Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Dirigentes de operadora nuclear demitem-se após falsificação de dados Dois altos dirigentes de uma operadora nuclear japonesa demitiram-se ontem na sequência de um escândalo de falsificação de dados sísmicos, e o grupo anunciou que vai retirar os pedidos de reactivação de dois reactores. A central de Hamaoka, da Chubu Electric Power, situada numa região exposta ao risco de “mega-sismo”, estava sujeita a controlos de segurança para retomar actividade. Em Janeiro, a empresa reconheceu ter apresentado às autoridades dados que poderiam subestimar os riscos sísmicos. Num comunicado, a Chubu Electric informou que o presidente Kingo Hayashi e o presidente do conselho de administração, Satoru Katsuno, serão substituídos, retirando também os pedidos de reinício. Hayashi declarou sentir “um pesado sentido de responsabilidade e profundo remorso”, lamentando não ter conseguido promover uma cultura organizacional que privilegie a segurança e o cumprimento das normas. Um relatório independente de 250 páginas, divulgado no mesmo dia, concluiu que as pressões da direcção para acelerar o reinício dos reactores colocaram o pessoal sob pressão e foram “um dos factores que contribuíram para as falhas” registadas. O Japão encerrou todos os reactores após o desastre de Fukushima em 2011, mas procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a neutralidade carbónica até 2050, regressando gradualmente ao nuclear civil. A central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, retomou operações este ano. No centro das avaliações de segurança está a estimativa de “movimento sísmico máximo à superfície”, crucial para o desenho antisísmico das centrais. Em 2023, o regulador japonês aprovou a estimativa da Chubu Electric, mas em Fevereiro de 2025 recebeu de um denunciante informação com dados diferentes dos fornecidos. O processo de revisão foi suspenso em Dezembro.
Hoje Macau China / ÁsiaFilipinas | Tiroteio mortal a poucas horas de votação em região autónoma As mesas de voto abriram ontem em Bangsamoro, região de maioria muçulmana, para eleger, pela primeira vez, o parlamento local, poucas horas após a morte de três pessoas num tiroteio entre facções de um grupo rebelde A votação constitui o culminar de um processo de paz intermitente, iniciado no final da década de 1990, que resultou na criação da região autónoma de Bangsamoro, no sul do país de maioria católica. Mais de dois milhões de eleitores são chamados a eleger 80 assentos, disputados por 13 formações políticas. Até agora, os parlamentares eram nomeados. Em Marawi, cidade devastada em 2017 por cinco meses de confrontos entre fundamentalistas islâmicos e forças governamentais, um jornalista da agência France-Presse (AFP) observou longas filas de espera em frente às mesas de voto, sob a vigilância de membros das forças de segurança e de veículos blindados. “Estamos ansiosos, viemos para cá logo esta manhã”, exclamou Mohammad Actar Macabada, de 18 anos, logo após ter votado. “Estou nervoso porque talvez venha a ser o caos. Antes, era o caos. Agora, está tudo tranquilo”, acrescentou o eleitor, que está “ansioso por saber os resultados”, realçou. Nesta região marcada pela violência política e pelas vinganças familiares, uma eleição sem incidentes seria considerada um sucesso, revelaram recentemente líderes partidários a jornalistas da AFP. Esta paz foi, no entanto, abalada apenas algumas horas antes do início das eleições. Três pessoas foram mortas e 15 ficaram feridas no domingo, pouco antes da meia-noite, durante um tiroteio em Cotabato, a capital da região autónoma. Elevada contagem De acordo com o chefe da polícia local, Jibin Bongcayao, o tiroteio ocorreu quando membros de facções políticas rivais disputavam o direito de votar em primeiro lugar. “Inicialmente, tratava-se de uma disputa entre dois grupos pelas vagas na fila” em frente a uma escola que servia de secção de voto na capital regional, explicou o responsável policial. A disputa “provocou empurrões que degeneraram numa briga e, por fim, foram disparados tiros numa zona lotada”. O agente acrescentou que os homens envolvidos no tiroteio pertenciam a facções rivais do maior grupo rebelde das Filipinas, a Frente Islâmica de Libertação Moro (Milf), que luta há décadas pela autonomia da região. No total, a violência separatista já causou 150 mil mortos desde a década de 1970. A segurança foi reforçada em toda a região, parcialmente situada na ilha de Mindanau, com a mobilização de mais de 20 mil membros das forças de segurança. No mês passado, uma comitiva que transportava o chefe interino do governo local — nomeado pelo presidente Ferdinand Marcos Jr. — foi atacado. Além disso, um homem morreu no hospital na madrugada de ontem, na sequência de uma explosão ocorrida perto de uma secção de voto, numa ocorrência que a polícia está a investigar.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | Pequim vai activar zona de exclusão aérea após acidente A China vai colocar em funcionamento, em 20 de Setembro, uma zona de exclusão aérea em Pequim e arredores, quase três meses após uma avioneta ter embatido no arranha-céus mais alto da capital, causando um morto e 13 feridos. A medida vai restringir determinadas actividades aéreas, com excepções para voos da aviação civil e operações de emergência e salvamento, entre outras, e não afectará as viagens de passageiros de avião, segundo o jornal Beijing Daily. O jornal indicou que a delimitação visa “reforçar a gestão da segurança do espaço aéreo” da capital, “manter a ordem das operações” e “proteger instalações importantes em terra, assim como a vida e os bens da população”. Os voos no interior da zona terão de cumprir rigorosamente os requisitos relativos a autorizações, comunicações, identificação e notificação das condições de segurança. O texto não especifica a extensão geográfica da zona nem relaciona expressamente a decisão com o acidente ocorrido em Junho. Em 26 de Junho, uma aeronave desportiva ligeira embateu no China Zun, também conhecido como CITIC Tower, com 528 metros de altura, no distrito financeiro de Guomao. O piloto morreu e outras 13 pessoas ficaram feridas. O incidente ocorreu numa cidade sujeita a rigorosos controlos de segurança, por albergar as sedes do Governo Central e do Partido Comunista Chinês (PCC). Desde Maio, Pequim proíbe também a venda e o aluguer de drones, restringe a entrada destes aparelhos na cidade e exige autorização para os operar no exterior.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim diz que encontro entre Xi e Modi reafirma impulso das relações O Governo chinês afirmou ontem que a reunião realizada no sábado entre o Presidente chinês e o primeiro-ministro indiano à margem da cimeira dos BRICS, em Nova Deli, constituiu “uma reafirmação” do impulso das relações. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa conferência de imprensa, que Xi Jinping e Narendra Modi reuniram-se três vezes nos últimos três anos, em Nova Deli, em Tianjin (2025) e em Kazan (2024), marcando “um novo ponto de partida e uma nova direcção para as relações sino-indianas”. Guo indicou que os dois líderes concordaram que, enquanto países mais populosos do mundo e importantes membros do Sul Global, devem “centrar-se no desenvolvimento como o maior denominador comum, reforçar os intercâmbios de amizade e a cooperação de benefício mútuo e melhorar a base da opinião pública que sustenta a relação bilateral”. O porta-voz disse ainda que Xi e Modi concordaram em resolver “de forma equilibrada” as respectivas preocupações económicas e comerciais e em salvaguardar conjuntamente a paz e a tranquilidade na zona fronteiriça que partilham nos Himalaias. Em 2020, um confronto militar no vale de Galwan provocou mortes entre soldados dos dois países e desencadeou a pior crise diplomática entre Pequim e Nova Deli em décadas. “A melhoria e o desenvolvimento das relações sino-indianas não só são bem recebidos pelos mais de 2.800 milhões de habitantes dos dois países, como também respondem à necessidade de reforçar a cooperação do Sul Global”, afirmou Guo. Amor e tropas nas fronteiras Segundo o porta-voz, Xi defendeu durante o encontro que os dois países devem orientar as relações bilaterais com um “entendimento estratégico objectivo e racional” e “ajudar-se mutuamente a alcançar o sucesso através de uma filosofia de cooperação de benefício mútuo”. Apesar da melhoria gradual das relações, incluindo o restabelecimento dos voos directos e a flexibilização dos vistos, os dois países mantêm elevados contingentes militares ao longo da linha de controlo nos Himalaias, enquanto a Índia mantém restrições aos investimentos chineses.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | Trump desvaloriza alegado fornecimento de informações chinesas O Presidente norte-americano, Donald Trump, desvalorizou ontem informações de que entidades chinesas terão fornecido a Teerão imagens de satélite de uma base militar na Jordânia antes e após um ataque iraniano que matou três soldados norte-americanos. “Quando dizem que a China nos espia, eu digo: têm razão, e nós também os espiamos”, afirmou Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, um dia depois de o jornal Wall Street Journal noticiar a alegada partilha de informações entre entidades chinesas e iranianas. “É isso que fazemos. Basicamente, eles fazem o que nós fazemos”, acrescentou o Presidente norte-americano. Em 17 de Julho, o Irão lançou mísseis contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, onde estão estacionadas forças norte-americanas. Três soldados dos Estados Unidos morreram no ataque. Responsáveis norte-americanos não identificados citados pelo Wall Street Journal não especificaram quais as entidades chinesas envolvidas nem sugeriram que o Governo chinês fosse directamente responsável.
Hoje Macau China / Ásia MancheteEstudo | “Economia da solidão” superou um bilião de dólares na China em 2025 Os consumidores solteiros na China gastaram mais de um bilião de dólares em 2025, mais 50 por cento do que dois anos antes, impulsionando uma crescente “economia da solidão”, indica um relatório divulgado ontem O documento, da autoria de Y. Tony Yang, professor da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, aponta, no entanto, que o fenómeno deve ser entendido não apenas como um novo mercado de consumo, mas como resultado da desagregação de funções tradicionalmente asseguradas pelas famílias. Durante grande parte da história moderna as famílias partilharam despesas como habitação e alimentação, além de assegurarem cuidados a crianças e idosos, companhia e protecção perante imprevistos, observa o autor. “Em toda a Ásia Oriental, esse modelo está a perder peso, levando cada vez mais pessoas a recorrer a serviços pagos para satisfazer necessidades antes asseguradas no seio da família”, escreve Yang. Na China, o censo de 2020 contabilizou 125 milhões de pessoas a viver sozinhas, o equivalente a uma em cada quatro famílias, enquanto tendências semelhantes são observadas noutros países da região. Na Coreia do Sul, 36 por cento dos agregados familiares são constituídos por uma única pessoa, enquanto no Japão a proporção deverá atingir 44 por cento em 2050. Segundo dados da empresa chinesa de investigação Discovery Reports, citados pelo autor, os gastos dos solteiros chineses ultrapassaram um bilião de dólares em 2025, aumentando cerca de 50 por cento em apenas dois anos. Yang considera, contudo, que parte desse crescimento não representa necessariamente nova actividade económica, mas a “transformação em transacções comerciais de funções anteriormente desempenhadas dentro do agregado familiar”. Quando uma família prepara uma refeição em casa, exemplifica, essa actividade não é contabilizada no produto interno bruto (PIB), mas quando alguém que vive sozinho encomenda uma refeição individual ou paga por entretenimento ou companhia, essas mesmas necessidades passam a surgir nas estatísticas económicas. O autor alerta ainda que parte das despesas associadas à chamada “economia da solidão” não corresponde a consumo discricionário, mas a custos que quem vive sozinho não pode partilhar, incluindo renda, electricidade ou electrodomésticos. Família de um A tendência está também a criar produtos e serviços na China, desde refeições para uma pessoa a aplicações destinadas a verificar o bem-estar de quem vive sozinho. Uma aplicação chinesa cujo nome pode ser traduzido como “Estás morto?” chegou ao primeiro lugar entre as aplicações pagas no país em Janeiro. O serviço alerta um contacto de emergência caso o utilizador falhe duas verificações diárias consecutivas. Para Yang, trata-se de “um substituto pago para uma tarefa que, até recentemente, não precisava de um produto”. O relatório destaca igualmente o crescimento dos serviços de companhia baseados em inteligência artificial (IA), numa altura em que Pequim começou a regulamentar este mercado. Novas regras chinesas para serviços de IA “antropomórfica”, em vigor desde 15 de Julho, proíbem relações românticas virtuais com menores, exigem consentimento dos encarregados de educação para utilizadores com menos de 14 anos e obrigam as empresas a intervir perante sinais de automutilação ou dependência emocional excessiva, segundo o documento. Yang defende que o crescimento das famílias unipessoais obrigará também os governos a repensar sistemas de saúde e assistência social ainda construídos em torno da existência de cônjuges, filhos ou outros familiares capazes de prestar cuidados. “A economia da solidão é três coisas ao mesmo tempo: um mercado real, um artefacto estatístico e uma perda de eficiência”, resume. O académico considera a Ásia um “local piloto” para uma transformação que deverá alastrar posteriormente a outras regiões do mundo, à medida que aumenta o número de pessoas que vivem sozinhas.
Hoje Macau China / ÁsiaFilipinas | 76 mortos em incêndio em ‘ferry’ O número de mortos no incêndio que atingiu um ‘ferry’ filipino subiu para 76, depois de terem sido encontrados mais 41 corpos a bordo do navio, disse sábado a guarda costeira. Os corpos vão ser transportados para um porto da estância turística de Coron, na província de Palawan, declarou a porta-voz da guarda costeira, comodoro Noemie Cayabyab, em comunicado. As autoridades das Filipinas disseram que estão à procura do comandante do ‘ferry’ onde deflagrou na quarta-feira, perto da ilha de Coron. A porta-voz da Guarda Costeira, Noemie Cayabyab, referiu anteriormente em conferência de imprensa que, de acordo com a investigação em curso, o comandante poderá estar entre os 43 sobreviventes. As autoridades pretendem ouvir o capitão da embarcação para determinar a eventual responsabilidade no acidente. Cayabyab referiu antes que não se descarta a possibilidade de um crime de negligência por parte da tripulação. “Sem dúvida, o capitão tem uma responsabilidade e uma obrigação legal”, afirmou Cayabyab numa intervenção transmitida através das redes sociais. De acordo com as investigações, o incêndio começou no porão de carga do ‘ferry’, que partiu na terça-feira de Manila para uma viagem que devia demorar cerca de 12 horas. As causas do acidente ainda não foram determinadas, mas, em poucos minutos, as chamas envolveram a embarcação, onde viajavam 115 passageiros e 17 tripulantes. Tragédias recorrentes Na sexta-feira, as autoridades conseguiram aceder, pela primeira vez, ao navio de passageiros e recuperar os restos mortais de 30 pessoas, elevando o número de mortos confirmados para 35. As equipas de emergência continuam ainda o trabalho de recuperação de corpos no interior do navio, que foi rebocado para perto da costa de Corón, na província turística de Palawan, no mar do Sul da China, para facilitar as operações. Os acidentes marítimos nas Filipinas causam todos os anos dezenas de vítimas, a maioria em naufrágios causados por mau tempo, incumprimento das normas de segurança, manutenção deficiente dos equipamentos ou sobrecarga.
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | Encontro Putin-Zelensky no G20 em Miami “é impossível”, diz Kremlin Um encontro entre os Presidentes russo e ucraniano, na cimeira do G20 em Miami, nos Estados Unidos, em Dezembro, “é impossível”, disse sábado o porta-voz do Kremlin, em Nova Deli. “É impossível”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência de notícias France-Presse (AFP), rejeitando assim uma proposta do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky. O porta-voz da presidência russa reiterou a exigência de Moscovo de que tal encontro se realize na capital russa, depois de ter declarado antes à agência de notícias estatal russa Tass que a decisão sobre a deslocação de Vladimir Putin a Miami ainda não tinha sido tomada. “Ainda não sabemos se iremos ou não a Miami”, referiu Peskov. Numa entrevista à rádio alemã Deutsche Welle, o Presidente ucraniano disse estar disponível para se encontrar com o homólogo russo durante a cimeira do G20, em Dezembro. Questionado sobre se se encontraria com Putin nessa reunião, caso os dois dirigentes fossem convidados, Zelensky respondeu: “Sim, claro. Temos de ir. Temos de nos encontrar, falar e tomar decisões”. “Não são as palavras que contam. O que eu lhe vou dizer ou o que ele me quer dizer não tem importância. (…) Só o resultado conta”, acrescentou. Washington tentou recentemente relançar os esforços diplomáticos, há muito estagnados, para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com a visita dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e Kiev no início do mês. Putin e o Presidente norte-americano, Donald Trump, também discutiram a guerra na semana passada, numa conversa telefónica “de extrema franqueza”, disse o Kremlin. Zelensky declarou na entrevista que a visita dos enviados norte-americanos era um “bom sinal” e que era importante a dupla ter-se deslocado tanto a Kiev como a Moscovo. “É uma marca de respeito pelo nosso povo”, salientou. Os Estados Unidos assumem este ano a presidência do G20.
Hoje Macau China / ÁsiaGuterres diz que mundo “precisa de paz” perante líderes da Rússia e do Irão O secretário-geral da ONU sublinhou ontem a necessidade de pôr fim aos conflitos mundiais, perante os líderes da Rússia, Irão, Emirados Árabes Unidos e da China, reunidos na cimeira dos BRICS, na Índia. “De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até à Ucrânia, ao Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz”, afirmou António Guterres, durante a sua intervenção, citado pela Efe. A sessão plenária na capital indiana, Nova Deli, a segunda e última da cimeira do bloco, juntou Guterres a líderes como o russo Vladimir Putin, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan. As palavras de Guterres surgem após os membros terem assinado no sábado uma declaração conjunta com 140 pontos, que dedicou vários capítulos a Gaza, à Palestina e ao Líbano e mencionou expressamente Israel, mas que não incluiu qualquer referência à Ucrânia. No seu apelo, o português defendeu a liberdade de navegação internacional, o respeito pela integridade territorial e pela independência política dos Estados ao abrigo do direito internacional. “À medida que avançamos de forma irreversível para um mundo multipolar, os países devem trabalhar para reforçar e salvaguardar um sistema multilateral que responda às necessidades de todos”, acrescentou Guterres. Reformas urgentes O líder da ONU voltou a exigir uma reforma abrangente do seu Conselho de Segurança e das instituições financeiras internacionais que, no seu entender, já não reflectem a realidade do planeta, por terem sido criadas no âmbito de uma ordem hoje obsoleta. “As realidades económicas, demográficas e geopolíticas de hoje não são as de 1945 (…). Isto exige a reforma das instituições multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e o sistema de Bretton Woods, para reflectir o mundo actual”, acrescentou. A propósito da adopção, este Setembro, de um novo mapa-mundo na Assembleia Geral, que corrige as distorções do tradicional mapa de Mercator, Guterres instou as instituições a “fazer o mesmo” perante uma nova realidade de poderes. Putin e o Novo Banco O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu ontem o fortalecimento das capacidades do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, já que as necessidades de financiamento superam significativamente os volumes que actualmente a instituição financeira fornece. “Fortalecer ainda mais o potencial do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e actualizar o seu modelo de negócio parece ser uma tarefa urgente. O banco já financiou 123 projectos no valor de quase 40.000 milhões de dólares. Isso é, sem dúvida, um bom resultado, mas as necessidades de financiamento são muito maiores”, declarou Putin durante a cimeira alargada dos membros do BRICS em Nova Deli. Segundo o líder russo, uma nova plataforma de investimento poderia ajudar a satisfazer aquelas necessidades.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | Líderes pedem máxima contenção face a escalada na guerra Os líderes dos BRICS, entre os quais o Presidente chinês Xi Jinping, pediram sábado máxima contenção perante a escalada na guerra no Médio Oriente, a manutenção do movimento do comércio e energia e rejeitaram sanções unilaterais contrárias ao direito internacional. “Manifestamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Médio Oriente e, recordando as nossas respectivas posições nacionais, apelamos para a máxima contenção e que se evitem acções que possam agravar ainda mais a situação”, de acordo com a Declaração de Nova Deli, assinada pelos 11 líderes dos BRICS e citada pela agência de notícias espanhola EFE. O documento, aprovado por unanimidade na sala principal do centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, exige também a protecção dos civis e das infraestruturas civis, assim como o respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados. Entre os 140 pontos da Declaração de Nova Deli, os líderes dos BRICS sublinharam, ainda que sem mencionar o estreito de Ormuz, que é fundamental “manter o fluxo constante do comércio global, das cadeias de abastecimento e de energia”. Outros dos pontos da declaração, refere-se à exigência de eliminar medidas que estes países consideram ilegais: “Condenamos a imposição de medidas coercivas unilaterais contrárias ao direito internacional e reiteramos que tais medidas, incluindo, entre outras formas, sanções económicas unilaterais e secundárias, têm profundas implicações negativas para os direitos humanos”. A aprovação deste documento pôs fim a algumas questões que estavam ainda em aberto antes da reunião de líderes, sendo o consenso o principal desafio deste encontro, uma vez que estiveram representados 11 países com posições distintas sobre os principais conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente e na Ucrânia.
Hoje Macau China / ÁsiaBRICS | Xi dá apoio para acelerar desenvolvimento tecnológico O Presidente da China discursou na cimeira de líderes dos BRICS em Nova Deli onde apelou ao desenvolvimento do Sul Global O Presidente chinês, Xi Jinping, ofereceu ontem o apoio da China para acelerar o desenvolvimento tecnológico e industrial dos países que fazem parte dos BRICS, com especial ênfase na Inteligência Artificial (IA). Xi fez a proposta durante a sua intervenção na segunda e última sessão da cimeira de líderes dos BRICS deste fim de semana em Nova Deli, onde o mandatário chinês apresentou cinco iniciativas de cooperação que impulsionem o crescimento do chamado Sul Global nos campos da IA, comércio e investimento, indústria digital, manufactura inteligente e desenvolvimento de talentos, segundo a agência oficial Xinhua. Entre as ofertas do governante da segunda maior economia do mundo, destacam-se a de ajudar os países do bloco a implementar modelos abertos de linguagem que permitam estabelecer uma zona de IA “aberta e inclusiva” para os BRICS, construir fábricas inteligentes, habilitar uma plataforma na nuvem para a indústria digital dos membros do bloco e formar jovens talentos em inovação e tecnologia avançada. Segundo Xi, o 15.º Plano Quinquenal aprovado este ano não é apenas o roteiro do desenvolvimento da China, mas também “uma lista de oportunidades de cooperação para o mundo” com a qual o gigante asiático continuará a promover “o desenvolvimento de alta qualidade”, a abertura de alto nível, a iniciativa das Novas Rotas da Seda e “criando prosperidade juntamente com outros países do mundo”. Unidos venceremos Na mesma sessão, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, tinha advertido que o uso da tecnologia e dos minerais críticos como armas geopolíticas pode fraturar a coesão do bloco, em plena corrida de desenvolvimento tecnológico mundial. Por outro lado, e como já fez no seu discurso no primeiro dia da cimeira, o líder chinês voltou a pedir ao bloco e ao Sul Global que unam forças em torno do multilateralismo, da autoridade e do papel das Nações Unidas e da reforma das instituições multilaterais para as tornar mais eficientes, incluindo a da Organização Mundial do Comércio (OMC) “na direcção certa”. Também sustentou que os BRICS, e sobretudo as maiores economias do grupo, devem manter estáveis e sem obstáculos as cadeias de fornecimento, assim como fomentar a integração dos mercados. “Um mundo sem regras é como um cruzamento sem semáforos onde o caos e a desordem seriam inevitáveis”, considerou Xi, que defendeu que as regras globais sejam estabelecidas com consenso comum e aplicadas com igualdade e sem duplo padrão. Depois da Índia neste ano, a China assumirá em 2027 a presidência dos BRICS, bloco que integra Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Esta foi a primeira viagem de Xi à Índia em sete anos, uma visita que incluiu uma reunião com Modi e que representa um novo passo na normalização das relações bilaterais iniciada em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaHK | Tribunal condena jornal por impedir repórter de assumir cargo sindical A justiça de Hong Kong condenou ontem a empresa que detém o jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) por impedir uma repórter de assumir um cargo sindical, mas rejeitou a acusação de despedimento injustificado. A ex-repórter do WSJ Selina Cheng Kar-yue, também presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA, na sigla em inglês), iniciou uma acção judicial privada contra a Dow Jones Publishing Co. (Asia) Inc. após ter perdido o emprego em Julho de 2024. O juiz David Cheung condenou a Dow Jones por impedir ou desencorajar Selina Cheng de exercer o direito de participação sindical, mas afirmou que a defesa levantou dúvidas razoáveis suficientes em relação à segunda acusação, de que a empresa rescindiu o contrato de trabalho da repórter em retaliação. Sem apoio Selina Cheng tinha declarado em tribunal que a sua supervisora, Deborah Ball, editora do WSJ para a Ásia, lhe disse que a candidatura à liderança da HKJA era problemática e que precisava de discutir a questão com a direcção do jornal, em Nova Iorque, e com os advogados internos da Dow Jones. A jornalista afirmou ter sido informada, mais tarde, por e-mail, por Kerene Ko, então directora de recursos humanos da Dow Jones, de que não teria “a aprovação da empresa” para assumir o cargo de presidente da HKJA. Numa conferência de imprensa realizada em Julho de 2024, no dia em que foi despedida, Selina Cheng disse que o WSJ lhe tinha comunicado que os funcionários do jornal não deveriam ser vistos como defensores da liberdade de imprensa “num lugar como Hong Kong”. Em 2025, a Dow Jones declarou-se inocente das duas acusações, sendo que cada uma pode acarretar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong. Durante o julgamento, a empresa tentou convencer o tribunal de que Selina Cheng foi despedida devido a uma redução de pessoal, numa altura em que o WSJ mudou a base asiática de Hong Kong para Singapura, e argumentou que a acusação não tinha provado que a administração do jornal tinha dado quaisquer ordens a Deborah Ball. A defesa da Dow Jones acusou ainda a jornalista de agir de má-fé, numa outra audiência. A sentença será proferida em data posterior.
Hoje Macau China / ÁsiaAutomóveis | Exportações chinesas ultrapassam até Agosto total de 2025 As exportações chinesas de automóveis de passageiros nos primeiros oito meses do ano já superaram o total de 2025, apesar de as vendas no mercado interno continuarem em queda, indicou ontem uma associação do sector. As exportações de automóveis de passageiros aumentaram 67,1 por cento em Agosto, face ao mesmo mês do ano anterior, para cerca de 890.000 unidades, impulsionadas pelos veículos híbridos e totalmente eléctricos, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM, na sigla em inglês). Entre Janeiro e Agosto, a China exportou mais de 6,2 milhões de automóveis de passageiros. No conjunto de 2025, o país exportou 7,1 milhões de veículos de todos os tipos, incluindo cerca de seis milhões de automóveis de passageiros, de acordo com dados da CAAM. A China, o maior exportador mundial de automóveis, deverá registar este ano um crescimento entre 50 por cento e 70 por cento nas exportações de veículos de passageiros, segundo a agência de notação financeira S&P Global Ratings. As exportações chinesas de automóveis têm apresentado um desempenho superior ao esperado este ano, beneficiando de preços competitivos e da qualidade dos veículos, afirmou Stephen Chan, diretor associado da S&P Global Ratings. “É provável que o forte crescimento das exportações compense em grande medida a fraqueza do mercado interno”, afirmou. Nos últimos meses, o choque energético provocado pela guerra no Irão e a subida dos preços dos combustíveis levaram mais condutores de veículos a gasolina e gasóleo a optar por veículos eléctricos. As elevadas taxas alfandegárias têm, na prática, mantido a maioria dos automóveis de passageiros fabricados na China fora do mercado norte-americano. Os fabricantes chineses têm, porém, aumentado as exportações e vendas para a Europa, América Latina, África e Sudeste Asiático. As marcas chinesas estão também a instalar um número crescente de fábricas no estrangeiro.
Hoje Macau China / ÁsiaHuawei | China critica repressão dos EUA A China manifestou-se ontem contra a “repressão e contenção” de empresas chinesas pelos Estados Unidos, após ter começado esta semana, em Nova Iorque, um processo penal contra a tecnológica Huawei. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, numa breve declaração durante a conferência de imprensa diária do ministério, que Pequim “apoia firmemente” as empresas chinesas na defesa dos direitos e interesses legítimos e legais. Segundo o processo judicial, a Huawei, com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, e algumas das subsidiárias fizeram negócios na Coreia do Norte apesar das sanções norte-americanas. A tecnológica chinesa é também acusada de ter instalado equipamentos de vigilância que ajudaram as autoridades iranianas a espiar manifestantes durante os protestos antigovernamentais de 2009. A selecção do júri começou na terça-feira e o julgamento, presidido pela juíza federal Ann Donnelly deverá prolongar-se durante cerca de três meses, de acordo com o portal norte-americano Axios. Os advogados da Huawei tentaram que o processo fosse arquivado, argumentando que as acusações são imprecisas e que os procuradores norte-americanos procuram estender indevidamente a jurisdição dos Estados Unidos a atcividades realizadas noutros países. A Huawei enfrenta acusações de, entre outros crimes, roubo de segredos comerciais e fraude bancária. Nos últimos anos, os Estados Unidos impuseram restrições à empresa que limitaram o acesso a ‘chips’ e outras tecnologias, levando a Huawei a reforçar a capacidade de produção de semicondutores, em linha com os esforços de Pequim para reduzir a dependência tecnológica do exterior.
Hoje Macau China / Ásia MancheteHK / Incêndio | Acusadas duas empresas e quatro pessoas A tragédia que atingiu as torres residenciais em Tai Po causando mais de 160 mortos continua a ser investigada. Conclusões deverão ser apresentadas em Outubro O Governo de Hong Kong acusou duas empresas e quatro pessoas de usarem materiais não-retardantes e violarem normas de segurança nas obras de reparação que causaram o pior incêndio registado na cidade desde 1948. O Departamento de Edifícios apresentou na quarta-feira 259 acusações contra o empreiteiro principal das obras, Prestige Construction & Engineering, e a consultora Will Power Architects, assim como contra um inspector e três directores das duas empresas. Os quatro, juntamente com outras três pessoas, já tinham sido, em 10 de Junho, acusados de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal. As autoridades sublinharam que foram também removidas janelas resistentes ao fogo ao longo das escadas de emergência para criar aberturas de acesso temporárias, permitindo que o fumo e o fogo invadissem os sete edifícios do complexo de Wang Fuk. Também na quarta-feira, o Departamento do Trabalho apresentou 25 acusações contra a Prestige Construction & Engineering, a Power Architects e uma pessoa devido à morte de cinco trabalhadores do empreiteiro durante o incêndio. A lei da região semiautónoma chinesa prevê que a negligência na execução de obras pode ser punida com uma multa de até 500 mil dólares de Hong Kong e uma pena máxima de 18 meses de prisão. O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro e se prolongou por mais de 44 horas, matou 168 pessoas no complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas. Em Dezembro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou um comité independente de investigação, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”. Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”. A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. Em 18 de Agosto, o comité liderado por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final. O comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.
Hoje Macau China / ÁsiaImportações africanas de motociclos eléctricos chineses disparam As importações africanas de motociclos e veículos eléctricos de três rodas provenientes da China aumentaram fortemente no primeiro semestre de 2026, uma evolução que evidencia diferenças na transição para a mobilidade eléctrica no continente. Os veículos de duas e três rodas representam uma parcela significativa dos veículos que circulam nas estradas africanas e são amplamente utilizados para fins comerciais. A substituição dos motores a gasolina e gasóleo por eléctricos poderá, assim, reduzir o consumo de combustíveis e a poluição atmosférica nas cidades. Países do Norte de África como Marrocos, Egipto e Argélia lideraram o aumento de 60 por cento das importações africanas, que atingiram 114,6 milhões de dólares no primeiro semestre. A região tornou-se um importante destino para ‘scooters’ eléctricas chinesas totalmente montadas. Os investimentos em empresas emergentes de veículos eléctricos estão, por outro lado, concentrados na África Oriental e Central, onde várias empresas estão a construir unidades locais de montagem, redes de troca de baterias e estruturas destinadas ao mercado de motociclos comerciais. Marrocos liderou as importações no primeiro semestre, com 80.188 unidades, no valor de 21,7 milhões de dólares, seguido pelo Egipto e pela Argélia. Mudanças em curso A Spiro, maior empresa africana de motociclos eléctricos, captou mais de 348 milhões de dólares em investimentos no último ano, enquanto outras empresas estão a investir na montagem local e em redes de troca e carregamento de baterias destinadas aos mercados de mototáxis e entregas. Tom Courtright, investigador não residente do African Tech Futures Lab, um centro de investigação dedicado às tecnologias emergentes em África, explicou que fabricantes chineses fornecem muitos dos motociclos eléctricos utilizados na África Oriental e Ocidental, mas empresas locais adaptam-nos às necessidades comerciais e gerem as infraestruturas energéticas. A troca de baterias permite aos condutores substituir uma bateria descarregada em vez de esperar pelo carregamento do veículo, tornando o sistema mais adequado para quem depende dos motociclos para obter o rendimento diário. Courtright considerou que os motociclos eléctricos deverão sobretudo substituir modelos a gasolina, em vez de expandirem significativamente o mercado total, embora os menores custos de utilização e manutenção possam aumentar a procura em cerca de 20 por cento.
Hoje Macau China / ÁsiaSudeste asiático | Países reforçam acção contra a tuberculose Os países da região do sudeste asiático da Organização Mundial da Saúde (OMS), reunidos em Díli, comprometeram-se ontem a reforçar a acção para eliminar a tuberculose, que afecta mais de quatro milhões de pessoas nesta zona do mundo. “A tuberculose pode ser tratada e prevenida, mas continua a tirar, todos os anos, centenas de milhares de vidas na nossa região e a empurrar famílias para a pobreza”, afirmou o responsável interino da OMS para a região do sudeste asiático, Nilesh Buddha. O acordo foi decidido durante a 79.ª sessão do comité regional da OMS para o Sudeste Asiático, que decorre até hoje em Díli, capital de Timor-Leste. “Temos as ferramentas para mudar esta trajectória. O que precisamos é de garantir que essas ferramentas cheguem a todas as pessoas que necessitam, de forma mais precoce, equitativa e integrada em cuidados primários de saúde de qualidade”, salientou o responsável da organização das Nações Unidas. Dados da OMS, indicam que a região do sudeste asiático foi responsável por 34 por cento dos novos casos de tuberculose no mundo em 2024. Em 2024, foram registados 3,68 milhões de novos casos e 433 mil mortes. Na sessão do comité, os países concordaram reforçar a detecção precoce e completa dos casos de tuberculose através dos serviços de saúde, do rastreio sistemático e da procura activas de casos entre as populações de alto risco e de grupos com menos acesso aos serviços de saúde e a introdução da vacina. Segundo a OMS, a introdução da vacina contra a tuberculose em 2028 poderá evitar cerca de 1,45 milhões de novos casos e evitar 300 mil mortes até 2030. No Relatório Global da Tuberculose de 2024 da OMS indica-se que Timor-Leste registou 6.171 casos em 2023, o que reflecte o impacto do reforço da vigilância epidemiológica, o que permitiu reduzir em 55 por cento o número de mortes relacionados com a doença.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste em negociações da fronteira marítima com Indonésia O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a quinta ronda de negociações sobre a delimitação da fronteira marítima com a Indonésia será realizada em Singapura. “Relativamente à fronteira marítima, seguimos o direito internacional. Eles [Indonésia] pediram para concluir o processo em Dezembro. Nós voltaremos a analisar a questão e eles solicitaram que as negociações decorram em Singapura. Estamos à espera de chegar a Singapura para avaliar melhor a situação”, afirmou Xanana Gusmão. O líder timorense falava aos jornalistas no aeroporto de Díli, após regressar da Indonésia, onde decorreu na semana passada quarta ronda de negociações. Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro, divulgado na semana passada, indicava que a quinta ronda de negociações estava marcada para Díli. A delimitação da fronteira marítima com a Indonésia é uma prioridade nacional para Timor-Leste para completar a definição permanente das suas fronteiras marítimas, após ter alcançado em Março de 2018 um acordo com a Austrália. Com a Indonésia estão em discussão quatro segmentos marítimos, nomeadamente no sul, no Mar de Timor, nas partes oeste e leste, e no norte, junto ao enclave de Oecusse, que apresenta questões específicas por estar totalmente rodeado pelo território da Indonésia. As negociações incluem também dois troços marítimos na zona norte de Timor-Leste, nomeadamente nas águas entre Batugade e a ilha de Ataúro, bem como através do Estreito de Wetar até à ilha de Jaco. “Por vezes queremos avançar rapidamente, mas a fronteira marítima não é uma questão simples. É por isso que continuamos as discussões, procurando compreender os fundamentos de cada lado e apresentando também os nossos argumentos”, afirmou Xanana Gusmão. Por terra Paralelamente às negociações sobre a fronteira marítima, Timor-Leste e Indonésia continuam também as negociações relativas à fronteira terrestre, com especial atenção à área de Citrana-Naktuka, no enclave de Oecusse. “Sobre a fronteira terrestre, nós ainda não concordamos em alguns pontos e eles também não concordam em outros. Por isso, ainda não foi assinado nenhum acordo”, declarou Xanana Gusmão. Mas, o primeiro-ministro salientou que Timor-Leste prefere seguir os acordos históricos estabelecidos entre Portugal e a Holanda. As fronteiras terrestres também deverão voltar à mesa das negociações em Dezembro.
Hoje Macau China / ÁsiaPeru | Pequim responde a Rubio e defende transparência dos investimentos O Governo chinês afirma que todos os investimentos realizados no país sul-americano são transparentes e cumprem as leis locais A China defendeu ontem que os investimentos no Peru são “transparentes” e respeitam a legislação local, após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusado projectos apoiados por Pequim de ameaçarem a transparência e segurança dos dados. A missão diplomática chinesa reagiu a um artigo de opinião de Rubio publicado no mesmo dia no jornal peruano El Comercio, no qual afirmou que “os projectos apoiados pelo Partido Comunista Chinês ignoram os quadros jurídicos do Peru e ameaçam a transparência e a segurança dos dados”. O secretário de Estado da Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, referia-se ao litígio iniciado contra o Estado peruano pela transportadora marítima estatal chinesa Cosco, proprietária do porto de Chancay, construído no Peru com um investimento de 1,3 mil milhões de dólares. A empresa pretende ficar excluída da supervisão e controlo das tarifas, argumentando que se trata de um porto privado e não de uma concessão estatal. A embaixada chinesa em Lima afirmou através das redes sociais que o investimento da China no Peru “é transparente e está em conformidade com a lei”, com uma carteira de 30 mil milhões de dólares que, segundo a representação diplomática, “traz oportunidades de desenvolvimento, emprego, receitas fiscais, excedente comercial e reservas internacionais, sem gerar um único cêntimo de dívida”. “Os investimentos e as operações de todos os países no Peru devem estar sob a jurisdição do Estado peruano. Em particular, se as vendas recentes geraram níveis significativos de endividamento para o Peru, deveriam estar sujeitas ao mesmo padrão de transparência”, sustentou a embaixada. Parceiros de longa data A missão diplomática destacou ainda que “a China se mantém há 12 anos consecutivos como o maior parceiro comercial do Peru e o Peru é o terceiro maior país exportador da América Latina para a China”, acrescentando que “a cooperação comercial bilateral assenta no princípio do benefício mútuo e dos ganhos partilhados”. Segundo a embaixada, o excedente comercial acumulado pelo Peru nas trocas com a China atingiu 52 mil milhões de dólares desde a entrada em vigor, em 2010, do acordo de comércio livre entre os dois países, citando dados do Ministério do Comércio Externo e Turismo peruano. “Espera-se que o Protocolo de Atualização do Acordo de Comércio Livre China-Peru entre em vigor em breve. O mercado chinês abre as portas aos produtos peruanos que cumprem os requisitos”, acrescentou. Sobre a política migratória, a embaixada lembrou que “os cidadãos peruanos com passaportes comuns podem visitar a China sem visto e permanecer durante 30 dias” para fins de comércio, turismo, visitas familiares, intercâmbios ou trânsito. “A China abre as portas e recebe o povo peruano de braços abertos. Então, por que razão os peruanos, ao solicitarem um visto para determinado país, têm de se submeter a controlos rigorosos e até enfrentar ameaças de cancelamento dos vistos de toda a família?”, questionou a missão diplomática, numa referência aos Estados Unidos. Rubio chegou ontem a Lima e reúne-se hoje com a Presidente peruana, Keiko Fujimori, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Espá, no âmbito de uma visita que inclui também Colômbia e Equador, entre 08 e 10 de Setembro.
Hoje Macau China / ÁsiaJiangxi | Sobe para 13 o número de mortos em deslizamentos de terra O número de mortos numa série de deslizamentos de terra que atingiram no sábado a província de Jiangxi, no sudeste da China, aumentou para 13, enquanto três pessoas continuam desaparecidas, noticou ontem a agência oficial Xinhua. Um dos deslizamentos ocorreu cerca das 04:00 de sábado, na localidade de Gaoping, no distrito de Suichuan, após vários dias de chuvas intensas associadas ao tufão Saudel, e causou até agora 12 mortos e um desaparecido. As chuvas fortes e persistentes provocaram também deslizamentos nas localidades de Zuo’an e Tanghu, no mesmo distrito, onde uma pessoa morreu e outras duas estão desaparecidas. O deslizamento em Gaoping envolveu mais de 30.000 metros cúbicos de terras e afectou 12 habitações, oito das quais ficaram completamente destruídas, enquanto as restantes quatro sofreram danos. As operações de socorro avançaram na madrugada de domingo, quando as equipas conseguiram reabrir por completo a estrada de acesso à aldeia de Mingkeng, onde ocorreu o deslizamento, permitindo a entrada progressiva de maquinaria pesada. As buscas prosseguem na zona da catástrofe, actualmente dividida em quatro áreas para optimizar os trabalhos, com 170 elementos das equipas de socorro mobilizados. Além da procura pelos desaparecidos, as autoridades estão a reforçar as vias de acesso e a adoptar medidas para prevenir novos deslizamentos. O portal noticioso Yicai informou ontem que, até ao final da tarde de terça-feira, mais de 15.000 residentes do distrito de Suichuan tinham sido retirados para locais seguros. Saudel, cujos remanescentes provocaram fortes precipitações depois de o ciclone ter perdido intensidade, afectou um total de 161.500 pessoas em Jiangxi. As chuvas associadas ao sistema provocaram também esta semana inundações na vizinha província de Fujian, onde mais de uma centena de habitações ruíram.
Hoje Macau China / ÁsiaÓbito | Morreu Tung Chee-hwa, primeiro líder de Hong Kong após transição Tung Chee-hwa, o primeiro líder de Hong Kong após a transferência da antiga colónia britânica para a China, em 1997, morreu aos 89 anos, anunciou ontem o seu gabinete. O antigo magnata do sector dos transportes marítimos, nascido em Xangai, foi escolhido por Pequim para assumir o cargo de Chefe do Executivo do território, função na qual enfrentou uma série de crises. Tung Chee-hwa “faleceu pacificamente na presença dos seus amados familiares” na terça-feira, segundo um comunicado. Ele “dedicou a sua vida, com um compromisso inabalável, a servir a Nação e a RAE [Região Administrativa Especial] de Hong Kong. Os seus contributos, marcados pela integridade, compaixão e dignidade, serão recordados por muito tempo”, acrescentou o seu gabinete. Tung nasceu em Xangai, a 29 de Maio de 1937, numa das famílias mais ricas da China no sector do transporte marítimo. Segundo a sua biografia oficial, a família mudou-se para Hong Kong em 1947. Depois de se ter licenciado em engenharia naval pela Universidade de Liverpool, no Reino Unido, em 1960, trabalhou nos Estados Unidos antes de se juntar ao negócio da família em Hong Kong, em 1969. Tung assumiu o negócio da família após a morte do pai, em 1981. Quatro anos depois, a empresa estava à beira da falência, mas foi salva graças à intervenção do Governo chinês, em 1986. Em 1985, Tung integrou um comité encarregado de ajudar a redigir a Lei Básica — a ‘miniconstituição’ de Hong Kong, que rege a antiga colónia britânica desde a transferência para a China em 1997. Ascendeu na carreira política, trabalhando tanto no órgão consultivo político de Pequim como no governo de Hong Kong. Lançado com relutância à liderança de Hong Kong no momento crucial da transferência de soberania, devido aos seus laços estreitos com Pequim, viveu um mandato tumultuoso de oito anos à frente da cidade. Tung deixou o cargo em 2005, dois anos antes do final do segundo mandato, alegando problemas de saúde, e foi sucedido pelo adjunto, Donald Tsang Yam-kuen.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Revisão em alta de crescimento do PIB do segundo trimestre O Governo japonês reviu ontem em alta o crescimento do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, entre Abril e Junho, para 0,4 por cento face aos três meses anteriores. O consumo privado, que representa cerca de 60 por cento da economia do país asiático e que, nos dados preliminares divulgados em Agosto, permaneceu inalterado, cresceu 0,1 por cento, segundo os dados revistos publicados pelo Governo japonês. As exportações, que nos números preliminares registaram um aumento de 0,5 por cento, foram, no entanto, revistas em baixa, para um crescimento de 0,4 por cento, enquanto as importações passaram de uma queda inicialmente estimada em 1,5 por cento para uma contração de 1,7 por cento. No quinto trimestre consecutivo de crescimento da economia japonesa, a despesa pública foi ligeiramente revista em alta, para 1,7 por cento, face aos 1,6 por cento anteriormente anunciados. Em termos homólogos, a economia japonesa cresceu 1,4 por cento, três décimas acima dos 1,1 por cento estimados inicialmente. Os dados são divulgados pouco mais de uma semana antes da reunião mensal de política monetária do Banco do Japão (BoJ), numa altura em que os mercados antecipam uma nova subida das taxas de juro, para o nível mais elevado em décadas.
Hoje Macau China / ÁsiaPyongyang | Destacada “aliança invencível” com a Rússia A inauguração de uma ponte rodoviária entre as duas nações foi o pretexto para a propaganda norte-coreana enaltecer a relação entre Pyongyang e Moscovo A Coreia do Norte qualificou ontem a aliança com a Rússia como “invencível”, após a inauguração da primeira ponte rodoviária entre os dois países, num contexto do reforço das relações bilaterais económicas e militares. “Com base numa sólida parceria estratégica abrangente e numa aliança invencível, foi concluída com sucesso a ponte rodoviária sobre o rio Tumen, que liga as localidades fronteiriças de Rason [Coreia do Norte] e Khasan [Rússia]”, informou ontem a agência estatal norte-coreana KCNA, com referência a uma cerimónia realizada na véspera. A infraestrutura, com pouco mais de um quilómetro de comprimento, foi construída sobre o rio Tumen, na região russa de Primorsky, no Extremo Oriente russo e, segundo a Rússia, permitirá a passagem diária do posto fronteiriço de até 300 veículos. A KCNA salientou que a nova via facilitará a circulação de pessoas, o turismo e o transporte de mercadorias, além de reforçar a cooperação económica. O evento decorreu simultaneamente em Rason e Khasan, com a participação por videoconferência, a partir de Pyongyang, do primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, e, a partir de Moscovo, do homólogo russo, Mikhail Mishustin, informou a agência. As obras tiveram início em Abril do ano passado, depois de receberem, em 2024, a aprovação do Presidente russo, Vladimir Putin, e do homólogo norte-coreano, Kim Jong-un. Até agora, os dois países apenas estavam ligados por via terrestre através da ferrovia. Laços reforçados Moscovo e Pyongyang têm vindo a reforçar laços desde 2024, na sequência da assinatura de um acordo entre os líderes dos dois países, que inclui uma cláusula de defesa mútua em caso de agressão. As autoridades sul-coreanas estimam que, desde Outubro de 2024, Pyongyang tenha destacado cerca de 15.000 soldados de combate para apoiar Moscovo na guerra contra a Ucrânia, além de ter fornecido armamento e equipamento militar.
Hoje Macau China / ÁsiaQatar | China reforça laços e apoia papel no Médio Oriente Pequim manifestou ontem disponibilidade para aprofundar a cooperação energética com o Qatar e apoiou o papel de mediação de Doha no Médio Oriente, face aos esforços diplomáticos para reduzir as tensões e garantir a navegação no Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, transmitiu estas posições durante uma reunião realizada em Pequim com o homólogo do Qatar e ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que efectua uma visita oficial de dois dias à China. Li afirmou que Pequim pretende aprofundar com Doha a cooperação nas áreas da energia tradicional e renovável, infraestruturas, inteligência artificial (IA) e finanças, assim como promover os investimentos entre os dois países, segundo um comunicado oficial chinês. No plano diplomático regional, o dirigente chinês afirmou que a China “apoia o Qatar no seu papel de mediação” perante a situação no Médio Oriente e manifestou a disponibilidade de Pequim para trabalhar com Doha, outros países da região e a comunidade internacional para favorecer “o rápido restabelecimento da paz e da tranquilidade” na região. Diplomacia activa Mohammed manifestou a vontade do Qatar de aprofundar com a China a cooperação nas áreas do comércio, alta tecnologia e indústria transformadora avançada e defendeu a abertura de uma nova “década dourada” nas relações bilaterais, segundo o comunicado chinês. Antes da viagem, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, adiantou à agência oficial QNA que a visita abordaria os principais desenvolvimentos regionais e os esforços diplomáticos para reduzir as tensões, além da necessidade de garantir a segurança e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. A visita coincide com os esforços diplomáticos de Doha para reduzir as tensões entre os Estados Unidos e o Irão e manter aberto o estreito, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial. O Irão afirmou na segunda-feira que as conversações com Omã sobre um mecanismo temporário destinado a permitir a passagem segura pelo estreito se encontravam na fase final, enquanto Teerão confirmou que uma delegação do Qatar tinha visitado o país no domingo, no âmbito dos esforços de desanuviamento. A crise afecta particularmente o Qatar, que afirmou na segunda-feira que a guerra provocou uma queda de 90 por cento no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos países do Golfo e de 77 por cento no fornecimento de petróleo. O Estreito de Ormuz é também crucial para Pequim, uma vez que cerca de 45 por cento do petróleo e do gás importados pela China atravessavam esta rota marítima em tempos de paz.