Hoje Macau PolíticaBiblioteca Central | Prevista conclusão em 2028 A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, revelou que a construção da Nova Biblioteca Central de Macau está a avançar de acordo com o planeado, e que a cave ficou concluída no final do ano passado. Segundo o jornal Ou Mun, também a construção da superestrutura está em curso, depois de as obras terem arrancado em Março. Deland Leong apontou também que a biblioteca foi desenhada para visitantes de todas as idades, ao incluir um lobby aberto, uma área de lazer, opções para fazer refeições ligeiras, espaços para realizar actividades distintas e ainda um auditório multifuncional. Além disso, a biblioteca tem zonas separadas de leitura e actividades para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Deland Leong apontou que outros detalhes serão revelados mais tarde, depois dos pormenores serem ultimados.
Hoje Macau Manchete PolíticaGuangdong | Abertura a iates de Macau e Hong Kong O Governo da província de Guangdong está a preparar um esquema que permitirá, no Verão, a iates de Hong Kong e Macau navegar para seis portos designados. Segundo o jornal South China Morning Post (SCMP), entre os portos de entrada previstos estão Nansha (Guangzhou), Shekou e o terminal do aeroporto de Shenzhen, Wanshan e Jiuzhou (Zhuhai), e Zhongshan. Um documento oficial consultado pelo jornal de Hong Kong também recomenda rotas de lazer em áreas como o Delta do Rio das Pérolas, a Baía de Castle Peak e as ilhas Wanshan. O esquema prevê que apenas residentes de Hong Kong e Macau com autorização de viagem para a China continental possam participar numa fase inicial, ficando os estrangeiros excluídos. Os iates locais poderão obter certificados temporários de nacionalidade de embarcação para operar durante 180 dias em zonas delimitadas. O economista Lee Shu-kam, da Universidade Shue Yan, disse ao SCMP que o esquema poderá servir como projecto-piloto para monitorização transfronteiriça antes de uma eventual abertura a participantes internacionais. A Autoridade Aeroportuária de Hong Kong estima que o mercado global de iates atinja 45 mil milhões de dólares até 2032. Actualmente, a cidade conta com 12.500 iates licenciados, mas apenas 4.300 lugares de amarração, o que levou ao lançamento de novas infra-estruturas como a marina Skytopia.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTabaco | Alvis Lo faz balanço positivo de programa-piloto Alvis Lo revelou que o número de advertências para não fumar na zona do Parque Dr. Carlos D’Assumpção caiu de 40 por dia para duas por dia, com a implementação do projecto-piloto O director dos Serviços de Saúde (SS), Alvis Lo, fez ontem um balanço positivo do projecto-piloto que estendeu a proibição de fumar em várias ruas circundantes ao Parque Dr. Carlos D’Assumpção. O programa está em curso há cerca de dois meses, e os SS admitem instalar mais zonas de fumo. Actualmente, existem nove áreas para fumar perto do Parque Dr. Carlos D’Assumpção. Em declarações à imprensa, Alvis Lo afirmou que nos primeiros dias do programa-piloto, o director dos SS admitiu que havia uma média de cerca de 40 pessoas a serem alertadas para não fumarem nas zonas proibidas. Contudo, com o passar do tempo o número de advertências foi reduzido para duas por dia. O director revelou igualmente que como actualmente está a decorrer uma fase experimental os advertidos não foram multados, apenas advertidos. No entanto, dado a mudança de comportamentos, Alvis Lo considerou que o projecto está a produzir resultados. Apesar do balanço positivo, os Serviços de Saúde têm planos para instalar mais locais para fumar naquela zona. As instalações devem entrar em funcionamento no próximo mês. O responsável explicou que o plano inicial é instalar zonas para fumadores, que concentrem o fumo e ainda cinzeiros. Alvis Lo admitiu ainda que o programa em curso vai sofrer ajustes de acordo com a aceitação dos moradores e comerciantes das zonas afectadas: “Estamos a experimentar com modelos diferentes, tendo em conta a consulta pública recentemente concluída sobre a alteração da lei. Vamos fazer os ajustes de acordo as opiniões baseadas de todas as partes,” apontou. Portas do Cerco e Ruínas Ao mesmo tempo, o director dos SS afirmou que está a ser equacionado alargar as áreas de proibição de fumar existentes nas Portas do Cerco e nas Ruínas de São Paulo. No entanto, o responsável considera que é necessário esperar até o modelo operacional que está a ser desenvolvido ficar mais maduro. Além disso, Alvis Lo prometeu ouvir as opiniões da população, e ponderar estender a proibição a outras zonas densamente povoadas. Em meados deste mês, terminou a consulta pública para alterar a lei do tabaco. A proposta ainda não foi concluída, mas espera-se a proibição total de possuir ou fumar cigarros electrónicos e produtos semelhantes, como os cigarros aquecidos ou até cachimbos de água. Como parte da consulta foi igualmente ouvida a opinião da população sobre o alargamento das zonas na cidade onde é proibido fumar. Casinos e restaurantes dominam infracções Os Serviços de Saúde (SS) dizem ter detectado, no primeiro trimestre deste ano, 1.524 casos de infracção à lei do tabaco, no contexto de 65.548 inspecções realizadas a estabelecimentos. Trata-se, segundo um comunicado oficial, de uma média diária de 728 inspecções. Neste conjunto, incluem-se 1.459 casos de fumo ilegal, 43 casos de transporte de cigarros electrónicos na entrada ou saída da RAEM e 22 casos suspeitos de violação da lei. Os casinos lideram o número de infracções, com 254 casos, representando 17,4 por cento; seguindo-se os estabelecimentos de restauração, com 245 casos, uma representação de 16,8 por cento. Por sua vez, nas paragens de veículos de transporte colectivo de passageiros ocorreram 192 casos, 13,2 por cento. Destaca-se que os Serviços de Saúde e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos realizaram 163 inspecções conjuntas aos casinos de Macau, tendo sido detectados 254 casos de fumo ilegal.
Hoje Macau PolíticaFunção Pública | Recusados aumentos dos subsídios de turnos A directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, recusa a possibilidade de haver aumento do subsídio de turno, ao contrário do pedido pelo deputado José Pereira Coutinho, ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Segundo Leong Weng In, em 2018 houve uma revisão com a atribuição de diferentes montantes e sempre que os salários dos trabalhadores da função pública são actualizados o valor do subsídio também é. Sobre as críticas à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), devido a uma alegada inflexibilidade na troca dos turnos entre os trabalhadores, foi explicado que foi introduzido “um sistema electrónico de gestão de escalas” e criado “um mecanismo de troca de turnos, permitindo uma organização mais justa e equitativa do trabalho do pessoal”. Justiça | Acordo com o Vietname mais perto O Acordo de Auxílio Judiciário Mútuo em Matéria Penal entre Macau e o Vietname ficou mais perto de ser formalizado, depois de uma delegação da RAEM se ter deslocado ao país do Sudeste Asiático, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ). “Os representantes de ambas as partes procederam a um intercâmbio profundo sobre o projecto do Acordo, discutiram, de forma pormenorizada e aprofundada, cada articulado, tendo chegado, com sucesso, a um consenso sobre todos os conteúdos constantes do projecto de acordo”, foi comunicado. “Na sequência da reunião, ambas as partes assinaram a acta de reunião e comprometeram-se a adoptar as diligências necessárias com vista a agilizar os procedimentos internos, em prol da assinatura formal do acordo, com maior brevidade possível”, foi destacado.
Andreia Sofia Silva PolíticaRAEM firma cinco acordos comerciais em Espanha Na viagem relâmpago da delegação da RAEM à capital espanhola saíram cinco acordos assinados. Um deles nasceu da parceria entre o IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau com a Federación de Comercio, Industria y Servicios China en Espana, e tem por objectivo “aproveitar plenamente as amplas redes empresariais e as vantagens de recursos de ambas as partes” e ainda “ampliar os âmbitos de colaboração e estabelecer os canais de comunicação”, entre outros. Também a Associação Comercial de Macau, assinou um protocolo com a Câmara de Comércio Hispano-Chinesa, pretendendo-se “fomentar os intercâmbios amistosos e a cooperação económica”, além de se “ampliar os âmbitos de colaboração” entre a RAEM e Espanha. Destaque ainda para a assinatura do “Acordo-Quadro de Cooperação em Áreas como Expansão de Mercado nos Países de Língua Portuguesa e Espanhola, entre outras”, entre o centro de serviços em Hengqin e a Kingfa Environmental Sci&Tech Spain SL. Foi também assinado mais um “Acordo-Quadro de Cooperação Estratégica” entre a empresa Panchira Times, cujo CEO é Ho Kuok Tou, e a Guangdong Hengqin Centro de Comércio e Economia China-Países de Língua Portuguesa e Espanhola Operação e Gestão Co., Ltd. O objectivo é dar apoio à empresa “nas áreas de expansão de mercado, financiamento e consultoria jurídica em países de língua portuguesa e espanhola”, descreve a informação oficial. Pretende-se ainda atribuir “financiamento através do fundo China-Países de Língua Portuguesa e combinação de capital-dívida”, bem como ajuda na “formação de talentos internacionais”, entre outras valências. Juntem-se à festa Dos encontros que Sam Hou Fai manteve em Madrid, José Manuel Albares Bueno, ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação de Espanha, destacou o facto de a RAEM se poder agora associar a parcerias já existentes. Citado por uma nota oficial, Bueno “salientou que Espanha mantém laços estreitos e intercâmbios frequentes com Portugal e o Brasil”, tendo-se “congratulado com a participação activa de Macau nestas relações, a fim de explorar e promover em conjunto novas áreas de cooperação”. O governante destacou que, no futuro, “Espanha pode reforçar a cooperação económica, comercial e turística com Macau”, tendo o ministro demonstrado “desejo de maior participação em diversos eventos internacionais nas áreas económica e comercial em Macau, a fim de aumentar constantemente a sua participação e influência no palco internacional”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Espanha | Governo quer expandir delegação de Lisboa Terminou ontem a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Espanha. Aos jornalistas, o governante máximo da RAEM demonstrou vontade de alargar as funções da Delegação Económica e Comercial de Macau de Lisboa até Madrid, com maiores ligações a Bruxelas e Genebra e ao respectivo tecido empresarial As autoridades de Macau querem expandir as funcionalidades da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa para que haja uma aproximação nas relações comerciais com Espanha. A ideia foi deixada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na conferência de imprensa de balanço da visita oficial da RAEM a Espanha, que terminou esta quinta-feira. O “plano” de aproximação a Espanha, em sectores como a cultura ou turismo, será entre o Governo e “as operadoras de lazer e entretenimento de Macau”, disse Sam Hou Fai, mas este quis deixar “outra ideia”. “Espanha está ao lado de Portugal e queremos aproveitar a delegação para promover as relações. Será possível que o Governo possa estender e alargar o papel da delegação de Macau em Lisboa para abrir ao mercado de Espanha? Falei com a chefe da delegação, a doutora Lúcia [Lúcia Abrantes dos Santos], sobre a possibilidade de aplicar este plano. Queremos estender os serviços até Espanha.” O Chefe do Executivo disse também que Macau possui delegações em Genebra e Bruxelas, podendo ser estabelecida uma maior conexão entre serviços. “Gostaríamos de aproveitar essa delegação [de Lisboa] para estender [os serviços] e apoiar as empresas de Macau e da China”, disse. Em Madrid, foram muitas as personalidades políticas com quem Sam Hou Fai reuniu, nomeadamente Concha Andreu Rodríguez, segunda vice-presidente do Senado de Espanha, e também com José Manuel Albares Bueno, ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação de Espanha. Na capital espanhola não faltou também uma reunião com Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas. Sobre o encontro com Concha Rodríguez, Sam Hou Fai disse que esta “conhece as potencialidades de Macau na área do turismo”, embora ainda não tenha visitado o território. “Espero que se possa [entre as autoridades espanholas], e juntamente com os nossos serviços de turismo, o IPIM e as operadoras de jogo, desenvolver [mais acordos de cooperação e projectos] também através das agências de viagens”. Semelhanças e diferenças E por falar em turismo, Sam Hou Fai saiu de Madrid a pensar que, afinal de contas, até existem semelhanças com Macau, sobretudo no que diz respeito à existência de um centro histórico e da sua preservação. “Apesar de haver uma distância muito grande, Espanha e Macau têm uma história muito profunda. Macau é um centro de lazer e de entretenimento, tem uma história profunda a nível de cultura, e Espanha tem uma história de longa data, e ambas as partes podem fazer a promoção a nível de turismo.” Sam Hou Fai destacou também, aos jornalistas, que o caminho a traçar é aumentar o número de visitantes internacionais e levar mais espanhóis a Macau. “A Direcção dos Serviços de Turismo, em conjunto com as autoridades turísticas de Espanha, analisou como podem ser levados os turistas de Espanha a Macau. A conjuntura internacional é complicada e há a possibilidade de alterações, sobretudo devido às carreiras aéreas que foram afectadas. Mas, segundo a nossa avaliação, achamos que o desenvolvimento de Macau na área de turismo ainda está em progresso.” O governante disse que, até 21 de Março, o território já registou dez milhões de turistas, pelo que este ano, a nível de visitantes internacionais, no primeiro trimestre, contabilizaram-se 750 mil entradas em Macau, “registando-se um aumento de dez por cento”. “Em relação aos turistas e ao seu aumento, mantemos uma posição cautelosa, mas estamos a obter pistas”, acrescentou o Chefe do Executivo.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPortuguês | Sam Hou Fai diz que língua “não merece preocupação” Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid esta terça-feira referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais “Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa. Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai. “Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou. Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”. “Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou. O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”. Salários mais altos No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses. “Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.” Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”. Mercado em projecção Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano. Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou. De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina. Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou. Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”. Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”. Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”. O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Mais justiça Dada a experiência que Sam Hou Fai tem na área da justiça, uma vez que presidiu ao TUI durante décadas antes de ser Chefe do Executivo, esta foi uma área relevante na agenda. No âmbito da reunião com João Cura Mariano, ficou a promessa de Macau participar, no Outono, num evento que irá decorrer em Lisboa que analisa a relação entre a tecnologia, o Direito e as instituições judiciais, realizado pela União Europeia. “Vou falar com a presidente do TUI de Macau [Song Man Lei] para que Macau possa enviar uma delegação para participar nesse evento. Queremos ajudar os representantes dos tribunais da China na participação, e esse é um trabalho que vou acompanhar quando regressar [a Macau]. Vamos activar também essa formação de quadros” na área judicial. Segundo um comunicado oficial, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça sublinhou que “a RAEM é um espaço onde coexistem o sistema jurídico europeu e o direito da China, bem como a continuidade do sistema jurídico tradicional e da língua portuguesa”, tendo reconhecido ainda que “Portugal e Macau partilham um vasto espaço de cooperação no âmbito judicial, que poderá ser reforçado no futuro”. Além disso, João Cura Mariano adiantou que existe a “expectativa de que os sectores judiciais das duas partes reforcem ainda mais a ligação e a cooperação, promovendo visitas mútuas de juízes, para que estes possam adquirir e acumular experiências práticas mais ricas através dos intercâmbios”. Comissão Mista ainda sem data Questionado sobre uma eventual data para a realização da próxima Comissão Mista Macau-Portugal, Sam Hou Fai disse que dos encontros com as autoridades portuguesas ainda não saiu uma data. Destaca-se que a última vez que esta reunião aconteceu foi em Maio de 2019. A Comissão Mista é um organismo existente para discutir a cooperação bilateral entre a RAEM e Portugal no contexto da assinatura da Declaração Conjunta e transferência de administração. Luís Montenegro referiu apenas “ter a expectativa de que ambas as partes possam negociar activamente para se convocar, o mais breve possível, uma outra reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, e promover, de forma sólida, a cooperação bilateral pragmática em diversas áreas”. Sam Hou Fai disse apenas na conferência de imprensa de balanço que Portugal e a RAEM “têm mantido contactos desde sempre”, mas falta ainda definir um calendário para aquela que será a sétima reunião. “Não tenho um calendário porque há interesses das duas partes para por na agenda”, rematou.
Hoje Macau PolíticaEncontro | Seguro recebe Sam Hou Fai em Belém Encontro | Seguro recebe Sam Hou Fai em Belém O Presidente da República, António José Seguro, recebeu ontem o chefe do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Sam Hou Fai, numa audiência para “reforçar a relação” com a China e Macau, anunciou a Presidência portuguesa. “Esta reunião serviu para reforçar a relação de confiança e aprofundar o relacionamento com a China e com a RAE Macau”, lê-se na nota divulgada no sítio de Internet da Presidência. António José Seguro valorizou o respeito pela identidade de Macau, reconhecendo o papel do território asiático na promoção da cultura e do património da região macaense.Também referiu a importância da Escola Portuguesa de Macau e da promoção da língua portuguesa enquanto uma das línguas oficiais de Macau. Segundo a nota, o chefe de Estado português considerou ser “essencial que continue a haver cumprimento pleno do quadro jurídico decorrente do processo de transferência da administração de Macau e que assegure a harmonia desta com as disposições jurídicas de Macau, nomeadamente no que toca ao respeito e proteção dos direitos, liberdades e garantias”. O líder do Governo de Macau está desde sábado em Portugal para uma visita oficial, tendo-se reunido ainda com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e diversos ministros.
Hoje Macau PolíticaFP | Pereira Coutinho pede respeito por turnos de trabalhadores Os funcionários públicos de vários serviços estão a encontrar obstáculos para participar em actividades da vida privada, como festas de aniversários dos filhos, cerimónias de formação, acompanhar familiares ao hospitalar, participar em exames de condução e em funerais de parentes. A acusação é feita por José Pereira Coutinho, deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), através de uma interpelação escrita. Segundo o documento partilhado pelo legislador através das redes sociais, a acusação tem por base os “pedidos de apoio por parte de trabalhadores da função pública”, que Coutinho indica serem cada vez mais frequentes. No mesmo sentido, o deputado explica que o problema está relacionado com a forma como alguns serviços públicos elaboram as escalas mensais de serviço por turnos, não tendo em consideração as actividades familiares. O único serviço visado directamente é a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. Face a este problema, o deputado questiona o Executivo sobre se existem planos para “eliminar a actual e recente rigidez da organização das escalas” e para adoptar um regime “mais flexível, humano e digno”. José Pereira Coutinho pede também o regresso aos mecanismos que permitiam aos trabalhadores trocarem os turnos entre si. Segundo o mesmo relato, estas trocas costumavam ser autorizadas pelas chefias, o que não acontece agora. Além disso, o legislador pede ao Executivo mais dinheiro para os funcionários públicos, com a actualização dos subsídios de turnos, de acordo com o que diz ser a inflação acumulada e o “acréscimo do volume de trabalho pela não substituição dos trabalhadores aposentados ou desligados da função pública”.
Hoje Macau PolíticaUTM | Filha de Ho Iat Seng convidada para palestra A filha de Ho Iat Seng, Ho Hoi Kei, foi convidada para dar uma palestra na Universidade de Turismo de Macau sobre o espírito das duas sessões, o desenvolvimento do turismo e dos jovens. A informação sobre a palestra foi divulgada pela instituição de ensino, através das plataformas do Governo. Nos últimos anos, Ho Hoi Kei passou a assumir vários cargos políticos e integra actualmente a 14.ª sessão do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Segundo o comunicado, a oradora encorajou os mais jovens a “alargarem a horizontes” e a participarem no “desenvolvimento nacional”. Ho Hoi Kei considerou ainda que Macau se encontra numa posição única a nível do turismo, por combinar elementos culturais chineses e ocidentais. A filha do antigo Chefe do Executivo afirmou também, dirigindo-se aos jovens, que há muitas vagas no mercado à espera deles.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Aumentos nos ferries e em veículos pesados Após o aumento dos preços na aviação, TurboJET e Cotai Water Jet receberam autorizações do Governo para seguir o mesmo caminho, nas ligações entre Macau, Hong Kong e o Interior As operadoras de ferries TurboJET e Cotai Water Jet anunciaram um aumento de 10 por cento no preço dos bilhetes entre Macau e Hong Kong. O transporte de cargas com veículos pesados vai seguir o mesmo caminho. Os novos preços começam a ser praticados a partir de sábado, e foram justificados com os aumentos internacionais do custo dos combustíveis. “A Shun Tak-China Travel Shipping Management Limited foi autorizada pelo Governo de Macau para ajustar as tarifas das rotas da TurboJET entre Hong Kong e Macau, da rota entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen e do Passeio Aquático em Macau,” pode ler-se num comunicado da TurboJET, divulgado na Segunda-Feira. A TurboJET acrescentou que o aumento de cerca de 10 por cento serve para aliviar “ligeiramente” a pressão do aumento dos custos. Actualmente, o preço de ferry da classe económica entre Hong Kong e Macau em durante os dias úteis está fixado nos 175 dólares de Hong Kong. A partir de sábado, sobe para 194 dólares de Hong Kong. Aos fins-de-semana, o preço da classe económica é de 190 dólares de Hong Kong e o preço nocturno da classe económica é de 220 dólares de Hong Kong. Com a nova tabela de preços, a viagem vai passar a custar 212 dólares de Hong Kong, no horário diurno, e 242 dólares de Hong Kong à noite. O preço de ferry da classe económica entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen será aumentado para 259 dólares de Hong Kong, de 235 dólares de Hong Kong. Quanto ao Passeio Aquático em Macau, o preço vai subir para 88 patacas, face às 80 patacas actuais. Por sua vez, no comunicado a anunciar os aumentos, a Cotai Water Jet não indicou as razões. Porém, a empresa esclareceu que vai aumentar o preço de ferry na classe económica de 175 dólares de Hong Kong para 192 dólares de Hong Kong, enquanto o preço nocturno da classe económica vai passar para 242 dólares de Hong Kong, quando agora é de 220 dólares de Hong Kong. Pesados acompanham Em relação aos transportes em veículos pesados, a Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau anunciou ontem no jornal Ou Mun que os preços vão aumentar 20 por cento. A escalada entra em vigor a partir de hoje, e a medida foi justificada com o aumento internacional do preço dos combustíveis. “Devido ao impacto grave da tensão no Médio Oriente, os preços de combustíveis em Macau continuam a subir e a bater recordes, provocando o aumento dos custos. O sector enfrenta uma pressão operativa como nunca aconteceu”, lê-se na publicação. Na semana passada, a associação defendeu que o Governo subsidiasse os preços de combustíveis, seguindo o exemplo de Hong Kong. Estes não são os primeiros aumentos a nível dos transportes. Anteriormente, a Air Macau anunciou o aumento da sobretaxa de combustível, pelos mesmos motivos. A transportadora de Macau tem também optado por cancelar vários voos, para não perder dinheiro. Até Junho, espera-se o cancelamento de pelo menos 400 voos.
Andreia Sofia Silva PolíticaSam Hou Fai reuniu com empresas chinesas em Portugal Num encontro não divulgado previamente aos jornalistas, Sam Hou Fai reuniu esta segunda-feira com membros da Associação de Sociedades Chinesas em Portugal, entidade criada em 2016. Segundo uma nota oficial divulgada posteriormente, esta associação destacou que trabalha “nos sectores da energia, finanças, seguros, saúde e telecomunicações”, prestando “serviços a mais de 90 por cento da população portuguesa”. Desta forma, o representante desta associação entende que têm sido feitas “contribuições para o desenvolvimento sócio-económico” de Portugal por parte das empresas chinesas, bem como “enormes trabalhos no apoio à expansão das empresas de capital chinês em Portugal e na promoção da cooperação económica e comercial entre a China e Portugal”. Sam Hou Fai fez-se acompanhar neste encontro pela delegação de empresários locais e da China que viajaram consigo até Lisboa e Madrid. O responsável pela Associação de Sociedades Chinesas em Portugal prometeu “alinhar-se e articular-se com a estratégia nacional da China, criando bases nas funções específicas de plataforma de Macau”. Ficou ainda a promessa do reforço da “colaboração com o Governo da RAEM” e no aproveitamento da relação com as empresas de Macau, a fim de “impulsionar a complementaridade de vantagens e a interligação de recursos”. Aprofundar cooperação No âmbito do mesmo encontro, Sam Hou Fai “incentivou as empresas de capital chinês e de Macau em Portugal a consolidarem a confiança de desenvolvimento”, nomeadamente a aproveitarem “as oportunidades produzidas pela Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, assim como as vantagens de diversificação de Macau”. Os empresários das empresas locais presentes “referiram que, com o forte impulso do Governo da RAEM, as empresas de Macau introduzem os produtos agrícolas de alta qualidade e vinhos portugueses nos mercados de Macau, Hong Kong, Interior da China e do Sudeste da Ásia, ao mesmo tempo, que promovem a influência internacional das marcas de Macau”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Lisboa | Macau é “ponte eficaz” para negócios, diz ministro A agenda do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por Lisboa incluiu encontros com os ministros portugueses da Economia e da Justiça. Manuel Castro Almeida destacou Macau como “ponte eficaz, segura e facilitada” para negócios entre Portugal e China. Já Rita Júdice, foi convidada para visitar Macau A semana começou recheada de encontros para Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, que em Lisboa reuniu com alguns ministros do Governo português, nomeadamente com Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça. Ambos os encontros apenas tiveram direito a recolha de imagens, sem lugar a declarações aos jornalistas. Citado por uma nota oficial divulgada após o encontro, o ministro português declarou que “Macau também constitui uma ponte eficaz, segura e facilitada para as empresas chinesas entrarem nos países de língua portuguesa”, destacando que existem apoios “para profissionais de diversas áreas de Portugal se deslocarem a Macau”, a fim de procurarem e aproveitarem “as oportunidades de desenvolvimento”. Manuel Castro Almeida referiu também a “estabilidade social e prosperidade económica” de Macau graças ao princípio “Um país, dois sistemas”. O ministro entende que “graças a relações únicas e insubstituíveis entre Portugal e Macau a região dispõe de um vasto leque de quadros qualificados nas áreas jurídica e linguística, o que lhe permite manter uma ligação estreita com os países de língua portuguesa”. Destaque para o facto de o ministro da Economia ter frisado que “Portugal valoriza as relações amigáveis com a China” e que “já tinha defendido o ensino do chinês nas escolas primárias locais, a fim de aproveitar as oportunidades de desenvolvimento da China”. Ajuda lusa Por sua vez, Sam Hou Fai referiu as vantagens de Macau por estar cada vez mais integrado na região da Grande Baía, sobretudo devido à existência da Zona de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin. O Chefe do Executivo “agradeceu a Portugal o apoio constante ao desenvolvimento económico da RAEM”, tendo sublinhado que o território, “com as suas vantagens únicas”, nomeadamente “o bilinguismo (chinês e português) e o sistema jurídico continental europeu tornou-se uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa para a cooperação económica e comercial”. Sam Hou Fai lembrou que o Executivo “está a acelerar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, promovendo de forma ordenada quatro projectos-chave”. Nestes projectos Portugal pode ajudar, pois possui “vantagens em sectores da inovação científica, educação, turismo, e convenções e exposições”. O governante máximo da RAEM espera, portanto, poder “reforçar o intercâmbio e a cooperação bilaterais nessas áreas” com Portugal. Sistema impecável No encontro com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice deu os parabéns à RAEM, fazendo “um enorme elogio à implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau”, ficando a promessa de, no futuro, se dar “impulso à cooperação judiciária com Macau”. Rita Júdice “elogiou ainda o Governo da RAEM pelo seu empenho na protecção da multiculturalidade, sublinhando que a língua portuguesa e a cultura portuguesa têm sido bem preservadas em Macau”, segundo a mesma nota oficial. Sam Hou Fai deixou o repto a Rita Júdice para visitar Macau. O governante “manifestou que será bem-vinda uma futura visita da ministra Rita Alarcão Júdice a Macau, para reforçar ainda mais os laços com o Governo da RAEM, em particular com o secretário para a Administração e Justiça”.
Andreia Sofia Silva PolíticaCooperação | Da Inteligência Artificial em Direito ao turismo Esta segunda-feira, foi um dia profícuo na elaboração de acordos, não apenas entre o Governo da RAEM e entidades do ensino superior e económicas, como com entidades públicas portuguesas. Só no período da tarde foram assinados 18 acordos de cooperação, nomeadamente entre a Universidade de Macau e a Universidade de Coimbra para a “Criação do Centro Conjunto de Direito e Inteligência Artificial”. Segundo a apresentação, este memorando faz com que as duas instituições de ensino se coloquem “na vanguarda do ensino e investigação na área interdisciplinar do Direito”, sendo que “as duas partes irão estabelecer um centro conjunto para a formação de pessoal qualificado na organização de competências internacionais e na investigação científica, entre outras vertentes”. Outro acordo assinado, aqconteceu entre a Direcção dos Serviços de Turismo e a EGEAC Lisboa, empresa pública que gere os eventos culturais da Câmara Municipal de Lisboa, e ainda a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). Este acordo quer proporcionar “assistência na organização de visitas promocionais de operadores e agentes de viagens” de forma recíproca, além de designar Macau como “Destino Preferido da APAVT 2026. Pretende-se ainda a continuação da presença de Macau nas tradicionais Festas de Santo António, “promovendo as tradições lisboetas em países estrangeiros, em particular com laços culturais relacionados com Portugal”, através da presença da RAEM nas Marchas Populares de Lisboa vencedoras em eventos relacionados ao Ano Novo Chinês em Macau.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Lisboa: AICEP pede investimento em “projectos concretos” Foi numa sala do MEO Arena, em Lisboa, que se assinaram dezenas de acordos de cooperação entre empresas portuguesas e chinesas e se apresentaram, esta segunda-feira, as vantagens económicas de Macau e Hengqin. Uma empresa chinesa, a Tenways, vai produzir bicicletas eléctricas em Aveiro. A AICEP pede investimento com impacto real Imagine-se que investir na RAEM é como aceder a um menu gastronómico, neste caso no tipicamente português Tromba Rija, em Macau. Há de tudo, desde novas tecnologias de ponta à medicina ou outras áreas da saúde, e não faltam robots a anunciar as vantagens de uma economia com baixos impostos e flexibilidade na criação de empresas. Este foi o conteúdo do vídeo visionado esta segunda-feira no MEO Arena, em Lisboa, na “Sessão de Promoção da Cooperação Económica e Comercial Macau-Portugal”, que acolheu dezenas de empresários de Portugal, Macau e China em sessões de negócio e assinatura de protocolos de cooperação. No período da manhã, foram assinados 20 acordos, à tarde 18 (ver texto secundário). Incluem-se nas parcerias e bolsas de contactos empresas como os grupos Nam Kwong e Bai Li, a OWLPlaces AI, a Teixeira Duarte ou o município de Sintra, sem esquecer associações e câmaras de comércio. No eclodir da manhã foram-se sentando alguns empresários nas mesas, seguindo-se apresentações sobre aquilo que Macau tem para oferecer em conjugação com Hengqin e o interior da China, e o que Portugal pode dar: entre a vontade de diversificar e o panorama de negócios em língua portuguesa, ficou a promessa de muitas vantagens que podem ser aproveitadas. À margem do evento, falou António Martins da Cruz, antigo embaixador que preside à Oeiras Valley Investment Agency (OVIA), uma entidade de captação de investimento para o município de Oeiras. Um dos projectos destacado por Martins da Cruz é a construção de um parque empresarial em Oeiras, anunciado em 2024 com um investimento de 400 milhões de euros. “Temos vários acordos assinados quer com instituições de Macau, quer de Hengqin. Dois dos nossos associados, a China State Construction Engineering, através da sociedade que está em Macau, e o grupo Teixeira Duarte, que é uma das grandes empresas de construção em Portugal, vão começar a construir, penso que no mês que vem, um enorme parque empresarial e habitacional em Oeiras. Entendemos que, quando estiver pronto, é o local ideal para as empresas chinesas que estão em Portugal ou que querem instalar-se em Portugal, incluindo as de Macau, Hengqin e Grande Baía. Uma das razões para a nossa ida para Macau é esta”, salientou. Sobre a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal e Espanha, na qual se integrou a sessão de contactos empresariais, o presidente da OVIA destacou que “é muito importante para Macau e Portugal”, já que, actualmente, e além da ligação histórica existente, “Macau é a plataforma ideal para as relações políticas, económicas e culturais não apenas entre Portugal e a China, mas entre a China e os países de língua portuguesa”. Estabilidade no país Madalena Oliveira e Silva, presidente do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), disse que Portugal tem hoje um “ambiente estável e previsível” em termos económicos, sendo importante que, no tocante ao papel de Macau como plataforma, haja “benefícios concretos para as empresas, em particular as portuguesas”. Isto porque, no seu entender, “continua a ser essencial facilitar o acesso ao mercado da China, nomeadamente através de soluções que permitam uma maior eficiência, previsibilidade e redução de custos no acesso a este mercado”. Para Madalena Oliveira e Silva, este “é um momento particularmente relevante para o aprofundamento da relação económica entre Portugal e a República Popular da China”, sendo que Portugal “reafirma a sua total disponibilidade para continuar a aprofundar a cooperação económica com Macau, reforçando os fluxos domésticos, de investimento e cooperação empresarial”. Neste contexto, “Portugal está plenamente aberto ao investimento da China, incluindo a agentes económicos sediados em Macau”, mas o que se procura é “investimento com impacto real, projectos produtivos e tecnológicos que sejam geradores de emprego qualificado e que contribuam para a transformação da nossa base económica” e ainda “valor a longo prazo”. A responsável da AICEP acrescentou no seu discurso que “Portugal posiciona-se como uma porta inteligente para a entrada na Europa”, sendo uma “base estratégica que permite a empresas aceder a um espaço económico de cerca de 450 milhões de consumidores no quadro da União Europeia”. Bicicletas em Aveiro Shawn Liang, fundador e director-geral da Tenways, empresa chinesa dedicada a meios de mobilidade amigos do ambiente, como é o caso das bicicletas eléctricas, anunciou no evento desta segunda-feira um investimento superior a mil milhões de renminbis numa fábrica em Aveiro. A produção será, essencialmente, de bicicletas eléctricas. “A minha empresa vai investir numa fábrica em Aveiro, com um investimento que ultrapassa os mil milhões [de renminbis] e depois a empresa vai fornecer produtos a toda a Europa. Estou confiante neste projecto.” Na visão deste empresário, “Portugal pode oferecer muitos recursos empresariais e governamentais”, referindo que persistem entraves de ordem prática. “A minha empresa já investiu em Portugal, mas o processo de estabelecimento da confiança entre empresas da China e Portugal é muito lento. Este evento pode ajudar a acelerar o processo para a criação de confiança entre duas empresas”, rematou.
Andreia Sofia Silva PolíticaSecretário de Estado destaca papel da comunidade portuguesa de Macau Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, destacou esta segunda-feira, em Lisboa, a importância da existência de uma comunidade lusa em Macau no contexto do relacionamento entre a região e Portugal. “A amizade entre Portugal e Macau traduz-se, antes de mais, nas pessoas. A importante comunidade portuguesa residente em Macau constitui um dos pilares fundamentais desta relação, sendo um elo vivo e permanente entre as nossas sociedades”, discursou no contexto da inauguração da mostra “Macau – Êxitos de ‘Um país, dois sistemas’ – Transmitir o legado de tradição da amizade sino-portuguesa e escrever um novo capítulo do princípio ‘Um país, dois sistemas'”, patente no MEO Arena até Junho. Na inauguração, não faltaram membros da comunidade macaense em Lisboa e dirigentes associativos. Emídio Sousa destacou também o facto de Sam Hou Fai ter escolhido Portugal para primeira paragem na sua viagem à Europa, que inclui passagens em Madrid, Bruxelas e Genebra. “Trata-se de uma escolha que honra o nosso país e reforça a natureza especial do nosso relacionamento.” O secretário de Estado disse esperar que a visita possa “ser concreta e orientada para o futuro, abrindo novas oportunidades de cooperação entre Portugal e Macau”. Na visão do governante, existem “áreas com elevado potencial de desenvolvimento conjunto onde podemos aprofundar parcerias, promover investimentos, incentivar a inovação e reforçar os contactos entre instituições, empresas e cidadãos”. Neste contexto, o “Governo de Portugal está fortemente empenhado em promover e desenvolver essas novas oportunidades de cooperação com Macau”, frisou. Fluxos acompanhados José Cesário, que ocupou durante vários anos o cargo agora detido por Emídio Sousa, esteve no evento na qualidade de presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República. E destacou “as especificidades e a relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China”, sem esquecer “as comunidades de macaenses e chineses em Portugal”. Estas são, no seu entender, “questões que requerem um acompanhamento permanente, sendo essencial darmos passos no sentido de facilitarmos ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”. Desta forma, adiantou Cesário, “a excelência da nossa relação com a China e com Macau sairá ainda mais reforçada dentro desta visita”.
Andreia Sofia Silva PolíticaExposição | Sam Hou Fai diz que direitos dos macaenses estão protegidos Na tarde desta segunda-feira foi inaugurada, numa sala do MEO Arena, uma exposição que conta o percurso da RAEM desde a transferência de administração portuguesa de Macau para a China. “Macau – Êxitos de ‘Um país, dois sistemas’ – Transmitir o legado de tradição da amizade sino-portuguesa e escrever um novo capítulo do princípio ‘Um país, dois sistemas'” é o nome dado à mostra que conta como o território foi evoluindo em termos económicos e sociais e onde não falta destaque às comunidades portuguesa e macaense. Nesse sentido, Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, frisou que “todos os direitos dos residentes de Macau, incluindo os macaenses de origem portuguesa, são efectivamente salvaguardados nos termos da lei”. De resto, o governante destacou feitos económicos, referindo que a economia local “apresenta uma tendência positiva de recuperação e desenvolvimento”. Isto porque, no ano passado, o Produto Interno Bruto foi de 418 mil milhões de patacas, “um crescimento real anual de 4,7 por cento”, enquanto “o número de visitantes atingiu 40,07 milhões, um recorde histórico”, destacou. Sam Hou Fai lembrou que, desta fatia, “2,76 milhões foram turistas internacionais, representando 6,9 por cento do total”. No que diz respeito à relação de Macau com Hengqin, “o potencial é ilimitado”, dando o Governo prioridade a “grandes projectos de infra-estrutura”, tais como a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin ou a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, entre outros. O governante disse ainda que está a ser “acelerada a criação do Fundo de Orientação Governamental e a promover o agrupamento e desenvolvimento de indústrias com características distintivas”. Sam Hou Fai acredita que, com todos estes ingredientes, “o desenvolvimento económico e social de Macau está gradualmente a entrar numa nova fase de crescimento de alta qualidade”.
Hoje Macau PolíticaLeitura | Loi I Weng quer maior promoção entre jovens A deputada Loi I Weng sugeriu ao Governo que envide mais esforços para promover a leitura entre as crianças e adolescentes. A posição foi tomada através de um comunicado, ontem, dia em que se iniciou a semana nacional da leitura, em Macau, que se prolonga até domingo. Loi pediu igualmente que seja criado um ambiente “positivo” de leitura na sociedade. O facto de considerar importante uma maior promoção da leitura, foi justificado com os dados mais recentes. Em 2025, os números oficiais apontam que o número de visitas a bibliotecas diminuiu. A tendência negativa acontece ao mesmo tempo que desde 2023 o Governo tem implementado o programa de leitura para bebés e crianças, em que os pais podem pedir para receber um conjunto de cinco livros para crianças com diferentes idades. Loi I Weng espera que o Governo possa continuar a melhorar e explorar este programa, e que estude a possibilidade de incluir as crianças com idades entre os 3 e 5 anos.
Hoje Macau PolíticaFunção Pública | Leong Weng In garante que mecanismo de mobilidade é suficiente A directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, afasta a criação de uma plataforma para a transferência de funcionários públicos entre serviços, mas garante que os mecanismos de mobilidade horizontal estão a ser simplificados e mais eficientes. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação da deputada Wong Kit Cheng. Segundo a responsável, actualmente não está prevista a criação de uma plataforma com informação sobre as carências de serviços, porque existe um mecanismo que responde às necessidades. “Desde a entrada em vigor do regime actual, em Março de 2023, até ao final de Fevereiro de 2026, 353 casos (trabalhadores) foram tratados como transferência e destacamento, envolvendo 59 serviços em diversas áreas”, revelou. A responsável explicou também que a “mobilidade do pessoal é efectuada de acordo com as necessidades de trabalho dos serviços, podendo ser efectuada entre os serviços gerais e os serviços com estatutos privativos de pessoal, bem como a mobilidade recíproca de pessoal entre as diferentes carreiras”. A legisladora ligada à Associação das Mulheres pretendia também saber se vai haver uma revisão do sistema de prémios para os funcionários públicos. O cenário foi igualmente afastado. “O regime dos prémios e incentivos em vigor está interligado com a remuneração, as carreiras, a avaliação de desempenho, o acesso e outros regimes de gestão de pessoal, e qualquer alteração terá inevitavelmente impacto na coordenação global do regime da função pública”, justificou.
Hoje Macau Manchete PolíticaCiberataques | Governo alvo de quatro milhões de acções por mês Segundo o Executivo, o “rigoroso regime de gestão de segurança” e a “equipa de monitorização dedicada” têm evitado que os ataques frequentes sejam bem-sucedidos O Governo apontou que o seu centro de computação em nuvem repele, em média, mais de quatro milhões de ciberataques todos os meses. Numa resposta a perguntas do deputado Vong Hou Piu sobre o actual uso de inteligência artificial (IA) na melhoria da eficiência da administração pública, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) confirmou que, apesar do elevado volume de ataques cibernéticos registado ao longo de 2025, não ocorreu até à data qualquer incidente de segurança. As autoridades atribuíram este registo de defesa a uma “equipa de monitorização dedicada” e a um “rigoroso regime de gestão de segurança”, concebido para proteger a infra-estrutura electrónica e os dados sensíveis da cidade. O Governo de Macau tem acelerado a integração da IA nas operações internas, com a SAFP a iniciar testes de uma plataforma em grande escala para agilizar tarefas administrativas como a análise de dados, o processamento de documentos e a redacção de atas de reuniões. Para mitigar os riscos associados a esta nova tecnologia, o SAFP sublinhou que a plataforma de IA está alojada no Centro de Computação em Nuvem do Governo e é de uso exclusivamente interno. “O SAFP continuará a monitorizar os riscos de ciberataques, respondendo atempadamente e reforçando as capacidades de detecção e bloqueio de intrusões”, afirmaram os serviços, salientando que a cibersegurança continua a ser um pilar da estratégia de governação electrónica do Executivo. IA como exigência As autoridades do território acrescentaram que o impulso para a modernização deverá também transformar o pessoal da função pública, com os futuros processos de recrutamento poderão ser actualizados para incluir a proficiência em IA como critério de selecção. “No âmbito do regime actual, os júris de concurso têm a discricionariedade de ponderar conhecimentos de tecnologia de IA em provas e entrevistas, garantindo que os novos recrutas estão preparados para a transição digital”, indicaram. O Governo defende que as actualizações tecnológicas são essenciais para melhorar a qualidade do serviço prestado e a eficiência do trabalho em todos os departamentos públicos.
João Santos Filipe PolíticaDiplomacia | Sam Hou Fai recebido por embaixador chinês Sam Hou Fai foi recebido pelo embaixador da República Popular da China em Portugal, Yang Yirui, e, segundo a versão oficial do Governo de Macau, falaram sobre as relações entre Portugal, Macau e a China. Durante o encontro, o Chefe do Executivo afirmou que o facto de a primeira vista oficial ter começado por Portugal “reveste-se de grande significado, e o objectivo é implementar o espírito dos discursos importantes do Presidente Xi Jinping”. Além disso, o dirigente do Governo de Macau indicou que o objectivo da visita também passa por “pôr em prática a relevância do consenso de cooperação entre os líderes da China e de Portugal, demostrando à sociedade internacional o resultado da concretização bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’”. Sam Hou Fai terá ainda destacado ao embaixador que a delegação de Macau conta com “representantes das empresas de alta qualidade do Interior da China”, o que indicou ser a adopção do modelo “partilhar um barco para navegar em conjunto”. Por sua vez, o embaixador Yang Yirui terá dito que “a primeira visita oficial do actual Governo da RAEM é de grande dimensão e de alto padrão”, e que se previam “resultados frutíferos”. Os resultados esperados não foram indicados, no comunicado do Governo de Macau. Yang Yirui destacou também que “Macau e Portugal possuem um laço histórico singular e uma boa base de cooperação”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Lisboa | Empresas e Governo, um modelo de “alto nível” Decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, uma sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona, no âmbito da visita oficial de Sam Hou Fai a Portugal. O presidente do IPIM destacou que o modelo de juntar empresas e Governo nestas missões tem agora uma maior dimensão, “de alto nível”. O olhar está na lusofonia, mas também nas oportunidades que o mundo hispânico pode trazer É uma delegação com mais trabalho de casa feito aquela que está em Lisboa por estes dias – são 120 empresários de Macau ou do interior da China que acompanham o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, naquela que é a primeira viagem oficial à Europa no seu mandato. Esta segunda-feira decorreu, em Lisboa, a “Sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona e jantar de intercâmbio”, onde estiveram presentes alguns empresários de Macau, como Jorge Neto Valente ou Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos. Não faltaram ainda, na lista de oradores, Oriana Pun, secretária-geral da Associação dos Advogados de Macau, ou Tsui Wai Kwan, presidente do Centro de Arbitragem do World Trade Center de Macau. Discursos proferidos em mandarim foram palavra de ordem. À margem da sessão, que decorreu no Tivoli Oriente, Che Weng Keong, presidente do conselho administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM), falou precisamente da maior preparação da delegação de empresários da RAEM e dos benefícios da conexão com as autoridades governamentais. Questionado sobre o modelo de associar várias empresas ao Governo, o responsável classificou-o como sendo, ao nível da sua dimensão, “de alto nível”. “Desta vez contamos com 120 pessoas e é um grupo muito grande, com representantes de empresas de Macau, interior da China e Hengqin. Há empresas [integrantes da comitiva] que fazem parte do ranking das 500 maiores do interior da China. Gostaríamos de, através desta missão, conseguir promover mais oportunidades para a criação de mais negócios”, declarou. Em relação às áreas de negócio inclui-se a “Big Health”, ou área da saúde, “tecnologia de ponta, negócios online e transfronteiriços, “bem como outros negócios e assuntos comerciais”. “Em relação ao mercado do interior da China, esta missão [a Lisboa] representa 40 por cento da área de ‘Big Health’ e tecnologias de ponta”, frisou. Destaca-se ainda o facto de este ano, do rol de empresas constarem “empresas de maior dimensão do interior da China, bem como muitas empresas cotadas em Bolsa”. Em relação a visitas oficiais realizadas anteriormente, Che Weng Keong destacou o plano de “maximizar a sua eficiência”, sendo que, desta vez, foi feito “muito trabalho” prévio. “Recolhemos projectos desenvolvidos por empresas do interior da China, para que empresas portuguesas e espanholas consigam antecipar os trabalhos preparativos” no que diz respeito ao intercâmbio e conhecimento do tipo de negócios. Desta forma, “podemos ver que para Portugal e Espanha já estamos preparados com dezenas de acordos para serem assinados durante esta missão”, disse o presidente do IPIM. Esta segunda-feira decorreu, por exemplo, uma cerimónia de assinatura de 17 acordos no MEO Arena, zona da Expo. Objectivos definidos Che Weng Keong não deixou de frisar que os mercados de língua portuguesa são importantes, mas também os de língua espanhola. Sempre que há questões sobre planos de futuro ou objectivos a cumprir com este tipo de missões empresariais, a resposta contém Espanha no horizonte. “Todos sabem que, por razões históricas, Macau tem um laço muito estreito com vários países de língua portuguesa. Também gostaríamos de ter alguma extensão até Espanha nesta visita. O nosso objectivo é desenvolver o mercado do interior da China com os países de língua portuguesa e espanhola, para que Macau sirva de plataforma para que estas regiões e países tenham oportunidade de encontrar parceiros de negócios.” Muitos desafios Nem tudo são rosas nesta história de fazer negócios. Ng In Cheong, directora-adjunta dos Serviços de Assuntos Jurídicos da Zona de Cooperação Guangdong e Macau em Hengqin, e uma das responsáveis pelo Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), falou de alguns desafios que é preciso enfrentar para que as empresas dos dois lados se conheçam. “A formação sobre línguas ou outros temas é algo complexo, porque a língua é o problema principal para a saída das empresas da China, causando obstáculos, o que não deveria acontecer. Por isso cooperamos com universidades para que se realizem formações, e procuramos também estudantes de espanhol e português. Mas além de falarem português, também têm de dominar outros conhecimentos”, declarou. Admitindo que o CECPS existe há menos de um ano e que ainda não há muito trabalho a mostrar, a verdade é que “já se alcançaram alguns resultados” deste serviço “one-stop” existente em Hengqin. “Ajudamos empresas que querem sair de Macau e que não sabem como o fazer, e ajudamos aquelas que querem sair da China. Damos formação às empresas para que formem os seus trabalhadores. Temos uma empresa que presta serviços como o E-bay e que já está a fazer negócios em Portugal”, adiantou Ng In Cheong. Nesta fase, o Centro já estabeleceu contactos “com mais de 200 empresas”, tendo sido “celebrados acordos de cooperação com muitas entidades”. “Só que o nosso centro ainda é muito recente”, frisou. Apesar do pouco tempo de existência, este centro de serviços deverá expandir-se a outros países. “O nosso centro tem uma presença em Hengqin, mas temos também centros situados em Xangai, Pequim e Shenzhen. Também vamos criar escritórios no Brasil, México e Espanha”, explicou Ng In Cheong. Frederico Ma, presidente da direcção da Associação Comercial de Macau e empresário, também demonstrou ter grandes expectativas com esta visita a Lisboa. “No ano passado realizamos um fórum para o nosso sector e gostaríamos de continuar a reforçar os laços com vários países. Esperamos que, com esta visita, possamos assinar mais acordos com países de língua espanhola. Visitei Portugal várias vezes e agradeço que o Governo da RAEM organize estas visitas, para que nós e empresas do interior da China possamos, em conjunto, ter esta visita a Portugal e Espanha.” Admitindo que a área da engenharia ou gestão de infra-estruturas constitui “uma das vantagens das empresas do interior da China”, Frederico Ma disse que o “ambiente de investimento em Portugal é muito positivo, não tendo sido gravemente afectado pela crise económica actual”. “Temos [em Macau] alguns centros de empreendedorismo para ajudar os jovens a criar negócios. O mercado de Portugal é bom, e há várias vantagens em se investir em Portugal através da plataforma de Macau”, acrescentou o também empresário.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Deputado sugere financiamento de PME O deputado da FAOM considera que os preços sobem muito depressa, mas que demoram demasiado tempo a descer, pelo que pede uma maior fiscalização do mercado pelas autoridades competentes O deputado Leong Sun Iok defende que o Governo deve seguir o exemplo de Hong Kong e subsidiar o preço dos combustíveis para as Pequenas e Médias Empresas (PME). A proposta do membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) surge numa interpelação escrita. No documento, Leong Sun Iok começa por questionar o Executivo sobre o facto de os preços do petróleo estarem em quebra nos tempos mais recentes, apesar do prolongar da tensão no Médio Oriente, sem que os efeitos se sintam na RAEM. “É importante notar que, apesar de uma recente queda significativa nos preços internacionais do petróleo, os preços a retalho dos combustíveis e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em Macau ainda não acompanharam essa redução”, apontou. “Sendo os combustíveis e o GPL bens indispensáveis para a vida quotidiana dos cidadãos e para os diversos sectores de actividade, a subida dos preços tem um impacto directo nas despesas correntes da população e nos custos globais do transporte e da logística da sociedade”, alertou. Com tudo a ficar mais caro, devido ao efeito transversal do aumento dos preços internacionais do petróleo, Leong indica que mais uma vez a população verifica que os preços dos combustíveis e do gás “sobem rapidamente e muito”, quando há aumento internacional, mas que quando a tendência é a oposta, a redução acontece “devagar” e numa proporção menor. O deputado afirma também que esta é uma situação regular e que aconteceu quando houve a invasão da Ucrânia pela Rússia. Por isso, Leong pergunta ao Governo se há planos para “aperfeiçoar” o mecanismo de fiscalização dos preços. Política de apoios Também para evitar que a população tenha de suportar totalmente o aumento dos combustíveis, o deputado sugere apoio para as PME, como acontece em Hong Kong. Desta forma, indica o legislador, ajuda-se as empresas e faz-se com que os preços no consumidor não sejam tão elevados. “Com vista a aliviar os encargos dos sectores, o vizinho Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong anunciou recentemente a implementação de uma medida de alívio com duração de dois meses, incluindo um subsídio de 3 dólares de Hong Kong por litro de gasóleo para veículos comerciais, bem como a redução de 50 por cento das portagens de túneis”, descreveu. “O Governo da RAEM deve ponderar activamente tal prática, acompanhar de perto a subida dos preços em Macau e avaliar, sempre que necessário, a introdução de abonos específicos a combustíveis ou medidas de alívio dirigidas aos sectores dos transportes e às micro, pequenas e médias empresas mais afectados pela volatilidade dos preços dos combustíveis, de modo a aliviar os encargos dos sectores e contribuir para a estabilização dos preços”, opinou. “Vai fazê-lo?”, perguntou.
João Santos Filipe PolíticaFB | Publicação de Coutinho sobre Tai Kin Ip desaparece Desapareceu da rede social Facebook, uma publicação do deputado José Pereira Coutinho, que surgiu na quinta-feira, após ser pública a exoneração do ex-secretário para a Economia e Finanças Tai Kin Ip. Na mensagem, José Pereira Coutinho mostrava-se a ser entrevistado pelo canal de Hong Kong TVB e a considerar “acertada” a saída do secretário do Governo. “Acabei de ser entrevistado pela TVB de Hong-Kong sobre a demissão do Secretário para a Economia e Finanças Doutor Tai Kin Yip”, revelava o legislador. “Trata-se de uma medida acertada para resolver muitos problemas estruturantes tais como o desemprego juvenil, a diminuição dos trabalhadores não residentes, a atracção e criação de empresas de elevada qualidade, o uso correcto do erário público etc. Esta mudança implica igualmente a elevação da qualidade de serviços dos dirigentes e chefias das estruturas subordinadas”, acrescentava. José Pereira Coutinho apontava ainda que “o mérito constitui o critério preponderante nas escolhas” das pessoas para os “elevados cargos públicos” e que as selecções não devem ser feitas por “amizade pessoal e outras razões dúbias”. “Porque no final quem paga a factura é o Povo”, sublinhava. “Esperamos que no futuro haja melhor comunicação com a sociedade e que não vivam isolados da realidade social”, concluía. O HM contactou o deputado para perceber os motivos do desaparecimento da publicação, mas não recebeu qualquer resposta até ao fecho da edição.