Edgar Martins traz a Macau fotos de prisão do Reino Unido em 2020

O projecto fotográfico do português Edgar Martins, com reclusos de uma das mais violentas prisões do Reino Unido, foi publicado em livro e vai estar em exposição em Lisboa no final do ano. A Macau virá de Junho a Setembro de 2020

 

What Photography & Incarceration have in Common with an Empty Vase” (“O que a fotografia e a prisão têm em comum com uma jarra vazia”, em tradução do inglês) tem imagens recolhidas na HM Prison Birmingham e num bairro nas imediações, com os presidiários, famílias e outras figuras locais.

“Utilizando o contexto social do encarceramento como ponto de partida, exploro o conceito filosófico de ausência e abordo uma consideração mais ampla do conceito de fotografia quando se cruzam questões de visibilidade, ética, estética e documentação. De uma perspectiva humanista, o trabalho procura reflectir sobre como se lida com a ausência de um ente querido, trazido pela separação forçada”, resumiu o fotógrafo sobre o projecto.

O livro está dividido em três capítulos, que variam entre imagens de arquivo, fotografias feitas durante os três anos de trabalho, que incluem a documentação de objectos simbólicos para os presos, como um par de sapatos de criança ou um maço de cigarros, além de uma reprodução do diário de um recluso escrito especificamente para este projecto.

“Estava interessado em explorar todo um conjunto de estratégias e metodologia que fossem para além do documental e que contribuíssem para o debate acerca da ontologia da imagem fotográfica”, explicou à agência Lusa o fotógrafo.

Convite para a prisão

O projecto foi feito a convite da organização Grain Projects e acabou por se centrar no que rodeia a prisão e os seus ocupantes e menos no interior e funcionamento do edifício, devido às dificuldades em ultrapassar as limitações administrativas.

“O maior desafio foi lidar com a prisão em si. A HMP Birmingham é uma prisão complexa, com muitas carências e deficiências, falta de investimento crónico. Durante os três anos em que trabalhei com a prisão tiveram quatro directores distintos e por isso a evolução do projecto foi tumultuosa e muito condicionada por vários eventos e circunstâncias: aconteceram os maiores motins da história de um estabelecimento prisional em Inglaterra, a prisão sofreu os maiores níveis de consumo de droga e violência da sua história e, no último ano, passou pelas maiores mudanças estruturais dos últimos 10 anos”, admitiu Edgar Martins.

O projecto foi premiado com o terceiro lugar da categoria ‘Série dos Prémios de Fotografia Artística LensCulture’, em 2018, e vai iniciar uma série de exposições em Lisboa a 14 de Novembro, na Galeria Filomena Soares Lisboa, onde vai ficar até Janeiro de 2020. De seguida viajará para o território, até ao Museu de Arte de Macau onde a mostra vai poder ser visitada de 6 de Junho a 1 de Setembro de 2020. O Museu do Chiado, em Lisboa, receberá o acervo expositivo a partir de Outubro de 2020.

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