Ténis | Francisco Cabral nas meias-finais de pares de Xangai

O tenista português Francisco Cabral, ao lado do norte-americano JJ Tracy, qualificou-se ontem para as meias-finais de pares do Masters 1.000 de Xangai, depois de vencer o norte-americano Robert Galloway e o sueco Andre Goransson. Francisco Cabral (30.º do ranking mundial de pares) e JJ Tracy (42.º) derrotaram Robert Galloway (47.º) e Andre Goransson (29.º), por 6-3 e 6-4, ao fim de uma hora e oito minutos.

Nas meias-finais, a dupla luso-norte-americana vai defrontar os franceses Theo Arribage (20.º) e Albano Olivetti (19.º) ou os alemães Kevin Krawietz (sétimo) e Tim Puetz (11.º), oitavos e terceiros cabeças de série, respectivamente.

Francisco Cabral ‘vingou’ a derrota na última época na primeira ronda em Xangai, quando perdeu, ao lado do austríaco Lucas Miedler, frente ao sueco Andre Goransson (29.º), que jogava com o norte-americano Alex Michelsen.

Cabral igualou a sua melhor prestação em torneios Masters 1.000, depois de já ter chegado às meias-finais em Paris em 2025, com Lucas Miedler, garantindo, virtualmente, a subida ao 27.º lugar do ranking.

Antes do portuense, apenas João Sousa tinha chegado a meias-finais de pares em Masters 1.000, em Madrid em 2019 e em Roma em 2018, torneio no qual, com o espanhol Pablo Carreño Busta, chegou mesmo à final. JJ Tracy tinha como melhor prestação num Masters 1.000 os quartos de final em Paris em 2025, onde, com o australiano John Peers, foi eliminado por Cabral e Miedler.

15 Out 2026

Índia | Treze crianças morrem em naufrágio no rio Ganges

Pelo menos 13 crianças morreram afogadas na terça-feira à noite quando um barco, alegadamente sobrecarregado segundo testemunhas, virou no rio Ganges, nordeste da Índia, informaram as autoridades locais. A embarcação virou ao anoitecer enquanto atravessava o rio para levar passageiros a um festival religioso numa aldeia do estado de Bihar.

“As buscas foram retomadas hoje (ontem) de manhã, depois de terem sido suspensas devido à escuridão”, disse Varsha Singh, uma autoridade do distrito de Vaishali, acrescentando que várias pessoas ainda estavam desaparecidas. Seis passageiros também foram hospitalizados, disse o médico Nirmal Kumar.

“Estava escuro quando de repente ouvimos crianças a gritar e a pedir ajuda. Só conseguimos salvar três crianças graças à luz dos nossos telemóveis e lanternas”, disse Radi Yadav, um residente que participou no resgate.

Segundo outro residente da aldeia, Ramlakhan Rai, o barco foi concebido apenas para seis pessoas, mas transportava pelo menos 20 a 25.

“Mesmo sabendo das péssimas condições deste pequeno barco, as autoridades locais não fizeram nada para o substituir ou reparar”, acusou. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, manifestou o seu “profundo pesar” após o acidente e prometeu assistência financeira às famílias das vítimas.

Os naufrágios são frequentes na Índia, devido a embarcações sobrecarregadas, incumprimento das normas de segurança ou falta de equipamento de segurança.

15 Out 2026

Vaticano | Papa Leão XIV passou noite tranquila após cirurgia

O Papa Leão XIV passou uma noite tranquila no hospital Gemelli, após a cirurgia para remover o lobo inferior do pulmão direito e a confirmação de um diagnóstico de cancro, informou o Vaticano. Num comunicado ontem divulgado, o Vaticano remeteu mais informação para mais tarde.

Segundo as informações do boletim médico divulgado depois da cirurgia, na terça-feira, os exames confirmaram o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, o que obrigou a remover o lobo inferior do pulmão direito.

Na mesma nota, o Vaticano indicava que a suspeita do diagnóstico tinha surgido em exames pré-operatórios e foi confirmada durante o procedimento cirúrgico, que durou 90 minutos. Na segunda-feira, o Vaticano cancelou todas as audiências do Papa até ao próximo dia 20 de Outubro.

Nódulo retirado

A cirurgia a que foi submetido esta terça-feira, 13 de Outubro, para remover um nódulo no pulmão foi concluída com resultado positivo. A informação foi divulgada na terça-feira pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

“A intervenção foi concluída positivamente, nos tempos e nos modos previstos, e o Santo Padre regressou ao quarto. Seguir-se-ão mais informações”, informou então o Vaticano. O pontífice, de 71 anos, foi operado no Hospital Universitário Gemelli, em Roma. A intervenção foi realizada pela equipa de cirurgia torácica liderada pelo professor Stefano Margaritora.

O nódulo pulmonar tinha sido detectado durante exames médicos de rotina. Leão XIV anunciou no domingo que a lesão estava localizada e tinha sido identificada numa fase inicial, tendo decidido avançar com a cirurgia por recomendação médica. Antes da operação, o Vaticano indicou que o Papa deveria permanecer internado durante cerca de uma semana.

Leão XIV tornou-se o líder de 1,4 mil milhões de católicos em todo o mundo – e o primeiro Papa norte-americano da história – a 08 de Maio de 2025, após o falecimento, aos 88 anos, do argentino Papa Francisco.

Embora menos exuberante que o antecessor, Leão XIV imprimiu gradualmente o seu próprio estilo à liderança da Igreja Católica, abordando algumas das questões mais prementes a nível mundial, dos conflitos mortíferos à Inteligência Artificial.

15 Out 2026

Fujian | Condenados três membros de rede de fraudes à pena de morte

Dois tribunais da província chinesa de Fujian, no sudeste do país, condenaram à morte três membros de uma rede criminosa ligada a fraudes transnacionais cometidas a partir de Myanmar (antiga Birmânia), noticiou ontem a imprensa local.

No mesmo processo, julgado pelos tribunais de Quanzhou e Nan’an, outros três arguidos foram condenados a prisão perpétua e 55 receberam penas de prisão entre três e 24 anos, segundo o jornal oficial Global Times.

As sentenças, anunciadas na terça-feira, incluem ainda multas, confisco de bens e, em alguns casos, deportação. Todos os condenados pertencem ao chamado clã Wei, considerado uma das principais famílias criminosas da região de Kokang, no norte de Myanmar, junto à fronteira com a China.

Os condenados à morte são Wei Huairen, Chen Dawei e Liao Jingfang, enquanto Wei Qingtao, Kang Min e Xiong Hengxing receberam penas de prisão perpétua.

Segundo os tribunais, dois grupos criminosos aproveitaram, desde 2019, a influência do clã Wei em Kokang para estabelecer vários complexos dedicados a actividades ilegais na cidade de Laukkaing e fornecer protecção armada aos responsáveis pelas operações.

As organizações estiveram envolvidas em crimes como burlas ‘online’, exploração de casinos ilegais, extorsão, organização de prostituição, tráfico de droga e tráfico de pessoas. Os lucros destas actividades ultrapassaram 12 mil milhões de yuan, segundo a sentença.

Redes desmanteladas

Os tribunais consideraram ainda que o clã Wei colaborou com redes de fraude no homicídio de pessoas que se recusaram a cumprir ordens nos complexos criminosos, incluindo quatro cidadãos chineses. Nos últimos dois anos, as autoridades chinesas anunciaram o desmantelamento dos clãs Ming, Wei e Liu, considerados entre as principais organizações criminosas de Kokang.

O processo insere-se na campanha lançada por Pequim contra as redes de burlas informáticas sediadas em Myanmar, onde grupos armados de origem chinesa controlaram durante anos complexos dedicados a fraudes ‘online’, prostituição e jogo ilegal.

Até ao final de 2025, os tribunais chineses julgaram mais de 27 mil processos relacionados com fraudes através de telecomunicações cometidas a partir do norte de Myanmar e condenado mais de 41 mil pessoas repatriadas daquele país, segundo um relatório do Supremo Tribunal Popular da China.

Os centros de fraude proliferaram nas regiões fronteiriças de Myanmar após o golpe de Estado militar de Fevereiro de 2021, que agravou a instabilidade no país e favoreceu a expansão de redes de crime organizado.

Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 120 mil pessoas encontram-se retidas em centros de Myanmar, onde são obrigadas a cometer burlas informáticas.

As vítimas são frequentemente atraídas por falsas ofertas de emprego e depois mantidas em complexos fechados, semelhantes a prisões, onde são forçadas a realizar fraudes através da Internet, sob ameaças e sujeitas a “violência extrema”, de acordo com autoridades internacionais.

15 Out 2026

Pacífico ocidental | Porta-aviões Liaoning em exercícios militares

A Marinha chinesa anunciou ontem o envio de um grupo de combate liderado pelo porta-aviões Liaoning para o Pacífico ocidental, onde realizará exercícios militares destinados a reforçar a preparação das suas unidades em condições reais de combate.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP, Forças Armadas chinesas) indicou que as manobras integram o plano anual de treino militar e visam melhorar a capacidade operacional das unidades em “condições reais de combate”.

O organismo militar assegurou que os exercícios respeitam o direito internacional e “não são dirigidos contra qualquer país ou alvo específico”. O anúncio não especifica a composição do grupo de combate, as águas do Pacífico ocidental onde decorrerão as manobras, a sua duração ou as actividades previstas.

O Liaoning, o mais antigo dos três porta-aviões operacionais da China, já foi destacado para a mesma região em Maio, quando a Marinha anunciou exercícios que incluíram voos tácticos em alto-mar, exercícios de fogo real e operações de busca e salvamento.

Um ano antes, em Junho de 2025, o Liaoning e o porta-aviões Shandong realizaram um destacamento simultâneo de mais de um mês no Pacífico ocidental, durante o qual conduziram exercícios de combate e operações conjuntas com outras unidades militares.

15 Out 2026

Crime | Detido após roubo e fuga para Hengqin com propulsor aquático

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de dois homens, envolvidos num assalto com faca e que envolveu também uma fuga para a Ilha da Montanha com um propulsor aquático. Os suspeitos estão a ser investigados por outro roubo, praticado em Dezembro do ano passado, e estavam sujeitos às medidas de coacção de apresentações periódicas e proibição de saída do território.

Uma mulher do Interior pretendia comprar um imóvel em Macau e combinou uma troca de dinheiro, através de um grupo online, num quarto de hotel no Cotai. A vítima fez-se acompanhar de uma amiga, a 23 de Setembro, e quando as duas entraram no quarto de hotel foram confrontadas com um homem armado com uma faca com 20 centímetros. O assaltante ficou com o dinheiro da vítima, num total de 21 mil dólares de Hong Kong, mas não infligiu qualquer ferimento às mulheres.

Consumado o assalto, o suspeito colocou-se em fuga e utilizou um propulsor aquático para sair ilegalmente da RAEM e entrar na Ilha da Montanha. Contudo, após a queixa das mulheres, o suspeito foi detido logo no mesmo dia pelas autoridades do Interior, junto à costa de Hengqin.

Ontem, a PJ anunciou a detenção de mais um suspeito, considerado cúmplice, que ainda estava em Macau e foi interceptado na zona do NAPE. A polícia afirmou que este homem auxiliou o principal suspeito no transporte da arma e do propulsor que permitiu a fuga. Além disso, durante o assalto este detido estava de vigia à porta do quarto de hotel.

Ambos os indivíduos já tinham estado envolvidos num outro caso de roubo em Dezembro de 2025. Nessa altura, os homens ficaram sujeitos às medidas de coacção de proibição de saída do território e de apresentação periódica, o que não impediu novo delito.

15 Out 2026

Cáritas | Cantinas de São Lourenço e Areia Preta abrem em breve

As cantinas comunitárias da Cáritas nos bairros de São Lourenço e Areia Preta serão inauguradas em breve, revelou o secretário-geral da Cáritas, Paul Pun, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau. Os dois espaços vão providenciar refeições a baixo custo para idosos.

Segundo Paul Pun, as obras da cantina perto do Centro de Idosos de São Lourenço estão quase terminadas, e o espaço terá capacidade para servir almoços e jantares a mais de 20 pessoas, enquanto a cantina na Areia Preta, que deverá começar a operar daqui a duas semanas, tem capacidade para servir refeições a mais de três dezenas de utentes.

Além dos serviços das cantinas comunitárias, o Cáritas quer lançar um serviço de entrega de refeições ao domicílio para idosos que vivem sozinhos ou casais de idosos que não tenham apoio familiar.

A instituição ligada à Diocese de Macau tem também entre os objectivos futuros a abertura de um novo lar de idosos, construído perto do Templo de Kun Iam, na Avenida do Coronel Mesquita. Paul Pun estima que as obras estejam concluídas em 2028.

15 Out 2026

Trânsito | Conselheira pede maior combate a infracções

A vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Chan Si Ian, defendeu a necessidade de sensibilizar os condutores para a melhoria dos hábitos na estrada. A posição da conselheira que integra a Aliança do Bom Lar foi manifestada num comunicado.

Chan Si Ian está preocupada com os números mais recentes das infracções no trânsito que apresentam um aumento das infracções por desrespeito do sinal vermelho e por não cedência de passagem. Embora considere que a subida também se deve uma postura mais activa das autoridades, Chan acredita que as infracções estão principalmente relacionadas com a postura dos condutores.

Por isso, a conselheira pretende que o Executivo adopte uma abordagem ao problema em que as diferentes vertentes passem não só pelo agravamento das multas, mas também pela utilização de tecnologias para combater as infracções e pela melhoria das infra-estruturas rodoviárias.

Chan Si Ian apelou também às autoridades para focarem as atenções na Ponte da Amizade, um dos locais com mais acidentes no território. Chan Si Ian espera que as forças responsáveis “analisem em profundidade as causas dos acidentes na ponte” e apresentem “medidas de melhoria direccionadas para situações como o excesso de velocidade e a mudança indevida de faixa de rodagem”.

A conselheira pede ainda a instalação de mais videovigilância na secção central da ponte para punir o excesso de velocidade, assim como as mudanças irregulares de faixa.

15 Out 2026

Saúde | Hospital em Hengqin em rede de partilha de informações

O Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Guangzhou em Hengqin entrou, na terça-feira, na rede de registo digital de saúde de Macau, permitindo à unidade partilhar informação médica com 10 instituições de saúde da RAEM, entre hospitais e clínicas.

A Plataforma de Registo Electrónico de Saúde de Macau (eHR) dá acesso a médicos autorizados em Macau e no hospital em Hengqin ao registo de doentes dos dois lados da fronteira, eliminando a necessidade de repetir exames ou prescrições de medicamentos.

A medida de integração foi apresentada na terça-feira, com o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, a indicar que a partilha de registos clínicos poderá ser alargada a outros hospitais e clínicas do Interior da China.

O responsável sublinhou a importância do reforço da cooperação médica transfronteiriça, que já no ano passado havia dado um avanço significativo com a abertura da Clínica Especializada Conjunta Hengqin-Macau, uma unidade que nasceu da cooperação entre o Hospital Conde de São Januário e o Hospital de Hengqin que entrou agora na plataforma eHR. Alvis Lo destacou também a abertura do Centro de Formação Conjunto Hengqin-Macau para Medicina Familiar, que começou a operar em Maio também através da cooperação entre os dois hospitais.

15 Out 2026

IC | Canhão encontrado na Ilha Verde vai ser estudado

A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, afirmou que o canhão antigo descoberto na Ilha Verde, na semana passada, está guardado e vai ser alvo de estudo e restauro. A revelação foi feita durante a conferência de imprensa, após a reunião de ontem do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural.

Leong indicou que o canhão foi guardado num armazém em condições especiais, para evitar danos ambientais, e que vai ser elaborado um plano de restauro tendo em conta o estado desta relíquia.

Sobre o andamento do estudo do canhão, a presidente do IC prometeu que as informações vão ser divulgadas atempadamente. Todavia, a responsável avisou que vai ser muito complicado reconstituir totalmente a história do canhão apenas com base no achado recente. Ainda assim foi prometido que o IC vai “começar por organizar os dados fragmentados existentes” para “realizar estudos e investigações de longo prazo” com peritos e académicos.

As autoridades admitem ainda que o canhão pode vir a ser exposto, mas apenas quando forem terminados os trabalhos de estudo. Nesta fase, não está escolhido o local onde a peça poderá ser exibida.

O canhão foi encontrado num estaleiro de obras no cruzamento da Estrada Marginal da Ilha Verde com a Travessa Dois do Parque Industrial. Sobre a possibilidade de haver outros objectos enterrados no local com valor histórico, Deland Leong afirmou que as probabilidades são muito baixas, pelo que os trabalhos de construção deverão recomeçar.

15 Out 2026

Economia | Estimada contracção de 2 por cento

A Associação Económica de Macau estima que a economia do território tenha encolhido dois por cento em termos anuais no terceiro trimestre do ano, para 102,9 mil milhões de patacas. O número foi revelado ontem, com a publicação do mais recente Índice de Prosperidade da associação.

A redução do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre é explicada com a tendência mais recente das receitas brutas do jogo, que em termos anuais estão em quebra há quatro meses consecutivos.

Outro facto que contribui para uma economia menos forte, é o aumento do número de turistas que não pernoitam em Macau e que tendem a gastar menos dinheiro em comparação com os que ficam alojados nos hotéis. Apesar destas características mais recentes do turismo local, a Associação Económica de Macau considera que o crescimento do número de visitantes é um facto positivo que mostra a resiliência do mercado.

15 Out 2026

FMI | Resiliência financeira global está a “chegar ao limite”

A economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Silvana Tenreyro, alertou ontem que, apesar de a economia mundial ter resistido a “guerras, inflação e turbulência financeira”, este ano, essa capacidade de adaptação está a “chegar ao limite”.

Numa conferência de imprensa para anunciar o novo relatório World Economic Outlook, durante as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial em Banguecoque, Tenreyro defendeu que os governos mundiais “devem passar de uma lógica de resposta aos choques para uma estratégia de reconstrução”.

O FMI prevê um crescimento global de 3,1 por cento em 2026, antes de acelerar para 3,4 por cento em 2027, enquanto a inflação mundial deverá subir para 4,7 por cento este ano e recuar para 4,1 por cento no próximo.

Segundo Tenreyro, o aumento dos preços da energia e das matérias-primas associado aos conflitos geopolíticos está a travar a actividade económica, ao mesmo tempo que o boom da inteligência artificial (IA) impulsiona o comércio, o investimento e o crescimento.

“Estas forças da procura e da oferta puxam a actividade em direcções opostas”, afirmou. “Mas ambas exercem pressão ascendente sobre a inflação”, continuou.

A responsável alertou que a evolução da economia mundial está a tornar-se cada vez mais desigual. Os países exportadores de energia e os mais integrados nas cadeias tecnológicas ligadas à IA deverão beneficiar, enquanto os importadores de energia e as economias menos expostas ao sector tecnológico enfrentam perspectivas mais difíceis.

Perigos no caminho

O FMI identificou três riscos principais para os próximos anos: uma nova escalada dos preços da energia, uma eventual correcção das expectativas em torno da inteligência artificial e o agravamento das fragilidades orçamentais.

Tenreyro salientou que os mercados energéticos conseguiram absorver parte do impacto dos conflitos graças ao redireccionamento dos fornecimentos, ao aumento da produção noutros países e aos ganhos de eficiência.

“Sem estas margens de ajustamento, estimamos que o crescimento mundial deste ano teria sido de 2,5 por cento em vez de 3,1 por cento “, disse a economista-chefe do FMI.

Contudo, advertiu que algumas dessas almofadas de protecção estão a enfraquecer. “As reservas acumuladas e os ganhos de eficiência energética estão a chegar aos seus limites”, afirmou. A economista destacou igualmente o papel da IA como motor do crescimento recente, mas alertou para os riscos de dependência excessiva.

“As cadeias de abastecimento da IA estão altamente concentradas em poucos países, sectores e empresas, o que cria potenciais estrangulamentos”, disse, acrescentando que uma reavaliação das expectativas sobre a rentabilidade da tecnologia poderá afectar o crescimento e a estabilidade financeira.

Perante este cenário, o FMI defende uma política orçamental mais prudente. “Os países com elevados níveis de dívida e défices precisam de iniciar uma consolidação orçamental e garantir que os défices e, em última análise, a dívida seguem uma trajectória descendente”, afirmou Tenreyro.

A responsável apelou ainda aos bancos centrais para manterem o foco no combate à inflação. “A política monetária deve permanecer firmemente orientada para a estabilidade dos preços” e “mais do que nunca, a independência dos bancos centrais é vital para atingir as metas de inflação”, declarou.

“Precisamos de restaurar o espaço orçamental e reconstruir a resiliência do lado da oferta, para que os países estejam mais bem preparados para enfrentar futuros choques e garantir um crescimento sustentável”, concluiu.

14 Out 2026

Pequim aprova preparativos da VISA para entrar no mercado de cartões bancários

O Banco Popular da China (banco central) autorizou ontem a norte-americana Visa a iniciar os preparativos para estabelecer uma entidade de compensação de cartões bancários no país, primeiro passo para operar uma rede própria de processamento de pagamentos.

De acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a Visa Information Technology (Pequim), sociedade constituída na China pela multinacional norte-americana, terá um ano para concluir os preparativos e solicitar a autorização definitiva para iniciar operações.

A licença terá de ser aprovada conjuntamente pelo Banco Popular da China (BPC) e pela Administração Nacional de Regulação Financeira, pelo que a autorização anunciada ontem ainda não permite à Visa prestar estes serviços.

Caso obtenha a licença, a empresa poderá processar pagamentos na moeda chinesa, o yuan, com cartões emitidos por bancos chineses para operações na China, uma actividade distinta dos serviços que já disponibiliza para cartões estrangeiros utilizados no país asiático.

Na mesma rota

A Visa seguirá assim os passos das concorrentes norte-americanas American Express e Mastercard, que já receberam autorização para operar redes de compensação de cartões bancários no mercado chinês.

A American Express obteve a licença em 2020, enquanto a Mastercard recebeu a aprovação definitiva em Novembro de 2023 e iniciou operações em Maio de 2024, através de uma empresa conjunta com a chinesa NetsUnion.

A Visa confirmou, em Novembro de 2018, que solicitou autorização para estabelecer uma entidade de compensação de cartões na China, pelo que a aprovação anunciada ontem surge quase oito anos depois do pedido inicial.

As duas concorrentes entraram num mercado historicamente dominado pela rede nacional UnionPay, no âmbito da abertura do sector chinês dos pagamentos a operadores estrangeiros.

Ao contrário da American Express e da Mastercard, que recorreram a empresas conjuntas com parceiros chineses, a Visa obteve a autorização preparatória através de uma sociedade constituída no país pela própria multinacional.

Se receber a licença definitiva, a Visa poderá alargar as opções disponíveis aos bancos chineses para a emissão de cartões e o processamento de pagamentos, além de oferecer novas alternativas aos comerciantes e consumidores, dependendo dos serviços autorizados.

14 Out 2026

Guerras de preços na China reforçam domínio mundial das tecnologias verdes

O Instituto Mercator de Estudos sobre a China indicou que a concorrência excessiva entre empresas chinesas de tecnologias verdes está a provocar prejuízos mas também a reforçar o domínio mundial chinês, aumentando a pressão sobre a indústria europeia.

Num relatório publicado na sexta-feira, o Instituto Mercator de Estudos sobre a China (MERICS) analisa as consequências das guerras de preços nos sectores dos painéis solares, veículos eléctricos e turbinas eólicas, que beneficiaram durante anos de forte apoio estatal.

Em 2025, as empresas chinesas forneceram pelo menos três quartos dos painéis solares, turbinas eólicas e veículos eléctricos vendidos em todo o mundo, enquanto a China representou pelo menos 57 por cento da procura mundial destes produtos, segundo o ‘think tank’ com sede em Berlim.

Paradoxos asiáticos

Os investigadores identificaram um paradoxo: apesar do sucesso internacional, muitas das empresas chinesas enfrentam margens de lucro reduzidas ou acumulam prejuízos, devido à concorrência intensa e ao excesso de capacidade de produção.

Na China, este fenómeno é conhecido como “involução”, um termo utilizado para descrever uma competição em que as empresas investem cada vez mais recursos para preservar ou conquistar quotas de mercado, sem obterem benefícios proporcionais.

“Trata-se de uma corrida para o fundo, na qual todos os participantes de um sistema trabalham mais e gastam mais recursos, mas sem obterem maiores ganhos”, lê-se no relatório, intitulado Survival of the fiercest: How involution helps China dominate green tech globally.

Segundo o MERICS, esta dinâmica tornou-se parte integrante da estratégia industrial chinesa, uma vez que a pressão sobre os preços reforça a competitividade das empresas nacionais face aos concorrentes estrangeiros.

“Isso significa que o domínio da China nas tecnologias verdes está a tornar-se ainda mais forte”, apontaram os investigadores. O MERICS considerou que a concorrência excessiva no mercado chinês está a acelerar a expansão internacional das empresas, que procuram margens de lucro superiores. Em alguns casos, o mesmo modelo de automóvel eléctrico pode ser vendido na Europa por um preço até duas vezes superior ao praticado na China, segundo o relatório.

Destino de eleição

A Europa tornou-se o principal destino das exportações chinesas de tecnologias verdes, ultrapassando a Ásia em 2021. Actualmente, os produtos chineses são entre 30 por cento e 50 por cento mais baratos do que os equivalentes europeus de qualidade comparável, dependendo da tecnologia.

“Para muitas empresas estrangeiras, a única estratégia viável parece ser transferir uma parte maior da sua produção para a China, para beneficiarem das mesmas vantagens de custos que os concorrentes”, referiu o estudo.

Esta tendência coloca em causa as ambições industriais europeias, incluindo os objectivos da legislação comunitária destinada a reforçar a produção de tecnologias com emissões líquidas nulas.

Apesar de o Governo chinês ter elevado o combate à chamada “involução” a prioridade política, o MERICS considerou que as medidas adoptadas até agora não resolvem as causas estruturais do problema.

Segundo o estudo, as autoridades locais continuam a ter incentivos para apoiar empresas estratégicas, mesmo quando estas acumulam prejuízos, uma vez que contribuem para o crescimento económico, o emprego e as receitas fiscais.

“Enquanto a concorrência implacável ajudar as empresas chinesas a conquistar quotas de mercado mundiais e a assegurar a posição da China no centro de indústrias fundamentais, Pequim continuará a considerar esta abordagem política um sucesso global”, lê-se no relatório.

14 Out 2026

Cooperação | China trabalha com Rússia para proteger rotas marítimas e abastecimento energético

As parcerias entre os dois vizinhos ganham novos contornos face à crise global desencadeada pelas guerras no Irão e na Ucrânia

A China defendeu o reforço da cooperação com a Rússia para garantir a segurança das principais rotas marítimas internacionais e a estabilidade do abastecimento energético, num contexto de perturbações no transporte mundial de petróleo e tensões geopolíticas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim está disposta a coordenar as estratégias marítimas com Moscovo, durante um encontro realizado na segunda-feira na capital chinesa com Nikolai Patrushev, assessor do Presidente russo, Vladimir Putin.

“A China está disposta a trabalhar com a Rússia para reforçar a coordenação das estratégias marítimas, aproveitar as vantagens complementares de ambos os países e proteger os respectivos interesses marítimos legítimos”, afirmou Wang, segundo um comunicado divulgado ontem pela diplomacia chinesa.

O ministro defendeu que os dois países devem “salvaguardar a segurança marítima na região Ásia-Pacífico e garantir a circulação normal nos principais corredores marítimos mundiais”.

Wang sublinhou a necessidade de respeitar a soberania e a segurança dos Estados costeiros e de assegurar a estabilidade do abastecimento de energia e matérias-primas, bem como o funcionamento das cadeias de produção e abastecimento.

As declarações surgem num contexto de fortes perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais vias de abastecimento energético mundial, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

As sanções ocidentais impostas à Rússia têm também aumentado a importância de rotas comerciais alternativas para Moscovo e Pequim.

Durante o encontro, Wang destacou a convergência entre a iniciativa chinesa da “Rota da Seda Polar” e os planos russos para desenvolver as rotas marítimas do Ártico. “Ambas as partes devem alargar os intercâmbios nos assuntos marítimos e do Ártico, atcivando um ‘motor azul’ para o desenvolvimento das relações entre a China e a Rússia”, acrescentou.

Do outro lado

Patrushev, que preside ao Conselho Marítimo da Rússia, manifestou a disponibilidade de Moscovo para reforçar a cooperação com Pequim na construção de um corredor internacional de transporte através do Ártico e na governação marítima multilateral.

Segundo um comunicado do organismo russo, o assessor de Putin considerou que o crescimento das relações comerciais e energéticas entre os dois países exige rotas de transporte fiáveis e resistentes a perturbações.

“Com a concretização destas iniciativas, os nossos países podem transformar o mapa geoeconómico mundial, tornando o comércio marítimo mais barato, acessível e seguro face a quaisquer riscos, incluindo a escalada militar, a pirataria e as sanções”, afirmou Patrushev.

A Rússia procura desenvolver o potencial económico das regiões árticas, através da criação de uma rede integrada de transportes que ligue portos, caminhos de ferro, vias fluviais e instalações industriais no norte do país, na Sibéria e no Extremo Oriente.

A China considera as rotas marítimas do Ártico uma alternativa aos corredores comerciais tradicionais, particularmente num contexto de agravamento das tensões internacionais. Em Agosto, a transportadora Sea Legend lançou o primeiro serviço regular chinês de transporte de contentores para a Europa através do Ártico.

Em Xangai, “capital” económica da China, o assessor presidencial russo visitou o estaleiro Waigaoqiao Shipbuilding, um dos maiores do país, e defendeu a construção conjunta de navios preparados para navegar em águas geladas, incluindo embarcações destinadas ao transporte marítimo no Ártico.

Patrushev reuniu-se também em Pequim com o ministro chinês dos Transportes, Liu Wei, para discutir o desenvolvimento conjunto de novas ligações marítimas e fluviais, sobretudo nas regiões polares.

Patrushev considerou que a parceria estratégica entre Moscovo e Pequim é “mais importante do que nunca” perante a instabilidade internacional.

14 Out 2026

FMI | Apontado crescimento da China para 4,5% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações.

Nas previsões atualizadas, o FMI antecipa agora um crescimento de 4,5 por cento para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4 por cento em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais.

“A fraqueza do consumo interno e o abrandamento do investimento, num contexto de tensões persistentes no sector imobiliário, foram apenas parcialmente compensados pelo dinamismo das exportações”, explicou a instituição.

O FMI considera, contudo, que “o apoio das políticas públicas deverá evitar um abrandamento mais acentuado” da segunda maior economia mundial. As novas previsões situam-se no limite inferior do objectivo oficial de crescimento fixado por Pequim para este ano, entre 4,5 por cento e 5 por cento, o mais baixo em décadas.

14 Out 2026

Saúde | Macau reforça rastreio devido a “pneumonia desconhecida”

Macau anunciou o reforço do rastreio dos viajantes vindos da região da Rússia onde morreu, devido a uma “pneumonia de origem desconhecida”, uma investigadora de um instituto que estuda a peste pneumónica

Macau anunciou o reforço da vigilância e rastreio nos postos fronteiriços a pessoas do histórico de viagem na região russa onde morreu na semana passada uma cientista com uma “pneumonia de origem desconhecida”. A vítima mortal era investigadora de um instituto que estuda a peste pneumónica.

Assim sendo, as pessoas que tenham estado na região de Irkutsk, na Sibéria, nos 14 dias anteriores, “devem declarar voluntariamente esta informação” à chegada a Macau e cooperar com os procedimentos de triagem médica, disseram na segunda-feira à noite os Serviços de Saúde (SS).

Em 5 de Outubro, a agência nacional de saúde pública da Rússia, Rospotrebnadzor, anunciou a morte de uma investigadora no Instituto de Investigação da Peste em Shelekhov, na região de Irkutsk.

Num comunicado, os SS indicaram que vão obrigar todos os viajantes a preencher uma declaração de saúde individual nas principais fronteiras de Macau. Qualquer pessoa que apresente sintomas suspeitos de “pneumonia de origem desconhecida” será “imediatamente transferida” para o hospital público “para avaliação e exames médicos adicionais”, garantiram os serviços.

Os SS prometeram “reforçar ainda mais o rastreio de saúde” nas fronteiras de Macau, através da monitorização da temperatura e a avaliação de saúde dos viajantes. As autoridades de saúde sublinharam que “o risco imediato que este incidente representa para Macau continua a ser baixo”, mas prometeram acompanhar de perto a situação e obter mais informações junto da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os SS admitiram que, “como o agente patogénico responsável pela morte da pessoa permanece por identificar, persiste a incerteza”. Horas antes, o Serviço para a Protecção da Saúde de Hong Kong tinha também anunciado um reforço dos controlos de saúde para quem chega ao aeroporto local vindo da Rússia.

Doente zero

A Rospotrebnadzor desmentiu rumores, surgidos nas redes sociais, que apontavam a morte de Daria Shipilova, de 28 anos, como um caso de peste pneumónica e indicou que detectou apenas dois casos de covid-19 e dois de infecção por rinovírus.

Inicialmente, a imprensa noticiou que a chamada “doente zero” contraiu a bactéria Yersinia Pestis, transmitida entre animais e humanos, na Tailândia, de onde a cidadã russa tinha regressado recentemente. O Departamento de Controlo de Doenças da Tailândia informou estar em contacto com a OMS, mas não confirmou a viagem da cidadã russa ao país.

A Rospotrebnadzor negou a ocorrência de qualquer acidente durante o manuseamento de microrganismos no instituto e salientou que a investigação confirmou o cumprimento de todos os protocolos durante o trabalho laboratorial. O organismo recordou ainda que a jovem estava vacinada e possuía uma forte imunidade contra possíveis infecções.

Por outro lado, acrescentou que Irkutsk não enfrenta riscos epidémicos e que já estão concluídas mais de 90 por cento das análises junto das pessoas que contactaram com a vítima.

Nos quase cinco mil testes, não foi encontrado “nenhum microrganismo patogénico perigoso”, facto sobre o qual a OMS teria sido devidamente informada, disse a Rospotrebnadzor. Mesmo assim, a OMS solicitou mais transparência para despistar riscos epidemiológicos.

14 Out 2026

Casinos | Joey Lao admite resultados inesperados

O deputado Joey Lao Chi Ngai admite que os números mais recentes das receitas do jogo são “inesperados”, mas apela que não se caia numa onda de “pessimismo excessivo”. A posição foi tomada em declarações ao jornal do Cidadão, com o economista a reconhecer a probabilidade de contracção económica no terceiro trimestre.

Com as receitas do jogo em quebra há quatro meses consecutivos face ao período homólogo, Joey Lao destacou o período do final do ano. Segundo o também presidente da Associação Económica de Macau, os meses finais do ano concentram vários festivais e eventos que tornam o mercado do jogo mais dinâmico.

Face à dinâmica tradicional, o economista acredita que as receitas dos casinos vão ultrapassar as estimativas do Governo. No ano passado, o Executivo estimou uma meta para as receitas brutas do jogo de cerca de 236 mil milhões de patacas.

Apesar da toada mais positiva para o futuro, Joey Lao reconhece que a economia de Macau, altamente dependente do jogo, pode ter contraído durante o terceiro trimestre em termos homólogos. O deputado afirmou que há uma probabilidade “elevada” de o Produto Interno Bruto no terceiro trimestre ter diminuído entre 1,8 por cento e 2,5 por cento.

Para lidar com a contracção, Lao pede às autoridades que tentem atrair mais visitantes internacionais, ao estabilizarem as rotas aéreas para Macau e criarem novas ligações.

Em relação à Semana Dourada, o deputado revelou ter passeado pelos bairros comunitários e indicou ter visto vários turistas, o que considerou muito positivo. No entanto, avisou a população de que este aumento de visitantes não significa que a economia fique melhor, porque pode não haver tanta capacidade para gastar dinheiro.

14 Out 2026

FMI | Previsão para RAEM mantida, crescimento de HK revisto em alta

O Fundo Monetário Internacional reviu em alta o crescimento esperado para a economia de Hong Kong, mas manteve a previsão para Macau, com um crescimento de 3,3 por cento este ano. Em 2027, as previsões apontam uma subida de 3,1 por cento do PIB da RAEM

De acordo com o World Economic Outlook divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém a previsão para a RAEM – feita no final de Julho após a missão a Macau, para um crescimento de 3,3 por cento em 2026. No próximo ano, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá subir 3,1 por cento, acrescentou a instituição. A economia de Macau cresceu 4,7 por cento em 2025 e 2,7 por cento na primeira metade deste ano, de acordo com dados oficiais.

No mesmo documento, o FMI reviu ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações. Nas previsões actualizadas, a instituição antecipa agora um crescimento de 4,5 por cento para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4 por cento em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais.

O FMI acredita que o PIB de Hong Kong vai aumentar 3,8 por cento em 2026, mais 1,2 pontos percentuais do que a anterior previsão para o território (2,4 por cento), feita em Maio.

Também em Maio, no âmbito da missão anual do FMI a Hong Kong, a instituição tinha previsto que a economia local iria continuar a crescer à mesma velocidade (mais 2,4 por cento) em 2027. Mas o documento de ontem revê em alta a previsão para o próximo ano, para 2,8 por cento.

O PIB da antiga colónia britânica subiu 3,6 por cento em 2025 e aumentou 5,1 por cento na primeira metade deste ano, de acordo com dados oficiais.

Plano geral

O World Economic Outlook do FMI prevê que a economia mundial vai crescer 3,1 por cento em 2026 e 3,4 por cento em 2027.

A previsão para este ano está inalterada em relação a Abril, mas foi revista em alta em 0,1 pontos percentuais face à actualização de Julho. Já a estimativa para 2027 foi revista em alta em 0,2 pontos percentuais face a Abril, mas manteve-se igual a Julho. Ainda assim, a instituição ressalva que este desempenho esconde “grandes movimentos compensatórios entre países e uma maior concentração do crescimento global”.

Segundo os dados do FMI, 32 economias correspondem agora a 95 por cento do crescimento global, em comparação com 54 economias em Abril, ao passo que as revisões em baixa tornaram-se mais generalizadas, com cerca de 47 por cento das economias a ver as suas projecções reduzidas.

“A economia global não está simplesmente a desacelerar ou acelerar, o crescimento está a ser realocado entre os países conforme a exposição de cada um ao choque de oferta decorrente da guerra e à força da procura relacionada com a Inteligência Artificial”, lê-se no relatório.

14 Out 2026

Chineses Ultramarinos | Associação promete “contar a história bem”

O presidente da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, Lao Ngai Leong, promete que o movimento vai trabalhar para “contar bem as histórias da China e de Macau” através da utilização de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola. A promessa foi feita por Lao Ngai Leong depois de, na condição de vice-presidente da Federação Nacional de Chineses Ultramarinos Retornados, ter participado na cerimónia em Pequim que assinalou o 70.º aniversário desta federação.

Segundo as declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Lao afirmou que a associação de Macau tem de tirar “partido das suas vantagens únicas, especialmente da plataforma de cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola” para promover um maior intercâmbio e desenvolver a Grande Baía.

No âmbito da plataforma, a associação traçou também como objectivo aproveitar “as características da fusão entre as culturas oriental e ocidental para contar bem as histórias da China e de Macau”, promover “os contactos amigáveis entre a China e o exterior” e servir “activamente a grande causa da reunificação da Pátria”.

Segundo as declarações, Lao afirmou igualmente que a associação vai consolidar “as bases ideológicas” e reunir “os apoios e as forças dos chineses do ultramar” para promover o “sentimento patriótico” e as ligações entre aqueles que amam a China e Macau.

14 Out 2026

A-Má | O Lam quer investimento de países de língua portuguesa

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defende que Macau e a província de Fujian devem desenvolver a marca da Deusa A-Má em conjunto e atrair mais investimento dos países de língua portuguesa e espanhola. As declarações constam de um discurso proferido durante o 19.º Festival de Cultura e Turismo A-Má, que decorreu entre segunda-feira e ontem, em Macau.

Num discurso dirigido à comunidade e aos representantes da província de Fujian, de onde é originária a deusa, O Lam defendeu uma melhor promoção da região em Macau, e vice-versa, para atrair investimento dos países de língua portuguesa e espanhola.

A responsável defendeu, assim, o reforço da “cooperação e da ligação nos domínios da cultura, educação, turismo e comércio” entre as duas regiões chinesas para incentivar “mais recursos dos países de língua portuguesa e espanhola a fixarem-se em ambas as regiões”. Com estes esforços, O Lam acredita que é possível servir “conjuntamente a conjuntura geral da abertura de alto nível do País ao exterior”.

Além disso, a governante pediu que a província do Interior e a RAEM construam “um sistema de cooperação no turismo cultural” com itinerários turísticos sobre a deusa. A secretária foi mais longe e afirmou que a cooperação pode levar a que “a cultura de A-Má brilhe com novo esplendor na nova era”.

O Lam defendeu igualmente uma promoção conjunta da “articulação entre o turismo cultural e o comércio” que passe pela Ilha da Montanha. A responsável pediu esforços para tirar partido das “vantagens políticas do porto franco de Macau e da Zona de Cooperação de Hengqin” e da “base industrial e do mercado de Fujian”.

14 Out 2026

Hong Kong | Polícia procura cinzas desaparecidas da diva da pop Anita Mui

A polícia de Hong Kong prometeu “dar seguimento ao caso” do desaparecimento das cinzas de Anita Mui (1963–2003), diva da música pop de Hong Kong, que a família suspeita terem sido roubadas, de acordo com a comunicação social estatal chinesa.

Anita Mui Yim-fong, descrita como a “Madona asiática” e também como “Big Sister” (‘Irmã Mais Velha’) no mundo artístico de Hong Kong, iniciou a carreira em 1968 e, aos cinco anos de idade, já cantava óperas chinesas e canções pop em teatros locais.

“Ainda não foram efectuadas detenções. Continuaremos a manter contacto com o queixoso e as partes relevantes e a tomar as medidas de acompanhamento necessárias”, disse a polícia de Hong Kong. Numa resposta à agência de notícias oficial chinesa China News Service, no domingo, as forças de segurança indicaram que receberam uma denúncia em 18 de Julho.

Em Julho, um admirador que visitava o túmulo de Anita Mui descobriu que os parafusos da placa que guardava as cinzas se tinham soltado e que “as cinzas não se encontravam no interior”, disse o clube de fãs internacional, nas redes sociais, no sábado, dia do aniversário de Mui.

A família da cantora lamentou que a polícia não fez “nenhum progresso” na investigação e disse que o incidente causou “imensa angústia”. O nicho memorial de Anita Mui encontra-se no Pagode Hoi Wu, no Mosteiro Po Lin, na ilha de Lantau.

Não ostenta qualquer fotografia nem nome, mas a placa do nicho indica que se trata do nicho memorial de “Chu Neoi”, apelido da família, natural de Taishan, na província de Guangdong, com as datas de nascimento e morte registadas de acordo com o calendário lunar.

“A família de Mui espera que as suas cinzas possam ser recuperadas o mais rapidamente possível, para que ela possa descansar em paz”, escreveu a família.

13 Out 2026

Alimentação | China reforça fiscalização após incidentes graves

A China anunciou novas medidas para reforçar o combate aos crimes relacionados com a segurança alimentar e a fiscalização das vendas pela Internet, após vários escândalos que reacenderam a preocupação com a qualidade dos alimentos.

Entre os incidentes registados nos últimos anos estão uma intoxicação em massa por chumbo num jardim-de-infância, em 2025, e a descoberta, em 2024, do transporte de óleo alimentar em veículos anteriormente utilizados para transportar produtos químicos.

A Comissão dos Assuntos Políticos e Jurídicos do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) publicou uma directiva que exige penas mais severas para as infracções graves e uma maior coordenação entre os organismos responsáveis pela segurança alimentar e as autoridades judiciais.

Um representante do organismo, citado ontem pela agência noticiosa oficial Xinhua, afirmou que a situação da segurança alimentar na China permanece “globalmente estável”, embora tenha advertido que os crimes neste domínio são cada vez “mais sofisticados”.

Segundo o responsável, estas práticas recorrem com maior frequência às plataformas digitais e podem abranger várias etapas da cadeia de abastecimento.

A directiva identifica como áreas prioritárias os produtos à base de carne, as refeições escolares, os alimentos destinados a fins de saúde, os legumes e a fruta. O documento exige ainda controlos mais rigorosos sobre a produção, as vendas pela Internet, os serviços de restauração e as importações.

As autoridades pretendem também acelerar a revisão da Lei de Segurança Alimentar, de forma a clarificar as responsabilidades das empresas que comercializam produtos frescos através de plataformas electrónicas, dos serviços de entrega de refeições e dos vendedores que recorrem a transmissões em directo.

A directiva recomenda igualmente a actualização das listas de aditivos proibidos sempre que as investigações identifiquem novas substâncias ilegais.

Últimos casos

As medidas surgem após vários incidentes recentes que levantaram dúvidas sobre a fiscalização da cadeia alimentar chinesa.

Em Agosto, as autoridades ordenaram inspecções a produtos hortícolas perecíveis, depois de ter sido confirmado o uso ilegal de formaldeído – uma substância química tóxica – para conservar couves durante o transporte no norte do país.

Em Julho de 2025, 201 crianças foram hospitalizadas devido a uma intoxicação por chumbo num jardim-de-infância de Tianshui, no oeste da China. Já em 2024, sete empresas foram multadas por transportarem óleo alimentar em camiões-cisterna anteriormente utilizados para produtos químicos.

O escândalo mais grave das últimas décadas ocorreu em 2008, quando leite infantil adulterado com melamina provocou a morte de pelo menos seis bebés e afectou cerca de 300 mil crianças.

13 Out 2026

UE | Acordo sobre híbridos garante crescimento às empresas chinesas

A China defendeu ontem que o entendimento alcançado com a União Europeia (UE) sobre automóveis híbridos garante “espaço para as exportações” e um “crescimento estável” às empresas chinesas, apesar das restrições previstas por Bruxelas.

O ministério do Comércio chinês respondeu assim a uma pergunta sobre notícias relativas aos limites quantitativos previstos no acordo, depois de a agência de notícias Bloomberg ter avançado que Bruxelas vai limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades anuais.

A tutela afirmou que as duas partes mantiveram negociações “intensas” sobre veículos híbridos e eléctricos, no âmbito do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento, e que o resultado permitiu “evitar uma escalada” das tensões comerciais.

Relativamente aos automóveis híbridos, o ministério destacou três princípios fundamentais: respeito pelos factos, não discriminação e cumprimento das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Pequim, as importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram de 107 mil unidades, em 2024, para 302 mil, em 2025.

O entendimento toma como referência os valores de 2025 para estabelecer um mecanismo que permita aumentar as exportações e preservar as perspetivas de crescimento das empresas chinesas, acrescentou.

O ministério do Comércio sublinhou que nenhuma medida deverá visar especificamente os produtos chineses ou tratar as empresas do país de forma “discriminatória”, garantindo que a quota atribuída à China “não será inferior” à de qualquer outro país exportador.

Pequim advertiu ainda que reserva todos os seus direitos no âmbito da OMC, incluindo o recurso aos mecanismos de resolução de litígios ou a apresentação de pedidos de compensação comercial.

Lei dos números

A Bloomberg noticiou ontem que a UE prevê limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades no primeiro ano, numa medida que poderá entrar em vigor em 01 de Dezembro. A partir do segundo ano, o limite aumentará 6 por cento anualmente, segundo a agência.

O plano vigoraria durante quatro anos e abrangeria todos os automóveis híbridos importados, e não apenas os chineses, para respeitar o princípio da não discriminação previsto nas regras da OMC.

Na sexta-feira, após reuniões em Pequim com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e com o vice-primeiro-ministro He Lifeng, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que o entendimento sobre os híbridos abre a possibilidade de reduzir as exportações chinesas destes veículos para a UE “em mais de metade”. O responsável esclareceu, contudo, que o cálculo tem como referência um cenário sem alterações nas actuais tendências comerciais e abrange um período de quatro anos.

Segundo Sefcovic, o acordo permitiria evitar a entrada de “vários milhões” de automóveis chineses no mercado europeu durante esse período, um número que considerou “significativo” para uma indústria automóvel europeia sob pressão.

O comissário não revelou os detalhes do mecanismo, explicando que precisava primeiro de apresentar os seus parâmetros à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aos Estados-membros e aos líderes europeus, que deverão analisar o entendimento este mês, durante o Conselho Europeu.

13 Out 2026