Governo japonês confirma identidade do jornalista libertado da Síria

O governo japonês confirmou hoje que um homem libertado pelas forças de segurança turcas é o jornalista Jumpei Yasuda, sequestrado há mais de três anos na Síria.

“Confirmamos que Jumpei Yasuda, sequestrado na Síria desde 2015, está são e salvo”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês Taro Kono, em declarações à imprensa.

“Aparentemente encontra-se em bom estado de saúde. Estamos muito contentes que ele se encontre em segurança”, acrescentou, depois de informar que alguns responsáveis da embaixada japonesa na Turquia se encontraram com ele no centro de imigração Antakya, na província turca de Hatay, fronteiriça com a Síria.

Jumpei Yasuda, que foi visto “em boa forma” em imagens do canal de televisão japonês NHK, segundo a agência francesa AFP, deverá ser repatriado depois de efetuar exames médicos.

A mulher do jornalista, Myu, agradeceu a todos os que participaram na libertação do marido, “por terem rezado por ele e por se terem mobilizado”, disse em direto ao canal japonês NHK.

“Quero vê-lo em forma, o mais rápido possível, é tudo o que quero”, confiou o seu pai.

“Quero dizer-lhe que foi forte durante três anos e que nunca baixou os braços”, acrescentou.

Na passada terça-feira, um comunicado do gabinete do governador de Hatay anunciava que tinha sido libertada uma pessoa que declarava “ser de nacionalidade japonesa”, mas que não dispunha de identificação.

O texto acrescentava ainda que se esperava que as autoridades japonesas confirmassem “se se trata ou não do repórter japonês Yasuda/Jumpei Yamamoto, sequestrado em 2015″.

O jornalista independente, de 44 anos, apareceu num vídeo publicado por um grupo jihadista, no mês de agosto, vestido com um fato cor de laranja e ameaçado por homens armados.

Em 2016, a imprensa japonesa anunciava que Jumpei Yasuda tinha sido capturado pelo antigo braço da Al-Qaida na Síria (Frente al-Nosra).

No entanto, na passada terça-feira, o grupo Hayat Tahrir al-Cham (HTS), ao serviço da Frente al-Nosra, negou, num comunicado, qualquer implicação.

“Negamos todas as acusações em ligação com o jornalista japonês Yasuda. Ficámos a saber da sua libertação pela imprensa”, reagiu o grupo.

Em 2015, dois militantes do grupo Estado islâmico (EI) decapitaram dois japoneses, o correspondente de guerra Kenji Goto e o seu amigo Haruna Yukawa.

A Síria tem sido um dos países mais perigosos do mundo para os jornalistas, desde que o conflito começou em março de 2011.

Vários jornalistas continuam desaparecidos no país, e dezenas já foram sequestrados ou assassinados.

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