Reserva financeira de Macau subiu 7,6% até Novembro

Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), os activos da reserva financeira aumentaram 7,6 por cento nos primeiros 11 meses de 2025. Os dados da AMCM revelam também que no final de Novembro a reserva financeira valia 663,2 mil milhões de patacas, mais 47 mil milhões de patacas do que no final de 2024.

Um balanço publicado ontem no Boletim Oficial mostra que a reserva já se valorizou mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas.

O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas.

O valor atingido no final de Novembro é o segundo mais elevado de sempre, só aquém do recorde de 663,6 mil milhões de patacas, fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia. Ainda assim, de acordo com a AMCM, a valorização da reserva abrandou em Novembro, mês em que ganhou 2,15 mil milhões de patacas, menos 198,3 milhões de patacas do que o aumento de Outubro.

 

Pratos da balança

O valor da reserva extraordinária no final de Novembro era de 456,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 167,3 mil milhões de patacas.

O orçamento inicial do território para 2025 previa uma subida de 7 por cento nas despesas totais, para 109,4 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa (AL) aprovou em Julho uma proposta apresentada pelo Governo para um novo orçamento, que inclui um aumento extra de 2,86 mil milhões de patacas nas despesas.

Em Novembro, a AL deu também luz verde, por unanimidade, ao orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.

Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 283,2 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 272 mil milhões de patacas e até títulos de crédito no montante de 104,4 mil milhões de patacas.

Em 2024, os investimentos renderam à reserva financeira quase 31 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,3 por cento, disse a AMCM, no final de Fevereiro de 2025.

29 Jan 2026

AMCM | Banco estatal emite dívida para apoiar projectos lusófonos

O Governo anunciou ontem que o Banco de Desenvolvimento da China completou a primeira emissão de dívida para financiar projectos nos países lusófonos. A operação envolveu a emissão de obrigações públicas no montante global de 5,5 mil milhões de renminbis

A Sucursal de Hong Kong do Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês) concluiu na terça-feira a operação, que envolveu obrigações públicas no valor de 5,5 mil milhões de renminbis (RMB), anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). O regulador local sublinhou, num comunicado, que é “a primeira emissão de obrigações temáticas destinadas à iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e aos países e regiões de língua portuguesa”.

A AMCM salienta que a emissão de dívida é dirigida a investidores profissionais. Do montante total de 5,5 mil milhões de RMB, as obrigações temáticas com prazo de três anos ascenderam a 3,5 mil milhões de RMB, com uma taxa de juro fixada em 1,75 por cento. Já as obrigações temáticas com prazo de cinco anos, totalizaram 2 mil milhões de RMB, com uma taxa de juro fixada em 1,85 por cento.

O lançamento das obrigações “representa uma importante demonstração” do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM.

A AMCM defendeu ainda que a operação da sucursal do CDB na vizinha região de Hong Kong também “destaca a participação e contributo de Macau para a construção” de ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

O CBD tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir obrigações públicas em Macau, algo que a AMCM descreveu como “mais um marco relevante quanto à diversificação dos emitentes no mercado obrigacionista”.

O plano global

Em Novembro, o Chefe do Executivo sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos em Macau, sobretudo pelas autoridades centrais ou locais chinesas, ultrapassou 100 mil milhões de patacas.

Durante a discussão das Linhas de Acção Governativa para 2026, Sam Hou Fai afirmou que queria criar um mecanismo monetário para liquidar na RAEM as transacções comerciais entre a China e os países de língua portuguesa.

Um mecanismo monetário, “incluindo os países de línguas portuguesa e espanhola”, pode também encorajar o mercado de obrigações, defendeu o primeiro líder da região semiautónoma chinesa que fala português.

O Chefe do Executivo quer atrair os governos e as empresas dos países de línguas portuguesa e espanhola para emitirem dívida no mercado de obrigações de Macau.

Em Janeiro de 2025, Henrietta Lau Hang Kun, dirigente da AMCM, disse que os bancos centrais de Angola e Timor–Leste estavam interessados em emitir dívida pública na região, para atrair investidores da China continental.

Destaque

O lançamento das obrigações “representa uma importante demonstração” do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM

29 Jan 2026

Portugal | Delegação parlamentar elenca desafios após visitar Macau e Hong Kong

Dificuldades no regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal e aversão à utilização da língua portuguesa foram alguns dos obstáculos identificados durante uma visita de deputados lusos

 

As dificuldades no recrutamento de portugueses, na atribuição da nacionalidade, na emissão de passaportes e entraves ao uso da língua portuguesa constam do relatório divulgado ontem sobre a visita de uma delegação parlamentar a Macau, Hong Kong e Timor-Leste.

A delegação da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que esteve entre 3 e 7 de Dezembro em Macau, aponta como dificuldade as alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses.

No relatório, assinala-se ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), com casos que podem demorar entre um e cinco anos.

A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal é igualmente identificada como um problema com impacto directo na comunidade, sendo referido que sete médicos deixaram Macau em 2025.

A comissão destaca também a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Fizeram parte da comissão, que foi recebida por Sam Hou Fai, José Cesário, Paulo Neves, deputados do Partido Social-Democrata, Manuel Magno, do Chega, e Ana Catarina Louro, do Partido Socialista.

Sobre Hong Kong, onde a missão esteve entre 7 e 8 de Dezembro, salientou-se que residem cerca de 30.000 portugueses e a importância do Club Lusitano.

 

Situação em Timor-Leste

Em Timor-Leste, onde a delegação esteva de 09 a 12 de Dezembro, foi identificado como principal constrangimento as dificuldades de participação dos cidadãos portugueses nos actos eleitorais, devido à falta de fiabilidade dos serviços postais.

Por isso, os emigrantes em Timor-Leste reforçaram o pedido de aplicação do voto electrónico.

Foram igualmente sinalizados atrasos nos processos de nacionalidade pendentes no IRN e dificuldades no uso do português no Parlamento Nacional timorense, onde muitos deputados e funcionários privilegiam o tétum ou o inglês, apesar do português ser língua oficial.

A construção de uma nova Escola Portuguesa em Timor-Leste é apontada como prioridade urgente, tendo em conta que a actual escola, projectada para 400 alunos, acolhe cerca de 1.400 e tem uma lista de espera de cerca de 400 estudantes.

A missão referiu ainda a necessidade de se reforçar a presença cultural portuguesa em Timor-Leste, apoiar estudantes e jovens trabalhadores timorenses em Portugal, preservar edifícios históricos ligados à presença portuguesa e desenvolver oportunidades económicas, nomeadamente nas áreas das conservas, construção naval e logística regional asiática.

29 Jan 2026

IAM | Avança renovação do Mercado Tamagnini Barbosa

O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou o mercado na Zona Norte vai ser renovado. As obras irão incluir uma ligação com o futuro Parque Desportivo para os Cidadãos, zona que vai ser desenvolvida no Canídromo

 

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai avançar com a renovação do Mercado Tamagnini Barbosa, para criar uma zona de restauração e uma oferta mais diversificada. A intenção foi anunciada pelo presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, Chao Wai Ieng, na resposta a uma interpelação da deputada Ella Leng Cheng I.

“O IAM está a preparar o desenvolvimento da obra de optimização do Mercado Tamagnini Barbosa, projecto que prevê o ajustamento da disposição e concepção dos espaços públicos e bancas, da optimização das instalações existentes, da criação de um centro de comidas, etc.”, foi revelado.

O objecto da renovação “visa criar um novo modelo de mercado” em que a zona das bancas com água a correr e as bancas secas são separadas.

“Paralelamente, está planeada a construção de um corredor que liga o mercado ao Auto-Silo público do Edifício Toi Fai, bem como a instalação de um novo elevador em frente da Avenida do Conselheiro Borja, que servirá de ligação ao futuro Parque Desportivo para os Cidadãos [ex-Canídromo], favorecendo assim o aumento do fluxo de pessoas para o mercado”, foi explicado.

As obras no Mercado Tamagnini Barbosa acontecem depois da renovação do Mercado Almirante Lacerda (Mercado Vermelho), do Mercado da Horta e Mitra, da criação de um centro de comidas no Mercado do Patane e da renovação do Mercado da Taipa.

 

Mais intervenções

Além da intervenção no Mercado Tamagnini Barbosa, o IAM admite que vai ainda estudar as “experiências obtidas nos trabalhos de reordenamento dos mercados” para fazer “um estudo sobre o reordenamento e a revitalização do Mercado de S. Domingos e do Mercado de S. Lourenço”.

Chao Wai Ieng indicou igualmente que o objectivo do estudo é “introduzir bancas com tipos de actividades adequados e novos operadores criativos e entusiastas para os dois mercados, a fim de aumentar a sua atractividade e competitividade, a par de injectar uma nova vitalidade à sua exploração”.

Ainda sobre a gestão dos mercados, o IAM promete, “tendo em conta as condições concretas de cada mercado e zona de vendilhões, as suas próprias características e as necessidades de consumo dos residentes ou turistas” abrir concursos públicos para a atribuição de bancas com “novos tipos de actividades”, que não são especificados. Além disso, o IAM indica que “incentivará os operadores [dos mercados] a oferecerem produtos mais diversificados e atractivos, de modo a atender à procura no mercado e melhorar a sua própria competitividade, promovendo assim o desenvolvimento sustentável do sector de vendilhões”.

28 Jan 2026

Governo Central | Líderes locais prometem a seguir instruções

Após o discurso de Xia Baolong a alertar para os perigos da separação de poderes nas regiões administrativas especiais, os titulares de altos cargos emitiram comunicados a prometer assegurar a supremacia do poder Executivo. Prometidas estão também sessões de estudo sobre o discurso de segunda-feira

 

Os secretários do Governo, a presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), o presidente da Assembleia Legislativa (AL) e o Procurador da RAEM prometeram todos trabalhar para assegurar a predominância dos diversos poderes ao Chefe do Executivo. Os comunicados dos representantes dos diferentes responsáveis surgiram na sequência de um discurso de Xia Baolong, director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, a definir a separação de poderes como uma ameaça à autoridade do Chefe do Executivo.

As palavras de Xia Baolong foram proferidas em Pequim, e o primeiro a reagir foi André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa. Em comunicado, Cheong Weng Chon afirmou que “o discurso do Director Xia Baolong reveste-se de elevada pertinência e significado orientador, e todos os deputados da AL irão estudar atentamente para compreender o espírito do discurso, implementar e concretizar firmemente o princípio da predominância do poder executivo”.

Cheong indicou que os deputados vão agir “com sentido de responsabilidade e postura prática e eficiente, e consolidar continuamente o paradigma da interacção virtuosa entre os poderes executivo e legislativo, no sentido de promover conjuntamente a boa governação da RAEM”.

Por sua vez, também Song Man Lei, presidente do TUI, defendeu a predominância do Executivo, que prometeu respeitar: “A  predominância do poder executivo é um bom sistema comprovado pela prática, o qual pode destacar as vantagens institucionais do princípio um país, dois sistemas, defender com eficácia a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do País, assegurar a prosperidade e a estabilidade da RAEM a longo prazo, reforçar constantemente as vantagens únicas e a competitividade de Macau, melhorar significativamente o bem-estar da população de Macau, bem como resolver e enfrentar eficazmente os riscos e os desafios”, indicou. “Os órgãos judiciais respeitam e defendem a predominância do poder executivo, o que, na verdade, é o respeito pela combinação orgânica entre o poder pleno da governação do Governo Central e o alto grau de autonomia da RAEM, constituindo uma parte integrante da salvaguarda da ordem constitucional e da protecção dos direitos e interesses dos residentes”, frisou.

Secretários unidos

Às declarações de apoio ao poder executivo do poder legislativo e judicial, juntaram-se ainda os cinco secretários.

Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, frisou que as palavras de Xia Baolong aprofundam as exigências do Presidente Xi Jinping. Segundo Wong, “no seu importante discurso, o director Xia Baolong explicou profundamente a exigência explícita do Presidente Xi Jinping de ‘persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo’, esclareceu que a predominância do poder executivo é um princípio importante no estabelecimento da estrutura política das Regiões Administrativas Especiais pelas Leis Básicas, que tem demonstrado comprovadamente as vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’ através da sua implementação com sucesso”.

O secretário indicou também que os seus subordinados vão estudar o discurso recente, e que as orientações vão ser utilizadas na reforma da Administração Pública.

Por sua vez, o secretário da Segurança, Chan Tsz King, instou a população a manter-se “vigilante face às interferências externas em relação à predominância do poder executivo”. Ao mesmo tempo, considerou que “a consolidação clara e o aperfeiçoamento da predominância do poder executivo são a chave para a concretização do regime ‘um país, dois sistemas’ exigências e objectivos necessários para a estabilidade a longo prazo e para o desenvolvimento próspero de Macau”.

Também os secretários Raymond Tam, Tai Kin Ip e O Lam prestaram declarações de apoio à predominância do Chefe do Executivo.

Campanha prometida

Tong Hio Fong, Procurador da RAEM, prometeu também combater qualquer crime que coloque em causa a segurança nacional. “Partindo da salvaguarda da legalidade, o Ministério Público irá exercer as funções de fiscalização que lhe são legalmente atribuídas, assegurando que os órgãos administrativos actuem em obediência à lei”, vincou. “Ademais, com vista à defesa intransigente de justiça e imparcialidade, o Ministério Público irá dedicar-se à execução da lei e à tramitação de processos com rigor, ao combate preciso aos crimes que ponham em causa a segurança nacional, lesem os interesses nacionais e prejudiquem a estabilidade da RAEM, a fim de contribuir para a construção do Estado de direito da RAEM e o seu desenvolvimento económico com prosperidade e estabilidade”, acrescentou.

Tong Hio Fong realçou ainda o papel de liderança do Chefe do Executivo do Ministério Público: “Sob a liderança sólida do Chefe do Executivo Sam Hou Fai, o Ministério Público irá continuar a preservar a estrutura com predominância do poder executivo, tendo por orientação de trabalho a boa governação, intensificar a comunicação com os órgãos executivo e legislativo e bem desempenhar o seu papel na concretização da predominância do poder executivo, com o objectivo de dar contributos a nível judiciário para a implementação bem-sucedida e o desenvolvimento de alta qualidade de ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM”, realçou.

28 Jan 2026

Ensino | Song Pek Kei pede mais apoios e incentivos para professores

A deputada Song Pek Kei quer saber como o Governo vai incentivar os professores a participar em cursos de formação profissional. Numa interpelação escrita, a legisladora considera que estas formações são importantes para os docentes conseguirem responder a uma procura educativa cada vez mais diversificada.

A deputada ligada à comunidade de Fujian recordou que nos últimos anos o Governo investiu muitos recursos em cursos de formação no âmbito de ciência e tecnologia para os professores. No entanto, como estes cursos têm vagas limitadas e os professores ainda precisam de dedicar o seu tempo às aulas e outras tarefas escolares, Song Pek Kei indica que os docentes têm pouca vontade, ou tempo livre, para participar em formações profissionais. A legisladora pede assim incentivos de formação.

Além disso, a deputada pede que o Governo revele pormenores das políticas em vigor para facilitar o acesso dos professores de Macau ao ensino em Hengqin. Song explica que actualmente muitas profissões, como médicos e farmacêuticos, conhecem as regras que lhes permitem exercer a profissão em Hengqin. No entanto, ainda não há informações disponíveis sobre o futuro dos professores. Song espera que o Governo acelere o procedimento e que os professores inscritos em Macau fiquem isentos de fazer qualquer tipo de exame para exercer em Hengqin.

27 Jan 2026

CC | Alerta para riscos de burlas com bilhetes na Grande Baía

O Conselho dos Consumidores (CC) emitiu um comunicado a aconselhar os consumidores a comprarem bilhetes para espectáculos na Grande Baía pelos canais oficiais, de forma a evitarem burlas.

“Durante a aquisição, é necessário verificar cuidadosamente as plataformas de venda autorizadas pela entidade organizadora, não acreditando facilmente nas alegações que se encontram nas redes sociais ou plataformas de segunda mão, como ‘bilhetes internos’ ou ‘aquisição através de intermediários’”, consta no alerta. “Além disso, não se deve efectuar transferências fora das plataformas autorizadas, devendo os consumidores boicotar proactivamente a revenda de bilhetes a um preço inflacionado e os serviços de aquisição irregular através de intermediários”, foi acrescentado.

Quer seja em Macau ou no Interior, o CC indica que é necessário recorrer sempre às plataformas oficiais de venda dos bilhetes ou então a plataformas de vendas de bilhetes indicadas como legítimas pelas entidades organizadoras.

“Ao mesmo tempo, deve-se reforçar a consciência relativamente à protecção de dados pessoais, recusando o fornecimento de informações sensíveis, como a identificação ou o número de telemóvel a terceiros desconhecidos, de modo a prevenir riscos de fuga e abuso dessas informações”, foi acrescentado.

27 Jan 2026

Estacionamento | Cobrança de meia hora alargada

A possibilidade de pagar o estacionamento por um período de meia hora, em vez de uma hora, vai ser alargada ao Auto-Silo do Edifício da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Auto-Silo do Edifício Mong In, Auto-Silo do Edifício Mong Sin, Auto-Silo do Edifício Mong Tak e ao Auto-Silo do Centro Desportivo Mong-Há.

A medida entra em vigor a partir de 4 Fevereiro e foi justificada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) com a intenção de “responder às necessidades de estacionamento de curta duração dos cidadãos e aumentar a taxa de rotatividade dos lugares”. O pagamento de meia hora vai passar assim a abranger um total de 32 parques de estacionamento. “Esta medida proporciona aos cidadãos opções de cobrança mais flexíveis, incentivando a melhor utilização dos recursos de estacionamento público e contribuindo para a melhoria do ambiente de circulação rodoviária”, foi acrescentado.

Nos parques mencionados, o preço a pagar por meia hora passa a ser de 3 patacas por meia hora, entre as 8h e 20h, e de 1,50 patacas entre as 20h e as 8h, no caso dos automóveis ligeiros.

Em relação às motos, o preço a pagar por meia hora é de 1 pataca, entre as 8h e 20h, e de 0,5 patacas, entre as 20h e as 8h.

27 Jan 2026

Espectáculos | Aprovadas novas taxas para utilização de Local ao Ar Livre

O novo modelo de cobrança nos eventos de longa duração torna os preços mais baratos. No início do mês, O Lam admitiu que o Executivo pretende que o espaço seja utilizado para a realização de eventos desportivos ou outras actividades

 

As novas taxas de utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau foram reveladas ontem, variam entre 84 mil patacas e 500 mil patacas por dia e entram em vigor a partir de hoje. A informação sobre a utilização das infra-estruturas no Cotai foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através da publicação de um despacho da secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, O Lam.

As novas taxas vêm criar um modelo que permite um preço mais barato para os casos em que o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau é arrendado para eventos mais longos, com uma duração que pode chegar aos 30 dias.

Quando o espaço é ocupado por um período de 30 dias, nos quais há espectáculos em pelo menos dois desses dias, as autoridades passam a cobrar entre 2,52 milhões de patacas e 3,6 milhões de patacas. O preço mais reduzido, que corresponde a uma média de 84 mil patacas é aplicado quando a audiência é inferior a 30 mil pessoas. Se a audiência ultrapassar esse número, a cobrança sobe para uma média de 120 mil patacas por dia.

Anteriormente, caso houvesse a intenção de arrendar o espaço por 30 dias, incluído dois dias de espectáculos, o preço mínimo seria de 5,6 milhões de patacas (média diária de 187 mil patacas) ou 8 milhões de patacas (média diária de 267 mil patacas), sendo mais caro quando a capacidade era de pelo menos 30 mil pessoas.

 

Novo modelo

As alterações vêm tornar mais barato o arrendamento do espaço para a realização de outros tipos de eventos, além dos concertos.

No início do mês, na Assembleia Legislativa, a secretária O Lam admitiu que o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau poderia ser arrendado no futuro para realizar eventos desportivos, como torneios de basquetebol, ou outras actividades mais viradas para as famílias.

Apesar do novo modelo de cobrança, o arrendamento do espaço para espectáculos de curta duração não sofre alterações. Quando a duração é inferior a 30 dias e ou apenas prevê um único dia com espectáculos, as autoridades cobram 350 mil patacas pelo dia do espectáculo, se a audiência for inferior a 30 mil pessoas. Nestas condições, ao preço cobrado acresce 170 mil patacas por cada dia de ensaios e montagens. Se a capacidade for preparada para pelo menos 30 mil pessoas, os organizadores têm de pagar 500 mil patacas por dia de espectáculo e 250 mil patacas por cada dia de ensaios e montagens.

Nos casos em que os espectáculos são efectivamente realizados, os organizadores podem pedir ao Instituto Cultural o reembolso de 25 por cento do valor pago. Esta é uma alteração face ao modelo anterior, porque até agora os organizadores pagavam apenas 75 por cento das taxas previstas. Porém, agora têm de pagar tudo de uma vez, e depois recebem o reembolso.

27 Jan 2026

CCPPC | Sam Hou Fai recebe presidente do Partido Zhi Gong

O Chefe do Executivo recebeu no sábado, em Santa Sancha, o vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e presidente do Comité Central do Partido Zhi Gong da China, Jiang Zuojun.

O Gabinete de Comunicação Social não adiantou muitos detalhes sobre a reunião, apenas que foram trocadas “opiniões sobre temas de interesse comum”. Ainda assim, é referido que Sam Hou Fai “indicou que, desde o regresso de Macau à pátria, o desenvolvimento socioeconómico mantém-se estável, facto indissociável do forte apoio do Governo Central, das províncias e cidades do Interior da China, e dos partidos democráticos do País, incluindo o Partido Zhi Gong”.

O Partido Zhi Gong é um dos oito partidos políticos minoritários não oposicionistas do Governo Central, oficialmente denominados “partidos democráticos”, mas que operam sob a direcção do Partido Comunista Chinês.

Depois de repetir os vários princípios políticos que orientam a governação da RAEM, como “um país, dois sistemas”, “Macau governada pelas suas gentes” com alto grau de autonomia, “um centro, uma plataforma, uma base”, Sam Hou Fai apresentou o panorama actual do desenvolvimento da RAEM, na óptica do Governo. O Chefe do Executivo “indicou que o resultado do sector de turismo de Macau em 2025 foi brilhante, o número de visitantes alcançado foi de 40 milhões e o Executivo continuará a reforçar a imagem de Macau como um centro mundial de turismo e lazer”.

O governante garantiu que irá acelerar “o desenvolvimento da indústria cultural e desportiva, aproveitar as vantagens tradicionais da fusão da cultura oriental e da ocidental e promover, de forma diversificada, o desenvolvimento cultural e turístico de Macau”.

26 Jan 2026

2026 Show! | Artistas japoneses com problemas para actuar em Macau

Em causa, está o festival 2026 Show! Music Core in Macau, no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, onde deverão actuar vários grupos coreanos com membros japoneses. A opção passa assim por deixar “em terra” os artistas nipónicos

 

 

Os artistas japoneses que integram grupos de pop coreano estão a enfrentar dificuldades para conseguiram as autorizações para actuarem em Fevereiro em Macau. A informação foi avançada pela agência noticiosa News1KR da Coreia do Sul, que revela ainda que o condicionamento vai fazer com que esses grupos actuem em Macau desfalcados.

Segundo o artigo publicado em coreano, entre 7 e 8 de Fevereiro vai decorrer o festival 2026 Show! Music Core in Macau, no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, arrendado pelo Instituto Cultural (IC). O concerto ainda não foi confirmado pelas autoridades de Macau, o cartaz não é conhecido, nem se sabe quando é que os bilhetes vão ser colocados à venda.

No entanto, desde Dezembro que nas redes sociais surgem informações sobre o evento em Macau. Como parte do cartaz é indicado que vão estar presentes grupos coreanos como Enyphen, Kickflip ou Le Sserafim que têm entre os membros artistas com nacionalidade japonesa.

No entanto, o artigo da News1KR avança que as agências dos grupos convidados estão a enfrentar várias dificuldades, porque foram informados que “há vários problemas” com as autorizações de trabalho para os artistas japoneses. O artigo indica igualmente que houve grupos que cancelaram a presença em Macau, enquanto outros estão a tentar alterar as dinâmicas internas, para actuarem sem os membros com nacionalidade japonesa. Os grupos que cancelaram a presença não surgem identificados, mas os organizadores do evento estão a encontrar dificuldades para num curto espaço de tempo reunir o número de grupos necessários para o festival.

De acordo com a legislação em vigor, os trabalhadores não residentes precisam de uma autorização para trabalhar em Macau, o chamado Cartão Azul. Contudo, o Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal permite que possam ser exercidas actividades profissionais ocasionais sem essa autorização, quando os não residentes são convidados por uma pessoa singular ou colectiva com sede em Macau. Todavia, a Direcção dos Serviços de Trabalho e Emprego (DSTE), o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) ou os Serviços de Alfândega (SA) pode sempre considerar que o trabalho não se enquadra nas excepções previstas na lei.

 

Macau é China

O artigo indica também que no meio artístico coreano surgem agora receios de que as actuações em Macau se tornem cada vez mais difíceis para os grupos com membros japoneses.

Os obstáculos colocados às actuações em Macau são ainda encarados como o resultado das declarações da Primeira-Ministra do Japão, Takaichi Sanae, que afirmou que o país nipónico interviria num conflito entre o Interior e Taiwan.

Como consequência das declarações a China começou a impôs algumas restrições à importação de produtos do Japão e vários concertos agendados para diferentes cidades no Interior foram cancelados.

Em Macau, registou-se também uma onda de concertos com artistas japoneses cancelados, embora o Governo local se tenha distanciado destes acontecimentos. Desde as declarações de Takaichi Sanae, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também o grupo de pop coreano, que integra artistas do Japão, Nexz viu cancelados dois espectáculos, que, na véspera, estavam totalmente esgotados.

O HM contactou ontem o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter uma reacção à notícia.

26 Jan 2026

Hospital das Ilhas | Peking Union assume controlo das urgências

A partir de 28 de Janeiro, o Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital vai assumir a operação do Posto de Urgência das Ilhas, anteriormente gerido pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário.

“Segundo o Centro Médico de Macau Union, após meio ano de preparação – que abrangeu o recrutamento e a formação de pessoal, a realização de testes e outras tarefas –, o Serviço de Urgência consolidou o seu processo de atendimento e encontra-se agora pronto para entrar em funcionamento oficial”, consta no comunicado emitido em nome do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. A mesma nota de imprensa indica que o serviço de urgência vai assim passar “a disponibilizar, durante 24 horas por dia, os serviços de diagnóstico e tratamento, imagiologia e análises laboratoriais, assim como os serviços farmacêuticos”.

Com a nova exploração, entra em vigor um sistema de cobrança dos pagamentos de três níveis. O primeiro nível, implica a isenção de taxas para os indivíduos que actualmente gozam de serviços médicos especializados públicos a título gratuito. O segundo nível, engloba os residentes de Macau que têm um desconto de 30 por cento nas despesas de consultas médicas (no valor original de 150 patacas) e de outros serviços de diagnóstico e tratamento, como cuidados de enfermagem, análises laboratoriais e serviços imagiológicos. Finalmente, no último nível, destinado aos não residentes, há uma cobrança integral, o que significa 100 por cento do montante total.

 

 

26 Jan 2026

ZAPE | Imóveis desvalorizam até 60% após fecho de casinos-satélite

A imobiliária Savills Macau estima que a desvalorização dos imóveis na ZAPE que albergavam casinos-satélite possa variar entre 30 e 60 por cento, consoante os lucros do jogo. Para já, não se verificam lojas fechadas na zona, com os arrendamentos em vigor, mas é estimado que os mais dependentes de jogadores venham a encerrar

A empresa do ramo imobiliário Savills Macau prevê diminuições consideráveis no valor dos imóveis onde operavam os casinos-satélite e uma vaga progressiva de encerramento de negócios demasiado dependentes de uma clientela de jogadores na área da ZAPE. A empresa tem acompanhado as flutuações da avaliação imobiliária nas áreas da cidade onde operavam casinos-satélite, desde que foi anunciado o período de transição de três anos para serem absorvidos pelas concessionárias ou encerrados.

Terminado o prazo de transição, a Savills aponta para desvalorizações entre 30 por cento e 60 por cento dos imóveis onde estavam instalados os espaços de jogo, dependendo dos lucros apurados pelos casinos (que influenciava o valor do imóvel). Quanto mais rentáveis eram os casinos, maior a desvalorização imobiliária, indicou ao jornal Ou Mun, o director-geral da empresa, Franco Liu.

 

Resistir até quando

No fim do ano passado, a empresa investigou as redondezas dos casinos-satélite, e concluiu não existirem grandes mudanças no ambiente de negócios, com lojas restaurantes, casas de penhor, farmácias e outros espaços de comércio a manterem as portas abertas.

Franco Liu salientou em particular o tipo de negócios que tradicionalmente depende de uma clientela de jogadores, como as casas de penhor, e o facto de não se verificar para já uma subida na taxa de desocupação. Um dos factores determinantes que explica a resiliência, é o facto de os contratos de arrendamento dos espaços se manterem em vigor.

No entanto, o responsável prevê que alguns comerciantes que dependem profundamente do jogo comecem agora a fechar portas gradualmente. Ainda assim, referiu que os negócios com condições para continuarem a operar podem renegociar rendas mais baixas com os proprietários dos imóveis, reduzir a área arrendada ou transformar os seus negócios de forma a atraírem residentes em vez de turistas e jogadores.

Dez dos 11 casinos-satélite de Macau encerraram antes do fim do ano. O único sobrevivente e testemunho de uma era que já passou é o Royal Arc, que a SJM adquiriu por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong.

25 Jan 2026

Fotografia | Multas levam deputados a pedir novo regime

O IAM multou algumas pessoas por venderem fotografias de turistas tiradas nas Ruínas de São Paulo, por falta de licença de vendilhão. Alguns deputados criticam a aplicação das multas e pedem um regime mais flexível

 

 

Após o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter começado a multar os residentes que prestam serviços de fotografia em locais turísticos, por não estarem registados como vendilhões, os deputados Ella Lei e Chan Lai Kei vieram pedir uma alteração da legislação em vigor.

Segundo o entendimento do IAM, as pessoas que vendem serviços de fotografias em locais turísticos precisam de ter uma licença como vendilhões, que apenas são atribuídas por concursos públicos. O entendimento do IAM tem por base o regime de gestão dos vendilhões, actualizado em 2024.

Todavia, o assunto causou polémica, porque numa altura em que os residentes lidam com dificuldades para aceder a empregos bem remunerados, as iniciativas para procurar fontes alternativas de rendimentos estão a ser punidas com multas que pode variar entre 5 mil e 20 mil patacas.

Um dos críticos da actuação do IAM foi Chan Lai Kei, deputado ligado à comunidade de Fujian. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado indicou que o regime de gestão dos vendilhões foi aprovado tendo em conta o comércio tradicional de exploração de bancas em espaços públicos, e não outros tipos de trabalho, como a fotografia nas atracções turísticas.

Além disso, a interpretação do regulamento actual é tida para o deputado como um bloqueio ao desenvolvimento da actividade. Em causa, está o facto de as licenças de vendilhões apenas serem atribuídas por concurso público. No entanto, e apesar de multar os fotógrafos, o IAM nunca lançou qualquer tipo de concurso do género, o que impede a atribuição de licenças. O deputado explicou que por este motivo, mesmo que os fotógrafos quisessem obter licenças tal não seria possível.

Chan Lai Kei defendeu assim um sistema mais flexível, mas que se siga as práticas do Interior, em que é necessário possuir uma licença para desempenhar este trabalho.

 

Novas profissões

Por sua vez, ao jornal Ou Mun, a deputada Ella Lei defendeu que as novas profissões não se enquadram nos modelos tradicionais e que o regime de gestão dos vendilhões foi definido a pensar nas profissões tradicionais.

A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) defendeu a necessidade de haver uma adaptação às novas profissões que ocupam espaços públicos durante períodos relativamente curtos de tempo, com a criação de licenças.

A deputada deixou assim a esperança que o Governo crie mais sistemas de licenças e vincou que estas novas profissões têm de ser orientadas pelo Executivo.

Ao mesmo tempo, Ella Lei pediu uma maior flexibilidade no tipo de comércio autorizado nas bancas perto das atracções turísticas, para permitir a venda de mais produtos culturais, mas igualmente de outro género, que tornem mais atraente a actividade económica dos espaços.

25 Jan 2026

Ponte-Cais n.º 11 | Moradores querem mais eventos culturais e feiras artesanais

Mok Chio Kuan, representante da Associação dos Moradores, considera que a recuperação pela RAEM da Ponte-Cais n.º 11, no Porto Interior, é uma oportunidade para dinamizar a economia do local. As declarações foram prestadas pela responsável da associação em declarações ao Jornal do Cidadão.

Numa altura em que a economia do Porto Interior lida com o impacto do encerramento do casino que era explorado no Hotel Ponte 16, Mok Chio Kuan afirmou que o futuro da economia daquele local tem de passar pela oferta de novos “elementos culturais” e que é preciso fazer mais para atrair os turistas de forma activa.

Desde o final do ano passado, que a Associação dos Moradores é responsável pelo plano de revitalização dos seis bairros históricos em Macau, que anteriormente estava a cargo das concessionárias de jogo, e que inclui a zona do Porto Interior.

Sobre este projecto, Mok Chio Kuan afirmou que o primeiro passo tem de passar por definir uma direcção para o aproveitamento da Ponte-Cais n.º 11, que permita manter a estrutura do edifício.

Todavia, Mok também afirmou que é importante que o espaço seja aproveitado para actividades culturais, como o Festival da Cultural Piscatória do Porto Interior ou para a organização de Feiras de Artesanato. A dirigente associativa considerou que a localização do espaço, perto do centro histórico, vai permitir atrair turistas para este tipo de eventos e promover a economia local.

 

 

25 Jan 2026

Portugal-RAEM | Reunião Comissão-Mista volta a ser adiada

Não há duas sem três, e o encontro entre Portugal e Macau foi adiado mais uma vez. Em Setembro, tanto Luís Montenegro como Sam Hou Fai tinham indicado o início de Fevereiro como a data da 7.ª Reunião da Comissão-Mista que, no entanto, deverá acontecer até ao fim de Junho

 

Ao contrário do que chegou a estar previsto, a Comissão Mista Portugal-RAEM não vai reunir em Fevereiro. A informação foi adiantada ontem pelo Canal Macau, com base na informação obtida junto de “fonte próxima” do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Em Setembro do ano passado, quando esteve em Macau, Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, afirmou que a Comissão Mista Portugal-RAEM iria reunir-se entre os dias 4 e 6 de Fevereiro de 2026. Na altura, em comunicado, do lado de Macau, também Sam Hou Fai confirmava que o encontro tinha ficado agendado para o início do próximo mês.

No entanto, a Comissão Mista Portugal-RAEM foi novamente adiada. De acordo com o Canal Macau, o futuro encontro deverá acontecer até ao final de Junho, embora ainda não haja uma data concreta.

A TDM cita “questões de agenda” como o motivo que terá estado na base de mais um adiamento.

Quando visitou Macau, em Setembro, Luís Montenegro destacou o facto de se ter encontrado uma data para realizar o encontro da Comissão-Mista como um dos aspectos positivos da visita.

A Comissão-Mista foi criada em 2001, no âmbito do Acordo Quadro de Cooperação entre a RAEM e Portugal que visavam reforçar a cooperação entre as duas partes, no período pós-transferência da soberania e reforçar “os laços de amizade e solidariedade”.

O acordo em vigor foca a cooperação em áreas como a economia, cultura, segurança pública e a cooperação jurídica e judiciária. Contudo, apesar do texto legal prever que a Comissão-Mista é realizada a cada dois anos, a primeira reunião apenas aconteceu em 2011.

A última vez que a Comissão-Mista reuniu aconteceu em Maio de 2019, quando Fernando Chui Sai On era Chefe do Executivo. Durante o mandato de Ho Iat Seng, marcado por três anos de pandemia, não houve qualquer reunião.

BIR à mesa

Na reunião que foi adiada por três vezes, espera-se que seja abordada a questão da restrição aos nacionais portugueses no acesso ao Bilhete de Identidade de Residente (BIR).

Durante anos, até 2023, os portugueses que viessem trabalhar para Macau, após a transferência, tinham um regime especial de acesso ao estatuto de residente, que foi revogado pela Assembleia Legislativa, inclusive com votos de deputados com passaporte português, após uma proposta do Governo de Ho Iat Seng.

A intenção de abordar o regresso de um regime mais favorável para os cidadãos portugueses que se mudem para Macau na Comissão-Mista foi tornada pública por Paulo Rangel, Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em Março de 2025, depois de um encontro com Sam Hou Fai.

25 Jan 2026

Presidenciais | Voto antecipado entre 27 e 29 de Janeiro

O voto antecipado para a segunda ronda das eleições presidenciais de Portugal vai decorrer no Consulado Geral de Portugal em Macau entre 27 e 29 de Janeiro, entre as 9h e as 12h30 e entre as 13h30 e as 16h. Os interessados em votar vão poder escolher entre os candidatos André Ventura e António José Seguro.

A informação partilhada entre o consulado e os conselheiros das comunidades portuguesas esclarece também não há exclusão da capacidade eleitoral, quando as pessoas optam por não votar duas vezes consecutivas. “A Administração eleitoral portuguesa não retira a capacidade eleitoral dos cidadãos que se abstiveram uma ou mais vezes em eleições, nem elimina nomes dos cadernos eleitorais por esse motivo”, foi apontado. “A Lei nº 13/99, de 22 de Março, estabelece, apenas, no artigo 40º, nº 2, que ‘no caso de devolução por duas vezes consecutivas dos sobrescritos contendo os boletins de voto para eleitores recenseados no estrangeiro, a administração eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna cessa oficiosamente o envio de boletins de voto até que o eleitor informe da nova morada’”, foi acrescentado.

A votação presencial está agendada para 7 e 8 de Fevereiro entre 8h e as 19h. As pessoas que desejam votar devem apresentar o cartão de cidadão, bilhete de identidade ou outro documento identificativo válido, como a carta de condução ou o passaporte.

22 Jan 2026

Imobiliário | Pedido reforço do sector e bonificação de juros

O director-geral da imobiliária Savills Macau quer que o Governo promova mais medidas para acabar com a tendência de queda dos preços no mercado. Franco Liu acredita que os residentes têm dinheiro disponível para investir, mas a queda dos preços afasta o investimento no sector

 

A empresa de serviços imobiliários Savills Macau defendeu a implementação de um plano de bonificação dos juros dos créditos bancários para a compra de imóveis. Ao jornal Ou Mun, o director-geral, Franco Liu, considerou que as medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e de aumentar para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação não foram suficientes para reanimar o mercado.

À publicação em língua chinesa, Liu explicou que o cenário no mercado de imobiliário está muito longe de ser o ideal, com um declínio progressivo do preço do metro quadrado.

O responsável reconheceu que em Abril de 2024 o Governo mudou de política e aboliu todas medidas que visavam controlar a procura. O alívio durou pouco tempo, e o mercado voltou a apresentar novamente períodos de contracção.

Mais uma vez, no ano passado, o Executivo tentou responder à contracção do mercado com a isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação. Contudo, a procura gerada não foi suficiente para contrariar a tendência geral de desvalorização dos preços e de quebra do número de transacções.

 

Outras soluções

Apesar de reconhecer que o Executivo tem implementado as medidas sugeridas ao longo do tempo pelas imobiliárias, Franco Liu considera que é preciso mais.

Neste sentido, sugeriu que o Governo implemente um plano de bonificação, em que os fundos da RAEM possam subsidiar os juros dos empréstimos na compra de habitação.

O responsável indicou também que os juros pagos do empréstimo devem ser dedutíveis como imposto profissional, o que significa que parte do montante pode ser devolvido aos compradores. Segundo Liu, esta medida permitirá aliviar o stress dos jovens quando têm de pagar os empréstimos para a habitação.

Com as medidas propostas, Franco Liu considera que pode haver um maior incentivo à compra de imóveis e que os comerciantes vão sair beneficiados.

Sobre o estado actual do mercado imobiliário, Franco Liu explicou que o ciclo vicioso da queda dos preços deve ser estancado, porque o valor da habitação dos residentes registou uma desvalorização de pelo menos 20 a 30 por cento. Com quebras de valor desta ordem, o agente imobiliário indica que as pessoas não vão procurar comprar imóveis.

Ao mesmo tempo, Franco Liu indicou que o consumo local está em quebra, porque cada vez mais pessoas vai para o Interior no fim-de-semana, o que faz com que as lojas estejam igualmente a desvalorizar.

Todavia, o agente imobiliário acredita que a situação pode ser invertida, porque os residentes têm depósitos bancários que ultrapassam os 800 mil milhões de patacas, pelo que a desvalorização do imobiliário se deve exclusivamente à falta de confiança para investir. Franco Liu defende assim que o Governo deve continuar a lançar novas medidas para estabilizar a procura e levar à estabilização dos preços dos imóveis.

22 Jan 2026

TNR | Sam Hou Fai reitera promessa de rever mecanismo de autorização

O Governo irá rever e aperfeiçoar o mecanismo de apreciação e autorização de contratação dos trabalhadores não-residentes para controlar o número não-residentes no mercado laboral. A garantia foi dada por Sam Hou Fai no jantar de aniversário da Federação das Associações dos Operários de Macau

 

O Governo “irá proceder à revisão completa e ao aperfeiçoamento do mecanismo de apreciação e autorização de contratação dos trabalhadores não-residentes, a fim de exercer um controlo dinâmico do número de trabalhadores não-residentes”. O compromisso, já avançado nas Linhas de Acção Governativa, foi reiterado pelo Chefe do Executivo na cerimónia de celebração do 76.º Aniversário da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), que se realizou na terça-feira à noite.

O discurso de Sam Hou Fai centrou-se na promoção do emprego dos residentes locais, enquanto ponto fulcral para a estabilidade da conjuntura geral da cidade. “Desde que os residentes locais sejam capazes e estejam dispostos, devem ser prioritariamente contratados”, indicou o Chefe do Executivo.

Para atingir o objectivo de prioridade no mercado de trabalho, Sam Hou Fai lembrou o papel da criação do Grupo de Trabalho para a Coordenação da Promoção do Emprego, que tem por foco o emprego dos residentes de Macau, com particular incidência nas camadas mais jovens.

Sam Hou Fai afirmou também que o Executivo irá aperfeiçoar as leis laborais, intensificar a frequência das acções de emparelhamento profissional e formação profissional, assim como organizar sessões informativas sobre segurança e a saúde ocupacional.

Ainda assim, o governante apontou que a economia de Macau segue numa tendência estável e promissora, e que “os principais indicadores económicos revelam uma melhoria constante”, e “a taxa de desemprego geral mantém-se num nível relativamente baixo”.

 

Grandes expectativas

Com um forte teor nacionalista, Sam Hou Fai relembrou as cincos expectativas de Xi Jinping para a RAEM.

A primeira acentua na estudo e implementação profunda do “espírito consagrado nos discursos e instruções importantes do Presidente Xi Jinping”, para unir e orientar os trabalhadores no apoio ao Governo e na defesa da segurança nacional e a estabilidade social

A segunda expectativa é a articulação do 15.º plano quinquenal do país com os projectos políticos de longo prazo da RAEM, para o qual Sam Hou Fai espera a contribuição da FAOM através de “sugestões e propostas valiosas em defesa das acções governativas”, formando um elo entre o Executivo e a população.

A diversificação das indústrias e o aumento da qualificação e da competitividade profissionais dos jovens são vectores da terceira expectativa, com foco particular em Hengqin. A zona de cooperação aprofundada e a integração na Grande Baía são os pontos essenciais da quarta expectativa, para a qual Sam Hou Fai espera cooperação da FAOM ao nível da “formação de quadros qualificados, apoiando a integração e a prestação de serviços de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional”.

A quinta expectativa de Xi Jinping para a RAEM, é o reforço da “bela tradição do patriotismo e do amor a Macau”.

22 Jan 2026

Davos | Pequim critica o regresso à “lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”

A elite do poder mundial está reunida na estância suíça para discutir a situação internacional numa iniciativa subordinada ao tema “Um Espírito de Diálogo”

 

A China insurgiu-se ontem, no Fórum de Davos, na Suíça, contra o que classificou como o regresso à “lei da selva” nas relações internacionais, “onde os fortes atacam os fracos”, criticando tarifas e guerras comerciais.

Intervindo em Davos, num fórum que este ano decorre num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem nunca se referir expressamente aos Estados Unidos, defendeu que “um pequeno número de países privilegiados não deve beneficiar de vantagens baseadas apenas nos seus interesses, e o mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”.

No seu discurso, o responsável de Pequim também dirigiu críticas implícitas à política comercial norte-americana, afirmando que “as tarifas e as guerras comerciais não têm vencedores”, advogando os benefícios do “comércio livre e da globalização económica”.

Considerando que o sistema comercial global enfrenta actualmente o seu maior desafio em muitos anos, He Lifeng “os actos unilaterais e os acordos comerciais de certos países violam claramente os princípios e regras fundamentais da Organização Mundial do Comércio”.

Relativamente às críticas de que o excedente comercial da China com o resto do mundo é desequilibrado, o responsável chinês, assinalando a ambição do seu país se, além de querer ser “a fábrica do mundo”, ser igualmente “o mercado do mundo”, comentou que, “quando a China quer comprar, outros países não querem vender”, numa nova alusão à política da administração norte-americana liderada por Donald Trump, que impôs restrições à venda para a China dos melhores microchips usados em Inteligência Artificial.

Donald regressa

O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre ao longo desta semana naquela estância alpina na Suíça, num contexto de grande instabilidade a nível global, com todas as atenções focadas na participação do Presidente norte-americano, Donald Trump, que discursará na quarta-feira.

Subordinado nesta 56.ª edição ao tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento, que decorre entre segunda e sexta-feira, dificilmente poderia desenrolar-se num ambiente de maior crispação e de riscos à escala mundial, e terá como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

21 Jan 2026

Cuidadores | Associação das Mulheres quer apoios mais abrangentes

A Associação Geral das Mulheres de Macau defende a necessidade de o subsídio para cuidadores chegar a mais pessoas e incluir situações de demência, doença de Parkinson ou deficiência intelectual moderada. A posição foi tomada através de um comunicado da associação, após o Executivo ter revelado que o valor do subsídio para cuidadores vai ser aumentado de 2.175 patacas para 2.400 patacas, um crescimento de 10,3 por cento.

No comunicado, a vice-presidente da associação, Chau Wai I, afirma que actualmente ainda há inúmeras situações de pessoas que enfrentam dificuldades, precisam de muito auxílio e não estão abrangidas por este apoio. A dirigente associativa deu os exemplos das pessoas que sofrem de demência, doença de Parkinson ou deficiência intelectual moderada e a quem não é garantido o subsídio, apesar de também precisarem de apoios.

Chau Wai I considerou assim que o subsídio para cuidadores está muito limitado a pessoas com deficiência mental de grau grave, e deveria ser mais abrangente. A dirigente revelou ter recebido várias queixas de famílias de pessoas nestas situações, que sem conseguirem cumprir os requisitos do apoio optam por abdicar dos empregos para cuidar dos familiares.

Chau Wai I apontou ainda que estes cuidadores sofrem grandes pressões económicas devido à perda dos rendimentos do trabalho, por isso, alertou as autoridades para a necessidade de continuar a melhorar os requisitos de candidatura ao subsídio ou criar outros apoios para estas situações.

21 Jan 2026

Zona A | Ella Lei pede melhores ligações de autocarro

Além da insuficiente oferta de transportes públicos, a deputada alerta o Governo para a necessidade de assegurar a reparação dos defeitos de construção nas habitações públicas e de apresentar dados do controlo da qualidade da água

Ella Lei apelou ao Executivo para melhorar as ligações de transportes entre a Zona A dos Novos Aterros e o território. O pedido foi deixado através de um comunicado, depois de a deputada ter reunido com vários moradores daquele local.

A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) afirmou que com a construção dos edifícios na Zona A há cada vez mais pessoas a viverem na quela área. Contudo, a falta de ligações de transportes surge como um grande desafio.

“Actualmente, apenas três percursos de autocarro servem a Zona A, com frequentes situações de sobrelotação dos veículos durante as horas de ponta, o que impede os moradores de apanharem os autocarros”, relatou.

Ella Lei indicou que os residentes se queixam porque a frequência dos meios de transporte é insuficiente, os percursos são limitados, além de considerarem que a distância das paragens para os edifícios é demasiado longa.

A legisladora pede assim melhores ligações a “instalações essenciais”, como hospitais e mercados nas várias zonas do território, serviços que actualmente não se encontram na Zona A.

 

Corrigir defeitos

Os problemas não se ficam pelos transportes públicos. Numa altura em que a maioria dos aterros ainda está a ser construída, as poeiras são igualmente encaradas como um problema com impacto na qualidade de vida.

A habitação económica construída no local também mereceu críticas, com moradores a pedirem que o Governo assuma as responsabilidades pelos defeitos de construção durante o período de garantia dos apartamentos. “Depois de uma longa espera, muitas famílias já se instalaram [nas habitações públicas] ou estão a preparar as mudanças. Os departamentos do governo devem reforçar a coordenação com os empreiteiros e as empresas de gestão imobiliária para melhorar a eficiência e a qualidade na resolução dos defeitos de construção”, aponta a deputada.

Ella Lei salirenta ainda que é necessário encorajar a abertura de mais negócios nos novos aterros, porque actualmente o comércio disponível é muito limitado.

Ao mesmo tempo, os residentes mostraram-se preocupados com a falta de controlo da qualidade da água, que dizem ser imperativo implementar, para garantir que a água consumida é potável.

Apesar das várias sugestões de melhorias apresentadas no comunicado, Ella Lei elogiou o Governo pela construção da Zona A, por responder às necessidades de habitação do território.

21 Jan 2026

Imobiliário | Preço da habitação desvalorizou 14,1% em 2025

Apesar de o preço médio da habitação estar em queda desde 2018, nunca a diferença de um ano para o outro tinha sido tão elevada em termos relativos. No ano passado, a Taipa foi o local onde os imóveis habitacionais mais perderam valor

No ano passado, o preço médio do metro quadrado da habitação apresentou uma redução de 14,15 por cento, de acordo com os dados mais recentes publicados pela Direcção de Serviços de Finanças Públicas (DSF). Ao mesmo tempo, o número de transacções caiu 9,2 por cento.

Em 2025, o preço médio do metro quadrado das casas caiu para 73.949 patacas, quando no ano anterior o valor tinha registado uma média de 86.137 patacas por metro quadrado. Esta redução significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2024 custava 6,55 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma diferença de 930 mil patacas.

Coloane continua a ser o local onde as habitações atingem os valores mais altos, com uma média de 82.013 patacas por metro quadrado. Ainda assim, houve uma desvalorização de 20,7 por cento, dado que no ano passado o metro quadrado era transaccionado por 103.386 metros quadrados.

Na Península de Macau, o preço médio em 2025 foi de 79.549 patacas, uma redução anual de 8,4 por cento face a 2024, quando o preço médio era de 72.869 por metros quadrado.

A maior desvalorização anual registou-se na Taipa, com o valor do metro quadrado a afundar 21,5 por cento para 74.044 patacas, quando no ano anterior tinha sido de 94.298 patacas.

Oitos anos a descer

Os resultados divulgados pela DSF confirmam também a tendência de desvalorização do imobiliário que se prolonga há oito anos e que levou a uma redução do preço geral dos imóveis de 33,5 por cento. Em 2018, o metro quadrado era avaliado em 111.237 patacas, mas terminou em 2025 nas 73.949 patacas.

Esta diferença significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2018 custava 8,45 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma perda de 2,83 milhões de patacas.

Entre 2017 e 2018, o preço médio do metro quadrado subiu anualmente 10,6 por cento de 100.569 patacas para 111.237 patacas. No entanto, após esse crescimento somaram-se reduções anuais, embora nunca com a magnitude registada entre 2024 e 2025.

Até este ano, a maior redução relativa do valor foi registada entre 2021 e 2022, quando o preço médio caiu de 101.310 patacas para 92.134 patacas, o que representou 8,88 por cento.

Este nível só encontrou paralelo com os anos de 2020 e de 2024, quando foram registadas quedas anuais do valor do metro quadrado de 6,34 por cento e 6,06 por cento, respectivamente.

20 Jan 2026

Habitação Social | Pedida melhor gestão e articulação com moradores

Chan Lai Kei alerta para soluções questionáveis na reparação de habitações sociais e pede um melhor controlo de qualidade. O deputado ligado à comunidade de Fujian defende que o Governo deve ouvir melhor os moradores dos edifícios

Chan Lai Kei defende que para reflectir o espírito da reforma administrativa, o Governo deve estabelecer um sistema mais rigoroso de supervisão da qualidade das habitações públicas. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian através de uma interpelação escrita.

O legislador exemplificou com o Edifício Cheng Chun, de habitação social na Ilha Verde, inaugurado em 2007, e que em menos de 20 anos ficou com as portas de ferro da entrada no lobby danificadas, o design dos acessos para pessoas com dificuldades motoras revelou-se de má qualidade, os equipamentos de lazer degradaram-se e os elevadores avariam frequentemente.

Chan La Kei indicou que no ano passado os três elevadores deste edifício tiveram um total de 29 avarias, uma média superior a uma avaria por mês. O legislador apontou também que num mês em particular, os três elevadores tiveram de ser todos alvo de operações de manutenção, para resolver avarias.

O membro da Assembleia Legislativa aponta que a RAEM é a proprietária das habitações sociais, pelo que é preciso uma maior consciência no cumprimento dos seus deveres enquanto senhorio e responsável pelos mecanismos de supervisão. “Quanto às avarias ou danos frequentes das instalações das habitações sociais […] como é que as autoridades vão elaboram padrões mais claros sobre se deve haver uma substituição das peças danificadas ou haver reparação, em caso de avarias?”, questionou. “E será que vão revelar aos residentes do edifício os critérios da decisão?”, insistiu.

O deputado pede que as obras e manutenção dos edifícios sejam adjudicadas por preços razoáveis, para evitar situações em que os trabalhos são de má qualidade.

Dar ouvidos

Chan Lai Kei defendeu ainda que o Governo pode ouvir as opiniões de moradores sobre a gestão, manutenção e segurança das instalações em espaços públicos das habitações sociais.

O deputado afirmou que o exemplo dos condomínios nos edifícios privados pode servir como modelo, convidando os moradores de cada bloco das habitações sociais a juntarem-se a uma equipa de acompanhamento da gestão dos edifícios. Esta equipa seria utilizada para recolher opiniões e sugestões dos moradores, que depois seriam apresentadas ao Instituto de Habitação.

Além disso, como cada vez há mais projectos de habitação social a serem inaugurados na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, Chan Lai Kei sugere que o Governo recorra às novas tecnologias, para supervisionar as instalações públicas dessas contruções.

20 Jan 2026