Casinos | Associação apela a mais formação para prevenir transmissões

Foram noticiados recentemente vários casos de pessoas apanhadas a filmar, e transmitir em directo, mesas de jogo em casinos de Macau para colocar apostas a pedido de terceiros. Na sequência desses casos, a Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau apela às concessionárias de jogo para reforçarem a formação profissional de funcionários, croupiers e da equipa de segurança, para combater estes actos.

Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da associação, Song Wai Kit, aponta que as filmagens não só violam a lei através de jogo ilegal, como colocam em perigo a segurança financeira de Macau e podem fomentar branqueamento de capitais.

O responsável argumentou que apesar do possível reforço da fiscalização da polícia e da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, as autoridades têm recursos humanos limitados, factor que não afecta os casinos. Daí o pedido aos casinos para apostarem no combate a este fenómeno, cobrindo áreas maiores das zonas de jogo.

Além disso, Song Wai Kit observou que tem sido evidente nos últimos anos o desconhecimento de turistas em relação à proibição de filmar dentro de casinos, chegando ao ponto de serem partilhados nas redes sociais vídeos que mostram as áreas de jogo. Como tal, o responsável sugeriu ao Governo e concessionárias que ampliem a consciência dos visitantes para as leis de Macau.

13 Jul 2026

Caso das Saunas | PJ anuncia detenção de mais um agente aposentado

O número de agentes e ex-agentes envolvidos nas três organizações de exploração de prostituição subiu para seis. A mais recente detenção aconteceu na quinta-feira, quando o suspeito que estava a monte entrou no território

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de mais um inspector reformado ligado ao caso das saunas. A informação foi revelada na sexta-feira, e faz subir para seis o número de agentes e ex-agentes da PJ ou do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) detidos.

O suspeito tem 63 anos, é um residente local, agente reformado da PJ e foi detido na quinta-feira, pouco tempo depois de ter entrado em Macau.

Segundo a investigação, o suspeito juntou-se, em 2024, a um dos grupos de exploração de prostituição e recebia mensalmente 100 mil patacas para fornecer informações ao grupo sobre as fiscalizações policiais.

Além disso, a PJ indicou que o detido aconselhava o grupo de exploração de saunas a operar de forma a evitar a aplicação da lei e a evitar as potenciais investigações. O agente reformado é assim suspeito de auxiliar o grupo ilegal a organizar e manter a exploração contínua da prostituição, e lucrar pelo menos 2,6 milhões de patacas.

Quando apresentou a detenção, a PJ afirmou que “dispõe de provas suficientes” para demonstrar que o detido integrava a organização criminosa de exploração de prostituição, recebia pelo papel que desempenhava e ajudava a encobrir as actividades tidas como ilegais.

O homem está indiciado pelos crimes de associação criminosa, exploração de prostituição e favorecimento pessoal.

À espera da entrada

A PJ comunicou também que a detenção do sexto agente só foi possível na quinta-feira, porque até agora o homem estava fora de Macau.

Apesar disso, as autoridades estavam sinalizadas para a necessidade de fazer a detenção, o que aconteceu na quinta-feira, na Zona Norte de Macau, depois do homem ter voltado ao território.

O caso das saunas foi revelado no mês passado, quando a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre os detidos encontra-se Leong Heng Hong, então Segundo-Comandante do CPSP e que foi removido do cargo, após a detenção.

As autoridades acreditam que os envolvidos nos alegados crimes foram responsáveis pela gestão e exploração de várias saunas que terão gerado lucros de 790 milhões de patacas.

Apesar de o caso só ter sido revelado no mês passado, a PJ divulgou que desde 2019 tinha informações sobre a existência de três grupos de prostituição que utilizavam saunas como fachada para disfarçarem a prestação de serviços sexuais, com mulheres recrutadas na Ásia, Sudeste Asiático e no Leste Europeu.

13 Jul 2026

Docentes universitários de Timor-Leste formados em Macau

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) anunciou que irá dar formação a professores da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL).

Num comunicado divulgado na quinta-feira, a UPM indicou que recebeu na RAEM a visita de uma delegação da instituição de ensino superior timorense, liderada pelo reitor Joviano António da Costa.

As duas universidades falaram em Macau sobre a promoção da cooperação tanto académica como em investigação, incluindo o intercâmbio de estudantes e investigadores. A instituição comprometeu-se a “oferecer formação avançada para professores e programas de pós-graduação para docentes e investigadores” da UNTL.

As universidades discutiram ainda temas como o crescente papel da tecnologia digital nas humanidades e na linguística aplicada, tecnologia de tradução e o papel da IA na geração de textos em língua portuguesa. A UPM recordou que a visita aconteceu na sequência de um protocolo de cooperação, assinado em Novembro, que prevê ainda o reforço dos laços na formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português.

O acordo foi assinado à margem da 15.ª conferência do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), que decorreu na capital de Timor-Leste no final de Novembro.

A reunião anual das universidades e politécnicos lusófonos foi uma organização conjunta da UNTL, da Universidade Católica Timorense São João Paulo II e da Universidade de Díli.

13 Jul 2026

Países hispânicos | Macau é “largamente desconhecido”

Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas

 

Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono.

Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”.

O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”.

O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”.

O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano.

“Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou.

Poderio económico

A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025.

O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno.

Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”.

Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas.

“Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou.

O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”.

“Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.

13 Jul 2026

Homem detido devido a transacções fictícias

Um empresário de 39 anos foi detido, ontem, pela Polícia Judiciária (PJ), depois de uma rusga. O suspeito obteve ilegalmente os dados de cartões de crédito emitidos no exterior e utilizou a informação para fazer transacções fictícias.

No âmbito dos alegados crimes, o residente de Macau utilizou três terminais de pagamentos fornecidos por bancos de Macau, obtendo 620 mil patacas, que foram depois movimentadas para um destino incerto.

A investigação começou com base na denúncia de dois bancos ao Gabinete de Informação Financeira. As suspeitas foram levantadas devido ao grande volume de transacções com cartões de crédito estrangeiros em apenas três terminais de pagamentos.

Como o detido é proprietário de um café, de uma empresa de processamento de alimentos e ainda de um restaurante, utilizou os terminais desses negócios. Contudo, uma vez que as transacções foram realizadas fora dos horários de expediente, os bancos classificaram as operações como suspeitas.

De acordo com os registos, entre Novembro de 2024 e Janeiro do ano passado, o empresário realizou 311 transacções fictícias. Entre estas, 98 foram bem-sucedidas levando a um ganho de 623.253 patacas. No entanto, 10 dos 98 pagamentos, que envolvem 246.214 patacas, foram contestados pelos clientes junto dos bancos emissores dos cartões.

As restantes 213 transacções, que totalizavam 2,88 milhões de patacas, acabaram por falhar, pelo que o empresário não conseguiu aceder ao dinheiro.

Apesar da detenção, a PJ ainda está a tentar localizar o destino dos fundos movimentados pelo empresário.

12 Jul 2026

DSAT | Recebidas 47 propostas para licenças para 700 táxis novos

O concurso público para atribuir 14 licenças que vão colocar no mercado 700 novos táxis recebeu 47 propostas. Cada concessionário poderá operar 50 veículos. Um dos requisitos do concurso passa pela obrigatoriedade de os serviços estarem disponíveis em aplicações online para chamar táxis

Foram abertas ontem as propostas do concurso público para atribuição de 14 licenças de táxi, que vão introduzir 700 novos táxis no território. Cada concessionária poderá operar 50 veículos. Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), foram recebidas 47 propostas para as licenças e os resultados do concurso serão divulgados no último trimestre deste ano.

Ainda não há certeza quanto a datas, mas a DSAT prevê que as sete centenas de novas viaturas comecem a operar de forma faseada entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano, e terão licença para operar durante oito anos.

Um dos requisitos para a atribuição de licenças procura colmatar uma lacuna do mercado de táxis de Macau: a não generalização das plataformas online para chamar um táxi, como funciona a Uber ou DiDi. Dessa forma, um dos requisitos para a atribuição das licenças é a obrigatoriedade de fornecer serviços de marcação de táxis, à semelhança da forma como operam as aplicações referidas.

O chefe da Divisão de Gestão de Transportes da DSAT, Pang Man Kin, afirmou ontem que actualmente estão em circulação 1.553 táxis, 303 dos quais vão sair do mercado com a validade das licenças a expirarem em 2028.

Termos e condições

Além do requisito de facultar os serviços de táxi em plataformas online, as empresas candidatas ao concurso público também devem garantir que as viaturas são híbridas (gasolina e electricidade), ou movidas a energias renováveis, têm capacidade para seis lugares e aceitam pagamentos electrónicos.

Além disso, cada concessionária tem de incluir na sua frota veículos aptos a transportar pessoas com mobilidade reduzida.

Recorde-se que entre os critérios de avaliação das propostas, o Governo terá em conta sobretudo o valor da licença, mas também a proporção de recursos humanos locais contratados.

O preço base das licenças foi fixado em 2,5 milhões de patacas e do concurso não pode resultar que uma empresa fique com a operação de mais de 300 táxis. Além do preço das licenças, os candidatos tiveram de pagar uma caução de 3,5 milhões de patacas para submeter as propostas.

12 Jul 2026

Atropelamentos | DSAT prepara mais passagens aéreas pedonais

Após o acidente mortal com uma criança de 10 anos, o Executivo quer “segregar” carros e pessoas, através de passagens aéreas e subterrâneas. As medidas ainda estão a ser equacionadas pela DSAT

Face ao recente atropelamento fatal de uma criança na passadeira, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) quer reduzir o número de passadeiras, levar os peões a subirem escadas e a esperarem por elevadores para atravessarem as estradas. A estratégia está a ser estudada e foi explicada na resposta a uma interpelação escrita do deputado José Pereira Coutinho.

Segundo o documento assinado por Chiang Ngoc Vai, director da DSAT, a estratégia para reduzir o número de atropelamentos passa pela aposta “na segregação entre veículos e peões”.

A DSAT está, assim, a “estudar” a criação “de instalações pedonais desniveladas em determinados troços de elevada circulação, em novas zonas urbanas e em locais onde se verifiquem riscos de segurança na travessia”.

Os governantes acreditam que com mais passadeiras aéreas, ou subterrâneas, acedidas através de rampas, escadas e elevadores vai ser possível melhorar “o ambiente de deslocação pedonal”.

O documento com a data de 29 de Junho explica que as medidas ainda vão demorar algum tempo a ser implementadas, porque o Governo está ainda numa fase de auscultação das escolas e associações locais.

A resposta foi escrita antes da passada segunda-feira, dia em que foram registados quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras.

Na interpelação, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia saber quais são os esforços feitos pelas autoridades para familiarizar os condutores do exterior com as estradas e hábitos de condução locais.

Vídeos online

Na resposta, Chiang Ngoc Vai indicou que foram colocados vídeos online e que foram emitidas “orientações”: “Relativamente às precauções a ter em conta pelos condutores provenientes do exterior ao conduzir em Macau, a DSAT e o CPSP [Corpo de Polícia de Segurança Pública] lançaram conjuntamente as ‘Orientações e normas de condução a cumprir em Macau’”, foi contado. “A par disso, foi publicada na página electrónica oficial uma série de vídeos sobre a ‘Situação rodoviária de Macau’, acompanhados de textos e imagens, no sentido de reforçar, desde a sua origem, a consciencialização destes condutores sobre o cumprimento da lei”, foi acrescentado.

Chiang indica que como forma de garantir a segurança, as autoridades multaram 2.176 pessoas por atravessar a estrada fora da passadeira, e 1.279 condutores por não cederem passagem nas passadeiras ou conduzirem ao telemóvel.

12 Jul 2026

DSAMA | Cheias de Guangxi sem grande impacto em Macau

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) anunciou ontem que, após análise e avaliação em conjunto com o departamento de recursos hídricos do Interior, não se prevê que a situação de cheias causada pelas chuvas torrenciais em Guangxi tenha impacto significativo no abastecimento de água de Macau ou na navegação marítima.

As autoridades afirmaram que as chuvas a montante foram controladas e reguladas por importantes projectos de conservação hídrica, como o de Datengxia, e posteriormente desviadas por centrais hidroeléctricas e albufeiras.

Após serem distribuídas naturalmente por múltiplos afluentes na rede fluvial da planície do Delta do Rio das Pérolas, a jusante, o nível da água baixou gradualmente e acabou por ser descarregado directamente no mar através de múltiplos estuários do Rio das Pérolas. Como tal, a DSAMA conclui que as chuvadas e as cheias não tiveram “qualquer impacto significativo em Macau, que se situa no lado ocidental do estuário do Rio das Pérolas”.

No final do comunicado, a DSAMA alerta que a partir de amanhã, as águas ao largo de Macau podem receber “uma quantidade significativa de detritos flutuantes trazida pelas correntes”. Como tal, serão intensificadas as patrulhas e a intervenção rápida, para “garantir a segurança da navegação e a higiene das praias”.

9 Jul 2026

Casinos | Transações duvidosas sobem 8,7% no até Junho

As transações suspeitas em casinos subiram 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. Das mais de 2.700 participações recebidas pelo Gabinete de Informação Financeira, 73,7 por cento foram provenientes de casinos

 

Durante os primeiros seis meses de 2026, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) registou um aumento de 8,7 por cento das transações suspeitas nos casinos do território. A entidade referiu que as seis operadoras de jogo submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 9,5 por cento no número total de transações suspeitas.

Entre Janeiro e Junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 7,6 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas.

Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando Macau tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas.

 

Fama ou proveito

No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet.

Em Março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as “actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”. Isto apesar da detenção, em Novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo.

No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’.

“Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

9 Jul 2026

PJ | Investigador demitido por ausências e atrasos foi reintegrado

O cancelamento da demissão resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância, que entendeu que o processo disciplinar não teve em conta os mais de 10 anos de classificações de bom e muito bom do desempenho do agente

 

 

A Polícia Judiciária (PJ) foi obrigada a reintegrar um investigador criminal que através de atrasos e ausências sem autorização evitou 22 dias interpolados de trabalho no espaço de um ano e meio. A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial, e resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que considerou ilegal a aplicação da pena de demissão ao agente.

“Nos termos do artigo 174.º do Código de Processo Administrativo Contencioso […] é anulada a pena de demissão ao ex-investigador criminal principal […] com efeitos retroactivos a partir do dia 23 de Novembro de 2024”, pode ler-se num despacho assinado por Sit Chong Meng, director da PJ.

O caso começou em 2022, quando a PJ instaurou um processo disciplinar ao agente ligado a várias infracções, todas cometidas entre Agosto e Setembro desse ano.

Segundo a acusação, o agente deixou o posto de trabalho sem autorização 12 vezes, chegou atrasado ou saiu antes de cumprir o horário 12 vezes, não picou o ponto 33 vezes, apresentou 8 relatórios falsos de trabalho, transferiu as chamadas do telemóvel de trabalho para o seu telemóvel pessoal seis vezes, o que contraria as normas internas, e não apresentou um relatório de transferência de turno. Houve ainda 18 vezes em que deixou Macau e foi a Zhuhai sem pedir autorização aos superiores, como exige o regulamento interno da PJ.

Com base nas infracções de atrasos e saídas do posto de trabalho, a PJ concluiu que o agente deixou por cumprir um total de horas que é equivalente a 22 dias de trabalho.

Atenuantes ignoradas

Apesar de a acusação não ter levantado problemas a nível da factualidade para o TSI, os juízes optaram por aceitar o recurso do agente, porque o processo disciplinar não valorizou condições atenuantes nem explicou o impacto das infracções na manutenção da relação entre as duas partes.

Segundo o tribunal, a penalização do processo disciplinar está obrigada a ter em conta a conduta do agente antes e depois das infracções. Em relação a este aspecto, concluiu-se que em mais de 10 anos de serviço o agente teve um desempenho classificado como “bom” ou “muito bom”. Como este facto não foi considerado pela Administração, a pena de demissão foi anulada pelo tribunal.

A sanção tinha também valorizado a agravante de o agente ter um grau de bacharel e ter atingido a categoria de investigador criminal principal. Apesar da regra que exige mais a quem tem um nível de instrução superior e funções com mais responsabilidade, os juízes entenderam que tal não se aplica a deveres gerais mais básicos, como os zelo e obediência.

9 Jul 2026

Trânsito | Segunda-feira marcada por quatro atropelamentos

As ocorrências na tarde de chuva fizeram com que três peões e um condutor tivessem de receber assistência médica. Pelo menos dois dos atropelamentos aconteceram em duas passadeiras

A tarde de segunda-feira ficou marcada por quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras, de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Estes são os mais recentes episódios deste género, num ano que já ficou marcado pela morte de uma criança que atravessava numa passadeira.

Segundo o CPSP, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, um dos quatro atropelamentos aconteceu na Avenida do Almirante Magalhães Correia, na Areia Preta, junto ao Centro Industrial Keck Seng. Neste acidente, o condutor, de 40 anos, terá desrespeitado um semáforo vermelho e atingido um transeunte.

A vítima terá precisado de receber assistência hospitalar, ao contrário do condutor. O homem acabou multado no local por não respeitar o sinal vermelho, sendo que o teste do álcool acusou negativo.

Registaram-se ainda outros dois casos em passadeiras. Uma das ocorrências foi verificada no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua de Silva Mendes, na Península de Macau, quando o condutor não terá cedido a passagem a um peão. O outro atropelamento, também numa passadeira, aconteceu na Taipa, na Estrada do Tiro, perto do hotel Wynn Palace. Estes dois acidentes causaram três feridos que foram levados para o hospital, incluindo um idoso com cerca de 60 anos.

Fora da passadeira

Também na tarde de segunda-feira, registou-se um quarto atropelamento de uma mulher de 80 anos. Neste caso, o acidente teve origem no facto de a idosa ter decidido atravessar a estrada fora da passadeira.

O atropelamento aconteceu perto do Edifício Kam Shau, com a idosa a sofrer uma contusão, o que levou a que fosse hospitalizada. Além dos ferimentos, segundo o canal chinês da Rádio Macau, a mulher foi ainda multada pela polícia por não ter atravessado a rua na passadeira.

Ao contrário de outras ocorrências, nos atropelamentos de segunda-feira não houve vítimas mortais. No entanto, este ano tem ficado marcado por alguns casos mais mediáticos.

A principal ocorrência aconteceu no final de Maio, quando um menino de 10 anos foi atingido por um carro que não parou na passadeira, na Avenida do Conselheiro Borja. O acidente ficou registado em vídeo, e mobilizou a comunidade, levando a várias homenagens no local e pedidos de maior segurança na estrada, até agora sem resultados visíveis.

Também na semana passada, uma idosa de 74 anos morreu, depois de ter sido atropelada no cruzamento entre a rua da Harmonia e a Travessa da Corda. De acordo com a Polícia de Segurança Pública, o acidente ocorreu quando a idosa atravessava a estrada e foi atropelada por um carro ligeiro que saía do cruzamento e fazia uma curva.

8 Jul 2026

Chineses estudam português por interesse profissional e cultural

Docentes da Universidade de Macau (UM) consideraram que o interesse dos estudantes chineses pela língua portuguesa passa principalmente por procurar melhores oportunidades de emprego, mas é também motivado pela curiosidade em relação à cultura lusófona.

A universidade iniciou na segunda-feira a 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, iniciativa que reúne cerca de 400 participantes provenientes de Macau, Hong Kong, Interior, Malásia e Canadá.

Embora a maioria dos participantes seja constituída por estudantes universitários do Interior interessados em melhorar as perspectivas de carreira, os coordenadores do curso sublinham que uma parte significativa procura o português por razões pessoais e culturais.

“Os estudantes universitários querem aproveitar o português para terem um trabalho melhor no futuro, mas também temos estudantes que já estão no mercado de trabalho e que provavelmente não precisam de saber português pelo trabalho ou para ganhar mais, mas porque gostam. Querem sentir a língua e a cultura por detrás da língua”, disse à Lusa Lu Chunhui, professor e investigador do Departamento de Português da UM e coordenador do Curso de Verão.

“Ainda me lembro de um estudante de cerca de 70 anos de Hong Kong, o mais velho que tive nas minhas turmas. Muitas pessoas como ele quiseram esta aprendizagem sem um objectivo prático, mas mostrando um empenho extraordinário, o que achei muito comovente”, afirmou.

Interesse na língua

A também coordenadora do curso, Tânia Ferreira, considera que a procura demonstra o interesse sustentado pela língua portuguesa na região.

“Este ano foram registadas 407 inscrições, com todas as vagas preenchidas nas primeiras horas, um registo recorde. Para um curso intensivo, é de louvar”, afirmou a professora auxiliar da Faculdade de Letras da UM.

A docente reconheceu que, para muitos participantes, o domínio do português continua associado às oportunidades profissionais nos países lusófonos.

“Tendo em conta o perfil dos inscritos nesta edição, que são maioritariamente universitários do Interior, o interesse é melhorar as suas competências na língua para de facto trabalharem com a língua portuguesa em países como o Brasil, os PALOP e, claro, Portugal”, explicou.

Mas acrescentou que o programa pretende igualmente aprofundar o contacto com a cultura dos países de língua portuguesa e com a identidade de Macau.

“O curso também é uma oportunidade para aprofundarem o seu conhecimento da cultura portuguesa ou brasileira. Este ano incluímos também elementos sobre Macau, como o patuá, sendo importante mostrar um exemplo vivo da herança portuguesa em Macau”, disse.

8 Jul 2026

Turismo | DST procura atrair estrangeiros que vão a Guangzhou

O Governo está a negociar com operadores estrangeiros benefícios de transporte para atrair turistas que visitam Guangzhou. Em relação ao projecto de abrir um escritório em Kuala Lumpur, a DST informa que já foi registada a empresa e as instalações estão a ser renovadas

O objectivo de captar turistas estrangeiros está a tomar forma em vários pontos do mundo. A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, indicou que estão em curso negociações com operadores estrangeiros para disponibilizar benefícios de transporte aos visitantes com destino a Guangzhou. O objectivo é incentivar os turistas internacionais que visitam o Interior da China, nomeadamente a capital da província vizinha, a prolongar o seu itinerário até Macau e expandir o mercado de viagens conjuntas.

A iniciativa insere-se na lógica das promoções lançadas para captar turistas que chegam ao aeroporto de Hong Kong, com bilhetes gratuitos de ligação directa do Aeroporto de Hong Kong até Macau, assim como com colaborações com companhias aéreas asiáticas e agências de viagens online para criar pacotes turísticos.

Helena de Senna Fernandes, em resposta a uma interpelação escrita de Song Pek Kei, indicou também que a abertura do escritório em Kuala Lumpur está a decorrer sem sobressaltos. “Actualmente, o Governo da RAEM já iniciou os trabalhos de implementação, avançando em simultâneo com o registo da empresa e a renovação das instalações de escritório.”

Esta entidade será detida totalmente por capitais públicos, mas terá um “registo comercial local sob a forma de sociedade privada limitada”.

Recorde-se que a abertura de uma representação na capital da Malásia foi uma promessa deixada na apresentação das Linhas de Acção Governativa para tratar de assuntos de economia, comércio, turismo e cultura, nomeadamente promovendo a marca turística Macau.

Pelos céus

Em relação ao Aeroporto de Macau, a líder da DST refere que a estratégia passa por reforçar a rede de rotas aéreas regionais centrada no Interior da China, no Sudeste Asiático e no Nordeste Asiático, e criar rotas de ligação à RAEM.

Desta forma, segundo Helena de Senna Fernandes, entende que será possível satisfazer as necessidades de deslocações de longa distância dos residentes de Macau, mas também facilitar a chegada de turistas internacionais a Macau através da rede de conexões aéreas.

Neste contexto, a responsável acrescenta que a Air Macau está a trabalhar, através da rede internacional da sua empresa-mãe, a Air China, no estabelecimento de Pequim e Chengdu como dois importantes hubs de ligação nacional. A ideia é criar voos interligados com “bagagem despachada até ao destino final e bilhete único”, de forma a ampliar “o alcance externo do mercado turístico de Macau”.

8 Jul 2026

PJ | Dois homens detidos por filmarem mesas de casino

Dois homens, oriundos do Interior da China, foram detidos no domingo por filmarem e transmitirem em directo online mesas de jogo em casinos de Macau. As duas detenções foram feitas em casinos diferentes (um na península e outro no Cotai), com as queixas a chegarem à Polícia Judiciária (PJ) com meia hora de diferença. Porém, as autoridades não apuraram se os casos estão relacionados e se os homens trabalhavam para a mesma organização.

Ambos tinham telemóveis escondidos em bolsos falsos nas camisolas, e enquanto transmitiam acção nas mesas de jogo recebiam encomendas para apostas de clientes com quem comunicavam através de auriculares com Bluetooth.

O caso no casino no Cotai foi descoberto por um segurança que suspeitou da postura pouco natural do indivíduo em mesas de bacará e máquinas de slot, fazendo apostas a rondar 8 mil dólares de Hong Kong

Os casos foram encaminhados ao Ministério Público pela prática de exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar online ou de aposta mútua online. A PJ, apesar de notar a semelhança no modus operandi dos suspeitos não conseguiu apurar ligações entre os dois homens, mas garantiu que as investigações vão prosseguir.

7 Jul 2026

Casinos | Funcionária desvia dinheiro para pagar dívidas

Uma funcionária de um hotel no Cotai é suspeita de desviar fundos no local do trabalho, ao apropriar-se de mais de 1,3 milhões de dólares de Hong Kong. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ). O dinheiro foi furtado para jogar e pagar dívidas de cartões de crédito.

O desvio dos fundos foi detectado durante uma auditoria interna, o que levou a empresa a alertar as autoridades, que avançaram para a detenção. A suspeita tem 47 anos, é residente local e trabalhava como caixa do casino-hotel, que não foi identificado.

A mulher conseguiu desviar o dinheiro porque o fundo de maneio provisório do hotel ficava guardado no departamento de contabilidade. A detida era uma das duas funcionárias com acesso a esse dinheiro.

No dia da descoberta do alegado crime, durante uma auditoria de rotina, a detida pediu uma reunião com o gerente do hotel e confessou que tinha o hábito de jogar. A suspeita admitiu ainda ter perdido a totalidade do dinheiro no jogo e não ter capacidade para repor a quantia, o que levou o representante do hotel a chamar a polícia.

Segundo a investigação da PJ, a mulher trabalhava na empresa desde 2021 e tem um historial de dívidas relacionadas com o jogo. Entre Maio e meados de Junho deste ano, aproveitando-se das suas funções e dos momentos em que estava sozinha na empresa, a suspeita retirou dinheiro do cofre e da máquina de contagem de notas em quatro ocasiões distintas, totalizando 1,33 milhões de dólares de Hong Kong. A suspeita levou o dinheiro para jogar num casino na zona do NAPE e também para liquidar dívidas de cartões de crédito.

Para ocultar o crime e evitar ser descoberta precocemente, cada vez que desviava dinheiro, utilizava fundos que ainda não tinham sido registados no sistema pela máquina de contagem de notas para repor o cofre.

7 Jul 2026

Saúde | Um quarto dos doentes com sintomas respiratórios tem covid-19

Um quarto das consultas médicas devido a sintomas respiratórios revelam infecções de covid-19, taxa que o director dos Serviços de Saúde considera “relativamente elevada”. Alvis Lo recomenda o uso de máscaras em locais públicos e vacinação a pessoas com sistemas imunológicos debilitados

Cerca de 25 por cento pessoas que vão a consultas médicas em Macau devido a sintomas de respiratórios estão infectadas com covid-19, revelou o director dos Serviços de Saúde, enquanto 15 por cento testam positivo ao vírus da gripe, proporção que está próxima do limite de alerta.

Em declarações prestadas no domingo, citadas pelo jornal Ou Mun, Alvis Lo aconselhou os residentes a prestarem atenção à higiene pessoal e ambiental, e a procurar assistência médica em caso de febre ou sintomas respiratórios, para evitar a propagação do vírus. Nesse sentido, o responsável recomenda o uso de máscaras em locais públicos, assim como manter hábitos que favoreçam o descanso e a vida saudável.

Além disso, apesar de não estarmos na época de vacinação para doenças respiratórias, Alvis Lo recordou que as vacinas para a covid-19 estão disponíveis e são aconselháveis para idosos, crianças e pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos.

Os Serviços de Saúde revelaram ontem dois casos colectivos de covid-19, um deles no Centro de Serviços Integrados para Idosos do Exército de Salvação, na Rua da Doca Seca, com 11 utentes a testarem positivo. O outro caso verificou-se na Creche Fai Chi Kei da Cáritas, na Travessa de Fai Chi Kei, onde foram identificadas três crianças infectadas. Em nenhum dos casos houve registo de casos graves ou outras complicações e os doentes apresentam condições clínicas estáveis.

Saúde nos bairros

Em relação à prevenção de doenças crónicas, Alvis Lo acrescentou que na primeira metade deste ano quase 100 mil pessoas receberam assistência nos diversos postos de saúde e consulta médica espalhados pelos bairros residenciais do território.

Os exames de medição de pressão arterial e níveis de glicemia identificaram mais de 1.900 novos doentes com hipertensão e mais de 300 novos doentes com diabetes. Face a estes resultados, o director dos Serviços de Saúde apelou à população com mais de 18 anos a verificar a pressão arterial pelo menos uma vez por ano, enquanto as pessoas com mais de 40 anos devem verificar a glicemia e lípidos no sangue, pelo menos, de três em três anos. O objectivo é detectar doenças crónicas precocemente.

7 Jul 2026

Gongbei | Mais de 64 milhões de travessias no primeiro semestre

As autoridades de Zhuhai revelaram que na primeira metade deste ano o Posto Fronteiriço de Gongbei registou mais de 64 milhões de travessias entre Zhuhai e Macau, fluxo que representou um aumento de 6 por cento face ao mesmo período do ano anterior.

Em relação à média diária de travessias, as autoridades de Zhuhai destacam um novo recorde, com mais de 460 mil passagens entre os dois territórios. Apesar do registo recordista, é esperado o crescimento do fluxo transfronteiriço com a entrada na época de Verão, do aumento das viagens de estudo, férias familiares e viagens entre províncias que tenham como destino locais relativamente perto de Macau. Assim sendo, as autoridades estimam que o recorde do primeiro semestre deste ano volte a ser ultrapassado.

O canal entre as Portas do Cerco continua a ser o posto fronteiriço mais movimentado entre a RAEM e o Interior da China, com fluxo diário de residentes de Macau e Zhuhai a continuar a ser o pilar principal das travessias, apesar do aumento considerável de residentes do Interior da China que visitam Macau para fazer turismo.

7 Jul 2026

Ilha Verde | Depósito de combustíveis convertido em estacionamento

A Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que o Depósito Provisório de Distribuição dos Combustíveis da Ilha Verde e o local adjacente será convertido num parque de estacionamento público provisório ao ar livre.

O parque, situado no cruzamento entre a Estrada Marginal da Ilha Verde, a Rua das Camélias e a Estrada Nova da Ilha Verde, tem 198 lugares, dos quais 115 para “veículos de mercadorias destinados ao transporte de gases ou combustíveis líquidos e 83 lugares de estacionamento para motociclos”.

A partir de 15 de Julho, o parque de estacionamento será alvo de obras de remodelação para permitir o estacionamento de motociclos.

O espaço irá seguir o modelo de “primeiros 15 minutos gratuitos” e de “cobrança a cada meia hora”, e será fixado um limite máximo de tarifas para os veículos de mercadorias de 60 patacas por dia, por um período máximo de estacionamento de oito dias consecutivos.

A DSAT acrescentou que a conversão do espaço pretende “optimizar o aproveitamento dos recursos de solos e aliviar a procura de estacionamento por parte de veículos pesados e ligeiros de mercadorias destinados exclusivamente ao transporte de gases ou combustíveis líquidos”.

7 Jul 2026

Subemprego | Associação alerta para falta de confiança das empresas

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que a subida da taxa de subemprego é um sinal sobre o estado da economia e afirma que esta tendência aumenta a pressão económica sobre os residentes

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que o aumento da taxa de subemprego reflecte a falta de confiança das empresas na economia, que estão a optar por trabalhadores a tempo parcial. O subemprego verifica-se quando um empregado trabalha menos horas pagas do que aquelas que desejava, como acontece, por exemplo, em situações de layoff ou de emprego parcial.

Ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Choi Chin Man, explicou que a subida da taxa de subemprego para 2,4 por cento resulta do ambiente económico actual que faz com que as empresas evitem os vínculos laborais a tempo inteiro e prefiram os contratos a tempo parcial.

Choi indicou também que o facto de haver mais pessoas disponíveis para realizarem vários trabalhos em regime de part-time não reflecte uma preferência, mas antes a falta de alternativas.

No entanto, a Associação dos Recursos Humanos de Macau alerta para os efeitos nocivos desta tendência. Segundo o responsável, o facto de estes trabalhadores não gozarem da totalidade da protecção laboral prevista na lei faz com que sintam uma pressão económica e familiar maior.

O dirigente associativo apontou também que este tipo de fenómeno muitas vezes não vem reflectido nas estatísticas oficiais, o que faz com que seja um problema “oculto”.

Ainda sobre o mercado de trabalho a tempo parcial, Choi alertou para a “forte sazonalidade”, o que faz com que as necessidades dessa mão-de-obra variem ao longo do ano, havendo alturas em que até garantir um trabalho deste género é difícil.

Concessionárias douradas

Sobre o mercado de trabalho, a Associação dos Recursos Humanos de Macau indicou que actualmente apenas as concessionárias de jogo estão a contratar trabalhadores de forma regular.

Em relação aos negócios nas zonas comunitárias e nas zonas antigas, Choi Chin Man explicou que os incentivos ao consumo do Governo, através do sorteio de cupões de desconto, apenas aliviaram alguma pressão, mas não resolvem as dificuldades operacionais. E como não se espera uma alteração desta tendência, Choi indicou que mesmo que na segunda metade do ano se verifique uma redução da taxa de subemprego não é de esperar que estes problemas fiquem resolvidos.

Apesar dos problemas, Choi Chin Man elogiou a cooperação entre o Executivo e as concessionárias de jogo, que adoptaram o modelo: “contratar, primeiro, formar depois”. Para o dirigente da associação esta iniciativa está a apresentar resultados, pelo que deixou o desejo de que seja estendida a outros sectores, como empresas estatais, bancos, instituições de interesse público e de ensino superior.

7 Jul 2026

Aliança do Povo | Pedida solução para edifícios sem administração

A Aliança de Povo de Instituição de Macau pediu ao Governo para acelerar a conclusão do estudo sobre o modelo de gestão conjunta de imóveis para edifícios velhos. A posição foi tomada depois de um andaime ter colapsa do num centro comercial no Iao Hon, acidente que não causou feridos. A gestão conjunta de imóveis para os edifícios velhos é uma ideia copiada de Hong Kong, que permite a contratação de uma entidade para gerir vários edifícios antigos sem moradores ou proprietários capazes de chegarem a um acordo sobre como gerir os espaços comuns. Segundo o jornal Ou Mun, o vice-presidente da associação, Yuan Hanjun, explicou que o centro comercial no Iao Hon está há anos sem manutenção de longo prazo e que o acidente foi um sinal de alerta. Yuan argumentou que a sociedade tem de se mobilizar para evitar este tipo de ocorrências, ao implementar o modelo de gestão conjunta. O vice-presidente sugeriu ainda que o Governo subsidie as obras destes imóveis, quando não houver corpo de gestão do edifícios e capacidade financeira.

6 Jul 2026

Comerciantes querem esplanadas na Praia de Hac Sá

Os vendedores de comida da praia de Hac Sá queixam-se de que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a prejudicar-lhes o negócio, ao não permitir a instalação de esplanadas. As queixas foram trazidas a público pela Associação de Auxílio Mútuo de Vendilhões de Macau.

De acordo com um artigo publicado no jornal Ou Mun, os comerciantes sentem que estão a perder oportunidades de venderem mais comida e bebidas, porque os turistas não têm lugar para comer à frente das bancas de venda.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o membro executivo da associação, Cheang Ka Leong, explicou que, segundo os novos modelos de consumo, os turistas procuram um local para comer churrasco, com condições para estarem sentados e a conversar de forma relaxada. No entanto, como não há esplanadas, os consumidores acabam por não ficar, porque não têm lugares para se sentarem.

O também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais defende assim uma maior flexibilidade nestes assuntos, através da definição de uma zona para os comerciantes instalarem mesas e cadeiras. Cheang destacou ainda que os vendedores estão empenhados em garantir que o local permanece limpo, de forma a haver um equilíbrio entre as exigências da higiene pública e a sobrevivência daqueles negócios.

6 Jul 2026

Exames nacionais de Portugal com atrasos e novas datas

A avaliação dos exames nacionais em Portugal passou a ser realizada electronicamente. Porém, a inovação trouxe dificuldades aos professores no acesso a provas e critérios de correcção

Os erros técnicos na avaliação dos exames nacionais em Portugal levaram o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) a adiar o lançamento das notas e a 2ª fase das provas. O anúncio sobre as novas data, que vão ter impacto nos alunos e corpo docente da Escola Portuguesa de Macau foi feito na sexta-feira, através de um comunicado.

Este ano, pela primeira vez, mais de 300 mil exames nacionais dos alunos do 11º e 12º anos foram digitalizados, para depois serem distribuídos pelos professores para avaliação. Contudo, o procedimento tem encontrado vários problemas, com docentes, sindicatos e associações a revelarem situações como falta de folhas de respostas dos alunos ou falhas no portal que impediram o acesso aos itens de avaliação.

Estes problemas obrigaram o MECI a reagir: “As dificuldades informáticas no processo de classificação electrónica dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário pressionaram o cumprimento do calendário inicialmente previsto”, foi reconhecido. “Embora seja tecnicamente ainda possível assegurar o cumprimento dos prazos para a entrega das classificações, a 10 de Julho, e para a afixação das pautas, a 14 de Julho, o MECI entende que devem ser igualmente ponderadas as condições de trabalho dos professores classificadores, garantindo sempre o rigor e a qualidade do processo de classificação, dimensões das quais o MECI não abdica”, foi acrescentado.

Como resultado, as avaliações passam a decorrer até 14 de Julho, em vez de 10, e as pautas vão ser afixadas a 17 de Julho, em vez de 14 de Julho. A 2ª fase dos Exames Finais Nacionais foi adiada para o período entre 20 e 24 de Julho, quando estava previsto que decorresse entre 20 e 22 de Julho.

Mais problemas à vista

Face às alterações, em declarações ao Canal Macau, Filipe Figueiredo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Portuguesa de Macau (APEP), reagiu com “espanto”, porque afirmou que anteriormente o ministro da Educação de Portugal tinha dito que “estava tudo a correr lindamente”. “Isto só nota que isto foi mal feito. Em primeiro lugar, nunca foi ponderado o interesse dos alunos nem das famílias, porque isto não traz vantagens para ninguém, causa mais mal-estar, mais ansiedade e agora resta saber o que vai acontecer quando saírem as notas”, apontou.

Segundo Filipe Figueiredo, os problemas vão agravar-se quando forem divulgadas as notas: “As notícias são bastante assustadoras. Conheço professores que estão a corrigir exames e que dizem que o sistema está em baixo e que não apresenta informações fidedignas”, revelou.

No entanto, até sexta-feira, dia do comunicado, Filipe Figueiredo ainda não tinha recebido qualquer queixa, embora admitisse que entre a comunidade escolar a confiança nos resultados da primeira fase dos exames é “nula”.

6 Jul 2026

Jogo | Dependência económica traz “riscos estruturais” para a China

Um dos principais riscos enumerados pelos académicos do Instituto de Economia da Universidade de Jinan é a movimentação de fluxos de capital do Interior da China para o exterior, através de Macau

Dois académicos chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental.

Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do sector desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”.

O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais.

Segundo a investigação, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos.

As receitas brutas do jogo subiram de cerca de 23,5 mil milhões de patacas em 2002 para 361,8 mil milhões de patacas em 2013, com o valor acrescentado do jogo a representar entre 45 por cento e 60 por cento do PIB durante muitos anos.

Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70 por cento e 80 por cento das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas em 2024.

Mais de 80 mil trabalhadores

O emprego no sector passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população activa a subir de 204.000 para 388.000.

No entanto, os académicos alertam para a “dominância esmagadora de uma única indústria”, que deixou a economia vulnerável.

Os investigadores apontaram que o sector hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6 por cento em 2003 para 5,9 por cento em 2024, mas as infra-estruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos.

A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas em 2019 para 202,0 mil milhões em 2020.

“Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores.

Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas, acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros sectores. Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde.

Segurança financeira

Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das actividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais.

Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afectando cadeias industriais e sistemas sociais.

O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70 por cento dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente.

O estudo reconhece que a atractividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.

6 Jul 2026

Crime | Residente detido por apostas ilegais em jogos do Mundial

Um residente de Macau, de apelido Sou, foi detido em Taiwan por suspeitas de apostas ilegais em jogos de futebol. Segundo noticiou o website noticioso TVBS, de Taiwan, a polícia da região desmantelou uma rede criminosa ligada a apostas ilegais de futebol, e deteve oito pessoas de Taiwan, Hong Kong e Macau.

A mesma fonte realçou que o residente da RAEM tem o mesmo nome de um director do grupo junket Tak Chun. Porém, as autoridades ressalvaram não terem a certeza se o indivíduo pertenceria à rede criminosa e que seriam precisas investigações mais aprofundadas.

Os detidos alugaram, em meados do mês passado, um edifício em Tainan. Apesar de terem alegado que o motivo da viagem para o local seria turismo, as autoridades suspeitam que a razão seria montar um esquema de apostas ilegais com base nos jogos do Mundial de Futebol.

Na residência em Tainan foram descobertos dezenas de computadores, monitores e livros de contabilidade. O esquema envolveu apostas de mais de 10 mil milhões de dólares taiwaneses, ou seja, 2,5 mil milhões de patacas.

3 Jul 2026