PARTILHAR
A exposição AIYA junta cinco artistas locais que dão a conhecer ao público as suas interpretações das complexidades de Macau. Com curadoria de José Drummond, AIYA integra a 1ª Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa e é inaugurada amanhã na Fundação Oriente

 

AIYA é a exposição integrada na 1ª Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa com inauguração marcada para amanhã às 17h30 na Fundação Oriente. A mostra junta obras e visão de cinco artistas locais. Fortes Pakeong Sequeira, Joaquim Franco, João Miguel Barros, Rui Rasquinho e Yves Etienne Sonolet são os artistas que integram a exposição e que trazem em diferentes suportes formas diversas de viver a cidade.

De acordo com o curador, José Drummond, as obras foram a resposta despretensiosa dos convidados ao desafio de criar novos trabalhos capazes de reflectir sobre Macau e sobre a variedade de expressões e paisagens sentidas na cidade.

O próprio nome da exposição é uma referência à palavra homónima local que traduz surpresa, dor, prazer e raiva, explica José Drummond.

Para o curador, o feedback foi positivo sobretudo devido a situações ‘site-specific’ e porque vários os trabalhos dos cinco artistas estabelecem, entre si, “uma conversa única, ao mesmo tempo mantendo o vocabulário e linha autoral de cada um”.

O resultado pode ser considerado uma “interpretação vernacular” artística deste território, até porque, “historicamente, é um lugar onde diferentes culturas se encontram e misturam numa atmosfera sem paralelo”, refere.

Venham mais cinco

Pakeong Sequeira participa na exposição colectiva com “Buraco Vazio”, um trabalho que aborda uma espécie de auto-exílio do artista local.

Já João Miguel Barros traz fotografias que recordam um combate de boxe em Macau. “‘Sangue, Suor e Lágrimas‘ é o título de um projecto mais vasto centrado num combate de boxe que se realizou em Macau, em Outubro de 2017, para atribuição do título “IBF Light Heavyweight Championship”, lê-se na apresentação da organização. Nesta exposição, estarão presentes 16 imagens deste projecto.

Uma visão de um mundo externo é a proposta de Joaquim Franco. “É um espelho onde o acto criativo, intuição e emoções coexistem como reflexão”, refere o curador. Sem julgamentos nem respostas, as pinturas de Joaquim Franco “são um terreno aberto”, onde o artista “projecta as emoções e elas, por seu turno, sugerem aos outros o sentir nos seus próprios termos. São liberdade para uma mente aberta”, lê-se.

O ilustrador e artista plástico Rui Rasquinho apresenta um conjunto de desenhos “extraídos de uma constante hesitação entre o abstracto e o figurative”. Sem retratar uma realidade física, a expressão artística dos trabalhos de Rui Rasquinho têm alicerces num “modo quase caligráfico, uma linguagem secreta da mente, uma janela críptica para o universo referencial do autor”. Representam o testemunho de um processo, um caminho de experimentação que não requer nenhum objectivo, nenhum fim, nenhuma forma final, descodifica José Drummond.

“Notas da cidade” é o trabalho de Yves Etienne Sonolet que associa som a superfícies de ambientes urbanos. “As paisagens panorâmicas mapeiam os padrões das ruas para se tornarem subdivisões em que a soma das escolhas individuais feitas pelos habitantes de cada espaço de vida cria um quadro maior e em que os sons interpretados nestas subdivisões urbanas são as de uma imagem efémera que eternamente se transforma com a passagem do tempo”, remeta Drummond.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here