Dengue | Período de risco leva a combate à proliferação de mosquitos

Macau está neste momento a atravessar o período de maior risco de transmissão da febre de dengue e da febre de chikungunya, motivo pelo qual um grupo de trabalho interdepartamental tem focado a eliminação de fontes de proliferação do mosquito responsável pela transmissão da febre.

Como tal, residentes oram mobilizados para trabalharem em conjunto com as autoridades “na implementação de medidas preventivas a nível comunitário, incluindo a eliminação da água estagnada e a prevenção de infestações por mosquitos”.

De acordo com os dados oficiais, o índice de propagação de mosquitos foi de 41,6 por cento em Julho, o que os Serviços de Saúde indicam significar que o mosquito Aedes albopictus está activo.

Desde Julho, os Serviços de Saúde procederam, pelo menos, três a quatro vezes por mês, à eliminação de mosquitos nos locais com maior incidência de queixas de higiene. Foram também reforçadas as inspecções e eliminações das fontes de proliferação de mosquitos nos bairros comunitários, nomeadamente em terrenos devolutos. Até Julho deste ano, foram realizadas 8.930 inspecções a fontes de proliferação.

Para reduzir o problema de mosquitos, os Serviços de Saúde levaram a cabo 1.922 acções de eliminação química de mosquitos em 130 pontos negros de higiene e nas zonas com risco de casos de duas febres em Macau. Por outro lado, o Instituto para os Assuntos Municipais responsabiliza-se pela eliminação mensal de mosquitos em parques, zonas de lazer e cemitérios municipais de Macau.

26 Ago 2026

Roubo | Homem detido por ficar com 100 mil HKD de prostituta

Um homem, cidadão da China, foi detido este domingo por ter extorquido 100 mil dólares de Hong Kong (HKD) a uma prostituta após o acto sexual num quarto de hotel no Cotai.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o caso aconteceu na noite da última sexta-feira, sendo que o suspeito recusou pagar três mil dólares de Hong Kong à mulher pelo serviço sexual e ameaçou-a com uma faca. Depois, amarrou a prostituta com fita adesiva e obrigou-a a dar a palavra passe de acesso ao telemóvel, conseguindo obter o dinheiro que trocou por fichas de jogo.

O homem alegou que esse dinheiro iria servir para pagar uma dívida de jogo, pedindo à mulher para não o denunciar. A vítima conseguiu depois sair do quarto, e contou o sucedido a uma amiga, e só aí as autoridades policiais foram contactadas. Depois de uma investigação preliminar, o homem acabou por confessar que já tinha a faca e a fita adesiva preparadas antes do roubo.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público, com o homem a ser suspeito da prática dos crimes de roubo e posse injustificada de armas e outros instrumentos. Quanto à vítima, a trabalhar como prostituta, será realizada outra investigação.

26 Ago 2026

Hengqin | Apresentadas medidas para apoiar sector da aviação

A Direcção do Desenvolvimento Industrial da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, Guangdong-Macau apresentou um plano para promover o desenvolvimento integrado do Centro Internacional de Transporte Aéreo de Macau na Margem Ocidental do Rio das Pérolas.

O plano contempla várias medidas de apoio para reduzir os custos operacionais de logística, como um subsídio de 1 yuan por cada quilo de carga que empresas de transporte internacional de mercadorias que passem pelo terminal de carga de Hengqin do Aeroporto de Macau, num máximo de 5 milhões de yuan por ano.

No chão, as autoridades de Hengqin vão atribuir um subsídio no valor de 50 por cento dos custos reais anuais de exploração e manutenção das instalações de serviço usados por empresas de importação e exportação, até um limite máximo anual de 2 milhões de yuan.

Os apoios vão-se estender ao armazenamento, através de um apoio para cobrir 50 por cento do arrendamento em armazéns em Hengqin, até um milhão de yuan por ano.

Também o manuseamento e tratamento de mercadorias será subsidiado para incentivar a utilização do Terminal de Carga de Hengqin. As autoridades realçam que os apoios serão mais generosos para empresas com capital de Macau, ou empresas do programa “Cultivar e Fortalecer”.

Também os profissionais empregados na zona de cooperação na área da logística aérea transfronteiriça podem candidatar-se a um subsídio de subsistência de 40 mil yuan por pessoa, distribuído a uma taxa de 30 por cento nos primeiros dois anos e de 40 por cento no terceiro ano.

26 Ago 2026

Ártico | Cimeira dos líderes europeus em Setembro na Finlândia

A Finlândia anunciou ontem que vai organizar, em Setembro, uma cimeira de líderes da União Europeia dedicada ao Ártico, cuja “importância geopolítica continua a crescer rapidamente”.

As declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, de acordo com as quais o território autónomo dinamarquês da Gronelândia devia passar a ser norte-americano, bem como a decisão da China de enviar um porta-contentores numa rota que atravessa o Ártico, confirmaram essa importância estratégica.

A cimeira, a realizar-se nos dias 13 e 14 de Setembro, em Rovaniemi (norte), visa “reforçar a abordagem estratégica comum da UE em relação à região ártica, cuja importância geopolítica não cessa de crescer rapidamente”, referiu em comunicado o gabinete do primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo.

Os líderes europeus, nomeadamente o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, devem participar no evento, juntamente com a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. “A região ártica é uma parte cada vez mais importante do ambiente de segurança da Europa”, afirmou o primeiro-ministro finlandês.

“A União Europeia tem interesses directos na estabilidade, segurança e desenvolvimento sustentável. É muito valioso poder debater estas questões em conjunto com um vasto grupo de líderes da UE”, acrescentou. O degelo marinho reforçou a importância estratégica desta região, melhorando o acesso a recursos naturais cruciais e abrindo novas rotas marítimas.

Aliás, um porta-contentores sul-coreano partiu no sábado para a Europa pelo Ártico, o mais recente exemplo do novo interesse suscitado por esta rota marítima, num momento em que persiste o bloqueio do tráfego no Médio Oriente devido à guerra entre Estados Unidos e Irão.

De acordo com especialistas, esta rota, mesmo que se tenha tornado mais navegável devido ao aquecimento global, deverá continuar a ser secundária.

25 Ago 2026

Japão | Deputados viajam para Pequim após aumento de tensões

Um grupo de deputados japoneses viajou ontem para Pequim para se reunir com responsáveis chineses, pela primeira vez desde que as relações bilaterais se deterioraram, após comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan.

A delegação vai reunir-se com responsáveis do Partido Comunista Chinês durante a visita, que se estende até quinta-feira.

O grupo inclui Gaku Hashimoto, deputado do Partido Liberal Democrático (PLD), actualmente no poder, e antigo vice-ministro da Saúde e Bem-Estar, e um deputado de cada um dos partidos da oposição Komeito e Aliança Centrista Reformista (CRA, na sigla em inglês).

“A comunicação foi interrompida em todas as áreas e estamos a começar a ver o impacto disto em muitos sectores”, disse Shinichi Isa, um dos porta-vozes do partido CRA. “Espero que possamos encontrar de alguma forma uma pista para reiniciar o diálogo”, acrescentou o dirigente, aos jornalistas antes de deixar o aeroporto de Haneda, em Tóquio.

Isa, que serviu como diplomata na Embaixada do Japão na China, escreveu na rede social X, no início de Agosto, que os laços bilaterais atingiram o seu pior nível desde a normalização das relações em 1972.

O deputado escreveu que as autoridades sempre mantiveram a comunicação, mesmo durante os momentos mais difíceis anteriores: “Agora, todos os canais entre as autoridades e os ministérios foram cortados.” A situação não é do interesse nacional de nenhum dos lados, disse Isa na altura, e o lado chinês aceitou um pedido dos deputados japoneses para uma “janela para o diálogo”.

Palavras e acções

As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan.

Em 15 de Agosto, o Governo da China apresentou uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de Agosto, e noutras ocasiões.

O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda.

O santuário xintoísta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial.

Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”.

25 Ago 2026

Espaço | Adiado lançamento de missão ao polo sul da Lua

O lançamento da Chang’e-7 deverá ter lugar apenas em 2027 após estarem garantidas as condições de segurança necessárias ao sucesso da missão

A China adiou o lançamento da missão lunar Chang’e-7, que órgãos especializados apontavam para ontem, após as autoridades terem concluído que não estavam reunidas as condições necessárias para a descolagem. A decisão foi tomada “segundo os princípios de prudência, fiabilidade e ausência de riscos”, informou, no domingo à noite, o organismo responsável pelo programa espacial chinês, num breve comunicado.

Segundo a entidade, a missão Chang’e-7 “não reúne as condições para o lançamento” e não poderá ser realizada dentro da janela prevista para este ano. As autoridades não especificaram as causas concretas do adiamento nem anunciaram, até ao momento, uma nova data para o lançamento. Órgãos especializados tinham apontado o lançamento da missão para as 08:00 de ontem.

Em 19 de Agosto, a sonda Chang’e-7 e o foguetão Longa Marcha-5 Y14 foram transportados para a plataforma de lançamento do centro espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, no sul da China, após a conclusão dos trabalhos de montagem e dos testes.

Na altura, a agência de notícias oficial chinesa Xinhua indicou que, antes do lançamento, seriam realizadas verificações funcionais, testes conjuntos e o abastecimento de combustível, acrescentando que a descolagem estava prevista para os “próximos dias”, sem avançar uma data oficial.

Bases de exploração

A Chang’e-7 destina-se a explorar o polo sul da Lua, uma região que tem suscitado um interesse científico crescente devido à possível presença de gelo de água em crateras permanentemente à sombra.

A missão integra um módulo orbital, um módulo de alunagem, um veículo de exploração, um pequeno veículo capaz de se deslocar através de saltos e um satélite de retransmissão, visando realizar operações em órbita, alunagem e exploração da superfície lunar.

Entre os objectivos da missão estão o estudo do ambiente lunar, do regolito (a poeira que cobre o solo da Lua), dos componentes voláteis, da estrutura da superfície, da actividade sísmica, do campo magnético e das propriedades térmicas da região. Os dados recolhidos pela Chang’e-7 deverão servir de base à missão Chang’e-8, prevista para cerca de 2029 e destinada a testar tecnologias para uma futura estação internacional de investigação lunar.

Em 2019, a China conseguiu, com a Chang’e-4, a primeira alunagem na face oculta da Lua e, em 2024, trouxe para a Terra, através da Chang’e-6, as primeiras amostras recolhidas naquela região, mantendo o objectivo de enviar astronautas chineses à Lua antes de 2030.

25 Ago 2026

China acusa EUA de pressionarem América Latina a afastar tecnológicas chinesas

A China acusou ontem os EUA de pressionarem países da América Latina e das Caraíbas a substituírem fornecedores tecnológicos chineses, após Washington ter alertado para alegados riscos de espionagem e ciberataques associados a empresas chinesas.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian classificou, em conferência de imprensa, os avisos norte-americanos como “flagrante intimidação tecnológica” e afirmou que estes “fabricam factos e distorcem a realidade”. Lin instou Washington a “deixar de interferir no direito dos países soberanos de escolherem de forma independente os parceiros de cooperação” e a pôr fim ao que classificou como “manipulação política”.

As declarações surgiram em resposta a uma mensagem divulgada na semana passada por Juan Pablo Segura, responsável pelos Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano, na qual apontou empresas como Huawei, ZTE, Hikvision, Hytera, Dahua e DJI.

Segura afirmou que a legislação chinesa obriga estes fornecedores a cooperar com os serviços de informações de Pequim e alertou que as respectivas tecnologias representam riscos de espionagem, ciberataques e interrupções de redes, alegações rejeitadas pela China.

O responsável norte-americano instou ainda os parceiros de Washington nas Américas “a mudarem rapidamente” para fornecedores considerados de confiança, de forma a protegerem os cidadãos e a soberania, numa mensagem posteriormente reproduzida por representações diplomáticas dos Estados Unidos na região.

Práticas suspeitas

Lin defendeu que as empresas tecnológicas chinesas cumprem as leis e regulamentos dos países onde operam e afirmou que os seus serviços têm contribuído para o desenvolvimento económico e a criação de emprego nos mercados latino-americanos.

O porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de terem realizado, durante anos, actividades de vigilância e ciberataques na América Latina e nas Caraíbas, sem apresentar provas durante a conferência de imprensa que sustentassem a acusação.

A disputa já motivou, durante o fim de semana, uma resposta da Embaixada da China na República Dominicana, depois de a representação diplomática norte-americana no país ter divulgado os avisos de Segura sobre as empresas chinesas.

25 Ago 2026

China | Casas em leilão aumentam quase 24 por cento

O número de imóveis colocados em leilão judicial na China aumentou 23,7 por cento nos primeiros sete meses do ano, pressionando ainda mais os preços da habitação e expondo o impacto da crise imobiliária sobre famílias endividadas.

Segundo dados difundidos na sexta-feira pelo China Index Academy, instituto de investigação do sector imobiliário, 539 mil imóveis foram colocados em leilão por ordem judicial em 355 cidades chinesas entre Janeiro e Julho.

O aumento da oferta fez cair em 9 por cento, em termos homólogos, os preços alcançados, numa altura em que tribunais e gestores de activos procuram vender casas confiscadas a proprietários que deixaram de pagar os empréstimos.

Segundo dados divulgados pela imprensa chinesa, apenas cerca de um terço dos imóveis colocados em leilão encontrou comprador, a preços, em média, cerca de 30 por cento inferiores aos de propriedades comparáveis no mercado de casas usadas. Os descontos estão a afetar as expectativas no restante mercado, ao reforçarem, entre potenciais compradores, a percepção de que os preços ainda podem cair mais.

A procura concentra-se, por isso, em casas bem localizadas, nas maiores cidades, próximas de escolas e com boas ligações de transportes, enquanto imóveis antigos, periféricos ou rurais continuam a ter dificuldade em encontrar comprador.

“As transações de imóveis em leilão judicial aumentaram 42,7 por cento em termos homólogos nos primeiros sete meses de 2026, o que parece impressionante. Mas isto parece reflectir mais o recurso a cortes de preços pelos vendedores para escoar uma crescente oferta acumulada do que uma súbita recuperação da confiança dos compradores no mercado imobiliário”, indicou a colunista especializada no sector Jiang Xiaorong, num artigo publicado na plataforma Baidu Baijiahao.

A crise de liquidez está a atingir também famílias que querem trocar de casa, mas não conseguem vender a atual.

Lista negra

Em Abril, oito milhões de pessoas estavam oficialmente registadas na China como incumpridoras após deixarem de pagar empréstimos à habitação, segundo outro comentador chinês, que escreve sob o pseudónimo Property Observer.

Cerca de 60 por cento tinham menos de 35 anos e aproximadamente 45 por cento das famílias que deixaram de pagar os empréstimos tinham sofrido perdas de emprego, sobretudo em sectores como restauração, imobiliário e ensino privado.

O mercado apresenta, contudo, fortes diferenças regionais. Entre Janeiro e Julho, foram colocadas em leilão 245 mil propriedades residenciais, das quais 89 mil encontraram comprador, equivalente a uma taxa de venda de 36,2 por cento.

Em média, os imóveis leiloados foram vendidos este ano por cerca de 73 por cento do respectivo valor de avaliação. Quando uma casa não encontra comprador na primeira tentativa, o preço inicial de uma segunda ronda pode ser reduzido em até 20 por cento.

A pressão estende-se ao mercado de segunda mão. Em Julho, os preços caíram 3,7 por cento em termos homólogos nas quatro maiores cidades, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.

O investimento no desenvolvimento imobiliário recuou entretanto 19,2 por cento, em termos homólogos, nos primeiros sete meses, para 4,3 biliões de yuan, à medida que as promotoras reduziram novos projectos perante o prolongamento da crise.

25 Ago 2026

IAM | Macau não importou couves com formaldeído

Depois do caso de repolhos chineses oriundos da província de Hebei que foram molhados com formaldeído, uma substância nociva para a saúde, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) confirmou que Macau não importou vegetais desta zona.

Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, foram feitos testes aos repolhos importados da China, não tendo sido registados níveis de toxicidade ou outros dados fora da normalidade, tendo em conta as inspecções realizadas entre Janeiro e Agosto.

O organismo explica ainda que os repolhos foram importados, essencialmente, da Região Autónoma Guangxi, na província de Hunan; e da Região Autónoma Ninxia, pelo que não entraram no mercado repolhos de Hebei. O IAM prometeu manter uma comunicação estreita com as autoridades sanitárias do país, reforçando a inspecção dos legumes importados para a RAEM.

Inspecções na China

A China ordenou inspecções especiais a couves e outros produtos hortícolas perecíveis em todo o país, após um caso de utilização ilegal de formaldeído para conservar produtos durante o transporte ter desencadeado nova polémica sobre segurança alimentar.

O Gabinete de Segurança Alimentar do Conselho de Estado (o Executivo chinês), o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e a Administração Estatal para a Regulação do Mercado anunciaram conjuntamente que pediram às autoridades locais a realização de controlos específicos e o rastreio dos produtos afectados, para impedir que cheguem ao mercado.

A medida foi adoptada depois de as autoridades do condado de Kangbao, pertencente à cidade de Zhangjiakou, no norte da China, terem confirmado a autenticidade de vídeos divulgados na Internet que denunciavam que algumas couves eram mergulhadas numa solução de formaldeído.

Segundo a investigação preliminar, a prática foi realizada ilegalmente por compradores grossistas dos produtos hortícolas durante o processo de carregamento, para prolongar a conservação durante o transporte. Os três organismos centrais garantiram que qualquer infracção detectada será punida “de forma firme” e que as inspecções vão abranger diferentes regiões do país.

O formaldeído pode ser prejudicial para a saúde: a exposição à substância pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, enquanto a ingestão aguda de soluções que a contenham tem sido associada a efeitos graves, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

25 Ago 2026

Emprego | Cinco sessões com 400 vagas a 2, 10 e 11 de Setembro

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) vão organizar cinco feiras de emprego com cerca de 400 vagas.

As cinco sessões de emparelhamento contam com nove empresas participantes, que operam nos sectores da lotaria, transportes turísticos e públicos, segurança e limpeza, hotelaria e comércio a retalho, com a oferta de emprego para as funções de: “chefe de turno de recepção, supervisor de andares, empregado administrativo e de contabilidade, analista de dados, motorista, chefe de estação/paragem, ajudante de farmácia, farmacêutico, guarda de segurança e trabalhador de limpeza”.

Durante a sessão dedicada a reforçar os recursos humanos da SLOT, serão disponibilizadas 24 vagas, enquanto na sessão de recrutamento da TRANSMAC e AA Turismo haverá 39 ofertas de emprego. Porém, a larga maioria das vagas (299) serão para as sessões de recrutamento da Companhia de Serviços de Segurança Winnerway, Serviços de Limpeza East Sun e Securitas Serviços de Segurança.

25 Ago 2026

Lavagem de dinheiro | RAEM e São Tomé e Príncipe vão assinar acordo

Macau e São Tomé e Príncipe vão assinar um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. O memorando de entendimento será assinado entre os Serviços de Polícia Unitários e a Unidade de Informação Financeira do país africano

De acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial, o protocolo envolve a troca de “informações financeiras” para o combate ao branqueamento de capitais, “crimes subjacentes associados”, financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça. O memorando de entendimento será assinado com a Unidade de Informação Financeira da República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Segundo o despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 17 de Fevereiro, o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, pode delegar esta missão ao comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Leong Man Cheong. O Gabinete de Informação de Macau (GIF), responsável pelo combate ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça, está sob a tutela dos SPU.

Recorde-se que em Março de 2022, um relatório anual do Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial.

Segundo o relatório anual do GIF, Macau tornou-se em 2019 o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.

Em Maio de 2025, Macau assinou também com Angola um acordo para trocar informações, de forma a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo ou à proliferação de armas de destruição maciça.

O GIF de Macau assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

Carnaval do consumo

O número de transações suspeitas registadas nos casinos subiu 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais do GIF. As seis operadoras de casinos em Macau submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo entre Janeiro e Junho.

No final de Maio, o Governo anunciou também que a Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais (DSPDP) iria assinar acordos de cooperação com as entidades homólogas de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde. Duas semanas depois, a DSPDP indicou que os acordos irão aperfeiçoar “a cadeia de cooperação entre a China e os países lusófonos nas áreas de segurança de dados e de protecção da privacidade pessoal”.

25 Ago 2026

Irão diz que países que apoiem “guerra económica” dos EUA serão considerados inimigos

O Irão anunciou sábado que todos os países que participem na “imposição de restrições económicas” serão considerados inimigos do país, na sequência da guerra económica anunciada pelos Estados Unidos.

“Declaramos a todos os países à nossa volta e a todos os países do mundo: não se juntem à guerra económica liderada pelos Estados Unidos”, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezai, na televisão estatal. “Qualquer país que participe na imposição de restrições económicas” contra o Irão será “considerado um inimigo”, afirmou.

“Ainda não atacámos nenhum interesse económico norte-americano (…). Até agora, apenas visámos bases militares, mas se quiserem impor-nos sanções económicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e económicas na região do Irão e noutros locais, e iremos atacá-las”, prosseguiu Rezai.

Se o Presidente norte-americano “tomar medidas [contra o Irão], o nosso confronto será como um terramoto”, ameaçou ainda.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acusou na quinta-feira os Estados Unidos de “terrorismo económico”, após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter prometido que Washington iria “derrubar o regime” iraniano com as novas sanções.

Na quarta-feira, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a “operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país”.

Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.

A advertência foi reforçada na quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, que avisou que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.

“Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime”, disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo”, reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou “um dia D” contra a economia iraniana.

China ao barulho

Bessent apelou também à China para que “se alinhe” caso deseje “ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem”.

Já na sexta-feira, a China respondeu opondo-se à “guerra económica” declarada pela administração norte-americana ao Irão, apontando que as “sanções unilaterais ilegais” e as pressões de Washington não são a solução para o problema.

“As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis e resolvam o problema por via política e diplomática”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa.

Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos e um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra, de acordo com a empresa de análise Kpler.

Além da China, entre os países que mantêm laços económicos com Teerão contam-se os Emirados Árabes Unidos, que suspenderam esta semana todas as transacções com a República Islâmica, mas também a Turquia, a Rússia, Iraque, Índia e a Alemanha. As exportações alemãs para o Irão atingiram 870,5 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2025, segundo o Gabinete Federal de Estatística alemão (Destatis).

24 Ago 2026

Sismo | Número de feridos em Tóquio sobre para 37

O número de feridos causados por um sismo de magnitude 5,9 que atingiu ontem a região de Tóquio subiu para 37, informaram as autoridades nipónicas.

O abalo foi suficientemente forte para causar intensas oscilações na capital e arredores, accionando os sistemas de alerta que difundiram mensagens e sirenes nas ruas. De acordo com a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o sismo ocorreu às 02h00 locais na parte sul da província de Ibaraki, a 68 quilómetros de profundidade, sem risco de tsunami.

Entre os feridos, está uma idosa de Yokohama que caiu ao sair da cama, fraturando a anca. Em Saitama, a norte de Tóquio, um edifício sofreu danos ligeiros, sem registo de colapsos estruturais.

O tráfego ferroviário regional foi perturbado durante a manhã, informou a operadora East Japan Railroad Co, com atrasos nos comboios expresso que servem Tóquio e no Aeroporto de Narita, bem como noutros comboios locais que servem as regiões nordeste, mas os comboios de alta velocidade Shinkansen estavam a operar normalmente.

A JMA alertou para risco acrescido de deslizamentos de terra, já que os solos se encontram fragilizados após chuvas torrenciais no sábado, e avisou ainda para a possibilidade de réplicas fortes nos próximos dias.

Estado de alerta

O Governo nipónico criou uma ‘task-force’ para avaliar a extensão dos possíveis danos, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, na rede social X.

O tremor accionou alertas de emergência nos telemóveis e também foi sentido em Tóquio de forma significativa, mas a emissora televisiva pública NHK mostrou que o tráfego nas estradas de cidades próximas, incluindo Mito e Saitama, aparentemente circulava com normalidade.

Não houve relatos de anomalias em cerca de uma dúzia de centrais nucleares e outras instalações que lidam com materiais nucleares, disse a Autoridade de Regulação Nuclear. No mês passado, um sismo de magnitude 7,1 atingiu a zona de Kumamoto, na ilha mais a sul do Japão, Kyushu, matando 38 pessoas e ferindo 364, e destruiu mais de 1.500 edifícios e danificou quase outros 20.000.

24 Ago 2026

Seul restaura estação ferroviária na fronteira com o Norte como gesto de reconciliação

Perto da fronteira fortemente vigiada que divide a península coreana há mais de sete décadas, a renovação da antiga estação ferroviária de Woljeongri é apresentada como símbolo das esperanças sul-coreanas de reconciliação com a Coreia do Norte.

Mas o projecto do Governo sul-coreano de reconectar ao sistema ferroviário a estação mais setentrional da Coreia do Sul surge num momento delicado: Pyongyang ignora a mão estendida de Seul, enquanto Washington, aliado-chave da segurança sulcoreana, conduz uma política unilateral de abertura ao Norte.

Desde que assumiu funções em Junho do ano passado, o presidente sulcoreano Lee Jae Myung enviou sinais conciliatórios a Pyongyang, recebidos com frieza. Entretanto, o Presidente noerte-americano, Donald Trump, decidiu encurtar abruptamente as manobras conjuntas com a Coreia do Sul, considerando que estes exercícios anuais transmitiam “um sinal totalmente inadequado e hostil” ao Norte.

O líder dos Estados Unidos também criticou Seul por recusar apoiar as forças dos EUA na ofensiva contra o Irão. Trump assegurou na quartafeira que se reuniria este ano com Kim Jong Un, procurando relançar a relação que afirma ter estabelecido com o líder nortecoreano em três encontros durante o seu primeiro mandato.

Por seu lado, Pyongyang respondeu na quintafeira com o lançamento de uma dezena de mísseis balísticos de curto alcance. Estes desenvolvimentos eclipsaram a política de mão estendida do governo Lee, ilustrada pela renovação da estação de Woljeongri com vista a uma potencial ligação ferroviária ao Norte.

Gesto simbólico

A modesta estação integrava outrora a linha que ligava Seul ao extremo norte da península, mas foi abandonada durante a guerra da Coreia (19501953). Hoje é uma atracção para visitantes da zona desmilitarizada, enquanto o antigo terminus da linha – Wonsan – se encontra em território nortecoreano.

As autoridades sulcoreanas iniciaram a restauração em 2015, vendo nela uma forma de dinamizar a economia da região fronteiriça e enviar um gesto simbólico a Pyongyang. Os trabalhos foram suspensos após o quarto ensaio nuclear nortecoreano em 2016.

Alguns habitantes de Cheorwon encaram o projecto com cepticismo. “Parece que tentam sempre reconciliarse com a Coreia do Norte através do projecto ferroviário, mas do nosso ponto de vista não é realista”, disse à agência France-Presse Moon Jaeyong, de 70 anos, natural da cidade fronteiriça.

O programa de reconciliação prevê restabelecer ligações ferroviárias entre as duas Coreias. Lee também propôs conversações sem précondições, incluindo para pôr fim oficialmente à guerra da Coreia.

O ministro da Unificação declarou em Julho que Seul dá prioridade a limitar a expansão do programa nuclear existente de Pyongyang, em vez de insistir na desnuclearização. Mas o Norte, que repetidamente afirmou ser “irreversível” a sua capacidade nuclear, não se mostra abalado.

Voltar aos carris

Ao tentar promover novo encontro com Kim Jong Un, Trump parece procurar um êxito de política externa antes das eleições intercalares, após o fracasso da ofensiva contra o Irão, relegando Seul para segundo plano.

“A Coreia do Sul teme ser marginalizada – a China, a Rússia e agora os EUA estão todos envolvidos com Pyongyang de diferentes formas, enquanto Seul não está”, disse à agência France-Presse Vladimir Tikhonov, professor de estudos coreanos na Universidade de Oslo. “Mesmo que pouco possa fazer além de tentar relançar o projecto ferroviário.”

Ao longo da linha desactivada entre Woljeongri e Baengmagoji, a vegetação tomou conta dos carris. Um painel afirma: “O cavalo de ferro quer correr”, acompanhado da frase em “Queremos voltar aos carris”.

O projecto visa também estimular o turismo junto à fronteira. Perto da estação de Woljeongri, permanece uma locomotiva bombardeada da guerra da Coreia, como lembrança persistente da divisão entre Sul e Norte.

Restaurar infraestruturas no Sul poderia poupar tempo caso as ligações intercoreanas sejam um dia retomadas, explicou Lim Eulchul, professor da Universidade Kyungnam. “Mas, na realidade, é praticamente impossível nas circunstâncias actuais, e todos o sabem”, acrescentou.

24 Ago 2026

Comércio | Navio sul-coreano segue para a Europa pela rota do Ártico

Com o aquecimento global e os constrangimentos provocados pela guerra desencadeada pelos EUA e Israel no Médio- Oriente, países asiáticos procuram diversificar as rotas marítimas

Um porta-contentores sul-coreano partiu ontem para a Europa pela rota do Ártico, num momento em que se mantém o bloqueio do tráfego no Médio Oriente devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

“O navio destinado a testar a rota ártica partiu do porto às 21:30 (hora local)”, anunciou o Ministério dos Oceanos da Coreia do Sul, em comunicado enviado à Agence France-Presse (AFP). Este navio, da companhia local PanStar Line Dot Com, deverá fazer escala nos portos europeus de Felixstowe (Inglaterra), Roterdão (Países Baixos) e Gdansk (Polónia), antes de regressar.

A viagem deverá demorar cerca de 45 dias, segundo o ministério. Embora se tenha tornado mais navegável devido ao aquecimento global, esta rota marítima apresenta inúmeras limitações que restringem o seu potencial comercial e suscitam receios ambientais.

Os países asiáticos, cujo abastecimento de hidrocarbonetos foi fortemente afectado pela guerra desencadeada há cerca de seis meses pela ofensiva americano-israelita contra o Irão, veem nela uma forma de diversificar as suas opções. A rota ártica “está destinada a tornar-se uma alternativa às rotas do Médio Oriente”, afirmou, recentemente, o vice-ministro sul-coreano dos Oceanos, Nam Jae-hon.

Caminho alternativo

Desde o início do ano, com o bloqueio do estreito de Ormuz por Teerão e as ameaças dos houthis à travessia do Mar Vermelho, num contexto de conflito com os Estados Unidos, o tráfego marítimo entre a Ásia e a Europa passa agora pelo Cabo da Boa Esperança, a sul do continente africano.

Ao passar pelo Ártico, as distâncias percorridas são reduzidas em 30 a 40 por cento em comparação com a rota pelo Canal do Suez, no Egipto, e em quase metade em comparação com a rota pelo Cabo da Boa Esperança, de acordo com um estudo da seguradora de crédito Coface, publicado em Abril.

O estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã, é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás e tornou-se um dos principais pontos de tensão no conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

24 Ago 2026

China | Activado alerta de cheias em três províncias costeiras com aproximação de tufão Narra

A China activou no sábado uma resposta de emergência de nível IV para cheias, o mais baixo, nas províncias de Guangdong, Guangxi e Hainan, no sul do país, perante a previsão de chuvas torrenciais provocadas pelo tufão Narra.

O 19.º tufão registado pelo país este ano, deverá trazer precipitação intensa ao sul e oeste de Guangxi, Guangdong e Hainan, com algumas zonas a registarem chuvas extremas, indicou o Ministério dos Recursos Hídricos da China, citado pela agência Xinhua.

A China possui um sistema de resposta a emergências de controle de enchentes com quatro níveis, sendo o Nível I o mais grave. Os níveis da água deverão subir em vários rios das três províncias, incluindo os afluentes Zuojiang e Mingjiang do rio Yujiang, bem como cursos de pequena e média dimensão nas áreas mais afectadas.

As autoridades locais foram instadas a reforçar a monitorização da evolução do tufão, dos rios e da precipitação, garantindo a operação segura de projectos hidráulicos e a protecção de barragens.

O ministério sublinhou a necessidade de prevenir enxurradas e cheias em rios de menor dimensão, assegurar a segurança dos reservatórios e implementar medidas de protecção para turistas e trabalhadores da construção. Também no sábado, a sede nacional de controlo de cheias e secas e o Ministério da Gestão de Emergências activaram uma resposta de nível IV para controlo de cheias e tufões na província de Fujian.

Tripla ameaça

A Administração Meteorológica da China (CNA, na sigla em inglês) assinalou também uma situação rara, com três tufões activos em simultâneo no mar do Sul da China e Pacífico noroeste: Gaenari, Narra e Saudel. O tufão Gaenari, formado no sábado, é já o 20.º ciclone tropical do ano, número muito acima da média histórica de 13,4 entre Janeiro e Agosto.

Sun Qianqian, analista meteorológico da CMA, alertou para riscos acrescidos em actividades marítimas, transportes e turismo costeiro, com possibilidade de deslizamentos de terra, aluimentos e inundações, segundo o jornal Global Times.

O tufão Saudel, por sua vez, deverá intensificarse rapidamente devido às altas temperaturas da superfície do mar, podendo atingir força de supertufão ao atravessar as ilhas Ryukyu em direcção ao mar da China Oriental.

24 Ago 2026

Taiwan | Lançado primeiro foguetão sonda de fabrico interno

A Organização Nacional Espacial de Taiwan (TASA) realizou com sucesso sábado o lançamento do seu primeiro foguetão sonda desenvolvido na ilha, completando um voo experimental que validou sistemas essenciais como propulsão, controlo de voo e comunicações.

Segundo a TASA, o foguetão Maraho descolou às 7:10 locais de sábado do Centro de Lançamento de Xuhai, no condado de Pingtung, atingindo uma velocidade máxima de 408 metros por segundo e subiu até 8,1 quilómetros de altitude em 49 segundos, antes de concluir um voo de 432 segundos, segundo a agência CNA.

O aparelho accionou um sistema de paraquedas em duas fases antes de cair no mar. As equipas de recuperação não conseguiram resgatálo devido ao estado do mar e à deriva, mas todos os dados de voo foram transmitidos em tempo real para a estação terrestre, garantiu a agência.

Entre os principais objectivos da missão estava a verificação da capacidade do foguetão sonda em manter comunicações contínuas com as estações de controlo e transmitir dados durante todo o voo. Foram também recolhidas informações sobre propulsão, estrutura, electrónica de bordo, rastreamento, apoio terrestre e sistemas de recuperação.

Um foguetão sonda é um veículo de investigação de pequena dimensão, concebido para transportar instrumentos até à alta atmosfera por curtos períodos, sem colocar satélites em órbita. Ao contrário dos foguetões orbitais, regressa à Terra após o voo, permitindo recolher dados atmosféricos e testar tecnologias aeroespaciais.

O Maraho, anteriormente designado SR400, recebeu o nome da borboleta de cauda larga, espécie nativa de Taiwan, e considerada símbolo da região. O foguetão tem 7,2 metros de comprimento, 0,4 metros de diâmetro e utiliza um sistema híbrido de propulsão alimentado por 90 por cento de peróxido de hidrogénio e polipropileno.

24 Ago 2026

Robôs chineses batem recordes humanos na prova de 100 metros e no salto em altura

Robôs chineses bateram sábado recordes atléticos estabelecidos por humanos, incluindo o recorde mundial nos 100 metros do atleta jamaicano Usain Bolt, no dia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim.

Numa prova de velocidade de 100 metros, um robô humanoide alcançou um tempo de 9,39 segundos, batendo o recorde humano de 9,58 segundos estabelecido por Usain Bolt em 2009.

No salto em altura a partir da posição em pé, um robô humanoide conseguiu atingir 2,88 metros, bem acima dos 0,95 metros alcançados por um robô na primeira edição dos jogos, no ano passado e superando o recorde humano de salto em altura de 2,45 metros, estabelecido pelo cubano Javier Sotomayor em 1993. Ambos os robôs eram da empresa X-Humanoid, sediada em Pequim.

Antes da abertura, um robô humanoide da empresa chinesa de smartphones Honor completou uma corrida de 100 metros num tempo recorde de 9,32 segundos durante um ensaio dos jogos, segundo a empresa, a uma velocidade máxima de 14,5 metros por segundo.

No entanto, especialistas afirmam que os robôs humanoides continuam a ser utilizados principalmente para demonstrações, espectáculos e investigação e que ainda levará algum tempo até alcançarem uma implantação em massa no mundo real. Mais de 2.000 robôs humanoides participaram no evento, segundo a organização.

Corrida tecnológica

Os jogos, semelhantes aos Jogos Olímpicos, com duração de cinco dias e agora na sua segunda edição, constituem um espectáculo que demonstra o rápido progresso da China na robótica avançada, à medida que a corrida tecnológica com os Estados Unidos (EUA) se intensifica, com 51 provas e mais de 1.000 competições a decorrer, incluindo corrida, ténis de mesa e futebol.

Os jogos, que decorreram no Oval Nacional de Patinagem de Velocidade construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, tiveram início na mesma semana em que Pequim acolheu a Conferência Mundial de Robótica de 2026, onde as empresas apresentaram cerca de 3.000 produtos.

A China fabrica a maioria dos robôs humanoides do mundo. Centenas de robôs humanoides marcharam em formação para o campo numa enorme demonstração de coordenação sincronizada na abertura do evento. Os jogos de robôs deste ano que, segundo o organizador, contam com a participação de 16 países, entre os quais a Alemanha, o Japão e os EUA, incluem também outras provas, como o levantamento de peso.

24 Ago 2026

China | Novas medidas para impulsionar consumo interno no segundo semestre

A China está a planear introduzir um novo pacote de políticas e medidas para incentivar o consumo interno na segunda metade deste ano, revelou sexta-feira o vice-ministro das Finanças do país, Liao Min.

Segundo a agência Xinhua, durante em conferência de imprensa em Pequim, Liao anunciou que o Ministério das Finanças chinês irá formular e aplicar “medidas práticas e eficazes” em função da evolução macroeconómica na segunda metade do ano, com as políticas fiscais do país a continuar a centrar-se na aceleração da utilização de fundos e na expansão da procura interna.

Liao considerou que expandir a procura interna tornouse cada vez mais importante para a China sustentar o crescimento e reforçar a resiliência da economia perante incertezas externas, com o país a ser actualmente o segundo maior mercado mundial de consumo de bens e o maior mercado de retalho online.

Este ano, o Ministério das Finanças chinês já destacou 187,5 mil milhões de yuan para apoiar programas de incentivo ao consumo, que geraram 178 milhões de compras e vendas combinadas de aproximadamente 1,32 biliões de yuan.

Foram também introduzidos subsídios de juros para empréstimos de consumo pessoal e para empresas do sector dos serviços, além de medidas de apoio ao emprego e ao empreendedorismo em grupos prioritários.

Segundo o ministério, desde 01 de Agosto todas as compras em prestações com cartão de crédito, incluindo automóveis e renovação de habitações, passaram a estar incluídas no quadro de apoio, com consumidores chineses a poder beneficiar de subsídios de juros sempre que utilizem este mecanismo.

O número de instituições financeiras autorizadas a tratar de subsídios de juros para empréstimos a micro, pequenas e médias empresas e ao sector dos serviços, por exemplo, aumentou de cerca de 100 para 400, indicou a agência Xinhua.

Ao mesmo tempo, os limites de empréstimo ao abrigo da política de subsídios de juros foram elevados de 50 milhões de yuan para 75 milhões de yuan para micro, pequenas e médias empresas, e de 10 milhões de yuan para 20 milhões de yuan para negócios do sector dos serviços. O tecto para empréstimos de consumo pessoal subiu também de 3.000 yuan para 5.000 yuan.

Foco na população

Em comentários ao jornal Global times, o académico Hu Qimu, da Universidade Huaqiao, indicou que as novas medidas demonstram que o Governo chinês está a dar maior ênfase ao uso de fundos fiscais como alavanca para mobilizar recursos financeiros adicionais para a economia real.

A procura de consumo está a tornarse cada vez mais um motor central do crescimento económico da China. O país tem uma população de 1,4 mil milhões e um grupo de rendimento médio superior a 400 milhões de pessoas, segundo o Ministério das Finanças.

Em 2025, as vendas a retalho a atingiram 50 biliões de yuan e o consumo final contribuiu com 52 por cento para o crescimento económico.

No primeiro semestre de 2026, o crescimento económico e o consumo interno da China enfrentaram uma desaceleração, devido a factores como incertezas económicas e dificuldades persistentes no sector imobiliário.

O crescimento do PIB da China desacelerou no segundo trimestre deste ano para 4,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, o valor mais baixo em três anos.

Actualmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta um crescimento de 4,6 por cento para a economia chinesa em 2026, graças principalmente a investimentos em infraestrutura pública, indústria de alta tecnologia, e exportações nas áreas da inteligência artificial e energia verde.

24 Ago 2026

MAM | Pinturas da dinastia Qing são destaque em nova exposição

O Museu de Arte de Macau acolhe, até ao dia 2 de Novembro, a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, que traz ao público de Macau trabalhos que representam a arte de Lingnan e que visam promover “o intercâmbio cultural na Grande Baía”

O Instituto Cultural (IC) promove uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM) que revela ao público local pintura representativa da arte Lingnan feita nos anos da dinastia Qing. Trata-se da mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, e que é organizada em parceria com o Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou, e Museu de Arte de Hong Kong.

O que se pode ver nesta mostra é um conjunto de trabalhos de pintura figurativa e “obras sobre temas históricos”, que constituem a colecção de pintura de Guangdong do período da dinastia Qing do MAM.

Segundo um comunicado do IC, conta-se com “um acervo valioso e abundante de peças de alta qualidade de mestres como Su Liupeng e He Chong”.

Há ainda, nesta nova exposição, peças oriundas do Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou e do Museu de Arte de Hong Kong, podendo ser vistas um total de 136 peças ou conjuntos de trabalhos de pintura.

Actos exploratórios

O IC explica que esta exposição “dá a conhecer experimentações dos pintores de Guangdong nas técnicas de pincel e tinta”, revelando-se também “a diversificação temática e a fusão cultural de influências chinesas e ocidentais”.

Desta forma, com a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, pretende-se ilustrar “o percurso da pintura de Guangdong da periferia à corrente principal, e da tradição à inovação, e servindo de importante registo visual para redefinir o contexto cultural da região”.

A mesma nota dá conta que a colaboração entre o MAM e diversas instituições de arte das regiões vizinhas, como é o caso da província de Guangdong e Hong Kong, acaba por promover, de forma eficaz, “o intercâmbio cultural regional, traduzindo-se numa acção prática para a construção conjunta de uma Grande Baía cultural”.

As visitas guiadas para o público terão início a 5 de Setembro, realizando-se aos sábados em cantonense, bem como aos domingos e feriados em mandarim. As visitas para grupos podem ser agendadas mediante marcação prévia. Ao longo do período da exposição, serão promovidas diversas actividades de extensão, como palestras, workshops e concertos.

A exposição Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing estará patente no Museu de Arte de Macau de 22 de Agosto a 2 de Novembro, das 10h às 19h.

24 Ago 2026

Novo filme de Ivo M. Ferreira em pré-selecção para os Óscares

A Academia Portuguesa de Cinema (APC) revelou na sexta-feira os seis filmes pré-seleccionados no processo de candidatura ao Óscar de Melhor Filme Internacional, iniciando-se agora a votação pelo escolhido.

Em comunicado, a APC anunciou que os filmes pré-seleccionados são “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos.

De destacar que Ivo M. Ferreira tem uma forte relação com Macau, onde viveu muitos anos e que foi cenário de muitos dos seus filmes, nomeadamente “Hotel Império”, de 2018 e protagonizado por Margarida Vila-Nova; ou “O Homem da Bicicleta – Diário de Macau”, filme de 1997.

“Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, é, dos seis filmes em pré-selecção, a obra com mais espectadores da lista, totalizando 9.200 desde a estreia em Abril. O filme recria o tempo polarizado dos anos 1980 em Portugal, numa democracia recente e em construção, em que um grupo armado – Forças Populares 25 de Abril (FP-25) -, descontente com o rumo do país, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e acções consideradas terroristas, que causaram 17 mortes.

Votos até Setembro

Os membros da APC podem votar no filme que vai ser candidato a uma nomeação aos Óscares de Hollywood até 10 de Setembro. João Nuno Pinto foi motivado a fazer “18 Buracos para o Paraíso” pela transformação do território do Alentejo através da especulação imobiliária, agricultura intensiva e seca extrema, com o filme a estrear-se nos cinemas portugueses em junho.

Por seu lado, “A Memória do Cheiro das Coisas” é uma narrativa ficcional, cuja história se centra em Arménio, que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra.

Já “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, é interpretado por Mariana Cardoso, Miguel Borges e Miguel Nunes, os actores que compõem o núcleo familiar desta história rodada na região da Serra da Estrela. O título do filme remete para a personagem principal, uma adolescente (Mariana Cardoso) do interior do país, para quem o pai (Miguel Borges) sonha um futuro como guarda-redes profissional, num clube numa grande cidade. Há ainda o irmão (Miguel Nunes), que regressa à aldeia depois de vários anos emigrado, confrontando a família com mágoas do passado, nomeadamente sobre a mãe, que morreu num grande incêndio que assolou a região.

“Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, é protagonizado por Albano Jerónimo e Isabel Abreu, nos papéis de um casal à beira de celebrar 20 anos de casamento, e conta também com Eduardo Aguilar, que interpreta o filho adolescente.

A história de amparo entre duas famílias fragmentadas é o centro do filme “Terra Vil”, uma ficção na qual o realizador Luís Campos quis também retratar uma comunidade e uma região marcadas pela tragédia de Entre-os-Rios. “Terra Vil” é a primeira longa-metragem de ficção de Luís Campos e evoca, de forma indirecta, os acontecimentos ocorridos há 25 anos, com a queda da ponte que ligava Entre-os-Rios e Castelo de Paiva, e que causou 59 mortos.

O comité de pré-selecção dos filmes foi composto pelos produtores Andreia Esteves e Paulo Trancoso, pela editora e ‘designer’ de som Elsa Ferreira, pelos actores Hoji Fortuna e Valerie Braddell, pela caracterizadora Íris Peleira, pelo realizador Paolo Marinou-Blanco e pelo supervisor de efeitos visuais Ricardo Ferreira.

“A composição do comité reflectiu o compromisso da Academia Portuguesa de Cinema com uma representação diversificada das diferentes áreas da criação e produção cinematográfica, reunindo profissionais com percursos distintos e reconhecida experiência no sector”, pode ler-se no comunicado da APC.

24 Ago 2026

Natalidade | Escolas incluem alunos idosos para colmatar quebra

Já há escolas do território a receber estudantes com mais de 65 anos para colmatar a falta de alunos, cenário que se verifica devido à quebra de natalidade. Uma dessas instituições de ensino é a Escola Sun Wah

A quebra gradual taxa de natalidade em Macau tem levado as escolas do território a transformar-se em espaços de ensino não só para crianças, mas também para a terceira idade.

No interior de um edifício residencial na zona norte de Macau encontra-se a Escola Sun Wah. Sem sinais exteriores que indiquem ser uma escola, o espaço de ensino acolhe reformados que frequentam aulas em salas contíguas às do jardim-de-infância e do ensino básico e secundário, partilhando espaços comuns e corredores com as crianças, um cenário que pode apontar para o futuro da educação na cidade.

Após o fim de uma aula de caligrafia, dezenas de alunos idosos exibem orgulhosamente os seus trabalhos. Entre eles está Margarida Ip, de 75 anos, antiga operária fabril que começou a frequentar aulas após a reforma. Não teve oportunidade de estudar na juventude mas, agora, os seus dias são preenchidos com várias aulas.

“Aprendo caligrafia todas as segundas e quartas-feiras, inglês às quintas, também aprendo natação de manhã, há pouco tempo tive algumas aulas de informática e quero aprender mais. Estou muito feliz”, disse Ip à Lusa.

A presidente da Escola Sun Wah, Ho U, afirmou que a instituição oferece cursos para idosos desde 2024, incluindo pintura chinesa, dança, instrumentos musicais, línguas e artes marciais. Desde então número de alunos quadruplicou, chegando agora aos 2.000.

Esta expansão ocorre numa altura em que a taxa de natalidade em Macau continua a sua queda de 11 anos. Em 2025, a cidade registou apenas 2.871 nascimentos, o valor mais baixo em quase meio século, com uma taxa de fecundidade de 0,47 filhos por mulher entre os 15 e os 49 anos, outro mínimo histórico, segundo dados oficiais.

Só três turmas

Na Escola Sun Wah, o departamento de jardim-de-infância tem agora apenas três turmas, com o director, Ho U, a reconhecer que “alguns assistentes educativos” foram despedidos devido à queda do número de matrículas, embora cada turma mantenha ainda mais de três elementos no corpo docente.

Mas a escola também se adaptou. “Mais de dez professores do jardim-de-infância e do ensino primário vão trabalhar a tempo parcial na educação de adultos e de idosos no próximo ano lectivo”, afirmou Ho U, acrescentando que “podem leccionar música, pintura, inglês, português, tecnologia e muito mais”, disse o director.

Para preservar postos de trabalho, a Sun Wah está a expandir o seu programa de educação para adultos e idosos. Está prevista a abertura de um novo campus no centro de Macau, com 30 turmas e um investimento superior a um milhão de patacas.

O professor de caligrafia, Lei Man Wai, que pratica esta arte há 50 anos e a ensina há décadas, afirmou que ensinar reformados “é muito mais fácil do que ensinar crianças” devido à motivação e à capacidade de concentração que apresentam.

Um reformado de apelido Chang, antigo funcionário público, pratica caligrafia há nove anos desde que se reformou. “Se não estou a praticar caligrafia, estou a ler algo sobre o assunto nesse dia”, disse à Lusa. Actualmente, frequenta cursos tanto na Sun Wah como na Universidade Politécnica de Macau.

Tendência crescente

O Governo oferece a cada residente com 15 ou mais anos um subsídio de 6.000 patacas para educação contínua. Entre 2023 e 2026, mais de 41.000 idosos participaram em diversos cursos, segundo a Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

O número de vagas para cursos para idosos no ensino superior de Macau “ultrapassará os 9.000 este ano”, indicou a DSEDJ à Lusa, acrescentando que “a participação dos idosos continua a aumentar”.

No entanto, nem todas as escolas estão convencidas que esta mudança é necessária. A Escola Secundária Pui Va, por exemplo, tem menos duas turmas de jardim-de-infância do que no ano passado, mas seu director, Lei Chau Lam, afirmou que a escola “irá reflectir” sobre a transformação, mas indicando que “perante a quebra da natalidade”, a escola mantém-se confiante de que continuará a operar. “Não acho que a transformação ajude estudantes e os pais (…). Quando fundámos a escola, começámos com apenas uma turma”, apontou.

Segundo a DSEDJ, actualmente entre nove e 11 escolas estão a considerar uma fusão ou reestruturação. Lei Chau Lam defendeu à Lusa que o Governo local deveria concentrar os seus esforços em “atrair talentos, facilitar a entrada de estudantes de outras regiões em Macau ou incentivar os jovens a terem mais filhos”, considerando que “estas medidas são as mais práticas”.

Numa resposta a perguntas da Lusa, a DSEDJ afirmou que oferece apoio de transição às escolas com dificuldades em matrículas de alunos, incluindo subsídios para a transformação “em instituições de educação contínua, formação profissional ou educação para idosos”, bem como financiamento para a reconversão de professores, de modo a ajudá-los a obter acreditação profissional.

No entanto, o director Lei Chau Lam duvida das medidas, questionando se os professores que perdem o emprego nas escolas terão “capacidade e qualificações para ministrar educação de adultos” após apenas “algumas formações”.

O custo humano está patente na história de um professor. Bruce Lei, que leccionou chinês em escolas de Macau durante 25 anos, indicou ter perdido o emprego há dois anos devido a “falta de alunos”. Além de um curto período como substituto, não conseguiu encontrar trabalho desde então.

O antigo professor referiu que a maioria das ofertas de emprego tem limites de idade e que as escolas evitam contratá-lo porque o seu salário legalmente exigido é demasiado elevado. Teve entrevistas noutras escolas, mas “não teve uma segunda oportunidade”. “A minha única esperança é encontrar um emprego como segurança ou esperar que a minha mãe morra para herdar a casa dela”.

24 Ago 2026

Consumo | Preços subiram 1,12% em Julho devido a combustíveis

A taxa de inflação em Julho subiu 1,12 por cento em termos anuais, mas registou uma ligeira descida (0,01 por cento) face ao mês anterior, revelou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No mês passado, o índice de preços da secção dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas cresceu 1,22 por cento, face a Julho de 2025, devido sobretudo à subida dos preços das refeições fora de casa e de “take-away” e o índice de preços da secção dos transportes subiu 2,29 por cento, em virtude da ascensão dos preços dos bilhetes de avião e da gasolina.

Também os preços dos artigos de vestuário e calçado ficaram mais caros 2,61 por cento face a Julho do ano passado, enquanto que joalharia e relógios registaram um aumento anual de preços de 2,38 por cento.

24 Ago 2026

Turismo | Número de visitantes volta a subir

No passado mês de Julho, Macau foi visitada por 3,54 milhões de pessoas, uma subida de 2,4 por cento em termos anuais, um crescimento impulsionado pelo número de entradas de visitantes do Interior da China, que aumentou 5,4 por cento para mais de 2,7 milhões de turistas.

No pólo oposto, e contrariando os objectivos do Governo, o número de visitantes internacionais caiu em Julho 1,9 por cento, para um total inferior a 174,5 mil turistas, revelam dados divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Em relação ao tipo de visitantes que entrou em Macau em Julho, a DSEC revela a larga maioria foram excursionistas (mais de 2,1 milhões), segmento que registou um aumento anual de 6,4 por cento. Por outro lado, os turistas que vieram por sua conta a Macau diminuíram no mês passado 2,9 por cento, para um total de 1,43 milhões. Em virtude desta dinâmica, o período médio de permanência de visitantes diminuiu 0,1 dias para 1,1 dias, face a Julho de 2025.

Os dados demonstram que se, por um lado, as entradas de visitantes com visto individual cresceram em termos anuais em Julho 9,6 por cento para quase 1,5 milhões, os turistas vindos de Hong Kong caíram mais de 10 por cento para pouco mais de 560 mil pessoas.

Em relação aos turistas internacionais, as maiores quebras deram-se nos dois principais mercados emissores, com o número de turistas das Filipinas a diminuírem 13,3 por cento para 32,8 mil e os vindos da Coreia do Sul a descerem 14,7 por cento para um total de 27,5 mil turistas. Porém, o número de turistas vindos da Índia aumentou 66,4 por cento para um total de 10.261 pessoas.

Nos primeiros sete meses deste ano, o número de visitantes cresceu 8 por cento para um total de 24,48 milhões de pessoas, subida impulsionada pelo aumento de quase 14 por cento dos excursionistas.

24 Ago 2026