Economia | Conselheira pede mais incentivos ao consumo

Face às dificuldades económicas das pequenas e médias empresas, Chan Hio Teng, vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, defende a criação de um “mecanismo regular” de incentivo ao consumo. A posição consta de um comunicado divulgado pela integrante da associação Aliança do Bom Lar.

Chan aponta que “sob a influência de factores do ambiente interno e externo” a predisposição dos residentes para consumirem no território “enfraqueceu”. A conselheira reconhece que este factor não é novo, e que se tem verificado “nos últimos anos”.

No entanto, neste ambiente económico difícil, Chan Hio Teng quer que o Governo lance mais iniciativas de promoção do consumo, como o Grande Prémio Para o Consumo, cuja última edição aconteceu na primeira metade deste ano.

No entanto, a responsável avisa que se o futuro passar por mais uma ronda do Grande Prémio Para o Consumo vai ser necessário implementar alguns ajustes. Citando a opinião de alguns comerciantes, Chan Hio Teng aponta que o impacto da iniciativa de promoção do consumo é limitado ao tempo em que são oferecidos os descontos. Por este motivo, a conselheira pede ao Executivo que pense numa outra forma de incentivar os residentes a gastarem mais e durante mais tempo nos bairros comunitários.

No seguimento do que tem acontecido recentemente, Chan Hio Teng aponta também que o Executivo deve pensar ainda mais na realização de actividades culturais nos bairros comunitários, como forma de incentivar o consumo nessas zonas.

16 Set 2026

CTT | Hutchison renuncia à licença de serviços de telecomunicações

O Governo recebeu um pedido da Hutchison, que até ao início do ano operava a rede de telemóveis 3 Macau, de renúncia à licença dos serviços de telecomunicações móveis 4G, com vista à cessação dos serviços de comunicações móveis a partir de 1 de Dezembro

Agora é oficial. Depois da venda da operadora de telecomunicações “3” à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), em Janeiro deste ano, a Hutchison – Telefone (Macau) pediu ao Governo da RAEM a renúncia à sua licença dos serviços de telecomunicações móveis 4G e pretende cessar os serviços de comunicações móveis em Macau a partir de 1 de Dezembro deste ano.

A notícia do pedido foi revelada ontem pela Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), que apontou a situação operacional da Hutchison como justificação para a decisão. “Trata-se de uma decisão comercial tomada autonomamente pela empresa”, sublinharam os CTT.

Os CTT acrescentaram que, para salvaguardar os direitos e interesses dos utilizadores, exigiram à Hutchison que elaborasse um plano para assegurar a “transição estável dos serviços”. A entidade pública comprometeu-se ainda em acompanhar de perto o processo de cessação das actividades da empresa de telecomunicações.

Foi também recordado aos utilizadores que devem escolher “o mais cedo possível e de acordo com as suas necessidades, uma operadora de telecomunicações adequada para tratar das formalidades de mudança de operadora, por forma a assegurar a utilização normal dos serviços de comunicações”.

Tomar o lugar

“Durante o período de transição, a Hutchison compromete-se a manter o funcionamento normal dos serviços básicos de comunicações e a prestar informações e apoio aos utilizadores nas suas lojas, das lojas da CTM e da linha de atendimento ao cliente”, é indicado.

Os CTT recordam que a Hutchison celebrou um acordo com a CTM para que esta assumisse a prestação de serviços aos clientes da 3, apoiando a “transferência ordenada para a rede da CTM”.

Recorde-se que no início do ano a CTM tornou-se a principal accionista da Hutchison Telefone (Macau), num negócio no valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau.

No comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong onde anunciou o negócio, o presidente da Hutchison Telecom, Canning Fok Kin Ning, afirmava que a venda iria melhorar a rentabilidade nos próximos anos, permitindo redistribuir recursos de forma mais eficaz e simplificar a estrutura operacional.

A Hutchison Telecom é uma subsidiária do grupo CK Hutchison Holdings do bilionário de Hong Kong Li Ka-shing.

16 Set 2026

Madeiras | Moçambique estreia-se em fórum sobre comércio

O secretário de Estado da Terra e Ambiente moçambicano vai estar em Macau, marcando a estreia de Moçambique num evento anual sobre o comércio sustentável de madeiras tropicais.

Segundo um comunicado do Governo de Macau, o Fórum Global de Madeira Legal & Sustentável (GLSTF, na sigla em inglês), marcado para 22 e 23 de Setembro, vai contar, “pela primeira vez”, com “altos funcionários de Moçambique e uma delegação oficial do México”.

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) sublinhou que as estreias “reforçam ainda mais” o papel do território como plataforma para a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola.

A China estabeleceu Macau como plataforma económica e comercial com os mercados de língua portuguesa em 2003. Mais de duas décadas depois, o Governo alargou o foco aos países que falam espanhol.

De acordo com o programa do GLSTF, o secretário moçambicano Gustavo Djedje será um dos palestrantes principais do arranque do Fórum, juntamente com ministros da Tailândia, Camarões e República Centro-Africana. O programa prevê ainda que o director nacional de Florestas e Fauna Bravia de Moçambique, Imede Falume, irá participar num fórum com dirigentes da China, Gana e Indonésia.

O GLSTF vai contar ainda com Bruno Leão, director da Associação da Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará, no norte do Brasil, e o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, Ivan Tomaselli.

O IPIM indicou que o Fórum deverá contar com participantes de 49 países e regiões, incluindo do Gabão, Togo, Malásia, Equador, Peru, Suíça e França. O evento deverá marcar o arranque dos preparativos para a elaboração de uma norma internacional para o combustível de aviação à base de biomassa e do Sistema de Gestão de Normas Verdes de Macau.

16 Set 2026

AMCM | Coutinho acusa entidade de omissões e falta de resposta

O deputado José Pereira Coutinho acusa a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) de “insuficiência e falta de objectividade” nas respostas a uma interpelação por si apresentada, a 20 de Julho, relativamente a “operações estruturadas de empréstimo com hipotecas de moradias, pagamento da dívida por terceiros com fundos próprios e remuneração por elevadas taxas de juros”.

Na interpelação escrita, Pereira Coutinho frisou que a resposta da AMCM, de 10 de Agosto, revelou-se “genérica, evasiva e desprovida de objectividade, não respondendo de forma directa e concreta a nenhuma das três questões formuladas”.

Para o deputado, a entidade limitou-se a responder com “enunciados gerais sobre os poderes de supervisão da AMCM, a emissão de directivas complementares e o acompanhamento contínuo do mercado financeiro”. Porém, “não aborda as situações descritas na interpelação e não confirma nem nega a existência de comunicações prévias por parte das instituições bancárias sobre estas operações”.

A AMCM também “não apresenta qualquer calendário para a revisão da desactualizada” circular relativa a regras e orientações para o lançamento e distribuição de produtos financeiros.

16 Set 2026

Segurança Nacional | Iau Teng Pio diz que plataforma com Ocidente cria riscos

O deputado e vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende que as associações têm de se subordinar à segurança nacional e incluir o patriotismo nos estatutos

O deputado Iau Teng Pio considera que o facto de Macau ser uma plataforma entre a China e o Ocidente contribui para a existência de vários riscos para a segurança nacional.

A posição foi tomada através da publicação de um artigo de opinião no jornal Ou Mun, em que o também vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende maiores exigências patrióticas para as associações locais. “Como centro de intercâmbio entre a cultura chinesa e a ocidental, Macau enfrenta riscos potenciais de segurança nacional que revestem um carácter mais dissimulado e complexo”, escreve Iau Teng Pio.

“Ao aperfeiçoar o seu sistema de governação através de reformas legislativas, a RAEM cria um novo panorama focado em áreas de alto risco — como as relações externas das associações, a circulação de fundos e a disseminação em redes —, aplicando um controlo de conformidade regular para dissipar os riscos na origem e tecer uma rede de protecção multidimensional e tridimensional para a segurança nacional”, é acrescentado.

A opinião surge numa altura em que decorre uma consulta pública sobre a futura lei das associações, que se espera que dê poderes às autoridades para encerrarem qualquer associação que não seja considerada patriota.

Apesar deste aspecto, o especialista em direito considera que não se está a limitar a liberdade de associação: “O aperfeiçoamento do regime de conformidade com a segurança nacional para as associações não visa limitar a liberdade de associação, mas sim seguir a lógica internacional de governação centrada em ‘regulamentar para promover a saúde e garantir a conformidade para alavancar o desenvolvimento’, purificando o ecossistema associativo e padronizando a ordem operacional”, sustenta.

À imagem da Rússia

Em defesa do diploma do Governo que ainda não é conhecido, o deputado considera que a “liberdade de associação é um direito fundamental, mas não um direito absoluto”.

Iau Teng Pio aponta que as associações têm de estar subordinadas à segurança nacional, e que o mesmo acontece “em todos os países do mundo”. “Todos os países do mundo delimitam claramente os seus regimes de direitos, estabelecendo a salvaguarda da segurança nacional e da ordem pública como limites legais indispensáveis para o funcionamento das associações”, escreve. “Assim, observa-se que a aplicação de supervisão e controlo de conformidade no âmbito da segurança nacional às associações representa um princípio jurídico e uma prática internacional comummente aceites a nível global”, frisou.

Entre os exemplos citados pelo deputado de jurisdições que limitam a liberdade de associação surgem a Rússia, o Reino Unido e ainda a Alemanha.

Iau Teng Pio indica também que o conceito de “amor pela Pátria e por Macau” e o “cumprimento da lei e salvaguarda da segurança deve ser incorporado nos estatutos sociais e integrado nas operações diárias” das associações. O deputado pede ainda às associações para deixarem de ser “meros sujeitos de prestação de serviços sociais” e evoluam para “guardiãs da segurança nacional na base comunitária”.

16 Set 2026

Patriotismo | Mais de 300 jovens participam em acampamento

Mais de 300 jovens de Hong Kong e Macau vão participar no evento “Unidos pela Mesma Causa, o País é Forte Connosco: Jovens de Hong Kong e Macau no Acampamento Militar”, organizado pela Polícia Armada do Povo, pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau da Província de Guangdong e as autoridades de Hong Kong e Macau. O anúncio foi feito por Jiang Bin, porta-voz do Ministério da Defesa.

O acampamento vai ser realizado entre meados e o final deste mês e os jovens vão participar numa “experiência imersiva da vida militar”, segundo a descrição oficial.

Jiang Bin afirmou que se espera, através desta actividade, que “os jovens de Hong Kong e Macau assimilem o espírito patriótico, temperem o seu carácter e reforcem continuamente a aspiração, a determinação e a confiança como chineses”.

O porta-voz deixou ainda a esperança de que o evento permita aos jovens “percorrerem a sua própria ‘Grande Marcha’” e aumentar a predisposição para participarem “no grande projecto de desenvolvimento de Hong Kong e Macau, de construção de um país forte e de revitalização nacional”. Este ano assinala-se o 90.º aniversário da Grande Marca, uma retirada militar do exército comunista.

Ainda de acordo com os pormenores do evento, haverá um “concerto de educação para a defesa nacional” com o tema ‘Caminho do Fortalecimento Militar: Unidos pela mesma causa numa Nova Jornada’.

16 Set 2026

Águas paradas | Moradores querem limpezas permanentes

A União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) considera que as campanhas dos Serviços de Saúde (SS) que promovem a limpeza de águas paradas nas habitações devem tornar-se permanentes. A posição foi defendida pela vice-presidente da associação, Cheong Sok Leng, em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo Cheong, as autoridades começaram a segunda fase da campanha para eliminar o risco de proliferação de mosquitos que propagam doenças como a febre do dengue ou febre de Chikungunya. A acção é desenvolvida em conjunto com associações.

No entanto, a responsável espera que estas campanhas deixem de ser pontuais para se transformarem num esforço permanente, de forma a eliminar os riscos destas doenças.

Sobre a primeira fase da campanha, que decorreu em Maio, Cheong Sok Leng apontou que resultou em mais de 15 mil visitas domiciliárias e que, em média, por cada 100 agregados familiares foram encontrados 5,6 recipientes domésticos com larvas de mosquito.

“Estes números demonstram claramente que a água parada nos lares é uma fonte crucial para a proliferação de mosquitos e que o risco de transmissão comunitária não pode ser ignorado, exigindo que as autoridades continuem a reforçar os trabalhos de desinfestação nos próximos dois a três meses”, vincou Cheong.

A vice-presidente dos Kaifong avisou ainda que os estaleiros de obras, terrenos vagos e os terraços de edifícios antigos em Macau são igualmente focos potenciais de proliferação.

15 Set 2026

Edifícios | FAOM quer criminalizar arremesso de objectos em altura

Após a queda de uma faca de um edifício na Zona A dos Novos Aterros, Cheang Kai Lok, membro dos Operários no Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, defende a criminalização da conduta

 

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defende a criminalização do arremesso de objectos em altura. Foi desta forma que o membro dos Operários reagiu a um caso recente em que uma faca de cozinha caiu dos andares superiores de um prédio na Zona A dos Novos Aterros.

Através de um comunicado divulgado ontem, Cheang considerou a legislação actual ultrapassada por punir com “sanções relativamente ligeiras” o arremesso de objectos em altura, desde que não haja feridos nem danos materiais. O conselheiro sugere, assim, ao Executivo que siga o exemplo das “regiões vizinhas” para criar um novo tipo de crime autónomo para esta conduta.

No entanto, se o Governo não quiser criar o novo tipo de crime, o membro da FAOM defende que se devem “agravar as sanções administrativas” para estabelecer “normas jurídicas mais claras e severas”.

Sobre as opiniões que defendem a instalação de mais câmaras de videovigilância na cidade viradas para as habitações, de forma a detectar os infractores deste tipo de práticas, Cheang Kai Lok pediu cautela. O conselheiro explicou que “a instalação adicional de equipamentos de vigilância em altura pode entrar em conflito com as disposições relativas à protecção da privacidade individual no actual regime jurídico da videovigilância em espaços públicos”.

Cheang considera que o mais importante passa pelas as autoridades encontrarem “um equilíbrio razoável” entre a salvaguarda da segurança pública e a garantia da privacidade individual dos residentes.

Comunidade preocupada

Sobre o episódio da queda de uma faca de cozinha, Cheang Kai Lok alertou para os riscos e para o facto de ser uma prática repetida. “Dado o risco extremo que a queda de objectos em altura representa, e considerando que no passado já tinham ocorrido de forma esporádica episódios de diferente gravidade nessa zona, o caso gerou rapidamente uma enorme preocupação e apreensão entre os residentes do bairro”, descreveu.

No seguimento do alerta, o conselheiro pediu à população para ter mais cuidado com a forma como guarda as coisas em casa, principalmente perto das janelas.

Cheang defendeu ainda que os “moradores devem inspeccionar proactivamente o seu ambiente doméstico, especialmente espaços abertos como varandas e parapeitos de janelas, evitando a colocação de vasos de plantas, ferramentas, utensílios de cozinha ou outros objectos susceptíveis de cair”.

Além da negligência acidental, Cheang Kai Lok assinalou que alguns comportamentos de arremesso de objectos em altura podem ter origem em oscilações emocionais ou no stress do quotidiano de determinados indivíduos. Face a estes casos, o responsável entende que as famílias devem acompanhar e apoiar os membros que se mostrem mais fragilizados.

15 Set 2026

Vales de saúde | Defendida mais promoção na Grande Baía

O responsável por uma clínica de Medicina Tradicional Chinesa em Hengqin, Sio Kun Meng, defende que o Governo deve promover mais informações sobre a utilização de vales de saúde nas cidades da Grande Baía.

Segundo o responsável, que abriu a clínica há poucos meses em Hengqin, “os residentes de Macau não têm conhecimento de que a utilização dos vales de saúde foi alargada às cidades da Grande Baía”, pelo que afirmou ser importante haver uma maior divulgação da medida. As declarações foram prestadas ao canal chinês da Rádio Macau.

Também à emissora pública, os Serviços de Saúde revelaram que actualmente só existe uma clínica em Hengqin onde os valores podem ser utilizados. A mesma fonte apontou que não há outros pedidos de adesão ao programa pendentes por parte de clínicas no Interior.

Face a este cenário, o vice-presidente da Federação de Médico e Saúde de Macau, Wong Chon Kit, defendeu que a medida ainda é recente para haver uma implementação maior e que as clínicas de Macau ainda estão a equacionar se faz sentido investir no Interior.

15 Set 2026

Hengqin | Sam Hou Fai defende visão integrada de políticas

O Chefe do Executivo pediu aos secretários uma “abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na implementação de políticas. Sam Hou Fai vincou a importância de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau

 

Sam Hou Fai presidiu ontem à sexta reunião do Grupo de Liderança para a Promoção da Construção da Zona de Cooperação em Hengqin, tendo defendido que “todos os sectores do Governo da RAEM devem estabelecer uma abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na adopção de medidas e políticas para o território.

Segundo um comunicado difundido pelo Gabinete de Comunicação Social, o encontro serviu para a definição de políticas a adoptar na Zona de Cooperação, contando com os cinco secretários que compõem o Executivo local.

No processo de integração entre Macau e Hengqin, Sam Hou Fai lembrou que se deve continuar a promover “os quatro projectos-chave de Macau”, sendo que um deles é a construção da nova Cidade Universitária. Na visão do governante, as autoridades devem “alinhar as regras e integrar mecanismos a fim de avançar na integração entre Macau e Hengqin”.

O Chefe do Executivo destacou também “a importância desta reunião especial”, dado realizar-se “no momento crucial que é o quinto aniversário da criação da Zona de Cooperação, o que tem um impacto significativo”, disse.

Assuntos dos dois lados

Sam Hou Fai referiu também que a sexta reunião deveria ser encarada como “uma oportunidade para acelerar a implementação do ‘pacote de políticas e medidas'” já delineadas para esta zona. Além disso, “os próximos passos devem ser planeados de forma abrangente para levar os trabalhos da Zona de Cooperação a um novo patamar”, descreveu.

Desta forma, Sam Hou Fai “reiterou a necessidade de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau”, devendo existir um alinhamento com o 15º Plano Quinquenal do país, bem como com o mais recente Plano de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM.

Xia Baolong, director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, esteve presente na sessão. Sam Hou Fai lembrou a importância de “estudar o espírito da reunião e o discurso do director Xia Baolong”, a fim de as autoridades poderem implementar “de forma integral todos os planos de trabalho”.

15 Set 2026

FSS | Mais de 377,3 milhões de patacas em contribuições

No ano passado, o Fundo de Segurança Social (FSS) arrecadou 377,385 milhões de patacas em contribuições, de acordo com os dados que constam no Relatório Anual de 2025.

A maior contribuição teve origem no regime obrigatório, ao gerar 81 por cento total, o que significou 305,86 milhões de patacas. As contribuições do regime facultativo foram de 52 milhões de patacas, correspondendo aos restantes 19 cento.

O número total de beneficiários que efectuaram contribuições fixou-se em 351.469 pessoas, representando uma ligeira redução anual de 0,1 por cento, o que significa menos 393 inscritos.

No total, 281.642 beneficiários contribuíram para o regime obrigatório e 69.827 para o regime facultativo. Os valores mensais das contribuições mantiveram-se inalterados durante o exercício, fixando-se em 90 patacas no regime obrigatório, repartidas entre 60 patacas a cargo do empregador e 30 patacas a cargo do trabalhador. No regime facultativo, a totalidade do montante de 90 patacas é assumida integralmente pelo beneficiário.

14 Set 2026

Finanças | Excedente das contas públicas dispara 26,2% até Agosto

O maior excedente deveu-se ao aumento das receitas com o jogo, até porque a despesa com apoios sociais também cresceu. O salto dos apoios ficou abaixo do previsto no orçamento

O excedente das contas públicas subiu 26,2 por cento até Agosto, em comparação com igual período de 2025, sobretudo devido ao aumento das receitas dos impostos sobre os casinos. De acordo com dados publicados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente foi de quase 19 mil milhões de patacas entre Janeiro e Agosto. Recorde-se que no orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas.

O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

O excedente beneficiou de um crescimento de 6,2 por cento na receita corrente, para 76,6 mil milhões de patacas. A principal razão para este aumento foi um acréscimo de 6,9 por cento, para 66,2 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representaram 85,1 por cento do total.

As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos.

Mais receitas e despesas

As receitas totais dos casinos atingiram entre Janeiro e Agosto 169,1 mil milhões de patacas, um aumento de 3,7 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado.

As despesas públicas também subiram 2,2 por cento nos primeiros oito meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais. A região gastou até ao final de Agosto 58,8 mil milhões de patacas, 53,9 por cento do previsto para todo o ano.

A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 11,1 por cento, para 34,4 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro.

Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo.

Pelo contrário, os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 13,2 por cento até Agosto, para 9,54 mil milhões de patacas.

14 Set 2026

TJB | Julgamento de Au Kam San arranca quarta-feira à porta fechada

O ex-deputado Au Kam San será julgado no Tribunal Judicial de Base, com a primeira sessão de audiência marcada para quarta-feira. O Ministério Público pediu que as audiências decorram à porta fechada para prevenir “prejuízo aos interesses da segurança do Estado”

Mais de um ano depois de ter sido detido, o julgamento do ex-deputado Au Kam San vai começar na próxima quarta-feira, numa sessão que irá decorrer à porta fechada, segundo um comunicado emitido pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) na sexta-feira. Au Kam San é o primeiro arguido a ser julgado num processo relativo à segurança do Estado.

“A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indica o TJB.

Recorde-se que a Comissão de Defesa da Segurança do Estado é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central.

A defesa de Au Kam San, cidadão português, é outra questão definida pela lei da Comissão de Defesa da Segurança de Estudo. No fim da discussão em Conselho Executivo, o secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, afirmou que mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Estes advogados podem ser excluídos pelo juiz, após decisão da comissão, sem direito a recurso.

Longa espera

Au Kam San foi detido a 30 de Julho de 2025 por suspeitas de violação da Lei de Segurança Nacional, a primeira detenção por este tipo de crime desde a fundação da RAEM.

Um dia depois, a Polícia Judiciária emitiu um comunicado a alegar que Au, deputado na Assembleia Legislativa durante duas décadas, actuou em conluio “uma organização estrangeira anti-China” desde 2022, a quem forneceu “uma grande quantidade de informações imprecisas e incendiárias” para serem divulgadas fora da China e também na Internet.

Au Kam San foi também acusado de manter “ligações de longa data” com várias entidades estrangeiras anti-China e de lhes fornecer “repetidamente” informações “imprecisas” sobre Macau, assim como a órgãos de comunicação social controlados por essas entidades.

14 Set 2026

Hengqin | Elogiada reunião de Xia Baolong

Os membros do Governo elogiaram a reunião do director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, Xia Baolong, realizada em Hengqin.

Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, afirmou que a RAEM vai continuar a cooperar com as autoridades de Guangdong e Hengqin para desenvolver a integração de Hengqin e Macau. Wong considerou ainda que a palestra das autoridades do Interior vai ser o guia para esta integração que tem como referência os discursos de Xi Jinping.

Por sua vez, o director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, apontou que a construção da Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin contou com o apoio do Governo Central, e que a primeira fase da obra foi concluída, também como meio de corresponder às “instruções importantes de Xia Baolong”.

Kong Chi Meng garantiu ainda que vai continuar a concretizar o espírito do discurso do Presidente Xi Jinping, que defendeu durante uma visita a Macau, em 2024, que a RAEM tem de se constituir como uma base para quadros qualificados internacionais de alto nível.

14 Set 2026

Plano Quinquenal | Ensino e turismo são “prioritários”

O Governo aposta todas as cartas nos projectos da futura Cidade Universitária, em Hengqin, e Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. A ideia foi deixada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, ao falar em mais uma sessão de consulta pública sobre o 3.º Plano Quinquenal da RAEM.

No seu discurso, a governante destacou que “um dos projectos prioritários da área dos Assuntos Sociais e Cultura é a promoção da construção da ‘Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin’”, com a aposta na internacionalização.

Além disso, pretende-se “o impulsionamento robusto da construção da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, para que esta seja “um novo marco cultural da cidade, uma nova plataforma de transmissão cultural e um novo motor de desenvolvimento”.

O Lam fez referência ao anúncio do concurso para o Museu Nacional da Cultura de Macau, cuja escolha da proposta de arquitectura “será concluída dentro do corrente ano”. “Iremos empenhamo-nos em finalizar as obras da primeira fase da construção do pavilhão de exposição até 2029”, destacou.

14 Set 2026

Museu da Cultura | Aberto concurso para projecto de arquitectura

O Instituto Cultural convidou 10 equipas de arquitectura para apresentarem propostas para o futuro Museu Nacional da Cultura. O edifício vai ficar localizado perto da Torre de Macau, à frente do Tribunal de Segunda Instância, e a data de abertura está prevista para 2029

O Governo convidou 10 equipas a apresentarem propostas de arquitectura para o futuro Museu Nacional da Cultura. A informação foi revelada ontem, através de uma conferência de imprensa do Instituto Cultural (IC), e o objectivo passa por fazer com que a primeira fase do museu entre em funcionamento em 2029.

Segundo a apresentação de ontem, o futuro museu vai ficar localizado na Zona B dos Novos Aterros, à frente do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e do Edifício do Tribunal de Segunda Instância.

No entanto, o projecto de concepção arquitectónica ainda tem de ser definido, o que vai ser feito depois de um concurso por convite com a participação de 10 equipas de arquitectura: “O museu é uma instalação cultural de referência para o futuro de Macau, vai ser uma obra de grande escala e com elevadas exigências de concepção arquitectónica, devendo corresponder aos padrões técnicos internacionais de alto nível”, afirmou a presidente do IC. “O Governo da RAEM já convidou sete equipas de concepção arquitectónica de renome mundial e de topo, bem como três equipas locais de concepção arquitectónica, num total de dez equipas, para apresentarem propostas”, acrescentou.

Além das três equipas locais, três das convidadas são provenientes do Interior, havendo igualmente quatro equipas de Portugal, Suíça, Reino Unido e Holanda. Após a elaboração das propostas vai haver uma selecção, por parte de um júri constituído por membros dos serviços públicos e especialistas em planeamento urbano, arquitectura e museologia.

Funcionamento em 2029

As autoridades esperam que o projecto de arquitectura seja escolhido até ao final do ano. Por este motivo, a presidente do IC, Deland Leong, avançou que ainda não é possível fazer uma previsão sobre o orçamento da infra-estrutura.

Além disso, as autoridades esperam que o museu entre em funcionamento em 2029. A construção vai ser dividida em duas fases, com a primeira, que se espera de menor dimensão, a entrar em funcionamento nesse ano. A segunda fase só será aberta posteriormente.

O edifício do museu vai ter uma área de cerca de 100 mil metros quadrados, dos quais 80 mil metros quadrados vão ser destinados ao edifício principal, que vai receber as áreas de exposição, depósito de colecções, espaços de investigação, salas para intercâmbio cultural, entre outros espaços. Haverá também uma zona comercial destinada ao lazer e à cultura, com cerca de 20 mil metros quadrados, para lojas, restaurantes, instalações de lazer para as famílias e um centro de incubação para artistas. O projecto prevê igualmente um estacionamento, mas a dimensão ainda não foi decidida.

Zona Cultural

O Museu Nacional da Cultura é um dos três projectos da futura Zona Cultural do território, que tem como designação oficial Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. Além deste museu, fazem ainda parte do projecto o Centro Internacional das Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

“A Zona Cultural tem como objectivo constituir um novo marco cultural do futuro de Macau, e o Museu Nacional da Cultura de Macau vai ser lançado em primeiro lugar”, explicou a presidente do IC. “Este museu tornar-se-á uma ponte cultural entre a China e o Ocidente, uma área de divulgação de conhecimento, uma sala de visitas da cidade e um motor de turismo cultural”, destacou.

Deland Leong apontou também que o Museu Nacional da Cultura vai ser desenvolvido em coordenação com o Museu Nacional da China, em Pequim, e que se espera criar um centro de visita para mostrar a cultural de Macau, onde existe uma fusão com predominância da cultura chinesa.

Autocarros nas Ilhas

O Museu Nacional de Cultura vai ocupar parte de um espaço que actualmente serve para o estacionamento de autocarros públicos e de turismo. Com as obras a começar no próximo ano, o estacionamento destes veículos será alterado. Ontem, o chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, Leong Io Hong, indicou que as autoridades vão encontrar alternativas na Taipa ou em Coloane. No entanto, não foram indicados pormenores sobre os futuros estacionamentos dos veículos pesados.

11 Set 2026

Hengqin | Arrancou construção de novo centro meteorológico nacional

Começou ontem a construção do Centro Internacional de Intercâmbio de Dados do Sistema Terrestre, em Hengqin, a primeira instituição do género a nível nacional que irá monitorizar desastres naturais e emitir alertas. O centro deverá começar a operar na capacidade máxima daqui a seis anos

Foi ontem oficialmente lançada a construção do primeiro Centro Internacional de Intercâmbio de Dados do Sistema Terrestre do País (Macau), em Hengqin, construído em conjunto pela Administração Meteorológica da China, o Governo da RAEM e o Executivo da zona de cooperação aprofundada em Hengqin.

O centro irá funcionar numa base de cooperação científica e tecnológica no domínio da meteorologia entre o Interior da China e Macau, com o objectivo de monitorizar desastres naturais, lançar alertas de forma mais atempada e aperfeiçoar previsões meteorológicas.

Foi ontem também assinado um acordo-quadro de cooperação entre Macau, Hengqin e a Administração Meteorológica da China, que estabelece um período de construção de três anos, e mais três anos até que o centro esteja a operar na sua capacidade máxima.

A expressão “sistema terrestre” refere-se ao estudo da litosfera, atmosfera, hidrosfera e biosfera, e, segundo um comunicado emitido ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) o centro “visa promover o desenvolvimento e a utilização do ecossistema de elementos de dados, criar uma ponte de cooperação para dados do sistema terrestre, construir uma plataforma de abertura ao exterior de alto nível”.

O centro terá também como metas “impulsionar a exportação de produtos de dados de elevada qualidade e capacidades de serviço, formando um mercado unificado para elementos de dados do sistema terrestre na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

O novo petróleo

O director da Administração Meteorológica da China, Chen Zhenlin, destacou que este será “o primeiro centro de intercâmbio de dados construído pela Administração Meteorológica da China no âmbito da sua implementação global”.

As autoridades referem que “os dados do sistema terrestre, enquanto ‘novo petróleo’ da era inteligente, possuem vantagens únicas de cobertura global, penetração contínua e disponibilidade permanente. Ao associarem-se e integrarem-se com uma vasta gama de cenários de produção e da vida quotidiana, tornam-se progressivamente um elemento de produção fulcral e um recurso estratégico fundamental para sustentar o desenvolvimento da economia digital”.

11 Set 2026

Língua portuguesa | Macau e Portugal retomam diálogo sete anos depois

A presidente do Instituto Camões (IC) destacou que a reunião de ontem da Subcomissão Mista de Língua Portuguesa e Educação marca a retoma do diálogo entre Portugal e Macau, após sete anos de interregno.

“Foi um momento muito significativo, é a revitalização, a retoma de um diálogo que não acontecia desde 2019”, sublinhou Florbela Paraíba, num evento realizado no consulado-geral de Portugal no território.

A Comissão Mista Portugal-Macau não se reúne desde antes da pandemia, “um interregno maior” que Paraíba justifica não apenas com a covid-19, mas também com várias mudanças nos governos de Portugal e da região chinesa.

A presidente do IC sublinhou que, desde que Macau voltou a abrir as fronteiras, no início de 2023, houve “importantes momentos de visitas bilaterais que fortaleceram a relação” com Portugal. Mas a diplomata disse que os dois lados reconheceram a existência de “pontos onde há muito a fazer”, dando como exemplo o reforço da formação contínua e maior investimento em tradutores e intérpretes.

Paraíba apontou como meta “revitalizar a rede de geminações” entre escolas de Macau e de Portugal, que disse ser “muito importante”, também para a região chinesa, onde o português é língua oficial, mas o cantonês é dominante.

A presidente do IC defendeu ainda mais parcerias e intercâmbios e estágios, tanto para “um maior acesso ao ensino do mandarim em Portugal” como para dar mais oportunidades a alunos de Macau que queiram estudar português. O território chinês “tem todas as condições” para apostar num “bilinguismo efectivo” e assim “transformar um legado histórico em oportunidades concretizadas”, sublinhou a diplomata.

Dominar a língua portuguesa representa para os residentes de Macau uma vantagem, disse Paraíba, tendo em conta o papel que a China atribuiu à cidade, de plataforma de serviços económicos e comerciais com os mercados lusófonos.

Mista adiada

No mesmo evento, o cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, disse esperar que a reunião de ontem sirva de “antecâmara para a desejada reunião da Comissão Mista que esperemos se realize daqui a pouco tempo”.

Em Setembro de 2025, o primeiro-ministro português Luís Montenegro disse, durante uma visita à região chinesa, que a Comissão Mista Portugal-Macau iria reunir-se em Fevereiro, algo que não chegou a acontecer. Montenegro e o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, voltaram a encontrar-se em Abril passado, em Lisboa, mas da visita não saíram quaisquer novidades sobre a retoma da Comissão Mista.

Em 10 de Junho, durante a cerimónia do Dia de Portugal, Sam Hou Fai anunciou que espera realizar este ano, em Macau, a 7.ª reunião da Comissão Mista e garantiu que a região fará “todos os preparativos necessários” para o encontro.

10 Set 2026

Dia do Professor | FAOM pede medidas para garantir empregos

Numa altura de redução da natalidade, Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Executivo que tome medidas para assegurar emprego para os docentes, mesmo que tenha de haver uma reconversão profissional

Os deputados Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Governo que tome medidas para assegurar os empregos dos professores, numa altura de redução do número de alunos. A mensagem foi divulgada ontem pelos membros da Federação das Associações dos Operários, em antecipação ao Dia do Professor, assinalado hoje na China.

Segundo os legisladores, no ano passado houve um total de 2.870 nascimentos no território, com 1.421 a ocorrerem na primeira metade do ano. Contudo, Entre Janeiro e Junho deste ano registou-se uma redução de 81 nascimentos, para um total de 1.340.

A tendência é tida como preocupante pelos quatro deputados: “O declínio contínuo da taxa de natalidade afecta gravemente a estabilidade profissional dos docentes”, foi alertado. “Algumas escolas enfrentam sérios desafios na captação de alunos, tendo já surgido situações de redução de turmas e de pessoal, prevendo-se que essa tendência de redução se possa intensificar no futuro”, foi acrescentado.

Neste contexto de maior insegurança laboral, os legisladores pedem às autoridades que “optimizem a afectação de recursos educativos em função das variações da população em idade escolar”, “ajustem o número de alunos por turma no regime de turmas reduzidas”, “optimizem o rácio professor-turma”, “revejam o sistema de redução de horas lectivas e tentem” e procurem “estabilizar e optimizar a equipa docente através do fluxo natural de saídas”.

Ao mesmo tempo em que surgem cada vez mais planos de escolas para se fundirem e transformarem, Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Executivo que desenvolva acções de formação para os docentes, para que possam adaptar-se a novas carreiras e encontrar outras oportunidades profissionais.

Na mensagem, os professores são considerados uma das pedras basilares da sociedade, pelo que se pede uma maior valorização da profissão.

Saúde mental

Apesar de o dia ser de celebração dos docentes, os legisladores não esquecem os alunos, apelando a que o Governo e a sociedade prestem mais atenção à saúde mental.

Em concreto, os deputados pretendem que as escolas reforcem os quadros com profissionais que ajudem os estudantes a lidar com os problemas mentais: “Com as mudanças no desenvolvimento socio-económico, os problemas de saúde mental dos estudantes têm atraído gradualmente a atenção da sociedade”, foi reconhecido. “Sugere-se que as autoridades aumentem o investimento de recursos e elevem a proporção de pessoal especializado, como conselheiros escolares, permitindo que as escolas, ao desenvolverem um ensino diversificado, prestem também atenção ao desenvolvimento da saúde mental dos alunos, promovendo o seu crescimento integral”, foi defendido.

10 Set 2026

UTM reforça internacionalização com PLP e Espanha

A Universidade de Turismo de Macau (UTM) está a reforçar a estratégia de internacionalização, com atenção voltada para Espanha e um novo acordo de formação de docentes com Moçambique, disse ontem à Lusa a reitora da instituição.

Fanny Vong notou que a recém-assinada parceria com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique, “é um grande momento para a UTM”. “Esta é uma importante relação estratégica com os países de língua portuguesa (PLP)”, complementou. A parceria consiste num programa de desenvolvimento de quadros qualificados que promove bolsas, formação avançada e intercâmbio académico para docentes e estudantes.

Com a iniciativa, assinada em 3 de Setembro, a UTM está a “formar e ajudar a valorizar o capital humano” daquele país africano, notou a reitora, referindo que, neste momento, três membros do corpo docente da UEM estão matriculados em programas de mestrado da UTM.

Além de Moçambique, está a ser ainda debatida uma parceria com Angola: “A ONU Turismo pôs-nos em contacto com o Ministério do Turismo de Angola, porque o país está a construir escolas profissionais na área do turismo e gostariam de colaborar connosco neste projecto”, avançou.

Portugal, lembrou Vong, também integra a rede internacional da UTM, através, por exemplo, de um programa com o ISCTE de duplo certificado de mestrado.

Daqui ao mundo

A internacionalização vai servir também o novo desígnio do Governo de Macau, que pretende reforçar o papel da região como plataforma de ligação à China e ao mundo hispânico. Nesse contexto, a UTM vai assinar para a semana um acordo com a Escola Universitária de Turismo, Hotelaria e Gastronomia, ligada à Universidade de Barcelona, indicou ainda Vong à agência Lusa.

“Consideramos que esta é uma oportunidade, uma vez que a política do Governo de Macau é muito favorável. Temos vindo a procurar parceiros sólidos em Espanha”, notou, referindo que existe já trabalho conjunto com a instituição suíça Les Roches Global Hospitality Education, “que tem um campus em Espanha”.

Estes projectos vão agora ganhar novo fôlego com o apoio financeiro da concessionária do jogo MGM China, que doou ontem um milhão de patacas à Fundação de Desenvolvimento da UTM. Além de “permitir consolidar e expandir ainda mais o palco internacional da UTM”, a reitora diz que a doação deverá ser canalizada para melhorar a qualidade do ensino, aumentar a produção científica, além de permitir “ampliações ou renovações de infraestruturas”.

Vong sublinhou ainda a “longa colaboração com os resorts integrados em Macau”, que assumiu beneficiarem com a formação de quadros universitários. Além da MGM, estão já previstos acordos semelhantes com outras operadoras de jogo, incluindo Galaxy, Sands China e Melco, disse ainda Fanny Vong.

10 Set 2026

IPIM | Macau quer ser uma “cidade tecnológica” em 2036

O presidente do Instituto de Promoção e Comércio (IPIM), Alex Che Weng Keong, disse na terça-feira no lançamento do fórum da Fortune que Macau pretende ser uma “cidade tecnológica”, no contexto da Grande Baía, em 2036. Citado por uma nota do “Fortune Leaders Forum”, que decorreu na terça-feira no Grand Lisboa Palace, Cotai.

Citado por um comunicado da organização, o presidente do IPIM disse que a RAEM irá seguir o exemplo das regiões vizinhas apresentando-se a nível internacional” e de forma integrada na Grande Baía como uma “cidade tecnológica”, sendo uma “ambição construída e que também vai além do objectivo de diversificação económica de Macau até 2030”.

O presidente do IPIM destacou “a complexidade” da Grande Baía no que diz respeito à existência de “três moedas e três sistemas jurídicos em Hong Kong, Macau e Guangdong”. “Não se trata apenas de um desafio de integração, mas sim de uma das maiores vantagens competitivas da região”, frisou.

Num painel sobre o desenvolvimento da Grande Baía, o presidente do IPIM destacou os “laços históricos de Macau com os mercados dos países de língua portuguesa”, bem como da Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin, que constituem “pontos chave para a movimentação de talentos e de capital entre regiões na próxima década”. Alex Che Weng Keong não esqueceu os planos do Governo, incluídos no mais recente Plano de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM, que aponta para que em 2030 o segmento não jogo represente 60 por cento do Produto Interno Bruto.

10 Set 2026

Desporto | Vong pede esclarecimentos sobre pista no gelo prometida

O deputado Vong Hou Pio recorda a promessa do Instituto do Desporto de construir uma pista de gelo e pergunta quanto tempo o projecto vai continuar suspenso

O deputado Vong Hou Pio quer saber se o Governo mantém os planos para construir uma pista de gelo. O tema surge numa interpelação escrita elaborada pelo legislador e contabilista.

Na perspectiva do deputado, a população está cada vez mais interessada em envolver-se em actividades desportivas e o número de praticantes tem aumentado nos últimos anos. No entanto, o território enfrenta o problema crónico de falta de terrenos para instalações e de excesso de utilização das existentes.

Vong pretende saber se o Instituto do Desporto (ID) vai construir instalações para “desportos especiais”, que haviam sido prometidas no passado. “Relativamente à garantia de instalações para desportos especiais, como o hóquei no gelo, o Governo tinha planeado a construção de uma pista de gelo padrão na Taipa, embora o plano tenha sido posteriormente suspenso”, relatou o deputado. “O ID manifestou que continuará a procurar locais adequados e a estudar a viabilidade da construção de uma pista de gelo. As autoridades vão reservar terrenos na Zona A ou noutros locais apropriados para a construção de uma pista de gelo conforme os padrões internacionais?”, perguntou.

A promessa do ID de fazer uma pista de gelo surgiu em 2022, em plena pandemia, quando Pequim organizou os Jogos Olímpicos de Inverno. Durante esse período, vários deputados e membros do Governo defenderam a necessidade de apostar em desportos de Inverno.

Como consequência da onda de entusiasmo, surgiu a promessa de construção de uma pista com as dimensões oficiais para a prática de hóquei no gelo. No passado, havia uma pista no Parque de Diversões da Future Bright, junto ao Jardim de Camões, mas sem tamanho suficiente para corresponder aos padrões internacionais da modalidade.

Casa às costas

Vong Hou Pio lamenta ainda que a falta de uma pista de gelo esteja a prejudicar a selecção de Macau. “Tomando como exemplo o hóquei no gelo, a equipa de hóquei no gelo de Macau já obteve excelentes resultados em várias competições internacionais e chegou mesmo a representar Macau nos Jogos Asiáticos de Inverno”, relatou. “Contudo, esta selecção, que tantas vezes alcançou grandes feitos, enfrenta actualmente a difícil realidade de ‘não ter pista para treinar’. A única pista de gelo existente em Macau encontra-se em obras desde 2023, sem previsão de reabertura”, indicou.

Face à falta de instalações, o deputado revela que os atletas estão “obrigados a deslocar-se a Zhuhai para treinar após o trabalho ou as aulas, regressando muitas vezes a Macau já ao final da noite, o que aumenta significativamente o custo em termos de tempo e reduz drasticamente a eficácia do treino”. “A escassez de instalações não só afecta a preparação dos atletas em actividade, como também desencoraja novos talentos, podendo a médio e longo prazo provocar uma ruptura na formação de novos talentos qualificados”, defendeu.

10 Set 2026

Hengqin | Criado “Cartão de Talentos de Macau-Hengqin”

Foi oficialmente lançado esta segunda-feira o “Cartão de Talentos de Macau-Hengqin”, desenvolvido pelas autoridades de Macau em parceria com a Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin.

Segundo um comunicado oficial, pretende-se, com este cartão, “promover a integração e conexão de serviços públicos para talentos entre Macau e Hengqin”, sendo que este cartão fica ligado ao “Cartão de Excelência” da província de Guangdong, dando benefícios e vantagens a quadros qualificados para viver e trabalhar na Zona de Cooperação, existindo três bancos parceiros que disponibilizam diversos pacotes promocionais para quem viva entre as duas regiões, nomeadamente “redução de taxas, serviços financeiros transfronteiriços em diferentes moedas, financiamento e descontos para consumidores”.

Em termos gerais, o “Cartão de Talentos Macau-Hengqin” não serve apenas “como meio para reconhecer a identidade, mas como incentivo à inovação e empreendedorismo de talentos”, pode ler-se.

9 Set 2026

Burlas | Vong Hou Pio pede alertas direccionados a idosos

O legislador e contabilista alerta as autoridades para a necessidade de se adoptarem novas estratégias de prevenção contra burlas. Os idosos e a classe média são os grupos que mais preocupam o deputado

O deputado Vong Hou Pio defende a adopção de medidas de prevenção de burlas desenhadas especialmente para os idosos. O assunto faz parte de uma interpelação escrita do legislador eleito indirectamente pelo sector profissional.

Segundo o cenário traçado por Vong, nos últimos anos têm ocorrido com frequência burlas de investimento que prometem “ganhos garantidos e sem perdas” ou investimentos com “baixo risco” e “retorno elevado”.

O deputado reconhece que o assunto não é totalmente novo e que a Polícia Judiciária (PJ) tem adoptado “diversas acções de combate”, que levaram a uma redução do número de crimes. No entanto, destaca que “as perdas económicas decorrentes das burlas de investimento continuam elevadas” e que os “os métodos utilizados pelos burlões não cessam de evoluir”.

Os idosos, tidos como um grupo mais vulnerável, são uma das principais preocupações de Vong, que pede medidas direccionadas: “A análise da estrutura das vítimas demonstra que o grupo etário dos idosos, devido à sua menor literacia digital, continua a ser um alvo prioritário dos burlões”, justifica. “As autoridades vão considerar a experiência das regiões vizinhas e a possibilidade de criar um mecanismo para a divulgação regular ao domicílio de prevenção de burlas, especialmente dirigido a idosos com mobilidade reduzida ou que saem pouco de casa?”, pergunta.

O também contabilista pretende uma maior proximidade das campanhas de sensibilização contra burlas porque considera que a aplicação anti-burla da Polícia Judiciária e os alertas de risco do serviço de “Transferência Fácil” não são suficientes, devido à reduzida literacia digital dos idosos.

Classe média em risco

Além dos idosos, Vong Hou Pio alerta que existem várias pessoas da classe média apanhadas nas burlas, muitas delas trabalhadores, e que se deixam enganar, apesar de possuírem um nível de escolaridade mais elevado.

O deputado pede assim novas medidas: “Que ajustamentos específicos serão introduzidos na estratégia de divulgação de prevenção de burlas?”, questiona. “Será efectuada, através de associações profissionais ou organizações sectoriais, uma sensibilização de risco específica e dirigida a profissionais do sector financeiro, quadros de gestão de empresas e profissionais reformados, entre outros?”, acrescenta.

Tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos, Vong defendeu também a necessidade de ser criado um novo sistema de alerta contra burlas relacionadas com activos virtuais e investimentos ligados à inteligência artificial.

9 Set 2026