Hoje Macau Manchete PolíticaDespesas públicas sobem 4,9% até Julho após reforço dos apoios sociais As despesas públicas de Macau subiram 4,9 por cento nos primeiros sete meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais, de acordo com dados oficiais. Um relatório publicado pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) na segunda-feira indica que Macau gastou até ao final de Julho 53,2 mil milhões de patacas, 48,7 por cento do previsto para todo o ano. A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 14,7 por cento, para 31,3 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais. Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. Por outro lado Já os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 9,3 por cento até Julho, para 8,75 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro, que irá chegar às Portas do Cerco. As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 1,3 por cento, para 9,25 mil milhões de patacas), depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo. Tal como a despesa pública, também a receita corrente de Macau subiu 8,6 por cento nos primeiros sete meses de 2026, para 67,9 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 9,3 por cento, para 58,3 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,6 por cento do total. Com as despesas a crescer menos do que as receitas, o território registou um excedente nas contas públicas de 15,8 mil milhões de patacas, mais 29,7 por cento do que até Julho de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.
Hoje Macau PolíticaIC | Descoberto caso de conluio com duas empresas de limpeza O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou ontem um caso suspeito de concertação, por parte de duas empresas na área da limpeza, num concurso público. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o CCAC sugeriu maior fiscalização por parte deste organismo para evitar que casos do género voltem a acontecer. O CCAC descobriu que “os membros dos conselhos de administração eram semelhantes às duas empresas, podendo existir uma situação de conluio ou concertação entre elas”. Porém, aquando da realização do concurso público, o IC não verificou esta situação. Nenhuma das empresas ganhou o concurso, mas o CCAC alerta o IC para a importância de ter “responsabilidade na promoção e garantia de concorrência justa nos procedimentos de contratação pública, a fim de prevenir situações de concertação ou conluio entre os concorrentes”. A notícia destaca o facto de o CCAC ter chamado a atenção para a entrada em vigor, a 1 de Setembro, da nova Lei de Contratação Pública, que “estabelece o princípio da concorrência leal”. Entretanto, o IC diz “concordar com as recomendações do CCAC”, tendo “procedido à actualização das orientações internas de trabalho”. Desta forma, “ficou estabelecido que, durante a análise das propostas, a comissão [do concurso público] deve consultar os documentos escritos do registo comercial apresentados pelos concorrentes e verificar a composição dos seus órgãos de administração, de modo a determinar se existe uma eventual situação de conluio”.
Andreia Sofia Silva PolíticaTalentos | Deputado exige melhores condições de permanência O deputado Chan Lai Kei interpelou o Executivo quanto à necessidade de criar medidas que consigam atrair quadros qualificados para Macau, nomeadamente no que diz respeito aos documentos de viagem e permanência. Na interpelação, lê-se que “os quadros qualificados aprovados e captados para Macau, por não cumprirem os requisitos para obter o ‘Salvo-Conduto para deslocação ao Interior da China’, não conseguem usufruir dos benefícios políticos em Macau e Hengqin”. Assim, o deputado questiona se o Governo “vai ponderar, em conjunto com a Zona de Cooperação Aprofundada, a possibilidade de alargar o âmbito de reconhecimento” desse documento através da criação de uma “medida transitória que facilite o acesso destes quadros qualificados” a esta zona e a políticas que beneficiam residentes. A interpelação, que chama a atenção para a necessidade de “optimizar e reforçar o sentimento de pertença dos quadros qualificados captados para Macau”, cita dados oficiais que falam de 2153 candidaturas desde que foi criado o regime jurídico de quadros qualificados, até 15 de Maio deste ano. Destas, 928 foram incluídas na lista de quadros qualificados propostos para captação, incluindo 27 quadros qualificados de elevada qualidade, 146 quadros altamente qualificados e 755 profissionais de nível avançado, abrangendo as áreas de “big health”, tecnologia de ponta, finanças modernas, cultura e desporto.
Hoje Macau PolíticaHengqin | Bombeiros começam actividade para diversificar economia Realizou-se ontem a cerimónia que marca o início da actividade do ramo de Hengqin da Brigada Geral de Socorro de Combate a Incêndios da Província de Guangdong, indicaram as autoridades do Interior da China. O início de actividade da brigada de bombeiros marca a “criação formal de um sistema moderno de bombeiros e salvamento na Zona de Cooperação Aprofundada”. Segundo a agência China News, a brigada “irá concentrar-se na missão principal de servir o desenvolvimento económico moderadamente diversificado de Macau e acelerar a construção de um sistema moderno de bombeiros e salvamento adaptado ao desenvolvimento integrado”. A corporação comprometeu-se em “prevenir e conter de forma resoluta” incêndios de grande dimensão, aprofundar a coordenação de normas e mecanismos de segurança contra incêndios entre Hengqin e Macau”, e na resposta a emergências que envolvam a travessia da fronteira. As autoridades salientam que o objectivo da brigada de bombeiros da Ilha da Montanha é construir “uma linha de defesa sólida e fiável em matéria de segurança contra incêndios para a vida pacífica e próspera dos residentes de Hengqin e de Macau”.
João Luz Manchete PolíticaConselho de Estado | Xia troça de mandarim de deputados de HK Depois de cinco horas reunido com deputados do Conselho Legislativo, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, brincou com o fraco mandarim dos legisladores. Os problemas com a qualidade do mandarim na região não são de agora, com destaque para os casos de Chui Sai On e Chui Sai Cheong As dificuldades de expressão de políticos de Macau e Hong Kong em eventos com responsáveis de altos cargos em Pequim não são uma novidade, com os casos locais mais flagrantes a serem protagonizados pelo, à altura, Chefe do Executivo Chui Sai On, e o seu irmão mais velho, o deputado Chui Sai Cheong. O caso mais recente aconteceu depois de uma reunião em Pequim entre o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong e deputados da região vizinha. Depois de comentários divertidos de Xia Baolong, a deputada e membro de Hong Kong à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Judith Yu, escreveu um artigo de opinião no portal noticioso HK01, publicado na segunda-feira, a sugerir que os deputados tenham formação em mandarim, e que a proficiência na língua seja um requisito fundamental para desempenhar o cargo de legislador numa região administrativa especial da China. É a brincar Na reunião à porta fechada, que terá durado cerca de cinco horas, Xia Balong incentivou, entre risos, os legisladores a aprenderem mandarim. “Vocês vêm a Pequim, não há motivo para me pedirem para aprender cantonês,” acrescentou o director segundo o portal HK01. Os reparos de Xia Baolong foram levados a sério pelos legisladores da região vizinha que, apesar de denotarem a forma respeitosa e divertida do director, reconheceram que é essencial uma comunicação eficiente para discutir políticas. Judith Yu explicou que a comunicação entre os responsáveis de Hong Kong e representantes do Governo Central permite que se entendam bem, mas que o mesmo não se podia dizer em conversas com governantes provinciais ou empresários do Interior. Para reforçar a capacidade de comunicação, Judith Yu defendeu que os deputados antes de proferirem discursos importantes devem ensaiar o gravar os discursos, e que o Conselho Legislativo deve ter sessões em mandarim. Além disso, sugeriu que os deputados recebam formação para aprenderem a pronúncia e terminologias específicas. Por cá, uma intervenção de Chui Sai Cheong numa reunião da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês tornou-se viral pelo forte sotaque cantonês, o mesmo aconteceu com o Chefe do Executivo. Por outro lado, na primeira vez que falou na Assembleia Legislativa enquanto deputado, Lei Chan U usou o mandarim, opção que referiu ser a realização de um velho sonho, mas que motivou críticas nas redes sociais.
Andreia Sofia Silva PolíticaAssociações | Dirigente pede melhorias no Governo electrónico Kou Ngon Fong, presidente da Associação Choi In Tong Sam, defende que o Governo deve promover ainda mais a digitalização dos serviços públicos, o chamado Governo Electrónico, tendo em conta a consulta pública de revisão da lei das associações. O também vice-presidente do Conselho Consultivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) declarou que a referida legislação “está em vigor há muitos anos e que algumas das suas disposições já não conseguem responder, de forma plena, às necessidades de desenvolvimento da sociedade, nem do Governo Electrónico”. O responsável disse concordar com a proposta do Governo de colocar sob alçada da Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) a gestão do registo de associações e promoção de digitalização, ou ainda da melhoria dos procedimentos administrativos ligados a esta área. O dirigente associativo defende também a proposta apresentada pelo Governo de acabar com a publicação de despachos de associações no Boletim Oficial, sendo esta substituída pela divulgação de todos os dados e informações no website da DSI, permitindo “reduzir de forma significativa custos administrativos e encargos financeiros”. Kou Ngon Fong acrescentou, quanto à revisão da lei das associações, que é importante “a clarificação das normas jurídicas e dos mecanismos de funcionamento das associações, particularmente no que diz respeito à salvaguarda da segurança nacional e regulamentação de actividades de associações do exterior”.
João Luz Manchete PolíticaDiversificação | Sam realça Hengqin como chave para quebrar impasse O Chefe do Executivo assinou ontem um artigo na China Newsweek a dar conta dos planos da RAEM até 2030 e a pedir investimento para Macau e Henqgin. Além de enumerar as tarefas dadas pelo Governo Central, Sam Hou Fai salienta que a chave para “quebrar o impasse” da diversificação económica está em Hengqin “A promoção com elevada qualidade da construção da Zona de Cooperação em Hengqin será a chave para “quebrar o impasse” na promoção da diversificação adequada da economia de Macau.” Foi desta forma que Sam Hou Fai resumiu o futuro da governação da RAEM até 2030, num longo artigo publicado ontem na China Newsweek, uma revista estatal. No artigo intitulado “Novo plano director, nova jornada, novas oportunidades – em busca de uma nova conjuntura de desenvolvimento de qualidade elevada para Macau durante o Terceiro Plano Quinquenal”, o Chefe do Executivo realça o papel fundamental de Hengqin no futuro económico e industrial da RAEM, seguindo as instruções e planos traçados por Pequim para o território. Sam Hou Fai indica que, tendo a tecnologia e a educação como motores, o Governo “irá aprofundar o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin” e “impulsionará a concretização de uma elevada sinergia económica entre Macau e Hengqin”. Para tal, o Executivo irá esforçar-se para concretizar até 2030, o valor acrescentado conjunto das indústrias de turismo cultural, de convenções, exposições e comércio, de big health da medicina tradicional chinesa, financeira com características próprias, de investigação e desenvolvimento tecnológico”. O objectivo é que a “produção avançada na Zona de Cooperação atinja 65 por cento do Produto Interno Bruto regional ou mais”, concretizando a almejada diversificação económica. O artigo termina com um apelo a investidores nacionais e estrangeiros para investirem em Macau e Hengqin. “Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, remata Sam Hou Fai. De olhos na meta Para atrair investimento, quadros qualificados e criar as indústrias que reduzam o peso do jogo na economia local, Sam Hou Fai destaca a necessidade de desenvolver os quatro projectos-chave. O governante realça que o objectivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60 por cento do PIB local até 2030. Para tal, o Governo irá “aumentar, substancialmente, a aposta de dinheiro no desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, alavancar o papel orientador do Fundo de Orientação Governamental e promover a aglomeração de indústrias, quadros qualificados e tecnologia. O Chefe do Executivo recorda que as estimativas preliminares do investimento total orçamentado para grandes projectos relacionados com a diversificação económica irá rondar os 130 mil milhões de patacas até 2030. Sam Hou Fai menciona também a expansão de funções e do conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, reiterando a necessidade de “aproveitar o papel de Macau como o ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de reforçar a função de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial”.
Andreia Sofia Silva PolíticaReabilitação | Analisado aumento de subsídios O Governo não põe de parte a possibilidade de aumentar “o apoio financeiro para os trabalhadores de instituições de serviços de reabilitação”. Esta ideia foi ontem abordada na segunda sessão plenária deste ano da Comissão para os Assuntos de Reabilitação. Segundo um comunicado do Instituto de Acção Social (IAS), foram também analisadas medidas prioritárias para este ano e o próximo, nomeadamente “o lançamento da nova edição do programa de financiamento para a aquisição de tecnologias de reabilitação”, ou ainda “a realização do estudo preliminar sobre a legislação da construção sem barreiras”. Não faltaram outras ideias como “a introdução experimental de equipamentos inteligentes” ou “o serviço de transcrição em tempo real por Inteligência Artificial e robôs-guia para o espaço interior”, descreve-se no mesmo comunicado.
Hoje Macau PolíticaHabitação económica | Johson Ian alerta para “problemas estruturais” Johnson Ian, ex-candidato às eleições para a Assembleia Legislativa (AL), escreveu na sua coluna de opinião, no jornal Son Pou, que o actual regime de habitação económica apresenta vários problemas estruturais. Numa altura em que o Governo acaba de divulgar os valores das casas económicas localizadas na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, que variam entre 2905,05 a 3142,7 patacas por pé quadrado de área útil, o responsável entende que os preços não são atractivos. Além disso, considera que a legislação apresenta problemas estruturais, como o facto de proibir a revenda de fracções. Johnson Ian lamenta ainda que o Governo não mostre intenções de alterar a regra de a habitação económica só poder ser vendida ao Instituto de Habitação. Desta forma, o responsável considera que os problemas verificados com o actual regime de habitação económica terão impacto negativo no futuro, nomeadamente na Zona A dos Novos Aterros. Aqui, haverá desafios às infraestruturas complementares e na ocupação das mais de dez mil fracções de habitação económica disponíveis, acrescentou. Johnson Ian recordou que, no início deste ano, o jornal com maior circulação em Macau referiu-se à falta de infra-estruturas, questão apontada de forma crítica num outro artigo três meses depois, alertou, sem referir em específico o nome do jornal.
João Luz Manchete PolíticaObrigações | Governo Central emite mais 6 mil milhões RMB em Macau O Ministério das Finanças da República Popular da China e o Governo da RAEM anunciaram ontem que o Governo Central vai emitir, no dia 20 de Agosto, em Macau, obrigações nacionais, no valor de 6 mil milhões de RMB, direccionadas a investidores profissionais. Como tem sido habitual quando são anunciadas emissões de obrigações ou títulos de dívida, o Executivo saudou a iniciativa. “A emissão contínua de obrigações nacionais em Macau é uma importante manifestação do apoio do Governo Central ao aceleramento do desenvolvimento do mercado obrigacionista de Macau, à promoção contínua do desenvolvimento qualitativo do sector financeiro com características próprias e ao reforço da diversificação adequada da economia de Macau”. O Gabinete de Comunicação Social acrescenta que “a emissão contínua de obrigações nacionais contribuirá para atrair mais emitentes de qualidade e investidores internacionais a participarem no mercado obrigacionista de Macau, potenciando as vantagens e o papel de Macau no âmbito da abertura ao exterior do país”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaBullying | Coutinho quer registo obrigatório de situações de abuso O deputado José Pereira Coutinho considera que as autoridades devem criar uma proposta de lei que estabeleça “um regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil”, tendo em conta que a legislação sobre violência doméstica é, no entender do responsável, omissa neste ponto Travar casos de bullying nas escolas ou situações de abuso infantil são preocupações do deputado José Pereira Coutinho, que na mais recente interpelação escrita enviada ao Governo, pede que se crie um “regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil”. No entender do deputado, o regime de prevenção e combate à violência doméstica, em vigor desde 2016, não regula especificamente estes casos relacionados com menores, pois “não estabelece um dever geral e específico para reportar [casos] de forma obrigatória e vinculativa a todos os profissionais que trabalham com crianças”, desde “educadores, profissionais ou assistentes sociais”. O deputado pede que se tenha em conta o caso de Hong Kong, que estabeleceu o “Mandatory Reporting of Child Abuse Ordinance”. “Questiona-se que calendarização existe para que o Governo de Macau apresente uma proposta legislativa que crie um regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil, definindo claramente os profissionais abrangidos, os procedimentos de denúncia e respectivas sanções para o incumprimento”, sugeriu. Coutinho recorda que o Instituto de Acção Social (IAS) publicou “recentemente” o “Guia de Procedimentos para o Manuseamento de Casos de Suspeita de Maus-Tratos a Crianças”, além de realizar, desde 2018, “acções de formação sobre o tratamento de casos de violência doméstica contra crianças, que têm registado a participação de centenas de profissionais”. Porém, Coutinho “questiona de que forma o Governo de Macau está a garantir que a formação é, efectivamente, obrigatória e regular para todos os profissionais que trabalham com crianças, e não apenas numa base voluntária”. Questões culturais Na mesma interpelação escrita, José Pereira Coutinho declarou que a “realidade social e dados disponíveis” mostram a “necessidade de aprofundamento de políticas de protecção à infância e dos jovens, designadamente no que se refere à obrigatoriedade de reportar casos de abuso infantil e de Intimidação (bullying)”, passando pela “capacitação dos profissionais e reforço do apoio à saúde mental das vítimas”. O deputado cita dados de 2025 do Ministério Público, quando foram registados 61 casos de crimes cometidos contra menores, “um aumento de 27,08 por cento face ao ano anterior, o que demonstra a urgência de medidas mais eficazes”. Coutinho frisou também que, na prática, há “muitos casos que permanecem ocultos devido a factores culturais, como a relutância em ‘expor a vergonha da casa’ ou a pressão económica e habitacional sobre as famílias”. Desta forma, trata-se de factores que explicam parcialmente “a insuficiência dos mecanismos actuais de detecção [de casos] e reporte” dos mesmos. Coutinho diz que tem recebido no seu gabinete de atendimento, cada vez mais, queixas sobre a maior ocorrência de casos de ciberbullying, em plataformas digitais e fora “dos portões das escolas”, ocorrendo o “agravamento deste cenário de forma alarmante”.
João Luz Manchete PolíticaAssociações | Comissão da Segurança do Estado pode sugerir extinções Começou ontem a consulta pública sobre a lei das associações. A extinção, ou recusa de constituição, pode ser sugerida pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Associações que recebam fundos do exterior terão de notificar esse facto à Direcção dos Serviços de Identificação, a entidade que irá fiscalizar a vida associativa Está em curso o período de consulta pública relativa à lei das associações, até 23 de Setembro, que irá contar com três sessões públicas. De acordo com o documento de consulta, divulgado ontem, o quadro regulatório que rege a vida associativa na RAEM será profundamente alterado. Um dos pontos de maior relevo na proposta do Governo é a ênfase dada à segurança nacional. Para prevenir actos que “ponham em perigo a ordem pública ou os direitos e liberdades de outrem”, o Executivo tomou como referência o quadro legal de Hong Kong, Interior da China, Singapura, Malásia e Portugal. Assim sendo, foi proposto que a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) “possa recusar a constituição de uma associação com base nas necessidades de defesa da segurança do Estado, da ordem pública ou dos direitos e liberdades de terceiros”. Para tal, a DSI poderá “requerer à Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM que proceda à apreciação da associação em causa”. Além da recusa de constituição, o Governo propõe também que a DSI tenha a competência para decidir a extinção de associações “de acordo com o parecer de verificação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM”, por serem “consideradas associações que põem em perigo a segurança do Estado”. Estas decisões não serão passíveis de recurso judicial. Recorde-se que a comissão em questão é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central. É também proposta a exclusão, como fundadores e titulares dos órgãos da associação, de pessoas condenadas, com trânsito em julgado, a uma pena de prisão por violação da lei de defesa da segurança do Estado, ou condenadas a pena de prisão igual ou superior a cinco anos. O que está lá fora O financiamento de associações por entidades fora de Macau é outro dos focos de fiscalização proposta. Para “prevenir que forças externas desenvolvam ilegalmente actividades em Macau através de associações, propõe-se que, se uma associação receber financiamento de uma entidade situada fora de Macau, além de ter de comunicar esse facto à DSI, esta última, após avaliação”, pode exigir a apresentação de documentos e informações, “tais como relatórios de actividades, contas e outros elementos.” Durante a apresentação do documento de consulta, a directora da DSI, Sonia Chan, afirmou que as associações podem ser sujeitas a sanções administrativas se não notificarem a DSI, dentro do prazo legal, sobre alterações aos seus estatutos, mudanças nos órgãos de gestão, adesão ou saída de organizações ou grupos estabelecidos fora de Macau, ou financiamento de entidades fora de Macau. O mesmo pode acontecer se não apresentarem documentos ou informações exigidas dentro dos prazos legais. É ainda referido que as informações que o Governo dispõe sobre as associações locais são insuficientes, em particular nos casos em que a associação aderiu a organizações ou grupos constituídos no exterior da RAEM, se a associação é filial constituída por associação do exterior da RAEM ou se a associação recebe financiamento proveniente de organizações, grupos ou indivíduos de fora da RAEM. “Esta insuficiência de informação não satisfaz os requisitos do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, acarretando riscos para a segurança do Estado e da RAEM”, é acrescentado. Num só lugar Outra alteração sugerida, poderá afectar as associações de trabalhadores não-residentes. Será exigida às associações em que metade dos titulares de órgãos e restantes associados não sejam residentes da RAEM que apresentem à DSI “dados essenciais de todos os seus associados”. Estes organismos terão ainda de actualizar todos os anos, em Janeiro, os dados dos titulares dos órgãos e dos restantes associados. A DSI terá também o poder para solicitar “relatórios de actividades, contas e demais documentos e informações”. Esta medida será aplicada também a associações constituídas antes da entrada em vigor da lei, que serão obrigadas a submeter os dados referidos após notificação da DSI. A referência constante ao papel da DSI foi um dos destaques mencionados ontem pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. O organismo liderado por Sonia Chan será a “única entidade responsável pela fiscalização de todo o procedimento de constituição e funcionamento das associações”. O novo modelo de regulação elimina o circuito burocrático actual, que obriga à passagem pelos Cartórios Notariais para outorga de escritura pública, pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) e pela verificação de legalidade do Ministério Público. Wong Sio Chak salientou o aumento exponencial de associações em Macau, de cerca de 2.000 antes da transição, para cerca de 12.400 hoje em dia. Porém, o governante salientou que “apenas cerca de 60 por cento mantêm um certo nível de funcionamento, enquanto aproximadamente 40 por cento estão inactivas há muito tempo ou não chegaram sequer a funcionar após a sua constituição”. Aliás, do universo total de associações actualmente constituídas em Macau, “apenas cerca de 8.500 submeteram os dados dos titulares dos seus órgãos à DSI, o que demonstra que muitas delas não cumprem as exigências básicas para o funcionamento legal, não se excluindo a eventual existência de ‘associações fantasmas’”, acrescentou o secretário.
Hoje Macau PolíticaMercados | Guangdong emite dívida de 2,5 mil milhões de renminbis O Governo Popular da Província de Guangdong emitiu títulos de dívida offshore no valor de 2,5 mil milhões de renminbis, de acordo com a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A emissão aconteceu na quinta-feira e foi a sexta do Governo da Província de Guangdong em Macau desde 2021, num total de 13 mil milhões de renminbis. “A Autoridade Monetária de Macau felicita o sucesso da presente emissão, manifestando o seu agradecimento pelo apoio prestado pelo Ministério das Finanças da República Popular da China e pelo Governo Popular da Província de Guangdong à promoção contínua da melhoria da qualidade e do desenvolvimento das actividades financeiras de características próprias de Macau”, afirmou o regulador financeiro da RAEM, no comunicado em que revelou a emissão. Segundo a AMCM, a oferta das subscrições esteve apenas disponível para investidores profissionais. Entre os 2,5 mil milhões de renminbis em títulos de dívida, 1,5 mil milhões foram emitidos como obrigações verdes, com prazo de maturidade de 3 anos e uma taxa de juro de 1,46 por cento. Além, disso, 500 milhões dos títulos de dívida foram emitidos sob a forma de obrigações azuis, com prazo de 5 anos e uma taxa de juro de 1,57 por cento. Houve ainda 500 milhões dos títulos de dívida emitidos como obrigações temáticas especiais da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, com prazo de 2 anos e uma taxa de juro de 1,43 por cento. A mesma fonte indicou que a procura pelos títulos foi superior à oferta. “A emissão contínua, em Macau, por parte da Província de Guangdong, de obrigações temáticas da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin demonstra o seu forte apoio ao desenvolvimento integrado e de alta qualidade entre Macau e Hengqin”, indicou a AMCM.
João Santos Filipe Manchete PolíticaSam Hou Fai antecipa entrada em funcionamento da Cidade Universitária Sam Hou Fai visitou a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, na Ilha da Montanha, para acompanhar o desenvolvimento das “instalações de ensino e as infra-estruturas de apoio”. A visita decorreu na quinta-feira, e antecipa a entrada em funcionamento do campus que vai permitir a expansão da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Turismo de Macau. A comitiva liderada pelo Chefe do Executivo observou espaços como salas de aula, laboratórios pedagógicos, restaurantes, auditórios, centros de estudantes e residências. No final da visita, Sam Hou Fai mostrou-se satisfeito o com desenrolar do projecto e as “diversas ofertas lectivas” disponibilizadas pelas instituições de ensino. O início da actividade da 1ª fase da Cidade Universitária vai acontecer a 17 de Agosto, e o projecto ocupa uma área de construção de cerca de 65 mil metros quadrados. Esta fase envolveu um investimento com capitais da RAEM na ordem dos 8 mil milhões de patacas. No entanto, o investimento total, que inclui a 2ª e 3ª fases, deverá ultrapassar os 20 mil milhões de patacas. Tudo se aproveita A primeira fase visou principalmente a conversão da Praça de Dezhi, uma zona desenvolvida em Hengqin, pelas autoridades locais em parceria com a multinacional Siemens, com espaços de habitação e comerciais a imitar uma cidade tradicional alemã. Como o projecto não despertou interesse comercial, acabou por ser recuperado. Agora a Praça de Dezhi vai ser aproveitada pelas universidades públicas da RAEM e foi transformada para receber edifícios de ensino e administrativos, dormitórios, cantinas, auditórios e salas de investigação científica. Nesta primeira fase, cerca de 1.400 alunos de pós-graduação vão frequentar o projecto. Sobre o arranque das actividades, Sam Hou Fai pediu às três instituições que se coordenem para garantirem “o estabelecimento harmonioso e o início do ano lectivo sem sobressaltos para os 1.400 estudantes de pós-graduação, unindo-se para acumular experiência na gestão de um complexo universitário integrado”. Sam pediu igualmente às instituições de ensino que criem “boas condições para a transição para a 2ª e 3ª fases da Cidade Universitária”, que deverão ocorrer até 2030.
Hoje Macau PolíticaGrande Baía | Aprovadas regras para proteger consumidores entre regiões A província de Guangdong aprovou regras para reforçar a cooperação em matéria de protecção do consumidor com Hong Kong e Macau, para facilitar o consumo transfronteiriço e fortalecer a confiança no mercado da Grande Baía As normas, que incluem os Regulamentos de Protecção dos Direitos do Consumidor de Guangdong e os Regulamentos sobre a Promoção da Cooperação em Protecção dos Direitos do Consumidor na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, entram em vigor no dia 1 de Outubro, noticiou o jornal China Daily. O objectivo desta segunda regulamentação passa por “aperfeiçoar a coordenação entre autoridades de protecção do consumidor, enfrentar desafios do consumo transfronteiriço cada vez mais frequente e apoiar o desenvolvimento de espaço habitacional de alta qualidade no conjunto das 11 cidades da região”, lê-se. Os conselhos de consumidores da província de Guangdong e das nove cidades da Grande Baía vão reforçar a cooperação com os homólogos de Hong Kong e Macau através de acordos, mecanismos conjuntos e partilha de informação, de acordo com a regulamentação. A colaboração vai abarcar áreas como tratamento de queixas transfronteiriças, educação do consumidor, mediação de disputas e alertas de risco. A medida, escreve ainda o jornal em língua inglesa, surge num contexto de forte crescimento das trocas transfronteiriças: só os portos de Shenzhen registaram 273 milhões de travessias em 2025, das quais 170 milhões levadas a cabo por residentes de Hong Kong e Macau, mais 9 por cento em termos homólogos, de acordo com o governo municipal de Shenzhen. Primeiro passo No contexto Grande Baía, “caracterizada pelo princípio ‘um país, dois sistemas’ e por três jurisdições legais, explorar a cooperação na protecção transfronteiriça do consumidor tem um significado pioneiro a nível nacional”, afirmou Wu Jingsong, director do centro de investigação para a legislação local e avaliação de riscos na aplicação da lei da Universidade Normal do Sul da China. Já Jiang Baoguo, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, indicou que o regulamento responde à crescente procura por protecção transfronteiriça do consumidor. Promove, além disso, a “conectividade suave” de regras e mecanismos na Grande Baía e fornece apoio jurídico para a criação de uma área de alta qualidade, adequada para viver, trabalhar e viajar, referiu, citado pelo China Daily.
Hoje Macau PolíticaGuangdong | Entrada de carros sujeita a marcação prévia A circulação em Guangdong dos carros com matrícula única de Macau autorizados a entrar em Hengqin vai arrancar com um sistema de quotas e marcação prévia. O cenário foi traçado por Ma Chi Seng, deputado e presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, após uma reunião realizada ontem para discutir as medidas de passagem no Posto Fronteiriço de Hengqin. As quotas e a marcação prévia foram justificadas pelo deputado com a previsão de um “aumento inevitável do trânsito”. No entanto, Ma Chi Seng não foi capaz de adiantar uma data para a entrada em vigor da medida. Segundo as Linhas de Acção Governativa, a circulação em Guangdong dos carros com matrícula única de Macau autorizados a entrar em Hengqin deveria ter ficado concluída até ao final de Junho. Sobre a deslocação entre Macau e a Ilha da Montanha com animais de estimação, Ma Chi Seng indicou que o Governo de Macau e as autoridades do Interior da China estão a negociar para que os residentes locais possam atravessar a fronteira com mais do que um animal por travessia.
Hoje Macau PolíticaFujian | Song Pek Kei defende reforço da cooperação Na sequência da visita de Sam Hou Fai a Fujian, a deputada Song Pek Kei espera uma maior cooperação entre Macau e a província chinesa. A reacção da deputada ligada à comunidade de Fujian surgiu ontem no jornal Ou Mun. No entender de Song Pek Kei, as duas regiões não só se complementam com as respectivas vantagens, como também se vão auxiliar na integração no desenvolvimento nacional. A também presidente executiva da Associação Geral dos Conterrâneos de Fukien de Macau exemplificou que as regiões podem estabelecer uma plataforma de cooperação no âmbito do desenvolvimento de quadros qualificados e do intercâmbio entre instituições de ensino superior e de investigação. A deputada ligada à comunidade de Fujian também defendeu que devem ser adoptadas políticas em Hengqin para atrair empresas tecnológicas de Fujian. Além disso, Song apontou que ambos os lados podem reforçar a divulgação cultural sobre a Deusa A-Má, para internacionalizar a cultura chinesa e “contar bem” ao mundo a história da China.
Hoje Macau PolíticaContrabando | Nelson Kot defende combate menos severo O ex-candidato à Assembleia Legislativa, Nelson Kot, defende que o Governo deve adoptar uma postura mais ligeira contra o contrabando praticado em grupo por residentes. A posição foi tomada, numa altura em que o Governo está a planear criminalizar o contrabando feito por grupos organizados. Em declarações ao jornal Exmoo, Nelson Kot explicou que actualmente os contrabandistas podem ser divididos em quatro categorias: os residentes locais, constituídos principalmente por idosos, os trabalhadores não-residentes (TNR), que tendem a ser mais jovens, os turistas e grupos criminosos que recrutam estudantes e residentes. Face a estes grupos de contrabandistas, o ex-funcionário público entende que as autoridades devem ser mais brandas com os residentes locais, uma vez que muitos fazem contrabando para complementar os subsídios que recebem. Segundo Kot, desde que estas pessoas não sejam apanhadas a transportar produtos proibidos, o Governo deve ser mais tolerante. O ex-candidato explicou ainda que os residentes precisam do dinheiro, dado que actualmente a economia atravessa dificuldades. Em relação ao contrabando feito pelos TNR, Kot também acredita que deve ser criado um sistema de controlo do número de deslocações entre Macau e Zhuhai. Se esse número de deslocações for ultrapassado, o responsável acha que há indícios de contrabando, pelo que o Governo deve impedir que essas pessoas renovarem o título de trabalhador não-residente.
Hoje Macau Manchete PolíticaPortugal | Alexandre Leitão promovido a ministro plenipotenciário O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, foi promovido a ministro plenipotenciário, a segunda mais alta categoria da carreira diplomática. A promoção foi publicada na terça-feira Diário da República Portuguesa, de acordo com a Rádio Macau, produz efeitos desde 22 de Julho e tem a assinatura do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Alexandre Leitão nasceu em Coimbra em Dezembro de 1965 e ingressou na carreira diplomática em 1999. Antes de assumir o cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong em Janeiro de 2023, Alexandre Leitão desempenhou funções em Angola, Senegal, representou Portugal na União Europeia em Bruxelas e foi embaixador da União Europeia em Timor-Leste. Foi ainda conselheiro diplomático do antigo primeiro-ministro António Costa e enviado especial para os assuntos climáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Como ministro plenipotenciário, Alexandre Leitão passa a poder assumir o controlo de embaixadas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPonte da Amizade | Loi I Weng critica segurança de obras Inundações, asfalto mais irregular e maiores perigos, principalmente para a circulação de motos. Estes são os problemas apontados pela legisladora ligada à Associação das Mulheres A deputada Loi I Weng alertou as autoridades para os desafios à segurança rodoviária que estão a ser colocados pelas obras na Ponte da Amizade. O assunto foi abordado pela legisladora ligada à Associação das Mulheres através de uma interpelação escrita. No documento, Loi aponta que “desde o início dos trabalhos, os condutores locais têm relatado a ocorrência sucessiva de diversos problemas nas zonas reparadas ou repavimentadas, suscitando ampla preocupação por parte da sociedade”. O primeiro problema passa pelo facto de, em “algumas secções da Ponte da Amizade onde decorrem obras”, terem surgido “alagamentos e acumulação de água devido às fortes chuvadas”. “Para o grande número de condutores de motociclos no território, estes trechos com água acumulada podem facilmente provocar o fenómeno de aquaplanagem, representando uma ameaça considerável à estabilidade destes veículos de duas rodas”, justificou. Face às inundações, Loi I Weng defende que antes do início das obras as autoridades deviam ter feito “um plano de segurança”, pelo que pergunta se o plano foi elaborado previamente. A deputada revela também que surgiram várias queixas online, porque as pessoas consideram que após a realização das obras na ponte “alguns troços” apresentam “ondulações nas faixas de rodagem, com falta de nivelamento”. “Ao mesmo tempo, após a nova pavimentação com asfalto, a superfície da estrada exibe também visíveis irregularidades, resultando numa condução menos confortável e segura”, alertou. “Embora alguns especialistas tenham referido que esta situação corresponde a um fenómeno temporário durante as fases progressivas da obra, os troços sujeitos a reparações já afectam substancialmente a segurança rodoviária diária após a reabertura ao tráfego, o que merece a devida atenção das autoridades”, acrescentou. Mais fiscalização A deputada quer, assim, saber se o Governo pode “optimizar” a “fiscalização durante as obras” e também a vistoria final. Por último, Loi I Weng considera que este caso serve de exemplo para as autoridades sobre a importância de assegurar a qualidade das obras em Macau, pelo que pede maior pressão sobre os empreiteiros. “Relativamente às opiniões manifestadas pelos moradores, de que forma as autoridades irão pressionar a empreiteira a melhorar os problemas existentes, de modo a garantir a segurança nos troços abertos à circulação?”, questiona.
Hoje Macau PolíticaNick Lei sugere o uso de drones para inspeccionar edifícios O deputado Nick Lei defende a utilização de drones para inspeccionar os edifícios em Macau. A opinião surge numa interpelação escrita sobre a necessidade de acelerar o desenvolvimento da economia de baixa altitude. Segundo o membro da Assembleia Legislativa, actualmente a inspecção dos edifícios por drones está a ser limitada pela legislação de controlo aéreo e de privacidade pessoal. Contudo, Lei quer alterações rápidas nesta área: “Será que vai ser feito algum estudo sobre alterações legislativas e a realização de consultas públicas relativamente à inspecção das paredes exteriores de edifícios antigos por drones?”, questionou. “Estão também previstas alterações ao regime actual para optimizar as autorizações do espaço aéreo e a protecção da privacidade?”, perguntou. Nick Lei apontou que algumas empresas privadas estão a estudar a possibilidade de usarem drones nas inspecções, por ser um método mais rápido em comparação com os meios tradicionais, que passam pelo recurso a trabalhadores em andaimes suspensos. Nick Lei aponta que o desenvolvimento da economia de baixa altitude corresponde às estratégias previstas pelo 15º Plano Quinquenal do país e pelo 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM. A distribuir comida Ao mesmo tempo, o legislador fez a comparação com o Interior da China, onde os drones são cada vez mais usados por várias indústrias, tal como a distribuição de take-away e de medicamentos. “Em contraste, em Macau, a aplicação actual dos drones foca-se principalmente em áreas como a fotografia aérea para promoção cultural e turística, levantamento topográfico e inspecção, não sendo ainda explorada na saúde pública e nos serviços de bem-estar”, criticou. Lei perguntou ainda pelo “trabalho concreto” do grupo criado, no ano passado, pelo Governo de Sam Hou Fai para o desenvolvimento da economia de baixa altitude. Finalmente, o deputado pediu ao Governo para adiantar se tem planos de formação para técnicos que vão controlar drones, assim como os responsáveis pela manutenção.
Hoje Macau Manchete PolíticaPatrimónio Cultural | Tradições de luso-descendentes escolhidas As Canções Macaenses, o Chá Gordo e o Batê-Saia são as expressões da comunidade luso-descendente que entraram ontem na lista de património cultural intangível local. A bifana e o yum cha também passaram a fazer parte da lista As Canções Macaenses, o Chá Gordo e o Batê-Saia, manifestações culturais da comunidade macaense, foram inscritas no inventário do património cultural intangível local, anunciaram ontem as autoridades. Estas três manifestações culturais juntam-se a outras 25 listadas pelo Instituto Cultural, de acordo com a publicação no Boletim Oficial. “Corresponde a um reconhecimento das manifestações culturais da comunidade macaense, dá-nos um novo alento para que continuemos a desenvolver as actividades em torno disto”, reagiu à Lusa o presidente da Associação dos Macaenses (ADM), Miguel de Senna Fernandes, sublinhando que a distinção vai trazer maior visibilidade à comunidade. O Chá Gordo, um banquete de sabores macaenses, “é a refeição mais requintada da comunidade”, explica Senna Fernandes. “Isto sem desprimor de outros pratos. O Chá Gordo corresponde não só a uma prática social, era um motivo de convívio e que chamava as pessoas em torno de uma mesa”, refere. Notando que esta era uma escolha “quase óbvia”, o responsável lembra que “qualquer grande festa” organizada no seio da comunidade, “fossem baptismos, casamentos ou crismas, era através do Chá Gordo que se comemorava”. Batê-saia também entra Já sobre a Arte de Papéis Decorativos Batê-Saia, trata-se de uma tradição artesanal que envolve o recorte, com vista a criar enfeites. “Perdeu-se praticamente, ainda há algumas artesãs que fazem, e nós também praticamente restaurámos esta prática, continua a haver ‘workshops’ de Batê-Saia”, reforçou o presidente da ADM. Nesta lista, constam ainda as Canções Macaenses, mas Miguel de Senna Fernandes espera que a classificação “traga à tona” outras manifestações da comunidade que, “às vezes, por desconhecimento ou falta de prática social, são votadas ao esquecimento”, como é o caso da “muito boa tradição”, o Micareme, baile de mascarados. De acordo com a Lei de Salvaguarda do Património Cultural de Macau, uma manifestação cultural deve constar primeiro no inventário – que tem neste momento 98 manifestações – e só depois pode ser inscrita na lista do Património Cultural Intangível. Bastante positivo Também António Monteiro, à frente da Associação dos Jovens Macaenses olha para este primeiro passo como “bastante positivo”. À Lusa, o também membro do Conselho do Património Cultural de Macau, órgão consultivo do Governo, salienta a necessidade de trabalhar na transmissão geracional destas expressões. Monteiro lembra outras associações culturais de Macau, onde se “prepara a juventude para dar continuidade, para a representação de cada manifestação do património intangível”. O responsável sugere que o património cultural tangível e intangível entre gradualmente nas escolas do território, seja através da criação de uma disciplina ou de maior contacto com líderes associativos. “Pouco a pouco, tem de ser cada vez mais promovido junto da nova geração, não só pelo sentido de pertença de Macau, mas também uma pertença identitária para todos os interesses que venham a ser úteis para o futuro”, indica. Neste momento, entre as 24 manifestações que constam da Lista do Património Cultural Intangível, que contempla as danças folclóricas portuguesas, a confecção de pastéis de nata e as procissões de Nossa Senhora de Fátima e do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, estão classificados ainda o teatro em patuá – crioulo de Macau de base portuguesa – e a gastronomia macaense. Ontem entraram também para o inventário a devoção e procissão de Nossa Senhora dos Remédios, costumes da refeição do Yum Cha – tradição cantonesa de café da manhã ou ‘brunch’ -, a preparação do chá com leite (‘nai cha’) e a preparação de pão de costeleta de porco, a bifana de Macau (‘jyu pa bao’).
Hoje Macau PolíticaAMCM | Renovado mandato de Vong Sin Man O mandato de Simon Vong Sin Man como presidente do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) foi renovado até ao final deste ano. A decisão do Chefe do Executivo foi publicada ontem no Boletim Oficial. Embora esteja ligado à Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, onde trabalhou entre 1989 e 2002, Vong integra o conselho de administração da AMCM desde 2018. As primeira nomeações foram como vogal, enquanto a promoção à presidência do órgão aconteceu em Fevereiro deste ano. Antes disso desempenhou funções como técnico e assessor do Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças. Foi ainda jornalista, entre 1986 e 1989, e auditor, entre 1983 e 1986. Em termos académicos, Simon Vong é licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade da Ásia Oriental de Macau, e tem dois mestrados, um em Economia pela Universidade de Jinan e outro em Administração Pública pelo Instituto Nacional de Administração da China e pela Universidade de Pequim. O despacho indica que a renovação da comissão de serviço tem por base a idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas para o exercício das funções. O despacho de Sam Hou Fai publicado ontem, mostra ainda que foram igualmente renovados os mandatos de Lau Hang Kun e Chan Kuan I, os restantes vogais do Conselho de Administração da AMCM.
João Santos Filipe Manchete PolíticaFujian | Sam Hou Fai quer desenvolver turismo conjunto focado em A-Má O Chefe do Executivo defendeu durante a 5ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau a promoção do turismo conjunto desenvolvido à volta da figura da deusa A-Má O Chefe do Executivo defende que Macau e Fujian devem apostar no turismo focado na deusa A-Má, para reforçarem a cooperação regional. A posição foi defendida durante a realização da 5ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau. Segundo o comunicado oficial do Governo de Macau, numa altura em que o acordo de cooperação entre as duas regiões celebra 10 anos, Sam Hou Fai considerou que se vive um “novo ponto de partida” e que as partes têm de “aproveitar bem as oportunidades para aprofundar a cooperação”. O Chefe do Executivo identificou como área de cooperação a “organização de actividades de turismo cultural de A-Má”, defendendo a criação de visitas em conjunto. A-Má, é uma deusa do mar, também conhecida como Mazu ou Matsu no Interior da China, o que significa mãe ancestral. A-Má é uma figura mitológica chinesa ligada a Fujian, e que é venerada principalmente nas zonas costeiras da China e do Sudeste Asiático, porque surge associada à protecção dos pescadores. Ao mesmo tempo, Sam Hou Fai identificou como áreas para aprofundar a cooperação o “comércio e investimento, finanças modernas, inovação tecnológica, cultura, ensino e saúde”. Segundo Sam, nas áreas que nomeou é possível “impulsionar mais a implementação de projectos de cooperação pragmática”. Profundas ligações Por sua vez, o secretário do Comité Provincial de Fujian do Partido Comunista da China (PCC), Zhou Zuyi, destacou que as duas regiões “são geograficamente próximas” estão “ligadas culturalmente” e têm “profundas ligações históricas” o que levou a que “nos últimos anos a cooperação económica e comercial e a circulação de pessoas” se tenham tornado mais “estreitas”. Zhou vincou também que “neste novo ponto de partida” há a expectativa que as partes aproveitem o mecanismo de cooperação para “aprofundar os laços económicos e de investimento comercial”, expandir “as sinergias entre a ciência e a indústria tecnológica, o intercâmbio entre a população” e para “construir uma relação de cooperação mais estreita”. Durante a reunião foram ainda assinados alguns memorandos e acordos entre diferentes departamentos e serviços públicos, como o acordo entre o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Governo Provincial de Fujian e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento da RAEM sobre a cooperação na promoção da internacionalização das empresas de Fujian, o acordo entre o Departamento de Cultura e Turismo de Fujian e a Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da RAEM sobre a expansão da cooperação turística entre Fujian e Macau ou entre instituições de ensino superior e de saúde. O conteúdo dos documentos não foi revelado. Sam estuda Xi Durante a visita oficial à província de Fujian, Sam Hou Fai passou por Fuzhou, onde estudou o trabalho do presidente Xi Jinping, que entre 1985 e 2002 desempenhou diferentes funções na província. Na tarde de terça-feira, Sam esteve na cidade de Fuzhou e “visitou a exposição comemorativa do 30º aniversário da implementação do projecto estratégico ‘3820’, que se centra no tema ‘visão estratégica para o desenvolvimento económico e social da Cidade de Fuzhou ao longo de 20 anos’, elaborado pessoalmente pelo Presidente Xi Jinping quando desempenhava funções como secretário do Comité Municipal de Fuzhou”. “A exposição permitiu conhecer o plano de desenvolvimento centenário da cidade e os notáveis resultados alcançados ao longo das últimas três décadas, revivendo as ideias e práticas importantes implementadas por Xi Jinping durante o seu trabalho em Fuzhou”, foi acrescentado.