Hoje Macau China / ÁsiaShimao | Construtora consegue adiar pedido de liquidação em Hong Kong A Shimao, uma das maiores construtoras imobiliárias da China, conseguiu ontem adiar a primeira audiência num tribunal de Hong Kong sobre um pedido de liquidação apresentado em Abril, após ter entrado em incumprimento. De acordo com o jornal South China Morning Post, o juiz responsável pelo caso marcou a próxima sessão para 31 de Julho, dando à empresa quatro semanas para obter o apoio dos credores para o plano de reestruturação que apresentou em Março para a dívida emitida nos mercados internacionais no valor de 11,7 mil milhões de dólares. A Shimao disse que iria “opor-se vigorosamente” ao pedido de liquidação, apresentado pela filial de Hong Kong do banco estatal chinês China Construction Bank, relativamente a uma obrigação financeira equivalente a cerca de 202 milhões de dólares. Várias construtoras chinesas enfrentam possíveis ordens de liquidação dos tribunais de Hong Kong, com processos também abertos contra a Country Garden – a empresa número um do sector entre 2017 e 2022 – e a Kaisa. Esta última também obteve uma suspensão esta semana, embora o juiz tenha avisado que poderia ser a última. Em Janeiro, foi ordenada a liquidação do gigante endividado Evergrande, uma decisão que deu início a um longo e incerto processo devido a dúvidas quanto ao reconhecimento do processo na China continental, onde o grupo detém a maior parte dos seus activos, uma vez que o sistema judicial de Hong Kong está separado do da China ao abrigo do estatuto de semi-autonomia da antiga colónia britânica. No início deste mês, outro dos 100 maiores promotores imobiliários, a Dexin China Holdings, também recebeu uma decisão desfavorável num outro processo de liquidação em Hong Kong. As vendas comerciais de habitações na China, medidas por área útil, caíram 24,3 por cento, em 2022, e mais 8,5 por cento, em 2023, de acordo com dados oficiais.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | China trabalhará com Hungria para manter laços bilaterais A China está pronta para trabalhar com a Hungria para implementar o importante consenso alcançado pelos líderes dos dois países e manter as relações China-Hungria na vanguarda das relações China-Europa, disse na terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. Wang fez as declarações através de um telefonema com o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros e Comércio, Peter Szijjarto. Wang disse que, durante a bem-sucedida visita recente do Presidente chinês, Xi Jinping, à Hungria, ele e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciaram conjuntamente a elevação das relações China-Hungria a uma parceria estratégica abrangente para a nova era, injetando forte impulso no desenvolvimento das relações bilaterais, indica a agência Xinhua. Felicitando a Hungria pela sua próxima presidência rotativa da União Europeia (UE), Wang sublinhou que a China sempre apoiou a integração europeia e a independência estratégica da UE, e considera o lado europeu como um parceiro importante no caminho chinês para a modernização. Observando que a China mantém um alto grau de estabilidade e continuidade na sua política em relação à Europa, Wang disse que se espera que o lado europeu siga uma política racional e pragmática em relação à China, mantenha uma postura aberta e trabalhe com a China para garantir o desenvolvimento sólido e estável das relações China-Europa. Acredita-se que a Hungria desempenhará um papel positivo e construtivo na interação sólida entre a China e a Europa, acrescentou, citado pela Xinhua. Szijjarto disse que a visita de Xi à Hungria foi um sucesso completo com resultados frutíferos. Os resultados positivos nas relações amistosas Hungria-China demonstraram que o aprofundamento da cooperação com a China está alinhado com os interesses fundamentais da Europa.
Hoje Macau China / ÁsiaShenzhen | Presidente do Peru inicia visita oficial A líder do país sul-americano vai estar na China até amanhã, com passagens por Xangai e Pequim, onde deve reunir com o Presidente chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro, Li Qiang A Presidente do Peru, Dina Boluarte, chegou ontem à cidade de Shenzhen, no sudeste da China, onde vai reunir com representantes de empresas chinesas, após assistir à inauguração de uma exposição de arte pré-colombiana. Durante a estadia em Shenzhen, a Presidente peruana visitará os escritórios de empresas chinesas, incluindo a gigante tecnológica Huawei e a fabricante de veículos eléctricos BYD. A primeira paragem de Boluarte na cidade foi o Museu Nanshan, onde participou na inauguração da exposição “Os Incas e o Tawantinsuyo”, uma mostra de mais de 150 peças pré-colombianas peruanas que o público chinês poderá visitar até Março de 2025. Durante a viagem oficial à China, que se prolongará até amanhã, Boluarte vai visitar também Xangai e Pequim, onde deve reunir-se na sexta-feira com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang. Laços reforçados Em Xangai, a Presidente terá um encontro hoje com o presidente da empresa chinesa Cosco Shipping, principal accionista do porto de Chancay, no centro do Peru, que será inaugurado em Novembro. Em Março, a Cosco exigiu estabilidade jurídica no Peru, depois do Ministério Público dos Transportes e Comunicações peruano ter apresentado uma acção judicial para anular uma cláusula do contrato que dá à empresa chinesa direitos exclusivos sobre os serviços portuários em Chancay, uma questão que ainda está em debate no país andino. Durante a reunião entre Boluarte e Xi, serão assinados acordos para fortalecer o diálogo político, os investimentos, a transferência de tecnologia, o turismo e um maior acesso dos produtos peruanos ao mercado chinês, de acordo com a presidência peruana. Estas reuniões terão como objectivo “reforçar a confiança política mútua e aprofundar a cooperação prática em todas as áreas”, a fim de “impulsionar os resultados positivos da parceria estratégica abrangente para o bem-estar dos povos de ambas as nações”, disse na segunda-feira a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning. Boluarte chefia uma delegação composta pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Javier González Olaechea; da Economia e Finanças, José Arista; da Habitação, Construção e Saneamento, Hania Pérez de Cuéllar; dos Transportes e Comunicações, Raúl Pérez Reyes, e da Saúde, César Vázquez.
Hoje Macau Via do MeioAo som de Rumeng Ling 如梦令: Tradução comentada do poema “Como num sonho”, de Li Qingzhao Li Qingzhao 李清照 (1084-1155) é um nome que atrai geral aclamação. Mesmo dentro de um ambiente literário pouco favorável para a prática literária feminina1, ela conseguiu afirmar-se sempre como letrista, além de poeta. Nos nossos dias, Li recebe a reputação de “poeta primeira”; “a maior poeta da China”, “a mais talentosa de todos os tempos”, ou uma das “Quatro Maiores Compositoras da poesia da Dinastia Song”2, justificada por uma recepção crítica que reconhece sua obra poética como uma das mais importantes da poesia chinesa clássica. A poesia foi para ela uma tarefa dotada de alto sentido autobiográfico imanente à identidade feminina; e também um exercício de ontologia sobre a própria poesia lírica chinesa, que se encontrava em forte diálogo com a música, durante a Dinastia Song. O processo desta tradução comentada envolveu pesquisar em profundidade o poema “Como num sonho”, baseando-se em algumas coletâneas em língua chinesa dedicadas exclusivamente a poesia de Li Qingzhao. Ademais, foram consultadas algumas traduções em língua inglesa, que me servem de contraponto para expandir a leitura do poema e melhor sustentar as escolhas de tradução adoptadas. Assim, decidi apresentar o poema original, acompanhado da sua romanização em sistema pinyin e tradução caractere por caractere, com texto no horizontal, lido da esquerda para direita. No original também não é usado os sinais de pontuação. Após a apresentação do poema original, segue a tradução em língua portuguesa e os comentários de tradução, que visam comentar as particularidades estruturais do poema; apresentar a combinação rítmica utilizada; realçar seus aspectos semânticos e sonoros; comentar alguns traços distintivos do poema; fazer uma leitura comparada com outras traduções, revelando, verso por verso, seu conteúdo mais profundo. O poema original: 如梦令 《昨夜雨疏风骤》 昨 夜 雨 疏 风 骤 zuó yè yǔ shū fēng zhòu ontem noite chuva esparsa vento brusco 浓 睡 不 消 残 酒 nóng shuì bù xiāo cán jiǔ denso dormir não eliminar fragmento álcool 试 问 卷 帘 人 shì wèn juǎn lián rén tentar perguntar enrolar cortina pessoa 却 道 海 棠 依 旧 què dào hǎi táng yī jiù mas dizer haitang como antes 知 否 知 否 zhī fǒu zhī fǒu saber não saber não 应 是 绿 肥 红 瘦 yīng shì lǜ féi hóng shòu dever estar verde gordo vermelho magro Na tradução: Ao som de Rumeng ling Como num sonho: chuva e vento na noite passada Ontem à noite: vento bravo e chuva fina leve ebriez após sono profundo se preserva Pergunto à donzela que ergue a cortina disse: a mesma é macieira-brava Sabes? Não, não sabes estão gordas as folhas e magras as flores O poema acima, assim como a maioria escrito por Li Qingzhao, é um poema lírico chinês (词 cí). Esta forma poética caracteriza-se por ter dois títulos: o da melodia (词牌 cí pái), e título do poema (词题 cí tí). O uso de dois títulos na poesia lírica chinesa revela-se uma das principais características deste género, difundido na dinastia Song (960-1279). No original esta particularidade serve para diferenciar o padrão melódico para qual o poema foi escrito do poema em si, dado que podemos encontrar poemas diferentes com o mesmo título melódico. Essa discrepância entre o título da melodia e o título do poema é observada com muita atenção na tradução. Em exemplo, nas traduções em língua inglesa, é, muitas vezes, destacado com “ao som de”, como na de Ronald Egan: “To the tune ‘As If in a Dream”. A tradução em língua inglesa de Xu Yuanchong também se utiliza da palavra “som”: “Tune – ‘Like a dream’”. Em português, o título da melodia aparece em caracteres romanizados, destacado com “ao som de”, como simplesmente “Ao som de Rumeng ling”. O caractere 令lìng sugere a particularidade estrutural desta obra, que se define por ser uma canção curta (小令 xiǎo lìng). Segundo Ronald Egan (2013:327), este poema foi inspirado no último quarteto do poema “懒起” (lanqi)3 (“Lânguido para se levantar”, tradução minha), do poeta do período final da Dinastia Tang, Han Wo (韩偓, 842-923). O mesmo autor aponta adaptar “adapt” ou reescrever “rewrite” versos de poetas anteriores, de acordo com a sua identidade feminina, como uma das práticas preferidas de Li Qingzhao. Contudo, esta forma de escrever poesia não foi apenas usada por Li Qingzhao. Ainda Egan nos informa que poetas como Zhou Bangyan (1056-1121) e Su Shi (1037-1101) também eram conhecidos por adaptar versos de seus antecessores de acordo com seus estilos e identidades. Por outro lado, o poema original abriga-se ao esquema de rimas toantes, identificados no exterior de cada verso, com exceção ao terceiro verso (tendo em vista a apresentação do poema aqui disposta). É visível a repetição do vocábulo “u” no final dos versos: /zhou/, /jiu/, (…) /jiu/, /fou/, /shou/. A tradução portuguesa introduz o esquema de rima ABABCC: /fina/, /preserva/, /cortina/, /brava/, /sabes/, /flores/. Agora, partimos para a leitura dos versos do poema: 昨夜雨疏风骤 Ontem à noite: vento bravo e chuva fina O verso de abertura do poema enuncia os fenómenos naturais que ocorreram na noite de ontem. Nele, há ausência de elementos verbais. A tradução inglesa de Xu Yuanchong adiciona os verbos “soprar” e “ser/estar”: “Last night the wind blew hard and rain was fine”, como forma de explicitar a experiência da chuva e vento. Em português, faz o acréscimo do sinal gráfico (:), de forma a enunciar e descrever os eventos naturais ocorridos na noite anterior. O termo 雨疏 yǔ shū caracteriza uma chuva esparsa, que caiu de forma intermitente, como é entendido na tradução inglesa de Jiaosheng Wang: “Last night there was intermittent rain, a gusty wind”. Ainda, os elementos lexicais em 雨疏风骤 yǔ shū fēng zhòu (literalmente: chuva esparsa vento brusco) criam o efeito de paralelismo que podem ser lidos em horizontal: chuva-vento, esparsa-brusco. Na tradução, foi preservado este efeito semântico, ao incluir a palavra “bravo” em vez de “brusco”, e “fina” em vez de “esparsa”, de forma a criar não só o efeito de rima, mas também um verso mais conciso possível. 浓睡不消残酒 leve ebriez após sono profundo se preserva Li Qingzhao começa o poema caracterizando as forças da natureza para, neste verso, revelar o seu estado de embriaguez, mesmo depois de uma noite de sono profundo. O verso pode ser lido como “embora dormida uma noite de sono, ainda não matei a embriaguez” da noite anterior. A definição da palavra 残 cán, pode ser entendida como equivalente aos adjetivos portugueses “incompleto”, “fragmentado”, ou mesmo “deficiente”, é usada no original para descrever uma embriaguez fraca, ou ainda leve, como é entendida na presente tradução portuguesa. O elemento lexical chinês 酒 jiǔ é, muitas vezes, traduzido por “vinho” nas traduções em língua inglesa, como na de Xu Yuanchong: “Sound sleep did not dispel the after taste of wine”. A tradução de Ronald Egan para o inglês também se utiliza da palavra vinho: “Deep sleep did not dispel the lingering wine”. Como explica o professor, poeta e tradutor Yao Jingming: “para os chineses, jiu indica um álcool feito de trigo, arroz ou sorgo. Para os portugueses, vinho significa álcool feito de uvas. Mesmo que as palavras sejam correspondentes, carregam significados diferentes”. Na tradução para o português, no lugar do termo 残酒 cán jiǔ, lemos “leve ebriez”, procurando reproduzir o estado em que a poetisa se encontra logo ao acordar, assim como no original. Por outro lado, o verbo 消 xiāo, que significa “eliminar”, “matar”, “dissipar”, está acompanhado da partícula negativa 不 bù “não”, juntos podem ser lidos como “não eliminado”, isto é, o efeito do álcool que preservou mesmo depois do sono profundo. Dessa forma, na tradução portuguesa, utilizou-se o verbo “preservar”, de forma a reproduzir este sentido. Foi acrescentado, ainda, o termo “após”, procurando trazer para a tradução o momento a seguir a noite de sono, implícito no verso original. 试问卷帘人 Pergunto à donzela que ergue a cortina Este verso começa com o termo 试问 shì wèn, que pode ser entendido tanto como “tentar perguntar”, quanto “cabe perguntar”, e termina com 卷帘人 juàn lián rén, que, segundo as notas de Hou Jian e Lü Zhiming, “refere-se à criada que enrola a cortina”. A tradução inglesa de Ronald Egan reproduz o termo 试问 como uma ação que estava em andamento no passado: “I tried asking the maid raising the blinds”. A escolha de Jiaosheng Wang, por outro lado, introduz o verbo “perguntar” simplesmente no presente: “I ask the maid rolling up the blinds”, aparenta com a tradução inglesa de Xu Yuanchong: “I ask the maid rolling up the screen” (1982), que está mais de acordo com a presente proposta em português. É evidente que a “pessoa” (人) que ergue a cortina está interpretada nas traduções inglesas como “criada”, concordando com a explicação de Hou Jian e Lü Zhiming. Em português, utilizamos a palavra “donzela”, de forma a criar um efeito mais poético. 却道海棠依旧 disse: a mesma é macieira-brava Aqui é o momento da fala da “donzela”, a personagem do verso anterior. Segundo Li Qingzhao, a “donzela” disse que “haitang (está) como antes”, o que indica que nada mudou depois da chuva e vento. Esta resposta, por um lado, é muito prosaica, reflete a visão comum da “donzela”; por outro lado, reflete a experiência e preferência distinta em relação às coisas do mundo exterior das duas personagens. O elemento da flora chinesa, 海棠 hǎitáng, é entendido como “flor da macieira-brava” ou “árvore da macieira-brava”, nas traduções inglesas de Xu Yuanchong: “The same crab-apple tree,’ she says, ‘is seen’”; de Jiaosheng Wang: “But she replies: ‘The crab-apple is lovely as before”; e de Ronald Egan: “What said the crab-apple blossoms were as before”, o que parece estar de acordo com a tradução portuguesa aqui apresentada. 知否 知否 Sabes? Não, não sabes… Neste penúltimo verso, há uso de reduplicação: 知否 知否 zhī fǒu zhī fǒu, o caractere 否 fǒu “não”, ao final do verso, é usado nos textos literários para indicar pergunta. Embora formulado como uma interrogação, este verso não pretende questionar, mas sim manifestar uma resposta negativa, uma recusa em relação à fala da “donzela”, construída no verso anterior, parecendo não estar sensível ao cenário real, que a autora irá descrever no último verso. O verso é, muitas vezes, interpretado como a fala da “donzela”, por exemplo, na proposta de Xu, ao usar aspas para realçá-la: “‘But don’t you know, / O don’t you know’” (2016). A interpretação está em consonância com a de Ronald Egan (2019): “‘Don’t you know?/ Don’t you know?’”. Em português, é entendido como a fala de Li Qingzhao, o que traduz uma reação contrária à da “donzela”. 应是绿肥红瘦 estão gordas as folhas e magras as flores O último verso é o mais apreciado pela sua capacidade expressiva de linguagem. Aqui, Li Qingzhao dá vida à “macieira-brava”, ao construir a expressão 绿肥红瘦 lǜ féi hóng shòu (literalmente: verde gordo vermelho magro), o que indica, “a macieira está verdejante e de vermelho murcho, fraco”. As cores verde-vermelho, como explicam os comentaristas, simbolizam o par de substantivos folha-flor. É visível o uso da personificação, na medida em que as características de seres animados gordo-magro são atribuídas às folhas e flores de haitang. Há também o uso de paralelismo: verde-vermelho, gordo-magro. Para alguns estudiosos, esta combinação de efeitos semânticos é uma inovação realizada por Li Qingzhao. Ela constrói o verso de acordo com a sua identidade, ao utilizar o caractere 瘦 (magra, frágil, débil), que pode subentender característica feminina. Na tradução inglesa de Xu o adjetivo magro é entendido como “lânguido”, o que não deixa de personificar a cor vermelha (flor): “‘The red should languish and the green must grow?’”. A escolha de Egan: “The green must be plump and the reds spindly”, buscou reproduzir o efeito da personificação com os adjetivos “forte” (plump) e “fininho” (spindly). Em portuguȇs, optamos por incluir “folha” e “flor” em vez de “verde” e “vermelho” e manter os adjectivos “gordo” e “magro”, como forma de reproduzir os efeitos usados no original. Ao que tudo indica, o poema retrata a transição do cenário primaveril. Começa com chuva e vento, o que nos oferece informações meteorológicas da noite anterior. Em seguida, reflete o estado psicológico da autora após o sono profundo, o diálogo com a “donzela”, e a forma diferente de sentir as mudanças do seu mundo exterior. No final do poema, a “macieira-brava” é personificada como “gorda” e “magra, o que reflete a relação entre Li Qingzhao e os seres inanimados. Neste momento, ela manifesta o seu lamento diante do cenário que marca a passagem da primavera, marcada pela chuva esparsa e vento bravo. Referências bibliográficas: Egan, Ronald (2013). The Burden of Female Talent: Li Qingzhao and Her History in China. Cambridge & London: Harvard University Asia Center. Egan, Ronald (2019). The Works of Li Qingzhao. Boston & Berlim: Walter de Gruyter Inc. Freire, Zerbo (2022). Li Qingzhao: Do amor à mais profunda solidão. Hoje Macau, outubro, 24, Via do Meio. Hou, Jian & Lü, Zhiming (1999). 李清照诗词评注 (Poesia de Li Qingzhao: Notas e comentários). Shanxi: Education Press. Wang, Jiaosheng (1989). The Complete Ci-poems of Li Qingzhao: A New English Translation. Philadelphia: Sino-Platonic Papers. Xu, Yuanchong (1982). 谈李清照词英译 (Comentário sobre a tradução inglesa da Poesia Lírica de Li Qingzhao). In Xu Yuanchong (2016), 文学与翻译: Literature and Translation, 399-497. Peking: Peking University Press. Yao, Jingming (2001). A poesia clássica chinesa: uma leitura de traduções portuguesas. Macau: Coleção Estudos de Macau, Centro de Publicação Universidade de Macau. Como nos conta o critico literário Ronald Egan: “Há pouca ou nenhuma evidência da emergência de comunidades de escritoras durante a dinastia Song, como sabemos que aconteceu no final da era Ming e Qing. No período Song, mulheres que eram alfabetizadas e escolheram escrever o fizeram quase inteiramente por conta própria, sem o conforto e encorajamento de outras mulheres e homens simpatizantes, que deram seu suporte à mulheres alfabetizadas nos séculos posteriores. Tudo o que sabemos sobre Li Qingzhao aponta para esse ser o caso dela. Ela não era membro de um grupo de mulheres literatas.” Contudo vale ressaltar: a educação que Li Qingzhao teve no seio familiar e, mais tarde, o suporte do seu primeiro esposo Zhao Mingcheng, as poetas do seu tempo não tiveram. Em chinês: 宋朝四大女词人 sòng cháo sì dà nǚ cí rén. Poema original: “昨夜三更雨,/今朝一阵寒。/海棠花在否?/侧卧卷帘看。” Na tradução: /ontem à noite, três chuvas plenas/ hoje, uma onda de frio/ a flor da macieira-brava está ou não?/ inclina na cortina para ver/.
Hoje Macau EventosUSJ | Projectos finalistas de arquitectura e design patentes em exposição “Re-Imagine Macao” é o nome da exposição hoje inaugurada no campus da Universidade de São José (USJ), na Ilha Verde, mais concretamente na Galeria Kent Wong – Cave. Esta mostra, que pode ser visitada até ao dia 30 de Agosto, revela os trabalhos finalistas das licenciaturas de Arquitectura e Design da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ, relativos ao ano lectivo de 2023/2024. É revelado, concretamente, o projecto “Outer Harbour Scapes”, do curso de arquitectura, e “Rhizomatic Design”, da licenciatura em Design. No caso do projecto arquitectural pensado para uma das zonas marítimas de Macau, cria-se “um novo cenário urbano que reforça a conectividade da cidade existente e celebra a proximidade da orla marítima”. Nestes espaços “os alunos desenvolveram projectos individuais que vão desde habitações em altura, instalações públicas, centros comerciais e edifícios de escritórios a edifícios culturais, bibliotecas, museus, universidades ou hotéis à beira-mar”, explica a USJ. Trata-se de projectos que “seguem os regulamentos de construção e requisitos locais, projectando Macau para um futuro em que a inovação significativa na arquitectura se torna um activo relevante para melhorar a qualidade de vida em Macau como uma cidade de classe mundial”. No caso do projecto de Design, são apresentadas ideias com base no conceito de “design riozomático”, tendo sido pedido aos estudantes que “questionassem o status quo” pré-existente, de forma a aceitarem “a complexidade”, imaginando “uma cidade que prosperasse através da criatividade, adaptabilidade e interligação”. Desta forma, foram concebidos vários projectos, nomeadamente mobiliário urbano e brinquedos educativos, mobiliário doméstico e branding. Trata-se de objectos que pretendem ter “um impacto positivo nas nossas vidas e na sociedade, dando um contributo significativo para o futuro de Macau”.
Hoje Macau EventosArmazém do Boi | Exposições fruto de residências artísticas em Julho A primeira semana de Julho traz novidades para a agenda do Armazém do Boi. São inauguradas, no dia 6, três exposições que são fruto de residências artísticas realizadas em Macau, intituladas “A Slice of Cake”, “Obstinate Spine” e “Next of Kin”. O público poderá ver, assim, arte em vários formatos e meios criativos O Antigo Estábulo Municipal do Gado Bovino, casa da associação artística Armazém do Boi, inaugura, no próximo dia 6 de Julho, três exposições que nascem de residências artísticas realizadas com agentes criativos locais e da China. Uma delas, “A Slice of Cake” [Um Pedaço de Bolo] é da autoria de Xu Ge e conta com curadoria de Zheng Wen. Trata-se de uma iniciativa feita em parceria com Zheng Jing, artista e docente da Academia Chinesa das Artes. Segundo um comunicado do Armazém do Boi, durante o período de residência artística realizado no território, o artista “embarcou numa busca para descobrir elementos e palavras-chave contraditórias, opostas e paralelas” que se podem encontrar em “diversas culturas e contextos”. Com base nessa pesquisa, fez-se depois uma categorização de todos os conceitos, combinados numa instalação feita em forma de bolo, cada uma com uma base triangular com cerca de 40 centímetros de comprimento. Todos os materiais para esta criação foram adquiridos localmente. Segundo o Armazém do Boi, “as obras de arte podem também integrar-se em ecrãs em miniatura, esbatendo as fronteiras entre a realidade e a virtualidade, ou incorporando meios como a mecânica do som”. Além da instalação, a mostra é composta por objectos físicos, manuscritos e imagens. Outra mostra, apresentada no dia 6 de Julho, é “Obstinate Spine”, do artista Song Gewen. Com curadoria de Cai Guojie, esta exposição individual “dá continuidade ao esforço criativo anterior do artista de explorar os princípios e as leis das coisas e da mente”. Em “Obstinate Spine”, observa-se também “obras baseadas nas características espaciais do Armazém do Boi e nas características locais de Macau”, apresentando-se, assim, ao público “um novo aspecto das obras do artista, que vai da exploração da materialidade à exploração da espacialidade”. Multimédia e narrativa “Next of Kin” é a terceira e última mostra integrada neste conjunto de inaugurações. Revelam-se os trabalhos de Cheung Zhiwan, apoiado pela curadoria de Junyan He. Neste caso, explora-se “a complexidade da linguagem narrativa”, numa mostra multimédia em que o artista se centra “na memória e identidade, procurando um passado que nunca experimentou e um futuro que ainda está para vir”. Esta exposição não se dissocia do contexto em que o artista viveu nos últimos meses, pois “o tempo que passou na região do Delta do Rio das Pérolas impregnou inevitavelmente as suas obras com o contexto local”. Apesar da inauguração acontecer dia 6, estas mostras podem começar a ser vistas dois dias antes. Todas elas encerram portas no dia 5 de Agosto.
Hoje Macau SociedadeTurismo | Hotéis com quase 1,2 milhões de hóspedes em Maio Os hotéis de Macau receberam mais de 1,19 milhões de hóspedes em Maio, uma subida de 8,4 por cento em termos anuais, foi ontem anunciado. Em Maio, o território contava com 143 estabelecimentos hoteleiros, mais 13 do que no mesmo período do ano passado, a disponibilizar 47 mil quartos, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No mês em análise, a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes dos estabelecimentos hoteleiros fixou-se em 83,6 por cento, subindo 4,9 pontos percentuais, em termos anuais, indica a mesma nota. Do total de 1.196.000 hóspedes, 870 mil chegaram da China continental, mais 9,7 por cento, em termos anuais, e 164 mil de Hong Kong, uma descida de 17,4 por cento. Já o número de hóspedes internacionais (88 mil), subiu 66,1 por cento. Entre Janeiro e Maio deste ano, os estabelecimentos hoteleiros do território hospedaram 6,13 milhões de pessoas, mais 25 por cento, face a idêntico período de 2023. Macau recebeu quase 14,2 milhões de visitantes durante esse período, uma subida de 50,2 por cento em termos anuais, segundo dados da DSEC.
Hoje Macau SociedadeLai Chi Vun | Dois estaleiros em obras em Julho Dois estaleiros navais na povoação de Lai Chi Vun, Coloane, nomeadamente os lotes X11 e X15, vão entrar para obras de melhoramento a partir de 1 de Julho. O objectivo, segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), é “promover a requalificação e reutilização dos recursos históricos e culturais, bem como a conversão de zonas históricas em novas atracções diversificadas de turismo cultural”. Este projecto de revitalização será feito em parceria com a Galaxy, pelo menos na primeira fase. Estes trabalhos vão obrigar a mudanças no serviço de visitas guiadas e transporte gratuito. Prevê-se que as obras estejam concluídas em Dezembro deste ano. Os estaleiros navais de Lai Chi Vun têm sido alvo de obras progressivas a fim de transformar o local num espaço destinado ao turismo, cultura e lazer, existindo já um espaço de exposições e zona de convívio. Porém, existem ainda estaleiros degradados que, sob alçada do Executivo, serão recuperados.
Hoje Macau SociedadePJ | Detido por desviar dinheiro de amigo falecido Um homem foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) por, alegadamente, transferir dinheiro para a sua conta bancária a partir da conta de um amigo já falecido. Segundo o jornal Ou Mun, o suspeito foi apanhado no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco depois de ter transferido 140 mil patacas em duas transacções, isto numa altura em que a viúva tratava dos trâmites burocráticos associados à herança do marido. O caso foi denunciado às autoridades pela mulher. A PJ esclareceu que o homem detido obteve os dados de acesso à conta bancária através do telemóvel do falecido, tendo conseguido fazer login na plataforma digital do banco. O caso já foi encaminhado para o Ministério Público (MP), sendo o homem suspeito da prática de crimes de furto qualificado e acesso ilegítimo a sistemas informáticos. A PJ está ainda a investigar o destino do dinheiro desviado e o paradeiro do telemóvel do falecido.
Hoje Macau SociedadePastelaria Koi Kei | Queixas de crise e aumento de salários A empresa que gere as muito populares pastelarias Koi Kei revelou ontem que, a partir de Julho, irá aumentar os salários base dos seus funcionários em 1.000 patacas. Num comunicado partilhado no Facebook, é sublinhado que a empresa está a enfrentar dificuldades financeiras devido à quebra de clientes e ao aumento dos custos com matérias-primas essenciais para produzir os produtos vendidos nas lojas. “Na sequência dos desafios sérios da economia actual, observamos que a capacidade de consumo dos turistas mostrou uma queda significativa, resultando em quebras de compras na ordem dos 30 por cento. Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta a pressão da subida dos custos de materiais brutos,” lê-se no comunicado. A empresa apontou que mesmo assim, decidiu aumentar salários para mostrar reconhecimento pelo desempenho dos funcionários.
Hoje Macau PolíticaHospital das Ilhas | Três personalidades passam a assessores honorários Zhao Yupei, Zhang Suyang e Li Wei, da Comissão para o Desenvolvimento Estratégico do Hospital das Ilhas, o Hospital Macau Union, foram nomeados assessores honorários desta entidade hospitalar, deixando de ser presidente (Zhao Yupei) e membros da Comissão. Segundo um comunicado do gabinete da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, é referido que estes “vão continuar a prestar valiosas opiniões sobre o planeamento, gestão, operação e desenvolvimento hospitalar”. “Quanto à nomeação do novo presidente e dos novos membros [da Comissão], o Governo da RAEM está a manter a comunicação com as autoridades competentes do Interior da China de acordo com os procedimentos”, procedendo-se depois “à nomeação e anúncio público após a obtenção de um acordo”, pode ler-se. A mudança ocorreu porque os membros da Comissão “são funcionários públicos do Estado e têm de continuar a assumir as suas funções no Interior da China”. O Governo destaca que as três personalidades prestaram “contributos inovadores, proactivos e eficazes na fase inicial da construção e o funcionamento experimental do Hospital Macau Union”.
Hoje Macau Manchete PolíticaReserva financeira | Primeiras perdas desde Outubro A reserva financeira de Macau perdeu 2,34 mil milhões de patacas em Abril, mas continua em terreno positivo no que toca aos quatro primeiros meses de 2024. Este foi o primeiro desempenho mensal negativo do ano. No final de Abril, a reserva financeira da RAEM totalizava mais de 595 mil milhões de patacas Dados publicados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) no Boletim Oficial mostram que a reserva financeira perdeu 2,34 mil milhões de patacas no passado mês de Abril. Apesar do passo atrás, considerando os primeiros quatro meses de 2024, o saldo continua em terreno positivo. Abril foi o primeiro mês desde Outubro em que a reserva financeira da região administrativa especial chinesa teve um desempenho negativo. A reserva cifrou-se em 595,5 mil milhões de patacas no final de Abril, tendo ganho 14,1 mil milhões de patacas desde o início do ano, assim como 24,4 mil milhões de patacas nos últimos 12 meses. O valor permanece longe do recorde de 669,7 mil milhões de patacas atingido em Fevereiro de 2021, em plena pandemia de covid-19. O valor da reserva extraordinária no final de Abril era de 431,9 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau para este ano, era de 153,4 mil milhões de patacas. Recorde-se que a Assembleia Legislativa aprovou, em 7 de Novembro, o orçamento da região para este ano, que prevê uma subida de 1,4 por cento nas despesas totais, para 105,9 mil milhões de patacas. Regresso à forma A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por depósitos e contas correntes no valor de 239,9 mil milhões de patacas, títulos de crédito no montante de 128,3 mil milhões de patacas e até 222 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados. No ano passado, a reserva financeira ganhou 22,2 mil milhões de patacas, depois de ter perdido quase quatro vezes mais no ano anterior. Isto apesar de, em 2023, as autoridades da região terem voltado a transferir quase 10,4 mil milhões de patacas da reserva financeira para o orçamento público. No final de Janeiro, a AMCM sublinhou que os investimentos renderam à reserva financeira quase 29 mil milhões de patacas em 2023, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,2 por cento. O orçamento de Macau para 2024 prevê o regresso dos excedentes nas contas públicas, depois de três anos de crise económica devido à pandemia da covid-19. O orçamento prevê ainda que Macau termine este ano com um saldo positivo de 1,17 mil milhões de patacas, “não havendo necessidade de recorrer à reserva financeira”.
Hoje Macau China / ÁsiaWikiLeaks | Pequim elogiou libertação de Julian Assange Pequim considera que o trabalho realizado pelo fundador da WikiLeaks, Julian Assange, libertado em Londres após um acordo com a justiça norte-americana, permitiu ao mundo “conhecer melhor a verdade”. “Quero dizer que as informações relevantes divulgadas pela (plataforma) WikiLeaks permitiram à comunidade internacional conhecer melhor os factos e a verdade”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Mao Ning, em conferência de imprensa. Mesmo assim, a porta-voz afirmou que, apesar de ter conhecimento de “informações relevantes” sobre a libertação de Assange, a diplomacia chinesa não faz comentários sobre a “situação específica”. Assange encontra-se a caminho das ilhas Marianas, território ultramarino norte-americano no Pacífico, onde o acordo vai ser formalizado. No dia 27 de Março, a República Popular da China manifestou solidariedade para com o jornalista australiano e apelou à “equidade e justiça” no caso de Assange. Segundo Pequim, Assange “expôs uma grande quantidade de informação secreta sobre as guerras dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque e revelou também o facto de a CIA levar a cabo todo o tipo de ataques cibernéticos”. O portal WikiLeaks anunciou segunda-feira, que Assange, 52 anos, de nacionalidade australiana, deixou a prisão de alta segurança de Belmarsh, Reino Unido, onde se encontrava detido, já tinha abandonado o país, com o objectivo de regressar à Austrália. O anúncio ocorre depois de documentos judiciais terem revelado que Assange chegou a um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos que vai permitir o regresso à Austrália. Assange vai comparecer em tribunal, hoje, nas Ilhas Marianas onde se vai declarar culpado de uma das 18 acusações de que é alvo por ter divulgado informações secretas dos Estados Unidos na década de 2010. Em troca, vai ser condenado a uma pena de 62 meses de prisão, equivalente ao tempo que já cumpriu na prisão britânica de alta segurança, para finalizar o acordo com o Departamento de Justiça. A justiça norte-americana acusou Assange de 18 crimes por violar a Lei de Espionagem no quadro de uma das maiores fugas de informação classificada da história dos Estados Unidos, em 2010, que revelou segredos das guerras no Iraque e no Afeganistão, bem como dados sobre os detidos na base de Guantánamo, entre outros assuntos. Segredos pesados Em 2019, o jornalista foi detido depois de a embaixada do Equador em Londres, onde Assange se refugiou durante sete anos, ter retirado o asilo que lhe tinha sido concedido em 2012. A imagem de Assange foi muitas vezes afectada ao longo dos anos, em especial quando a plataforma WikiLeaks divulgou milhares de e-mails pirateados do Partido Democrata dos Estados Unidos e da equipa de Hillary Clinton em 2016, durante a campanha presidencial norte-americana. Na altura, estas revelações mereceram elogios do candidato republicano Donald Trump. Segundo a CIA, os documentos foram obtidos por agentes russos, mas a WikiLeaks negou. Em 2011, os cinco jornais (entre os quais o New York Times, Guardian e Le Monde) associados à plataforma WikiLeaks condenaram o método da plataforma de tornar públicos telegramas do Departamento de Estado dos Estados Unidos não editados, argumentando que eram susceptíveis de “colocar em perigo certas fontes”. Mas, no final de 2022, os mesmos jornais apelaram à Administração norte-americana para que retirasse as acusações contra Julian Assange.
Hoje Macau EventosStudio City | Segunda sessão do “WAVE Fest” este sábado Decorre este sábado, entre as 15h30 e as 19h, a segunda sessão do primeiro festival de música em ambiente aquático, o “WAVE Fest”, promovido pelo Studio City, e que decorre no “Water Park Event Garden” do empreendimento, no Cotai. Para este evento incluem-se as actuações de Hins Cheung, Vincy Chan, Dark Wong, ToNick e VIVA. A primeira sessão inaugural em Macau contou com MC Cheung Tin-fu como cabeça de cartaz e mais de mil pessoas que participaram “numa derradeira experiência de música e salpicos”, aponta um comunicado da organização. Houve “uma mistura inovadora de música ao vivo e actividades dinâmicas” no parque aquático do Studio City, pelo que agora, depois da primeira sessão “esgotar em tempo recorde”, se espera mais animação no Cotai. Houve ainda “um enorme impacto na cena de entretenimento de Macau”. Neste festival actuaram também os “Initial B”, banda rock de Macau, bem como o grupo, de cinco elementos, “#FFFF99”, sem esquecer os “Zpecial”, que trouxeram ao público “baladas populares que emocionaram o público”. Por sua vez, na primeira sessão do “WAVE Fest”, houve ainda espaço para o grupo feminino “Lolly Talk”, que “injectou uma dose de energia juvenil com canções de amor de ritmo ligeiro” e que pôs “os fãs a mexer com adoráveis vibrações”. Por sua vez, “Dear Jane” “inspirou o público a cantar com os seus êxitos clássicos no topo das tabelas”.
Hoje Macau China / ÁsiaEspaço | Sonda lunar regressa com amostras inéditas do lado mais distante da Lua A sonda chinesa Chang’e 6 regressou ontem à Terra com amostras de rocha e de solo do lado mais distante da Lua, pouco explorado, numa estreia mundial. A sonda aterrou no norte da China, na região da Mongólia Interior. Os cientistas chineses prevêem que as amostras devolvidas incluirão rochas vulcânicas com 2,5 milhões de anos e outros materiais que responderão a questões sobre as diferenças geográficas entre os dois lados da Lua. Embora missões anteriores dos Estados Unidos e da União Soviética tenham recolhido amostras do lado próximo da Lua, a missão chinesa foi a primeira a recolher amostras do lado distante, não visível a partir da Terra e virado para o espaço exterior. Sabe-se também que o lado mais afastado tem montanhas e crateras de impacto, o que contrasta com as extensões relativamente planas visíveis no lado mais próximo. A sonda deixou a Terra a 3 de Maio e a sua viagem durou 53 dias. A sonda perfurou o núcleo e recolheu rochas da superfície. Espera-se que as amostras “respondam a uma das questões científicas mais fundamentais na investigação científica lunar: que actividade geológica é responsável pelas diferenças entre os dois lados”, disse Zongyu Yue, geólogo da Academia Chinesa de Ciências, numa declaração publicada na Innovation Monday, uma revista publicada em parceria com a Academia Chinesa de Ciências. Nos últimos anos, a China lançou várias missões bem-sucedidas à Lua, tendo recolhido amostras do lado próximo da Lua com a sonda Chang’e 5. A China espera também que a sonda regresse com material que contenha vestígios de impactos de meteoritos do passado da lua.
Hoje Macau China / ÁsiaProteccionismo | Li Qiang adverte para “espiral destrutiva” As políticas proteccionistas e que visam a dissociação económica entre a China e o Ocidente podem gerar um “círculo vicioso” e arrastar o mundo para uma “espiral destrutiva”, alertou ontem o primeiro-ministro chinês. “Isto leva os países de todo o mundo a um círculo vicioso em que a luta por uma fatia maior do bolo acaba por encolher o bolo”, afirmou Li Qiang, num discurso proferido na abertura da reunião anual de Verão do Fórum Económico Mundial, que está a decorrer na cidade de Dalian, no nordeste da China. Referindo-se à mentalidade do “pequeno quintal com uma vedação alta”, Li condenou os esforços de Washington para restringir o acesso da China a alta tecnologia e outras indústrias chave. “A escolha certa é abordar as questões de desenvolvimento com uma visão de longo prazo e uma mente mais aberta, e juntarmo-nos a outros para expandir esse bolo. É assim que podemos sustentar o crescimento da economia mundial e abrir novos horizontes para o nosso próprio desenvolvimento”, insistiu. O político chinês garantiu que a mentalidade proteccionista “não conseguirá travar o desenvolvimento dos outros”, em referência ao que Pequim considera serem as tentativas de Washington para conter a China: “No final, só acaba por prejudicar quem adopta essa postura”. Li também dedicou parte do seu discurso àquilo a que a China chama “novos sectores energéticos”, como os painéis solares ou os veículos eléctricos, que estão a ser alvo dos EUA e da União Europeia (UE) devido aos subsídios industriais oferecidos por Pequim, vistos como potencialmente indutores de concorrência desleal. “Não podemos abrandar a nossa velocidade na transição ‘verde’ em troca de crescimento a curto prazo, nem podemos praticar o proteccionismo em nome do desenvolvimento ‘verde’ ou da protecção ambiental”, afirmou. O compromisso da China para com as energias renováveis – Li referiu que o país já representa mais de 50 por cento da capacidade instalada mundial – não se destina apenas a satisfazer as necessidades domésticas de energia limpa, mas também a alimentar o abastecimento internacional e a ajudar a aliviar a inflação mundial. “Devemos abandonar o confronto entre blocos e ir contra a dissociação das cadeias de abastecimento”, afirmou, insistindo que “a história do desenvolvimento económico global mostra que a abertura traz progresso”. Esforços comerciais Referindo-se à economia chinesa e à recuperação da “dura doença” que sofreu durante os anos da política ‘covid zero’, Li reiterou a confiança na concretização dos objectivos de crescimento para este ano, de cerca de 5 por cento em termos anuais, e apelou às empresas estrangeiras para que aproveitem as oportunidades do “vasto mercado” chinês. “Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para criar um ambiente empresarial orientado para o mercado e de classe mundial, no âmbito de um quadro jurídico sólido. Para o efeito, revogámos regulamentos que limitavam o acesso ao mercado e a concorrência leal”, afirmou o primeiro-ministro chinês, que apelou a medidas específicas e a progressos graduais na recuperação da economia nacional. Criado pelo FEM – uma instituição privada famosa pelo seu encontro anual de líderes mundiais no Inverno em Davos (Suíça) – em 2007, o “Davos de Verão” realiza-se todos os anos na China e, nesta ocasião, está a ter lugar na cidade costeira de Dalian, desde ontem até quinta–feira.
Hoje Macau EventosCasa da Literatura | Exposição sobre doações inaugurada ontem Foi ontem inaugurada a mostra “Como as Palavras Voam – Exposição das Doações para a Casa de Literatura de Macau”, uma iniciativa do Instituto Cultural (IC). O projecto visa, segundo um comunicado, “mostrar as características particulares da literatura de Macau e prestar homenagem aos doadores de todas as esferas da sociedade”. O IC explica que a Casa de Literatura de Macau, projecto recentemente inaugurado, “tem recebido generosos apoios e ofertas de todos os sectores da sociedade”, incluindo figuras do meio literário, sendo que esta mostra apresenta “mais de 90 peças ou conjuntos de obras, incluindo manuscritos, recortes de jornais, livros e obras de caligrafia”. Desta forma, regista-se “a história dos escritores de Macau sob diversas formas e diversos géneros literários”. São também introduzidos escritores nascidos entre os anos de 1922 e 1939, nomeadamente Hu Xiao Feng, Lao Wa, Iau Chi Vai, Ngai Yick Kin (Tao Li), Lei Kun Teng e Ling Ling, considerados “pioneiros na literatura local e que não pouparam esforços para impulsionar o desenvolvimento literário de Macau”, além da influência que exerceram no panorama literário da região.
Hoje Macau SociedadeCaritas Macau | Sands China doa três mil cabazes alimentares A operadora de jogo Sands China vai apoiar a Caritas Macau com a doação de três mil cabazes alimentares no âmbito da acção anual “Sands Cares Global Food Kit Build”, que serão entregues à instituição liderada por Paul Pun nos próximos meses de Julho e Agosto. Segundo um comunicado da operadora, a iniciativa pretende colmatar cenários de insegurança alimentar, apoiando “residentes idosos, portadores de deficiência, famílias pobres, beneficiários do Banco Alimentar e outros em Macau”. Reuniram-se 21 toneladas de alimentos, sendo que cada cabaz terá 18 itens, incluindo alimentos básicos como óleo, arroz, massa, enlatados ou biscoitos. Mais de 280 voluntários participaram nesta iniciativa, que decorreu recentemente no Venetian. A Sands China estabeleceu com a Caritas Macau uma parceria em 2022 para apoiar comunidades locais em risco de pobreza, sendo este o terceiro ano consecutivo de ajudas. Citado pelo mesmo comunicado, Paul Pun declarou que “os cabazes alimentares doados irão ajudar a satisfazer as necessidades básicas de grupos desfavorecidos e aliviar as suas dificuldades financeiras”. Além de apoiar a Caritas Macau, a Sands China doou também mais de 1.700 quilos de alimentos, nomeadamente sobras de pão, para o projecto comunitário “Macau ECOnscious”, que criou, em 2022, um frigorífico comunitário onde os mais necessitados podem ir buscar comida gratuita cujo prazo de validade está próximo do fim, promovendo-se, assim, o reaproveitamento alimentar.
Hoje Macau PolíticaEspectáculos | Ella Lei defende criação de mais espaços A deputada Ella Lei defende a criação de mais espaços que possam acolher espectáculos de grande dimensão, além daquele que será criado no Cotai e que abre portas em 2025. Num artigo de opinião publicado no jornal Exmoo, a deputada entende que devem ser renovadas as infra-estruturas já disponíveis e dar resposta à procura por parte de grupos locais, que clamam por mais lugares não apenas para actuar, mas também para ensaiar. Como sugestão, Ella Lei entende que as operadoras de jogo poderiam disponibilizar, para aluguer, espaços para espectáculos e ensaios, a fim de impulsionar o desenvolvimento do sector da cultura. A deputada citou as queixas de grupos artísticos que sentem mais dificuldades actualmente para arrendar espaços governamentais para a realização de peças de teatro e concertos, uma vez que, por exemplo, o Centro Cultural de Macau tem sempre a agenda anual preenchida. Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos citados pela deputada, e relativos ao segundo trimestre de 2023, o número de espectadores passou dos 30,2 para 50,2 mil pessoas face a 2021. A procura é maior por espectáculos de música e dança.
Hoje Macau PolíticaComércio | Zheng Anting pede formação em vendas online O deputado Zheng Anting considera que o comércio electrónico através de transmissões em directo em plataformas online poderá ser um método inovador para comercializar produtos de Macau. Porém, para garantir o sucesso dos negócios, são precisos quadros qualificados. Como tal, sugeriu ao Governo que lance cursos de formação, em colaboração com escolas locais e empresas de comércio electrónico, e que seja criado um fundo destinado a financiar projectos e talentos para impulsionar o sector. Num artigo de opinião publicado no jornal Exmoo, o deputado recordou que recentemente as autoridades da província de Guangdong divulgaram que será construído um parque industrial de comércio electrónico para vender produtos além-fronteiras nos países abrangidos pela iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Além disso, as autoridades de Hengqin pretendem também criar um parque industrial semelhante. Criadas as condições logísticas, Zheng Anting defende que Macau deve aproveitar estas oportunidades e reforçar a cooperação na área do comércio electrónico na Grande Baía.
Hoje Macau SociedadeGripe | Aumento anual superior a mil casos Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) divulgaram os dados mais recentes sobre algumas patologias no território, destacando-se o grande aumento do número de casos de gripe. Só em Maio foram registados 2,547 casos de gripe, mais 1,190 casos face a Maio do ano passado, constituindo um aumento em termos mensais de 31,6 por cento. Foram ainda registados 973 casos de infecções enterovirais, um aumento três vezes superior em termos anuais e um aumento para o dobro em termos mensais. Destaque ainda para os casos de tuberculose, que em Maio foram 31, mais 3,3 por cento em termos anuais. Foram ainda registados três casos de infecção por HIV, bem como um caso que evoluiu para SIDA. No total, os SSM, noticiou a TDM chinesa, registaram, em Maio, a ocorrência de 3,970 casos de doença.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | Adoptado 14.º pacote de sanções contra Rússia O Conselho da União Europeia (UE) adoptou ontem o 14.º pacote de sanções contra a Rússia por causa da invasão ao território ucraniano, que inclui restrições à importação de gás natural liquefeito russo. Em comunicado, o Conselho da UE anunciou a adopção deste pacote de sanções, que pela primeira vez vai incluir restrições à importação de gás natural liquefeito russo para os países da UE e também a sua passagem para países terceiros, prejudicando uma “fonte de receita significativa” que o Kremlin utiliza para fomentar o conflito. Com a adopção destas restrições, mais 116 pessoas e organizações passam a estar sancionadas, o que significa que ficam impedidas de aceder a bens que tenham em países europeus e proibidas de viajar para qualquer Estado-membro. A UE também colocou em prática medidas para impedir o contorno das sanções por parte de Moscovo, requerendo que empresas sediadas num dos 27 assegurem que as suas subsidiárias e empresas com as quais trabalham em regime de outsourcing não participem em actividades comerciais ou outras que acabem por facilitar o contorno das sanções. Sobe e desce A UE tem vindo a reduzir as importações de gás russo (que chega por gasoduto), passando de uma dependência de 40 por cento em 2021 para 8 por cento em 2023, mas as importações de gás natural liquefeito da Rússia têm vindo a aumentar, num importante sector para a economia do país que gera quase oito mil milhões de euros anuais. O Conselho da UE também proibiu empresas europeias de transacionarem com instituições financeiras e de criptomoedas que continuem a trabalhar com a Rússia e a fomentar a indústria da defesa do país que invadiu a Ucrânia. A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada em 24 de Fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Hoje Macau China / ÁsiaBanco central do Japão pondera subida das taxas de juro O banco central japonês admitiu que “deverá aumentar as taxas de juros não demasiado tarde”, face ao impacto que o recente aumento dos custos poderá ter nos preços ao consumidor, indica uma nota ontem divulgada. “É necessário que o Banco [do Japão] considere se são necessários mais ajustamentos à política monetária do ponto de vista da gestão de risco”, de acordo com a ata da reunião mensal da instituição, terminada a 14 de Junho. “Embora a evolução dos preços tenha correspondido às perspectivas do Banco, existe a possibilidade de os preços se desviarem para cima do cenário base se houver outra transmissão dos recentes aumentos de custos aos preços no consumidor”, alertou o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). A inflação no país tem-se fixado num intervalo entre 2 por cento e 2,5 por cento nos últimos meses, perto da meta de 2 por cento fixada pelo banco central japonês. A instituição disse que a inflação está a estabilizar, mas considerou ser ainda difícil determinar se os aumentos salariais da Primavera (os maiores em mais de 30 anos) “têm sido suficientemente reflectidos nas estatísticas”, numa altura em que o consumo continua fraco. No dia 14, o BoJ anunciou um corte na compra de títulos de dívida pública, em mais um passo rumo à progressiva normalização monetária, mas optou por manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 0,1 por cento. Em baixo Apesar de um aumento em Março, que pôs fim a mais de uma década de taxas negativas, o Japão continua com juros muito abaixo das outras principais economias mundiais, incluindo a Reserva Federal dos EUA (5,5 por cento) e o Banco Central Europeu (4,25 por cento). Uma tendência que tem levado a moeda do Japão a desvalorizar-se. A moeda nipónica estava ontem a negociar numa faixa acima dos 159 ienes por dólar, depois de no final de abril ter caído para 160 ienes, pela primeira vez em 34 anos. De acordo com a ata da reunião, os membros do comité do BoJ estão conscientes de que a evolução das taxas de câmbio tem um amplo impacto na actividade económica e, se continuar descontrolada, “afectará o bom desenvolvimento da economia”. No entanto, o documento acrescentou que, dado não afectar apenas o mercado cambial, a política monetária deve ser implementada com base num cenário mais amplo. O banco central mostrou-se ainda cauteloso relativamente às sucessivas suspensões de exportações por parte de importantes fabricantes automóveis japoneses devido a irregularidades nas fiscalizações. O BoJ concluiu ser “apropriado continuar com a actual flexibilização monetária por enquanto”, até para avaliar os efeitos dessas suspensões na economia do Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaPelo menos 15 mortos em incêndio em fábrica na Coreia do Sul O número de mortos num incêndio numa fábrica de baterias de lítio perto da capital da Coreia do Sul aumentou para 15, segundo o novo balanço provisório das autoridades. Inicialmente, as equipas de salvamento retiraram oito corpos da fábrica, mas o número de vítimas aumentou nas seguintes horas, confirmando-se “sete feridos”, de acordo com Kim Jin-young, oficial dos bombeiros, em informações transmitidas pela televisão. As equipas de salvamento que se encontram a operar na fábrica da cidade de Hwaseong, a sul de Seul, recuperaram os 15 corpos referindo que mais “seis pessoas estão desaparecidas”. Kim disse que a maioria das pessoas desaparecidas são cidadãos estrangeiros, incluindo trabalhadores oriundos da República Popular da China. Segundo o mesmo responsável, o sinal dos telemóveis das pessoas desaparecidas foi localizado no segundo piso da fábrica. Kim afirmou que uma testemunha disse às autoridades que o incêndio começou depois de as baterias terem explodido quando os trabalhadores as estavam a examinar antes do embalamento, mas frisou que “a causa exacta será investigada”. O mesmo oficial dos bombeiros afirmou ainda que 102 pessoas estavam a trabalhar na fábrica antes do incêndio. Areia salvadora Cerca de 35 mil baterias de lítio – altamente inflamáveis – encontravam-se armazenadas no segundo andar da fábrica onde deflagrou o incêndio. “Foi difícil entrar no edifício porque tínhamos medo de mais explosões”, disse Kim, acrescentando que os bombeiros conseguiram apagar as chamas com “areia seca”. O complexo industrial pertencente ao fabricante sul-coreano de baterias Aricell. As baterias de lítio são utilizadas em várias circunstâncias e suportes desde computadores portáteis a veículos eléctricos. Imagens difundidas pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap mostram nuvens de fumo cinzento a elevarem-se sobre o edifício da fábrica devastado pelas chamas. O Presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, pediu às autoridades locais que “mobilizassem todo o pessoal e equipamento disponível para se concentrarem na procura e no salvamento de pessoas”. Yoon Suk Yeol pediu igualmente às autoridades no local para “garantirem a segurança dos bombeiros, dada a rápida propagação do incêndio”. Entretanto, os residentes da cidade de Hwaseong foram aconselhados a não abandonarem as residências devido à densidade do fumo.