João Luz PolíticaRota das Letras | Cartaz dos últimos dias com teatro, poesia e cinema Com a última sessão marcada para o fim da tarde de domingo, o Rota das Letras tem uma programação recheada com mais de duas dezenas de eventos nos últimos três dias. Hoje, o dia arranca com três sessões simultâneas, às 18h30, em três espaços distintos da Casa Garden. Na sessão “Versos em Trânsito” o escritor chinês Lu Jian irá juntar-se aos autores locais Si Tou Chi U e Lei Ka Io. À mesma hora e local, Thomas Bird apresenta o livro “Harmony Express”, um testemunho pessoal da transformação do sistema ferroviário da China que aconteceu quase por acaso. Sem namorada, com uma banda de rock em dissolução e com o emprego como editor numa revista em Shenzhen no espelho retrovisor, as linhas de comboio passaram a ser as musas de Thomas Bird. Da vertigem da linha de alta velocidade entre Shenzhen e Xiamen, ao comboio de levitação magnética até Xangai, à travessia de Sichuan a bordo de um comboio a vapor, o autor traça um retrato de um país em transformação. À mesma hora, também na Casa Garden, João Miguel Tavares fala dos livros que têm o poder para marcar vidas. A programação do festival literário prossegue hoje à noite com uma proposta cinematográfica, com a exibição de “Restos do Vento” no Cinema Alegria às 21h15. O filme de Tiago Guedes tem como pano de fundo uma tradição pagã que se cumpre numa vila do interior de Portugal e a forma como afecta um grupo de jovens. A noite de hoje termina com uma festa de arromba no DD3, na Doca dos Pescadores, com a celebração dos 40 anos da RUC (Rádio Universidade de Coimbra), com o início das festividades marcado para as 23h. Fim-de-semana largo O dia começa amanhã com o festival literário na rua, com mais uma edição de “Um Passeio com História”, desta vez liderado por Jason Wordie, que promete relevar os segredos dos bairros antigos da cidade. O passeio tem como ponto de partida a Casa Garden às 11h. As hostilidades literárias de sábado na Casa Garden arrancam às 15h com a sessão “Escrever o Futuro”, conduzida por Wang Nuonuo que irá discorrer sobre “a importância da ficção especulativa num mundo em rápida transformação”. À mesma hora e local, está marcada uma sessão sobre a obra e influência de José Maneiras na arquitectura e gestão urbana de Macau, com Rui Leão, Luís Sales Marques e Jorge Neto Valente a conduzirem a conversa. A partir das 16h, arrancam mais três painéis no epicentro do Rota das Letras. Bi Feiyo e Xie Youshun vão discutir os limites entre escrita, humanidade e inteligência artificial. Também às 16h, a jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresenta o seu primeiro livro “O Lápis Vermelho: A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. À mesma hora, no auditório da Casa Garden é exibido o documentário “Maneiras”, realizado por António Sanmarful, sobre o pioneiro do modernismo arquitectónico do território. Às 17h segue-se a sessão “Do Engano ao Populismo. Paralelos e contrastes de como líderes carismáticos exploram o descontentamento social”, que irá incidir sobre os livros “José Sócrates: Ascensão”, de João Miguel Tavares, “Por Dentro do Chega”, de Miguel Carvalho, numa conversa entre os autores. À noite, é a vez do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau emprestar o palco à peça “À Primeira Vista”, com interpretação de Margarida Vila-Nova e encenação de Tiago Guedes. A peça terá duas sessões, amanhã às 20h30 e no domingo às 16h. O dia da despedida No domingo, o derradeiro dia da edição deste ano do festival literário, a primeira sessão, marcada para as 14h30, conta com um dos pólos do turismo sul-coreano: Sokcho. Elise Shua Dusapin vai discutir o legado cinematográfico da região, com base no seu primeiro romance. A palestra será um preâmbulo para a apresentação do filme baseado em “Inverno em Sokcho”, que terá lugar na Cinemateca Paixão, às 16h30. O legado europeu e celta na história de Hong Kong estará em evidência numa sessão dirigida por Mark O’Neill a partir das 15h. Meia hora depois, será a vez Dora Gago apresentar as múltiplas visões sobre a obra de Rodrigo Leal de Carvalho. O meio século da morte de Luís Gonzaga Gomes será o mote para a sessão que, a partir das 16h, irá focar-se no legado do “camonista de Macau”. O orador convidado é José Carlos Canoa. Às 16h45 de domingo será apresentado o livro “Fractures” de Carlos Andrés Gómez, que irá discutir identidade, masculinidade e o poder da poesia. Antes da derradeira sessão, haverá ainda tempo para apresentar obras lançadas pelo Instituto Internacional de Macau, como “Oseo Acconci e as suas obras”, de Jane Lei, ou “A Vitória de Macau” de Rodrigo de Matos”, e “A Canção de um Deslumbrante Poeta Menor”, de Lu Jian, com a chancela da Livros do Meio. O festival termina de forma apropriada, com uma sessão de poesia conduzida por Carlos Morais José, Carlos Andrés Gomez, Lu Jian e Yao Feng.
Nunu Wu PolíticaTrabalho | Poder do Povo volta a pedir substituição de TNR ao Governo A antiga Associação Poder do Povo, que mudou o nome para Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo a pedir ao Governo de Sam Hou Fai para apostar na formação de quadros qualificados entre os jovens locais. Apesar da mudança de nome, a associação continua a insistir na substituição de trabalhadores não-residentes (TNR). Na missiva entregue a Sam Hou Fai, o presidente da associação, Lam Weng Ioi, criticou o programa de captação de quadros qualificados por atribuir “centenas” de BIR de Macau por ano, quando existem trabalhadores locais que correspondem aos critérios do programa. O responsável mencionou o programa para a indústria de big health como exemplo da uma medida que não privilegia os locais, que tem como critérios dois anos de experiência profissional na área e formação universitária. Além disso, o dirigente pediu paciência às empresas, apelando à aposta em residentes recém-licenciados, e criticou a desactualização das políticas de gestão de TNR.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Preços a aumentar entre 1 e 17 por cento Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, e das restrições à navegação no estreito de Ormuz, também em Macau o preço dos combustíveis ficou mais caro. Segundo os cálculos feitos pelo HM, com base na informação divulgada pelo Conselho dos Consumidores (CC), que não é actualizada de forma regular, os preços cresceram entre 1 e 17 por cento. O maior aumento aconteceu ao nível da gasolina premium, nos postos de abastecimento da marca Shell. No dia 4 de Março, o litro de gasolina premium custava 15,42 patacas, mas subiu para 17,69 patacas, ao dia de ontem, uma diferença de 2,27 patacas por litro, ou 16,69 por cento. Em relação à outra operadora presente neste segmento do mercado de gasolina, a Esso, no dia 4 de Março o preço por litro era de 16,90 patacas, que aumentou para 17,10 patacas, ao dia de ontem, um crescimento de 29 avos ou de 1,1 por cento. No mercado de gasolina sem chumbo, os preços ficaram mais caros entre 1,3 por cento e 6,3 por cento. Os clientes da Nam Kwong sentiram o maior crescimento, tendo em conta uma comparação que começa a 28 de Fevereiro. Nesse dia, a gasolineira vendia o litro de gasolina sem chumbo por 14,20 patacas. No entanto, na quarta-feira, o litro da gasolina era vendido a 15,03 patacas, mais 89 avos, uma subida de 6,3 por cento. A marca tem dos preços mais baratos do mercado. Em relação à Caltex, existe um preço diferente no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, mais barato, face aos restantes. No primeiro caso, houve um aumento de 4,4 por cento do preço, de 14,06 patacas por litro, a 3 de Março, para 14,68 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 62 avos. Nos restantes postos, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro para 16,09 patacas por litro. Na Esso, a gasolina ficou 1,3 por cento mais cara, dado que a 4 de Março era vendida a 15,30 patacas por litro, e no dia 11 era comercializada a 15,50 patacas, um aumento de 20 avos por litro. Na Shell, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro, a 3 de Março, para 16,09 patacas por litro, a 11 de Março. Também a Total teve um aumento do preço de 5,6 por cento de 15,14 patacas por litro para 15,99 patacas por litro, um aumento 85 avos por litro. Diesel mais caro Em relação ao gasóleo, os aumentos para os consumidores variaram entre 2,4 por cento e 6,8 por cento. A Nam Kwong apresentou o maior preço para os clientes, com o litro a subir para 16,94 patacas, na quarta-feira, quando no dia 28 de Fevereiro era comercializado por 15,68, um aumento de 1,26 patacas por litro (6,8 por cento). Estes aumentos foram acompanhados de perto pela Caltex e Shell, com o preço do diesel a subir 6,7 por cento. No caso da Caltex, a maioria dos preços aumentou 6,7 por cento para 17,89 patacas por litro, a 11 de Março, quando a 3 de Março custava 16,76 por cento, com o preço do litro a ficar 1,13 patacas mais caro. A excepção foi o posto de abastecimento da Estrada Marques Esparteiro, onde o preço subiu 5,6 por cento, de 15,41 patacas por litro para 16,28 patacas (mais 87 avos). Na Shell os preços cresceram de 16,76 patacas por litro, a 11 de Março, para 17,89 patacas, uma diferença de 1,13 patacas por litro. Na Total o preço do diesel subiu 4,8 por cento, de 16,61 patacas por litro para 17,40 patacas, uma diferença de 79 avos. A Esso apresentou o menor crescimento, o que não significa que pratique os preços mais baratos. A 4 de Março, a gasolineira cobrava 16,60 patacas por litro, mas na quarta-feira o preço estava nas 17,10 patacas uma diferença de 2,4 por cento, ou 50 avos.
Hoje Macau PolíticaEmpresário propõe Macau como ‘hub’ da moeda chinesa para países lusófonos e hispanófonos Um delegado de Macau no maior órgão consultivo da China propôs transformar o território numa plataforma financeira de ligação entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, com medidas “para impulsionar a internacionalização do yuan chinês”. O objectivo é “estabelecer gradualmente em Macau um centro de fixação de preços offshore do yuan chinês face às principais moedas da América Latina”, afirmou o empresário Lao Ngai Leong, num discurso na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), em Pequim. Lao esteve presente na capital chinesa nas “Duas Sessões”, o maior evento político anual do país e em que se reúnem simultaneamente a Assembleia Popular Nacional (APN) e a CCPPC em Pequim. A iniciativa proposta por Lao visa reduzir a dependência das empresas de Macau em relação ao dólar norte-americano e mitigar os riscos cambiais associados, de acordo com o delegado. “Devemos apoiar as instituições financeiras de Macau para gerarem mercado para estas moedas, concedendo-lhes o necessário apoio de liquidez e benefícios fiscais”, defendeu ainda Lao Ngai Leong, propondo “estabelecer acordos directos de compensação com os bancos centrais do México, Chile, Argentina e Peru, os principais parceiros comerciais da China na América Latina”. O delegado propôs ainda a criação de um centro de compensação de yuan chinês para os países de língua portuguesa e espanhola na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa, no entanto, esse âmbito tem vindo a ser alargado para os países de língua espanhola nos últimos anos. O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada, adjacente a Macau, para diversificar a economia do território, com foco em tecnologia, finanças e turismo. “Este centro deve ter acesso prioritário ao Sistema Transfronteiriço de Pagamentos Interbancários e explorar ligações técnicas com sistemas locais de compensação na América Latina, como o PIX do Brasil e o SPEI do México”, referiu o empresário. Aposta nas infra-estruturas Em relação às infra-estruturas financeiras, Lao defendeu “uma melhoria dos mecanismos de interconexão” para tornar Macau “mais atractivo para o capital estrangeiro”, utilizando a ligação directa existente entre a Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau e a Unidade Central de Mercados Monetários de Hong Kong para emitir obrigações na moeda chinesa. “Esta iniciativa visa atraí-los [investidores estrangeiros] para investir em activos continentais de alta qualidade através do mercado de Macau, diversificando assim os canais para a repatriação do yuan chinês”, explicou. Lao citou dados que mostram que as trocas comerciais da China com os países de língua portuguesa atingiram 225,8 mil milhões de yuan em 2025. O comércio com a América Latina foi ainda mais substancial, ultrapassando os 518,5 mil milhões de yuan em 2024, prevendo-se um crescimento contínuo para 2025. “A China tornou-se o segundo maior parceiro comercial da América Latina e um dos principais mercados de crescimento”, sublinhou.
Nunu Wu Manchete PolíticaEconomia | Hengqin quer atrair lojas centenárias de Macau As autoridades de Hengqin querem atrair as lojas centenárias e com características de Macau para a Ilha da Montanha. Para tal, lançaram apoios como a entrega de um subsídio de 300 mil renminbis. As medidas foram divulgadas na quarta-feira, durante uma apresentação das novas políticas de apoio à economia, que decorreu no Centro de Convenções e Exposições IFC de Hengqin. O evento de quarta-feira visou informar a audiência sobre os benefícios para a economia dos novos apoios, que começaram a ser distribuídos no início do mês e se vão prolongar até ao final de 2029. Também como parte das medidas, consta a intenção de promover uma integração mais profunda entre Hengqin e Macau. É neste contexto que surgem os apoios para atrair para a Ilha da Montanha as lojas em Macau classificadas pelo Governo da RAEM como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” ou “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Segundo o Executivo, que atribui as distinções, as marcas centenárias são as que têm “um legado histórico centenário, uma base cultural profunda e distintiva e possuem técnicas únicas”. As marcas típicas têm “uma longa história” ou “produtos, técnicas ou serviços herdados e transmitidos de geração-em-geração”. Finalmente, a classificação das Lojas com Características Especializadas e Delicadas distingue as lojas com “boa qualidade e integridade” que obtêm “uma reputação favorável”. De acordo com as novas medidas aplicadas em Hengqin, se as subsidiárias destas lojas se estabelecerem no território e cumprirem os requisitos do programa, depois de operarem durante um ano têm direito a um apoio financeiro de 300 mil renminbis, pago de uma vez. As medidas de apoio visam também a economia de baixa altitude, como a distribuição de drones, passeios turísticos de helicóptero e espectáculos de drones. Tudo orquestrado Segundo o comunicado da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o chefe da Divisão de Cultura, Turismo, Convenções e Exposições e Comércio, Lam In Kit, destacou que as medidas estão alinhadas com os objectivos da segunda fase de desenvolvimento da zona de cooperação, que passa por uma melhor integração de Hengqin e Macau. O responsável apontou que as medidas constituem um sistema de apoios de “modernização industrial, diversificação negocial e actualização dos serviços”, que assim vai abranger mais pessoas e empresas, na esperança de que se injecte uma nova dinâmica na transformação de Hengqin numa Ilha Internacional de Turismo e Lazer e numa zona turística com classe mundial. Durante a apresentação das medidas, foi também anunciado que o acesso aos apoios para as Pequenas e Médias Empresas vão ser facilitados. No caso das PME com volumes de negócios de 300 mil a um milhão de renminbi, haverá um pagamento de um apoio no valor de 5 por cento do volume de negócios, que não pode ser superior a 50 mil renminbis. Se o volume de negócios ultrapassar um milhão de renminbis, as empresas podem obter um bónus de dez por cento do volume, limitado a um máximo de 100 mil renminbis.
João Santos Filipe PolíticaPrisão | Guarda aceitava subornos para deixar entrar bens O principal visado pela investigação do CCAC terá recebido “pelo menos” 17 mil patacas para deixar entrar produtos na prisão, que depois eram vendidos por um recluso, que lucrava com o esquema O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) anunciou ter descoberto o caso de um guarda prisional da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) que aceitava subornos para ajudar um recluso a “contrabandear produtos para o estabelecimento prisional”. A investigação focou também um outro guarda prisional, que está actualmente aposentado. “Na sequência da investigação, o CCAC verificou que o guarda prisional no activo terá aproveitado as suas funções para ajudar um recluso a contrabandear produtos para a zona prisional”, foi divulgado. Quando os bens chegavam ao recluso, este fazia a venda no interior da prisão para lucrar com a ilegalidade. “O recluso em causa pagou, através da sua esposa, ao guarda prisional um valor de pelo menos 17 mil patacas como contrapartida pela sua ajuda”, foi explicado. Este guarda prisional é suspeito da prática dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, que tem uma pena que pode chegar aos oito anos de prisão, e do crime de falsificação de documento, cuja penalização pode chegar aos três anos de prisão. A investigação não se ficou pelo suborno nem pelo contrabando no interior da prisão. As autoridades também anunciaram que o guarda prisional “já tinha cometido, por duas vezes, infracções por excesso de velocidade”. No entanto, foi descoberto que o guarda, “para se eximir das responsabilidades”, “terá recorrido a um membro da família e a um amigo para assumirem a culpa”. Os familiares e o amigo, que segundo a investigação foram utilizados como bodes expiatórios, são suspeitos da prática do crime de falsificação de documento, cuja pena pode chegar ao três ano de prisão. Outro envolvido Em relação ao segundo guarda prisional investigado, que agora se encontra aposentado, foi indicado que “terá prestado auxílio, durante a altura de exercício das suas funções, a um outro recluso no contrabando de produtos para o estabelecimento prisional”. Este guarda prisional foi ainda investigado por ter “ajudado” o recluso “a trocar mensagens, secretamente e por várias vezes, com a sua família”. Face à investigação, o aposentado é suspeito da prática do crime de abuso de poder, punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos. Segundo o CCAC, os casos foram encaminhados para o Ministério Público e comunicados à DSC. Em reacção à investigação, a DSC declarou estar “profundamente triste pelo facto de alguns guardas prisionais terem conscientemente infringido a lei e violado os seus deveres, prejudicando gravemente a reputação da polícia prisional”. A DSC indicou ainda que “leva este assunto muito a sério e cooperará plenamente com as autoridades judiciais na investigação criminal”. “A DSC reitera que tem tolerância zero para quaisquer violações ilegais ou disciplinares por parte de qualquer membro do pessoal e que irá lidar com elas de forma séria, de acordo com a lei, a fim de defender o primado da lei e manter a reputação e credibilidade do serviço correccional”, foi acrescentado.
João Santos Filipe Manchete PolíticaShuttle Bus | Governo diz que pediu mais serviços às operadoras Após a polémica com a falta de alternativas para assegurar os serviços shuttles dos condomínios, o Governo defende-se e indica que pediu às operadoras de autocarros públicos para disponibilizarem mais viaturas Em relação às dificuldades dos edifícios residenciais em disponibilizarem serviços de shuttle, o Governo indica que pediu às operadoras de transportes públicos para disponibilizarem mais autocarros. As explicações surgem numa resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng, que vem assinada por Chan U Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). As dificuldades de contratação de serviços de autocarros pelos condomínios dos grandes complexos habitacionais tornaram-se uma preocupação dos deputados, com a entrada em vigor da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico, onde consta a proibição das agências de viagem disponibilizarem este tipo de serviço de transporte. Agora o Governo vem dizer que pediu às operadoras dos autocarros públicos para disponibilizarem mais autocarros. “O Governo da RAEM, através de coordenação interdepartamental, promoveu junto das duas operadoras de autocarros o aluguer dos seus ‘veículos não operacionais’ para a prestação de serviços de transporte, com vista a dar resposta às necessidades de deslocação dos moradores dos complexos habitacionais em causa”, foi indicado. Ao mesmo tempo, o Governo defendeu que pediu mais autocarros a circular junto dos edifícios: “A DSAT solicitou ainda às operadoras de autocarros que reforçassem a atenção à situação de espera nas paragens na envolvente dos complexos, aumentando atempadamente a frequência dos serviços para melhor escoar o fluxo de passageiros”, foi acrescentado. Apesar da resposta, em que o director da DSAL cita a posição da DSAT, a questão do aumento dos custos do transporte não é abordada pelos governantes. Proibição anterior Quanto à proibição dos autocarros das agências de viagem serem contratados para este serviço de shuttle, o Governo insiste que a medida estava em vigor, ainda antes da nova lei, apesar da prática generalizada. “Entre 2015 e 2025, registaram-se mais de 140 procedimentos instaurados contra as agências de viagens que violaram as normas relativas ao uso de veículos, incluindo a prestação ilegal de autocarros de turismo como autocarros para trabalhadores ou como autocarros de ligação para os complexos habitacionais”, foi indicado. Os números apresentados representam uma média de 12,7 “procedimentos instaurados” por ano. “Enquanto entidade fiscalizadora, a DST tem supervisionado, nos termos da lei, a actividade das agências de viagens, e desde que se verifique a prestação ilegal de serviços por parte das agências de viagens, será instaurado o respectivo procedimento”, foi frisado.
Tânia dos Santos PolíticaO sexo e o amor no fim do mundo Uma das coisas que mais prazer me dá em escrever sobre sexo é que nos transporta para um universo de curiosidade e conexão sócio-cutural. É uma atividade séria e divertida, nem que seja para ver aquela cara trancada ficar ainda corada e desconfortável porque há menção a vulvas e pénis. O sexo tem essa qualidade: o seu secretismo torna a sua exposição sedutora. É um território cheio de minas, mas que só podemos evitá-las se a dançarmos aos pulos. Mas o mundo parece mais sombrio a cada dia que passa, e nem sei como me conectar com essa leveza. Já escrevi aqui várias vezes sobre acontecimentos da actualidade que me pareceram relevantes para discutir a temática da sexualidade. Sobre o estado dos direitos humanos, sobre o sexo como arma de violência, sobre a misoginia e desinformação como uma praga que nos afronta. Sobre os rapazes adolescentes que têm o desejo de matar raparigas, sobre as pessoas que são violadas e violentadas em Gaza, sobre as mulheres e homens que resistem às guerras neste mundo, sobre as mulheres que não conseguem acesso a um aborto seguro, nem quando disso depende a sua vida. Sobre a homofobia, a bifobia e a transfobia que está viva. Vivemos tempos tão esquisitos que custa pensar no sexo como algo divertido. Nem sei se temos o direito de nos divertir quando parece estarmos à beira de uma terceira guerra mundial. Ou talvez este seja o momento certo. Talvez a melhor forma de resistência seja pensar no prazer e na conexão quando tudo se desfaz diante dos nossos olhos. Eu escolho pensar ainda sobre sexo porque talvez o Freud tivesse razão. A pulsão sexual é a pulsão de vida – confusa e desorganizadora, mas com vitalidade e desejo. E diante da catástrofe, é no sexo que vejo um porto seguro. Fisiologicamente o acto sexual transporta para esse lugar de intimidade e conexão profundas. O contacto íntimo activa sistemas neuroquímicos associados à segurança e à vinculação. A libertação de oxitocina, endorfinas e dopamina durante a intimidade não é apenas uma questão de prazer; é também uma forma de regulação emocional. Num mundo saturado de ameaça, o corpo humano procura experiências que restabeleçam a sensação de segurança. Também é no sexo – e no amor – que consigo ver propósito identitário e político no caos. O sexo poderá ser contestado e fustigado de formas repreensíveis, mas é no sexo que também está a comunidade, essa coisa maior do que os próprios genitais. Quando bell hooks falava de amor, falava desse sítio que eu considero que o sexo se encontra. Um sítio que não é guiado pela emoção e atração somente, mas por escolhas que são eticamente informadas. Para a autora, amor não é uma experiência individual, mas um ato radical de ética social capaz de transformar as relações e a sociedade. Também Audre Lorde descreveu o erótico como uma forma de poder — não apenas sexual, mas existencial. Para ela, o erótico é aquilo que nos recorda que estamos vivos e que o prazer não precisa de pedir autorização ao mundo para existir. Talvez seja por isso que regimes autoritários sempre tenham tentado controlar a sexualidade: porque corpos que sentem prazer são também corpos que reclamam autonomia. Por isso, se vos pareço leviana porque as coisas do amor e do sexo sempre pareceram secundárias no grande esquema da vida, é porque não compreendem as minhas prioridades. Estou saturada do conflito e do sofrimento no mundo. Ando sedenta de uma boa notícia, de um desenvolvimento que contrarie o estado das coisas. Mas sabendo que tenho de viver no sítio que não quero ignorar, também me refugio nesta possibilidade de escrever sobre o sexo – como disse, de forma divertida e séria – como ato político de cuidado. Falar de sexo quando o mundo parece desabar não é necessariamente uma forma de distração. Pode ser exactamente o contrário: talvez seja uma maneira de lembrar que, enquanto houver corpos que procuram intimidade, ainda não desistimos completamente uns dos outros.
João Santos Filipe PolíticaNovo Bairro | Pedida maior circulação de empregadas domésticas A deputada Wong Kit Cheng está em Pequim, para participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), onde pediu que as empregadas domésticas contratadas em Macau possam trabalhar em toda a Zona de Cooperação, e não apenas no Novo Bairro de Macau Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau, defendeu a facilitação da política que permite aos residentes locais levarem as empregadas domésticas estrangeiras para a Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. A posição foi tomada por Wong em Pequim, onde se encontra a participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), como representante da RAEM. Segundo a sua intervenção, que foi partilhada através do portal da Associação das Mulheres, Wong começou por destacar a importância da implementação desta política, limitada ao Novo Bairro de Macau, e indicou que este resultado tido como positivo só foi possível devido aos governantes do Interior. No entanto, a legisladora sugeriu que o processo se torne mais abrangente, uma vez que actualmente só existem 62 trabalhadoras não-residentes a desempenhar funções de empregadas domésticas neste bairro de Hengqin, onde apenas podem viver residentes de Macau. Com base nos dados oficiais, Wong indicou que apenas 14 por cento dos residentes de toda a Zona de Cooperação Aprofundada recorrem a trabalhadores não-residentes contratados em Macau. Todavia, os estudos sobre o assunto, mencionados pela deputada, apontam que mais de metade dos residentes de Macau em Hengqin pretende recorrer a trabalhadores não-residentes contratados em Macau, em vez de mão-de-obra disponível no Interior. Próximo nível Com base no cenário descrito, Wong Kit Cheng indicou que a maior utilização de trabalhadores não-residentes contratados em Macau no Interior pode ser alcançada através de duas alterações nas políticas actuais. A primeira forma, passa por facilitar a circulação na Zona de Cooperação Aprofundada com as empregadas domésticas contratadas em Macau a poderem circular por toda a Zona, em vez de ficarem limitadas ao Novo Bairro de Macau. Segundo Wong, desta forma os residentes de Macau a viver e a trabalharem no outro lado da fronteira podem sentir melhor os benefícios das políticas nacionais. Em segundo lugar, a deputada ligada à Associação das Mulheres admite a criação de um novo sistema de segurança entre Macau e o Guangdong, para controlar as entradas e a circulação destas empregadas. Segundo Wong Kit Cheng, esse novo mecanismo permitiria aos residentes recorrerem a esta mão-de-obra, ao mesmo tempo que se mitigavam os riscos para a segurança no Interior. A deputada sublinhou ainda que um mecanismo deste género tem igualmente de garantir a protecção laboral destes trabalhadores.
David Chan PolíticaDe esposa a actriz porno: Abertura do casamento tradicional (I) De acordo com a imprensa japonesa, uma mulher de trinta e tal anos sofreu uma paragem respiratória devido a problemas relacionados com uma anestesia, depois de ter sido operada a uma fractura. Esta experiência de quase morte levou-a a reflectir sobre a vida. Devido à ausência prolongada de intimidade conjugal, sentia-se emocional e fisicamente carenciada. Então decidiu falar abertamente com o marido, sugerindo passar a ter casos extra-conjugais, o que o chocou e perturbou. Após várias conversas, o casal concordou em manter uma relação matrimonial tradicional, mantendo a rotina diária e partilhando as tarefas domésticas. No entanto, a mudança consistiria no facto de a mulher passar a actuar em filmes para adultos, que mostrassem o seu corpo belo e voluptuoso; ele até iria apreciar e comentar o seu talento para a representação. Com esta mudança, as necessidades físicas e emocionais da mulher seriam satisfeitas por outras pessoas. Assim, a relação passou de casamento “tradicional” a casamento “aberto”. Um “casamento aberto” é uma relação transparente e honesta que implica consentimento mútuo, diferente do casamento tradicional. No casamento tradicional, a infidelidade implica traição e mentira; no entanto, num casamento aberto, o relacionamento com outras pessoas resulta de um acordo mútuo, não existindo aceitação forçada ou ocultação. O casal estabelece regras detalhadas. Por exemplo: a abertura limita-se a convívio ou inclui actividade sexual? O elemento exterior pode ser um amigo comum? Pode-se levar para casa o novo parceiro? São necessárias medidas contraceptivas e preventivas? Num casamento aberto, como é que se estabelece a superioridade afectiva do cônjuge em relação ao novo parceiro? A resposta é simples: quando um dos elementos do casal precisa do outro, o “outro” tem de se afastar imediatamente. Este é o princípio mais importante para manter o amago da relação. Porque se escolhe um casamento aberto? A satisfação das necessidades fisiológicas é uma das razões. Na história acima citada, um dos elementos do casal tinha mais desejo sexual do que o outro; o casamento aberto poderia assim servir como um mecanismo compensatório para manter a estabilidade conjugal. Em segundo lugar, o marido ter concordado com a participação da esposa em filmes para adultos permitiu que ela pudesse ter novas experiências sexuais e novas ligações emocionais e aumentar o seu auto-conhecimento. Em terceiro lugar, em vez de reprimir a natureza ou prevenir a infidelidade, a abertura condicional permite uma relação de confiança mais duradoura porque não há necessidade de ninguém se esconder. Embora o casamento aberto tenha vantagens e pareça ser libertador, também lida com as seguintes dificuldades: Primeiro, poucas pessoas conseguem manter-se realmente indiferentes quando confrontadas com a intimidade do cônjuge com os outros, ou com o apreço que tem por eles. O ciúme pode fazer com que o consentimento passe a oposição e essa oposição pode assumir formas violentas. Segundo, em geral a sociedade encara o casamento aberto como um relacionamento anormal, que potencialmente pode danificar a felicidade conjugal e deixar uma impressão de “promiscuidade”. Do ponto de vista legal, pode ser considerado uma violação da fidelidade conjugal e um desafio às normas sociais. Na próxima semana, iremos continuar a nossa análise sobre o impacto na sociedade japonesa dos casamentos tradicionais que passaram a casamentos abertos.
Hoje Macau Manchete PolíticaMP | Assumido papel de interlocução entre a China e PLP Tong Hio Fong promete que Macau vai desempenhar o papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público (MP) da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos. Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa. O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover “prosperidade e estabilidade a longo prazo”. Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reacção às Duas Sessões, a RAEM será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa. O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspectiva de que Macau deve servir como “cabeça-de-ponte” para a abertura da China ao mundo lusófono. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023. Objectivo definido Segundo Tong, o objectivo é que Macau se afirme cada vez mais como “elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa”, contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’. Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluída a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola. Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde. De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Macau quer também começar a negociar um “acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial” com Portugal. No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal. Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República.
Nunu Wu PolíticaHong Kong | Roubados 10 milhões a residente de Macau e familiar Um residente de Macau e um familiar de Hong Kong foram alvo de um roubo de cerca de 10 milhões de dólares de Hong Kong, na sexta-feira, na estação do metro Sheung Wan. O caso foi revelado pela polícia de Hong Kong, e os ladrões detidos logo no local. Segundo a informação divulgada em conferência de imprensa, as vítimas foram roubadas por dois ladrões, depois de serem ameaçadas com uma faca. O roubo aconteceu logo depois de o residente de Macau e o familiar terem trocado moeda numa loja de câmbio em Hillier Street. Nessa operação, as vítimas trocaram dólares americanos e renminbi pelos 10 milhões de dólares de Hong Kong. Após o assalto, os ladrões foram detidos, porque os agentes apareceram rapidamente no local. Também um polícia interceptou um carro que se encontrava nas proximidades e deteve o condutor, que é tido como cúmplice dos detidos. O superintendente de polícia, Lo Ka Chun, revelou que durante o assalto e a detenção, apenas o residente de Macau ficou ferido, de forma ligeira, numa mão. Os ferimentos aconteceram durante a resistência inicial face ao roubo, e apesar de não serem graves, o residente de Macau foi conduzido ao Hospital Queen Mary. Lo Ka Chun reconheceu ainda que a polícia já tinha recebido uma denúncia para a possibilidade de uma associação criminosa estar a planear este roubo. Segundo a investigação inicial, os três detidos são portadores do bilhete de identidade de residente de Hong Kong e um dos deles tem passaporte filipino. Além disso, alguns detidos têm ligações com as tríades. Este é o terceiro caso do género, nos últimos três meses, em Sheung Wan.
Hoje Macau Manchete PolíticaCigarros | Governo quer proibição total de cigarros electrónicos A proposta de lei em consulta visa os cigarros electrónicos, as bolsas de nicotina e o tabaco para os cachimbos de água. Os infractores apanhados na posse destes produtos vão ter de pagar multas que chegam às 1.500 patacas O Governo de Macau apresentou na sexta-feira uma proposta de lei que prevê a proibição da posse e consumo de cigarros electrónicos, “face aos riscos associados à saúde pública”. Os Serviços de Saúde anunciaram o lançamento de uma consulta pública, entre 8 de Março e 8 de Abril, sobre a revisão da lei de prevenção e controlo tabágico. Desde 2018, que já é proibida em Macau a venda, publicidade e promoção a cigarros electrónicos. Em 2022, a região proibiu também o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte destes dispositivos. Mas o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde admitiu que os residentes têm continuado a usar cigarros electrónicos, que “devido ao seu tamanho reduzido são facilmente ocultáveis”. “Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, lamentou Lam Chong. “Algumas pessoas, depois de algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou, numa conferência de imprensa. Drogas ilegais Além disso, o dirigente alertou que os cigarros electrónicos têm sido usados “como utensílio” para o consumo de drogas ilegais, como o caso de uma nova droga sintética, conhecida como ‘petróleo espacial’. “A população, de modo geral, demanda o fortalecimento da fiscalização sobre o consumo dos cigarros electrónicos”, defenderam os Serviços de Saúde, no documento de consulta pública. O ‘petróleo espacial’, produzido a partir do anestésico etomidato, já terá causado pelo menos três mortes na região vizinha de Hong Kong. Em Macau, a primeira apreensão foi feita numa escola local, em Outubro de 2023. A substância é conhecida em Hong Kong como ‘droga zombie’ porque pode causar graves danos físicos e mentais, incluindo dependência, perda de memória, convulsões, perda de consciência e até morte. Os Serviços de Saúde sublinharam que a posse de cigarros electrónicos já está proibida em Singapura desde 2018 e que Hong Kong irá banir o consumo em locais públicos a partir de 30 de Abril. “Esperamos que a revisão possa entrar em vigor no próximo ano, embora vá haver um período de transição”, disse Lam Chong. Após a entrada em vigor, quem for apanhado em público com cigarros electrónicos, irá enfrentar uma multa de até 1.500 patacas. Cachimbos de água visados A proposta de lei prevê também a proibição do fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte na entrada e saída de Macau de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e tabaco ou pasta para cachimbos de água. O objectivo, explicou Lam Chong, é banir estes produtos alternativos de tabaco, que não são abrangidos pela actual legislação, “antes que se generalizem” no território, nomeadamente entre os jovens consumidores. O dirigente avisou que os fabricantes têm descrito estes produtos, de forma errónea, como “livres de tabaco”, “sem malefícios” ou como “substitutos saudáveis” dos cigarros convencionais. Lam deu como exemplo o consumo de um cachimbo de água durante 45 a 60 minutos, algo que disse ser “equivalente a fumar 100 cigarros”, com “uma maior quantidade de monóxido de carbono”.
João Luz Manchete PolíticaDuas Sessões | André Cheong diz que deputados não são “apenas espectadores” Todos os secretários e responsáveis de altos cargos da RAEM garantiram que vão “implementar seriamente o espírito das duas sessões nacionais”. O princípio da predominância do poder Executivo e a defesa da segurança nacional foram compromissos partilhados pelas principais figuras políticas da RAEM Depois das sessões inaugurais da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e do encontro da delegação da RAEM com Ding Xuexiang, membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China e Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado encarregado dos assuntos de Hong Kong e Macau, todas as principais figuras políticas locais garantiram que vão implementar o espírito das duas sessões. O presidente da Assembleia Legislativa (AL), André Cheong, afirmou que o órgão legislativo “vai tomar como orientação as declarações e instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi Jinping durante a sua visita a Macau e a Hengqin no final de 2024, (…) e estudar a fundo e implementar o espírito das duas sessões nacionais”. André Cheong indicou que a “Assembleia Legislativa tomará medidas concretas para concretizar o princípio da predominância do poder executivo, para não ser apenas um ‘comentador’ ou ‘espectador’”, com os deputados serem os representantes da opinião pública. O líder da AL salientou a responsabilidade dos deputados na salvaguarda da segurança nacional e no impulso ao desenvolvimento económico e social de Macau”. Além da segurança nacional, André Cheong apontou a necessidade produzir legislação que facilite a vida dos residentes de Macau que vivem ou trabalham em Hengqin, e o reforço da colaboração com os órgãos legislativos da Província de Guangdong e do Município de Zhuhai. Por seu turno, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, salientou que o sistema jurídico de defesa da segurança do Estado será aperfeiçoado e consolidado e que será “intensificada a educação do amor pela pátria e por Macau junto dos trabalhadores dos serviços públicos”. Cultura nacionalista Também a pasta da área dos Assuntos Sociais e Cultura sublinhou que “estudará com afinco o espírito das instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi durante as ‘Duas Sessões’, o relatório de trabalho do Governo, bem como as instruções do Vice-Primeiro-Ministro Ding”. A tutela liderada por O Lam apontou a importância do desenvolvimento integrado da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados. Neste ponto, o gabinete da secretária salientou a inclusão no 15.º Plano Quinquenal Nacional do desenvolvimento da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. No plano cultural, O Lam defende que a cultura deve “transmitir os valores essenciais do amor à Pátria e amor a Macau e contar bem a história de Macau”. Já a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, afirmou que a realização das Duas Sessões apontou o rumo para o desenvolvimento futuro de Macau, e que os tribunais da RAEM irão apoiar firmemente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM na sua governação”. A mais alta magistrada da RAEM afirmou ainda que “os tribunais da RAEM irão exercer o poder judicial nos termos da lei, pautando-se pelo conceito de justiça imparcial, apoiando firmemente o Chefe do Executivo na sua governação em conformidade com a lei. Além disso, os crimes contra a segurança nacional serão punidos “severamente”. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que a “predominância do poder executivo é a orientação das decisões do Governo Central que conta com a colaboração e o apoio do Governo da RAEM, da população em geral e dos diversos sectores da sociedade”. Mensagens semelhantes foram partilhadas pelos restantes secretários, e comissárias Contra a Corrupção e Auditoria, os Serviços de Alfândega e o Procurador do Ministério Público.
Olavo Rasquinho PolíticaAs tempestades e a falta de cultura meteorológica em Portugal Já muito se falou e escreveu sobre a tempestade Kristin que afetou Portugal na madrugada do 28 de janeiro de 2026, causando graves prejuízos, em especial nas regiões do centro do país. Começou como núcleo depressionário associado a uma depressão muito mais vasta, designada por Joseph, tendo sofrido uma diminuição brusca da pressão no seu centro, o que se pode classificar como ciclogénese explosiva, visto que a queda da pressão ultrapassou 24 hPa em 24 horas. Este fenómeno meteorológico é também designado por ciclone-bomba. Note-se que, na Europa, à semelhança do que é prática corrente nas regiões tropicais relativamente aos ciclones tropicais, são atribuídos nomes próprios às depressões sempre que se prevê que poderão ter impactos significativos. Esta prática foi iniciada pela Irlanda e Reino Unido, em 2015. Mais tarde, em 2017, Portugal, Espanha, França, Bélgica e Luxemburgo também passaram a elaborar listas de nomes próprios. Entretanto, outros grupos regionais foram formados, elaborando cada grupo a sua própria lista de nomes, alternadamente femininos e masculinos. O critério principal está relacionado com a severidade que justifique a emissão de avisos meteorológicos de nível laranja ou vermelho. Em Portugal, o principal parâmetro a considerar é o vento, podendo também ser justificação para avisos outras variáveis, como precipitação intensa e agitação marítima. Durante um período de algumas semanas, entre meados de janeiro e meados de fevereiro de 2026, ocorreu uma sequência inusitada de depressões às quais foram atribuídos nomes. Destacam-se, além de Kristin, as depressões Joseph e Cláudia que, embora tenham provocado estragos, não tiveram consequências tão acentuadas. Quando as depressões com nomes próprios não têm consequências significativas, os seus nomes permanecem na lista de acontecimentos futuros. Contrariamente, como no caso de Kristin, serão banidos e substituídos por outros. O facto de se ter formado um bloqueio anticiclónico entre a Gronelândia e a Península Escandinava, e o Anticiclone dos Açores se encontrar bem a sul do paralelo 40º N, fez com que se estabelecesse uma espécie de corredor nas vizinhanças deste paralelo, o que favoreceu o rápido percurso de oeste para leste de uma sequência de depressões em geral associadas a ondulações frontais. Habituados à amenidade do clima, os portugueses surpreenderam-se com a gravidade das consequências, que se traduziram no derrube de centenas de milhares de árvores, cheias, inundações, deslizamentos de terras, danificação de edifícios, postes de eletricidade, diques e outras infraestruturas. A região centro, que já havia sofrido graves danos com a passagem de uma depressão extratropical resultante do furacão Leslie, em 2018, foi a mais fustigada. As imagens de satélite da depressão Kristin apresentam uma configuração com o aspeto de gancho ou cauda de escorpião, o que denota a existência de uma forte corrente de ar descendente que se designa por “sting jet” (“sting” em inglês significa ferrão). Este tipo de corrente, ao atingir a superfície, origina ventos extremamente fortes, numa faixa de dezenas de quilómetros, frequentemente superiores ao grau 12 da escala de Beaufort (ventos superiores a 118 km/h). No caso da depressão Kristin, foram registadas rajadas superiores a 150 km/h, nomeadamente na Base Aérea de Monte Real, onde uma rajada atingiu valor superior a 170 km/h. Vem este texto não só a propósito da tempestade Kristin, mas também sobre a linguagem inadequada que se usa quando se fala do tempo e do clima. Num dos despachos assinados pelo Primeiro-Ministro (despacho n.º 1335-A/2026, de 4 de fevereiro) a tempestade Kristin é classificada como “fenómeno climatérico adverso”. Também no Despacho n.º 1218/2026 de 3 de fevereiro, referente à depressão Cláudia, assinado pelo Ministro da Agricultura e Mar, aquele fenómeno meteorológico foi também classificado da mesma maneira. Mesmo em documentos oficiais da União Europeia, as expressões “phénomenes climatiques défavorables” e “adverse climatic events” são traduzidas para português como “fenómenos climatéricos adversos”, o que se pode considerar, no mínimo, uma tradução inadequada. É o caso, por exemplo, da versão portuguesa do Regulamento (UE) 2021/2115 do Parlamento Europeu, relativo a regras para apoiar planos estratégicos a elaborar pelos Estados-Membros relativos à política agrícola comum. Ainda no âmbito das consequências da depressão Kristin, numa entrevista à CNN Portugal, em 4 de fevereiro de 2026, a Ministra do Ambiente e Energia referiu-se à tempestade declarando explicitamente “isto foi um furacão” e afirmando que se tratava de um “evento como não há memória”. Claro que se trata de afirmações feitas por alguém que não é especialista nas áreas da meteorologia e do clima. Seria conveniente, no entanto, um mínimo de coerência nas afirmações sobre eventos que caem no âmbito do seu ministério, que tutela o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e que, por sua vez, é a autoridade meteorológica nacional. Kristin não se pode classificar como furacão, pois trata-se de uma depressão extratropical. Na realidade, os furacões formam-se nas regiões tropicais e os processos de formação são distintos. Infelizmente a legislação portuguesa adotou a designação “fenómenos climatéricos adversos” para se referir a eventos meteorológicos com consequências devastadoras, evidenciando uma falta de cooperação entre os legisladores e o IPMA. Provavelmente este Instituto nem terá sido consultado sobre a tradução do documento da União Europeia atrás referido. Sobre a afirmação “evento como não há memória”, foi de facto um dos mais gravosos nas últimas dezenas de anos, mas ainda há cidadãos portugueses que se lembram do “Ciclone de 1941”, considerado a tempestade mais mortífera que afetou Portugal desde que se fazem observações regulares. Causou graves danos em todo o país, tendo provocado uma quantidade elevada de mortos, que se estima ter sido entre 150 e 200, não se sabendo o número exato devido à censura que caracterizava o regime então vigente. Outras imprecisões de linguagem ocorrem com alguma frequência. Por exemplo, não é raro ouvir e ver escrito “metereologia”, “metereologista”, “metereológicas”, etc., em vez de “meteorologia”, “meteorologista” e “meteorológicas”. Trata-se de uma falta de conhecimento da etimologia da palavra “meteorologia”, termo que designa a ciência que estuda a atmosfera terrestre. Entre outros assuntos, esta ciência estuda os meteorosi, os quais, segundo a Organização Meteorológica Mundial, se definem como sendo todos fenómenos observados na atmosfera que resultam da existência de partículas líquidas ou sólidas, ou de processos óticos ou elétricos. Provavelmente, devido a haver uma certa dificuldade em articular corretamente as sílabas da palavra “meteorologia” e seus derivados, e à tendência natural de simplificar a fala, alguns profissionais da comunicação social preferem recorrer à expressão “condições climatéricas” em vez de “condições meteorológicas”. Cometem, no entanto, um outro erro, atendendo a que pretendem relacionar a palavra “climatéricas” com o tempo que faz, ou fez, num determinado momento ou durante um período relativamente curto. São frequentes frases como esta: “o espetáculo foi interrompido devido às condições climatéricas”. Ora o termo “climatérico” poderá estar relacionado com o clima ou com o tempo, como mencionam alguns dicionários, mas esta expressão não é adequada para referirmos às condições meteorológicas num determinado momento, visto que “tempo” e “clima” têm significados diferentes. Quando pretendemos referir-nos ao tempo devem ser usadas as expressões “condições meteorológicas”, “condições atmosféricas”, “estado do tempo” ou simplesmente “tempo”. Quando falamos do clima de uma determinada região estamos a referir-nos às condições meteorológicas médias durante um vasto período, no mínimo de 30 anos. Ao escrever “metereologia” estamos a cometer um erro ortográfico, enquanto chamar “clima” ao “tempo” incorremos num erro semântico. O termo “climático” (e não “climatérico”) é mais adequado, quando nos queremos referir ao clima. Mais uma razão para não usar o termo “climatérico” consiste no facto de, no âmbito da medicina e da botânica, se referir, respetivamente, ao “período de transição fisiológica e psicológica que antecede e sucede a menopausa ou a andropausa” e ao “processo de maturação de certos frutos” (segundo os Dicionários Infopédia da Porto Editora). Em resumo, é de evitar termos, como “metereologia” (erro ortográfico) e seus derivados, e “climatérico” (erro semântico) sobre fenómenos meteorológicos como o que infelizmente é frequente em reportagens e em documentos oficiais. Por respeito à língua portuguesa e ao público em geral é fundamental que se recorra a termos precisos para evitar equívocos.
Hoje Macau PolíticaConsulado de Moçambique recebeu 79 mil patacas para vítimas de cheias O cônsul-geral de Moçambique em Macau, Rodrigues Muêbe, disse ontem à Lusa que já recebeu mais de 79 mil patacas numa campanha de recolha de donativos para as vítimas das inundações. Na quarta-feira, o diplomata recebeu 45 mil patacas, um valor angariado entre os 19 mil membros da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. No final de Janeiro, o Consulado-Geral de Moçambique na RAEM apelou à recolha de donativos, monetários e em espécie, para as vítimas das inundações que afectaram o país lusófono africano Desde então, a representação diplomática recebeu também 18 mil patacas da Associação de Desenvolvimento de Profissionais Internacionais de Turismo de Macau, assim como 16 mil patacas em “donativos de anónimos”, disse Muêbe. Os donativos monetários serão aceites, até ao final de Maio, nas contas do consulado no Banco Nacional Ultramarino (BNU). Já os donativos em espécie, serão encaminhados para um ponto de recolha em Guangzhou, de onde será “mais fácil” o transporte para Moçambique, explicou Muêbe. O cônsul acrescentou que recebeu uma oferta de ajuda da Cruz Vermelha de Macau e que está em contacto com a organização humanitária para coordenar o transporte dos donativos para Guangzhou. Também a Escola Portuguesa de Macau realizou, entre os alunos e professores, uma campanha de recolha de artigos, que deverão ser doados, com o apoio do Consulado-Geral de Portugal, na próxima semana, referiu Muêbe. O consulado tinha lançado um apelo ao “apoio humanitário e solidário junto das instituições público-privadas, associações e pessoas de boa vontade de Macau e da região da Grande Baía”. Números da calamidade O consulado pediu apoio monetário ou na forma de “roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didáctico, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola”. O objectivo é “ajudar as vítimas das cheias e inundações a erguerem as suas vidas”, perante uma “situação que decorre dos efeitos das mudanças climáticas”, lamentou a representação diplomática moçambicana. Moçambique já recebeu 17,5 milhões de euros e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações, anunciou na terça-feira o Governo de Maputo. O número total de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 262, com registo de quase mil pessoas afectadas, desde Outubro, segundo a actualização de terça-feira pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Hoje Macau PolíticaDSEDT | Macau alarga a Espanha concurso para tecnológicas O Governo de Macau anunciou ontem que vai abrir portas a ‘startups’ de Espanha na sexta edição do concurso de inovação e empreendedorismo que até agora estava reservado para tecnológicas de Portugal e Brasil. Representantes da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) de Macau estiveram na exposição de tecnologia Mobile World Congress (MWC), que arrancou na segunda-feira em Barcelona. De acordo com um comunicado, a DSEDT aproveitou a presença na MWC para promover o novo modelo da competição junto de plataformas e empresas de inovação tecnológica espanholas. A ‘startup’ brasileira de biotecnologia Hilab venceu a última edição do concurso, realizada em Junho, na qual foram distinguidas outras seis empresas portuguesas e brasileiras, abrindo as portas a apoios e financiamento e ao mercado chinês. A Hilab, com um capital de 200 milhões de patacas, dinheiro angariado de 125 milhões de patacas e à procura de contactos, oportunidades de negócio, de financiamento e de expandir-se na China, foi fundada em 2016. A ‘startup’ desenvolveu um dispositivo de diagnóstico portátil que fornece resultados de qualidade laboratorial. De acordo com informação da Hilab, o dispositivo requer “apenas algumas gotas de sangue” e pode “realizar 25 tipos de exames, cobrindo 85 por cento dos diagnósticos médicos mais solicitados”. Um painel de investidores, académicos e especialistas em finanças seleccionou em segundo lugar outro projecto brasileiro, Klike.AI LLC, uma plataforma de análise de marketing alimentada por inteligência artificial, e em terceiro ficou a ‘startup’ portuguesa OWLplaces, especializada em inteligência artificial e análise de dados geoespaciais Outras prioridades O actual líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos. A China estabeleceu a RAEM como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau. O organismo integra, além da China, os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial. Num fórum integrado na MWC, o subdirector da DSEDT, Chan Chou Weng, apresentou o projecto do Parque Industrial de Investigação de Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau. O Governo prevê investir 18,1 mil milhões de patacas na construção do parque, que deverá ficar concluído até 2029.
Hoje Macau PolíticaAPN | Li Qiang garante que Pequim irá apoiar a integração da RAEM Durante a apresentação de ontem do relatório de trabalho do Governo Central, o primeiro-ministro, Li Qiang, reiterou que irá “apoiar uma melhor integração das Regiões Administrativas Especiais na conjuntura do desenvolvimento nacional e na prestação de serviços ao país”, indicou ontem o Gabinete de Comunicação Social. O governante afirmou ainda que a aposta para Macau e Hong Kong passa por potenciar as vantagens únicas e o papel importante de apoio ao país na interligação com o mundo, mas também impulsionando a prosperidade e estabilidade a longo prazo das duas regiões administrativas especiais. O mesmo comunicado salienta que o Sam Hou Fai, que assistiu ontem à apresentação de Li Qiang no Grande Palácio do Povo em Pequim, “aprendeu e compreendeu profundamente o espírito importante e as políticas principais”. O Chefe do Executivo indicou ainda que “a RAEM está confiante e tem capacidade para aproveitar bem as oportunidades geradas pelo desenvolvimento do país, criar uma nova conjuntura do desenvolvimento de maior prosperidade e estabilidade em Macau e escrever um novo capítulo para a implementação com sucesso do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau. Sam Hou Fai garantiu também que Macau irá continuar a zelar pela defesa de ‘um país’ e aproveitar as vantagens dos ‘dois sistemas’, defendendo “com firmeza a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento nacional”.
Nunu Wu Manchete PolíticaTurismo | Pedida maior capacidade nas fronteiras e análises de consumo Apesar de os números de turistas que visitaram Macau durante os feriados do Ano Novo Lunar terem batido todos os recordes, a economia comunitária e o comércio dos bairros residenciais não foi beneficiada. Este tem sido um dos paradoxos económicos do território, que vive a duas velocidades, que teima em não ser resolvido e que foi tema ontem de uma palestra do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, conduzida pelo deputado Ngan Iek Hang. O legislador eleito pela lista dos Moradores enalteceu os esforços do Governo na organização de actividades nos bairros fora dos circuitos turísticos, mas apelou a que estes eventos e atracções sejam mais publicitados nas redes sociais chinesas. A promoção é importante para permitir aos visitantes planearem o percurso pela cidade, criando alternativas aos pontos mais conhecidos. O deputado defende também que os postos fronteiriços devem reforçar a sua capacidade para conseguirem processar o volume crescente de travessias, em especial nas Portas do Cerco, Qingmao e Hengqin. Fazer mais e melhor Em relação ao consumo de turistas nos bairros residenciais, Ngan Iek Hang recordou que o Governo lançou vários programas, como as lojas com características próprias, que não surtiram o efeito desejado. Apesar disso, defende que são precisas mais medidas e empenho dos comerciantes para atingir os objectivos desejados. Porém, o legislador entende que o Governo deveria analisar detalhadamente as tendências de consumo nas lojas e restaurantes dos bairros, de forma a elaborar medidas precisas que correspondam ao desenvolvimento económico dessas zonas da cidade. Os transportes e ligações entre as várias zonas da cidade são outro ponto que pode ser melhorado. “Nos próximos feriados, deveríamos reordenar as carreiras de autocarro e melhorar as condições pedestres, permitindo aos visitantes conhecerem as proximidades de zonas como NAPE e Horta e Costa”, afirmou, exemplificando a possibilidade de publicitar percursos que podem ser feitos a pé, usando o Túnel da Guia e pela zona do Conselheiro Ferreira de Almeida. A palestra que decorreu ontem teve como convidado o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, que enalteceu o trabalho de comunicação feito pelo Governo no caso da zona pedonal na Rua de Nossa Senhora do Amparo. O responsável indicou que 98 por cento dos comerciantes da zona reportaram melhorias nos negócios durante os feriados do Ano Novo Lunar, algo que não se verificou no ano anterior.
Hoje Macau PolíticaIPIM | Feira comercial para países de língua portuguesa em Outubro O Governo anunciou ontem que vai organizar em Outubro uma feira comercial dedicada apenas aos países de língua portuguesa, em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos. O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) lançou um concurso para a coordenação da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (Macau) 2026 (PLPEX), marcada para entre 21 e 24 de Outubro. No caderno de encargos prevê-se que a PLPEX ocupe uma área seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”. A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, destes, 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”. O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos. A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha. A Lusa questionou o IPIM sobre se a nova feira irá substituir a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), mas não obteve qualquer resposta.
João Santos Filipe Manchete PolíticaNão-Residentes | Ip Sio Kai quer Governo a facilitar novas contratações O deputado defende que a economia está em expansão e que as empresas encontram condicionamentos. Por isso, Ip defende a facilidade da contratação de não-residentes a pensar nas empresas que vencem os concursos públicos O deputado Ip Sio Kai defende a facilitação dos mecanismos para a contratação de trabalhadores não-residentes, a pensar nas adjudicações de contratos públicos. A posição do também vice-Director-Geral da Sucursal de Macau do Banco da China e presidente da Associação de Bancos de Macau foi tomada através de uma interpelação escrita. Apesar de justificar a interpelação com os constrangimentos à expansão das empresas locais, Ip Sio Kai relaciona principalmente o problema da falta de mão-de-obra com os contratos públicos e as autorizações de contratação de trabalhadores não-residentes. Nestes casos, o legislador aponta que as autorizações de trabalho só podem ser pedidas após a apresentação dos contratos das adjudicações públicas. Todavia, os concursos públicos são tidos como processos “lentos” e as contratações de não-residentes “demoram cerca de três meses”. Por isso, Ip Sio Kai explica que há sempre o risco dos contratos para as obras exigirem um início imediato, sem que haja mão-de-obra disponível, o que coloca “pressão sobre o cumprimento desses contratos”. Face ao problema, Ip pretende saber se o Governo vai criar um mecanismo de aprovação condicional da contratação de não-residentes, em que as autorizações são aprovadas previamente, mas apenas confirmadas após a adjudicação de obras ou outros trabalhos. “Isso permitiria às empresas apresentar candidaturas de trabalhadores não-residentes antes de garantir formalmente a adjudicação. Com base em projecções comerciais razoáveis, as autoridades informariam primeiro as empresas sobre o número de trabalhadores não-residentes que poderiam ser aprovados caso ganhassem a adjudicação”, defendeu. Áreas estratégicas Ip Sio Kai pede também que a política de autorização de contratação de não-residentes se torne mais clara e sejam identificadas áreas em que os procedimentos são mais simplificados. O deputado quer assim saber se vão ser publicadas “categorias de profissões mais susceptíveis” de verem os pedidos aprovados rapidamente. O membro da Assembleia Legislativa argumenta que uma publicação deste género iria “aumentar a confiança da indústria nas políticas relativas aos trabalhadores não-residentes, dada a persistente escassez de mão de obra local ou a baixa disponibilidade para trabalhar em determinadas profissões”. Ao mesmo tempo, o deputado pede maior flexibilidade em relação às quotas de trabalhadores não-residentes que não são utilizadas durante um certo período tempo. Actualmente, se as empresas obtêm uma quota mas não a utilizam durante o prazo de seis meses, ou seja, não contratam o trabalhador não-residente, a quota é cancelada. Ip Sio Kai defende que este prazo deve ser aumentado, devido à “intensificação da concorrência regional”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJustiça | Advogados de todos os arguidos do caso Lee Sio Kuan negam crimes Lee Sio Kuan e Wu U Choi estão acusados pelo Ministério Público de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral Os 18 arguidos do caso de corrupção eleitoral que envolve a lista Ou Mun Kong I, candidata às eleições legislativas de 2021, recusaram ter cometido qualquer crime. A posição foi tomada no Tribunal Judicial de Base (TJB), na segunda-feira, pelos advogados de defesa, durante a realização das alegações finais do julgamento. Por sua vez, todos os arguidos optaram por manter-se em silêncio. Lee Sio Kuan, mandatário e cabeça-de-lista da Ou Mun Kong I, e Wu U Choi estão acusados de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral. Che Mio Peng e os restantes 15 arguidos foram acusados por um crime de corrupção eleitoral. Segundo o Ministério Público (MP), Lee Sio Kuan financiou, organizou e ofereceu uma excursão de meio dia a mais de 200 residentes, que incluiu um guia turístico, refeições e presentes com slogans de apoio à lista. A acusação considera que a oferta da viagem teve como objectivo levar os eleitores a assinar o formulário da lista, no âmbito da recolha das 300 assinaturas para constituir a comissão de candidatura, entregue à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). O advogado de defesa de Lee Sio Kuan considerou que o seu cliente não é culpado do crime de falsificação de documento, porque agiu com negligência, sem dolo. Face ao elevado número de formulários de apoio à comissão de candidatura, o advogado reconheceu que Lee agiu com descuido, e que se tivesse tido consciência da existência de assinaturas falsificadas que teria impedido a submissão das mesmas. Quanto às acusações de corrupção eleitoral, o advogado argumentou que não houve premeditação da excursão, e que Lee sio Kuan não pediu nem ordenou directamente às outras pessoas que organizassem a excursão. Os papéis de Wu e Che Na perspectiva do MP, Wu U Choi e Che Mio Peng foram também fundamentais para a viagem, uma vez que ajudaram na organização e convidaram residentes para participar no evento. No entanto, o advogado de Wu U Choi recusou esta versão. Segundo o mandatário, o seu cliente realizou a excursão com base numa lógica estritamente comercial, desconhecendo as razões e os objectivos da organização. O advogado afirmou que as provas apresentadas ao longo do julgamento pelo MP referentes à falsificação de assinatura são insuficientes para provar a prática dos crimes. Por sua vez, o advogado de Che Mio Peng revelou que a arguida não conhecia bem Lee Sio Kuan, e que o seu envolvimento nas excursões se ficou unicamente a dever ao facto de ter uma rede de conhecimentos ligada ao turismo no Interior. O defensor de Che também afirmou que a sua cliente apenas agiu devido a um pedido de Wu U Choi, e que nunca teve intenção de influenciar os residentes a assinarem os formulários de constituição da comissão de candidatura. O advogado de Che Mio Peng também referiu que a cliente não assinou o formulário nem recebeu benefícios directos. Em relação à defesa dos restantes arguidos, os advogados justificaram a participação nas viagens e a assinatura dos formulários com a pouca instrução dos clientes, muitos deles idosos, com baixo nível de escolaridade, havendo inclusive analfabetos, que não conseguiam entender as consequências dos seus actos. A leitura da sentença está agendada para 10 de Abril.
João Santos Filipe PolíticaLeong Sun Iok quer eventos desportivos que liguem Macau ao Interior O deputado Leong Sun Iok defende a organização de mais eventos desportivos internacionais que liguem Macau, Hong Kong e o Interior da China. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, e tem por base a realização dos Jogos Nacionais, na segunda metade do ano passado. Segundo o legislador da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), no esforço de promover Macau como cidade internacional, o território deve aproveitar a experiência dos Jogos Nacionais, quando foi organizada uma prova de ciclismo que atravessou Macau, Hong Kong e a província de Guangdong, numa extensão de 231,8 quilómetros. Leong Sun Iok menciona também o exemplo da maratona que decorreu entre Hong Kong e Shenzhen, entre exemplos de eventos com potencial internacional. “A sociedade em geral está ansiosa por ver se estas valiosas experiências pioneiras podem ser transformadas, após o evento, em vantagens institucionalizadas, promovendo genuinamente o desenvolvimento de Macau como Cidade do Desporto’, enquanto se aprofunda a cooperação regional entre as três regiões”, considerou. “Ao introduzir ou acolher futuros eventos desportivos de nível internacional, haverá condições para aproveitar a experiência adquirida nos Jogos Nacionais?”, pergunta. “Mais especificamente, será estabelecido um mecanismo de facilitação de autorização de eventos desportivos em cooperação com Guangdong e Hong Kong?”, questiona. Maiores facilidades Leong aponta também que a realização de eventos desportivos entre as diferentes regiões “proporcionaria uma maior margem de manobra para planear a escala e os percursos dos eventos desportivos de Macau”. Ao mesmo tempo, indica que nos últimos anos foram criadas condições para uma maior circulação na Grande Baía, que pode beneficiar a RAEM, na concretização de ser uma cidade internacional. A realização de eventos em Macau em cooperação com Hong Kong e Guangdong não é nova. No entanto, os Jogos Nacionais vieram permitir atravessar fronteiras durante partes do percurso de provas. Durantes anos realizou-se a prova de ciclismo Volta do Mar do Sul da China que tinha etapas em diferentes cidades do que actualmente é a Grande Baía. Por exemplo, em 2008, a prova começou em Hong Kong, onde se realizou integralmente a primeira etapa, mas nos dias seguintes atravessou a fronteira, com etapas disputadas nas cidades de Shenzhen, Dongguan, Guangzhou, Zhonghsan e Zhuhai. Nesse ano, a prova terminou em Macau com o português Micael Isidoro a vencer a etapa que foi totalmente disputada na RAEM. O chinês Xu Gang foi o vencedor na geral.
Hoje Macau PolíticaMaternidade | Associações alertam para custos de licenças Realizou-se esta terça-feira a terceira sessão da consulta pública sobre as alterações à lei das relações de trabalho, tendo as associações alertado para o aumento dos custos associados à licença de maternidade. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ao Ieong Ut Seng, disse que a proposta do aumento da licença para 90 dias é apropriada, mas devem evitar-se as situações que podem piorar as condições de trabalho das mulheres e cenários de discriminação no emprego, tendo em conta que muitas pequenas e médias empresas (PME) enfrentam dificuldades económicas. Ao Ieong Ut Seng sugeriu que há mais apoios para as mulheres que têm filhos gémeos, e nesse caso podem gozar de mais dias de licença de maternidade. Por seu turno, a vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Cheong Sok Leng, apontou que as PME têm recursos limitados para suportar os custos das licenças de maternidade e que o Governo deve continuar a atribuir subsídios para aliviar uma parte dos custos das empresas, subsídio esse que abrange os 20 dias de licença.