Coreia do Norte | Pequim apoiará novas sanções, mas não embargo

O especialista em assuntos asiáticos Jamie Metzl defendeu que a China “vai aprovar novas sanções” contra Pyongyang, mas não “um embargo que ameace a estabilidade do regime”, e excluiu a possibilidade de uma intervenção militar na Coreia do Norte.

“Pequim vê a relação com Pyongyang do prisma da estratégia chinesa para os Estados Unidos. Não como uma questão em si mesmo”, disse à agência Lusa o pesquisador da Atlantic Council, unidade de investigação com sede em Washington.

A China é o principal aliado diplomático e maior parceiro comercial da Coreia do Norte. Cerca de 80% das importações norte-coreanas de petróleo são oriundas do país vizinho.

Pequim admitiu já estar disposta a adoptar novas medidas contra a Coreia do Norte, depois de os EUA anunciarem que vão pedir uma reunião ao Conselho de Segurança da ONU, com o objectivo de submeter a votação “sanções adicionais” contra o país.

A proposta de Washington inclui a proibição de venda de petróleo.

Jamie Meltz admitiu que “a China use o petróleo, como já fez no passado, para passar uma mensagem aos norte-coreanos”, mas rejeitou um corte definitivo do fornecimento.

“Pequim continua a preferir uma Coreia do Norte hostil e com armas nucleares à reunificação da península coreana pela Coreia do Sul”, país aliado dos EUA, explicou.

Com 24,5 milhões de habitantes e um território pouco maior do que Portugal, a Coreia do Norte tem sabido jogar com as “diferentes perspectivas estratégicas” de Washington e Pequim, no nordeste da Ásia, para concretizar a sua ambição nuclear.

Na semana passada, realizou o sexto e mais poderoso teste nuclear até à data, no que revelou ter sido a detonação de uma arma termonuclear para ser colocada num míssil balístico intercontinental.

Em reacção, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma acção militar “é certamente” uma opção contra a Coreia do Norte.

Metzl considerou, porém, que Washington está a fazer ‘bluff’: “Uma opção militar resultaria numa guerra total, que os EUA e a Coreia do Sul venceriam, mas cujos custos seriam muito mais altos do que o aceitável”.

Poder de fogo

Seul, onde vivem mais de 10 milhões de pessoas, está ao alcance da artilharia convencional e misseis norte-coreanos, dispostos em grande número ao longo da fronteira.

Em Julho, Pyongyang testou por duas vezes o modelo de mísseis Hwasong-14, que os analistas consideram ser capazes de atingir os EUA, incluindo cidades importantes como Chicago e Los Angeles, abrindo um novo precedente na ameaça norte-coreana.

Face ao contexto atual, Metzl considera que “o resultado mais provável é que a Coreia do Norte desenvolva armas nucleares mais capazes e o mundo terá que viver com isso”.

Jamie Metzl disse que a única esperança é o “totalitarismo do regime norte-coreano voltar-se contra si mesmo”, referindo-se à possibilidade de um crescente receio entre líderes norte-coreanos, face às consecutivas purgas feitas por Kim Jong-un.

Desde que ascendeu ao poder, em 2011, o líder norte-coreano, de 33 anos, terá já executado 140 altos quadros do Governo, entre os quais o seu próprio tio, Jang Song-Thaek, considerado a segunda figura do regime, e o seu meio irmão Kim Jong-nam, que vivia em Macau sob protecção da China.

“Como se pode imaginar, com todas estas purgas, há líderes dentro da Coreia do Norte que acordam todas as manhãs e se questionam: Estou mais seguro a apoiar Kim Jong-un ou a atacar a liderança?'”, argumentou Metzl.

“Quanto mais purgas há, mais inseguras as pessoas se sentem”, disse. “E talvez um dia concluam que estão mais seguras se o líder for removido”.

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