Carta aberta a quem pensa que a língua tem dono

Por Vanessa Amaro – Professora e investigadora

Há debates que começam pequenos, quase como uma conversa de café, e de repente revelam algo muito maior: não apenas uma diferença de opinião, mas uma forma de olhar o mundo. A língua portuguesa em Macau é muitas vezes tratada como herança, instrumento, ponte, memória, profissão, currículo, vantagem competitiva. Mas, por vezes, ainda é tratada como propriedade. Como se alguém pudesse fechar a porta, guardar a chave e dizer: “esta língua é minha; os outros apenas a usam mal”.

No dia 5 de Maio, celebramos uma língua que nos une. Ou, pelo menos, deveríamos. Celebramos uma língua que hoje se fala em vários continentes, em diferentes sotaques, ritmos, histórias e modos de existir. Mas, no meio dessa celebração, ainda surgem vozes que insistem em dividir o português entre uma língua “verdadeira” e outras formas menores de a falar. Como se houvesse um centro autorizado e várias periferias toleradas. Como se a língua tivesse proprietário, fronteira e passaporte. E então a pergunta impõe-se: quem é, afinal, o dono da língua portuguesa?

A pergunta parece simples, mas não é. Uma língua não se torna mundial permanecendo intacta. Torna-se mundial porque é apropriada, transformada, ensinada, aprendida, amada e recriada por diferentes comunidades. O português que chegou a tantos lugares não ficou igual ao ponto de partida. Nem poderia. Em cada território, encontrou outras línguas, outros corpos, outras memórias, outras necessidades e outras formas de estar no mundo. Talvez seja exatamente por isso que continua vivo.

Uma língua viva não é uma peça de museu. Não fica parada dentro de uma vitrine, protegida do toque das pessoas. Uma língua viva é usada, tropeçada, reinventada, discutida, cantada, ensinada, aprendida com sotaque, esquecida e recuperada. Uma língua viva tem marcas de quem a fala. E se há algo que Macau deveria saber melhor do que muitos lugares, é isto: as línguas nunca vivem sozinhas.

Macau é, historicamente, um território multicultural e multilingue. Aqui, as pessoas aprenderam, durante séculos, a circular entre mundos. Cantonês, mandarim, português, inglês, patuá, línguas de comunidades migrantes, línguas de comércio, de escola, de casa, de igreja, de tribunal, de rua. Macau nunca foi uma linha reta. Sempre foi cruzamento. Sempre foi tradução. Sempre foi negociação.

Por isso, causa estranheza quando se tenta transformar a língua portuguesa num território cercado, como se houvesse uma única forma legítima de a habitar. É evidente que existem normas, contextos formais, regras ortográficas, convenções institucionais. Ninguém sério nega isso. A administração pública precisa de critérios. A escola precisa de orientação. A escrita formal exige consistência. Mas uma coisa é reconhecer normas de uso; outra, muito diferente, é confundir norma com superioridade, ortografia com identidade, sotaque com ignorância, variedade com erro.

Quando se reduz o português do Brasil, de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe ou de Timor-Leste a desvios, corrupções ou “português menor”, quem perde não é apenas quem fala essas variedades. Perdem os estudantes, que deixam de compreender a dimensão real da língua que estudam. Perdem os professores, que ficam presos a uma visão estreita do seu próprio objeto de ensino. Perde Macau, que se apresenta — e bem — como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, mas que não pode cumprir plenamente esse papel se aceitar uma ideia empobrecida do que é o mundo lusófono.

Afinal, que plataforma é possível construir se, à partida, se deslegitima a pluralidade daqueles com quem se pretende dialogar?

A língua portuguesa não é apenas a língua de Portugal. É também, plenamente, a língua do Brasil, de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor-Leste, da Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe, de comunidades espalhadas pelo mundo e, de forma muito própria, de Macau. Não se trata de negar a história portuguesa em Macau, nem de apagar o papel do português europeu na formação jurídica, administrativa e educativa do território. Trata-se de reconhecer que a história não autoriza ninguém a transformar uma língua partilhada numa hierarquia de legitimidades.

Há quem diga “amo-te”. Há quem diga “te amo”. Será isto motivo para guerra? Será que o amor muda de valor porque o pronome mudou de lugar? Será que uma mãe que diz “te amo” ao filho ama menos, ou ama errado? Será que uma canção brasileira, uma crónica angolana, um poema moçambicano ou um discurso timorense deixam de ser português porque não obedecem ao ouvido de Lisboa?

A língua, felizmente, é mais inteligente do que as nossas fronteiras mentais. Ela sabe fazer aquilo que nós, por vezes, esquecemos: adaptar-se sem desaparecer. Carregar memória sem deixar de criar futuro. Ser uma e ser muitas. Ter gramática e ter música. Ter regra e ter respiração.

O problema dos debates sobre variedades e sotaques é que, muitas vezes, eles fingem ser linguísticos, mas são sociais. Fingem discutir sons, mas discutem prestígio. Fingem defender a língua, mas defendem hierarquias. Fingem proteger estudantes, mas limitam o seu horizonte. Quando se ensina a um aluno que só uma variedade é legítima, não se está a ensinar rigor; está-se a ensinar exclusão. Quando se ridiculariza um sotaque, não se está a corrigir uma pronúncia; está-se a diminuir uma pessoa.

E Macau não precisa disso. Macau precisa de talentos capazes de compreender Portugal e o Brasil, Angola e Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Precisa de jovens que saibam ler diferentes normas, reconhecer diferentes usos, adaptar-se a diferentes contextos. Precisa de profissionais que saibam que a língua portuguesa é uma ferramenta diplomática, económica, cultural e humana precisamente porque é plural.

Quem ganha com a pluralidade? Ganham os alunos, que passam a conhecer melhor o mundo. Ganham as instituições, que formam profissionais mais preparados. Ganha a RAEM, que reforça o seu papel como espaço de encontro. Ganha a própria língua portuguesa, que se mostra maior do que qualquer tentativa de a encolher.

E quem perde? Perde quem precisa que a língua tenha dono para se sentir autorizado a falar em nome dela.

Mas a língua portuguesa não tem dono. Tem falantes. Tem histórias. Tem países. Tem sotaques. Tem gramáticas. Tem erros, sim, como todas as línguas vivas. Mas também tem beleza, movimento e futuro. Em Macau, talvez a melhor forma de honrar o português não seja guardá-lo como relíquia, mas ensiná-lo como ponte.

Porque uma ponte não pergunta de que lado vem quem a atravessa. Uma ponte existe para ligar.

15 Mai 2026

Encontro | Trump convida Xi a visitar Casa Branca a 24 de Setembro

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou ontem o homólogo chinês, Xi Jiping, a visitar a Casa Branca a 24 de Setembro, após considerar “extremamente positivas e produtivas” as discussões entre ambos em Pequim.

“Tenho a honra de o convidar e à senhora Peng para nos visitarem na Casa Branca a 24 de Setembro”, disse Trump, ao dirigir-se a Xi e à sua mulher, Peng Liyuan, durante o discurso no banquete de Estado realizado em Pequim, no âmbito da visita oficial do líder norte-americano à China.

Na sua intervenção, Trump descreveu as conversações que manteve com Xi Jinping antes como “extremamente positivas e produtivas”, no primeiro dia da cimeira bilateral. “Mais cedo hoje, tivemos conversas e reuniões extremamente positivas e produtivas com a delegação chinesa”, disse.

O líder republicano descreveu a relação entre os Estados Unidos e a China como “uma das mais importantes da história” e definiu-a como “muito especial”, brindando à “prosperidade” de ambos os países e a um futuro “promissor” para as relações bilaterais.

Trump também analisou diferentes episódios históricos para sublinhar os laços entre as duas nações e assegurou que a relação entre os dois povos foi construída sobre “250 anos de comércio e respeito mútuo”.

O Presidente norte-americano evocou referências históricas que vão desde a publicação de textos de Confúcio por Benjamin Franklin até à participação dos trabalhadores chineses na construção da ferrovia dos Estados Unidos ou ao apoio de Theodore Roosevelt à criação da Universidade Tsinghua, alma mater de Xi.

“Americanos e chineses partilham muitas coisas em comum. Valorizamos o trabalho árduo, a coragem e as conquistas. Amamos as nossas famílias e os nossos países”, disse Trump. “Temos a oportunidade de construir sobre esses valores para criar um futuro de maior prosperidade, cooperação, felicidade e paz para as nossas crianças”, acrescentou.

15 Mai 2026

Teerão autoriza passagem de navios chineses no estreito de Ormuz

As forças navais do Irão autorizaram desde quarta-feira a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, anunciou a agência noticiosa iraniana Tasnim. “Na sequência de uma decisão da República Islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o estreito de Ormuz no âmbito de protocolos de trânsito geridos pelo Irão”, informou a Tasnim, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A agência iraniana Fars divulgou com informações semelhantes, enquanto a televisão estatal do Irão referiu que “mais de 30 navios” receberam autorização para cruzar o estreito, sem especificar se pertencem exclusivamente à China.

A República Popular da China é o principal país importador do petróleo iraniano. As notícias foram divulgadas no dia em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou encontros em Pequim com o homólogo chinês, Xi Jinping, no âmbito de uma visita oficial que está a realizar à China.

Os dois líderes falaram esta quarta-feira sobre a situação no estreito de Ormuz, de acordo com a Casa Branca, a presidência norte-americana. Trump exige ao Irão o fim do bloqueio do estreito de Ormuz como uma das condições para cessar a guerra contra o regime da República Islâmica.

O Irão bloqueou o estreito por onde passa habitualmente 20% do comércio internacional de produtos petrolíferos em reação à ofensiva militar de que é alvo desde 28 de fevereiro por parte dos Estados Unidos e Israel.

O bloqueio iraniano à única ligação do golfo Pérsico com o mar aberto tem perturbado os mercados globais e conferido a Teerão uma vantagem estratégica, segundo a AFP. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos navios e portos iranianos, apesar de estar em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril.

A trégua foi mediada pelo Paquistão para permitir negociações entre Teerão e Washington, que foram infrutíferas até agora. A guerra causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e afeta quase todos os países da região.

15 Mai 2026

Cimeira | Revitalização da China é compatível com movimento MAGA

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que as aspirações da “grande revitalização” da China são compatíveis com as de “tornar a América grande novamente”, como é conhecido o movimento MAGA (“Make America Great Again”) promovido por Donald Trump.

Na abertura do banquete de Estado durante a visita oficial do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, Xi traçou paralelos entre o plano para os próximos 15 anos, de “avançar a modernização da China através de um desenvolvimento de alta qualidade”, e a celebração dos 250 anos de independência dos Estados Unidos e o espírito de “patriotismo, inovação e pioneirismo” que representa.

“Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, defendeu.

Mais tarde, Trump brindou à “prosperidade da China e dos Estados Unidos” e a um futuro “promissor” para as relações amistosas entre os dois países, enquanto Xi afirmou que ambos acreditam manter a “relação bilateral mais importante do mundo”. “Temos de garantir que funciona e nunca se estraga”, disse Xi, no final do primeiro dia de visita oficial de Trump.

O jantar de gala realiza-se num salão do Grande Palácio do Povo e entre os participantes encontram-se altos funcionários de ambos os países, bem como empresários de grandes empresas chinesas e norte-americanas.

Trump enfatizou o “laço de respeito” entre os dois países, que pode ser rastreado até à origem dos Estados Unidos, e afirmou que é “uma das relações mais transcendentais da história” e que definiu como “especial”.

“Ambos valorizamos o trabalho árduo, o valor, a coragem e a conquista”, disse Trump, acrescentando: “Ambos temos a oportunidade de nutrir esses valores para criar um futuro de grande prosperidade, cooperação e felicidade”. A visita de Trump prossegue esta sexta-feira com um almoço de trabalho.

15 Mai 2026

Poemas de Meng Haoran

Tradução Rui Cascais

越中逢天台太一子

仙穴逢羽人

停艫向前拜

問余涉風水

何事遠行邁

登陸尋天台

順流下吳會

兹山夙所尚

安得聞靈怪

上逼青天高

俯臨滄海大

雞鳴見日出

每與仙人會

來去赤城中

逍遙白雲外

莓苔異人間

瀑布作空界

福庭長不死

華頂舊稱最

永願從此遊

何當濟所屆

Em Yue, Encontrando ao Acaso Um Mestre Taoista de Tiantai

Junto a uma gruta dos Imortais encontrei um homem emplumado; 1

Desembarcando, dirigi-me a ele para prestar respeito.

Perguntou da minha travessia sobre as águas batidas pelo vento:

De que serve embarcar em viagens longínquas?

“Podem-se cruzar desertos em busca de Tiantai,

Ou seguir corrente abaixo até Kuaiji em Wu.

Essa montanha reverenciei toda a vida,

Mas como saber dos seus numinosos prodígios?

Erguendo-se, enche as alturas do céu azul;

Em baixo, olha a extensão do mar turquesa.

Ao cantar do galo vê-se o sol aparecer,

Estamos sempre acompanhados pelos Imortais.

Vão e vêm no Pico da Falésia Vermelha,

Livres e leves além das nuvens brancas.

Líquen e musgo são diferentes dos do reino da morte,

E um lençol de espuma delineia os limites do espaço.

De entre os pavilhões a que a morte nunca vem

O mais elogiado sempre foi o da Crista Florida.

Peço poder partir de onde estou,

Para me ir até onde quero chegar um dia.”

Nota – Uma pessoa emplumada é alguém que transcendeu este “mundo de pó” e viaja pelo espaço como se tivesse asas. A residência terrena destas pessoas é em “grutas celestes (洞天), nas profundezas de montanhas sagradas, como Tiantai, que dão acesso a outros mundos, a mundos paralelos.

POEMA

早發漁浦潭

東旭早光芒

渚禽已驚聒

臥聞漁浦口

橈聲暗相撥

日出氣象分

始知江路闊

美人常晏起

照影弄流沫

飲水畏驚猿

祭魚時見獺

舟行自無悶

况值晴景豁

Saindo Cedo da Enseada do Pescador 1

Primeiros raios da estrela d’alva a oriente;

As aves na ilhota guincham surpresas.

Deitado escuto, na boca da enseada,

O som dos remos começando a bulir na obscuridade.

Com o sol erguendo-se, percebem-se formas ténues;

Agora fico a saber a vastidão da estrada líquida.

Formosas mulheres, a pé sempre tarde,

Remiram-se na água e brincam com a correnteza.

Temo espantar os gibões que bebem na margem;

Vê-se às vezes uma lontra a catar um peixe.

O barco voga e eu vogo de coração livre,2

Nesta cena que se descerra luminosa.

Na margem do Rio Zhe, a sudoeste do actual distrito de Xiaoshan (蕭山), no Zhejiang.

Nota – “Coração livre” traduz 無悶 (wú mèn); o caracter 悶, com a sua tremenda visualidade, pode traduzir-se por “enfado”, “tédio”, “melancolia”, “aperto”, sendo, por sua vez, composto por dois carateres, “porta” 門 (mén), e “coração” 心 (xīn).

15 Mai 2026

Turismo | Situação internacional complica previsões

O subdirector dos Serviços de Turismo (DST), Cheng Wai Tong, afirmou que a situação internacional faz com que seja difícil fazer previsões sobre o número de visitantes que vão visitar Macau durante o Verão. As declarações foram prestadas ontem, à margem da realização feira G2E Asia.

Embora tinha evitado fazer previsões, Cheng prometeu que as autoridades vão continuar a desenvolver os preparativos para receber um número maior de turistas, o que passa por apostar mais em eventos de promoção de Macau, melhorar as infra-estruturas locais e tentar promover uma melhoria da oferta turística.

Quanto aos esforços para atrair mais turistas internacionais, Cheng Wai Tong reconheceu que a situação actual é difícil, devido ao impasse no estreito de Ormuz e à crise dos combustíveis. No entanto, o responsável indicou que as autoridades estão a cooperar com a companhia aérea local e outras companhias de aviação internacionais, responsáveis por voos de longa duração, para promover Macau como um destino turístico.

O subdirector da DST apontou também que Macau quer conseguir atrair turistas de outros aeroportos internacionais, além de Hong Kong, apontando os exemplos de Xangai e Pequim.

Ao mesmo tempo, espera-se um aumento no Verão do número de alunos do Interior que visitam Macau para conhecerem as instituições de ensino superior. Sobre esta tendência, a DST prometeu melhorar a coordenação com os agentes da indústria do turismo, para receber estes visitantes.

15 Mai 2026

UPM | Zhou Zhongrong é o novo reitor

Zhou Zhongrong será o novo reitor da Universidade Politécnica de Macau (UPM) a partir do próximo dia 1 de Junho, foi revelado ontem em comunicado, substituindo Marcus Im no cargo. O mandato de reitor terá a duração de dois anos, sendo que o Conselho Geral da UPM espera que Zhou Zhongrong possa “liderar a universidade no sentido de expandir ainda mais a cooperação internacional e a colaboração regional” da instituição.

Zhou Zhongrong é doutorado em Engenharia de Materiais pela École Centrale de Lyon, França, sendo ainda membro do 14.º Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Nas funções políticas que desempenha, inclui-se ainda o facto de ser deputado à 13.ª Assembleia Popular Nacional.

Zhou Zhongrong era, até à data, vice-reitor e professor de Engenharia Mecânica da Universidade Jiaotong do Sudoeste, na China. A nível académico destaca-se o facto de ter “mais de 30 anos de experiência na docência, investigação e gestão administrativa no ensino superior”.

15 Mai 2026

Áreas marítimas | Seis projectos de aprovados à espera da lei

O Governo aprovou licenças provisórias, válidas por um ano, para seis projecto de uso de zonas marítimas, que estão à espera da entrada em vigor lei de uso das áreas marítimas, em análise na especialidade na 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa.

Os projectos em questão são as instalações marítimas da Central Térmica de Coloane, uma ponte-cais na Zona A dos novos aterros, uma marina de recreio de um clube náutico, as instalações temporárias para ampliação do Aeroporto de Macau, condutas de abastecimento de combustíveis de aviação, uma plataforma flutuante para combate a incêndios também no aeroporto.

Numa primeira análise, o deputado Leong Sun Iok acrescenta que algumas pontes-cais não vão estar sujeitas à futura legislação porque as suas localizações são definidas como terras e, como tal, reguladas pelas leis de terras.

Segundo o jornal Ou Mun, deputado dos Operários apontou que algumas pontes-cais privadas em funcionamento têm a estrutura principal fora da orla costeira e por isso, são definidas como zonas terrestres. Estas pontes-cais incluem a Doca dos Pescadores, a ponte-cais nº 16, Terminal Marítimo do Porto Interior, o Terminal de Contentores do Porto de Ká Hó, Clube Náutico Internacional de Macau e Marina de Coloane. Os deputados da 3ª Comissão Permanente vão continuar a analisar a proposta de lei hoje à tarde.

15 Mai 2026

Inundações | Deputado pede medidas temporárias

O deputado Lee Koi Ian quer saber que medidas temporárias estão a ser tomadas pelo Governo para garantir que as lojas nos locais de risco sejam protegidas de cheias. O assunto faz parte de uma interpelação do deputado de Jiangmen, divulgada no portal da Assembleia legislativa.

Para o deputado o facto de a época de cheias estar a aproximar-se e da obra para construir uma estação elevatória de águas pluviais e saneamento na zona antiga da Taipa ainda estar em curso pode fazer com que a capacidade de drenagem seja mais reduzida, pelo que pede medidas de protecção.

O deputado pergunta ainda se o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) iniciou as inspecções à rede de drenagem, principalmente nas áreas propícias as cheias: “Em alguns pontos turísticos e zonas com grande concentração de comércio, ainda existe o risco de inundações durante chuvas torrenciais. As autoridades devem reforçar a frequência das inspecções e a rapidez da resposta de emergência nestas zonas específicas, bem como a colocação preventiva de pequenas bombas portáteis de drenagem em terrenos desocupados nas proximidades, de modo a permitir uma drenagem imediata e reduzir assim o risco de inundações nas lojas”, apontou.

Ao mesmo tempo, Lee Koi Ian considerou que durante o Verão é normal que a rede de drenagem liberte odores, incomodando os cidadãos. Por isso, quer saber se as tampas de drenagem vão ser substituídas por outro tipo de tampas com capacidade para reter cheiros.

15 Mai 2026

Cimeira | Economia, relações comerciais e Taiwan discutidos por Xi e Trump em longa reunião

Foram duas horas de diálogo entre os dois mais importantes líderes da actualidade. Xi Jinping, Presidente chinês e Donald Trump, Presidente dos EUA, reuniram ontem para discutir questões comerciais, Taiwan e as relações económicas numa altura de turbulência geopolítica. Xi declarou que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”

Há muito que Donald Trump não pisava solo chinês na qualidade de Presidente dos EUA – a última vez foi em 2017, no seu primeiro mandato. As expectativas têm sido mais que muitas para esta cimeira que termina hoje, e que esta quinta-feira teve um dos pontos altos, com um encontro de cerca de duas horas entre Trump e Xi Jinping, Presidente chinês, numa altura em que os dois países tanto têm para dialogar. Não só são as duas maiores potências da actualidade, como esta cimeira acontece no contexto de uma situação geopolítica complexa, com o conflito no Médio Oriente, a crise energética, a questão de Taiwan e ainda as relações económicas entre os dois países, nem sempre pacíficas.

A reunião de ontem foi realizada num formato alargado, com a presença de delegações de ambos os países, no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, Pequim. Após o contacto inicial, que incluiu cumprimentos tradicionais e uma discussão sobre Taiwan, os dois líderes visitaram o Templo do Céu, um dos principais sítios históricos da capital chinesa. Xi ofereceu também um banquete de homenagem a Trump, sendo que hoje os presidentes irão tomar chá e almoçar juntos.

Ontem, Xi Jinping advertiu Donald Trump da possibilidade de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, noticiou a televisão estatal chinesa.

“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino – norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar.

Entre os temas em discussão incluíram-se o Irão, comércio bilateral e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo.

Questão de peso

A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte-americano de 11 mil milhões de dólares americanos aprovado para a ilha. Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha.

Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável.

Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o “bem mais precioso” de Taiwan e que o povo taiwanês “sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede”.

Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um actor central no contexto das disputas entre Pequim e Taipé.

A bem da cooperação

Entretanto, Xi Jinping declarou também estar feliz por receber o homólogo norte-americano, Donald Trump, afirmando que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”, apesar das múltiplas divergências.

“A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação prejudica as duas. Devemos ser parceiros, não rivais, devemos ajudar-nos mutuamente para alcançar o sucesso e prosperar em conjunto,” disse Xi a Trump.

O líder chinês acrescentou que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, realçando ser necessário “uma nova via” de “boa convivência entre grandes potências nesta nova era”.

Por seu lado, Trump prometeu a Xi um “futuro fabuloso” entre os EUA e a China, logo no início da cimeira. “É uma honra estar ao seu lado. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca”, afirmou Trump.

Entretanto, segundo a Xinhua, Xi Jinping reuniu ontem em Pequim com empresários norte-americanos que integram a comitiva liderada por Trump, que disse ter trazido consigo “representantes de destaque da comunidade empresarial norte-americana, todos eles respeitadores e apreciadores da China”.

Os empresários terão sido apresentados ao Presidente chinês “um a um”, escreveu a agência estatal chinesa, tendo afirmado “que atribuem grande importância ao mercado chinês”. Além disso, esperam “aprofundar as suas operações comerciais na China e reforçar a cooperação com o país”. Por sua vez, Xi Jinping “afirmou que as empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e que ambas as partes têm beneficiado com isso”.

Resultados “concretos”

A Casa Branca insiste que a viagem visa alcançar resultados concretos, nomeadamente compromissos chineses de compra de soja, carne bovina e aviões norte-americanos, além da criação de um Conselho de Comércio para resolver diferendos. Contudo, não foram avançados detalhes sobre possíveis acordos, numa altura em que os laços económicos de Pequim com o Irão complicam as negociações.

A ofensiva lançada pelos EUA e Israel levou o Irão a bloquear o estreito de Ormuz, com petroleiros e navios de gás natural retidos, provocando a subida dos preços da energia e ameaçando o crescimento global.

Os EUA e a China alcançaram no ano passado uma trégua comercial que suspendeu tarifas elevadas. A Casa Branca já afirmou existir interesse mútuo em prolongar o acordo, embora não esteja claro se será anunciado durante esta visita.

Na delegação que acompanha Trump estão o chefe da diplomacia norte-americana, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário da Defesa Pete Hegseth, além dos filhos do Presidente, Eric e Lara Trump, o dono da SpaceX e da rede social X, Elon Musk.

China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, diz Xi

O Presidente chinês Xi Jinping prometeu ontem à delegação de empresários que acompanhou o líder norte-americano Donald Trump que a China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, reportou a imprensa estatal chinesa.

“As empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e ambas as partes beneficiam disso. A porta da abertura da China continuará a abrir-se cada vez mais”, afirmou Xi, citado pela Xinhua. O líder chinês elogiou ainda o reforço na “cooperação mutuamente benéfica” entre os dois países e disse estar convicto de que as “empresas norte-americanas terão perspectivas ainda melhores na China”.

Os dirigentes de vários gigantes empresariais que acompanharam o Presidente dos EUA na visita à China, estiveram presentes na cimeira realizada em Pequim entre o líder republicano e o homólogo chinês, algo invulgar neste tipo de diálogos bilaterais.

Da Apple à Tesla

Nas imagens difundidas pela CCTV, vê-se o grupo de empresários — entre os quais os presidentes executivos da Nvidia, Jensen Huang, da Apple, Tim Cook, e da Tesla, Elon Musk — a entrar no Grande Salão do Povo, onde se reuniam as delegações dos EUA e da China, lideradas pelos dois chefes de Estado.

De acordo com o jornal estatal Diário do Povo, Trump afirmou ter levado a Pequim representantes destacados do sector empresarial norte-americano, explicando ter rejeitado a presença de executivos de “segundo nível”, o que, assegurou, reflectia o respeito das companhias para com a China e Xi.

Posteriormente, os empresários foram vistos a abandonar o edifício para embarcar no autocarro utilizado nas deslocações pela capital.

“Maravilhoso, muitas coisas boas”, disse Elon Musk aos jornalistas que aguardavam no exterior, com Jensen Huang a afirmar que as reuniões “correram bem” e que “Xi e o Presidente Trump foram incríveis”, enquanto Tim Cook limitou-se a fazer com os dedos um sinal de paz seguido de um gesto de aprovação. A delegação empresarial que acompanha Trump inclui ainda responsáveis da Boeing, BlackRock, Visa, Mastercard, Meta e Goldman Sachs, sublinhando o carácter económico e comercial da visita.

15 Mai 2026

Ásia | ONU critica Pyongyang por investir em armas em vez de serviços sociais

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos criticou ontem a Coreia do Norte por dar prioridade ao investimento militar em detrimento dos serviços sociais necessários no país, durante uma visita oficial à Coreia do Sul.

“Estou particularmente preocupado com a extrema prioridade atribuída aos investimentos em segurança e defesa, em prejuízo dos serviços sociais e do desenvolvimento sustentável que são desesperadamente necessários” na Coreia do Norte, afirmou Volker Turk aos jornalistas, em declarações divulgadas pelo seu gabinete.

O alto-comissário considerou que o país, que classificou como hermético, vive uma situação de “crise de direitos humanos” e afirmou que o seu gabinete documentou abusos que poderão constituir “crimes contra a humanidade”.

“É evidente que tem de haver responsabilização sob todas as formas, incluindo não judiciais, pelas graves violações que assolaram a República Popular Democrática da Coreia [designação oficial da Coreia do Norte] durante décadas”, declarou o alto-comissário. Ainda assim, Turk incentivou à procura de vias de contacto com as autoridades norte-coreanas sempre que possível, com o objectivo de criar espaços de diálogo e promover a confiança.

Nesse sentido, saudou a notícia de que a equipa de futebol norte-coreana Naegohyang FC vai disputar, em 20 de Maio, na Coreia do Sul, a fase final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC), defrontando nas meias-finais uma equipa sul-coreana, após oito anos sem visitas desportivas de Pyongyang ao país vizinho.

“São necessárias medidas urgentes para encontrar formas de trocar cartas, retomar os contactos e os reencontros familiares, e divulgar informações que permitam esclarecer o paradeiro e o destino das pessoas desaparecidas e sequestradas”, sublinhou o alto-comissário. Turk chegou terça-feira à Coreia do Sul para uma visita de três dias.

14 Mai 2026

Japão | Softbank quadruplica lucro para 27.045 ME

O grupo japonês Softbank quadruplicou o lucro líquido, atingindo 5.002 mil milhões de ienes (cerca de 27,045 mil milhões de euros), no exercício fiscal de 2025, encerrado em Março passado, anunciou ontem o grupo.

O Softbank, que tem apostado fortemente na Inteligência Artificial (IA), registou 7,3 biliões de ienes (cerca de 39.463 milhões de euros) em ganhos de investimentos durante o último exercício, que decorreu de Abril de 2025 a 31 de Março, de acordo com o relatório financeiro do grupo.

O resultado operacional líquido (EBIT) da empresa foi de 6,1 biliões de ienes (cerca de 32.990 milhões de euros), o que representa um aumento de 259,9 por cento. O volume de negócios do conglomerado aumentou 7,7 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 7,8 biliões de ienes (cerca de 41.650 milhões de euros).

O aumento dos lucros em 334 por cento é justificado pelo grupo principalmente com os investimentos multimilionários na OpenAI, a criadora do ChatGPT, que ascenderam a 6,7 biliões de ienes (cerca de 36.220 milhões de euros).

A SoftBank, cuja participação na OpenAI estaria avaliada em cerca de 55.000 milhões de dólares, tem centrado os seus investimentos em indústrias de inteligência artificial, como o sector dos semicondutores e os centros de dados.

14 Mai 2026

Jogo | IA aumenta riscos de segurança na indústria

Especialistas da indústria do jogo alertaram ontem que a integração de Inteligência Artificial (IA) e da análise de dados na indústria do jogo “acarreta ameaças” para a segurança do sector.

Num seminário realizado ontem, durante a G2E Asia, a maior expo da indústria do jogo na Ásia, Jamie Dorbian, director geral internacional da empresa de materiais de jogo LNW Gaming Asia, deixou o aviso de que “são necessários quadros regulatórios adequados em todas as indústrias”, alertando que, sem essas restrições, “a IA poderá contornar os mecanismos de segurança”.

Apesar dos riscos, sublinhou que estes novos desenvolvimentos tecnológicos permitem uma maior “integração entre sistemas”, uma tomada de decisão “mais rápida e inteligente”, e colocam a “informação literalmente na ponta dos dedos do utilizador”.

As declarações foram feitas durante um painel sobre o uso de novas tecnologias na indústria do jogo, realizado no segundo dia da G2E Asia, a expo e conferência anual do sector que decorre no Venetian Macau de 12 a 14 de Maio.

No mesmo evento, Shaun McCamley, fundador e presidente da GameWorkz, apontou para a crescente dependência de dispositivos móveis para a interacção com os utilizadores e o fosso entre a tecnologia disponível e a capacidade humana de lidar com ela.

“Se não soubermos como usar a tecnologia, onde é que isso nos vai levar”, questionou. McCamley traçou também um contraste entre as capacidades tecnológicas internacionais, considerando que os Estados Unidos têm gerido os desenvolvimentos tecnológicos “de forma mais eficaz durante anos”, enquanto o Sudeste Asiático e a Europa “ainda não chegaram lá”.

Factor humano

Dorbian alertou que o excesso de dependência da tecnologia prejudica directamente o “toque pessoal” essencial nos ambientes físicos dos casinos. Para o especialista, embora os jogadores online possam preferir interfaces totalmente digitais, os espaços físicos correm o risco de afastar um segmento significativo de clientes que “procuram uma interação humana genuína com ‘dealers’, empregados de mesa e funcionários de sala”.

Desse modo, avisou que a procura da eficiência tecnológica “poderá destruir involuntariamente a própria atmosfera” que distingue o jogo presencial das plataformas online.

“O equilíbrio errado degradaria a experiência do cliente, independentemente de quão sofisticada seja a tecnologia. Um estabelecimento de três estrelas pode priorizar a eficiência através da automação, enquanto um hotel de cinco estrelas faria bem em preservar o elemento humano como uma vantagem competitiva”, acrescentou.

14 Mai 2026

Armazém do Boi | Mostra de vídeo experimental a partir de domingo

São 11 os artistas que participam na EXIM 2025 – Time & Movement, Experimental Moving Image Exhibition, para ver no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau a partir deste domingo, dia 17. Trata-se de uma mostra inteiramente dedicada ao vídeo experimental organizada pelo Armazém do Boi e que conta com um português, Gonçalo Magalhães, no rol de participantes

O Armazém do Boi apresenta, a partir deste domingo, dia 17, uma exposição dedicada ao vídeo experimental e artístico, intitulada “EXIM 2025 – Time&Movement, Experimental Moving Image Exhibtion” [Tempo&Movimento, Exposição de Imagem Experimental em Movimento], e que pode ser vista no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau a partir das 16h.

A curadoria está a cargo de Bianca Lei, que convidou 11 artistas de Macau, Hong Kong e interior da China para exporem os seus trabalhos. Nomes como Elaine Ho, Dong Jun ou Felix Vong fazem parte do cartaz. Destaca-se ainda o trabalho do português Gonçalo Magalhães, um artista visual ligado a Macau.

Segundo uma nota do Armazém do Boi sobre esta mostra, o público pode ver estes projectos artísticos em duas salas distintas, sendo que numa das zonas as obras “alinham-se de forma estreita com a vida quotidiana no vocabulário visual e na narrativa, iniciando um diálogo directo com as pessoas, objectos e acontecimentos do nosso ambiente”.

Exploram-se, de forma artística, elementos como “alimentos quotidianos familiares e as ruas da cidade”, bem como “paisagens naturais e redes de nuvens que, silenciosamente, permeiam a existência contemporânea”.

Real e o surreal

Na sala com vídeos sobre a vida de todos os dias, as imagens mostram como os artistas “empregam figuras, pincéis, gelo e até dados pessoais para desenhar, reconstruir e revelar uma faceta diferente da vida”. Convida-se, nesta parte da exposição, o público “a examinar o conflito entre espaços reais e virtuais, passado e presente, eficiência e futilidade, e a interacção entre a humanidade e o espaço”.

Entretanto, na segunda sala da EXIM 2025, podem ver-se “imagens poderosas e altamente simbólicas”, com “cenas oníricas e fantásticas” e ainda “efeitos audiovisuais fragmentados”.

Podem ver-se e sentir-se “mundos sensoriais surreais que testam as nossas percepções e emoções através do impacto ou da provocação”, procurando-se, desta forma, “imergir o público em reinos visuais meticulosamente construídos e em contextos paradoxais”.

A EXIM 2025 pode ser visitada, de forma gratuita, até ao dia 22 de Junho. A organização da exposição destaca que podem ser vistas “imagens em movimento que rompem as fronteiras da ‘imobilidade eterna’ da arte, transitando das segunda e terceira dimensões para uma quarta dimensão”, que não é mais do que “o tempo”.

Desta forma, “tempo e movimento constituem a essência intrínseca e a matéria fundamental das obras” expostas na EXIM 2025. “Através de técnicas de filmagem ou edição, o tempo pode ser expandido, comprimido ou ter a sua lógica interrompida, sobrepondo passado, presente e futuro. O tempo deixa de ser uma progressão linear e passa a poder ser editado, invertido ou repetido infinitamente”, lê-se ainda.

14 Mai 2026

Laboratório China-Portugal com impacto na saúde pública global

Uma investigadora do Laboratório Conjunto China-Portugal para Inteligência Artificial e Tecnologias da Saúde Pública disse ontem à Lusa que o projecto está a ter “impacto directo na saúde pública global”, com várias inovações de combate a epidemias.

“Este laboratório é a prova de que a ciência pode ser um elo de ligação entre culturas e sistemas de saúde distintos,” afirmou à Lusa Lara Lopes, também directora clínica do Hospital de Medicina Chinesa em Portugal.

Segundo a investigadora, o objectivo é desenvolver “soluções práticas, acessíveis e eficazes para responder às necessidades reais das comunidades lusófonas”, através de “tecnologias simples, de baixo custo e com capacidade de resposta rápida, desenhadas para contextos onde os recursos são limitados, mas a urgência é elevada”.

Criado em Dezembro de 2024, o laboratório resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento, a Universidade de Medicina de Guangzhou, o Laboratório Nacional de Guangzhou e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O laboratório opera em regime de co-gestão, com equipas em Lisboa, Porto, Coimbra, e nas cidades chinesas de Macau, Cantão e Chengdu.

A missão é integrar dados multimodais, desenvolver tecnologias de previsão epidemiológica e diagnóstico de precisão, além de construir uma plataforma inteligente para a prevenção e controlo de epidemias relevantes para os países de língua portuguesa.

Segundo comunicados anteriores, trata-se do único laboratório do género a ligar instituições de investigação da China com um país da Europa ocidental.

A directora do laboratório indicou à Lusa que o projecto já desenvolveu uma linha de produtos de saúde pública classificados como soluções de baixo custo e operação simplificada, destinadas sobretudo ao Brasil e aos países lusófonos em África.

“O laboratório está a introduzir esta linha também na própria China, numa rara inversão do fluxo tecnológico habitual”, destacou, sublinhando que a decisão reconhece Portugal como uma porta de entrada da China para a Europa e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Referências mundiais

A investigadora destacou a tradução para português de um manual clínico do Oitavo Hospital Popular da Dengue de Guangzhou, e que apresenta “uma taxa de sucesso de 98 por cento em casos graves, integrando diagnósticos de medicina chinesa e ocidental”.

“A experiência clínica do Hospital (…) é, em volume e em resultados, a referência mundial em dengue. Receber este protocolo em português, formar os nossos clínicos e construir a partir daí um circuito de gestão integrada para Portugal e países lusófonos é um ganho concreto de saúde pública”, indicou Lopes.

O protocolo, que integra medicina convencional e tradicional chinesa, foi traduzido para português e está a ser distribuído a profissionais de saúde em Portugal, nos seis Estados-membros da CPLP em África e junto da comunidade clínica brasileira.

O laboratório desenvolveu também um sistema de testes modular descrito como um “laboratório numa mala” recarregável via USB, e desenvolvido especificamente para deteção de vírus (Gripe, covid-19, Nipah) em países lusófonos com infraestruturas limitadas.

Outras descobertas incluem um “repelente fitoaromático puro, sem químicos sintéticos e já em distribuição internacional”, uma máquina integrada de previsão epidemiológica, capaz de prever surtos em tempo real com base em dados multimodais, e um robot de triagem para doentes febris.

14 Mai 2026

China e Estados Unidos iniciam discussões comerciais na Coreia do Sul

Delegações chinesa e norte-americana iniciaram ontem discussões económicas e comerciais na Coreia do Sul, antes da chegada do Presidente norte-americano Donald Trump à China, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As conversações decorreram no aeroporto de Incheon, perto de Seul, segundo a mesma fonte, e antecederam os encontros entre os líderes dos dois países, agendados para quinta e sexta-feira em Pequim.

A presença do vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e do secretário norte-americano do Tesouro Scott Bessent foi confirmada na Coreia do Sul. As relações comerciais deverão dominar as reuniões em Pequim entre os dirigentes das duas maiores economias mundiais.

Em 2025, Estados Unidos e China envolveram-se numa intensa guerra comercial com repercussões globais, marcada pela imposição de tarifas alfandegárias elevadas e múltiplas restrições, após o regresso de Trump à Casa Branca. Trump e o homólogo chinês Xi Jinping concluíram em Outubro uma trégua temporária, cujos desenvolvimentos deverão estar em destaque nas próximas discussões.

Comércio em foco

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

Vários analistas apontaram igualmente para a possibilidade de criação de um comité bilateral de comércio, destinado a facilitar trocas em áreas consideradas não sensíveis, como a electrónica de consumo. O domínio da China na produção de terras raras, essenciais para indústrias tecnológicas e de defesa, deverá ser um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Estes recursos são fundamentais para cadeias de abastecimento globais, desde a electrónica de consumo até aos sistemas militares avançados.

14 Mai 2026

Governo da China saúda visita do Presidente Donald Trump ao país

Donald Trump chegou ontem à noite a Pequim para uma visita oficial de três dias. Hoje encontra-se com Xi Jinping

A China saudou ontem a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou ontem ao país asiático para uma visita oficial, desejando reforçar a cooperação para injectar “mais estabilidade” nas relações internacionais. “A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para “expandir a cooperação e gerir as diferenças, trazendo assim mais estabilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa regular.

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), publicou ontem um editorial afirmando que a relação entre a China e os Estados Unidos “não pode voltar ao passado” e pode ter “um futuro melhor”, apresentando a cimeira como uma oportunidade para ambas as potências trazerem “estabilidade” a um mundo “turbulento”.

Trump viaja com um grupo de selectos executivos nortes-americanos, incluindo Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Larry Fink, da BlackRock; Kelly Ortberg, da Boeing; e executivos de empresas como a Mastercard, Visa, Goldman Sachs e Meta. O encontro dos dois líderes foi precedido pelas negociações económicas e comerciais que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizaram ontem em Seul.

No entanto, o editorial do Diário do Povo enquadrou o encontro como parte de uma diplomacia entre líderes que funciona como “âncora” para a relação, argumentando que cada novo encontro entre Xi e Trump pode ajudar a garantir que os laços “não se desviem do rumo e não percam o ímpeto”, ao mesmo tempo que alertou que Taiwan é “a linha vermelha” nas relações bilaterais.

Segurança reforçada

Pequim amanheceu ontem com sinais visíveis da visita de Trump: bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo da estrada para o aeroporto, uma presença reforçada de segurança em vários pontos da capital e postos de controlo em vários locais relacionados com a agenda do Presidente norte-americano.

A segurança foi especialmente reforçada em redor do Hotel Four Seasons, junto à Embaixada dos EUA e onde Trump ficará hospedado, com presença policial nas proximidades, bem como medidas de segurança visíveis em importantes cruzamentos da cidade, onde alguns militares estão em constante vigilância.

A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes.

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

14 Mai 2026

Metro Ligeiro | Lucro ultrapassou 38 milhões de patacas

No ano passado, a Sociedade do Metro Ligeiro registou um lucro de 38,1 milhões de patacas, de acordo com os resultados financeiros divulgado ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos. Os resultados significam que o lucro mais do que duplicou no espaço de um ano, dado que em 2024 tinha sido de 17,4 milhões de patacas.

Apesar dos melhores resultados, o transporte continua a sobreviver apenas devido aos apoios financeiros da RAEM, que se fixaram em 600,5 milhões de patacas no ano passado. Ainda assim, o apoio do Governo apresentou uma redução de quase 78 milhões de patacas, uma vez que em 2024 tinha atingido 678,1 milhões de patacas.

As receitas com a venda de bilhetes subiram para 43,2 milhões de patacas, um aumento próximo de 60 por cento, face ao valor de 27,7 milhões de patacas, registado em 2024, que se deveu o facto de mais pessoas utilizarem o meio de transporte.

Em 2025, as receitas da empresa apresentaram uma tendência negativa, que não impediu que os resultados líquidos fossem melhores, em comparação com 2024. A redução das receitas foi explicada pela empresa com a menor quantidade de apoios públicos e dinheiro conseguido através dos juros de depósitos bancários, cujas receitas caíram 33 por cento para 17,2 milhões de patacas.

Em relação às despesas, houve uma redução para 643,5 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 746,8 milhões de patacas. Esta redução foi explicada com o fim de vários contratos de assistência à empresa, que passou a ser autónoma na exploração do serviço, tendo deixado de pagar pela assistência.

14 Mai 2026

BNU | Lucros com queda de 17 por cento entre Janeiro e Março

A margem financeira do BNU fixou-se em 214,2 milhões de patacas, menos 8 por cento em termos homólogos, influenciada pela evolução das taxas de juro. Apesar da diminuição dos resultados, o BNU declarou que o desempenho revela uma “dinâmica positiva”

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) registou lucro líquidos de 110,6 milhões de patacas no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 17 por cento face ao mesmo período do ano passado.

Apesar da descida homóloga, o BNU sublinhou que os resultados revelaram uma evolução positiva ao longo do trimestre, com aumentos sucessivos de Janeiro a Março. “O desempenho do banco demonstrou uma dinâmica positiva durante o trimestre, com os resultados a registarem um aumento mensal constante de Janeiro a Março”, indicou o BNU em comunicado.

A margem financeira do BNU fixou-se em 214,2 milhões de patacas, menos 8 por cento em termos homólogos, influenciada pela evolução das taxas de juro. Já a receita líquida de comissões recuou para 20,7 milhões de patacas, uma diminuição de 15,5 por cento, atribuída a custos adicionais com prémios relacionados com cartões de crédito.

O crédito malparado de empréstimos e investimentos financeiros totalizou 3,8 milhões de patacas caiu 29,3 por cento em comparação com o primeiro trimestre de 2025, numa redução que a instituição diz reflectir uma “gestão prudente do risco e a qualidade estável dos activos do banco”.

Segundo o BNU, os custos operacionais também “desceram ligeiramente”, para 104 milhões de patacas, indicando que a “disciplina de custos e os ganhos de eficiência resultantes da simplificação de processos ajudaram a optimizar as despesas”, mantendo o apoio aos investimentos na transformação digital, no desenvolvimento de talentos e no reforço da marca.

Crédito a aumentar

O crédito concedido atingiu 26,8 mil milhões de patacas em Março, um aumento de 5,1 por cento em termos homólogos, enquanto os depósitos de clientes subiram para 35,5 mil milhões de patacas, mais 8,7 por cento do que no ano anterior. O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, emissor de moeda na região administrativa especial da China.

Entre as três subsidiárias estrangeiras da CGD, o BNU contribuiu com 13 milhões de euros para os resultados totais do grupo no primeiro trimestre, mais do que o BCG Angola, que contribuiu cinco milhões de euros, mas menos do que o banco BCI em Moçambique, que gerou 24 milhões de euros.

O BNU sublinhou também que a sucursal em Hengqin continua a “desempenhar um papel estratégico no apoio a investidores de Macau e Hong Kong” como um centro financeiro transfronteiriço que apoia a colaboração económica entre a China continental, Macau e os países de língua portuguesa.

O BNU destacou também que a posição de capital e liquidez do banco permanece robusta, permitindo “navegar em condições de mercado complexas”.

14 Mai 2026

CEM | Burlas geram perdas de 119 mil patacas

A Polícia Judiciária revelou seis casos em que pessoas foram burladas, depois de terem recebido mensagens que aparentavam terem como origem a Companhia Eléctrica de Macau (CEM), a ameaçar cortar-lhes a energia.

Os alegados burlões enviaram mensagens a pedir às pessoas que disponibilizassem informações dos cartões de crédito, o que depois levou a que fossem feitas transferências no valor de 119 mil patacas, a partir do exterior da RAEM.

A PJ está a investigar o caso e ainda não foram feitas detenções. As seis vítimas, quatro mulheres e dois homens, receberam as mensagens entre os dias 9 e 11 deste mês, que indicavam não terem pago a conta da electricidade, pelo que o serviço ia ser cortado imediatamente. As mensagens disponibilizavam uma hiperligação, que conduzia as pessoas para um portal falso da CEM. As perdas em cada caso variam entre 8 mil e 51 mil patacas.

14 Mai 2026

Taipa | FAOM elogia plano urbanístico para zona norte

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) entende que o Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona Norte da Taipa, divulgado pelas autoridades na última semana, é pragmático, reduz a densidade populacional e promove a utilização de terrenos para melhoria do trânsito e instalações sociais.

Segundo o jornal Ou Mun, a chefe do gabinete dos serviços da Taipa da FAOM, Leong Meng Ian, destacou o facto de o Plano permitir a abertura de vias actualmente inacessíveis da zona norte da Taipa, mostrando os resultados da negociação entre Governo e proprietários. Além disso, a responsável considera que esta decisão mostra a determinação do Executivo no uso de terrenos públicos.

Leong Meng Ian, que também pertence ao Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, espera que seja construído na zona um sistema de drenagem para resolver o problema das inundações severas à entrada da Povoação de Cheok Ka sempre que há fortes chuvas, o que impede a circulação de carros. Leong Meng Ian espera também mais instalações culturais no âmbito deste Plano, incluindo espaços para exposições e locais para treinos desportivos e competições escolares.

14 Mai 2026

AL | André Cheong reúne com delegação da APN

André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa (AL), reuniu esta terça-feira com a delegação da Comissão da Lei Básica de Macau do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN).

Segundo uma nota oficial sobre o encontro, a agenda incidiu sobre o “reforço da construção do Estado de Direito em Macau e a intensificação da articulação de regras e da ligação de mecanismos entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

A delegação da Comissão da Lei Básica foi liderada por Lei Jianbin, vice-director desta entidade. Este disse que as leis produzidas pela AL “devem ser comunicadas para registo ao Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, trabalho este que tem decorrido de forma fluida e bem-sucedida”, podendo, no futuro, “ser explorada a optimização desse mecanismo de registo e verificação”.

14 Mai 2026

Vales de saúde | Apoios vão poder ser usados em Guangdong

O Governo anunciou ontem a extensão do programa de vales de saúde à província de Guangdong, medida que vai custar mais de 520 milhões de patacas. O alargamento ao Interior da China arrancou em 2024, apenas para Hengqin, onde existem 15 instituições de saúde que aceitam vales de saúde

O programa de comparticipação nos cuidados de saúde para o ano de 2026, mais conhecido como vales de saúde, irá estender-se a toda a província de Guangdong, indicou ontem o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo. O Governo já tinha alargado em 2024 o “Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde” à Zona de Cooperação Aprofundada, na vizinha Hengqin.

Wong Sio Chak afirmou que o programa vai passar a abranger “clínicas e departamentos de consultas externas” de Guangdong, para “concretizar a política nacional e responder às solicitações apresentadas pela sociedade”, além de apoiar o desenvolvimento do sector da saúde.

De acordo com este programa, de carácter anual e que deixa de fora trabalhadores migrantes, os beneficiários vão receber um total de 700 patacas, com um prazo de utilização de dois anos, para utilizar em serviços que aderiram ao plano, “não sendo aplicáveis aos profissionais de saúde subsidiados pelo Governo”, explicou Wong Sio Chak.

No que diz respeito à extensão à província de Guangdong, são integradas agora neste plano instituições que “cumpram as normas estipuladas no Interior da China e que sejam constituídos por residentes de Macau que detenham, individual ou conjuntamente, participações no capital”. Actualmente, 15 destes espaços estão localizados em Hengqin, ainda de acordo com o secretário para a Administração e Justiça. O valor total da comparticipação alcança este ano 520,3 milhões de patacas.

Virar da esquina

O Conselho Executivo anunciou ontem também que o novo regulamento administrativo que prevê a reestruturação da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública entra em vigor em 1 de Julho.

“Este melhoramento dos serviços públicos e a reorganização da estrutura orgânica é para melhor gestão e modernização administrativa e, em relação aos direitos dos trabalhadores, o estado jurídico dos trabalhadores não vai ser afectado”, garantiu a directora destes serviços, Leong Weng In. No “futuro ou em breve”, complementou Wong Sio Chak, há “sete projectos para serem apreciados ou aprovados de reestruturação”, que envolvem um total de 12 serviços públicos.

Quando o Governo iniciou “a política de corte de trabalhadores” da administração pública, em Abril de 2020, havia 32.540 funcionários, excluindo os profissionais que trabalham nas universidades públicas, disse Wong. Em Março passado, o número totalizava 30.797.

14 Mai 2026

Economia | Escolha de secretário está “em curso”

O porta-voz do Conselho Executivo de Macau, Wong Sio Chak, afirmou ontem que os trabalhos para substituir o secretário para a Economia e Finanças “estão em curso”, em declarações proferidas quase um mês após Tai Kin Ip abandonar o cargo.

“O senhor chefe do Executivo já abordou o caso. Actualmente, os trabalhos ainda estão em curso. Se houver informações, nós iremos divulgá-las ao público”, disse, em conferência de imprensa, Wong Sio Chak.

O ex-secretário foi exonerado do cargo, após um pedido de demissão apresentado por “motivos pessoais”, de acordo com um despacho publicado em 16 de Abril pelo chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai. A decisão foi tomada pelo Conselho de Estado, o Executivo da China, sob proposta do líder do Governo local.

Ainda de acordo com as autoridades, Tai Kin Ip tinha solicitado “há algum tempo” a saída, pedido que foi submetido ao Governo Popular Central nos termos da Lei Básica. Estava previsto que o antigo secretário integrasse a comitiva que acompanhou Sam Hou Fai na visita a Portugal, e que arrancou em 17 de Abril, um dia após a exoneração.

Tai foi empossado em Dezembro de 2024. Licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa, fez carreira na Direcção dos Serviços de Economia em Macau desde 1995.

14 Mai 2026