Mísseis | Coreia do Norte reconheceu teste em plena tensão com Seul

A Coreia do Norte reconheceu ter realizado um teste de mísseis no sábado, um lançamento que foi confirmado pelas autoridades da Coreia do Sul, em plena escalada da tensão intercoreana

 

O teste “foi realizado no âmbito dos esforços para treinar os soldados de mísseis que operam o sistema de armas estratégicas hipersónicas no manuseamento do equipamento”, explicou a agência de notícias estatal norte-coreana, KCNA. O lançamento foi supervisionado pelo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. O projéctil, que a KCNA definiu como um “míssil estratégico de alcance intermédio”, percorreu cerca de mil quilómetros até alcançar o alvo no mar do Japão (denominado mar do Leste nas duas Coreias), de acordo com a agência.

O líder norte-coreano elogiou os oficiais e soldados responsáveis pelo lançamento e afirmou que este tipo de testes constitui “uma forma de exercer a dissuasão”, segundo a KCNA.

O lançamento ocorre duas semanas depois de Pyongyang ter disparado dois mísseis balísticos de curto alcance a partir da zona de Wonsan em direcção ao mar do Japão, com algumas horas de diferença, a 20 de Setembro, num aparente protesto contra uma resolução da Agência Internacional da Energia Atómica que instava à desnuclearização da península coreana.

O incidente surge, além disso, em plena escalada da tensão intercoreana, na sequência da explosão de duas minas, em 21 de Setembro, na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, que provocou ferimentos graves em dois soldados sul-coreanos, além de um soldado com ferimentos ligeiros.

Seul acusou Pyongyang de ter colocado os explosivos e exigiu um pedido de desculpas por parte do regime norte-coreano. Este negou qualquer envolvimento e acusou o país vizinho de mentir para justificar provocações na fronteira.

Também o Comando das Nações Unidas, a força militar responsável pela supervisão do armistício entre as duas Coreias, classificou o incidente como “uma violação” do acordo.

Tudo em família

A poderosa irmã do líder norte-coreano, Kim Yo Jong, considerou patética a “espécie de pedido de desculpas” exigida por Seul após uma explosão na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias, que feriu gravemente três soldados sul-coreanos.

A Coreia do Sul “chegou ao ponto de falar sobre algum tipo de ‘pedido de desculpas'”, disse Kim Yo Jong, em comunicado. “São absolutamente patéticos”, acrescentou a irmã mais nova do líder norte-coreano, considerada uma das figuras mais importantes do regime norte-coreano.

Kim Yo-jong rejeitou de imediato as conclusões de Seul e disse que a investigação do incidente era uma “farsa conspirativa” para justificar “provocações políticas e militares” contra Pyongyang.

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