Sondagem | Putin e Trump são os líderes menos apreciados por portugueses

Os presidentes da Federação Russa e dos Estados Unidos da América (EUA) são os responsáveis políticos mundiais com maior taxa de rejeição entre os portugueses, segundo um estudo de opinião da Intercampus.

O líder do Kremlin, Vladimir Putin, viu a sua acção política condenada por 83 por cento dos inquiridos, enquanto o ‘inquilino’ da Casa Branca, Donald Trump, mereceu apreciação negativa por parte de 70 por cento.

O primeiro lugar destacado de Putin no ranking da impopularidade é ainda mais visível noutros países europeus: Suécia (95 por cento), Dinamarca (96 por cento), Noruega (94 por cento), Finlândia (92 por cento) e Países Baixos (85 por cento).

Pelo contrário, o papa Leão XIV foi a única personalidade internacional com um índice de aprovação claramente positivo, com 64 por cento da amostra portuguesa que respondeu ao inquérito a ter opinião algo ou muito favorável do chefe da Igreja Católica.

O director-geral da empresa portuguesa que realizou a sondagem de opinião de um consórcio internacional efectuada em 61 países de todo o Mundo, António Salvador, concluiu que o retrato “é o de uma opinião pública cada vez mais exigente na avaliação do poder político global”.

Segundo a Intercampus, foram inquiridas 64.097 pessoas e, em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa de cerca de mil homens e mulheres, entre Outubro e Dezembro, nas modalidades presencial, via telefone ou através da Internet e a margem de erro estimada foi de 03 a 05 por cento, num nível de confiança de 95 por cento.

4 Fev 2026

Fortes nevões no Japão causam pelo menos 30 vítimas mortais nas últimas duas semanas

Fortes nevões mataram 30 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, incluindo uma mulher de 91 anos encontrada soterrada na neve em frente à sua casa, anunciaram ontem as autoridades. A maioria das mortes, 12, ocorreu na província de Niigata, na região central do arquipélago.

Outras 324 pessoas ficaram feridas em todo o país, algumas com gravidade, enquanto nove mortes, possivelmente relacionadas com a neve, ainda não foram oficialmente registadas, aguardando investigação.

O Governo japonês mobilizou militares para auxiliar os residentes da província de Aomori, a zona mais atingida, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. A primeira-ministra Sanae Takaichi convocou ontem uma reunião de emergência do seu gabinete, instando os ministros a fazerem todo o possível para proteger vidas.

Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. De 20 de janeiro até ontem, 30 pessoas morreram na sequência do mau tempo, segundo a Agência Japonesa de Gestão de Incêndios e Desastres.

Entre elas estava Kina Jin, de 91 anos, cujo corpo foi encontrado debaixo de três metros de neve, em frente à sua casa em Aomori, no norte de Honshu, a maior ilha do arquipélago, disse um agente da polícia local à agência de notícias France-Presse.

A polícia acredita que foi soterrada pela neve que caiu do telhado e morreu por asfixia, disse o agente. Uma pá foi encontrada junto ao corpo. O governador de Aomori, Soichiro Miyashita, disse na segunda-feira que pediu ao exército que oferecesse assistência em caso de desastre e ajudasse os idosos a limpar a neve das suas casas.

Paredes de neve que atingem os 183 centímetros de altura cobrem o solo na capital da província — também chamada Aomori —, acrescentou Miyashita, referindo que as equipas de remoção de neve estavam sobrecarregadas.

“O risco de acidentes potencialmente fatais, por exemplo, devido à queda de neve dos telhados ou ao colapso de edifícios, é iminente”, alertou o governador, em conferência de imprensa.

Sobe e desce

As autoridades meteorológicas esperam que as temperaturas subam ligeiramente a partir de hoje, mas voltem a descer durante o fim de semana em todo o arquipélago. A neve poderá regressar à costa do mar do Japão já no domingo, o mesmo dia em que o país realiza eleições gerais antecipadas.

A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada.

De acordo com as sondagens mais recentes, Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições em Fevereiro.

4 Fev 2026

Visita | Xi defende mundo multipolar e globalização inclusiva em encontro com PR do Uruguai

A viagem do Presidente uruguaio à China fica assinalada pela assinatura de vários acordos e o reforço das relações entre as duas nações

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem à promoção de um mundo “multipolar e equitativo” e a uma “globalização económica inclusiva”, durante um encontro com o homólogo uruguaio, Yamandú Orsi, no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

Durante a reunião, Xi reafirmou que a China “atribui sempre grande importância às relações com a América Latina” e reiterou o apoio de Pequim aos países da região “na defesa dos seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento”.

“A China está disposta a trabalhar com o Uruguai e os países latino-americanos para promover de forma profunda e substancial a construção de uma comunidade de futuro partilhado China – América Latina”, declarou, segundo a transcrição divulgada pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês.

O líder chinês manifestou ainda o apoio à actuação do Uruguai em fóruns multilaterais, como a presidência rotativa do Grupo dos 77 e China, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Mercosul.

Xi enquadrou estas declarações num cenário internacional de “complexidade e turbulência crescentes”, com o aumento de práticas unilaterais e de pressão entre Estados, uma posição recorrente no discurso diplomático chinês.

O líder chinês defendeu o reforço do multilateralismo, do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e de uma globalização “inclusiva e benéfica para todos”, como princípios que devem nortear a cooperação entre países em desenvolvimento.

Entre amigos

No plano bilateral, Xi apelou ao aprofundamento da parceria estratégica integral entre a China e o Uruguai, com reforço do apoio mútuo em assuntos centrais e ampliação da cooperação nas áreas do comércio, agricultura, infraestruturas, finanças e tecnologias de informação.

O líder chinês mencionou ainda oportunidades em sectores emergentes como desenvolvimento verde, economia digital, inteligência artificial e energias limpas, além de destacar a importância dos intercâmbios culturais, educativos e entre governos locais.

Orsi elogiou os avanços da China nas últimas décadas e afirmou que a relação bilateral atravessa o seu “melhor momento histórico”, sublinhando que o fortalecimento dos laços com Pequim é uma política de Estado, com apoio transversal no Uruguai.

O Presidente uruguaio manifestou vontade de aprofundar a cooperação com o país asiático em áreas económicas, científicas e tecnológicas e reiterou o apoio ao princípio de ‘Uma Só China’.

Parceiro principal

Após o encontro, os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de mais de uma dezena de acordos e emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica integral, quando se assinala o 38.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países.

A China é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Uruguai, representando cerca de 26 por cento das exportações do país, sobretudo de produtos agroindustriais.

A agenda de Orsi em Pequim inclui ainda encontros com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo), Zhao Leji, antes de seguir viagem para Xangai, onde terá compromissos de carácter económico e comercial.

4 Fev 2026

PC Chinês e oposição taiwanesa defendem “nação comum” e rejeitam confronto

Responsáveis do Partido Comunista Chinês e do principal partido da oposição em Taiwan concordaram ontem que os povos de ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma nação e rejeitaram um cenário de confronto.

“Embora a China continental e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, os povos de ambos os lados pertencem à mesma nação, são descendentes do imperador Yan e do imperador Amarelo, e devem apoiar-se mutuamente e cooperar para revitalizar a China”, afirmou o vice-presidente do Kuomintang (KMT), Hsiao Hsu-tsen, citado pela agência de notícias oficial taiwanesa CNA.

“O confronto ou mesmo o conflito entre as duas margens do Estreito não serve os interesses do povo taiwanês, nem os interesses comuns de ambos os povos, muito menos os interesses gerais da nação chinesa”, acrescentou.

Também o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Song Tao, defendeu que a situação actual é “complexa e grave” e sublinhou que o Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT têm uma “responsabilidade inelutável” de promover o “desenvolvimento pacífico” das relações através do diálogo.

Song reiterou ainda a “firme oposição” de Pequim à independência de Taiwan, afirmando que não haverá “tolerância nem mão branda” face ao secessionismo.

Todos juntos

As declarações foram proferidas durante um fórum realizado ontem em Pequim, promovido por institutos de investigação associados aos dois partidos, e que marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o PCC e o KMT após quase uma década de interrupção, informou a televisão estatal chinesa CCTV.

Participaram no evento representantes partidários, especialistas, académicos e empresários, que discutiram temas como turismo, indústria, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de “deliberar em conjunto sobre o rumo das relações” e “promover o bem-estar das populações de ambos os lados do Estreito”.

A delegação do KMT foi liderada por Hsiao Hsu-tsen e pelo vice-presidente da Fundação de Política Nacional, Lee Hong-yuan. Estão previstas outras visitas e encontros em Pequim, segundo a CCTV, que não avançou pormenores.

O fórum é visto como um possível passo preparatório para uma eventual reunião, ainda este semestre, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova líder do KMT, Cheng Li-wun.

4 Fev 2026

Segurança | Proibidas maçanetas embutidas em carros a partir de 2027

A China vai proibir, a partir de 2027, a venda de veículos equipados unicamente com pegas embutidas na carroçaria, populares por razões estéticas, mas consideradas perigosas em caso de acidente, anunciou o Governo chinês.

Estas maçanetas, comuns em muitos veículos eléctricos vendidos no país, têm ganho popularidade ao longo da última década pelo seu design aerodinâmico e minimalista. No entanto, podem tornar-se um risco mortal se o sistema eléctrico falhar, impedindo a abertura manual das portas.

Segundo as novas regras divulgadas na segunda-feira pelo ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação, os veículos vendidos no mercado chinês deverão, a partir de 01 de Janeiro de 2027, estar obrigatoriamente equipados com mecanismos mecânicos de abertura, tanto exteriores como interiores.

Os modelos já homologados terão um prazo adicional de dois anos para se adaptarem à nova norma, indicou o ministério, sublinhando que a medida visa “melhorar o nível de segurança”.

A decisão surge na sequência de crescente preocupação na China com a segurança destas maçanetas embutidas. Um caso mediático ocorreu em Outubro, quando os socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo eléctrico da marca Xiaomi que se incendiou após um acidente em Chengdu, no sudoeste do país. O condutor, que estaria alcoolizado, morreu no local.

As novas regras determinam ainda que os fabricantes reforcem a visibilidade das maçanetas interiores, exigindo sinalização obrigatória dentro do veículo. A China é actualmente o maior mercado mundial de veículos elétricos, com dezenas de construtores a operar no sector e a expandir as suas actividades para o exterior.

Segundo estatísticas divulgadas em Janeiro, o fabricante chinês BYD ultrapassou, pela primeira vez, a norte-americana Tesla em vendas anuais de veículos eléctricos em 2025, tornando-se o maior produtor mundial deste segmento.

4 Fev 2026

Moeda | Xi Jinping quer renmimbi com estatuto de divisa de reserva mundial

Xi quer que o renmimbi deixe de ser visto como uma “moeda grande” e passa a ser usado como uma “moeda forte”

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que a China deve construir uma “moeda forte” com utilização alargada no comércio internacional, investimento e mercados cambiais, capaz de atingir o estatuto de divisa de reserva global.

O apelo consta de trechos de um discurso proferido por Xi em 2024, divulgados no fim de semana pela Qiushi, a principal revista teórica do Partido Comunista Chinês.

Na intervenção dirigida a quadros provinciais e ministeriais, Xi traçou os atributos essenciais de uma potência financeira: uma base económica sólida, força tecnológica de topo, instituições financeiras competitivas, centros financeiros internacionais influentes e uma moeda credível e amplamente utilizada.

“A economia da China já se encontra entre as maiores do mundo em activos bancários, reservas cambiais e dimensão dos mercados de capitais, mas continua a ser ‘grande, mas não forte’”, afirmou o líder chinês, sublinhando que transformar o país numa potência financeira será uma tarefa de longo prazo.

A divulgação do discurso surge num momento em que Pequim intensifica os esforços para internacionalizar o renmimbi e reforçar a sua estabilidade, numa conjuntura marcada por incerteza nos mercados globais e crescentes dúvidas sobre a força do dólar norte-americano.

Nos últimos meses, a moeda chinesa tem-se mantido relativamente firme face ao dólar, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, analistas como o banco de investimento Goldman Sachs consideram que o renmimbi permanece subvalorizado – até 25 por cento abaixo do seu valor justo, segundo um relatório de Janeiro.

A posição de Pequim é de cautela: o banco central prefere uma moeda estável, mas evita valorizações rápidas. Apesar disso, a utilização internacional do renmimbi continua limitada. A compensação diária de pagamentos transfronteiriços ronda os 100 mil milhões de dólares, muito abaixo dos cerca de dois biliões movimentados pelo sistema interbancário em dólares.

 

Sinais de avanço

Um sinal recente da expansão do uso do renmimbi foi dado pela Zâmbia, que começou, em Janeiro, a cobrar impostos e dividendos a empresas mineiras chinesas directamente em moeda chinesa, canalizando-a depois para o financiamento de importações e pagamento de dívida a Pequim.

Especialistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post afirmaram que a decisão reflecte, sobretudo, a necessidade urgente da Zâmbia de mitigar a escassez de dólares e gerir melhor a sua dívida. No entanto, representa também um avanço silencioso na estratégia chinesa de promover o renmimbi como alternativa em países com forte dependência comercial da China.

“Ao aceitar a moeda do seu maior credor e parceiro comercial, o governo dá um passo racional para reduzir custos de transação e aliviar pressões na balança de pagamentos”, comentou Charles Mak, docente da Universidade de Bristol.

Xi defendeu que uma verdadeira potência financeira requer, além de estabilidade macroeconómica, “um sistema legal sólido, regulamentação eficaz e um número suficiente de profissionais financeiros com elevada competência”. Acrescentou ainda que o país deve “melhorar continuamente a capacidade de regular os mercados, prevenir riscos sistémicos e manter a estabilidade financeira global”.

3 Fev 2026

Reino Unido e Japão reforçam cooperação em defesa e segurança

O Reino Unido e o Japão chegaram sábado a acordo para reforçar a cooperação em defesa e segurança, num contexto de crescentes tensões geopolíticas, após uma visita de Keir Starmer à China criticada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

O primeiro-ministro britânico anunciou em Tóquio ter alcançado um entendimento com a sua homóloga japonesa, Sanae Takaichi, para aprofundar a parceria bilateral nos próximos anos, abrangendo a segurança colectiva nas regiões euro-atlântica e indo-pacífica.

“Definimos claramente como prioridade aprofundar ainda mais a nossa parceria nos próximos anos”, declarou Keir Starmer ao lado de Sanae Takaichi, no final de uma reunião no Japão.

“Isso implica trabalharmos em conjunto para reforçar a nossa segurança colectiva, tanto no espaço euro-atlântico como na região indo-pacífica”, acrescentou.

Os dois líderes deverão aprofundar a questão da “cooperação com vista à concretização de uma região Indo-Pacífica livre e aberta, bem como a situação no Médio Oriente e na Ucrânia”, indicou Sanae Takaichi.

A primeira-ministra japonesa precisou ainda que Londres e Tóquio acordaram a realização, ainda este ano, de uma reunião entre os seus ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.

No plano da segurança económica, Londres e Tóquio concordaram na importância de reforçar as cadeias de abastecimento entre países com valores comuns, nomeadamente no acesso a matérias-primas críticas como as terras raras, essenciais para sectores estratégicos.

Paralelamente, Starmer e Takaichi anunciaram uma nova aliança estratégica nos domínios da cibersegurança, da energia eólica e da energia nuclear, com o objectivo de impulsionar o crescimento económico e a resiliência industrial, incluindo a diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos.

O primeiro-ministro britânico destacou ainda o potencial de cooperação na energia eólica ‘offshore’ – em águas profundas – e na energia nuclear, enquanto o Japão tem vindo a reforçar o peso desta última no seu mix energético para reduzir a dependência de importações e cumprir metas de descarbonização.

Oriente concorrido

A visita de um dia ao Japão ocorreu após uma deslocação de quatro dias à China, onde Starmer se reuniu com o Presidente Xi Jinping e outros dirigentes chineses.

Nas últimas semanas, dirigentes franceses, canadianos e finlandeses deslocaram-se em grande número a Pequim, indignados com a tentativa de Donald Trump de se apoderar da Gronelândia e com as suas ameaças de imposição de direitos aduaneiros contra os aliados da NATO.

Na quinta-feira, o Presidente norte-americano advertiu que era “muito perigoso” para Londres lidar com a China.

Declarações que Keir Starmer desvalorizou, sublinhando que Donald Trump também deverá deslocar-se à China nos próximos meses.

Paralelamente, as relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se após declarações de Sanae Takaichi, em Novembro, que deixaram entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque chinês contra Taiwan.

2 Fev 2026

Pequim reage a decisão sobre portos no Panamá e promete tomar medidas

A China afirmou sexta-feira que tomará “todas as medidas necessárias” para proteger os interesses das suas empresas, após o Supremo Tribunal do Panamá anular a concessão portuária atribuída à subsidiária do grupo de Hong Kong CK Hutchison.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun recordou que a empresa afectada já se pronunciou sobre o caso e que considera a decisão judicial panamiana “contrária à base legal” sob a qual os direitos de concessão foram aprovados.

“A CK Hutchison reserva todos os seus direitos, incluindo o recurso à via judicial”, afirmou o porta-voz, acrescentando que “o Governo chinês tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.

Guo Jiakun evitou comentar o conteúdo do acórdão ou as decisões do sistema judicial panamiano.

Na quinta-feira, o Supremo Tribunal do Panamá declarou inconstitucional a renovação, em 2021, da concessão de 25 anos atribuída à Panama Ports Company para operar os portos localizados nas duas extremidades do Canal do Panamá.

A decisão seguiu-se a uma auditoria que apontou graves irregularidades, pagamentos em falta, erros contabilísticos e até a existência de uma alegada “concessão fantasma” em operação desde 2015. As autoridades panamianas estimam perdas de 300 milhões de dólares desde a renovação do contrato e um total de 1,2 mil milhões de dólares ao longo da vigência do contrato original, iniciado em 1997.

A decisão judicial não especifica, para já, o destino das operações portuárias afectadas.

Donald ataca

A questão tornou-se altamente sensível a nível geopolítico. A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, fez da contenção da influência chinesa sobre o Canal do Panamá uma prioridade estratégica na região. O actual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escolheu o Panamá como primeira deslocação internacional no cargo, sinalizando a importância do dossiê para Washington.

Apesar das garantias do Governo panamiano e da Autoridade do Canal de que a China não interfere na operação da infraestrutura, Rubio reiterou que o controlo dos portos constitui uma questão de segurança nacional para os EUA. Trump chegou mesmo a declarar publicamente que o Panamá deveria “devolver o canal aos Estados Unidos”.

Em paralelo, a CK Hutchison anunciou no ano passado um acordo para vender a sua participação maioritária nos portos panamianos – e noutros activos internacionais – a um consórcio que inclui a norte-americana BlackRock Inc., mas o negócio terá sido travado devido à oposição do Governo chinês.

2 Fev 2026

Cuba | Pequim condena medidas dos EUA contra abastecimento energético

Donald Trump lançou mais um ataque contra a ilha ameaçando impor ou aumentar tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, país que já sofre há anos com o embargo norte-americano

A China expressou sexta-feira o seu apoio a Cuba e condenou as medidas adoptadas pelos Estados Unidos contra o fornecimento de petróleo à ilha, considerando que priva a sua população do direito ao desenvolvimento.

O portavoz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que Pequim “apoia firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania e segurança nacionais” e se opõe à “ingerência externa” e a “práticas inumanas que privam o povo cubano do direito à sobrevivência e ao desenvolvimento”.

As declarações de Pequim surgem após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que permite impor tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, enquadrando a situação em Havana como uma “ameaça extraordinária” para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos.

A ordem confere aos departamentos do Comércio e de Estado dos EUA poderes para determinar que países podem ser alvo de taxas alfandegárias, num contexto em que Washington apontou China, Rússia e Irão entre os actores com ligações energéticas a Cuba.

Pequim evitou comentar eventuais impactos concretos destas medidas nas relações comerciais com os Estados Unidos, mas reiterou o seu veto às sanções unilaterais e a qualquer política de pressão que, na sua perspectiva, agrave a situação humanitária na ilha.

Derrubar barreiras

A China tem defendido de forma reiterada o levantamento do embargo económico dos EUA a Cuba e criticado o uso de sanções como instrumento de política externa, instando Washington a pôr fim às barreiras que, segundo Pequim, impedem o desenvolvimento do povo cubano e minam a paz e a estabilidade regional.

Nos últimos anos, os dois países têm mantido cooperação em áreas como assistência financeira e fornecimento de bens essenciais, e, segundo analistas, Cuba revendia parte do petróleo subvencionado que recebia da Venezuela, ajuda energeticamente essencial para o funcionamento da ilha, situação que se complicou após a intervenção dos EUA na Venezuela em Janeiro.

2 Fev 2026

Visita | Starmer defende “parceria estratégica e de longo prazo” com a China

A visita do primeiro-ministro britânico à China visa relançar as relações entre os dois países e projectar parcerias sólidas para os próximos anos
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu que Londres e Pequim “precisam de uma parceria estratégica, consistente e de longo prazo”, na sua primeira visita oficial à China, que visa reatar relações bilaterais e reforçar laços económicos.
Na primeira deslocação de um chefe de Governo britânico ao país asiático em oito anos, Starmer defendeu a construção de uma relação “consistente, estratégica e abrangente” com Pequim.
“A China é um actor vital à escala global. O Reino Unido e a China precisam de uma parceria de longo prazo”, disse Starmer ao Presidente chinês, Xi Jinping, sublinhando a importância de trabalhar em conjunto em áreas como a estabilidade global, o crescimento económico e as alterações climáticas.
Xi Jinping reconheceu que as relações bilaterais “passaram por altos e baixos” nos últimos anos, o que “não serviu os interesses de ambos os países”.
Antes do encontro com Xi, Starmer foi recebido pelo presidente da Assembleia Nacional Popular chinesa, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. O líder britânico classificou a visita como “histórica” e disse esperar “dias produtivos” de diálogo sobre segurança global e cooperação económica.
A visita inclui também um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, com quem deverá presidir à assinatura de vários acordos bilaterais centrados em áreas como energias limpas, saúde, indústrias criativas e fabrico inteligente, segundo o ministério do Comércio da China.
A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido, com um saldo favorável de 42 mil milhões de libras para Pequim, segundo dados do Departamento de Comércio britânico.
Starmer chegou à China acompanhado de membros do seu gabinete e de uma comitiva de cerca de 60 empresários e representantes culturais, incluindo executivos do HSBC, da farmacêutica GSK e das construtoras automóveis Jaguar e Land Rover.

Novo ciclo
O objectivo declarado da visita é reforçar os laços económicos e atrair investimento estrangeiro num momento em que a economia britânica enfrenta dificuldades. Fontes de Downing Street indicaram também que Londres procura discutir com as autoridades chinesas a renovação das instalações da sua embaixada em Pequim e temas como a imigração ilegal.
A visita de Starmer insere-se num novo ciclo de contactos diplomáticos com Pequim por parte de aliados ocidentais. Só este mês, a capital chinesa recebeu os líderes da Coreia do Sul, Canadá e Finlândia, e o chanceler alemão deverá visitar a China em Fevereiro.
Esta reaproximação coincide com o arrefecimento das relações de várias capitais com Washington, após a chegada ao poder de Donald Trump.

1 Fev 2026

PCC | Relações entre China e Reino Unido devem ser vistas na perspectiva global

A visita do primeiro-ministro britânico à China deu o mote para o editorial do Global Times, onde se destaca que o aprofundamento das relações entre as duas nações poderá ser um contributo significativo para a paz e estabilidade global

 

Um jornal do Partido Comunista Chinês defendeu ontem que as relações entre China e Reino Unido devem ser vistas de uma perspectiva global, para além da visão bilateral, no início da visita a Pequim do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

“O fortalecimento de uma relação estável e previsível entre os dois países poderá contribuir não apenas para os interesses nacionais de ambas as partes, mas também para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento a nível global”, apontou o Global Times, em editorial.

O jornal citou as declarações recentes do Presidente chinês, Xi Jinping, proferidas durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, nas quais o chefe de Estado chinês sublinhou que, perante um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e incerteza económica, a comunidade internacional deve reforçar a coordenação.

Segundo Xi, os principais países devem assumir um papel de liderança responsável, promovendo a igualdade entre Estados, o respeito pela ordem internacional, a cooperação e a integridade nas relações internacionais.

De acordo com o Global Times, estes princípios são igualmente aplicáveis às relações entre a China e o Reino Unido, defendendo o título que, apesar das diferenças políticas, ideológicas e estratégicas existentes, ambos os países dispõem de bases sólidas para aprofundar a cooperação.

O jornal sustentou que o reconhecimento das divergências, aliado a uma gestão adequada dos desacordos e ao reforço do diálogo, é essencial para garantir um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Áreas de interesse

O editorial destacou que a China e o Reino Unido mantêm interesses comuns em diversas áreas, incluindo comércio, investimento, finanças, ciência e tecnologia, educação e combate às alterações climáticas, e sublinhou que uma relação construtiva entre Pequim e Londres poderá desempenhar um papel positivo mais amplo no sistema internacional.

“A cooperação entre grandes economias é um factor importante para enfrentar desafios globais comuns, como a transição energética, a segurança alimentar, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, apontou.

O jornal considerou que a confrontação e a lógica de blocos não oferecem soluções eficazes para os problemas globais actuais e manifestou a expectativa de que delegações britânicas que visitem a China possam transmitir ao Reino Unido e a outras sociedades ocidentais uma percepção mais directa da realidade chinesa.

Segundo o Global Times, os visitantes terão contacto com um país “aberto, inclusivo e dinâmico”, defendendo que essa experiência “poderá contribuir para reduzir mal-entendidos e percepções consideradas distorcidas sobre a China no Ocidente”.

Mais perto

A visita de Starmer ocorre num momento de reajustamento da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.

Nos últimos anos, o Reino Unido tem manifestado preocupações relativamente a questões como direitos humanos, Hong Kong ou Taiwan, posições que têm sido rejeitadas por Pequim como ingerência nos seus assuntos internos.

“A estabilidade das relações sino-britânicas depende da capacidade de ambas as partes evitarem a politização excessiva das relações económicas e de resistirem a pressões externas que possam comprometer a cooperação bilateral”, afirmou o editorial.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre desde ontem e até sábado.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai.

29 Jan 2026

Diplomacia | Pequim recebe Starmer com boas expectativas sobre as relações com Londres

O primeiro-ministro inglês está de visita à China esta semana. A primeira viagem, em oito anos, de um líder britânico ao país reflecte uma maior aproximação entre as duas nações face à instabilidade internacional

 

A China destacou ontem a necessidade de reforçar a “confiança política” e aprofundar a cooperação com o Reino Unido, face à visita oficial que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, realizará ao país asiático esta semana.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, afirmou em conferência de imprensa que Pequim está disposta a aproveitar a viagem para “melhorar a confiança política mútua”, aprofundar a cooperação prática e “abrir um novo capítulo” no desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Guo lembrou que o Presidente chinês, Xi Jinping, manteve uma conversa telefónica com Starmer em Agosto de 2024 e reuniu-se com ele em Novembro durante a cimeira do G20 no Rio de Janeiro, contactos que “colocaram as relações bilaterais no caminho da melhoria”.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre entre quarta-feira e sábado.

O porta-voz da diplomacia chinesa sublinhou que a China e o Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm interesses comuns em manter a comunicação e reforçar a cooperação num cenário internacional marcado pela instabilidade.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai. Segundo Guo, ambas as partes abordarão as relações bilaterais e assuntos de interesse comum.

Quente e frio

O porta-voz destacou ainda que o actual governo trabalhista britânico manifestou a sua vontade de desenvolver uma relação “coerente, duradoura e estratégica” com a China e de promover o diálogo e a cooperação entre os dois países.

Questionado sobre informações relativas a um possível endurecimento do escrutínio britânico sobre as actividades chinesas no Reino Unido, Guo limitou-se a reiterar que reforçar os intercâmbios, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação “responde aos interesses de ambos os países e do mundo”.

A visita de Starmer ocorre num momento de reajuste da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o arrefecimento das relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.

28 Jan 2026

China | Cidadãos aconselhados a evitarem viajar para o Japão

O Governo chinês aconselhou ontem os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão a curto prazo por motivos de segurança, uma recomendação emitida num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países.

A mensagem foi divulgada na conta oficial na rede social WeChat da divisão consular do ministério, que alertou que “as condições de segurança pública no Japão têm sido instáveis recentemente”, com “frequentes casos de actos ilegais e criminosos dirigidos a cidadãos chineses”.

O comunicado acrescentou que “em algumas áreas ocorreram vários sismos que causaram feridos” e que o Governo japonês emitiu avisos sobre a possível ocorrência de “nova actividade sísmica e desastres secundários”, o que, segundo Pequim, implica que os cidadãos chineses no Japão enfrentam “graves riscos para a sua segurança”.

Nesse contexto, e perante a proximidade das férias do Ano Novo Lunar, o ministério dos Negócios Estrangeiros e as embaixadas e consulados chineses no Japão “aconselham os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão num futuro próximo”.

O aviso surge num contexto de deterioração das relações bilaterais, marcado nas últimas semanas por uma acumulação de fricções diplomáticas e económicas entre Tóquio e Pequim.

Entre os principais focos de tensão figuram as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual cenário de intervenção militar no Estreito de Taiwan, que provocaram uma dura reacção da China, assim como uma série de medidas comerciais adoptadas por Pequim, como o reforço dos controlos à exportação de produtos de uso duplo com destino ao Japão e a abertura de uma investigação ‘antidumping’ sobre um químico japonês essencial para o fabrico de semicondutores.

27 Jan 2026

Timor-Leste | Número de professores portugueses bate recorde em 2026

O número de professores portugueses a leccionar nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar em Timor-Leste (Escolas CAFE) vai atingir este ano o recorde de 145 docentes, disse ontem o embaixador de Portugal em Díli.

“No quadro das escolas CAFE vamos ter em 2026 um número sem precedentes de professores aqui em Timor-Leste. Em 2026, vamos atingir o número de 145 professores portugueses a leccionar em Timor-Leste ao abrigo do programa CAFÉ”, disse Duarte Bué Alves.

Duarte Bué Alves falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio da Presidência, em Díli.

Segundo o diplomata, o primeiro grupo de professores chegou no sábado e até ao início de Fevereiro vai atingir-se “um número recorde e sem precedentes de 145 professores portugueses”, que se vão juntar aos cerca de 200 professores timorenses, que também leccionam nas Escolas CAFE.

Duarte Bué Alves disse também que este ano se prevê iniciar a expansão e alargamento do projeto.

“O CAFE já está em 14 municípios e agora queremos ir mais além e penso que em 2026 estaremos em condições de crescer para além dessas 14 escolas”, salientou.

Pilares de qualidade

O projecto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE teve início em 2014 e já está presente nos 14 municípios timorenses, prevendo-se a extensão daqueles estabelecimentos de ensino para os postos administrativos do país.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, actualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses.

Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

O ano lectivo em Timor-Leste começa em Janeiro e termina em Dezembro.

Portugal e Timor-Leste assinaram, em 2024, o Programa Estratégico de Cooperação (PEC) para o período entre 2024 e 2028 com um valor de 75 milhões de euros e mais dois acordos relativos à reabilitação de património e infraestruturas.

Sobre o encontro com o Presidente José Ramos-Horta, Duarte Bué Alves afirmou que foram discutidos vários assuntos, entre as quais a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) por Timor-Leste e a crise na Guiné-Bissau.

27 Jan 2026

Empréstimos a África caem para metade em 2024

Angola foi o principal destinatário dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares, num ano em que o financiamento chinês ao continente caiu 50%, revelou um estudo. Os dados, divulgados esta semana num estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre, revelam uma redução de quase 50% no financiamento chinês ao continente face a 2023 e confirmam a tendência de concentração em poucos países, com Luanda a liderar.

A queda global insere-se numa reorientação estratégica de Pequim, que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos.

Energia, estradas e portos

No caso angolano, os fundos em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão elétrica (641 milhões de euros) e a um projeto de infraestruturas perto de Luanda que abrange imobiliário, estradas e um porto (582 milhões de euros).

Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) em empréstimos chineses, representando mais de um quarto do total do continente.

A par da redução do volume, destaca-se a transição do dólar para o yuan nos financiamentos. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infraestruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares.

“O que estamos a ver não é uma retirada, mas uma calibração”, afirmou Mengdi Yue, investigadora do centro, sublinhando que a mudança reflecte “lições aprendidas sobre sustentabilidade da dívida e gestão de risco”.

Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egito – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares.

O estudo alerta, no entanto, para a ausência de investimento em energia verde. “Estamos curiosos para ver se os empréstimos soberanos, juntamente com o comércio e o investimento direto, ainda apoiam a transição verde em África”, apontou Mengdi Yue.

Os investigadores sugerem que o apoio futuro poderá passar do financiamento direto para áreas como estudos de pré-viabilidade, de modo a fomentar o ecossistema de energia limpa e atrair investimento privado.

“À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os novos instrumentos financeiros da China podem definir uma fase mais selectiva do seu envolvimento com África”, previu o relatório.

27 Jan 2026

Pequim retira apoio estatal aos mercados de valores para conter a euforia bolsista

A agência Bloomberg noticiou ontem que os fundos e instituições estatais usados por Pequim para injectar capital nos mercados de valores, para os estabilizar, parece estar agora a liquidar investimentos para refrear a euforia bolsista.

Estimativas da Bloomberg indicam que a Huijin Investment, subsidiária do fundo soberano CIC, que faz parte do grupo utilizado por Pequim para intervir nos mercados, vendeu o equivalente a cerca de 67,5 mil milhões de dólares em participações em 14 fundos cotados (ETF) em apenas seis sessões até à última quinta-feira.

Embora a China não tenha um fundo oficial de estabilização, a “equipa nacional”, como é designada, desempenha esse papel desde 2015, quando Pequim ordenou à Huijin Investment e a outros organismos estatais de investimento que resgatassem os mercados perante uma queda que acabou por ascender a cerca de cinco biliões de dólares. As autoridades recorreram novamente a essa fórmula em 2023, após atingirem os mínimos em cinco anos.

Em agosto de 2025, após uma campanha agressiva de investimento, a Central Huijin contava com cerca de 180 mil milhões de dólares em ETF, pelo que alguns analistas apontam agora que a escala da liquidação “aponta para um esforço proativo para facilitar uma correção de preços em setores sobreaquecidos”.

As vendas podem ter como objetivo drenar os “excessos especulativos” de certas áreas do setor tecnológico, como aplicações de inteligência artificial, que dispararam nos últimos meses, apesar de ainda não oferecerem garantias de rentabilidade.

Apesar dessa aparente intenção específica, especialistas e gestores apontam que a mudança de rumo poderia “alterar as expectativas” dos mercados em geral e consideram que a estratégia agora deve concentrar-se em valores em que o peso do investimento da “equipa nacional” seja menor, para evitar o impacto das vendas.

Outros investidores acreditam que a retirada do apoio estatal é “um passo para promover um mercado em alta de forma gradual”, ou seja, que as autoridades não pretendem acabar com a tendência positiva dos mercados, mas sim garantir que o ritmo das subidas não seja excessivo.

O facto de a volatilidade do CSI 300, o índice que mede a valorização das trezentas principais ações das bolsas de Xangai e Shenzhen, estar em mínimos desde maio, é visto por fontes do setor como uma demonstração da forte procura institucional por ações da China continental.

Além disso, de acordo com Zhu Zhenxin, da Asymptote Investment Research, “vender agora libertará posições [de investimento] para que [os membros da ‘equipa nacional’] possam oferecer um impulso noutro momento de risco no futuro”, evitando assim uma bolha – e a sua consequente explosão – como a de 2015.

27 Jan 2026

Acordo com Canadá não visa terceiros

A China afirmou ontem que o seu recente acordo comercial com o Canadá não visa “nenhuma terceira parte”, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado retaliar e impor tarifas de 100% sobre produtos canadianos. Perante a guerra comercial iniciada por Trump, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, tem apostado na procura de novos mercados na Ásia e na Europa.

No início de janeiro selou, segundo os seus termos, “um acordo comercial preliminar, mas histórico, visando eliminar os obstáculos ao comércio e reduzir as taxas alfandegárias” com a China.

Donald Trump afirmou no sábado que pode impor “taxas de 100%” sobre as importações canadianas nos Estados Unidos, caso se concretize um acordo comercial entre o Canadá e a China.

“Para a China, as relações entre Estados devem basear-se numa lógica de ganhos mútuos, não de jogos de ‘tudo ou nada’, e na cooperação, não no confronto”, reagiu Guo Jiakun, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa.

“A China e o Canadá estão a construir uma parceria estratégica de novo tipo (…). Isso não visa nenhuma terceira parte, serve os interesses comuns dos dois povos e contribui também para a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo”, salientou.

O acordo preliminar entre Pequim e Otava prevê, nomeadamente, deixar entrar no Canadá 49.000 veículos elétricos fabricados na China com taxas preferenciais de 6,1%, segundo Mark Carney.

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a sobretaxa de 100% mencionada por Donald Trump será imposta “se eles [os canadianos] fizerem um acordo de livre-comércio” com a China.

Isto é, “se forem mais longe e se vir que eles estão a deixar os chineses inundarem com os seus produtos” a América do Norte, declarou Bessent numa entrevista à cadeia de televisão ABC.

27 Jan 2026

Conselho Legislativo de Hong Kong rejeita resolução do Parlamento Europeu a propósito de Jimmy Lai

O Conselho Legislativo de Hong Kong rejeitou ontem “de forma veemente” uma resolução do Parlamento Europeu a apelar a sanções contra o Governo local devido ao julgamento do activista Jimmy Lai Chee-ying. Num comunicado, o parlamento da região, conhecido como Legco, sublinhou que “todos os membros” condenam a resolução europeia, “que difamou maliciosamente a lei de segurança nacional de Hong Kong e o poder judicial”.

Em dezembro, Jimmy Lai foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim, que pode acarretar a prisão perpétua.

Em 12 de janeiro, um tribunal iniciou as chamadas audiências de atenuação, que se prolongaram por quatro dias e onde os arguidos, incluindo Lai, podem pedir penas mais leves. A sentença final será proferida numa data ainda por anunciar.

O parlamento de Hong Kong garantiu que a decisão dos três juízes designados pelo Governo – um dos quais a lusodescendente Susana D’Almada Remedios – é “livre de qualquer interferência e de quaisquer considerações políticas”. O Legco disse ainda que o Parlamento Europeu “interferiu flagrantemente nos assuntos internos da China e violou gravemente os princípios do direito internacional”.

Na quinta-feira, os eurodeputados disseram que Lai “é um exemplo de como as leis de segurança do Estado estão a ser utilizadas para eliminar os meios de comunicação independentes, a liberdade de expressão e a oposição política em Hong Kong”.

“Qualquer sugestão de que certos indivíduos devem ser imunes às consequências legais pelos seus actos ilegais equivale a defender um privilégio especial para infringir a lei”, respondeu o Legco.

A resolução do Parlamento Europeu instou o Conselho Europeu a adoptar sanções contra o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, “e todos os dirigentes responsáveis pela repressão das liberdades”.

No documento, aprovado por 503 votos a favor, nove contra e 100 abstenções, os eurodeputados solicitaram ainda à Comissão Europeia que inicie o processo de suspensão do estatuto de Hong Kong na Organização Mundial do Comércio. Além disso, o Parlamento Europeu apelou a todos os Estados-membros da União Europeia (UE) que suspendam os tratados de extradição com a China continental e com a região administrativa especial de Hong Kong.

Portugal e a República Checa são os únicos dois países da UE que ainda têm acordos de extradição em vigor com Hong Kong. Em dezembro de 2022, a Assembleia da República chumbou, pela terceira vez em três anos, uma recomendação proposta pela Iniciativa Liberal para que o Governo português suspendesse os acordos de extradição com a China e Hong Kong.

A região vizinha de Macau assinou em 2019 com Portugal um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos no parlamento.

27 Jan 2026

Editorial do jornal das forças armadas enfatiza guerra anti-corrupção

Um editorial publicado no domingo pelo principal jornal do Exército de Libertação Popular (ELP) da China promete “lutar e vencer a guerra anticorrupção nas forças armadas”.

A China anunciou no sábado a investigação de duas altas patentes oficiais militares, Zhang Youxia e Liu Zhenli, por “suspeitas de graves violações disciplinares e da lei”.

Zhang é membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) e vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC). Liu é membro da CMC e chefe do Estado-Maior do Departamento de Estado-Maior Conjunto da CMC.

No domingo, um editorial do principal jornal das forças armadas chinesas publicou um editorial onde comenta o assunto.

“A decisão tomada pelo Comité Central do PCC de investigar Zhang e Liu demonstrou mais uma vez a posição clara na luta contra a corrupção: nenhum posto está fora dos limites, nenhum terreno é deixado de lado e nenhuma tolerância é permitida”, afirma o Diário do ELP.

“Tal mostra a determinação do Partido em perseverar na luta contra a corrupção e a posição firme de que, independentemente de quem seja ou do cargo que ocupe, qualquer pessoa envolvida em corrupção será tratada sem clemência”, continua o artigo.

Uma batalha difícil

O editorial elogia a investigação como um resultado importante da luta anticorrupção e uma demonstração importante da determinação e força do Partido e exército, acrescentando que “a investigação tem grande significado para vencer essa batalha difícil, prolongada e abrangente dentro das forças armadas”.

“Zhang e Liu, como altos oficiais do Partido e das forças armadas, traíram gravemente a confiança neles depositada, pisaram e minaram seriamente o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC”, afirma ainda o artigo.

“Eles alimentaram gravemente problemas políticos e de corrupção que ameaçam a liderança absoluta do Partido sobre as forças armadas e minam a base de governança do Partido”, de acordo com o editorial.

Segundo o artigo, foi gravemente manchada “a imagem e a autoridade da liderança da CMC” e prejudicada “severamente a base política e ideológica da unidade e do progresso entre todo o pessoal militar, causando graves danos aos esforços para fortalecer a lealdade política nas forças armadas, o ambiente político militar e a prontidão geral para o combate, causando um sério impacto adverso no Partido, no país e no exército, afirma o texto.

“Ficou bem demonstrado que quanto mais as forças armadas combatem a corrupção, mais fortes e puras se tornam, com maior capacidade de combate. Quanto mais completamente a corrupção for erradicada, mais confiantes e capazes as forças armadas serão para alcançar as metas do centenário do ELP”, afirma o editorial.

O ano de 2026 marca o lançamento do 15º Plano Quinquenal e “um ano crítico na árdua jornada para alcançar as metas do centenário do ELP”, afirma o artigo, observando que todo o exército deve avançar, com padrões mais elevados e medidas mais práticas.

O editorial pede finalmente “esforços contínuos para confinar o poder dentro da gaiola das restrições institucionais e envidar esforços concertados para erradicar criadouros e condições que favorecem a corrupção. Os membros do Partido e os quadros no exército, especialmente aqueles que ocupam altos cargos, devem fortalecer seus ideais e convicções, aumentar a integridade política e melhorar a sua conduta”.

“As forças armadas devem-se unir mais estreitamente em torno do Comité Central do Partido, com Xi no seu núcleo, implementar o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC e acelerar a construção de forças armadas de classe mundial”, conclui.

27 Jan 2026

Corrupção | Investigado general de alta patente por minar autoridade de Xi

A mais alta figura do Exército Popular de Libertação e aliado próximo do Presidente Xi Jinping está sob investigação, acusado de infligir graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política nas forças armadas

 

O Exército chinês detalhou ontem as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping.

Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”.

“Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

 

Aliado próximo

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949.

De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância.

Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direcção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.

26 Jan 2026

Telecomunicações | Pequim acusa a UE de exagerar conceito de segurança

O MNE chinês reagiu ao novo pacote de segurança apresentado pela União Europeia com críticas e preocupação

A China acusou ontem a União Europeia de “sobredimensionar o conceito de segurança” nas telecomunicações, após a Comissão Europeia apresentar um pacote de medidas de cibersegurança que pode restringir a participação de empresas chinesas em infraestruturas estratégicas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun expressou em conferência de imprensa a “séria preocupação” de Pequim com a iniciativa comunitária, argumentando que as empresas chinesas operam há anos na Europa “em conformidade com as leis e regulamentos” sem pôr em causa a segurança dos países europeus.

Pelo contrário, sublinhou, têm contribuído “de forma significativa” para o desenvolvimento das telecomunicações e da economia digital do continente.

Guo criticou a imposição de restrições ou vetos a empresas com base em “critérios não técnicos e sem provas factuais”, o que, na sua perspectiva, viola os princípios de mercado e de concorrência leal.

“Trata-se de um exemplo típico de politização da cooperação normal e de sobredimensionamento do conceito de segurança, equivalendo a um proteccionismo flagrante”, afirmou.

O porta-voz alertou ainda que intervenções “arbitrárias” no mercado não aumentam a segurança, mas geram custos elevados.

Segundo Pequim, a remoção forçada de equipamentos de empresas chinesas em alguns países já causou “perdas económicas massivas” e prejudicou o desenvolvimento das redes digitais locais.

Nesse sentido, avisou que a estratégia comunitária poderá prejudicar o progresso tecnológico e económico da própria UE e corroer a imagem do mercado europeu como espaço aberto ao investimento.

Pequim instou a UE a “não aprofundar o caminho errado do proteccionismo” e advertiu que, se persistir nessa linha, a China “adoptará as medidas necessárias” para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas.

Novo quadro

As declarações chinesas surgem após Bruxelas ter apresentado na terça-feira uma nova lei de cibersegurança que cria um quadro comum para avaliar riscos em infraestruturas críticas da UE, sem mencionar explicitamente países ou empresas.

A normativa reforça o controlo sobre sectores estratégicos como as redes 5G e 6G, a computação em nuvem ou os semicondutores, e abre porta a restrições ou exclusão de fornecedores considerados de “alto risco”.

Embora o texto não cite nomes, a Comissão Europeia tem manifestado, desde 2019, reservas sobre a participação de empresas chinesas como Huawei ou ZTE no desenvolvimento de redes de telecomunicações no bloco.

 

22 Jan 2026

Economia | Crescimento de 5 por cento no ano passado

Apesar de um consumo interno abaixo do esperado e do aumento das tarifas imposto por Donald Trump, a economia chinesa continua a mostrar-se robusta e pronta para enfrentar os novos desafios globais

A economia da China registou um crescimento homólogo de 5 por cento, em 2025, impulsionada pela forte subida das exportações, apesar do aumento das taxas alfandegárias imposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O crescimento abrandou, porém, para uma taxa de 4,5 por cento no último trimestre do ano, segundo os dados oficiais ontem divulgados. Foi o crescimento trimestral mais lento desde o final de 2022, durante a pandemia da covid-19. A economia, a segunda maior do mundo, cresceu a uma taxa anual de 4,8 por cento no trimestre anterior.

Os líderes chineses têm tentado estimular um crescimento mais rápido após a crise no sector imobiliário e os impactos económicos provocados pela pandemia.

Como era esperado, o crescimento anual do ano passado ficou alinhado com a meta oficial do governo de uma expansão de “cerca de 5 por cento “.

As exportações ajudaram a compensar o fraco consumo interno e o baixo investimento empresarial, contribuindo para um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares.

“A grande questão é durante quanto tempo este motor de crescimento poderá continuar a ser o principal impulsionador”, escreveu Lynn Song, economista-chefe para a China no banco holandês ING, numa nota recente.

As exportações chinesas para os EUA caíram depois de Donald Trump ter regressado à presidência no início do ano passado e ter começado a aumentar as tarifas. No entanto, essa queda foi compensada pelas vendas para o resto do mundo. A subida acentuada das importações de produtos chineses tem levado alguns governos a agir para proteger as indústrias locais, nalguns casos através do aumento das tarifas sobre as importações.

“Se mais economias começarem também a subir tarifas sobre a China, como fez o México e como a União Europeia ameaçou fazer, acabará por se sentir uma pressão mais forte”, afirmou Song.

Os líderes chineses têm repetidamente destacado o reforço da procura interna como prioridade política, mas os efeitos têm sido até agora limitados. Um programa de incentivo à troca de automóveis antigos por modelos mais eficientes em termos energéticos, por exemplo, tem vindo a perder força nos últimos meses.

“A estabilização – não necessariamente a recuperação – do mercado imobiliário interno é fundamental para restaurar a confiança pública e, consequentemente, o crescimento do consumo das famílias e do investimento privado”, afirmou Chi Lo, estratega de mercados para a Ásia-Pacífico no banco de gestão de activos BNP Paribas Asset Management.

Estímulos e previsões

A China também tem oferecido subsídios para a troca de electrodomésticos, como frigoríficos, máquinas de lavar e televisões. Embora as principais medidas de estímulo ao consumo de 2025 – incluindo estes subsídios – devam continuar em 2026, poderão ser reduzidas, afirmou Weiheng Chen, estratega global de investimentos no banco de investimento J.P. Morgan Private Bank, numa nota recente.

O investimento em inteligência artificial e noutras tecnologias avançadas continua a ser uma prioridade para o Partido Comunista Chinês, numa tentativa de aumentar a auto-suficiência e rivalizar com os Estados Unidos. Muitos cidadãos comuns e pequenas empresas enfrentam tempos difíceis e uma incerteza preocupante quanto ao emprego e aos rendimentos.

Segundo dados do governo, a economia chinesa cresceu a uma taxa anual de 5 por cento, em 2024, e de 5,2 por cento, em 2023. As metas oficiais de crescimento têm vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, de 6 por cento a 6,5 por cento, em 2019, para “cerca de 5 por cento “, em 2025.

Prevê-se uma expansão anual mais lenta para 2026. O banco alemão Deutsche Bank prevê que a economia da China cresça cerca de 4,5 por cento, em 2026.

20 Jan 2026

Suspeitos de enviar drones para Coreia do Norte trabalhavam em gabinete de ex-líder do Sul

Dois civis suspeitos de estarem envolvidos nos recentes envios de drones para a Coreia do Norte trabalhavam no gabinete do ex-presidente Yoon Suk-yeol, de acordo com uma investigação publicada ontem pela agência de notícias local Yonhap.
A notícia foi divulgada numa altura em que está a ser levada a cabo uma investigação em Seul em resposta às acusações de Pyongyang sobre a presença de drones na Coreia do Norte, em Setembro de 2025 e no início deste ano.
O primeiro suspeito, um homem com cerca de 30 anos, que aparentemente só terá trabalhado no fabrico do drone, foi durante o Governo de Yoon supervisor de notícias no gabinete do porta-voz presidencial, de acordo com a agência.
O outro suspeito, igualmente na casa dos 30 e também com trabalho desempenhado no complexo presidencial durante o governo Yoon, afirmou publicamente ter operado os drones, numa entrevista transmitida na sexta-feira pelo canal local Channel A. O suspeito está neste momento a fazer estudos de pós-graduação em jornalismo numa universidade particular em Seul.
Os dois suspeitos estudaram na mesma universidade e fundaram uma empresa de fabrico de drones em 2024, ainda de acordo com a Yonhap.
A investigação não especifica os anos exactos em que trabalharam para Yoon, que iniciou o mandato em Maio de 2022 e terminou em Abril do ano passado, depois de ter sido destituído pela breve declaração de lei marcial, em Dezembro de 2024.
Yoon Suk-yeol, actualmente em prisão preventiva, enfrenta acusações de abuso de poder e outros crimes relacionados com o suposto envio de drones para a Coreia do Norte, para disseminar propaganda anti-Pyongyang.
O Ministério Público alega que o então presidente ordenou a operação para provocar uma reacção do país vizinho e justificar a imposição da lei marcial.

Voos da discórdia
A Coreia do Norte acusou o Sul na ONU, em Fevereiro do ano passado, de enviar drones em Outubro de 2024 para espalhar propaganda sobre a capital Pyongyang.
O trabalho da Yonhap indica ainda que o primeiro suspeito já foi interrogado na sexta-feira pela equipa de investigação das forças armadas e da polícia sul-coreanas.
O homem terá sido denunciado às autoridades em Novembro por pilotar um drone não registado na área de Yeoju, a cerca de 70 quilómetros a sudeste de Seul, sendo que o modelo do aparelho coincidia com o que a Coreia do Norte alega ter abatido na mais recente denúncia.
Em entrevista a um canal local, o segundo suspeito disse que, desde Setembro do ano passado, realizou diversos voos sobre a Coreia do Norte e que o objectivo era medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados numa fábrica de urânio perto do rio Ryesong, em território norte-coreano.
A Coreia do Norte denunciou em 10 de Janeiro que drones sul-coreanos sobrevoaram o território em Setembro do ano passado e novamente em 04 de Janeiro deste ano.
O Governo do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, negou que os drones fossem aeronaves militares e iniciou uma investigação esta semana, sem descartar a possibilidade de envolvimento de civis.
A acusação norte-coreana foi uma surpresa, visto que Lee tinha declarado à agência de notícias EFE, em Dezembro, que Seul poderia ter de pedir desculpa a Pyongyang pelos supostos voos com drones durante a presidência de Yoon.

19 Jan 2026

Diplomacia |Relações “saudáveis e estáveis” serve interesses de China e Canadá

A visita do líder do governo canadiano à China marcou o regresso do entendimento saudável entre as duas nações após um período de tensões e divergências.
O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que o desenvolvimento de relações “saudáveis e estáveis” com o Canadá serve os interesses de ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro canadiano.
Xi reuniu-se em Pequim com Mark Carney, naquela que é a primeira visita de um chefe de Governo canadiano ao país em quase uma década e que visa normalizar as relações bilaterais, que atravessaram períodos de tensão nos últimos anos, devido a disputas diplomáticas e comerciais.
Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, Xi afirmou que o “desenvolvimento saudável e estável” das relações entre a China e o Canadá “corresponde aos interesses comuns de ambos os países” e contribui para “a paz, estabilidade e prosperidade mundiais”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.
O líder chinês destacou que o contacto prévio entre ambos, em Outubro, à margem de uma cimeira na Coreia do Sul, deu início a uma nova fase de aproximação. Xi apelou à construção de “um novo tipo de parceria estratégica” capaz de colocar os laços entre Pequim e Otava numa trajectória “sustentável e duradoura”.
Carney agradeceu a recepção e manifestou a vontade do Canadá de trabalhar com a China “com base na boa cooperação passada”, para desenvolver uma relação estratégica adaptada ao actual contexto internacional e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a região do Pacífico.
Na véspera, o primeiro-ministro canadiano reuniu-se com o homólogo chinês, Li Qiang. Os dois abordaram temas como cooperação económica, energia e comércio, e testemunharam a assinatura de vários acordos nas áreas aduaneira e comercial.

Laços reforçados
Segundo a CCTV, Carney reiterou o interesse do Canadá em reforçar a cooperação nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos, bem como o compromisso com o multilateralismo e o sistema de comércio internacional.
Li Qiang defendeu o alargamento da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura moderna, tecnologias digitais e indústria aeroespacial.
Também à margem da visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhando a necessidade de eliminar interferências e fortalecer a confiança mútua para promover uma relação “estável, sólida e saudável”.
A visita de Carney é a primeira de um primeiro-ministro canadiano à China desde a deslocação de Justin Trudeau em 2017, e ocorre num contexto de crescente instabilidade no comércio internacional, com Otava a procurar diversificar as parcerias económicas.

19 Jan 2026