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Como as pessoas que me seguem mais de perto, pelas redes sociais, já devem saber, passei o período de férias da Páscoa na Rússia, mais exactamente em Moscovo e S. Petersburgo, as duas maiores cidades do maior país do mundo em área. Além da vertente recreativa, naturalmente, aproveitei a viagem para fazer uma visita de estudo. Os nove dias – sete completos – que lá passei não fazem de mim um “especialista em Rússia”, mas deu para ter uma ideia de como vivem aquelas gentes, e a impressão com que fiquei foi bastante positiva. Pode-se mesmo dizer que excedeu as expectativas. Serviu sobretudo para derrubar alguns preconceitos que ainda persistem; de que a Rússia não é um país seguro, ou que o povo russo é hostil. Não foi à toa que muita gente franziu as sobrancelhas quando anunciei os meus planos de visitar aquele país.

O preconceito, ou as ideias feitas, existem sobretudo à custa de muita propaganda ocidental, nomeadamente a norte-americana. Através de filmes até relativamente recentes, do final do período da Guerra Fria, casos de “White Nights”, “Rambo II” ou “Rocky IV”, era transmitida a ideia de que os russos eram uns tipos frios, de mandíbula rígida, e que no caso do último filme que referi, apenas à custa de uns valentes sopapos seria possível derreter os seus gélidos corações. Não é em apenas vinte ou trinta anos que uma civilização se transforma, e o que encontrei na Rússia foi um povo afável, super educado, e bastante acessível. Em suma, andámos a ser este tempo todo enganados pelos enlatados do Tio Sam. Contudo, é mais que natural que este não seja um país “caliente”, onde os seus habitantes andam seminus e dançam a rumba. Afinal vive-se ali durante a maior parte do ano debaixo de temperaturas negativas, ou muito próximas dos zero graus.

Há um outro aspecto a ter em conta, que é a própria História do país, pintado na sua maior parte em tons de negro. Está ali um povo com uma cultura riquíssima, e que durante séculos esteve oprimido, ora pelo miserabilismo feudal dos czares, ora durante quase todo o século passado pelas excentricidades do socialismo, que terminou com a falência dessa ideologia. A nova Rússia, o país que Vladimir Putin fez renascer das cinzas, e que inexplicavelmente muitos temem ou olham com desconfiança, é um exemplo de modernidade, de classe e de organização, e que convida a visitar. Se é uma democracia? Existe um sistema, sim, que funciona e bem, e depois chamem-lhe o que quiserem.

Quem estiver interessado em ir à Rússia (e sei que as imagens e os relatos que fui partilhando durante a minha viagem aguçaram alguns apetites), posso garantir que vai ter uma experiência inesquecível. Para quem reside aqui em Macau e tem por hábito viajar nos períodos de férias, mesmo as mais curtas, pode ter a certeza que é uma viagem que fica em conta. Sai menos caro que duas idas à Tailândia. E fica a conhecer um novo velho país, com uma nova vida, e que convida a visitar. E do que está à espera?

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