O desenvolvimento de Hong Kong no coração de Xi Jinping

O Presidente Xi Jinping participará numa reunião na sexta-feira para celebrar o 25º aniversário do regresso à pátria de Hong Kong, cujo desenvolvimento Xi diz ter estado sempre no seu coração. Sob a liderança de Xi, as autoridades centrais lançaram uma série de políticas e medidas importantes para ajudar Hong Kong a manter a estabilidade e prosperidade no quadro de “um país, dois sistemas”. Na sexta-feira, o presidente participará também na cerimónia inaugural do sexto mandato do governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, que Xi espera trazer mudanças estimulantes para a governação de Hong Kong

 

O Presidente chinês Xi Jinping estará presente numa reunião na sexta-feira para celebrar o 25º aniversário do regresso à pátria de Hong Kong, cujo desenvolvimento Xi diz ter estado sempre no seu coração. “O desenvolvimento de Hong Kong sempre me tocou no coração”, disse Xi, também secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, aquando da sua chegada a Hong Kong há cinco anos para o 20º aniversário da região administrativa especial.

Ao longo dos anos, Xi demonstrou repetidamente a sua preocupação com o desenvolvimento de Hong Kong, bem como com o bem-estar dos mais de 7 milhões de habitantes de Hong Kong. Iniciou projectos de integração de Hong Kong no desenvolvimento nacional, interagiu com a juventude de Hong Kong e encorajou os empresários a prosseguir os seus sonhos no continente.

Sob a liderança de Xi, as autoridades centrais lançaram uma série de políticas e medidas importantes para ajudar Hong Kong a manter a estabilidade e prosperidade no quadro de “um país, dois sistemas”.

Na sexta-feira, o presidente participará também na cerimónia inaugural do sexto mandato do governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK), que Xi espera trazer mudanças refrescantes à governação de Hong Kong. Xi afirmou que Hong Kong se encontra numa fase crucial no seu caminho para uma maior prosperidade.

Desenvolvimento pós-97

Hong Kong tem testemunhado um rápido desenvolvimento desde que o governo chinês retomou o exercício da soberania sobre a mesma a 1 de Julho de 1997. De 1997 a 2021, o PIB de Hong Kong cresceu de 1,37 triliões de dólares de Hong Kong para 2,86 triliões de dólares de Hong Kong. Ultrapassou desafios, incluindo a crise financeira asiática, a epidemia da SARS e a crise financeira internacional, e consolidou o seu estatuto como centro financeiro, marítimo e comercial internacional.

Sob a liderança de Xi, as autoridades centrais promoveram a conectividade das infra-estruturas e implementaram políticas e medidas para expandir ainda mais o espaço para o desenvolvimento de Hong Kong.

Um belo exemplo de conectividade de infra-estruturas é a mega-ponte no estuário do Rio das Pérolas que liga Hong Kong, Macau e o continente chinês.

Durante a sua viagem a Hong Kong em 2017, Xi visitou o local de construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macao. Em Outubro de 2018, anunciou a abertura da ponte e inspeccionou-a.

A abertura da ponte marcou uma nova etapa no desenvolvimento da área da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. A Área da Grande Baía, que pretende tornar-se uma área de classe mundial de baía e aglomerado de cidades, é um projecto nacional significativo concebido e promovido por Xi. Em apenas alguns anos, tornou-se uma das regiões mais abertas e economicamente mais vibrantes da China.

Grande Baía atrai jovens empresários

Um número crescente de jovens de Hong Kong está a virar-se para o continente em busca de perspectivas empresariais, uma vez que o desenvolvimento da área da baía tem trazido novas oportunidades. Mark Mak Hin-yu, co-fundador de uma empresa de robótica, disse que a sua empresa tem a sua sede em Hong Kong, mas transferiu parte das operações, incluindo montagem de hardware e testes técnicos, para o continente, capitalizando as oportunidades trazidas pelo desenvolvimento da área da baía.

O 14º Plano Quinquenal da China (2021-2025) dá a Hong Kong apoio na construção de um centro internacional de inovação e tecnologia, um centro na região Ásia-Pacífico para serviços jurídicos e de resolução de litígios internacionais, um centro regional para o comércio de propriedade intelectual, e um centro de intercâmbio cultural e artístico com outros países.

Laura Cha Shih May-lung, presidente do Hong Kong Exchanges and Clearing Limited e veterana no sector financeiro de Hong Kong há mais de três décadas, tem plena confiança no desenvolvimento futuro do sector. “Sendo uma economia relativamente pequena com uma população de pouco mais de 7 milhões de habitantes, Hong Kong não teria evoluído para o centro financeiro internacional que é agora sem o forte apoio do desenvolvimento contínuo do continente”, disse ela.

Cuidar de todos

Melhorar a subsistência da população de Hong Kong tem sido uma prioridade máxima para Xi. “Os adolescentes querem crescer felizes. Os jovens querem dar a conhecer o melhor do seu talento. As pessoas adultas querem ser bem sucedidas, e os seniores querem desfrutar dos seus anos dourados”, disse Xi quando visitou Hong Kong em 2017, explicando as relações entre desenvolvimento e bem-estar das pessoas.

Xi encontrava sempre tempo para interagir com o público durante as suas visitas a Hong Kong. Em 2008, Xi, então vice-presidente chinês, visitou famílias comuns de Hong Kong, sentou-se com elas e conversou sobre a sua vida quotidiana. Na sua viagem de 2017, o Presidente Xi assistiu a um episódio da ópera cantonesa representada por crianças e encorajou-as a herdar a bela cultura tradicional chinesa.

Ao longo dos anos, Xi supervisionou a implementação de várias políticas favoráveis aos compatriotas de Hong Kong no continente, que abrangem uma vasta gama de áreas, desde a educação e emprego até aos cuidados de saúde e viagens.

Por exemplo, desde Setembro de 2018, as pessoas elegíveis de Hong Kong podem solicitar autorizações de residência no continente, que lhes dão acesso aos direitos de trabalho, segurança social e fundo de previdência habitacional.

Quando a pandemia da COVID-19 atingiu Hong Kong, Xi estava muito preocupado com a vida e a saúde da população local e deu instruções em várias ocasiões para dar a Hong Kong todo o apoio na luta contra o vírus.

O continente enviou materiais anti-epidémicos, enviou trabalhadores da saúde, e ajudou a construir instalações de isolamento e tratamento, bem como assegurou o fornecimento constante de necessidades diárias para ajudar na luta de Hong Kong contra a epidemia. “A pátria é sempre o forte apoio de Hong Kong. As dificuldades em mãos podem certamente ser ultrapassadas”, disse Xi.

Xi salientou uma compreensão completa e precisa do princípio “um país, dois sistemas” e uma aplicação fiel do mesmo. Como ele disse, “um país” é como as raízes de uma árvore e para uma árvore crescer alta e luxuriante, as suas raízes devem correr profundas e fortes.

Medidas fundamentais

As autoridades centrais adoptaram um conjunto de políticas e medidas num esforço para abordar tanto os sintomas como as causas profundas dos desafios relevantes que Hong Kong enfrentou.

A implementação da lei de segurança nacional em Hong Kong foi uma dessas medidas significativas. Foi seguida de melhorias no sistema eleitoral. Estes proporcionaram a Hong Kong uma garantia institucional sólida para ultrapassar dificuldades imediatas, alcançar uma boa governação e assegurar uma paz e estabilidade duradouras.

No âmbito do novo sistema eleitoral, Hong Kong realizou com sucesso eleições para a Comissão Eleitoral, para o Conselho Legislativo do sétimo mandato e para o chefe executivo do sexto mandato. Um número crescente de pessoas competentes e patriotas tem entrado na estrutura governativa.

Com estas medidas em vigor, a estabilidade social foi restaurada. Tanto para o povo de Hong Kong como para os residentes estrangeiros, isto significa um ambiente de vida mais seguro e um ambiente de negócios mais previsível.

“A chave do sucesso de Hong Kong reside no amor do seu povo pela pátria e por Hong Kong, e na sua perseverança, busca da excelência e adaptabilidade”, disse Xi. Em 2018, Xi conheceu Eric Kuo, um jovem empresário de Hong Kong, numa zona piloto de comércio livre na província de Guangdong.

“Fiquei profundamente tocado com o encorajamento do Presidente Xi e fiquei mais determinado a iniciar o meu próprio negócio no continente”, disse Kuo. A sua empresa de alta tecnologia expandiu-se rapidamente, obtendo receitas anuais de mais de 10 milhões de yuan no ano passado.

Estão a surgir mais oportunidades para os jovens de Hong Kong no continente, uma vez que estão a receber uma maior assistência desde a procura de emprego até ao estabelecimento de empresas.

“Uma pátria cada vez mais próspera serve como fonte de força para Hong Kong ultrapassar dificuldades e desafios; apresenta também um reservatório de oportunidades para Hong Kong desbravar novos caminhos, fomentar novas forças motrizes e criar novo espaço para o desenvolvimento”, disse Xi na sua viagem pelo 20º aniversário da RAEHK há cinco anos.

30 Jun 2022

Hong Kong | Pequim pede a novo líder que resolva problemas sociais

O primeiro-ministro chinês pediu ontem ao novo Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, para resolver os “problemas sociais” da cidade e desenvolver a economia, numa cerimónia, em Pequim.

Li Keqiang salientou que o novo governo de Hong Kong deve “melhorar a subsistência das pessoas” e “unir os vários sectores da cidade para resolver os problemas sociais”, de acordo com a imprensa local. Na cerimónia, Li apresentou a carta que formaliza a nomeação de Lee, que vai tomar posse em 1 de Julho.

O primeiro-ministro chinês garantiu que o governo central ia defender o princípio “um país, dois sistemas” – que tem governado Hong Kong desde o regresso à soberania chinesa em 1997 e permite um grau de autonomia e liberdades que não existem no continente – de uma “forma abrangente e precisa”, noticiou o jornal da região semiautónoma chinesa South China Morning Post (SCMP).

“Também exerceremos plena e precisamente a jurisdição abrangente do governo central sobre Hong Kong, bem como o princípio de que Hong Kong é administrada por patriotas”, acrescentou.

Segundo Li, Pequim vai “apoiar plenamente” o novo Chefe do Executivo de Hong Kong e o governo, “de acordo com a lei”, e salientou que a cidade devia “estudar os pontos fortes e as áreas em que se pode destacar”, e “compreender também o que o país precisa da cidade”, uma vez que “se integra” no desenvolvimento da nação.

“O novo governo da cidade precisa de melhorar a sua eficiência e reforçar o estatuto de Hong Kong como centro internacional de finanças, comércio e transportes”, acrescentou o primeiro-ministro chinês.

Com todo o gosto

Em resposta, Lee, de 64 anos, disse aceitar a responsabilidade “com lealdade”, depois de ter sido eleito, em 8 de Maio, por 1.416 dos 1.461 membros da comissão eleitoral.

Antigo inspector da polícia, Lee ocupava a pasta da Segurança quando Hong Kong foi palco de manifestações anti-governamentais, em 2019.

Foi também fundamental na implementação da lei de segurança nacional, imposta em Junho de 2020 por Pequim para pôr fim aos protestos, cada vez mais violentos. Em Junho do ano passado, foi nomeado “número dois” no Executivo.

A eleição do Chefe do Executivo foi adiada por seis semanas devido à pandemia da covid-19, e foi a primeira a realizar-se desde que Pequim impôs alterações ao sistema eleitoral da cidade, em 2021.

31 Mai 2022

Hong Kong | Quatro milhões de animais exóticos importados entre 2015 e 2019

Quatro milhões de animais de estimação exóticos de 84 países foram importados para Hong Kong entre 2015 e 2019, agravando o risco de extinção de inúmeras espécies, denuncia um relatório da fundação ambientalista ADM Capital.

“Apesar de este comércio não ter sido bem documentado, o crescimento e a diversificação nos últimos anos apontam para uma indústria extensa e rentável”, lê-se no relatório “Wild, threatened, farmed: Hong Kong’s invisible pets” (“Selvagem, Ameaçado, Criado: Os animais invisíveis de Hong Kong”), divulgado na terça-feira pela Fundação ADM Capital, que promove a conservação ambiental na Ásia.

Num comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o responsável pelo estudo, Sam Inglis, disse que o comércio destes animais, “rápido e de grande volume”, compreende “centenas de espécies”, muitas das quais estão ameaçadas de extinção.

A procura do tracajá, uma tartaruga com manchas amarelas na cabeça que habita sobretudo países da América do Sul, da tartaruga de esporas africana, réptil residente em ambientes quentes, ou da tartaruga-panqueca, espécie nativa da Tanzânia e do Quénia, “acentuam as pressões insuportáveis nas populações selvagens”, notou Inglis.

Segundo o comunicado, os autores chamam também a atenção para o difícil rastreamento dos animais que chegam à região administrativa especial chinesa.

A “reexportação parece ser mínima, com menos de meio milhão a partirem oficialmente da cidade”, o que sugere que “um grande número poderá permanecer nas casas ou lojas de animais” de Hong Kong, “possivelmente muitos terão morrido” e “alternativamente, grandes números” poderão ter sido “contrabandeados para fora da cidade”, lê-se.

Expiação de pecados

Ainda de acordo com o estudo, algumas espécies terão sido vendidas para efeitos de “libertação misericordiosa”, uma prática budista não regulamentada em Hong Kong, praticada na região desde os anos 1940.

“Ao libertar animais cativos na natureza, os praticantes budistas e taoistas acreditam que podem trazer fortuna, longevidade, felicidade, saúde, absolvição de pecados e outros benefícios”, refere-se no documento.

Entre as recomendações dos autores, é proposta a revisão das actuais leis que regulamentam o comércio de animais de estimação exóticos em Hong Kong, que se encontram “desactualizadas, [são] frequentemente vagas, e, em alguns casos inadequadas”.

Os autores apelam também para que seja garantido um “controlo fronteiriço mais rigoroso” e implementados “mecanismos de rastreamento”, como a utilização de microchips.

20 Mai 2022

Hong Kong | Organizadores de vigília por Tiananmen acusados de serem “agentes estrangeiros”

Um tribunal de Hong Kong decidiu esta quarta-feira que os juízes procuradores podem designar os organizadores da vigília anual em memória do massacre de Tiananmen como “agentes estrangeiros”, sem precisar de referir para quem são acusados de trabalhar.

A decisão foi motivada por razões de segurança nacional, mas as pessoas visadas consideram que a situação dificulta a preparação da sua defesa, antes do julgamento.

Ao longo de 30 anos, a organização Aliança de Hong Kong, agora extinta, realizou uma vigília anual para homenagear as vítimas da repressão da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989. Estas comemorações foram proibidas desde a entrada em vigor em 2020 da lei de segurança nacional.

Depois de terem processado judicialmente a organização por “incitamento à subversão”, o que constitui uma ofensa à segurança nacional, as autoridades ordenaram que a direção da Aliança de Hong Kong entregasse dados sobre os seus membros, movimentos financeiros e ligações com o estrangeiro.

Para fundamentar o pedido, a polícia acusou a Aliança de Hong Kong de trabalhar como “agente estrangeiro”, retórica que remete para a afirmação de Pequim de que os protestos de Tiananmen foram fomentados por forças estrangeiras e não por um movimento popular.

A recusa em atender a esse pedido levou à prisão, no ano passado, de cinco líderes da organização, incluindo o vice-presidente Chow Hang-tung.

Durante as audiências preliminares, os advogados de defesa pediram aos procuradores que esclarecessem para quem os arguidos são acusados de trabalhar.

Contudo, o juiz Peter Law argumentou que “a divulgação total de todos os documentos sem dúvida resultaria num risco real de sérios danos à segurança nacional”.

De acordo com Albert Wong, advogado de defesa, a transparência é necessária porque o tribunal terá de determinar durante o julgamento se a Aliança era realmente um “agente estrangeiro”. O julgamento de três funcionários da Aliança, incluindo Chow, está previsto começar em 13 de julho.

12 Mai 2022

John Lee eleito Chefe do Executivo de Hong Kong 

John Lee foi eleito, no domingo, Chefe do Executivo de Hong Kong com 1.416 votos do comité eleitoral, tendo sido registada uma participação eleitoral de 97,7 por cento. O Chefe do Executivo eleito é visto como o rosto de um “novo capítulo” de um mesmo livro, focado nas questões da segurança nacional e da estabilidade sócio-económica da região vizinha

 

O único candidato a Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, foi no domingo confirmado no cargo, ao obter 1.416 votos, anunciou a comissão dos assuntos eleitorais. O candidato Lee Ka-chiu, John, “obteve 1.416 votos”, sendo eleito Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, indicaram as autoridades eleitorais, num comunicado publicado no ‘site’ das eleições.

“Agradeço o vosso apoio à eleição do Chefe do Executivo”, disse Lee, de 64 anos, num breve discurso proferido depois de anunciados os resultados, noticiou o jornal local South China Morning Post. No período de votação, entre as 9h e as 11h30, 1.428 membros da comissão depositaram o seu voto, o que representa uma taxa de participação de 97,7 por cento, de acordo com um comunicado das autoridades locais. A comissão eleitoral é composta por 1.463 membros, na maioria pró-Pequim.

Cerca de sete mil polícias foram destacados para evitar qualquer incidente durante a votação, indicou a imprensa local. Ainda assim, a Liga dos Sociais-Democratas, um dos últimos grupos pró-democracia na região, organizou uma manifestação de três pessoas, antes da abertura das assembleias de voto, para exigir “o sufrágio universal, agora”.

“Sabemos que esta acção não terá qualquer efeito, mas não queremos que Hong Kong fique completamente silenciosa”, declarou a manifestante Vanessa Chan, perante dezenas de agentes policiais.

Segundo o canal de rádio e televisão RTHK, a seguir à vitória, John Lee adiantou aos media que o seu Governo “estará determinado em confrontar os problemas enraizados que Hong Kong enfrentou durante muitos anos, ter passos decisivos e adoptar acções eficientes e efectivas para resolvê-los”. “Espero que possamos começar um novo capítulo juntos, construir uma Hong Kong que cuida, que é aberta, vibrante, e que está cheia de esperança, oportunidades e harmonia”, adiantou.

Apesar de o manifesto eleitoral apontar sobretudo para uma política de continuidade em relação a Carrie Lam (2017-2022), Lee avisou: “Será uma nova sinfonia, e eu serei o ‘maestro’”.

Da herança

Secretário para a Segurança no Executivo da Chefe do Executivo cessante, Carrie Lam, Lee supervisionou as operações policiais para pôr fim aos protestos anti-governamentais que abalaram a cidade em 2019.

John Lee herda uma cidade e terceira praça financeira mundial praticamente isolada do mundo devido às medidas restritivas de controlo da covid-19. Sob o slogan “Iniciar em conjunto um novo capítulo para Hong Kong, Lee prometeu um Governo “orientado para resultados”, mas o programa de 44 páginas, publicado na semana passada, apresentou poucas medidas concretas.

Na campanha eleitoral, Lee comprometeu-se a promulgar legislação local para proteger o território das ameaças à segurança nacional, aumentar a oferta de habitação no mercado imobiliário mais caro do mundo, melhorar a competitividade da cidade e estabelecer uma base firme para o desenvolvimento de Hong Kong.

Em 1 de Julho, data que marca a transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China, John Lee vai substituir Carrie Lam, de 65 anos, que decidiu não se candidatar a um novo mandato de cinco anos.

Reforma a caminho

Ontem, numa conferência de imprensa, Carrie Lam declarou que o sistema político baseado no conceito dos “patriotas a administrar Hong Kong” ficou totalmente implementado com a eleição de John Lee. Segundo o canal de rádio e televisão RTHK, Carrie Lam reuniu com John Lee para discutirem a reestruturação governativa, as medidas para travar o surto pandémico e as actividades que vão celebrar os 25 anos da transferência de soberania de Hong Kong para a China.

A Chefe do Executivo ainda em funções acredita que esta reforma vai permitir a continuação da prosperidade de Hong Kong. “Eu e a minha Administração vamos continuar a lutar contra esta pandemia da covid-19 a fim de permitir que a população de Hong Kong regresse a uma vida normal o mais cedo possível e também garantir uma base forte para a retoma das viagens [sem quarentena] para o continente.”

John Lee comentou ainda os planos do Governo para a reestruturação de alguns organismos públicos, nomeadamente a separação das direcções de serviços de transportes e habitação.

“A actual proposta já teve em conta vários factores e as sugestões são detalhadas. Trocámos opiniões sobre alguns elementos da proposta. Deverei reflectir sobre essas visões com os colegas da Chefe do Executivo em detalhe [o mais cedo possível]”, frisou.

Uma das primeiras acções que John Lee fará após a sua eleição será a visita às quatro representações de Pequim em Hong Kong, incluindo o Gabinete de Ligação e o Gabinete para a Salvaguarda da Segurança Nacional. Ontem, além de reunir com Carrie Lam, John Lee reuniu também com o Chefe da Justiça e o Presidente do Conselho Legislativo.

Novo capítulo, mesmo livro

Contactado pelo HM, Jorge Tavares da Silva, académico da Universidade de Aveiro e analista de assuntos políticos chineses, considera que a eleição de John Lee “vem refrescar o ambiente política em Hong Kong, ainda que seja um homem pertencente à estrutura política anterior, após o desgaste da governação de Carrie Lam”.

O facto de John Lee estar no poder constitui “um sinal à população de que há uma nova gestão no território, revelando uma vontade de mudança e um sinal atenuador para os ímpetos reivindicativos locais”.

Além disso, John Lee “tem no seu discurso uma vontade explicita de resolver um dos maiores problemas da geração mais nova, a crise de habitação”. Há também “a perpetuação de um clima de segurança apertado no território, área de onde transita John Lee”.

“Não deixa de ser um sinal para que a indisciplina será fortemente condicionada. Em suma, em simultâneo, uma vontade de dar uma nova resposta à população de Hong Kong sem sair das suas linhas mestras. Como diz o slogan do seu programa ‘iniciando um novo capítulo para Hong Kong Juntos’. Uma viragem de página no mesmo livro”, apontou o académico.

Relativamente ao programa eleitoral apresentado pelo Chefe do Executivo eleito, Jorge Tavares da Silva entende que revela “algumas linhas orientadores do que poderá ser o seu mandato”, existindo “uma vontade de proteger Hong Kong enquanto importante centro financeiro internacional, abalado pelas sublevações e pela pandemia da covid-19”.

Está em causa “uma plataforma muito relevante para a saúde financeira da República Popular da China”, além de que a habitação é hoje “um dos pontos vulneráveis na gestão urbana de Hong Kong”.

A eleição de John Lee significa ainda “uma garantia para Pequim e um sinal a Washington, pela não aceitação de ingerências externas nos assuntos locais, tendo em conta que Lee foi vice-chefe da polícia, sancionado pelos americanos”.

Também ao HM, o analista político Sonny Lo defendeu que um dos grandes focos de John Lee para o mandato como Chefe do Executivo passa pela regulamentação do artigo 23 da Lei Básica e a lei de cibersegurança, procurando também lidar “com as origens sócio-económicas dos protestos de 2019 ao melhorar a mobilidade jovem, o patriotismo dos jovens e a habitação”.

John Lee deverá também trabalhar mais em prol de uma maior “competitividade em Hong Kong e numa melhoria da capacidade governativa”.

Sobre a questão da segurança nacional, Sonny Lo pensa que Pequim espera sobretudo que haja estabilidade em Hong Kong, a nível social e económico, ao mesmo tempo que se regulamenta o artigo 23 da Lei Básica e se promove “a incorporação económica e social na Grande Baía”.

A nível económico, Sonny Lo acredita que Hong Kong “vai gradualmente abrir as portas para o mundo, enquanto que as restrições fronteiriças com o continente e Macau serão relaxadas, é uma questão de tempo”. “A recuperação está a caminho”, defendeu.

E Macau?

Sonny Lo não tem dúvidas de que, caso Hong Kong avance para a regulamentação do artigo 23, Macau irá seguir-lhe os passos através do “aperfeiçoamento e do reforço da lei de segurança nacional”, ocorrendo “uma convergência na segurança nacional das duas regiões”.

Jorge Tavares da Silva recorda que, embora a realidade política em Macau seja “amplamente diferente” de Hong Kong, esta eleição “não deixa de mostrar as preocupações do Governo em manter na região da Grande Baía um clima de paz que leve ao desenvolvimento regional”.

Além disso, aponta o académico, “o 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês vai-se aproximando, sendo importante manter um ambiente político estável nos próximos meses”.

Bilhete de identidade

Ex-secretário para a Segurança e número dois do Governo de Carrie Lam, John Lee foi o grande responsável pela implementação da nova Lei de Segurança Nacional no território, além de ter actuado para travar a acção dos protestos em 2019.

Apesar do resultado, o único candidato à liderança de Hong Kong já prometeu a introdução de novas infrações que reforcem a legislação sobre a segurança nacional. Aquando das eleições no final de 2021 para o parlamento local, dominado por deputados “patriotas”, Lee deixou um apelo à população, para ajudar as autoridades na missão de impedir que “os desordeiros, as forças estrangeiras e as forças destrutivas prevaleçam”.

Aos jornalistas detidos, classificou-os de “elementos malignos (…) que abusaram das suas posições (…) como funcionários dos ‘media’”. Ex-inspector e comissário adjunto da Polícia, assumiu a pasta da Segurança no Executivo de Carrie Lam em 2017 e avançou com a proposta da polémica Lei da Extradição, que espoletou os protestos em 2019, que levaram milhões de pessoas às ruas durante nove meses. Em Junho de 2021, acabou por ser promovido a secretário principal governamental. John Lee integra uma lista de altos responsáveis de Hong Kong alvo de sanções norte-americanas, impostas em Agosto de 2020.

Felicitações de Ho Iat Seng

O Chefe do Executivo de Macau disse esperar que as duas regiões administrativas especiais chinesas “possam avançar unidas”, numa mensagem de felicitações enviada a John Lee pela eleição como líder de Hong Kong.

Ho Iat Seng defendeu também que os territórios possam “avançar unidos e cooperar com firmeza através da participação na construção de uma Grande Baía Guangdong, Hong Kong, Macau de topo de gama, e na integração da conjuntura do desenvolvimento nacional para concretizar da melhor forma os respectivos desenvolvimentos, criando uma vida melhor para a população, elaborando em conjunto um novo capítulo da grandiosa causa de ‘um país, dois sistemas’, disse, de acordo com um comunicado oficial.

O Chefe do Executivo de Macau sublinhou ainda “a mesma origem” cultural das duas regiões, bem como as “relações estreitas na economia, comércio, com resultados eficazes no intercâmbio e cooperação”. Com Lusa

Preocupação do G7

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do G7 expressaram ontem a sua “grande preocupação” com a nomeação do novo líder de Hong Kong, John Lee. O grupo das nações industrializadas, ao qual pertencem Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão e Alemanha, classificou a eleição de Lee como um “ataque contínuo contra o pluralismo político e as liberdades fundamentais”. Os responsáveis do G7 instaram a China a agir de acordo com a declaração sino-britânica e o restante das suas obrigações legais. “Pedimos fortemente ao novo Chefe do Executivo que respeite os direitos protegidos e as liberdades ancorados na Constituição de Hong Kong e cuide para que a justiça defenda o Estado de Direito”, referiram os responsáveis.

10 Mai 2022

HK | John Lee quer reestruturação governamental pronta até Julho

O único candidato ao cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong disse que a reestruturação governamental anunciada por Carrie Lam deve estar concluída até ao dia 1 de Julho, data em que o novo Executivo toma posse. Em campanha eleitoral, John Lee ouviu dos deputados que a comunicação entre o LegCo e o Governo deve melhorar

 

John Lee, único candidato ao cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong, quer que Carrie Lam, actualmente em funções, possa concluir o plano de reestruturação governamental até ao dia 1 de Julho, data em que o novo Executivo assume funções. As eleições estão agendadas para o dia 28 de Maio.

Segundo o canal de rádio e televisão RTHK, John Lee disse esperar que “o actual Governo possa completar o plano de reestruturação antes que a nova Administração entre oficialmente em funções, e acredito que é isso que o actual Governo pretende fazer”.

Em causa está a criação de novos órgãos públicos, como é o caso de uma nova direcção de serviços para a área da cultura, desporto e turismo. Pretende-se ainda dividir a direcção dos transportes e habitação, entre outras alterações.

“Claro que exige alguma rapidez dado o tempo que resta, mas estou confiante que o trabalho de preparação já está a ser feito pela actual Administração”, adiantou John Lee, que tem estado em campanha eleitoral e que proferiu estas declarações aquando de uma visita, no sábado, ao Parque Científico e à Associação das Sociedades dos Novos Territórios. John Lee busca aumentar a competitividade de Hong Kong através da ciência, tecnologia e inovação, além de querer reforçar o poder das comunidades locais.

O pedido do LegCo

No domingo, num encontro online, os deputados do Conselho Legislativo (LegCo) pediram a John Lee para que haja uma melhor comunicação entre o parlamento local e o novo Executivo.

“Parece-me que os deputados dizem o que querem dizer, enquanto que os membros do Governo fazem o que querem fazer. Parece haver pouca conexão entre os dois lados”, adiantou Tik Chi-yuen. Por sua vez, Sun Dong defendeu que “se não é garantido que as posições importantes na polícia são ocupadas por pessoas íntegras e com capacidade política, os chamados ‘patriotas que administram Hong Kong’ representam apenas um conceito vazio”.

Paul Tse espera que Hong Kong possa revelar melhor as suas características específicas como território para que não venha a ser confundida como “mais uma cidade na China”. Neste sentido, a nova Administração deve estar consciente da imagem de Hong Kong no mundo e usar bem as palavras na comunicação com outros governos.

18 Abr 2022

Polícia de Hong Kong detém seis pessoas por sedição

A polícia de segurança nacional de Hong Kong usou uma lei de sedição da era colonial para prender ontem seis pessoas, por suspeita de causarem distúrbios em audiências judiciais entre dezembro e janeiro.

Os suspeitos – quatro homens e duas mulheres, com idades entre os 32 e 67 anos – foram presos, sob suspeita de cometerem um “ato ou atos com intenção sediciosa” (de motim ou rebelião). Os atos “afetaram gravemente a dignidade jurisdicional e as operações judiciais”, segundo um comunicado do Governo. A polícia não deu detalhes sobre o que os suspeitos fizeram.

A lei da era colonial permaneceu adormecida até recentemente, quando foi usada para prender e processar vários apoiantes e ativistas pró-democracia. Em março, um DJ de rádio e ativista pró-democracia tornou-se na primeira pessoa na cidade a ser condenada por sedição, desde o retorno do território à soberania da China, em 1997. As seis pessoas detidas hoje podem ser condenadas até dois anos de prisão. Os suspeitos foram detidos para interrogatório.

6 Abr 2022

Hong Kong | Número dois de Carrie Lam demite-se

O número dois do governo de Hong Kong, John Lee, demitiu-se do cargo, quando falta cerca de um mês para as eleições para a chefia do Executivo, anunciaram ontem as autoridades locais. A actual líder do território, Carrie Lam, recebeu a carta de demissão do secretário-chefe de Hong Kong e já a submeteu ao Governo Central, de acordo com um comunicado divulgado pelo Governo da região.

A imprensa local tem avançado que Lee, responsável pela tutela da segurança durante os protestos de 2019, deverá entrar na corrida para Chefe do Executivo de Hong Kong.

O jornal South China Morning Post indicou que Pequim já terá dado o aval a Lee. O diário escreveu que o número dois de Carrie Lam é o único candidato a líder do Executivo a ter o apoio do Governo Central chinês. Lam anunciou, na segunda-feira, que não se candidata a um segundo mandato nas eleições marcadas para 8 de Maio.

Hong Kong tinha inicialmente marcado a eleição do Chefe do Executivo para 27 de Março, mas a data foi adiada por seis semanas, numa altura em que a cidade vivia a pior vaga da covid-19 desde o início da pandemia. Carrie Lam disse que realizar as eleições, na data originalmente prevista, ia criar “riscos para a saúde pública”.

6 Abr 2022

Carrie Lam anuncia que não se candidata ao cargo de Chefe do Executivo

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou esta segunda-feira que não se vai recandidatar a um segundo mandato nas eleições para o cargo de Chefe do Executivo, marcadas para Maio. “Irei completar o meu mandato de cinco anos como Chefe do Executivo no dia 30 de Junho deste ano e também encerrarei os meus 42 anos de serviço público”, disse Lam, em conferência de imprensa.

A líder de Hong Kong afirmou que já tinha partilhado a decisão com o Governo Central, em Pequim, em 2021, tendo sido recebida com “respeito e compreensão”.

A imprensa de Hong Kong avançou que o número dois de Lam, John Lee, o responsável pela tutela da segurança durante os protestos de 2019, deverá entrar na corrida para ser o próximo Chefe do Executivo. As eleições estavam inicialmente agendadas para o dia 27 de Março, mas a votação foi adiada por um período de seis semanas, até 8 de Maio, numa altura em que a região vive a pior vaga da pandemia.

Carrie Lam disse que realizar as eleições como originalmente programadas ia criar “riscos para a saúde pública”, apesar da votação envolver apenas um comité de 1.462 pessoas.

5 Abr 2022

Cientistas pedem que Hong Kong abandone estratégia de ‘zero casos’

Os principais cientistas de Hong Kong pediram ontem às autoridades do território que abandonem a estratégia de “zero casos” de covid-19 da China, para que o centro financeiro não se converta num “porto fechado para sempre”.

“Os últimos dois meses foram uma experiência muito dolorosa e não podemos mais esperar”, disse Gabriel Leung, que lidera uma equipa de cientistas que fazem pesquisas sobre o novo coronavírus.

Na segunda-feira, a Chefe do Executivo, Carrie Lam, anunciou a flexibilização das restrições, a partir de Abril – principalmente no que diz respeito aos voos internacionais e à duração da quarentena na chegada ao território -, mas não apresentou uma estratégia para sair da crise.

Hong Kong enfrenta um surto sem precedentes desde o aparecimento, no início de Janeiro, da altamente contagiosa variante Ómicron. Leung, reitor da Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong, é um especialista do Governo referido regularmente por Lam.

O reitor pediu para a cidade considerar a covid-19 como uma doença endémica e focar-se na vacinação, caso contrário a região “permanecerá um porto fechado para sempre”. Este é o “caminho mais seguro, porque não sabemos se a próxima variante será mais fraca ou mais forte do que as que conhecemos”, argumentou.

Maré alta

Tal abordagem equivaleria a um afastamento da estratégia chinesa. Mas o Presidente Xi Jinping recusou na semana passada abdicar da política de tolerância zero à covid-19, numa altura em que o seu país enfrenta o pior surto epidémico desde 2020, optando antes por confinar dezenas de milhões de habitantes.

A equipa de Leung estima que cerca de 4,4 milhões de pessoas em Hong Kong, uma das cidades mais densamente povoadas do mundo, ou 60 por cento da população, foram infectadas desde o início da vaga da Ómicron, em Janeiro.

Os números oficiais mostram mais de um milhão de casos e quase 6.100 mortes desde Janeiro, principalmente entre a população idosa não vacinada.

Desde o início da pandemia, a cidade de 7,4 milhões de habitantes aplicou uma política rígida de “zero casos”, à semelhança da China. Mas desde o aparecimento da variante Ómicron, no início de Janeiro, os hospitais ficaram sobrecarregados e Hong Kong está agora entre os territórios desenvolvidos com uma das maiores taxas de mortalidade.

23 Mar 2022

Hong Kong | Apelo a esforços conjuntos para melhorar situação pandémica

A pandemia da covid-19 ainda está a atingir Hong Kong, mas a situação melhorará com os esforços conjuntos dos departamentos e agências governamentais da Região Administrativa Especial, garantiu o chefe-executivo da Autoridade Hospitalar, Tony Ko Pat-sing.

Em entrevista exclusiva à Xinhua, o responsável disse que a principal diferença entre a actual quinta onda de infecção por coronavírus em Hong Kong e as anteriores é que a variante ómicron altamente transmissível é agora dominante.

Observando que a mais recente onda da covid-19 colocou pressão sobre o sistema de saúde da região, Ko explicou que actualmente os hospitais públicos estão com falta de pessoal e não há camas de isolamento suficientes para o número crescente de pacientes.

Apesar de enfrentar uma carga de serviço pesada, a equipa médica dos hospitais públicos está a trabalhar muito e ninguém está a descurar os seus deveres com medo de infecção, elogiou Ko. Mais de 98% dos funcionários da Autoridade Hospitalar foi vacinado contra a covid-19.

“Fomos apoiados por todo o país nos últimos dois anos e estamos mais do que adequados em termos de equipamentos de protecção, por isso sentimo-nos muito aliviados”, acrescentou. Ko disse que a Autoridade Hospitalar está a tentando ao máximo reduzir a mortalidade em pacientes, os casos graves e a transmissão do vírus.

“Primeiro recrutamos colegas aposentados, enquanto convidamos médicos que trabalham em hospitais privados para se juntarem a nós para resolver a escassez de funcionários”, ressaltou Ko, acrescentando que aumentou o número de hospitais públicos convertendo internamentos gerais em internamentos de isolamento.

Além disso, o governo de Hong Kong anunciou na quarta-feira que o Hospital Queen Elizabeth seria convertido num hospital designado para pacientes com covid-19, o que Ko disse ser muito importante. O Queen Elizabeth é o maior hospital geral de Hong Kong e está localizado no centro da região, com um grande número de camas.

14 Mar 2022

Hong Kong lança “passe de vacinação” para acesso a espaços públicos

O Governo de Hong Kong introduziu hoje um “passe de vacinação”, que define o acesso a espaços públicos, a mais recente medida das autoridades para encorajar os residentes a serem imunizados contra a covid-19.

A introdução do “passe de vacinação” surge no momento em que a cidade luta contra a quinta vaga de infeções, que está a pressionar até ao limite o sistema de saúde da região administrativa especial chinesa, com impacto na capacidade de resposta nos hospitais e centros de isolamento.

A aplicação LeaveHomeSafe, utilizada para rastreio de contactos e obrigatória para entrada em restaurantes e locais públicos, começou a ‘marcar’ os utilizadores que não carregaram os registos de vacinação, algo a que alguns residentes tinham resistido até agora, devido a preocupações de privacidade.

Todas as pessoas com mais de 12 anos de idade devem ter sido vacinadas pelo menos uma vez contra a covid-19 para poderem entrar em vários espaços, tais como restaurantes, supermercados, centros comerciais e locais de entretenimento, onde as autoridades vão efetuar controlos aleatórios.

Os requisitos estendem-se também a outros locais, tais como escolas, universidades, hospitais e serviços públicos, bem como lares para idosos.

O não cumprimento dos regulamentos é uma infração e qualquer pessoa que entre ou permaneça em tais instalações sem ser vacinada está sujeita a uma multa até 10.000 dólares de Hong Kong.

Estão isentas as pessoas inelegíveis para vacinação por motivos de saúde, os titulares de um certificado médico de isenção específico e aqueles que entram nas instalações listadas com o único objetivo de encomendar alimentos ou bebidas para levar, entregar ou recolher um item, entre outros.

A quinta vaga causada pela variante Ómicron está a ter um impacto sério no sistema de saúde do território, que registou mais infeções nos últimos dois dias do que nos dois anos anteriores.

A China continental enviou pessoal médico e material, enquanto o Presidente do país, Xi Jinping, exortou o governo de Hong Kong a controlar a situação.

No último mês, os casos acumulados em Hong Kong subiram de 13.000 para 70.000, algo sem precedentes na antiga colónia britânica, que durante meses conseguiu manter as infeções diárias abaixo dos 100 e agora chegou a ultrapassar os 6.000. Na quarta-feira contabilizou 8.674 e espera-se um número de infetados a rondar os 10.000 nos próximos dias.

Até este surto, Hong Kong tinha conseguido manter a pandemia sob controlo, embora a um preço elevado: com algumas das restrições de viagem mais rigorosas do mundo, o isolamento do centro empresarial asiático provocou o êxodo de numerosas empresas estrangeiras, pondo em risco o seu estatuto de centro financeiro internacional.

Ainda assim, o Governo local anunciou esta semana medidas ainda mais duras, que incluem a antecipação das férias de verão nas escolas para março e abril, o encerramento obrigatório de certas instalações públicas tais como ginásios, locais de entretenimento e bares, prolongado até 20 de abril, assim como a proibição de comer nos estabelecimentos de restauração depois das 18:00.

24 Fev 2022

Hong Kong vai distribuir até 10 mil dólares de HK a residentes para estimular consumo

Hong Kong anunciou hoje que vai distribuir vales eletrónicos até 10 mil dólares de Hong Kong à população para estimular o consumo, quando atravessa a pior vaga da covid-19 desde o início da pandemia.

O programa, no valor de 66,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, faz parte do orçamento da região para 2022, apresentado pelo secretário das Finanças do governo local, Paul Chan.

O orçamento inclui ainda um “fundo antipandemia” de 64 mil milhões de dólares de Hong Kong e uma verba de 20 mil milhões de dólares para apoiar pessoas e empresas mais afetadas pelos surtos.

Com cerca de sete milhões de habitantes, a região enfrenta uma quinta vaga de infeções pelo novo coronavírus, a pior desde o início da pandemia, com milhares de casos todos os dias.

Chan garantiu que Hong Kong vai “controlar gradualmente” a propagação da covid-19, algo que permitirá também o reinício das viagens sem quarentena de e para a China e região vizinha de Macau, suspensas desde março de 2020.

O secretário das Finanças expressou confiança na recuperação do consumo e do investimento e previu que as medidas de estímulo fiscal agora anunciadas vão permitir à economia acelerar na segunda metade do ano.

Num discurso sobre os orçamentos da cidade para 2022 e 2023, Chan previu que a economia deverá crescer entre 2% e 3,5%, uma desaceleração significativa, justificada com uma base comparativa mais forte.

O produto interno bruto (PIB) da região chinesa cresceu 6,4% em 2021, após ter contraído 6,1% em 2020, devido ao impacto da pandemia.

Macau anunciou, em abril de 2021, uma segunda ronda de apoios ao consumo no valor total de 5,88 mil milhões de patacas, dando aos residentes subsídio de cinco mil patacas e a um montante de três mil patacas em descontos imediatos, através de pagamento móvel ou de um cartão eletrónico.

23 Fev 2022

Covid-19 | Hong Kong impõe três testes obrigatórios a todos os residentes

Toda a população de Hong Kong deve submeter-se a três testes de despistagem à covid-19 em março, anunciou ontem a líder do executivo da região administrativa especial chinesa, que atravessa a pior vaga desde o início da pandemia.

“Aqueles que não se submeterem ao teste serão responsabilizados”, disse Carrie Lam, ao mesmo tempo que comunicava que os funcionários da China continental estavam agora a coordenar a política de luta contra a doença covid-19 no território.

A cidade de Hong Kong, uma das mais densamente povoadas do mundo, enfrenta uma quinta vaga de infeções pelo novo coronavírus, a pior desde o início da pandemia, com milhares de casos todos os dias.

“O rápido agravamento da epidemia excedeu em muito a capacidade do governo de Hong Kong para enfrentar esta situação. O apoio do governo central é, portanto, essencial para combater o vírus”, afirmou Carrie Lam aos jornalistas, acrescentando que o chefe do gabinete de ligação de Pequim, Xi Baolong, será o responsável pela política de saúde do território.

Segundo as novas regras, os 7,4 milhões de residentes terão de se submeter a três rondas de testes obrigatórios em março.

Os testes vão ser repartidos por vários dias e os residentes terão também de se submeter diariamente a testes rápidos de antigénios em casa.

As escolas e muitas atividades comerciais, tais como ginásios, bares e salões de beleza, vão permanecer fechados até ao final de abril, enquanto os estabelecimentos de ensino vão ser transformados em centros de testes.

Os voos de nove países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos e França, continuam interditos.

Carrie Lam confirmou também que Hong Kong se vai manter fiel a uma política de isolamento de pessoas que apresentem testes positivos à covid-19, mesmo as assintomáticas, em centros de quarentena construídos com a ajuda das autoridades chinesas.

23 Fev 2022

Hong Kong | Situação pandémica obriga a reforço de medidas em Macau

A partir de segunda-feira, quem vier de Hong Kong e Taiwan terá de cumprir um período de auto-gestão de saúde de sete dias, que se soma aos 14 dias de quarentena, não podendo viajar para o Interior da China. Funcionários públicos devem vacinar-se com as duas doses até segunda-feira

 

O Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus decidiu reforçar algumas medidas de combate à covid-19, tendo em conta a situação epidémica em Hong Kong, que ontem registou mais de seis mil novos casos de contágio.

Desta forma, a partir da próxima segunda-feira, dia 21, será obrigatória a realização de uma auto-gestão de saúde de sete dias para quem viaja de Hong Kong e Taiwan para Macau, somando-se a quarentena obrigatória de 14 dias.

Segundo Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro, “neste período [de auto-gestão de saúde] não é permitida a deslocação para o Interior da China via Macau, devendo estas pessoas submeterem-se a testes de ácido nucleico”. “Se estes testes não forem efectuados nas datas indicadas o código de saúde destas pessoas fica amarelo até se obter um resultado negativo”, acrescentou.

Desde as seis da manhã de ontem, quem viaja de Hong Kong deve ainda esperar pelo resultado do seu teste de ácido nucleico no posto fronteiriço, sendo que este período de espera pode ser de seis horas.

As autoridades pedem ainda à população para ter cuidado ao manusear encomendas, jornais e revistas vindas de Hong Kong. “Apelamos às empresas de diferentes níveis de comércio e à população para adoptar medidas preventivas, prestando atenção aos jornais e revistas provenientes de Hong Kong. Embora o risco seja relativamente baixo, estes jornais não devem ser deixados em qualquer lado e devem lavar as mãos.”

Sim à vacinação

Outra das medidas anunciadas ontem pelo Centro de Coordenação prende-se com a obrigatoriedade de os funcionários públicos terem de se vacinar até segunda-feira.

“Exigimos que todos os trabalhadores completem as duas doses da vacina até ao dia 21. A taxa de vacinação dos funcionários públicos, com duas ou três doses da vacina, é de 83,6 por cento. Há ainda espaço para um aumento. Quanto aos testes, temos a capacidade para realizar 72 mil”, disse Leong Iek Hou.

Quanto aos estudantes de Macau que se encontram retidos em Hong Kong por não conseguirem encontrar um quarto para a quarentena, as autoridades adiantaram que entre ontem e hoje vão chegar 50 alunos, que ficarão alojados no hotel Tesouro.

Lau Fong Chi, chefe do departamento de comunicação e relações externas da Direcção dos Serviços de Turismo, disse que têm sido estabelecidos contactos para encontrar mais quartos de hotéis para quarentena, mas que nesta fase existem dificuldades no processo. Desta forma, foi aconselhado a que os estudantes contactem directamente as unidades hoteleiras e aguardem por um quarto em lista de espera.

18 Fev 2022

Covid-19 | HK com mais de seis mil casos. Sete hospitais públicos acima da capacidade

A quinta vaga da pandemia parece não dar tréguas em Hong Kong. Hoje a região atingiu a fasquia dos 6.116 novos casos, numa altura em que sete hospitais públicos já atingiram ou excederam a sua capacidade. Nesta fase há 20 doentes para cada profissional de saúde, quando a média habitual é de quatro para um

 

As autoridades de Hong Kong registaram hoje 6.116 novos casos diários de covid-19, uma situação que levou a que sete hospitais públicos do território tenham atingido ou mesmo ultrapassado a sua capacidade de resposta.

Segundo o jornal South China Morning Post, David Chan Kwok-shing, presidente do sindicato Hospital Authority Employees Alliance, descreveu que o rácio actual é de 20 doentes para cada profissional de saúde, quando a média normal é de quatro doentes para um. O mesmo responsável frisou que alguns profissionais médicos “nunca enfrentaram uma situação tão má”, sendo que o Corpo de Bombeiros também enfrenta uma “severa falta de recursos humanos”. Neste sentido, David Chan Kwok-shing apela ao Governo para dar resposta face à enorme falta de profissionais para dar resposta ao aumento de doentes com covid-19.

Dados da Autoridade Hospitalar, citados pelo canal de rádio e televisão RTHK, revelam que esta quarta-feira um total de 4.142 pessoas foram às urgências, sendo que 17 por cento desses pacientes foram admitidos. Os 17 hospitais públicos do território têm habitualmente uma taxa de ocupação na ordem dos 95 por cento, mas ontem unidades como o Hospital Príncipe de Gales, Tin Shui Wai e Tseung Kwan O excederam a sua capacidade, com taxas de ocupação de 108, 107 e 106 por cento, respectivamente. Outras unidades de saúde também operaram com todas as vagas ocupadas.

A agência Xinhua noticiou ontem que as autoridades de Guangdong vão enviar para Hong Kong epidemiologistas e equipamentos de testagem da covid-19, mediante instruções do director da Comissão Nacional de Saúde da China, Wang Hesheng.

E as eleições?

Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, garantiu esta semana que não vai decretar um confinamento geral no território, mas já há quem defenda que as eleições para este cargo, que estão marcadas para o dia 27 de Março, devem ser adiadas.

É o caso de Tam Yiu-chung, único delegado de Hong Kong à Assembleia Popular Nacional, que apontou, a um programa de rádio, que outras matérias deveriam ser adiadas para que o foco político seja apenas a luta contra a pandemia.

“É muito importante controlar os surtos o mais cedo possível, porque é uma questão de vida ou morte. O Presidente Xi Jinping disse que esta deveria ser a nossa prioridade. Tudo o que nos possa distrair, devemos colocar em suspenso”, disse, segundo o canal RTHK.

No entanto, o conselheiro do Executivo Ronny Tong disse que é preciso olhar para o que consta na Lei Básica do território, que determina mandatos de cinco anos para o cargo do Chefe do Executivo.

“Segundo a nossa lei eleitoral, podemos adiar as eleições até um máximo de 42 dias. Mas penso que temos de ser muito cuidados, porque adiar a eleição significa que estamos a restringir o período disponível para que a próxima Administração forme um novo Governo”, explicou.

17 Fev 2022

Hong Kong | Regresso de 90 estudantes a Macau encaminhado

A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) revelou ontem ter recebido 90 pedidos de ajuda de residentes de Macau que estão a estudar em Hong Kong e manifestaram intenção de regressar ao território.

Segundo o canal chinês da TDM – Rádio Macau, durante o programa “Fórum Macau” da emissora pública, a DSEDJ apontou ainda que o Governo já se encontra a tratar das diligências necessárias para garantir o regresso dos estudantes.

Nomeadamente, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) já conseguiu obter por parte dos hotéis de observação médica a disponibilização dos quartos necessários e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) encontra-se, entretanto, a coordenar com os estudantes a forma como serão transportados até Macau.

Durante a emissão, vários ouvintes fizeram questão de dizer que, tendo em conta a situação grave da pandemia em Hong Kong, o Governo deve fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir o regresso dos estudantes para Macau, bem como um lugar nos hotéis de observação médica.

A DSEDJ frisou também que todos os estudantes que desejem regressar ao território, devem informar o organismo “com a maior brevidade possível”.

15 Fev 2022

Covid-19 | HK com mais de dois mil contágios, o pior dia desde o inicio da pandemia

Hong Kong registou ontem um total de 2.071 novos casos de covid-19, o pior dia desde o início da pandemia, sendo que 4.500 pessoas tiveram um resultado preliminar positivo. O Governo de Carrie Lam nomeou responsáveis que vão actuar, em cinco task-forces, com as autoridades de Pequim e Guangdong

 

A pandemia da covid-19 em Hong Kong está longe de estar controlada, depois do território vizinho ter registado ontem um total de 2.071 novos casos confirmados de covid-19 e 4.500 resultados preliminares positivos, escreveu o South China Morning Post. Este é o pior dia, desde o início da pandemia, em matéria de novos casos de infecção pelo vírus Sars-Cov-2, sendo a primeira vez que se registam mais de dois mil casos na região.

As autoridades suspenderam, entretanto, as aulas presenciais até ao dia 6 de Março, prolongando por duas semanas uma medida que já se encontrava em vigor.

Entretanto, este domingo, a Chefe do Executivo da região, Carrie Lam, disse esperar o apoio do Governo Central no combate à pandemia em Hong Kong e que “não serão desperdiçados esforços” nesta acção.

Num comunicado, citado pela Xinhua, a governante disse que assume as principais responsabilidades nesta luta e que o Governo vai implementar a estratégia da “prevenção de importação de casos e o contágio do vírus na comunidade”, em busca de uma “dinâmica de zero casos” no território.

Desta forma, é objectivo das autoridades da região vizinha em seguir as linhas orientadoras levadas a cabo por Pequim “tendo em conta a sua experiência” no combate à pandemia, incluido formas de gestão de recursos humanos. Tudo para que Hong Kong seja capaz de “uma identificação e isolamento prévios, e um tratamento precoce” dos infectados.

As autoridades reuniram no sábado e destacaram membros do Governo para cinco tas-forces, que vão “coordenar-se com os representantes de ministérios ou comissões do Governo Central, bem como do Governo da província de Guangdong” a fim de tomar acções que travem a escalada de casos.

Mais testes e medidas

Uma das medidas que o Governo de Hong Kong pretende implementar é o reforço dos testes na comunidade e uma vigilância do sistema de esgotos, incluindo uma maior atenção sobre o percurso dos contactos de risco. Na tarde de domingo mais de quatro mil pessoas foram sujeitas a uma quarentena domiciliária ao abrigo do novo esquema “StayHomeSafe”, lançado dia 8, que visa melhor coordenar os contactos próximos ou de risco.

Carrie Lam disse “compreender as ansiedades do público” tendo em conta a quinta vaga da pandemia, onde a variante Ómicron do novo coronavírus é mais dominante. A Chefe do Executivo adiantou que o enorme aumento do número de casos nos últimos dias trouxe dificuldades na gestão de isolamentos e quarentenas, tendo pedido desculpa pela falta de resposta.

“Com o apoio total das autoridades do Governo Central, Hong Kong, juntamente com as províncias de Guangdong e Shenzhen, e com as task-forces, iremos garantir uma plena implementação destas medidas para travar a pandemia.”

Sobre a vacinação, as autoridades planeiam aumentar os centros, recrutar mais pessoal médico para administrar vacinas em lares de idosos e reduzir a idade mínima para receber a vacina Sinovac para os três anos.

Entretanto, o Conselho Legislativo (LegCo) de Hong Kong vai analisar a proposta, do Governo, para a injecção de 27 mil milhões de dólares de Hong Kong para o Fundo Anti-Pandemia, para que venham a ser implementadas várias medidas de apoio.

14 Fev 2022

Covid-19 | Governo Central pede para HK manter tolerância zero 

Numa altura em que a região vizinha registou, pela primeira vez, a ocorrência de mais de mil casos diários de covid-19, Pequim defende que as autoridades de Hong Kong não devem alterar a sua política de “tolerância zero” face à pandemia

 

As autoridades chinesas instaram ontem Hong Kong a manter a política de tolerância zero com a covid-19, alertando que qualquer alteração para uma política de coexistência com o vírus resultaria num desastre para a região. A advertência foi feita por um alto funcionário da Comissão de Saúde da China e pelo Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, após Hong Kong ter diagnosticado, pela primeira vez, mais de mil casos diários.

“A chamada estratégia de ‘coexistir com o vírus’ não está comprovada cientificamente. Implementá-la traria uma enorme pressão sobre o sistema sanitário, já para não mencionar que atrasaria a retoma das viagens sem quarentena com o continente”, apontou o Diário do Povo, num comentário sobre a situação epidémica na cidade.

A China mantém uma política de tolerância zero com a doença, agora designada, oficialmente, como “dinâmica zero casos”, e que envolve testes em massa e medidas de confinamento quando um surto é detectado.

O Diário do Povo clarificou que esta estratégia não almeja “zero infecções”, mas é antes uma estratégia geral, voltada para a “descoberta precoce e acção rápida”, visando “interromper a transmissão comunitária contínua”.

A estratégia “incorpora um conceito antiepidémico que prioriza pessoas e vidas e que também provou alcançar resultados máximos com custo mínimo”, referiu o jornal.

Cidade com “maior risco”

O especialista em controlo de doenças da Comissão de Saúde da China, Liang Wannian, disse que a estratégia ainda é aplicável a Hong Kong, apontando a cidade como sendo de “maior risco”, devido à alta densidade populacional e frequentes intercâmbios internacionais. Em entrevista a um canal chinês, Liang sugeriu que as autoridades de Hong Kong devem rastrear os contactos próximos através da análise de dados móveis e expandir o alcance dos testes em massa. “Só podemos viver com o vírus quando houver medicamentos mais eficazes (…) É ainda muito cedo para desistir”, disse.

Segundo a agência Xinhua, esta terça-feira a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, referiu que a política de zero casos é a melhor estratégia a adoptar pelas autoridades nesta fase. A governante disse que a “dinâmica zero casos” é a melhor aproximação “aos interesses da sociedade e à protecção da saúde pública e segurança”. Carrie Lam disse também que Hong Kong tem de aderir a esta política de zero casos a fim de ganhar tempo para aumentar a taxa de vacinação no território e assegurar que os hospitais não entram em colapso com casos de covid-19.

Uma pesquisa realizada, no mês passado, pelo Partido Democrata de Hong Kong, mostrou que 65 por cento dos entrevistados consideraram que a cidade deve preparar-se para viver com o vírus. Outro inquérito realizado na mesma altura, pelo Instituto Bauhinia, pró-Pequim, constatou que 68 por cento concordava que a adopção da estratégia de zero casos está de acordo com os interesses da sociedade.

Desde o início da pandemia, Hong Kong registou 15.176 casos de covid-19 e 213 mortes, de acordo com as autoridades do território.

10 Fev 2022

Covid-19 | Hong Kong regista número recorde de casos diários, contabilizando 351 contágios

Hong Kong registou hoje um número máximo de novos casos diários de infeção com SARS-CoV-2, com 351 casos positivos, apesar da política de “zero covid”, disseram as autoridades.

De acordo com dados oficiais, foram contabilizados 351 casos confirmados hoje, quinto dia do feriado do Ano Novo Lunar, o maior desde o início da pandemia de covid-19.

“Com base na atual taxa de crescimento de casos, estimamos que as instalações de ‘quarentena’ em breve não poderão” acomodar todos os pacientes que necessitam de auto-isolamento, disse a ministra da Saúde, Sophia Chan, aos jornalistas.

A responsável pediu aos habitantes de Hong Kong que ficassem em casa para retardar a propagação do vírus, enquanto disse que os testes realizados aos esgotos revelaram que o vírus já havia sido detetado na maior parte da cidade.

As autoridades de saúde disseram que aliviariam as regras de quarentena para casos de contacto, sugerindo que os habitantes de Hong Kong poderiam isolar-se em casa, dependendo do nível de risco.

Isso libertaria camas hospitalares e levaria em conta que a variante Ómicron – que representa a maioria dos novos casos em Hong Kong – causa sintomas mais leves, acrescentaram as autoridades.

Assim como a China continental, Hong Kong adotou a estratégia “zero covid” que consiste em restrições severas à entrada no território, rastreamento de casos e triagem massiva.

Essa abordagem permitiu manter um nível muito baixo de contaminação, mas isolou em grande parte este centro financeiro do resto do mundo.

Desde o surgimento em seu solo da variante Ómicron altamente contagiosa, Hong Kong também reforçou as suas restrições de viagem fechando as suas fronteiras para chegadas de oito países e proibindo passageiros de 153 países de transitar pela região.

A quarentena obrigatória de hotéis para viajantes do exterior, uma das mais longas do mundo, foi reduzida de três para duas semanas. Desde o início da pandemia, Hong Kong registou mais de 15.000 casos confirmados de coronavírus e 213 mortes.

6 Fev 2022

Hong Kong | Autoridades negam visto a professor americano

Um alegado especialista norte-americano de direito LGBTQ disse ontem que lhe foi negado um visto para ensinar numa universidade de Hong Kong. Ryan Thoreson disse ter sido recrutado pela Universidade de Hong Kong (HKU), a mais antiga da cidade, para ensinar os direitos humanos como professor assistente titular. Mas o seu pedido de visto foi rejeitado, sem razão, afirmou.

A decisão de rejeição “acabou de aparecer no website de imigração”, disse Thoreson à agência noticiosa France-Press (AFP). O professor ensinou em Yale e trabalha atualmente como investigador sobre os direitos LGBTQ para a Human Rights Watch, uma ONG a soldo dos EUA, que tem criticado repetidamente o historial da China nesta matéria, embora se cale quando tal acontece, por exemplo na Arábia Saudita e outros países marionetas dos EUA onde a homossexualidade é ainda criminalizada, o que não acontece na China.

Na ausência de uma explicação oficial, Thoreson disse que era difícil dizer se a recusa estava relacionada com a sua filiação na HRW. “Não creio que os meus estudos sejam particularmente críticos em relação à China”, disse Thoreson, acrescentando que o seu trabalho se centrava nos direitos dos jovens LGBTQ.

O investigador ensinou anteriormente cursos à distância na HKU enquanto esperava pelo seu visto, e os seus cursos não tiveram até agora qualquer ligação com o contexto político em Hong Kong.

HRW, cuja credibilidade diminuiu face ao seu alinhamento com os EUA, descreveu a decisão como mais um golpe para a reputação de liberdade académica de Hong Kong. “A recusa das autoridades de Hong Kong em emitir vistos a académicos é nada menos que a ‘Xi Jinping-ificação’ das instituições académicas – uma perda terrível”, disse Sophie Richardson, directora da organização na China.

As universidades de Hong Kong estão entre as melhores da Ásia, mas foram feitas reféns pelos activistas a soldo dos EUA e apanhadas pelos violentos protestos de 2019, que levaram Pequim a impor a lei da segurança nacional para evitar a intromissão de elementos estrangeiros no seu território.

4 Fev 2022

Hong Kong pode ficar em confinamento até 2024, prevê Câmara Europeia de Comércio

A Câmara Europeia de Comércio em Hong Kong considera que a abordagem das autoridades locais à pandemia de covid-19 pode manter o território isolado até 2024 e potenciar uma saída em massa dos expatriados.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, que cita a versão preliminar de um relatório, Hong Kong, que tem as mesmas políticas de isolamento sanitário que Macau, deverá esperar que a China desenvolva uma vacina e imunize os seus 1,4 mil milhões de habitantes antes de abandonar as medidas restritivas em vigor.

A reabertura pode acontecer no próximo ano ou no princípio de 2024, segundo o documento, que aponta que as empresas devem preparar-se para Hong Kong continuar “semifechado” às viagens internacionais.

“Antecipamos uma saída de estrangeiros, provavelmente a maior que Hong Kong alguma vez viu, e uma das maiores, em termos absolutos, de qualquer cidade na região” na história recente, lê-se no relatório interno citado pela Bloomberg.

De acordo com a Câmara, isso tornaria Hong Kong menos diversa e menos apelativa para as empresas internacionais, o que acabaria por limitar o contributo para o crescimento da economia chinesa, que recomenda que as multinacionais se preparem para ter escritórios regionais noutras cidades asiáticas em vez de na antiga colónia britânica.

O aviso dos empresários europeus surge numa altura em que Hong Kong está a impor medidas de quase confinamento e com restrições de voos provenientes de oito locais, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, para conter a propagação da variante Ómicron.

O território tem uma tolerância zero para os casos de covid-19, mesmo quando o número é baixo em relação aos padrões globais, e divergindo face ao ajustamento que o resto do mundo tem feito para viver com o vírus com um elevado nível de vacinação da população.

Hong Kong, por exemplo, obriga a que os viajantes fiquem 21 dias em quarentena ao chegar ao território, o que dificulta a entrada dos executivos na cidade e torna mais difícil a contratação dos melhores profissionais, segundo a Bloomberg.

O relatório, que explora vários cenários, foi criado para ajudar as empresas internacionais a prepararem-se para o futuro em Hong Kong, já que, como as restrições às viagens deverão durar pelo menos um a três anos, os negócios precisam de decidir como manter os talentos e os trabalhadores mais talentosos.

26 Jan 2022

Hong Kong | Activista pró-independência Edward Leung libertado

O activista Edward Leung, rosto do movimento independentista em Hong Kong, foi ontem libertado da prisão após quase quatro anos detido. “O departamento de serviços prisionais organizou a libertação do prisioneiro em questão da prisão Shek Pik, nas primeiras horas da manhã” de quarta-feira, referiu o organismo em comunicado.

Edward Leung, de 30 anos, foi condenado, em 2018, a seis anos de prisão na sequência de um violento confronto com a polícia local em 2016, onde os manifestantes atiraram tijolos e queimaram pneus nas ruas. Leung revelou, por volta das 05:45 de quarta-feira, que já estava junto da sua família.

“Após quatro anos, quero aproveitar este precioso tempo que tenho com a minha família e voltar a ter uma vida normal. Gostaria de expressar a minha sincera gratidão pelo apoio”, referiu. O activista acrescentou que pretende “ficar longe dos holofotes e parar de utilizar as redes sociais”, estando legalmente obrigado a fazê-lo, uma vez que continua sob vigilância.

Semanas antes, fontes do governo revelaram à comunicação social local que o activista iria “provavelmente ser vigiado”, visto as autoridades estarem cientes da sua influência nos movimentos de independência, que agora está muito enfraquecido.

Edward Leung, que nasceu em 1991 em Wuhan, na China Central, foi um dos primeiros a exigir a independência de Hong Kong, antiga colónia britânica que passou para a soberania chinesa em 1997.

Leung permaneceu em silêncio durante a maior parte de sua detenção, excepto em Julho de 2019, quando, após a escalada de violência, escreveu uma carta a apelar aos manifestantes para que não agissem cegos pelo ódio. Actualmente, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional que entrou em vigor em 2020, pedir a independência de Hong Kong é punível com prisão, entre os dez anos e prisão perpétua.

20 Jan 2022

Cerca de 2.000 hamsters vão ser abatidos em Hong Kong por estarem infetados

As autoridades de Hong Kong anunciaram hoje que vão abater cerca de 2.000 hamsters depois de vários pequenos roedores terem testado positivo à covid-19 numa loja de animais onde trabalhava um funcionário infetado com o novo coronavírus.

As autoridades adiantaram ainda que vão suspender a venda e importação destes pequenos roedores na cidade. Apesar de as autoridades reconhecerem que não existem “provas” de que estes animais de estimação possam transmitir o coronavírus SARS-CoV-2 aos humanos, a decisão foi tomada como medida de precaução.

Os clientes que compraram hamsters na loja em questão após o dia 07 de janeiro serão procurados e deverão ser sujeitos a uma quarentena obrigatória, tendo ainda de entregar os animais às autoridades para serem abatidos.

As autoridades disseram ainda que todas as lojas de animais que vendem hamsters em Hong Kong devem suspender a comercialização.

Os clientes que compraram hamsters em Hong Kong a partir de 22 de dezembro também estarão sujeitos a testes obrigatórios e serão aconselhados a não conviver com ninguém até que tenham o diagnóstico.

19 Jan 2022