SS| Proibição de cigarros electrónicos vai entrar logo em vigor

Os Serviços de Saúde consideram que a legislação actual pode ser contada como um período transitório para a proibição total do cigarro electrónico

 

O Governo quer tolerância zero contra os fumadores de cigarros electrónicos e promete que a proibição total vai entrar em vigor, assim que a futura lei for aprovada na Assembleia Legislativa. A posição do Executivo foi explicada por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SS), que quer tornar ilegal a posse e o consumo deste produto.

“A segunda revisão à lei [de prevenção e controlo do tabagismo] entrou em vigor no final de 2022. Já estão proibidos o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte de cigarros electrónicos”, afirmou Alvis Lo, na mais recente sessão de consulta pública, de acordo com o Canal Macau. “Teoricamente, os últimos três anos em que a lei esteve em vigor serviram como período de transição. Por isso, não vamos criar outro período transitório para a posse [e consumo] de cigarros electrónicos no espaço público, porque as pessoas já devem estar adaptadas [às novas restrições]”, acrescentou.

O novo regime prevê a utilização de câmaras de filmar pelos fiscalizadores. Apesar desta alteração, Alvis Lo considera que a privacidade dos fumadores e dos inspectores vai ser protegida e que não haverá utilização dos equipamentos para fazer prova contra eventuais fumadores. “Durante a implementação da nova lei, os inspectores e fumadores vão ser protegidos. Os vídeos das câmaras [dos inspectores] não vão ser utilizados como prova para verificar se os fumadores violaram a lei”, foi prometido.

Futuro em aberto

Alvis Lo indicou também que nesta revisão não se vai permitir a utilização do sistema de CCTV da cidade para perseguir os fumadores. No entanto, não afastou estas possibilidade no futuro. “Quanto ao uso de câmaras de vigilância no espaço público na implementação da lei do tabaco, não se trata apenas de uma questão técnica, mas está também relacionado com o nível de recepção da sociedade sobre a vida privada. Por isso, a curto prazo não vamos seguir essa via”, vincou.

Quando apresentaram a consulta pública sobre o futuro diploma que vai limitar as áreas para fumar e proibir os cigarros electrónicos, assim como a pasta para os cachimbos de água, os SS defenderam que os cigarros electrónicos são mais prejudiciais do que os tradicionais.

“Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, afirmou, na altura, Lam Chong, chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde. “Algumas pessoas, passado algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou.

16 Mar 2026

SJM | Daisy Ho investe em obrigações

Daisy Ho Chiu Fung, presidente ca concessionária SJM adquiriu um total de 3 milhões de dólares americanos das obrigações não garantidas no valor total de 540 milhões de dólares americanos. A informação consta dos registos de divulgação apresentados à Bolsa de Valores de Hong Kong citada pelo portal GGRAsia.

As obrigações têm uma taxa de juro anual de 6,500 por cento, vencem em Janeiro de 2031 e são livremente transferíveis. No entanto, em caso de incumprimento, não são convertíveis em acções da SJM International, nem de qualquer outra empresa do grupo.

As aquisições de títulos seniores não garantidos foram realizadas em três transacções, que aconteceram a 6, 9 e 10 de Março.

Os títulos no valor de 540 milhões de dólares americanos foram emitidos com o objectivo de “alargar o perfil de vencimento da dívida do grupo e reforçar a flexibilidade financeira do grupo”, foi explicado pela SJM Holdings, em Janeiro, quando anunciou pela primeira vez a emissão.

As receitas da emissão visam contribuir para o refinanciamento do grupo – incluindo a recompra a dinheiro – das suas obrigações seniores em circulação a 4,500 por cento, com vencimento a 27 de Janeiro deste ano, foi também explicado.

No final de Dezembro de 2025, a dívida líquida da SJM Holdings aumentou cerca de 12 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 27,2 mil milhões de dólares de Hong Kong.

16 Mar 2026

São Lourenço | UCP restaura arquivo da paróquia

A Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Porto, está a restaurar parte do arquivo da paróquia de São Lourenço, em Macau, informou na sexta-feira o jornal católico O Clarim.

O espólio do arquivo é composto por 33 livros dos séculos XVIII e XIX, incluindo assentos de baptismos, casamentos e óbitos, pode ler-se no semanário, publicado em Macau, e na página oficial da instituição de ensino.

O objectivo da iniciativa passa por evitar a deterioração do material e “permitir que sejam preservados para o futuro”, disse o pároco de São Lourenço Cyril Law ao jornal O Clarim.

Ainda de acordo com o semanário, os livros encontram-se desde Janeiro a ser submetidos “a um meticuloso processo de recuperação” nas Oficinas de Conservação e Restauro da Escola de Artes da UCP, no Porto.

Na página da instituição de ensino lê-se ainda que a intervenção se realiza sob a orientação técnica e científica da professora convidada Adriana Ferreira.

Ao Clarim, Cyril Law excluiu a possibilidade de os documentos serem expostos ao público após o regresso ao território, já que “se trata de registos pessoais privados”.

Estes registos – lê-se ainda no portal da Escola de Artes – constituem uma “fonte essencial para o conhecimento da história social, religiosa e genealógica da comunidade [em Macau], reflectindo a sua evolução ao longo de várias gerações”.

16 Mar 2026

Habitação | Empréstimos com aumento anual de quase 20%

O ano arrancou com a procura de financiamento para compra de habitação a subir. No entanto, o incumprimento dos empréstimos também apresenta um crescimento anual

 

Em Janeiro, o montante dos novos empréstimos para a compra de habitação registou um crescimento anual de praticamente 20 por cento. Os dados foram divulgados, na sexta-feira, pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

No primeiro mês do ano, os novos empréstimos para a compra de habitação atingiram 1,59 mil milhões de patacas, quando em Janeiro de 2025 o valor não tinha ido além dos 1,33 mil milhões de patacas.

Quando a comparação é feita com o mês anterior, Dezembro de 2025, a subida é mais significativa, atingido os 76,7 por cento, dado que nesse mês o valor dos empréstimos hipotecários foi de 898,4 milhões de patacas.

“De Novembro de 2025 a Janeiro de 2026, o número médio mensal dos novos Empréstimos Hipotecários para Habitação aprovados atingiu 1,25 mil milhões de patacas, correspondendo a um aumento de 12,3 por cento em comparação com o período anterior (De Outubro a Dezembro de 2025)”, foi comunicado pela AMCM.

Os dados revelam também que entre o montante dos novos empréstimos para a compra de habitação, 98,7 por cento partiu de residentes, um valor de 1,57 mil milhões de patacas, enquanto os restantes 1,3 por cento, ou 20,4 milhões partiram de não-residentes.

Apesar do aumento dos empréstimos para a habitação, o montante total de todos os empréstimos, incluindo novos e antigos, apresenta uma redução anual de 5,4 por cento, para 206,06 mil milhões de patacas.

Em relação ao ano passado, registou-se também um aumento anual do incumprimento dos empréstimos para a compra de habitação, com o valor a ser de 3,6 por cento, uma subida de 0,1 pontos percentuais.

 

Menor actividade

No que diz respeito aos novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias, Janeiro representou uma redução anual de 61,6 por cento, com o montante dos novos empréstimos a cair para 560,8 milhões de patacas.

Há um ano, o valor dos novos empréstimos para investir neste sector ultrapassava 1,46 mil milhões de patacas.

Quando a comparação é feita a nível mensal, Janeiro de 2026 apresentou um aumento de 15,1 por cento, dado que o valor tinha sido de 487,2 milhões de patacas, em Dezembro de 2025.

Com estas alterações, o valor total deste tipo de empréstimos teve uma queda anual de 8,5 por cento, para 137,45 mil milhões de patacas. Em comparação com Dezembro de 2025, a redução foi de 0,5 por cento.

A taxa de incumprimento dos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias manteve-se em 5,4 por cento, o que significa que não houve alterações em termos anuais nem mensais.

16 Mar 2026

Santa Maria da Feira e Matosinhos na festa internacional da gastronomia

Santa Maria da Feira e Matosinhos participam este mês na Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau, cujo orçamento foi reforçado devido ao impacto da guerra no Irão na aviação, foi ontem anunciado.
Santa Maria da Feira, Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO desde 2021, regressa a Macau para o evento que se realiza entre 20 e 29 de Março, disse aos jornalistas a directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes.
De Santa Maria da Feira vão estar em Macau as ‘chefs’ Elisabete Miranda e Clara Santos, de acordo com a DST, que notou ainda que Matosinhos, na lista da UNESCO apenas desde Outubro, estreia-se nesta edição, embora não esteja representada por ‘chefs’ daquela cidade. Ainda do universo de língua portuguesa, complementou Senna Fernandes, estão representadas as cidades brasileiras de Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty.
“Até à data, o número de cidades participantes já ultrapassou os das edições anteriores, atraindo quase 40 cidades de todo o mundo, incluindo oito cidades que receberam a designação no ano passado”, declarou a responsável.
Para este ano, o evento vai contar com um orçamento de “aproximadamente 31 milhões de patacas”, o que representa um acréscimo de mais de três milhões de patacas em relação à edição anterior, o que Senna Fernandes justificou com o impacto da guerra do Irão nas ligações aéreas.

Dinamizar o NAPE
Demonstrações culinárias, debates académicos e intercâmbios sobre a preservação do património gastronómico são alguns dos eventos em destaque nesta festa, que este ano transpõe o recinto da Doca dos Pescadores e estende-se às ruas de Cantão e de Xangai.
“O objectivo passa por aproveitar os efeitos sinergéticos de um grande evento, aumentar a visibilidade da zona da NAPE e dinamizar conjuntamente a vitalidade económica da comunidade”, notou Helena de Senna Fernandes.
O programa desta edição da Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau inclui ainda a Avenida de Gastronomia Internacional, com cem bancas de comida: 28 de cidades do Interior da China (Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huaian, Chaozhou e Quanzhou), 32 de cidades das Américas, África e Ásia, e 40 bancas de Macau.
Além disso, ‘chefs’ de 25 cidades criativas de gastronomia irão realizar 53 demonstrações culinárias.
Este ano, irão estrear ainda o Lounge de Vinhos Mundiais e o Mercado Internacional de Produtos Gastronómicos de Excelência, “demonstrando a diversidade da cultura gastronómica de cada uma das Cidades Criativas de Gastronomia e o charme do “turismo + gastronomia” de Macau, enriquecendo a experiência dos visitantes”, reforçou a DST.

13 Mar 2026

Michelin | Guia adiciona “A Lorcha” à lista “bib gourmand”

O restaurante “A Lorcha”, que oferece uma variedade de comida portuguesa e macaense, foi adicionado à lista de restaurantes “bib gourmand” de Macau, anunciou ontem a organização do Guia Michelin.
A 18.ª edição do guia para as duas regiões passou a incluir um total de 83 estabelecimentos reconhecidos na distinção “bib gourmand”, conferida aos restaurantes que oferecem menus de três pratos por menos de 400 patacas. Destes, 70 encontram-se em Hong Kong e 13 em Macau, entre eles os portugueses “O Castiço”, “O Restaurante Litoral” e agora “A Lorcha”, mais um do que em 2025.
A organização do Guia Michelin sugere uma refeição no restaurante de comida macaense, começando por pastéis de bacalhau, antes da chegada à mesa da carne de porco à alentejana, do arroz de marisco ou o prato macaense galinha à portuguesa.
A selecção de 2026, segundo os inspectores do guia, reflecte “os sabores dinâmicos e a riqueza cultural” da região, abrangendo desde comida de rua inovadora até receitas familiares tradicionais.
O director internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullennec, sublinhou que a lista deste ano “representa de forma magnífica a diversidade e a energia” das cenas culinárias em Hong Kong e Macau.

Requinte a frescura
O restaurante Nok Song é outra novidade de Macau na lista “bib gourmand”. O restaurante na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues é amplamente elogiado pela organização do prestigiado guia. Desde a decoração com “abóbadas grandiosas como uma catedral gótica”, ao “piso de madeira escura, painéis de parede e móveis que conferem aconchego e requinte ao ambiente”, o Guia Michelin salienta a criativa fusão culinária com ponto de partida nos sabores da Tailândia.
Entre os pratos do Nok Song que merecem especial atenção, destaque para a salada picante de camarão cru, o caril vermelho de palmito com pescoço de porco ibérico da Espanha, e para sobremesa o soufflé de manga em forma de panqueca enrolada.
O responsável destacou ainda a variedade de cozinhas presentes entre os novos premiados, incluindo clássicos cantoneses, pizza, Chiu Chow, tailandesa, do sudeste asiático e portuguesa.
A divulgação completa da selecção de restaurantes do Guia Michelin Hong Kong e Macau 2026 está marcada para 19 de Março.

13 Mar 2026

Taichung | Arguidos de caso de explosão dizem-se inocentes

Cinco dos 13 arguidos do caso da explosão num centro comercial em Taichung, que causou a morte a três residentes de Macau, declararam-se inocentes. O acidente vitimou cinco pessoas, causou 38 feridos e os arguidos estão indiciados por crimes de homicídio por negligência.
De acordo com o jornal Liberty Times, na sessão de quarta-feira do julgamento, a defesa vincou que os arguidos cumpriram as suas obrigações e seguiram as orientações de segurança recomendadas.
A explosão aconteceu a 13 de Fevereiro, no 12.º andar do Centro Comercial Shin Kong Mitsukoshi, onde o espaço de restauração estava a ser renovado. Os residentes de Macau atingidos pela tragédia, todos da mesma família, não estavam no interior do edifício, mas passavam na rua, onde foram atingidos pelos estilhaços da explosão.
Segundo os factos que constam na acusação, o proprietário da área de restauração não fez qualquer pedido de licença para realizar as obras, nem apresentou um plano de segurança especial contra incêndios, antes de começar os trabalhos. Além disso, a acusação aponta que antes do início das obras, as condutas do gás não foram fechadas correctamente, o que terá originado a fuga, que depois levou à explosão. Também os detectores de fugas de gás foram removidos durante as obras, o que levou a acusação a considerar que quase todo o mecanismo de segurança contra incêndios estava comprometido.

Ruptura de conduta
Na perspectiva da acusação, o acidente aconteceu quando os operários estavam a utilizar uma máquina para remover o tecto e furaram, sem se aperceberem, a conduta principal de gás do edifício, assim como um cano de abastecimento secundário.
A ruptura levou a uma fuga que fez com que no espaço de 35 minutos fossem libertados para a área da restauração 157,5 metros cúbicos de gás. Quando um outro trabalhador utilizou uma cortadora eléctrica, gerou-se a faísca responsável pela explosão.
Na quarta-feira, o tribunal ouviu o empreiteiro e quatro trabalhadores, com todos eles a declararem-se inocentes do crime de homicídio por negligência. Por sua vez, os advogados dos arguidos contestaram a versão da acusação, por entenderem que não está provado que o acidente esteja ligado à actuação dos arguidos durante as obras.
A família de Macau afectada pela tragédia, durante as férias, era composta por sete elementos. Nos momentos logo a seguir à explosão foram declaradas duas mortes, do avô e da avó. No entanto, a filha do casal morreu mais tarde, depois de ter sofrido ferimentos graves e ser transportada para Macau.

13 Mar 2026

Economia | Pedido regresso de cupões de consumo

A Associação Industrial e Comercial de Macau defende uma economia híbrida, com períodos em que as PME vivem com base no aumento de turistas, nas épocas altas, e nos apoios ao consumo, durante as épocas baixas

 

Face à redução do número de turistas em Macau, no pós-Ano Novo Lunar, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, defendeu mais medidas de incentivo ao consumo interno, como os cupões de desconto. A posição de Ng foi partilhada em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo a Associação Industrial e Comercial de Macau, os cupões de desconto são uma forma eficiente de promover a economia durante os períodos em que há menos turistas no território. Ng defendeu uma economia híbrida, com períodos em que as Pequenas e Médias Empresas (PME) conseguem viver apenas com as receitas adicionais dos turistas, durante as épocas altas, e outros em que face à redução dos visitantes, as PME recebem a ajuda dos cupões de consumo.

Ng Wah Wai avisou igualmente que o número de visitantes em Macau vai continuar a diminuir gradualmente nos próximos meses, pelo que a distribuição de cupões é vital para impulsionar a economia comunitária, e aliviar as preocupações das PME.

O presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau apelou também ao Executivo para que pondere permitir a utilização dos cupões em mais sectores, além da restauração e do retalho, e que aumente o montante directamente atribuído aos idosos.

Novos modelos

A possibilidade de serem distribuídos mais cupões de consumo foi abordada também por Matthew Liu Ting Chi, docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau.

Liu defendeu o programa dos cupões, por considerar que numa perspectiva macroeconómica e microeconómica estas medidas de incentivo ao consumo trazem efectivamente uma nova vitalidade ao mercado.

No entanto, o académico sugeriu que o Executivo pondere alterar o modelo utilizado nas últimas edições de atribuição de cupões. Até agora, este tipo de programas tem funcionado com os cupões a poderem ser obtidos por sorteio, realizado com base no consumo efectuado nos dias de semana. Os cupões podem depois ser utilizados no fim-de-semana imediatamente seguinte ao sorteio, e apenas nesses dias. Liu Ting Chi sugere um novo modelo em que as pessoas só se podem habilitar aos cupões quando consomem ao fim-de-semana, podendo depois utilizar os descontos durante os dias da semana.

O académico pediu também um período mais longo para a utilização dos cupões, além do fim-de-semana imediatamente a seguir à atribuição, para permitir novos padrões de consumo.

Desta forma, o académico da UM acredita que o consumo vai abranger mais sectores, além dos supermercados, farmácias e restaurantes, os sectores mais beneficiados pelas medidas anteriores.

12 Mar 2026

IAM | Calçada portuguesa pode ser de material antiderrapante

A calçada portuguesa fora das zonas históricas pode ser substituída por material antiderrapante, mantendo o padrão e design original, segundo um responsável do Instituto para os Assuntos Municipais. Nas zonas históricas, as autoridades vão manter a calçada, um dos elementos distintivos da cidade

 

A calçada portuguesa pode ser substituída por outro tipo de pavimento, antiderrapante, mas mantendo o mesmo tipo de padrão e estética. A ideia foi avançada ontem por Ng Chi Lun, do Departamento de Vias Públicas e Saneamento do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), durante o programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

O responsável afirmou que o seu departamento irá continuar a vistoriar e optimizar as calçadas portuguesas nas zonas históricas da cidade, assim como nas zonas tampão, adjacentes a áreas sujeitas a protecção patrimonial.

O tema principal do dia foi a campanha de limpeza da cidade, que irá avançar no fim do mês. Segundo indicou o presidente do IAM, Chao Wai Ieng, a campanha deste ano será mais abrangente do que a do ano passado, e com maior duração. “Lançámos a campanha pela primeira vez no ano passado, com a participação de vários serviços públicos, associações e instituições, no total de cerca de 50 mil pessoas. Montámos pontos de consulta e exposição nos bairros residenciais e elevámos a consciência da população para a manutenção de ambientes urbanos higiénicos e limpos, e para o combate aos ratos”, indicou o presidente do IAM.

Chegar mais longe

Chao Wai Ieng afirmou também que este ano o IAM pretende reforçar a frequência de acções de limpeza em edifícios sem assembleia de condóminos, organização de moradores ou uma empresa que tome conta da administração.

O lixo foi no ano passado a causa da larga maioria das queixas recebidas pelo Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade, que deu seguimento a 7.489 denúncias relativas a higiene e beleza das ruas. Destes quase 7.500 casos, cerca de 97 por cento foram resolvidos.

Também no ano passado, o IAM puniu cerca de 15 mil infrações por motivos higiénicos, mais de metade relacionados com acumulação de lixo nas vias públicas. Quanto às infracções cometidas por turistas, as mais frequentes foram deitar lixo no chão ou cuspir.

O chefe do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento do IAM, em resposta a um ouvinte, afirmou que o Parque Central da Taipa se destaca como um dos locais alvo de mais queixas devido à presença de fezes de cão.

12 Mar 2026

Tecnologia | Mulher exaltada com robô recebeu assistência médica

O CPSP informou que o robô humanóide era controlado por um homem com cerca de 50 anos, que tem como objectivo comercializar este tipo de equipamentos no futuro

 

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou que a mulher que foi vista a discutir com um robô humanóide teve de receber tratamento médico, depois de se ter assustado. A informação foi adianta numa resposta enviada ao HM.

“Por volta das 21h00 do dia 5 de Março, a Polícia de Segurança Pública recebeu uma denúncia de que uma mulher precisava de ajuda do lado de fora de um prédio na Rua do Sul, em S. Lázaro. Os agentes dirigiram-se imediatamente ao local”, foi indicado. “Verificou-se que a mulher, enquanto utilizava o telemóvel, se assustou ao perceber que um robô se aproximava por trás. Não houve contacto físico entre a mulher e o robô, nem ela sofreu quaisquer ferimentos. No entanto, ela relatou sentir-se indisposta e precisou de tratamento hospitalar”, foi acrescentado.

Na segunda-feira à noite, a mulher já tinha recebido alta, mas optou por não apresentar qualquer tipo de queixa contra o proprietário do robô. “Ela recebeu alta e não tomou nenhuma medida legal em relação ao incidente”, foi informado.

O CPSP revelou também que o robô foi devolvido ao dono, depois de lhe recomendarem uma utilização cuidadosa do mesmo. A mesma fonte esclareceu que o robô não era operado por inteligência artificial: “O robô envolvido era operado por um homem local na casa dos cinquenta anos, que afirmou estar a realizar testes na altura, com a intenção de o utilizar para promoções comerciais no futuro”, foi apontado. “A polícia lembrou ao homem que, ao operar robôs, ele deve permanecer constantemente atento à situação para evitar causar perigo ou alarme ao ambiente circundante ou aos transeuntes”, foi adicionado.

Pedidos de regulação

Este foi o segundo incidente público com um robô humanóide no território nas últimas semanas. Também no primeiro caso, o robô estava a ser testado para depois ser comercializado, de acordo com Zeng Zengwei, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte.

Na reunião mais recente deste conselho, este membro fez um pedido às autoridades para implementarem uma nova regulamentação para lidar com os robôs, principalmente face à possibilidade de serem controlados por inteligência artificial e devido aos equipamentos de captação de imagem e som, que podem colocar em causa a protecção de dados pessoais.

11 Mar 2026

Paradise Entertainment | Alerta para redução de lucros

A Paradise Entertainment, que geria o casino-satélite Kam Pek e se dedica à disponibilização de máquinas de jogo, alertou os investidores para uma redução dos lucros de 63,5 por cento em 2025, para 139,4 milhões de dólares de Hong Kong. O aviso foi deixado num comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong, onde se indica que parte da redução dos lucros se deveu aos pagamentos feitos à SJM relacionados com os trabalhadores do casino-satélite Kam Pek, encerrado no ano passado.

“Esta diminuição nos lucros deveu-se principalmente […] pelos pagamentos do grupo aos funcionários e os reembolsos à SJM Resorts, relacionadas com os empregadores contratados pela SJM Resorts que trabalhavam para o Casino Kam Pek Paradise”, foi indicado. Estes pagamentos totalizaram 42,1 milhões de dólares de Hong Kong.

Entre os factores que contribuíram para a redução dos lucros, a empresa apontou também a diminuição de 85,2 milhões de dólares de Hong Kong das receitas provenientes da prestação de serviços de gestão de casinos em Macau e uma redução de 165,5 milhões de dólares de Hong Kong na venda de equipamentos de jogo.

Em 2024, a empresa responsável pela operação do Kam Pek tinha registado lucros de 245,5 milhões de dólares de Hong Kong.

 

11 Mar 2026

Jogo | Citigroup destaca “começo sólido” de Março

Março teve um “começo sólido” em termos de receitas do jogo, de acordo com o mais recente relatório do banco de investimento Citigroup. O documento é citado pelo portal GGRAsia.

“Com base nas nossas fontes da indústria, verificámos que as receitas brutas do jogo de Macau nos primeiros oito dias de Março terão atingido cerca de 5,65 mil milhões de patacas”, consta no relatório assinado por George Choi e Timothy Chau. “Isto implica uma média diária de receitas de cerca de 706 milhões de patacas, cerca de 4 por cento inferior à medida das receitas brutas do jogo em Fevereiro de 2026 – 737 milhões de patacas por dia –, mas cerca de 11 por cento superior à de Março de 2025, de 634 milhões de patacas por dia”, foi acrescentado.

Segundo a Citi, os vários espectáculos organizados pelas concessionárias dos casinos no início de Março contribuíram para o aumento anual das receitas do jogo. “Acreditamos que os concertos da boy band coreana Treasure na Arena Venetian, do cantor e compositor chinês Wang Sulong e do grupo feminino coreano Aespa na Arena Galaxy podem ter contribuído para o sólido início de Março de 2026”, foi apontado.

Os bons números não deixam de representar uma redução esperada das receitas em comparação com Fevereiro, que normalmente é uma das épocas altas do jogo, por coincidir com o Ano Novo Lunar. “Com base em fontes do sector, os volumes VIP caíram entre 2 por cento a 4 por cento em relação ao mês anterior, e das receitas de massas entre 3 por cento e 5 por cento em relação ao mês anterior”, observaram.

 

 

11 Mar 2026

Hutchison | Venda da “3” em Macau rendeu 110 milhões

A venda da “3” foi explicada com as perdas da operadora ligada à Hutchison Telecom que atingiram 43 milhões de dólares de Hong Kong. O mercado das telecomunicações de Macau fica agora totalmente concentrado nas empresas estatais chinesas CITIC e China Telecom

A venda da operadora de telecomunicações “3” pela Hutchison Telecom à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) rendeu à empresa de Hong Kong 110 milhões de dólares de Hong Kong. Os números constam dos resultados anuais da empresa, divulgados num comunicado à Bolsa de Hong Kong na segunda-feira.

“Em Janeiro de 2026, o Grupo concluiu a venda de todos os seus interesses na 3 Macau por um valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau”, foi explicado por Canning Fok Kin Ning, presidente da Hutchison Telecom, que faz parte do grupo fundado por Li Ka-shing. “A venda irá servir para apoiar melhorias sustentadas na rentabilidade do grupo nos próximos anos, permitindo redistribuir os recursos de forma mais eficaz e simplificar ainda mais a sua estrutura operacional”, acrescentou o presidente.

O documento mostra também que as perdas da empresa em Macau se vinham a acentuar nos últimos anos. Em 2025, as perdas em Macau foram de 43 milhões de dólares de Hong Kong, um valor que aumentou 72 por cento em relação ao ano anterior, quando as perdas em Macau tinham sido de 25 milhões de dólares de Hong Kong. Esta é uma diferença de 18 milhões de dólares de Hong Kong, que teve um impacto significativo nos resultados do grupo.

O ano de 2025 fechou para a Hutchison Telecom com perdas de 25 milhões de dólares de Hong Kong, quando no ano anterior se tinha registado um lucro de 6 milhões.

Regime de monopólio

Com a venda da Hutchison à CTM, o mercado fica formalmente com três operadoras, uma vez que a marca 3 vai ser mantida, por agora, mas a CTM e a 3 passam a ser controladas pelos mesmos accionistas, essencialmente o Grupo CITIC, uma empresa estatal chinesa. A outra operadora do mercado de Macau é igualmente uma empresa estatal-chinesa, neste caso a China Telecom.

Esta situação tem levantado preocupações para uma possível fragilização da posição dos clientes, como foi exposto pela associação Centro da Políticas da Sabedoria Colectiva, através do vice-presidente do Loi Man Keong.

No entanto, o Governo afastou eventuais preocupações, desvalorizando a concentração e prometeu continuar a exercer as funções de regularização.

“Esta transmissão de participações sociais envolve, essencialmente, uma alteração dos accionistas da Hutchison, que continua a operar a sua rede e a prestar serviços”, foi indicado num comunicado da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT). “Por outras palavras, actualmente, o mercado continua a contar com três operadoras de telecomunicações móveis, e o Governo continua a fiscalizar, rigorosamente, o cumprimento, por parte da Hutchison, das suas obrigações constantes da licença, garantindo a prestação dos serviços de telecomunicações móveis estáveis aos utilizadores”, foi acrescentado.

11 Mar 2026

Questionada qualificação de responsável por restauro das Ruínas de São Paulo

As qualificações profissionais de uma das responsáveis pelo restauro das estátuas de bronze das Ruínas de S. Paulo, cujos trabalhos começaram em 2017, foi posta em causa num artigo publicado pelo jornal Cheng Pou.

A responsável em causa é Ip Kin Hong, professora assistente de investigação da Universidade de Macau. Em Outubro do ano passado, foram publicados na imprensa chinesa comentários de um profissional de restauro em património cultural, onde se apontava que a posição da estátua da Virgem Maria no terceiro nível tinha sido alterada na sequência do restauro.

Em resposta às dúvidas, que ganharam alguma tracção online, o Instituto Cultural (IC) sublinhou que respeita rigorosamente os requisitos internacionais no que toca à protecção e restauro do património cultural, seguindo os princípios da de intervenção mínima e reversível. Além disso, destacou que o restauro do ex-líbris da cidade conta com o apoio do Museu da Cidade Proibida e da Universidade de Macau (UM), o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, subordinado do IC.

O Cheng Pou cita ainda denúncias de que Ip Kin Hong tem vínculos profissionais com o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau e a UM, a primeira entidade responsável pelos trabalhos, enquanto o estabelecimento de ensino foi uma das entidades consultadas em relação à qualidade do restauro. Como tal, questionou o IC sobre os critérios para decidir as entidades responsáveis pelos trabalhos de restauro e as qualificações profissionais da docente da UM, os custos do projecto, se a equipa que tratou das fases anteriores está encarregue da última fase dos trabalhos. No artigo publicado ontem, o jornal refere que até segunda-feira não tinha respostas do IC.

Por fases

O IC anunciou em meados do mês passado que a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção das estátuas de bronze nas Ruínas de S. Paulo foi concluída com êxito.

A primeira fase, concluída no ano passado, foi focada na estátua da Virgem Maria no terceiro nível e nas duas estátuas de bronze à direita do segundo nível. A segunda fase, que envolveu principalmente as duas estátuas de bronze à esquerda do segundo nível e a estátua de Jesus Cristo no quarto nível. A próxima e derradeira fase será o restauro este ano da estátua da Pomba, situada no nível superior.

11 Mar 2026

Farmácias | ISAF pede promoção da saúde física e mental da população

O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica quer mais participação das farmácias na promoção da saúde física e mental da população. Choi Peng Cheong defende também uma maior integração da cultura da medicina tradicional chinesa na vida quotidiana dos residentes

 

O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF), Choi Peng Cheong, quer que as farmácias de Macau ganhem um maior protagonismo na promoção da saúde física e mental da população. A posição foi tomada durante uma série de colóquios com o sector farmacêutico organizados pelo ISAF, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo organismo.

Choi Peng Cheong apontou ainda para o papel que os farmacêuticos de Macau podem ter nos cuidados aos idosos, assim como na supervisão do mercado. O presidente do ISAF enquadrou o apelo ao sector no “conceito governativo de descentralização dos recursos de serviços para os bairros comunitários”, dando prioridade nos cuidados a idosos e crianças, designados como “grupos-chave”.

O dirigente lançou um repto aos farmacêuticos para que tomem a iniciativa de prestar particular atenção aos doentes que tomam “medicação a longo prazo, polimedicação e riscos potenciais para a saúde.

Em relação aos farmacêuticos de medicina tradicional chinesa, Choi Peng Cheong lembrou que essa é uma das áreas prioritárias nas políticas de diversificação da economia, mas que devem ter uma intervenção mais presente na comunidade, transmitindo conhecimentos sobre a prevenção e cuidados de saúde. O responsável defende que em Macau deve haver “integração da cultura da medicina tradicional chinesa na vida quotidiana”, “fomentando a saúde física e mental dos residentes”.

Papel principal

A ideia central do apelo do presidente do ISAF é o reforço do “papel e a função das farmácias e farmácias chinesas comunitárias na salvaguarda e promoção da saúde pública”, potenciando o valor social da profissão farmacêutica e a proximidade com as pessoas. “As farmácias e farmácias chinesas de Macau estão espalhadas por toda a cidade, formando uma importante rede de cuidados farmacêuticos primários; os profissionais farmacêuticos comunitários são um dos profissionais mais acessíveis e de confiança dos residentes, desempenhando um papel indispensável na promoção da saúde pública”, afirmou.

Durante os colóquios, foram ainda abordados temas como o desenvolvimento dos jovens profissionais farmacêuticos e a resposta ao envelhecimento da população. Os representantes de associações ligadas ao sector comunicaram às autoridades a situação actual dos seus negócios e colocaram questões sobre os métodos de supervisão do mercado.

11 Mar 2026

CBRE acredita em melhorias nos resultados da SJM, mas aponta desafios

A empresa de serviços financeiros CBRE acredita que os resultados da SJM podem “apresentar sinais de melhoria” ao longo deste ano, depois de as contas de 2025 da concessionária terem sido marcadas por uma redução de 15 por cento nos Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês). As previsões constam de um relatório da empresa americana, citado pelo portal GGRAsia, que aponta vários factores com os quais a concessionária vai ter de lidar.

Segundo os analistas John DeCree e Max Marsh, os possíveis motivos de optimismo prendem-se com os investimentos feitos nas renovações dos hotéis-casinos da empresa, assim como a criação de uma nova equipa de marketing. “Na segunda metade do ano, esperamos uma recuperação mais gradual e menos certa, dado o ambiente altamente competitivo em Macau. No entanto, reconhecemos que a nova equipa de marketing e os investimentos imobiliários da SJM podem superar as nossas expectativas”, foi comunicado.

Apesar das expectativas, a CBRE reconheceu que a empresa fundada por Stanley Ho e gerida por Daisy Ho tem “arestas para limar”, que vão além do encerramento dos casinos-satélite ligados ao grupo.

Dilemas internos

Sobre as arestas a limar, a CBRE identificou “o reposicionamento da sua base de activos para servir melhor os clientes do segmento de massas; a reorganização da equipa de marketing e a modernização da sua estratégia promocional”.

A necessidade de “aumentar a eficiência interna” e “reduzir os custos de operação” foram outros aspectos mencionados pelos analistas John DeCree e Max Marsh.

Todavia, antes das melhorias, espera-se um período de maior instabilidade na exploração do negócio, com a SJM a ter de lidar com a “relocalização das mesas de jogo, das slot-machines e dos empregados dos casinos-satélite encerrados”. A esta instabilidade, juntam-se os trabalhos de renovação do Hotel Lisboa.

Sobre os resultados recentes, a CBRE admitiu que os números e as tendências apresentadas pela concessionária “são decepcionantes”.

10 Mar 2026

Cuidados paliativos | Cerca de 80% das camas ocupadas

A taxa de utilização das camas de cuidados paliativos é de cerca de 80 por cento, segundo o director dos Serviços de Saúde que promete ajustar a oferta no futuro. Estes serviços são prestados principalmente a doentes terminais com cancro

 

“Os Serviços de Saúde e as instituições médicas subsidiadas prestam principalmente serviços de cuidados paliativos e de cuidados em fase terminal aos doentes terminais com cancro, sendo a taxa de utilização das camas de cuidados paliativos de cerca de 80 por cento”, indicou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo. Em resposta a uma interpelação escrita de Song Pek Kei, o responsável afirmou que os Serviços de Saúde irão ajustar, “o número de camas de acordo com a respectiva procura, articulando com o planeamento do desenvolvimento global das instalações médicas, optimizando a disposição dos serviços e a distribuição dos recursos”.

Em relação ao cancro, Alvis Lo afirma que os programas de rastreio de Macau foram baseados no equilíbrio entre as orientações internacionais e “a realidade local”, incidindo sobre o cancro do colo do útero, cancro colorrectal, cancro pulmonar e cancro da mama.

Alvis Lo acrescenta ainda que no que diz respeito ao cancro do pulmão a prevenção, e o incentivo à cessação tabágica, “continua a ser a intervenção mais eficaz e com melhor relação custo-benefício”. Actualmente, os grupos prioritários para rastreio de cancro do pulmão, através da tomografia computorizada de baixa dose, são pessoas com idades entre 50 e 74 anos, que tenham fumado há pelo menos 30 anos, ou que tenham deixado de fumar há menos de 15 anos.

Controlo apertado

Alvis Lo também traçou um panorama geral da realidade da hepatite B e Macau, começando por sublinhar que foi atribuído à RAEM o certificado da região da Região do Pacífico Ocidental da Organização Mundial de Saúde, porque a doença “é controlada com sucesso”.

O responsável acrescenta que, hoje em dia, a principal faixa etária de infectados com a doença se concentra em indivíduos com mais de 50 anos. Tendo em conta estes dados, os Serviços de Saúde reforçaram, a partir do ano passado, o teste de rastreio da hepatite B a residentes com mais de 50 anos e foram disponibilizadas consultas externas de hepologia em todos os centros de saúde. Além disso, Alvis Lo indicou que para doentes infectados com hepatite B são agendados exames ecográficos e análises sanguíneas regularmente.

10 Mar 2026

Taipa Pequena | Problemas com passeios, autocarros e lixo

O deputado Nick Lei alerta para as dificuldades da zona e pede melhorias na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques que servem uma população de cerca de 1.600 residentes. O legislador aponta ainda o perigo da falta de passeios em algumas áreas

 

O deputado Nick Lei defende a criação de passeios na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques, na Taipa Pequena, para evitar que os cidadãos tenham de andar na estrada quando se deslocam. Além disso, o legislador ligado à comunidade de Fujian alerta também para a necessidade de mais carreiras de autocarros e de substituir os contentores do lixo.

Em relação à falta de passeios, o deputado avisa o Governo que “os residentes são obrigados a andar nas faixas de rodagem”, o que “causa muita insegurança à população”. Além disso, Lei indica que “quando passa um veículo a situação torna-se perigosa e ameaça a segurança dos peões”. Por isso, o membro da Assembleia Legislativa questiona: “De que planos concretos dispõe o Governo para melhorar o ambiente pedonal daquela zona, incluindo a criação de passeios para peões, passadeiras e outras instalações, com vista a salvaguardar a segurança dos residentes?”.

Não só a falta de passeios para garantir a segurança dos residentes é criticada, a interpelação revela também incompreensão com o facto de aquela zona apenas ser servida por um único autocarro. “Quanto aos transportes públicos, neste momento, só a carreira n.º 35 passa pela Estrada Lou Lim Ieok, e não passa nenhuma carreira na Estrada de Sete Tanques, para além disso, aquela carreira só circula nas Ilhas, ou seja, não chega à Península de Macau, causando grandes inconveniências para os residentes que querem deslocar-se para o exterior”, foi descrito. “Os residentes que queiram deslocar-se para a Península de Macau têm de fazer o transbordo nas paragens periféricas e ainda têm de percorrer uma certa distância a pé para chegarem a uma outra paragem de autocarro”, acrescentou.

Nick indica que este cenário é incompreensível, uma vez que nestas estradas existem “várias residências privadas, com uma população de cerca de 1600 pessoas”.

Acumulação de lixo

Na interpelação, o deputado aponta também que o ambiente da zona é afectado pela capacidade dos caixotes do lixo, tida como insuficiente. “No que respeita às instalações de recolha de lixo, veja-se o exemplo do Edifício ‘Jardins de Lisboa’, aqui só há um contentor de lixo com tampa, cuja capacidade é limitada e fica cheio facilmente, originando problemas de higiene ambiental, tais como a acumulação de lixo e a dissipação de odores”, descreveu. “Os residentes esperam que sejam instalados, o mais rápido possível, contentores de lixo de compressão, com vista a resolver os problemas de higiene, tais como, de lixo a céu aberto, mau cheiro e águas residuais, e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de recolha e transporte do lixo, optimizando, deste modo, a higiene dos bairros comunitários”, apontou. “Com vista a melhorar a higiene ambiental e a qualidade de vida dos residentes daquela zona e optimizar as instalações de recolha de lixo do complexo habitacional dos “Jardins de Lisboa”, quando é que o Governo vai substituir os antigos contentores de lixo por contentores de compressão?”, perguntou.

10 Mar 2026

Combustíveis | Associações pedem maior transparência nos preços

O presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau, Chiang Chong Fai, apelou ao Governo para reforçar a inspecção aos preços dos combustíveis e aumentar a transparência. A posição foi tomada, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.

A questão surge relacionada com a guerra declarada pelos Estados Unidos e Israel ao Irão, mas não é nova. Nos últimos anos vários deputados também pediram maior transparência do Governo face aos preços dos combustíveis.

No entanto, ontem, as associações ouvidas pelo canal chinês da Rádio Macau consideram que o aumento do preço do petróleo não vai ter um impacto imediato em Macau.

Chiang Chong Fai explicou que até agora o aumento foi sentido principalmente ao nível do crude, porque os produtos petrolíferos são transaccionados em contratos futuros, que em teoria não devem reflectir logo os aumentos do crude no mercado.

Porém, Chiang Chong Fai alertou que se os fornecedores do petróleo aumentarem os preços, as autoridades têm que verificar se as razões do aumento forem razoáveis. O dirigente também considerou que o Governo deve pensar em reforçar a transparência na divulgação de informações.

Por seu turno, o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, afirmou que impacto da guerra no preço do petróleo vai depender da duração do conflito. O responsável apontou que muitos produtos que Macau recebe dependem da China. Todavia, o presidente da associação mostrou-se confiante na capacidade do Governo Central para estabilizar os preços e aliviar a pressão da inflação vinda de fora.

10 Mar 2026

Tecnologia | Defendida criação de leis para robôs humanóides

O conselheiro Zeng Zengwei defendeu a criação de legislação para regular a circulação de robôs humanóides em Macau, depois da aparição na RAEM, na semana passada, de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais de uma mulher a ralhar com um robô

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Zeng Zengwei, defendeu a necessidade de criar legislação para regular o desenvolvimento dos robôs humanóides. A posição foi tomada numa reunião do conselho na quarta-feira, depois de um primeiro aparecimento de um robô humanóide nas ruas, mas antes do episódio mais recente, quando uma mulher foi filmada a dar um sermão a um robô.

Na intervenção da reunião, Zeng Zengwei alertou para os perigos que os robôs podem constituir, principalmente quando circulam junto de escolas e outros equipamentos sociais, em zonas com maior densidade populacional. “Recentemente um robô humanóide foi visto a circular nas ruas, como forma de promoção de uma empresa. O robô humanóide apareceu nas proximidades das escolas e de paragens de autocarros, locais densamente povoados”, descreveu o conselheiro. “No entanto, durante a caminhada, o robô teve vários encontrões pequenos, mas frequentes, com transeuntes. Eu testemunhei um desses encontrões com um estudante, quando este aguardava pelo autocarro”, revelou.

Uma vez que os robôs são máquinas e que a circulação entre a população pode implicar a causa de danos, em casos de avarias ou circunstâncias inesperadas, Zeng Zengwei indicou que é preciso definir um regime sobre as responsabilidades legais, em caso de acidentes e ferimentos.

Protecção de dados

O conselheiro surgiu assim a elaboração de “leis relacionadas com robôs humanóides, particularmente focados nas ameaçadas à segurança e ordem” durante a utilização dos espaços públicos, assim como a regulação da captação de imagens, para garantir o respeito pela lei da protecção de dados pessoais.

Além disso, foi igualmente defendida a necessidade de fazer um registo sobre os robôs humanóides que utilizam as ruas locais, assim como a criação de um sistema de certificação de segurança.

Apesar das críticas, o conselheiro destacou a importância do desenvolvimento tecnológico e do espírito empreendedor.

A mais recente polémica com robôs humanóides aconteceu na sexta-feira à noite, quando uma das máquinas foi levada por agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de acordo com as publicações nas redes sociais, sem que se tenha havido qualquer tipo de explicações públicas. O HM questionou as autoridades sobre o episódio, mas até ontem não recebeu qualquer resposta sobre o episódio. Antes da “detenção” do robô, uma mulher foi filmada a ralhar com o humanóide e a chamar-lhe maluco, depois de ter ficado assustada com a presença da máquina. Em reacção o robô levanta os braços, o que levou a mulher a abandonar o local.

10 Mar 2026

Investigação | Redes sociais servem para encontrar genros e noras

Os pais chineses estão a recorrer às redes sociais para encontrar genros e noras, através de anúncios e discussões centrados em atributos práticos e pautados por uma notável “ausência de amor”, revela uma investigação da Universidade de Macau.

A investigação de Todd Lyle Sandel, professor do departamento de Comunicação da Universidade de Macau (UM), centra-se no envolvimento parental em grupos de encontros na plataforma de mensagens WeChat (semelhante ao WhatsApp na China), onde os pais descrevem frequentemente os filhos como se listassem produtos num mercado: “Altura, peso, educação, situação económica, casa própria” são os critérios típicos apresentados, revelou na sexta-feira o investigador na apresentação do trabalho, que ainda decorre.

“O que é impressionante é a ausência de ‘amor’ ou ‘sentimento’ nos anúncios de apresentação”, acrescentou Sandel, o foco está em características mensuráveis, não na ligação emocional, disse numa conferência na UM.

“Os homens casam para baixo, as mulheres casam para cima”, com a expectativa de “homens como provedores e mulheres como donas de casa”, sendo que a preferência dominante é que uma “mulher case com um homem mais velho que tenha casa, rendimento mais elevado e seja altamente escolarizado”, aponta a investigação.

Esta prática reflecte os mercados matrimoniais físicos ainda hoje encontrados em parques de várias cidades chinesas, onde os pais expõem pedaços de papel com detalhes sobre a idade, educação e profissão de potenciais cônjuges para os filhos e filhas.

A análise de Sandel baseia-se na observação, iniciada em 2024, de um grupo de WeChat com aproximadamente 500 membros dedicado à procura de parceiros para os filhos pelos pais, funcionando como uma versão digital dos tradicionais mercados matrimoniais em parques.

Num dos anúncios recolhidos pelo investigador, uma mãe escreve sobre a filha: “Boa índole, figura esbelta, pele clara, normalmente não usa maquilhagem, aparenta ser muito mais nova do que a idade real”. Pretende um homem “mais alto do que 170 cm, emprego estável, que trabalhe em Guangzhou, não seja careca, não seja gordo, tenha temperamento calmo, seja responsável, honesto, de preferência que não fume ou beba pouco e partilhe as tarefas domésticas”.

A descrição dos rapazes pelos pais dá ênfase aos bens materiais e morais: “filho único, pais reformados, tem casa própria, é ambicioso, tem carta de condução, respeita os mais velhos”.

 

Realidades paralelas

Da investigação de Sandel, duas realidades sociológicas distintas, mas interligadas, ganham destaque: as dificuldades enfrentadas por mulheres altamente bem-sucedidas, no topo da pirâmide social, as chamadas “mulheres sobrantes”; e a dos homens das classes mais baixas, especialmente nas áreas rurais.

“As mulheres com níveis elevados de educação e rendimento têm dificuldade em encontrar parceiro porque o paradigma tradicional exige que o homem seja ‘superior'”, explicou o investigador. “No topo da pirâmide, há poucos homens que preenchem este critério”, acrescentou.

Inversamente, Todd Lyle Sandel observou que os homens em zonas rurais enfrentam uma escassez de mulheres, uma situação motivada pelo desequilíbrio ainda existente na proporção de géneros e pela migração de mulheres para os centros urbanos.

A idade média do primeiro casamento, segundo Sandel, de acordo com dados de 2020, é em média aos 29,54 anos para os homens e aos 28,14 anos para as mulheres, sendo que se verifica uma tendência para o aumento da idade em ambos os casos, crescente ano após ano.

Finalmente, de acordo com os resultados da investigação de Sandel até agora, a observação do grupo de WeChat sugere que encontrar com sucesso um par um genro ou uma nora através destes canais “é raro”.

9 Mar 2026

Tribunal | Ex-CEO de grupo Star falhou por ligações com Suncity

O Tribunal Federal da Austrália considerou que Matthias Bekier violou as suas obrigações de diligência, na forma como lidou com o grupo fundado por Alvin Chao. No entanto, a justiça ilibou os outros ex-directores do grupo australiano de qualquer falha

Um juiz do Tribunal Federal da Austrália decidiu que o ex-administrador do grupo Star Matthias Bekier violou as suas obrigações legais, devido às ligações com a promotora de jogo Suncity. O caso remonta a 2022, quando a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC, em inglês) instaurou um processo contra o grupo de casinos australiano, por considerar que não foram adoptados os procedimentos necessário para mitigar os riscos de branqueamento de capitais.

De acordo com a Sky News Australia, o juiz Michael Lee decidiu que o ex-presidente do conselho de administração da Star, Matt Bekier, e a jurista da empresa, Paula Martin, falharam nos seus deveres de diligência, principalmente no que diz respeito às operações da Suncity no casino The Star. A empresa de Macau explorava uma sala de jogo com o nome Salon 95 no casino localizado em Sydney.

Segundo a decisão, Bekier devia ter tido conhecimento dos relatórios sobre as ligações dos promotores de jogo Alvin Chau e Qin Sixin, e terminado as relações comerciais com estes empresários. Michael Lee indicou também que Bekier devia ter conhecimento dos riscos devido às alegadas ligações de Alvin Chau com o crime organizado.

Em relação a Qin, além de promotor, era jogador no casino The Star, e foi detido no início da década de 2010, por suspeita de lavagem de dinheiro e de actividades bancárias ilegais.

Derrota do regulador

Segundo a Sky News Australia, a decisão foi uma derrota para o regulador, uma vez que a ASIC pretendia que a justiça considerasse não só que todos os directores da empresa tinham falhado nas suas obrigações de diligência, como também parte deles tinham prestado declarações enganadoras aos reguladores.

A ASIC também defendeu em tribunal que os funcionários da Star manuseavam sacos com notas de 50 dólares amarradas com elásticos, que depois eram entregues nas mesas de jogo em sacos térmicos, enquanto os operadores bloqueavam a visão das câmaras de CCTV com cobertores.

Apesar da posição do regulador, o juiz considerou inocentes os ex-directores da Star John O’Neill, Richard Sheppard, Katie Lahey, Sally Pitkin, Gerard Bradley, Benjamin Heap e Zlatko Todorcevski, por entender que não deixaram “de exercer os seus poderes e cumprir as suas funções”.

9 Mar 2026

Lisboa-Hong Kong | Empresários avisam que ligação requer subsídios

O especialista Erik Young considera que os voos de ligação a Portugal iriam servir não só Hong Kong, mas toda a Grande Baía, incluindo Macau. Porém, avisa que o sucesso da ligação dependeria da forma como Lisboa lidasse com os passageiros de África e do Brasil

Representantes empresariais e do sector de aviação alertam que uma ligação aérea entre Lisboa e Hong Kong teria custos elevados e poderia precisar de apoios estatais para reduzir o risco.

Uma possível ligação aérea entre Portugal e Hong Kong voltou a ganhar destaque após contactos recentes entre autoridades portuguesas e a Autoridade do Aeroporto de Hong Kong.

No início de Fevereiro, decorreu uma reunião entre o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e a directora executiva da Autoridade do Aeroporto de Hong Kong (AAHK, na sigla em inglês), Vivian Cheung Kar-fay.

“[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo”, disse o Consulado na altura.

Numa resposta escrita a questões da agência Lusa, a AAHK disse que tem procurado “estabelecer contactos com companhias aéreas e parceiros comerciais do sector global, incluindo autoridades governamentais e operadores aeroportuários”.

Segundo Erik Young, especialista em aviação sediado em Hong Kong, uma transportadora como a TAP teria que olhar para “além do simples interesse dos passageiros” e analisar vários “pilares críticos”.

O consultor destacou que “seria necessário avaliar o equilíbrio entre viagens de negócios de alto rendimento, turismo e, crucial para este tipo de percurso de longo curso”, a capacidade de carga no porão.

“Um voo destes não serve apenas Hong Kong; o seu sucesso depende da área de captação da Grande Baía e da eficiência com que o hub de Lisboa consegue ligar passageiros a mercados secundários no Brasil e em África”, apontou o especialista em aviação.

Ligações com PLP

Em termos económicos, sublinhou que se deve observar as “tendências de investimento estrangeiro directo, os volumes de comércio entre a Grande China e os mercados lusófonos”, e a competitividade relativa da frota da TAP face às transportadoras que oferecem ligações com uma escala.

Young apontou ainda que para rotas de longo curso com custos de entrada elevados, “algum tipo de apoio inicial ou um Acordo de Serviços Aéreos robusto” é frequentemente o factor decisivo na mitigação do risco.

“Em última análise, não é uma questão de sim ou não. Trata-se de um projecto de viabilidade aprofundado e não de uma observação rápida. O caso comercial exige um alinhamento muito específico destes pontos”, concluiu.

O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse à Lusa que a possibilidade de uma ligação aérea directa entre Portugal e Hong Kong ou Macau “surge ciclicamente no debate público devido ao interesse histórico e económico crescente entre Portugal e o sul da China.

“Do ponto de vista técnico, hoje essa ligação parece ser possível”, disse Mendia, lembrando que a distância entre Lisboa e Hong Kong ronda os 11 mil quilómetros e que aeronaves modernas de longo curso, como o Airbus A330-900neo da TAP Air Portugal, têm autonomia suficiente para realizar o voo sem escalas.

No entanto, o responsável destacou que “a questão central não é tecnológica, mas sobretudo económica” pois “as rotas intercontinentais exigem uma massa crítica consistente de passageiros e carga para serem sustentáveis”.

Actualmente, o mercado entre Portugal e o sul da China é servido de forma indirecta através de grandes hubs europeus e do Médio Oriente.

“Existem mais de 300 voos semanais entre a região da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e Lisboa com ligação intermédia em aeroportos como Paris, Frankfurt, Istambul ou Dubai. Isto demonstra que existe procura, mas ainda distribuída por esses grandes centros de ligação”, acrescentou.

Potencial significativo

Apesar disso, Mendia considera que o potencial estratégico é significativo, considerando que Grande Baía, que integra Hong Kong, Macau, Shenzhen e Guangzhou, reúne mais de 70 milhões de habitantes e constitui um dos maiores polos económicos do mundo.

O espaço da lusofonia reúne cerca de 260 milhões de pessoas, o que cria um eixo potencial muito relevante entre a Ásia e os países de língua portuguesa, avisa, no qual “Portugal pode desempenhar um papel natural de plataforma de ligação”.

Neste contexto, uma ligação directa poderia beneficiar não apenas do tráfego entre Portugal e o sul da China, mas também de fluxos mais amplos entre a Ásia e os mercados lusófonos. “Lisboa pode tirar partido da sua posição geográfica e da rede atlântica da TAP Air Portugal”, disse.

O secretário-geral da CCILC apontou ainda um cenário “particularmente interessante” de algum eventual envolvimento de uma companhia aérea chinesa no processo de privatização da TAP.

“Nesse caso, poderia abrir-se a possibilidade de posicionar Lisboa como um verdadeiro hub de ligação entre a Europa, a Ásia e o espaço lusófono”, afirmou.

“Em vez de os passageiros portugueses terem de se deslocar a grandes capitais europeias para voar para a Ásia, poderia acontecer o inverso: passageiros de várias cidades europeias passarem a utilizar Lisboa como porta de entrada para voos directos para a Ásia, com todos os benefícios para Portugal associados”, acrescentou.

Se tal vier a acontecer, concluiu Mendia, “Lisboa poderá afirmar-se como um ponto de encontro natural entre três grandes espaços económicos: a Europa, a Grande Baía do sul da China e o mundo lusófono”.

9 Mar 2026

Jogo | SJM culpa fecho de casinos-satélite por prejuízos em 2025

A concessionária do jogo em Macau SJM Holdings culpou ontem o encerramento de oito ‘casinos-satélite’, após terminar 2025 com um prejuízo de 429 milhões de dólares de Hong Kong.
Em 2024, o grupo fundado pelo magnata do jogo Stanley Ho Hung Sun (1921-2020) tinha registado um lucro de três milhões de dólares de Hong Kong.
Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a empresa admitiu que o desempenho financeiro no ano passado “foi afectado pelo encerramento progressivo dos casinos-satélite”.
Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo.
No entanto, a SJM apenas encerrou oito ‘casinos-satélite’, dos nove que detinha, uma vez que a empresa adquiriu, por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong, o Casino Royal Arc e obteve autorização do Governo para gerir directamente o espaço.
“Estes desenvolvimentos resultaram numa perturbação das receitas a curto prazo; consequentemente, exerceram pressão sobre a rendibilidade global e a quota de mercado durante o período de transição”, disse a operadora.
A quota de mercado da SJM encolheu 1,1 pontos percentuais, para 11,9 por cento, em 2025, uma vez que as receitas do grupo caíram 0,7 por cento, para 28,6 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025.
Já as receitas do jogo nos casinos geridos directamente pela SJM aumentaram 4,6 por cento, para 18,9 mil milhões de dólares de Hong Kong.
A presidente da SJM, Daisy Ho Chiu-fung, defendeu no comunicado que há razões para optimismo ao “abrir um novo e empolgante capítulo”, depois de “um período de significativo realinhamento estratégico”.
A empresa sublinhou que as receitas vindas do chamado mercado de massas – apostadores que não recorrem a crédito – já ultrapassaram em 44,4 por cento o nível atingido em 2019, antes da pandemia de covid-19.
Após a compra do Royal Arc, a dívida da SJM aumentou 7,3 por cento, para 29,3 mil milhões de dólares de Hong Kong.

6 Mar 2026