IAS | Prometida revisão de mecanismo de segurança após abusos

O presidente do Instituto de Acção Social garante que todas as instituições de acolhimento de crianças vão ser alvo de avaliação de riscos para reforçar a segurança dos menores

 

Na sequência dos alegados abusos cometidos por um trabalhador de uma instituição de acolhimento de crianças, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, promete um reforço da segurança. As declarações foram prestadas ontem ao canal chinês da Rádio Macau.

Segundo o responsável, as instituições de acolhimento locais vão passar a ser alvo de avaliações de risco, tendo em conta aspectos como o espaço, a idade dos utentes, as suas capacidade de comunicação e o tipo de cuidados disponibilizados.

Após a identificação de potenciais riscos, as autoridades vão implementar novas formas de protecção para os utentes. “A nossa prioridade passa por responder aos principais riscos de cada lar. Por exemplo, se alguns quartos estiverem vazios, então precisam de ser trancados, e vai ser necessário definir procedimentos padronizados para o registo e monitorização das horas de trabalho”, afirmou o responsável.

Hon Wai considerou ainda que o caso recente é um sinal de alerta para melhorar alguns procedimentos em vigor, como os critérios aplicados na altura de contratar funcionários para este tipo de instituições.

O presidente do IAS apontou igualmente que as autoridades estão a ponderar adoptar uma regra que exige que por cada turno de trabalho estejam sempre presentes dois trabalhadores, de forma a poderem supervisionar-se mutuamente.

Intervenção imediata

Em relação ao caso do homem de 34 anos detido devido a alegados abusos de menor na instituição de acolhimento, Hon Wai foi confrontado com o facto de ter passado um mês entre as primeiras suspeitas do caso e a apresentação de queixa às autoridades.

Em resposta, defendeu a actuação do IAS e explicou que foi necessário o consentimento da família da vítima para apresentar a queixa: “Nós aplicámos medidas de prevenção imediatamente, por exemplo, o trabalhador investigado foi logo afastado dos turnos nocturnos. Só que também tivemos de verificar as imagens de videovigilância, falar com os outros trabalhadores para confirmar que existia um caso e ainda contactar os pais da vítima para que concordassem com a queixa”, justificou.

Hon Wai revelou ainda que a vítima está a ser acompanhada e que está “estável”. As declarações do presidente do IAS estão em linha com a posição da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. Após o caso ter vindo a público, a secretária presidiu a uma reunião com representantes dos serviços sociais e públicos, e pediu a revisão de mecanismos e procedimentos internos nas instituições de acolhimento para garantir a protecção das crianças e dos jovens.

Foi no início deste mês que a Polícia Judiciária revelou ter detido um homem de 34 anos, residente local, e trabalhador numa instituição de acolhimento de crianças. O homem está indiciado da prática de actos de abuso sexual contra uma criança acolhida – um menino de nove anos.

O caso foi descoberto depois de a vítima ter denunciado a situação à mãe, que entrou em contacto com a instituição. A PJ também descobriu no telemóvel do detido 37 vídeos com imagens de cinco crianças do lar a tomar banho.

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