China-Coreia do Norte | Xi Jinping e Kim Jong-un sublinham solidez dos laços bilaterais

O 65º aniversário do tratado de amizade entre os dois países deu o mote para ambos os líderes passarem mensagens de união e cooperação

O Presidente chinês, Xi Jinping, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, sublinharam sábado a solidez dos laços bilaterais por ocasião do 65.º aniversário do tratado de amizade entre os dois países.

Xi sublinhou que o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, assinado em 1961, estabeleceu uma “importante base política e jurídica” para consolidar uma amizade “selada com sangue” entre ambos os povos, numa referência à Guerra da Coreia, na qual participaram dois milhões de soldados chineses em apoio à Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

O líder chinês afirmou ainda que, ao longo dos últimos 65 anos, ambas as partes seguiram o espírito do tratado, apoiaram-se mutuamente e cooperaram “ombro a ombro”, de acordo com a agência estatal Xinhua.

O Presidente chinês recordou ainda que em Junho realizou uma visita de Estado à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, durante a qual alcançou com Kim “consensos importantes”.

“Estou disposto a estreitar ainda mais a comunicação estratégica” com Kim, afirmou Xi, reiterando que, “independentemente de como a situação internacional venha a mudar”, não se alterará a posição do Partido Comunista da China (PCC, no poder) e do Governo chinês de atribuir grande importância à “amizade tradicional” com a Coreia do Norte.

Por seu lado, Kim Jong-un afirmou que o tratado estabeleceu uma base jurídica sólida para o desenvolvimento permanente da “amizade de combate” e da cooperação entre ambos os países, forjadas na luta pela “independência anti-imperialista, pela paz e pela causa socialista”, segundo a Xinhua.

O líder norte-coreano assegurou que a amizade entre a Coreia do Norte e a China resistiu às mudanças históricas e descreveu-a como uma relação “inquebrável”.

Kim acrescentou, por outro lado, que os laços bilaterais estão a atingir um novo patamar estratégico num contexto internacional “complexo”.

 

Laços reforçados

A troca de mensagens ocorre um dia depois de Xi ter recebido em Pequim o primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae-song, que se deslocou à China para participar nas cerimónias comemorativas do aniversário do tratado.

Este novo contacto surge na sequência da viagem de Estado de Xi à Coreia do Norte em Junho, num contexto marcado pelo aprofundamento dos laços entre Pyongyang e Moscovo e pelos esforços de Pequim para reafirmar a sua influência sobre o vizinho.

Durante essa visita, Pequim propôs também reforçar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte.

Os dois países têm uma fronteira comum de mais de 1.400 quilómetros e a China é o principal parceiro político e económico da Coreia do Norte, com um papel central nas trocas comerciais e fornecimento de alimentos e energia.

13 Jul 2026

Coreia do Sul emite alerta de calor extremo pela primeira vez

A Coreia do Sul emitiu ontem o primeiro alerta para calor extremo, um novo nível criado este ano em antecipação de eventos climáticos extremos ligados às alterações climáticas, devido a uma forte onda de calor no sudeste do país.

“A Administração Meteorológica da Coreia (KMA) emitiu um aviso de calor extremo hoje (ontem) para duas cidades na parte sul da província de Gyeongsang do Norte: Gyeongsan e Pohang”, disse a directora da agência, Lee Mi-seon, em conferência de imprensa.

Enquanto o alerta estiver em vigor, recomenda-se a suspensão de “todas as actividades ao ar livre, incluindo o trabalho e o desporto, na medida do possível”, acrescentou.

De acordo com o novo sistema, é accionado um alerta máximo quando uma região regista temperaturas máximas de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos e a previsão indica temperaturas acima dos 39°C durante pelo menos um dia.

“Esta é a primeira vez que este alerta é emitido” desde a sua implementação, explicou Lee. Segundo a directora, as zonas afectadas registaram temperaturas acima dos 35°C na sexta-feira e no sábado, e a previsão é que atinjam hoje pelo menos 38°C.

O alerta máximo “indica condições em que mesmo pessoas saudáveis correm risco significativamente maior de desenvolver problemas de saúde graves”, alertou.

Cada vez mais quente

Embora o alerta máximo esteja actualmente em vigor em apenas duas cidades, grande parte do país está sob alertas de calor de nível inferior, emitidos quando a previsão é de uma temperatura de pelo menos 35°C durante dois dias consecutivos.

De acordo com a KMA, o número médio de dias de ondas de calor no país aumentou de oito na década de 1970 para 19 nos últimos cinco anos.

Um dia de onda de calor é definido como aquele em que a temperatura máxima é de, pelo menos, 33°C.

Em todo o mundo, as ondas de calor estão a tornar-se mais intensas e frequentes devido às alterações climáticas.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 44 milhões de pessoas estão a sofrer com uma onda de calor, com temperaturas máximas previstas entre os 38°C e os 43°C em vários estados.

A Europa Ocidental enfrenta a sua terceira onda de calor, depois de ter registado o Junho mais quente da sua história.

O calor extremo na região já provocou pelo menos 1.300 mortes desde 21 de Junho, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em França, 24 milhões de pessoas estão actualmente sob alerta máximo de onda de calor, de acordo com um cálculo da agência de notícias AFP baseado em dados anuais do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (INSEE).

13 Jul 2026

CPLP/30 anos| Brasil diz que português é questão de soberania na era da IA

O Brasil defendeu que a língua portuguesa deve ser tratada como um activo estratégico na era da inteligência artificial e afirmou que a CPLP pode desempenhar um papel central na defesa da soberania tecnológica dos países lusófonos.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, alertou para os desafios colocados pelos actuais modelos de inteligência artificial.

Segundo o diplomata, a concentração do desenvolvimento dessas tecnologias em poucos países faz com que os grandes modelos sejam treinados sobretudo em inglês e chinês.

“Quando o português é tratado como língua secundária no treinamento dos modelos, enfraquece-se a soberania das sociedades lusófonas e sua capacidade de desenvolver soluções próprias”, afirmou por ocasião dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se assinalam em 17 de Julho.

“Para reverter esse quadro, precisamos tratar a língua portuguesa não apenas como património cultural, mas como activo estratégico. E aqui a CPLP tem um papel central a desempenhar”, completou.

Carlos Duarte defendeu que a CPLP promova bases de dados linguísticos partilhados que representem adequadamente todas as variedades da língua portuguesa.

Também propôs o reforço da cooperação científica e universitária entre os países da comunidade para ampliar a investigação em inteligência artificial.

Segundo o diplomata, as comunidades lusófonas produzem dados relevantes, mas ainda não têm capacidade suficiente para extrair deles maior valor económico.

“No plano internacional, a CPLP tem peso suficiente para levar a foros como as Nações Unidas, a UNESCO e a UNCTAD a exigência de que os sistemas de inteligência artificial respeitem a diversidade linguística e cultural”, declarou.

O diplomata acrescentou que a integração da CPLP não depende da uniformização da língua, mas da capacidade de transformar a diversidade das variantes do português num património comum.

“Em última análise, defender o português no mundo digital é defender a nossa soberania tecnológica, científica e cultural”, concluiu.

Mais fortes

Ao abordar a convivência entre as diferentes variantes do português, Carlos Duarte afirmou que a diversidade linguística fortalece, e não enfraquece, a comunidade lusófona.

“As diferenças entre as variedades do português faladas nos países da CPLP são reais. E não falo apenas de sotaques. Há diferenças de vocabulário, construções gramaticais, expressões idiomáticas, referências culturais e posição do idioma em cada sociedade”, avaliou.

“Seria um erro interpretar essas diferenças como um obstáculo à integração. Pelo contrário, o grande desafio da CPLP não é superar a diversidade, mas aprender a valorizá-la”, disse.

O responsável considerou que talvez o maior desafio actual da CPLP não seja propriamente linguístico, mas sociopolítico.

“Os países da CPLP ainda têm níveis relativamente modestos de circulação de pessoas, estudantes, pesquisadores, livros, produtos audiovisuais e conteúdos digitais”, disse, referindo que brasileiros e africanos lusófonos, por exemplo, conhecem pouco a literatura contemporânea uns dos outros.

“A integração da CPLP não depende da uniformização do português, mas da capacidade de transformar a diversidade das variedades lusófonas num património comum”, realçou.

13 Jul 2026

Timor-Leste | Comunidade portuguesa pede médico e enfermeiro

O conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste, Filipe Silva, enviou uma carta às autoridades de Portugal a pedir o destacamento para aquele país de um médico e de um enfermeiro, após preocupações manifestadas por dezenas de portugueses.

“O propósito da carta é esse, é pedir ao Governo que olhe para a comunidade portuguesa aqui com alguma atenção no que toca aos cuidados de saúde, porque nós sabemos que Timor-Leste ainda é um país que tem muitos constrangimentos na área”, disse à Lusa Filipe Silva.

As preocupações da comunidade aumentaram com o encerramento da clínica privada Stanford, que abriu em Timor-Leste em 2012 e que fechou este ano.

“Obviamente que há outras clínicas privadas, mas que, eventualmente, não terão a mesma capacidade de resposta que tinha a Stanford e tenho recebido da parte de algumas pessoas da comunidade uma série de preocupações relativamente à questão dos cuidados de saúde”, explicou o conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

Filipe Silva explicou que até 2012 estiveram em Díli um médico e uma enfermeira portugueses.

A proposta, segundo Filipe Silva, não é ter um médico e uma enfermeira para resolver “todos os assuntos”, mas para aconselhar não só no que diz respeito à oferta local, mas também que recomende a saída do país, caso seja necessário um tratamento mais específico.

“Portanto, o facto de termos alguém que pudesse aconselhar-nos e dar algum apoio numa primeira fase, acho que tranquilizava as pessoas e é nesse sentido que estamos a apelar ao Governo”, afirmou.

 

Custos mínimos

Filipe Silva destacou também a possibilidade de a comunidade pagar as consultas.

“Ter cá essas pessoas que falam a nossa língua e que nós sabemos que são pessoas qualificadas, que nos possam ajudar, era muito importante o Estado pensar nisso”, salientou.

Para o conselheiro da comunidade portuguesa, o custo não seria tão grande assim, porque aquelas pessoas podiam também colaborar em alguns projectos que a cooperação queira na área da saúde.

A carta dirigida ao secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, é acompanhada por quase duas centenas de assinaturas de elementos da comunidade portuguesa em Timor-Leste.

12 Jul 2026

Interpol | Detidas 5.800 pessoas ligadas a fraudes

Cerca de 5.800 pessoas foram detidas e cerca de 300 milhões de dólares apreendidos no âmbito de uma operação mundial de combate à fraude com manipulação psicológica, anunciou ontem a Interpol.

A operação, realizada entre Janeiro e Abril, que envolveu forças policiais de 97 países, visou especialmente os esquemas fraudulentos que se aproveitam da confiança das pessoas para obter dinheiro ou informações confidenciais.

Trata-se, por exemplo, do desvio de e-mails profissionais, da ‘sextorsão’, de fraudes sentimentais online, da usurpação de identidade ou de fraudes relacionadas com investimentos, detalhou num comunicado a Interpol, que coordenou esta acção denominada “First Light 2026”.

O número muito elevado de vítimas identificadas (142.000) “salienta até que ponto” este tipo de fraude “se tornou uma ameaça transnacional de grande dimensão, afectando indivíduos, empresas e governos”, assinala a Interpol.

A organização internacional de polícia criminal sediada em Lyon relata, por exemplo, ter detido 82 pessoas em Eswatini (antiga Suazilândia) e “desmantelado uma rede criminosa que geria jogos de azar online ilegais e lavava dinheiro” proveniente de fraudes “sofisticadas por usurpação de identidade”.

Cenários realistas

A operação levou ainda à apreensão de “uma réplica realista de uma esquadra de polícia brasileira, com uniformes falsos”: “fazendo-se passar pela Polícia Federal do Brasil através de videochamadas, os burlões convenciam as vítimas de que estas eram alvo de um crime, levando-as a transferir fundos para os colocar ‘em segurança’, fundos esses que eram posteriormente desviados”.

Outro caso citado: uma empresa de comercialização de matérias-primas sediada em Singapura, alvo de criminosos que se faziam passar por um fornecedor; ou também, em Macau, falsos funcionários públicos que convenceram uma vítima a transferir dinheiro sob o pretexto de uma investigação por fraude, tendo sido detidos pouco antes de esta lhes transferir cerca de 372.000 dólares norte-americanos.

12 Jul 2026

Cuba | China pede “fim imediato” do bloqueio dos Estados Unidos

A China pediu na quinta-feira aos Estados Unidos que acabe com o bloqueio e sanções contra Cuba, após a Assembleia Geral das Nações Unidas ter aceitado realizar um debate sobre o embargo norte-americano à ilha.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que os Estados Unidos mantêm há mais de 60 anos um bloqueio e sanções contra Cuba, medidas que “foram repetidamente reforçadas” e que, segundo Pequim, “provocaram uma crise energética” no país das Caraíbas.

Mao sustentou que essas medidas “violam gravemente” os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “comprometerem seriamente” os direitos de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento e de causarem “profundo sofrimento” ao povo cubano.

“A decisão da Assembleia Geral da ONU, aprovada por uma maioria esmagadora, de realizar um debate sobre esta questão demonstra, uma vez mais, o apoio da comunidade internacional ao povo cubano na defesa da soberania nacional e a oposição à ingerência externa e ao bloqueio”, afirmou a porta-voz, acrescentando que as práticas “unilaterais” e de “intimidação” de Washington carecem de apoio internacional.

Mao acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para “defender firmemente a equidade e a justiça internacionais” e apoiar Cuba na defesa da sua soberania e dignidade nacionais, bem como na rejeição da ingerência estrangeira.

 

Debate capital

A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou na terça-feira realizar o debate solicitado por Cuba sobre a necessidade de pôr fim ao embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, uma iniciativa à qual Washington se opôs.

Cuba enfrenta uma grave crise energética desde meados de 2024, agravada desde Janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos e, desde Maio, por sanções contra pessoas e entidades que apoiem o Governo cubano ou operem em sectores como energia, defesa, finanças e mineração.

A China, um dos principais aliados políticos e económicos de Cuba, tem reiterado nos últimos meses o apoio a Havana e aprovou este ano um pacote de ajuda que inclui assistência financeira no valor de 80 milhões de dólares e a doação de 60.000 toneladas de arroz.

12 Jul 2026

Tempestades | Pequim distribui milhões em novos apoios para zonas afectadas

A China atribuiu na quinta-feira dezenas de milhões de yuan em fundos adicionais para apoiar regiões afectadas por tempestades e deslizamentos de terras, depois de fenómenos meteorológicos extremos terem provocado milhares de desalojados e a morte de 21 pessoas.

O Governo central disponibilizou 50 milhões de yuan para restaurar estradas, escolas e outras infraestruturas na província de Hubei (centro), bem como mais 20 milhões de yuan destinados à reconstrução de habitações e ao realojamento da população, noticiou a imprensa estatal.

Na segunda-feira à noite, tempestades violentas e tornados, um fenómeno raro na China, causaram 11 mortos e centenas de feridos naquela província.

Pequim atribuiu ainda 30 milhões de yuan à província de Gansu (noroeste), onde um deslizamento de terras soterrou 21 trabalhadores florestais.

Estas verbas somam-se aos 100 milhões de yuan anunciados anteriormente para reparar escolas, hospitais, infraestruturas de transporte e outros equipamentos públicos na região autónoma de Guangxi (sul), atingida por inundações após chuvas intensas associadas a uma tempestade tropical.

Em Guangxi, a passagem da tempestade tropical Maysak provocou a ruptura ou transbordo de reservatórios, inundando localidades e deixando habitantes isolados (ver texto secundário).

Segundo as autoridades regionais, seis pessoas morreram, cerca de 130 mil foram retiradas e mais de 8.000 operacionais, apoiados por cerca de 5.700 embarcações, participam nas operações de socorro.

Nas redes sociais multiplicam-se os pedidos de ajuda acompanhados por vídeos das zonas inundadas.

O Centro Meteorológico Nacional indicou que Guangxi regista chuva intensa desde sábado, com precipitação acumulada entre 100 e 400 milímetros em algumas zonas e superior a 900 milímetros nas áreas mais afectadas.

 

Mais a caminho

Entretanto, o tufão Bavi atingiu o sudeste da China durante o fim de semana. Em Taiwan, alguns agricultores apressaram a colheita do arroz antes da chegada da tempestade, que seguia para oeste-noroeste sobre o mar das Filipinas.

O mau tempo afectou também outros países asiáticos. No sudeste do Bangladesh, deslizamentos de terras provocados pelas chuvas das monções mataram vários refugiados rohingya, incluindo cinco crianças. Na vizinha Índia, as chuvas intensas causaram igualmente mais de uma dezena de mortos nos últimos dias.

12 Jul 2026

China pede aos Países Baixos estabilidade na cadeia dos semicondutores

A China apelou ontem aos Países Baixos para preservarem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promoverem uma resolução adequada dos litígios empresariais, numa referência ao caso da fabricante de ‘chips’ Nexperia.

O pedido foi feito pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, durante um encontro em Pequim com o homólogo neerlandês, Sjoerd Sjoerdsma, que iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado por uma delegação empresarial.

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo ministério do Comércio chinês, a reunião decorreu no âmbito da Comissão Mista China – Países Baixos para a Cooperação Económica e Comercial.

Wang manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral em áreas como o fabrico avançado, a inovação tecnológica, a transição ecológica e os serviços modernos.

O ministro chinês afirmou ainda esperar que os Países Baixos “criem um ambiente justo, equitativo e previsível para as empresas chinesas que investem no país, preservem a estabilidade da cadeia de abastecimento de semicondutores e promovam uma resolução adequada dos litígios empresariais relevantes”.

Wang referiu igualmente a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE), realizada na semana passada em Bruxelas, manifestando a expectativa de que Haia desempenhe “um papel positivo e construtivo” junto de Bruxelas para que ambas as partes “trabalhem na mesma direcção”.

Sjoerdsma classificou o encontro como “construtivo”, numa mensagem publicada na rede social X, e defendeu a necessidade de manter o diálogo com a China “precisamente devido às diferenças” entre os dois países.

No final da reunião, as duas partes assinaram um memorando de entendimento para a criação do Conselho Empresarial China – Países Baixos e participaram na sessão inaugural do novo organismo.

 

Ultrapassar tensões

A primeira missão empresarial liderada por um ministro neerlandês à China desde 2018 decorre numa altura de crescente tensão em torno da indústria mundial dos semicondutores e das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações de tecnologia avançada para a China.

Um dos principais focos de atrito é o caso da Nexperia, fabricante de semicondutores sediada nos Países Baixos e controlada pela chinesa Wingtech. No ano passado, o Governo neerlandês interveio na empresa, alegando a necessidade de proteger a produção europeia de semicondutores, desencadeando uma disputa diplomática que continua a ter repercussões judiciais e comerciais.

Apesar disso, a Nexperia não integra a delegação empresarial que acompanha Sjoerdsma. Já a ASML, fabricante de equipamentos essenciais para a produção de semicondutores e afectada pelas restrições norte-americanas à exportação de tecnologia para a China, participa na missão.

A visita prossegue até sexta-feira em Xangai, a “capital” económica da China, onde Sjoerdsma se reunirá com o vice-presidente da câmara municipal e visitará empresas chinesas e neerlandesas.

9 Jul 2026

Hong Kong | Comité que vai escolher líder do Governo eleito em Novembro

Com o mandato de John Lee como Chefe do Executivo a terminar em Junho de 2027, as autoridades chinesas preparam o caminho para a sucessão

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que será decidida a composição do colégio eleitoral que irá escolher o próximo líder da região semiautónoma chinesa, numa votação que ocorrerá em 22 de Novembro.

De acordo com o Gabinete para os Assuntos Constitucionais e do Continente (CMAB, na sigla em inglês) de Hong Kong, a votação irá escolher 982 dos 1.500 membros do Comité Eleitoral.

Os restantes lugares já estão ocupados por nomeação directa, para um mandato com a duração de cinco anos, que terá início a 01 de Fevereiro de 2027 e terminar em Faneiro de 2032.

Os 982 membros serão eleitos por representantes de grupos de interesse e por membros de órgãos distritais e nacionais, incluindo o parlamento da China e o principal órgão consultivo chinês.

Nas últimas eleições, realizadas em 2021, apenas 4.889 dos 7,5 milhões de habitantes de Hong Kong tiveram direito a votar, sendo que quase 90 por cento (4.389) foram às urnas.

Num documento enviado ao parlamento local, o CMAB disse que irá recrutar cerca de mil funcionários públicos com experiência “para desempenhar diversas funções eleitorais no dia da votação”.

Por outro lado, o horário de votação será reduzido, de 15 horas há cinco anos para nove horas, seguindo sugestões dos deputados, sublinharam as autoridades de Hong Kong.

A votação de 2021 foi a primeira depois de uma reforma eleitoral imposta por Pequim.

Processos e princípios

Tal como há cinco anos, todos os candidatos terão de passar por um processo de veto, descrito pelas autoridades como essencial para proteger o princípio “Hong Kong governado por patriotas”.

Em 2021, apenas um dos dois candidatos vistos como simpatizantes da oposição pró-democracia, Tik Chi-yuen, de 63 anos, conseguiu ser eleito para o Comité Eleitoral.

Tik, um antigo membro do Partido Democrata que agora dirige o partido centrista Third Way (‘Terceira Via’), ficou empatado com outros dois candidatos e, após um sorteio, conseguiu um dos lugares disponíveis.

“Pelo menos ainda há algum espaço para nós”, comentou Tik.

“Não importa se há um ou dois de nós. Vale a pena participar, desde que possamos representar os pensamentos íntimos de alguns ‘hongkongers’ [residentes de Hong Kong] e as suas opiniões”, afirmou.

O comité eleitoral irá escolher o líder do Governo, entre candidatos previamente seleccionados pelo Governo chinês, e seleccionar 40 dos 90 membros do Conselho Legislativo, o parlamento local.

O actual chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, eleito como candidato único em 2022, termina o mandato a 30 de Junho de 2027 e pode concorrer a um segundo mandato.

Já as eleições para o Conselho Legislativo da antiga colónia britânica estão previstas para 2029.

9 Jul 2026

Hong Kong | Associações apontam falhas em reforma da lei sobre crimes sexuais

Hong Kong lançou ontem uma consulta pública sobre uma reforma legal para agravar as penas para crimes sexuais, mas associações disseram à Lusa que a proposta tem falhas que podem prejudicar as vítimas, incluindo crianças.

Com a proposta, que estará em consulta pública até 05 de Agosto, o Governo quer criminalizar casos de violação envolvendo pessoas do mesmo sexo, punir o aliciamento sexual e adoptar uma idade de consentimento uniforme, 16 anos, independentemente do género.

De acordo com a legislação em vigor, relações sexuais com uma menor de 13 anos são puníveis com pena máxima de prisão perpétua, mas se a vítima for menor de 16 anos, a pena máxima é de cinco anos de prisão.

Obrigar um menor a testemunhar actos sexuais, ver imagens de teor sexual ou enviar imagens passará a ser punido com uma pena de prisão de cinco a dez anos, segundo a proposta, apresentada aos deputados em 29 de Junho.

A líder de um grupo de apoio a crianças vítimas de crimes sexuais disse ontem à Lusa que “a falha em reconhecer o abuso sexual infantil persistente como um crime distinto inflige uma profunda injustiça às crianças”.

A fundadora da TALK Hong Kong, Taura Edgar, explicou que os tribunais tratam “o abuso prolongado e repetitivo como uma colecção de incidentes isolados”, algo que “entra directamente em conflito com as realidades psicológicas do trauma”.

“O trauma grave fragmenta naturalmente a memória, tornando a recordação meticulosa e cronológica de detalhes específicos ao longo de um período, muitas vezes extenso, de abuso, biologicamente improvável”, alertou Edgar.

“Confrontados com interrogatórios exaustivos, elaborados para dissecar acusações individuais, muitos sobreviventes sofrem um intenso trauma secundário que os impede completamente de depor”, lamentou a activista.

Lacunas de memória “são rotineiramente utilizadas como arma” contra as vítimas, transformando “um sintoma médico de abuso numa barreira probatória intransponível” e permitindo que agressores não sejam condenados, disse Edgar.

Pontos a favor

A presidente da TALK Hong Kong recordou que, de acordo com estudos, o abuso sexual afecta cerca de 16 por cento das crianças de Hong Kong.

Já a Associação para o Combate à Violência Sexual contra as Mulheres, (ACSVAW, na sigla em inglês), de Hong Kong, elogiou a proposta por incluir uma definição legal explícita de consentimento.

O grupo destacou ainda a expansão do crime de violação para abranger outras formas de agressão sexual com penetração e o ‘stealthing’, a remoção não consensual do preservativo.

No entanto, num comunicado enviado à Lusa, a ACSVAW alertou que a inclusão na proposta do conceito do “equívoco” pode tornar-se uma “falha legal” utilizada por agressores.

“Um arguido ainda poderia usar desculpas para escapar à responsabilidade, alegando: ‘Não houve resistência física, por isso acreditei erradamente que havia consentimento’ ou ‘Estávamos a rir e a conversar enquanto bebíamos, por isso interpretei a situação como uma vontade de ter relações sexuais'”, sublinhou a directora executiva do grupo, Doris Chong Tsz-wai.

A associação recordou que, dos 807 casos denunciados à polícia entre 2019 e 2023, apenas 51 resultaram em condenação no primeiro julgamento.

8 Jul 2026

China rejeita “conclusões exageradas” sobre lançamento de míssil no Pacífico

Pequim rejeitou ontem “conclusões exageradas” pelo lançamento de um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para o Oceano Pacífico, após o ensaio ter suscitado críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que o ensaio constituiu “um exercício militar de rotina” e que “não é dirigido contra qualquer país ou alvo específico”.

Mao afirmou que a China informou previamente os “países pertinentes” e que o teste “está em conformidade com a prática internacional”.

“As actividades de lançamento decorreram sempre de forma segura, regulamentada e profissional”, acrescentou a porta-voz, manifestando a esperança de que “os países relevantes não tirem conclusões exageradas”.

A porta-voz recusou-se a fornecer mais pormenores sobre o ensaio, depois de a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua ter noticiado, horas antes, que a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP) lançou com êxito um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para “águas internacionais relevantes” do Oceano Pacífico.

Segundo a Xinhua, o projéctil, equipado com uma ogiva simulada de treino, atingiu com precisão a zona marítima prevista.

A agência indicou que o ensaio, realizado às 12:01 locais (05:01 em Lisboa), integrou o plano anual de treino militar e que a China notificou previamente os países pertinentes.

 

Águas agitadas

O comunicado oficial não especificou o modelo do míssil, a classe do submarino nem a localização exata da zona de impacto.

Segundo o jornal South China Morning Post, trata-se do primeiro teste conhecido de um míssil lançado a partir de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado, de que há registo público, a partir de um submarino de propulsão nuclear.

O teste ocorre numa altura de crescente actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, onde Taiwan afirmou ontem que a Marinha chinesa mantém destacadas quatro agrupações navais: uma no Pacífico Sul, duas a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e outra a nordeste das Filipinas.

O lançamento coincide também com novas fricções entre Pequim e Tóquio, depois de o Japão ter protestado nos últimos dias contra manobras de navios chineses em águas próximas da ilha de Yonaguni, situada a pouco mais de 150 quilómetros de Taipé.

7 Jul 2026

Defesa | China e Rússia iniciam exercícios conjuntos no mar Amarelo e no Pacífico

A China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos em Qingdao (nordeste chinês), que decorrerão até 13 de Julho no mar Amarelo e no Pacífico, anunciaram a agência Xinhua e o ministério da Defesa russo.

Segundo a Xinhua, os dois países estabeleceram um comando conjunto, integrado por elementos das marinhas chinesa e russa, e os exercícios, designados Interacção Marítima 2026, decorrem em três fases: concentração de forças, planeamento em porto e operações no mar.

A fase de concentração terminou no domingo e, após a cerimónia de abertura, as duas marinhas realizaram exercícios de coordenação táctica e de comando, acrescentou a agência oficial.

O comando conjunto definiu ainda os principais objectivos da fase marítima, durante a qual os navios participantes vão operar em águas próximas de Qingdao para realizar exercícios de reconhecimento conjunto, defesa aérea e antimíssil, bem como treinos com recurso a fogo real.

O ministério da Defesa russo indicou anteriormente, através da rede social Telegram, que um destacamento da Frota russa do Pacífico chegou a Qingdao com o cruzador Variag, a corveta Rezkiy, o submarino Ufa e o navio de salvamento Igor Belousov.

Do lado chinês participam os contratorpedeiros Anshan e Kaifeng, a fragata Wuhu, um submarino diesel-eléctrico da classe Yuan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e o navio de salvamento Yangchenghu, segundo a mesma fonte.

As manobras incluem operações conjuntas de busca e salvamento, guerra antissubmarina, defesa aérea, exercícios de artilharia, além da participação de fuzileiros navais dos dois países e apoio da aviação naval.

 

Plano de cooperação

O ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as marinhas da China e da Rússia realizariam este mês exercícios em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do Pacífico.

Pequim indicou então que as manobras fazem parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas dos dois países e visam “responder conjuntamente aos desafios de segurança” e “proteger a paz e a estabilidade regionais”.

Os exercícios decorrem numa altura de intensa actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, depois de a marinha do Exército de Libertação Popular ter lançado ontem um míssil estratégico, equipado com uma ogiva simulada, a partir de um submarino nuclear para águas do Pacífico (ver texto secundário).

A China e a Rússia realizam exercícios militares conjuntos de forma regular desde que, no início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, anunciaram uma parceria estratégica reforçada, entretanto aprofundada através de manobras conjuntas, patrulhas aéreas e contactos frequentes entre os comandos militares.

7 Jul 2026

Índia | Fortes chuvas fizeram pelo menos 13 mortos

Pelo menos 13 pessoas morreram na Índia nos últimos dias devido às intensas chuvas que atingiram Mumbai e distritos vizinhos, onde foi decretado o encerramento de escolas e restrições ao trabalho.

As autoridades de Mumbai (Bombaim) também recomendaram à população que evitasse deslocações não essenciais.

Mumbai e os distritos de Palghar e Raigad registaram fortes chuvas nos últimos três dias, resultando em treze mortes associadas a incidentes provocados pelo mau tempo, disseram ontem fontes oficiais citadas pela agência de notícias local PTI.

O Departamento Meteorológico da Índia elevou o aviso de chuva para vermelho em Mumbai e arredores, prevendo chuvas muito fortes, ventos intensos e riscos de inundações repentinas, deslizamentos de terra e queda de árvores.

A Autoridade Estadual de Gestão de Desastres solicitou que as empresas privadas em Mumbai permitissem o trabalho remoto sempre que possível, enquanto os funcionários de organismos governamentais de serviços não essenciais foram dispensados do expediente a partir da tarde de ontem.

Escolas e universidades — públicas, municipais e privadas — suspenderam as aulas por motivos de segurança.

As chuvas afectaram também o funcionamento das ligações ferroviárias, das auto-estradas e de outros serviços de transporte em Mumbai, uma cidade com mais de vinte milhões de habitantes que enfrenta frequentemente graves transtornos durante a época das monções.

Há poucas semanas, Mumbai enfrentou uma grave escassez de água nos sete reservatórios que abastecem a cidade.

7 Jul 2026

Japão | Sonda espacial sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária

Uma sonda espacial japonesa sobrevoou, domingo, um asteroide próximo da Terra, quando cumpria uma missão destinada a testar uma tecnologia que poderá contribuir para proteger o planeta contra rochas espaciais.

A sonda Hayabusa2, do tamanho de um frigorífico, deveria passar a menos de 800 metros do asteroide Torifune, segundo tinham indicado anteriormente cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

O objectivo era verificar se uma nave deste tipo poderia, no futuro, contribuir para desviar um asteroide potencialmente perigoso para a Terra.

Esta missão surge depois de a NASA ter colidido deliberadamente, em 2022, com uma nave espacial contra o asteroide Dimorphos, com 160 metros de largura, alterando com sucesso a sua órbita em torno de um asteroide maior.

A Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 quilómetros por hora, não estava destinada a colidir com o Torifune.

Os cientistas pretendiam, antes, avaliar a sua capacidade de controlar com precisão a trajectória da sonda, caso esta tivesse, algum dia, de efectuar uma manobra de desvio.

“Às 18:35 (09:35 GMT), a Hayabusa2 sobrevoou o Torifune e a sonda está a funcionar normalmente”, declarou à Agência France-Presse uma porta-voz da JAXA, que preferiu manter o anonimato.

Imagens divulgadas ‘online’ pela agência japonesa mostraram cientistas a aplaudir numa sala de controlo.

“Estava nervoso, completamente tenso (…), mas estou muito contente por termos conseguido levar esta operação a bom termo”, afirmou um dos cientistas durante a transmissão da JAXA.

Se se confirmar que a sonda passou efectivamente a menos de 800 metros de Torifune, esta missão constituiria uma das aproximações mais perto de sempre a um asteroide próximo da Terra.

 

Maravilhas tecnológicas

As câmaras a bordo da Hayabusa2 também registam dados sobre a superfície do asteroide, nomeadamente as suas características geográficas, textura e temperatura, informações cruciais para uma eventual missão de defesa planetária.

“Tendo em conta a diversidade dos asteroides de cruzamento com a Terra (próximos da Terra, NDLR) em termos de tamanho, forma, superfície e propriedades internas, cada nova imagem permite-nos estar melhor preparados”, sublinhou Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia.

Lançada em 2014, a Hayabusa2 já maravilhou os cientistas ao aterrar no asteroide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, para recolher amostras.

Após a missão Torifune, a sonda deverá tentar, em 2031, um ‘rendez-vous’ – uma manobra que consiste em voar nas proximidades ou aterrar num asteroide para recolher dados detalhados – com outro asteroide, denominado 1998KY26.

7 Jul 2026

Justiça | Senador pró-Duterte acusado de corrupção nas Filipinas

O Provedor de Justiça das Filipinas acusou o senador Rodante Marcoleta de corrupção, dias antes do processo de destituição da vice-presidente Sara Duterte. Trata-se do segundo aliado de Sara Duterte a ser acusado em pouco mais de um mês, após a detenção de José “Jinggoy” Estrada. Um terceiro apoiante da vice-presidente encontra-se em fuga.
Os três eram considerados votos garantidos contra a destituição de Sara Duterte, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte. São necessários dezasseis votos no Senado, que conta com 24 assentos, para declarar a culpa, num julgamento que começa hoje.
As acusações contra o senador Rodante Marcoleta incluem “pilhagem”, um crime que não permite a libertação sob pagamento de fiança. “As provas incluem três doações em dinheiro no valor total de 75 milhões de pesos [um milhão de euros], não declaradas na [declaração de património] do senador nem nos seus relatórios financeiros de campanha”, especifica o gabinete do Provedor de Justiça num comunicado, acrescentando que Marcoleta “confirmou publicamente ter recebido esse dinheiro”.
Nesta fase, nenhuma das partes confirmou a emissão de um mandado de detenção contra Marcoleta, de 72 anos.

Fé inabalável
Na semana passada, milhares de membros da Iglesia Ni Cristo (INC), uma poderosa seita filipina ligada à dinastia política dos Duterte, saíram às ruas para protestar contra as acusações que pesam sobre o senador, paralisando o trânsito na capital.
No mês passado, José “Jinggoy” Estrada foi detido pelo alegado papel num vasto escândalo de corrupção relacionado com projectos falsos de combate às inundações.
Por sua vez, o senador Ronald “Bato” Dela Rosa encontra-se em fuga, depois de ter escapado a uma detenção ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo papel na sangrenta guerra contra a droga liderada pelo ex-presidente Rodrigo Duterte.
Se Sara Duterte for declarada culpada no final do julgamento, que poderá durar vários meses, será destituída e ficará inelegível para sempre, apesar de se ter candidatado às eleições presidenciais de 2028.

6 Jul 2026

Exercícios militares conjuntos com a Rússia marcados para este mês

A China anunciou que vai realizar, durante este mês, os exercícios navais anuais com a Rússia, desta vez ao largo da costa chinesa, seguindo-se patrulhas conjuntas numa zona não especificada do oceano Pacífico. Parte dos exercícios serão realizados no espaço aéreo e marítimo ao largo de Qingdao

Vão realizar-se ao longo do mês de Julho os exercícios militares conjuntos entre forças chinesas e russas deste ano, foi ontem anunciado pelo Ministério da Defesa chinês. Os dois países mantêm uma importante parceria diplomática e económica, reforçada pela vontade comum de apresentar uma alternativa ao que consideram ser a predominância dos Estados Unidos na ordem mundial.

A China e a Rússia realizam há vários anos exercícios militares conjuntos, actualmente acompanhados com desconfiança por vários países, sobretudo ocidentais, no contexto da guerra na Ucrânia.

As marinhas dos dois países vão realizar os exercícios “Joint Sea-2026” “nos espaços aéreo e marítimo ao largo de Qingdao”, importante porto militar e estância balnear no leste da China, indicou o Ministério da Defesa chinês. “No final deste exercício conjunto, parte das forças dos dois países participará numa patrulha marítima conjunta numa zona marítima do oceano Pacífico”, acrescentou o ministério, em comunicado.

Segundo o documento, a iniciativa “visa responder em conjunto aos desafios de segurança e preservar a paz e a estabilidade na região”, sem especificar a dimensão dos meios militares envolvidos.

Em sintonia

Os exercícios realizam-se cerca de dois meses depois da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, à China. Na ocasião, o chefe de Estado russo classificou o nível das relações bilaterais como “sem precedentes”, enquanto o Presidente chinês, Xi Jinping, as descreveu como “inquebrantáveis”.

Os exercícios “Joint Sea-2026” entre as marinhas da China e da Rússia realizam-se desde 2012. A edição de 2025 decorreu nas proximidades de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, tendo sido igualmente seguida por patrulhas conjuntas no oceano Pacífico.

A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia, iniciada em Fevereiro de 2022, mas tem apelado à realização de negociações de paz. As capitais ocidentais acusam regularmente Pequim de prestar a Moscovo um apoio económico essencial ao esforço de guerra russo.

6 Jul 2026

China | Piloto que embateu no edifício mais alto de Pequim quis suicidar-se

As autoridades chinesas atribuíram o acidente de sexta-feira da semana passada, em que um pequeno avião embateu contra o edifício mais alto de Pequim, a “motivos pessoais” do piloto, que tinha ideias suicidas.

O homem de 66 anos morreu e 13 pessoas ficaram feridas. Nenhuma ficou em estado grave e uma das vítimas já teve alta hospitalar, acrescentaram as autoridades da área administrativa de Chaoyang, em Pequim, num comunicado divulgado nas redes sociais.

O relatório da investigação apontou que o piloto, identificado apenas pelo apelido Liu, não tinha emprego fixo, era divorciado e vivia sozinho, sofrendo de insónias e ansiedade. O diário do piloto continha várias referências à intenção de se suicidar.

O acidente ocorreu pelas 18h, numa zona de arranha-céus no centro da capital chinesa, numa altura em que muitas pessoas deixavam os locais de trabalho, levantando questões sobre a segurança em Pequim. O embate abriu um buraco na fachada envidraçada da Torre CITIC, com 108 andares, conhecida como edifício “Zun” devido ao formato inspirado num antigo recipiente chinês para vinho.

Na mesma nota, as autoridades referiram que o piloto realizou inicialmente um voo de treino acompanhado num avião de instrução de dois lugares e, posteriormente, descolou sozinho de um aeroporto privado nos arredores de Pequim. Durante o voo, desviou-se da rota prevista e as autoridades perderam contacto com a aeronave.

3 Jul 2026

Criança de 11 anos atropelou mortalmente nove monges na Tailândia

Pelo menos nove monges budistas morreram ontem e mais de dez ficaram feridos ao serem atropelados por uma carrinha conduzida por uma criança de 11 anos no nordeste da Tailândia, disse a polícia.

O chefe da polícia local, Pairoj Thaiphutsa, disse aos jornalistas que “o suspeito é uma criança” de 11 anos que conduzia o veículo dos pais sem autorização, acabando por atropelar um grupo composto por 35 monges e cinco fiéis numa estrada na província de Mukdahan. O mesmo responsável acrescentou que o veículo foi apreendido para perícias, “a fim de determinar a causa do acidente”.

Cinco monges morreram no local e quatro não resistiram aos ferimentos depois de terem sido transportados para o hospital da região. Os restantes feridos permanecem hospitalizados. Segundo as autoridades locais, os monges relataram ter visto o veículo a perder o controlo antes de sair da estrada e colidir com o grupo.

Os monges tinham iniciado, 30 minutos antes do acidente, uma peregrinação a pé de cerca de 260 quilómetros até à província de Ubon Ratchathani. A província de Mukdahan, a cerca de 600 quilómetros a nordeste da capital, Banguecoque, na região de Isan, uma zona rural no Delta do Mekong, na fronteira com o Laos. Isan é a região mais pobre da Tailândia e tem a menor densidade populacional do país, com cerca de 350 mil habitantes.

Na lista negra

O governador da província de Mukdahan, Worayan Bunnarat, afirmou que a tragédia deve servir de alerta sobre a segurança rodoviária na Tailândia.

O país tem um historial de sinistralidade rodoviária, porém, a segurança tem melhorado nos últimos anos, mas não o suficiente para tirar a Tailândia da lista de países com as estradas mais perigosas do mundo.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Tailândia ocupa o nono lugar entre 175 países em termos de mortes no trânsito. Em 2021, o organismo da ONU registou mais de 18.200 mortes, cerca de 50 por dia, devido a acidentes rodoviários.

Embora as autoestradas e as estradas principais sejam relativamente bem conservadas e pavimentadas, os padrões de qualidade podem baixar consideravelmente nas vias mais rurais e secundárias.

3 Jul 2026

Comércio | Pequim convida UE para nova ronda de diálogo no Outono

A China convidou o comissário europeu para o Comércio e Segurança Económica para uma visita ao país no Outono, no âmbito da segunda reunião do mecanismo de diálogo bilateral criado para resolver as tensões comerciais, anunciou ontem Pequim.

O convite surge após o primeiro encontro, realizado na segunda-feira, em Bruxelas, entre o comissário Maroš Šefčovič e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, durante o qual ambos se comprometeram a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar que os desacordos evoluam para uma guerra comercial.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, confirmou ontem o convite, numa conferência de imprensa regular, na qual apresentou também os resultados da primeira reunião. He explicou que o mecanismo constitui um novo canal permanente de diálogo económico e comercial entre as duas partes, que acordaram realizar entre uma e duas reuniões ministeriais por ano.

Segundo o porta-voz, o primeiro encontro centrou-se em áreas emergentes, como a inteligência artificial (IA), sectores com potencial de cooperação e questões litigiosas, com o objectivo de promover um comércio mais equilibrado, através do seu crescimento e não da sua redução.

A aposta no diálogo surge após vários episódios que agravaram as tensões entre a China e a União Europeia nos últimos anos, marcados por investigações comerciais recíprocas, divergências em torno da guerra na Ucrânia e sanções impostas por Bruxelas a empresas chinesas por alegada colaboração com a Rússia.

3 Jul 2026

Shenzhen | CR New Energy estreia-se em bolsa a subir 114% após IPO recorde

A produtora de energias renováveis China Resources New Energy estreou-se ontem na Bolsa de Shenzhen com uma valorização superior a 113 por cento face ao preço inicial, na maior entrada em bolsa da história daquele mercado.

A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) ficou avaliada em mais de 3,6 mil milhões de dólares. As ações da empresa abriram a 21,6 yuan, acima dos 10,11 yuan definidos para a IPO. Nos primeiros minutos da sessão, chegaram a registar uma subida de 198,32 por cento, antes de moderarem os ganhos para cerca de 124 por cento.

A operação, a maior realizada na Ásia desde o início de 2026, envolveu a venda de mais de 2,42 mil milhões de ações, permitindo à empresa angariar cerca de 24,5 mil milhões de yuan.

Na semana passada, a subsidiária do conglomerado estatal China Resources revelou que a parte destinada aos investidores de retalho registou uma procura 683 vezes superior ao número de ações disponíveis, mesmo após o aumento da alocação através de um mecanismo de redistribuição de ações aos investidores de retalho. Trata-se da maior IPO na China desde a realizada, em 2022, pela petrolífera estatal CNOOC, que angariou o equivalente a 5,1 mil milhões de dólares na Bolsa de Xangai.

A operação supera igualmente o anterior recorde da Bolsa de Shenzhen, estabelecido em 2020 pela produtora de óleos alimentares Yihai Kerry Arawana, que arrecadou cerca de dois mil milhões de dólares.

Vento e sol

No final de 2025, a China Resources New Energy dispunha de cerca de 41 gigawatts de capacidade instalada, o equivalente a 2,3 por cento do mercado chinês. Mais de 80 por cento da capacidade correspondia a projectos eólicos, embora a energia solar tenha vindo a ganhar peso no portefólio da empresa.

As receitas da IPO serão destinadas ao desenvolvimento de novos projectos eólicos e solares, que acrescentarão mais de 7,1 gigawatts de capacidade instalada, num investimento superior a 40 mil milhões de yuan. A operação atribui à empresa uma capitalização bolsista estimada em cerca de 135 mil milhões de yuan, semelhante à da Ganfeng Lithium, o maior produtor chinês de lítio.

A imprensa económica chinesa destacou que a operação permite também aferir o apetite dos investidores por sectores além da inteligência artificial e da robótica, que dominaram as maiores estreias bolsistas dos últimos meses.

3 Jul 2026

Bolsa | Tecnológicas intensificam recompra de acções após fortes quedas

As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de acções para recuperar a confiança dos investidores, após fortes desvalorizações em bolsa. Empresas como Tencent, Alibaba, Xiaomi e Meituan tiveram quebras na primeira metade de 2026 entre 30 a 44 por cento

 

A maiores empresas tecnológicas da China reforçaram os programas de recompra das suas próprias ações, após derrocadas na bolsa, noticiou ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de cepticismo em torno do sector e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA).

Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30 e 44 por cento no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos.

Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares em Junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares apenas na última semana.

A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado. A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares nesta estratégia desde meados do mês passado.

“Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório.

Só para aparecer

Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI.

“As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities.

Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do sector da IA, que tem servido de principal motor do actual ciclo dos mercados.

Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores. O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.

3 Jul 2026

EUA | Alibaba paga 600 milhões de dólares para encerrar processo

O conglomerado chinês Alibaba vai pagar 600 milhões de dólares para resolver uma disputa com o governo dos Estados Unidos da América (EUA) nascida de alegações de importação e venda de medicamentos ilegais, substâncias controladas, químicos regulados e equipamento de produção de comprimidos.

O Alibaba opera algumas das maiores plataformas mundiais de comércio electrónico, como a Alibaba.com e a AliExpress.com. Os EUA alegam que a empresa baseada no território norte-americano que processa os seus fluxos financeiros comerciais, a AUS Merchant Services, violou a lei federal ao não impedir os comerciantes de importarem e venderem produtos ilegais nos EUA através daquelas plataformas.

A Alibaba admitiu, em acordo com o Departamento de Justiça, que entre Janeiro de 2016 e Dezembro de 2024 não impediu que cerca de 80 mil produtos fossem vendidos, alguns dos quais importados, em violação de várias leis federais.

Agentes de vários serviços federais, sem revelar identidade oficial, fizeram mais de 40 compras de farmacêuticos e maquinaria cuja importação para os EUA era ilegal, segundo um comunicado.

O chefe das investigações criminais da agência tributária (IRS, na sigla em inglês), Jarod Koopman, considerou que o acordo alcançado com a Alibaba “realça o compromisso da IRS para seguir o dinheiro e garantir que as empresa a operarem nos EUA comprem a lei federal”.

3 Jul 2026

Wang Yi apela a Estados Unidos e Irão para manterem negociações

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu a manutenção do impulso negocial entre Estados Unidos e Irão, apesar da fragilidade do actual cessar-fogo, numa reunião, em Pequim, com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan Al Saud.

Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang afirmou na terça-feira que a China “vê com bons olhos” o início das negociações entre Washington e Teerão.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou que os acontecimentos demonstraram, uma vez mais, que “competir pela força não traz paz nem estabilidade” e que o diálogo é a única via para evitar nova escalada. Wang afirmou que, “embora o actual cessar-fogo continue frágil, é melhor dialogar do que combater, e o diálogo é preferível ao confronto”, apelando à preservação e aplicação do memorando de entendimento alcançado entre os Estados Unidos e o Irão.

“O essencial é manter e aplicar devidamente o memorando de entendimento, preservar o impulso das negociações, superar as dificuldades e interferências e esforçar-se por alcançar, o mais rapidamente possível, um acordo global aceite pelos Estados Unidos e pelo Irão, apoiado pelos países da região e bem acolhido pela comunidade internacional”, acrescentou.

Wang afirmou ainda que a China está disponível para trabalhar com a Arábia Saudita na redução das tensões e para contribuir para uma “paz e estabilidade duradouras” no Médio Oriente, além de apoiar um papel mais relevante de Riade nos assuntos internacionais e regionais.

Regresso à normalidade

Faisal bin Farhan afirmou que a Arábia Saudita aprecia o “papel construtivo” desempenhado pela China na promoção da redução das tensões no Médio Oriente e espera cooperar com Pequim para favorecer o regresso da paz e da estabilidade à região “o mais rapidamente possível”, segundo o mesmo comunicado. O ministro saudita acrescentou que Riade atribui grande importância às relações com a China e pretende aprofundar a cooperação bilateral.

A reunião realizou-se após a recente cessação das hostilidades entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, que permitiu aliviar as tensões na região e reabrir parcialmente o trânsito no estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial.

A China, que condenou repetidamente os ataques contra o Irão, apelou igualmente ao respeito pela soberania e segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas e comerciais. Pequim tem defendido de forma consistente uma solução negociada para o conflito, reclamando um cessar-fogo e insistindo na necessidade de restabelecer a livre navegação no estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás.

2 Jul 2026

Segurança | Queda de avião poderá reforçar controlo sobre aviação

Analistas consideram que o embate de um avião ligeiro contra a Torre Citic, em Pequim, expôs uma rara falha de segurança na capital chinesa e poderá desencadear purgas e reforçar o controlo sobre a aviação privada.

O acidente ocorreu na semana passada, quando uma aeronave de pequena dimensão embateu na fachada leste do edifício mais alto de Pequim, a Torre Citic, também conhecida como “China Zun”, provocando a morte do piloto e ferimentos em 13 pessoas.

O incidente foi rapidamente envolvido por um forte dispositivo de segurança e por um apertado controlo da informação. Os funcionários do conglomerado estatal Citic receberam instruções para não falar sobre o acidente, enquanto as autoridades impuseram um perímetro policial em redor do edifício e limitaram a cobertura do caso nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.

O voo levanta questões delicadas para as autoridades responsáveis pela segurança da capital, uma das cidades mais vigiadas do mundo, onde o Partido Comunista Chinês mantém uma política de tolerância zero em relação a incidentes que possam afectar a estabilidade.

Citado pelo Financial Times, o professor de Ciência Política da Claremont McKenna College, Minxin Pei, classificou o episódio como “sem precedentes”, considerando que revela “uma enorme falha de segurança” e poderá ter consequências para os responsáveis pelo dispositivo de proteção da capital.

Outro especialista ouvido pelo jornal, James Char, da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura, afirmou que o incidente terá impacto político por poder transmitir aos adversários da China a imagem de vulnerabilidades na defesa de Pequim, embora tenha salientado que as autoridades dispunham de muito pouco tempo para reagir.

2 Jul 2026