Acções da Shein caem até 14% em Hong Kong após queda de 66,6% do lucro

A plataforma de ‘moda rápida’ Shein caiu ontem até 14 por cento na bolsa de Hong Kong, após divulgar os primeiros resultados desde a entrada em bolsa, que revelaram uma queda de 66,6 por cento do lucro ajustado no segundo trimestre.

No relatório enviado na segunda-feira à bolsa de valores de Hong Kong, a empresa indicou que, entre Abril e Junho, o lucro líquido aumentou 247 por cento, para cerca de 2.398 milhões de dólares, mas o lucro ajustado caiu 66,6 por cento, para cerca de 228 milhões de dólares. A diferença deveu-se sobretudo a ganhos relacionados com o valor de mercado de ações convertíveis, sem que a empresa tenha fornecido mais detalhes.

No segundo trimestre, a Shein facturou 11.082 milhões de dólares, mais 0,9 por cento em termos homólogos, enquanto o resultado operacional caiu 66,3 por cento, para 235 milhões de dólares.

O fundador e presidente da empresa, Chris Xu, atribuiu o desempenho a “uma forte subida dos preços do petróleo e dos custos logísticos perante as tensões geopolíticas no Médio Oriente”. “Tomámos a decisão deliberada de absorver estes custos, que consideramos transitórios, em vez de os transferir para os consumidores, para manter os preços estáveis e a dinâmica das encomendas”, acrescentou.

A distribuição geográfica das receitas mostra também o impacto das tarifas e taxas aplicadas nos dois principais mercados da Shein, os Estados Unidos e a Europa. Nos Estados Unidos, as receitas caíram 6 por cento em termos homólogos e, na Europa, recuaram 13,9 por cento.

À espera do Pai Natal

O peso dos restantes mercados mundiais na facturação total aumentou de 36,1 por cento, em meados de 2025, para 43,7 por cento, após as receitas nestes destinos terem crescido 21,6 por cento. A plataforma atribuiu esta evolução ao “crescimento do volume de encomendas e à expansão da base de clientes, especialmente na América Latina”.

No conjunto do primeiro semestre, a Shein mais do que duplicou (+111,7 por cento) o lucro líquido atribuível, para 2.299 milhões de dólares (2.023 milhões de euros), após aumentar a facturação em 0,97 por cento. As despesas operacionais cresceram 3,95 por cento.

Para a segunda metade do actual exercício, Xu antecipou que a conjuntura mundial continuará “incerta”, devido aos “ventos contrários das tarifas e à volatilidade dos custos logísticos”.

O responsável destacou, no entanto, que o último trimestre do ano, marcado pela campanha de Natal e por períodos de promoções como a ‘Black Friday’, constitui a “principal janela de promoções” da empresa, pelo que espera uma recuperação das encomendas.

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