Saúde | Hospital em Hengqin em rede de partilha de informações

O Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Guangzhou em Hengqin entrou, na terça-feira, na rede de registo digital de saúde de Macau, permitindo à unidade partilhar informação médica com 10 instituições de saúde da RAEM, entre hospitais e clínicas.

A Plataforma de Registo Electrónico de Saúde de Macau (eHR) dá acesso a médicos autorizados em Macau e no hospital em Hengqin ao registo de doentes dos dois lados da fronteira, eliminando a necessidade de repetir exames ou prescrições de medicamentos.

A medida de integração foi apresentada na terça-feira, com o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, a indicar que a partilha de registos clínicos poderá ser alargada a outros hospitais e clínicas do Interior da China.

O responsável sublinhou a importância do reforço da cooperação médica transfronteiriça, que já no ano passado havia dado um avanço significativo com a abertura da Clínica Especializada Conjunta Hengqin-Macau, uma unidade que nasceu da cooperação entre o Hospital Conde de São Januário e o Hospital de Hengqin que entrou agora na plataforma eHR. Alvis Lo destacou também a abertura do Centro de Formação Conjunto Hengqin-Macau para Medicina Familiar, que começou a operar em Maio também através da cooperação entre os dois hospitais.

15 Out 2026

IC | Canhão encontrado na Ilha Verde vai ser estudado

A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, afirmou que o canhão antigo descoberto na Ilha Verde, na semana passada, está guardado e vai ser alvo de estudo e restauro. A revelação foi feita durante a conferência de imprensa, após a reunião de ontem do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural.

Leong indicou que o canhão foi guardado num armazém em condições especiais, para evitar danos ambientais, e que vai ser elaborado um plano de restauro tendo em conta o estado desta relíquia.

Sobre o andamento do estudo do canhão, a presidente do IC prometeu que as informações vão ser divulgadas atempadamente. Todavia, a responsável avisou que vai ser muito complicado reconstituir totalmente a história do canhão apenas com base no achado recente. Ainda assim foi prometido que o IC vai “começar por organizar os dados fragmentados existentes” para “realizar estudos e investigações de longo prazo” com peritos e académicos.

As autoridades admitem ainda que o canhão pode vir a ser exposto, mas apenas quando forem terminados os trabalhos de estudo. Nesta fase, não está escolhido o local onde a peça poderá ser exibida.

O canhão foi encontrado num estaleiro de obras no cruzamento da Estrada Marginal da Ilha Verde com a Travessa Dois do Parque Industrial. Sobre a possibilidade de haver outros objectos enterrados no local com valor histórico, Deland Leong afirmou que as probabilidades são muito baixas, pelo que os trabalhos de construção deverão recomeçar.

15 Out 2026

DST | Macau é destino preferido de confederação de agências espanholas

Helena de Senna Fernandes anunciou que os visitantes espanhóis “aumentaram perto de 20 por cento nos primeiros oito meses do ano” e que a Confederação Espanhola de Agências de Viagens escolheu Macau como “Destino Preferido 2027”

As relações entre Macau com os países de língua espanhola parecem estar a aprofundar-se na área económica e turística. Prova disso é que “os visitantes espanhóis [em Macau] aumentaram perto de 20 por cento nos primeiros oito meses” deste ano, isto no contexto do crescimento “superior a 30 por cento do número de visitantes europeus”.

Os números foram avançados pela directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, que, citada por uma nota oficial, destaca a importância do mercado espanhol para o turismo local.

A DST revelou também que a Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV) escolheu Macau como “Destino Preferido 2027”, tendo Helena de Senna Fernandes explicado que a DST “vai continuar a cooperar com a CEAV para atrair mais visitantes a Macau ou para viagens ‘multi-destinos’ na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Aquando da realização da última edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, esteve no território uma delegação da CEAV. A escolha de Macau como “Destino Preferido 2027” vai permitir o reconhecimento “das vantagens únicas de Macau enquanto centro mundial de turismo e lazer”, uma distinção que será “favorável à expansão contínua do mercado espanhol e mesmo europeu”.

Macau na FITUR

As relações entre Macau e Espanha na área do turismo têm sido profícuas. Segundo a mesma nota, decorreu em Abril deste ano duas acções promocionais em Madrid, o “Sentir Macau Roadshow” e “Sabor da China – Aroma de Macau”. Além disso, realizou-se a sessão “Actualização de Produtos de Turismo de Macau”, com o objectivo de “apresentar à indústria espanhola os mais recentes desenvolvimentos turísticos de Macau e promover o potencial para o turismo ‘multi-destinos”.

Em Julho a DESTINIA, “grande agência de viagens online de Espanha”, trouxe a Macau um grupo para uma “visita de familiarização”; sendo que, este mês, foi organizada outra visita para a delegação da CEAV. Tais acções “favorecem o marketing de precisão dos operadores espanhóis e o lançamento de produtos turísticos de Macau”, explica a DST.

No próximo ano a DST vai participar na Feira Internacional de Turismo de Espanha, para reforçar “os esforços de promoção para posicionar Macau como um destino de longa distância atractivo para o mercado espanhol, promovendo o desenvolvimento contínuo e diversificado da indústria turística de Macau”, é explicado.

15 Out 2026

Deputada questiona atrasos de Planos Pormenor na Zona Norte

A deputada Song Pek Kei quer saber em que fase estão os Planos Pormenor da Zona Norte da península e questiona quando será possível avançar com os prometidos projectos de renovação urbana.

Numa interpelação escrita, a deputada ligada à comunidade de Fujian residente em Macau, afirmou que caso o Governo não publique, o mais rapidamente possível, os Planos de Pormenor para as zonas abrangidas, estarão em causa projectos como a reconstrução de edifícios antigos, infra-estruturas comunitárias e a transformação de edifícios industriais, por falta base jurídica.

“O Governo destacou várias vezes que vai acelerar o processo de renovação urbana apostando num pensamento inovador e que os Planos Pormenor serão a base do reordenamento dos bairros antigos, a transformação dos terrenos e desenvolvimento de zonas. Mas como está o progresso da elaboração do Plano de Pormenor da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) da Zona Norte – 1 e de outras zonas?”, questionou.

De frisar que os Planos Pormenor são desenvolvidos no âmbito do Plano Director da RAEM, que delimita 18 UOPG. Porém, o website da Rede de Informação de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana refere que apenas foram iniciados os Planos Pormenor para as zonas Este-2, Zona do Porto Exterior-1 e Zona do Porto Exterior-2, Norte-1 e Taipa Central-2, sendo que apenas a UOPG para a zona Este-2 registou avanços.

Ilha Verde à espera

Outro ponto destacado na interpelação da deputada, prende-se com atrasos na requalificação de alguns espaços na zona da Ilha Verde, que também estão incluídos no planeamento da Zona Norte.

Song Pek Kei exige que o Governo apresente uma agenda para a mudança do Matadouro Municipal, Cais de Dragagem e renovação de edifícios industriais dispersos e ineficientes. A deputada citou, na interpelação, o Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona da Ilha Verde, onde se explica que este tipo de infra-estruturas vão ter nova localização para que esta zona tenha mais espaços pensados para atingir o objectivo da diversificação económica do território.

15 Out 2026

Cheque pecuniário | Gastos de 2025 caíram 1,6 mil milhões de patacas

Em 2025, quando começou a obrigação de estar em Macau 183 dias para receber o cheque pecuniário, o Governo gastou menos 1,65 mil milhões de patacas nesse apoio, face a 2024. No ano passado, todos os apoios tiveram aumentos de custos, excepto o cheque pecuniário e o programa de aperfeiçoamento contínuo

No ano passado, o Governo gastou menos cerca de 1.657 milhões de patacas no plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico, ou cheques pecuniários, face a 2024. No total, o apoio totalizou quase 5,7 mil milhões de patacas em 2025, quando em 2024 o Governo distribuiu 7,35 mil milhões de patacas.

A quebra de 22,5 por cento coincidiu com a entrada em vigor do requisito de permanência em Macau de, pelo menos, 183 dias ao longo do ano para poder receber o cheque. Os dados estão discriminados no Relatório sobre a execução do orçamento do ano 2025, elaborado pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), que será votado amanhã à tarde no plenário da Assembleia Legislativa.

Entre as várias rúbricas de apoios sociais, o cheque pecuniário e o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo foram os únicos que diminuíram. A verba gasta com o programa de aperfeiçoamento contínuo no ano passado foi de 155 milhões de patacas, menos 39 milhões de patacas, representando uma quebra anual de 20,1 por cento.

Nos apoios à população, depois dos cheques pecuniários, os itens que representam maiores despesas públicas são a injecção de capitais na conta individual do regime de previdência central não obrigatório, que aumentou no ano passado 6,4 por cento para mais de 3,1 mil milhões de patacas, e os subsídios para idosos que cresceram 17,7 por cento para mais de 1,45 mil milhões de patacas.

Taxas e tachos

A diminuição dos gastos com cheques pecuniários surge mencionada em várias rubricas do relatório do orçamento do ano passado. Uma delas é “outros subsídios e abonos”, onde as despesas efectivas foram de 6,77 mil milhões de patacas, menos 2,2 mil milhões face a 2024. A quebra de quase 25 por cento das despesas efectivas é justificada no relatório da DSF com a redução das despesas com os cheques pecuniários e as taxas de utilização da Zona do Posto Fronteiriço da Parte de Macau do Posto Fronteiriço Hengqin e das suas zonas contíguas. Importa referir que em 2024, as taxas de utilização da parte de Macau do Posto Fronteiriço Hengqin zonas contíguas custaram aos cofres públicos 453 milhões de patacas.

Ainda no capítulo dos apoios aos residentes, destaque para o aumento de 21,1 por cento das despesas efectivas com o subsídio de invalidez, que totalizaram no ano passado 281 milhões de patacas, e o subsídio de assistência na infância, de cerca de 277 milhões de patacas, que foi atribuído no ano passado pela primeira vez.

Na rubrica das despesas com as restituições de impostos, a participação em capital social, o relatório orçamental revela um aumento de quase 10 por cento das despesas efectivas, para um total de 2,04 mil milhões de patacas, devido principalmente ao aumento da injecção de capital na Companhia de Transportes Aéreos Air Macau, e na CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.

15 Out 2026

Fundo de Pensões | Sugerido investimento para garantir sustentabilidade

Nick Lei e Nelson Kot defendem que o Fundo de Pensões deve angariar recursos próprios com investimentos prudentes que garantam a sua sustentabilidade. Kot considera que o Governo deveria divergir entre 30 mil e 50 mil milhões de patacas de receitas fiscais do jogo por ano

A anúncio da transferência de 15,9 mil milhões de patacas para o Fundo de Pensões da Função Pública vindos da reserva financeira da RAEM mereceu reacções de algumas figuras públicas. O deputado Nick Lei e o ex-candidato a deputado Nelson Kot entendem que o Executivo devia procurar soluções a longo prazo para financiar de forma sustentável o fundo.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o legislador ligado à comunidade de Fujian defende que para assegurar a “saúde” da reserva financeira e os direitos estatutários dos funcionários públicos, o Fundo de Pensões deve seguir princípios fundamentais de gestão prudente, através de investimentos que dêem prioridade à estabilidade, mantendo riscos controláveis.

Nick Lei entende que o Fundo de Pensões deve ter a capacidade para avaliar mercado financeiro global, o ambiente de investimento e a tendência económica, no momento de alocar activos e montar estratégias de investimento. O objectivo é garantir retornos de investimento razoáveis, estáveis e sustentáveis e o desenvolvimento sustentável da saúde financeira da RAEM.

Poucos por muitos

Por seu turno, Nelson Kot recordou que o regime de pensões é uma herança da Administração portuguesa, mas que actualmente o Fundo de Pensões sofre a pressão de ter poucos contribuintes e muitos beneficiários.

Em relação à transferência anunciada na segunda-feira, o analista entende não ser suficiente e sugeriu que o Governo transfira anualmente para o Fundo de Pensões uma parte das receitas fiscais do jogo, entre 30 mil a 50 mil milhões de patacas, ou que procure retornos de investimento.

Em declarações ao jornal Exmoo, Kot considerou que o montante transferido da reserva financeira deveria ser usado para procurar retornos através de investimentos cambiais ou em títulos de obrigações.

Nelson Kot recordou que cerca de três mil funcionários públicos preenchem os requisitos para pedir a reforma, ou têm idade superior a 55 anos, sendo expectável o aumento dos gastos com pensões.

14 Out 2026

FMI | Previsão para RAEM mantida, crescimento de HK revisto em alta

O Fundo Monetário Internacional reviu em alta o crescimento esperado para a economia de Hong Kong, mas manteve a previsão para Macau, com um crescimento de 3,3 por cento este ano. Em 2027, as previsões apontam uma subida de 3,1 por cento do PIB da RAEM

De acordo com o World Economic Outlook divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém a previsão para a RAEM – feita no final de Julho após a missão a Macau, para um crescimento de 3,3 por cento em 2026. No próximo ano, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá subir 3,1 por cento, acrescentou a instituição. A economia de Macau cresceu 4,7 por cento em 2025 e 2,7 por cento na primeira metade deste ano, de acordo com dados oficiais.

No mesmo documento, o FMI reviu ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações. Nas previsões actualizadas, a instituição antecipa agora um crescimento de 4,5 por cento para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4 por cento em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais.

O FMI acredita que o PIB de Hong Kong vai aumentar 3,8 por cento em 2026, mais 1,2 pontos percentuais do que a anterior previsão para o território (2,4 por cento), feita em Maio.

Também em Maio, no âmbito da missão anual do FMI a Hong Kong, a instituição tinha previsto que a economia local iria continuar a crescer à mesma velocidade (mais 2,4 por cento) em 2027. Mas o documento de ontem revê em alta a previsão para o próximo ano, para 2,8 por cento.

O PIB da antiga colónia britânica subiu 3,6 por cento em 2025 e aumentou 5,1 por cento na primeira metade deste ano, de acordo com dados oficiais.

Plano geral

O World Economic Outlook do FMI prevê que a economia mundial vai crescer 3,1 por cento em 2026 e 3,4 por cento em 2027.

A previsão para este ano está inalterada em relação a Abril, mas foi revista em alta em 0,1 pontos percentuais face à actualização de Julho. Já a estimativa para 2027 foi revista em alta em 0,2 pontos percentuais face a Abril, mas manteve-se igual a Julho. Ainda assim, a instituição ressalva que este desempenho esconde “grandes movimentos compensatórios entre países e uma maior concentração do crescimento global”.

Segundo os dados do FMI, 32 economias correspondem agora a 95 por cento do crescimento global, em comparação com 54 economias em Abril, ao passo que as revisões em baixa tornaram-se mais generalizadas, com cerca de 47 por cento das economias a ver as suas projecções reduzidas.

“A economia global não está simplesmente a desacelerar ou acelerar, o crescimento está a ser realocado entre os países conforme a exposição de cada um ao choque de oferta decorrente da guerra e à força da procura relacionada com a Inteligência Artificial”, lê-se no relatório.

14 Out 2026

Chineses Ultramarinos | Associação promete “contar a história bem”

O presidente da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, Lao Ngai Leong, promete que o movimento vai trabalhar para “contar bem as histórias da China e de Macau” através da utilização de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola. A promessa foi feita por Lao Ngai Leong depois de, na condição de vice-presidente da Federação Nacional de Chineses Ultramarinos Retornados, ter participado na cerimónia em Pequim que assinalou o 70.º aniversário desta federação.

Segundo as declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Lao afirmou que a associação de Macau tem de tirar “partido das suas vantagens únicas, especialmente da plataforma de cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola” para promover um maior intercâmbio e desenvolver a Grande Baía.

No âmbito da plataforma, a associação traçou também como objectivo aproveitar “as características da fusão entre as culturas oriental e ocidental para contar bem as histórias da China e de Macau”, promover “os contactos amigáveis entre a China e o exterior” e servir “activamente a grande causa da reunificação da Pátria”.

Segundo as declarações, Lao afirmou igualmente que a associação vai consolidar “as bases ideológicas” e reunir “os apoios e as forças dos chineses do ultramar” para promover o “sentimento patriótico” e as ligações entre aqueles que amam a China e Macau.

14 Out 2026

A-Má | O Lam quer investimento de países de língua portuguesa

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defende que Macau e a província de Fujian devem desenvolver a marca da Deusa A-Má em conjunto e atrair mais investimento dos países de língua portuguesa e espanhola. As declarações constam de um discurso proferido durante o 19.º Festival de Cultura e Turismo A-Má, que decorreu entre segunda-feira e ontem, em Macau.

Num discurso dirigido à comunidade e aos representantes da província de Fujian, de onde é originária a deusa, O Lam defendeu uma melhor promoção da região em Macau, e vice-versa, para atrair investimento dos países de língua portuguesa e espanhola.

A responsável defendeu, assim, o reforço da “cooperação e da ligação nos domínios da cultura, educação, turismo e comércio” entre as duas regiões chinesas para incentivar “mais recursos dos países de língua portuguesa e espanhola a fixarem-se em ambas as regiões”. Com estes esforços, O Lam acredita que é possível servir “conjuntamente a conjuntura geral da abertura de alto nível do País ao exterior”.

Além disso, a governante pediu que a província do Interior e a RAEM construam “um sistema de cooperação no turismo cultural” com itinerários turísticos sobre a deusa. A secretária foi mais longe e afirmou que a cooperação pode levar a que “a cultura de A-Má brilhe com novo esplendor na nova era”.

O Lam defendeu igualmente uma promoção conjunta da “articulação entre o turismo cultural e o comércio” que passe pela Ilha da Montanha. A responsável pediu esforços para tirar partido das “vantagens políticas do porto franco de Macau e da Zona de Cooperação de Hengqin” e da “base industrial e do mercado de Fujian”.

14 Out 2026

Peritos defendem reformas estruturais para travar crise do envelhecimento

Especialistas contactados pela Lusa alertam para a necessidade urgente de reformas estruturais em Macau perante o rápido envelhecimento demográfico, defendendo o reforço de profissionais especializados, o investimento em gerontecnologia, e a aposta na cooperação transfronteiriça.

Jacky Ho Chong Kin, reitor da Faculdade de Ciências da Saúde e Ambientais da Universidade de São José em Macau, explica à Lusa que a aceleração do envelhecimento decorre, em parte, de políticas passadas do Governo, incluindo antigos regimes de imigração associados a investimento, que atraíram cidadãos já em idade avançada, acelerando a curva demográfica da região.

Ho lembra que o crescimento acelerado da população sénior apanhou a sociedade local “despreparada” para acomodar as novas exigências assistenciais. “A situação da subida da população em envelhecimento é algo que começámos a prever, de certa forma, em 2007. Nessa altura, a população idosa de Macau rondava quase os 7,2 por cento, o que é o início de uma população em envelhecimento, por assim dizer, em ascensão. Mas depois, num espaço de 20 anos, essa percentagem cresceu de forma inesperadamente mais rápida”, destaca à Lusa.

Por seu lado Alex Cheng, vice-presidente da Sociedade de Segurança Social de Macau, alerta que Macau entrará na fase de “superenvelhecimento” nos próximos cinco a 10 anos, destacando o “nível dos cuidados de saúde e a escassez severa de prestadores de cuidados qualificados e de pessoal de enfermagem” como o “maior desafio absoluto” que a cidade enfrenta.

O toque humano

Os dois especialistas sublinham que a pressão sobre os hospitais públicos, onde os idosos já representam a maioria das admissões, exige o desenvolvimento de capacidade interna e de redes comunitárias.

Jacky Ho aponta lacunas estruturais na formação, “faltando sistemas de treino, instalações e instituições de formação sistemáticas que criem programas capazes de ajudar a treinar profissionais de saúde aliados”, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

Segundo Ho, a tecnologia “consegue ajudar a monitorizar, a detectar, a dar sentido aos dados e a emitir um alarme precoce para os problemas”, para prevenir acidentes como quedas em lares, embora ressalve que a “tecnologia não consegue substituir por completo o pessoal de saúde ou o pessoal de apoio a idosos”.

Na vertente do apoio domiciliário e comunitário, Alex Cheng destaca que um “inquérito recente da Sociedade de Segurança Social de Macau mostra que 82 por cento dos inquiridos prefere cuidados domiciliários”.

A integração na Grande Baía é apontada por ambos os peritos como uma via essencial para aliviar as listas de espera locais. Alex Cheng recorda que a deslocalização planeada de idosos para cidades na província poderia ser uma solução, mas avisa que a adaptação a “um novo ambiente não é fácil, e exige tempo e educação contínua para que os idosos em Macau aceitem a deslocalização”.

13 Out 2026

Pensões | Transferidos 15,9 mil milhões para cobrir défice

O Governo anunciou a transferência de cerca de 15,9 mil milhões de patacas para cobrir o défice do sistema de pensões dos trabalhadores da função pública. As autoridades estimam que nos próximos três anos quase 15 por cento dos funcionários públicos se possam reformar

O Executivo vai transferir perto de 15,9 mil milhões de patacas para o Fundo de Pensões da Função Pública. Num despacho publicado ontem no Boletim Oficial, Sam Hou Fai, explica que o dinheiro corresponde a 80 por cento do excedente das finanças públicas da RAEM em 2025.

A RAEM fechou 2025 com um excedente de 19,9 mil milhões de patacas, valor que já foi ultrapassado só nos primeiros nove meses deste ano: 21,6 mil milhões de patacas.

Num comunicado, o Governo sublinhou que a transferência “não afectará as despesas com as diversas medidas destinadas ao bem-estar da população e aos benefícios sociais” nem o funcionamento da reserva financeira da cidade.

A reserva financeira de Macau valorizou-se em 37 mil milhões de patacas na primeira metade do ano e atingiu em Junho um novo recorde máximo, pelo sétimo mês consecutivo: 704,3 mil milhões de patacas.

O Governo prevê que o défice acumulado do Fundo de Pensões (FP), que administra as pensões da função pública, atinja 8,99 mil milhões de patacas até 2031 e aumente “ainda mais” nos próximos dez anos.

O excedente das contas públicas de 2025 “relativamente abundante e robusto contribui com condições favoráveis para se proceder antecipadamente” à resposta ao défice e assim evitar que no futuro seja necessário reduzir os benefícios sociais, disseram as autoridades.

Os dois lados

Em Julho, o porta-voz do Conselho Executivo, Wong Sio Chak, sublinhou que a “situação de desequilíbrio financeiro” apenas envolve o anterior regime de aposentação, que foi substituído por um novo regime em 2007. De acordo com dados divulgados ontem pelo FP, no final de Setembro o anterior regime de aposentação pagava 6.711 pensões, mais do que o número de contribuintes ainda no activo: 6.320.

Em Julho, a presidente do FP, Diana Maria Vital Costa, alertou para “um pico de aposentações” nos próximos cinco anos e previu que, também devido à subida da esperança média de vida, até 2031 o antigo regime estará a pagar 9.150 pensões, com apenas 3.290 contribuintes.

Em Agosto, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta que permite ao líder do Governo fixar uma percentagem do excedente orçamental para transferir para o FP.

Em Junho de 2019, o Governo criou um mecanismo que transfere, todos os anos, 3 por cento do saldo orçamental para o Fundo de Segurança Social (FSS), para responder à pressão do envelhecimento acelerado da população. De acordo com o relatório mais recente, o FSS ganhou 6,48 mil milhões de patacas em 2024, em grande parte devido às transferências orçamentais.

Em Setembro, a directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, afirmou que quase 15 por cento dos funcionários públicos de Macau poderão reformar-se nos próximos três anos.

13 Out 2026

Novo Bairro | Comissão de agentes imobiliários sobe para 5%

O anúncio surge dias depois de alguns compradores de habitação no Novo Bairro de Macau se terem manifestado contra a comissão paga aos agentes imobiliários e a nova política de descontos

Subiu para 5 por cento a comissão paga pela empresa Macau Renovação Urbana aos agentes imobiliários responsáveis pela venda de habitações no Novo Bairro de Macau. A informação foi divulgada ontem, no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), dois dias depois de compradores insatisfeitos se terem manifestado contra o valor das comissões e a nova política de descontos do projecto.

“A partir de 9 de Outubro de 2026, a taxa de serviço de mediação imobiliária do projecto ‘Novo Bairro de Macau’ em Hengqin passou de três por cento para cinco por cento do valor da transacção do imóvel”, pode ler-se na secção do portal da DSSGAP dedicada à Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai), Limitada.

A Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai) é controlada a 100 por cento pela Macau Renovação Urbana, tem como presidente do Conselho de Administração Paulo Tse, tal como a empresa-mãe, e é responsável pela venda e arrendamento das habitações, lojas e parques de estacionamento no Novo Bairro de Macau.

O valor da nova comissão entrou em vigor na sexta-feira. Mas, anúncio surge depois de no sábado alguns dos proprietários de habitações no projecto se terem deslocado ao centro de vendas e acusado as autoridades de os terem enganado por terem indicado que a venda das habitações no projecto de Hengqin era feita ao preço de custo. O caso foi divulgado através de vídeos partilhados online.

No entanto, na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a nova campanha de promoções “triplo incentivo”, que beneficia os novos compradores com descontos ou créditos na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e despesas com a gestão do condomínio.

Comissões visadas

Além da política de descontos, os proprietários insatisfeitos visaram especificamente o valor da comissão paga aos agentes imobiliários de Macau ou do Interior da China que vendam fracções nos edifícios do empreendimento.

“Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, perguntou. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo”, interrogou uma das manifestantes.

Este é o segundo aumento do valor da comissão promovido pela Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai) em menos de um ano. Em Maio, a comissão subiu de um para três por cento, e agora é aumentada para cinco por cento. Além disso, desde Janeiro que qualquer mediador pode promover as vendas neste projecto, quando antes a escolha dos mediadores estava restrita a um grupo seleccionado pela empresa de capitais públicos.

13 Out 2026

AL | Previsto orçamento de 255,4 milhões em 2027

No próximo ano, o orçamento da Assembleia Legislativa (AL) será de cerca de 255,4 milhões de patacas, de acordo com a proposta de deliberação que vai ser votada na sexta-feira. A proposta partiu da Mesa da AL, órgão composto pelo presidente, André Cheong, o vice-presidente, Ho Ion Sang, e os secretários do hemiciclo, Si Ka Lon e Ella Lei.

Em comparação com o orçamento deste ano, a proposta para 2027 mantém o montante total. No entanto, esta é a segunda versão do orçamento da AL, uma vez que a primeira previa apenas despesas de 224 milhões de patacas.

Apesar de o valor recente ser mantido, a distribuição do orçamento sofre alterações, com cortes de 2,5 por cento nas despesas com pessoal, que são reduzidas para 184 milhões de patacas, o principal gasto do orçamento.

As despesas de funcionamento sobem para 27,9 milhões de patacas. A proposta deste ano apresenta um aumento das despesas indeterminadas para 7,4 milhões de patacas, contrariando a maior transparência do ano em vigor, quando não houve despesas indeterminadas.

13 Out 2026

MNE | Ministros do Paraguai e Belize não podem entrar em Macau

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês anunciou ontem que o ministro paraguaio da Comunicação, Gustavo Villate, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Belize, Francis Fonseca, ficam interditos de entrar na China, Hong Kong e Macau.

Além disso, o MNE indicou, em dois comunicados separados, o congelamento imediato de eventuais bens em território chinês dos responsáveis. As sanções foram aplicadas aos ministros por apoiarem “obstinadamente” a manutenção de relações diplomáticas dos respectivos países com Taiwan.

Segundo a diplomacia chinesa, nos últimos anos, os responsáveis políticos dos dois países, “movidos por interesses pessoais, apoiaram obstinadamente a manutenção de alegadas relações diplomáticas” com Taiwan. Estes responsáveis “multiplicaram declarações e actos inadmissíveis sobre questões relacionadas com a China, prejudicando assim os interesses fundamentais” do país, acrescentou o ministério.

13 Out 2026

Tráfico Humano | Governo expressa firme oposição a relatório

O Governo declarou “firme oposição” ao Relatório sobre Tráfico de Pessoas do ano 2026 do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, que manteve Macau no nível 3.

“Analisando o chamado ‘Relatório’ dos EUA, verifica-se que este confunde deliberadamente casos de criminalidade comum, conflitos laborais, entre outros casos como as actividades de tráfico de pessoas”, foi considerado numa nota de imprensa, divulgada na sexta-feira.

“Não só não reflecte de forma alguma os esforços e os resultados obtidos pela RAEM na prevenção e no combate ao crime de tráfico de pessoas, como continua a difundir conteúdos inverídicos e tendenciosos, para em diversos aspectos distorcer publicamente a realidade sobre a situação dos direitos humanos, do sistema judiciário e o espírito do Estado de Direito da RAEM”, foi acrescentado.

O Governo considerou também que o relatório dos EUA tem “meras especulações subjectivas” que “ignoram os factos objectivos, e não correspondem à realidade social de Macau”.

Segundo o documento dos EUA, o Governo da RAEM “não cumpre plenamente as normas mínimas para a eliminação do tráfico e não está a fazer esforços significativos para o conseguir”. “No geral, os esforços de aplicação da lei contra o tráfico e de protecção das vítimas continuaram a ser inadequados”, foi considerado pelo Departamento de Estado.

12 Out 2026

PE | Macau rejeita ingerência nos assuntos internos

As autoridades de Macau negam legitimidade à União Europeia para se pronunciar sobre o julgamento de Au Kam San e pedem uma correcção desta postura. O Parlamento Europeu considera haver “uma grave deterioração das liberdades fundamentais” em Macau

O Governo e a Assembleia Legislativa (AL) consideram que o Parlamento Europeu (PE) fez “acusações infundadas” contra o julgamento do ex-deputado Au Kam San, a primeira pessoa na RAEM a ser acusada ao abrigo da Lei de Segurança Nacional. A posição das autoridades de Macau foi divulgada na sexta-feira, depois de o hemiciclo europeu ter aprovado, na quarta-feira, uma lista com recomendações para as relações políticas com a China.

No comunicado, o Governo local “manifesta a sua firme oposição e condena veementemente” o texto aprovado pelo PE e aponta que faz “considerações e acusações infundadas contra o julgamento, nos termos da lei, do primeiro caso de segurança nacional”.

“O julgamento, nos termos da lei, pelos tribunais da RAEM de casos relativos a crimes contra a segurança nacional constitui um assunto estritamente interno da RAEM, não se permitindo, de modo algum, qualquer ingerência por parte de forças externas”, foi vincado. “A independência judicial da RAEM é estritamente garantida pela ‘Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau’”, foi acrescentado.

O Executivo vincou também que, ao abrigo da Lei Básica, das convenções sobre direitos humanos aplicáveis à RAEM e de outras leis internas, “todos os arguidos em processo penal gozam de direitos processuais na RAEM, tendo os direitos processuais do arguido do primeiro caso de segurança nacional sido também plenamente garantidos nos termos da lei”.

“O Parlamento Europeu, alheio aos factos e aplicando dois pesos e duas medidas em relação à excelente situação do Estado de Direito na RAEM, pretende interferir na justiça da RAEM, numa provocação flagrante ao Direito Internacional e às normas fundamentais que regem as relações internacionais, demonstrando claramente à comunidade internacional o seu atropelo grosseiro ao espírito do Estado de Direito”, foi igualmente considerado pelo Executivo.

“O Governo da RAEM insta veementemente o Parlamento Europeu a cessar imediatamente a ingerência, sob qualquer pretexto, nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, bem como cessar, de imediato, qualquer forma de perturbação e de interferência nos procedimentos judiciais da RAEM”, foi pedido.

AL condena

Por sua vez, o comunicado da AL “manifesta firme oposição e condena veementemente o Relatório sobre a recomendação relativa às relações políticas entre a União Europeia e a China, recentemente aprovado pelo Parlamento Europeu, o qual lançou acusações infundadas contra o julgamento do primeiro caso de segurança nacional pelo tribunal da RAEM de acordo com a lei, apresentando ainda exigências ilegais”, foi indicado. “Em conformidade com o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais, o Parlamento Europeu não tem qualquer legitimidade para se pronunciar ou intervir nesta matéria”, foi vincado.

A AL indica também que a “defesa da segurança nacional pela RAEM em conformidade com a lei é absolutamente justa e irrepreensível”. “O julgamento, pelos tribunais da RAEM, de processos relacionados com a segurança do Estado, em estrita observância da legalidade, constitui um assunto exclusivamente interno da RAEM”, foi considerado.

O comunicado termina com o apelo da AL para que o PE “reflicta sobre a sua postura, corrija o seu rumo e cesse imediatamente a interferência nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, bem como qualquer ingerência no processo judicial da RAEM”.

Recomendação do PE

O documento aprovado pelo PE na quarta-feira surge como uma “recomendação” das posições a serem adoptadas pelo Conselho Europeu, pela Comissão Europeia, e pela Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros na condução das relações com a China. O texto aborda assuntos relacionados com política, economia, direitos humanos e outras áreas no Interior, em Macau e Hong Kong.

Em relação à parte que foca a RAEM, há apenas duas menções, onde o PE considera que há “uma grave deterioração das liberdades fundamentais”, tal como também indica acontecer em Hong Kong. O PE recomenda aos diferentes organismos europeus a condenação do “julgamento de Au Kam San, antigo parlamentar pró-democracia, ao abrigo da Lei da Segurança Nacional em vigor em Macau” e que “apelem à sua libertação imediata e incondicional”.

12 Out 2026

Fraudes | Governo alerta para página online falsa

O Governo lançou um aviso à população para ter cuidado face ao surgimento de um portal online, em língua inglesa, que simula pertencer a Sam Hou Fai. A posição foi tomada na sexta-feira, através de um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS).

“O Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tomou conhecimento da existência recente, na internet, de uma página electrónica não oficial em língua inglesa, que utiliza indevidamente a fotografia do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e o seu nome como nome de domínio”, foi constatado.

“O Governo da RAEM esclarece solenemente que a referida página não é uma página oficial do governo, alertando toda a população para que se mantenha vigilante e evite aceder à hiperligação, de modo a salvaguardar os seus dados pessoais e a segurança na rede”, foi pedido. O Executivo adiantou ainda que a imitação foi comunicada à Polícia Judiciária.

12 Out 2026

Transporte aéreo | Macau e Filipinas assinam acordo

A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) e a Junta de Aeronáutica Civil da República das Filipinas assinaram novos acordos na área do transporte aéreo, nomeadamente o Acordo de Transporte Aéreo e Memorando de Entendimento. O acordo foi alcançado depois da reunião que decorreu na última quinta e sexta-feira, em Macau.

Segundo uma nota da AACM, este novo memorando de entendimento visa “aumentar a capacidade operacional e liberalizar as quintas liberdades de transporte de mercadorias”. As primeiras versões destes documentos datam de 18 de Julho de 1997, tendo sido ajustados, com os novos documentos, “os limites à capacidade de transporte de passageiros”.

Assim, “o número de assentos triplicou para 20 000 por semana em Manila, enquanto que para os restantes destinos não foram estabelecidas restrições na capacidade de transporte”. Não haverá ainda “restrições de capacidade nos destinos de Clark, tendo aumentado o limite de carga dos demais destinos para o dobro, para 600 toneladas por semana”.

12 Out 2026

Jogo | Governo mantém previsão de receitas, apesar de tendência negativa

O Chefe do Executivo considera que a redução recente das receitas de jogo não deverá levar o Governo a rever as previsões que consta no Orçamento da RAEM. Sam Hou Fai garantiu ainda que o Governo está a avaliar se há razões estruturais nesta redução

Apesar da contracção das receitas do jogo nos últimos quatro meses, o Chefe do Executivo ainda não está a ponderar uma revisão em baixa do valor que consta no Orçamento da RAEM. O diploma prevê que até ao final do ano as receitas deverão atingir 236 mil milhões de patacas, sendo que até Setembro o valor foi de 187 mil milhões de patacas.

“Estamos a avaliar se esta mudança é cíclica, provocada por alterações tanto no ambiente interno como externo, como ajustes nas condições económicas das regiões circundantes, incluindo os mercados bolsistas e os preços do imobiliário nas áreas vizinhas, ou seja, as receitas do jogo, após a pandemia, já atingiram um patamar relativamente elevado e há uma inversão da tendência”, afirmou Sam Hou Fai, no sábado, citado pela TDM, à margem da abertura da Sede do Governo à população.

O Chefe do Executivo admitiu ainda que está a ser feita uma avaliação do impacto das receitas no futuro e prometeu que a situação vai ser “acompanhada” de perto. Em relação à evolução da economia, Sam afirmou que Outubro “assume uma importância acrescida” e manifestou o desejo de que as receitas apresentem “um crescimento estável” nos próximos meses.

Excedente em alta

As declarações de Sam Hou Fai foram prestadas um dia depois de ter sido tornado público que as contas públicas tiveram um excedente de 21,6 mil milhões de patacas nos primeiros nove meses de 2026, mais do que em todo o ano passado.

De acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente do território até Setembro aumentou 30,2 por cento em comparação com o mesmo período de 2025.

Macau fechou 2025 com um excedente de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. No orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas.

A subida do excedente deve-se sobretudo à receita corrente de Macau, que cresceu 5,1 por cento nos primeiros nove meses do ano, para 88,7 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 5,9 por cento, para 74,6 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo.

As despesas públicas aumentaram 0,02 por cento, para 68,3 mil milhões de patacas, 62,6 por cento do previsto para todo o ano, sobretudo devido a um aumento nos gastos com apoios sociais. JSF / Lusa

12 Out 2026

Um País, Dois Sistemas | Exposição em universidades portuguesas

A partir de segunda-feira o Governo de Macau dá início à Exposição Itinerante na Europa “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’”, com arranque na Universidade de Leiria e Oeste. A mostra segue depois para a Universidade de Coimbra (14 a 20 de Outubro) e para a Universidade do Algarve (16 a 22 de Outubro).

Após estas datas, a exposição vai ainda ser montada em Espanha, na Bélgica e na Suíça, em datas a anunciar posteriormente.

A exposição tem uma natureza política e segundo o Governo da RAEM visa demonstrar “cabalmente ao exterior os importantes resultados da prática bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ desde o retorno de Macau à Pátria”, assim como “contar bem as histórias da China e de Macau” e “aprofundar de forma contínua a amizade tradicional com Portugal e com outros países europeus”.

Além de informações em texto e imagens, na exposição serão também exibidos vários vídeos, incluindo entrevistas e “histórias sobre o desenvolvimento da integração aprofundada sino-portuguesa nos domínios da educação, cultura e turismo”.

9 Out 2026

Delinquência Infantil | Nick Lei pede reforma da educação cívica

Nos últimos 10 anos, os casos de delinquência infantil aumentaram 167 por cento. O deputado ligado à comunidade de Fujian considera que parte do problema está relacionada com a falta de sensibilidade para questões cívicas

 

O deputado Nick Lei considera que as autoridades têm de reformar o ensino da educação cívica face ao que afirma ser o aumento da delinquência infantil no território. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, em que o legislador ligado à comunidade de Fujian aborda o ataque de um aluno a uma professora com um líquido corrosivo.

No documento, Nick Lei aponta que “no primeiro semestre deste ano foram registados 87 casos de criminalidade juvenil, o que representa um acréscimo de seis casos em relação ao período homólogo do ano anterior” e uma “subida de 7,4 por cento”.

Todavia, o deputado está mais preocupado com a tendência mostrada pela comparação dos dados mais recentes com os de 2016, ano em que foram registadas 34 situações de delinquência infantil: “em comparação com os 34 casos registados em 2016, verifica-se um aumento substancial de 167 por cento”, avisa.

Entre as situações mais extremas, Lei recorda o ataque, no início do ano lectivo, a uma professora com um químico e a situação dos seis menores que foram detidos em Junho deste ano, depois de um caso de bullying na Areia Preta. “Além de revelarem a falta de consciência do Estado de Direito por parte de alguns jovens, [os casos] demonstram ainda as lacunas existentes na educação para o Estado de Direito”, apontou.

A interpelação foi escrita antes de mais um caso de violência nas escolas do território, no qual um aluno esfaqueou outro devido a um desentendimento relacionado com videojogos.

Reforço da educação

Neste contexto, Lei pretende uma reforma do ensino da educação cívica: “Actualmente, os trabalhos de educação cívica em Macau encontram-se dispersos por diferentes departamentos, carecendo de um planeamento e de uma organização sistemáticos”, considera. “O Governo da RAEM deve estudar a criação de um ‘Conselho de Educação Cívica’ normalizado ou de um mecanismo especializado de nível superior, para agrupar e integrar, de forma abrangente, os recursos existentes, formular planos concretos e proceder a revisões e ajustes periódicos, com vista a aumentar a eficácia dos respectivos trabalhos. Vai fazê-lo?”, pergunta.

Lei questiona ainda o Executivo se no que diz respeito ao ensino da educação cívica vai haver uma nova abordagem que concilie o ensino das punições com uma abordagem também focada na prevenção.

Apesar do enfoque dado à questão da delinquência infantil, Nick Lei considera que o problema da educação cívica é transversal à sociedade e que está muito presente no trânsito local. Para sustentar esta posição, o deputado menciona a postura dos condutores: “Entre os acidentes de trânsito com feridos, muitos foram causados pela não cedência de prioridade. É evidente que a fraca consciência de segurança, a insuficiente noção de cedência de prioridade e o desrespeito pela ordem de trânsito por parte de alguns utentes da via constituem as principais causas de acidentes rodoviários”, justificou.

9 Out 2026

IAS | Registo de idosos sozinhos disponível na “Conta Única”

Já é possível, desde ontem, fazer na plataforma da “Conta Única” o registo dos idosos que vivem sozinhos ou de famílias de dois idosos.

Segundo uma nota do Instituto de Acção Social (IAS), haverá cerca de 30 mil idosos nesta situação, dados que a entidade tem vindo a recolher e organizar desde Setembro do ano passado, no âmbito do “Levantamento e Registo dos Idosos Isolados e das Famílias de Dois Idosos”.

O IAS diz que o registo vai permitir “prestar apoio mais rapidamente em caso de incidentes súbitos na comunidade”, sendo que a base de dados criada vai servir de referência “ao planeamento futuro do serviço para idosos em Macau”.

O registo na “Conta Única” destina-se a idosos que vivem sozinhos, que sejam residentes em Macau ou em Hengqin, com idade igual ou superior a 65 anos no ano em causa, ou a famílias de dois idosos em que o idoso coabite (em Macau ou em Hengqin) apenas com outro idoso com idade igual ou superior a 65 anos no ano em causa.

8 Out 2026

Prémios de Consumo | Programa arranca amanhã

As lojas aderentes ao programa dos Prémios Consecutivos para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026, que começa amanhã, já receberam as etiquetas que comprovam aceitarem os cupões de desconto.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Lau Kit Lon, chefe do Departamento de Desenvolvimento Industrial e Comercial da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), as etiquetas, de cor azul e amarela, servem para o consumidor identificar os tipos de cupões distribuídos pelos comércios aderentes.

Assim, a cor azul significa a oferta de cupões de consumo, enquanto o amarelo quer dizer que são disponibilizados cupões com descontos imediatos. Os cupões de oferta implicam que os comerciantes ofereçam uma oferta na compra, como um serviço ou produto alimentar, enquanto os restantes cupões dão um desconto de 12 patacas em cada compra de 100 patacas.

8 Out 2026

IAS | Prometida revisão de mecanismo de segurança após abusos

O presidente do Instituto de Acção Social garante que todas as instituições de acolhimento de crianças vão ser alvo de avaliação de riscos para reforçar a segurança dos menores

 

Na sequência dos alegados abusos cometidos por um trabalhador de uma instituição de acolhimento de crianças, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, promete um reforço da segurança. As declarações foram prestadas ontem ao canal chinês da Rádio Macau.

Segundo o responsável, as instituições de acolhimento locais vão passar a ser alvo de avaliações de risco, tendo em conta aspectos como o espaço, a idade dos utentes, as suas capacidade de comunicação e o tipo de cuidados disponibilizados.

Após a identificação de potenciais riscos, as autoridades vão implementar novas formas de protecção para os utentes. “A nossa prioridade passa por responder aos principais riscos de cada lar. Por exemplo, se alguns quartos estiverem vazios, então precisam de ser trancados, e vai ser necessário definir procedimentos padronizados para o registo e monitorização das horas de trabalho”, afirmou o responsável.

Hon Wai considerou ainda que o caso recente é um sinal de alerta para melhorar alguns procedimentos em vigor, como os critérios aplicados na altura de contratar funcionários para este tipo de instituições.

O presidente do IAS apontou igualmente que as autoridades estão a ponderar adoptar uma regra que exige que por cada turno de trabalho estejam sempre presentes dois trabalhadores, de forma a poderem supervisionar-se mutuamente.

Intervenção imediata

Em relação ao caso do homem de 34 anos detido devido a alegados abusos de menor na instituição de acolhimento, Hon Wai foi confrontado com o facto de ter passado um mês entre as primeiras suspeitas do caso e a apresentação de queixa às autoridades.

Em resposta, defendeu a actuação do IAS e explicou que foi necessário o consentimento da família da vítima para apresentar a queixa: “Nós aplicámos medidas de prevenção imediatamente, por exemplo, o trabalhador investigado foi logo afastado dos turnos nocturnos. Só que também tivemos de verificar as imagens de videovigilância, falar com os outros trabalhadores para confirmar que existia um caso e ainda contactar os pais da vítima para que concordassem com a queixa”, justificou.

Hon Wai revelou ainda que a vítima está a ser acompanhada e que está “estável”. As declarações do presidente do IAS estão em linha com a posição da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. Após o caso ter vindo a público, a secretária presidiu a uma reunião com representantes dos serviços sociais e públicos, e pediu a revisão de mecanismos e procedimentos internos nas instituições de acolhimento para garantir a protecção das crianças e dos jovens.

Foi no início deste mês que a Polícia Judiciária revelou ter detido um homem de 34 anos, residente local, e trabalhador numa instituição de acolhimento de crianças. O homem está indiciado da prática de actos de abuso sexual contra uma criança acolhida – um menino de nove anos.

O caso foi descoberto depois de a vítima ter denunciado a situação à mãe, que entrou em contacto com a instituição. A PJ também descobriu no telemóvel do detido 37 vídeos com imagens de cinco crianças do lar a tomar banho.

8 Out 2026