Estudo | Reformas transformaram maior centro de jogo do mundo

Um estudo dos académicos João Ilhão Moreira e Zhou Yudi indica que as reformas efectuadas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim em termos do controlo de capitais

O desmantelamento do sistema de promotores de jogo VIP em Macau, responsável em tempos por mais de 70 por cento das receitas dos casinos, marcou uma mudança decisiva nas prioridades de governação da China, segundo um estudo da Universidade de Macau. Os autores, João Ilhão Moreira e Zhou Yudi, concluíram que as reformas introduzidas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim de maior controlo de capitais, transparência reforçada e governação baseada na lei.

O estudo afirma que o fim destes promotores VIP (conhecidos como “junkets”) reflectiu um alinhamento estratégico com os “objectivos da China continental, incluindo maior controlo de capitais”, reforço da transparência financeira e governação assente na lei.

O trabalho sublinha que o modelo dos “junkets”, que servia clientes de alto nível e facilitava fluxos opacos de capitais provenientes da China continental, tornou-se cada vez mais incompatível com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização em curso.

“Embora tenha sido integral para o crescimento de Macau, o sistema de ‘junkets’ entrou em conflito crescente com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização do sector”, escreveram os autores. O estudo traça a evolução da indústria desde a transferência de soberania em 1999, observando que os “junkets” foram tolerados durante décadas devido ao seu contributo para as receitas brutas do jogo.

Realidade dos números

Em 2011, a receita do jogo em Macau atingiu 269,1 mil milhões de patacas, cinco vezes a receita de Las Vegas, e com as salas VIP a contribuir com mais de 70 por cento dessa receita. A detenção e condenação, em 2021, de Alvin Chau, líder do maior grupo de “junkets” do território, o Suncity Group, simbolizou o fim de uma era e acelerou a transição para um modelo de mercado de jogo centrado em jogadores ocasionais e turismo integrado.

Chau foi depois condenado a 18 anos de prisão, tendo sido considerado culpado de mais de 100 crimes, incluindo liderança de uma associação criminosa, fraude e exploração ilegal de jogo, envolvendo apostas superiores a 823,7 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo os investigadores, o sistema de “junkets” evoluiu para uma poderosa rede financeira, que se estendia muito além das salas de jogo. Os operadores não foram apenas intermediários de clientes VIP, mas também facilitadores de grandes fluxos de capitais opacos entre a China continental e Macau.

Os autores assinalaram que as salas VIP e os “junkets” “criaram redes de fluxos de capitais não regulados”, estabelecendo canais paralelos fora do sistema bancário oficial da China. Estas redes tornaram-se problemáticas, à medida que Pequim reforçou o controlo de capitais e exigiu maior transparência.

O estudo destaca que, embora tolerados durante anos, os “junkets” dependeram de apostas paralelas e transferências discretas de fundos, práticas que acabaram por colidir com os objectivos de modernização da China. Em 2022, o Governo da RAEM avançou com a primeira grande revisão da Lei do Jogo em mais de duas décadas.

A reforma introduziu alterações profundas: redefiniu o papel das concessionárias e dos promotores de jogo, praticamente desmantelou o sistema de “junkets” e reforçou os mecanismos de controlo e transparência.

Caminho da diversificação

O novo enquadramento legal passou a privilegiar a diversificação da indústria, com maior foco no mercado de massas e no turismo integrado, em detrimento das salas VIP, dominadas por “junkets”. Além disso, alinhou Macau com as prioridades nacionais da China, nomeadamente no reforço do controlo de capitais, prevenção do branqueamento de dinheiro e integração da RAEM na estratégia de desenvolvimento económico nacional.

“As medidas legais e regulatórias introduzidas entre 2022 e 2024 foram concebidas para alinhar a indústria do jogo de Macau com as prioridades da China”, conclui o estudo.

18 Mar 2026

Saúde | Inaugurada rota de autocarros IA entre Macau e Interior da China

A primeira rota de autocarros autónomos de inteligência artificial (IA) dedicada a viagens médicas transfronteiriças foi inaugurada entre Macau e o Interior da China, noticiou ontem a imprensa local. Segundo o China Daily, o serviço de autocarro liga o posto fronteiriço de Hengqin e um hospital operado pela Universidade Médica de Guangzhou na mesma zona.

Movido por tecnologia de condução autónoma e com apoio operacional das empresas nacionais MOGOX e Autonoma, o percurso tem sete quilómetros e permite aos passageiros chegarem ao hospital em cerca de 15 minutos. Este tipo de autocarros IA consegue operar sem intervenção humana em condições e circuitos específicos e está cada vez mais integrado nas redes oficiais de transportes públicos da China.

Durante o período experimental, o serviço está aberto ao público de forma gratuita, funcionando das 08h às 12h e das 13h30 às 17h30, com partidas a cada 30 minutos. Dados oficiais mostram que mais de 20.000 visitas foram realizadas no ano passado por residentes de Macau em busca de tratamento neste hospital, que conta com 21 departamentos clínicos.

A MOGOX afirmou já ter implantado os seus autocarros autónomos em mais de 20 cidades na China, servindo mais de 200.000 viagens de passageiros e acumulando um total de cinco milhões de quilómetros percorridos. Em Outubro de 2025, a empresa venceu também o concurso para o primeiro projecto oficial de autocarros autónomos em Singapura, marcando a primeira vez que este tipo de veículos foi incorporado num sistema de transporte público fora da China.

18 Mar 2026

Visita | Sam Hou Fai em Portugal e Espanha em Abril

O Gabinete de Comunicação Social anunciou ontem que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, irá visitar Portugal e Espanha entre os dias 17 e 23 de Abril. O Governo ainda não revelou a agenda das visitas, nem os membros do Executivo que vão acompanhar Sam Hou Fai na visita inaugural ao exterior desde que tomou posse como líder do Governo da RAEM.

Historicamente, a primeira visita internacional de um Chefe do Executivo é a Portugal, mas desta vez também irá incluir a Espanha. Recorde-se que Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo Central a Macau.

Inicialmente, o Governo da RAEM apontou a visita a Portugal para o primeiro semestre de 2025, mas as eleições legislativas portuguesas obrigaram ao adiamento para o Verão.

A última vez que um Chefe do Executivo visitou Portugal foi em Abril de 2023, na primeira viagem do antigo líder Ho Iat Seng ao exterior, depois dos três anos de restrições pandémicas. Na altura, Ho encontrou-se com o então primeiro-ministro português, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, na altura Presidente da República.

18 Mar 2026

Guangdong | Sam Hou Fai quer que cooperação atinja “novo patamar”

Sam Hou Fai reuniu com dois altos cargos do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês e apontou à elevação da qualidade da cooperação entre as duas regiões para um novo patamar. Entre os sectores prioritários, destaque para a inovação científica e tecnológica e os serviços públicos

O Chefe do Executivo reuniu na segunda-feira com o secretário do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês, Huang Kunming e o governador da província vizinha, Meng Fanli. A agenda foi marcada pela recorrente promessa de estreitar a cooperação entre a província vizinha e a RAEM, e o alinhamento ao nível das políticas de longo-prazo locais com o plano quinquenal nacional e o pensamento de Xi Jinping.

Sam Hou Fai prometer que irá impulsionar a “cooperação bilateral pragmática em mais vertentes para um novo patamar, e servir o desenvolvimento nacional com uma cooperação entre Guangdong e Macau de mais alta qualidade”, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social.

O espírito das Duas Sessões (Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) foi outro dos pontos em cima da mesa, com os responsáveis a salientar a importância de transformar em acções práticas os planos estratégicos do 15.º plano quinquenal nacional. Porém, não foram avançadas medidas concretas, além da repetição das promessas de empenho na cooperação entre Macau e Guangdong e a construção da Grande Baía.

Ainda assim, Sam Hou Fai afirmou que o plano quinquenal nacional “apresenta, claramente, uma série de planos importantes para apoiar Macau na consolidação e aperfeiçoamento das suas vantagens competitivas”, e na integração no desenvolvimento nacional.

Estrelas polares

O Chefe do Executivo deixou ainda a cooperação entre as duas regiões produza “avanços contínuos nas áreas-chave de colaboração”, assim como na “coordenação de mecanismos nas áreas de inovação científica e tecnológica, desenvolvimento económico e serviços públicos”.

O objectivo é “acelerar a criação de um conjunto de cidades de nível mundial e de uma baía de nível internacional”.

Sam Hou Fai salientou também a necessidade de Guangdong e Macau se alinharem com as “três verificações” propostas pelo Presidente Xi Jinping, em relação ao desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Neste aspecto, o governante mencionou a importância da construção dos “projectos emblemáticos e dinamizadores”, como a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, o terminal de mercadorias do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin e o troço de Hengqin do comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai (Macau).

18 Mar 2026

Subemprego | Pedido apoio a residentes com quebra de salários

Num contexto em que os trabalhadores na área dos transportes e armazéns têm cada vez mais dificuldades em encontrar emprego a tempo inteiro, a deputada Wong Kit Cheng pede soluções ao Executivo

 

A deputada Wong Kit Cheng pediu ao Governo para lançar novos apoios para fazer face à subida do subemprego, ou seja, das situações em que as pessoas trabalham menos horas do que as que desejam. O apelo foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

“Embora a taxa de desemprego se tenha mantido num nível baixo, a taxa de subemprego registou um aumento significativo, verificando-se esta situação principalmente nos ramos dos transportes e armazenagem, das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas e do comércio a retalho”, descreveu a legisladora. “Isto demonstra, por um lado, que os trabalhadores residentes estão a enfrentar o problema de subemprego no mercado de trabalho, o que tem um impacto substancial nos seus rendimentos e, por outro, que a procura no mercado está a diminuir, sendo que os referidos sectores estão a deparar-se com dificuldades operacionais”, apontou.

Segundo os dados citados pela deputada, entre Novembro do ano passado e Janeiro, a taxa de subemprego foi de 2,2 por cento, um aumento de “0,2 por cento” em comparação com o período anterior. A taxa de desemprego foi de 2,2 uma redução de “0,1 por cento”.

Face a esta situação, Wong Kit Cheng pretende saber como é que o Executivo vai utilizar os planos de formação e a plataforma com a oferta de cursos de requalificação para providenciar um “apoio concreto para a mudança de profissão” e “planos de formação técnica”.

A legisladora, ligada à Associação da Mulheres, pediu também ao Governo ajudas para quem não consegue encontrar uma profissão num sector diferente daquele em que trabalhava, antes de ficar numa situação com rendimentos reduzidos: “Quanto aos indivíduos que não consigam mudar de profissão devido à idade, ao nível de competências, ao contexto familiar ou a outros factores, o Governo deve resolver o problema de subemprego, através da conjugação de emprego e de outras medidas de apoio. Como vai fazer isto?”, questionou.

Licenciados à vista

Ao mesmo tempo, Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com os próximos meses devido ao ingresso no mercado do trabalho dos alunos do ensino superior que terminam os seus estudos e entram no mercado de trabalho.

A deputada aponta assim que “a procura de emprego vai aumentar”, pelo que pede explicações de como o Executivo “pode planear melhor e implementar medidas adequadas para fazer face à situação” para “reduzir o desfasamento com as competências práticas exigidas no local de trabalho”.

Wong pediu também a “divulgação das informações” sobre o mercado de trabalho para que haja uma “transição suave” para os recém-licenciados que entram no mundo do trabalho. “É uma questão que merece atenção contínua por parte das autoridades competentes”, vincou.

17 Mar 2026

Demografia | População idosa atingiu mais de 15 por cento em 2025

A população idosa de Macau cresceu para 15,3 por cento em 2025, de acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A população da RAEM atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, mas com a população idosa a aumentar 0,7 pontos percentuais dos 14,6 por cento registados em 2024.

Da população total, 80.300 eram jovens entre os 0 e os 14 anos (11,7 por cento) e 105.200 tinham 65 ou mais anos (15,3 por cento). Em 2025, registaram-se 2.870 nascimentos, e observaram-se 2.424 óbitos.

Analisando as causas da morte, a DSEC refere que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores malignos”, seguindo-se “doenças do coração” e “doenças cerebrovasculares”.

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.

A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em Macau em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.

 

17 Mar 2026

AL | Orçamento reforçado para obras de “grande escala”

O orçamento da Assembleia Legislativa foi alterado pela terceira vez, com um aumento de 31,4 milhões de patacas, para 255,4 milhões de patacas. O edifício da assembleia terá obras de “grande escala”, os serviços serão informatizados, e o orçamento com pessoal e formação também irá subir

 

 

O orçamento da Assembleia Legislativa (AL) para 2026 vai ser rectificado, pela terceira vez, aumentando 14 por cento dos 224 milhões de patacas inicialmente propostos, para quase 255,4 milhões de patacas, ou seja, mais cerca de 31,4 milhões de patacas. A informação, publicada no portal da AL, consta de uma deliberação assinada pelo presidente do órgão legislativo, André Cheong, e os restantes membros da mesa.

O aumento do orçamento para este ano foi justificado com a necessidade de obras no edifício, informatização, aperfeiçoamento de equipamentos e aumento das despesas com pessoal e formação.

As duas rectificações anteriores envolveram apenas a transferência de verbas orçamentadas para outros gastos, sem alterar o valor do orçamento anual.

As maiores despesas no extrato relativo à alteração do orçamento são relativas a “edifícios e estabelecimentos”, com uma despesa de quase 13,6 milhões de patacas, mais de um terço do valor total do aumento. A factura relativa a gastos com mobília está estimada em dois milhões de patacas, enquanto as despesas com equipamentos informáticos e sistemáticos estão orçamentadas em mais de 5,6 milhões de patacas, e para software e direitos estão destinados 9,3 milhões de patacas.

Em relação aos custos com pessoal, a rectificação adiciona 2 milhões de patacas, subindo para 186,7 milhões patacas, o que representa um aumento de 1,08 por cento. Nesta área, os maiores aumentos são nas rúbricas das ajudas de custo diárias (+65,1 por cento) e ajudas de custo de embarque (+ 87,4 por cento).

 

As causas

Na lista de fundamentos para a rectificação orçamental para promover a “mudança do espaço de trabalho e das obras de remodelação do Edifício da AL”, os deputados começam por indicar que, apesar de terem um edifício próprio, sofrem com a insuficiência de espaço de trabalho. Como tal, ficam impedidos de “oferecer serviços mais diversificados de melhor qualidade”.

Com a mudança do gabinete do presidente do Tribunal de Última Instância, prevista para este ano, que funciona no edifício do Fórum Macau, para as novas instalações na Avenida da Praia Grande, serão transferidos para o espaço vago no Fórum Macau cerca de 80 trabalhadores dos serviços de apoio da AL. Este volume representa cerca de dois terços dos recursos humanos da AL.

A transferência irá implicar “obras fundamentais de remodelação” no Complexo do Fórum Macau, assim como a compra de equipamentos de escritório.

Uma vez concluída a transferência, vão arrancar as “obras de remodelação e renovação em grande escala no Edifício da AL, em especial no primeiro andar, optimizando a configuração funcional”. O objectivo é criar novos espaços de trabalho com o intuito, como exemplificado pela mesa, de “reforçar a comunicação e ligação entre a AL e a população, especialmente a juventude, e melhorar a compreensão do público sobre as funções e trabalho concreto AL”.

No capítulo da informatização, será criada uma plataforma para trabalhos internos para eliminar o uso do papel, assim como um sistema auxiliar com inteligência artificial e um sistema de gestão de gestão financeira electrónica. Além disso, o portal da AL será actualizado.

Em relação à mão-de-obra, é indicado que o número de trabalhadores “vai aumentar ligeiramente” e serão organizadas mais sessões de formação internas.

17 Mar 2026

Geopolítica | Alerta para impacto económico de conflitos internacionais

Sam Hou Fai alerta para as “recentes alterações geopolíticas” e “conflitos internacionais” que constituem “ameaças ao desenvolvimento económico da cidade”

 

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, alertou ontem para as “perturbações na cadeia de abastecimento” e outros desafios que as recentes alterações geopolíticas e conflitos internacionais geraram enquanto ameaças ao desenvolvimento económico da cidade.

Macau, “enquanto pequena economia aberta e fortemente dependente do exterior, enfrenta múltiplas incertezas e desafios”, afirmou Sam Hou Fai no discurso de abertura da primeira sessão de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Económico, apelando aos empresários presentes para que estejam preparados para os enfrentar e que incentivem ao investimento e diversificação da economia local, fortemente dependente da indústria do jogo.

“Actualmente, no contexto da evolução acelerada e da transformação sem precedentes do último século em todo o globo, os conflitos geopolíticos continuam a intensificar-se, a recuperação económica mundial enfrenta entraves e diversos factores de incerteza, assim como se sobrepõem as perturbações nas cadeias de abastecimento, tornando o ambiente externo de desenvolvimento significativamente mais complexo, grave e incerto”, disse o chefe do Executivo.

Sam Hou Fai indicou ainda que o Governo vai avaliar os “pontos de convergência” possíveis com o 15.º Plano Quinquenal do país aprovado este mês durante os encontros da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), denominados como “Duas Sessões”, em Pequim.

 

Metas baixas

A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4,5 por cento a 5 por cento para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade, e priorizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4,3 por cento em 2025, ultrapassando 63.600 euros, o segundo valor mais elevado da Ásia.

No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB do território irá desacelerar para 4 por cento em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”.

“Macau enfrenta numerosos desafios ao seu desenvolvimento, mas esperamos avançar em conjunto. A construção da Grande Baía avança com resultados bem visíveis, e a nova vaga de tecnologia tem injectado uma nova dinâmica de desenvolvimento. Devemos ter em consciência a adversidade prevenindo os riscos e avaliando o pulso do desenvolvimento nacional”, destacou Sam.

A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com um produto interno bruto (PIB) superior a um bilião de euros.

“Espero que vocês, como empresários, estejam preparados para agarrar as oportunidades, reforçando o investimento em Hengqin de maneira a injectar nova vitalidade. Espero que possam também acompanhar de perto os assuntos de desequilíbrio e dificuldades enfrentados pelas Pequenas e Médias Empresas”, destacou.

O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (Ilha da Montanha), adjacente a Macau, como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia da região administrativa especial.

 

Aposta no futuro

Criado em 2023, o Conselho de Desenvolvimento Económico de Macau, que ontem realizou a primeira reunião do ano, é um organismo consultivo do Governo da RAEM, cuja finalidade é disponibilizar pareceres e apresentar propostas sobre a formulação de estratégias para o desenvolvimento económico da região assim como políticas relacionadas com a economia.

Além do Chefe do Executivo e do secretário para a Economia, o organismo inclui representantes de associações de interesses económicos e profissionais assim como “individualidades de reconhecido mérito” na respectiva área.

17 Mar 2026

Futebol | Macau convoca jogador do Portimonense para FIFA Series

A selecção de futebol masculina de Macau convocou Nuno Pereira, jogador do Portimonense, para a segunda edição da FIFA Series, anunciou na sexta-feira a Associação de Futebol da região chinesa.

A capital do Ruanda, Kigali, irá acolher duas séries da competição amigável para selecções criada pela FIFA, incluindo a série B, que inclui Macau, Aruba, Liechtenstein e Tanzânia.

A série B arranca a 26 de Março, com Aruba a defrontar Macau, enquanto Tanzânia enfrenta Liechtenstein. Três dias depois, os vencedores dos dois primeiros jogos encontram-se no Estádio Amahoro, o mesmo acontecendo com os derrotados.

A segunda edição da FIFA Series vai contar com 36 selecções masculinas, divididas em oito séries, e 12 equipas femininas, divididas em três séries, uma das quais a realizar no Brasil.

A selecção masculina de Cabo Verde vai participar na série organizada em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, que inclui, além da equipa da casa, Chile e Finlândia.

A edição inaugural da FIFA Series, realizada em 2024 como um teste-piloto, tinha contado apenas com 24 selecções masculinas, divididas em seis séries, sem qualquer equipa feminina.

Nuno Pereira, que actua no Portimonense, da II Liga de futebol portuguesa, é o único futebolista a actuar no estrangeiro que faz parte da lista de 30 jogadores convocados pelo seleccionador de Macau, Kenneth Kwok Kar-lok.

A seleção masculina de Macau está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás de Macau, em 198.º.

16 Mar 2026

Nova feira comercial leva empresas lusófonas a zona económica especial

O Governo de Macau disse à Lusa que uma nova feira comercial vai, em Outubro, ajudar empresas dos países lusófonos a explorar oportunidades de negócio na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha).

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) disse que irá levar expositores dos mercados de língua portuguesa e espanhola a eventos em Hengqin, “ajudando-os a identificar uma vasta gama de oportunidades de negócio”.

Em 4 de Março, o IPIM referiu que vai organizar, entre 21 e 24 de Outubro, a Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX), em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos.

Em resposta a questões da Lusa, o IPIM explicou que a PLPEX irá decorrer “em simultâneo e no mesmo local” com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), para “manter e evidenciar os elementos lusófonos”. Isto porque este ano não será realizada a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a MIF.

 

A cada dois anos

O IPIM sublinhou que esta feira sino-lusófona, cuja primeira edição decorreu em 2023, foi “concebida preliminarmente para se realizar de dois em dois anos”.

Em Outubro de 2024, o então presidente do IPIM não confirmou se o certame passaria a ser bienal. “Temos ainda de discutir com os outros organizadores. Se tivermos bons resultados [em 2025], iremos avaliar”, disse à Lusa Vincent U U Sang.

A nova feira comercial vai incluir espaços de exibição de “produtos e serviços de qualidade” dos países de línguas portuguesa e espanhola, assim como sessões de bolsas de contacto “para promover a cooperação empresarial”, disse o IPIM.

O caderno de encargos do concurso para a coordenação da PLPEX prevê que a feira ocupe uma área de seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, sendo que 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento vindas de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”.

O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos.

A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha.

16 Mar 2026

Economia | Sugerida importação de gasolina sem chumbo 95

Nick Lei quer que o Governo assuma com maior acutilância o papel de supervisão e protecção dos direitos dos consumidores face às flutuações de preços dos combustíveis. Em virtude do aumento dos preços, o deputado sugere a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata, à semelhança das práticas do Interior da China

 

Desde o início do ano, os preços dos combustíveis têm aumentado várias vezes, com a intensidade da inflação a intensificar-se desde a guerra do Irão. Tendo em conta esta realidade, Nick Lei defende que o Governo tem de assumir um papel mais determinante na supervisão da venda de combustíveis, de acordo com a lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, intervindo para impedir flutuações acentuadas ou excessivamente elevados.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou no sábado o preço médio da gasolina sem chumbo 98 subiu para 15,73 patacas por litro e que no espaço de uma semana, as gasolineiras impuseram aumentos sucessivos, com a média de um litro a passar de 15,09 para 16,01 patacas.

Uma das formas de atenuar as flutuações de preços apontadas pelo deputado foi a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata do que a gasolina sem chumbo 98, permitindo alargar a escolha dos consumidores à semelhança do que se passa no Interior da China.

Aliás, a possibilidade de passar a encher o depósito do outro lado da fronteira é um dos argumentos de Nick Lei.

“No passado, não havia escolha possível, mas desde que passou a ser permitida a circulação de veículos com matrícula de Macau em Guangdong, muitos condutores passaram a abastecer lá”, vincou.

 

Novas condições

O deputado lembrou que o Governo já havia prometido incluir nos critérios de candidatura a concursos públicos para a concessão dos terrenos destinados a postos de abastecimento de combustíveis a exigência de fornecimento de gasolina sem chumbo 95 nos postos de venda.

Com o desenvolvimento da Zona A dos Novos Aterros Urbanos em curso, Nick Lei sugeriu ao Governo que aplique esse critério para os postos de abastecimento de combustíveis que vão servir aquela zona da cidade.

Outro argumento do legislador, prende-se com a transparência da forma como o preço dos combustíveis varia, em particular sobre as razões pelas quais, por vezes, os preços aumentam subitamente, mas baixam lentamente, raramente recuperando completamente. Como tal, Nick Lei gostaria de saber que princípios estão no cerne das flutuações de preços de combustíveis, entre a importação e a chegada às bombas de abastecimento.

Além disso, como os combustíveis afectam quase todos os aspectos da economia e da vida da população, Nick Lei entende que o Governo deveria fazer mais para controlar os preços.

16 Mar 2026

Plano quinquenal | Consulta pública arranca em meados de Abril

A consulta pública sobre o terceiro plano quinquenal da RAEM vai começar em meados de Abril, indicou na sexta-feira o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, num discurso que proferiu numa sessão de “transmissão do espírito das Duas Sessões”.

O governante apontou que a “elaboração e implementação científica” do terceiro plano quinquenal é “a primeira prioridade do Governo” este ano, e que o Governo fez “36 estudos prévios de projectos temáticos” que proporcionam “alicerces sólidos para a elaboração científica do plano quinquenal. “Trata-se de um assunto importante que nos diz respeito a todos. Espero que cada um de vós, senhores deputados e membros, e as associações de amor pela Pátria e por Macau, desempenhem um papel de liderança, promovendo a participação de toda a sociedade”, afirmou Sam Hou Fai dirigindo-se aos deputados da RAEM à Assembleia Popular Nacional, e membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Uma das “lições” aprendidas nas sessões de Pequim foi a necessidade de articular as linhas políticas do plano de governação de Macau com o 15.º plano quinquenal nacional. Sam Hou Fai garantiu que vai “persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo”, defender a segurança nacional e a estabilidade social e “promover o crescimento das forças patrióticas e pró-Macau.”

Além disso, a interpretação do governante do espírito das Duas Sessões apontou para outras metas de longa data que Pequim indicou para a governação da RAEM, nomeadamente diversificar a economia e aprofundar a integração com Hengqin, lutar pelo “bem-estar da população com medidas pragmáticas” e “aproveitar o papel fundamental de Macau como uma janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”.

16 Mar 2026

Segurança Nacional | Admitida limitação de direitos de defesa

O deputado dos Operários Leong Sun Iok admite que os direitos dos arguidos vão ser limitados devido aos “interesses do Estado”, mas garante que os direitos de defesa vão ser respeitados

 

Leong Sun Iok garantiu na sexta-feira que os direitos dos arguidos acusados em julgamentos de crimes contra a segurança nacional da China serão garantidos, apesar de limitações impostas pelos “interesses do Estado”. A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa finalizou na sexta-feira a apreciação da proposta de lei que reforça os poderes da Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE).

O presidente da comissão, Leong Sun Iok, indicou aos jornalistas que os direitos do arguido, incluindo presunção de inocência “continuam a ser protegidos pela lei”, “incluindo poder contratar um advogado” ou ser designado um caso não consiga.

No entanto, ressalvou o deputado, existem “limitações” aos direitos quando contrabalançados com “os interesses do Estado”.

O documento prevê, por exemplo, que os juízes encarregues de processos ligados à lei de segurança nacional no território podem decidir manter a sessão do julgamento à porta fechada.

A lei foi aprovada na generalidade pelo plenário a 10 de Fevereiro e vai ser agora enviada para votação na especialidade na Assembleia Legislativa. Caso seja aprovada, entrará em vigor no dia seguinte à publicação no Boletim Oficial de Macau.

 

A pensar em Au

As alterações poderão já ser aplicadas no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional, que entrou em vigor em 2009 e cujo âmbito foi alargado em 2023.

Em 31 de Julho de 2025, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado e activista Au Kam San, cidadão português.

Em 5 de Fevereiro, o director da Polícia Judiciária de Macau, Sit Chong Meng, garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San, mas até hoje não é conhecido o nome do advogado do ex-deputado, assim como também nada se sabe sobre a acusação nem quando será julgado.

A lei, se aprovada na especialidade no plenário, vai reforçar a CDSE criada em 2018 para apoiar o líder do Governo na tomada de decisões relativas à segurança nacional da China.

Esse organismo passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e ‘patriotismo’ das personalidades candidatas ao exercício de cargos de poder em Macau.

A proposta de lei prevê que se existir a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado, o advogado deve obter a autorização do juiz antes de intervir no processo.

 

Linha de defesa nacional

Segundo as autoridades, esta alteração visa salvaguardar “a linha de defesa da segurança nacional, e não priva o direito de defesa do interessado, nem retira a qualificação profissional do advogado ou do mandatário judicial”.

Os pareceres e as decisões da CDSE não poderão ser objecto de impugnação ou acção judicial, com a comissão parlamentar a considerar que isto é prática corrente “mesmo nos países ocidentais”.

No entanto, as autoridades concordaram alterar a proposta de lei para passar a prever que só as decisões e os pareceres da própria CDSE é que não serão objecto de qualquer impugnação ou acção judicial.

16 Mar 2026

F1 | Construtores chineses avaliam entrada

Nas vésperas do décimo nono Grande Prémio da China de Fórmula 1, a disputar no Circuito Internacional de Xangai, surgiu na imprensa internacional o rumor de que o gigante chinês de veículos eléctricos BYD está a analisar opções para entrar no automobilismo, tendo como hipóteses o Mundial de Formula 1 ou o Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC).

 

Segundo a Bloomberg, a BYD estará “a analisar várias opções após o seu rápido crescimento fora do mercado doméstico e perante a contínua mudança das corridas de competição para motores híbridos”, citando fontes familiarizadas com o assunto que pediram anonimato. Até ao momento, não surgiu qualquer comentário oficial da BYD Auto Company Limited sobre estas informações.

O momento é significativo. Os regulamentos da Fórmula 1 para 2026, apesar de controversos aos olhos de alguns pilotos, conseguiram atrair a alemã Audi e a norte-americana Cadillac para a grelha de partida. A Fórmula 1 vive actualmente um dos períodos de maior crescimento da sua história, conquistando novos mercados, incluindo o chinês, sobretudo junto das gerações mais jovens.

O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Mohammed Ben Sulayem, não esconde a ambição de ver um construtor chinês no campeonato. Em declarações ao jornal francês Le Figaro, afirmou: “Tem sido o meu sonho, nos últimos dois anos, que os grandes países estejam representados na Fórmula 1. Os Estados Unidos estarão presentes com a General Motors. O passo seguinte é acolher um construtor chinês. Já temos um piloto”, acrescentou, numa referência ao piloto de reserva da Cadillac, Guanyu Zhou.

Entre as opções em análise pela BYD estará tanto a criação de uma equipa de raiz como a aquisição de uma das onze existentes. Qualquer das vias implicaria um investimento considerável: a Cadillac pagou uma taxa anti-diluição de cerca de 3,6 mil milhões de patacas às equipas actuais apenas para entrar na grelha este ano. Além disso, o processo de entrada na Fórmula 1 é longo e complexo. O mais recente “Concorde Agreement”, em vigor até 2030, deixa, contudo, espaço para uma 12ª equipa.

Passado nos ralis

Fundada em 1995 na cidade de Shenzhen, a BYD ultrapassou recentemente a Tesla como principal fornecedora mundial de veículos eléctricos e tem vindo a expandir-se de forma agressiva na Europa, na América Latina e noutros mercados automóveis importantes. Ainda assim, existe a consciência de que falta à marca um historial de vitórias no automobilismo capaz de rivalizar com o prestígio das construtoras europeias, norte-americanas e japonesas.

Tal como a compatriota Chery, o interesse da BYD no WEC, incluindo a possibilidade de desenvolver um protótipo Hypercar para as 24 Hours of Le Mans. já tinha sido noticiado no final do ano passado. Esta poderia ser uma forma relativamente mais acessível de entrar no automobilismo de alto nível, evitando um investimento demasiado elevado numa fase inicial.

A BYD nunca esteve presente no Grande Prémio de Macau, mas possui algum historial no automobilismo chinês, sobretudo em provas de ralis. Em 2016, muito antes de o mundial de ralis (WRC) adoptar sistemas híbridos, a marca participou no Campeonato de Ralis da Ásia-Pacifico com um veículo híbrido, tornando-se o primeiro construtor automóvel a competir num rali sob a égide da FIA com uma viatura de motorização híbrida.

Geely também está atenta

Não é a primeira vez que um construtor chinês manifesta ambições de chegar à Fórmula 1. Ainda no ano passado, delegações do poderoso grupo Geely marcaram por diversas vezes presença no paddock do “Grande Circo”. A empresa, que mantém ligações estreitas com a Aston Martin e com a Mercedes-Benz, terá avaliado a possibilidade de entrar no campeonato através do “rebranding” de uma equipa já existente.

Contudo, os representantes da Geely, cujo portefólio inclui a histórica Lotus, marca com um enorme legado na Fórmula 1, não conseguiram concretizar qualquer parceria que viabilizasse essa estratégia.

G.P. China – Estatísticas

A edição deste ano será a décima nona edição do Grande Prémio da China disputado no circuito de Xangai. A primeira corrida, vencida pelo brasileiro Rubens Barrichello, teve lugar em 2004. O evento manteve-se no calendário de forma ininterrupta até 2019, regressando posteriormente em 2024. Lewis Hamilton e a Mercedes detêm o recorde de vitórias no circuito chinês, com seis triunfos cada. O piloto britânico, agora a defender as cores da Scuderia Ferrari, é também o recordista de presenças no pódio, com nove, seguido por Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel, ambos com seis.

15 Mar 2026

Rota das Letras | Cartaz dos últimos dias com teatro, poesia e cinema

Com a última sessão marcada para o fim da tarde de domingo, o Rota das Letras tem uma programação recheada com mais de duas dezenas de eventos nos últimos três dias.
Hoje, o dia arranca com três sessões simultâneas, às 18h30, em três espaços distintos da Casa Garden. Na sessão “Versos em Trânsito” o escritor chinês Lu Jian irá juntar-se aos autores locais Si Tou Chi U e Lei Ka Io.
À mesma hora e local, Thomas Bird apresenta o livro “Harmony Express”, um testemunho pessoal da transformação do sistema ferroviário da China que aconteceu quase por acaso. Sem namorada, com uma banda de rock em dissolução e com o emprego como editor numa revista em Shenzhen no espelho retrovisor, as linhas de comboio passaram a ser as musas de Thomas Bird. Da vertigem da linha de alta velocidade entre Shenzhen e Xiamen, ao comboio de levitação magnética até Xangai, à travessia de Sichuan a bordo de um comboio a vapor, o autor traça um retrato de um país em transformação.
À mesma hora, também na Casa Garden, João Miguel Tavares fala dos livros que têm o poder para marcar vidas.
A programação do festival literário prossegue hoje à noite com uma proposta cinematográfica, com a exibição de “Restos do Vento” no Cinema Alegria às 21h15. O filme de Tiago Guedes tem como pano de fundo uma tradição pagã que se cumpre numa vila do interior de Portugal e a forma como afecta um grupo de jovens.
A noite de hoje termina com uma festa de arromba no DD3, na Doca dos Pescadores, com a celebração dos 40 anos da RUC (Rádio Universidade de Coimbra), com o início das festividades marcado para as 23h.

Fim-de-semana largo
O dia começa amanhã com o festival literário na rua, com mais uma edição de “Um Passeio com História”, desta vez liderado por Jason Wordie, que promete relevar os segredos dos bairros antigos da cidade. O passeio tem como ponto de partida a Casa Garden às 11h.
As hostilidades literárias de sábado na Casa Garden arrancam às 15h com a sessão “Escrever o Futuro”, conduzida por Wang Nuonuo que irá discorrer sobre “a importância da ficção especulativa num mundo em rápida transformação”.
À mesma hora e local, está marcada uma sessão sobre a obra e influência de José Maneiras na arquitectura e gestão urbana de Macau, com Rui Leão, Luís Sales Marques e Jorge Neto Valente a conduzirem a conversa.
A partir das 16h, arrancam mais três painéis no epicentro do Rota das Letras. Bi Feiyo e Xie Youshun vão discutir os limites entre escrita, humanidade e inteligência artificial.
Também às 16h, a jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresenta o seu primeiro livro “O Lápis Vermelho: A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”.
À mesma hora, no auditório da Casa Garden é exibido o documentário “Maneiras”, realizado por António Sanmarful, sobre o pioneiro do modernismo arquitectónico do território.
Às 17h segue-se a sessão “Do Engano ao Populismo. Paralelos e contrastes de como líderes carismáticos exploram o descontentamento social”, que irá incidir sobre os livros “José Sócrates: Ascensão”, de João Miguel Tavares, “Por Dentro do Chega”, de Miguel Carvalho, numa conversa entre os autores.
À noite, é a vez do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau emprestar o palco à peça “À Primeira Vista”, com interpretação de Margarida Vila-Nova e encenação de Tiago Guedes. A peça terá duas sessões, amanhã às 20h30 e no domingo às 16h.
O dia da despedida
No domingo, o derradeiro dia da edição deste ano do festival literário, a primeira sessão, marcada para as 14h30, conta com um dos pólos do turismo sul-coreano: Sokcho. Elise Shua Dusapin vai discutir o legado cinematográfico da região, com base no seu primeiro romance. A palestra será um preâmbulo para a apresentação do filme baseado em “Inverno em Sokcho”, que terá lugar na Cinemateca Paixão, às 16h30.
O legado europeu e celta na história de Hong Kong estará em evidência numa sessão dirigida por Mark O’Neill a partir das 15h. Meia hora depois, será a vez Dora Gago apresentar as múltiplas visões sobre a obra de Rodrigo Leal de Carvalho.
O meio século da morte de Luís Gonzaga Gomes será o mote para a sessão que, a partir das 16h, irá focar-se no legado do “camonista de Macau”. O orador convidado é José Carlos Canoa.
Às 16h45 de domingo será apresentado o livro “Fractures” de Carlos Andrés Gómez, que irá discutir identidade, masculinidade e o poder da poesia.
Antes da derradeira sessão, haverá ainda tempo para apresentar obras lançadas pelo Instituto Internacional de Macau, como “Oseo Acconci e as suas obras”, de Jane Lei, ou “A Vitória de Macau” de Rodrigo de Matos”, e “A Canção de um Deslumbrante Poeta Menor”, de Lu Jian, com a chancela da Livros do Meio.
O festival termina de forma apropriada, com uma sessão de poesia conduzida por Carlos Morais José, Carlos Andrés Gomez, Lu Jian e Yao Feng.

13 Mar 2026

Trabalho | Poder do Povo volta a pedir substituição de TNR ao Governo

A antiga Associação Poder do Povo, que mudou o nome para Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo a pedir ao Governo de Sam Hou Fai para apostar na formação de quadros qualificados entre os jovens locais. Apesar da mudança de nome, a associação continua a insistir na substituição de trabalhadores não-residentes (TNR).
Na missiva entregue a Sam Hou Fai, o presidente da associação, Lam Weng Ioi, criticou o programa de captação de quadros qualificados por atribuir “centenas” de BIR de Macau por ano, quando existem trabalhadores locais que correspondem aos critérios do programa. O responsável mencionou o programa para a indústria de big health como exemplo da uma medida que não privilegia os locais, que tem como critérios dois anos de experiência profissional na área e formação universitária.
Além disso, o dirigente pediu paciência às empresas, apelando à aposta em residentes recém-licenciados, e criticou a desactualização das políticas de gestão de TNR.

13 Mar 2026

Combustíveis | Preços a aumentar entre 1 e 17 por cento

Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, e das restrições à navegação no estreito de Ormuz, também em Macau o preço dos combustíveis ficou mais caro. Segundo os cálculos feitos pelo HM, com base na informação divulgada pelo Conselho dos Consumidores (CC), que não é actualizada de forma regular, os preços cresceram entre 1 e 17 por cento.
O maior aumento aconteceu ao nível da gasolina premium, nos postos de abastecimento da marca Shell. No dia 4 de Março, o litro de gasolina premium custava 15,42 patacas, mas subiu para 17,69 patacas, ao dia de ontem, uma diferença de 2,27 patacas por litro, ou 16,69 por cento. Em relação à outra operadora presente neste segmento do mercado de gasolina, a Esso, no dia 4 de Março o preço por litro era de 16,90 patacas, que aumentou para 17,10 patacas, ao dia de ontem, um crescimento de 29 avos ou de 1,1 por cento.
No mercado de gasolina sem chumbo, os preços ficaram mais caros entre 1,3 por cento e 6,3 por cento. Os clientes da Nam Kwong sentiram o maior crescimento, tendo em conta uma comparação que começa a 28 de Fevereiro. Nesse dia, a gasolineira vendia o litro de gasolina sem chumbo por 14,20 patacas. No entanto, na quarta-feira, o litro da gasolina era vendido a 15,03 patacas, mais 89 avos, uma subida de 6,3 por cento. A marca tem dos preços mais baratos do mercado.
Em relação à Caltex, existe um preço diferente no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, mais barato, face aos restantes. No primeiro caso, houve um aumento de 4,4 por cento do preço, de 14,06 patacas por litro, a 3 de Março, para 14,68 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 62 avos. Nos restantes postos, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro para 16,09 patacas por litro.
Na Esso, a gasolina ficou 1,3 por cento mais cara, dado que a 4 de Março era vendida a 15,30 patacas por litro, e no dia 11 era comercializada a 15,50 patacas, um aumento de 20 avos por litro. Na Shell, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro, a 3 de Março, para 16,09 patacas por litro, a 11 de Março. Também a Total teve um aumento do preço de 5,6 por cento de 15,14 patacas por litro para 15,99 patacas por litro, um aumento 85 avos por litro.

Diesel mais caro
Em relação ao gasóleo, os aumentos para os consumidores variaram entre 2,4 por cento e 6,8 por cento. A Nam Kwong apresentou o maior preço para os clientes, com o litro a subir para 16,94 patacas, na quarta-feira, quando no dia 28 de Fevereiro era comercializado por 15,68, um aumento de 1,26 patacas por litro (6,8 por cento).
Estes aumentos foram acompanhados de perto pela Caltex e Shell, com o preço do diesel a subir 6,7 por cento. No caso da Caltex, a maioria dos preços aumentou 6,7 por cento para 17,89 patacas por litro, a 11 de Março, quando a 3 de Março custava 16,76 por cento, com o preço do litro a ficar 1,13 patacas mais caro. A excepção foi o posto de abastecimento da Estrada Marques Esparteiro, onde o preço subiu 5,6 por cento, de 15,41 patacas por litro para 16,28 patacas (mais 87 avos). Na Shell os preços cresceram de 16,76 patacas por litro, a 11 de Março, para 17,89 patacas, uma diferença de 1,13 patacas por litro.
Na Total o preço do diesel subiu 4,8 por cento, de 16,61 patacas por litro para 17,40 patacas, uma diferença de 79 avos.
A Esso apresentou o menor crescimento, o que não significa que pratique os preços mais baratos. A 4 de Março, a gasolineira cobrava 16,60 patacas por litro, mas na quarta-feira o preço estava nas 17,10 patacas uma diferença de 2,4 por cento, ou 50 avos.

13 Mar 2026

Empresário propõe Macau como ‘hub’ da moeda chinesa para países lusófonos e hispanófonos

Um delegado de Macau no maior órgão consultivo da China propôs transformar o território numa plataforma financeira de ligação entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, com medidas “para impulsionar a internacionalização do yuan chinês”.
O objectivo é “estabelecer gradualmente em Macau um centro de fixação de preços offshore do yuan chinês face às principais moedas da América Latina”, afirmou o empresário Lao Ngai Leong, num discurso na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), em Pequim.
Lao esteve presente na capital chinesa nas “Duas Sessões”, o maior evento político anual do país e em que se reúnem simultaneamente a Assembleia Popular Nacional (APN) e a CCPPC em Pequim.
A iniciativa proposta por Lao visa reduzir a dependência das empresas de Macau em relação ao dólar norte-americano e mitigar os riscos cambiais associados, de acordo com o delegado.
“Devemos apoiar as instituições financeiras de Macau para gerarem mercado para estas moedas, concedendo-lhes o necessário apoio de liquidez e benefícios fiscais”, defendeu ainda Lao Ngai Leong, propondo “estabelecer acordos directos de compensação com os bancos centrais do México, Chile, Argentina e Peru, os principais parceiros comerciais da China na América Latina”.
O delegado propôs ainda a criação de um centro de compensação de yuan chinês para os países de língua portuguesa e espanhola na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.
A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa, no entanto, esse âmbito tem vindo a ser alargado para os países de língua espanhola nos últimos anos.
O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada, adjacente a Macau, para diversificar a economia do território, com foco em tecnologia, finanças e turismo.
“Este centro deve ter acesso prioritário ao Sistema Transfronteiriço de Pagamentos Interbancários e explorar ligações técnicas com sistemas locais de compensação na América Latina, como o PIX do Brasil e o SPEI do México”, referiu o empresário.

Aposta nas infra-estruturas
Em relação às infra-estruturas financeiras, Lao defendeu “uma melhoria dos mecanismos de interconexão” para tornar Macau “mais atractivo para o capital estrangeiro”, utilizando a ligação directa existente entre a Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau e a Unidade Central de Mercados Monetários de Hong Kong para emitir obrigações na moeda chinesa.
“Esta iniciativa visa atraí-los [investidores estrangeiros] para investir em activos continentais de alta qualidade através do mercado de Macau, diversificando assim os canais para a repatriação do yuan chinês”, explicou.
Lao citou dados que mostram que as trocas comerciais da China com os países de língua portuguesa atingiram 225,8 mil milhões de yuan em 2025.
O comércio com a América Latina foi ainda mais substancial, ultrapassando os 518,5 mil milhões de yuan em 2024, prevendo-se um crescimento contínuo para 2025. “A China tornou-se o segundo maior parceiro comercial da América Latina e um dos principais mercados de crescimento”, sublinhou.

13 Mar 2026

Economia | Hengqin quer atrair lojas centenárias de Macau

As autoridades de Hengqin querem atrair as lojas centenárias e com características de Macau para a Ilha da Montanha. Para tal, lançaram apoios como a entrega de um subsídio de 300 mil renminbis. As medidas foram divulgadas na quarta-feira, durante uma apresentação das novas políticas de apoio à economia, que decorreu no Centro de Convenções e Exposições IFC de Hengqin.
O evento de quarta-feira visou informar a audiência sobre os benefícios para a economia dos novos apoios, que começaram a ser distribuídos no início do mês e se vão prolongar até ao final de 2029. Também como parte das medidas, consta a intenção de promover uma integração mais profunda entre Hengqin e Macau.
É neste contexto que surgem os apoios para atrair para a Ilha da Montanha as lojas em Macau classificadas pelo Governo da RAEM como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” ou “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Segundo o Executivo, que atribui as distinções, as marcas centenárias são as que têm “um legado histórico centenário, uma base cultural profunda e distintiva e possuem técnicas únicas”. As marcas típicas têm “uma longa história” ou “produtos, técnicas ou serviços herdados e transmitidos de geração-em-geração”. Finalmente, a classificação das Lojas com Características Especializadas e Delicadas distingue as lojas com “boa qualidade e integridade” que obtêm “uma reputação favorável”.
De acordo com as novas medidas aplicadas em Hengqin, se as subsidiárias destas lojas se estabelecerem no território e cumprirem os requisitos do programa, depois de operarem durante um ano têm direito a um apoio financeiro de 300 mil renminbis, pago de uma vez.
As medidas de apoio visam também a economia de baixa altitude, como a distribuição de drones, passeios turísticos de helicóptero e espectáculos de drones.

Tudo orquestrado
Segundo o comunicado da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o chefe da Divisão de Cultura, Turismo, Convenções e Exposições e Comércio, Lam In Kit, destacou que as medidas estão alinhadas com os objectivos da segunda fase de desenvolvimento da zona de cooperação, que passa por uma melhor integração de Hengqin e Macau.
O responsável apontou que as medidas constituem um sistema de apoios de “modernização industrial, diversificação negocial e actualização dos serviços”, que assim vai abranger mais pessoas e empresas, na esperança de que se injecte uma nova dinâmica na transformação de Hengqin numa Ilha Internacional de Turismo e Lazer e numa zona turística com classe mundial.
Durante a apresentação das medidas, foi também anunciado que o acesso aos apoios para as Pequenas e Médias Empresas vão ser facilitados. No caso das PME com volumes de negócios de 300 mil a um milhão de renminbi, haverá um pagamento de um apoio no valor de 5 por cento do volume de negócios, que não pode ser superior a 50 mil renminbis. Se o volume de negócios ultrapassar um milhão de renminbis, as empresas podem obter um bónus de dez por cento do volume, limitado a um máximo de 100 mil renminbis.

13 Mar 2026

Prisão | Guarda aceitava subornos para deixar entrar bens

O principal visado pela investigação do CCAC terá recebido “pelo menos” 17 mil patacas para deixar entrar produtos na prisão, que depois eram vendidos por um recluso, que lucrava com o esquema

 

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) anunciou ter descoberto o caso de um guarda prisional da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) que aceitava subornos para ajudar um recluso a “contrabandear produtos para o estabelecimento prisional”. A investigação focou também um outro guarda prisional, que está actualmente aposentado.

“Na sequência da investigação, o CCAC verificou que o guarda prisional no activo terá aproveitado as suas funções para ajudar um recluso a contrabandear produtos para a zona prisional”, foi divulgado.

Quando os bens chegavam ao recluso, este fazia a venda no interior da prisão para lucrar com a ilegalidade. “O recluso em causa pagou, através da sua esposa, ao guarda prisional um valor de pelo menos 17 mil patacas como contrapartida pela sua ajuda”, foi explicado.

Este guarda prisional é suspeito da prática dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, que tem uma pena que pode chegar aos oito anos de prisão, e do crime de falsificação de documento, cuja penalização pode chegar aos três anos de prisão.

A investigação não se ficou pelo suborno nem pelo contrabando no interior da prisão. As autoridades também anunciaram que o guarda prisional “já tinha cometido, por duas vezes, infracções por excesso de velocidade”. No entanto, foi descoberto que o guarda, “para se eximir das responsabilidades”, “terá recorrido a um membro da família e a um amigo para assumirem a culpa”.

Os familiares e o amigo, que segundo a investigação foram utilizados como bodes expiatórios, são suspeitos da prática do crime de falsificação de documento, cuja pena pode chegar ao três ano de prisão.

 

Outro envolvido

Em relação ao segundo guarda prisional investigado, que agora se encontra aposentado, foi indicado que “terá prestado auxílio, durante a altura de exercício das suas funções, a um outro recluso no contrabando de produtos para o estabelecimento prisional”.

Este guarda prisional foi ainda investigado por ter “ajudado” o recluso “a trocar mensagens, secretamente e por várias vezes, com a sua família”.

Face à investigação, o aposentado é suspeito da prática do crime de abuso de poder, punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos.

Segundo o CCAC, os casos foram encaminhados para o Ministério Público e comunicados à DSC.

Em reacção à investigação, a DSC declarou estar “profundamente triste pelo facto de alguns guardas prisionais terem conscientemente infringido a lei e violado os seus deveres, prejudicando gravemente a reputação da polícia prisional”. A DSC indicou ainda que “leva este assunto muito a sério e cooperará plenamente com as autoridades judiciais na investigação criminal”. “A DSC reitera que tem tolerância zero para quaisquer violações ilegais ou disciplinares por parte de qualquer membro do pessoal e que irá lidar com elas de forma séria, de acordo com a lei, a fim de defender o primado da lei e manter a reputação e credibilidade do serviço correccional”, foi acrescentado.

12 Mar 2026

Shuttle Bus | Governo diz que pediu mais serviços às operadoras

Após a polémica com a falta de alternativas para assegurar os serviços shuttles dos condomínios, o Governo defende-se e indica que pediu às operadoras de autocarros públicos para disponibilizarem mais viaturas

 

Em relação às dificuldades dos edifícios residenciais em disponibilizarem serviços de shuttle, o Governo indica que pediu às operadoras de transportes públicos para disponibilizarem mais autocarros. As explicações surgem numa resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng, que vem assinada por Chan U Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).

As dificuldades de contratação de serviços de autocarros pelos condomínios dos grandes complexos habitacionais tornaram-se uma preocupação dos deputados, com a entrada em vigor da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico, onde consta a proibição das agências de viagem disponibilizarem este tipo de serviço de transporte.

Agora o Governo vem dizer que pediu às operadoras dos autocarros públicos para disponibilizarem mais autocarros. “O Governo da RAEM, através de coordenação interdepartamental, promoveu junto das duas operadoras de autocarros o aluguer dos seus ‘veículos não operacionais’ para a prestação de serviços de transporte, com vista a dar resposta às necessidades de deslocação dos moradores dos complexos habitacionais em causa”, foi indicado.

Ao mesmo tempo, o Governo defendeu que pediu mais autocarros a circular junto dos edifícios: “A DSAT solicitou ainda às operadoras de autocarros que reforçassem a atenção à situação de espera nas paragens na envolvente dos complexos, aumentando atempadamente a frequência dos serviços para melhor escoar o fluxo de passageiros”, foi acrescentado.

Apesar da resposta, em que o director da DSAL cita a posição da DSAT, a questão do aumento dos custos do transporte não é abordada pelos governantes.

Proibição anterior

Quanto à proibição dos autocarros das agências de viagem serem contratados para este serviço de shuttle, o Governo insiste que a medida estava em vigor, ainda antes da nova lei, apesar da prática generalizada.

“Entre 2015 e 2025, registaram-se mais de 140 procedimentos instaurados contra as agências de viagens que violaram as normas relativas ao uso de veículos, incluindo a prestação ilegal de autocarros de turismo como autocarros para trabalhadores ou como autocarros de ligação para os complexos habitacionais”, foi indicado.

Os números apresentados representam uma média de 12,7 “procedimentos instaurados” por ano. “Enquanto entidade fiscalizadora, a DST tem supervisionado, nos termos da lei, a actividade das agências de viagens, e desde que se verifique a prestação ilegal de serviços por parte das agências de viagens, será instaurado o respectivo procedimento”, foi frisado.

12 Mar 2026

O sexo e o amor no fim do mundo

Uma das coisas que mais prazer me dá em escrever sobre sexo é que nos transporta para um universo de curiosidade e conexão sócio-cutural. É uma atividade séria e divertida, nem que seja para ver aquela cara trancada ficar ainda corada e desconfortável porque há menção a vulvas e pénis. O sexo tem essa qualidade: o seu secretismo torna a sua exposição sedutora. É um território cheio de minas, mas que só podemos evitá-las se a dançarmos aos pulos.

Mas o mundo parece mais sombrio a cada dia que passa, e nem sei como me conectar com essa leveza. Já escrevi aqui várias vezes sobre acontecimentos da actualidade que me pareceram relevantes para discutir a temática da sexualidade. Sobre o estado dos direitos humanos, sobre o sexo como arma de violência, sobre a misoginia e desinformação como uma praga que nos afronta. Sobre os rapazes adolescentes que têm o desejo de matar raparigas, sobre as pessoas que são violadas e violentadas em Gaza, sobre as mulheres e homens que resistem às guerras neste mundo, sobre as mulheres que não conseguem acesso a um aborto seguro, nem quando disso depende a sua vida. Sobre a homofobia, a bifobia e a transfobia que está viva.

Vivemos tempos tão esquisitos que custa pensar no sexo como algo divertido. Nem sei se temos o direito de nos divertir quando parece estarmos à beira de uma terceira guerra mundial.

Ou talvez este seja o momento certo.

Talvez a melhor forma de resistência seja pensar no prazer e na conexão quando tudo se desfaz diante dos nossos olhos. Eu escolho pensar ainda sobre sexo porque talvez o Freud tivesse razão. A pulsão sexual é a pulsão de vida – confusa e desorganizadora, mas com vitalidade e desejo. E diante da catástrofe, é no sexo que vejo um porto seguro. Fisiologicamente o acto sexual transporta para esse lugar de intimidade e conexão profundas. O contacto íntimo activa sistemas neuroquímicos associados à segurança e à vinculação. A libertação de oxitocina, endorfinas e dopamina durante a intimidade não é apenas uma questão de prazer; é também uma forma de regulação emocional. Num mundo saturado de ameaça, o corpo humano procura experiências que restabeleçam a sensação de segurança.

Também é no sexo – e no amor – que consigo ver propósito identitário e político no caos. O sexo poderá ser contestado e fustigado de formas repreensíveis, mas é no sexo que também está a comunidade, essa coisa maior do que os próprios genitais. Quando bell hooks falava de amor, falava desse sítio que eu considero que o sexo se encontra. Um sítio que não é guiado pela emoção e atração somente, mas por escolhas que são eticamente informadas. Para a autora, amor não é uma experiência individual, mas um ato radical de ética social capaz de transformar as relações e a sociedade. Também Audre Lorde descreveu o erótico como uma forma de poder — não apenas sexual, mas existencial. Para ela, o erótico é aquilo que nos recorda que estamos vivos e que o prazer não precisa de pedir autorização ao mundo para existir. Talvez seja por isso que regimes autoritários sempre tenham tentado controlar a sexualidade: porque corpos que sentem prazer são também corpos que reclamam autonomia.

Por isso, se vos pareço leviana porque as coisas do amor e do sexo sempre pareceram secundárias no grande esquema da vida, é porque não compreendem as minhas prioridades. Estou saturada do conflito e do sofrimento no mundo. Ando sedenta de uma boa notícia, de um desenvolvimento que contrarie o estado das coisas. Mas sabendo que tenho de viver no sítio que não quero ignorar, também me refugio nesta possibilidade de escrever sobre o sexo – como disse, de forma divertida e séria – como ato político de cuidado.

Falar de sexo quando o mundo parece desabar não é necessariamente uma forma de distração. Pode ser exactamente o contrário: talvez seja uma maneira de lembrar que, enquanto houver corpos que procuram intimidade, ainda não desistimos completamente uns dos outros.

11 Mar 2026

Novo Bairro | Pedida maior circulação de empregadas domésticas

A deputada Wong Kit Cheng está em Pequim, para participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), onde pediu que as empregadas domésticas contratadas em Macau possam trabalhar em toda a Zona de Cooperação, e não apenas no Novo Bairro de Macau

 

Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau, defendeu a facilitação da política que permite aos residentes locais levarem as empregadas domésticas estrangeiras para a Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. A posição foi tomada por Wong em Pequim, onde se encontra a participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), como representante da RAEM.

Segundo a sua intervenção, que foi partilhada através do portal da Associação das Mulheres, Wong começou por destacar a importância da implementação desta política, limitada ao Novo Bairro de Macau, e indicou que este resultado tido como positivo só foi possível devido aos governantes do Interior.

No entanto, a legisladora sugeriu que o processo se torne mais abrangente, uma vez que actualmente só existem 62 trabalhadoras não-residentes a desempenhar funções de empregadas domésticas neste bairro de Hengqin, onde apenas podem viver residentes de Macau.

Com base nos dados oficiais, Wong indicou que apenas 14 por cento dos residentes de toda a Zona de Cooperação Aprofundada recorrem a trabalhadores não-residentes contratados em Macau. Todavia, os estudos sobre o assunto, mencionados pela deputada, apontam que mais de metade dos residentes de Macau em Hengqin pretende recorrer a trabalhadores não-residentes contratados em Macau, em vez de mão-de-obra disponível no Interior.

 

Próximo nível

Com base no cenário descrito, Wong Kit Cheng indicou que a maior utilização de trabalhadores não-residentes contratados em Macau no Interior pode ser alcançada através de duas alterações nas políticas actuais.

A primeira forma, passa por facilitar a circulação na Zona de Cooperação Aprofundada com as empregadas domésticas contratadas em Macau a poderem circular por toda a Zona, em vez de ficarem limitadas ao Novo Bairro de Macau. Segundo Wong, desta forma os residentes de Macau a viver e a trabalharem no outro lado da fronteira podem sentir melhor os benefícios das políticas nacionais.

Em segundo lugar, a deputada ligada à Associação das Mulheres admite a criação de um novo sistema de segurança entre Macau e o Guangdong, para controlar as entradas e a circulação destas empregadas. Segundo Wong Kit Cheng, esse novo mecanismo permitiria aos residentes recorrerem a esta mão-de-obra, ao mesmo tempo que se mitigavam os riscos para a segurança no Interior. A deputada sublinhou ainda que um mecanismo deste género tem igualmente de garantir a protecção laboral destes trabalhadores.

11 Mar 2026

MP | Assumido papel de interlocução entre a China e PLP

Tong Hio Fong promete que Macau vai desempenhar o papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos

 

O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público (MP) da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos.

Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa.

O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover “prosperidade e estabilidade a longo prazo”.

Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reacção às Duas Sessões, a RAEM será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa.

O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspectiva de que Macau deve servir como “cabeça-de-ponte” para a abertura da China ao mundo lusófono.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

Objectivo definido

Segundo Tong, o objectivo é que Macau se afirme cada vez mais como “elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa”, contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’.

Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluída a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola.

Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde.

De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Macau quer também começar a negociar um “acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial” com Portugal.

No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal.

Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa.

O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República.

10 Mar 2026