CCCM | Ciclo de conferências sobre Macau arranca sexta-feira

Começa esta sexta-feira mais um ciclo “Conferências da Primavera” promovido pelo Centro Científico e Cultural de Macau, com um primeiro programa inteiramente dedicado aos estudos sobre Macau, havendo lugar a palestras sobre a China e a Ásia. A sessão de abertura conta com a presença da Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, entre outras personalidades

 

A segunda edição do ciclo “Conferências da Primavera” começa esta sexta-feira em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), e apresenta, até sábado, uma série de palestras sobre o território. Seguem-se depois apresentações de estudos sobre a China, entre os dias 6 e 11 de Março, e Ásia, de 20 a 25 de Março.

A sessão inaugural desta iniciativa contará com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, Elvira Fortunato, o embaixador da China em Portugal, Zhao Bentang, bem como a chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau, Lúcia Abrantes dos Santos, entre outras personalidades.

O primeiro painel, dedicado ao tema “História”, será moderado pela investigadora Isabel Murta Pina e conta com a apresentação “Relações Transculturais Portugal-Ásia nos séculos XVI e XVIII”, de Luís Filipe Barreto, académico ligado à Universidade de Lisboa que foi anteriormente presidente do CCCM. Actualmente, é Carmen Amado Mendes que está à frente desta entidade.

Roderich Ptak, académico da Universidade de Munique e colaborador do HM na secção “Via do Meio” irá falar das “Questões relacionadas ao mundo insular de Guangdong Central e do Lingdingyan no período Ming”. O painel conta ainda com apresentações de Célia Reis, académica da Universidade Nova de Lisboa que se dedica habitualmente ao estudo da história de Macau e do Oriente. Desta vez, irá apresentar um estudo sobre a política religiosa entre lisboa e Macau, nomeadamente “a presença de jesuítas e irmãs da caridade nas décadas de 1860-70”.

Noel Golvers, da Universidade de Leuven, integra também o painel, que se encerra com a apresentação “Originalidades do poder municipal a Oriente: os casos das Câmaras Municipais de Bardez e Salsete (Goa) e do Senado de Macau”, da autoria de Luís Cabral de Oliveira e João Carlos Faria, académicos da Universidade Nova de Lisboa e Instituto Politécnico de Leiria.

Lembrar Senna Fernandes

A partir das 17h10, hora de Lisboa, será possível assistir ao painel temático “Literatura e Identidade”, moderado por Ana Cristina Alves, coordenadora do departamento educativo do CCCM. Regina Campinho, da Universidade de Coimbra (UC), inaugura a palestra com a apresentação “Identidades patrimoniais de uma paisagem urbana em mutação: Macau do século XIX ao século XXI”.

Segue-se uma recordação dos escritos daquele que é considerado um dos grandes escritores de Macau, Henrique de Senna Fernandes, por Cristina Zhou, académica também ligada à UC.

João Ferreira Oliveira, da Universidade Católica Portuguesa, irá falar das “atitudes linguísticas na literatura cómica em crioulo de Macau”, nomeadamente o patuá. Felipe de Saavedra, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, falará da ligação do poeta português Luís de Camões e Macau. O mesmo tema será abordado por Eduardo Ribeiro, antigo funcionário do Governo de Macau, com a palestra “Camões em Macau”.

No sábado é dia de abordar outras vertentes da cultura e história de Macau. Vera Borges, da Universidade Cidade de Macau, irá apresentar “O drama da crioulidade: a ressurgência da figura do Vate em ‘Poemas para Macau’, de Cecília Jorge”. Aida Zhong Caiyan, da Universidade de Lisboa, irá falar da “identidade macaense sob a hibridez cultural”.

Ondina e propaganda

Fernanda Gil Costa, ex-directora do departamento de português da Universidade de Macau, vai apresentar a palestra “Entre a periferia e Literatura-Mundo: Dois romances de Macau depois da transição política”, enquanto Dora Nunes Gago, que também dirigiu o mesmo departamento, falará da poesia de Maria Ondina Braga.

O trabalho da mesma poetisa vai também ser abordado pelo académico Duarte Drumond Braga em “Angola, Goa e Macau: as errâncias e as memórias coloniais de Maria Ondina Braga”.

No painel “Sociedade” destaque para a apresentação de um estudo desenvolvido por José Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, Catherine Chan, da Universidade Lingnan, de Hong Kong, e Elisabela Larrea, doutorada pela Universidade de Macau. Este trabalho versa sobre a propaganda política do regime de Salazar em Macau no período do Estado Novo.

Segue-se a apresentação da antropóloga Sheyla Zandonai, que vai falar das ligações do território ao urbanismo focado no jogo e no turismo.

Isabel Morais, da Universidade de São José, apresenta um trabalho sobre o historiador macaense Augusto Montalto de Jesus, autor da conhecida obra “Macau Histórico”, que teve a primeira edição lançada em 1906. A académica irá abordar a relação entre o trabalho deste historiador e a informação política da I Guerra Mundial em língua portuguesa.

Cátia Miriam Costa vai falar do antigo jornal “Echo Macaense” como exemplo do papel político da imprensa em Macau, seguindo-se Hélder Beja, jornalista e ex-residente, que falará de “Macau, Cidade Imaginada: Representações de Macau no cinema português”.

Segue-se um momento musical com a banda composta por Carlos Piteira e Jaime Mota que se dedica a mostrar mais sobre o território através da música. Destaque ainda para o facto de esta quarta e quinta-feira decorrer, também no CCCM e inserido neste ciclo de conferências, uma série de apresentações destinadas a mostrar as investigações de jovens académicos. Os programas dedicados a estudos sobre a China e Ásia não foram ainda divulgados pelo CCCM.

Subscrever
Notifique-me de
guest
1 Comentário
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Afrânio da Silva Garcia
Afrânio da Silva Garcia
3 Mar 2023 03:13

Adorei a programação do Ciclo de Cobferencias de Macau. Sou professor de Língua Portugesa da UERJ e gostaria muito de ter/ler uma cópia das conferências sobre Senna Fernandes e Camões em Macau; aliás gostaria de ter uma cópia de todas as conferências. Grande iniciativa! Parabéns!
Afrânio Garcia