Hengqin | Defendida melhor integração de Macau

Para melhorar integração de Hengqin e Macau, o deputado Leong Hong Sai sugeriu o alargamento do leque de mercadorias isento de impostos no controlo de primeira linha de controlo, ou seja, dos produtos movimentados entre Macau e Hengqin. Segundo o legislador ligado aos Operários, desta forma a vida dos residentes seria mais conveniente, porque não deixavam de pagar tantos impostos.

Segundo o jornal Ou Mun, o deputado defende que a integração depende de uma maior conectividade para que os residentes de Macau, tanto no território como em Hengqin, possam usufruir dos benefícios do desenvolvimento. O deputado sugeriu também que devem ser incluídos mais países na lista de territórios isentos de vistos, para aumentar a liberalização da região.

Quanto à conveniência fronteiriça, Leong Hong Sai quer que os veículos ligeiros e autocarros turísticos possam circular como os autocarros específicos para os alunos transfronteiriços, para que se concretize a circulação livre em Hengqin.

Águas pluviais | Drenagem na Av. do Aeroporto custa 35 milhões

A obra de reordenamento do box-culvert e drenagem na Avenida de Aeroporto da Taipa – Zona I foi adjudicada à Companhia de Decoração San Kei Ip, Limitada por 35,1 milhões de patacas. A obra tem um prazo máximo de execução de 300 dias úteis. O reordenamento do box-culvert será realizado em três zonas: nos troços norte e sul da Avenida do Aeroporto, e no troço da Rua do Tiro.

A obra no troço norte da Avenida do Aeroporto tem um comprimento total de execução de obra de cerca de 100 metros, e consistirá na colocação de instalações para as fundações por estacas e a contenção de solos, na escavação e no suporte, na demolição do actual box-culvert e na reconstrução da estrutura do box-culvert.

20 Mar 2026

Jogo | Subida de receitas pode superar Singapura e Las Vegas

As receitas brutas dos casinos de Macau podem crescer este ano à volta de 6 por cento, superando as estimativas de crescimento de Las Vegas e Singapura, segundo o banco Morgan Stanley. Porém, os analistas antecipam resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização inferiores aos de 2025

Os casinos de Macau podem terminar este ano com uma subida das receitas brutas que supera os crescimentos das receitas de Las Vegas e Singapura. Segundo os analistas do banco Morgan Stanley, citados pelo portal GGR Asia, a indústria do jogo de Macau poderá registar este ano um aumento de receitas brutas na ordem dos 6 por cento, valor bem acima das estimativas de cerca de 1 por cento dos casinos da cidade-Estado e da capital do jogo norte-americana.

Importa referir que a previsão de crescimento para este ano de 6 por cento já contrasta com a subida anual de mais de 9 por cento verificada no ano passado, quando a indústria registou receitas brutas de 247,4 mil milhões de patacas.

Porém, nem tudo são rosas na nota divulgada pelo Morgan Stanley na quarta-feira, com os analistas a anteciparem crescimento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) mais fraco do que o esperado e abaixo dos resultados de 2025, para cerca de 2 por cento.

As razões para o “arrefecimento” podem situar-se nos custos para atrair jogadores de um segmento intermédio, que trazem uma pressão de custos que é “estrutural devido ao foco no mercado de massas premium”. Além disso, os analistas não afastam a possibilidade de rever por baixo os resultados EBITDA do sector ao longo do ano.

A idade dos porquês

O crescimento dos lucros EBITDA de apenas 2 por cento foi justificado também pelos analistas com um esperado “arrefecimento” no segmento base de massas, elevados subsídios e despesas dos sectores não-jogo. Recorde-se que as concessionárias de jogo assumiram compromissos de investimento nas novas concessões que vão implicar despesas avultadas, nomeadamente os planos de revitalização de seis zonas históricas da cidade, além dos aumentos das licenças de maternidade e paternidade anunciadas recentemente.

Os planos de revitalização das zonas históricas têm sido alvo de algumas críticas, por exemplo do deputado Nick Lei que apontou falta de eficácia e resultados desde que os programas foram anunciados em 2023. As zonas intervencionadas são os Estaleiros de Lai Chi Vun, a Rua da Felicidade, a zona da Barra, os cais 23 e 25 do Porto Interior, a Avenida de Almeida Ribeiro, a Rua de Cinco de Outubro e a Fábrica de Panchões Iec Long.

20 Mar 2026

Comércio | Deputado defende “pólo de comércio electrónico”

O deputado Wong Ka Lon defendeu ontem, no período de intervenções antes da ordem do dia, a criação de um “pólo de comércio electrónico ‘live streaming’ transfronteiriço sino-lusohispânico”, ou seja, comércio digital entre a China, países de língua portuguesa e espanhola, tendo em conta que este “é o sector com maior potencial de crescimento em Macau”.

Desta forma, o deputado sugeriu a criação de “uma base para vídeos curtos e ‘live streaming’ em chinês, português e espanhol”, e a aposta na formação de “apresentadores locais multilingues” para o apoio à expansão das “marcas do Interior da China para os mercados lusófonos e hispânicos, que têm mais de 700 milhões de pessoas”.

Em termos logísticos, Wong Ka Lon pede que se faça “a ligação ao armazém alfandegário de Hengqin e às redes internacionais de correio expresso, reduzindo os prazos de entrega”, aproveitando “a rede de armazéns no estrangeiro das empresas do comércio electrónico transfronteiriço da China”. A ideia é aumentar “a eficiência e a convergência às normas”, para potenciar mais esse comércio electrónico.

20 Mar 2026

Endividamento | Coutinho sugere gabinete de apoio técnico

O deputado Pereira Coutinho interveio ontem no hemiciclo, no período de antes da ordem do dia, para sugerir a criação, por parte do Executivo, de um “gabinete de apoio técnico especializado na área de sobre-endividamento que ajude os cidadãos a (re)negociar com os bancos de forma informada, justa e equilibrada com taxas de juro bonificadas e linhas de apoio financeiro com mediação interbancária”.

O deputado chamou a atenção para o endividamento das famílias, em parte potenciado pelo fecho dos casinos-satélite, e pediu alterações urgentes ao Código Civil e Comercial para agilizar processos de insolvência ou de “(re)negociação da dívida, protegendo a família e filhos menores de perder a casa de forma imediata”. Para o deputado, a questão do “património negativo das famílias e empresas tem sido um problema constante e cada vez mais grave”.

Fortunas | Ip Sio Kai diz que persistem “desafios” de gestão

O deputado Ip Sio Kai recorreu ao período de intervenções antes da ordem do dia, na sessão plenária de ontem na Assembleia Legislativa, para chamar a atenção para os “muitos desafios” na “gestão transfronteiriça de fortunas entre Hengqin e Macau”. O deputado apontou, concretamente, os “custos de articulação devido às diferenças institucionais” e a “necessidade de elevar a correspondência entre a oferta e procura de produtos” financeiros.

Além disso, apontou a “crescente pressão na prevenção e no controlo de riscos” e a “falta de quadros profissionais”. Ip Sio Kai alerta para a necessidade de maior coordenação entre Macau e Hengqin neste campo, tendo em conta que “a dimensão económica da Zona de Cooperação é reduzida, com menos ‘bagagem histórica’ e maior espaço para experiências”, podendo ser uma “zona de teste de pressão”, ou seja, “um ponto-piloto para políticas de inovação financeira transfronteiriça”.

20 Mar 2026

Imobiliário | Aproveitamento dos casinos-satélites exige flexibilidade

Segundo a imobiliária Savills, há vários investidores internacionais interessados em explorar os ex-casinos-satélites, devido à grande dimensão dos espaços. No entanto, é pedida celeridade nos procedimentos administrativos para libertar as áreas

Apesar do encerramento dos casinos-satélite, a empresa imobiliária Savills (Macau) Limited acredita que os edifícios têm potencial para atrair investidores internacionais devido às grandes dimensões dos espaços. A posição da imobiliária foi explicada por Franco Liu, director-geral da instituição, em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo Liu, o espaço libertado com o encerramento dos casinos-satélite no final do ano passado é muito significante, pelo que pode ser aproveitado para experimentar o lançamento de diferentes variantes de entretenimento viradas para o turismo e para a população. Este aspecto contribui para o interesse em investir naquelas áreas do território, agora menos ocupadas, inclusive por empresários internacionais, que procuram uma oportunidade para entrar no mercado de Macau.

No entanto, a imobiliária deixou um alerta ao Governo. Para aproveitar uma nova onda de investimentos no ZAPE é necessário acelerar os procedimentos administrativos relativos aos espaços encerrados. Franco Liu recordou que durante os primeiros encerramentos de casinos-satélites, ainda antes dos fins forçados, que os processos de reaproveitamento das áreas de jogo demoraram cerca de dois anos.

Liu explicou que a lentidão no reaproveitamento se deveu aos procedimentos administrativos, motivados pelo facto de as áreas de jogo serem entregues à RAEM, após o encerramento. Estes procedimentos são encarados como pouco eficientes em termos de desenvolvimento da economia.

Preços a descer

Em relação ao mercado de habitação, Franco Liu afirmou que se está a verificar uma recuperação do número de transacções devido às medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e por ter aumentado para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação.

No entanto, o director-geral da empresa indicou que em termos do mercado de habitações usadas os preços continuam em quebra, ao contrário do que acontece com as habitações em primeira mão.

Por isso, Franco Liu apelou ao Governo para lançar mais medidas de incentivo ao mercado imobiliário, para que haja uma recuperação dos preços de habitação, com a criação de programas de atracção de não-residentes com dinheiro para investir ou subsídios à compra de habitação.

20 Mar 2026

Robótica | Deputados exigem regras para uso público

Os deputados Chao Ka Chon e Kou Ngon Seng defenderam ontem, no período de intervenções antes da ordem do dia, no plenário da Assembleia Legislativa, a necessidade de “elaborar instruções para uma fiscalização” no que diz respeito ao uso público de robôs humanoides e “cães robóticos”, a fim de se definir “a segurança inerente aos aplicativos públicos e sua privacidade”.

Os deputados entendem que devem ser aproveitadas “as oportunidades de desenvolvimento da inteligência incorporada”, reforçando-se “a supervisão da segurança dos robôs humanoides e a regulamentação dos cenários de aplicação na comunidade”. Assim, devem ser definidas pelas autoridades “instruções ou normas específicas para a utilização em locais públicos de robôs humanoides e cães robóticos”, garantindo-se “a segurança física, fixando-se áreas e velocidades de circulação”, bem como “definir mecanismos de travão de emergência e proibição de actividades desordenadas em horários de pico, ou zonas com grande concentração de pessoas”.

As normas devem também incidir na regulamentação “da recolha de dados por câmaras” ou ainda na limitação de “comportamento”, para “proibir qualquer operação ou exposição [destes robôs] que assustem o público, interfiram no tráfego ou perturbem a ordem pública”.

Os dois deputados defendem ainda a criação “de um regime de registo obrigatório e aquisição de seguro” para estes aparelhos, “com vista a conhecer os responsáveis e a controlar os riscos”. Desta forma, seria exigido aos robôs humanoides” e “equipamentos inteligentes utilizados nas áreas públicas de Macau” o registo face a “especificações do modelo, certificação da segurança, a descrição do algoritmo, os procedimentos operacionais e a identificação do responsável” pela máquina.

Na intervenção sugeriu-se também a aquisição de um seguro de responsabilidade de terceiros no que diz respeito à utilização destes robôs.

20 Mar 2026

Deputados dão dicas sobre ligação de Macau ao 15º Plano Quinquenal

Diversos deputados recorreram ao período de intervenções antes da ordem do dia para deixar sugestões quanto à melhor forma da RAEM aproveitar as políticas definidas no 15º Plano Quinquenal do país. O deputado Lam Fat Iam defendeu o aproveitamento “da interligação e interconexão das infra-estruturas para criar uma nova conjuntura de transporte regional em Macau”.

Um dos destaques foi a construção de linha ferroviária de alta velocidade Cantão-Zhuhai (Macau), projecto que, no entender do deputado, “mudará completamente a situação do trânsito de Macau, que durante muito tempo não conseguiu articular-se directamente com a rede ferroviária de alta velocidade do país”. É, assim, defendida a comunicação das autoridades locais “com os serviços competentes do Interior da China, estudando-se a localização da linha ferroviária de alta velocidade em Macau e a solução de ligação directa com o sistema de Metro Ligeiro de Macau”.

Já a deputada Wong Kit Cheng defendeu a promoção “da melhoria das condições de vida da população através do desenvolvimento económico”, devendo clarificar-se “as condições mais favoráveis e os percursos mais fluídos para que todos os sectores da sociedade de Macau se articulem com o 15.º Plano Quinquenal”. A deputada falou na diversificação económica através da “optimização das infra-estruturas físicas e institucionais urbanas que promovam o desenvolvimento conjunto com os sectores da estratégia ‘1+4’, bem como do reforço do papel dos fundos de orientação no apoio às indústrias”.

Prédios muito antigos

Já Nick Lei falou na importância de “ajustar a mentalidade governativa” ao 15º Plano Quinquenal, a fim de “impulsionar a renovação urbana”, tendo em conta que, em Macau, “existem mais de 240 mil fracções, sendo que 94,7 mil fracções têm mais de 30 anos”.

Desta forma, o deputado sugere o controlo da densidade populacional em algumas zonas do território. “Por exemplo, após a futura deslocação das habitações sociais construídas há muitos anos, os respectivos terrenos podem deixar de ser destinados a fins habitacionais, passando para instalações complementares dos bairros comunitários”, destacou.

A ideia é “criar condições para projectos de reconstrução da respectiva zona, equilibrando, ao mesmo tempo, a densidade populacional” nesses locais.

20 Mar 2026

Segurança nacional | Secretário garante que direitos de defesa estão assegurados

O hemiciclo aprovou ontem, na especialidade, a proposta de lei que redefine as competências e a composição da Comissão de Defesa da Segurança do Estado. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que “o regime não retira direitos de defesa aos interessados, nem a qualificação profissional dos advogados”

Macau vai ter uma renovada Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) que visa proteger e salvaguardar matérias relacionadas com a segurança nacional e tudo o que possa ser considerado como segredos de Estado.

A Assembleia Legislativa (AL) votou ontem, na especialidade, este diploma que, por exemplo, vem clarificar os serviços públicos que estão representados no organismo, nomeadamente o Instituto Cultural, e os meios de defesa possíveis dos envolvidos em processos judiciais.

Num debate em que a aprovação se fez por unanimidade e foram poucas as questões colocadas pelos deputados, Wong Kit Cheng questionou o facto de, com este diploma, ser obrigatória autorização especial, da parte do juiz, para o mandatário judicial intervir no processo, caso o juiz entenda que o caso em questão envolve matérias de segurança do Estado.

“Vai haver alterações em relação aos direitos do interessado em ser defendido por um advogado”, questionou. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, clarificou que “os objectivos deste ajustamento é clarificar o mecanismo”. “Se me pergunta se afecta os direitos de defesa, ou de constituição de advogado por parte do interessado, o que [as alterações visam] é dar apoio aos interessados. O regime não retira direitos de defesa do interessado, nem a qualificação profissional do advogado.”

O que passa a acontecer, segundo a nova lei ontem aprovada, é que “em casos de matéria de segurança do Estado, o interessado tem de conseguir autorização [para o mandatário] intervir no acto processual e o juiz tem de obter o parecer da CDSE, que tem força vinculativa”, disse o secretário.

“Pretende-se evitar fugas de informação de segurança nacional, mas não se priva o interessado do direito de defesa”, acrescentou Chan Tsz King. Ficou a ideia de que se pretende redefinir as qualificações dos mandatários e advogados neste tipo de processos, a fim de “evitar potenciais riscos para a segurança do Estado”. A ideia do Executivo é “implementar uma barreira de defesa para evitar que os actos processuais sejam prejudicados”, disse ainda o responsável.

Recorde-se que a CDSE existe desde 2018, mas foi agora alvo de uma reformulação no conteúdo e funcionamento. Uma das principais alterações prende-se com o facto de os juízes encarregues deste tipo de processos ligados à segurança nacional poderem realizar sessões de julgamento à porta fechada. Além disso, prevê-se que um advogado tenha de obter autorização do juiz antes de intervir no processo, devendo dar informações sobre a família e ligações que tem no exterior.

A CDSE passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e o grau de “patriotismo” de candidatos aos cargos de poder político no território.

Contas quase secretas

Outra questão levantada pelo deputado Chui Sai Peng no debate de ontem, foi a obrigatoriedade de a CDSE apresentar à AL, todos os anos, um relatório de contas. “É confidencial, tendo segredos de Estado, ou o público pode aceder [ao documento]?”, questionou.

O secretário explicou que no documento apenas estará a soma total do que foi gasto e não a discriminação de despesas, para que se garanta a protecção de actividades da CDSE do grande público.

“Tendo em conta a confidencialidade dos trabalhos, tudo será feito pelo secretário da CDSE e será depois apresentado ao Chefe do Executivo para aprovação. Esta norma é excepcional e não está sujeita à lei do enquadramento orçamental. Tendo em conta a transparência dos trabalhos, aditámos nesta lei que o Governo deve apresentar anualmente o relatório que vai ter o valor total das despesas da CDSE, mas estas não serão apreciadas. O relatório é divulgado, mas no valor total, dando confidencialidade aos trabalhos da CDSE.” O secretário para a Segurança disse que foram tidas em conta “as experiências de Hong Kong” a este nível.

Em relação ao regulamento administrativo que regula a organização do secretariado da CDSE, Chan Tsz King disse que “está quase pronto” e que deverá entrar em vigor “quase ao mesmo tempo da proposta de lei”.

O secretário deixou ainda a garantia de que, “para que todos os sectores da sociedade conheçam as alterações da lei, o Governo vai recorrer a diferentes meios de comunicação social e contactar associações cívicas para que os cidadãos fiquem com mais consciência sobre a segurança nacional”.

Nas declarações de voto, Lam Lon Wai e Ella Lei frisaram que “o Governo da RAEM está sempre com consciência dos riscos da segurança do Estado, tendo recorrido à produção legislativa para colmatar desafios e imprevistos, a fim de, no futuro, salvaguardar um ambiente saudável” para o território em matéria política e cívica.

20 Mar 2026

Catástrofes Naturais | Chan La Kei pede exercícios mais extremos

O deputado Chan La Kei pretende saber se as forças de segurança vão realizar simulações mais extremas de resposta a catástrofes naturais e mau tempo. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa ligado à comunidade de Fujian.

“As autoridades vão criar cenários simulados mais extremos, tendo em conta os pontos fracos detectados no ano passado, tais como ‘ocorrência consecutiva de tempestades tropicais em Macau, causando pressão nos respectivos recursos’, ‘obstáculos no apoio material transfronteiriço’, etc., a fim de avaliar a capacidade de resposta e prevenção dinâmica interdepartamental e inter-regional?”, perguntou o legislador.

No mesmo sentido, Chan La Kei questiona as autoridades sobre os planos de criar alertas localizados para as diferentes zonas do território, consoante o nível de impacto das ocorrências naturais, assim como a possibilidade de utilizarem inteligência artificial para produzirem mensagens de telemóvel em várias línguas a alertar os afectados. O deputado destaca que a utilização de várias línguas na comunicação é importante, porque muitas vezes a resposta a situação de emergência exige que não se perca tempo.

Entre os assuntos levantados sobre a resposta a emergências, o deputado pretende também saber como é que actualmente as autoridades conseguem identificar os locais onde acontecem situações imprevistas e como podem acelerar os mecanismos de resposta para enviar prontamente agentes de segurança para o local.

19 Mar 2026

Tribunais | Portugal abre duas vagas de juiz para Macau

Depois de em Outubro do ano passado o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) ter demonstrado abertura para enviar mais juízes para Macau, as autoridades de Portugal abriram agora um concurso de recrutamento

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) de Portugal anunciou na terça-feira a abertura de recrutamento de dois juízes portugueses para funções nos tribunais de primeira instância de Macau na área cível. De acordo com o aviso publicado, podem candidatar-se magistrados judiciais com uma antiguidade superior a sete anos e inferior a 15, sendo a nomeação válida por dois anos, eventualmente renovável.

As candidaturas devem ser apresentadas até 31 de Março, e segundo o documento elaborado pela Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM, os magistrados seleccionados terão vencimento e regalias equiparadas às dos juízes locais da mesma categoria e antiguidade.

O salário corresponde a uma percentagem do vencimento mensal do Chefe do Executivo, actualmente fixado em 268.297 patacas, que varia de acordo com o tempo de serviço como magistrado, entre os 50 por cento e os 60 por cento do valor mensal auferido pelo líder do Governo.

Além da remuneração, os juízes terão direito a subsídios de férias e de Natal, habitação ou subsídios de arrendamento e equipamento, assistência médica para si e para o agregado familiar, bem como férias judiciais de 22 dias úteis por ano.

Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses (juízes e procuradores) no território, apoiando o sistema jurídico de matriz portuguesa. Esta colaboração, foca-se no recrutamento, na formação e na troca de experiências judiciais.

Colmatar saídas

O único juiz vindo de Portugal a trabalhar em Macau actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminava em Maio de 2026.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do Tribunal de Primeira Instância Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois.

Apesar da rejeição, em Outubro do ano passado, durante uma visita a Macau, o líder do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, e por inerência preside também ao CSM, afirmou aos jornalistas que se as autoridades de Macau demonstrassem interesse haveria abertura para enviar mais magistrados portugueses para o território. “Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.

19 Mar 2026

Tecnologia | Sam Hoi Fai quer promover a industrialização

O Chefe do Executivo considerou que o desenvolvimento tecnológico em Macau tem de ter resultados práticos e levar ao aumento da produtividade e à aplicação das tecnologias na indústria. As declarações constam do discurso proferido durante a primeira reunião do Conselho de Ciência e Tecnologia deste ano.

“O objectivo final da investigação e desenvolvimento, bem como os investimentos no campo científico e tecnológico, não é a mera investigação, nem é o investimento apenas para criar uma imagem ‘tecnológica’ superficialmente atraente; o objectivo final deve ser a transformação do conhecimento em produtividade e a industrialização de tecnologias”, avisou Sam Hou Fai. “Temos de manter esta orientação, a fim de maximizar o papel prático e os benefícios integrados do desenvolvimento científico e tecnológico”, acrescentou.

O Chefe do Executivo destacou também a necessidade de apresentar resultados: “por esta ocasião, gostaria de salientar ainda um ponto específico: para impulsionar o trabalho científico e tecnológico e a investigação em Macau, é necessário estabelecer e pôr em prática uma visão clara do desempenho”, atirou.

Durante o tempo em que tomou a palavra, Sam Hou Fai insistiu que o desenvolvimento tecnológico tem de acompanhar o novo plano quinquenal do Governo Central e articular-se com o desenvolvimento do país.

19 Mar 2026

Tabaco | Governo acha difícil proibir fumo a quem anda nos passeios

Num período em que decorre a consulta pública sobre o aumento de restrições ao consumo de tabaco, o Governo afasta a possibilidade de uma proibição total de fumar e de aumentar os impostos sobre o tabaco

O chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo dos Serviços de Saúde (SS), Lam Chong, considera difícil de implementar uma proibição de fumar para quem caminha nas ruas. A limitação foi reconhecida durante o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

“Estudamos as práticas a nível mundial em relação às pessoas que fumam enquanto caminham e nenhum país ou região conseguiu implementar este tipo de proibição”, afirmou Lam Chong, depois de ser confrontado com uma ouvinte que ligou para o programa a defender a proibição. “As práticas mais aplicáveis, que também estão previstas nas alterações propostas, passam pela classificação das zonas com maior fluxo de visitantes como locais em que é proibido fumar”, indicou.

Lam Chong reconheceu que as medidas não satisfazem a pretensão de parte da população de proibir quem caminha de fumar. No entanto, existe a esperança entre o Governo de contribuir para diminuir o impacto do fumo nos locais ao ar-livre com maior concentração de pessoas.

Ao mesmo tempo, Lam Chong destacou que as classificações de certas zonas como locais em que é proibido fumar pode transformar-se numa mensagem para os fumadores que o seu vício é tido como um acto indesejável.

Luta anti-tabaco

No programa de ontem do Fórum Macau foram discutidas as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, uma vez que decorre uma consulta pública até 8 de Abril.

Segundo as medidas propostas pelo Executivo, vai ser implementada uma proibição total de qualquer contacto com cigarros electrónicos, assim como outros produtos de tabaco, como xixa. Anteriormente, o Executivo explicou esta opção por considerar que este tipo de produtos de tabaco são portas de entrada para o mundo das drogas.

No entanto, o Executivo vai continuar a proibir os cigarros tradicionais, mesmo que ontem alguns ouvintes tenham defendido uma proibição de todos os produtos de tabaco ou um aumento enorme do imposto sobre o tabaco. Contudo, Lam Chong defendeu os cigarros tradicionais: “A proibição total não é apropriada, porque as pessoas vão andar a fumar às escondidas”, frisou.

Actualmente, o imposto sobre o tabaco ocupa 60 por cento do preço a retalho. Lam Chong argumentou que não se deve aumentar mais o preço através dos impostos, porque o valor é menor nas regiões vizinhas, o que vai fazer com que haja cada vez mais contrabando.

Sem revistas

Quanto à proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos, Lam Chong apontou que vai visar todos os fumadores, mesmo os que apenas tenham este tipo de equipamentos guardados numa bolsa. No entanto, o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo indicou que os inspectores não vão ter competência para realizar buscas, por isso, as situações em que os cigarros estão escondidos não devem levar a multas.

Um outro ouvinte mostrou-se preocupado com a gravação de vídeo pelos inspectores que pode violar a privacidade pessoal. Na resposta, o subdirector dos SS, Cheang Seng Ip, garantiu que os inspectores só ligam as câmaras de vídeo se houver um conflito e ameaças durante o processo de aplicação de lei. O responsável também explicou que antes de ligarem os equipamentos de gravação, os inspectores terão de informar os indivíduos envolvidos. E se não houve ocorrências anormais, a gravação vai ser eliminada após sete dias.

19 Mar 2026

MNE chinês diz que Macau deve manter-se “aberta ao talento estrangeiro”

A comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau sublinhou ontem que, como centro internacional de cooperação, a cidade deve permanecer “aberta ao talento estrangeiro”.

Durante uma sessão de esclarecimento sobre o 15.º Plano Quinquenal do país e o seu impacto no desenvolvimento de Macau, Bian Lixin destacou que serão “reforçadas medidas de facilitação de vistos e de mobilidade transfronteiriça para atrair profissionais altamente qualificados”.

Estas incluem acções preferenciais que facilitem a circulação transfronteiriça de cidadãos estrangeiros entre Macau e Hengqin e políticas de facilitação de vistos para cidadãos estrangeiros com residência permanente em Macau que viajem para o continente, apoiando a construção do território como um “centro internacional de talentos de alto nível”.

O Governo central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia de Macau e complementar vários serviços essenciais para os residentes da cidade.
Macau estabeleceu, em Julho de 2023, um programa de captação de quadros qualificados do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais.

No final de Outubro, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos disse que Macau aprovou 464 das mais de mil candidaturas ao programa. A esmagadora maioria dos quadros é da China continental (80 por cento) e de Hong Kong (dez por cento), sendo que 47 por cento tem “experiência de trabalho ou de estudo no estrangeiro”.

No entanto, a residência em Macau para cidadãos portugueses tornou-se mais restrita desde Agosto de 2023, sendo agora tratados como outros estrangeiros, focando-se no reagrupamento familiar ou competências técnicas muito específicas. A autorização de residência permanente requer, geralmente, sete anos de residência habitual.

Esforços alinhados

Segundo a comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, o seu gabinete alinhará esforços diplomáticos para assegurar que a estratégia de desenvolvimento local se articule com as prioridades nacionais. Ao mesmo tempo, Bian destacou que Macau tem de “potenciar a sua diplomacia”, aproveitando os laços com países de língua portuguesa e espanhola para aprofundar a cooperação no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e ampliar os intercâmbios com a Eurásia e o Sudeste Asiático.

O Governo de Macau confirmou na terça-feira que o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril. Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo da China a Macau.

O 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) para o desenvolvimento da China foi aprovado este mês por Pequim e centra-se em “novas forças produtivas de qualidade”, alta tecnologia, autonomia tecnológica e reforço do consumo interno. O plano estabelece como objectivo um crescimento económico moderado, com metas de Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5 e 5 por cento. O Chefe do Executivo confirmou que os planos de desenvolvimento de Macau serão alinhados com o plano nacional, prometendo “reformas ousadas”.

18 Mar 2026

Estudo | Reformas transformaram maior centro de jogo do mundo

Um estudo dos académicos João Ilhão Moreira e Zhou Yudi indica que as reformas efectuadas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim em termos do controlo de capitais

O desmantelamento do sistema de promotores de jogo VIP em Macau, responsável em tempos por mais de 70 por cento das receitas dos casinos, marcou uma mudança decisiva nas prioridades de governação da China, segundo um estudo da Universidade de Macau. Os autores, João Ilhão Moreira e Zhou Yudi, concluíram que as reformas introduzidas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim de maior controlo de capitais, transparência reforçada e governação baseada na lei.

O estudo afirma que o fim destes promotores VIP (conhecidos como “junkets”) reflectiu um alinhamento estratégico com os “objectivos da China continental, incluindo maior controlo de capitais”, reforço da transparência financeira e governação assente na lei.

O trabalho sublinha que o modelo dos “junkets”, que servia clientes de alto nível e facilitava fluxos opacos de capitais provenientes da China continental, tornou-se cada vez mais incompatível com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização em curso.

“Embora tenha sido integral para o crescimento de Macau, o sistema de ‘junkets’ entrou em conflito crescente com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização do sector”, escreveram os autores. O estudo traça a evolução da indústria desde a transferência de soberania em 1999, observando que os “junkets” foram tolerados durante décadas devido ao seu contributo para as receitas brutas do jogo.

Realidade dos números

Em 2011, a receita do jogo em Macau atingiu 269,1 mil milhões de patacas, cinco vezes a receita de Las Vegas, e com as salas VIP a contribuir com mais de 70 por cento dessa receita. A detenção e condenação, em 2021, de Alvin Chau, líder do maior grupo de “junkets” do território, o Suncity Group, simbolizou o fim de uma era e acelerou a transição para um modelo de mercado de jogo centrado em jogadores ocasionais e turismo integrado.

Chau foi depois condenado a 18 anos de prisão, tendo sido considerado culpado de mais de 100 crimes, incluindo liderança de uma associação criminosa, fraude e exploração ilegal de jogo, envolvendo apostas superiores a 823,7 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo os investigadores, o sistema de “junkets” evoluiu para uma poderosa rede financeira, que se estendia muito além das salas de jogo. Os operadores não foram apenas intermediários de clientes VIP, mas também facilitadores de grandes fluxos de capitais opacos entre a China continental e Macau.

Os autores assinalaram que as salas VIP e os “junkets” “criaram redes de fluxos de capitais não regulados”, estabelecendo canais paralelos fora do sistema bancário oficial da China. Estas redes tornaram-se problemáticas, à medida que Pequim reforçou o controlo de capitais e exigiu maior transparência.

O estudo destaca que, embora tolerados durante anos, os “junkets” dependeram de apostas paralelas e transferências discretas de fundos, práticas que acabaram por colidir com os objectivos de modernização da China. Em 2022, o Governo da RAEM avançou com a primeira grande revisão da Lei do Jogo em mais de duas décadas.

A reforma introduziu alterações profundas: redefiniu o papel das concessionárias e dos promotores de jogo, praticamente desmantelou o sistema de “junkets” e reforçou os mecanismos de controlo e transparência.

Caminho da diversificação

O novo enquadramento legal passou a privilegiar a diversificação da indústria, com maior foco no mercado de massas e no turismo integrado, em detrimento das salas VIP, dominadas por “junkets”. Além disso, alinhou Macau com as prioridades nacionais da China, nomeadamente no reforço do controlo de capitais, prevenção do branqueamento de dinheiro e integração da RAEM na estratégia de desenvolvimento económico nacional.

“As medidas legais e regulatórias introduzidas entre 2022 e 2024 foram concebidas para alinhar a indústria do jogo de Macau com as prioridades da China”, conclui o estudo.

18 Mar 2026

Saúde | Inaugurada rota de autocarros IA entre Macau e Interior da China

A primeira rota de autocarros autónomos de inteligência artificial (IA) dedicada a viagens médicas transfronteiriças foi inaugurada entre Macau e o Interior da China, noticiou ontem a imprensa local. Segundo o China Daily, o serviço de autocarro liga o posto fronteiriço de Hengqin e um hospital operado pela Universidade Médica de Guangzhou na mesma zona.

Movido por tecnologia de condução autónoma e com apoio operacional das empresas nacionais MOGOX e Autonoma, o percurso tem sete quilómetros e permite aos passageiros chegarem ao hospital em cerca de 15 minutos. Este tipo de autocarros IA consegue operar sem intervenção humana em condições e circuitos específicos e está cada vez mais integrado nas redes oficiais de transportes públicos da China.

Durante o período experimental, o serviço está aberto ao público de forma gratuita, funcionando das 08h às 12h e das 13h30 às 17h30, com partidas a cada 30 minutos. Dados oficiais mostram que mais de 20.000 visitas foram realizadas no ano passado por residentes de Macau em busca de tratamento neste hospital, que conta com 21 departamentos clínicos.

A MOGOX afirmou já ter implantado os seus autocarros autónomos em mais de 20 cidades na China, servindo mais de 200.000 viagens de passageiros e acumulando um total de cinco milhões de quilómetros percorridos. Em Outubro de 2025, a empresa venceu também o concurso para o primeiro projecto oficial de autocarros autónomos em Singapura, marcando a primeira vez que este tipo de veículos foi incorporado num sistema de transporte público fora da China.

18 Mar 2026

Visita | Sam Hou Fai em Portugal e Espanha em Abril

O Gabinete de Comunicação Social anunciou ontem que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, irá visitar Portugal e Espanha entre os dias 17 e 23 de Abril. O Governo ainda não revelou a agenda das visitas, nem os membros do Executivo que vão acompanhar Sam Hou Fai na visita inaugural ao exterior desde que tomou posse como líder do Governo da RAEM.

Historicamente, a primeira visita internacional de um Chefe do Executivo é a Portugal, mas desta vez também irá incluir a Espanha. Recorde-se que Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo Central a Macau.

Inicialmente, o Governo da RAEM apontou a visita a Portugal para o primeiro semestre de 2025, mas as eleições legislativas portuguesas obrigaram ao adiamento para o Verão.

A última vez que um Chefe do Executivo visitou Portugal foi em Abril de 2023, na primeira viagem do antigo líder Ho Iat Seng ao exterior, depois dos três anos de restrições pandémicas. Na altura, Ho encontrou-se com o então primeiro-ministro português, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, na altura Presidente da República.

18 Mar 2026

Guangdong | Sam Hou Fai quer que cooperação atinja “novo patamar”

Sam Hou Fai reuniu com dois altos cargos do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês e apontou à elevação da qualidade da cooperação entre as duas regiões para um novo patamar. Entre os sectores prioritários, destaque para a inovação científica e tecnológica e os serviços públicos

O Chefe do Executivo reuniu na segunda-feira com o secretário do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês, Huang Kunming e o governador da província vizinha, Meng Fanli. A agenda foi marcada pela recorrente promessa de estreitar a cooperação entre a província vizinha e a RAEM, e o alinhamento ao nível das políticas de longo-prazo locais com o plano quinquenal nacional e o pensamento de Xi Jinping.

Sam Hou Fai prometer que irá impulsionar a “cooperação bilateral pragmática em mais vertentes para um novo patamar, e servir o desenvolvimento nacional com uma cooperação entre Guangdong e Macau de mais alta qualidade”, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social.

O espírito das Duas Sessões (Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) foi outro dos pontos em cima da mesa, com os responsáveis a salientar a importância de transformar em acções práticas os planos estratégicos do 15.º plano quinquenal nacional. Porém, não foram avançadas medidas concretas, além da repetição das promessas de empenho na cooperação entre Macau e Guangdong e a construção da Grande Baía.

Ainda assim, Sam Hou Fai afirmou que o plano quinquenal nacional “apresenta, claramente, uma série de planos importantes para apoiar Macau na consolidação e aperfeiçoamento das suas vantagens competitivas”, e na integração no desenvolvimento nacional.

Estrelas polares

O Chefe do Executivo deixou ainda a cooperação entre as duas regiões produza “avanços contínuos nas áreas-chave de colaboração”, assim como na “coordenação de mecanismos nas áreas de inovação científica e tecnológica, desenvolvimento económico e serviços públicos”.

O objectivo é “acelerar a criação de um conjunto de cidades de nível mundial e de uma baía de nível internacional”.

Sam Hou Fai salientou também a necessidade de Guangdong e Macau se alinharem com as “três verificações” propostas pelo Presidente Xi Jinping, em relação ao desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Neste aspecto, o governante mencionou a importância da construção dos “projectos emblemáticos e dinamizadores”, como a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, o terminal de mercadorias do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin e o troço de Hengqin do comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai (Macau).

18 Mar 2026

Subemprego | Pedido apoio a residentes com quebra de salários

Num contexto em que os trabalhadores na área dos transportes e armazéns têm cada vez mais dificuldades em encontrar emprego a tempo inteiro, a deputada Wong Kit Cheng pede soluções ao Executivo

 

A deputada Wong Kit Cheng pediu ao Governo para lançar novos apoios para fazer face à subida do subemprego, ou seja, das situações em que as pessoas trabalham menos horas do que as que desejam. O apelo foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

“Embora a taxa de desemprego se tenha mantido num nível baixo, a taxa de subemprego registou um aumento significativo, verificando-se esta situação principalmente nos ramos dos transportes e armazenagem, das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas e do comércio a retalho”, descreveu a legisladora. “Isto demonstra, por um lado, que os trabalhadores residentes estão a enfrentar o problema de subemprego no mercado de trabalho, o que tem um impacto substancial nos seus rendimentos e, por outro, que a procura no mercado está a diminuir, sendo que os referidos sectores estão a deparar-se com dificuldades operacionais”, apontou.

Segundo os dados citados pela deputada, entre Novembro do ano passado e Janeiro, a taxa de subemprego foi de 2,2 por cento, um aumento de “0,2 por cento” em comparação com o período anterior. A taxa de desemprego foi de 2,2 uma redução de “0,1 por cento”.

Face a esta situação, Wong Kit Cheng pretende saber como é que o Executivo vai utilizar os planos de formação e a plataforma com a oferta de cursos de requalificação para providenciar um “apoio concreto para a mudança de profissão” e “planos de formação técnica”.

A legisladora, ligada à Associação da Mulheres, pediu também ao Governo ajudas para quem não consegue encontrar uma profissão num sector diferente daquele em que trabalhava, antes de ficar numa situação com rendimentos reduzidos: “Quanto aos indivíduos que não consigam mudar de profissão devido à idade, ao nível de competências, ao contexto familiar ou a outros factores, o Governo deve resolver o problema de subemprego, através da conjugação de emprego e de outras medidas de apoio. Como vai fazer isto?”, questionou.

Licenciados à vista

Ao mesmo tempo, Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com os próximos meses devido ao ingresso no mercado do trabalho dos alunos do ensino superior que terminam os seus estudos e entram no mercado de trabalho.

A deputada aponta assim que “a procura de emprego vai aumentar”, pelo que pede explicações de como o Executivo “pode planear melhor e implementar medidas adequadas para fazer face à situação” para “reduzir o desfasamento com as competências práticas exigidas no local de trabalho”.

Wong pediu também a “divulgação das informações” sobre o mercado de trabalho para que haja uma “transição suave” para os recém-licenciados que entram no mundo do trabalho. “É uma questão que merece atenção contínua por parte das autoridades competentes”, vincou.

17 Mar 2026

Demografia | População idosa atingiu mais de 15 por cento em 2025

A população idosa de Macau cresceu para 15,3 por cento em 2025, de acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A população da RAEM atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, mas com a população idosa a aumentar 0,7 pontos percentuais dos 14,6 por cento registados em 2024.

Da população total, 80.300 eram jovens entre os 0 e os 14 anos (11,7 por cento) e 105.200 tinham 65 ou mais anos (15,3 por cento). Em 2025, registaram-se 2.870 nascimentos, e observaram-se 2.424 óbitos.

Analisando as causas da morte, a DSEC refere que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores malignos”, seguindo-se “doenças do coração” e “doenças cerebrovasculares”.

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.

A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em Macau em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.

 

17 Mar 2026

AL | Orçamento reforçado para obras de “grande escala”

O orçamento da Assembleia Legislativa foi alterado pela terceira vez, com um aumento de 31,4 milhões de patacas, para 255,4 milhões de patacas. O edifício da assembleia terá obras de “grande escala”, os serviços serão informatizados, e o orçamento com pessoal e formação também irá subir

 

 

O orçamento da Assembleia Legislativa (AL) para 2026 vai ser rectificado, pela terceira vez, aumentando 14 por cento dos 224 milhões de patacas inicialmente propostos, para quase 255,4 milhões de patacas, ou seja, mais cerca de 31,4 milhões de patacas. A informação, publicada no portal da AL, consta de uma deliberação assinada pelo presidente do órgão legislativo, André Cheong, e os restantes membros da mesa.

O aumento do orçamento para este ano foi justificado com a necessidade de obras no edifício, informatização, aperfeiçoamento de equipamentos e aumento das despesas com pessoal e formação.

As duas rectificações anteriores envolveram apenas a transferência de verbas orçamentadas para outros gastos, sem alterar o valor do orçamento anual.

As maiores despesas no extrato relativo à alteração do orçamento são relativas a “edifícios e estabelecimentos”, com uma despesa de quase 13,6 milhões de patacas, mais de um terço do valor total do aumento. A factura relativa a gastos com mobília está estimada em dois milhões de patacas, enquanto as despesas com equipamentos informáticos e sistemáticos estão orçamentadas em mais de 5,6 milhões de patacas, e para software e direitos estão destinados 9,3 milhões de patacas.

Em relação aos custos com pessoal, a rectificação adiciona 2 milhões de patacas, subindo para 186,7 milhões patacas, o que representa um aumento de 1,08 por cento. Nesta área, os maiores aumentos são nas rúbricas das ajudas de custo diárias (+65,1 por cento) e ajudas de custo de embarque (+ 87,4 por cento).

 

As causas

Na lista de fundamentos para a rectificação orçamental para promover a “mudança do espaço de trabalho e das obras de remodelação do Edifício da AL”, os deputados começam por indicar que, apesar de terem um edifício próprio, sofrem com a insuficiência de espaço de trabalho. Como tal, ficam impedidos de “oferecer serviços mais diversificados de melhor qualidade”.

Com a mudança do gabinete do presidente do Tribunal de Última Instância, prevista para este ano, que funciona no edifício do Fórum Macau, para as novas instalações na Avenida da Praia Grande, serão transferidos para o espaço vago no Fórum Macau cerca de 80 trabalhadores dos serviços de apoio da AL. Este volume representa cerca de dois terços dos recursos humanos da AL.

A transferência irá implicar “obras fundamentais de remodelação” no Complexo do Fórum Macau, assim como a compra de equipamentos de escritório.

Uma vez concluída a transferência, vão arrancar as “obras de remodelação e renovação em grande escala no Edifício da AL, em especial no primeiro andar, optimizando a configuração funcional”. O objectivo é criar novos espaços de trabalho com o intuito, como exemplificado pela mesa, de “reforçar a comunicação e ligação entre a AL e a população, especialmente a juventude, e melhorar a compreensão do público sobre as funções e trabalho concreto AL”.

No capítulo da informatização, será criada uma plataforma para trabalhos internos para eliminar o uso do papel, assim como um sistema auxiliar com inteligência artificial e um sistema de gestão de gestão financeira electrónica. Além disso, o portal da AL será actualizado.

Em relação à mão-de-obra, é indicado que o número de trabalhadores “vai aumentar ligeiramente” e serão organizadas mais sessões de formação internas.

17 Mar 2026

Geopolítica | Alerta para impacto económico de conflitos internacionais

Sam Hou Fai alerta para as “recentes alterações geopolíticas” e “conflitos internacionais” que constituem “ameaças ao desenvolvimento económico da cidade”

 

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, alertou ontem para as “perturbações na cadeia de abastecimento” e outros desafios que as recentes alterações geopolíticas e conflitos internacionais geraram enquanto ameaças ao desenvolvimento económico da cidade.

Macau, “enquanto pequena economia aberta e fortemente dependente do exterior, enfrenta múltiplas incertezas e desafios”, afirmou Sam Hou Fai no discurso de abertura da primeira sessão de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Económico, apelando aos empresários presentes para que estejam preparados para os enfrentar e que incentivem ao investimento e diversificação da economia local, fortemente dependente da indústria do jogo.

“Actualmente, no contexto da evolução acelerada e da transformação sem precedentes do último século em todo o globo, os conflitos geopolíticos continuam a intensificar-se, a recuperação económica mundial enfrenta entraves e diversos factores de incerteza, assim como se sobrepõem as perturbações nas cadeias de abastecimento, tornando o ambiente externo de desenvolvimento significativamente mais complexo, grave e incerto”, disse o chefe do Executivo.

Sam Hou Fai indicou ainda que o Governo vai avaliar os “pontos de convergência” possíveis com o 15.º Plano Quinquenal do país aprovado este mês durante os encontros da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), denominados como “Duas Sessões”, em Pequim.

 

Metas baixas

A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4,5 por cento a 5 por cento para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade, e priorizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4,3 por cento em 2025, ultrapassando 63.600 euros, o segundo valor mais elevado da Ásia.

No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB do território irá desacelerar para 4 por cento em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”.

“Macau enfrenta numerosos desafios ao seu desenvolvimento, mas esperamos avançar em conjunto. A construção da Grande Baía avança com resultados bem visíveis, e a nova vaga de tecnologia tem injectado uma nova dinâmica de desenvolvimento. Devemos ter em consciência a adversidade prevenindo os riscos e avaliando o pulso do desenvolvimento nacional”, destacou Sam.

A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com um produto interno bruto (PIB) superior a um bilião de euros.

“Espero que vocês, como empresários, estejam preparados para agarrar as oportunidades, reforçando o investimento em Hengqin de maneira a injectar nova vitalidade. Espero que possam também acompanhar de perto os assuntos de desequilíbrio e dificuldades enfrentados pelas Pequenas e Médias Empresas”, destacou.

O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (Ilha da Montanha), adjacente a Macau, como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia da região administrativa especial.

 

Aposta no futuro

Criado em 2023, o Conselho de Desenvolvimento Económico de Macau, que ontem realizou a primeira reunião do ano, é um organismo consultivo do Governo da RAEM, cuja finalidade é disponibilizar pareceres e apresentar propostas sobre a formulação de estratégias para o desenvolvimento económico da região assim como políticas relacionadas com a economia.

Além do Chefe do Executivo e do secretário para a Economia, o organismo inclui representantes de associações de interesses económicos e profissionais assim como “individualidades de reconhecido mérito” na respectiva área.

17 Mar 2026

Futebol | Macau convoca jogador do Portimonense para FIFA Series

A selecção de futebol masculina de Macau convocou Nuno Pereira, jogador do Portimonense, para a segunda edição da FIFA Series, anunciou na sexta-feira a Associação de Futebol da região chinesa.

A capital do Ruanda, Kigali, irá acolher duas séries da competição amigável para selecções criada pela FIFA, incluindo a série B, que inclui Macau, Aruba, Liechtenstein e Tanzânia.

A série B arranca a 26 de Março, com Aruba a defrontar Macau, enquanto Tanzânia enfrenta Liechtenstein. Três dias depois, os vencedores dos dois primeiros jogos encontram-se no Estádio Amahoro, o mesmo acontecendo com os derrotados.

A segunda edição da FIFA Series vai contar com 36 selecções masculinas, divididas em oito séries, e 12 equipas femininas, divididas em três séries, uma das quais a realizar no Brasil.

A selecção masculina de Cabo Verde vai participar na série organizada em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, que inclui, além da equipa da casa, Chile e Finlândia.

A edição inaugural da FIFA Series, realizada em 2024 como um teste-piloto, tinha contado apenas com 24 selecções masculinas, divididas em seis séries, sem qualquer equipa feminina.

Nuno Pereira, que actua no Portimonense, da II Liga de futebol portuguesa, é o único futebolista a actuar no estrangeiro que faz parte da lista de 30 jogadores convocados pelo seleccionador de Macau, Kenneth Kwok Kar-lok.

A seleção masculina de Macau está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás de Macau, em 198.º.

16 Mar 2026

Nova feira comercial leva empresas lusófonas a zona económica especial

O Governo de Macau disse à Lusa que uma nova feira comercial vai, em Outubro, ajudar empresas dos países lusófonos a explorar oportunidades de negócio na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha).

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) disse que irá levar expositores dos mercados de língua portuguesa e espanhola a eventos em Hengqin, “ajudando-os a identificar uma vasta gama de oportunidades de negócio”.

Em 4 de Março, o IPIM referiu que vai organizar, entre 21 e 24 de Outubro, a Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX), em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos.

Em resposta a questões da Lusa, o IPIM explicou que a PLPEX irá decorrer “em simultâneo e no mesmo local” com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), para “manter e evidenciar os elementos lusófonos”. Isto porque este ano não será realizada a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a MIF.

 

A cada dois anos

O IPIM sublinhou que esta feira sino-lusófona, cuja primeira edição decorreu em 2023, foi “concebida preliminarmente para se realizar de dois em dois anos”.

Em Outubro de 2024, o então presidente do IPIM não confirmou se o certame passaria a ser bienal. “Temos ainda de discutir com os outros organizadores. Se tivermos bons resultados [em 2025], iremos avaliar”, disse à Lusa Vincent U U Sang.

A nova feira comercial vai incluir espaços de exibição de “produtos e serviços de qualidade” dos países de línguas portuguesa e espanhola, assim como sessões de bolsas de contacto “para promover a cooperação empresarial”, disse o IPIM.

O caderno de encargos do concurso para a coordenação da PLPEX prevê que a feira ocupe uma área de seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, sendo que 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento vindas de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”.

O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos.

A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha.

16 Mar 2026

Economia | Sugerida importação de gasolina sem chumbo 95

Nick Lei quer que o Governo assuma com maior acutilância o papel de supervisão e protecção dos direitos dos consumidores face às flutuações de preços dos combustíveis. Em virtude do aumento dos preços, o deputado sugere a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata, à semelhança das práticas do Interior da China

 

Desde o início do ano, os preços dos combustíveis têm aumentado várias vezes, com a intensidade da inflação a intensificar-se desde a guerra do Irão. Tendo em conta esta realidade, Nick Lei defende que o Governo tem de assumir um papel mais determinante na supervisão da venda de combustíveis, de acordo com a lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, intervindo para impedir flutuações acentuadas ou excessivamente elevados.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou no sábado o preço médio da gasolina sem chumbo 98 subiu para 15,73 patacas por litro e que no espaço de uma semana, as gasolineiras impuseram aumentos sucessivos, com a média de um litro a passar de 15,09 para 16,01 patacas.

Uma das formas de atenuar as flutuações de preços apontadas pelo deputado foi a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata do que a gasolina sem chumbo 98, permitindo alargar a escolha dos consumidores à semelhança do que se passa no Interior da China.

Aliás, a possibilidade de passar a encher o depósito do outro lado da fronteira é um dos argumentos de Nick Lei.

“No passado, não havia escolha possível, mas desde que passou a ser permitida a circulação de veículos com matrícula de Macau em Guangdong, muitos condutores passaram a abastecer lá”, vincou.

 

Novas condições

O deputado lembrou que o Governo já havia prometido incluir nos critérios de candidatura a concursos públicos para a concessão dos terrenos destinados a postos de abastecimento de combustíveis a exigência de fornecimento de gasolina sem chumbo 95 nos postos de venda.

Com o desenvolvimento da Zona A dos Novos Aterros Urbanos em curso, Nick Lei sugeriu ao Governo que aplique esse critério para os postos de abastecimento de combustíveis que vão servir aquela zona da cidade.

Outro argumento do legislador, prende-se com a transparência da forma como o preço dos combustíveis varia, em particular sobre as razões pelas quais, por vezes, os preços aumentam subitamente, mas baixam lentamente, raramente recuperando completamente. Como tal, Nick Lei gostaria de saber que princípios estão no cerne das flutuações de preços de combustíveis, entre a importação e a chegada às bombas de abastecimento.

Além disso, como os combustíveis afectam quase todos os aspectos da economia e da vida da população, Nick Lei entende que o Governo deveria fazer mais para controlar os preços.

16 Mar 2026