Hoje Macau China / ÁsiaSismo | Junta militar de Myanmar declara cessar-fogo na guerra civil até 22 abril para facilitar ajuda A junta militar no poder em Myanmar declarou hoje um cessar-fogo na guerra civil até 22 de abril, para facilitar a ajuda à população, após o sismo de magnitude 7,7 que atingiu o país a 28 de março. O cessar-fogo temporário foi também decretado para mostrar compaixão para com as pessoas afetadas, informou hoje a televisão estatal de Myanmar (antiga Birmânia). O anúncio, feito num comunicado do alto comando militar, segue-se a cessar-fogos temporários unilaterais declarados por grupos de resistência armada que se opõem ao regime militar. A notícia televisiva indicou que os grupos armados étnicos e as milícias locais devem abster-se de atacar as forças de segurança do Estado e as bases militares, e não devem organizar-se, reunir forças ou expandir as suas áreas de influência. Se tais grupos não cumprirem essas condições, o Exército tomará as medidas necessárias, segundo o comunicado. Um novo balanço hoje divulgado pelas autoridades elevou para 2.886 o número de mortos e 4.639 o número de feridos no terramoto de há cinco dias, enquanto prosseguem as operações de busca por sobreviventes. Segundo a oposição democrática, que controla partes do país, cerca de 8,5 milhões de pessoas foram “diretamente afetadas” pelo terramoto no país em guerra. No fim de semana, a junta militar afirmou que mais de 2.600 edifícios, incluindo casas, igrejas, escolas e pagodes, ruíram devido ao sismo e às réplicas. O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA) afirmou que só na capital, Naypyidaw, mais de 10.000 edifícios ficaram destruídos ou gravemente danificados.
Hoje Macau China / ÁsiaMyanmar | Mais de 2.880 mortos e de 4.600 feridos A junta militar birmanesa elevou ontem o balanço do sismo que atingiu Myanmar há cinco dias para 2.886 mortos e 4.639 feridos, enquanto continuavam as buscas por sobreviventes. O balanço anterior, divulgado na terça-feira, era de 2.719 mortos, 4.521 feridos e 441 desaparecidos. O porta-voz da junta, general Zaw Min Tun, divulgou o novo balanço provisório à agência de notícias EFE, numa altura em que se registou mais um resgate de um sobrevivente. Cinco dias depois do sismo, um jovem com cerca de 20 anos foi resgatado por socorristas birmaneses e turcos dos escombros de um hotel na capital, Naypyidaw, disseram as autoridades. A junta disse que cerca de 1.500 socorristas de 15 países se encontram no país do sudeste asiático afectado por um sismo de magnitude 7,7 na sexta-feira, 28 de Março, que também atingiu a vizinha Tailândia. Os socorristas são provenientes da China, da Índia, da Rússia, de Singapura, da Tailândia, do Vietname, da Malásia, dos Emirados Árabes Unidos, do Laos, da Bielorrússia, da Turquia, do Butão, das Filipinas, do Bangladesh e da Indonésia. A junta militar, que tomou o poder após um golpe de Estado em Fevereiro de 2021, disse que as equipas estrangeiras também levaram medicamentos e outros materiais que estavam a ser entregues em algumas regiões. No entanto, a ajuda internacional ainda não chegou a todas as áreas afectadas, admitiram as autoridades. No fim de semana, a junta afirmou que mais de 2.600 edifícios, incluindo casas, igrejas, escolas e pagodes, ruíram devido ao terramoto e às réplicas. O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA) afirmou que só em Naypyidaw mais de 10.000 edifícios foram destruídos ou gravemente danificados. Zonas de guerra A oposição democrática, que controla partes do país, calculou que 8,5 milhões de pessoas foram “directamente afectadas” pelo terramoto num país que se encontra em guerra, o que agrava a situação e dificulta os esforços humanitários. Os militares disseram ontem que dispararam tiros para o ar para tentar afastar elementos da Cruz Vermelha da China numa zona de conflito com os rebeldes. O porta-voz Zaw Min Tun declarou, num comunicado, que os soldados tentaram parar um comboio de nove veículos que se dirigia para a aldeia de Ommati, no estado de Shan (norte), na terça-feira à noite. “As forças de segurança tentaram parar os veículos quando os viram, mas não conseguiram”, afirmou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Zaw Min Tun afirmou que a junta estava a investigar o incidente. Segundo o porta-voz, não foi efectuada qualquer “notificação prévia” sobre a entrada dos socorristas chineses “a Myanmar nem à respectiva embaixada, nem ao gabinete do adido militar” em Pequim, condição prévia para a entrada de ajuda estrangeira. A junta e o Exército de Libertação Nacional de Ta’ang (TLNA), um dos principais grupos étnicos rebeldes, entraram em confronto em Ommati, afirmou ainda o porta-voz, alegando que “certos grupos estavam a tirar partido político” da ajuda. Questionado sobre o incidente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse que o equipamento enviado pela Cruz Vermelha chinesa tinha chegado e estava seguro, tal como os trabalhadores humanitários. “Pedimos a todas as partes de Myanmar que permitam a passagem sem entraves da ajuda”, acrescentou o ministério, citado pela AFP. A China enviou uma equipa de 82 trabalhadores humanitários para Myanmar no sábado e mais 118 no domingo. O chefe da junta militar, Min Aung Hlaing, pediu a ajuda da comunidade internacional, uma ação rara dos militares birmaneses e que ilustra a dimensão da catástrofe.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Substituído chefe da polícia Raymond Siu Chak-yee O Governo de Hong Kong anunciou ontem a substituição do chefe da polícia, Raymond Siu Chak-yee. O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, disse, em comunicado, que Raymond Siu “entrou hoje em licença de pré-reforma, depois de servir o Corpo de Polícia de Hong Kong durante 36 anos”. O comissário “demonstrou uma dedicação e determinação inabaláveis para proteger Hong Kong e defender o Estado de Direito ao lidar com a agitação social”, disse John Lee, numa referência às enormes manifestações antigovernamentais, por vezes violentas, de 2019. O anúncio surge dois dias depois dos Estados Unidos terem imposto sanções ao chefe da polícia e a cinco dirigentes públicos de Hong Kong, incluindo o secretário para a Justiça, Paul Lam Ting-Kwok, ao abrigo de uma lei norte-americana que defende a democracia na região chinesa. Na terça-feira, Hong Kong condenou a imposição de sanções e acusou Washington de tentar “intimidar os dirigentes encarregados de protegerem a segurança nacional” da China. “Isto expôs claramente a barbárie dos EUA (…) exactamente a mesma que as recentes táticas de intimidação e coação de vários países e regiões”, disse o Governo da região administrativa especial chinesa. As autoridades de Hong Kong indicaram ainda que o Governo Central chinês aprovou a nomeação de Joe Chow Yat-ming, até agora comissário adjunto, para liderar a polícia do território. John Lee salientou que Joe Chow, de 52 anos, tem “uma vasta experiência em investigação criminal, recolha de informações, formulação de políticas, bem como gestão de pessoal”. De acordo com a imprensa de Hong Kong, ontem, na primeira conferência como novo comissário, Chow apontou a segurança nacional como a prioridade, face ao que chamou de “correntes ocultas” de resistência ao actual regime. O dirigente criticou as sanções contra Raymond Siu como um acto de intimidação e defendeu serem um reflexo do êxito dos esforços da polícia de Hong Kong para capturar fugitivos à justiça.
Hoje Macau China / ÁsiaBanguecoque | China insta empresas a respeitarem leis após queda de torre A embaixada da China na Tailândia apelou às empresas chinesas no país para que “respeitem as leis locais”, após ter sido lançada uma investigação sobre o colapso de um bloco de apartamentos em Banguecoque, que matou cerca de 10 pessoas. Pequim “insta constantemente as empresas chinesas no estrangeiro a respeitarem as leis locais e a contribuírem positivamente para a sociedade”, afirmou ontem a chancelaria na sua página no Facebook. A construção da torre, situada perto do popular mercado de Chatuchak, no norte de Banguecoque, envolveu uma filial da empresa estatal chinesa China Railway Group (CREC) e o seu parceiro local Italian-Thai Development (ITD). Os tremores reduziram a estrutura a uma pilha de escombros numa questão de segundos, provocando a morte de cerca de dez pessoas, com esperanças cada vez menores para as mais de 70 pessoas que se presume estarem ainda encurraladas nos escombros. A maioria das vítimas eram trabalhadores de nacionalidade birmanesa, laociana, cambojana e tailandesa. O edifício de 30 andares visava albergar gabinetes governamentais. “Temos de determinar onde ocorreu o erro”, afirmou a primeira-ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, que na segunda-feira ordenou uma investigação sobre os materiais e as normas de segurança no local por um grupo de peritos que lhe deverá apresentar um relatório esta semana. Pequim enviou uma equipa para Banguecoque, incluindo equipas de salvamento, e prometeu “continuar a apoiar a Tailândia, se necessário”. A China é a maior fonte de investimento directo estrangeiro da Tailândia, com 2 mil milhões de dólares injectados no reino até 2024, de acordo com o fornecedor de dados Open Development Thailand. Paetongtarn Shinawatra anunciou na terça-feira que a investigação não será “específica a um país”. “Não queremos que nenhum país em particular pense que estamos apenas a olhar para eles”, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Pequim condena críticas às manobras em redor da ilha O Governo chinês criticou ontem “uma minoria de países” de interferência nos assuntos internos da China, depois de algumas nações terem condenado as manobras do Exército chinês em torno de Taiwan. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun disse, em conferência de imprensa, que “a questão de Taiwan é um assunto puramente interno da China e não admite interferência estrangeira”. Guo afirmou que “o que mina a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan são as actividades ‘separatistas’ a favor da independência de Taiwan e a conivência e apoio de forças externas”. “Se querem realmente a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan, têm de seguir a tendência geral da comunidade internacional”, acrescentou o porta-voz, apelando ao “respeito pela soberania e integridade territorial da China”. Guo disse que “defender a independência de Taiwan é dividir o país, apoiá-la é interferir nos assuntos internos da China e aprová-la é minar a estabilidade no estreito de Taiwan” e salientou que as manobras das forças chinesas constituem “uma acção disciplinar resoluta contra as provocações” da administração liderada pelo líder de Taiwan, William Lai, pelas “tentativas desenfreadas de independência”. “Enquanto as provocações a favor da independência de Taiwan continuarem, o castigo contra os ‘independentistas’ não cessará”, advertiu o porta-voz, afirmando que Pequim “nunca permitirá que alguém ou qualquer força separe Taiwan da China por qualquer meio”. Na terça-feira, Washington condenou as manobras chinesas em torno de Taiwan e garantiu que o Presidente norte-americano, Donald Trump, insiste na importância de “manter a paz” no estreito. Por seu lado, o Serviço de Acção Externa da União Europeia lamentou que as manobras chinesas “aumentem as tensões no estreito de Taiwan”. Com continuação O Exército chinês anunciou ontem de manhã a realização de novos exercícios militares no centro e no sul do estreito de Taiwan para “testar as capacidades das tropas”, na sequência das manobras de terça-feira. Os exercícios, designados “Straits Thunder-2025A”, centraram-se em tarefas de “identificação e verificação”, “aviso e expulsão” e “intercepção e detenção” para “testar as capacidades das tropas” em domínios como “controlo aéreo, bloqueio e ataques de precisão contra alvos-chave”. Especialistas citados na imprensa oficial chinesa afirmaram que os exercícios mostram que os militares chineses têm “amplas opções de dissuasão” e que Pequim optou por “apertar o cerco às forças secessionistas” com “medidas mais duras e acções enérgicas”. Os exercícios estão a decorrer semanas depois de William Lai, considerado “pró-independência e desordeiro” pelas autoridades chinesas, ter apelidado a China de “força externa hostil” e anunciado iniciativas para travar as operações “de infiltração” de Pequim na ilha.
Hoje Macau China / ÁsiaMyanmar | Sismo faz mais de 2.700 mortos e milhares de feridos O número de mortos do terramoto de magnitude 7,7 que atingiu Myanmar ultrapassou os 2.700, com milhares de feridos, mas foi encontrada ontem uma sobrevivente, anunciaram as autoridades do país do Sudeste Asiático. O chefe da Junta Militar, general Min Aung Hlaing, disse num fórum na capital, Naypyidaw, que 2.719 pessoas foram encontradas mortas, com 4.521 feridos e 441 desaparecidos, segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP). Mas as equipas de salvamento continuam a encontrar sobreviventes e retiraram ontem com vida uma mulher de 63 anos dos escombros de um edifício em Naypyidaw. Os bombeiros de Naypyidaw informaram que a mulher foi retirada dos escombros 91 horas depois de ter ficado soterrada quando o edifício ruiu na sequência do sismo de sexta-feira, noticiou a AP. Outros balanços Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 10.000 edifícios desabaram ou ficaram gravemente danificados no centro e noroeste de Myanmar. O terramoto também abalou a vizinha Tailândia e provocou a queda de um edifício em construção, soterrando muitos trabalhadores. Dois corpos foram retirados dos escombros na segunda-feira e outro foi recuperado ontem, mas dezenas de pessoas continuavam desaparecidas. O balanço em Banguecoque era ontem de 21 mortos e 34 feridos, principalmente no local da construção. “Até ao momento, conseguimos mobilizar o pessoal e o material que temos no país”, disse o coordenador humanitário da ONU na antiga Birmânia, Marcoluigi Corsi, numa teleconferência a partir de Rangum. Corsi disse, no entanto, que o material provém dos recursos que a ONU tinha planeado utilizar para as vítimas do conflito armado. “Temos de pensar em reabastecer estes fornecimentos”, afirmou, citado pela agência de notícias espanhola EFE. As autoridades de Myanmar afirmaram que mais de 8,5 milhões de pessoas foram directamente afectadas pelo sismo que atingiu a região centro-norte do país na sexta-feira.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Pequim considera manobras em redor da ilha “necessárias e legítimas” O Governo chinês afirmou ontem que as manobras do Exército chinês em torno de Taiwan “são legítimas e necessárias para defender e manter a soberania e a unidade nacional”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun disse em conferência de imprensa que os exercícios militares “constituem um aviso sério e um poderoso dissuasor para as forças separatistas”. “Taiwan é uma parte inalienável do território chinês” e as questões relacionadas com a ilha “são um assunto puramente interno da China que não admite qualquer interferência externa”, disse. “As autoridades do Partido Democrático Progressista (DPP) insistem teimosamente na sua posição pró-independência”, acrescentou o porta-voz, avisando que “estão condenadas ao fracasso”. Guo declarou que “a tendência histórica da ‘reunificação’ da China é imparável”. A China anunciou ontem o início de novos exercícios militares em torno de Taiwan com unidades do exército, marinha, força aérea e força de foguetões para “se aproximarem da ilha a partir de várias direcções” e “emitirem um aviso sério às forças separatistas que procuram a independência”. O líder de Taiwan, William Lai, proferiu recentemente um dos seus mais duros discursos contra a China. Pela primeira vez, classificou a China como uma “força externa hostil”, o que foi interpretado por alguns analistas como uma mudança nas políticas defendidas pelo seu antecessor e uma tentativa de alterar o estatuto de Taiwan.
Hoje Macau China / ÁsiaChina quer contribuir para o fim da guerra na Ucrânia A China está disposta a desempenhar um “papel construtivo” para pôr fim ao conflito na Ucrânia, apoiando Moscovo na defesa dos seus interesses, afirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. Durante uma reunião com o homólogo russo em Moscovo, Serguei Lavrov, Wang afirmou que a China país irá trabalhar com a Rússia para contribuir para a paz. A cooperação com Moscovo será “certamente renovada com uma nova vitalidade e entrará numa nova fase”, afirmou Wang, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). Lavrov congratulou-se por as relações entre os dois países terem atingido “um novo nível” e afirmou que continuarão a desenvolver-se “em todas as frentes”. “Vemos também a responsabilidade de Moscovo e Pequim em manter uma estreita coordenação na arena internacional”, afirmou Lavrov, citado pela agência espanhola EFE. “Os países da maioria mundial vêem nisto, seguramente, o mais importante factor de estabilização nestes momentos difíceis do desenvolvimento da política mundial”, acrescentou. Lavrov disse que iria discutir com Wang os preparativos para o encontro entre os Presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, em Moscovo, por ocasião do 80.º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazi, em 09 de Maio. “Os encontros entre Putin e Xi dão sempre um impulso importante ao desenvolvimento das relações bilaterais”, afirmou Lavrov. Outros passos O ministro chinês disse que Pequim está disposta a trabalhar com Moscovo “para contribuir para um mundo multipolar e para a democratização das relações internacionais”. Wang Yi efectua uma visita a Moscovo esta semana para conversações não só com Lavrov, mas também com Putin. “Trabalharemos em conjunto para contribuir ainda mais para a causa da paz e do desenvolvimento humano”, afirmou Wang durante a reunião com Lavrov. O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem apelado a um rápido fim da guerra na Ucrânia, mas a sua administração não conseguiu alcançar um avanço decisivo apesar das negociações com Kiev e Moscovo. Pequim declarou que Wang manterá “conversações aprofundadas sobre a próxima fase do desenvolvimento das relações sino-russas e sobre questões internacionais e regionais de interesse comum” durante a visita.
Hoje Macau China / ÁsiaHK / EUA | Condenadas sanções contra chefe da polícia O executivo de John Lee acusa Washington de tentar coagir países e regiões e de assumir um “comportamento desprezível” Hong Kong condenou ontem “de forma veemente” os Estados Unidos por terem imposto sanções ao chefe da polícia e a cinco dirigentes públicos do território. Num comunicado, o Governo da região semiautónoma chinesa acusou Washington de tentar “intimidar os dirigentes encarregados de protegerem a segurança nacional” da China. As sanções, impostas na segunda-feira, ao abrigo de uma lei norte-americana que defende a democracia na região administrativa especial chinesa, visam o comissário da polícia, Raymond Siu Chak-yee, e o secretário para a Justiça de Hong Kong, Paul Lam Ting-Kwok. “Isto expôs claramente a barbárie dos EUA sob a sua hegemonia, que é exactamente a mesma que as suas recentes tácticas de intimidação e coação de vários países e regiões”, disse o Governo da região chinesa. O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, encontrava-se já sujeito a sanções dos EUA, mas as autoridades da cidade garantiram que “não se deixam intimidar por este comportamento desprezível”. As sanções “demonstram o empenho da administração Trump em responsabilizar aqueles que privam os residentes de Hong Kong dos direitos e liberdades protegidos ou que cometem actos de repressão transnacional em solo americano ou contra pessoas americanas”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em comunicado. Segurança em causa O Governo de Hong Kong descreveu as pessoas mencionadas pelos Estados Unidos como fugitivos com mandados de captura, mas “não porque exerceram a sua liberdade de expressão”. Eles “continuam a envolver-se descaradamente em actividades que colocam em risco a segurança nacional, incluindo incitar a secessão e solicitar que países estrangeiros imponham ‘sanções’ ou bloqueios e se envolvam em outras actividades hostis” contra a China e Hong Kong, referiu o comunicado. “Os EUA difamaram e espalharam deliberadamente comentários irresponsáveis sobre as medidas e acções tomadas pelo Governo (…), numa tentativa de enganar o público”, lamentaram as autoridades de Hong Kong. As sanções norte-americanas têm por efeito o congelamento dos bens de todos estes indivíduos nos Estados Unidos e a proibição de quaisquer transações financeiras com os visados. “Os EUA têm ignorado o princípio da não interferência ao abrigo do direito internacional, interferindo nos assuntos internos de outros países, aliciando agentes, instigando ‘revoluções coloridas'”, disse o Governo de Hong Kong.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul | Pequim descobre grande jazida de petróleo A companhia petrolífera chinesa CNOOC descobriu um importante campo de petróleo no leste do mar do Sul da China, com reservas comprovadas de mais de 100 milhões de toneladas, informou ontem a imprensa estatal. De acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, o campo identificado, Huizhou 19-6, situa-se a cerca de 170 quilómetros da cidade de Shenzhen, no sul do país. As perfurações de teste produziram 413 barris de crude e 68 mil metros cúbicos de gás natural por dia, segundo a mesma fonte. As reservas comprovadas do campo petrolífero, ou seja, a quantidade de hidrocarbonetos cuja recuperação pode ser estimada com quase certeza utilizando as técnicas actuais, ascendem a mais de 100 milhões de toneladas, segundo as informações citadas pela Xinhua. O subsolo do mar do Sul da China está em grande parte subexplorado devido a disputas territoriais, mas a maioria dos depósitos de petróleo e gás conhecidos encontra-se em áreas não contestadas, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos. Pequim reivindica a soberania de quase todo o mar, sobre o qual as Filipinas, a Malásia, o Vietname, a Indonésia e o Brunei também têm reivindicações.
Hoje Macau China / ÁsiaXi Jinping estimula investimento em encontro com empreendedores estrangeiros Na manhã de sexta-feira, 28 de março, Xi Jinping reuniu-se com “representantes da comunidade empresarial internacional” no Grande Salão do Povo em Pequim. “A razão pela qual convidei todos os presentes é para ouvir as vossas ideias, responder às vossas preocupações e apoiar o desenvolvimento das empresas estrangeiras na China”, explicou o presidente nas palavras iniciais da sua intervenção, passando a prestar homenagem aos inúmeros benefícios que as empresas estrangeiras trouxeram ao país. “As impressionantes conquistas da China não se devem apenas ao Partido Comunista e ao povo chinês, mas também ao apoio e à ajuda da comunidade internacional, incluindo a contribuição das empresas estrangeiras que operam na China”, afirmou Xi. “As empresas estrangeiras representam um terço do total das importações e exportações da China, um quarto do seu valor acrescentado industrial e um sétimo das suas receitas fiscais, criando mais de 30 milhões de postos de trabalho”, explicou. Para Xi, as empresas estrangeiras são “participantes importantes na modernização chinesa, na reforma, abertura e inovação do país, e na sua interconectividade com o mundo e integração na globalização económica”. Por isso, “aqui gostaria de expressar a minha sincera gratidão a todas as empresas estrangeiras que participaram e apoiaram o desenvolvimento da China!”, concluiu. Muitos dirão que o Presidente chinês está, no fundo, a responder ao crescente pessimismo das empresas multinacionais em relação ao mercado chinês, evidenciado pela queda do investimento directo estrangeiro. Xi reconheceu, ainda que diplomaticamente, que “nos últimos anos, as empresas estrangeiras encontraram de facto algumas dificuldades no seu desenvolvimento na China”. Enfrentar o problema directamente é, sem dúvida, melhor do que fingir que ele não existe. Mas foi mais pormenorizado do que nunca, por exemplo, ao reconhecer que as multinacionais muitas vezes não conseguem aceder a oportunidades de negócio apesar das aberturas de mercado no papel. “Vamos trabalhar para resolver a questão das ‘grandes portas abertas, mas as pequenas portas fechadas’ no acesso ao mercado, assegurando que as empresas com investimento estrangeiro não só consigam entrar em sectores abertos, mas também desfrutem de um acesso total e justo nas operações.” O presidente reconheceu que as multinacionais se sentem frequentemente discriminadas, sublinhando que há muito que “defende que as empresas estrangeiras na China devem beneficiar de tratamento nacional, com igual aplicação das leis, igual estatuto e igual tratamento. Garantiremos que as empresas estrangeiras tenham um acesso justo e legal aos factores de produção”, admitindo tacitamente que as multinacionais não podem, muitas vezes, beneficiar dos contratos públicos na China, prometendo: “Garantiremostambém que os produtos fabricados na China por empresas estrangeiras possam participar nos contratos públicos em pé de igualdade, de acordo com a lei”. Trump a e a OMC Muitos dirão que Xi está a tirar partido do choque de Trump. Os seus comentários são normais para os padrões chineses, incluindo “Muitas empresas estrangeiras, especialmente empresas multinacionais, têm uma influência global substancial. Esperamos que falem com razão, ajam com pragmatismo, se oponham firmemente a movimentos retrógrados que fazem recuar o relógio da história, rejeitem o pensamento de soma zero e promovam activamente a cooperação e o benefício mútuo”. Enquanto Trump suspende o financiamento dos EUA para a Organização Mundial do Comércio (OMC), Xi reforça a OMC: “O sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio no seu núcleo, é a pedra angular do comércio internacional… Devemos defender os princípios e regras da OMC, continuar avançando na liberalização e facilitação do comércio e do investimento e encorajar todos os países a expandir o ‘bolo’ do desenvolvimento compartilhado por meio de uma maior abertura.” Xi prometeu também maior abertura interna: “A redução do limiar de acesso ao mercado será uma prioridade fundamental na próxima fase de abertura. Sublinhei especificamente que as medidas de abertura devem ser concretizadas mais cedo do que mais tarde. Este ano, vamos alargar os programas-piloto de abertura em áreas selecionadas e acelerar a abertura em sectores como a cultura e a educação.” Xi prometeu que a China não está interessada em qualquer conflito militar, afirmando que “seguirá inabalavelmente uma via de desenvolvimento pacífico, promoverá activamente a resolução de questões internacionais e regionais importantes e esforçar-se-á por criar um ambiente favorável às empresas estrangeiras”. Na sexta-feira à noite, Pequim divulgou prontamente os comentários completos de Xi, para além da sua habitual leitura. Este é um sinal da ênfase dada aos encontros com empresas estrangeiras. Os comentários completos também ajudam, uma vez que servem de referência, de forma mais oficial e conveniente, para operadores políticos astutos, incluindo, esperemos, os especialistas em assuntos governamentais e relações públicas das multinacionais, que devem utilizá-los como uma ferramenta valiosa nas suas transacções na China. Dos participantes estrangeiros na reunião com Xi, 14 dos 38 eram americanos, 10 alemães, 6 britânicos, 3 franceses, 2 japoneses, 2 coreanos e um da Suíça, Dinamarca, Suécia, Brasil e Arábia Saudita. Apesar dos BRICS e do Sul Global, quando se trata de investimento estrangeiro e de multinacionais, o Ocidente continua a desempenhar um papel central. Os estrangeiros reunidos são oficialmente descritos pela China como “Representantes da Comunidade Empresarial Internacional”. “Oásis de segurança” O presidente da FedEx Corporation, Raj Subramaniam, o presidente do Conselho de Administração da Mercedes-Benz Group AG, Ola Källenius, o Diretor Executivo da Sanofi SA, Paul Hudson, o Diretor Executivo do Grupo HSBC Holdings Plc, Georges Elhedery, o Presidente Executivo da Hitachi Ltd. Toshiaki Higashihara, presidente da SK Hynix Inc. Kwak Noh-jung, e o presidente da Saudi Aramco Amin Nasser foram alguns dos presentes que intervieram na reunião. Os representantes das empresas estrangeiras “elogiaram a China por ter alcançado um crescimento económico estável através de uma reforma profunda e abrangente e de uma abertura de alto nível sob a liderança do Presidente Xi”, refere a Xinhua. Desde o “Made in China” até às “forças produtivas de nova qualidade”, a China tem potenciado a transformação industrial e a modernização através da inovação, estando preparada para realizar um desenvolvimento de maior qualidade e mais sustentável. As perspectivas da economia chinesa são fortes, afirmaram, porque no meio de um protecionismo crescente, a China tem vindo a expandir continuamente a sua abertura, injectando estabilidade na economia global, e tornou-se um “oásis de certeza” para o investimento e o empreendedorismo.“O desenvolvimento da China é a principal força motriz da economia mundial e oferece oportunidades vastas e excitantes e potencial de crescimento”, foi referido. Ainda segundo a Xinhua, os representantes estrangeiros “aplaudiram os esforços do governo chinês para criar um ambiente justo e propício para as empresas estrangeiras e manifestaram a sua disponibilidade para expandir a cooperação em matéria de investimento com a China, cultivar o mercado chinês, participar ativamente na modernização da China e construir pontes para o intercâmbio e a cooperação da China com o mundo, e manifestaram igualmente a sua disponibilidade para apoiar um mercado mundial aberto, defender o comércio livre internacional e contribuir para o desenvolvimento da economia mundial.”
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | Lula da Silva vai falar com Putin e Zelensky O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou sábado que vai ter conversas separadas com os líderes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, respectivamente, sobre a necessidade de negociar um eventual fim da guerra. Durante uma conferência de imprensa em Hanói, no final de uma visita oficial de três dias ao Vietname, o líder sul-americano disse que trazer a paz de volta à Ucrânia, invadida pela Rússia desde Fevereiro de 2021, seria “a melhor coisa” para os dois países, mas também para a Europa e o resto do mundo. “Num conflito, os dois lados têm de estar dispostos a negociar”, observou Luiz Inácio Lula da Silva, que tenciona visitar Putin em Moscovo em 09 de Maio, por ocasião dos eventos comemorativos do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. “A paz destrói e a paz constrói (…). Vou voltar a discutir isso com Putin”, acrescentou. O Presidente da República disse ainda que irá falar com Zelensky, por telefone, “esta semana”, sem especificar o dia. O Brasil tem condenado repetidamente a invasão russa, mas tem suscitado o ceticismo de grande parte do Ocidente e da própria Ucrânia pela proposta de paz que apresentou em 2024, em parceria com a China. Esta semana, os Estados Unidos emitiram duas declarações separadas sobre os seus contactos com a Rússia e a Ucrânia, em Riade, capital saudita, no âmbito das negociações para um eventual fim do conflito. As partes, que continuam a atacar-se mutuamente, concordaram em garantir uma navegação segura, eliminar o uso da força e impedir a utilização de navios comerciais para fins militares no Mar Negro, bem como em desenvolver medidas para proibir ataques a instalações energéticas em ambos os países. Apesar dos enormes custos da invasão russa, a maioria dos ucranianos é a favor da resistência e não da rendição em caso de retirada total do apoio de Washington, desde que a Europa permaneça do seu lado, de acordo com uma sondagem do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS).
Hoje Macau China / ÁsiaSismo / Myanmar | Xi Jinping expressa “condolências” e envia auxílio O Presidente chinês, Xi Jinping, expressou no sábado as “condolências” ao líder da junta birmanesa, Min Aung Hlaing, após o sismo que sacudiu na véspera o país do sudeste asiático, deixando mais de 1.600 mortos. As forças armadas da Birmânia, que detêm o poder desde que o golpe de Estado de 2021 mergulhou o país numa semi-anarquia e num conflito alargado, declararam o estado de emergência em seis zonas: Sagaing, Mandalay, Magway, Shan, Naipyidó e Bago. Uma equipa de 37 socorristas chineses chegou no sábado a Myanmar, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. O grupo, que partiu esta manhã de Yunnan, uma província chinesa que faz fronteira com a Birmânia, está equipado com material de socorro de emergência, como detectores de vida, sistemas de alerta precoce de terramotos e drones, e espera-se que ajude no “trabalho de socorro e cuidados médicos”, acrescentou. Dezasseis outros membros da Blue Sky Rescue (BSR), uma das principais organizações humanitárias não-governamentais da China, partiram para a Birmânia da cidade de Ruili, na província de Yunnan, às 09:30 horas locais de sábado, transportando kits de primeiros socorros, geradores de energia e ferramentas de demolição em cinco veículos. “Somos a primeira equipa e seremos seguidos por um segundo e um terceiro grupo”, disse Gao Hengyi, chefe da sucursal de Ruili da BSR, num comunicado também divulgado pela Xinhua. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse na sexta-feira à noite que a China está preparada para “fazer tudo o que for possível” pela Birmânia, que Pequim considera um “vizinho amigo”.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim pediu a Lisboa reciprocidade na isenção de vistos A China pediu a Portugal para facilitar a entrada dos seus cidadãos, uma vez que há uma isenção de vistos desde Outubro de 2024 para portugueses que se desloquem ao país asiático, disse na sexta-feira o embaixador chinês Zhao Bentang. “A China já pediu à Europa, a Portugal, que facilite a entrada a cidadãos chineses. Se os portugueses podem ir muito facilmente à China para fazer negócios, os seus parceiros na China querem vir e não conseguem ou é muito difícil”, afirmou. Em entrevista à agência Lusa, o diplomata chinês em Portugal referiu que o “Governo chinês espera que o Governo português, governos europeus também facilitem [entradas] aos turistas, comerciantes e empresários chineses no tema de vistos”. “Sempre falamos com o Governo português. Eu falei muitas vezes. Acredito que durante a visita do ministro [dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel] também a parte chinesa falou deste tema”, acrescentou o embaixador, referindo-se à deslocação do chefe da diplomacia portuguesa ao país asiático, que terminou na sexta-feira, com uma visita a Macau e Hong Kong (ver Grande Plano). Zhao Bentang recordou que desde Outubro de 2024 os portugueses podem viajar para a China sem necessidade de vistos, em determinadas condições, na sequência de uma “política unilateral” e cujo final está previsto para Dezembro. “Mas [a continuidade da isenção] depende da apreciação, da procura. Acredito que quando chegar a altura, se for necessário, a parte chinesa pode considerar algum prolongamento, alguma renovação. Mas ainda não chegou a altura de avaliar”, referiu. No final de Setembro de 2024, a China anunciou o alargamento da política de isenção de vistos a cidadãos portugueses, em estadias até 15 dias, inserindo assim Portugal numa lista que abrangia outros 16 países europeus. O alargamento, que foi confirmado em comunicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, surge depois de Pequim ter incluído a Noruega, Eslovénia, Grécia, Dinamarca e Chipre na lista de países cujos cidadãos poderão permanecer no país asiático para turismo, negócios ou trânsito durante 15 dias, isentos de visto. A medida entrou em vigor no dia 15 de Outubro de 2024 e vigora até 31 de Dezembro de 2025. Portas reabertas Pequim tenta estimular o turismo internacional e o investimento estrangeiro, paralisados pela pandemia de covid-19, durante a qual a China impôs um encerramento quase total das fronteiras. Em Novembro de 2023, o país asiático anunciou que os nacionais de França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Espanha beneficiariam de uma isenção de visto unilateral. Em Março de 2024, alargou a política para estadias de até 15 dias a mais seis países europeus — Suíça, Irlanda, Hungria, Áustria, Bélgica e Luxemburgo. Quando se assinala o 20.º aniversário da parceria estratégica global entre Lisboa e Pequim, decorre desde a passada terça-feira a visita do chefe da diplomacia portuguesa à China e que “dá um sinal muito importante” porque se fala das “boas cooperações em todas as áreas”, desde a política à tecnologia, considerou Zhao Bentang. “O retorno de Macau [à China] é um exemplo de como resolver problemas através de negociações pacíficas entre países” e no âmbito do apoio português ao modelo “um país, dois sistemas, apoia Macau a desenvolver-se e a manter-se em estabilidade e a adaptar-se a novas realidades”, além de fomentar a qualidade das relações bilaterais. Zhao Bentang notou ainda a “importância” da visita de Paulo Rangel por ser a “primeira” de um líder da diplomacia da Europa depois da recente sessão anual da Assembleia Popular Nacional.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Pequim, Tóquio e Seul respondem a Trump com aceleração de acordos China, Japão e Coreia do Sul respondem aos ataques da administração norte-americana e colocam em marcha mecanismos para acelerar acordos de comércio livre O Japão, Coreia do Sul e China anunciaram ontem que pretendem reforçar a cooperação e proporcionar um “ambiente previsível” às empresas e “acelerar” as negociações sobre um acordo de comércio livre, que responda às incertezas provocadas pelos EUA. Os ministros da Indústria e do Comércio dos três países realizaram ontem uma reunião de emergência em Seul, destinada a acertar políticas de resposta à aceleração dos aumentos tarifários impostos por Washington – uma reunião tripartida de emergência e a primeira neste formato desde 2020. O ministro sul-coreano da Indústria, Ahn Duk-geun, o seu homólogo japonês, Yoji Muto, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, concordaram em “prosseguir as discussões com vista a acelerar as negociações para um acordo de comércio livre trilateral abrangente” e “justo”, de acordo com uma declaração conjunta. As discussões sobre esse acordo começaram em 2013 e continuaram até 2019, altura em que estagnaram. Foram relançadas em 2024, numa cimeira tripartida especial, que reuniu os líderes dos três países em Seul. Por enquanto, “continuaremos a trabalhar para garantir condições de concorrência equitativas a nível mundial, a fim de promover um ambiente comercial e de investimento previsível, livre, aberto, justo, não discriminatório, transparente e inclusivo”, acrescenta a declaração conjunta. Para os três países, o objectivo é “intensificar gradualmente a sua cooperação”, a fim de “criar um ambiente comercial previsível, estabilizar as cadeias de abastecimento e melhorar a comunicação sobre os controlos das exportações”, insistiu Seul numa declaração separada. De uma forma mais geral, Seul, Pequim e Tóquio concordaram ontem em “trabalhar em estreita colaboração” para promover a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e incentivar novos membros a aderir à vasta Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), que reúne a China e 14 países asiáticos. Entre eles, a China, o Japão e a Coreia do Sul representam cerca de 20 por cento da população mundial, um quarto da economia mundial e 20 por cento do comércio global. Debaixo de “fogo” A reunião tripartida surge após a imposição por parte da Administração norte-americana de Donald Trump, em meados de Março, de direitos aduaneiros de 25 por cento sobre o aço e o alumínio, poucos dias antes da imposição, a partir de 2 de Abril, de sobretaxas aduaneiras de 25 por cento sobre os automóveis importados para os Estados Unidos. O Japão e a Coreia do Sul representam, respectivamente, 16 por cento e 15 por cento do total das importações de automóveis dos Estados Unidos, um sector importante para as respectivas economias nacionais. A China, por seu lado, enfrenta uma sobretaxa aduaneira total de 20 por cento sobre todas as suas exportações para os Estados Unidos. Há ainda o espectro dos direitos aduaneiros “recíprocos”, que Washington também ameaça impor a partir da próxima semana.
Hoje Macau China / ÁsiaLula diz que Trump “não é o xerife do mundo” e ameaça tarifas recíprocas do Brasil O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou ontem o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que “não é o xerife do mundo”, segundo Lula, ameaçando reagir com “reciprocidade” às tarifas dos EUA sobre as importações de aço brasileiro. Numa conferência de imprensa ontem em Tóquio, durante a sua visita de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tem “duas decisões a tomar” em resposta às tarifas de 25 por cento que entraram em vigor este mês: a primeira é recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, se isso não funcionar, “recorrer a outras ferramentas”. Lula mencionou especificamente a opção de “aumentar as tarifas sobre os produtos americanos” importados pelo Brasil, o que definiu como “pôr em prática a lei da reciprocidade”. “O que não podemos fazer é ficar calados, achando que só eles podem impor tarifas”, disse. “Estou muito preocupado com a política do Governo americano por causa dessas tarifas sobre todos os produtos de todos os países”, disse ainda Lula à imprensa em Tóquio, no final da sua visita, quando questionado sobre as novas tarifas de 25 por cento sobre todos os automóveis importados pelos EUA a partir de 2 de Abril, anunciadas na véspera por Trump. “Estou preocupado porque o livre comércio é que está a ser prejudicado, porque o multilateralismo está a ser derrotado, e estou preocupado porque o Presidente americano não é o xerife do mundo, é apenas o Presidente dos Estados Unidos”, sublinhou o líder brasileiro. Em vez de impor “medidas unilaterais”, Lula considera que seria mais adequado “conversar com outros líderes” para chegar a acordo sobre políticas de preços benéficas para todas as partes. “Sinceramente, não sei qual é o benefício de aumentar em 25 por cento as tarifas sobre os carros comprados no Japão”, disse o líder brasileiro sobre o país asiático, um dos mais atingidos pelas novas medidas comerciais dos Estados Unidos, dado o peso da sua indústria automóvel. “A única coisa que isso vai fazer é tornar os carros mais caros para os consumidores americanos e aumentar a inflação”, disse Lula, que também apontou o risco de os preços mais altos levarem a uma contracção económica. Líderes de acordo Lula chegou ao Japão na segunda-feira para uma visita de Estado de quatro dias, que terminou ontem, antes de seguir para o Vietname, onde deverá encontrar-se com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, e com o Presidente vietnamita, Luong Cuong. Numa cimeira realizada na véspera com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, os dois líderes concordaram em lançar iniciativas conjuntas de descarbonização e reforçar os laços comerciais, com um futuro acordo de comércio livre entre o país asiático e o Mercosul no horizonte e no actual contexto de guerra comercial e negacionismo climático. Durante a visita, o Presidente brasileiro sublinhou a mensagem de que a democracia, o comércio livre e o multilateralismo estão em perigo a nível mundial perante o aumento do proteccionismo, do autoritarismo e da “nova guerra fria” entre os Estados Unidos e a China.
Hoje Macau China / ÁsiaFórum Boao | Pequim pede aos países asiáticos que se oponham ao proteccionismo O vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, pediu ontem “oposição resoluta ao proteccionismo”, no fórum dedicado à cooperação económica na região Ásia – Pacífico. “A Ásia tornou-se a região mais dinâmica do mundo em termos de desenvolvimento e potencial de crescimento”, afirmou Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro chinês, na sua intervenção no evento, que contou com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel. “A Ásia abriu activamente as suas portas e tomou a iniciativa de se integrar no mundo”, lembrou o responsável chinês, num período de crescentes fricções comerciais entes os Estados Unidos e o resto do mundo. Ding Xuexiang afirmou que a região deve “trabalhar em conjunto para proteger o comércio livre, aderir ao regionalismo aberto e opor-se resolutamente ao proteccionismo comercial e de investimento”. Apelou à “resolução das diferenças e dos diferendos através do diálogo e da consulta” e defendeu a “abertura, a cooperação e a globalização económica” como “escolhas inevitáveis” para a região. O vice-primeiro-ministro afirmou que o desempenho económico da China “permanece estável” e que “as taxas de crescimento da indústria, do consumo, do investimento e de outros indicadores nos primeiros dois meses deste ano foram superiores às registadas em todo o ano passado”. Ding afirmou que as autoridades “vão implementar políticas macroeconómicas mais pró-activas” e “expandir a procura interna em todas as frentes”, numa altura em que o fraco consumo interno suscita pressões deflacionárias na segunda maior economia do mundo. O dirigente acrescentou que o Governo chinês vai “promover de forma mais vigorosa o desenvolvimento saudável dos mercados imobiliário e bolsista”. O fórum, que decorre até sexta-feira sob o tema “A Ásia num Mundo em Mudança: Rumo a um Futuro Partilhado”, sublinhou a resiliência da região num ambiente global marcado por tensões geopolíticas.
Hoje Macau China / ÁsiaTikTok | Pequim rejeita oferta de Trump de reduzir taxas A China recusou ontem a oferta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de conceder um alívio das taxas alfandegárias em troca de um acordo sobre a venda da aplicação de partilha de vídeos TikTok. “Sobre a questão do TikTok, a China expressou a sua posição em várias ocasiões. A posição da China contra a imposição de taxas alfandegárias adicionais também é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun. Donald Trump disse na quarta-feira que está preparado para reduzir algumas das taxas sobre as importações oriundas da China se a dona do TikTok, a chinesa ByteDance, concordar em alienar as suas operações nos EUA. “A China vai ter de desempenhar um papel na venda da aplicação, possivelmente vai ter de a aprovar e, se o fizer, talvez lhe conceda uma pequena redução das taxas alfandegárias”, disse o Presidente dos EUA, a partir da Casa Branca. A 20 de Janeiro, assim que tomou posse, Trump deu à ByteDance 75 dias para vender as suas operações nos EUA, ou seja, até 5 de Abril. No final deste prazo, se não o fizer, a plataforma deverá ser proibida nos Estados Unidos, onde tem 170 milhões de utilizadores, nos termos de uma lei aprovada no ano passado em nome da protecção da segurança nacional.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | MNE francês apela ao diálogo com Pequim O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, apelou ontem a uma “poderosa parceria franco-chinesa”, face às crises mundiais, mas advertiu que a Europa defenderá os seus interesses e valores. “Mais do que nunca, o contexto actual exige uma parceria franco-chinesa poderosa ao serviço da estabilidade geopolítica, da prosperidade e do futuro do nosso planeta”, defendeu Barrot, de visita a Pequim, antes de se encontrar com o seu homólogo chinês, Wang Yi. Os dois ministros apertaram as mãos na sumptuosa residência estatal de Diaoyutai, diante das bandeiras dos dois países, antes de manterem conversações à porta fechada. Paris disse que as conversações se centrariam na resolução dos conflitos Rússia – Ucrânia e no Médio Oriente, e nas tensões comerciais entre a China e a União Europeia. “O ritmo das crises está a acelerar”, afirmou o ministro francês, ao lado de Wang Yi. “Os nossos dois países devem, por conseguinte, promover em conjunto um diálogo de estabilidade que conduza à procura de soluções”, afirmou. “Perante os desafios políticos, económicos e de segurança, uma nova Europa está a emergir rapidamente. A sua única bússola é a autonomia estratégica”, declarou Jacques Barrot. “A Europa será particularmente vigilante na defesa dos seus interesses e dos seus valores”, acrescentou. O ministro sublinhou ainda que Paris e Pequim “devem coordenar-se para promover uma paz justa e duradoura na Ucrânia”. “A China também tem um papel a desempenhar para convencer a Rússia a sentar-se à mesa das negociações com propostas sérias e de boa-fé”, disse o ministro francês ao homólogo chinês. O chefe da diplomacia chinesa advertiu que “a situação internacional mudou novamente e tornar-se-á ainda mais caótica”. França e China devem “aderir ao multilateralismo” e “trabalhar em conjunto para a paz e o desenvolvimento do mundo”, insistiu Wang Yi, que considera a China um dos principais alvos da ofensiva comercial do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “A França opõe-se a qualquer forma de guerra comercial e defende o diálogo sobre as questões comerciais, nomeadamente entre a União Europeia e a China”, respondeu Jean-Noël Barrot, em Pequim. Barrot falou ainda das sanções aplicadas pela China ao conhaque francês, em resposta às taxas adicionais impostas pela União Europeia aos automóveis eléctricos chineses. Afirmou estar à procura de uma “solução rápida” para este diferendo comercial, que permita aos dois países concentrarem-se “na construção de parcerias e investimentos para o futuro”. Sob pressão Jean-Noël Barrot deverá manter conversações ao fim da tarde com um alto funcionário chinês não identificado. O ministro francês deslocar-se-á depois a Xangai, onde deve inaugurar na sexta-feira uma fábrica de produção de hidrogénio construída pelo grupo francês Air Liquide e participar num fórum empresarial franco-chinês. A visita de Jacques Barrot à China faz parte de um vasto périplo pela Ásia, durante o qual visitou a Indonésia e Singapura. A ameaça de uma agressão russa na Europa “não é teórica”, afirmou Barrot na passada terça-feira, a partir de Singapura, depois de o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff, ter afirmado na Fox News, no domingo, que não acreditava nessa eventualidade. A “agressividade” da Rússia “ao longo dos últimos três anos estendeu-se muito para além da própria Ucrânia”, disse Barrot aos jornalistas.
Hoje Macau China / ÁsiaTóquio | Correspondente de jornal japonês morto em Gaza Um correspondente palestiniano do jornal japonês The Asahi Shimbun foi morto na Faixa de Gaza, aparentemente por um ataque israelita. De acordo com o jornal, Mohammed Mansour, de 29 anos, morreu na cidade de Khan Younis, no sul de Gaza, na segunda-feira. Acredita-se que tenha sido morto por um ataque de um míssil israelita. O jornal disse inicialmente à NHK que Mansour morreu juntamente com a sua esposa e o filho ainda bebé, mas depois corrigiu a explicação, citando informações de que a esposa e o filho estariam a ser tratados num hospital. Mansour, natural de Gaza, começou a trabalhar para o The Asahi Shimbun em 2023. O jovem jornalista trabalhou em Rafah e Khan Younis, enviando relatórios e fotos sobre a evolução da situação em Gaza. O jornal emitiu uma declaração exprimindo o inevitável o sentimento de profunda tristeza e raiva pela sua morte. A publicação enfatizou que ataques contra civis, incluindo jornalistas, não podem ser tolerados nunca, sob nenhuma circunstância. Enquanto isso, a emissora de TV via satélite Al Jazeera, com sede no Catar, informou na segunda-feira que um de seus repórteres foi morto em mais um ataque aéreo israelita no norte de Gaza. As autoridades de Gaza dizem que o número de jornalistas mortos no território chegou a 208 desde o início do conflito.
Hoje Macau China / ÁsiaPrimeira-ministra tailandesa sobrevive a moção de desconfiança A primeira-ministra da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, sobreviveu ontem a uma moção de desconfiança no Parlamento, que questionava a gestão da economia e as ligações ao ex-líder e pai, Thaksin Shinawatra, condenado por corrupção. Paetongtarn, 38 anos, que assumiu o cargo em Agosto, foi apoiada por 319 deputados, contra 161, que votaram contra ela, num total de 500 membros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do parlamento Tal como previsto, a líder foi apoiada pelos 11 partidos da coligação governamental, liderada pelo Puea Thai (Povo Tailandês), uma plataforma ligada ao clã Shinawatra. A moção foi apresentada na segunda-feira pelo Partido Popular, na oposição, herdeiro do partido Avanzar, dissolvido em Agosto passado por uma decisão judicial controversa. Durante as duas sessões que antecederam a votação, o debate girou em torno do fraco desempenho da economia tailandesa e da alegada influência de Thaksin, que governou o país entre 2021 e 2006, ano em que foi afastado do poder por um golpe militar. Paetongtarn, candidata a primeira-ministra pelo Puea Thai nas eleições de Maio de 2023, chegou ao poder em Agosto de 2024, depois de o então líder Srettha Thavisin, também do Puea Thai, ter sido destituído por ordem do Tribunal Constitucional, depois de ter nomeado ministro um dirigente condenado por corrupção. Faz o que eu digo Thaksin, o político mais influente e polarizador da Tailândia nos últimos 20 anos, regressou ao país depois de ter passado quase 15 anos no exílio, no mesmo dia em que Srettha tomou posse. O antigo dirigente foi detido à chegada a Banguecoque, acusado de corrupção, mas não chegou a passar uma noite na prisão, tendo sido transferido no mesmo dia para um hospital, onde esteve seis meses, e depois colocado em prisão domiciliária até à sua libertação, dias depois da filha ter ascendido ao poder. Thaksin, de 75 anos, afirma estar retirado da política, mas admitiu ocasionalmente dar conselhos à actual líder e foi visto a presidir a reuniões com outros proeminentes líderes políticos tailandeses. O partido reformista Advance venceu as eleições de Maio de 2023, mas não conseguiu governar devido a um veto do Senado, então composto por representantes ligados à extinta junta militar. O partido acabou por ser dissolvido pelo Tribunal Constitucional, na sequência de uma promessa eleitoral de alterar as leis que protegem a Casa Real tailandesa de críticas. O Puea Thai, que inicialmente se aliou ao Advance, acabou por concordar com um governo de coligação em que estão presentes partidos associados aos militares, outrora inimigos dos Shinawatras.
Hoje Macau China / ÁsiaCoreia do Sul | Fogos florestais já fizeram 24 mortos Os fogos que deflagraram na passada sexta-feira vão semeando o caos pelo país asiático. Além de destruir templos, casas e fábricas, as chamas já causaram a morte a pelo menos 24 pessoas Os incêndios florestais provocados pelo vento, que estão entre os piores da história da Coreia do Sul, causaram a morte de 24 pessoas, destruíram mais de 200 estruturas e obrigaram à evacuação de 27.000 pessoas, segundo o último balanço. O número de mortos incluiu um piloto que morreu após um helicóptero cair durante os esforços para conter os incêndios florestais na cidade de Uiseong, no sudeste, uma das áreas mais atingidas, de acordo com as autoridades. A aeronave não tinha outros tripulantes. Segundo a Agência Nacional de Incêndios, pelo menos outras 26 pessoas sofreram vários graus de ferimentos. Um antigo templo budista, casas, fábricas e veículos estão entre as estruturas destruídas nos incêndios florestais. O presidente em exercício da Coreia do Sul, Han Duck-soo, disse que os incêndios florestais que começaram na passada sexta-feira estão a causar danos piores do que muitos outros incêndios florestais anteriores. “Os danos estão a aumentar. Tememos ter danos de incêndios florestais que nunca tivemos antes, então temos que concentrar todas as nossas capacidades para apagar os fogos até ao fim desta semana”, disse Han. Segundo o responsável, cerca de 4.650 bombeiros, soldados e outros funcionários estão no terreno, com a ajuda de cerca de 130 helicópteros. Património desaparecido Os maiores incêndios ocorreram em Andong, nos condados vizinhos de Uiseong e Sancheong e na cidade de Ulsan, de acordo com o Ministério do Interior da Coreia do Sul. O incêndio em Uiseong destruiu quase metade de mais de 30 estruturas em Gounsa, um templo que teria sido construído originalmente no século VII. O Serviço Florestal da Coreia elevou o alerta de incêndio florestal para o nível mais alto em todo o país na terça-feira, exigindo que os governos locais designem mais trabalhadores para resposta a emergências, aumentem as restrições de entrada para florestas e parques e recomendem que as unidades militares suspendam os exercícios de fogo real. Autoridades do governo suspeitam que erro humano tenha causado vários incêndios.
Hoje Macau China / ÁsiaRangel destaca importância do investimento chinês para a economia O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, destacou ontem o “importante papel” do investimento chinês na economia portuguesa, durante um encontro com o homólogo chinês, Wang Yi, segundo um comunicado emitido pelas autoridades chinesas. O chefe da diplomacia portuguesa convidou “mais empresas chinesas a investir e prosperar em Portugal” e indicou que Lisboa “está disposta a reforçar a cooperação com a China nos domínios da economia e do comércio, da energia, da saúde, das finanças, das infraestruturas e da transformação ecológica”. Rangel afirmou que Portugal e a China “têm uma longa história de interacção” e que as relações entre os dois países “têm vindo a desenvolver-se bem”, lê-se na nota difundida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Pequim e Lisboa “deram um exemplo ao mundo” ao resolverem pacificamente a questão de Macau, acrescentou. Citado no mesmo comunicado, Wang Yi destacou a “boa tradição de respeito e apoio mútuos” entre os dois países. “Portugal é um dos países da União Europeia que recebe mais investimento chinês ‘per capita’”, disse o chefe da diplomacia chinesa, que apelou ao “alargamento da cooperação nos domínios do investimento em projectos, transformação ecológica, economia digital, inovação e investigação e desenvolvimento, informação e comunicação”. Wang destacou o papel que Macau pode desempenhar “como uma ponte para promover a relação entre os dois países para alcançar um maior desenvolvimento”. O diplomata chinês manifestou o seu “apoio à Europa na manutenção da sua autonomia estratégica” e a esperança “de que Portugal desempenhe um papel activo” no “desenvolvimento saudável das relações entre a China e a Europa”. Os dois ministros “discutiram questões de interesse comum, como a ‘crise’ na Ucrânia”, de acordo com o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, que não deu mais pormenores. Investidor de peso A China tornou-se, na última década, o quarto maior investidor directo estrangeiro em Portugal. Empresas chinesas, estatais e privadas, detêm uma posição global avaliada em 11,2 mil milhões de euros na economia portuguesa, segundo o Banco de Portugal. Os investimentos abrangem as áreas de energia, banca, seguros ou saúde. Em 2018, os dois países assinaram um memorando de entendimento sobre a iniciativa “Faixa e Rota”, um megaprojecto de infra-estruturas lançado por Pequim que visa expandir a sua influência global através da construção de portos, linhas ferroviárias ou autoestradas.
Hoje Macau China / ÁsiaApple doa quase 4 ME a universidade chinesa para formar programadores A empresa tecnológica norte-americana Apple vai doar 30 milhões de yuan à universidade chinesa de Zhejiang, anunciou o seu presidente executivo, Tim Cook, numa visita a Hangzhou, sede dos gigantes tecnológicos DeepSeek e Alibaba. A cidade, localizada no leste da China, é considerada um epicentro tecnológico do país, numa altura em que o sector da inteligência artificial (IA) está a ter um novo ‘boom’ na região. A iniciativa faz parte do Apple Mobile App Incubation Fund, um fundo criado para apoiar a formação de programadores empreendedores e incentivar o desenvolvimento de aplicações móveis no ecossistema iOS. Através deste programa, os participantes receberão formação técnica, mentoria e acesso a investidores e especialistas do sector. “Acreditamos que a programação é uma ferramenta poderosa que nos permite criar, comunicar e resolver problemas de formas totalmente novas. Temos a honra de aprofundar a nossa colaboração de uma década com a Universidade de Zhejiang para capacitar a próxima geração de programadores”, afirmou Cook. De acordo com a Apple, a empresa destinou 50 milhões de yuan à universidade nos últimos dez anos. O Concurso de Inovação em Aplicações Móveis, apoiado pela Apple há uma década, atraiu mais de 30.000 candidaturas de quase 1000 universidades da “grande China”. Nos últimos anos, foram acrescentados percursos específicos para estudantes sem experiência prévia em programação (“Inspiration Track”) e para empresários recentes (“Launch Track”), alargando simultaneamente o seu alcance a regiões menos desenvolvidas do país. “Trabalharemos em conjunto com a Apple para criar uma nova geração de talentos com integridade em termos de conhecimentos, competências, carácter e valores”, afirmou Ren Shaobo, secretário do Partido Comunista da China (CPC) na Universidade de Zhejiang. Empenho e investimento A visita de Cook a Hangzhou faz parte da sua actual digressão pela China, onde tem reiterado o compromisso da Apple para com o mercado local. Na segunda-feira, em Pequim, encontrou-se com o Ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, a quem reafirmou os planos para aumentar o investimento em investigação, cadeia de fornecimento e responsabilidade social no país. Cook efectuou pelo menos três viagens à China no último ano para mostrar o seu empenho em aumentar ainda mais o investimento no país e “aproveitar as oportunidades oferecidas pela sua abertura”. Numa dessas visitas disse que dá “grande valor” aos seus parceiros chineses, sem os quais o fabricante “não poderia fazer o que faz”, e noutra viagem inaugurou a maior loja da Apple na Ásia, localizada na megalópole oriental de Xangai. A Grande China é o terceiro maior mercado da Apple, depois da América e da Europa. No entanto, as vendas do iPhone diminuíram na região, em parte devido à crescente concorrência de marcas locais como a Huawei e à falta de funcionalidades de IA nos mais recentes dispositivos da empresa californiana. De acordo com o The Wall Street Journal, a Apple tem estado em conversações com várias empresas chinesas de IA sobre uma possível parceria para implementar a Apple Intelligence na China.