Hoje Macau China / ÁsiaBrasil | Centro sino-lusófono abre gabinete em Junho Um novo centro de serviços económicos entre a China e os países lusófonos e hispânicos vai abrir em Junho um gabinete no Brasil, com outra delegação planeada para Portugal, disse ontem à Lusa uma dirigente. A vice-coordenadora do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola, conhecido como CECP, anunciou que o gabinete no Brasil já foi registado. Ng In Cheong acrescentou que outra delegação deverá abrir no México “no Outono”, enquanto os trabalhos para abrir um gabinete em Portugal – que também cubra a vizinha Espanha – “estão a progredir”. A dirigente falava à margem de uma visita de jornalistas de Macau ao CECP, que foi criado em Dezembro, na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha de Montanha), no município de Zhuhai. Nesse mesmo mês, o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, revelou que o novo centro já estava a operar, disponibilizando serviços “a nível jurídico e contabilístico” a empresas estrangeiras. O centro trabalha ainda com o Fundo de Orientação Industrial para atrair empresas para Hengqin. O valor do fundo foi em Janeiro reforçado de 10 para 30 mil milhões de yuan, disse Ng In Cheong. Visita a Portugal Sam Hou Fai, o primeiro Chefe do Executivo da região chinesa a dominar a língua portuguesa, irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação internacional desde que tomou posse, no final de 2024. Ng In Cheong disse que o líder de Macau irá ser acompanhado por “mais de uma dúzia” de companhias locais e da China continental, incluindo perto de uma dezena já com operações em Hengqin. O objectivo, explicou a dirigente, é ajudar os grupos chineses a “compreender o mercado local, realizar inspecções no terreno [e] entrarem em contacto com as autoridades e as empresas locais”. Ng deu como exemplo uma empresa de Pequim que produz “instrumentos oftalmológicos de alta precisão”, já usados para cirurgias no Hospital Kiang Wu, em Macau. A companhia “quer mesmo expandir-se para o mercado português e abrir uma fábrica em Portugal”, sublinhou a directora-adjunta da Direção de Assuntos Jurídicos da zona económica especial. Durante a visita de Abril, o CECP pode ajudar a encontrar terrenos para a fábrica, identificar potenciais parceiros, recrutar pessoal, registar uma sucursal e contratar “advogados de confiança”, disse Ng. A dirigente disse que Portugal é, para as empresas chinesas, “um ótimo ponto de partida para a expansão no mercado europeu”, porque os custos são mais baixos, mas os portugueses são “altamente qualificados”. Reportagem de Vítor Quintã, agência Lusa, que viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | MNE apela aos países do Médio Oriente para “manter a calma” A China mantém a luta contra escalada do conflito no Médio Oriente através de conversas com os responsáveis da diplomacia da região O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, exortou os países do Médio Oriente a “responderem com racionalidade” à situação causada pela guerra do Irão, durante duas chamadas telefónicas realizadas com os homólogos do Egipto e da Turquia. Durante a conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, Wang reiterou que “a comunidade internacional deve promover activamente o diálogo entre as partes em conflito” e sublinhou o papel do Conselho de Segurança da ONU neste sentido, segundo um comunicado da diplomacia chinesa. As acções deste organismo “devem contribuir para aliviar as tensões e promover o diálogo, ajudando a prevenir a escalada do conflito, e não devem dar cobertura ao uso da força”, apontou. Wang manifestou ainda apoio ao papel mediador do Egipto com vista à retoma das conversações de paz e declarou que a China “está disposta a continuar a desenvolver esforços construtivos nesse sentido”. À beira do caos O responsável egípcio, por sua vez, expressou “profunda preocupação” do seu país com a situação, “em particular com o potencial de ataques contra infraestruturas energéticas, que poderão gerar caos em toda a região”, e mostrou-se disponível para “manter uma estreita coordenação com a China” na tentativa de reduzir as tensões regionais. Na conversa com o homólogo turco, Hakan Fidan, o chefe da diplomacia chinesa considerou que “os acertos e erros” do conflito são claros, ao mesmo tempo que insistiu que, dada a rapidez com que a crise se está a propagar na região, a prioridade deve ser “promover o diálogo de paz e trabalhar para alcançar uma redução das tensões”. Esta é a segunda ronda de conversações que Wang mantém com os seus homólogos do Médio Oriente, com quem já tinha falado quando o conflito começou, no final de Fevereiro, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com vagas de mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo. Perante a crise, Pequim enviou o seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, num périplo por vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Qatar e Egito, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.
Hoje Macau China / ÁsiaTecnologia chinesa pode ajudar Portugal em compromissos climáticos O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) indicou ontem que o compromisso da China com a sustentabilidade energética é visto como um exemplo para Portugal em áreas específicas. Em declarações à Lusa, em Macau, José Pimenta Machado, sublinhou a necessidade urgente de adaptação e de olhar para a tecnologia chinesa como aliada, depois de os primeiros meses de 2026 terem sido marcados por fenómenos meteorológicos “ímpares” que colocaram todo o território nacional em estado de prontidão. Janeiro e Fevereiro de 2026 bateram o recorde de chuva dos últimos 47 anos na Península Ibérica, segundo a Agência Estatal de Meteorologia espanhola. “Eu acho que nunca vi e nunca conheci uma situação como aconteceu este ano, em que todo o país estava em alerta de cheias”, afirmou Pimenta Machado, destacando que, ao contrário de anos anteriores, os eventos deixaram de ser localizados para afectarem Portugal “desde o norte a sul, até ao leste”. Também a ministra do Ambiente alertou na quarta-feira que a adaptação às alterações climáticas é “a maior questão” do país e que as crises resultantes da mudança do clima mostram a importância dos sistemas de alerta. Reiterando a posição da ministra, deu como exemplos de medidas a tomar: “Não autorizar novas construções em áreas de risco”, lembrando que mais de 100 mil pessoas em Portugal vivem actualmente em zonas com risco de cheias, ocupando “um espaço que é do rio”. Além da gestão fluvial, a faixa costeira — que se estende por cerca de 1000 quilómetros entre Caminha e Vila Real de Santo António — surge como uma das maiores preocupações, com 20 por cento da sua extensão fustigada pela erosão. “Adaptar não é opção, é mesmo uma obrigação”, reforçou Pimenta Machado, apontando a monitorização e os sistemas de alerta precoce como fundamentais para “minimizar o impacto” e proteger as populações. Exemplos renováveis Presente em Macau para participar na Fórum e Exposição Internacional de Coopeação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa), o presidente da APA identificou na China um parceiro estratégico na descarbonização. Apesar de ser o segundo maior emissor global de gases que contribuem para o efeito estufa, o compromisso chinês com a sustentabilidade é visto pelo dirigente como um exemplo em áreas específicas. “Há um caminho muito claro de aposta na área das energias renováveis, China, nas energias eólica, no solar, e no da redução dos gases com efeito estufa”, observou Machado, destacando também a indústria de veículos eléctricos, que apresenta “preços muito competitivos do ponto de vista da tecnologia” e que poderá ser crucial para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em solo português. A fabricante chinesa de veículos movidos a novas energias BYD, por exemplo, matriculou 6.059 automóveis ligeiros de passageiros em 2025, um aumento de 94,1 por cento face a 2024, o primeiro ano completo da marca em Portugal, encerrando o ano com uma quota de mercado de 2,7 por cento. As autoridades chinesas têm alertado que o país é extremamente vulnerável ao impacto das alterações climáticas, registando níveis recorde de aquecimento e subida do mar, com temperaturas médias anuais e o nível costeiro a atingirem máximos em 2024. A China mantém como metas a atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060. O novo plano quinquenal (2026-2030), aprovado este mês, aposta em “impulsionar o desenvolvimento verde e de baixo carbono” e em “promover a transição energética”.
Hoje Macau China / ÁsiaSuínos | Preços do porco caem para mínimos de 16 anos Os preços do porco na China estão a aproximar-se de níveis mínimos não registados desde 2010, num contexto de excesso de produção no maior mercado mundial desta carne, agravando as pressões deflacionistas na economia do país. Os preços dos suínos vivos prontos para abate atingiram ontem um novo mínimo de 9,59 yuan (cerca de 1,2 euro) por quilograma, segundo dados da consultora Shanghai JC Intelligence, situando-se abaixo dos custos de produção e no nível mais baixo dos últimos 16 anos. Também os preços da carne de porco, um dos principais produtos da dieta chinesa, caíram para cerca de 22 yuan por quilograma, o valor mais baixo desde Outubro de 2021, de acordo com dados oficiais divulgados esta semana. A carne de porco é um produto essencial na China, tendo um peso significativo no índice de preços no consumidor, sendo por isso um indicador relevante numa economia onde o Presidente Xi Jinping tem sublinhado a necessidade de reforçar a autossuficiência alimentar. Após anos de incentivos governamentais para aumentar a produção, que levaram à expansão do sector e à construção de grandes explorações, incluindo unidades de vários andares, as autoridades enfrentam agora excesso de oferta. Apesar de alertas recentes do ministério da Agricultura e da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, que classificaram os preços como estando numa “zona de alerta” e anunciaram a compra de carne para as reservas estatais, os preços continuam a cair. O Governo chinês intensificou, entretanto, os esforços para conter a produção, numa estratégia que acompanha medidas mais amplas para combater a deflação, num contexto de procura interna fraca e forte concorrência de preços em vários sectores.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | AIE pronta para libertar mais reservas após pedido japonês O director da Agência Internacional de Energia (AIE) disse ontem estar pronto para libertar mais reservas de petróleo “se e quando for necessário”, no 26.º dia da guerra do Irão, que fez disparar os preços dos hidrocarbonetos. As declarações de Fatih Birol foram feitas em resposta a um pedido da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, para que se “preparasse para implementar” uma operação coordenada deste tipo, durante um encontro entre os dois em Tóquio. A AIE anunciou no início do mês que os países membros iriam libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas para atenuar o impacto da guerra, na maior operação de sempre realizada pela instituição. No entanto, “ainda há uma quantidade significativa” de petróleo nas reservas”, afirmou Birol. “Oitenta por cento das nossas reservas ainda estão lá. Esses 400 milhões de barris representavam apenas 20 por cento das nossas reservas”, declarou. “Se e quando for necessário, estamos prontos (…) mas espero sinceramente que não seja necessário”, reforçou. Notando que “o mundo enfrenta uma grave ameaça à segurança energética”, o responsável disse que a AIE “está pronta para desempenhar o papel essencial de guardiã da segurança energética mundial”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor- Leste | Governo define limites máximos para preço dos combustíveis O Governo timorense aprovou ontem um diploma que estabelece limites máximos para o preço dos combustíveis no país devido ao impacto do conflito no Médio Oriente. “O diploma define limites máximos para o preço de venda ao consumidor, fixando o valor da gasolina em 1,50 dólares por litro, do gasóleo em 1,65 dólares por litro, do combustível de aviação em 2,50 dólares por litro e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em 4,2 dólares por quilograma”, pode ler-se num comunicado divulgado à imprensa. O decreto-lei, aprovado na reunião de hoje do Conselho de Ministros, foi apresentado pelo ministro do Petróleo e Recursos Naturais, Francisco Monteiro, que tinha já avançado a semana passada a possibilidade de intervenção do Governo face ao aumento dos preços dos combustíveis, provocado pelo conflito no Irão. “O diploma visa mitigar o impacto da actual instabilidade internacional no setor energético, proteger o poder de compra das famílias, reduzir o efeito de eventuais aumentos de preços na economia e assegurar o funcionamento regular das actividades económicas, garantindo simultaneamente a disponibilidade de combustíveis no território nacional”, salienta o executivo timorense. Segundo o Governo, as importadoras vão também apresentar os custos reais de importação para “cálculo do subsídio a atribuir pelo Estado, financiado através do Orçamento Geral do Estado”. O diploma reforça também a actuação das entidades competentes para prevenir os desvios de combustíveis subsidiados para fora do território nacional. As medidas vão estar em vigor até ao final do ano e podem ser revistas, prorrogadas ou finalizadas em função da evolução do mercado internacional.
Hoje Macau China / ÁsiaPyongyang | Kim Jong-un expressa “vontade inabalável” em apoiar Rússia O líder norte-coreano, Kim Jong-un, demonstrou a “vontade inabalável” de apoiar a Rússia, numa carta de agradecimento dirigida ao homólogo russo, Vladimir Putin, informou ontem a agência de notícias oficial da Coreia do Norte. “Pyongyang estará sempre ao lado de Moscovo. É a nossa escolha e a nossa vontade inabalável”, declarou Kim, na carta enviada na terça-feira ao chefe de Estado russo, citada pela agência oficial KCNA. Os dois países celebraram em 2024 um acordo de defesa mútua, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, e Pyongyang enviou tropas terrestres e sistemas de armas para apoiar Moscovo. O país isolado, empobrecido e muito vulnerável a catástrofes naturais, recebe em troca ajuda financeira, alimentos e energia, além de tecnologias militares, de acordo com analistas. “Actualmente, a RPDC [República Popular Democrática da Coreia] e a Rússia cooperam estreitamente para defender a soberania de ambos os países”, salientou Kim, referindo-se à Coreia do Norte pelo nome oficial do país. Os serviços de inteligência sul-coreanos e ocidentais estimam que a Coreia do Norte enviou milhares de soldados para a Rússia, principalmente para a região de Kursk, bem como granadas, mísseis e sistemas de foguetes de longo alcance. De acordo com Seul, pelo menos dois mil soldados norte-coreanos foram mortos e milhares de outros ficaram feridos durante este conflito. Na carta, Kim Jong-un agradeceu ainda ao Kremlin que o felicitou pela reeleição, no domingo, para a presidência dos Assuntos de Estado, o cargo mais alto do poder na Coreia do Norte. “Expresso os meus sinceros agradecimentos por me terem enviado as vossas calorosas e sinceras felicitações por ocasião da minha retoma das pesadas responsabilidades de presidente dos Assuntos de Estado”, declarou. Lukashenko de visita Na terça-feira, meios de comunicação estatais em Minsk afirmaram que o Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, se deslocaria à Coreia do Norte para uma viagem de dois dias “com o objectivo de reforçar a cooperação bilateral”. A KCNA confirmou que Lukashenko realizaria “uma visita oficial a convite de Kim Jong-un”, mas sem especificar a data. Tal como a Coreia do Norte, a Bielorrússia é um aliado próximo da Rússia na guerra contra a Ucrânia.
Hoje Macau China / ÁsiaPena de morte suspensa para ex-dirigente de empresa aeroespacial Um tribunal chinês condenou ontem Tan Ruisong, ex-presidente da Corporação da Indústria de Aviação da China (AVIC), a pena de morte com suspensão por dois anos, por receber o equivalente a mais de 69 milhões de euros em subornos. O Tribunal Popular Intermédio de Dalian, no nordeste da China, aplicou igualmente uma pena de 15 anos de prisão e uma multa de 5 milhões de yuan por desvio de fundos, além de mais seis anos de cadeia por uso de informação privilegiada e divulgação de informação confidencial, informou a televisão estatal CCTV. A pena de morte fica suspensa por um período de dois anos, durante o qual, caso Tan não cometa novos crimes e mantenha bom comportamento, a sentença será comutada para prisão perpétua, uma prática comum em casos de corrupção na China. Segundo a sentença, Tan aceitou subornos no valor superior a 613 milhões de yuan, além de se ter apropriado ilegalmente de aproximadamente 90 milhões de yuan em fundos públicos durante o período em que trabalhou em várias empresas do sector aeronáutico estatal. O tribunal concluiu que o ex-dirigente utilizou os cargos que ocupou em várias subsidiárias da AVIC para favorecer terceiros em operações empresariais e na adjudicação de projectos, em troca de pagamentos ilegais. A decisão considera ainda provado que, entre 2012 e 2023, Tan realizou operações bolsistas com base em informação privilegiada e divulgou dados confidenciais a terceiros em diversas ocasiões, num comportamento classificado como de “circunstâncias particularmente graves”. O tribunal indicou que os crimes de suborno e desvio de fundos causaram “graves prejuízos” aos interesses do Estado e da população, e que o montante dos subornos foi “especialmente elevado”, justificando uma punição severa. Campanha em curso Ainda assim, o tribunal teve em conta circunstâncias atenuantes, como a confissão dos factos, a colaboração com as autoridades e a devolução dos bens obtidos ilegalmente, o que permitiu suspender a execução imediata da pena capital. O caso de Tan insere-se numa série de investigações recentes em sectores estratégicos como o aeroespacial e o da defesa, onde as autoridades intensificaram o escrutínio sobre altos responsáveis de empresas estatais e organismos ligados à indústria militar. Desde que chegou ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, tem impulsionado uma campanha anticorrupção que abrange funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até altos dirigentes e executivos de conglomerados estatais.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | Pequim apoia todas as iniciativas que contribuam para reduzir as tensões A China indicou ontem que “é sempre melhor negociar do que intensificar os combates”, apelando à resolução do conflito no Médio Oriente, e afirmou apoiar “todas as iniciativas que contribuam para reduzir tensões”. As declarações, feitas em conferência de imprensa pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, surgem após fontes governamentais do Paquistão terem assegurado que o país lidera uma iniciativa de mediação com a Turquia e o Egipto para pôr fim à guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel. Trump afirmou na segunda-feira ter mantido conversações “ótimas e produtivas” com Teerão para alcançar o fim das hostilidades e garantiu que os contactos vão continuar ao longo da semana, embora o Exército do Irão tenha negado ontem a existência de negociações com Washington. Lin afirmou ainda que “a China espera que todas as partes aproveitem qualquer oportunidade e janela para a paz e iniciem, o mais rapidamente possível, um processo de diálogo”. Acrescentou também que a situação está a afectar a segurança energética global, o funcionamento das cadeias de abastecimento e produção, bem como a ordem do comércio internacional, sublinhando que a China “está disposta a reforçar a coordenação e cooperação com a comunidade internacional para enfrentar conjuntamente os desafios em matéria de segurança energética”. Na véspera, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, manteve uma chamada telefónica com o seu homólogo iraniano, na qual apelou ao regresso à via do diálogo para pôr fim à guerra do Irão e iniciar negociações de paz “o mais cedo possível”. Wang insistiu que todas as questões sensíveis devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, e não pelo recurso à força. A guerra no Médio Oriente entra na sua quarta semana, após a escalada iniciada a 28 de Fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | Cosco retoma envios de contentores A transportadora marítima chinesa COSCO Shipping voltou ontem a aceitar novas reservas de contentores convencionais com destino a vários países do Médio Oriente, segundo um aviso a clientes citado por órgãos de comunicação chineses. A empresa indicou que, apesar da reactivação deste serviço, os custos, programação de envio e condições de transporte permanecem “sujeitos a alterações”, uma vez que a situação na região continua marcada pela volatilidade. O anúncio surge num contexto de incerteza no tráfego marítimo internacional, afectado pela guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, bem como pelas tensões em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais e por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de gás e petróleo. Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na zona têm perturbado a navegação comercial e aumentado os custos logísticos, o que provocou uma subida do preço do petróleo nos mercados internacionais, com impacto também na China. No país asiático, os preços dos combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes, o que levou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico) a intervir esta semana de forma excepcional com medidas temporárias de controlo de preços – a primeira acção deste tipo desde a introdução do actual mecanismo em 2013 – para conter o impacto sobre consumidores e empresas. O anúncio da transportadora surge pouco depois do regresso à China do seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, após um périplo por vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Barém, Kuwait, Catar e Egipto, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.
Hoje Macau China / ÁsiaExposição | China mostra força nas renováveis em plena volatilidade energética global A capital chinesa apresenta até sexta-feira o que de melhor se tem feito no país em matéria de transição energética A subida do preço do petróleo, impulsionada pelas tensões no Médio Oriente, coincide com a abertura em Pequim da XVI Exposição Internacional de Energia Limpa da China, montra de um sector em expansão no país. O evento reúne até sexta-feira, em Pequim, cerca de 800 expositores no Centro Nacional de Convenções, contando com a participação de empresas e especialistas do sector. O recente aumento do preço do crude, associado à escalada do conflito e às tensões no estreito de Ormuz – por onde passam 45 por cento das importações chinesas de petróleo –, teve impacto directo na China. Na segunda-feira, registaram-se filas em postos de combustível, na véspera da subida dos preços, evidenciando a exposição do país às flutuações do mercado internacional. Os expositores dedicados ao hidrogénio ocupam uma parte significativa da feira. A China tem vindo a reforçar o papel desta tecnologia nos últimos anos: em 2024 incluiu, pela primeira vez, o desenvolvimento do hidrogénio no relatório de trabalho do Governo, comprometendo-se a “acelerar o desenvolvimento da energia baseada no hidrogénio” como parte da transição energética. O evento decorre em paralelo com a rápida expansão das energias renováveis na China, que em 2025 voltou a atingir máximos: a capacidade solar aumentou 35 por cento, para cerca de 1.200 gigawatts (GW), e a eólica cresceu 23 por cento, para cerca de 640 GW, consolidando o país como líder mundial em ambas as tecnologias. De acordo com dados recentes, a capacidade combinada de energia eólica e solar já ultrapassou os 1.690 GW em 2025, cerca do triplo do registado em 2020, representando a maior parte da nova capacidade eléctrica instalada no país nos últimos anos. Metas definidas Este avanço reflete-se também na estrutura do sistema energético: as renováveis representaram mais de 35 por cento da electricidade em 2025, com forte crescimento da solar e da eólica, tendo estas fontes chegado, em alguns momentos, a gerar mais de 25 por cento da produção eléctrica total. A China mantém como metas atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060, além de reduzir em pelo menos 60 por cento as emissões por unidade de PIB face a 2005 e aumentar o peso das energias não fósseis no sistema energético. O novo plano quinquenal (2026-2030), aprovado este mês, aposta em “impulsionar o desenvolvimento verde e de baixo carbono” e em “promover a transição energética”. Segundo relatórios das organizações Ember e Greenpeace, o crescimento das renováveis e da electrificação está a reconfigurar o sistema energético chinês: entre 2015 e 2023, o uso de combustíveis fósseis no consumo final caiu 1,7 por cento, enquanto o consumo de electricidade aumentou 65 por cento. A importância do sector ficou também patente num simpósio realizado no âmbito da feira, onde o especialista Fang Ting afirmou que a energia fotovoltaica passou de “capacidade complementar a capacidade principal” no sistema energético chinês.
Hoje Macau China / ÁsiaLucro da Xiaomi sobe 76% para 41.6 milhões de yuan em 2025 graças a IA e veículos elétricos A empresa tecnológica chinesa Xiaomi registou, em 2025, um lucro líquido atribuído de 41.643 milhões de yuan, um aumento de 76% em relação ao ano anterior, foi hoje anunciado. Nas demonstrações financeiras enviadas à Bolsa de Hong Kong, onde está cotada, a empresa indicou que o volume de negócios cresceu 25% em termos homólogos, atingindo cerca de 457.287 milhões de yuan. A empresa de tecnologia atribuiu este crescimento principalmente a “novas iniciativas”, como os veículos elétricos ou a Inteligência Artificial (IA), que mais do que triplicaram (+223,8%) as receitas. Neste segmento, a Xiaomi vendeu mais de 411.000 veículos no ano passado, superando a meta que tinha estabelecido (350.000). O seu principal negócio, o dos ‘smartphones’, contribuiu com 186.400 milhões de yuan, depois de as vendas terem diminuído 1,96%, para cerca de 165,2 milhões de unidades.
Hoje Macau China / ÁsiaBMW | Recolhidos 180.000 veículos na China por risco de incêndio A fabricante alemã de automóveis BMW lançou uma campanha de recolha de 180.000 veículos na China devido a uma potencial avaria que acarreta risco de incêndio, informou a entidade reguladora do mercado chinês. A recolha diz respeito a 133.849 veículos produzidos no país asiático e 45.678 importados, fabricados em diferentes períodos entre 2022 e 2025, indicou em comunicado a Administração Estatal para a Regulamentação do Mercado. “Os veículos em causa apresentam uma avaria relacionada com o mau posicionamento do chicote eléctrico do sistema de ar condicionado do habitáculo dianteiro, durante a substituição do filtro de ar, esta avaria pode provocar a deterioração do chicote”, afirmou. “Em casos extremos, pode ocorrer um curto-circuito, representando um risco de incêndio”, lê-se em comunicado. As entidades da BMW na China vão proceder gratuitamente à inspecção e ao reposicionamento deste componente nos veículos abrangidos pela recolha e substituir o mesmo em caso de danos, de acordo com o comunicado.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | Pedida abordagem às “causas profundas” do conflito em reunião com Reino Unido O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou na segunda-feira para que as partes no conflito no Irão abordem “as causas profundas”, num encontro com o conselheiro de Segurança Nacional britânico, Jonathan Powell, em Pequim. Wang sublinhou que o prolongamento da guerra apenas agravará os danos e as consequências, defendendo o regresso a uma solução política através do diálogo e da negociação, segundo um comunicado da diplomacia chinesa. Também na segunda-feira, o enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, alertou para “consequências insuportáveis para todas as partes” caso o encerramento desta rota se prolongue. Wang considerou que a visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à China em Janeiro foi “bem-sucedida” e “histórica”, tendo recebido avaliações positivas de vários sectores e da opinião pública internacional. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, este facto demonstra que o desenvolvimento de uma parceria estratégica abrangente, estável e de longo prazo entre a China e o Reino Unido é “inevitável” e corresponde à vontade dos povos. Wang acrescentou que, se ambas as partes avançarem na mesma direcção, poderão alcançar benefícios mútuos, devendo implementar consensos, reforçar os intercâmbios e aprofundar a cooperação para promover relações bilaterais estáveis. Powell afirmou que Londres está disponível para trabalhar com Pequim na implementação dos resultados da visita de Starmer, reforçar a comunicação e a cooperação e desenvolver uma parceria estratégica abrangente, estável e duradoura.
Hoje Macau China / ÁsiaEmpreiteiros de Hong Kong prometem proibição de fumar em estaleiros Nove associações da construção civil de Hong Kong assinaram um compromisso para impôr a proibição total de fumar em estaleiros de obras, após o incêndio mais mortífero na cidade desde 1948. De acordo com a emissora pública RTHK, a associação de empreiteiros de Hong Kong anunciou ontem ter assinado, juntamente com outros oito grupos, o documento, que pretende reforçar a segurança no sector. A Associação de Construção de Hong Kong (HKCA, na sigla em inglês) sublinhou que o compromisso prevê “a implementação abrangente da proibição de fumar nos estaleiros de construção”. Lawrence Ng San-wa, presidente de um dos nove grupos, a Associação de Subempreiteiros da Construção de Hong Kong, disse esperar que este “compromisso público” reforce “a confiança do público” no sector. As associações comprometeram-se ainda a respeitar as orientações políticas e os regulamentos do Governo, incluindo no que toca à prevenção de incêndios e outras medidas de segurança em estaleiros de construção. Este anúncio surge um dia depois de ser conhecida uma proposta do Governo para impor multas de até 400 mil dólares de Hong Kong para os empreiteiros que falhem na implementação da proibição de fumar. O documento elaborado pelo Departamento do Trabalho prevê ainda que os trabalhadores da construção civil podem enfrentar uma multa de 3 mil dólares de Hong Kong por fumarem em estaleiros. Em casos de risco catastrófico de incêndio – por exemplo, fumar perto de materiais altamente inflamáveis– o trabalhador estará sujeito a uma multa de 150 mil dólares de Hong Kong e uma pena de até seis meses de prisão. Nestes casos, o empreiteiro poderá enfrentar uma multa de 3 milhões de dólares de Hong Kong e a mesma pena de prisão, refere a proposta, já enviada para o parlamento local. Desastre em Tai Po Um incêndio, que começou a 26 de Novembro, causou a morte de 168 pessoas e devastou sete dos oito edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas. Uma comissão independente de investigação iniciou na quinta-feira as audiências sobre o incêndio mais mortífero em Hong Kong desde 1948 e ouviu depoimentos a apontar as falhas que contribuíram para que o fogo se espalhasse. Nas observações iniciais, o advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes. Victor Dawes apontou como factores que levaram ao desastre os alarmes de incêndio e sistemas de mangueiras desligados, a utilização de redes de andaimes não resistentes ao fogo e a cobertura de janelas com placas de espuma. “No dia do incêndio, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios destinados a proteger vidas falharam devido a factores humanos”, lamentou o advogado. A polícia da região chinesa deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio de Wang Fuk. A agência anticorrupção de Hong Kong deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo situado em Tai Po, no norte do território.
Hoje Macau China / ÁsiaFórum Boao | ´Davos Asiático’ arranca com ecos do conflito no Médio Oriente Os apelos à paz e a situação internacional estiveram em foco na abertura do encontro que reúne em Hainão, durante quatro dias, 2.000 representantes de 60 países e regiões O Fórum Boao para a Ásia, conhecido como o “Davos Asiático”, começou ontem na província de Hainão, com o secretário-geral do fórum económico, Zhang Jun, a indicar que o encontro ganha especial relevância perante a actual instabilidade política internacional. “Perante as profundas mudanças na ordem mundial e a escalada dos conflitos regionais, apelamos a todas as partes para que cessem imediatamente o fogo e regressem ao caminho das negociações diplomáticas. Devemos, em conjunto, manter a paz e a estabilidade globais, de modo a criar um ambiente favorável para a economia mundial e o desenvolvimento global”, apontou Zhang na cerimónia de abertura. O relatório do fórum publicado ontem prevê que a economia asiática cresça 4,5 por cento em 2026, com a região a continuar a ser o “motor do crescimento mundial” apesar das “incertezas globais”, com a China e os países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que inclui Timor-Leste, na liderança desse crescimento. De acordo com o documento, a participação da Ásia no Produto Interno Bruto (PIB) global deve avançar de 49,2 por cento em 2025 para 49,7 por cento em 2026, considerando a paridade de poder de compra. Durante os quatro dias que dura o fórum na cidade de Boao, cerca de 2.000 representantes de 60 países e regiões irão participar em debates sobre multilateralismo, cooperação regional e inovação tecnológica, com destaque para a inteligência artificial. Entre os presentes contam-se o Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, e o vice-primeiro-ministro do Cazaquistão, Roman Skylar. No entanto, o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Min-seok, que deveria ter proferido o discurso de abertura do evento, cancelou os seus planos de participar no fórum internacional para lidar com os efeitos do conflito no Médio Oriente na economia doméstica. Zhao Leji, actual presidente do Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo e terceiro na hierarquia do Comité Permanente do Politburo, órgão máximo de decisão do Partido Comunista Chinês, será o oficial chinês de maior relevo a participar no fórum, com um discurso planeado para dia 26. Macau marca presença O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, vai deslocar-se também nos dias 25 e 26 de Março para participar na conferência, com o governo de Macau a sublinhar que o evento se vai centrar sobre “o papel dos países do Sul Global na melhoria da governação económica global, a liderança da Ásia na transição da economia mundial”, e no novo “padrão do comércio global face ao impacto das guerras tarifárias”. “O objectivo é reunir consenso e reforçar a confiança, proporcionando ao mundo, em tempos de instabilidade e transformação, maior previsibilidade”, indicou o governo do território semi-autónomo chinês. Uma delegação da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), representada pelo Presidente da Delegação em Macau, Carlos Cid Alvares, e pelo Secretário-Geral da CCILC, Bernardo Mendia, vai estar também presente no evento, como forma de “promoção das relações económicas e empresariais entre Portugal e a China,”, apontou a organização, O fórum vai abordar ainda o 15.º Plano Quinquenal da China e o desenvolvimento do Porto de Comércio Livre de Hainão, que celebra o primeiro ano como território aduaneiro separado.
Hoje Macau China / ÁsiaHK | Segurança nacional justifica acesso a dispositivos electrónicos As alterações à lei de segurança nacional visam permitir às autoridades acesso a qualquer dispositivo considerado suspeito de conter dados que coloquem em causa a segurança do estado O Governo de Hong Kong anunciou ontem que quem se recusar a fornecer as palavras-passe de dispositivos electrónicos em investigações ligadas à segurança nacional da China poderá ser punido com até um ano de prisão. As autoridades publicaram ontem alterações – que entram imediatamente em vigor – à lei de segurança nacional, quase seis anos depois do Governo Central chinês ter imposto a legislação à da região semiautónoma. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos. Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial. Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados. A lei sublinha ainda que qualquer pessoa deve disponibilizar “toda e qualquer informação ou assistência razoável e necessária” a casos criminais ligados à segurança nacional da China. A polícia fica ainda autorizada, com a luz verde do secretário para a Segurança, a tomar medidas contra mensagens electrónicas “que possam constituir um delito ou levar à ocorrência de delitos” contra a segurança nacional. As forças de segurança de Hong Kong podem assim exigir que operadoras de telecomunicações ou de redes sociais e plataformas ‘online’ “removam mensagens ou tomem medidas contra elas antes de um prazo determinado”. Contra todos os riscos Num comunicado, um porta-voz do Governo defendeu que as alterações irão reforçar o poder de fiscalização, melhorar a prevenção e a investigação destes casos e mitigar mais rapidamente os riscos para a segurança nacional. “Dada a actual situação geopolítica complexa e instável, os riscos para a segurança nacional enfrentados por Hong Kong podem surgir de forma repentina e inesperada”, disse o porta-voz. “Portanto, o Governo de Hong Kong deve manter sempre um elevado grau de vigilância (…) e continuar a melhorar o sistema jurídico e os mecanismos de aplicação da lei para salvaguardar a segurança nacional”, acrescentou o comunicado. As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim | Mais de 300 robôs em meia maratona A China vai reunir mais de 300 robôs humanoides na segunda edição de uma meia maratona em Pequim, onde máquinas e humanos vão partilhar o percurso numa prova concebida como ensaio técnico em condições reais. A corrida realiza-se a 19 de Abril, no distrito tecnológico de Yizhuang, informou ontem a cadeia televisiva estatal CCTV, e contará com a participação de mais de uma centena de equipas provenientes de 13 províncias, incluindo mais de 80 empresas e cerca de duas dezenas de universidades e centros de investigação. No total, 26 marcas de robôs participarão na prova, na qual os dispositivos terão de completar um percurso de 21 quilómetros com exigências semelhantes às de uma meia maratona convencional, como curvas, subidas e mudanças de piso, embora em faixas separadas dos corredores humanos. Os organizadores indicaram que esta edição aumenta significativamente a escala do evento face ao ano passado e destacaram avanços técnicos, como o crescimento do número de robôs com capacidades de navegação autónoma, que representam cerca de 38 por cento dos participantes. A prova reunirá também equipas que participaram em exibições recentes, como a gala televisiva do Ano Novo Lunar, onde robôs humanoides realizaram coreografias e demonstrações de artes marciais, e servirá para testar progressos técnicos ao nível da resistência, estabilidade e tomada de decisões em ambientes reais. Na primeira edição, realizada no ano passado no mesmo distrito, cerca de duas dezenas de robôs humanoides participaram numa prova concebida como experiência técnica em contexto urbano. O robô Tiangong foi o primeiro a completar o percurso, com um tempo de duas horas, 40 minutos e 42 segundos, embora tenha necessitado de várias trocas de bateria e sofrido uma queda durante a corrida.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Tencent integra OpenClaw no WeChat O gigante tecnológico chinês Tencent anunciou a integração de agentes de inteligência artificial (IA) baseados em OpenClaw na aplicação de mensagens WeChat, num novo passo na expansão destes sistemas na China. A empresa informou, em comunicado divulgado no domingo, o lançamento do complemento ‘ClawBot’, que permite aos utilizadores ligar o OpenClaw ao WeChat e operar o agente através de conversas, de forma semelhante a uma interacção convencional. O OpenClaw é um programa de código aberto que liga modelos de linguagem a um computador para executar acções no sistema, como gerir ficheiros, enviar correio electrónico ou interagir com aplicações a partir de instruções em linguagem natural. Nas últimas semanas, a ferramenta ganhou popularidade entre programadores chineses, onde é conhecida como “lagosta” devido ao seu ícone, originando um rápido desenvolvimento de ferramentas e adaptações locais. Segundo a imprensa local, o complemento no WeChat permite, entre outras funções, resumir conversas, processar documentos extensos, gerar relatórios ou automatizar tarefas em computadores pessoais através de comandos enviados a partir do telemóvel. O WeChat conta com mais de 1.300 milhões de utilizadores a nível mundial, a maioria dos quais na China. O anúncio surge num contexto de crescente concorrência entre grandes tecnológicas chinesas como Baidu e Alibaba, que também apresentaram recentemente plataformas próprias de agentes de IA, numa corrida por liderança num segmento emergente. O rápido desenvolvimento destes sistemas tem sido acompanhado por alertas oficiais de entidades como o ministério da Segurança do Estado chinês, que advertiu para os riscos associados a permissões elevadas que podem facilitar o acesso a dados sensíveis ou o controlo remoto de dispositivos. Esta evolução insere-se no crescimento acelerado da IA na China, com modelos desenvolvidos por empresas como Baidu, Alibaba, DeepSeek ou a própria Tencent, que apresentam capacidades comparáveis às de sistemas norte-americanos, frequentemente a custos mais baixos.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | China apela a cooperação com França O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, propôs sexta-feira a França “trabalhar em conjunto” com Pequim na procura de uma solução pacífica para a guerra no Médio Oriente, que classificou como “injusta”. O apelo da diplomacia chinesa foi feito durante uma conversa telefónica com Emmanuel Bonne, conselheiro diplomático do Presidente francês, Emmanuel Macron, segundo informou um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Wang Yi defendeu que, apesar das dificuldades, “o caminho certo para sair da crise continua a ser o diálogo e a negociação”, sublinhando a necessidade de coordenação entre os dois países. Enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, China e França devem, segundo o chefe da diplomacia chinesa, reforçar a comunicação estratégica, defender a Carta das Nações Unidas e o direito internacional. O chefe da diplomacia chinesa alertou ainda para o risco de regressar a uma “lei da selva” nas relações internacionais caso não haja cooperação multilateral. De acordo com Wang Yi, o conflito no Médio Oriente, que dura há cerca de três semanas e que foi desencadeado por uma ofensiva militar de grande escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, continua a intensificar-se, afectando a estabilidade do fornecimento global de energia e agravando uma crise humanitária de grande escala. “O uso da força não resolverá nada, e uma guerra injusta não pode continuar”, afirmou Wang Yi. Pequim criticou também os ataques do Irão contra países do Golfo Pérsico que acolhem bases militares norte-americanas, apesar de manter relações comerciais e diplomáticas estreitas com Teerão.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | Europa e NATO recusam ser arrastadas para o conflito, diz analista O presidente-executivo do Observatório do Mundo Islâmico (OMI) defendeu sábado que Europa e NATO se recusam a ser arrastadas para o conflito que opõe Estados Unidos e Israel ao Irão, posição que considerou sensata. Numa entrevista à agência Lusa, João Henriques sublinhou que a Europa sabe que o conflito “vai ter efeitos devastadores”, desde logo pela perda de vidas, mas também que, com o decorrer do tempo, vai haver uma retaliação de grupos “que se sentem estimulados pela retórica islamista” e estão já em territórios ocidentais, não só na Europa Ocidental, como nos Estados Unidos. “Poderia dizer que há um consenso. Há membros da União Europeia e também da NATO, que nem sempre estão de acordo para que haja alguma parceria com os EUA para resolver a questão do estrangulamento que existe no estreito de Ormuz. É, claro, uma decisão sensata. De resto, a Europa também nunca fez nada de bem nos últimos tempos para que os conflitos não aconteçam, não sejam alimentados”, argumentou. Para o analista português, foi Israel quem arrastou os Estados Unidos para o conflito – “perdoe-se-me o plebeísmo, mas quem está a usar os cordelinhos é Telavive” –, pois cerca de metade da população islâmica vive nos Estados Unidos, que são, ao mesmo tempo, “os grandes tubarões da comunicação social nos Estados Unidos”. “Daí já sabemos quais são as influências que podem trazer até para a falta de esclarecimento, para a desinformação no mundo em geral, não é só no mundo ocidental, no mundo em geral, e aquilo que os Estados Unidos estão a fazer, como fizeram em Junho, também, no ataque às plataformas de enriquecimento de urânio, foi por encomenda, naturalmente, de [o primeiro-ministro israelita, Benjamin] Netanyahu. “Não vamos escamotear esta verdade. Neste binómio EUA-Israel, a situação de destruição dos territórios que se têm mostrado bastante hostis a ambos interessa aos grandes promotores imobiliários a desestabilização na região do Médio Oriente”, sustentou. Para João Henriques, o primeiro objectivo ainda não foi alcançado, porque o território ainda não foi completamente devastado, como aconteceu e vai continuar a acontecer, agora com menor intensidade, na Faixa de Gaza. Arte da propaganda Questionado pela Lusa sobre se esses “tubarões israelitas nos Estados Unidos” têm dominado a comunicação social internacional, permitindo ao Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que os Estados Unidos já destruíram a quase totalidade da capacidade militar iraniana, João Henriques falou de “propaganda”. “É propaganda, naturalmente. Isso faz parte das regras, já Sun Tzu [general e filósofo chinês mais conhecido pelo tratado militar, ‘A Arte da Guerra’] defendia isso, 500 anos antes de Jesus Cristo. Não vai haver, por parte de Israel, nenhuma cedência, enquanto aquele território não for completamente apagado do mapa”, argumentou. “E enquanto os Estados Unidos vão dizendo recorrentemente, sendo secundados por Israel, que destruíram uma quantidade imensa de protecções, de ‘bunkers’ que contêm armas, essas sim, de grande alcance, armas que estão armazenadas já há muito tempo, […] o poder bélico da República Islâmica do Irão está em subterrâneos a grande profundidade”, sublinhou o presidente-executivo do OMI.
Hoje Macau China / ÁsiaCELAC | Xi diz que China “será sempre boa amiga” dos países da América Latina e Caraíbas O Presidente chinês, Xi Jinping, garantiu que a China “será sempre boa amiga e parceira” dos países da América Latina e das Caraíbas, numa mensagem de felicitações enviada sábado à 10.ª cimeira da CELAC na Colômbia. No seu comunicado, Xi destacou o papel da Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC), inaugurada sábado, na “promoção da estabilidade, do desenvolvimento” e da “cooperação do ‘sul global'”, e reiterou o apoio de Pequim aos países latino-americanos e caribenhos na “defesa da soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, segundo o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. O líder chinês sublinhou que a relação entre a China e a CELAC avançou no último ano, na sequência da IV Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC, realizada em Pequim em Maio de 2025, na qual as partes concordaram em impulsionar uma agenda de cooperação centrada em cinco áreas: unidade, desenvolvimento, civilização, paz e intercâmbios entre os povos. Esse encontro, que contou com a presença de vários líderes latino-americanos, aprovou um plano de acção para o período 2025-2027 com uma centena de projectos e uma linha de crédito de 60 mil milhões de yuans, num contexto de crescentes laços económicos e políticos entre as regiões. Nesse evento, a China e os países da América Latina e das Caraíbas traçaram um plano de cooperação, num fórum em que presidentes e ministros dos Negócios Estrangeiros defenderam o direito de decidir com quem comercializar, apenas algumas semanas após o início da guerra de tarifas globais desencadeada pelos Estados Unidos. No sábado, em Bogotá, foi marcado pelo Fórum de Alto Nível CELAC-África, no qual se uniram países de ambas as regiões para rejeitar todas as formas de dominação, desde a escravatura e o colonialismo do passado aos bloqueios e guerras do presente, e durante o qual a Colômbia passou ao Uruguai a presidência ‘pro tempore’ do organismo regional.
Hoje Macau China / ÁsiaEconomia | Li Qiang afirma compromisso do país com aumento das importações O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu ontem o compromisso da China com a abertura económica e o aumento das importações, afirmando que o país “impulsionará de forma inabalável a abertura” e “importará mais produtos estrangeiros de qualidade”. Durante uma intervenção na abertura do Fórum de Desenvolvimento da China 2026, Li sublinhou que o mundo atravessa mudanças profundas e complexas”, com um aumento do “unilateralismo” e do “proteccionismo”, sublinhando que, em contrapartida, também crescem as forças que apostam na “cooperação e no desenvolvimento”. O chefe do Governo chinês, citado pela agência estatal Xinhua, assinalou que o crescimento económico global não deve basear-se na competição pelos mercados existentes, mas sim na criação de novas oportunidades “através da abertura e da inovação tecnológica”, e sublinhou que “o proteccionismo não é a solução” para os problemas actuais. Li destacou que as trocas comerciais da China se desenvolvem no âmbito das regras internacionais e defendeu a necessidade de fortalecer a cooperação global para “aumentar o bolo” da economia mundial. Li defendeu ainda no discurso de ontem a promoção de cadeias de abastecimento “estáveis e seguras” e o reforço de um ambiente de concorrência “justa”, ao mesmo tempo que reiterou a disponibilidade de Pequim para melhorar o ambiente empresarial e garantir o tratamento nacional às empresas estrangeiras. O discurso teve lugar num fórum organizado pelo Centro de Investigação para o Desenvolvimento do Conselho de Estado na capital chinesa, que contou com a presença de cerca de 750 representantes do mundo empresarial, organismos internacionais e entidades financeiras.
Hoje Macau China / ÁsiaApple | Tim Cook reafirma compromisso com a China O presidente executivo da Apple, Tim Cook, defendeu ontem em Pequim o papel da cooperação como motor de crescimento e reafirmou o compromisso da empresa com a China, com promessas de apoio à inovação, desenvolvimento sustentável e educação. Durante uma intervenção no Fórum de Desenvolvimento da China 2026, o CEO da Apple sublinhou a importância da colaboração para gerar valor acrescentado e enfatizou o potencial do trabalho conjunto para “produzir resultados superiores à soma das partes”. Cook, citado pelo meio de comunicação 21st Century Business Herald, destacou os avanços da China na transição para um modelo de crescimento “de alta qualidade” e assinalou que a comunidade de programadores do país constitui um “exemplo claro” das chamadas “novas forças produtivas”. No âmbito industrial, o CEO elogiou os “avanços extraordinários” dos parceiros da empresa em automação e fabrico inteligente, áreas em que a Apple mantém uma vasta rede de fornecedores. No que diz respeito ao ambiente, o executivo indicou que mais de 90 por cento da produção da Apple na China já utiliza energia limpa e que mais de 90 fornecedores se comprometeram a utilizar eletricidade 100 por cento renovável até 2030 na fabricação dos produtos da empresa. As declarações de Cook surgem no âmbito de uma visita ao país, durante a qual o dirigente se reuniu na sexta-feira, em Pequim, com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao.