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Já tinham acontecido dois este ano. Um em Janeiro, o outro no mês passado. Da central dizem que foi insignificante. De Hong Kong, o organismo que supervisiona a central, dizem não existir razão para alarme. Todavia, um especialista avisa que o risco das centrais nucleares é a complacência, o que pode ter acontecido neste caso que acontece mesmo aqui ao lado

A central nuclear de Ling Ao, mesmo junto a Hong Kong e Macau, na cidade vizinha de Shenzhen, registou o terceiro acidente operacional este ano. O evento foi classificado de grau 0, mas um especialista diz que o facto de nada ter acontecido foi pura sorte.
A informação divulgada ontem pelo South China Morning Post adianta que o incidente ficou a dever-se a um sistema de alarme defeituoso, segundo informação divulgada pelos responsáveis da unidade. Na terça-feira, o pessoal de serviço da Central Ling Ao descobriu que o alarme do sistema de refrigeração a água falhou pois, após ter sido desactivado, não voltou a ser ligado. A ocorrência deu-se na Unidade 1 da Fase II da instalação nuclear.
Ao relatarem o incidente conforme preconizado nos regulamentos, os Serviços de Segurança da central garantem que o alarme foi restaurado imediatamente e que o facto não afectou nem os trabalhadores, nem qualquer equipamento. Os níveis de radiação na fábrica durante o período em que ao alarme esteve desligado também foram considerados normais, segundo a mesma informação.
“Investigações posteriores revelaram que o alarme foi desactivado numa operação de rotina e depois não voltou a ser ligado” segundo um porta-voz da central.
O incidente foi classificado “abaixo da escala”, ou nível 0, querendo isto dizer que não interferiu com a operação em segurança da unidade, a saúde dos trabalhadores ou populações e ambiente vizinhos.
Todavia, este ano já tinham ocorrido dois incidentes do mesmo nível em Ling Ao.
O primeiro ocorreu em Janeiro e ficou a dever-se ao encerramento inesperado de uma conduta de ar, o segundo, acontecido apenas o mês passado, resultou de uma acumulação fora do vulgar largas quantidades de camarão tipo krill numa conduta de entrada de água.
Ho Chung-tai, presidente da Comité Consultivo de Segurança Nuclear de Hong Kong, entidade que monitora esta e a central de Daya Bay, onde Hong Kong se abastece, disse não existirem razões para alarme pois o incidente não afectou as operações.
Mas o engenheiro Albert Lai Kwong-tak da Professional Commons disse que o facto de nada sério ter acontecido foi pura sorte. “E se não tivessem descoberto? A segurança nuclear não pode ser baseada na sorte.”
Lai afirmou ainda que o maior risco para as centrais nucleares é a complacência.
“Muitos operadores acham que como tudo tem sido seguro até agora, vai ser seguro para sempre. Por isso baixam a guarda”, avisou.
Entretanto, grupos ambientalistas como o Greenpeace expressaram a sua preocupação sobre a segurança das centrais próximas de Hong Kong e de Macau, alertando para os desastres de Chernobyl e de Fukushima.
Em resposta a uma questão colocada na quarta-feira pelo deputado Kenneth Leung na sessão do conselho, o chefe da segurança de Hong Kong, Lai Tung-kwok disse que existem canais de comunicação e de cooperação regulares entre as autoridades de Hong Kong e de Guangdong para “trocas e revisões periódicas de acontecimentos como a monitorização das centrais nucleares e notificação das medidas tomadas”.

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