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O Museu de Arte de Macau apresenta uma série de exposições que abarcam fotografia, pintura a óleo, multimédia, caligrafia e pintura chinesas. É até Setembro que inauguram, mas muitas podem ser vistas ainda em 2016. A ideia é dar aos visitantes várias opções

O Museu de Arte de Macau (MAM) acolhe uma série de exposições, algumas já inauguradas e outras por estrear. Em destaque está certamente a arte contemporânea, à qual o MAM parece estar a dedicar grande parte do seu tempo e orçamento. Neste momento, estão em exposição duas mostras de fotografias de autores locais que, de algum modo, retratam a história de Macau. A primeira, intitulada “Chuvadas e Cheias” compreende uma série de fotografias da autoria de Choi Vun Tim, que fez mais com os dias chuvosos da cidade do que apenas calçar as galochas e correr de casa para o trabalho. As películas revelam intensidade de movimento das pessoas e das próprias gotas gordas. “Chuvadas e Cheias” inaugurou em Maio passado e está aberta ao público até 8 do próximo mês. “Até há relativamente pouco tempo, as fortes chuvadas de estação causavam frequentes inundações em Macau. Nas décadas de 1969 e 1970, devido à sua localização ribeirinha, quando havia tempestades, infiltração de água salgada ou a forte pluviosidade típica dos tufões, as zonas da Rua do Visconde Paço de Arcos, Rua de Cinco de Outubro, Avenida de Almeida Ribeiro e o bairro San Kiu ficavam rapidamente inundadas, com o nível das águas a chegar aos joelhos”, explicou o director do MAM, Chan Hou Seng, na apresentação da mostra. Em jeito de agradecimento, Chan refere que as fotografias do autor servem para partilhar memórias, nomeadamente entre os mais idosos, que viveram estas questões, e os mais novos, que pouco sabem sobre eles. A segunda mostra foca-se na história dos templos de Macau, monumentos típicos da cidade. A mostra “Templos de Macau” fica no MAM até final deste ano e abriu em Junho, mas não se centra apenas nos edifícios em si, mas sim em rituais, vontades e tradições, algumas delas existentes há mais de 400 anos.

Vai muito além da vista

Além de se dedicar à fotografia, o MAM guardou espaço para a pintura, neste caso moderna. Desta vez, expõe numa galeria 26 retratos a óleo dos séculos XIX e XX, do artista chinês Lam Qua e outros 14 também nacionais e estrangeiros. A grande maioria, de acordo com nota da curadora da mostra, Weng Chiao, são realistas, mas há também impressionistas, expressionistas e da era moderna. Lam Qua é de Cantão e especializava-se em pinturas de estilo ocidental, sobretudo encomendadas por estrangeiros. As suas obras estão espalhadas um pouco por todo o mundo, desde galerias na China até à Universidade de Yale ou espaços artísticos em Londres. Entre 1836 e 1855, o autor dedicou-se à pintura de retratos de pacientes do médico missionário norte-americano, Peter Parker. A mostra começou no início deste ano e encerra em Dezembro.
Por último, seguem-se duas exposições distintas relacionadas com caligrafia e pintura chinesa. “Artefactos de Excelência” estreou-se no passado fim de semana e prolonga-se até 28 de Fevereiro de 2016, compreendendo obras de Luo Shuzhong, famoso calígrafo e gravador de sinetes. “Shuzhong criou uma nova técnicas de gravação, o corte da escola Zhe, que combina as técnicas amadurecidas pela Escola de Yishan e a técnica de corte da Escola Zhe. Para ele, a estética da gravação de sinetes residia na simplicidade e contenção”, adianta uma nota de apresentação da organização. Por outro lado, “A Tensão do Talento” tem inauguração marcada para 11 do próximo mês e inclui pinturas e caligrafias de Wu Rangzhi e Zhao Zhiqian. Em exposição estão 220 peças da época da Dinastia Qing. Finalmente, Gigi Lee apresenta “Atonal”, uma peça que prioriza o elemento multimédia, ao qual se juntam imagens e música para dar sentido a uma exposição que se estreia a 10 de Setembro. Lee pretende, com esta peça abstracta, explorar o conceito de atonalidade, ou seja, de um tom “desfocado” e que “desafia a técnica tradicional”.

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