Prémios Sophia premeiam João Canijo e Marco Martins

Os filmes “Mal Viver”, de João Canijo, e “Great Yarmouth – Provisional Figures”, de Marco Martins, foram os mais premiados na cerimónia dos prémios Sophia, da Academia Portuguesa de Cinema, que decorreu no domingo no Casino Estoril, Cascais.

Na 13.ª edição dos Sophia, João Canijo recebeu o prémio de Melhor Realização e conquistou ainda o de Melhor Filme por “Mal Viver”. Este é um drama de uma família, de várias gerações de mulheres, que gere um hotel; uma obra que se conjuga num díptico com a longa-metragem “Viver Mal”, ambas produzidas por Pedro Borges, da Midas Filmes. Por conta ainda de “Mal Viver”, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda o Sophia de Melhor Actriz Secundária a Madalena Almeida e o de Melhor Montagem a João Braz.

“Great Yarmouth – Provisional Figures”, de Marco Martins, retrato da emigração portuguesa no Reino Unido, somou também quatro prémios para Beatriz Batarda (Melhor Actriz Principal), Romeu Runa (Melhor Actor Secundário), João Ribeiro (Melhor Direcção de Fotografia) e Miguel Martins e Rafael Cardoso (Melhor Som).

“Viva a liberdade, mas sejamos estoicos e façamos da casa da nossa democracia um exemplo para todas as casas do nosso país. Xenofobia, misoginia, transfobia, discurso do ódio, não, não pode, seu ignorante”, disse o ator Romeu Runa no discurso de agradecimento.

“Amadeo”, de Vicente Alves do Ó, venceu três Sophia nas categorias de Guarda-Roupa, Direcção de Arte e Maquilhagem e Cabelos. O filme “Não Sou Nada – The Nothingness Club”, de Edgar Pêra, que era o mais nomeado desta edição, recolheu duas estatuetas, de Melhor Caracterização e Efeitos Especiais e para Melhor Actor Principal, para Miguel Borges.

Carlos Conceição conquistou o prémio de Melhor Argumento Original para o filme “Nação Valente”. Destaque ainda para prémios atribuídos no cinema de animação.

A longa-metragem “Nayola”, de José Miguel Ribeiro, venceu o Sophia de Melhor Argumento Adaptado, para Virgílio Almeida, “Sopa Fria”, de Marta Monteiro, venceu o de Melhor Curta-Metragem de Animação, e a longa-metragem “Os Demónios do Meu Avô”, de Nuno Beato, recebeu dois prémios, nas categorias de Melhor Canção e Melhor Banda Sonora.

“Rabo de Peixe” vencedor

O Sophia de Melhor Série ou Telefilme foi para a “Rabo de Peixe”, realizada por Augusto Fraga e Patrícia Sequeira, e produzida para a plataforma de ‘streaming’ Netflix. Joana Botelho venceu o Sophia de Melhor Curta-Metragem Documental com “Coney Island – As Primeiras Vezes”, Basil da Cunha venceu na categoria de curta-metragem de ficção, com “2720”, e “Viagem ao Sol”, de Ansgar Schaefer e Susana de Sousa Dias, obteve o Sophia de Melhor Documentário.

Durante a cerimónia, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda os Sophia de Carreira ao músico e compositor Luís Cília e ao realizador Rui Simões.

28 Mai 2024

Livro | Filipa Simões lança guia que faz levantamento de arte urbana em Macau

É hoje lançado no CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo o livro “Guide to Street Art in Macau”, da autoria da designer Filipa Simões. A obra faz um mapeamento dos seis pontos do território onde existe arte urbana, como o graffiti, mas não só. A autora fala de um “crescente interesse” do Governo sobre esta área nos últimos anos

 

“Guide to Street Art in Macau” [Guia para a Arte de Rua em Macau] é o nome do livro da autoria de Filipa Simões, designer e docente, lançado hoje, a partir das 18h, no CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, na Ponte 9. Trata-se da primeira obra que apresenta um mapeamento exaustivo, com curadoria, em seis zonas do território onde existe arte de rua, nomeadamente o graffiti. Trata-se de quatro zonas na península, uma na Taipa e outra em Coloane.

A arte de rua não é ainda algo banal em Macau, mas tem vindo a fazer-se notar nos últimos anos. Filipa Simões descreve ao HM que “o cluster mais prolífico e diverso centra-se à volta da Praça de Ponte e Horta, no Porto Interior, onde está sediado o ‘Outloud!’, o festival de graffiti de Macau”, cuja influência “se estende até à zona de A-Ma, que se divide entre becos na zona do Manduco e zona industrial do porto”.

Por sua vez, na zona central da península, “as obras encontram-se dispersas em pequenos grupos, com maior frequência nas zonas históricas”. Já na zona norte, em locais como o Fai Chi Kei ou Iao Hon, “as obras reflectem o carácter mais denso e opressivo da paisagem urbana”, enquanto nas ilhas são “mais bucólicas e pitorescas”.

Filipa Simões frisa que a publicação desta obra “é um convite para descobrir Macau através da ‘street art’, de forma mais atractiva e acessível para uma audiência abrangente”, além de ser “uma celebração do entusiasmo e interesse em Macau da parte dos artistas e promotores que estão por trás destas obras”. O livro não pretende ser “uma obra final, até pelo carácter transitório desta forma de arte, que está sempre em mutação”.

A ajuda do “Outloud!”

A autora dá conta de que este livro não apresenta “um levantamento exaustivo de toda a arte de rua de Macau, mas sim uma selecção curada”. “Começámos por fazer um levantamento abrangente das obras por todo o território. Estivemos também em contacto com artistas locais e organizadores do festival ‘Outloud!’, que nos ajudaram a descodificar o universo da ‘street art’ em Macau. Seguiu-se um trabalho de selecção, onde procurámos criar uma narrativa com as obras escolhidas, agrupando-as depois em percursos que fossem mais interessantes de descobrir”, acrescentou.

Filipa Simões destaca que a intenção foi “evidenciar cada obra, mas também mostrar o diálogo com a vida quotidiana da cidade”. As imagens são da autoria de David Lopo.

Se noutras cidades do mundo a arte de rua assume, muitas vezes, um carácter marginal, por ser realizada em locais proibidos, em Macau o posicionamento da “street art” é bem mais equilibrado, existindo “um diálogo forte com o mundo do graffiti na China Continental, mesmo pelas limitações de espaço no território”.

Assim, destaca Filipa Simões, “o modelo da obra encomendada é visto de uma forma mais positiva do que no panorama de ‘street art’ ocidental. Mesmo que na sua génese seja uma arte ‘marginal’, em Macau este equilíbrio entre a mensagem do artista e o interesse do Governo tem sido profícuo. No entanto, não é algo definidor do panorama de ‘street art’ local.”

A designer refere, neste ponto, o facto de já se encontrarem diversos exemplos de obras encomendadas por privados, além das iniciativas de grupos de artistas locais que têm fomentado esta área, nomeadamente a organização do festival “Outloud!”.

Potencial turístico

Filipa Simões entende que, nos últimos anos, se tem notado “maior abertura e interesse do Governo” em relação à arte de rua, pelo “potencial” que tem “na promoção cultural e do turismo”. “Vários sectores do Governo têm tirado vantagens disso, apropriando-se da narrativa de forma positiva. As iniciativas do Governo na qualidade de promotor ou financiador têm contribuído muito para a expansão da ‘street art’ em Macau”, disse ainda.

A designer não tem dúvidas de que a arte de rua “é uma ferramenta poderosa para promover a identidade cultural das cidades e activar zonas urbanas mais delapidadas e esquecidas”.

Neste sentido, nota-se que já existe “um interesse natural por parte dos turistas em fotografar as obras icónicas de graffiti”, o que demonstra que a arte de rua “adiciona mais uma ‘layer’ [camada] a Macau, que já de si é culturalmente muito densa e fascinante”.

Olhando para a história da arte de rua no território, a autora do livro refere que esta tem vindo a ser feita nos últimos 25 anos, apesar de estar ainda “numa fase inicial quando comparada com outras cidades da região ou mesmo internacionais”.

O facto de, no período da covid-19, Macau ter estado praticamente fechada ao mundo, com poucas saídas e entradas, espoletou a veia artística de muitos.

“A evolução nos últimos anos, mesmo em contexto condicionado pela covid-19, tem dado sinais de uma evolução muito rápida e positiva. O impacto é notório no ‘feedback’ que se obtém nas redes sociais, tanto da população local como de visitantes.”

28 Mai 2024

Dia da Criança | IPOR celebra efeméride com peça de teatro

O Instituto Português do Oriente (IPOR) acolhe, no próximo dia 1 de Junho, a peça de teatro infantil “Era uma vez (outra vez)”, encenada pela companhia de teatro ETCeterera, que virá a Macau de propósito para este espectáculo.

Segundo um comunicado do IPOR, a peça aborda “o imaginário dos irmãos Grimm e na relação entre dois irmãos que estão de férias numa aldeia sem acesso a novas tecnologias e, não sendo propriamente os melhores amigos, terão que conviver um com o outro para passar o tempo”. Desta forma, “os irmãos vão transformar os utensílios do dia-a-dia em marionetas para se divertirem e passar o tempo, acabando por descobrir que a amizade e o convívio são mais importantes do que as diferenças que os separam”.

A ETCetera é uma associação artística, criada e sediada em Vila Nova de Gaia e que tem vindo a trabalhar o teatro com actores profissionais, cujo trabalho assenta sob o lema “Teatro para Todos”. A companhia diz querer “proporcionar diferentes momentos teatrais a todo o tipo de grupo, género e idades”, bem como “experiências artísticas que não só se reflectem no crescimento enquanto alunos, mas também enquanto indivíduos ligados à arte tendo em conta que oferecemos o teatro como veículo de cultura e simultaneamente educação”.

28 Mai 2024

Humarish Club | Primeira exposição de Geng Defa em Macau

A galeria Humarish Club, no Lisboeta Macau, acolhe até 28 de Junho a exposição “All Things Bloom”, de Geng Defa, artista contemporâneo emergente que, pela primeira vez, expõe no território. Segundo um comunicado da organização, a mostra inclui 15 esculturas pintadas à mão e ainda 19 pinturas a óleo. A mostra é apresentada em Macau em colaboração com a galeria de arte chinesa JINSE.

Geng Defa é “um jovem artista imbuído de idealismo poético, cujas obras exalam uma fantasia surrealista romântica que transcende o mundo real”, descreve a organização do evento, que considera que as suas obras de arte “possuem uma qualidade curativa”, oferecendo “uma ‘habitação poética’ que permite ao público experimentar a vastidão do universo e o vazio da vida, captando também a essência do conceito Zen na filosofia chinesa”.

Os trabalhos de Geng Defa expressam ainda “uma energia explosiva e rápida que parece romper barreiras, construindo uma força externa depois de se libertar de constrangimentos”. O artista revela “um profundo respeito pelos atributos espirituais da natureza, da sociedade e da humanidade”.

Nascido em Lanling, província de Shandong, em 1986, Geng Defa é artista e docente. Doutorado, em 2020, pela Academia de Belas Artes de Xangai, ligada à Universidade de Xangai, Geng Defa é ainda membro da Associação de Artistas Chineses, membro da Sociedade Chinesa de Pintura a Óleo e director da Sociedade de Pintura a Óleo de Chongqing. Já realizou dezenas de exposições, sobretudo na China, sendo que as suas obras são também reveladas em diversos museus e galerias.

28 Mai 2024

10 de Junho | Lançado livro de J.J. Monteiro sobre “Vulgaridades Chinesas”

Será lançado no próximo dia 7 um novo livro de José Joaquim Monteiro, também conhecido por J.J. Monteiro. Já falecido, o autor, ou “poeta-soldado”, deixou muitos escritos por publicar, como é o caso de “Vulgaridades Chinesas”, apresentado agora no âmbito do cartaz de comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas

 

Será publicado, a título póstumo, mais uma obra de José Joaquim Monteiro, também conhecido pelo nome de J.J. Monteiro ou como “poeta-soldado”. A apresentação de “Vulgaridades Chinesas”, obra nunca antes publicada do autor português que faleceu em Macau em 1988, decorre no próximo dia 7, às 18h30, no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Este lançamento está integrado no cartaz das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas e contará com a presença de Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), que apoia a edição, do professor António Aresta e do filho mais novo do autor, José Joaquim Monteiro Júnior.

O livro, editado em português e cuja edição tem também o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC), é, segundo um comunicado, “uma narrativa, em versos populares, sobre a única viagem de J. J. Monteiro ao interior e sul do País do Meio [China], atravessando pela sua primeira vez as Portas do Cerco”.

Na obra, descrevem-se também “a ‘praxis’ em Macau, as máximas confucianas, as adivinhas, provérbios e rifões do Monsenhor André Ngan [sacerdote], dos tropos de Luís Gonzaga Gomes [escritor, sinólogo e tradutor], e as várias gírias e alguns calões no dialecto cantonense”.

J.J. Monteiro faleceu sem ver muitos dos seus escritos editados em livro, iniciativa que tem vindo a ser realizada pelos seus descendentes nos últimos anos. “Vulgaridades Chinesas” é, assim, mais uma obra que entra para o rol das edições póstumas.

No prefácio, assinado por Jorge Rangel, descreve-se que “o IIM deu prioridade à publicação das obras inéditas de J. J. Monteiro, tarefa que contou sempre com a empenhada e qualificada colaboração dos seus filhos e netos”.

Para Rangel, trata-se de um “contributo seguro e decisivo para uma mais ampla difusão da sua invulgar obra”. O presidente do IIM diz ainda no prefácio concordar com as palavras de António Aresta que, no primeiro volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, apontou que “omitir ou rasurar José Joaquim Monteiro da literatura de Macau seria uma injustiça e um enorme empobrecimento estético”.

Anedotas e afins

J.J. Monteiro nasceu pobre em Tabuaço, Viseu, em 1913, tendo vindo para Macau cumprir o serviço militar, onde casou e formou família e acabou por se dedicar às letras, apesar da pouca instrução escolar que possuía. Nos livros que deixou abordou sobretudo a gastronomia local, o patuá, os modos de vida da comunidade chinesa e tantas outras particularidades de Macau como terra multicultural que sempre acolheu portugueses, chineses e macaenses.

Falecido em 1988, já não assistiu ao lançamento de “Anedotas, Contos e Lendas”, lançado em 1989; os dois volumes de “Meio Século em Macau”, em 2010, e “Memórias do Romanceiro de Macau”, em 2013. Todas estas edições têm sido fomentadas e apoiadas pelos seis filhos.

O padre Benjamin Videira Pires, figura histórica do clero local, ligado à imprensa religiosa, e autor do prefácio da obra “Macau Vista por Dentro”, chegou a desafiar J.J. Monteiro, em 1984, a escrever um livro apenas sobre anedotas, “por saber que possuía uma colecção inédita de anedotas que encheriam um almanaque”.

Assim nasceu a obra editada em 1989, onde o autor, “por desconhecimento da língua chinesa, baseou-se em informações por um dos seus filhos que se dedicou nesta obra, particularmente no que diz respeito aos calões e gírias”.

O comunicado do IIM destaca que “Macau Vista por Dentro” é a “obra magna” de J.J. Monteiro, pois revela “um visível amadurecimento e conhecimento profundo das origens e do percurso dos portugueses no Oriente, assim como aspectos relevantes da cultura da China milenar”.

28 Mai 2024

“Grand Tour” consagra Miguel Gomes em Cannes como melhor realizador

O realizador português Miguel Gomes venceu o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, em França, pelo filme “Grand Tour”, foi sábado anunciado na cerimónia de encerramento. É a primeira vez que Miguel Gomes é distinguido na competição oficial do festival de Cannes.

Miguel Gomes recebeu o prémio das mãos do cineasta alemão Wim Wenders e num curto discurso agradeceu ao cinema português, sublinhando a raridade que é haver filmes portugueses na competição oficial, e estendeu o agradecimento a “grandes cineastas” como Manoel de Oliveira, que o inspiraram a fazer cinema.

Há 18 anos, em 2006, na competição de longas-metragens esteve “Juventude em Marcha”, de Pedro Costa. A história de “Grand Tour” segue um romance de início do século XX, com Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do império britânico que foge da noiva Molly (Crista Alfaiate) no dia em que ela chega para o casamento.

“Contemplando o vazio da sua existência, o cobarde Edward interroga-se sobre o que terá acontecido a Molly… Desafiada pelo impulso de Edward e decidida a casar-se com ele, Molly segue o rasto do noivo em fuga através deste ‘Grand Tour’ asiático”, refere a sinopse.

Durante a semana, em conferência de imprensa em Cannes, Miguel Gomes, 52 anos, explicou que “Grand Tour” é um filme “sobre a determinação das mulheres e a cobardia dos homens” e tem ainda como ponto de referência um livro de viagens, “Um gentleman na Ásia”, de Sommerset Maugham.

Périplo asiático

Na preparação deste filme, ainda antes da pandemia da covid-19, Miguel Gomes fez um arquivo de viagem pela Ásia – por exemplo, Myanmar (antiga Birmânia), Vietname, Tailândia, Japão -, para traçar o trajecto das personagens, recolhendo imagens e sons contemporâneos para uma longa-metragem de época de 1918.

Só depois desse périplo, Miguel Gomes rodou as cenas com os actores em estúdio, em Roma. O argumento é co-assinado pelo cineasta com Mariana Ricardo, Telmo Churro e Maureen Fazendeiro. “O que é interessante no cinema é que se pode viajar para um mundo alternativo, um mundo ficcional que contém todos os tempos; as memórias do tempo passado, o tempo actual em que vivemos, o presente”, disse Miguel Gomes na mesma conferência de imprensa.

“Grand Tour” foi produzido por Uma Pedra no Sapato, de Filipa Reis, em co-produção com Itália, França, Alemanha, China e Japão. Miguel Gomes já tinha estado anteriormente em Cannes, na Quinzena de Cineastas onde apresentou “Aquele querido mês de Agosto” (2008), “As mil e uma noites” (2015) e “Diários de Otsoga” (2021), correalizado com Maureen Fazendeiro.

Miguel Gomes soma vários prémios em festivais internacionais, nomeadamente o prémio da crítica do festival de Berlim com “Tabu” (2012), o prémio de melhor realizador (repartido com Maureen Fazendeiro) no Festival Mar del Plata (Argentina) com “Diários de otsoga” (2021) e o prémio especial do júri em Guadalajara (México) com “Aquele querido mês de Agosto” (2009). A 77.ª edição do Festival de Cinema de Cannes começou no dia 14 e terminou sábado.

26 Mai 2024

Junho celebra “Dia do Património Cultural e Natural da China”

Decorrem, desde o dia 23, as inscrições para as actividades comemorativas do “Dia do Património Cultural e Natural da China”, que acontecem a partir de 8 de Junho, organizadas pelo Instituto Cultural (IC). Irão ter lugar vários workshops sobre a cultura tradicional chinesa em diversos espaços culturais a partir de 1 de Junho, este sábado.

Um deles é o “Workshop de gravação de sinetes”, que acontece no Museu Memorial de Xian Xinghai, ou ainda o “Workshop de Pintura dos 24 Termos Solares”, organizado na Casa da Literatura de Macau. Destaque ainda para os workshops sobre “Criação de Candeeiros de Bambu” na antiga Fábrica de Panchões Iec Long, “Cianotipia” nas Ruínas do Colégio de S. Paulo, “Arte do Chá” na Casa de Lou Kau, o “Desenho do Património Cultural” no Jardim da Fortaleza do Monte, entre outros.

Entradas livres

Nos dias 8 e 9 de Junho a entrada no Farol da Guia será livre, permitindo ao público conhecer o seu interior, que “raramente está aberto ao público”, descreve o IC.

Além disso, a exposição “Visitando as Ruínas de S. Paulo no Espaço e no Tempo – Exposição de Realidade Virtual nas Ruínas de S. Paulo” terá sessões experienciais gratuitas em Junho, com o objectivo de “elevar o conhecimento dos residentes e turistas sobre o património cultural de Macau”.

Este período de entradas gratuitas decorre aos sábados e domingos, entre as 10h e as 10h30, entre os dias 8 e 30 de Junho. Além disso, serão realizados os passeios “Visita Guiada a Pé pela Fortaleza do Monte” e “Visita Guiada a Pé em Família até à Fortaleza do Monte” nos dias 8 e 9 de Junho, respectivamente.

Destaque ainda para a entrada gratuita no Museu de Macau entre os dias 8 e 11 de Junho das 10h às 18h. Serão também disponibilizadas visitas gratuitas na Casa da Literatura de Macau entre as 15h e as 16h nos dias 8 e 9 de Junho.

O “Dia do Património Cultural e Natural” foi anteriormente designado como o “Dia do Património Cultural”, sendo celebrado desde 2006. A partir de 2017, o “Dia do Património Cultural” passou a ser designado “Dia do Património Cultural e Natural”, com o objectivo de reforçar a consciência social sobre a importância do património cultural e natural e da preservação do mesmo, aponta o IC.

26 Mai 2024

Magia | Macau é primeira paragem na digressão de Louis Yan

Louis Yan, natural de Hong Kong e um mágico mundialmente famoso, está na estrada com a digressão “My Faith Magic Tour 2024” e Macau será o primeiro ponto de paragem. Nos dias 7 e 8, e também 14 e 15 de Junho, o público local poderá desfrutar das artes mágicas do homem que detém um recorde do Guiness para a “Maior Lição de Magia”, ultrapassando o recorde de David Copperfield

 

Não canta, não dança, nem sequer representa. As artes de Louis Yan, natural de Hong Kong, são outras: ele faz magia e encanta quem o vê com o mistério associado a este tipo de espectáculo. Mundialmente conhecido e detentor de um recorde do Guiness, Louis Yan escolheu Macau para a primeira paragem da sua digressão, intitulada “My Faith Magic Tour 2024”. Assim, nos dias 7 e 8, bem como 14 e 15 de Junho, o público de Macau poderá ver de perto a “fé” do mágico, que actua no Wynn Palace, no Cotai.

Segundo um comunicado da operadora de jogo, que promove o evento, os dois espectáculos de Louis Yan prometem revelar as suas “extraordinárias habilidades, levando o público a uma viagem cativante cheia de transformações mágicas impressionantes”, numa experiência que promete ser “inesquecível”.

O tema da digressão, “A Minha Fé”, está relacionado com o facto de o mágico ter transformado a sua grande paixão numa “fé de vida”, que o tem guiado “numa viagem em todo o mundo que alcança milagres, um após o outro, e que deslumbra o público com magia e surpresa num piscar de olhos”.

Pelo mundo

Louis Yan obteve a distinção do Guiness com a “Maior Lição de Magia”, ultrapassando assim o recorde já atingido pelo mundialmente famoso David Copperfield. Ganhou ainda o “Merlin Award”, um importante prémio nesta área, que se pode considerar como os “Óscares da Magia”.

O mágico de Hong Kong já actuou ao lado dos actores chineses Leo Wu e Peng Yuchang, nomeadamente na gala do Festival da Primavera do canal de televisão CCTV, em 2020, além de ter realizado espectáculos em cidades como Los Angeles, Toronto e Sidney. Louis Yan foi também o primeiro mágico de Hong Kong a exibir as suas lides a solo em Las Vegas, uma das grandes capitais do jogo, a par de Macau. Os bilhetes para os espectáculos já estão à venda, sendo que uma mesa para quatro pessoas custa 1.688 patacas.

A viagem de Louis Yan pelo mundo da magia começou a sério em 2010, ano em que começou a conquistar os primeiros prémios da sua carreira. Nesse ano, tornou-se no primeiro profissional de magia de Hong Kong a vencer o concurso Abbott dos EUA, considerada a capital mundial da magia. Além disso, Louis Yan sagrou-se vencedor, também em 2010, do 6.º Concurso Internacional de Magia de Palco Joker Magic da Hungria.

No ano seguinte, Louis Yan actuou no “Magic Castle” em Hollywood, EUA, além de ter representado Hong Kong, a convite do Governo, em quatro cidades europeias, nomeadamente Paris, Bruxelas, Hamburgo e Haia. Em Junho de 2011, Louis Yan ficou ainda mais conhecido do grande público por prever com sucesso o resultado da lotaria do Mark Six.

Na estação televisiva TVB, da região vizinha, Louis Yan é uma presença constante, tendo sido juiz e convidado do programa “Magic Battle”, além de ter sido o mágico convidado do programa “King of Street Magic” entre os anos de 2013 e 2017. Louis Yan é também o primeiro e único mágico de Hong Kong que realizou um espectáculo de magia com venda de bilhetes no KITEC StarHall.

26 Mai 2024

FRC acolhe debates comemorativos dos dez anos do Plataforma

O semanário bilingue Plataforma, por ocasião da celebração do décimo aniversário de existência, promove na próxima semana, entre os dias 27 e 30, quatro debates na Fundação Rui Cunha (FRC), num ciclo especial de conversas intitulado “Plataforma Talks”. Todos os debates começam às 18h30 e contam com diversas personalidades locais, focando-se nas áreas do ensino superior, banca, diplomacia e Direito, sob o mote “Redes para a internacionalização de Macau”.

O primeiro debate, na segunda-feira, conta com os advogados Frederico Rato, sócio fundador da LEKTOU e Oriana Pun, sócia do escritório PCC Lawyers. Por sua vez, na terça-feira, o debate versará sobre “Redes Bancárias”, contando com Carlos Cid Álvares, CEO Banco Nacional Ultramarino e Ip Sio Kai, vice-presidente do BOC Macau e deputado.

Na quarta-feira, dia 29 de Maio, a conversa incidirá sobre “Redes Universitárias”, contando com a presença de Agnes Lam, Directora do Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau e ex-deputada, e ainda Priscilla Roberts, professora de História e Cultura na USJ – Universidade de São José.

Por último, quinta-feira, dia 30 de Maio, o debate será sobre “Redes Diplomáticas”, tendo como convidados o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e Danilo Henriques, secretário-adjunto do Fórum Macau. Os moderadores dos debates serão os directores do jornal, Paulo Rego e Guilherme Rego.

Diversificar e flexibilizar

Segundo um comunicado da FRC, estes debates pretendem dissecar o tema da diversificação económica que, “por mais sucesso que tenha, não irá alterar de forma dramática o peso do jogo no Produto Interno Bruto de Macau”. Contudo, “pode e deve mudar significativamente o perfil do emprego e a relevância nacional e internacional; além da cultura de exigência digna de uma sociedade de serviços moderna, ágil, competente e global”.

“Este é o ADN do PLATAFORMA, que desde a sua primeira edição defende o bilinguismo, a livre circulação de pessoas, a massa crítica estrangeira, e do continente, a diversificação económica e flexibilidade na atribuição de Bilhetes de Identidade de Residente”, é descrito na mesma nota. Para o semanário, estes factores constituem “pilares do projecto lusófono e da afirmação internacional de Macau”, defendendo que “se deve promover, ao mesmo tempo, uma sociedade de serviços multicultural, multilingue, flexível e competente, capaz de criar redes institucionais e profissionais que liguem China e Lusofonia, Oriente e Ocidente”.

24 Mai 2024

Concertos este sábado na FRC com as bandas “Lazy Jones” e “Weekend Jazz Group”

Os amantes de jazz terão nova oportunidade de assistir a um concerto deste género musical protagonizado por músicos locais. Amanhã, na Fundação Rui Cunha (FRC), tem lugar a partir das 21h, o concerto “Lazy Jones & The Weekend Jazz Group”, dois grupos que se apresentam novamente no palco da Galeria da FRC.

O grupo “Lazy Jones” é composto por cinco raparigas e deriva da Orquestra de Jazz Juvenil de Macau. Trata-se, segundo uma nota da FRC, de “um dos mais importantes projectos pedagógicos com músicos profissionais da Associação de Promoção de Jazz de Macau (MJPA), muitos deles professores da nova geração”.

As cinco jovens criaram, assim, “um promissor grupo que mostra grande potencial na selecção e interpretação do repertório, enquadrado entre os clássicos da Bossa Nova e o estilo Bebop, e cujo título remete para o famoso clássico de jazz ‘Have You met Miss Jones?'”, composta por Richard Rodgers em 1937 e que, entretanto, teve já diversas interpretações por parte de cantores e músicos, nomeadamente Robbie Williams.

A banda “Lazy Jones” é composta por Diana Piscarreta, na voz, juntando-se as irmãs Nana Chan e Twinkle Chan, na guitarra e no baixo, bem como Fanfan Cheung, na bateria. De frisar que as irmãs Chan já actuaram na Galeria da FRC com a banda da MJPA noutros eventos musicais.

A dobrar

A segunda parte do concerto de amanhã é protagonizada pelo “Weekend Jazz Group”, composto por músicos adultos e mais experientes da MJPA, nomeadamente Tony Lei no saxofone, Jerry Jiang no piano, Cathy Chan no baixo e Roy Tai na bateria. Este quarteto apresentará uma série de standards de jazz, com diferentes humores e vibrações, mostrando que a paixão dos artistas locais pela música continua bem viva, descreve a FRC.

A MJPA, co-organizadora da iniciativa “Saturday Night Jazz” com a FRC desde 2014 é uma associação artística local sem fins lucrativos, criada em 2010. O objectivo da MJPA é promover a música jazz junto do público e proporcionar oportunidades aos músicos locais, contribuindo para múltiplos projectos vocacionados para a juventude e realçando, assim, a característica multicultural do território.

24 Mai 2024

Camões | Nascimento do poeta celebrado com música e literatura

Os 500 anos do nascimento do grande poeta português Luís de Camões, celebrados este ano, vão ser assinalados pelo Instituto Cultural (IC) com diversos eventos, onde se inclui um concerto “dedicado aos livros ilustrados de poesia”, palestras temáticas e visitas guiadas na Casa da Literatura de Macau no próximo mês

 

O Instituto Cultural (IC) promove, no próximo mês, uma série de eventos que visa celebrar a efeméride dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, um dos maiores poetas portugueses de sempre e autor da epopeia “Os Lusíadas”, escrita no século XVI. O nome de Camões está bastante ligado a Macau, existindo mesmo a Gruta de Camões no centro da península, no jardim com o mesmo nome.

O programa de celebrações inclui a realização de um concerto, visitas guiadas à Casa da Literatura de Macau e palestras temáticas. Segundo um comunicado do IC, o objectivo destas iniciativas é “promover o intercâmbio cultural entre a China e Portugal e aprofundar o conhecimento do público em literatura portuguesa”.

No dia 1 de Junho, às 15h, realiza-se o “Concerto de Livros Ilustrados de Poesia ‘Para Camões'”, na Casa da Literatura de Macau, com a participação da escritora local Ma Yingying.

Esta irá interpretar dez obras musicais originais, demonstrando, assim, “como se pode transformar poesia ilustrada numa viagem musical”, ao mesmo tempo que partilhará “com os participantes a comovente história de amor entre Camões e a jovem chinesa Dinamene”.

Por sua vez, no dia 2 de Junho, decorre a palestra “Encontro Romântico de Camões com Macau: O Poeta, a Cidade e os Seus Habitantes”, também na Casa da Literatura de Macau, protagonizada por Catherine S. Chan, professora assistente de investigação do Departamento de História da Universidade de Lingnan, em Hong Kong.

Nesta sessão será abordada, segundo uma perspectiva histórica, “a ligação entre Camões e Macau do século XIX ao XX, analisando-se a forma como Macau criou, reformulou e consolidou uma relação amorosa com Camões e a sua epopeia Os Lusíadas”.

Os detalhes

Também na Casa da Literatura serão organizadas visitas guiadas à iniciativa “Viagem Literária Através do Tempo e do Espaço – Um Encontro com Camões”, dia 8 de Junho, em duas sessões às 10h e 16h. A ideia é “dar a conhecer ao público a vida de Camões em Macau bem como as fontes da sua criatividade”, pretendendo-se levar os participantes a “apreciar a literatura, experimentar a aura literária e artística associada a Camões na cidade e embarcar numa viagem romântica que transcende o tempo e o espaço através da literatura”.

Luís Vaz de Camões (1524-1580), natural de Lisboa, é considerado o maior poeta da literatura em língua portuguesa, tendo “Os Lusíadas” conquistado a fama e ficado para a posteridade. Diz-se que Camões viveu durante algum tempo em Macau e que escreveu alguns capítulos de “Os Lusíadas” no Jardim de Luís de Camões.

Esta não é a primeira vez que o IC recorda o poeta português, tendo publicado diversos livros sobre os escritos de Camões, nomeadamente “100 Sonetos de Camões” e “Os Lusíadas”.

24 Mai 2024

Luís de Camões cimenta no Brasil a ligação dos emigrantes a Portugal

A dirigente associativa Noémia Serra realçou na quarta-feira o papel da figura de Camões na ligação das comunidades portuguesas do Brasil ao país de origem, contando que ela própria recuperou um busto do poeta na cidade de Santos.

Desempenhando há vários anos cargos de direcção no Centro Cultural Português (CCP), a artista, de 78 anos, disse à agência Lusa que a referida escultura do autor de “Os Lusíadas” estava em muito mau estado, na sede da colectividade, que congrega compatriotas há quase 130 anos, muitos deles oriundos de concelhos adstritos à Serra da Lousã.

O CCP é uma associação administrada por portugueses radicados naquela cidade portuária, no estado de São Paulo, que resultou da fusão, em 2010, do Centro Português de Santos, fundado em 1895, com a Sociedade União Portuguesa, criada em 1928.

“O busto de Luís de Camões estava muito degradado. Levei-o para minha casa e com muita paciência, durante meses, procedi ao seu restauro”, disse Noémia Serra, nascida em 1945 numa aldeia serrana da Lousã, distrito de Coimbra.

Concebido em finais do século XIX, de acordo com o estilo neomanuelino, evocando a saga dos Descobrimentos portugueses, o edifício do antigo Real Centro Português foi alvo nos últimos anos de vultuosos investimentos para assegurar boas condições de funcionamento às duas instituições culturais reunidas há 14 anos.

O Salão Camoniano, com pinturas inspiradas em “Os Lusíadas”, produzidas pelo espanhol A. Fernández, “estava muito abandonado e beneficiou também de especializados trabalhos de restauro”, que tiveram apoio do Estado Português, segundo Noémia Serra, radicada no Brasil desde a infância e que está em Portugal com o marido de visita aos familiares do casal.

Dedicação às artes plásticas

A portuguesa, que na actual fase da aposentação tem vindo a dedicar-se às artes plásticas, é vice-presidente do Elos Clube de Santos, que, apoiando as entidades congéneres da Praia Grande e de São Vicente, está envolvido nas comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões.

As cerimónias para toda a Baixada Santista vão decorrer no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, junto ao monumento a Camões, da autoria de Jorge Guerreiro, no município de São Vicente.

Inaugurado em 1980, com apoio da prefeitura, no âmbito do quarto centenário da morte do poeta, o monumento vai reabrir ao público no 10 de Junho, após requalificação promovida pelo Elos Clube vicentino, atualmente liderado por Celestino Domingues.

Desde o século XIX, no Brasil, Camões é igualmente evocado através da arte, por exemplo, no Real Gabinete Português de Leitura, uma biblioteca pública do Rio de Janeiro, também em estilo manuelino, a funcionar desde 1887, e no Clube Português de São Paulo, criado em 1920.

Em cerca de 55 anos de vida, rezam a história e as lendas, o poeta soldado Luís de Camões (1524-1580) andou pelo Norte de África, onde terá perdido um olho em combate, Ilha de Moçambique, Índia e Extremo-Oriente, tendo vivido, designadamente, em Macau.

Não viajou pelo Brasil, onde a armada de Pedro Álvares Cabral aportou em 1500. Ainda assim, meio século após ter nascido, o criador de “Os Lusíadas” povoa o imaginário algo patriótico dos portugueses que, desde o século XIX, buscaram “novos mundos” no maior país lusófono.

23 Mai 2024

Associação Sílaba cria novo projecto literário para promover português

Um novo projecto literário, a ser lançado no Dia da Criança, quer incentivar a leitura em português em Macau e vai chegar ainda este ano aos países lusófonos, disse à Lusa a responsável pela iniciativa. O “Dinis Caixapiz”, o mais recente projecto da Sílaba – Associação Educativa e Literária, contempla a assinatura trimestral de uma caixa com um livro infantil, uma versão do áudio dessa história e uma revista infantojuvenil.

“A melhor maneira de [as crianças] terem acesso a livros é receberem-nos em casa e conseguirem preparar a sua minibiblioteca. Além disso, as crianças nunca recebem correio em nome delas. Achei divertido criar uma caixa que seria entregue em nome do assinante, em vez de em nome dos pais”, explicou à Lusa a presidente da associação, Susana Diniz.

À caixa de correio vai chegar uma embalagem que permite às crianças ir “além da experiência tradicional de leitura”, lê-se ainda num comunicado da associação.

Esta caixa, além de poder ser recortada, é composta por elementos históricos e culturais “distintivos de Macau, referentes à presença portuguesa no território durante os últimos cinco séculos”.

“Permitindo a sua reutilização, alertando para o excesso de lixo produzido nos dias de hoje, estes elementos têm diferentes funções utilitárias para os jovens, estimulando, de igual forma, um momento em família através da exploração de técnicas artísticas no âmbito das manualidades”, afirma-se ainda na nota.

O “Dinis Caixapiz” vai ser lançado a 1 de Junho nas instalações do Instituto Português do Oriente, integrado nas comemorações de Junho – Mês de Portugal em Macau, e dirige-se a crianças falantes de português, com idades entre os 5 e os 12 anos, a escolas bilingues no território e professores de português como língua materna e ou de língua estrangeira.

“Falamos de um território especial, onde a língua portuguesa é cada vez mais promovida e procurada por parte de pais para os seus filhos, mas encontram grandes dificuldades na sua compreensão, interpretação e possível desenvolvimento”, indicou Susana Diniz.

Neste sentido, a responsável acredita que “todos os projectos de promoção da língua portuguesa são importantes para o desenvolvimento da língua e da cultura e para ajudar as crianças, neste caso, a olharem para a língua portuguesa como uma coisa divertida e que lhes permite criar outras coisas”.

Ainda este ano, assegurou a presidente da Sílaba, “haverá uma versão digital para os países de língua portuguesa”. A assinatura anual do “Dinis Caixapiz” compreende quatro volumes e custa 1.752 patacas, sendo que um único exemplar pode ser adquirido por 488 patacas.

23 Mai 2024

Escultura | Ren Zhe apresenta “Lendas da Cavalaria” em Macau

O MGM apresenta durante um ano a exposição do conhecido escultor chinês Ren Zhe inspirada nas personagens dos romances sobre artes marciais de Jin Yong, ou ainda na cultura Jianghu, que remete para os antigos forasteiros que viviam no país. As mostras, apresentadas no MGM Cotai e na Barra, intitulam-se “MGM X Ren Zhen – Exposição de Vendas de ‘Lendas da Cavalaria'” e “Exposição de Trajes e Armas de Jin Yong Wuxia Drama”

 

Já foi inaugurada na Galeria M Art, no MGM Cotai, a exposição do escultor chinês Ren Zhe, intitulada “MGM X Ren Zhe – Exposição de Vendas de Lendas de Cavalaria”, que mostrará ao público, incluindo coleccionadores, ao longo de um ano, 20 esculturas.

Segundo um comunicado do MGM, podem ser vistas e adquiridas “as primeiras esculturas oficialmente autorizadas, em todo o mundo, de personagens clássicas dos romances de artes marciais de Jin Yong”, bem como esculturas da série “Warriors” [Guerreiros], criada pelo próprio artista.

Apresentam-se, assim, as personagens clássicas dos romances de Jin Yong, nomeadamente “Os Heróis da Águia”, “Os Heróis do Condor”, “A Espada do Céu” e o “Sabre do Dragão” ou “A Raposa Voadora da Montanha Nevada”. Incluem-se ainda esculturas como “Qi Gu”, “Jing Ling” e “Shen Se”. “Lendas de Cavalaria apresenta peças distintas e históricas dos vários corpos de trabalho do artista”, retratando a cultura Jianghu (江).

Jianghu é um termo que remete para um período histórico na China em que os forasteiros que viviam no país se uniam numa espécie de irmandade, ganhando a vida através dos trabalhos manuais que executavam. Muitos deles eram, além de artesãos, mendigos, ladrões ou mesmo artistas marciais, pertencendo às camadas mais baixas da sociedade.

A cultura Jianghu inspirou muitos romances e filmes sobre artes marciais, numa influência que se nota até aos dias de hoje nas muitas publicações ao dispor no mercado. Foi este universo que Ren Zhe transportou para as suas peças.

Jin Yong, nascido em Zhejiang em 1924 e falecido em Hong Kong em 2018, foi um conhecido escritor chinês “wuxia”, cujas obras abordaram precisamente o mundo das artes marciais e cavalaria na antiga China, pautado pela cultura “Jianghu”. De frisar que “wuxia” é o nome dado a um género literário chinês muito próprio, onde impera o universo da fantasia, artes marciais e antigos guerreiros.

Vestuário na Barra

Na zona da Barra apresenta-se, em simultâneo, a “Exposição de Trajes e Armas de Jin Yong Wuxia Drama”, com ligação ao universo das obras do escritor chinês. Ambas as exposições são descritas como sendo “vibrantes”, conectando “o espaço de exposições do MGM ao bairro da Barra com o tema unificador dos ‘heróis de Jianghu'”.

As mostras incluem ainda manuscritos e outros artigos de arte desenhados por Ren, incluindo a colecção “ARTI-DIVINE”, uma série de produtos decorativos e “RE-DIVINE”, uma colecção de vestuário neo-chinês.

A MGM diz ser “a primeira empresa que, em todo o mundo, promove a apresentação da decoração e vestuário neo-chinês de Ren Zhe, que reinterpreta os elementos culturais tradicionais chineses através de um artesanato contemporâneo requintado”.

Tratam-se de duas exposições que revelam “o espírito de cavalheirismo e coragem dos heróis clássicos”, em que “todos os coleccionadores e aficcionados de arte mais exigentes podem participar neste encontro [em torno] de ‘Jianghu'”, onde o “heroísmo” é protagonista.

Nascido em 1983, Ren Zhe formou-se na Academia de Artes e Design da Universidade de Tsinghua, uma das mais conceituadas do país, sendo reconhecido pelo trabalho que combina a cultura tradicional chinesa com técnicas contemporâneas ocidentais.

A sua filosofia de trabalho e espírito artístico consistem na canalização “de uma presença externa formidável, desencadeando o ímpeto de uma energia impetuosa”. O artista pretende ainda “gravar imagens exteriores baseadas no carácter intrínseco” ou ainda “encarnar [nas obras que cria] o essencial do espírito”, através de uma criação que vem do interior.

Uma das últimas grandes exposições de Ren Zhe aconteceu em 2019, no Templo Imperial Ancestral de Pequim, junto à Cidade Proibida, intitulada “Qi — Ren Zhe Sculpture Exhibition” [Qi – Exposição de Escultura de Ren Zhen], que “causou sensação no mundo da arte”. Com esta mostra, o artista chinês tornou-se no primeiro artista contemporâneo a expor neste espaço histórico da capital chinesa. O trabalho de Ren Zhe tem também muita procura em leilões por parte de coleccionadores de arte, descreve a MGM.

23 Mai 2024

Mês de Portugal | Exposições, teatro e música animam celebrações. Regressa recepção à comunidade

Ao longo de 30 dias, cerca de 27 actividades vão assinalar o dia e o mês de Portugal na RAEM, que este ano distingue igualmente outras efemérides como o 500.º aniversário do nascimento do escritor Luís Vaz de Camões, os 50 anos da Revolução do 25 de Abril ou o 25.º aniversário da transferência de soberania de Macau

 

O regresso da recepção à comunidade portuguesa na Bela Vista é um dos destaques das celebrações de Junho Mês de Portugal. No ano em que as celebrações vão também assinalar outras efemérides, como o 500.º aniversário do nascimento do escritor Luís Vaz de Camões, os 50 anos da Revolução do 25 de Abril ou o 25.º aniversário da transferência de Macau, a residência consular volta a abrir as portas para a comunidade, o que acontece pela primeira vez desde a pandemia da covid-19.

“A recepção do 10 de Junho volta ao seu lugar natural e, como sempre, independentemente do envio de convites, que já está a ser feito, é também aberta a todos os portugueses, desde que tenham documento de identidade portuguesa”, afirmou o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, durante a conferência de apresentação do mês de Portugal. “Todos são bem-vindos, sem qualquer outra formalidade”, acrescentou.

A recepção incluiu não só os discursos oficiais, tanto dos representantes de Portugal, e também da RAEM, como a oferta de comida e bebida. O programa com as festividades foi apresentado ontem e conta com 27 actividades, entre exposições, lançamento de livros, ‘workshops’, seminários e até um arraial, que envolve 16 associações locais.

O Arraial de Santo António vai ter lugar na Escola Portuguesa de Macau e disponibiliza concertos, comes e bebes, karaoke e jogos. No dia 15 de Junho, há um concerto de música popular portuguesa a cargo de Tomás de Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Ari Calangi, João Rato e David Rato. No dia seguinte, a animação fica a cargo do coro da Casa de Portugal, há um espectáculo de Robertos de Sérgio Rolo, e os intérpretes do dia anterior voltam a tocar.

Viagem aérea

Outro dos destaques do programa, passa por uma exposição sobre a primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, uma vez que também se assinala o centenário desta aventura épica.

A exposição vai ser inaugurada a 20 de Junho e manter-se-á no local até ao dia 30. Com a inauguração é realizada igualmente uma conferência sobre a viagem de Sarmento de Beires, Brito Pais e Manuel Gouveia, que começou em Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, a 7 de Abril de 1924.

O evento vai contar com a presença do director do Museu do Ar da Força Aérea Portuguesa, Carlos Mouta Raposo, e com o presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro. No dia seguinte, a 21 de Junho, uma conferência semelhante vai ser realizada no Club Lusitano, em Hong Kong, onde a viagem praticamente terminou, devido a uma aterragem forçada, que aconteceu a 20 de Junho de 1924.

Roteiro da Gastronomia

Para os apreciadores de gastronomia, o mês de Portugal oferece igualmente a possibilidade de experimentar vários restaurantes com comida portuguesa na RAEM a preço de saldos.

A iniciativa Roteiro Gastronómico – Comer e Beber à Portuguesa vai ser realizada pelo segundo ano consecutivo, e os interessados vão poder usufruir de um desconto de 10 por cento nos restaurantes que aderirem à actividade. Ontem, a lista ainda estava a ser ultimada, mas o objectivo da organização passa por conseguir apresentar uma lista com 20 espaços diferentes, o que seria o dobro face ao ano passado.

Além dos descontos imediatos, os participantes do Roteiro da Gastronomia podem ainda habilitar-se a participar num sorteio que vai atribuir vales para refeições grátis para duas pessoas.

Por sua vez, a Casa de Portugal em Macau vai colocar na varanda da sede “um Camões de grande tamanho”, uma instalação da artista portuguesa Elisa Vilaça, de acordo com a presidente da associação, Maria Amélia António. Neste momento, ainda está a ser equacionada a possibilidade de em certos momentos haver música ao vivo com a instalação.

O tempo das crianças

A pensar nos mais novos também estão programadas várias actividades. No dia 1 de Junho, vai ser exibida a peça de teatro “Era Uma Vez (Outra Vez)”, a cargo da companhia ETCetera Teatro. A peça aproveita o imaginário dos irmãos Grimm e explora a relação entre dois irmãos que estão de férias numa aldeia sem acesso às novas tecnologias.

Nos dias 8,9,15 e 16 de Junho vão ser realizados workshops para pais e filhos de construção de brinquedos em madeira, na Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal de Macau. As inscrições têm de ser feitas junto da Casa de Portugal, até 6 de Junho, e estão abertas a crianças com idades entre os 5 e 10 anos.

Atrair novos públicos

Sobre a realização do mês de Portugal, Alexandre Leitão destacou a necessidade de ser criado um programa cada vez mais apelativo, que tenha capacidade para mobilizar não só a comunidade, mas todas as comunidades em Macau. O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong indicou também que o futuro passa por disponibilizar diferentes actividades pelas quais as diferentes comunidades considerem que vale a pena pagar.

“Verificamos que muitas vezes os jovens saem da Escola Portuguesa de Macau e de outras instituições onde se ensina a língua portuguesa a falar muito bem português, mas não conhecem a cultura, literatura, música e outros aspectos culturais ligados a Portugal e à lusofonia”, afirmou. “Queremos promover uma literacia cultural, se assim quisermos dizer, que a prazo crie um público que procura, que está disposto a pagar […] É importante [criar o público] porque é muito simpático ter um apoio forte do Governo da RAEM, ter uma boa disponibilidade do Governo de Hong Kong que nos foi sinalizada há pouco tempo, ter um instituto cultural com o qual temos uma boa relação, mas estas coisas um dia podem mudar, por diversíssimas razões. E o que é sustentável é haver um gosto e um público vasto pela música, pelas artes plásticas, pelo teatro e pela dança de expressão portuguesa e com isso vir a vontade de consumir e a disponibilidade para pagar um bilhete”, justificou.

Apesar da apresentação do programa ter acontecido ontem, este não está totalmente finalizado e, nos próximos dias, podem ser apresentadas mais actividades, como uma feira do livro.

Em aberto

Quando questionado ontem com a possibilidade de membros do Governo se deslocarem a Macau para participarem nas celebrações do 10 de Junho, Alexandre Leitão explicou aguarda uma decisão do Conselho de Ministros. De acordo com o cônsul, a representação de Portugal em Macau mostrou interesse em receber a visita de membros do Governo, mas a decisão depende de Lisboa. Também durante o mês de Junho, Macau deve receber a visita do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.

CALENDÁRIO DE EVENTOS

1 de Junho

15h00 Teatro Infantil: Era uma Vez (outra vez) Local: IPOR

16h00 Lançamento de Produto Literário para Crianças: ‘DinisCaixapiz’; Local: IPOR

17h00 Inauguração da Exposição de Fotografia: Para os olhos dos jovens (de espírito) – Francisco Ricarte; Local: Galeria Inferior da Casa Garden, exibição até 30 de Junho

Todo o Dia: Instalação – Luís de Camões 500 anos do Nascimento Local: Varanda da sede da CPM

2 de Junho

10h30 Workshop Fotografia por Francisco Ricarte

15h00 Workshop Fotografia por Francisco Ricarte

4 de Junho

18h30 Exposição de Fotografias e Lançamento de Livro “Macau Patterns”; Local Fundação Rui Cunha

6 de Junho

18h30 Exposição Individual de Diogo Muñoz – MACAU FOREVER; Local Albergue SCM Galeria 2

7 de Junho

18h30 Lançamento do livro “Vulgaridades Chinesas” (IIM); Local Auditório Dr. Stanley Ho, Consulado de Portugal

20h00 Concerto Sino- Português Capitão Fausto x David Huang; Local MGM COTAI

8 de Junho

15h00 Seminário Sobre os Projectos de Alta Tecnologia em Portugal e Macau; Local Restaurante Plaza, 1.º Andar, Salão Lótus

15h00-17h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

17h00 Exposição de Fotografia A Presença de Matriz Portuguesa em Macau – Halftone; Local Galeria de Exposições do Bela Vista

9 de Junho

10h30-13h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

10 de Junho

09h00 Hastear da Bandeira; Local Consulado de Portugal

10h00 Romagem à Gruta e Camões; Local Jardim de Camões

18h00 Recepção à Comunidade; Local Bela Vista

12 de Junho

18h30 Festa Gastronómica Portuguesa; Local Baccara Room, Sofitel

13 de Junho

18h30 Inauguração da Exposição das Sardinhas – Arraial de Santo António; Local Casa de Vidro

14 de Junho

18h30 Exposição Made with love by Vista Alegre BORDALLO PINHEIRO; Local Galeria Amagao Artyzen Grand Lapa Macau

15 de Junho

15h00-17h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

18h30 Arraial de Santo António; Local Escola Portuguesa de Macau

16 de Junho

10h30-13h00 Workshop Construção de Brinquedos em Madeira – Daniel Garfo; Local Escola de Artes e Ofícios Casa de Portugal

14h30 Arraial de Santo António; Local Escola Portuguesa de Macau

17 de Junho

18h30 Apresentação da Edição e Exposição 10.6 Víctor Marreiros; Local Clube Militar

18 de Junho

18h30 Desafios Orientais Exposição de Pintura em Porcelana – Rui Calado; Galeria da Fundação Rui Cunha

20 de Junho

15h00 Conferência Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau; Local Auditório Dr. Stanley Ho, Consulado de Portugal

21 de Junho

18h30 Conferência Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau; Local Club Lusitano Hong Kong

24 de Junho

18h30 Palestra – 500 Anos da Língua de Camões e a Evolução Cultural de Portugal em Macau; Local Auditório Dr. Stanley Ho, Consulado de Portugal

25 de Junho

18h30 Palestra – Seminário Oportunidades de Comércio e Negócios em Portugal da Associação Comercial de Macau; Local Associação Comercial de Macau

27 de Junho

18h30 Clube de Leitura; Local IPOR Biblioteca Camilo Pessanha

28 de Junho

Extensão do Indie Lisboa; Local Cinemateca Paixão

29 de Junho

Extensão do Indie Lisboa; Local Cinemateca Paixão

30 de Junho

Extensão do Indie Lisboa; Local Cinemateca Paixão

22 Mai 2024

FAM | Bailado, ópera, música e teatro em destaque no próximo fim-de-semana

O cartaz do Festival de Artes de Macau prossegue no próximo fim-de-semana com espectáculos para todos os gostos, desde o ballet da ópera de Lyon “A Bella Adormecida”, coreografado pelo espanhol Marcos Morau, ao concerto de Frances Yip com a Orquestra Chinesa de Macau

 

A 34.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM) continua este fim-de-semana a presentear os espectadores locais com uma mescla de espectáculos de bailado, música, teatro ou ópera. Destaque para o bailado “A Bela Adormecida”, com o grupo de Ballet da Ópera de Lyon, que decorre na sexta-feira e sábado às 20h e domingo às 15h no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

Este é, segundo o programa do FAM, um “bailado clássico transformado em conto contemporâneo” graças à coreografia do espanhol Marcos Morau. Trata-se de uma nova abordagem à “icónica partitura de Tchaikovsky transportada para o nosso tempo”, com um “poderoso elenco que irrompe através da aparente simplicidade do cenário”.

“A Bela Adormecida” é descrito como “um incontornável conto de fadas”, sendo que a leitura do grupo de Ballet da Ópera de Lyon recorre a uma “paleta de mecanismos teatrais para criar um universo meticuloso, povoado por figuras misteriosas e imagens etéreas”. Marcos Morau decidiu trazer uma história bem conhecida do público em geral para os tempos actuais, questionando “o que iria a princesa Aurora sentir se acordasse do seu longo sono no mundo actual”.

O Ballet da Ópera de Lyon regressa a Macau 19 anos depois, trazendo a produção de um coreógrafo que se tem distinguido no mundo da coreografia e do espectáculo com vários prémios, o que lhe valeu colaborações com diversas companhias.

Também este fim-de-semana, acontece outra apresentação por uma associação local, desta feita a Associação de Arte Teatral Dirks. Trata-se de “Anamnese n.º: XXXX”, que sobe ao palco do Estúdio II do CCM na sexta-feira, às 19h45, sábado, às 14h45 e 19h45, e domingo às 14h45.

Com encenação, tradução e adaptação de Ip Ka Man, esta peça é uma adaptação de “Equus”, do dramaturgo britânico Peter Shaffer. Segundo a organização do FAM, este espectáculo traz “uma pujante interpretação contemporânea desta história patológica inspirada em acontecimentos reais”.

A história centra-se no dia-a-dia de uma pequena vila onde as pessoas vivem vidas rotineiras. Contudo, uma certa noite, essa rotina aborrecida é alterada graças a um acidente que vitima um rapaz tímido e obediente que ataca seis cavalos, deixando-os cegos. A comunidade não perdoa o acto selvagem do rapaz, encaminhando-o para uma consulta de psiquiatria antes de ser julgado em tribunal. Porém, no decorrer da terapia, o médico percebe que o jovem tem uma fixação por cavalos, levando-o a questionar o que pode ser, de facto, ser considerado normal.

O lugar da música

No sábado, o FAM acontece também na sala de espectáculos do Londoner Theatre com o concerto de Frances Yip com a Orquestra Chinesa de Macau, às 20h.

Conhecida por ser a “Rainha da Canção”, Frances Yip, natural de Hong Kong, é uma conhecida voz da música pop que sobe ao palco neste concerto com uma roupagem musical mais clássica.

Desde os anos 80 que Frances Yip se tornou conhecida no panorama musical graças à interpretação do tema “The Bund”. “Poderosa, mas terna, a sua voz é um deleite para quem a ouve”, descreve a organização do FAM, sendo que ao longo de mais de 50 anos “inúmeras das suas canções em cantonense tornaram-se bastante conhecidas”, ao ponto de fazerem parte das bandas sonoras de muitas das telenovelas produzidas em Hong Kong nos anos 80 e 90.

Neste espectáculo integrado no FAM Frances Yip apresenta “o seu melhor repertório”, tendo como maestro Chew Hee Chiat e Bo Luk como convidado especial.

Outro destaque do FAM para este final de semana, é uma peça de teatro que traz uma nova visão do clássico “Mcbeth”, de William Shakeaspeare. “Macbettu”, da autoria do Teatro Sardenha, apresenta-se este sábado e domingo às 19h45 no pequeno auditório do CCM.

Com encenação e cenografia do italiano Alessandro Serra, “Macbettu” é feito com um elenco completamente masculino, apresentando “uma história de ambição e traição”. O público poderá ver “um espectáculo de imagens, sons e gestos hipnotizantes”, que leva os espectadores ao passado. Com “Macbettu”, revisitam-se “arquétipos clássicos através de rituais ancestrais, um conflito de personagens contra as forças primordiais da natureza”. “Um espaço vazio é esparsamente povoado por rochas, poeira, ferro e sangue, cruzado pela fisicalidade marcial dos actores. O cenário sombrio delineia locais e evoca presenças numa peça que consagrou o trabalho de Serra na cena internacional”, refere ainda a organização.

O FAM sai também das principais salas de espectáculo locais para se apresentar nos bairros comunitários. “Disse Ela”, da companhia Chan Meng, apresenta-se este sábado e domingo, às 20h, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCMM), no bairro de São Lázaro.

Este espectáculo remete para a história do próprio local onde se apresenta, pois o albergue foi, outrora, um abrigo para os pobres, tendo sido conhecido como “Casa dos Avós” após a II Guerra Mundial, tendo acolhido mais de 100 idosas.

No pátio situado no meio dos dois edifícios antigos apresenta-se “Disse Ela”, em que uma senhora “dança graciosamente sob as árvores, como se quisesse contar algo e partilhar o que lhe vai na mente”. Esta é uma produção de dança teatral com ligação ao ambiente que rodeia o próprio espectáculo, e que aborda “o tema da individualidade feminina, funde o movimento com canções de ópera cantonense e integra elementos musicais chineses e ocidentais”.

Na Casa do Mandarim tem lugar o espectáculo de ópera chinesa Kunqu “As Cadeiras”, da Companhia de Ópera Kunqu de Xangai. As apresentações acontecem este sábado e domingo às 17h. A dramaturgia original deste espectáculo é da autoria de Eugène Ionesco, apresentado em 1952, com o texto a ser adaptado por Yu Xiating.

“As Cadeiras” trata-se de um “espectáculo minimalista que nos leva a reflectir sobre o sentido da vida, o amor, solidão e o mundo que nos rodeia”, fazendo uma fusão entre o teatro e uma das mais antigas formas de ópera chinesa, o Kunqu, com origem na dinastia Yuan e que combina gestos, poesia, canto e dança.

A história acontece numa ilha deserta onde se encontra um casal de velhos que coloca cadeiras prontas para acolher uma série de convidados invisíveis. São eles “amigos de longa data e os primeiros amores, as suas crianças e o próprio imperador”. Surge depois um último convidado que revela ao casal que tudo aquilo não passa de uma ilusão, e que “as suas vidas foram apenas um sonho absurdo”.

“As Cadeiras” tem estado em digressão mundial, tendo estreado no Japão e passado por salas de espectáculo na China, Rússia e Albânia.

21 Mai 2024

Broadway | Teatro “Varinha Mágica Musical III” a 8 de Junho

O Teatro Broadway, no empreendimento Broadway Macau, no Cotai, acolhe a 8 de Junho, às 16h, o espectáculo de teatro musical “Varinha Mágica Musical III – Jornada das Cordas para o Oeste”, protagonizado pela Orquestra Chinesa de Macau.

O espectáculo, segundo uma nota do Instituto Cultural (IC) integra elementos de música chinesa e teatro e é constituído por um coro acompanhado de instrumentos de cordas friccionadas, uma das quatro principais categorias instrumentais da orquestra chinesa. Assim, convida-se “espectadores de diferentes faixas etárias a apreciar o charme de música chinesa de forma divertida e vívida”.

O espectáculo “Varinha Mágica Musical” é um teatro musical para famílias “muito bem acolhido pelo público”, descreve o IC, sendo que nesta apresentação em Macau o maestro será Dedric Wong, maestro residente da companhia de música Ding Yi de Singapura. Sam Lau, famoso actor de teatro musical cantonense de Hong Kong, irá também participar no espectáculo como co-realizador, argumentista e actor, bem como o grupo “Water Singers” e a actriz Lei Sam I.

Com o tribunal Kaifeng da dinastia Song como pano de fundo, os espectadores irão testemunhar, ao ritmo da música, a história do juiz Bao, famoso na história da China, que “com a sua inteligência extraordinária defendeu a justiça em julgamentos empolgantes”.

Promete-se, assim, a apresentação de um “espectáculo fascinante com várias peças musicais de diferentes estilos”, com o objectivo de “aprofundar os conhecimentos do público sobre os instrumentos de cordas friccionadas e de levar tanto pais como filhos a desfrutarem de uma viagem fantástica e lúdica de música de cordas”.

Os bilhetes já estão à venda e custam entre 150 e 200 patacas. O espectáculo é destinado a público com idade igual ou superior a três anos e tem uma duração de cerca de uma hora, sem intervalo.

20 Mai 2024

Concerto | “Chuva de Pétalas” no CCM em Junho

Está marcado para os dias 8 e 9 de Junho o espectáculo “Chuva de Pétalas, Uma Reimaginação Orquestral: Criação Híbrida da Princesa Floral”, integrado na temporada de concertos da Orquestra de Macau (OM). O evento acontece a partir das 20h no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), apresenta-se “música orquestral de grande escala” com adaptação da obra “Princesa Floral”, da autoria do dramaturgo Tong Tik-sang.

“Esta grande composição orquestral constitui uma integração interdisciplinar da ópera cantonense e da música ocidental”, descreve ainda o IC, sendo que, durante o espectáculo, serão exibidos excertos reeditados do filme “Princesa Floral”, com Yam Kim-fai e Pak Suet-sin como protagonistas. Assim sendo, apresenta-se ao público “o clássico intemporal de ópera cantonense de uma forma criativa e inovadora”.

Coube a Lee Che-yi, compositor e harpista de Taiwan, realizar o alinhamento orquestral de “Chuva de Pétalas”, sendo também o maestro do concerto interpretado pela OM. Os bilhetes para este espectáculo já estão à venda e custam entre 150 e 300 patacas.

20 Mai 2024

Fotografia | Associação propõe abordagem ao retrato em concurso

É hoje lançada oficialmente a quinta edição do concurso fotográfico anual da “Somos – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” que, desta vez, tem o retrato como tema principal. A ideia é que os candidatos apresentem imagens de pessoas que fazem parte da ideia de lusofonia

 

Uma associação de Macau lança hoje um concurso de fotografia dirigido às comunidades lusófonas que propõe uma abordagem ao retrato, com foco na “herança identitária e cultural”, disse à Lusa a presidente da Somos – ACLP.

“Em cada rosto, um legado colectivo” é o tema da 5.ª edição do concurso fotográfico da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP). A proposta para este ano vai, pela primeira vez, para a fotografia de retrato, com destaque para a “herança identitária e cultural” do universo de países ou regiões onde se fala português, explicou à Lusa Marta Pereira.

“Não é só o retrato em si, gostaríamos que as fotografias fossem além dos próprios rostos e identificassem os elementos que compõem a comunidade lusófona”, indicou. A organização desafia ainda os concorrentes a evidenciarem “os elementos distintivos que vão além dos limites geográficos e são comuns e transversais a todo o universo lusófono”, lê-se num comunicado da Somos – ACLP.

“Simultaneamente, devem ser reflectidos os elementos intergeracionais, o legado cultural, herdado e mantido pelas comunidades lusófonas, cativados em aspectos do quotidiano, tradições e costumes, ou mesmo características físicas”, afirma-se na nota.

O concurso destina-se “a todos os cidadãos dos países e regiões da lusofonia ou residentes de Macau” com trabalhos realizados em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu.

Júri lusófono

Às três imagens vencedoras vão ser atribuídos prémios no valor de dez mil patacas, cinco mil patacas e 3.500 patacas, prevendo-se ainda a atribuição de menções honrosas.

A avaliação dos trabalhos cabe a um júri de seis profissionais da fotografia, presidido pelo fotojornalista português radicado em Macau Gonçalo Lobo Pinheiro e que conta ainda com Osvaldo Silva (Angola), Maria João Gala, António Azevedo (Portugal), Paulo Salgado (Brasil) e Alan Leon (Macau).

As imagens vão integrar uma exposição da associação, em Setembro, em Macau, com curadoria de Francisco Ricarte, e que vai incluir outras fotografias seleccionadas pelo júri “pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico e para o propósito da Somos – ACLP, de projectar a dimensão cultural da lusofonia, assim como o papel de Macau enquanto plataforma que une a China e os países ou regiões de língua portuguesa”, ainda de acordo com a associação.

Para “assinalar o sucesso” da iniciativa fotográfica anual, a Somos – ACLP vai ainda editar um catálogo de fotografia que reúne as melhores imagens dos últimos cinco anos”, refere-se no comunicado.

A inscrição no concurso fotográfico é gratuita e pode ser efetuada através do formulário que se encontra no ‘site’ da associação (www.somosportugues.com) entre 20 de Maio e 20 de Junho.

20 Mai 2024

Exposição | Celebrar 60 anos de relações diplomáticas sino-francesas

Foi inaugurada ontem a Exposição de Arte Sino-Francesa que conta com obras de pintura, vídeo, instalação ou fotografia de cinco artistas. A ideia é promover os 60 anos de relações diplomáticas entre a República Popular da China e França através da exibição de trabalhos de Francisco Ricarte, João Miguel Barros ou Alice Kok

 

A China e França passaram a ter relações diplomáticas há 60 anos e, para recordar esta efeméride, pode ser vista desde ontem uma mpstra no Museu de Arte Contemporânea do Centro de Artes e Design da Universidade de Macau (UM). A Exposição de Arte Sino-Francesa é organizada também pela associação “Art Beyond Walls”, a Fusion e a Câmara de Comércio França-Macau, contando com trabalhos de cinco artistas com ligações a Macau, China e França.

São eles João Miguel Barros, fotógrafo e curador; Cecília Ho, artista e curadora desta mostra; Alice Kok, co-fundadora da AFA – Art for All Society, artista e também curadora; Lampo Leong e Francisco Ricarte, arquitecto de formação e fotógrafo.

Segundo um comunicado, esta iniciativa, ligada ao Festival French-May, visa “explorar e reinventar a fusão das duas culturas”, chinesa e francesa e “absorver a essência das duas civilizações”. Desta forma, podem ver-se “obras dinâmicas e intrigantes” à conta de inspirações baseadas “na sociedade, estilo de vida, tradições, património e conceitos históricos e filosóficos”. A exposição pode ser visitada até 31 deste mês.

Mundo de possibilidades

Cecília Ho, há muito ligada ao panorama artístico do território através da organização de eventos e curadoria, traz a esta mostra uma colecção de desenhos intitulada “Space of Possibility” [Espaço de Possibilidade]. “Com uma perspectiva artística, reinvento um novo espaço com a história, filosofia, literatura, arquitectura e cultura da China e França”, aponta Cecília Ho na descrição que faz sobre as suas obras.

Existe, nestas obras, referências a Laozi, que discute “o Daoísmo e Descartes”, ou “Victor Hugo que partilha as emoções com Su Shi quando visita a campa da sua filha”. É também criada uma relação entre Li QingZhao e Louise Ackermann “na partilha do seu sofrimento” conjunto, imaginando-se também uma união entre o Arco do Triunfo e Buda, a Torre Eiffel e a Grande Muralha da China, ou a Catedral de Notre Dame e o Templo do Céu, em Pequim.

Trata-se de uma série de trabalhos onde “não há restrições de tempo, distância, lugar, formato, razões, religião e conceitos”, tratando-se de um espaço artístico “em que tudo é possível”.

No caso de João Miguel Barros faz-se a referência a “As Flores do Mal”, livro do autor francês Charles Baudelaire, na colecção de fotografias “L’Invitation Au Voyage / Invitation To The Voyage” [Convite à Viagem].

A apresentação é feita através de imagens focadas no momento de aterragem de aviões. Trata-se de uma “alegoria que simboliza o pensamento livre, um atributo para qualquer forma de manifestação cultural”. São imagens que fazem “a alegoria da viagem, porque a cultura apenas encontra expressão quando viaja e é bem-vinda”.

Descreve ainda Barros que “um pensamento que não viaja, que fica estagnado, é um pensamento que não tem poder, estando condenado a morrer devido à falta de reconhecimento”. A inspiração em Baudelaire surgiu por se tratar “de um dos maiores poetas românticos franceses do século XIX”, sendo que o poema escolhido pelo fotógrafo faz parte da obra “As Flores do Mal”, publicada em 1857.

“Baudelaire foi um pioneiro num tempo antes do surgimento dos aviões. Mas, antes e depois dele, houve muitos artistas e pensadores-livres que, de diferentes formas e até aos dias de hoje, aproveitaram as asas do vento para viajar para leste. Macau sempre foi um céu de segurança e hospitalidade, e aqui estamos nós hoje, em 2024, a celebrar”, descreveu ainda.

Símbolos humanos

Alice Kok apresenta a instalação “Artificial Subcounscious” [Subconsciente Artificial], enquanto Francisco Ricarte traz a esta mostra “The Hand Series” [Séries das Mãos]. Descreve o autor que a mão sempre foi um símbolo da “existência humana e de criatividade”. “Quando uma mão, e o braço, se movem para um certo ponto ou para apanhar algo que está perto, pode simbolizar também a procura de algo diferente ou que está fora do nosso elemento. Isso tem como significado a representação da intenção de usar ou misturar certos objectos, culturas, formas de expressão ou influências, no meio de tantas expressões”, apontou ainda.

Por sua vez, Lampo Leong apresenta “InkScape”, um conjunto de pinturas que “incorpora a estrutura geométrica ocidental com as tradições de caligrafia do Oriente para atingir a sensibilidade da arte pós-moderna e, ao mesmo tempo, uma qualidade atmosférica etérea e as forças dinâmicas da energia da vida”.

17 Mai 2024

Fotografia | Roberto Badaraco protagoniza exposição sobre natureza de Macau

O fotógrafo macaense Roberto Badaraco é o autor da próxima exposição de fotografia patente no Auditório do Carmo, junto às Casas Museu da Taipa, com organização do Instituto Internacional de Macau (IIM). Trata-se da mostra “Natureza de Macau: Aves e Flores”, que será inaugurada no dia 5 de Junho a partir das 18h30.

Conhecido por “Bobby”, Roberto Badaraco é, desde a infância, um entusiasta da fotografia. Depois de se reformar da Polícia Judiciária, após uma carreira de mais de 30 anos, o macaense passou a dedicar-se quase inteiramente às imagens, nomeadamente fotografias sobre a natureza.

Segundo o IIM, “as flores e os pequenos insectos constituem o seu especial interesse”, sendo que “de há uma década para cá as aves têm também atraído a sua atenção”. Roberto Badaraco tem partilhado muito do seu trabalho nas redes sociais, destacando que prefere fazer fotografia para os mais próximos.

O seu trabalho já foi exposto em diversos locais, nomeadamente durante o Encontro dos Macaenses em 2016, também numa iniciativa do IIM. Esta nova exposição “pretende não só promover esta arte, na pessoa e na obra de um natural da terra, como também divulgar a rica variedade de aves que existe em Macau, de um conjunto de mais de 400 espécies, bem como as suas características distintas da natureza”.

A Fundação Macau apoia financeiramente esta iniciativa, sendo que o trabalho de identificação das espécies de aves presentes nas fotografias expostas teve o apoio do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). A exposição estará patente até ao dia 14 de Junho deste ano.

16 Mai 2024

Exposição em Lisboa mostra porcelanas criadas por Ai Weiwei

A porcelana, “o mais antigo produto artificial” do homem e que ‘sobrevive’ ao plástico, é o material de quase todas as obras do artista chinês Ai Weiwei que compõem uma exposição em Lisboa, que abriu ontem.

Intitulada “Paradigm”, a mostra vai poder ser visitada na Galeria São Roque, até 31 de Julho, e é constituída por 17 obras inspiradas na liberdade de expressão e criadas pelo artista e activista chinês, residente no concelho alentejano de Montemor-o-Novo (Évora), nos últimos anos.

Trata-se sobretudo de trabalhos em porcelana, mas a exposição integra também uma nova série de retratos com peças de LEGO, que o artista começou a usar em 2014, quando trabalhou com um material associado ao lúdico para produzir retratos de presos políticos.

Em entrevista à agência Lusa, Mário Roque, proprietário da Galeria São Roque, explicou que Ai Weiwei “é um grande coleccionador de cerâmicas, já o seu pai era”, o poeta Ai Qing (1910-1996), possuindo peças desde “a dinastia Song”, que governou a China no período de 960 a 1279.

O artista interessou-se mais por esta arte e tornou-se “um grande ceramista, domina perfeitamente a cerâmica”, frisou o mesmo responsável.

“Neste momento, tem interpretações dessas porcelanas feitas agora, já com um carácter completamente diferente, porque há sempre uma irreverência [no seu trabalho], mas poderiam ser perfeitamente [peças] do século XVI ou XVII, mas feitas por ele”, realçou Mário Roque.

Já Ai Weiwei, em declarações aos jornalistas esta semana, numa visita promovida à sua residência no Alentejo, disse interessar-se muito “pelo que aconteceu no passado” e destacou que “a porcelana é o mais antigo produto humano”.

Trata-se de “um produto artificial que atingiu uma qualidade muito elevada desde tempos muito antigos, talvez desde o tempo das cavernas, e, até hoje, ainda usamos porcelana. É claro que muitas são substituídas por plástico, mas, ainda assim, a porcelana detém uma qualidade muito especial” e está presente em muitas casas, argumentou.

Fusões e antiguidades

Destacando que a porcelana chinesa sempre teve uma qualidade muito elevada, o artista corroborou que esta mostra em Lisboa, “uma das mais pequenas exposições de sempre”, partiu do seu “interesse antigo por antiguidades” e do “laço de confiança” que criou com Marco Roque, cuja galeria visitou. “É muito irónico fazermos uma exposição de porcelanas numa galeria de antiguidades”, considerou.

Mário Roque confirmou à Lusa que a exposição “começou quase como uma brincadeira”, mas enquadra-se no foco da galeria, cujas iniciativas “têm sempre a ver com os Descobrimentos e a fusão entre os objectos de arte portugueses e desses países”.

Os portugueses foram “os primeiros importadores” de porcelana oriunda da China e, graças a isso, provocaram “uma revolução nas cerâmicas europeias”, disse.

Até então, estas eram “sempre policromadas”, mas “Portugal trouxe o branco e o azul da China”, levando a faiança portuguesa a ser “comprada e divulgada por toda a Europa e pelo mundo”. E o azul-cobalto até serviu para os azulejos portugueses, “um objecto icónico”, pelo que é clara a fusão de culturas, frisou Mário Roque.

Nascido em Pequim, na China, em 1957, Ai Weiwei tem desenvolvido o seu trabalho em instalação escultórica, cinema, fotografia, cerâmica, pintura, escrita e já expôs em instituições e bienais em todo o mundo.

16 Mai 2024

Tim Ip convidado para dar palestra sobre estética em Macau

Tim Ip, director de arte de teatro e cinema conhecido internacionalmente, é o nome convidado pelo Instituto Cultural (IC) para dar uma palestra sobre estética no próximo dia 20 de Maio a partir das 19h30 no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

O evento, intitulado “Palestra sobre Estética – Três Modelos de Futuro”, integra-se no leque de actividades do “Mês de Promoção Cultural”. Na sessão, Tim Ip, que é também designer de moda, irá partilhar “a estética oriental com o público”, descreve o IC, em comunicado.

Tim Yip tem vindo a explorar e desconstruir o conceito estético do “Novo Orientalismo”, interpretando a cultura antiga como um meio de inspirar o futuro. Ao longo dos anos, tem organizado exposições individuais e palestras em diferentes regiões. As suas criações abrangem áreas tão diversificadas como o cinema, o teatro, a arte contemporânea e a literatura, tendo passado pela China, Áustria, França, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Japão e Israel. Na palestra, o professor Yip irá apresentar, através dos “Três Modelos de Futuro”, obras artísticas suas de diferentes fases e multidimensões, bem como o contexto de desenvolvimento da criação artística e a extensão do seu pensamento.

Prémios no cinema

Tim Yip já foi bastante premiado pelo trabalho desenvolvido na área do cinema, tendo ganho um óscar para “Melhor Direcção de Arte” pelo filme “Crouching Tiger, Hidden Dragon”, tendo obtido também o prémio da Academia Britânica de Cinema e Televisão para Melhor Design de Guarda-roupa. Desta forma, tornou-se no primeiro artista chinês a obter estas distinções.

O artista participou ainda em outras produções cinematográficas como artista de arte, coordenador do guarda-roupa ou director artístico, nomeadamente “A Better Tomorrow”, “Rouge”, “Red Cliff”, “The Banquet” e “FengShen Trilogy”, tendo conquistado vários prémios internacionais.

As inscrições para a palestra arrancaram na terça-feira, podendo ser feitas através da plataforma da Conta Única. A língua utilizada na palestra será o cantonense, existindo tradução em simultâneo para português. As inscrições terminam amanhã.

16 Mai 2024

FRC | Académico de HK apresenta estudos sobre os primeiros mapas chineses

“Mapeando a China e Mapeando o Mundo” é o nome da palestra que acontece hoje na Fundação Rui Cunha, a partir das 19h, e que conta com a presença de Marco Caboara, professor de cartografia da Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong. O autor irá falar dos primeiros mapas ocidentais da China e dos estudos que tem desenvolvido nessa área

 

Decorre hoje, na Fundação Rui Cunha (FRC), a partir das 19h, a palestra “Mapping China and Mapping the World”, com a presença do académico Marco Caboara, professor de História da Cartografia e da Ciência na Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong (HKUST). Esta conferência integra-se no “Ciclo de Palestras Públicas de História e Património”, que fazem parte da agenda habitual da FRC e que acontecem em parceria com o Departamento de História e Património da Universidade de São José.

Marco Caboara, que até muito recentemente foi curador da colecção de mapas ocidentais antigos da China na biblioteca da HKUST, vai falar sobre a influência mútua dos mapas europeus e ocidentais na criação dos primeiros mapas europeus da China e dos primeiros mapas chineses do Mundo.

O foco de a palestra será o mapa de Mateus Ricci de 1602, sendo que o autor irá também falar do seu mais recente livro, intitulado “Regnum Chinae: The Printed Western Maps of China to 1735” [Regnum Chinae: Os Mapas Ocidentais Impressos da China até 1735], uma edição da Brill. Além disso, a conferência irá ainda abordar os estudos mais recentes deste autor, incluídos na obra “Remapping the World from East Asia: Towards a Global History of the ‘Ricci Maps’”, publicado pela University of Hawaii Press em Fevereiro deste ano.

Origens italianas

Segundo um comunicado da FRC, Marco Caboara é natural de Génova, Itália, um lugar “onde a prisão que viu Marco Pólo escrever o seu ‘Il Milione’ fica a uma curta caminhada da casa de Cristóvão Colombo”. Trata-se, portanto, de origens ligadas a figuras pioneiras na descoberta do mundo e que contribuíram para o seu mapeamento, o que incentivou o académico a seguir essa área de estudos.

Marco Caboara “cultivou desde cedo um interesse por viagens e, especialmente, pela relação entre a Europa e a China”, refere a sua biografia, tendo estudado História, Linguística e Chinês na Scuola Normale Superiore de Pisa, na Universidade de Pequim e na City University de Hong Kong.

Além disso, fez o doutoramento na Universidade de Washington, Seattle, com um estudo sobre as características linguísticas dos manuscritos clássicos de bambu chineses. Recentemente, concluiu a cartobibliografia abrangente dos mapas ocidentais da China de 1580 a 1735, publicada pela Brill, e está agora a trabalhar com manuscritos chineses e mapas impressos produzidos durante o mesmo período.

16 Mai 2024