Governo afirma que não retirou filme “Digger” e cinema culpa distribuidora

O Governo de Macau garantiu à Lusa que não teve qualquer papel na retirada do novo filme do actor norte-americano Tom Cruise e a empresa dona dos cinemas onde “Digger” iria estrear culpou a distribuidora. A película do realizador mexicano Alejandro González Iñárritu estreou-se a nível mundial em 1 de Outubro, mas foi retirada à última hora dos cinemas das regiões chinesas de Macau e Hong Kong.

O Instituto Cultural (IC) de Macau, que detém a competência de aprovar e classificar todos os filmes exibidos ao público no território, negou qualquer intervenção no caso de “Digger”. Numa resposta escrita a questões da Lusa, o IC sublinhou que a Comissão de Classificação dos Espectáculos “não chegou a proceder à apreciação do pedido de classificação etária” deste filme.

“Digger” iria ser exibido nos cinemas do Galaxy Macau, mas não chegou a estrear e todas as referências à longa-metragem foram retiradas do portal do empreendimento na Internet. Mas a empresa Galaxy Entertainment, proprietária do Galaxy Macau, também rejeitou qualquer responsabilidade na retirada do filme do estúdio Warner Bros e apontou o dedo à distribuidora.

“Todos os procedimentos relacionados com o lançamento de filmes são definidos pelas distribuidoras, e não pela Galaxy Cinemas, que funciona como local de exibição”, sublinhou a empresa.

“Dúvidas específicas sobre a exibição de determinados filmes devem ser encaminhadas para as respectivas distribuidoras”, acrescentou a concessionária, numa resposta escrita a questões da Lusa.

Silêncio dos inocentes

Desde 2021 que a Universal Pictures é a distribuidora, nas duas regiões, dos filmes da Warner Bros, após este estúdio ter encerrado as operações em Hong Kong. A Lusa pediu esclarecimentos à subsidiária da Universal Pictures em Hong Kong e à empresa-mãe, nos Estados Unidos, mas não obteve qualquer resposta.

De acordo com a imprensa de Hong Kong, “Digger”, que deveria estrear-se em 01 de Outubro, Dia Nacional da China, foi retirado à última hora dos cinemas locais devido a “diálogo sensível”. A película inclui uma cena em que é sugerido um ataque nuclear contra o país e outra em que uma personagem descreve a população chinesa como “amarela” e um “cancro”.

23 Out 2026

Sands China | Receitas subiram 1,4% no terceiro trimestre

A Sands China teve receitas líquidas de 1,93 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, uma subida anual de 1,4 por cento e de 8,4 por cento face ao trimestre anterior. Apesar disso, os lucros líquidos caíram 30 por cento. O CEO da Las Vegas Sands descreveu os resultados como “aberrantes”

O terceiro trimestre deste ano foi estranho para a Sands China, de acordo com os resultados apresentados ontem à bolsa de valores de Hong Kong. A concessionária de jogo teve em simultâneo uma quebra anual de 29,8 por cento dos lucros líquidos, em termos anuais, que se fixaram em 191 milhões de dólares, e uma subida homóloga de 1,4 por cento das receitas líquidas, no período em análise, para 1,93 mil milhões de dólares.

Nos primeiros nove meses de 2026, a receita líquida da operadora subiu 7,8 por cento face ao mesmo período do ano passado, chegando aos 5,81 mil milhões de dólares. Ainda assim, a Sands sofreu uma queda de 14 por cento no lucro líquido nos primeiros nove meses do ano para 592 milhões de dólares.

Numa conferência de imprensa sobre os resultados da empresa mãe, a Las Vegas Sands, o director executivo Patrick Dumont realçou o quão atípico foi o período entre Julho e Setembro. “Um trimestre como este, acredito que isto foi uma aberração. Algumas pessoas não apareceram, mas as boas notícias é que elas andam por aí, algures. Fizemos muitos progressos em áreas em que queríamos melhorar, criando melhores experiências para os nossos clientes, mas quando os clientes não aparecem, isso é um bocado problemático”, afirmou o responsável.

Patrick Dumont enumerou a incerteza macroeconómica na Ásia, e também a nível global, e o Campeonato do Mundo de Futebol (que se estendeu até meados de Julho), como possíveis razões para performance no trimestre em análise em Macau e Singapura.

Visão do Cotai

Indo por partes, as receitas líquidas do The Londoner Macao no terceiro trimestre deste ano chegaram aos 685 milhões de dólares, resultado que representou uma quebra anual ligeira de 0,1 por cento. Quanto aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês), o Londoner registou uma quebra anual de 18,7 por cento para 178 milhões de dólares.

Do outro lado da Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, o The Venetian Macao apurou 649 milhões de dólares no trimestre em análise, menos 6,2 por cento em termos homólogos. No que respeita ao desempenho operacional global, o The Venetian Macao alcançou um EBITDA de 205 milhões de dólares, menos 15,3 por cento em relação aos 242 milhões de dólares anteriores.

23 Out 2026

PJ | Inspector suspenso por conduzir embriagado

A Polícia Judiciária (PJ) aplicou a pena disciplinar de suspensão de funções a um investigador criminal condenado em tribunal pela prática do crime de condução em estado de embriaguez, de acordo com um despacho do secretário para a Segurança.

O caso remonta à madrugada de 25 de Julho do ano passado, quando o Corpo de Polícia de Segurança Pública recebeu uma queixa de um cidadão, por volta das 05h, de que estaria um veículo estacionado ilegalmente na Rua Nova da Areia Preta. Os agentes policiais deslocaram-se ao local e encontraram um veículo ligeiro com o motor ligado, estacionado na faixa de rodagem, com um homem a dormir no lugar do condutor. O indivíduo, investigador criminal da PJ, que se encontrava de folga, fez o teste do balão e acusou uma taxa de alcoolemia superior à legalmente permitida.

No início de Dezembro do ano passado, o inspector foi condenado pela prática do crime de condução em estado de embriaguez a pena de prisão de quatro meses, suspensa por dois anos, e inibição de condução por 1 ano e 4 meses.

O caso levou a direcção da PJ a reforçar a supervisão interna, a gestão e a sensibilização para aumentar a consciencialização sobre o cumprimento da lei, de modo a evitar a ocorrência de casos semelhantes.

23 Out 2026

Mundo Hispânico | Proximidade cultural facilita negócios com Macau

Os empresários dos países de língua castelhana acreditam que a proximidade de Macau com Portugal pode ajudá-los a entrar no mercado do Interior e a promover mais trocas comerciais

Empresários e representantes defendem que a proximidade cultural de Macau com os países de língua espanhola facilita a aproximação ao mercado chinês, numa altura em que a estratégia do território foi alargada ao mundo hispânico.

Há cerca de 20 anos que Borja Sanchez acompanha o que se passa em Macau. O empresário, nascido em Barcelona mas com raízes na Galiza, chegou em 2006 a Hong Kong para promover a gastronomia espanhola nas duas regiões e, após sete anos, co-fundou a empresa Los Ibéricos, dedicada à importação e distribuição de produtos alimentares espanhóis.

Do outro lado do rio das Pérolas, o empresário foi assistindo às sucessivas políticas de diversificação económica de Macau e acredita que a decisão de servir de ponte entre a China e os países de língua espanhola “é uma evolução lógica”.

“O Governo chinês compreendeu que somos um bloco cultural distinto. Penso que compreendem muito bem, graças a Macau, o mundo dos países de língua portuguesa. E é uma consequência lógica e natural”, notou, em declarações à Lusa no primeiro dia da 31.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF).

A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com o universo lusófono em 2003, ano em que criou o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Mais de duas décadas depois, o desígnio foi alargado aos países de língua espanhola.

Se a nova visão para Macau se vai concretizar ou não, Sanchez diz que “depende da vontade”. “O que ocorre muitas vezes com as iniciativas do Governo de Macau, na minha opinião, é que são em teoria muito interessantes, mas acabam em nada”.

“Macau tem todos os recursos para os canalizar nesse sentido. Tem infra-estruturas, orçamento, tem a necessidade de diversificar a economia e acho que o pode fazer, se quiser”, reforçou, sublinhando a oferta hoteleira, de restauração e a forte presença da cultura portuguesa no território.

Aqui tão perto

A ideia da proximidade cultural é partilhada pelo cônsul-geral de Espanha em Hong Kong e Macau, para quem esta estratégia representa para Madrid “uma oportunidade para ampliar tanto o comércio como o investimento em Macau e de Macau” para outras geografias.

“[Macau] é também um local próximo da história, da língua e da cultura espanhola, portuguesa e ibérica. Por isso, é sempre um lugar muito acolhedor para fazer negócios”, notou Jesús Gracia Aldaz.

O diplomata destacou ainda a “aproximação entre Espanha e China nos últimos anos”. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou a China quatro vezes nos últimos quatro anos, e os reis de Espanha deslocaram-se no final de 2025 ao país asiático.

Actualmente, vivem cerca de 4.500 espanhóis na China e, de acordo com o diplomata, em Hong Kong residem dois mil e em Macau à volta de 500.

Miguel Latorre, um dos directores da Câmara de Comércio Espanhola em Hong Kong, chegou à região em 2023 e considera que o alargamento oferece aos empresários espanhóis algo difícil de encontrar noutras cidades da região. “Os espanhóis, portugueses, somos irmãos”, afirmou, recordando que se sentiu num “terreno familiar” quando visitou Macau pela primeira vez. Essa proximidade gera confiança e tranquilidade para empresários hispanófonos, defende.

“Vemos isto como uma ponte perfeita entre a China, Hong Kong e o ecossistema que se criou na Grande Baía (…) consideramos esta expansão um sinal muito positivo”, notou.

Para Victor Herrera, gestor da consultora CW CPA — firma de Hong Kong focada no apoio a empresas da América Latina interessadas em entrar na Ásia —, a inclusão dos países de língua espanhola por Macau “é muito importante”.

Ao chegar a Hong Kong, onde se fala sobretudo cantonês e inglês, falta “um músculo” para promover negócios focados especificamente na região que fala espanhol, pelo que a intenção de Macau promover estas actividades “seria perfeita”, referiu.

O responsável mexicano enumerou as duas maiores dificuldades da entrada dos empresários dos países de língua espanhola na China: a língua, embora amenizada agora com o desenvolvimento de novas tecnologias de tradução, e a falta de conhecimento legal.

23 Out 2026

Turismo | Macau foi o segundo destino mais popular na China

No terceiro trimestre do ano, Macau foi o segundo destino turístico mais popular para os cidadãos do Interior, de acordo com a informação divulgada na terça-feira pela Administração Nacional de Imigração. Em termos de popularidade, a RAEM foi apenas ultrapassada por Hong Kong.

Entre Julho e Setembro, os cidadãos do Interior realizaram 48,51 milhões de viagens, o que representou um aumento de 7,5 por cento face ao período homólogo. No entanto, a informação oficial não especifica o número de viagens para cada destino.

Fora do país, a Coreia do Sul foi o destino mais popular, seguida pelo Vietname, Tailândia, Japão, Singapura, Malásia, Rússia e Indonésia. Até ao final de Agosto, Macau recebeu 28,96 milhões de visitantes, um aumento de 7,7 por cento em comparação com o período homólogo. Os turistas do Interior foram responsáveis por 21,55 milhões, o que representa 74,4 por cento do total.

22 Out 2026

Ruído | Pedida mais eficácia no tratamento das queixas

O deputado ligado à comunidade de Fujian, Nick Lei, defende um regime que facilite a recolha de provas nos casos de excesso de ruído e alerta que em média, a cada hora, há pelo menos uma queixa

O deputado Nick Lei defende que o Governo tem de melhorar a eficácia do mecanismo de queixas sobre ruído, principalmente no que diz respeito à recolha de provas. A posição consta de uma interpelação escrita do legislador ligado à comunidade de Fujian.

Nick Lei aponta, de acordo com os dados oficiais, que no ano passado, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) registou 10.182 queixas sobre ruído. Este número representou uma queda anual de 372 queixas face às 10.554 de 2024, mas o legislador destaca que continua a ser registada uma queixa a cada hora.

Além disso, Lei apontou que entre as 10.182 denúncias, apenas em 117 casos foi possível identificar os infractores e multá-los, o que significa uma proporção de 1,1 por cento de todas as queixas.

Por isso, Lei entende que é necessário facilitar a recolha de provas sobre a existência de ruído para lidar com o impacto na vida dos residentes: “A região vizinha [Hong Kong] introduziu tecnologias para ajudar na execução da lei e no tratamento das queixas, com ferramentas para localizar o ruído de alta frequência vindo de origem desconhecida ou de forma irregular”, aponta. “O Governo pode seguir estas experiências […] e estudar a introdução das tecnologias e ferramentas para resolver as dificuldades de recolha de provas?”, questiona.

Desde 2020, Hong Kong passou a utilizar câmaras acústicas para os agentes do Departamento de Protecção Ambiental investigarem a origem do ruído. Estes equipamentos recolhem som e imagem e conseguem identificar a origem do som.

Apesar desta sugestão, Lei reconhece que identificar a origem do ruído é um grande desafio, porque, muitas vezes, tratam-se de fenómenos repentinos e aleatórios com origem em residências ou lojas.

Revisão da lei

Além de pedir ao Governo que facilite a recolha de provas, Nick Lei espera igualmente uma apresentação de um calendário para a revisão da lei porque “há muitas vozes na sociedade a pedir a revisão”.

O deputado recorda que no passado o Executivo recusou fazer a revisão, por indicar que é necessário haver um consenso social e um equilíbrio entre as rotinas diárias dos residentes e as suas actividades. Contudo, o membro da Assembleia Legislativa considera que estão reunidas as condições para avançar com a revisão.

No documento, Nick Lei sugere que o Governo dê formação sobre mediação do ruído aos administradores de condomínios, para que estes possam intervir e pedir o respeito pelos limites do volume do som, quando identificarem potenciais casos de infracção.

22 Out 2026

Hospital São Januário | Sessão de esclarecimento sobre pneumonia russa

Os Serviços de Saúde organizaram no Centro Hospitalar Conde de São Januário uma “sessão de esclarecimento sobre a vigilância e a resposta à pneumonia de causa desconhecida”, que foi detectada na Rússia, para profissionais de saúde da linha da frente.

As autoridades vincam que, “de acordo com as informações da Organização Mundial da Saúde, as autoridades russas ainda não confirmaram qualquer caso de peste bubónica e as informações disponíveis não permitem, por ora, uma conclusão definitiva, mantendo-se o caso envolto em incerteza”.

Assim sendo, Macau irá actuar “em observância do princípio de prevenção prudente e a fim de reforçar a capacidade de resposta dos profissionais de saúde da linha da frente perante emergências de saúde pública”.

Os representantes do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Serviços de Saúde apresentaram a situação actual da pneumonia de causa desconhecida na Rússia, assim como indicações diagnósticas, procedimentos de notificação e de envio de amostras para análise, triagem e o controlo de infecção, para que “os profissionais de saúde da linha da frente identifiquem precocemente os casos suspeitos e os notifiquem de imediato”.

22 Out 2026

Porto Interior | Mais 4,5 toneladas de gordura retiradas de esgotos

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) removeu recentemente mais de 4.500 quilos de resíduos de gordura sólida da rede de drenagem do Travessa dos Becos e das áreas envolventes e instalou equipamentos temporários de recolha de óleos alimentares usados na Rua de Camilo Pessanha e no Travessa dos Becos.

Numa resposta enviada ao canal chinês da Rádio Macau, a DSOP indicou que “a quantidade alarmante de gordura reflecte que o escoamento de águas residuais com gordura do sector da restauração adere facilmente aos tubos, formando blocos de gordura que causam obstruções graves e afectam a drenagem”.

A remoção de gordura, feita em colaboração com o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) é uma situação recorrente. Em meados de Julho, a DSOP removeu 1.500 quilos de gordura da rede de drenagem num quarteirão entre a Rua dos Mercadores e a Rua da Madeira.

Entre Janeiro e Setembro, a DSOP, em conjunto com o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), realizou mais de 760 inspecções aos separadores de gordura de estabelecimentos de restauração e oficinas de processamento, que resultaram em 76 autos de notícia.

Apesar de ser um problema constante, a DSOP garante que vai continuar a combater a descarga ilegal gordura para as redes de drenagem e esgotos.

22 Out 2026

UM | Quase 30 pessoas adoecem em jantar de colégio

Num jantar do Colégio Memorial Moon Chun da Universidade de Macau, em que participaram cerca de 200 pessoas, 28 adoeceram com gastroenterite e foi detectada salmonela num doente. O jantar foi serviço pela cozinha central do Lisboeta Macau

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) foi notificado pelo Serviços de Saúde relativamente a um caso suspeito de gastroenterite colectiva, envolvendo um total de 28 pessoas que participaram num jantar no Colégio Memorial Moon Chun da Universidade de Macau.

Segundo a investigação epidemiológica das autoridades de saúde, os pacientes apresentaram sintomas como febre, dores abdominais, diarreia e vómitos após a refeição, “tendo sido detectada salmonela na amostra de fezes de um dos doentes”, indicou ontem o IAM em comunicado.

Durante o jantar, em que participaram cerca de 200 pessoas, foram servidas refeições preparadas pela cozinha central do Lisboeta Macau. Como tal, o IAM destacou pessoal para o Lisboeta Macau para fazer uma investigação sanitária, recolhendo amostras de alimentos e do ambiente para análise laboratorial e examinando o processo de manuseamento dos alimentos.

Segundo o IAM, as refeições servidas incluíram filetes de garoupa fritos, frango assado, cheesecake de citrinos, salada de salmão fumado com quinoa, milho e ovo, entre outros alimentos. “Com base no registo de consumo, período de incubação e sintomas, é bastante provável que o incidente tenha sido provocado por agentes patogénicos bacterianos”, foi acrescentado.

O pão nosso

O IAM garantiu que vai continuar a acompanhar e a investigar o incidente na Universidade de Macau, apelando às pessoas que jantaram no evento para procurarem assistência médica o mais rapidamente possível caso apresentam sintomas, e para contactarem a Linha Aberta de Segurança Alimentar do IAM.

As autoridades vincam que o sector da restauração deve cumprir os requisitos de higiene e segurança alimentar, gerir o stock com razoabilidade para evitar a “deterioração de alimentos por armazenamento prolongado, mantendo também os recibos de fornecimento e os registos de vendas”.

O alerta foi alargado aos consumidores, em especial os grupos de alto risco, como crianças, idosos, grávidas e pessoas com sistema imunitário mais frágil, para evitarem o consumo de alimentos crus ou mal cozinhados.

O HM analisou os dados partilhados pelos Serviços de Saúde desde o início do ano, até ao último caso reportado a 29 de Setembro, foram registados 21 casos colectivos de gastroenterite em escolas, lares e centros de recuperação, com a contabilidade de doentes a ascender a 191. O caso com o maior número de infecções aconteceu no início de Abril, na secção Primária da Escola Hou Kong (na Rua de Afonso de Albuquerque), com 46 alunos doentes.

22 Out 2026

IAM | Esplanadas abertas até às 22h

O horário de funcionamento das esplanadas no território passa a ser estendido até às 22h. Segundo um comunicado ontem divulgado pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a decisão foi tomada depois de ser tido em conta “o ambiente comunitário e de vida da população”.

O IAM explicou ainda que a extensão de horário está de acordo com a actual legislação sobre o ruído, beneficiando o ambiente de negócios e promovendo a economia nocturna.

O IAM voltou a aceitar candidaturas a esplanadas, tendo referido que, desde Agosto de 2025 e até esta terça-feira, dia 20, foram emitidas 58 novas licenças. Assim, o número total de licenças válidas aumentou mais de três vezes em comparação com o período antes do lançamento de novas licenças, foi explicado.

21 Out 2026

Bilhetes | Burlas causam prejuízos de 18.954 patacas

Entre sexta-feira e domingo, a Polícia Judiciária recebeu quatro queixas de burlas na compra online de bilhetes para concertos, com os prejuízos das vítimas a atingirem 18.954 patacas. A informação foi divulgada ontem pelas autoridades e citada pelo jornal Ou Mun.

Todas as vítimas são residentes do Interior, descritas pelas autoridades como jovens, e foram atraídas para o esquema através das redes sociais, onde responderam a publicações a prometer bilhetes para “concertos muito concorridos”. Após entrarem em contacto com o autor das publicações, os jovens concordaram realizar transferências bancárias que variaram entre 700 e 8.500 patacas.

No entanto, os bilhetes nunca foram entregues, e após reclamação das vítimas, os burlões pediram mais dinheiro com diferentes propósitos para “garantirem” a entrega ou bloquearam os contactos com os queixosos. O caso está em investigação e, até ontem, não tinham sido feitas detenções.

Jogo Ilegal | Dois detidos devido a apostas por telefone

A Polícia Judiciária anunciou a detenção de dois homens por suspeita de envolvimento em apostas por telefone num casino do Cotai. Segundo a informação divulgada ontem, um dos suspeitos era responsável por filmar secretamente as jogadas nas mesas de bacará, enquanto o outro actuava como vigia.

A situação foi descoberta pela PJ no domingo, na sequência de uma denúncia que levou à pronta detenção dos suspeitos. Além das detenções, foram apreendidas ferramentas utilizadas no crime, assim como 281.500 dólares de Hong Kong em fichas e numerário. Os dois homens detidos têm 43 e 50 anos, são do Interior e afirmaram estar desempregados.

A PJ indiciou os dois homens pelo crime de exploração ilícita de jogos de fortuna ou azar online ou jogos mútuos online, que prevê uma pena de prisão que pode chegar aos oito anos. O caso foi remetido para o Ministério Público.

21 Out 2026

Trânsito | DSAT não vai instalar semáforos com contagem

A Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) não planeia instalar temporizadores que fazem contagem decrescente em semáforos para peões nas zonas antigas da cidade, nem nos semáforos para veículos nas principais vias.

A posição foi tomada em resposta a uma interpelação escrita de Chan Lai Kei, que apontava para a desadequação de semáforos em travessias face ao “aumento acelerado da densidade populacional e do envelhecimento da sociedade em Macau, e ainda com o crescimento contínuo do número de visitantes”. O deputado ligado à comunidade de Fujian considera desadequadas as instalações de travessias, em particular nas zonas mais movimentadas, obrigando peões a atravessar a estrada por fases, esperando num espaço reduzido.

A DSAT refere que não tem planos para alterar a situação, referindo vagamente que “peões e condutores reagem de forma diferente à contagem decrescente”. Sobre a travessia de estradas, a DSAT salienta que desde 2019 foram optimizadas mais de 400 passadeiras, incluindo a instalação de “travessias pedonais omnidireccionais”.

21 Out 2026

Grande Baía | Dias mais quentes e mais chuvosos em 2025

No ano passado, em Macau, Hong Kong e na Grande Baía houve mais dias com temperaturas elevadas, com chuvadas fortes e mais tufões a atingirem terra. Estas são algumas conclusões de um estudo conjunto das duas regiões administrativas especiais e de Guangdong relativo a 2025

Um relatório anual realizado pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos da RAEM, o Observatório de Hong Kong e os Serviços Meteorológicos de Guangdong indica que no ano passado, a região teve mais dias de altas temperaturas, mais dias de chuva intensa e menos dias de névoa seca ou smog. No capítulo dos tufões, 2025 teve o primeiro tufão mais cedo e mais tempestades atingiram ou afectaram a região.

Em 2025, a temperatura média na Grande Baía foi de 23,1 graus, o que representou uma subida de 0,7 graus face ao número médio anual (estabelecido pelo padrão climático baseado em dados dos últimos anos).

Em relação ao número de dias de temperaturas elevadas, o relatório indica que no ano passado foram registados 26,5 dias, mais 7,1 dias face à média normal, com o apontamento de que Macau registou dois dias com temperaturas máximas diárias iguais ou superiores a 35 graus centígrados.

O relatório conjunto revela que a precipitação média na Grande Baía foi de 2.056,9 milímetros, volume que representou um crescimento de 7 por cento, em relação à média normal, enquanto no período de cheias, a precipitação média subiu 22 por cento face a 2024.

Além das chuvas, o ano passado foi também marcado pela maior frequência de trovoadas, sem, no entanto, haver registo de vítimas mortais, enquanto os dias com névoa seca ou smog caíram face a 2024.

Ventos e custos

O relatório conclui que em 2025, cerca de 2,83 milhões de pessoas foram afectadas por desastres meteorológicos na Grande Baía, incluindo duas mortes, que levaram ao colapso de 437 habitações e a perdas económicas directas de quase 16,4 mil milhões de yuan.

Ao longo do ano, 14 tufões atingiram a terra ou impactaram a Grande Baía, afectando quase 2,1 milhões de pessoas, danificando 26,8 mil hectares de cultivo. Tudo somado, os 14 tufões resultaram em perdas económicas directas de cerca de 9,9 mil milhões de yuan.

Em matéria de tufões, o estudo conjunto destaca dois recordes locais. O tufão Whipa levou à emissão do sinal 10 de tempestade mais precoce desde que há registos em Macau, ou seja, 1968. Cerca de dois meses depois, o Ragasa levou de novo as autoridades locais a emitir o sinal 10, também a primeira vez que Macau teve dois tufões que levaram à subida do maior sinal de tempestade no mesmo ano desde que há registos.

Além disso, o Ragasa também bateu o recorde de maior duração em sinal 10, que esteve içado durante 10 horas e meia.

21 Out 2026

Seaport antecipa que concessionárias viram lucro diminuir no terceiro trimestre

No terceiro trimestre do ano, os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) das concessionárias terão sofrido uma quebra de 10,6 por cento em termos anuais. A estimativa consta no relatório mais recente da Seaport Research Partners, que é citado pelo portal GGRAsia, e a tendência deverá prolongar-se até ao final do ano.

No documento, o analista Vitaly Umansky explica que a redução dos lucros no terceiro trimestre resulta da comparação face ao período homólogo. No entanto, entre o segundo e o terceiro trimestre a margem de lucro terá apresentado um aumento, tido como esperado devido a factores de sazonalidade.

A redução do lucro não deve ficar estancada no terceiro trimestre e o mesmo cenário é antecipado para os meses de Outubro até Dezembro. “Estima-se que o quarto trimestre traga contratempos contínuos, mas não tão graves como no terceiro trimestre, com as receitas brutas do jogo a recuarem cerca de 0,7 por cento em termos anuais e o EBITDA a cair 3,4 por cento”, previu Umansky.

A Seaport Research Partners aponta que no mercado actual, em que a expansão acontece a um ritmo lento, a competição entre as diferentes concessionárias passa a ganhar importância acrescida: “O ganho de quota de mercado, o controlo das despesas operacionais e a optimização das estratégias de comissões e do reinvestimento em jogadores são agora factores diferenciadores e muito mais importantes”, explicou.

Galaxy em altas

As receitas do jogo totalizaram 60,21 mil milhões de patacas no terceiro trimestre, uma redução anual de 3,8 por cento.

Em termos do desempenho das concessionárias, Vitaly Umansky apontou que Sands China e o Grupo Galaxy Entertainment terão apresentado maiores ganhos de quota de mercado, seguidas pela MGM China Holdings. Esta tendência significa que a Wynn Macau, a Melco Resorts & Entertainment e a SJM Holdings terão perdido espaço.

No entanto, em termos das receitas, o analista considera que só a Galaxy vai apresentar melhorias: “No terceiro trimestre em Macau, estimamos que apenas a Galaxy Entertainment mostre ganhos anuais de EBITDA operacional, com a MGM China amplamente estável e os restantes a apresentarem quedas em termos anuais”, apontou.

Texas Capital Securities | Melco é a concessionária menos “apetecível”

A corretora Texas Capital Securities deixou de aconselhar a compra de acções da concessionária Melco Resorts & Entertainment. A posição surge no relatório assinado pelo analista David Bain, e citado pelo portal GGRAsia.

Segundo a corretora, a modificação é justificada com as menores expectativas face ao crescimento das receitas do jogo, assim como o aumento da concorrência entre as concessionárias, que vai ter impacto nos lucros a curto prazo. David Bain revelou ainda que as previsões da corretora para os lucros declarados pela Melco Resorts no terceiro e quarto trimestres de 2026 ficaram “significativamente” abaixo do consenso do mercado.

21 Out 2026

Imobiliário | Preços com nova redução anual em Setembro

A diminuição dos preços foi acompanhada de um aumento ligeiro no número de transacções, com mais quatro compras e vendas. A comparação anual trimestral confirma também uma redução dos preços, acompanhada do aumento de transacções

Em Setembro deste ano, os preços da habitação apresentaram uma redução anual de cerca de 8,5 por cento, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). No nono mês deste ano, o preço médio do metro quadrado foi de 69.236 patacas, quando em igual período de 2025 tinha sido de 75.655, o que representa uma diferença de 6.419 patacas.

Em Setembro de 2025, o preço médio mais elevado do metro quadrado tinha sido registado na Taipa, com 80.454 patacas. Este ano, o valor diminuiu para 64.454 patacas por metro, uma diferença de 16.000 patacas, o que representa 19,89 por cento.

Coloane voltou a ser o local onde a habitação é mais cara, como normalmente acontece. E neste capítulo, os números mostram uma valorização de 13.883 patacas no valor do metro quadrado, de 72.180 patacas para 86.063 patacas. Este valor representa um aumento do preço de 19,23 por cento.

Em relação à Península de Macau, o metro quadrado desvalorizou 7,77 por cento, o equivalente a 5.758 patacas, de 74.127 patacas, em Setembro de 2025, para 68.369 patacas em Setembro deste ano.

Mais transacções

Os preços mais baixos reflectiram-se num aumento ligeiro do número de transacções, com mais quatro compras e vendas de habitação. Em Setembro de 2025, o mercado tinha registado 247 transacções, número que aumentou para 251 no mês mais recente, uma diferença de 1,62 por cento.

O mercado mais activo foi o da Península com um total de 183 compras e vendas, menos duas do que no período homólogo (185), uma diminuição de 1,08 por cento. Na Taipa, a redução do número de transacções foi mais acentuada, de 19,23 por cento, de 52 para 42 compras e vendas. A excepção aconteceu em Coloane, onde houve mais 16 transacções, um crescimento de 160 por cento, de 10 compras e vendas para 26.

A Península de Macau é o mercado dominante com uma quota de 72,91 por cento, seguida pela Taipa, 16,73 por cento e Coloane (10,36 por cento).

Números trimestrais

Em termos do terceiro trimestre do ano, verificou-se uma desvalorização média de 12,33 por cento nos preços por metro quadrado, que valiam 77.147 patacas no terceiro trimestre de 2025 e passaram a valer 67.634 patacas, no trimestre mais recente.

A queda dos preços levou a um crescimento de 4,14 por cento no número de compras e vendas de habitação em Macau, que aumentaram de 773 no terceiro trimestre de 2025 para 805 no trimestre mais recente. Este crescimento foi impulsionado por Coloane, onde o número de negócios mais do que duplicou, passando de 28 para 57 transacções. Na península registaram-se mais cinco transacções, que cresceram de 606 para 611, enquanto na Taipa houve uma redução, de 139 para 137 compras e vendas de habitação.

21 Out 2026

DSAL | Feira de emprego disponibiliza 1.600 vagas em Novembro

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) vão organizar uma feira de emprego a 6 e 7 de Novembro, no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau, em que serão disponibilizadas 1.600 vagas, em mais de 55 empresas locais e de Hengqin.

Os interessados podem fazer marcação online entre amanhã e o meio-dia de dia 5 de Novembro. O evento terá sessões de orientação profissional, aconselhamento de carreira e entrevistas de recrutamento presenciais.
A DSAL salienta que os trabalhos disponíveis são dos sectores do turismo e lazer, hotelaria, tecnologias de informação, serviços públicos, comércio a retalho e restauração.

“As categorias profissionais são diversificadas, incluindo postos de gerente de eventos MICE, subgerente de cibersegurança, director de operações culturais e artísticas, engenheiro electrotécnico, especialista em operações de novos media, empregado administrativo, guarda de segurança, motorista, cozinheiro e um elevado número de postos operacionais para a linha da frente e apoio logístico”, acrescenta a DSAL.

Em jeito de antecipação, realiza-se no dia 30 de Outubro, no Edifício da FAOM, na Rua da Ribeira do Patane, dois workshops “focados na redacção de currículos, simulação de entrevistas e normas de etiqueta e vestuário em entrevistas”.

21 Out 2026

Morreu Gary Ngai, antigo tradutor de Mao Zedong exilado em Macau

Gary Ngai Mei Cheong, antigo tradutor de Mao Zedong que se tornou vice-presidente do Instituto Cultural de Macau durante a administração portuguesa, morreu aos 94 anos. Gary Ngai morreu em Macau, em 7 de Outubro, e o funeral decorreu na terça-feira, na presença de familiares e amigos, avançou o canal em português da emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, na quinta-feira.

Nascido na Indonésia em 1932, Ngai tornou-se o primeiro membro da sua família de seis gerações de chineses ultramarinos a partir para a China, onde nunca havia estado.

Foi inserido num grupo de 80 alunos de escolas chinesas da Indonésia escolhidos para prosseguir estudos na China, o primeiro grupo de estudantes estrangeiros a chegar à nova China comunista. “Estávamos em Agosto de 1950, em pleno início da República Popular da China quando cheguei a Pequim”, recordou Ngai à Lusa, numa entrevista em 2016.

Depois de se graduar, em 1956, iniciou a carreira profissional no Departamento de Relações Internacionais do Partido Comunista da China. Esteve com Mao Zedong “poucas vezes, sobretudo quando líderes comunistas da Europa visitavam Pequim”, mas ficava “nervoso por estar muito perto”, porque “ele era, afinal, um líder”.

Com Deng Xiaoping a relação foi diferente: “Traduzia para ele e para os filhos os filmes de ‘cowboys’ a preto e branco que adoravam”. A relação era boa e a amizade continuou mesmo depois de Mao ter posto Deng de parte.

Gary Ngai começou a perceber que “algo estava a ficar errado”, no início de 1959, quando lhe foi negada autorização para se juntar a uma delegação que iria partir para Suíça. “Soube mais tarde que fui discriminado por ser um chinês ultramarino. Foi um amigo meu que trabalhava no gabinete que fazia a selecção que me disse que só foram escolhidos os que não tinham qualquer tipo de relação com o estrangeiro”, recordou.

Porto de abrigo

Seguiu-se uma perseguição no trabalho, buscas em casa, interrogatórios durante dias a fio pela suspeita de “conluio com estrangeiros contra a China”, e violência física e psicológica por parte dos próprios colegas de trabalho.

Com a Revolução Cultural (1966-76) em marcha, Ngai foi enviado para a província de Heilongjiang, perto da fronteira com a Rússia, notória pelos invernos rigorosos, com temperaturas que atingem os 36 graus negativos, sendo transferido depois para Henan, no centro da China. No total, foram aproximadamente quatro anos. “Éramos vistos como pessoas que deixaram de ser de confiança. Os chineses ultramarinos tinham conexões com o exterior e, por isso, consideravam-nos ‘espiões imperialistas’”, disse Ngai.

Em 1972, com a histórica visita do Presidente dos Estados Unidos Richard Nixon à China, foi chamado a Pequim antes do previsto, por causa da falta de especialistas em línguas estrangeiras. Em 1979, Ngai, então com 47 anos, mudou-se para Macau, onde passou o resto da vida, chegando a ser vice-presidente do Instituto Cultural antes da transição de administração da cidade de Portugal para a China, em 1999.

20 Out 2026

Creche Smart | Decretada prisão preventiva para Christiana Ieong

Duas das três arguidas do caso da Creche Smart estão em prisão preventiva, incluindo, a directora Christiana Ieong. O Juiz de Instrução Criminal aplicou a medida de coacção mais gravosa tendo em conta o “grau de intensidade do dolo”, a gravidade dos crimes e a possibilidade de fuga

A directora da Creche Smart Christiana Ieong vai aguardar julgamento em prisão preventiva, assim como outra arguida do grupo de três suspeitas acusadas de defraudar o erário público em 3,9 milhões de patacas. A aplicação das medidas de coacção foi anunciada pelo Ministério Público (MP) na manhã de sábado.

Depois do anúncio pela Polícia Judiciária, na quinta-feira passada, da detenção de três suspeitas, a investigação foi entregue ao MP, que indicou que “duas arguidas, incluindo a responsável em causa, ficaram em prisão preventiva a aguardar julgamento, enquanto à terceira arguida foram aplicadas outras medidas de coacção previstas na lei”.

O MP indica que, de acordo com as informações do inquérito, as três arguidas agiram em conluio para obter fraudulentamente subsídios do Instituto de Acção Social. É referido que Christiana Ieong simulou o vínculo laboral das outras duas arguidas como trabalhadoras a tempo inteiro, procedendo ao pagamento dos seus salários. Após receberam os salários, as duas arguidas devolveram parte do dinheiro à responsável da creche, através de transferência bancária ou depósito em dinheiro, “com vista a fraudarem o erário público em co-autoria”, avança o MP.

Como tal, estão acusadas da prática dos crimes de burla de valor consideravelmente elevado, cuja moldura penal vai de dois a 10 anos de prisão, falsificação informática (multa, ou pena até três anos de prisão), branqueamento de capitais (prisão até 8 anos) e associação criminosa (entre três a 10 anos de prisão). Este último crime pode levar a uma pena máxima de 12 anos de prisão para quem “chefiar ou dirigir” o grupo.

Questão de instrução

Durante o primeiro interrogatório, o Juízo de Instrução Criminal “entendeu que existem fortes indícios” da prática do “crime de burla de valor consideravelmente elevado”, bem como do crime de branqueamento de capitais.

O MP indica ainda a existência de, “pelo menos, indícios suficientes de que as três arguidas praticaram o crime de associação criminosa” e falsificação informática.

“Tendo em conta factores como a natureza e a gravidade dos crimes, o modus operandi, a motivação, a ilicitude dos factos e o grau de intensidade do dolo das três arguidas, bem como a prevenção de eventual fuga para se eximirem à responsabilidade criminal, o Juízo de Instrução Criminal, sob a promoção do Ministério Público, aplicou às duas arguidas a medida de coacção de prisão preventiva, e outras medidas de coacção previstas na lei à terceira arguida”. O MP não especifica que medidas de coacção foram aplicadas à terceira arguida.

O comunicado do MP termina com um aviso sobre os subsídios e benefícios sociais atribuídos pelo Governo para o bem-estar da população provenientes do erário público, vincando ser “absolutamente intolerável que qualquer pessoa obtenha os subsídios por meios fraudulentos”.

20 Out 2026

CPSP | Mais mortes, mas acidentes com peões caem 18%

Nos primeiros nove meses do ano, as estradas de Macau foram palco de 10.393 acidentes de viação, registo que representou uma quebra de 6,25 por cento em termos anuais, segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública.

No mesmo período, os acidentes que envolveram peões caíram 18,4 por cento para um total de 364. Ainda assim, entre Janeiro e Setembro, seis das nove vítimas mortais de acidentes eram peões, registo bem superior aos primeiros nove meses de 2025, quando morreram quatro pessoas em acidentes rodoviários, mas nenhum peão.

Uma das infracções que mais subiu foi a não cedência de prioridade em passadeiras, que quase duplicou entre Janeiro e Setembro deste ano para um total de 959 infracções, face às 484 do mesmo período de 2025. No sentido inverso, as infracções de peões que atravessam vias sem cumprir as regras diminuíram 39,43 por cento, para um total de 3.965.

No período em análise, o valor total das multas passadas foi superior a 133 milhões de patacas, menos 5,23 por cento em termos homólogos. Neste capítulo, outro dado estatístico que teve maior crescimento foi o número de automóveis bloqueados em estacionamentos com parquímetros, que subiu 41,6 por cento em termos anuais, para um total de 7.627 veículos.

Em relação ao excesso de velocidade nas vias públicas, nos primeiros nove meses do ano as autoridades detectaram um aumento do “excesso grave” de 20,5 por cento, para 329 casos. A Ponte Macau foi o local com o aumento mais significativo, mais do que duplicando para 583 ocorrências no período em análise, face a 273 no mesmo período de 2025.

20 Out 2026

Zona A | Habitação Social começou a receber inquilinos

Na sexta-feira, o Instituto de Habitação (IH) começou a celebrar os primeiros contratos de arrendamento e a entregar as chaves dos apartamentos construídos no Edifício Tong Hong, na Zona A dos Novos Aterros. “Estima-se que, ainda no corrente ano, se possa organizar a ocupação das fracções por parte dos 450 agregados familiares, na habitação social localizada na Zona A”, foi divulgado.

“Até 30 de Setembro de 2026, foram concluídos os trabalhos de apreciação da habilitação e de classificação das candidaturas de 7.600 agregados familiares, tendo-se procedido à atribuição de fracções a 4.400 agregados. Actualmente, o IH está a proceder à notificação dos agregados habilitados para a ocupação das fracções de habitação social na Zona A dos Novos Aterros, de harmonia com a lista de ordenação”, foi acrescentado.

O Edifício Tong Hong tem 32 andares e três pisos na cave, no total de 560 fracções, incluindo 448 fracções de tipologia T1, 56 de tipologia T2 e 56 de tipologia T3.

20 Out 2026

Restauração | Marisqueira UMA quer expandir negócios na Ásia

Serve apenas arroz de marisco e abriu portas nos anos 80, em Lisboa. Da Rua dos Sapateiros, com uma clientela maioritariamente chinesa, a Marisqueira UMA veio para Macau e promete abrir mais restaurantes na Ásia. Alexandre Grazina, fundador do restaurante, disse ao HM que há ideias para a Coreia do Sul e o Japão

A Marisqueira UMA, que abriu portas na Rua dos Sapateiros, em Lisboa, há 38 anos, inaugurou recentemente um espaço em Macau e a Ásia continua nos planos de expansão e internacionalização deste restaurante. Segundo contou Alexandre Grazina, fundador do negócio, ao HM, Coreia do Sul e Japão fazem parte dos planos.

“Abrimos aí em Macau e agora encontrámos uma outra oportunidade, vamos para o Japão ainda este ano. Já temos tudo preparado para abrir lá, mesmo em Tóquio”, contou. Mas Alexandre Grazina, que é também a alma por detrás do principal prato da casa, disse que a Coreia do Sul também faz parte dos planos. “Se pudéssemos ir mais para cima, iríamos, mas não nos deixam entrar”, ironizou.

Alexandre Grazina esteve quatro meses em Macau a preparar a equipa e diz que o negócio tem corrido bem, não obstante o facto de “o macaense [os locais] não ir muito a restaurantes”. “Ali trabalhamos mais com o turismo”, disse. O espaço funciona na Rua de Fernão Mendes Pinto.

O sucesso da Marisqueira UMA e a conexão à Ásia começou ainda em Lisboa. “Quando começámos a trabalhar tivemos muitos portugueses e espanhóis, mas de há uns anos para cá temos tido muitos asiáticos. Actualmente é possível que 80 por cento dos nossos clientes sejam asiáticos, e na marisqueira em Lisboa temos uma média de 300 a 400 pessoas por dia, em média.”

No espaço de Lisboa um tacho de arroz de marisco, para uma pessoa, custa 19,90 euros e é servido num tacho, contendo camarão, sapateira, mexilhão, miolo de mexilhão e lula. Também é servida uma nova versão do prato com lagosta, mas para duas pessoas, e com um valor mais elevado, de quase 70 euros. Em Macau, o prato de arroz de marisco custa 195 patacas, sendo que o arroz com lagosta tem o valor de 699 patacas. Nas críticas do Google a Marisqueira UMA Macau tem uma média de 4,8 estrelas em 5.

“À espera de mais”

Alexandre Grazina confessou que o segredo do seu arroz de marisco, que faz sucesso nas redes sociais, é o facto de ser preparado no momento e “com amor e carinho”. “Não temos arroz já cozido, nada já feito [previamente]. Temos os tachos e fazemos [o prato] individualmente. Se são dois, faz-se dois, se são três, faz-se três. O arroz demora uns 25 a 30 minutos a fazer”, exemplificou.

“A cozinha é para inventar”, adiantou. “Inventámos o arroz desta maneira, aos poucos, foi criando uma enorme fama e valeu a pena.”

Sobre Macau, o fundador do restaurante confessou que “estava à espera de mais” em termos de volume de negócios. “Tem corrido mais ou menos, mas vou ser sincero: esperava um bocadinho mais. Percebi, pelo tempo em que lá estive, que o macaense não é de ir aos restaurantes comer, e aí é logo uma desvantagem.”

20 Out 2026

Desenvolvimento | Jorge Rangel defende equilíbrio

O presidente do Instituto Internacional de Macau, e ex-membro do Governo de Macau, durante a administração portuguesa, considera que o desenvolvimento por Macau de Hengqin é benéfico, mas destaca a necessidade de ser encontrado um equilíbrio.

“Macau tem de ser também útil à China, mas não podemos esquecer que Macau tem uma História, tem uma memória […] Se soubermos manter o equilíbrio necessário entre o crescimento e a preservação de uma memória, acho que podemos alcançar os resultados desejados”, afirmou, de acordo com declarações citadas pelo Canal Macau. Rangel defendeu ainda que se proteja a singularidade do território.

“Ao longo da história, Macau sobreviveu, cresceu e desenvolveu-se porque foi diferente, e foi isso que também permitiu que Macau fosse declarada pela China território especial”, apontou. “Gostava que este “especial” continuasse a vigorar, porque foi isso que fez Macau e que vai permitir que continue a crescer”, acrescentou.

20 Out 2026

Jogo VIP | Receitas subiram 10% entre Janeiro e Setembro

O segmento dos grandes apostadores gerou 52,4 mil milhões de patacas em receitas nos primeiros nove meses do ano. O valor ainda está longe do período dourado vivido na década anterior à pandemia

As receitas oriundas dos grandes apostadores, um segmento conhecido como jogo VIP, registaram uma subida homóloga de 9,9 por cento nos primeiros nove meses de 2026. O chamado jogo bacará VIP atingiu receitas de 52,4 mil milhões de patacas entre Janeiro e Setembro, divulgou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

As receitas das grandes apostas registaram um aumento homólogo de 0,1 por cento no terceiro trimestre, para 16,9 mil milhões de patacas, uma melhoria face à queda de 2,6 por cento no segundo trimestre, mas longe da subida de 35 por cento no primeiro trimestre.

O jogo VIP já tinha crescido 24,1 por cento em 2025, embora continue longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia de covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas nos primeiros nove meses de 2026 ficou-se por uma fatia de 28 por cento.

As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, conhecidas como ‘junkets’, em Novembro de 2021. O antigo director executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau.

De acordo com dados da DICJ, o número de licenças recuperou e fixava-se em 29 no início de Julho. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50. Além disso, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau, U Io Hung, disse ao portal de notícias GGRAsia que o número de ‘junkets’ no activo deveria ser “inferior a 20”.

Massas com quebra

Pelo contrário, as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, caíram 7,9 por cento no terceiro trimestre, em comparação com igual período de 2025, para 33,6 mil milhões de patacas. Ainda assim, o bacará de massas representou 56,3 por cento do total das receitas dos casinos entre Janeiro e Setembro, continuando a ser de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses.

As receitas das máquinas electrónicas de jogos aumentaram 11,8 por cento em comparação com o terceiro trimestre de 2025, para 4,09 mil milhões de patacas. Nos primeiros nove meses do ano, os casinos registaram receitas totais de 187,11 mil milhões de patacas, um aumento de 3,2 por cento em comparação com o mesmo período de 2025.

20 Out 2026

Arqueologia | Peritos portugueses sugerem criação de Museu

Dois especialistas portugueses que estão em Macau para promover a arqueologia para crianças, em escolas locais de língua veicular portuguesa, sugeriram a criação de um Museu da Arqueologia na região semiautónoma chinesa.

Em 08 de Outubro, foi encontrado um canhão, com cerca de 3,1 metros de comprimento, num estaleiro de obras na Ilha Verde, mas Natalina Guerreiro, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, disse à Lusa que “seguramente” que há mais artefactos por encontrar em Macau.

“Principalmente aqui na zona histórica, cada edifício que entre em obras e que implique revolvimento dos solos, é muito provável que se encontrem contextos mais antigos”, confirmou José Luís Monteiro. Grandes obras “mereciam ser acompanhadas por um arqueólogo, no caso de apareceram vestígios”, defendeu Natalina Guerreiro.

José Luís Monteiro sugeriu que “cada vez que há um projecto licenciado, e se sabe que vai haver ou dragagens ou revolvimento de solos, que houvesse uma equipa de arqueologia que pudesse estar presente”.

“Caso acontecesse alguma coisa, os trabalhos tinham que ser suspensos temporariamente, fazer-se a recolha dos materiais, o registo depois a obra avançar”, explicou Monteiro. Materiais que poderiam, no futuro, ser usados para “criar, eventualmente, um museu de arqueologia”, acrescentou o português.

História de trabalho

Natalina Guerreiro e José Luís Monteiro, ambos funcionários do Património Cultural de Portugal, trabalharam, nos anos 1990, nas escavações das Ruínas de São Paulo e tratamento do espólio do Pátio da Ameaça e Santo Agostinho.

“Trabalhámos muito para o museu lá de cima”, recordou Natalina Guerreiro, numa referência ao Museu de Macau, criado na Fortaleza do Monte. José Luís Monteiro admitiu que, ao deixar Macau, com a transição no horizonte, havia algum receio sobre “não um abandono, mas talvez um desinvestimento” no património de origem portuguesa.

Mas, pelo contrário, o centro histórico de Macau foi até, em 2025, classificado como Património Mundial pela Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).

Duas décadas depois, “circulando no Centro Histórico percebe-se que há um cuidado com, pelo menos, as edificações históricas”, sem permitir a construção “dos famosos mamarrachos”, disse Monteiro. “Mesmo as Ruínas de São Paulo, que eram um aterro, está limpinho e consegue-se ver as estruturas por baixo”, sublinhou Natalina Guerreiro.

16 Out 2026