João Santos Filipe Manchete SociedadeNovo Bairro | Insatisfação com descontos e qualidade de construção Obrigados a pagar o que consideram defeitos de construção e insatisfeitos com a política recente de descontos para novos compradores, alguns proprietários de habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, foram ao centro de vendas mostrar o seu estado de espírito A qualidade de construção das habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, e a adopção de descontos para atrair novos compradores levaram alguns moradores a manifestar-se. Segundo vídeos partilhados nas redes sociais, cerca de 10 pessoas, algumas com máscaras e outras com bandeiras da República Popular da China, deslocaram-se ao centro de vendas do projecto, no outro lado da fronteira, a pedir explicações e a mostrar insatisfação. Nas imagens é possível ver uma mulher, com a cara destapada, a mostrar-se insatisfeita com o facto de os moradores terem de pagar os reparos relacionados com defeitos de construção. “As janelas caem e as paredes apresentam fissuras, e temos de ser nós a pagar a reparação do nosso bolso porque nos dizem que o prazo de garantia das obras chegou ao fim”, criticou. O Novo Bairro de Macau foi construído pela empresa Macau Renovação Urbana, uma entidade financiada a 100 por cento com capitais públicos. O empreendimento situado em Hengqin tem cerca de 4 mil habitações que apenas podem ser compradas por residentes. Além das bandeiras, os manifestantes apresentavam ainda papéis com imagens de cebolinhas chinesas por se sentirem explorados. Na sociedade chinesa, a expressão remete para os pequenos investidores nas bolsas financeiras que são enganados ou explorados por grandes empresários, mas que mesmo assim não abdicam de defender os seus direitos. Todavia, a expressão evoluiu e deixou de ser utilizada apenas no contexto financeiro. Gota de água Na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a campanha de promoções “triplo incentivo”, que atribui aos novos compradores do projecto regalias na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e reduções das despesas com a gestão do condomínio. Além disso, a empresa também anunciou que a venda dos apartamentos no projecto passa a poder ser feita por qualquer agente imobiliário, a troco do pagamento de uma comissão de três por cento. Até agora, apenas alguns agentes estavam autorizados a realizar as vendas. No entanto, as medidas criaram insatisfação entre os manifestantes que acusam o Governo de ter faltado à verdade ao indicar que as suas compras foram feitas ao preço de construção. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, vê-se a mulher perguntar. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo?”, interrogou. A mesma pessoa indica ainda que as vendas deste projecto dependem da credibilidade das autoridades e que estas acções prejudicam esse activo. O HM contactou ontem a Macau Renovação Urbana sobre o incidente, mas até ao fecho de edição não recebeu qualquer resposta.
Andreia Sofia Silva SociedadeViolência | Homem morre após discussão familiar Um homem morreu no hospital depois de se ter sentido mal no contexto de uma forte discussão com a mulher, de 62 anos. Segundo o jornal Ou Mun, o caso ocorreu na última sexta-feira de madrugada, às 4h30, na casa de ambos em Seac Pai Van, Coloane. A mulher saiu à noite e, quando voltou, começou a discutir com o marido, exigindo o pagamento de despesas diárias e dívidas de 10 mil patacas contraídas nos últimos anos. A conversa escalou para a violência, tendo o homem, segundo relato da Polícia Judiciária (PJ), agredido a mulher com uma barra de exercícios, o que a levou a pegar em duas facas em resposta à agressão. Nesta fase, o homem sentiu-se mal e desmaiou, tendo chegado ao hospital já sem sinais de respiração ou batimentos cardíacos. O homem sofria de doença cardíaca e ficou com alguns ferimentos no contexto desta disputa familiar, estando a PJ ainda a investigar se estes foram provocados pelas facas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público pela suspeita da prática de crimes de ofensa simples à integridade física, pela gravidade do resultado, e ainda o crime de produção, detenção ou utilização de arma ou coisa conexa proibida.
Hoje Macau SociedadeCriminalidade | Casos ligados ao jogo sobem 12,3 por cento Os crimes relacionados com o jogo atingiram 1.951 nos primeiros nove meses do ano, mais 12,3 por cento do que em igual período de 2025. De acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira à noite pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, Chan Tsz King, o aumento deveu-se sobretudo aos crimes de burla e de câmbio ilegal de dinheiro. As forças policiais da região registaram entre Janeiro e Setembro 558 casos de burla (mais 21,3 por cento) e 404 casos de câmbio ilegal de dinheiro (mais 11,9 por cento). São sublinhadas quedas em crimes “que anteriormente afectavam gravemente a segurança pública”, como empréstimo ilícito para jogo a cair 12,6 por cento e o sequestro a diminuir 57,1 por cento. As autoridades recordaram que 15 pessoas, incluindo seguranças de um casino em Macau, foram detidas no final de Julho, sob suspeita de associação criminosa, extorsão e coação. A nota revela também que a Polícia Judiciária conseguiu bloquear mais de 77 mil portais de jogo ilegais, através de um mecanismo de acção conjunta com o sector dos casinos. O gabinete de Chan Tsz King disse ainda que “a consciência da sociedade sobre a prevenção de burlas aumentou “de forma significativa”, com quedas nas burlas com recurso às telecomunicações e à Internet. No entanto, o balanço não refere quaisquer detalhes e menciona apenas uma queda de 8,5 por cento nas burlas em geral e de 29,8 por cento na criminalidade informática. No geral, as forças policiais de Macau registaram quase dez mil delitos criminais nos primeiros nove meses do ano, menos 0,9 por cento do que no mesmo período de 2025, sobretudo graças a uma queda de 8,5 por cento nas burlas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeComércio | Patrick Dumont considera que “trégua” beneficia EUA e China O director-executivo da Las Vegas Sands está confiante no futuro do jogo em Macau e confirmou os planos de investimento na criação de um jardim icónico. Além de estar ligado à concessionária, Dumont é proprietário dos Dallas Mavericks O director-executivo da empresa norte-americana Las Vegas Sands, empresa-mãe da concessionária Sands China, afirmou que a China e os Estados Unidos (EUA) “só têm a ganhar” com a trégua comercial. No final de Setembro, os dois países chegaram a acordo para prorrogar até 10 de Janeiro de 2027 a trégua comercial alcançada em Outubro de 2025 e que iria expirar em 10 de Novembro. “As duas maiores economias do mundo só têm a ganhar ao encontrar melhores formas de colaborar e investir mutuamente, gerando resultados benéficos para ambos os lados”, disse Patrick Dumont. “As economias de ambos os países podem beneficiar de melhores relações, mais investimento e mais intercâmbios”, acrescentou o executivo, numa entrevista à agência de notícias financeiras Bloomberg. “Esperemos que isso continue a longo prazo e que possamos colher os frutos, pois o turismo é um sector fantástico que aproxima as pessoas”, defendeu Dumont. Patrick Dumont esteve em Macau, onde a concessionária Sands China organizou dois jogos de pré-época da NBA, em parceria com a própria liga, entre os Dallas Mavericks Dallas e os Houston Rockets. Além de estar ligado à Sands China, Dumont é o proprietário dos Mavericks Dallas, equipa do Texas. Optimista face ao jogo Em Setembro, as receitas do jogo em Macau registaram o quarto mês consecutivo com quedas homólogas, caindo 17,5 por cento para o valor mais baixo dos últimos dois anos: 18,1 mil milhões de patacas. Ainda assim, Patrick Dumont disse que permanece optimista quanto às perspectivas para o território. “Para nós, investir em Macau é algo que queremos mesmo fazer. Estamos muito entusiasmados com os nossos investimentos em áreas para além do jogo”, disse o director-executivo da Las Vegas Sands, empresa-mãe da Sands China. As declarações de Dumont surgem depois de, na terça-feira, o presidente da Sands China, Grant Chum Kwan Lock, ter garantido que a empresa vai investir mais 33,4 mil milhões de patacas no território, incluindo na criação de “um jardim de inverno icónico” com 50 mil metros quadrados. “Continuaremos a investir em instalações e infra-estruturas, incluindo o jardim de inverno previsto no nosso contrato de concessão de jogo, que acreditamos que se tornará um novo marco de Macau após a conclusão”, afirmou Chum, citado pelo jornal Ou Mun. Sobre estes investimentos, o director-executivo da Las Vegas Sands afirmou que a longo prazo “irão (…) criar experiências únicas que façam os visitantes voltar a Macau e que tragam mais turistas vindos de locais mais distantes”.
Hoje Macau SociedadeTransacções | Suspeitas casos sobem até Setembro O número de transacções suspeitas registadas em casinos subiu 7,9 por cento nos primeiros nove meses do ano, em comparação com igual período de 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos na região chinesa submeteram, no total, 2.968 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Segundo estatísticas divulgadas na sexta-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 10,3 por cento no número total de transacções suspeitas. Entre Janeiro e Setembro, o gabinete recebeu 4.138 participações, sendo que 71,7 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 20,3 por cento vieram de bancos e seguradoras e 8 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando a região semiautónoma chinesa tinha fixado um recorde no número de transacções suspeitas.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMedicina | Director da FMUL vinca aposta na formação “internacional” O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa quer desenvolver “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional” com a Universidade de Macau, com licenciatura e mestrado. Em entrevista ao HM, o médico diz que Macau tem as condições ideais para a cooperação nesta área Foi em Abril deste ano que a Universidade de Macau (UM) e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) assinaram um acordo-quadro para a criação de uma licenciatura de medicina clínica em Macau, na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, e também um mestrado integrado em parceria com a FMUL. Em entrevista ao HM, o director da FMUL, João Fonseca, considerou que a ideia é promover “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional”, sendo que, nesta fase, as duas instituições de ensino estão ainda a “trabalhar no desenho final detalhado do programa e do modelo de funcionamento” dos cursos. “A contribuição da FMUL passará, sobretudo, pela experiência acumulada no ensino médico, desenvolvimento curricular, metodologias pedagógicas e de avaliação”, disse. A cooperação abrange ainda áreas como a “formação de docentes e participação directa no ensino nas áreas onde for necessário, e ainda pela articulação entre as componentes científica e clínica do curso”. O director da FMUL destacou que outro dos objectivos é “criar condições para uma mobilidade efectiva de estudantes e docentes entre Macau e Lisboa e o desenvolvimento de projectos conjuntos de investigação”. Pretende-se, desta forma, “construir um programa adaptado ao contexto local, mas alinhado com padrões internacionais exigentes de formação médica”. Parcerias concorrentes Há muito que a FMUL colabora com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) no curso de medicina. João Fonseca refere que a cooperação na UM será um complemento à formação já existente. “A cooperação com a MUST pode continuar e aprofundar-se, ao mesmo tempo que desenvolvemos este novo projecto estruturante com a UM. Para a FMUL, é muito positivo poder estabelecer pontes com diferentes instituições académicas de Macau”, declarou. O director da FMUL acrescentou que “a grande novidade deste projecto é a criação de um curso de Medicina na Universidade de Macau, uma universidade pública, desenvolvido em parceria com a Universidade de Lisboa. Queremos contribuir para a formação de médicos com preparação científica e clínica de elevada qualidade, capazes de responder às necessidades futuras de saúde da população de Macau e da grande área envolvente de Macau”, explicou. Outra aposta é recorrer à formação médica “como ponto de partida para uma cooperação mais ampla nas áreas da investigação biomédica, investigação clínica, inovação e formação pós-graduada”, para que se crie com Macau “uma parceria académica e científica de longo prazo”. No que diz respeito à parceria com a MUST, que tem uma Faculdade de Medicina que também disponibiliza um programa académico na área de Farmácia, João Fonseca diz que tem sido “muito positiva”. Desde 2019 que as duas entidades colaboram. “Essa relação tem vindo a evoluir para áreas que vão além do ensino médico, incluindo encontros científicos, colaboração entre docentes e investigadores e projetos internacionais conjuntos”, rematou o director da FMUL.
Hoje Macau SociedadeProstituição | CPSP detecta caso de falso emprego O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) divulgou um caso de uma empregadora que contratou de forma simulada uma trabalhadora não-residente, para que esta pudesse prostituir-se no território. Segundo a informação citada pelo jornal Ou Mun, a situação foi descoberta no domingo, quando, numa operação de rotina, as autoridades identificaram uma mulher estrangeira que tinha o estatuto de trabalhadora não-residente. Contudo, a identificada não conhecia o local de trabalho nem as tarefas que desempenhava na companhia associada à sua autorização de permanência. Como o CPSP suspeitou de que estava diante de uma contratação simulada, entrou em contacto com a empregadora, uma residente local, que acabou por confessar o esquema. De acordo com as explicações da residente local, a contratação foi feita a pedido da prostituta, que através de um intermediário se disponibilizou a pagar 30 mil patacas pela quota de trabalhador não-residente. Por sua vez, o intermediário recebeu uma comissão de 1.500 patacas por ter colocado as duas partes em contacto. Além disso, o intermediário confessou ter estabelecido igualmente uma relação laboral falsa com a empregadora no ano passado, pagando-lhe 8.000 patacas para poder utilizar o estatuto de trabalhador não-residente e permanecer em Macau durante longos períodos de tempo. A mulher estrangeira está indiciada pela prática do crime de simulação de actos jurídicos para a obtenção de autorização, que tem prevista uma pena de prisão de dois a oito anos.
João Santos Filipe SociedadeSJM | Concessionária quer integrar desenvolvimento nacional A presidente da SJM Resorts, Daisy Ho, afirmou que a concessionária vai trabalhar para se integrar no panorama de desenvolvimento no país. A promessa foi deixada ontem, durante uma cerimónia da empresa de celebração do 77º aniversário da Implantação República Popular da China. Citada pelo jornal Ou Mun, a presidente da empresa fundada por Stanley Ho, e filha do magnata falecido, indicou que o desenvolvimento interno da operadora de casinos vai seguir “três grandes direcções” que são o “desenvolvimento ecológico”, “integração entre Hengqin e Macau” “e inovação do turismo”. Estes objectivos acompanham as metas de governação traçadas pelo Governo da RAEM. Daisy Ho defendeu ainda que as lições dos mais de 60 anos de percurso da empresa demonstram que “só” com a integração “no panorama geral do desenvolvimento nacional” será possível “alcançar perspectivas ainda mais amplas”. Por isso, a responsável prometeu que a SJM vai “acompanhar o pulsar da época, manter a inovação com base nos princípios fundamentais e contribuir para o desenvolvimento de alta qualidade de Macau”. Por sua vez, a deputada e administradora da empresa, Angela Leong, indicou que “a SJM Resorts tem mantido sempre a sua intenção original de amor pela pátria e por Macau”. Leong destacou ainda que Stanley Ho sempre insistiu num conceito empresarial “centrado nas pessoas” e que cuidasse de forma dedicada dos trabalhadores do grupo. A cerimónia de ontem contou com uma cerimónia de içar da bandeira que ficou a cargo da equipa de hasteamento da bandeira da SJM.
João Santos Filipe Manchete SociedadeÓbito | Jornalista Mário Cardoso morreu na quarta-feira O ex-jornalista e ex-advogado Mário Cardoso morreu na quarta-feira aos 83 anos de idade. A informação foi divulgada pelo Clube de Jornalistas, ao qual o falecido se associou durante a fundação. “A direcção do Clube de Jornalistas apresenta sentidas condolências a todos os familiares e amigos de Mário Cardoso”, pode ler-se numa nota de imprensa emitida ontem. Mário Cardoso viveu durante mais de 40 anos em Macau, onde chegou em 1980 com o propósito de contribuir para a criação da Teledifusão de Macau (TDM). Para esta escolha, contou o facto de o ex-jornalista ter integrado o grupo de fundadores da RTP Açores, em 1975. No entanto, o seu percurso começou anos antes, quando integrou a redacção do Diário de Lisboa. Foi nessas funções que Cardoso esteve no Largo do Carmo no 25 de Abril de 1974, acompanhando de perto as acções de Salgueiro Maio e a Revolução dos Cravos. Nos anos 70, o futuro residente de Macau integrou também a redacção do jornal A Capital. Além das funções de jornalista, em 1988, Mário Cardoso foi um dos primeiros alunos do curso de Direito na Universidade da Ásia Oriental, actualmente Universidade de Macau. Com as novas qualificações, em 1998, o jornalista começou a desempenhar as funções de técnico superior da Administração Pública de Macau. Em 2011, deixou a Administração Pública e dedicou-se a uma nova aventura na advocacia, até ter decidido regressar a Portugal.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePátio do Espinho | Aliança do Povo quer reabilitação e “Corredor Cultural” A Aliança do Povo defende que a revitalização do Pátio do Espinho deve assegurar a reabilitação de casas e sítios respeitando a arquitectura original. É defendida a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau”, que ligue o Pátio do Espinho à zona das Ruínas de São Paulo “Preservar a vivência quotidiana e revitalizar o património histórico”. Estes são objectivos que a associação Aliança do Povo de Instituição de Macau pretende que o Governo cumpra no plano de revitalização do Pátio do Espinho, bairro muralhado situado atrás das Ruínas de São Paulo. Segundo um comunicado enviado às redacções, assinado pela vice-presidente Tong Ho Laam, defende-se a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau” que estabeleça a ligação entre um Pátio do Espinho renovado e as Ruínas de São Paulo, o Templo de Na Tcha e a Fortaleza do Monte. A vice-presidente recorda que o Pátio do Espinho “fica a poucos passos das Ruínas de São Paulo e beneficia de uma localização privilegiada, reunindo condições para atrair residentes e visitantes”. Pede-se, assim, a preservação de características culturais e arquitectónicas das casas segundo o conceito de “micro-reabilitação”, ou seja, “preservar o antigo como antigo e construir o novo como se fosse antigo”. Alguns dos espaços mais importantes a ter em conta na reabilitação, segundo a associação, são “o antigo poço, as muralhas e as árvores centenárias”. Velhos contadores A Aliança do Povo pede também melhorias nas infra-estruturas “envelhecidas”. “Muitas habitações encontram-se degradadas. Devido a questões relacionadas com a propriedade das casas ou preservação do património, em algumas habitações não é possível aumentar a capacidade dos contadores de água e luz, ou até instalar mais”, é explicado. Desta forma, alerta a associação, “são frequentes cortes de luz em períodos de maior consumo no Verão”, enquanto que “alguns moradores apontam insuficiências nas condições de higiene e nos equipamentos de combate a incêndios”. Além disso, existe “proliferação de ratos”. Assim, a vice-presidente pede que o Governo dê prioridade à reabilitação das velhas redes de esgoto, melhore o abastecimento de água e de electricidade, modernizando cabos e instalando bocas de incêndio, a fim de reduzir riscos para a segurança da população. Na segunda-feira, o grupo de trabalho especializado de renovação e revitalização do Pátio do Espinho reuniu a propósito deste projecto. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana, está em curso o “Projecto conceptual preliminar do estudo espacial urbanístico e planeamento de bairros comunitários do Pátio do Espinho”, que inclui inspecções ao local para levantamento das necessidades de reabilitação. Pretende-se realizar “a optimização e reordenamento do espaço ambiental e paisagem urbana das ruas”, bem como “potenciar o aproveitamento dos recursos culturais e turísticos para melhorar o ambiente habitacional”. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, garantiu que “no processo de renovação e revitalização do Pátio do Espinho, procurar-se-á assegurar o equilíbrio entre a conservação, salvaguarda do património cultural e o desenvolvimento”.
Hoje Macau SociedadeJoias | Vendas de ouro aumentam durante a Semana Dourada A Associação das Ourivesarias de Macau apontou que, durante a Semana Dourada, as receitas e o volume de vendas de produtos de joalharia e ouro registaram um crescimento de dois dígitos em termos anuais. Apesar disso, os preços praticados foram mais reduzidos. Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da associação, Lee Koi Ian, considera que o preço do ouro baixou em comparação com o final de Agosto e que, durante a Semana Dourada, a compra se tornou mais razoável e atraente para os turistas. Por outro lado, o também deputado recordou que, em Novembro do ano passado, entrou em vigor a medida que cancelou o benefício da dedução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na venda a retalho de ouro no Interior da China. Além disso, a recente valorização do renminbi face à pataca reforçou as vantagens competitivas das joias de ouro em Macau, impulsionando as vendas. Lee Koi Ian mantém uma perspectiva positiva em relação às vendas da joalharia de ouro no quarto trimestre, por ser a época tradicional de compra do metal precioso motivada pela procura associada a casamentos e a outras festividades.
Hoje Macau SociedadeSamuel Tong diz que os turistas estão mais prudentes nos gastos Apesar de a economia do Interior da China manter o crescimento de 4,5 por cento este ano, o presidente do Instituto de Gestão de Macau, Samuel Tong, argumenta que a taxa de crescimento diminuiu e que o consumo dos turistas chineses também. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável afirmou que o desempenho das acções do Interior da China e de Hong Kong está a ser pior do que no ano passado, pelo que as pessoas têm menos confiança na altura de gastar, adoptando uma postura mais cautelosa. O especialista explicou também que, ao mesmo tempo, a correcção do mercado imobiliário não apresenta sinais de ter chegado ao fim, o que contribui igualmente para o menor consumo dos visitantes. Este é um cenário que também se verifica ao nível dos turistas de Hong Kong e internacionais, devido ao aumento dos preços dos combustíveis motivado pela guerra entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão. Samuel Tong explicou que a guerra está a manter os preços dos combustíveis elevados e a causar uma pressão inflacionista num clima de incerteza económico. Como resposta, os bancos centrais das economias avançadas, como Europa e EUA, subiram os juros para combater a inflação, limitando o acesso ao crédito. Macau a sofrer Face às mudanças económicas no exterior, Tong considera impossível que Macau não seja afectada. Por isso, o também membro do Conselho Executivo defende que o Governo deve aproveitar os fundos de orientação governamental para atrair investimento social, impulsionando assim as oportunidades de emprego e a procura interna. Samuel Tong também apontou que o Governo precisa de acelerar o passo na melhoria da qualidade dos turistas, expandindo a rede de rotas aéreas para facilitar a visita de turistas internacionais. Por outro lado, o académico destacou que os comerciantes devem entender que o período de crescimento anterior à pandemia acabou, devendo acelerar a transformação para consolidar a sua competitividade.
Hoje Macau Manchete SociedadeTurismo | Quase 1,9 milhões visitaram Macau nos feriados Macau recebeu quase 1,9 milhões de turistas nos 13 dias de semana dourada prolongada, o que se deveu à proximidade das festividades do Meio do Outono com os sete dias das celebrações da Proclamação da República Popular da China Quase 1,9 milhões de turistas visitaram Macau durante os 13 dias que incluíram a festa do Meio do Outono e a chamada “semana dourada” do Dia Nacional da China, foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), mais de 1,87 milhões de visitantes entraram no território entre 25 de Setembro e 7 de Outubro. Este período incluiu os três dias da festa do Meio do Outono, uma festividade tradicional chinesa cuja data muda anualmente consoante o calendário lunar, e os sete dias do Dia Nacional da China. A semana dourada registou uma média diária de 163 mil visitantes, ultrapassando as expectativas da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), que tinha previsto uma média diária de 150 mil. A CPSP não forneceu detalhes sobre o local de origem dos turistas, mas, segundo a DST, nos primeiros cinco dias do período, a esmagadora maioria (mais de 797.500) veio do Interior da China, seguida da vizinha região de Hong Kong (cerca de 85.700). Mais de 9,3 milhões de pessoas (incluindo turistas e residentes) atravessaram os postos de controlo fronteiriços de Macau durante os 13 dias, sendo que 5,32 milhões vinham do Interior da China, referiu a polícia. Mais visitantes em Hong Kong Já Hong Kong recebeu 1,3 milhões de visitantes chineses nos primeiros seis dias da “semana dourada” do Dia Nacional da China, mais 11,6 por cento do que no mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais do Departamento de Imigração da cidade. As semanas douradas são usadas como indicador da actividade económica da China, que procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia. As autoridades chinesas esperavam quase 2,8 mil milhões de viagens de passageiros durante o período entre as festas do Meio do Outono e do Dia Nacional da China. “Este ano, há apenas três dias úteis entre a festa do Meio do Outono e os feriados do Dia Nacional, pelo que algumas pessoas vão gozar um período alargado de 13 dias, o que conduzirá a novas alterações nos volumes e nos modos de transporte”, disse em 25 de Setembro o vice-ministro dos Transportes, Li Yang, citado pelo jornal estatal Diário do Povo.
Hoje Macau Manchete SociedadeNovo filme “Digger” retirado dos cinemas de Macau e Hong Kong O novo filme protagonizado por Tom Cruise, “Digger”, que estreou a nível mundial em 1 de Outubro, foi retirado à última hora dos cinemas de Macau e Hong Kong. “Digger” iria ser exibido nos cinemas do Galaxy Macau, mas não chegou a estrear e todas as referências ao filme do realizador Alejandro González Iñárritu foram retiradas do portal do empreendimento na Internet. A Lusa questionou ontem a empresa Galaxy Entertainment, proprietária do Galaxy Macau, sobre as razões que levaram à retirada do filme, mas não obteve até ao momento qualquer resposta. Contactado por telefone, um funcionário do Galaxy Macau admitiu não saber porque “Digger” foi retirado dos cinemas, acrescentando apenas que “alguns filmes não conseguem boas vendas”. “Digger”, que estreou em 1 de Outubro, Dia Nacional da China, inclui uma cena em que é sugerido um ataque nuclear contra o país e outra em que uma personagem descreve a população chinesa como “amarela” e um “cancro”. A aprovação e classificação dos filmes exibidos ao público são da competência do Instituto Cultural (IC). A Lusa perguntou ontem ao IC se tinha ordenado a retirada de “Digger”, mas não obteve até ao momento qualquer resposta. O filme da Warner Bros também foi retirado à última hora dos cinemas de Hong Kong, uma decisão que, de acordo a imprensa local, se deveu a “diálogo sensível”. O Gabinete de Administração de Filmes, Jornais e Artigos de Hong Kong, que inicialmente aprovou a estreia de “Digger”, não confirmou ao portal de notícias Hong Kong Free Press a retirada do filme. O Gabinete disse apenas que “sempre processou os pedidos de censura de filmes” de acordo com a lei em vigor e que “não faz comentários sobre filmes ou pedidos individuais”. Estreia fraquita A Warner Bros decidiu não distribuir “Digger” no Interior da China, que, ao contrário de Macau e Hong Kong, impõe um limite anual de 34 filmes estrangeiros, que na prática leva a que apenas grandes ‘blockbusters’ sejam distribuídos. “Digger” é uma comédia em que se cruzam o fantástico, a sátira e o humor negro sobre a actual crise climática, que deixou muitos críticos perplexos apesar do elenco sonante, liderado por Tom Cruise. O actor de 64 anos interpreta o protagonista Digger Rockwell, um magnata do petróleo cuja negligência causa uma catástrofe ecológica global, mas que está mais interessado em conter a má publicidade do que em mitigar os seus efeitos. “Digger” teve um fim-de-semana de estreia fraco, arrecadando apenas oito milhões de dólares nos EUA e 12 milhões de dólares, em 74 mercados a nível mundial. Um valor que não correspondeu às expectativas para um filme que teve um orçamento entre 125 e 180 milhões de dólares, de acordo com a imprensa especializada.
Hoje Macau SociedadeTroca ilegal de Dinheiro | PJ detém duas pessoas Duas pessoas do Interior da China foram detidas pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de estarem envolvidas em dois casos diferentes de trocas ilegais de dinheiro. A informação, citada pelo jornal Ou Mun, foi apresentada ontem numa conferência de imprensa. A primeira detenção aconteceu no domingo na sequência de um alerta de um segurança de um casino. O detido tem 37 anos e estava a trocar dinheiro na área de jogo. As autoridades suspeitam que o homem se dedicava à actividade ilegal desde Novembro do ano passado e que obteve ganhos ilícitos de 30 mil dólares de Hong Kong. A segunda detenção aconteceu na segunda-feira, envolve uma mulher com 41 anos e foi realizada também numa área de jogo de um casino local. A investigação revelou que a mulher se dedicava a esta actividade desde Junho deste ano, com ganhos ilícitos que terão atingido pelo menos 20 mil renminbis. Crime | Homem detido por fazer empréstimos usurários Um segurança foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) e está indiciado pelos crimes de usura e retenção indevida de documento. O caso foi revelado ontem em conferência de imprensa. O detido é um segurança, trabalhador não-residente das Filipinas, e as vítimas são duas compatriotas. A queixa partiu das mulheres, que a 17 de Setembro apresentaram queixa, depois de os seus documentos pessoais terem ficado retidos pelo segurança. Quando foi detido, na terça-feira, o homem recusou-se prestar declarações. No entanto, as investigações terão apurado que, entre Fevereiro e Abril deste ano, as duas vítimas pediram empréstimos ao suspeito nos valores de 2.500 patacas e 7.500 patacas, respectivamente. O homem fixou uma taxa de juro mensal de 10 por cento até ao pagamento integral do capital e exigiu a entrega dos documentos de identificação de ambas como garantia. Neste período, o suspeito cobrou às duas vítimas juros no valor de 850 patacas e 1.220 patacas, respectivamente.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeTáxis | Dirigente diz que sector não é atractivo para motoristas A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego atribuiu 14 licenças para a exploração de 700 táxis, mas Tony Kuok, dirigente associativo, diz que podem ser necessários cerca de dois mil motoristas e que o panorama de negócio pode não ser atractivo Tony Kuok, presidente da União Geral dos Taxistas de Macau, defendeu que as novas licenças para táxis podem acarretar maior necessidade de motoristas e que há o risco de os profissionais não verem interesse na profissão. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Tony Kuok estimou que podem ser necessários mais de dois mil motoristas de táxi para dar resposta às 14 licenças atribuídas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), e que trarão mais 700 veículos para o mercado. Cada licença terá a duração de oito ano, sendo que os novos veículos de transporte vão entrar gradualmente em operação a partir do segundo e terceiro trimestre do próximo ano. Tony Kuok salientou que, na actual situação, pode não ser fácil atrair novos profissionais. “Para os novos motoristas que entrem no sector, tudo vai depender dos benefícios que tenham no trabalho e quanto vão conseguir ganhar. Muitos dos motoristas mais antigos estão prestes a reformar-se e pode haver maior concorrência ao nível dos recursos humanos”, defendeu. Tony Kuok espera que o Governo reforce a fiscalização das condições de trabalho, para que estejam de acordo com o que está estipulado no caderno de encargos das licenças de táxi e para que os direitos dos motoristas estejam protegidos. O dirigente disse ainda que “as empresas devem ter sensibilidade em relação às necessidades dos motoristas e dos rendimentos que estes podem auferir”. “Se houver boas condições salariais, penso que os motoristas vão valorizar este trabalho e isso irá contribuir para um serviço melhor”, acrescentou. Pedido planeamento Ainda relativamente ao concurso de atribuição de novas licenças de táxi, as propostas vencedoras variam entre 5,1 e 6 milhões de patacas, valores superiores à proposta mais elevada do concurso de 2023, no valor de 3,8 milhões de patacas. O deputado Ngan Iek Hang, ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), considerou que o elevado número de empresas participantes no concurso público, e ainda o aumento dos valores das propostas, mostram como o sector reconhece as possibilidades de desenvolvimento da profissão e a procura que existe no mercado. O deputado espera que o Governo acelere o processo de entrada de novos veículos no mercado. “É necessário analisar o panorama do transporte de passageiros, incluindo as zonas de tomada e largada de passageiros e o valor da bandeirada, para que se possa fazer um planeamento global.” Ainda segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ngan Iek Hang pediu um estudo mais abrangente sobre este sector, tendo em conta o cenário de deslocação dos residentes e visitantes. O deputado defendeu ainda um incremento da comunicação entre a DSAT e as empresas que vão operar as licenças, a fim de garantir formação adequada a motoristas para melhorar o serviço de táxis.
João Santos Filipe Manchete SociedadeHengqin | UPM e UTM pagam 203,6 milhões a instituto do Interior O projecto de arquitectura e planeamento do campus da UPM e da UTM em Hengqin vai custar 203,6 milhões de renminbis. O serviço fica a cargo de um instituto da Universidade de Tecnologia do Sul da China, também responsável pelo projecto da UM no mesmo campus A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM) vão pagar cerca de 203,6 milhões de renminbis (245,1 milhões de patacas) pelo projecto de arquitectura e planeamento para o campus da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O serviço vai ser prestado pelo Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China. A informação foi divulgada no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) e a empresa terá sido escolhida por ajuste directo, o que implicou a dispensa de concurso público. O investimento vai ser feito através da Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, uma empresa que resulta da parceria entre as duas instituições de ensino. Dos 203,6 milhões de renminbis, 201,6 milhões são justificados com o valor do contrato pelos serviços prestados e os restantes 2 milhões são fundamentados com a “reserva para despesas/fundo de maneio”. A adjudicação foi feita a 23 de Setembro e foi revelada na terça-feira. A somar milhões Este é o segundo contrato que é adjudicado directamente ao Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China no âmbito do projecto da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. Em Julho do ano passado foi revelado que a empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, propriedade da Universidade de Macau, acordou pagar 153,8 milhões de renminbis (173,3 milhões de patacas), também por ajuste directo, ao instituto do Interior da China. À semelhança do contrato mais recente, também o de 2025 previa o projecto de design arquitectónico do campus na Cidade Universitária. Face a estes valores, no espaço de dois anos, o Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China somou 357,4 milhões de renminbis (cerca de 430 milhões de patacas) em contratos para projectar campus em Hengqin. O campus em Hengqin está instalado na “Cidade Alemã”, um projecto falhado que pretendia captar investimento germânico para a Ilha da Montanha. As obras estão a ser realizadas em diferentes fases e o objectivo do Executivo da RAEM é criar condições para receber 20 mil alunos até 2029. A primeira fase do projecto foi inaugurada no Verão deste ano, quando foram recebidos os primeiros estudantes e docentes.
Hoje Macau Manchete SociedadeLucros dos bancos de Macau subiram 5 por cento até Agosto Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,51 mil milhões de patacas nos primeiros oito meses do ano, mais 5 por cento do que no mesmo período de 2025, foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais, a principal razão para a subida nos lucros foi um aumento de 33 por cento, para 13,9 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos. Isto apesar de o regulador financeiro de Macau ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana. Em Setembro, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aprovou a primeira subida desde 2023 da taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injecções de capital de curta duração, com efeito imediato. Os lucros da banca da RAEM subiram apesar de um agravamento de 25,6 por cento nos custos de funcionamento, que atingiram 13,8 mil milhões de patacas. Segundo a AMCM, a maior subida registou-se nas dotações para provisões, reservas para cobrir potenciais perdas, que aumentaram 62,9 por cento, para 5,73 mil milhões de patacas. Isto apesar do crédito malparado na banca de Macau ter caído, pelo quarto mês consecutivo, para 45,7 mil milhões de patacas, muito longe do máximo de 57,8 mil milhões de patacas, fixado em Junho de 2025. Vencedores e vencidos Os empréstimos vencidos representavam 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos um ponto percentual do que em Agosto de 2025. Uma percentagem que sobe para 4,6 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora de Macau. A percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet. Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento). O ano mais lucrativo de sempre para a banca da RAEM foi 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas. Recorde-se que o BNU anunciou em 12 de Agosto lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas na primeira metade de 2026, uma queda de 1,3 por cento face ao mesmo período do ano passado.
Hoje Macau SociedadeEnsino | UPM e UC criam laboratório de “humanidades digitais” A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Coimbra (UC) criaram um laboratório que pretende usar a tecnologia digital aplicada às humanidades e linguística para “construir pontes de comunicação” entre Portugal e China. A UPM anunciou, numa nota divulgada na segunda-feira à noite, o estabelecimento formal do Laboratório Conjunto de Investigação em Humanidades Digitais e Ciências da Linguagem Aplicadas. O comunicado refere que a cerimónia de inauguração do laboratório aconteceu durante uma visita do reitor da UPM, Zhou Zhongrong, a Coimbra, na semana passada. A UPM disse que as duas universidades vão “aproveitar a tecnologia digital para revitalizar os recursos das ciências humanas e utilizar a ciência linguística para construir pontes de comunicação” entre China e Portugal. Zhou Zhongrong sublinhou, durante a cerimónia, que a criação do laboratório conjunto faz parte do primeiro campus comum entre universidades de Portugal e Macau, que vai nascer na vizinha Hengqin. O líder da UPM garantiu que, com o desenvolvimento do campus, haverá “mais iniciativas de investigação” e a cooperação com Coimbra “deverá atingir novos patamares”. O reitor da UC, Amílcar Falcão, prometeu aprofundar a colaboração com a UPM em áreas como o intercâmbio de docentes e estudantes e proceder à aplicação prática dos resultados da investigação em Hengqin. Na semana passada, o director da Biblioteca Geral da UC disse que o projecto irá, por exemplo, “computar as diferentes variantes da língua portuguesa, computar a tradução para o chinês e também para as diferentes variantes da língua chinesa”. De acordo com um comunicado da UC, Manuel Portela descreveu a iniciativa como um laboratório “para o futuro”, que irá usar a inteligência artificial para preservar e valorizar a herança histórica, as culturas e as línguas.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeRestauração | Semana Dourada não salvou o “Mariazinha” Termina hoje a Semana Dourada, mas nem a maior afluência de turistas ajudou à recuperação do negócio do restaurante português “Mariazinha”, que há muito acumula prejuízos. Fernando Marques, com um espaço aberto na Taipa velha, diz ter tido maior sorte A Semana Dourada é sempre tempo de mais turistas a deambular por Macau o que pode significar mais consumo, mas para a restauração isso nem sempre se traduz em maior afluência ou lucros. Que o diga o restaurante português “Mariazinha”, situado no coração do centro histórico, entre o Leal Senado e Ruínas de São Paulo, que teve poucos clientes. Nelson Rocha, proprietário do espaço, disse ao HM que pondera mesmo fechar portas. “O ano passado foi bastante fraco [na Semana Dourada de Outubro], e este ano foi ainda pior”, confessou. “Não estava a contar com a quebra deste último ano e meio, está a ser difícil manter o projecto e estamos a equacionar o que vamos fazer no futuro”, disse. Segundo Nelson Rocha, o “Mariazinha” fechou no ano passado “com prejuízo, e este ano também”. “Se não houver uma reviravolta na economia de Macau não podemos manter as portas abertas, porque não há como aguentar anos de prejuízos”, acrescentou. Nelson Rocha diz que hoje o turista consome de maneira diferente e que a diferença de preços face à China ajuda a este cenário. “Não tivemos grande afluência, infelizmente, e nos últimos tempos temos tido algumas quebras. Há vários factores para isso, como a conjuntura económica internacional e o facto de os consumidores que vêm da China terem menos poder de compra, pois Macau é mais caro.” Face aos anos pré-covid, o “Mariazinha” registou uma quebra no negócio de cerca de 80 por cento. “Antes trabalhávamos muito, especialmente nestes feriados em que tínhamos a casa cheia. Tínhamos de mandar pessoas embora, e agora temos de as chamar, e mesmo assim não é fácil.” Clientela local Fernando Marques tem um discurso mais optimista. O “Nando’s Portuguese Food” tem agora nova localização, ao lado do OTT – Old Taipa Tavern, e o empresário diz que isso o ajuda a ter mais clientes. “Senti mais clientela, e esta iniciativa do Governo de fechar a vila da Taipa [ao trânsito] também ajudou a que o turismo de massas ande na vila, com pessoas a passear nas ruas. Senti que este ano correu melhor do que no ano passado.” O empresário diz ter notado “um tipo de cliente diferente, que procura espaços europeus, coisas novas”. No que diz respeito à clientela, diz ter tido “sorte”, já que a grande maioria foi local. “Diria que 80 por cento da clientela são locais e tive essa sorte, porque muitos não saíram [de Macau] e isso deu para fazer a casa. Tenho locais e há quem marque mesa todas as semanas, até grupos grandes. Sinto que os locais saem mais, mas quando são, por exemplo, festas de anos, é mais fácil organizar em Macau. Não sinto muito a quebra pelo facto de as pessoas irem mais para fora”, adiantou. Fernando Marques diz que os produtos estão mais caros, mas que apenas aumentou os preços de pratos com bacalhau e polvo, “cinco por cento acima, não muito mais, se não, também afasta a clientela”, rematou.
Hoje Macau SociedadeTrânsito | Menina atropelada depois de não respeitar vermelho Uma menina foi atropelada na Avenida Dr. Sun Yat-Sen e suspeita-se que o acidente terá sido motivado por uma tentativa de atravessar a estrada quando o semáforo para peões estava vermelho. Segundo a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os agentes foram chamados ao local por volta das 15h18 e encontraram um automóvel parado com uma criança caída à frente. A menina estava acompanhada pelos familiares e apresenta queixas de dores. A vítima foi transportada pelos bombeiros para o Hospital Conde S. Januário, onde recebeu tratamento. O condutor não terá acusado o consumo de álcool, e suspeita-se que foi surpreendido pela acção da criança de atravessar a estrada com o sinal vermelho. As causas exactas do acidente estão sob investigação do Departamento de Trânsito
Hoje Macau Manchete SociedadeMetro Ligeiro | Novo recorde de passageiros em Setembro No mês passado, o número de passageiros aumentou 18,7 por cento em comparação com Janeiro e subiu 16,3 por cento em relação ao mesmo mês de 2025 para uma média de 35.600 passageiros por dia O Metro Ligeiro registou, em média, 35.600 passageiros por dia em Setembro, o número mensal mais elevado desde a inauguração, disse a operadora. De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 18,7 por cento em comparação com Janeiro e subiu 16,3 por cento em relação ao mesmo mês de 2025. O Metro Ligeiro, uma das principais obras públicas de Macau desde a transferência da administração de Portugal para a China, sofreu significativas derrapagens financeiras, bem como nos prazos de execução. A infra-estrutura, prometida durante mais de uma década, custou 10,2 mil milhões de patacas e foi inaugurada a 10 de Dezembro de 2019, mês que registou uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas. Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O Metro Ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de dez a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias. A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Extensões e utilizações Em Novembro de 2024, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública. Um mês depois, começou a operar a extensão do Metro Ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Hengqin (ilha da Montanha), com 2,2 quilómetros. Com a extensão do Metro Ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030. O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste do Metro Ligeiro, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com o Interior da Chin. No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o Metro Ligeiro. Terminou em 28 de Fevereiro uma consulta pública sobre o desenvolvimento da rede de transportes, que prevê que a construção da Linha Leste deve estar concluída em 2029.
Hoje Macau SociedadeCasas da Taipa | Nova fase de renovação do passeio começa quinta-feira As obras de renovação do passeio ecológico das Casas da Taipa serão retomadas na próxima quinta-feira, depois de uma primeira fase que arrancou em meados de Agosto para substituir estruturas do passeio e pavimentos de madeira deteriorados, indicou ontem o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Com vista a garantir a segurança pública, o instituto acrescenta que irá “manter a paisagem natural da terra húmida” e melhorar “o ambiente pedonal e o nível de conforto”. No total, a intervenção no local histórico terá cinco fases. A que inicia esta semana será como objectivo renovar a parte circundante do tanque ecológico no lado norte das Casas da Taipa. Durante a execução das obras, as vias ficarão fechadas e a circulação só será retomada quando a obra ficar concluída. O prazo previsto de execução será de 60 dias, data que pode ser afectada pelas condições meteorológicas. “As restantes fases da obra serão iniciadas ordenadamente no próximo ano”, indicou o IAM.
Hoje Macau SociedadeViolência | Marido de professora atacada queixa-se de negligência O marido da professora atacada com ácido por um aluno queixou-se de negligência, por parte do Governo, no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. O homem, de apelido Kwong, disse que o caso ocorreu há um mês e que, depois de uma visita de uma assistente social no hospital, não houve mais contactos ou visitas por parte da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e do Instituto de Acção Social. Kwong explicou que, quando a mulher deu entrada no hospital, foi contactada por uma assistente social em nome da DSEDJ, do próprio hospital e da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, disponibilizando apoio. Kwong diz que, além da pressão causada pelo tratamento médico, a mulher preocupa-se com questões jurídicas e com a possibilidade de perda de emprego devido à hospitalização prolongada.