Hoje Macau PolíticaÁreas verdes | Governo quer mais 200 mil metros quadrados O Governo pretende criar mais 200 mil metros quadrados de área verde em Macau até 2030. Esta é uma das medidas na área da protecção ambiental e arborização urbana a concretizar até 2030, segundo o 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM para os anos de 2026 a 2030. No documento, lê-se, assim, que se pretende “aumentar e optimizar uma área verde não inferior a 200.000 metros quadrados em toda a RAEM”, plantando-se ainda “cerca de 3.000 árvores em faixas verdes, parques e zonas de lazer”. Ainda em matéria ambiental, as autoridades esperam um aumento da proporção de energia eléctrica produzida a partir de fontes não fósseis de electricidade adquirida no exterior. Se essa proporção era, em 2025, de 40 por cento, o Governo prevê que possa ir até aos 60 por cento em 2030. Pedida maior cooperação de sectores Samuel Tong, académico e presidente da Associação de Estudos de Economia Política, disse ser necessário que haja mais cooperação social para atingir os objectivos traçados no 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM, apresentado esta terça-feira. Em declarações no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, Samuel Tong, disse que o Plano contém direcções claras, mas é necessário que todos os sectores da sociedade assumam os seus papéis. Um dos exemplos apontados é o da renovação urbana, que também envolve a responsabilidade dos proprietários das casas, sendo necessária coordenação com o Governo. O académico disse ainda esperar que as autoridades melhorem a legislação sobre renovação urbana e que criem mais incentivos para projectos de reconstrução. Falando no mesmo programa, o professor de Administração Pública da Universidade de Macau, Chan Kin Sun, apontou que os serviços para idosos em Hengqin e Macau devem ser integrados e padronizados.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaEsperado aumento inferior a 1% para médicos e enfermeiros Dados disponibilizados no 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM, divulgado esta terça-feira, revelam crescimentos inferiores a 1 por cento, até 2030, para o rácio de médicos, enfermeiros e número de camas por cada 1000 habitantes. Os dados constantes no documento mostram como Macau, em 2030, deverá ter uma média de 3,8 médicos por cada 1000 habitantes face à média de 3,4 médicos registada em 2025, tratando-se de um “aumento acumulado de 0,4 no rácio de médicos qualificados por cada mil habitantes”. No tocante a enfermeiros, em 2025 havia uma média de 4,8, sendo a previsão governamental, para 2030, de 5,6 enfermeiros, em média, por cada 1000 habitantes, um aumento de 0,8 por cento. Já no que diz respeito ao número de camas para internamento, em 2025 contabilizava-se uma média de 4,8 camas por cada 1000 pessoas, passando esse valor a ser de 5,2 por cento em 2030, um aumento previsto de 0,4 por cento, estima o Governo. Mais reformados Todos estes dados dizem respeito à secção do bem-estar da população, destacando-se o grande aumento de pessoas que se irão reformar: dos 159.313 residentes a receber pensão de idosos em 2025, Macau terá um total de 184.700 em 2030, tratando-se de um “aumento médio anual de cerca de 3 por cento”, pode ler-se. Face à segurança social, nomeadamente à “transição gradual” do Regime de Previdência Central Não Obrigatório para obrigatório, dos 112 mil contribuintes inscritos em 2025, as autoridades contam ter, em 2030, 116 mil pessoas, “uma subida acumulada de cerca de 3,6 por cento”. Face à “taxa de participação no regime de segurança social dos residentes com 18 anos ou mais”, que no ano de 2025 era de 82,4 por cento, o Governo não consegue prever uma percentagem correcta. Para 2030, estima-se apenas que essa participação se mantenha “num nível relativamente alto”. Em relação à proporção de camas de cuidados de enfermagem em lares de idosos, a taxa de cobertura era de 100 por cento em 2025, “mantendo-se inalterada” em 2030. O Governo explica que funciona o “Mecanismo de avaliação unificada e transferência centralizada”, pelo que “todas as camas dos lares para idosos financiados são atribuídas aos que têm incapacidade física moderada ou grave”, sendo que “os lares para idosos privados não financiados também prestam serviços de cuidados e assistência”, daí os 100 por cento.
Andreia Sofia Silva PolíticaPlano Quinquenal | Sugerido exemplo de investimento do Dubai Decorreu na última quinta-feira mais uma sessão de consulta pública a propósito do 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da Região Administrativa Especial de Macau (2026-2030). Nesta sessão, descreve uma nota oficial, “alguns representantes sugeriram tomar como referência a experiência do Dubai”, nomeadamente para a utilização “das receitas existentes para investir em infra-estruturas, de modo a impulsionar a transformação económica de longo prazo”. Além disso, foi proposto o desenvolvimento de projectos que juntem as áreas da “indústria-universidade-investigação”, com a “participação do sector comercial e industrial local”, bem como a necessidade de “apoio à internacionalização da indústria manufactureira e das marcas de Macau”. A sessão de consulta pública destinou-se aos sectores de educação, juventude, cultura, comunidade macaense e desporto. A consulta pública termina no dia 28 de Junho.
Paul Chan Wai Chi Um Grito no Deserto VozesPara onde vais Macau? O Governo da RAE de Macau iniciou a Consulta pública sobre o “Segundo Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da Região Administrativa Especial de Macau (2021-2025)” em meados de Setembro e irá encerrá-la a 13 de Novembro. Quem teve oportunidade de ler o documento de consulta, poderá ter dificuldades em comentar os conteúdos porque as propostas incluídas no Segundo Plano são muito banais, e já tinham sido mencionadas anteriormente pelo Executivo. Mas, acima de tudo, o problema é que não são apontadas soluções para os problemas existentes. O documento de consulta assemelha-se a uma publicação política editada de cinco em cinco anos. A consulta pública do Segundo Plano Quinquenal é uma mera formalidade que não merece discussão. Mas, infelizmente, Macau vai usá-la como guia para o desenvolvimento sócio-económico dos próximos cinco anos. Enquanto cidadão de Macau, vou manter-me em silêncio em relação ao Segundo Plano Quinquenal, sobretudo depois de ter assistido à unanimidade na selecção dos membros das diferentes comissões na Assembleia Legislativa, que teve lugar no passado dia 26 de Outubro. Este episódio fez-me mais do que nunca ter vontade de honrar as minhas responsabilidades cívicas, expressando os meus pontos de vista. Mas a decisão final sobre o rumo de Macau está nas mãos dos cidadãos. No documento de consulta, existem apenas quatro linhas para descrever a implementação do Primeiro Plano Quinquenal, sem que sejam especificados os pontos que foram cumpridos, talvez porque não seja possível especificar nada em concreto. No que diz respeito ao aceleramento do processo de diversificação adequada da economia, a estratégia assemelha-se à do “Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. Com as actuais capacidades e pontos fortes de Macau, temo que venham a ser necessários mais alguns Planos Quinquenais para atingir este objectivo, no qual as pequenas e médias empresas (PMEs) têm um papel muito importante a desempenhar. Mas no cenário de pandemia, o Governo da RAEM não deu às PMEs apoio à medida das suas necessidades. Os negócios pioram de dia para dia, devido à falta de trabalhadores e de recursos materiais. Para as PMEs, a Ilha de Hengqin é apenas uma utopia, não passa de uma palavra vã. A “Lei da Habitação Económica” foi promulgada, depois de a habitação económica ter perdido a sua função equilibradora dos preços do imobiliário. O problema de habitação que os residentes enfrentam é causado pelas políticas do Governo da RAEM, favoráveis aos empresários do sector da construção civil. Um número considerável de terrenos não aproveitados não foi utilizado de forma correcta e existe pouca oferta de habitação pública, fazendo com que os candidatos tenham de esperar indefinidamente. Resulta que muitas pessoas não podem comprar casa por causa do preço, e várias casas ficam desocupadas porque não há quem as compre. Macau não tem falta de terrenos nem de recursos, tem falta de desenvolvimento e de empenhamento. Desde o regresso à soberania chinesa, as condições de vida das pessoas desfavorecidas que habitam o Bairro do Iao Hon, o Edifício San Mei On e o Bairro das Missões de Coloane permanecem na mesma. O objectivo de transformar Macau numa cidade com condições ideais de habitabilidade estabelecido no primeiro e segundo Planos Quinquenais não se cumpriu de todo. Os últimos 18 meses de pandemia revelaram aquilo de que o Governo da RAEM é capaz. Embora ainda não tenham sido revelados os últimos resultados da sondagem à opinião pública, tudo leva a crer que a insatisfação da população está a aumentar. Se o desempenho administrativo e legislativo do Governo não satisfizer os pré-requisitos que permitirão tornar Macau numa “uma sociedade de serviços”, a estabilidade social pode ser abalada por eventuais erros cometidos pelo Governo na alteração ao “Regime Jurídico da Exploração de Jogos de Fortuna ou Azar em Casino”. O Governo da RAE não tem falta de pessoas talentosas, mas após o estabelecimento do princípio “Macau governado por patriotas”, a equipa governante só pode ser constituída por pessoas que exibam o rótulo de “patriotas”. Na ausência de competição, Macau não caminhará no sentido do progresso. Assim sendo, para onde ruma Macau no futuro próximo? Acredito que esse futuro será determinado pela mudança e pelo desenvolvimento. Antes de mais nada, quem governa tem de abrir mão do anacronismo e do nepotismo, precisa de revitalizar a equipa executiva, abrir as diferentes áreas de trabalho à participação do público e concentrar esforços no Planeamento de Novos Aterros Urbanos. Depois destes problemas terem sido abordados, haverá condições para aspirar à Ilha de Hengqin. Numa cidade em que o Metro Ligeiro teve de estar parado durante seis meses para obras, que condições existem que possam justificar a integração de Macau num projecto de partilha de recursos?
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePlano quinquenal | Especialistas destacam política sobre veículos eléctricos O ambientalista Joe Chan e o académico Thomas Lei congratulam o Governo pela medida que obriga serviços públicos a escolherem veículos eléctricos, quando for necessário adquirir viaturas novas. Porém, Joe Chan critica a postura conservadora face às metas ambientais para os próximos anos A partir do próximo ano, o Executivo vai obrigar todos os serviços públicos a comprar veículos eléctricos quando for necessário adquirir ou substituir viaturas da frota automóvel. A medida prevista no segundo Plano de Desenvolvimento Quinquenal da RAEM (2020-2025) é para o académico Thomas Lei, da Universidade de São José (USJ), um passo importante. “É um grande passo em frente o Governo exigir aos departamentos públicos que apenas tenham veículos eléctricos em substituição dos antigos, assim como a construção de estações de carregamento para veículos eléctricos”, disse ao HM. Para o especialista, “como os veículos eléctricos têm zero emissões e não emitem partículas PM 2.5 e NOx [óxido de nitrogénio] para a atmosfera, podem ser uma solução para reduzir as emissões dos veículos nas estradas de Macau”. Na óptica do ambientalista Joe Chan este é o único ponto positivo das políticas ambientais contidas no novo Plano Quinquenal. “Vemos que o Governo está a esforçar-se para que os veículos eléctricos sejam mais populares, com mais parques de estacionamento e estações de carregamento, além de que o Governo vai adquirir carros eléctricos. Nos próximos cinco anos, sem dúvida que veremos mais viaturas deste tipo nas estradas.” Níveis podem melhorar Outra das propostas do Executivo é manter, até 2025, a emissão de partículas PM 2.5 abaixo das 25 microgramas por metro cúbico. Thomas Lei destaca “o compromisso” de reduzir emissões de dióxido de carbono para a atmosfera nos próximos cinco anos, propondo passar de 53 para 45 por cento. O académico considera, no entanto, que o nível da emissão das partículas PM 2.5 ainda pode melhorar para atingir os níveis sugeridos pelo Guia da Qualidade do Ar da Organização Mundial de Saúde. Além disso, “o ideal é que haja uma elevada percentagem de dias com ar limpo para actividades ao ar livre”. Para Joe Chan a redução das emissões de dióxido de carbono “é o único objectivo do Plano no qual vale a pena focarmo-nos”. O ambientalista aponta que “não podemos esperar uma grande melhoria da qualidade do ar nos próximos cinco anos porque continua a ser usado o mesmo objectivo constante no índice de poluição do ar”. Assim sendo, o ambientalista considera que os objectivos públicos para as zonas verdes são “desapontantes”. Está prevista a plantação de cinco mil árvores e o aperfeiçoamento de 20 mil metros quadrados de zonas verdes. “O Governo apenas diz que vai melhorar a área destinada a zonas verdes em vez de aumentar, o que é verdade, pois no passado a definição de zona verde era ridícula, incluindo espaços abertos dos casinos e cemitérios. Provavelmente, o Governo quer usar os próximos cinco anos para melhorar essas áreas.” Relativamente a Coloane, Joe Chan entende que “a construção deveria ser restringida nas zonas húmidas e montanhosas” e aproveitados os terrenos ocupados ilegalmente para novos espaços verdes.
Andreia Sofia Silva PolíticaSegundo Plano de Desenvolvimento Quinquenal está a ser elaborado Ho Iat Seng, Chefe do Executivo, garantiu, em resposta a interpelações, que o Governo está a elaborar o segundo Plano Quinquenal de Desenvolvimento da RAEM, pensado para o período de 2021 a 2025. Recorde-se que o plano foi lançado por Chui Sai On, anterior Chefe do Executivo, em 2016. “O Governo da RAEM está a elaborar o ‘2º Plano Quinquenal (2021-2025) do Desenvolvimento Económico e Social da RAEM’, em articulação com o 14º Plano Quinquenal do país”, disse Ho Iat Seng em resposta ao deputado Joey Lao. O projecto para cinco anos deverá garantir uma participação de Macau, “de forma pró-activa” na “construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na promoção da construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. Face à estratégia em construção, o Governo diz-se “empenhado no desenvolvimento de diversas indústrias”, tais como “a saúde vocacionada para a investigação, desenvolvimento e produção de medicamentos tradicionais chineses, da indústria financeira moderna e tecnologia de ponta, bem como indústrias de convenções, exposições e comercial”. Toca a aprender Em resposta a interpelação escrita da deputada Chan Hong, o governante máximo da RAEM frisou também que o segundo Plano Quinquenal de Desenvolvimento da RAEM “irá garantir maior estabilidade dos recursos de educação pública, visando apoiar as condições do funcionamento escolar”. Ho Iat Seng adiantou que existem 11 escolas localizadas em pódios de edifícios habitacionais cujos processos de transferência de instalações “estão a ser objecto de tratamento”. “Em um deles estão a ser realizadas obras de ampliação, cuja conclusão está prevista para o final de 2021. Num terreno concedido a uma escola está a ser construído um novo edifício escolar”, respondeu Ho Iat Seng. Ho Iat Seng não esteve presente na sessão plenária da Assembleia Legislativa, no passado dia 10, para responder presencialmente às interpelações dos deputados. As respostas escritas foram posteriormente divulgadas.