Hoje Macau PolíticaDavos | Pequim critica o regresso à “lei da selva, onde os fortes atacam os fracos” A elite do poder mundial está reunida na estância suíça para discutir a situação internacional numa iniciativa subordinada ao tema “Um Espírito de Diálogo” A China insurgiu-se ontem, no Fórum de Davos, na Suíça, contra o que classificou como o regresso à “lei da selva” nas relações internacionais, “onde os fortes atacam os fracos”, criticando tarifas e guerras comerciais. Intervindo em Davos, num fórum que este ano decorre num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem nunca se referir expressamente aos Estados Unidos, defendeu que “um pequeno número de países privilegiados não deve beneficiar de vantagens baseadas apenas nos seus interesses, e o mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”. No seu discurso, o responsável de Pequim também dirigiu críticas implícitas à política comercial norte-americana, afirmando que “as tarifas e as guerras comerciais não têm vencedores”, advogando os benefícios do “comércio livre e da globalização económica”. Considerando que o sistema comercial global enfrenta actualmente o seu maior desafio em muitos anos, He Lifeng “os actos unilaterais e os acordos comerciais de certos países violam claramente os princípios e regras fundamentais da Organização Mundial do Comércio”. Relativamente às críticas de que o excedente comercial da China com o resto do mundo é desequilibrado, o responsável chinês, assinalando a ambição do seu país se, além de querer ser “a fábrica do mundo”, ser igualmente “o mercado do mundo”, comentou que, “quando a China quer comprar, outros países não querem vender”, numa nova alusão à política da administração norte-americana liderada por Donald Trump, que impôs restrições à venda para a China dos melhores microchips usados em Inteligência Artificial. Donald regressa O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre ao longo desta semana naquela estância alpina na Suíça, num contexto de grande instabilidade a nível global, com todas as atenções focadas na participação do Presidente norte-americano, Donald Trump, que discursará na quarta-feira. Subordinado nesta 56.ª edição ao tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento, que decorre entre segunda e sexta-feira, dificilmente poderia desenrolar-se num ambiente de maior crispação e de riscos à escala mundial, e terá como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).
Nunu Wu PolíticaCuidadores | Associação das Mulheres quer apoios mais abrangentes A Associação Geral das Mulheres de Macau defende a necessidade de o subsídio para cuidadores chegar a mais pessoas e incluir situações de demência, doença de Parkinson ou deficiência intelectual moderada. A posição foi tomada através de um comunicado da associação, após o Executivo ter revelado que o valor do subsídio para cuidadores vai ser aumentado de 2.175 patacas para 2.400 patacas, um crescimento de 10,3 por cento. No comunicado, a vice-presidente da associação, Chau Wai I, afirma que actualmente ainda há inúmeras situações de pessoas que enfrentam dificuldades, precisam de muito auxílio e não estão abrangidas por este apoio. A dirigente associativa deu os exemplos das pessoas que sofrem de demência, doença de Parkinson ou deficiência intelectual moderada e a quem não é garantido o subsídio, apesar de também precisarem de apoios. Chau Wai I considerou assim que o subsídio para cuidadores está muito limitado a pessoas com deficiência mental de grau grave, e deveria ser mais abrangente. A dirigente revelou ter recebido várias queixas de famílias de pessoas nestas situações, que sem conseguirem cumprir os requisitos do apoio optam por abdicar dos empregos para cuidar dos familiares. Chau Wai I apontou ainda que estes cuidadores sofrem grandes pressões económicas devido à perda dos rendimentos do trabalho, por isso, alertou as autoridades para a necessidade de continuar a melhorar os requisitos de candidatura ao subsídio ou criar outros apoios para estas situações.
João Santos Filipe Manchete PolíticaZona A | Ella Lei pede melhores ligações de autocarro Além da insuficiente oferta de transportes públicos, a deputada alerta o Governo para a necessidade de assegurar a reparação dos defeitos de construção nas habitações públicas e de apresentar dados do controlo da qualidade da água Ella Lei apelou ao Executivo para melhorar as ligações de transportes entre a Zona A dos Novos Aterros e o território. O pedido foi deixado através de um comunicado, depois de a deputada ter reunido com vários moradores daquele local. A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) afirmou que com a construção dos edifícios na Zona A há cada vez mais pessoas a viverem na quela área. Contudo, a falta de ligações de transportes surge como um grande desafio. “Actualmente, apenas três percursos de autocarro servem a Zona A, com frequentes situações de sobrelotação dos veículos durante as horas de ponta, o que impede os moradores de apanharem os autocarros”, relatou. Ella Lei indicou que os residentes se queixam porque a frequência dos meios de transporte é insuficiente, os percursos são limitados, além de considerarem que a distância das paragens para os edifícios é demasiado longa. A legisladora pede assim melhores ligações a “instalações essenciais”, como hospitais e mercados nas várias zonas do território, serviços que actualmente não se encontram na Zona A. Corrigir defeitos Os problemas não se ficam pelos transportes públicos. Numa altura em que a maioria dos aterros ainda está a ser construída, as poeiras são igualmente encaradas como um problema com impacto na qualidade de vida. A habitação económica construída no local também mereceu críticas, com moradores a pedirem que o Governo assuma as responsabilidades pelos defeitos de construção durante o período de garantia dos apartamentos. “Depois de uma longa espera, muitas famílias já se instalaram [nas habitações públicas] ou estão a preparar as mudanças. Os departamentos do governo devem reforçar a coordenação com os empreiteiros e as empresas de gestão imobiliária para melhorar a eficiência e a qualidade na resolução dos defeitos de construção”, aponta a deputada. Ella Lei salirenta ainda que é necessário encorajar a abertura de mais negócios nos novos aterros, porque actualmente o comércio disponível é muito limitado. Ao mesmo tempo, os residentes mostraram-se preocupados com a falta de controlo da qualidade da água, que dizem ser imperativo implementar, para garantir que a água consumida é potável. Apesar das várias sugestões de melhorias apresentadas no comunicado, Ella Lei elogiou o Governo pela construção da Zona A, por responder às necessidades de habitação do território.
João Santos Filipe Manchete PolíticaImobiliário | Preço da habitação desvalorizou 14,1% em 2025 Apesar de o preço médio da habitação estar em queda desde 2018, nunca a diferença de um ano para o outro tinha sido tão elevada em termos relativos. No ano passado, a Taipa foi o local onde os imóveis habitacionais mais perderam valor No ano passado, o preço médio do metro quadrado da habitação apresentou uma redução de 14,15 por cento, de acordo com os dados mais recentes publicados pela Direcção de Serviços de Finanças Públicas (DSF). Ao mesmo tempo, o número de transacções caiu 9,2 por cento. Em 2025, o preço médio do metro quadrado das casas caiu para 73.949 patacas, quando no ano anterior o valor tinha registado uma média de 86.137 patacas por metro quadrado. Esta redução significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2024 custava 6,55 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma diferença de 930 mil patacas. Coloane continua a ser o local onde as habitações atingem os valores mais altos, com uma média de 82.013 patacas por metro quadrado. Ainda assim, houve uma desvalorização de 20,7 por cento, dado que no ano passado o metro quadrado era transaccionado por 103.386 metros quadrados. Na Península de Macau, o preço médio em 2025 foi de 79.549 patacas, uma redução anual de 8,4 por cento face a 2024, quando o preço médio era de 72.869 por metros quadrado. A maior desvalorização anual registou-se na Taipa, com o valor do metro quadrado a afundar 21,5 por cento para 74.044 patacas, quando no ano anterior tinha sido de 94.298 patacas. Oitos anos a descer Os resultados divulgados pela DSF confirmam também a tendência de desvalorização do imobiliário que se prolonga há oito anos e que levou a uma redução do preço geral dos imóveis de 33,5 por cento. Em 2018, o metro quadrado era avaliado em 111.237 patacas, mas terminou em 2025 nas 73.949 patacas. Esta diferença significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2018 custava 8,45 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma perda de 2,83 milhões de patacas. Entre 2017 e 2018, o preço médio do metro quadrado subiu anualmente 10,6 por cento de 100.569 patacas para 111.237 patacas. No entanto, após esse crescimento somaram-se reduções anuais, embora nunca com a magnitude registada entre 2024 e 2025. Até este ano, a maior redução relativa do valor foi registada entre 2021 e 2022, quando o preço médio caiu de 101.310 patacas para 92.134 patacas, o que representou 8,88 por cento. Este nível só encontrou paralelo com os anos de 2020 e de 2024, quando foram registadas quedas anuais do valor do metro quadrado de 6,34 por cento e 6,06 por cento, respectivamente.
Nunu Wu PolíticaHabitação Social | Pedida melhor gestão e articulação com moradores Chan Lai Kei alerta para soluções questionáveis na reparação de habitações sociais e pede um melhor controlo de qualidade. O deputado ligado à comunidade de Fujian defende que o Governo deve ouvir melhor os moradores dos edifícios Chan Lai Kei defende que para reflectir o espírito da reforma administrativa, o Governo deve estabelecer um sistema mais rigoroso de supervisão da qualidade das habitações públicas. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian através de uma interpelação escrita. O legislador exemplificou com o Edifício Cheng Chun, de habitação social na Ilha Verde, inaugurado em 2007, e que em menos de 20 anos ficou com as portas de ferro da entrada no lobby danificadas, o design dos acessos para pessoas com dificuldades motoras revelou-se de má qualidade, os equipamentos de lazer degradaram-se e os elevadores avariam frequentemente. Chan La Kei indicou que no ano passado os três elevadores deste edifício tiveram um total de 29 avarias, uma média superior a uma avaria por mês. O legislador apontou também que num mês em particular, os três elevadores tiveram de ser todos alvo de operações de manutenção, para resolver avarias. O membro da Assembleia Legislativa aponta que a RAEM é a proprietária das habitações sociais, pelo que é preciso uma maior consciência no cumprimento dos seus deveres enquanto senhorio e responsável pelos mecanismos de supervisão. “Quanto às avarias ou danos frequentes das instalações das habitações sociais […] como é que as autoridades vão elaboram padrões mais claros sobre se deve haver uma substituição das peças danificadas ou haver reparação, em caso de avarias?”, questionou. “E será que vão revelar aos residentes do edifício os critérios da decisão?”, insistiu. O deputado pede que as obras e manutenção dos edifícios sejam adjudicadas por preços razoáveis, para evitar situações em que os trabalhos são de má qualidade. Dar ouvidos Chan Lai Kei defendeu ainda que o Governo pode ouvir as opiniões de moradores sobre a gestão, manutenção e segurança das instalações em espaços públicos das habitações sociais. O deputado afirmou que o exemplo dos condomínios nos edifícios privados pode servir como modelo, convidando os moradores de cada bloco das habitações sociais a juntarem-se a uma equipa de acompanhamento da gestão dos edifícios. Esta equipa seria utilizada para recolher opiniões e sugestões dos moradores, que depois seriam apresentadas ao Instituto de Habitação. Além disso, como cada vez há mais projectos de habitação social a serem inaugurados na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, Chan Lai Kei sugere que o Governo recorra às novas tecnologias, para supervisionar as instalações públicas dessas contruções.
João Santos Filipe PolíticaObras | Governo quer facilitar demolições O Governo anunciou a intenção de alterar o regime jurídico da construção urbana e uma das mudanças passa por facilitar a demolição de obras ilegais. A opção foi apresentada ontem em conferência de imprensa do Conselho Executivo. Se a Assembleia Legislativa aprovar as alterações propostas pelo Governo, as obras ilegais “de risco relativamente baixo” vão poder ser demolidas sem necessidade de obter uma licença ou de realizar qualquer comunicação prévia às entidades fiscalizadoras. O diploma, que não foi revelado na versão inicial e apenas será conhecido quando der entrada na Assembleia Legislativa, propõe também uma revisão das sanções que vão ser aplicadas. “Com vista a aumentar a eficiência da aplicação da lei, foram introduzidos ajustamentos às disposições relativas às medidas de tutela da legalidade urbanística, ao regime sancionatório e às formas de notificação”, foi indicado. Além disso, a comunicação prévia e o pedido de realização de obras em fracções autónomas com uma área bruta de utilização não superior a 120 metros quadrados e que não tenha fim habitacional vai passar a ser praticamente automática, desde que o pedido seja feito electronicamente. Com esta medida, foi explicado na conferência de imprensa, as obras vão poder começar “no dia seguinte”. “Com vista a garantir a fiabilidade da operação por via electrónica, foram aditados no diploma legal em causa disposições sancionatórias em caso de fornecimento de elementos inexactos ou errados”, foi explicado.
João Luz Manchete PolíticaCuidadores | Subsídio sobe e é alargado a pessoas com deficiência mental A partir deste mês, o subsídio para cuidadores aumenta 10,3 por cento para 2.400 patacas, a primeira actualização desde que começou a ser distribuído de forma permanente em Dezembro de 2023. Este ano, o subsídio passa também a contemplar quem cuida de pessoas com deficiência mental O montante do subsídio para cuidadores será alargado, a começar este mês, assim como os critérios de atribuição. Desde que passou a ser um apoio definitivo, o subsídio para apoiar cuidadores de idosos ou pessoas dependentes por doença ou incapacidade manteve-se pouco mais de dois anos em 2.175 patacas por mês. A partir deste mês, a prestação do apoio passará a ser de 2.400 patacas mensais, ou seja, um aumento de 10,3 por cento. Os critérios de atribuição do subsídio também foram alargados, passando a incluir como beneficiárias pessoas com deficiência mental (autismo ou psicose primária) de grau grave ou profundo. Segundo o despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, publicado ontem no Boletim Oficial, o apoio será alargado também a quem cuida de pessoas portadoras de deficiência motora de grau grave ou profundo, assim como de pessoas que “não consigam realizar acções de sentar e levantar sem ser assistidas por terceira pessoa ou objecto de apoio, devido à incapacidade funcional”. O Governo efectou também “várias melhorias, designadamente o aumento do limite máximo do total de rendimento mensal do agregado familiar e a aceitação dos pedidos apresentados por residentes da RAEM que vivam em Hengqin”. Também cobertos pelo apoio, serão crianças com menos de quatro anos de idade que apresentem as deficiências referidas, ainda sem grau formalmente atribuído. O que fazer O Instituto de Acção Social (IAS) disponibiliza a partir de hoje no seu portal de internet o novo regulamento para atribuição do subsídio para cuidadores, assim como os formulários para requerer o apoio. Para solicitar a atribuição do subsídio, é necessário apresentar atestado médico emitido por instituição médica designada pelo IAS. “No que se refere aos pedidos apresentados para pessoas portadoras de deficiência intelectual, mental (autismo/psicose primária) ou motora, de grau grave ou profundo, deverá contactar a Divisão de Serviços de Reabilitação do IAS”, foi acrescentado num comunicado divulgado ontem. Ao longo de cinco anos, que incluíram três anos em que o apoio ainda tinha carácter provisório, o IAS distribuiu mais de 18 milhões de patacas a 310 cuidadores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPresidenciais | Marques Mendes venceu em Macau António José Seguro e André Ventura passam à segunda volta, mas em Macau o grande vencedor foi o candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, que conseguiu mais votos do que Seguro e Ventura juntos Luís Marques Mendes foi o candidato a presidente de Portugal mais votado no consulado em Macau com um total de 1.073 votos, equivalente a 47,19 por cento dos votos. No entanto, os resultados nacionais deixam o político apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) afastado da segunda volta, que vai ser disputada por António José Seguro, o grande vencedor da noite em Portugal apoiado pelo Partido Socialista (PS), e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega (CH). Em Macau, Luís Marques Mendes registou mais votos do que os resultados de Seguro e Ventura juntos. O candidato apoiado pelo PS ficou no segundo lugar com a preferência de 477 eleitores (20,98 por cento). O presidente do Chega ficou em terceiro, com 282 votos (12,40 por cento). No entanto, o resultado de Marques Mendes em Macau ganha uma outra dimensão, porque mesmo juntando os 191 votos (8,40 por cento) do quarto mais votado, João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, aos de Seguro e Ventura, o resultado não é suficiente para ultrapassar o número de preferências obtido pelo candidato do PSD. Os candidatos que ficaram entre segundo e quarto juntos somaram 950 votos, menos 123 que Mendes. Marques Mendes conseguiu superar a votação de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando o actual presidente juntou 926 votos, e confirmou o segundo mandato. Segunda metade Em quinto lugar, ficou Henrique Gouveia e Melo com 133 votos (5,85 por cento), seguido por Manuel João Vieira. O cantor e comediante conseguiu 39 votos (1,72 por cento), superando em Macau candidatos consagrados como políticos, casos de Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que teve 28 votos (1,23 por cento), e de António Filipe, candidato do Partido Comunista Português, que juntou 20 votos (0,88 por cento). No nono lugar ficou André Pestana, candidato independente que juntou 14 votos (0,62 por cento), à frente de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre de Rui Tavares, que não foi além dos 12 votos (0,53 por cento). Finalmente, no último lugar em Macau ficou Humberto Correia, com cinco votos (0,22 por cento). Ao longo dos dois dias de votação no Consulado de Portugal em Macau houve ainda 66 votos nulos (2,78 por cento) e 32 votos em branco (1,43 por cento). Cenário nacional O bom resultado de Luís Marques Mendes não teve reflexo nos resultados eleitorais gerais. Quando faltavam apurar os resultados dos denominados “postos consulares” de México, Arábia Saudita, Costa do Marfim, Etiópia, Luanda, Pequim e Berlim, António José Seguro estava confirmado como o vencedor da noite, com um total de 1.754.895 votos (31,11 por cento), seguido por André Ventura, com 1.326.44 votos (23,52 por cento). Os dois candidatos vão disputar a segunda volta a 8 de Fevereiro, com a votação em Macau a ocorrer durante esse fim-de-semana, ao longo de 7 e 8 de Fevereiro. No terceiro lugar a nível global ficou João Cotrim Figueiredo, com 902.564 votos (16,00 por cento), seguido por Henrique Gouveia e Melo, com 695.088 votos (12,32 por cento), e Luís Marques Mendes, com 637.394 (11,30 por cento). Mais afastado do grupo dos cinco primeiros ficaram Catarina Martins (116.303 votos/2,06 por cento), António Filipe (92.589 votos/1,64 por cento), Manuel João Vieira (60.899 votos/1,08 por cento), Jorge Pinto (38.536 votos/0,68 por cento), André Pestana (10.893 votos/0,19 por cento) e Humberto Correia (4.622 votos/0,08 por cento). A nível global houve ainda 61.226 votos em branco (1,06 por cento) e 65.381 votos nulos (1,13 por cento). Resultados Presidenciais Macau 2026 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Luís Marques Mendes 47,19% 1.073 votos António José Seguro 20,98% 477 votos André Ventura 12,40% 282 votos João Cotrim Figueiredo 8,40% 191 votos Henrique Gouveia e Melo 5,85% 133 votos Manuel João Vieira 1,72% 39 votos Catarina Martins 1,23% 28 votos António Filipe 0,88% 20 votos André Pestana da Silva 0,62% 14 votos Jorge Pinto 0,53% 12 votos Humberto Correia 0,22% 5 votos Em Branco 1,43% 34 votos Nulos 2,78% 66 votos Votantes 4,11% Abstenção 95,89% 2.374 votantes 57.748 inscritos Resultados Presidenciais Macau 2021 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Marcelo Rebelo de Sousa 64,62% 926 votos Ana Gomes 14,45% 207 votos André Ventura 8,03% 115 votos Tiago Mayan Gonçalves 4,61% 66 votos Marisa Matias 3,49% 50 votos João Ferreira 2,93% 42 votos Vitorino Silva 1,88% 27 votos Em Branco 1,02% 15 votos Nulos 1,76% 26 votos Votantes 2,10% Abstenção 97,90% 1.474 votantes 70.134 inscritos
Hoje Macau Manchete PolíticaEleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico. Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar. Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara. Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador. “É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota. Pretensão antiga A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”. Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”. E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza. Sentir à distância De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática. Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher. Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança. À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma. Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).
Hoje Macau PolíticaSaúde | Reunião junta autoridades de Macau, Hong Kong e Interior da China Na passada quinta-feira, a RAEM acolheu a 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau, onde se discutiu a formação de quadros qualificados, a saúde comunitária e o desenvolvimento dos cuidados de saúde inteligentes. A reunião juntou mais de 70 altos quadros da administração de saúde e especialistas médicos dos três territórios também com os objectivos de “aprofundar o intercâmbio, a partilha de experiências e a discussão sobre o futuro rumo de cooperação”, indicaram na sexta-feira os Serviços de Saúde. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, salientou que o Governo da RAEM irá dar implementar a estratégia de dar “prioridade à saúde” contemplada no “Décimo Quinto Plano Quinquenal Nacional” e executar o “Plano de Acção para Macau Saudável”, integrando os elementos de saúde física e mental nas políticas públicas. A dirigente salientou também o arranque do programa “Estação de Bem-estar e Saúde”, para aproveitar os recursos de saúde dos bairros comunitários. Cumprindo a iniciativa nacional “Ano de gestão do peso”, O Lam afirmou que serão “aumentados os postos de auto-exame da saúde comunitária” e os residentes serão incentivados a “ser os ‘primeiros responsáveis’ pela sua própria saúde”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaGoverno | Sam Hou Fai fala de “bom início” de mandato O Chefe do Executivo considera que o Governo teve “um bom início”. Foi desta forma que Sam Hou Fai fez o balanço do primeiro ano de governação, num encontro com 70 membros da Administração para reiterar a necessidade dos governantes “implementarem o espírito” dos discursos de Xi Jinping. De acordo com a versão oficial do encontro, divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “afirmou que o trabalho do primeiro ano deste governo decorreu de forma estável, sucessiva e tranquila, com reformas, inovações, avanços e resultados”, o que considerou ser “um bom início”. O Chefe do Executivo elogiou os serviços públicos por terem como prioridade “os interesses fundamentais do País e os interesses integrais de Macau” que são encarados como “o ponto de partida para instalar uma mentalidade global que garanta firmemente a soberania, a segurança nacional e o interesse de desenvolvimento do País, e assegure a situação estável e harmoniosa de Macau”. Em segundo lugar, Sam destacou os esforços dos funcionários no reforço da “colaboração e cooperação interdeapartamental a fim de elevar a eficiência executiva” e destacou a concretização “com precisão” das acções governativas. Sam Hou Fai referiu ainda “a importância de haver mais consciência das insuficiências” e a necessidade de as insuficiências “serem verificadas à medida que o trabalho é realizado, de forma a analisar os problemas existentes e executar o devido aperfeiçoamento”. Seguir o espírito Em relação ao corrente ano, Sam Hou Fai prometeu que vai continuar “a implementar plenamente o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping para planear os próximos trabalhos”. O líder do Governo pediu ainda um Governo de pensamento único, que maximiza o “papel central do Chefe do Executivo”. “Todas as tutelas e serviços devem unificar o mesmo pensamento, envidar todo o seu esforço e colaborarem proactivamente, com um elevado sentido de responsabilidade e de missão e assim criar uma enorme força para trabalhar e avançar juntos, de modo a que, em conjunto, completem esta tarefa prioritária do governo da RAEM para este ano”, afirmou. “Paralelamente, deve instar e aperfeiçoar a predominância do poder executivo, maximizando o papel central do Chefe do Executivo e do governo da RAEM no sistema de governação”, acrescentou. E nesta organização centralizada à volta do Chefe do Executivo, a Assembleia Legislativa também está incluída: “Deve a Secretária para a Administração e Justiça cumprir efectivamente as suas atribuições e responsabilidades, reforçando a coordenação e cooperação para garantir que o governo da RAEM assuma as suas funções centrais de governação com profissionalismo e pragmatismo, no sentido de criar uma estrutura de governação com uma interligação entre os níveis superiores e inferiores e uma sinergia de cooperação entre os serviços, e de promover uma interacção positiva entre os poderes executivo e legislativo que cooperem, apoiem e promovam reciprocamente, a nível institucional, político e operacional”, atirou.
Hoje Macau PolíticaFinanças | Reservas Cambiais atingiram 245,6 mil milhões As reservas cambiais da RAEM cifraram-se em 245,6 mil milhões de patacas, o equivalente a 30,64 mil milhões de dólares americanos, no final de Dezembro, de acordo com a informação mais recente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Os números foram divulgados ontem e fazem parte das estimativas preliminares. O valor de 245,6 mil milhões de patacas representa um aumento de 2 por cento relativamente aos dados rectificados do mês anterior, que atingiram 240,8 mil milhões de patacas, ou 30,05 mil milhões dólares americanos. No final de Dezembro de 2025, as reservas cambiais da RAEM correspondiam a cerca de 11 vezes a circulação monetária, ou 91,8 por cento do agregado monetário M2 em patacas, conforme os dados do final de Novembro de 2025. A taxa de câmbio efectiva da pataca de Macau, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 101,1 em Dezembro de 2025, registando decréscimos de 0,81 pontos e 5,47 pontos, em comparação com os dados registados no mês anterior e com os reportados a Dezembro de 2024. Esta variação significa que a pataca caiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.
Hoje Macau PolíticaParque Industrial | DSEDT quer que projecto acompanhe realidade local A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) diz estar a trabalhar em torno da criação do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, esperando que este projecto “acompanhe as necessidades reais do desenvolvimento de Macau”. Numa resposta à interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a DSEDT considera que se trata “de um projecto importante para impulsionar o desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau”, tendo sido reaqlizada uma consulta pública entre os dias 27 de Novembro e 26 de Dezembro de 2025. Além disso, foi criado um grupo de trabalho interdepartamental “para efeitos de coordenação e concertação” do projecto, tendo sido encomendados “estudos e análises aprofundados” a uma “equipa de estudo profissional”. Tudo para que as autoridades compreendam “o posicionamento, plano de construção e as instalações complementares do Parque”. Foi ainda encomendado outro estudo a uma “equipa de investigação” para “elaborar o planeamento do desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau, tomando como referência as experiências de sucesso internacionais e regionais”.
João Luz Manchete PolíticaSaúde | Governo quer ligação permanente com comissão nacional O Chefe do Executivo reuniu com dirigentes da Comissão Nacional de Saúde e defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente com a entidade nacional. A formação profissional e a promoção da big health como uma das indústrias nucleares de Macau foram alguns dos temas discutidos O Chefe do Executivo reuniu na quarta-feira com o director e secretário do Grupo de Liderança do Partido da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao, com a agenda marcada pela vontade de aprofundar a cooperação, promover o desenvolvimento da indústria de big health, e a formação integrada de quadros qualificados. Sam Hou Fai defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente entre o Governo da RAEM e a Comissão Nacional de Saúde para “desenvolver ainda mais a indústria de cuidados de saúde e de big health, tanto no Interior da China e como em Macau”, um sector caracterizado como nuclear para a economia do território. A ligação entre negócios e saúde foi um dos fios condutores da reunião, com Sam Hou Fai a destacar a necessidade de “promover a diversificação adequada da economia e aproveitar plenamente as vantagens regionais e políticas de Macau”. Outra das vertentes que o líder do Governo de Macau gostaria de ver desenvolvida com a comissão nacional, é o reforço da prevenção e o controlo de doenças transmissíveis, sem que, no entanto, tenham sido dados detalhes sobre o assunto. Conversas a três O “cultivo” de quadros qualificados interdisciplinares na área de saúde foi mais um objectivo que Sam Hou Fai enfatizou, afirmando “esperar que a comissão preste um forte apoio a Macau para que a cidade aproveite plenamente o seu papel enquanto plataforma sino-lusófona”. O objectivo será elevar o nível de profissionalismo da equipa médica e de enfermagem através da formação de quadros “capazes de servir organizações internacionais”. Perante o director do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, Liu Zhengyin, que também participou na reunião, o Chefe do Executivo sublinhou o simbolismo que a unidade representa para o “projecto de cooperação marcante entre a RAEM e o Interior da China no domínio da saúde, sob o princípio de ‘um país, dois sistemas’”. Os dirigentes da Comissão Nacional de Saúde viajaram até Macau para participar na 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau. Estiveram ainda presentes no encontro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, além de vários dirigentes de entidades do Interior da China.
Hoje Macau PolíticaComunidades | Rui Marcelo promete ouvir portugueses “com humildade” O presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rui Marcelo, promete “ouvir com humildade” a população ao longo do novo ano. A promessa foi deixada numa mensagem com um “compromisso renovado” para o novo ano, divulgada através das redes sociais. “A nossa primeira obrigação é escutar. Reforçaremos os canais de diálogo, garantido que todas as vozes da nossa diversificada comunidade se sintam verdadeiramente representadas”, foi prometido. “A força da nossa comunidade lusófona global nunca residiu no monólogo, mas no diálogo; não na unanimidade forçada, mas na união construída sobre respeito e propósito partilhado”, reforçou Marcelo. “Que 2026 seja o ano em que, lado a lado, demonstremos que o que nos une – uma herança gloriosa e um futuro de potencial ilimitado – é infinitamente mais forte do que qualquer coisa que procure dividir-nos. Que este novo ciclo nos traga a serenidade para o diálogo construtivo, a coragem para as escolhas certas e a força incansável para servir”, acrescentou. Rui Marcelo prometeu também “agir com transparência” apontando que “cada iniciativa, cada projecto do Conselho Regional da Ásia e Oceânia será conduzido com clareza absoluta”. “A nossa acção será mensurável, orientada para resultados tangíveis que fortaleçam os laços culturais, económicos e sociais nas regiões que representamos”, acrescentou.
Hoje Macau PolíticaIAS | Anunciado aumento de conciliadores familiares Lei Lai Peng, chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), afirmou que o número de conciliadores familiares na entidade vai ser alargado, além dos 48 existentes, e que serão ainda organizadas mais acções de formação. No programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, foi também deixada a promessa de aumentar o número de assistentes sociais qualificados para serem conciliadores familiares. Lei Lai Peng disse que após a entrada em vigor do regime de conciliação para as causas de família, a 1 de Janeiro, foram recebidos 30 pedidos de consulta, sendo que oito destas foram encaminhadas para o serviço de mediação. As restantes acabaram por ser dirigidas a outros serviços. Por seu turno, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ho Ka Ian, que também falou no mesmo programa de rádio, recordou que os requisitos para ser conciliador familiar passam por ter formação na área do serviço social. Assim, após receberem formação adequada, estes profissionais podem ser capazes de realizar trabalhos de base na área da mediação familiar, adiantou.
João Santos Filipe Manchete PolíticaFronteiras | Criticados atrasos na promoção de espaços comerciais Song Pek Kei está preocupada com a falta de aproveitamento das zonas comerciais nas fronteiras, ao contrário do que acontece em Zhuhai. Para a deputada, o comércio nas zonas fronteiriças é essencial para a diversificação da economia A deputada Song Pek Kei criticou o subdesenvolvimento do comércio nas fronteiras de Macau com o Interior e pede ao Executivo medidas para solucionar um problema que se arrasta nos últimos anos. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Associação de Fujian. No texto da interpelação, a deputada destaca que 2025 foi o melhor ano de sempre em termos da entrada de turistas, ultrapassando-se o anterior recorde, estabelecido em 2019 com a entrada de 39,4 milhões de visitantes. Como parte deste aumento, Song Pek Kei aponta que o número de pessoas a utilizar a Fronteira de Qingmao e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau cresceu significativamente. No entanto, o comércio nas fronteiras não está a acompanhar a tendência de crescimento, nem a abertura de espaços comerciais em Qingmao contribuiu para uma maior actividade para os comerciantes ou para desviar turistas da Fronteira das Portas do Cerco, a mais utilizada: “O desempenho operacional global está actualmente muito aquém das expectativas, não conseguindo alcançar o efeito desejado de atrair fluxos de passageiros, o que faz com que os benefícios comerciais sejam muito limitados”, atirou a deputada. Song indica também que a atracção de empresas para explorarem os espaços comerciais nas fronteiras tem sido um desafio constante, com excepção das Portas do Cerco. A legisladora recorda que a empresa responsável pela exploração das lojas na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau pediu para rescindir o contrato em 2024, e desde então tem havido problemas para ocupar todas as lojas. Eles fazem melhor Em contraste, Song aponta que as autoridades de Zhuhai têm aproveitado o novo fluxo de turistas para promover o comércio no seu lado da fronteira com muito sucesso. Neste contexto, a legisladora questiona o Governo sobre os planos para “aproveitar as vantagens dos novos fluxos fronteiriços para o desenvolvimento económico” e “reforçar o papel de desvio do fluxo da Fronteira das Portas do Cerco”. A deputada quer também saber quando vai ser lançado um novo concurso público para a exploração das áreas comerciais da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e se vai ser adoptado um novo modelo de exploração. Por último, Song indica que “a economia fronteiriça” é “fundamental para a diversificação moderada do desenvolvimento económico de Macau, pelo que pergunta se existem planos para criar um grupo de trabalho que tenha como tarefa exclusiva definir o futuro desta área da economia.
João Luz Manchete PolíticaTerrenos | Trinta espaços usados para estacionamento e lazer O Governo vai dar início à utilização temporária de 30 terrenos para fins recreativos, estacionamento, desporto e até para albergar postos para recolha de reciclagem. Alguns destes terrenos ainda terão de passar por processos de despejo até poderem ser utilizados Atendendo a uma velha reivindicação de deputados e analistas, o Governo irá arrancar com a utilização temporária a curto prazo de 30 terrenos desocupados, foi avançado ontem na reunião Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, da Assembleia Legislativa. A presidente da comissão, Ella Lei, revelou que destes terrenos, 13 vão ser convertidos em espaços recreativos, 12 serão usados para estacionamento, um irá albergar equipamentos desportivos para uso da população. Três vão ter “fins mistos”, enquanto um será um posto de recolha de resíduos recicláveis. De acordo com o jornal Ou Mun, Ella Lei especificou que a utilização dos terrenos temporários será distribuída consoante as necessidades das diversas zonas da cidade. A deputada dá como exemplo a carência de lugares de estacionamento na freguesia de Santo António, como uma das áreas onde terrenos não-utlizados terão essa função. Em relação à situação actual dos espaços, Ella Lei indicou que se encontram em fases bem distintas. Alguns terrenos estão prontos para avançar para as fases de concepção do design e construção, enquanto outros ainda terão de passar por processos de despejo. Para dar seguimento No ano passado, o Governo deu início aos trabalhos de design e construção de outros nove terrenos temporários. À semelhança do anúncio de ontem, as finalidades serão estacionamento (três terrenos), recolha de material para reciclagem (dois terrenos), três espaços para a prática desportiva e um terreno onde será instalado uma estação para carregamento de automóveis eléctricos. Ella Lei recordou que destes terrenos, os três parques de estacionamento já estão abertos desde Dezembro no Centro de Formação das Águias Voadoras de Coloane, no Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho de Tamagnini Barbosa e ao lado da Escola de Pilotagem da Barra. No total, estes três locais acrescentaram 194 lugares para carros ligeiros e 140 para motociclos. Segundo os dados do Governo, os 39 terrenos têm uma área total superior a 100 mil metros quadrados. Cumprindo os planos anunciados ontem por Ella Lei, os 12 terrenos podem acrescentar um milhar de lugares de estacionamento.
Hoje Macau PolíticaZona A | Lojas e restaurantes abertos antes do Ano Novo Chinês A Zona A dos Novos Aterros deverá começar a ter vida além dos estaleiros de obras, com as lojas que foram arrendadas nos edifícios Tong Chong e Tong Kai com inauguração prevista para Fevereiro, ainda antes do Ano Novo Chinês, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau. Segundo a emissora pública, o Governo especificou que os estabelecimentos incluem restaurantes, supermercados e farmácias, mas também está prevista a abertura de infra-estrututas culturais, sociais e recreativas para responder às necessidades quotidianas da população. Neste âmbito, o centro de saúde no lote B9 já está em funcionamento. No capítulo dos transportes, a Zona A é servida por três carreiras que ligam à península, Taipa, Cotai e Hengqin. Antes do Ano Novo Chinês, o itinerário da carreira 101XS será alargado na Zona A. Segundo os mais recentes dados do Instituto de Habitação, foram vendidos 2.241 apartamentos nos três blocos de habitação pública nos edifícios Tong Chong, Tong Kai e Tong Seng. Destes, foram entregues chaves a moradores de 1.636 fracções, enquanto mais de 500 ainda não completaram o processo de empréstimo bancário.
Hoje Macau PolíticaSaúde | Governo instala postos de saúde e bem-estar pela cidade Começou na segunda-feira o funcionamento de oito Estações de Saúde e Bem-Estar para proporcionar serviços regulares de promoção da saúde em espaços públicos, indicaram ontem os Serviços de Saúde. Estes postos são dinamizados pelo Instituto Cultural, Instituto do Desporto e Serviços de Saúde, com “divulgadores culturais”, “instrutores de ginástica” e “promotores de saúde”. Além de prestarem informações sobre actividades culturais, desportivas e relativas à saúde, serão proporcionadas medições gratuitas de pressão arterial, avaliações de saúde, bem como apoio na marcação de consultas em centros de saúde, incluindo para fazer rastreios de doenças, vacinação e avaliação psicológica. As estações vão estar activas até 31 de Março, na primeira fase, de segunda a sexta-feira (excepto feriados, dias com condições climáticas adversas e durante períodos de manutenção), das 08h às 10h e das 16h30 às 18h30. As estações estão instaladas no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen, Jardim de Luís de Camões, Zona de Lazer do Jardim Lok Ieong, Jardim Vasco da Gama, Zona de Lazer da Alameda da Tranquilidade, Parque Dr. Carlos d ‘Assumpção, Jardim de S. Francisco e Zona de Lazer da Avenida Olímpica da Taipa. No futuro, o número de estações será ampliado para 12.
João Santos Filipe Manchete PolíticaGravidez | Ella Lei pede explicações sobre garantias laborais A deputada quer que o Governo explique o conteúdo dos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025) que têm como meta a “igualdade de género e desenvolvimento pleno” A deputada Ella Lei Cheng I pediu ao Governo para explicar como pretende garantir os direitos laborais das grávidas no âmbito dos novos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau, que vão vigorar entre este ano e 2032. O assunto faz parte de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, divulgada pelo portal da Assembleia Legislativa. No final do ano passado, chegou ao fim o programa com os Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025). Por isso, na segunda reunião plenária do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, em Dezembro, foram apresentados os novos objectivos para contribuir para a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”. Contudo, Ella Lei considera que o Governo tem de explicar melhor a forma como vai “promover mecanismos especiais de protecção para as mulheres grávidas e as novas mães que trabalham por turnos”, aumentar o “tempo de amamentação” e garantir que as instalações de amamentação são comuns não só na Função Pública, onde se encontram generalizadas, mas também no sector privado. A deputada mostra-se igualmente preocupada com a situação do “emprego das mães solteiras” e recorda que os objectivos em vigor até ao ano passado tinham várias metas laborais para estas situações. Contudo, admite que talvez sejam necessários mecanismos mais eficazes para as grávidas solteiras, que se encontram em situação vulnerável: “Espera-se que a eficácia destas medidas e a sua implementação sejam continuamente revistas. As autoridades irão introduzir salvaguardas institucionais mais específicas no futuro?”, questiona. Protecção contra assédio Além das questões de natureza laboral, Ella Lei defende a criação “de um organismo para lidar com as queixas de assédio sexual, mecanismo dedicado a promover a igualdade de género e lidar com incidentes de discriminação de género”. Um dos objectivos para a deputada é garantir que os mecanismos de queixa oferecem a protecção das queixosas nos lugares de trabalho ou instituições de ensino, sem que sofram represálias. “No que diz respeito aos esforços para promover a igualdade de género e reforçar as salvaguardas contra o assédio sexual de mulheres e crianças, quais são os planos das autoridades para melhorar os quadros institucionais, criar órgãos estatutários e desenvolver mecanismos de reclamação”, questiona.
Hoje Macau PolíticaJogo | Isenções fiscais atingiram 150 milhões de patacas em 2024 Em 2024, o Governo concedeu um total de 150 milhões de patacas em isenções fiscais às concessionárias de jogo, devido à contribuição para tornarem o mercado mais atractivo para os jogadores internacionais. O número foi revelado pelo Governo, representado através do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, num encontro com a 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, liderada pelo deputado Ip Sio Kai. De acordo com a lei do jogo, o Chefe do Executivo pode aprovar isenções fiscais às concessionárias que podem chegar até 5 por cento das receitas brutas, face à atracção de jogadores estrangeiros. O Executivo tem optado por não divulgar os números de forma consistente, nem explicar o critério adoptado para definir a proporção da isenção. A falta de transparência sobre este assunto levou mesmo o deputado José Pereira Coutinho a escrever uma interpelação sobre o tema, a pedir maior transparência e mais informação. No entanto, ontem, numa reunião para analisar a execução do orçamento de 2024, Ip Sio Kai revelou que o montante da isenção tinha atingido 150 milhões de patacas. Em 2024, as receitas do jogo atingiram 226,8 mil milhões de patacas. Apesar deste dado, o Governo não terá abordado as concessionárias que gozaram das isenções maiores nem especificou o montante da isenção para cada concessionária. Por sua vez, a comissão considerou todas as explicações do Governo clarificadoras, pelo que a discussão da execução do orçamento de 2024 no âmbito da comissão foi dada como concluída.
Hoje Macau PolíticaEleições 2021 | Arrancou julgamento de Lee Sio Kuan Arrancou ontem o julgamento de Lee Sio Kuan, mandatário da lista Ou Mun Kong I, por corrupção eleitoral ligada às Eleições Legislativas de 2021. De acordo com o jornal Ou Mun, Lee é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Todas as 10 testemunhas ouvidas ontem de manhã recusaram ter participado em qualquer excursão. De acordo com o Ministério Público, as ofertas terão visado reunir as 300 assinaturas necessárias para que a lista pudesse participar no acto eleitoral, o que veio a acontecer. Além de Lee Sio Kuan, que era igualmente presidente da Associação de Força do Povo e dos Operários, o caso envolve mais 17 arguidos, entre os quais Ho Ion Kong, cabeça-de-lista que acabou por desistir antes das eleições. Na manhã de ontem, foram ouvidas 10 testemunhas em tribunal, entre estas, sete estavam ligadas à Associação de Força do Povo e dos Operários ou tinham participado em manifestações ou entregas de cartas promovidas pela associação. Todas as testemunhas recusaram ter participado nas excursões organizadas pela Associação de Força do Povo e dos Operários ou pela lista Ou Mun Kong I a 21 de Junho de 2021. Quando o representante do Ministério Público mostrou as assinaturas alegadamente das testemunhas no documento de recolha de assinaturas para elaboração da comissão eleitoral, todas negaram ter assinado os documentos apresentados.
João Luz Manchete PolíticaFAOM | Direcção reúne com Sam Hou Fai e recebe elogios Os novos corpos dirigentes dos Operários reuniram com Sam Hou Fai. Entre os temas discutidos, destaque para o apelo à manutenção da estabilidade social e a promoção do nacionalismo. O líder do Governo reiterou que irá “implementar integralmente as instruções e exigências” de Xi Jinping Sam Hou Fai recebeu, na segunda-feira, na Sede do Governo os novos corpos dirigentes da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleita em meados do passado mês de Dezembro. Nacionalismo, cumprimento absoluto dos planos traçados pelo Governo Central para Macau e estabilidade social foram os temas principais discutidos entre os governantes e os dirigentes da associação tradicional alimentada com fundos públicos. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, depois de saudar a nova direcção da FAOM, Sam Hou Fai elogiou a associação “por ter constituído uma força fulcral para o fortalecimento das bases do amor pela pátria e por Macau, contribuindo para a RAEM implementar de forma inabalável o princípio ‘um país, dois sistemas’”. O Chefe do Executivo recordou que o Presidente Xi Jinping e o Governo Central “reconheceram plenamente os resultados alcançados pelo governo da RAEM em liderar e unir esforços dos diversos sectores sociais no ano passado”, e que esses resultados “contaram também com o contributo significativo da FAOM”. Sam Hou Fai salientou também o papel dos Operários “para unir e servir os trabalhadores em geral e manter a estabilidade da sociedade”, assim como na “salvaguarda dos direitos e interesses laborais” e no “firme apoio à governação da RAEM”. Seguir o líder O Chefe do Executivo reiterou que em 2026, “o Governo continuará a trabalhar com todos os sectores da sociedade, para implementar integralmente as instruções e exigências do Presidente Xi Jinping, sem defraudar as suas expectativas e do Governo Central”. Para o futuro, Sam Hou Fai espera que a FAOM “continue a unir os trabalhadores de todos os sectores, sobretudo os jovens trabalhadores, aumentando de forma abrangente a competência profissional” através de formação especializada. O objectivo é “implementar plenamente os planos do Governo Central e tarefas confiadas a Macau, de promover um progresso contínuo do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era.” O deputado Lam Lon Wai foi eleito no dia 16 de Dezembro presidente da FAOM, após a primeira reunião ordinária da direcção. O novo presidente da direcção é Kong Ioi Fai, e a nova presidente do Conselho Fiscal é Ho Sut Heng. Em relação à missão dos novos corpos dirigentes da FAOM, Lam Lon Wai salientou que a promoção do patriotismo estará no topo das prioridades.