Mercados | Che Sai Wang alerta para “impacto sem precedentes” no consumo

A concorrência do Interior da China e a abertura de mais lojas de produtos frescos está a arrasar os mercados tradicionais. O deputado ligado à ATFPM pede ao Executivo que flexibilize as condições de exploração das bancas para revitalizar estes espaços

Che Sai Wang alertou o Governo para os efeitos da redução da procura nos mercados tradicionais e pede medidas para flexibilizar as condições de exploração. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

No documento, Che indica que apesar dos esforços para dar uma nova vida aos mercados municipais, as medidas do Executivo não estão a surtir o efeito desejado, com a redução dos clientes.

Segundo o deputado, a ausência de procura justifica-se com “a rápida expansão das cadeias de supermercados e de lojas especializadas em produtos frescos nas comunidades”, assim como com a política local de promover a circulação de veículos de Macau na província de Guangdong. Na perspectiva de Che Sai Wang, estes dois aspectos levaram a “um impacto estrutural sem precedentes nos mercados tradicionais das zonas residenciais”.

A falta de clientes nos mercados tradicionais é ainda mais notada “durante os feriados e fins-de-semana” porque “grande parte do poder de consumo local se desloca para o norte”.

Neste cenário de dificuldades, o legislador recorre aos dados do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para apontar que nos oito mercados públicos do território há 329 bancas vazias, uma taxa de desocupação de 30 por cento de todas as bancas existentes.

Três obstáculos

Como forma de revitalizar o ambiente de consumo nos mercados tradicionais de Macau, Che Sai Wang apresenta uma lista com três obstáculos que têm de ser ultrapassados.

Em primeiro lugar, o deputado indica que é necessário criar um mecanismo de substituição directa do arrendatário da banca. Em causa está o problema de a banca não poder ser assumida por familiares ou os trabalhadores dos arrendatários, quando estes decidem reformar-se ou ficam doentes. Segundo o modelo actual, é necessário um procedimento com intervenção da administração pública, através da realização de concursos públicos de arrendamento. No entanto, Che defende que este modelo afasta as pessoas mais experientes do mercado e contribui para a desocupação, dado que o negócio da banca não pode ser “herdado” ou transmitido directamente.

Em segundo lugar, o deputado indica que os procedimentos de substituição de um arrendamento por outro levam vários meses e até anos. Por este motivo, o deputado pede ao Executivo que crie mecanismos de arrendamento mais flexíveis, mais rápidos e menos burocráticos.

Como último obstáculo, Che Sai Wang aponta que o modelo de gestão dos mercados está ultrapassado e sugere a contratação de empresas para procurarem activamente no mercado comerciantes interessados em explorar as bancas.

22 Set 2026

Coutinho fala em excesso de ajustes directos com nova lei

O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo, por escrito, quanto à necessidade de “assegurar a transparência e concorrência na contratação pública”, tendo em conta a nova Lei da Contratação Pública, que entrou em vigor no passado dia 1 de Setembro.

Destaca o deputado que tem recebido, no gabinete de atendimento ao cidadão, “muitos pedidos de apoio de operadores económicos”, que referem “o aumento de etapas burocráticas na tramitação interna de alguns serviços públicos, o que causa demoras injustificáveis”.

Na interpelação, Pereira Coutinho mostra-se preocupado com o facto de “a mera previsão legal de mecanismos não seja suficiente para garantir a sua efectiva aplicação”. Dá-se o exemplo do artigo nº 144, que “exige a criação de mecanismos de controlo interno, mas não define um modelo centralizado de fiscalização”. É também referida a dificuldade prática inerente ao artigo nº 149, que “remete para diplomas complementares [a implementação] de normas necessárias à execução da lei”, o que “densifica” os processos.

Os medos

Desta forma, Pereira Coutinho alerta para o receio da predominância do ajuste directo nas contratações de bens e serviços por parte do Governo, cenário que a nova lei procurou combater. “A sociedade continua a manifestar receio quanto ao ajuste directo que, segundo temos observado, continua a ser utilizado de forma abusiva por algumas entidades públicas para contornar procedimentos concorrenciais.”

Assim, o deputado considera que essa situação “prejudica empresas que poderiam concorrer, contribuindo para a manutenção de preços elevados nos bens e serviços públicos pagos pelo erário público”.

Na interpelação, chama-se a atenção para o facto de a nova lei determinar situações urgentes ou excepcionais para a contratação pública. Porém, “conceitos de ‘urgência’, ‘complexidade’ e “características particulares’ são indeterminados e podem ser invocados de forma elástica, dificultando o controlo da legalidade e da real necessidade do recurso ao ajuste directo”.

Dá-se ainda o exemplo recente do “caso de substituição do sistema de venda de bilhetes do Metro Ligeiro, onde havia mais empresas capacitadas para fornecer estes serviços e produtos”.

Uma das questões deixadas ao Governo é “quais as entidades competentes para receber reclamações, recursos e denúncias” quanto à aplicação da nova Lei da Contratação Pública.

22 Set 2026

IA | Maior aposta em cursos secundários técnico-profissionais

Neste ano lectivo, mais escolas de Macau vão ministrar cursos de ensino secundário complementar técnico-profissional relacionados com inteligência artificial. O Governo quer também reforçar as ligações entre escolas e empresas através de “cartas de intenção de cooperação”

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) está a incentivar as escolas do território para criarem cursos de ensino técnico-profissional relacionados com tecnologia inteligente e firmarem relações com o mundo empresarial de forma a garantir a empregabilidade dos alunos do ensino técnico-profissional. Para tal, encorajaram a celebração de cartas de intenções de cooperação entre escolas e empresas, instituições de ensino superior e entidades sectoriais, com o objectivo de desenvolver o currículo técnico-profissional de inteligência artificial mais adequado às necessidades reais do sector.

Numa resposta a interpelação de Ho Ion Sang, a directora substituta da DSEDJ Iun Pui Iun garante que no ano lectivo de 2026/2027 há mais escolas a “ministrar cursos de ensino secundário complementar técnico-profissional relacionados com a inteligência artificial”.

A responsável salientou que, actualmente, as escolas de Macau estão a organizar, “em cooperação com empresas famosas do Interior da China, cursos técnico-profissionais nas áreas de inteligência científica e tecnológica, e de gestão de informações com inteligência artificial”. Além disso, os alunos vão continuar a ter oportunidades para visitar bases de formação prática de projectos, para testemunhar a aplicação da tecnologia.

A matemática da terra

A diversificação da economia da RAEM é a principal meta do Governo, e para a qual a educação tem um papel fundamental a desempenhar. Como tal, Iun Pui Iun realçou que desde este ano, as universidades de Macau passaram a ministrar “cursos micro-credenciais nas áreas de tecnologia da informação (inteligência artificial), turismo, convenções e exposições, finanças”. A dirigente da DSEDJ indicou que está prevista a criação de mais cursos vocacionados para outras áreas no futuro.

Além disso, para “atender às necessidades de profissionais qualificados impulsionadas pela estratégia de desenvolvimento das indústrias ‘1+4’ de Macau”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tem promovido cursos de formação e certificação profissional nos sectores estratégicos.

A dirigente da DSEDJ destaca também a implementação do “Plano para aumento de competências digitais e certificação” e do “Plano de formação de pessoal qualificado para o sector de convenções e exposições”, que “estão a alargar-se sucessivamente para domínios como a big health, as finanças modernas e as tecnologias de ponta”.

22 Set 2026

Taiwan | Lao Ngai Leong diz que relações com China são “complicadas”

O presidente do Conselho Regional de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China, Lao Ngai Leong, garante que Macau mantém um papel no intercâmbio com a região de Taiwan, tendo destacado a fase “complicada” no relacionamento de Pequim com a Formosa.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, realizou-se este domingo uma reunião sobre o relatório relativo às relações entre os dois lados do estreito.

Lao Ngai Leong destacou que, actualmente, o panorama do relacionamento entre China e Taiwan é complicado, sendo que esta reunião serviu para que sócios e dirigentes do Conselho compreendam melhor as políticas do Governo Central para Taiwan, e Macau possa desempenhar melhor o seu papel como ponte nas relações entre os dois lados do estreito.

O director do Departamento para os Assuntos de Taiwan do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central, Li Yonggang, recordou que este ano se celebram os 160 anos do aniversário de Sun Yat-sen, um dos fundadores da República na China, estando o Conselho a organizar várias actividades.

Este disse esperar que o Conselho dê mais contributos para os trabalhos de Macau relacionados com Taiwan, unindo mais os sectores sociais da RAEM para promover e estreitar o intercâmbio com a região. Li Yonggang disse também esperar que estes sectores se oponham, de forma firme, aos que defendem a independência de Taiwan e também à intervenção das forças externas, a fim de impulsionar, com firmeza, a reunificação nacional.

22 Set 2026

LAG | O Lam ouviu associações tradicionais

A quebra da natalidade e o envelhecimento da população, o desenvolvimento da Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e as medidas de apoio aos grupos vulneráveis foram alguns dos tópicos abordados pelas associações tradicionais durante “uma série de encontros” com a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.

As reuniões foram realizadas à porta fechada, no âmbito da preparação das Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, e foram divulgadas ontem através de um comunicado.

Segundo a informação oficial, a secretária recebeu a Associação Geral das Mulheres de Macau, a Associação Comercial de Macau, a Aliança de Sustento e Economia de Macau, a Federação de Juventude de Macau, a Aliança de Povo de Instituição de Macau, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, a Associação de Educação de Macau, a Federação das Associações dos Operários de Macau e a Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau.

De fora dos encontros de O Lam, terá ficado a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), grande vencedora das últimas eleições legislativas.

Durante os encontros, O Lam prometeu “que a sua equipa irá proceder à organização, estudo e análise cuidadosos das inúmeras sugestões recolhidas” na elaboração das LAG para a área dos assuntos social e cultural de 2027.

A governante também garantiu que as exigências do 15.º Plano Quinquenal nacional e do 3.º Plano Quinquenal de Macau se focam no “aumento do sentimento de felicidade e de realização da população”.

22 Set 2026

Cooperação | Chefe do Executivo reuniu com dirigente de Hebei

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu, na última quarta-feira, com Zhang Guohua, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês da província de Hebei, e também director do Comité Administrativo da Nova Área de Xiong’an.

Segundo um comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai referiu que Macau pode “aprofundar ainda mais o intercâmbio” com esta zona apontando à “cooperação pragmática na formação e atracção de quadros qualificados e para o desenvolvimento da indústria da medicina tradicional chinesa”.

Por sua vez, Zhang Guohua destacou que a província de Hebei “está a promover, de forma pró-activa, o ajustamento da estrutura industrial”, a fim de “tirar pleno proveito do posicionamento da Nova Área de Xiong’an, para que se desenvolva como pólo de inovação”.

O dirigente disse que a visita a Macau serve para “definir a direcção para uma cooperação aprofundada no futuro”, a fim de se impulsionar “o desenvolvimento de diversificação da economia de ambas as regiões”.

Zhang Guohua destacou que, nos últimos anos, a Nova Área de Xiong’an tem apostado na “inovação científica e tecnológica, desenvolvendo indústrias como Internet por satélite, economia digital e inteligência artificial, investigação e desenvolvimento de novos materiais”, procurando também “atrair quadros qualificados em Pequim e Tianjin”.

21 Set 2026

IA | PJ preocupada com possível ameaça à segurança nacional

O director da Polícia Judiciária alertou para os riscos da cibercriminalidade e para os métodos criminosos que são cada vez “mais inteligentes e automatizados”. A segurança nacional continua a ser a principal preocupação das autoridades em Macau

O director da Polícia Judiciária (PJ), Sit Chong Meng, manifestou preocupação com o facto de o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) poder ameaçar a ordem social e a segurança nacional.

Os riscos colocados “pela IA e pela ‘big data'” não só “ameaçam a ordem social e o interesse público, como representam uma ameaça directa à segurança nacional no seu todo”, afirmou o director da PJ, Sit Chong Meng, na sexta-feira, na cerimónia de abertura da Semana Nacional de Sensibilização para a Cibersegurança.

Sit reconheceu que as tecnologias emergentes “têm proporcionado um impulso poderoso” à inovação na governação, à modernização industrial e aos serviços públicos, “mas, ao mesmo tempo, deram origem a novos desafios de cibersegurança”.

“A cibercriminalidade continua a grassar e o rápido desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial levou a que os métodos criminosos se tornem cada vez mais inteligentes e automatizados”, acrescentou.

O responsável sublinhou que os hackers estão a realizar ataques a “um ritmo sem precedentes” – com “métodos cada vez mais dissimulados” – que as novas formas de fraude são cada vez mais enganadoras e que a gravidade do roubo de dados e dos ciberataques “aumentou significativamente”. “Estes riscos e desafios servem de alerta constante de que temos de fazer avançar a governação da segurança a par do desenvolvimento tecnológico, por forma a garantir que a tecnologia é utilizada para o bem e que o progresso tecnológico beneficia a sociedade”, defendeu.

Panorama mais exigente

Perante um cenário de cibersegurança e de segurança tecnológica “cada vez mais exigente”, o responsável sugeriu que a sociedade tem de reforçar a cooperação – “agora mais do que nunca” – para melhorar as defesas de cibersegurança e a protecção contra riscos e ameaças, como a fraude online, os ciberataques e as violações de dados.

Sit citou o Presidente Xi Jinping, afirmando que a salvaguarda da cibersegurança requer “cooperação reforçada”, “aprendizagem mútua”, “investigação e desenvolvimento conjuntos” e “benefícios mútuos e resultados vantajosos para todas as partes”.

O dirigente chinês vai visitar os Estados Unidos esta semana, e a administração norte-americana está a ponderar reunir os líderes das principais empresas de IA, informou a cadeia televisiva CNN.

21 Set 2026

Patriotismo | 300 alunos e docentes em Pequim

Uma delegação de 300 alunos e professores de Macau está em Pequim para participar numa actividade de “saudação à Bandeira Nacional” que termina amanhã, dia 22.

O evento, com o nome oficial de “Actividade de Visita a Pequim de Representantes das Equipas de Hasteamento da Bandeira dos Jovens de Hong Kong e Macau – ‘Saudação à Bandeira Nacional'”, começou na sexta-feira e tem por objectivo “cultivar o sentimento de amor à Pátria nos jovens de Macau e aprofundar a educação patriótica”.

Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), “docentes e estudantes de Hong Kong e Macau participam em diversas actividades práticas de estudo sobre história, cultura, inovação tecnológica e desenvolvimento coordenado entre Pequim, Tianjin e Hebei”.

A DSEDJ realizou ainda acções de formação nos dias 12 e 16 de Setembro sobre “conhecimentos jurídicos, o significado simbólico e o protocolo associados à Bandeira, ao Hino e ao Emblema Nacionais”.

O director da DSEDJ, Kong Chi Meng, declarou, segundo o jornal Wenwei, de Hong Kong, que esta visita constituiu uma boa aprendizagem prática para os alunos aprenderem mais sobre o hino, bandeira nacional e emblema nacional fora das aulas. O responsável afirmou ainda que o Governo vai continuar a organizar mais viagens para que os estudantes de Macau possam conhecer diferentes cidades do país e saber mais sobre a China.

21 Set 2026

Jogos Asiáticos | Sam Hou Fai felicita atletas de Macau medalhados

O Chefe do Executivo felicitou ontem os atletas de artes marciais da delegação desportiva da RAEM pela conquista de uma medalha de ouro e outra de prata na 20.ª edição dos Jogos Asiáticos, que decorrem na cidade de Nagoya da prefeitura de Aichi, no Japão.

“É com grande alegria que congratulamos os atletas de artes marciais, Kuong Chi Hin e Song Chi Kuan, pela conquista das primeiras medalhas para a RAEM, uma de ouro e outra de prata, respectivamente, na modalidade masculina de Changquan (Long Fist), na 20.ª edição dos Jogos Asiáticos”, indicou Sam Hou Fai.

O governante destacou a “determinação e espírito de iniciativa” dos atletas, que “honraram o nome da RAEM”, ao enfrentarem adversários de grande nível.

“Em nome do Governo da RAEM e de toda a população de Macau, endereço as mais calorosas felicitações à delegação desportiva de Macau, China, e aos dois atletas. Deixo também os mais sinceros votos de sucesso a todos os atletas que continuam a competir e a lutar por bons resultados nas mais diversas modalidades desta edição dos Jogos Asiáticos”, acrescentou o Chefe do Executivo.

A competição, em que entraram 45 países e regiões da Ásia, termina no próximo dia 4 de Outubro. A delegação de Macau é composta por 85 atletas que competem em 15 modalidades.

21 Set 2026

TJB | Concluída audiência do processo em que Au Kam San é arguido

O Tribunal Judicial de Base anunciou na sexta-feira a conclusão da audiência do processo contra o ex-deputado Au Kam San, e que irá “designar a data da leitura do acórdão”, dois dias depois do início do julgamento

O anúncio breve através de um comunicado do Tribunal Judicial de Base (TJB) acontece dois dias após o início do julgamento do primeiro processo relativo à segurança do Estado em Macau.

“O Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Base terminou, no dia 18 de Setembro, a audiência de julgamento do processo relativo à segurança do Estado relacionado com o arguido Au Kam San e irá designar uma data para a leitura do acórdão”, informa o tribunal, deixando claro que a produção de prova, testemunhal e outra, defesa e alegações finais foram já deixadas para atrás, restando apenas o acórdão e respectiva sentença enquanto último acto de tramitação processual.

O julgamento do cidadão português começou na quarta-feira da semana passada à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão. Vários agentes da polícia foram mobilizados para o exterior do TJB, onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa.

“A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indicou o TJB.

25 anos

Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB. Pelo crime de subversão contra o poder político do Estado, Au Kam San arrisca uma pena que pode chegar aos 25 anos de prisão.

O antigo deputado foi detido em 30 de Julho de 2025 em Macau e ficou desde esse dia em prisão preventiva.

21 Set 2026

Consumo | Governo retoma incentivos no valor de 468 milhões

O grande prémio do consumo está de volta a 9 de Outubro, por 10 semanas. A iniciativa mudou de nome, os cupões podem ser gastos logo no dia em que são obtidos e os estabelecimentos aderentes podem acrescentar descontos ou ofertas. Os cupões de desconto têm um valor total de 468 milhões de patacas

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) apresentou ontem a nova ronda do grande prémio do consumo, desta feita designado como “Prémios Consecutivos para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. A iniciativa irá decorrer durante 10 semanas, entre 9 de Outubro e 17 de Dezembro e irá oferecer cupões com descontos para o consumo com um valor de 468 milhões de patacas, um aumento face aos cerca de 400 milhões de patacas da última ronda, que decorreu entre Abril e Julho.

As principais novidades desta ronda prendem-se com o período em que os cupões de desconto podem ser usados. Compras feitas entre sexta-feira e domingo no valor de, pelo menos, 50 patacas permitem aceder ao sorteio com três tentativas para receber cupões. Estes descontos podem ser gastos entre o dia da sua obtenção e a quinta-feira da semana seguinte, em mais de 20 mil lojas físicas de Macau que os aceitem. Em relação ao valor, os cupões continuam a ter valores nominais de 10, 20, 50, 100 e 200 patacas.

A outra novidade anunciada ontem prende-se com o papel dos próprios estabelecimentos aderentes que podem, se assim escolherem, oferecer cupões de desconto imediato (12 patacas para gastos acima de 100 patacas), ou cupões de oferta no consumo (por exemplo, uma bebida ou snack grátis numa refeição que custe mais de 100 patacas). A despesa destes descontos é paga pelos comerciantes.

Alargar a todos

Na conferência de imprensa que apresentou o programa, o director da DSEDT, Yau Yun Wah, revelou a forma como o Governo concluiu pela promoção destes descontos a cargo dos comerciantes. “Fizemos um inquérito e observámos que muitos comerciantes, sobretudo restaurantes, fornecerem voluntariamente promoções semelhantes ao que estamos a propor. Por isso, incluímos essa prática neste programa, para que os comerciantes se promovam na nossa plataforma”, explicou.

Apesar de não estarem incluídos no programa de benefícios electrónicos patrocinados pelos cofres públicos, Yau Yun Wah afirmou esperar que os grandes supermercados e resorts também forneçam voluntariamente os cupões de desconto imediato, ou promoções semelhantes.

Yau Yun Wah referiu também que, actualmente, cerca de 600 comerciantes participam no programa, principalmente restaurantes e de lojas de venda a retalho.

Quanto à fiscalização desta ronda de incentivos ao consumo, o presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Chi Ngai (que coorganiza mais uma vez a iniciativa) argumentou que o poder das redes sociais tem um efeito dissuasor face a possíveis comportamentos censuráveis. “Para os comerciantes, a reputação é importante. Como sabemos, os consumidores partilham frequentemente falhas nas redes sociais. Por isso, acredito que os comerciantes serão prudentes”, indicou.

Em relação aos benefícios para idosos e os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência, a ronda que começa no próximo mês segue os mesmos moldes da anterior. Os beneficiários vão continuar a poder usufruir do desconto imediato para consumo no valor de 500 patacas através do cartão Macau Pass, obtendo descontos de 50 por cento em compras em lojas ou restaurantes aderentes.

18 Set 2026

ID | Francisco Manhão espera transição suave

O anterior presidente da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, Francisco Manhão, acredita na competência de Deland Leong Wai Man para dirigir o Instituto do Desporto (ID). A actual presidente do Instituto Cultural (IC) vai acumular as funções até 31 de Outubro, quando se espera que até ao final do ano fique concluída a fusão dos dois institutos.

“Ela vai acumular interinamente as funções até 31 de Outubro. E num tão curto espaço de tempo não sei o que vai poder concretizar. Mas acho que ela já mostrou competência como dirigente do Instituto Cultural, pelo que considero que é uma pessoa muito competente”, afirmou Manhão, ao HM. “Acho que nos próximos tempos não vamos assistir a grandes alterações, até porque não há muito tempo. Também acredito que as coisas podem correr bem, porque ela tem uma equipa no Instituto do Desporto com muita experiência”, acrescentou.

O ex-dirigente, e actual consultor da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, considerou ainda importante que o Governo actualize os montantes dos subsídios distribuídos, principalmente no que diz respeito ao Torneio da Soberania. O macaense justificou esta posição com o facto de a economia no território atravessar um período difícil, o que acaba por ter impacto no funcionamento das associações locais.

18 Set 2026

Zhongshan | Sam Hou Fai defende serviços transfronteiriços para residentes

O Chefe do Executivo recebeu na quarta-feira o presidente do Município de Zhongshan, Yin Nianhong, com quem discutiu assuntos relacionados com turismo, prestação de serviços a residentes da RAEM que moram na cidade vizinha e a partilha das oportunidades suscitadas pelo desenvolvimento de Hengqin.

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “concordou com a ideia de estabelecer balcões de serviços governamentais transfronteiriços em Zhongshan” para os mais de 30 mil residentes de Macau que residem na cidade.

O governante da RAEM sugeriu também a criação de pacotes turísticos multi-destinos com Zhongshan numa “única viagem”, para “ampliar o impacto do desenvolvimento sinergético cultural e turístico entre as duas regiões”. Sam Hou Fai, que nasceu em Zhongshan, defendeu o reforço da complementaridade entre as duas cidades e a capacidade de Hengqin para “atrair projectos tecnológicos de grande escala para Zhongshan”.

Por seu turno, Yin Nianhong agradeceu o apoio, de longa data do Governo da RAEM, ao desenvolvimento de Zhongshan e expressou o desejo de reforçar a cooperação com instituições de ensino superior e de investigação científica de Macau.

18 Set 2026

MIF | Países de língua espanhola participam pela primeira vez

A Feira Internacional de Macau (MIF) terá, pela primeira vez, um pavilhão dedicado aos países de língua espanhola, “reforçando o papel da cidade como plataforma” entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, foi ontem anunciado. “O recém-criado Pavilhão da Indústria dos Países de Língua Espanhola vai reunir expositores de 11 países de língua espanhola”, anunciou a organização em comunicado.

A feira decorre de 21 a 24 de Outubro no Venetian Macau, numa área de 16.000 metros quadrados, e é organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

O objectivo é “reforçar” o papel da plataforma China–Países de língua portuguesa e espanhola, “criar uma plataforma de oportunidades de negócio que ligue mercados externos, como os países de língua portuguesa, os países de língua espanhola e os países da ASEAN, e apoiar as empresas na expansão das suas operações internacionais”, indicou o IPIM.

A organização adiantou que a feira terá quatro áreas de exposição centrais. Uma delas é a de Tecnologia, centrada na inovação tecnológica em inteligência artificial e nas oportunidades científicas e tecnológicas da Grande Baía.

Outra área é dedicada à Indústria da Saúde, “para ajudar à expansão internacional da indústria da medicina tradicional chinesa e da saúde e à sua integração nos contextos de consumo modernos”.

Uma terceira, relativa ao Comércio, Investimento e Cooperação Industrial, será “dedicada a facilitar o encontro de negócios e a expansão nos mercados internacionais”.

A feira incluirá ainda uma área centrada nas empresas de Macau, “destinada a promover a melhoria da qualidade e a modernização das empresas de Macau e a expandir oportunidades de negócio tanto no mercado interno como no estrangeiro”, segundo o comunicado.

18 Set 2026

Espanha | Secretária reforça ideia de Macau como elo de conexão

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse na abertura do Fórum de Think Tanks que Macau deve ser uma ponte de ligação aos países de língua espanhola. A Fundação Cátedra China propôs a criação da “Rede China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa

Abriu ontem a edição deste ano do Fórum de Think Tanks, tendo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendido a estratégia governamental para que Macau seja uma ponte com o mercado da Península Ibérica.

A secretária disse que o 3º Plano Quinquenal de Macau, recentemente apresentado, está alinhado com a estratégia de Pequim para expandir a plataforma de Macau além dos países de língua portuguesa, chegando aos países de língua espanhola.

A secretária deixou algumas propostas de como esta aproximação pode ser feita, nomeadamente no reforço da investigação académica em áreas como a governação global, o multilateralismo e a aplicação do princípio “um país, dois sistemas”.

O Lam fez ainda um apelo para mais acções de intercâmbio de alunos e investigadores de forma a aproximar os territórios, defendendo que Macau vai continuar a usar as línguas como meio de aproximação a Portugal e Espanha, apoiando as iniciativas de política externa da China.

Inovar em rede

Entretanto, no mesmo Fórum, a presidente da fundação espanhola Cátedra China propôs a criação da “Rede Internacional China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa na governança global. “Vivemos num mundo monolingue e creio que temos de avançar no sentido do pluralismo da Iberofonia”, afirmou à agência Lusa Marta Ana Montoro Carrión.

Considerando essencial mudar a visão linguística do mundo “e torná-la muito mais multilateral”, Montoro Carrión notou que o português, o espanhol e o chinês “são línguas muito importantes e devem ser tratadas como tal em todas as novidades relacionadas” com inteligência artificial, nas universidades, nos centros de reflexão e centros de decisão.

Na apresentação, Montoro Carrión propôs a criação de “uma Rede internacional China–Iberofonia para o Diálogo entre Civilizações e a Governação Global”. Esta rede, reforçou, “não pretende competir com as diplomacias oficiais, mas sim alimentá-las e multiplicá-las”.

A ideia, continuou, passa por impulsionar consórcios académicos “para que o processamento da linguagem natural, as grandes bases de dados e os modelos de inteligência artificial não dependam exclusivamente do inglês”, garantindo que o chinês, o espanhol e o português sejam línguas de primeira linha na produção científica e tecnológica do futuro.

A fundação sugere, além disso, que a rede tenha sede em Macau: “Porque até agora esta questão não tem sido abordada como uma questão geopolítica e consideramos que é necessário começar a trabalhar neste sentido”.

O Fórum de Think Thanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola 2026 está focado na Iniciativa de Governança Global, apresentada em 2025 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, para promover o desenvolvimento inclusivo, segurança comum e diálogo entre civilizações. O evento foi acolhido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

18 Set 2026

Zona A | Admitidas 22 propostas para construir escolas

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) admitiu 22 de 24 propostas submetidas a concurso público para as “Obras de superestrutura no terreno para fins educativos do lote B1 da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Este-2 de Macau – Zona 1”, ou seja, na Zona A dos Novos Aterros.

Segundo uma nota da DSPOP, os orçamentos apresentados variam entre 460 milhões e mais de 530 milhões de patacas, com prazos de execução de obra que rondam os 503 e 504 dias de trabalho.

A obra será feita numa área superior a 30 mil metros quadrados, sendo construídas quatro escolas e um centro de actividades educativas. Por sua vez, a cave destina-se ao parque de estacionamento e zona para a tomada e largada de crianças. As obras devem começar no segundo trimestre de 2027.

17 Set 2026

Justiça | Julgamento de Au Kam San arrancou com forte presença policial

O julgamento do ex-deputado Au Kam San começou ontem à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão.

Vários agentes da polícia foram mobilizados ontem de manhã para o exterior do Tribunal Judicial de Base (TJB), onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa.

Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB.

17 Set 2026

Hengqin | Mais de metade de inquiridos satisfeitos

Um inquérito da Associação Geral das Mulheres de Macau revela que 75 por cento dos residentes inquiridos estão satisfeitos com os serviços e infra-estruturas promovidas por Hengqin, nomeadamente ao nível de serviços governamentais, saúde, recursos educativos e transportes públicos.

Segundo um comunicado, o estudo, cujos resultados foram divulgados esta terça-feira, mostram também que a fatia de 90,6 por cento dos residentes entrevistados mostram-se satisfeitos com as zonas de consumo para as necessidades do dia-a-dia e outros serviços.

A equipa responsável pelo inquérito disse que os dados mostram que o fomento da integração de Macau com Hengqin continua a gerar resultados e a injectar vitalidade na diversificação da economia local. Além disso, mostram ainda como a Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin se vai tornando, cada vez mais, numa opção para as famílias da RAEM que procuram mais qualidade de vida.

17 Set 2026

Administração | Deland Leong à frente dos institutos Cultural e do Desporto

A presidente do Instituto Cultural foi nomeada para liderar, cumulativamente, o Instituto do Desporto. Em relação à fusão dos dois institutos e do Fundo de Desenvolvimento da Cultura numa só entidade, Deland Leong Wai Man revela que deve estar concluída até ao fim do ano

A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, foi designada para exercer interinamente as funções de presidente do Instituto do Desporto (ID), segundo um despacho assinado pelo Chefe do Executivo publicado ontem no Boletim Oficial.

A responsável vai estar à frente do ID a partir do próximo domingo, até 31 de Outubro, sem que haja, para já, indicação de quem assumirá a presidência da entidade a partir de Novembro.

Recorde-se que a presidência do ID tem sofrido várias reformulações nos últimos anos. Depois de ter sido dirigido por Pun Weng Kun durante oito anos e meio, até Agosto de 2024, Luís Gomes assumiu a presidência do organismo público que gere o desporto em Macau até há quase exactamente um ano atrás, quando foi nomeado vice-presidente do Fundo de Segurança Social.

A dança das cadeiras prosseguiu, com Lei Si Leng a assumir o cargo de presidente interina do ID em Fevereiro deste ano. A nomeação de Deland Leong para exercer as funções de presidente do ID marca a quarta liderança do organismo em pouco mais de dois anos e, face à nomeação que se estende até ao fim do próximo mês, pode estar para breve a escolha de uma nova presidência.

Ponto de fusão

O despacho assinado por Sam Hou Fai referiu também que Deland Leong será remunerada pela quantia mensal equivalente ao valor do índice 80 da tabela indiciária da função pública, um encargo suportado pelo orçamento do ID.

Em Novembro do ano passado, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026, Sam Hou Fai indicou que, até ao quarto trimestre deste ano, o Instituto Cultural, Fundo de Desenvolvimento da Cultura e Instituto do Desporto seriam fundidos num só organismo.

Deland Leong Wai Man participou ontem no programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau onde confirmou que a fusão dos organismos está para breve, entre Outubro e Novembro. A responsável acrescentou que medida irá facilitar os procedimentos em ambas as áreas e que tal não irá prejudicar a organização do Grande Prémio de Macau.

17 Set 2026

Economia | Conselheira pede mais incentivos ao consumo

Face às dificuldades económicas das pequenas e médias empresas, Chan Hio Teng, vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, defende a criação de um “mecanismo regular” de incentivo ao consumo. A posição consta de um comunicado divulgado pela integrante da associação Aliança do Bom Lar.

Chan aponta que “sob a influência de factores do ambiente interno e externo” a predisposição dos residentes para consumirem no território “enfraqueceu”. A conselheira reconhece que este factor não é novo, e que se tem verificado “nos últimos anos”.

No entanto, neste ambiente económico difícil, Chan Hio Teng quer que o Governo lance mais iniciativas de promoção do consumo, como o Grande Prémio Para o Consumo, cuja última edição aconteceu na primeira metade deste ano.

No entanto, a responsável avisa que se o futuro passar por mais uma ronda do Grande Prémio Para o Consumo vai ser necessário implementar alguns ajustes. Citando a opinião de alguns comerciantes, Chan Hio Teng aponta que o impacto da iniciativa de promoção do consumo é limitado ao tempo em que são oferecidos os descontos. Por este motivo, a conselheira pede ao Executivo que pense numa outra forma de incentivar os residentes a gastarem mais e durante mais tempo nos bairros comunitários.

No seguimento do que tem acontecido recentemente, Chan Hio Teng aponta também que o Executivo deve pensar ainda mais na realização de actividades culturais nos bairros comunitários, como forma de incentivar o consumo nessas zonas.

16 Set 2026

CTT | Hutchison renuncia à licença de serviços de telecomunicações

O Governo recebeu um pedido da Hutchison, que até ao início do ano operava a rede de telemóveis 3 Macau, de renúncia à licença dos serviços de telecomunicações móveis 4G, com vista à cessação dos serviços de comunicações móveis a partir de 1 de Dezembro

Agora é oficial. Depois da venda da operadora de telecomunicações “3” à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), em Janeiro deste ano, a Hutchison – Telefone (Macau) pediu ao Governo da RAEM a renúncia à sua licença dos serviços de telecomunicações móveis 4G e pretende cessar os serviços de comunicações móveis em Macau a partir de 1 de Dezembro deste ano.

A notícia do pedido foi revelada ontem pela Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), que apontou a situação operacional da Hutchison como justificação para a decisão. “Trata-se de uma decisão comercial tomada autonomamente pela empresa”, sublinharam os CTT.

Os CTT acrescentaram que, para salvaguardar os direitos e interesses dos utilizadores, exigiram à Hutchison que elaborasse um plano para assegurar a “transição estável dos serviços”. A entidade pública comprometeu-se ainda em acompanhar de perto o processo de cessação das actividades da empresa de telecomunicações.

Foi também recordado aos utilizadores que devem escolher “o mais cedo possível e de acordo com as suas necessidades, uma operadora de telecomunicações adequada para tratar das formalidades de mudança de operadora, por forma a assegurar a utilização normal dos serviços de comunicações”.

Tomar o lugar

“Durante o período de transição, a Hutchison compromete-se a manter o funcionamento normal dos serviços básicos de comunicações e a prestar informações e apoio aos utilizadores nas suas lojas, das lojas da CTM e da linha de atendimento ao cliente”, é indicado.

Os CTT recordam que a Hutchison celebrou um acordo com a CTM para que esta assumisse a prestação de serviços aos clientes da 3, apoiando a “transferência ordenada para a rede da CTM”.

Recorde-se que no início do ano a CTM tornou-se a principal accionista da Hutchison Telefone (Macau), num negócio no valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau.

No comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong onde anunciou o negócio, o presidente da Hutchison Telecom, Canning Fok Kin Ning, afirmava que a venda iria melhorar a rentabilidade nos próximos anos, permitindo redistribuir recursos de forma mais eficaz e simplificar a estrutura operacional.

A Hutchison Telecom é uma subsidiária do grupo CK Hutchison Holdings do bilionário de Hong Kong Li Ka-shing.

16 Set 2026

Madeiras | Moçambique estreia-se em fórum sobre comércio

O secretário de Estado da Terra e Ambiente moçambicano vai estar em Macau, marcando a estreia de Moçambique num evento anual sobre o comércio sustentável de madeiras tropicais.

Segundo um comunicado do Governo de Macau, o Fórum Global de Madeira Legal & Sustentável (GLSTF, na sigla em inglês), marcado para 22 e 23 de Setembro, vai contar, “pela primeira vez”, com “altos funcionários de Moçambique e uma delegação oficial do México”.

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) sublinhou que as estreias “reforçam ainda mais” o papel do território como plataforma para a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola.

A China estabeleceu Macau como plataforma económica e comercial com os mercados de língua portuguesa em 2003. Mais de duas décadas depois, o Governo alargou o foco aos países que falam espanhol.

De acordo com o programa do GLSTF, o secretário moçambicano Gustavo Djedje será um dos palestrantes principais do arranque do Fórum, juntamente com ministros da Tailândia, Camarões e República Centro-Africana. O programa prevê ainda que o director nacional de Florestas e Fauna Bravia de Moçambique, Imede Falume, irá participar num fórum com dirigentes da China, Gana e Indonésia.

O GLSTF vai contar ainda com Bruno Leão, director da Associação da Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará, no norte do Brasil, e o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, Ivan Tomaselli.

O IPIM indicou que o Fórum deverá contar com participantes de 49 países e regiões, incluindo do Gabão, Togo, Malásia, Equador, Peru, Suíça e França. O evento deverá marcar o arranque dos preparativos para a elaboração de uma norma internacional para o combustível de aviação à base de biomassa e do Sistema de Gestão de Normas Verdes de Macau.

16 Set 2026

AMCM | Coutinho acusa entidade de omissões e falta de resposta

O deputado José Pereira Coutinho acusa a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) de “insuficiência e falta de objectividade” nas respostas a uma interpelação por si apresentada, a 20 de Julho, relativamente a “operações estruturadas de empréstimo com hipotecas de moradias, pagamento da dívida por terceiros com fundos próprios e remuneração por elevadas taxas de juros”.

Na interpelação escrita, Pereira Coutinho frisou que a resposta da AMCM, de 10 de Agosto, revelou-se “genérica, evasiva e desprovida de objectividade, não respondendo de forma directa e concreta a nenhuma das três questões formuladas”.

Para o deputado, a entidade limitou-se a responder com “enunciados gerais sobre os poderes de supervisão da AMCM, a emissão de directivas complementares e o acompanhamento contínuo do mercado financeiro”. Porém, “não aborda as situações descritas na interpelação e não confirma nem nega a existência de comunicações prévias por parte das instituições bancárias sobre estas operações”.

A AMCM também “não apresenta qualquer calendário para a revisão da desactualizada” circular relativa a regras e orientações para o lançamento e distribuição de produtos financeiros.

16 Set 2026

Segurança Nacional | Iau Teng Pio diz que plataforma com Ocidente cria riscos

O deputado e vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende que as associações têm de se subordinar à segurança nacional e incluir o patriotismo nos estatutos

O deputado Iau Teng Pio considera que o facto de Macau ser uma plataforma entre a China e o Ocidente contribui para a existência de vários riscos para a segurança nacional.

A posição foi tomada através da publicação de um artigo de opinião no jornal Ou Mun, em que o também vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende maiores exigências patrióticas para as associações locais. “Como centro de intercâmbio entre a cultura chinesa e a ocidental, Macau enfrenta riscos potenciais de segurança nacional que revestem um carácter mais dissimulado e complexo”, escreve Iau Teng Pio.

“Ao aperfeiçoar o seu sistema de governação através de reformas legislativas, a RAEM cria um novo panorama focado em áreas de alto risco — como as relações externas das associações, a circulação de fundos e a disseminação em redes —, aplicando um controlo de conformidade regular para dissipar os riscos na origem e tecer uma rede de protecção multidimensional e tridimensional para a segurança nacional”, é acrescentado.

A opinião surge numa altura em que decorre uma consulta pública sobre a futura lei das associações, que se espera que dê poderes às autoridades para encerrarem qualquer associação que não seja considerada patriota.

Apesar deste aspecto, o especialista em direito considera que não se está a limitar a liberdade de associação: “O aperfeiçoamento do regime de conformidade com a segurança nacional para as associações não visa limitar a liberdade de associação, mas sim seguir a lógica internacional de governação centrada em ‘regulamentar para promover a saúde e garantir a conformidade para alavancar o desenvolvimento’, purificando o ecossistema associativo e padronizando a ordem operacional”, sustenta.

À imagem da Rússia

Em defesa do diploma do Governo que ainda não é conhecido, o deputado considera que a “liberdade de associação é um direito fundamental, mas não um direito absoluto”.

Iau Teng Pio aponta que as associações têm de estar subordinadas à segurança nacional, e que o mesmo acontece “em todos os países do mundo”. “Todos os países do mundo delimitam claramente os seus regimes de direitos, estabelecendo a salvaguarda da segurança nacional e da ordem pública como limites legais indispensáveis para o funcionamento das associações”, escreve. “Assim, observa-se que a aplicação de supervisão e controlo de conformidade no âmbito da segurança nacional às associações representa um princípio jurídico e uma prática internacional comummente aceites a nível global”, frisou.

Entre os exemplos citados pelo deputado de jurisdições que limitam a liberdade de associação surgem a Rússia, o Reino Unido e ainda a Alemanha.

Iau Teng Pio indica também que o conceito de “amor pela Pátria e por Macau” e o “cumprimento da lei e salvaguarda da segurança deve ser incorporado nos estatutos sociais e integrado nas operações diárias” das associações. O deputado pede ainda às associações para deixarem de ser “meros sujeitos de prestação de serviços sociais” e evoluam para “guardiãs da segurança nacional na base comunitária”.

16 Set 2026