O relatório sublinha que o Triângulo Dourado continua a ser o principal centro de produção de metanfetaminas, ketamina e heroína, com um valor anual estimado entre 75 mil milhões e 109,7 mil milhões de dólares.

O texto destaca também o Triângulo SuluCelebes, entre Indonésia, Malásia e Filipinas, como novo corredor estratégico para contrabando marítimo, incluindo tecnologia usada em operações de fraude.

Entre os mercados emergentes, a investigação da ONU aponta para o risco crescente da convergência entre jogos online e apostas ilegais, que torna os jovens particularmente vulneráveis. “A linha entre jogo digital e jogo de azar está cada vez mais difusa”, alertou Schantz.

O relatório identifica ainda tendências tecnológicas como inteligência artificial generativa, ‘deep fakes’ e fraudes automatizadas, incluindo “malvertising”, que explora redes de publicidade legítimas para disseminar malware. “Uma estratégia centrada apenas na disrupção não funciona”, disse Schantz. “É preciso atacar os motores do crime, prevenir e seguir o dinheiro. A apreensão de lucros ilícitos enfraquece estas redes e protege potenciais vítimas”, concluiu.

 

Os antecedentes

Segundo o mesmo estudo, desde que foi divulgada, em Abril de 2019, a última avaliação sobre a ameaça do crime organizado transnacional na região do Sudeste Asiático, “o panorama regional da ameaça do crime organizado transnacional sofreu uma mudança complexa e de grande alcance, devida principalmente ao rápido crescimento da criminalidade facilitada pelas tecnologias digitais”. Desta forma, deu-se uma mudança no “panorama regional das ameaças e o ecossistema criminoso, bem como a escala, a sofisticação e a disponibilidade do ‘crime como serviço’ e de outros serviços criminosos ilícitos”, pode ler-se.

O relatório destaca como o Sudeste Asiático “está a emergir como uma das principais regiões que moldam o ecossistema global do crime organizado transnacional”. Verifica-se, deste modo, “uma mudança estrutural de um modelo associado principalmente a mercados ilícitos discretos e, em grande parte, intrarregionais, para um modelo em que múltiplas economias criminosas operam de forma integrada e que se reforçam mutuamente, ultrapassando as fronteiras regionais”.

Tal mudança deve-se, em parte, a uma “combinação de desenvolvimentos geopolíticos”, bem como a “integração cada vez mais rápida de tecnologias emergentes nas operações criminosas”. Assim, deu-se a “proliferação de centros de fraude à escala industrial”, ocorrendo um cenário em que “grupos de criminalidade organizada expandiram tanto a escala como a complexidade das suas actividades”.

O mesmo documento dá conta que o Sudeste Asiático tem vindo a tornar-se “uma base operacional cada vez mais importante a partir da qual as redes criminosas coordenam uma gama diversificada de actividades ilícitas, cujos impactos se estendem muito além” da região.

Em causa estão “fraudes cibernéticas que visam vítimas em todo o mundo, o tráfico de pessoas provenientes de vários países para operações criminosas e a movimentação e branqueamento de rendimentos ilícitos através de sistemas financeiros regionais e internacionais interligados”.

 

Drogas para o mundo

A dificuldade para rastrear este tipo de criminalidade está intimamente ligada ao uso da tecnologia. “Uma parte crescente das receitas criminosas provém agora de operações baseadas em serviços, fraudes cibernéticas, fornecimento de infra-estruturas criminosas e liquidações financeiras através de plataformas”, destaca a ONU.

São, no fundo, “operações que não exigem que mercadorias físicas atravessem fronteiras e geram receitas que são substancialmente mais difíceis de rastrear, apreender e atribuir a actores criminosos específicos, principalmente devido à sua natureza virtual”.

Relativamente ao Triângulo Dourado, o relatório fala de uma “notável resiliência das actividades criminosas” que operam nesta área. Em causa estão “restrições persistentes de acesso, pela presença de uma miríade de grupos armados não estatais e por redes criminosas descentralizadas e fluidas”.

No que diz respeito aos estupefacientes, lê-se que “a metanfetamina constitui o núcleo da economia das drogas ilícitas para o crime organizado no Sudeste Asiático, com vendas a retalho estimadas em gerar entre 48,1 mil milhões e 74,8 mil milhões de dólares americanos anualmente — cerca de 70 por cento do total combinado do mercado de metanfetamina, heroína e ketamina”.

Estes números representam “um aumento de aproximadamente 20 por cento em comparação com a última estimativa apresentada” na anterior avaliação, em 2019.

“Apesar das apreensões recorde de metanfetamina registadas praticamente todos os anos ao longo da última década, os preços diminuíram em muitos países da região, enquanto os níveis de pureza se mantiveram elevados — tendências que indicam que o mercado é, em grande medida, impulsionado pela oferta e que as redes de crime organizado são fundamentais para esta evolução”, é referido.

Ainda relativamente à ketamina, é descrito como se tornou num “dos mercados de drogas que mais cresce no Sudeste Asiático”, sendo que o crime organizado visa “cada vez mais a região como uma base de produção fundamental”.

A droga fabrica-se mais na região do baixo Mekong, “tendo sido observado pela primeira vez no Myanmar, depois no Camboja e na República Democrática Popular do Laos e, mais recentemente, no Vietname”. No ano passado, a quantidade de ketamina apreendida na Ásia Oriental e também no Sudeste Asiático “atingiu um recorde de 52,5 toneladas, com aproximadamente 46,2 toneladas apreendidas no Sudeste Asiático, o que representa um aumento de mais de três vezes em relação à quantidade apreendida em 2024”.

“Os cinco países do baixo Mekong e a vizinha Malásia, por si só, representaram 97 por cento do total do Sudeste Asiático”, com um valor de vendas de ketamina no Sudeste Asiático e Leste Asiático a atingir “entre 2,7 mil milhões e 7,2 mil milhões de dólares americanos”.

Já a heroína “ganhou uma importância renovada”, ainda que “as drogas sintéticas dominem o mercado regional de drogas”.

A ONU refere que “as 1.010 toneladas de ópio em bruto que se estima terem sido produzidas no Myanmar em 2025 representam o segundo nível mais elevado desde 2005”, sendo “quase 2,5 vezes superior à estimativa feita há cinco anos, com o valor total da economia nacional de opiáceos do Myanmar a situar-se entre 641 milhões e 1,05 mil milhões de dólares”. Valores equivalentes a “0,9 e 1,4 por cento do PIB do país”.

“O aumento da produção de ópio no Myanmar e os sinais de um maior consumo de heroína nos mercados a jusante, incluindo corredores emergentes para a África Ocidental e a Europa — anteriormente abastecidos pelo produto afegão —, sugerem que a heroína está a expandir-se a par das drogas sintéticas, e não a substituí-las”.

O Myanmar parece ter-se tornado, assim, a fonte de três rotas para este tráfico transfronteiriço, com o documento da ONU a referir “uma rota virada para a China através do norte do Estado de Shan, particularmente em torno do corredor Lashio-Muse; uma rota oriental de Shan que liga Myanmar à Tailândia e à República Democrática Popular do Laos; e uma rota para oeste, em direção ao nordeste da Índia.”

Outras drogas destacadas são ainda a canábis e cocaína, tendo a canábis traficada a partir da Tailândia sido “apreendida em vários países europeus”. O tráfico destes dois tipos de estupefacientes “demonstram a crescente exposição do Sudeste Asiático a fluxos de tráfico internacional mais amplos”.

Novamente o triângulo marítimo de Sulu-Celebes surge nesta equação, sendo identificado como um “corredor cada vez mais importante para o trânsito de cocaína proveniente da América Latina”. Assim, é indicado que “o Sudeste Asiático está a funcionar não só como uma região de origem para as exportações de drogas, mas também como um ponto de trânsito e destino emergente para fluxos originários de fora da região”. A.S.S. /Lusa

23 Jul 2026

SMG | Alerta para possível tufão no fim-de-semana

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicaram ontem que uma área de baixas pressões, localizada ontem a leste das Filipinas, pode desenvolver-se numa “tempestade tropical e que, sob a condução de um anticiclone em altitude, se desloque para a parte norte do Mar do Sul da China nos próximos dias”.

As autoridades sublinham que, para já, existem divergências nos modelos que antecipam a trajectória e velocidade de deslocação no Mar do Sul da China. No entanto, caso “venha a adoptar uma trajectória mais próxima da costa de Guangdong, o seu impacto em Macau será ainda mais significativo, sendo o risco meteorológico bastante elevado”.

Os SMG acrescentam que, embora a trajectória desta área de baixa pressão ainda seja incerta, “as previsões actuais” apontam para que se desenvolva numa “tempestade tropical de intensidade igual ou superior a tufão”.

Sob a influência desta potencial tempestade tropical, prevê-se que o vento em Macau se intensifique significativamente durante o fim-de-semana, e que seja acompanhado de aguaceiros frequentes e trovoadas ocasionais.

Até lá, os SMG indicaram que entre hoje e sexta-feira Macau estará sob a influência de um anticiclone em altitude, que trará tempo soalheiro e muito quente, “podendo a temperatura ser igual ou superior a 33 graus”, acrescidos de 1 ou 2 graus nas zonas urbanas. As autoridades indicaram a probabilidade de emitir o alerta amarelo de temperaturas altas.

22 Jul 2026

AliExpress vai recorrer da “desproporcionada” multa europeia de 550 milhões de euros

A plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress anunciou ontem que vai recorrer da multa recorde de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia, classificando como “desproporcionada” a sanção por alegado incumprimento no combate à venda de produtos ilegais.

“Estamos surpreendidos com a decisão da União Europeia (UE) e com a multa desproporcionada, e não concordamos com ela. (…) O AliExpress tem estado e continua comprometido com as suas obrigações para com os consumidores”, afirmou a empresa, num comunicado publicado no portal de notícias corporativas da sua casa-mãe, o grupo Alibaba.

“A decisão (…) ignora o nosso sólido quadro de gestão de riscos e as melhorias significativas e proactivas que implementámos. Vamos recorrer da decisão”, acrescentou a plataforma.

Segundo o comunicado, o AliExpress “trabalhou de forma construtiva” com a Comissão Europeia para introduzir “muitas melhorias e compromissos voluntários”, respeitando um “espírito de cooperação e transparência”.

A empresa sublinhou ainda ter investido “recursos consideráveis” na gestão e mitigação de riscos, na segurança dos produtos e na protecção dos consumidores.

Falta de controlo

A Comissão Europeia anunciou ontem a aplicação da multa, por considerar que o AliExpress não dispõe de pessoal suficiente para fiscalizar a presença de produtos ilegais na plataforma, como artigos contrafeitos ou que violam normas de segurança, acusando ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detectar e remover esse tipo de anúncios.

Segundo Bruxelas, muitos dos produtos identificados continuam disponíveis durante “várias semanas”, os vendedores podem manter as lojas activas apesar de terem sido sancionados e os mecanismos de controlo da plataforma podem ser contornados “com facilidade”.

De acordo com o executivo comunitário, esta situação prejudica não só os consumidores, mas também as “empresas legítimas que investem em design, testes de segurança e inovação, obrigando-as a competir com produtos que evitam esses custos”.

“A proliferação de roupa contrafeita, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e outros produtos ilegais e nocivos não é um custo inevitável das compras ‘online’, mas sim um incumprimento, por parte do AliExpress, das suas obrigações”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política digital, Henna Virkkunen.

Multa pesada

O AliExpress tem agora até 20 de outubro para apresentar à Comissão Europeia um plano com as medidas que pretende adoptar para corrigir estas práticas. Bruxelas disporá depois de um mês para o avaliar e propor um calendário “razoável” para a sua implementação.

Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a do AliExpress é a mais elevada.

Em Maio, Bruxelas multou a também chinesa Temu em 200 milhões de euros por não impedir a venda de produtos ilegais e, em Dezembro do ano passado, aplicou uma multa de 120 milhões de euros à rede social X por falta de transparência.

22 Jul 2026