Hoje Macau China / ÁsiaBanguecoque | Numéro de mortos em incêndio de bar sobe para 34 O número de mortos no incêndio ocorrido num bar em Banguecoque subiu para 34, após a morte, ontem, de uma mulher de 20 anos que não resistiu aos ferimentos, anunciaram as autoridades de saúde da Tailândia. O incêndio devastou rapidamente, no domingo passado, um popular bar-restaurante na zona norte da capital tailandesa, o Rong Beer Na Lat Phrao, onde decorria um concerto. As autópsias revelaram que a maioria das vítimas morreu de intoxicação por monóxido de carbono e ácido cianídrico, após inalarem o fumo, enquanto outras morreram no hospital devido a queimaduras graves. Os investigadores procuram determinar a causa do incêndio e as razões pelas quais este se revelou particularmente mortífero. Os corpos de muitas vítimas foram encontrados perto das casas de banho, e as autoridades questionam-se se as saídas de emergência estariam obstruídas. Um especialista em segurança de edifícios declarou anteriormente à agência France-Presse (AFP) que o Rong Beer Na Lat Phrao parecia não dispor dos sistemas de segurança necessários para acolher um vasto público e concertos. As autoridades anunciaram que cerca de mil estabelecimentos em Banguecoque serão alvo de inspecção nas próximas semanas, tendo já ordenado o encerramento temporário de três bares que não cumpriam as normas de segurança. Estas normas são frequentemente aplicadas de forma pouco rigorosa nos estabelecimentos nocturnos da Tailândia, onde um incêndio numa discoteca de Banguecoque já tinha causado 67 mortos e mais de 200 feridos em 2009.
Hoje Macau InternacionalNova Iorque | Mamdani reafirma hipótese de deter Netanyahu O autarca de Nova Iorque, Zohran Mamdani, voltou a garantir que a sua equipa jurídica continua a estudar se será possível prender o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, no caso do israelita se deslocar à cidade em Setembro para participar na Assembleia Geral da ONU. Numa entrevista ao podcast “The Interview”, do New York Times, Mamdani confirmou que esta questão está a ser activamente debatida internamente, uma promessa que já tinha feito durante a sua campanha eleitoral. Para o autarca, Netanyahu “devia estar em Haia”, por se tratar, na sua opinião, de um criminoso de guerra formalmente acusado pelo Tribunal Penal Internacional. Ao ser confrontado sobre até onde a lei lhe permitiria ir, respondeu que essa é ainda uma discussão em aberto com os seus advogados, deixando claro que não pretende agir à margem da legalidade, ao contrário, sublinhou, do que por vezes se vê acontecer a nível federal. Importa lembrar que o TPI emitiu, em 2024, um mandado de captura contra Netanyahu e outros responsáveis israelitas, por suspeitas de crimes de guerra ligados aos acontecimentos que se seguiram ao ataque do Hamas a 7 de Outubro de 2023. Essa decisão foi criticada tanto por Trump como pelo seu antecessor, Joe Biden. Como os Estados Unidos nunca ratificaram o Estatuto de Roma — o tratado que obriga à detenção de pessoas visadas por este tipo de mandado — o país não é juridicamente obrigado a cumpri-lo, e a administração Trump tem vindo a intensificar os ataques ao tribunal, com o secretário de Estado Marco Rubio a prometer mesmo “desmantelá-lo”. Palco da polémica Conhecido pela sua postura crítica face ao governo israelita, Mamdani já classificou por diversas vezes a guerra em Gaza como um “genocídio”, uma acusação que Israel rejeita categoricamente. Do lado americano, o embaixador junto da ONU, Mike Waltz, desvalorizou as declarações, chamando-lhes “puro teatro político” e recordando que os EUA nem sequer integram o TPI. Já o embaixador israelita na ONU, Danny Danon, garantiu que Netanyahu virá mesmo a Nova Iorque e discursará na Assembleia Geral “com orgulho”, reafirmando o direito de Israel se defender, lembra a CNN Internacional.
Hoje Macau Manchete PolíticaCPLP | Ji Xianzheng defende papel de Fórum de Macau Quando se celebram os 30 anos do estabelecimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o secretário-geral do Fórum de Macau argumenta que também contribui para os objectivos comuns do organismo O secretário-geral do Fórum de Macau considera que, mesmo sem ligação institucional formal, o organismo “contribui para a concretização de alguns dos objectivos da CPLP”, ao promover o desenvolvimento comum entre a China, os países lusófonos e Macau. Ji Xianzheng sublinhou, em declarações envidas por escrito à Lusa a propósito dos 30 anos da CPLP, assinalado na sexta-feira, que o reforço do papel da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma de serviços para a cooperação comercial “aproxima os países lusófonos entre si e abre novos caminhos de articulação com a China”, destacando que mantêm “contactos directos com o secretariado-executivo da CPLP”. O responsável recordou que a Conferência Ministerial do Fórum de Macau conta regularmente com a presença do secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como convidado e que o Secretariado Permanente tem recebido visitas da Confederação Empresarial da CPLP. “Embora não exista um mecanismo formal de ligação institucional, na prática desenvolvemos esforços complementares que trazem benefícios concretos”, afirmou Ji. Sobre uma eventual aproximação institucional mais estruturada, frisou que “depende, antes de mais, das opiniões e da vontade dos 10 participantes do Fórum – a China e os nove países de língua portuguesa”. Ainda assim, garantiu que o Fórum acompanha “com interesse todas as iniciativas que possam reforçar a cooperação económica e comercial entre os Países de Língua Portuguesa e a China”. A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Fórum de Macau). O Secretariado Permanente do Fórum integra o secretário-geral, o chinês Ji Xianzheng e três secretários-gerais adjuntos: o timorense Danilo Afonso Henriques (indicado pelos países lusófonos), Xie Ying (nomeada pela China) e António Lei (nomeado por Macau). “Através dos serviços prestados pela plataforma de Macau, realizamos de três em três anos uma Conferência Ministerial, na qual é aprovado um Plano de Acção Conjunto que orienta o trabalho de cooperação para o triénio seguinte, permitindo um avanço estável e contínuo das relações”, explicou. A 7.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa deverá realizar-se no primeiro semestre de 2027, sem uma data exacta ainda definida. Elo de ligação Ji destacou também que o Fórum de Macau tem vindo a desempenhar um papel de elo de ligação “particularmente eficaz” entre o Interior da China e os países de língua portuguesa, funcionando como um mecanismo de cooperação directa e regular. “Através da Conferência Ministerial e dos planos de acção conjuntos, conseguimos assegurar um avanço estável e contínuo das relações, criando oportunidades concretas de desenvolvimento económico e comercial”, afirmou, reforçando que esta coordenação “é essencial para consolidar a confiança mútua e para garantir que os benefícios da cooperação chegam a todos os participantes”. Apesar de o Governo chinês ter definido Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, esse papel foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola. Questionado sobre a possibilidade de alargar o âmbito do Fórum aos países de língua espanhola, Ji esclareceu que “até ao momento, o Secretariado Permanente não recebeu este tipo de orientações ou propostas formais, quer da parte do Governo central, quer da parte do Governo da RAEM”. Ainda assim, garantiu que o organismo está “disposto a colaborar activamente com os trabalhos relevantes do Governo da RAEM”, desde que se “mantenham em consonância com o âmbito do Fórum e com as orientações do Governo Central da China”.
Hoje Macau China / ÁsiaImportações | Mercado africano em alta após isenção de tarifas A aplicação de zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes de 53 países africanos fez disparar as importações chinesas, com foco nos recursos minerais, nos últimos dois meses As importações chinesas provenientes de África aceleraram em Maio e Junho, após Pequim alargar o regime de zero taxas a quase todo o continente, impulsionadas pelos minerais críticos, mas também por um forte aumento das compras de produtos. O crescimento superou o registado pelas importações chinesas no seu conjunto e foi impulsionado tanto pela procura de minerais críticos como pela entrada de novos produtos agrícolas africanos no mercado chinês. A partir de 01 de Maio, Pequim passou a aplicar zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes dos 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, alargando um regime que anteriormente abrangia apenas 33 países. A medida, válida até Abril de 2028, passou a incluir economias como a África do Sul, Egipto, Nigéria, Argélia e Quénia. O aumento das importações continua a ser liderado pelos recursos minerais, num contexto em que a China procura garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias, semicondutores, centros de dados e outras indústrias ligadas à inteligência artificial. As compras de cobre bruto proveniente de África mais do que duplicaram em maio, aumentando mais de 110 por cento para 1,65 mil milhões de dólares. As importações de platina, espodumena – um mineral utilizado na produção de baterias de lítio – e pó de ródio também registaram fortes subidas. As importações de petróleo bruto africano cresceram igualmente 21 por cento, para 3,11 mil milhões de dólares, mantendo-se como a principal categoria de importações chinesas provenientes do continente, num período marcado pelas perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão. O novo regime tarifário parece, contudo, estar também a favorecer a diversificação das exportações africanas. Outras matérias Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de amendoim descascado multiplicaram-se por 15 em Maio, para 13,68 milhões de dólares, enquanto as de óleo de amendoim virgem aumentaram mais de 30 vezes e as de soja não geneticamente modificada mais de oito vezes. As compras de café e maçãs africanas cresceram 52 por cento e 85 por cento, respectivamente, enquanto as importações de açúcar ultrapassaram um milhão de dólares, face a um nível residual registado em maio de 2025. A China começou ainda a importar em escala comercial alguns produtos africanos que praticamente não figuravam nas estatísticas anteriores, entre os quais açúcar de cana, choco congelado, cravinho e sementes de orquídea. O alargamento do regime de zero tarifas é visto como parte da estratégia de Pequim para reduzir o défice comercial africano nas relações bilaterais e reforçar os laços com o chamado Sul Global, numa altura de crescente proteccionismo internacional e de agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos. O comércio entre a China e África atingiu um máximo histórico de 348 mil milhões de dólares em 2025. No entanto, o crescimento manteve-se desequilibrado: as exportações chinesas para África aumentaram 25,8 por cento, para 225 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do continente cresceram apenas cerca de 5 por cento, para 123 mil milhões de dólares.
Hoje Macau SociedadeDICJ |Pedida mais vigilância face a apostas por telefone A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) teve um encontro com todas as concessionárias do jogo para pedir um reforço da vigilância face às apostas feitas por telefone nos casinos. A reunião aconteceu na terça-feira, depois de nos últimos dias terem sido detidas várias pessoas com equipamentos de gravação nos casinos. Durante o encontro, segundo a versão oficial, os representantes do Governo afirmaram que “com o desenvolvimento das tecnologias, alguns métodos ilegais de apostas têm-se tornado cada vez mais discretos, constituindo novos desafios para a gestão dos casinos”. No entanto, a DICJ prometeu “combater severamente qualquer forma de colocação de apostas ilegais, incluindo a colocação de apostas por via telefónica”. Diante dos representantes da concessionária, a DICJ sentiu ainda necessidade de indicar que “tem mantido uma estreita colaboração com a Polícia Judiciária e cooperado activamente na investigação de diversos casos através de reuniões de trabalho permanentes, da troca de informações e de mecanismos de acção conjunta”. Esta colaboração, justificou a DICJ, tem permitido “combater a expansão de actividades ilegais”. Ao mesmo tempo, a entidade reguladora pediu às concessionárias para “aperfeiçoarem os seus mecanismos de gestão interna, reforçando a vigilância e a capacidade de resposta dos trabalhadores da linha da frente”.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Presidência da CPLP depende do “conselho consultivo” Com Timor-Leste a preparar a presidência da ASEAN em 2029 e com eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028, a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deverá ser entregue ao Brasil ou à Guiné Equatorial O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a próxima presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) depende do “conselho consultivo”, tendo afirmado anteriormente que Timor-Leste seria o próximo país a dirigir a organização. “Tudo depende do conselho consultivo da CPLP”, disse Xanana Gusmão, quando questionado pela Lusa sobre o facto de o Presidente timorense, José Ramos-Horta, defender que a presidência deveria ser entregue ao Brasil. O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou em Junho, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência actual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização após o golpe de Estado de Novembro de 2025. Em entrevista à Lusa, o Presidente timorense defendeu que a próxima presidência da CPLP deve ser do Brasil, justificando a sua posição com o facto de Timor-Leste ir assumir a presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em 2029. “Já estamos a trabalhar a todo o vapor nas agendas domésticas e na agenda ASEAN 2029. Portanto, não creio que vá sobrar tempo e recursos para assumirmos as responsabilidades da CPLP para além de 2027”, salientou o chefe de Estado. Agenda preenchida Timor-Leste vai também realizar eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028. Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil. “Não chegámos a uma decisão. Houve oposição forte por parte do país anfitrião ao Brasil e a Guiné-Bissau apoiava a Guiné Equatorial. Mas eu creio que a Guiné Equatorial poderia concordar em que é preferível entregarmos ao Brasil e depois do Brasil, podíamos voltar a África e então para a Guiné Equatorial”, disse o Presidente timorense. O assunto da próxima presidência da organização lusófona deverá ser abordado no Conselho de Ministros da CPLP, que vai realizar-se em Díli entre 18 e 19 de agosto. Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Hoje Macau PolíticaMNE organiza cursos para alargar visão internacional Os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros organizaram cursos de formação para funcionários públicos e pessoal de chefia, entre terça-feira e ontem, no sentido de reforçar os conhecimentos sobre os trabalhos consulares do Estado. Num comunicado divulgado ontem pelos SAFP, foi indicado que a edição deste ano, a 18.ª, contou com a participação de dirigentes, chefias e trabalhadores, num total de mais de 200 pessoas. O objectivos dos três dias de cursos foi alargar a “visão internacional, reforçar a consciência global e a capacidade de trabalho que envolve assuntos externos, contribuindo não só para a transformação de Macau numa importante ponte de abertura de alto nível do país ao exterior, como também para a melhoria contínua da sua competitividade e influência internacional”. O conteúdo pedagógico sobre trabalhos consulares abrangeu tópicos como operações de evacuação de cidadãos no estrangeiro, colaboração transfronteiriça e resposta a incidentes imprevistos. Na cerimónia de abertura do curso, a directora dos SAFP, Leong Weng In, destacou que o 15.º Plano Quinquenal Nacional menciona expressamente o apoio a Macau no desenvolvimento das suas vantagens únicas de “Ligação ao mundo com o apoio da Pátria”, a fim de se integrar melhor e servir a conjuntura do desenvolvimento nacional.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA e Trump vistos de forma mais negativa do que China e Xi em 25 países – estudo Um novo estudo do Pew Research Center indica que, pela primeira vez, mais pessoas têm uma visão menos favorável dos Estados Unidos do que da China em 25 dos 36 países e territórios incluídos. A opinião sobre o líder chinês, Xi Jinping, é mais positiva do que do Presidente norte-americano, Donald Trump, em 22 dos 36 territórios inquiridos, entre os quais Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, apesar de a confiança da maioria das respectivas populações em ambos os chefes de estado ser reduzida. Nos cerca de 20 anos em que o Pew monitoriza a opinião global, é a primeira vez que a China é vista de forma mais positiva do que os Estados Unidos, afirmou Laura Silver, uma das investigadoras envolvidas no estudo realizado entre Fevereiro e Maio pela instituição sediada em Washington. As perspectivas acerca de Pequim e Washington já foram muito semelhantes em alguns momentos do passado, mas nunca tinham sido substancialmente mais favoráveis à China, acrescentou. A directora da unidade de investigação em Atitudes Globais do Pew referiu ainda que a imagem global norte-americana se tem deteriorado na sequência da guerra movida, em conjunto com Israel, contra o Irão, em 28 de Fevereiro. “Houve uma relação factual entre a eclosão da guerra e a sensação de que os Estados Unidos não estão a contribuir para a paz e a estabilidade, além de uma menor confiança das pessoas em Donald Trump”, argumentou. Achas na fogueira As exigências de Trump quanto ao eventual controlo da Gronelândia, a operação militar que capturou o anterior líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 03 de Janeiro, e a forma como o chefe de estado norte-americano tem lidado com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza também contribuíram para a visão pouco positiva dos norte-americanos em vários países, detalhou. A China, pelo contrário, está a beneficiar do facto de a memória da pandemia de covid-19 se estar a dissipar e é vista como “uma parceira muito mais confiável em muitos lugares”, no sentido de contribuir para “a paz e a estabilidade globais”, esclareceu. O Canadá é um dos países em que a opinião pública face aos Estados Unidos mais se alterou, já que a percentagem de habitantes com visão positiva do país vizinho desceu de 57 por cento, em 2023, para 33 por cento, em 2026, após Trump ter imposto tarifas a produtos canadianos em 2025 e afirmar que o território se poderia tornar o “51.º estado norte-americano”. Já a opinião favorável relativamente à China subiu de 14 por cento para 44 por cento em solo canadiano, no mesmo período. A França, a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Suécia e os Países Baixos também mudaram de opinião em relação às duas maiores economias do mundo, enquanto os habitantes do Reino Unido têm hoje uma visão semelhante sobre os dois países, num contraste com 2023, altura em que 60 por cento dos britânicos tinham uma opinião favorável dos Estados Unidos e 28 por cento atribuía um olhar positivo à China. Da meia dúzia Entre os seis países onde a população tem uma visão mais favorável dos Estados Unidos, Israel destaca-se, com 80 por cento dos inquiridos a verem os norte-americanos de forma positiva, em comparação com os 19 por cento com opinião semelhante da China. Também o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Polónia têm uma visão mais favorável dos Estados Unidos do que da China, embora essa percentagem tenha diminuído. Os inquiridos consideram que o Governo norte-americano respeita mais as liberdades individuais do que o chinês, embora a diferença entre os dois países esteja a diminuir, esclarece o relatório. Para elaborar o estudo, o Pew entrevistou mais de 42 mil pessoas em 35 países, além da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com as margens de erro a variarem entre os 2,3 e os 5,5 pontos percentuais, dependendo do país.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Tríade de Hong Kong suspeita de ataque a analista japonês As autoridades de Taiwan afirmaram na terça-feira que vão investigar qualquer suspeita de “repressão transnacional”, após notícias avançarem que a agressão contra um comentador político japonês poderá ter envolvido membros de uma tríade de Hong Kong. As declarações surgem depois de a revista taiwanesa Mirror Media ter noticiado que o ataque teria sido orquestrado por elementos da organização criminosa Wo Shing Wo, sediada em Hong Kong. Segundo a agência central taiwanesa CNA, a porta-voz das autoridades de Taiwan, Karen Kuo, disse que o caso continua sob investigação por procuradores e polícia. “O Governo leva muito a sério qualquer repressão transnacional levada a cabo por grupos autoritários contra vozes dissidentes em todo o mundo”, afirmou Kuo na terça-feira, acrescentando que as autoridades apoiam uma investigação completa e trabalham com países afins para combater crimes transfronteiriços. Yaita, o director executivo do Indo-Pacific Strategy Thinktank em Taipé, foi agredido no rosto por um homem de Hong Kong após uma palestra num hotel na cidade taiwanesa de Taichung, a 07 de Julho. A polícia deteve o suspeito, de apelido Liu, nesse mesmo dia no aeroporto internacional de Taichung, quando tentava deixar Taiwan.
Hoje Macau China / ÁsiaInclusão de yuan nas reservas obrigatórias angolanas significa maturidade das relações O presidente da Câmara de Comércio Angola China considerou terça-feira a introdução do Yuan, moeda chinesa, na economia angolana um passo bastante significativo de maturidade das relações entre os dois países. Luís Cupenala reagia, em declarações à Lusa, à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais para inclusão do Renmimbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira. O responsável destacou que esta medida acontece nos 43 anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países. Segundo Luís Cupenala, com a implementação da taxa zero pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para o país asiático com 1,4 mil milhões de consumidores. “Isso precisa da circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda Renmimbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu. Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como moedas estrangeiras de transacção o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o rand (moeda sul-africana). “Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou. O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais, com os 53 países africanos, sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático. “Este passo que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou. Ganhos gerais Além da classe empresarial, a inclusão do Yuan nas reservas obrigatórias vai beneficiar pessoas individuais, como estudantes e mulheres de negócios. “A liberalização desta nova etapa nas trocas comerciais abre um novo capítulo para facilitar também pessoas individuais além das empresas, com certeza”, referiu. Em 2025, as trocas comerciais entre Angola e a China superaram os 20 mil milhões de dólares, representando uma desaceleração de 16 por cento devido a choques externos do mercado global, observou Luís Cupenala, convencido que 2026 será “muito melhor” que o ano passado. O BNA passou a permitir, na semana passada, que as instituições financeiras bancárias constituam reservas obrigatórias nas quatros moedas através da Directiva que estabelece os procedimentos para a constituição e desmobilização das reservas obrigatórias em moeda estrangeira As reservas obrigatórias correspondem aos montantes que os bancos são obrigados a manter depositados no banco central, constituindo um dos instrumentos utilizados pelo BNA para gerir a liquidez do sistema financeiro e apoiar a execução da política monetária.
Hoje Macau China / ÁsiaDetidos 28 cidadãos estrangeiros em Díli suspeitos de actividade ilegal ‘online’ A Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) de Timor-Leste deteve ontem, em Díli, 28 estrangeiros, a maioria dos quais chineses, por suspeita de actividade ilegal de jogo ‘online’ e burla informática. “A operação, realizada em conjunto com o Serviço Nacional de Inteligência Estratégica começou às 02h00 e permitiu identificar e deter os 28 suspeitos, indiciados por desenvolverem actividades num centro de burla informática e jogo ‘online’ na referida área da cidade de Díli”, pode ler-se num comunicado divulgado à imprensa. No comunicado, a PCIC explica que os cidadãos chineses suspeitos de praticarem jogo ilícito em Timor-Leste já têm um “historial de envolvimento em actividades semelhantes no Myanmar, Camboja e Laos”. “A operação da madrugada de hoje (ontem) insere-se no âmbito da investigação e dos esforços contínuos da PCIC no combate a redes de crime organizado transnacional suspeita de desenvolver atividades de burla informática e jogo ilegal ‘online’ em território nacional”, acrescenta-se no comunicado. As autoridades policiais de Timor-Leste detiveram nas últimas semanas mais de 300 pessoas, na sua maioria cidadãos da China, do Camboja e da Indonésia, por suspeitas de envolvimento em actividades ilegais ‘online’, sobretudo relacionadas com jogo ilegal e fraude. Más influências Em Setembro do ano passado, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou para o aumento da presença de redes criminosas em Oecusse, o enclave timorense situado em território indonésio, na ilha de Timor. Segundo o UNODC, investigações recentes demonstram que a região começou a ser influenciada por actividades criminosas organizadas. Na sequência desse alerta público, o Governo de Timor-Leste decidiu cancelar todas as licenças anteriormente concedidas para operações de jogos e apostas ‘online’, bem como suspender a atribuição de novas licenças, devido aos riscos para a segurança e a estabilidade social. Segundo o UNODC, quando redes criminosas digitais se instalam numa determinada região, “essa região torna-se frequentemente um centro de fraude cibernética, bem como de tráfico de droga e de seres humanos”.
Hoje Macau China / ÁsiaONU | Conselho de Segurança prolonga exigência de relatórios sobre ataques Huthis O Conselho de Segurança da ONU renovou terça-feira, por mais seis meses, a resolução que exige relatórios mensais do secretário-geral sobre os ataques dos rebeldes Huthis no mar Vermelho. A resolução, redigida pelos Estados Unidos e pela Grécia, foi aprovada com 13 votos favoráveis dos 15 Estados-membros do Conselho, com a abstenção da China e da Rússia. A representação russa argumentou que os rebeldes xiitas do Iémen não realizaram nenhum ataque a embarcações no mar Vermelho nos últimos meses. A Organização Marítima Internacional (OMI) indicou, num comunicado de 06 de julho, que os riscos de segurança no mar Vermelho e no golfo de Aden têm aumentado, com “24 tentativas e incidentes consumados de pirataria e roubo armado contra navios na região” ao longo dos últimos três meses. Além disso, em 05 de Julho, a organização de segurança marítima britânica United Kingdom Maritime Trade Operations relatou um ataque a um navio cargueiro por “agressores armados desconhecidos” ocorrido a 30 milhas náuticas [cerca de 55 quilómetros] da costa de Hodeidah, controlada pelos Huthis. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque. Depois da votação, o embaixador norte-americano junto da ONU considerou cristalino que os Huthis “são acólitos de Teerão” e “estudaram o manual da Guarda Revolucionária Islâmica”. “Quando o Irão rapta civis, os Huthis também o fazem. Quando o Irão se esconde atrás de escudos humanos, os Huthis também o fazem. Quando o Irão ataca as infraestruturas civis do outro lado do golfo, os Huthis fazem o mesmo. Quando o Irão grita ‘Morte a Israel’ e ‘Morte à América’, os Huthis repetem palavra por palavra”, defendeu Mike Waltz. “Então, se o Irão está disposto a ameaçar o estreito de Ormuz, quanto tempo levará até que os Huthis decidam mais uma vez espelhar os seus mentores, os seus ídolos em Teerão, e tentar fechar o mar Vermelho?”, questionou. Waltz recordou ainda que foi aprovada uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que impôs um embargo de armas, proibindo o fornecimento, a venda ou a transferência de armamento e componentes para os Huthis, incluindo tecnologia e artigos de dupla utilização que alimentam os programas de mísseis, drones e vigilância dos rebeldes. Troca de acusações O diplomata norte-americano acusou então empresas e entidades na China de violarem essa resolução e de sofrerem “poucas consequências”, o que gerou indignação do lado de Pequim e um novo momento de tensão no Conselho de Segurança. Os representantes norte-americano e chinês entraram numa troca de palavras, acusando-se mutuamente de responsabilidade pela crise no Médio Oriente. “As acusações feitas pelo representante dos EUA contra a China são completamente infundadas. A China opõe-se firmemente e rejeita categoricamente estes ataques. A China cumpre e implementa rigorosamente as resoluções do Conselho e mantém uma postura cautelosa e responsável em relação à exportação de artigos militares e de dupla utilização”, garantiu o representante de Pequim. Contudo, Mike Waltz alegou que estava apenas a citar dados do Mecanismo de Verificação e Inspeção da ONU, nos quais é indicado que mais de 70 por cento dos artigos de dupla utilização proibidos ou restritos apreendidos entre Janeiro de 2025 e Abril de 2026 tiveram origem na China. O diplomata chinês pediu a palavra novamente para afirmar que a “conclusão aparente é que os EUA têm uma responsabilidade incontestável sobre a situação actual no Iémen e no mar Vermelho”. “São os EUA que estão a obstruir os esforços deste Conselho para pôr fim às hostilidades e que permitem o prolongamento da crise em Gaza e a expansão das tensões (…). E no meio das negociações entre os EUA e o Irão, os EUA lançaram grandes ataques contra o Irão, mergulhando mais uma vez a situação da região num precipício perigoso”, acrescentou Pequim. A votação ocorreu num momento em que o reinício das hostilidades entre Irão e EUA levanta novamente questões sobre a possibilidade de os Huthis retornarem ao conflito. O Irão negou repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo xiita iemenita.
Hoje Macau Manchete SociedadeTurismo | Sector acha insuficiente quatro guias a falar português Apenas quatro de um universo de quase dois mil guias turísticos registados em Macau até ao final de 2025 sabem falar português, um número considerado insuficiente pelo sector. A precariedade da profissão é um dos entraves à entrada de novos guias que falem português A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicou ao Jornal Tribuna de Macau (JTM) que a RAEM contava, no final do ano passado, com um total de 1.851 titulares de Cartão de Guia Turístico, com apenas quatro a dominar a língua portuguesa. O número manteve-se inalterado nos últimos quatro anos, reforçou aquele departamento. A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, graças a esse posicionamento, continuou a DST, o número de turistas oriundos destas geografias poderá retomar a trajetória de crescimento. Nesse sentido, os guias turísticos terão “certas vantagens”, concretizou. Os visitantes de Portugal e do Brasil – o departamento de estatística do território não especifica os números das entradas de outros países de língua portuguesa – têm vindo a aumentar gradualmente desde a pandemia da covid-19, embora ainda não tenham alcançado os valores de 2019, de acordo com dados consultados pela Lusa. Em 2025, entraram no território 14.331 portugueses e 12.258 brasileiros, números ligeiramente atrás dos registados em 2019 – 15.967 e 12.770, respectivamente. E a DST prevê desafios para este scetor. “Quando o volume total de turistas for inferior ao das línguas dominantes, as receitas flutuarão bastante entre as épocas altas e baixas”, notou a direcção, referindo que disponibiliza desde 2016 cursos gratuitos para diferentes línguas para os profissionais do turismo. Cidade internacional Ao JTM, a União dos Guias Turísticos lembrou que não há falta de falantes de português em Macau, mas a própria profissão de guia carece de garantias básicas, como salário-base ou seguro de saúde. E guias de línguas minoritárias “agora não conseguem sustentar a vida quotidiana com o volume actual de trabalho”, reflectiu Nelson Hoi, diretor desta associação. Sobre os quatro profissionais que falam português, Hoi considerou um número insuficiente para responder à procura. “Há muitos países de língua portuguesa e, com o desenvolvimento da economia e a melhoria das condições de vida, o número de turistas oriundos dessas nações tem vindo a aumentar”, disse ao JTM. Hoi lembrou ainda que estes profissionais “são maioritariamente de idade avançada” e que, quando se reformarem, a oferta vai cessar. Por isso, pediu ao Governo para definir um plano e medidas para atrair as camadas jovens para este sector.
Hoje Macau PolíticaAperfeiçoamento contínuo | Detectado mais um suspeito em caso de burla Foram identificados mais suspeitos no caso de burla numa instituição de ensino para obter subsídios do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo revelado no início de Junho. No mês passado, o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) dava conta das suspeitas que recaíam sobre um responsável da instituição e 13 residentes de Macau. Agora, foi identificado mais um responsável da instituição e os residentes que terão passado por formandos são já mais de 40, segundo a informação revelada ontem pelo CCAC. A investigação encontrou ainda indícios de que a burla ao programa público terá um valor superior a 200 mil patacas. Os dois responsáveis pagaram recompensas pecuniárias, num valor equivalente a metade das propinas totais, como contrapartida para aliciar mais de 40 indivíduos a inscreverem-se em cursos. Alguns “formandos” usaram bilhetes de identidades de familiares, sem consentimento, para se inscreverem nos cursos e receberem a recompensa. Os dois suspeitos da instituição e os mais de 40 residentes são suspeitos dos crimes de burla, uso de documento de identificação alheio e falsificação informática. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.
Hoje Macau China / ÁsiaBanguecoque | Maioria das vítimas de incêndio em bar presa em WC A maioria das 27 vítimas mortais do incêndio que deflagrou num bar com música ao vivo em Banguecoque foi encontrada encurralada em casas de banho sem janelas, onde terão procurado escapar às chamas, anunciaram as autoridades. O fogo no bar Rong Beer Na Ladprao – o mais mortífero na cidade em 17 anos – deflagrou na noite de domingo, na zona norte da capital tailandesa, com os bombeiros a demorarem meia hora a controlá-lo. Segundo responsáveis municipais, 25 pessoas permanecem hospitalizadas em estado crítico. O governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, afirmou que a maioria das mortes resultou da inalação de fumo. Na segunda-feira, o local estava isolado com dezenas de peritos forenses que procuravam pistas sobre a origem do incêndio. As janelas viradas para a rua estavam destruídas e os passeios cobertos de destroços, incluindo televisores, colunas e uma guitarra elétrica carbonizados. Jornalistas da Associated Press observaram garrafas de cerveja intactas sobre mesas queimadas através dos vidros partidos. O bar, que se apresenta como cervejaria, dizia poder receber até 600 clientes. Não se sabe quantas pessoas estavam presentes na noite de domingo. O centro de emergência Erawan indicou que 73 pessoas ficaram feridas, com pelo menos 27 mortos confirmados. O chefe da Polícia da Tailândia, Kittharath Punpetch, disse que a maioria dos mortos foi encontrada em casas de banho sem janelas, junto a uma saída traseira, onde terão procurado refúgio. Essa saída não foi utilizada, e estaria possivelmente bloqueada por uma mesa de venda de doces, com outra saída, perto da cozinha, talvez bloqueada por prateleiras e cacifos. Havia sinais de que algumas portas de emergência poderiam estar trancadas. Investigação em curso Os investigadores concentraram-se no tecto acima do palco, onde foram encontrados materiais decorativos. A polícia vai analisar se foram usados elementos inflamáveis e como estavam instalados os cabos eléctricos. O primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, disse que um músico relatou ter visto fumo sair de um disjuntor antes de a energia falhar, seguido de uma explosão e da rápida propagação de fumo espesso. Vídeos nas redes sociais mostram pessoas a fugir enquanto as chamas saíam do edifício de um andar e o fumo negro subia ao céu. Em comunicado publicado na rede social Facebook, o bar fez um pedido de desculpas e apresentou condolências, garantindo estar a cooperar com as autoridades. O proprietário ficou gravemente ferido e está nos cuidados intensivos. Familiares reuniram-se no Instituto de Medicina Forense de Banguecoque para identificar os corpos, com Keo Oudone Poungpany, de 24 anos, a reconhecer o irmão mais novo, ambos trabalhadores migrantes do Laos empregados no bar. Poungpany disse que estava numa casa de banho exterior quando o fogo começou e descreveu o caos ao regressar: “O calor era insuportável, não consegui voltar a entrar. Agora só quero levar o corpo do meu irmão para casa, para os meus pais”. Em 2022, um incêndio num bar de música no leste da Tailândia matou 14 pessoas. Mais de uma década antes, em 2009, 67 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas num fogo durante a celebração de Ano Novo no clube Santika, em Banguecoque, aparentemente provocado por fogo de artifício no interior.
Hoje Macau China / ÁsiaFísico quântico chinês recebe maior distinção da ONU para as ciências básicas O físico quântico chinês Pan Jianwei tornou-se o primeiro cientista chinês a receber o Prémio Internacional Mendeleev para as Ciências Básicas, a mais alta distinção das Nações Unidas nesta área, anunciou a UNESCO. Pan foi distinguido pela terceira edição do Prémio Internacional UNESCO – Rússia Mendeleev para as Ciências Básicas, atribuído anualmente a dois cientistas cujas descobertas e inovações tenham contribuído para avanços transformadores na ciência fundamental. Segundo um comunicado divulgado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o investigador foi reconhecido pelas suas “contribuições pioneiras para as comunicações quânticas seguras em grande escala e para a computação quântica escalável”. Professor de Física na Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC), Pan partilha o prémio deste ano com o químico Sergei Sheiko, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, distinguido pelos seus trabalhos na área da física dos polímeros. A UNESCO destacou que a equipa liderada por Pan desenvolveu o satélite quântico Micius, lançado em 2016, que tornou possível a distribuição de chaves quânticas e a teleportação quântica ao longo de milhares de quilómetros. A organização acrescentou que os trabalhos do cientista chinês permitiram demonstrar a chamada “vantagem quântica” na computação, aproximando a criação de uma rede global de comunicações quânticas. Pan lidera igualmente a equipa responsável pelo Jiuzhang 4.0, o mais recente computador quântico fotónico desenvolvido na China. Redes do amanhã Em Maio, os investigadores anunciaram que o sistema fez um cálculo em 25 microssegundos que o El Capitan – actualmente o supercomputador mais potente do mundo – demoraria 10⁴² anos a completar. No ano passado, a tecnologia de comunicação quântica desenvolvida pela equipa foi utilizada para estabelecer uma ligação segura de distribuição de chaves quânticas entre a China e a África do Sul, considerada um passo importante para futuras comunicações intercontinentais altamente seguras. Pan revelou também que a equipa está a desenvolver o primeiro satélite de comunicações quânticas em órbita alta, cujo lançamento está previsto para o próximo ano e que deverá permitir a criação de redes quânticas globais mais eficientes. Em comunicado, a USTC afirmou que a distinção “evidencia a posição de liderança internacional da China nos domínios de ponta da comunicação e da computação quânticas” e sublinhou que Pan é o primeiro cientista chinês a receber este prémio. A Delegação Permanente da Federação Russa junto da UNESCO considerou que o trabalho de Pan constitui “um exemplo brilhante da ligação entre investigação científica fundamental e inovação tecnológica em grande escala”. Além desta distinção, Pan foi também anunciado este mês como vencedor do Prémio de Electrónica Quântica da IEEE Photonics Society, atribuído pelo Instituto de Engenheiros Electrotécnicos e Electrónicos (IEEE), a maior organização técnica profissional do mundo. A IEEE distinguiu o cientista pelo seu “trabalho pioneiro em fontes de fotões únicos e computação quântica óptica”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteEconomia | Exportados mais de um milhão de automóveis em Junho A China exportou pela primeira vez mais de um milhão de automóveis num único mês, em Junho, consolidando a liderança mundial no sector e aumentando a pressão comercial sobre parceiros comerciais como a União Europeia. Segundo dados divulgados ontem pela Administração-Geral das Alfândegas da China, o país exportou 1,06 milhões de automóveis em Junho, mais 71,2 por cento do que no mesmo mês do ano passado. Ao ritmo actual, a China deverá ultrapassar os 10 milhões de veículos exportados este ano, acima dos 7,1 milhões registados em 2025 e mais do dobro dos 4,9 milhões de 2023. O desempenho das exportações automóveis contribuiu para um aumento global de 27 por cento das exportações chinesas em Junho, acima dos 19,4 por cento observados em Maio, enquanto as importações cresceram 36 por cento. O excedente comercial da China atingiu 576 mil milhões de dólares no primeiro semestre, embora tenha recuado 4,7 por cento face ao mesmo período do ano passado. O vice-director do Gabinete Nacional de Estatísticas, Wang Jun, atribuiu o crescimento das exportações de veículos eléctricos à transição mundial para uma economia de baixo carbono, afirmando que esta está a impulsionar a procura pelos “produtos verdes” chineses. Além dos automóveis eléctricos, as exportações de baterias de lítio e de turbinas eólicas cresceram, respectivamente, 37,6 por cento e 35,6 por cento no primeiro semestre. Em sentido contrário, as exportações de terras raras diminuíram 34 por cento em Junho, face ao mesmo mês do ano passado, e 6,4 por cento no conjunto do semestre, depois de Pequim ter reforçado os controlos à exportação destes minerais estratégicos, essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia. As importações foram impulsionadas sobretudo pela procura de semicondutores. A China importou 53,7 mil milhões de circuitos integrados em Junho, mais 6,8 por cento do que um ano antes, elevando o crescimento acumulado no semestre para 8,1 por cento. Mudança de direcção A aceleração das exportações automóveis ocorre num contexto de abrandamento das vendas no mercado interno, após o fim parcial dos incentivos à compra de veículos eléctricos e à quebra da procura por automóveis com motor de combustão. A redução da procura doméstica levou fabricantes chineses e estrangeiros instalados no país a direccionarem uma parte crescente da produção para os mercados externos, uma estratégia que motivou a imposição de tarifas adicionais por parte da União Europeia sobre veículos eléctricos fabricados na China. As autoridades chinesas rejeitam as acusações de que o sector beneficia de subsídios desleais, defendendo que a competitividade da indústria resulta da inovação tecnológica e das economias de escala. No topo da lista Entre os principais fabricantes, a fabricante BYD vendeu 175 mil veículos no estrangeiro em Junho, mais 95 por cento do que no mesmo mês do ano anterior, enquanto as vendas internacionais representaram um recorde de 43 por cento da produção da empresa. A Geely exportou pela primeira vez mais de 100 mil veículos num único mês, ao vender 102.874 unidades no exterior, um aumento homólogo de 157 por cento. Já a Chery, exportou 191.062 automóveis em Junho, mais 80 por cento do que há um ano, estabelecendo pelo quarto mês consecutivo um novo máximo mensal entre os fabricantes chineses.
Hoje Macau SociedadeSupermercados | Snacks coreanos retirados após alerta irlandês As autoridades anunciaram ontem a retirada de vários snacks instantâneos sul-coreanos da marca Yopokki dos supermercados do território, após a Autoridade de Segurança Alimentar da Irlanda alertar para potenciais riscos para a saúde destes produtos. O organismo responsável por garantir a segurança alimentar na Irlanda anunciou que os lotes de dez produtos da Yopokki, “estão a ser recolhidos devido a uma possível deterioração”. Num comunicado, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indicou que tomou conhecimento do anúncio de que produtos da Yopokki, “incluindo bolinhas de arroz e massa instantânea com bolinhas de arroz em copo, podem estar sob risco de deterioração”, anunciado que “a retirada dos produtos está em andamento localmente”. Notando que continua a acompanhar o caso, o IAM “apelou ao sector que se tiver os produtos relevantes em estoques, para interromper o seu fornecimento e venda”. Foram afectados lotes de produtos como o Yopokki Ricecake Cup Cheese flavour; Yopokki Ricecake Cup Sweet & Spicy flavour; e Yopokki Ricecake Cup Jjajang entre outros. O IAM apelou ainda os consumidores para suspenderem o consumo destes produtos “que tenham sido adquiridos através de compras ‘online’, compras através de intermediários ou outros canais”.
Hoje Macau Manchete PolíticaCooperação | Académico diz que CPLP não se afirma junto da China “A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam na sexta-feira. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou. Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou. Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu. Adaptação das espécies O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme. Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infra-estruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou. No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou. Maior visibilidade O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou. Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas. Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou. Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu. O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros actores globais o farão”, disse.
Hoje Macau PolíticaHengqin | IAS vai aumentar apoio às famílias O Instituto de Acção Social (IAS) organizou uma reunião com representantes de associações estabelecidas em Hengqin, e prometeu introduzir mais serviços de apoio familiar na Ilha da Montanha. Segundo um comunicado divulgado ontem, a chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do IAS, Lei Lai Peng, indicou que o plano educativo da vida familiar em Hengqin será reforçado. Estes planos incluem apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade, apoio à comunicação entre familiares, gestão e divisão de tarefas domésticas, técnicas para procurar um equilíbrio entre emprego e família. É também fornecida assistência para ajudar a lidar com relações intergeracionais, para incrementar conhecimentos tecnológicos e proteger crianças. Olhando para os próximos seis meses, as equipas das associações em Hengqin vão organizar visitas às instituições dos serviços sociais, geridas pelo Governo conjunto da zona de cooperação, relacionadas com questões familiares de bem-estar da população.
Hoje Macau PolíticaIao Hon | Efectuada inspecção a instalações eléctricas em edifícios degradados Seguindo a série de reuniões de segurança, após as “importantes instruções do Presidente Xi Jinping” em matérias de segurança, prevenção de cheias e resposta a desastres naturais, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam presidiu a uma reunião onde o ponto fundamental da agenda foi a segurança urbana e a promoção da manutenção e renovação de edifícios. Segundo um comunicado do Governo emitido ontem, Raymond Tam referiu que o Governo irá criar uma base de dados de edifícios degradados e apostar na renovação urbana tendo em conta a recente revisão do regime de subsídios para a manutenção de edifícios. Raymond Tam exigiu também a realização de inspecções conjuntas à segurança estrutural e eléctrica de edifícios nos bairros mais antigos, para identificar potenciais riscos de segurança, reduzir riscos de acidentes e proteger a segurança pública. As primeiras inspecções às redes eléctricas tiveram como foco os sete edifícios do bloco de habitação pública do Iao Hon, com inspecções técnicas à segurança estrutural, incluindo as paredes exteriores do edifício, as lajes das áreas comuns e as escadas. A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, em colaboração com a CEM, fez uma vistoria “exaustiva” do funcionamento e manutenção das instalações eléctricas públicas do edifício, verificando a existência de fios envelhecidos e danificados, fugas de corrente e a possibilidade de ocorrência de curto-circuitos e sobrecargas.
Hoje Macau PolíticaHabitação | Leong Hong Sai quer mais medidas para reparar edifícios Depois do aumento do limite do Fundo de Reparação Predial e da alteração do seu âmbito, o deputado Leong Hong Sai elogiou a revisão, mas espera que o Governo lance mais medidas. Em declarações ao jornal Exmoo, o deputado dos Moradores deu como exemplo um caso em que são necessárias obras de manutenção nas paredes exteriores do prédio. Como este tipo de intervenção pode custar mais de um milhão de patacas, o alívio do fundo público é insuficiente. As dificuldades são maiores nos edifícios antigos, que normalmente têm poucos apartamentos, aumentando os custos da reparação para cada proprietário. Outra questão levantada, é a necessidade de concordância de 25 por cento dos proprietários para pode accionar o fundo comum de reserva do condomínio. Leong Hong Sai apontou a dificuldade em avançar com despesas, uma vez que o nível de participação nas assembleias de condomínio é sempre demasiado baixo para obter votos suficientes. Porém, a falta de administração, ou de empresas de gestão, é o maior obstáculo que os proprietários enfrentam para pedir o apoio do Fundo de Reparação Predial. Assim sendo, Leong Hong Sai sugeriu ao Governo a cooperação com associações, como aquela em que o deputado é vice-presidente, para apoiar no estabelecimento de administrações de condomínio, e a simplificação dos processos de pedido de subsídios para reparação predial.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul da China | Catorze países reafirmam validade de decisão arbitral Dez anos depois da decisão do Tribunal Arbitral que deu razão às Filipinas, a luta pela soberania de diversas áreas no Mar do Sul da China continua acesa Catorze países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Filipinas, reiteraram no domingo que as reivindicações marítimas de Pequim no mar do Sul da China não têm base legal, invocando uma decisão arbitral internacional de 2016. Numa declaração conjunta divulgada por ocasião do décimo aniversário da decisão, os signatários rejeitaram acções “desestabilizadoras” ou unilaterais, incluindo o recurso à força ou à coerção, que ameacem a paz e a estabilidade na região. Além dos Estados Unidos, Reino Unido, Filipinas e Japão, subscreveram o documento Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Alemanha, Itália, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia e Eslovénia. “Reafirmamos a decisão do Tribunal Arbitral de que não existe qualquer base jurídica para as reivindicações marítimas expansivas da China no mar do Sul da China, incluindo as baseadas em ‘direitos históricos’”, lê-se na declaração. Os 14 países consideraram que a decisão emitida há dez anos constitui “um marco significativo” e é “definitiva, juridicamente vinculativa e conclusiva” para a China e as Filipinas. A União Europeia (UE) divulgou uma declaração separada, na qual classificou o acórdão como uma “decisão histórica na resolução pacífica de litígios” e reiterou que as disputas marítimas devem ser resolvidas através do diálogo e em conformidade com o direito internacional. O bloco comunitário recordou que a decisão foi emitida por um tribunal arbitral constituído ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e vincula as partes envolvidas no processo. Filipinas congratulam-se A decisão, emitida em 12 de Julho de 2016, deu razão às Filipinas em vários dos argumentos apresentados contra a China e concluiu que não existia base jurídica para Pequim reivindicar direitos históricos sobre recursos situados além das zonas marítimas previstas pela convenção. O processo foi iniciado pelas Filipinas em 2013, na sequência de um confronto ocorrido no ano anterior em torno do atol de Scarborough, que terminou com a China a assumir o controlo efectivo daquela formação marítima. Pequim recusou participar no processo e rejeitou a decisão, mantendo desde então que o tribunal não tinha jurisdição sobre o caso. Na declaração conjunta, os países manifestaram ainda “forte oposição” à utilização de guardas costeiras, forças militares e milícias marítimas para “assediar, obstruir ou intimidar” operações legítimas de outros Estados no mar ou no espaço aéreo. Estas acções colocam em risco a segurança de militares e pescadores e prejudicam gravemente a paz e a segurança regionais, acrescentaram. Os signatários defenderam igualmente a preservação da liberdade de navegação e de sobrevoo, assim como de outras utilizações legítimas do mar previstas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. China condena A China rejeitou as declarações, reiterando que a decisão arbitral é “ilegal, nula e sem força vinculativa” e que Pequim “não a aceita nem reconhece”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que o tribunal e a respectiva decisão “contrariam gravemente a prática geral da arbitragem internacional” e violam os direitos legítimos da China enquanto Estado soberano e parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. “A China opõe-se e nunca aceitará qualquer reivindicação ou ação baseada nessa decisão”, indicou a diplomacia chinesa, acrescentando que Pequim não aceita “qualquer meio de resolução de litígios por terceiros” nem soluções que lhe sejam impostas. A China reivindica soberania sobre quase todo o mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa uma parte significativa do comércio marítimo mundial e que possui importantes zonas de pesca e potenciais reservas de hidrocarbonetos. As reivindicações chinesas sobrepõem-se às das Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan. Nos últimos anos, as águas disputadas têm sido palco de confrontos cada vez mais frequentes, sobretudo entre embarcações chinesas e filipinas, envolvendo canhões de água, bloqueios e manobras consideradas perigosas. Os Estados Unidos têm instado repetidamente Pequim a cumprir a decisão arbitral e advertido que o tratado de defesa mútua com as Filipinas poderá ser acionado caso forças, navios ou aeronaves filipinas sejam alvo de um ataque armado no mar do Sul da China.
Hoje Macau China / ÁsiaMNE | Defendidas inspecções a navios panamianos após “múltiplos incidentes” A China defendeu ontem inspecções a navios de bandeira panamiana nos seus portos, atribuindo-as a anteriores “incidentes de segurança”, sem confirmar reuniões anunciadas pelo Panamá para discutir as detenções e um acordo bilateral de transporte marítimo. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem em conferência de imprensa que segundo dados das autoridades chinesas, navios de bandeira panamiana estiveram envolvidos desde o início do ano em “múltiplos incidentes de segurança” em águas chinesas. Lin indicou que entre Janeiro e Julho, os navios panamianos representaram cerca de 20 por cento das escalas de embarcações estrangeiras em portos chineses, mas concentraram aproximadamente metade dos acidentes, bem como das mortes e desaparecimentos registados nesses incidentes. “As inspecções de supervisão portuária constituem uma medida importante para garantir a segurança da navegação e a protecção do ambiente marítimo”, afirmou o porta-voz, acrescentando que a China realiza esses controlos “em conformidade com a lei e os regulamentos” e no cumprimento das convenções internacionais. Lin respondia a uma questão sobre as críticas formuladas pelos Estados Unidos e pelo Panamá durante a 137.ª reunião do Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI), na qual ambos os países acusaram a China de adoptar medidas punitivas contra navios panamianos por motivos políticos e apelaram ao reforço dos mecanismos destinados a evitar a politização do comércio marítimo. O Governo panamiano anunciou, no início de Julho, que representantes dos dois países se reunirão entre 16 e 18 deste mês na China para discutir a retenção de navios de bandeira panamiana e a renovação do acordo bilateral de transporte marítimo, embora Pequim ainda não tenha confirmado esses contactos. O acordo, assinado em 2017, pouco depois do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, e renovado em 2021 por mais cinco anos, concede à frota mercante panamiana o estatuto de “Nação Mais Favorecida” nos portos chineses, com vantagens como tarifas preferenciais e procedimentos administrativos simplificados. Pressões americanas As tensões surgem depois de o Supremo Tribunal do Panamá ter anulado, em Janeiro, a concessão dos portos de Balboa e Cristóbal, explorados desde 1997 pela Panama Ports Company (PPC), subsidiária do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, numa decisão tomada em plena pressão de Washington sobre a alegada influência chinesa em torno do Canal do Panamá. Na altura, Pequim advertiu que defenderia os direitos e interesses das suas empresas, enquanto a PPC avançou com processos de arbitragem internacional contra o Estado panamiano, reclamando indemnizações superiores a dois mil milhões de dólares. O Presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou no início de Julho que o número de detenções de navios de bandeira panamiana na China “está a diminuir”, embora tenha reconhecido que a situação poderá afectar a classificação do registo marítimo panamiano no sistema regional de controlo portuário da Ásia-Pacífico.