Hoje Macau EventosFestival de Documentários continua com histórias de todo o mundo [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]Festival Internacional de Cinema Documental de Macau (FICDM) continua na Cinemateca Paixão e hoje é dia de exibição de “Wansai Back Home” às 14h00 e “First Cousin Once Removed” pelas 16h30. O primeiro é uma co-produção do Japão e Taiwan realizada por Huang Ming-cheng. Wansai é referente aos filhos de japoneses nascidos em Taiwan durante o período colonial. Quase todos os japoneses foram repatriados aquando da rendição, tendo como resultado um conjunto de histórias marcadas pela dor da separação. Esta produção é o resultado de 12 anos de investigação e cinco de filmagens e conta a história dos laços familiares e de amizade que transcendem a vida e a morte. Uma história de descoberta e coragem perante a adversidade. “First Cousin Once Removed” é uma produção norte-americana de Alan Berliner em que o realizador se propõe a fazer retrato pessoal do seu “bom amigo, primo e mentor” Honig, ao longo do processo de perda de memória deste devido à doença de Alzheimer. Um lembrete acerca do papel da memória na vida de cada um, em que a fragilidade de se ser humano é contemplada. Filmado ao longo de cinco anos, este trabalho documenta “com carinho e compaixão o percurso” de Hodig. Sessão tripla Quarta-feira conta com três sessões. “Chuck Norris V Communism” é exibido às 14h00 e tem realização de Ilinca Calugareanu. Uma produção romena, alemã e do Reino Unido, que retrata a vida ou falta dela, reduzida ao isolamento e à censura. A determinado momento foi aberta uma janela a todos os que se atravessem a espreitar um mundo livre quando, em meados dos anos oitenta, mil filmes de Hollywood dão entrada clandestina na Roménia através de uma operação criteriosamente preparada. Estes filmes terão sido traduzidos por uma tradutora destemida que acabou por cativar toda uma nação e ser símbolo de liberdade. Às 19h30 é hora de “China Heavyweight” de Yung Chang que acompanha o treinador de boxe Qi Moxiang na sua viagem à China rural em busca de crianças que representassem potenciais atletas olímpicos. Neste documentário é acompanhada a sua visita a Huili, na província de Sichuan, onde encontra dois talentos, Miao Yunfei e He Zhongli. Quinta-feira é dia de “Death Japanese Salesman”, às 14h30, um filme em que Mami Sunada conta a história do seu pai, Tomoaki Sunada. A película é baseada num diário que mostra a vida do progenitor após ter sido diagnosticado com um cancro incurável.
Hoje Macau EventosLe French May | Degas, cinema e muito mais Tem por lema “tocar em tudo” e apresenta diversas formas de arte: do património ao contemporâneo, passando também por vários estilos musicais, a edição de Macau do “Le French May” deste ano inclui esculturas de bronze de Degas, um ciclo de cinema, pintura de Borget e a música clássica de Michel Dalberto [dropcap style=’circle’]L[/dropcap]ançado em 1993 em Hong Kong, como um evento cultural multidisciplinar para a Ásia, o “Maio Francês”, organizado pela Alliance Française, entra agora na sua 24ª edição. Em conferência de imprensa, a organização revelou a intenção de explorar a imaginação de novas regras, novas histórias e novos mundos na pintura, na escultura, no design, música, teatro, cinema e gastronomia sob o tema “Sonhos e Maravilhas”. O programa de actividades de Macau inclui uma mostra da colecção de 74 esculturas em bronze de Edgar Degas: “Figuras em Movimento” estará exposta no MGM de 29 de Abril a 16 de Novembro, com entrada livre. Um recital de piano de Michel Dalberto pode ser visto e ouvido no Clube Militar, pelas 20h00 de dia 2 de Maio. Os bilhetes custam 50 patacas para o recital e 250 com jantar. O evento conta ainda com um ciclo de cinema francês, com a apresentação de oito películas. Intitulado “Sonhos de um outro mundo – Utopias”, tem lugar nos Cinemas do Galaxy, onde está em exibição até 31 de Maio. Os bilhetes custam 90 patacas. Na calha, está ainda uma exibição de pinturas do sul da China de Auguste Borget, que vão estar patentes de 29 de Junho a 29 de Outubro, no Museu de Arte de Macau. FAM e vinho A edição deste ano colabora com o Festival de Artes de Macau (FAM), sendo a partir desse acordo que surge a peça do Disabled Theater desempenhada por actores com deficiências cognitivas. E também o encontro do inovador coreógrafo francês Jérôme Bel e dos artistas do Teatro de Zurique HORA. O Maio francês entrará ainda pelo mundo da gastronomia, com emparelhamentos de menus com vinhos da Alsácia em vários restaurantes locais e a participação de chefs cotados no guia Michelin e vários negociantes de vinho. Para o Cônsul-Geral de França, Eric Berti, “o festival é conhecido por ser um emblema” do país, “na medida em que pugna pela inovação, diversidade e excelência.” Julien-Loïc Garin, o grande responsável do evento, destacou a singularidade das obras que vão ser apresentadas e afirmou que “esperam atrair turistas para região e oferecer mais conteúdo cultural aos residentes locais.” Mais detalhes do evento no seu sítio oficial em www.frenchmay.com.
Hoje Macau EventosMorreu o príncipe do Funk, Prince Rogers Nelson Prince não foi apenas um génio excêntrico da música. Muito mais que isso, era um acumular de talentos em pouco mais de metro e meio. Multi-instrumentista, compositor, actor, performer. Cabe-lhe o reconhecimento consensual enquanto um dos mais influentes artistas desde a década de 1970 [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]morte de Prince Rogers Nelson apanhou todos de surpresa, na passada quinta-feira. O príncipe do Funk contava com 57 anos e foi encontrado inanimado no elevador da sua casa-estúdio, em Paisley Park, em Minneapolis, no estado do Minnesota. A morte do cantor foi confirmada à Associated Press pouco depois, pela sua representante, sendo que a causa é ainda desconhecida. Segundo a Reuters, na semana anterior Prince terá dado entrada no hospital com o que seria, supostamente uma gripe, tendo no sábado seguinte dado o seu último espectáculo numa festa na sua própria casa. Segundo declarações de alguns dos presentes e perante alguma preocupação relativa ao estado de saúde do músico, o mesmo terá dito: “esperem uns dias antes de desperdiçarem as vossas orações”. Ao mesmo tempo, alguns dos concertos da digressão “Piano & A Microphone Tour”, também tinham sido recentemente cancelados. Outros sites de música, como o TMZ, dão conta de uma possível entrada no hospital com uma overdose, mas ainda não há resultados dos testes toxicológicos ou da autópsia, sendo que a única coisa que se exclui é que a morte foi provocada por suicídio ou agressão. O cantor, entretanto, já foi cremado no sábado numa cerimónia privada, sendo que haverá um evento público ainda com data a anunciar. Contra a massificação Conhecido também pelas suas excentricidades, os últimos anos de Prince foram marcados pela sua quase “auto-exclusão” da internet e pelo limite de entrevistas que se disponibilizava a dar, bem como a ausência do mediatismo. Por outro lado associava-se cada vez mais a serviços de streaming como o Tidal, em jeito de protesto à massificação da divulgação musical da internet, sendo que actualmente encontrar Prince online, registos de concertos, fotos ou entrevistas não é tarefa fácil, a pedido do próprio artista. No entanto, não é por isso que Prince deixa de ser uma referência da cultura musical, do Jazz ao Funk, contando com inúmeras colaborações e excentricidades, mesmo no que respeita às mudanças que o seu nome sofreu. Prince é sem dúvida um nome a ficar na história da música. Nascido em Mineeapolis, filho de pai pianista e mãe cantora de Jazz, começou a sua carreira no final da década de 70. Pouco depois, em 84, lança “Purple Rain” que marca não só o início do seu sucesso à escala internacional, como ainda a música que lhe valeu o Óscar de melhor banda sonora em 85. O filme homónimo de Albert Magnoli, marca também a estreia do músico como actor. Em 93 muda efectivamente de nome para o símbolo , voltando mais tarde a ser Prince. Da sua carreira contam 39 álbuns, tanto a solo como com a New Power Generation, nos anos 90, ou com Eye Girl, em 2010. Testemunha de jeová, vegetariano, com milhões de discos vendidos e sete grammys amealhados, Prince tinha o lançamento das suas memórias anunciado para o próximo ano.
Hoje Macau EventosOrquestra de Macau celebra Shakespeare com Sayaka Shoji [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]“Concerto para Violino N.o 2 em sol menor” de Prokofiev vai ter lugar no próximo dia 29 de Abril pelas 20h00 no auditório da Torre de Macau. O concerto contará com Lu Jia, director musical e maestro principal da Orquestra de Macau e a participação da violinista japonesa Sayaka Shoji. O evento integra a série de espectáculos promovidos pelo Instituto Cultural (IC) dedicados ao tema “Mundo de Shakespeare”. Segundo a organização, Sayaka Shoji é descrita pela revista Gramophone como “[uma artista] formidável, capaz de extrair enormes reservas de energia a qualquer coisa que se proponha fazer”. Vencedora do Concurso Internacional Paganini aos 16 anos de idade, foi a primeira japonesa e mais jovem artista a consegui-lo. É também conhecida internacionalmente como uma revelação no violino contando já com inúmeras participações em orquestras de renome incluindo a BBC Philharmonic de Inglaterra, a Wiener Symphoniker de Viena de Áustria, a Orquestra Sinfónica Nacional da Dinamarca ou a Orquestra Sinfónica NHK do Japão. Em Janeiro de 2016, Sayaka Shoji recebeu o prestigiado Prémio de Arte Mainichi. O espectáculo na RAEM marca a primeira colaboração com a Orquestra de Macau e a interpretação do concerto de Sergei Prokofiev nas comemorações do 400º aniversário da morte de Sheakespeare, por esta obra ser também conhecida pela sua integração no ballet “Romeu e Julieta”. Está ainda programada a apresentação de “Aberture de Le Roi Lear de Berlioz”, que se baseia no obra homónima de Shakespeare e que conta com contrabaixos e oboés para promover a dramatização do ambiente. O concerto termina com a “Sinfonia No 4 em ré menor de Schumann”. Os bilhetes para o espectáculo já se encontram à venda e os preços variam entre as cem e as 200 patacas.
Hoje Macau EventosFotografia | Exposição da Coreia nas Casas-Museu da Taipa [dropcap style=’circle’]E[/dropcap]streia quinta-feira a exposição “Narrativas”, do fotógrafo sul-coreano Park Seung Hoon. Numa co-organização do Instituto Cultural (IC) e da PYO Gallery, a mostra abre às 18h30, na Galeria das Casas-Museu da Taipa. A exposição contará com a apresentação de 16 obras do jovem artista coreano e abrange duas séries de trabalhos. Da série “TEXTUS” são exibidas imagens fotográficas capturadas em película de 16mm em que o artista tece várias tiras de película, produzidas durante vários anos pelo mundo fora, que se apresentam aqui unidas numa só imagem, de forma a concretizar “um cenário perfeito”. A série “Uma melhor explicação” , também a mais recente criação de Park Seung Hoon, é uma manifestação também fotográfica da transformação ao longo do tempo e do espaço da paisagem ribeirinha do rio Arno, em Florença. São apresentados cenários momentâneos que retratam simultâneamente o desenvolvimento histórico e social à volta deste rio. É objectivo da organização que através da presente exposição os visitantes se “sintam inspirados a potenciar a sua própria imaginação bem como a exploração de novas possibilidades artísticas”. “Narrativas” está patente até 26 de Junho de 2016 e tem entrada livre.
Hoje Macau EventosMacau celebra Dia Internacional do Jazz Martin Luther King Jr. terá dito que o “jazz expressa a vida” e é sob este mote que a Unesco terá criado o Dia Internacional dedicado a este estilo musical. Macau junta-se à celebração com uma programação que convida todos a comemorar o Jazz no mundo O Dia Internacional de Jazz é comemorado a 30 de Abril desde 2012, mas as celebrações vão começar mais cedo em Macau. A Associação para a Promoção do Jazz de Macau apresenta hoje, na Casa Garden, pelas 20h00, um concerto que conta com Zé Eduardo – músico, compositor e pedagogo português. Destacado também pelo seu papel no que respeita à divulgação e promoção deste estilo musical através da criação de escolas e orquestras, Zé Eduardo tem como pontos altos da sua carreira, entre outros, o convite em 2007 para dirigir o European Movement Jazz Orchestra aquando da Presidência Portuguesa na UE. Já tocou também com Mário Laginha, Maria João ou o falecido Bernardo Sassetti e tem um projecto que junta três contrabaixos, onde se alia a Carlos Barretto e Carlos Bica. Ainda em 1988 entrou para o Guinness Book of Records, com a ajuda de outros músicos, estabelecendo o recorde de 24 horas consecutivas a tocar o blues mais longo, num tema da sua autoria. Já a dia 30, também na Casa Garden e numa iniciativa da Associação para a Promoção de Actividades Culturais (APAC), tem lugar um workshop de canto a cargo da croata Ines Trickovic. Segundo José Duarte, membro da Associação, o workshop vai “directamente ao encontro de um dos grandes objectivos deste dia, comportando o lado pedagógico do evento”. Acontece às 14h00, antes do concerto de jazz da banda japonesa T-Trip, que é apontada por José Duarte como uma referência do que se faz neste momento no país do sol nascente e que está marcado para as 21h30. O convite é feito para que os interessados que possam e o desejem venham um pouco antes do horário do concerto e assistam em vídeo à comemoração deste dia no ano passado, em Istambul. Todos os anos o Dia Internacional do Jazz tem um local que funciona como “centro”, sendo que este ano é em Washington e conta com a presença de Barak Obama. A noite acaba com o convite para uma ‘jam session’, que está marcada para as 23h00. Já o Clube de Jazz de Macau organiza o concerto dos “Souling”, banda de Zhuhai que, segundo o presidente José Luís Sales Marques demonstra o jazz que também se faz na China. A banda é constituída por Kenny Du na guitarra, Anselmo Luisi na bateria e Katrina Lau na voz, estando também agendada a presença do músico local e professor de guitarra Lobo Ip, mas agora enquanto DJ. O local deste espectáculo ainda não está definido sendo que num primeiro momento foi agendado para o Espaço Fantasia 10. O Dia Internacional do Jazz foi criado pela UNESCO, que pretende lembrar a importância deste género musical, bem como o seu contributo na promoção de diferentes culturas e na luta pela liberdade. Jazz, Macau e associações Promoção conjunta pelo mesmo estilo de música A RAEM conta neste momento com cerca de três associações cujo intuito é a promoção do Jazz. Depois do Clube de Jazz de Macau, associação pioneira na promoção deste estilo musical, aparece a Associação para a Promoção do Jazz de Macau. Mars Lei, membro da mesma, diz ao HM que a natureza desta Associação é tida na perspectiva dos músicos, ao invés de se destinar aos amantes do estilo, como os clubes. Relativamente à universalidade do estilo e em contraponto com a sua criação na China, Mars Lei refere que o jazz não é efectivamente um estilo chinês sendo que agora, dada a sua universalidade, se espalha muito pelo mundo. Salienta também o jazz japonês e o seu estilo próprio de criação. “É como o chá e o café, que apesar de serem já internacionais, são distintos nas várias partes do mundo”. A Associação para a Promoção de Actividades Culturais (APAC) afirma-se como uma associação que pretende, mais do que divulgar o jazz, promover actividades ligadas à cultura em vários sentidos. José Duarte, membro do grupo, refere que estão agora a ser dados os primeiros passos, salientando que o próximo ano já tem previsto um plano mais ambicioso. José Duarte refere ainda que “a Ásia é hoje uma área onde existe uma grande actividade na área do jazz” e distingue o género como “uma forma musical capaz de estimular o diálogo entre os músicos, tendo nele uma mensagem de liberdade criatividade e tolerância”. Diferente de outros géneros, o jazz contém elementos de improvisação e diálogo únicos.
Hoje Macau Eventos MancheteDocumentários | Festival arranca hoje na Cinemateca Paixão Este fim-de-semana marca o início do Festival Internacional de Cinema Documental de Macau, que conta no arranque com o trabalho da local Tracy Choi e três projecções de origem portuguesa [dropcap]T[/dropcap]em início hoje, na Cinemateca Paixão, o Festival Internacional de Cinema Documental de Macau (FICDM), com a exibição de “Taste of Youth” de King Wai Cheung, às 20h00. O filme aborda o inevitável conflito geracional em que os desejos de auto-conhecimento e descoberta, característicos da juventude, são confrontados pela ânsia dos pais de que os seus filhos encontrem estabilidade na sociedade, através da vida dos jovens de Hong Kong. King Wai Cheung, realizador premiado, chama a atenção para esta geração tripla em que a X é detentora das preocupações materiais e a Y e Z priorizam a espiritualidade. Domingo dá-se destaque a documentários portugueses com a exibição dos filmes “(Be) Longing”, “Night Without Distance” e Three Weeks in December”, todos com projecção marcada para as 16h30. “(Be) Longing”, uma co-produção entre Portugal, Suíça e França, conta com a realização de João Pedro Plácido e aborda a vida de uma aldeia remota de seu nome Uz, situada nas montanhas do norte de Portugal. Aqui, vive um grupo de cerca de 50 pessoas que reúne quatro gerações e a vida depende da solidariedade interna, sendo que outras dificuldades sentidas são colocadas nas mãos de Deus. Poderiam ter emigrado como tantos outros, mas escolheram antes continuar a viver longe da confusão da modernidade e preservar um estilo de vida já por muitos esquecido. “Night Without Distance” do português Lois Patino aborda a vida dos contrabandistas por entre as montanhas do Gerês no norte de Portugal e a Galiza espanhola. São as rochas, o rio e as árvores que testemunham silenciosamente o negócio, enquanto ajudam os seus actores quando se escondem. A eles, só cabe esperar pela noite para atravessar a distância que separa os dois países. Laura Gonçalves realiza “Three weeks in December”, que conta a história pessoal da formação de laços familiares tendo como referência o seu caderno de esboços pessoal e como conteúdo a sua família. É um filme realizado em formato “diário” que revela uma série de situações e acontecimentos que fazem parte da cultura portuguesa aquando das tradições natalícias em Belmonte, terra natal da realizadora. Estas projecções repetem-se a 28 de Abril à mesma hora. Ainda no domingo, a Cinemateca Paixão exibe às 14h30 “Trucker and the Fox” e às 19h30 “The Look of Silence”. O primeiro vem do Irão e conta com a realização de Arash Lahooti, versando na história de vida do camionista e realizador amador Mahmoud Kiana Falavarjani, que protagoniza as suas produções com animais. Após passar algum tempo internado num hospital psiquiátrico devido ao estado maníaco-depressivo depois da morte de uma raposa, seu animal de estimação e estrela dos seus filmes, Mahmoud recomeça a sua vida à volta de um novo projecto protagonizado pela história de amor de um burro. Será também exibido no domingo, pelas 14h00. O segundo, “The Look of Silence”, é uma co-produção entre Indonésia, Dinamarca e Reino Unido com a realização de Joshua Oppenheimer, em que o realizador segue as pegadas dos perpetradores do genocídio indonésio de 1965. O documentário incide num optometrista de seu nome Adi que decide romper com o sufoco da submissão e terror fazendo o inimaginável dentro de uma sociedade dominada por assassinos. “Sister Kim” é exibido na segunda-feira, às 16h30. Uma realização de Lo Chun Yip de Hong Kong, em que a “irmã Kim”, por detrás da Rua Portland em Mongkok, além dos cafés “artsy” e da música francesa que se vai ouvindo, vive num mundo completamente diferente. Trabalha dia e noite a lavar pratos e é uma das muitas vidas que assim sobrevivem em Hong Kong. À mesma hora há também “I’m here” da local Tracy Choi, e “32+4”, de Chan Hau Chun. No primeiro é abordada a homossexualidade e são focados neste filme os constrangimentos diários de quem vive em cidades pequenas. O segundo retrata a história verídica do realizador, que cresceu separado da família e pouco sabe da sua história. Trauma, tristeza e intrigas num documentário pessoal. O Festival decorre até 1 de Maio.
Joana Freitas EventosCinema | Festival Internacional arranca hoje [dropcap style=’circle’]É[/dropcap]hoje o primeiro dia do Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau (MIFVF, na sigla inglesa), que arranca pelas 19h30 com o filme “Mamã”, no Centro Cultural de Macau. “Mamã” é uma produção canadiana da autoria de Xavier Dolan que retrata a história de uma mãe viúva que dá por si a viver com um filho diagnosticado com hiperactividade e défice de atenção. Os dois mudam de cidade e tentam adaptar-se à nova vida, contando com a ajuda de uma vizinha. Ainda assim, as coisas não são fáceis e a mãe tem de enfrentar diversas crises de violência. Vencedor do Prémio do Júri em Cannes, em 2014, o filme de 138 minutos estreia em Macau hoje, antes de “De Longe”, a história de Lorenzo Vigas sobre dois homens que se encontram numa relação difícil ao mesmo tempo que enfrentam problemas de ordem social e pessoal. Um filme made in Venezuela e México que conta uma história de amor numa sociedade homofóbica e de famílias disfuncionais. Esta, que é a primeira película do realizador, foi vencedora do Leão de Ouro para Melhor Filme em Veneza, e passa no CCM amanhã, pelas 21h30. Sempre a rodar O MIVFV continua sábado, desta vez com “Rapazes Bailarinos”, pelas 16h30, e “Se as Montanhas se Afastam”, pelas 21h30. Domingo é a vez de “Coração Canino”, pelas 16h30, e “A Façanha”, marcado para as 19h30. “Rapazes Bailarinos”, de Keneth Elvebakk, da Noruega, retrata a vida de três jovens que dançam Ballett e têm de enfrentar olhares críticos até chegarem ao ponto mais alto da sua carreira. O segundo filme marcado para amanhã, da autoria da chinesa Jia Zangke, retrata a paixão de dois homens por Tao, “a rapariga mais bela da cidade”, que opta por se casar com o mais rico deles e com quem tem um filho. Mas a criança é afastada da mãe pelo pai, após uma separação, e parte para a Austrália, esquecendo-se de toda a sua vida anterior. “Se as Montanhas se Afastam”, de 126 minutos, conseguiu o Prémio de Melhor Guião Original no Festival de Cinema Cavalo Dourado, em Taiwan. “Coração Canino”, de Laurie Anderson, esposa do músico Lou Reed, fala da morte do artista, da mãe e da sua cadela. Um filme que explora “a relação pioneira que temos com os animais”, como indica a organização, ao mesmo tempo que “é também pessoal”. Já “A Façanha”, de Christian Zubert, conta a história de um homem com uma doença fatal que viaja, pela última vez, com o seu grupo de amigos. O Festival continua em Maio, com os Macau Indies e outros filmes internacionais. Os bilhetes custam 60 patacas e os filmes passam no pequeno auditório do CCM.
Hoje Macau Eventos MancheteTashi Norbu, pintor: “O meu trabalho não é político, é cultura” Tashi Norbu é um dos artistas presentes na exposição “Tibete Revelado”, que inaugura amanhã na Galeria iAOHiN. Nascido exilado no Butão e de ascendência tibetana, Norbu fala do seu percurso e da arte que pretende fazer o upgrade dos tradicionais thangka, uma linguagem universal [dropcap style=’circle’]T[/dropcap]odas as carreiras têm um início. Como é que foi no seu caso o começo do gosto pela pintura? Nasci no exílio. Os meus pais foram para o Butão ainda eram crianças, com os meu avós. Nasci no Butão em 1974. Desde criança que sempre gostei de ver quadros e de desenhar. Há poucos anos reencontrei uma prima minha do Butão que me disse que eu mesmo a dormir sonhava e mexia as mãos como se estivesse a desenhar. Já desenhava a sonhar. Lembro-me também que passava o tempo a desenhar no chão, não havia livros de desenho ou de esboços e os cadernos que existiam era para escrever documentos e coisas importantes. Por isso, eu só tinha o chão para desenhar. Foi também nessa altura que o meu avô me disse que eu iria tornar-me um “Lhabri”, que quer dizer um pintor Thangka, ou pintor de Deus, e isso foi uma grande inspiração para mim. Na altura, fiquei surpreendido porque não sabia grande coisa do que era Arte e ainda hoje acho que esta foi uma situação que me inspirou para o futuro. E como é que começou efectivamente a aprendizagem? Depois do Butão fui para a Índia, para uma para uma escola normal tibetana, que também está na origem de ter feito o livro que lancei recentemente. De onde venho no Butão – e depois na Índia – não havia nenhuma arte contemporânea, lembro-me de ver a arte tradicional que se fazia e que era, para mim, tão aborrecida que não conseguia sequer ver o Buda. Lembro-me que um dia espreitei para o salão onde estavam os pintores e não conseguia ver nada, eram demasiadas coisas, não era inspirador, para mim. Não havia lá nada. Nesta escola havia também um professor de desenho que só nos pedia para desenhar pássaros e coisas do género, para mim não havia nada naquilo. Aprendia mais até por mim, sentava-me e desenhava sem parar, aqui já em papel. Mais tarde entrei para o liceu, mas continuava sem inspiração exterior, tudo o que fazia vinha de mim. Depois comecei a desenhar na escola. Estava num dormitório e comecei a pintar as paredes de lá e a fazer outros desenhos. As pessoas começaram a querer os meus desenhos e mais tarde já me davam comida e outras coisas em troca deles. Digamos que viver como artista terá começado no liceu, o que foi muito engraçado. Depois também tinha o hábito de fazer retratos e toda a gente mos pedia. Mas o estudo de Artes mesmo é devido efectivamente à directora da escola onde andava que foi a primeira mulher a ser directora de uma escola tibetana. Era uma pessoa muito moderna, tendo sido convidada pelo Dalai Lama para trabalhar com ele. Mas ela gostava era de crianças e de ensinar, vindo a ser responsável pelo funcionamento de várias escolas naquela região. Esta directora foi uma influência muito importante para mim e foi ela que me quis mandar para uma escola de Arte na Índia. A ideia no início não me agradou, porque queria era estudar arte ocidental e não era possível ter aceder a ela na Índia. Já tinha então contacto com a arte ocidental… Sim, tinha. Quando andava no liceu tinha conseguido arranjar uma pequena colecção de livros que se chamava “Grandes artistas” e que era referente aos artistas ocidentais da Renascença como Miguel Ângelo, e era o trabalho deles a minha maior inspiração. Na arte do Renascimento o corpo tem movimento. Não era grande adepto de Van Gogh, Cézanne ou Monet, para mim era aborrecido. Gostava mesmo era da arte figurativa dos renascentistas, especialmente de Miguel Ângelo e de Da Vinci. Por exemplo, nos meus “Monges Voadores” (pintura em exposição) penso que se percebe bem a influência desses artistas. A pintura thangka para mim também era uma pintura parada, sem movimento, e eu queria era movimento. Estes artistas renovaram a arte antiga e eu queria fazer o mesmo com os thangkas tradicionais tibetanos. Sair do ouro e do detalhe e fazer o upgrade. Tashi Norbu por Sofia Mota Mas a sua formação também passou pelos thangka… Sim, a directora da minha escola acabou mesmo por me enviar para uma escola de arte na Índia. No início, não queria ir porque já tinha a minha inspiração da pequena colecção que possuía e pensei, sendo esses artistas da Europa, seria para aí que eu deveria ir, para a fonte da minha inspiração. Mas depois pensei que os thangka só existem no Tibete e também na Índia e foi quando achei que poderia ser uma oportunidade de estudar essa arte e foi isso que fiz. E acabou por ser a melhor coisa que fiz na minha vida. Porquê? O que foi que o fez mudar de opinião? Depois do liceu fui então para a Escola de Arte de Dharamsala onde aprendi com um grande mestre thangka, que tinha vindo recentemente do Tibete e que era recomendado pelo próprio Dalai Lama. O seu nome era Ven Sangye Yeshi e ter estudado com ele foi muito positivo durante os cerca de sete anos que essa aprendizagem durou. Foi engraçado eu ter ido estudar Artes porque todos os meus colegas ingressaram na universidade e eu fui para uma escola de pintura e eles riam-se de mim. Na Índia, só se vai aprender Arte se não se for bom para mais nada. Eles pensavam que eu tinha sido um fracasso. Mas não, foi uma escolha minha e foi muito difícil, porque os nossos pais também esperam que sigamos outro tipo de carreiras. Após os sete anos em que estudei arte tibetana, fui para a Bélgica onde estudei arte ocidental. Depois disso, fiquei na Holanda, onde desenvolvi a minha carreira e onde também resido. Aqueles anos que passei na Índia a aprender thangka foram realmente a melhor parte da minha carreira porque há milhões de pessoas a pintar arte ocidental, mas eu era o único que também sabia a arte thangka. E por causa disso, podia combinar ambas e, se não tivesse sido nessa altura, nunca mais poderia ter tanto tempo para a aprender, o que foi óptimo. Como é para si juntar a arte tradicional com a arte ocidental? Os meus estudos ocidentais são talvez os meios que encontrei para falar ao mundo. Com essa linguagem contemporânea utilizo uma forma de comunicar que se entende e o que eu coloco no interior são motivos tibetanos, mais precisamente no que respeita ao desenho ou à cor, ou padrão. Então, estes juntos conseguem comunicar com o mundo. O budismo tibetano neste momento é muito popular em todo o lado, especialmente no sentido em que é uma filosofia que pode ser considerada benéfica para o mundo. É uma filosofia altamente académica que quer servir o mundo inteiro cujas imagens são representadas pela pintura thangka. Eu estudei isso e, então, de alguma forma, também pretendo trazer essa parte artística da teoria budista que muitos não vêem. E quero trazer isto através da minha arte contemporânea, o que faz com que me sinta uma espécie de artista do Renascimento entre os tibetanos. Acho que sou um romântico, no fundo. O que pensa então acerca do conhecimento do mundo sobre a arte no Tibete? A arte tibetana é essencialmente a pintura thangka, feita nos últimos 2000 anos, o que significa que falar de arte contemporânea do Tibete ou thangka, neste sentido, é o mesmo. Penso que o início da arte tibetana contemporânea está a acontecer agora que está a chegar ao mundo. No mundo da Arte em termos gerais, o próximo tópico de discussão será mesmo a arte do Tibete. Nos últimos anos já se sente que as pessoas fazem muita perguntas e isso faz com que eu também esteja mais ciente do meu papel. Neste momento continuo a estudar muito, não é que puxe o assunto da arte do Tibete, mas o mundo procura-o e precisa dele e penso que este será o maior tópico na arte nos próximos cinco a dez anos. Não só por causa do talento artístico mas devido a toda a filosofia que está por detrás dele. Enquanto que outras artes antigas já são exploradas no mundo, como a japonesa ou a coreana que também já passaram por transformações recentes, a nossa ainda continua antiga e ao mesmo tempo muito nova e desconhecida no mundo. Um novo diferente que também está a ser criado e que virá brevemente ao conhecimento geral. Sente que tem um papel nessa história? Se calhar sim. Por exemplo, convivo com cerca de dez ou 12 artistas do Tibete que também levam essa arte ao mundo, o que para mim é muito, mas que para o mundo são muito poucos. Acho que de alguma forma temos muita sorte por isso, mas por outro lado temos que ter muito cuidado na forma como lidamos com isso. Eu e os meus amigos tibetanos discutimos frequentemente este assunto, o que dizer e como. O Tibete é a fonte da sua arte. Já teve oportunidade de o conhecer? Nunca lá fui, mas gostava muito. Não sei como é o Tibete. É a primeira vez que mostra o seu trabalho na China. O que representa para si? Acho que pode ser um bom começo. O meu trabalho não é político, é cultura. Sendo eu tibetano não poderia pintar de outra forma. Infelizmente ser tibetano muitas vezes já implica política. E acho que é muito bom estar a expor em solo chinês, enquanto artista exilado que veio de tão longe para mostrar o seu trabalho. As pessoas na China percebem o meu trabalho. Projectos futuros? Neste momento [estou focado] no livro que lancei recentemente que contém imagens de trabalhos meus dos últimos anos e que quero utilizar para ajudar no desenvolvimento da educação artística, essencialmente na Índia. É um livro que irei distribuir em todas as escola tibetanas e imprimimos cerca de sete mil para distribuir em todo o mundo. Não tive esta inspiração quando estudava, por isso vou fazer isso pelos que estão agora a estudar e sinto-me muito orgulhoso com isso. Em Setembro, Outubro e Novembro vou andar a dar palestras nas escolas tibetanas acerca de arte contemporânea.
Joana Freitas EventosModa | Paulo de Senna Fernandes vence concurso em Itália [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]estilista macaense Paulo de Senna Fernandes venceu o prémio “Silver Prize” do concurso internacional A’ Design Award 2015-2016, que teve lugar em Itália. Num comunicado enviado aos média, Senna Fernandes explica que foram mais de dois mil os participantes. “Foi uma honra e sinto orgulho em ter competido num concurso de alto nível. Foram os famosos júris do mundo a avaliar os concorrentes e acharam que o meu vestido era um dos mais belos, revelando ser de alta costura por isso deram um valor de +4 e assim ganhei o Silver Prize”, indica. A apresentação de “Wonderful World”, tema escolhido por Paulo de Senna Fernandes, de um vestido preto e vermelho ao estilo Oriental foi feita tendo em conta a vontade do estilista em “mostrar que em Macau há talentos e levar o nome da RAEM a todo o mundo”. Até porque, assegura, o também presidente da Associação Moda Macau acredita “ter capacidade de transformar uma cidade tão pequena numa ‘Fashion City’”. No comunicado, Paulo de Senna Fernandes frisa ser o único estilista da RAEM a procurar o reconhecimento de prémios internacionais, sendo este o seu nono prémio. “Desejo que o Governo possa dar mais apoio e que esta indústria da moda não pare.” Para vencer o prémio Silver, o júri valoriza o design a função da peça em conjunto com a facilidade de utilização.
Hoje Macau EventosTibete | Mestre thangka pela primeira vez na RAEM A primeira saída do mestre da arte thangka Liben Tashi do Tibete é para marcar presença na exposição “Tibete Revelado” em Macau, que inaugura amanhã na Galeria iAOHiN. Perante a “surpresa e a alegria”, Tashi salienta o orgulho e importância do seu trabalho enquanto forma de divulgação das especificidades que o compõem [dropcap style=’circle’]L[/dropcap]iben Tashi é um mestre da arte tradicional dos thangka tibetanos e está em Macau, naquela que é a primeira vez em que sai do Tibete. Chega ao território para apresentar os seus trabalhos na exposição “Tibete Revelado” que inaugura amanhã na Galeria iAOHiN, pelas 18h00. O artista de 29 anos começou a sua aprendizagem quando tinha 13 – idade tibetana, que, como disse ao HM, seriam os 12 na contagem tradicional, uma vez que no Tibete no momento da nascença já se tem um ano. Nesta altura, e ao contrário dos seus contemporâneos, foi aprender com um mestre desta arte que não era um monge, mas sim um local de Rebgong, onde Tashi agora vive e desenvolve o seu trabalho. A sua dedicação aos thangka vem do amor pela cultura tibetana e pela sua comunidade, ao mesmo tempo que representa uma forma de sobrevivência. Sendo a primeira vez que está fora da região, o artista menciona que ainda não teve tempo de detalhar as diferenças mais do que de forma geral e apontando a arquitectura ou o movimento das ruas como algumas delas. Ter a sua arte fora do Tibete não é novidade, visto os seus trabalhos já terem sido expostos várias vezes pelo mundo. Novidade é Tashi poder estar presente visto ser uma oportunidade para que o artista possa conviver com outras perspectivas e outros colegas e assim partilhar experiências e conhecimentos, concretizando um momento muito especial, como confessa ao HM. Perpetuar conhecimento Acerca do papel da arte tibetana, o artista aponta a necessidade de a manter viva, sendo da maior importância este tipo de divulgação bem como o sucesso que com ela se tem registado. Alerta que neste momento há muitas minorias culturais no Tibete a morrer, sendo que esta exposição e este tipo de divulgação crescente representam uma forma de protecção da cultura tibetana no geral por possibilitar o acesso à mesma por cada vez mais pessoas. A arte thangka em particular é tida pelo artista como uma forma especial e única de contar uma história e não pedaços da mesma, visto estas telas de rolo serem sempre a representação do todo. Para o futuro está a vontade de continuar a estudar para que Tashi, agora também ele mestre que ensina, possa transmitir mais e melhores conhecimentos aos seus alunos, no desejo de perpetuação do conhecimento dos thangka.
Hoje Macau EventosClube Militar | IIM apresenta dois livros de João Guedes no sábado [dropcap style=’circle’]D[/dropcap]Clube Militar vai ser palco no próximo sábado, pelas 15h45, do lançamento de dois livros recentemente publicados pelo Instituto Internacional de Macau e da autoria do jornalista João Guedes. Intitulados “Padre Áureo Nunes e Castro – Missionário, músico e pedagogo” e “Macau Confidencial”, os dois títulos ajudam a compreender melhor a história de Macau, adianta a organização. O primeiro aborda uma “ilustre” figura, o padre Áureo Nunes e Castro, que nos remete para a identidade cultural de Macau e para a sua vida como missionário e pedagogo, que são acompanhadas por memórias musicais. Já “Macau Confidencial” revela-nos a situação de um clima de conspiração, secretismo e aventura, durante o fim do século XIX, em que Macau foi palco de divergências entre diferentes ideologias até ao período da II Guerra Mundial, ou Guerra do Pacífico, conceito geopolítico que melhor se enquadra na peculiar situação geográfica da cidade do Rio das Pérolas, aquando do domínio da presença de japonesa. A sessão contará com a presença do presidente do IIM Jorge Rangel e do autor João Guedes, enquanto as apresentações serão realizadas pelo Maestro Simão Barreto e por José Rocha Diniz. O evento conta ainda com a actuação do Coro Perosi, que interpretará duas obras do arranjo do Padre Áureo – “Donzela junto do Lago”, uma canção tradicional chinesa, e o “Te Deum”. A entrada é livre.
Joana Freitas EventosMAM | Gravuras de Catherine Cheong em exposição Os amigos, os senhorios, colegas de trabalho – todos serviram de inspiração à artista Catherine Cheong para a exposição que inaugura amanhã no MAM [dropcap style=’circle’]I[/dropcap]naugura amanhã a mostra “Encontro – Gravuras de Catherine Cheong Cheng Wa”, uma exposição que terá lugar no Museu de Arte de Macau (MAM). Catherine Cheong é licenciada em Design Gráfico pelo Instituto Politécnico de Macau em 2003, tendo vencido prémios com a sua arte já anteriormente. A exposição, que inaugura amanhã pelas 18h30, reúne dezenas de trabalhos da autora, que “retratam as experiências e vivências” da artista durante a sua estadia em França, onde estudou e se licenciou em Artes Visuais. “Senhorios, inquilinos e as suas casas. Amigos provenientes de todo o mundo, colegas de trabalho, colegas e professoras de escolas de línguas e da escola de belas artes, etc. Cada pessoa tem a sua cultura, passado e costumes, mas foi através de intercâmbios que a autora ficou a compreender amizades sem barreiras linguísticas e a conhecer-se a si própria através de um processo de percepção da natureza humana, de apreensão por experiência própria do bem e do mal, de criação de um sistema de valores individual e de abordagem de vida”, indica a organização, apresentando as obras de Catherine. A artista, diz o MAM, tenta ainda gravar cada pessoa que conhece numa espécie de retrato de autor procurando peças valiosas seja para a autora seja para os retratados, dando assim a conhecer a história entre essas pessoas e ela própria. Vinda de França A exposição está inserida na Montra de Arte de Macau, que tem como objectivo incentivar a criação e promover o desenvolvimento da arte contemporânea no território. Catherine Cheong regressou de França em 2008, tendo trabalhado na Administração Pública como designer de exposições, participando em diferentes tipos de exposições de arte e especializando-se em gravuras. Colaborou com “Histórias de Macau 2 – Amor na Cidade” e em outros filmes, como directora artística de cinema e apoio à organização de exposições de arte. Em 2015, Cheong venceu o primeiro prémio no concurso internacional de “Segunda Trienal de Gravura de Macau” com a obra “Gentes de Macau”. A mostra “Encontro – Gravuras de Catherine, Cheong Cheng Wa” está patente até 5 de Junho e a entrada é livre. J.F.
Hoje Macau EventosNovo livro de António Caeiro conta relacionamento entre Portugal e China [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]novo livro do jornalista António Caeiro conta histórias do relacionamento Portugal-China entre 1949-1979 e da atracção que a revolução chinesa exerceu sobre alguns actuais líderes portugueses. “A China está hoje muito presente na vida portuguesa, com empresas, lojas chinesas, um grande número de turistas, mas há uma relação mais antiga que não era conhecida do grande público”, desenvolvida ao longo de um período em que os dois países não mantinham relações diplomáticas, mas os contactos oficiosos nunca foram interrompidos, afirmou o antigo correspondente da agência Lusa em Pequim. Foi “uma surpresa” compreender esse relacionamento e a dimensão da influência do maoísmo em Portugal ao longo daquele período, declarou. “Foi uma surpresa para mim e para muitos portugueses da minha geração e mais novos”. “Houve uma grande atracção de Portugal pelo comunismo chinês como não houve em outros países”, disse Caeiro, sublinhando que parte da actual elite portuguesa foi maoísta na juventude. O autor citou o historiador José Pacheco Pereira, na apresentação da biografia do fundador do Partido Comunista Chinês “Mao, a História Desconhecida”, de Jung Chang e Jon Halliday, quando este disse que “a passagem pelo maoísmo é um elemento muito importante da História contemporânea” portuguesa. Pacheco Pereira “passou” pelo maoísmo, no início da década de 1970. Após a queda da ditadura, aderiu à “esquerda liberal” e a seguir filiou-se no Partido Social-Democrata (PSD). Caminho flexível António Caeiro, que viveu mais de dez anos em Pequim, destacou Macau como um “fenómeno único do mundo”, que traduz a relação singular entre Portugal e a China. “Ao longo de muito tempo conseguiram arranjar ali, através daquilo que podemos chamar ‘flexibilidade do bambu’, por muitos tufões políticos e económicos que surgissem, uma maneira de todos saírem bem”, sublinhou. Para contar estas histórias de vários intervenientes portugueses, chineses, macaenses e das ex-colónias, António Caeiro tentou encontrar “todas as pessoas que estiveram em contacto com a China ao longo desses trinta anos”. “Consegui quase todos (…) Alguns poderão aparecer depois da publicação do livro, o que será ainda melhor”, considerou, explicando ter escrito “Peregrinação Vermelha: O Longo Caminho até Pequim” ao longo de uma década. Para o jornalista, a história mais impressionante e dramática que contou foi a de Viriato da Cruz, poeta fundador do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola, actualmente no poder), que viveu e morreu em Pequim. A 1 de Outubro de 1966, Viriato da Cruz discursou na praça Tiananmen perante um milhão e meio de pessoas e ao lado de Mao. Morreu em Junho de 1973, num hospital, depois de ter caído em desgraça e foi abandonado por todos. A mulher e a filha só conseguiram sair do país no verão de 1974, após a polícia política portuguesa ter autorizado a concessão de um passaporte. “A amizade Portugal-China é uma história com ‘H’ grande e estas são as histórias de uma história maior e mal conhecida”, concluiu. Este é o terceiro livro de António Caeiro sobre a China. O primeiro “Pela China Dentro: Uma Viagem de 12 Anos” foi publicado em 2004 e o segundo “Novas Coisas da China – Mudo, Logo Existo” em 2013.
Hoje Macau EventosProjecto dedicado à gastronomia internacional passa pela RAEM Gonçalo Loureiro e João Delicado são os mentores do projecto que quer pôr o mundo a saber o que nele se come, sendo Macau o ponto de partida numa “feliz coincidência”, dado o simbolismo que acarreta [dropcap style=’circle’]”[/dropcap]Nas bocas do mundo” é o projecto de Gonçalo Loureiro e João Delicado, iniciado há cerca de dois anos e meio, que pretende abordar “tudo aquilo que anda literalmente nas bocas do Mundo” como sobressai na apresentação do blogue que concretiza o projecto. O primeiro, publicitário e crítico gastronómico, também colaborador da revista Sábado, e Luís Delicado, colega do mundo da publicidade, querem, através de imagens textos e vídeos, contar as histórias cujo enredo consista “nos segredos da gastronomia no mundo”, como diz Gonçalo Loureiro ao HM. Foi com a introdução do vídeo que João Delicado foi convidado a participar: esta é uma plataforma importante em que, através do registo multimédia, é possível “transportar as pessoas aos lugares”, como afirma João Delicado. Sendo seu intuito percorrer os sabores do mundo, muitos têm sido os esforços para que, nas suas tentativas de apoio, sejam vistos enquanto mais que “uns miúdos que querem comer e beber”, como diz um dos mentores referindo-se às dificuldades que têm tido no que respeita à aquisição das ajudas necessárias à continuidade do projecto. No entanto, e numa “feliz coincidência”, a primeira resposta de interesse veio de Macau por parte do Rudolfo Faustino, coordenador do Centro de Promoção e Informação Turística de Macau em Portugal, que considerou relevante esta iniciativa de querer conhecer e divulgar “mais do que os casinos, museus ou os pastéis de nata de Macau”, adianta Gonçalo Loureiro ao HM. Para os criadores do projecto, a região tem ainda um interesse simbólico a ter em conta, na medida em que terá sido um importante ponto de chegada da gastronomia portuguesa e sendo agora o ponto de partida deste projecto na sua incursão por terras mais distantes. Sem perder a oportunidade, Gonçalo Loureiro e Luís Delicado põem as mãos à obra e tiram férias para vir trabalhar. Ficaram cinco dias na região e, sem serem derrotados pelo jet lag, afirmam a gratificação que sentem com a abordagem nos sabores locais. Da rua ao luxo Em Macau, imperou o improviso num conjunto de experiências que andaram desde a comida de rua aos mais prestigiados restaurantes. Num primeiro momento, com a condução do chef Martinho Moniz, puderam ir à pesca com os pescadores locais e daí, em cooperação com uma loja de comida de rua, fizeram a tradicional cataplana portuguesa, tendo sido também confeccionada a feijoada macaense. Gonçalo Loureiro adianta ainda a surpresa sentida quando verificaram o “crescente número de pessoas que os iam rodeando movidas pela curiosidade”. Por outro lado, e com o gastroenterologista Shee Vá, surgiu a ideia que “no fundo dá mote a toda a iniciativa,” de fazer uma “viagem” que percorra a cozinha de Macau nos estômagos de cada um, sendo que foi ainda uma oportunidade de perceber tanto a autenticidade, como a segurança do que se vai ingerindo com a “comida de rua”. A experiência permitiu ao mesmo tempo salientar outros aspectos, como a ligação que sentiram entre as duas culturas – Portugal e Macau – ilustrada com as semelhanças sentidas entre mercearias e farmácias da medicina tradicional chinesa, bem como este “interface entre a gastronomia e a medicina”. O “Tacho” não foi esquecido e terá sido apreciado por ambos aquando do seu conhecimento por Florinda Morais Alves, da Confraria da Gastronomia Macaense, em que se fica com a sensação, dizem, de “um cozido à portuguesa de cá”. Pela passagem de Macau fica ainda a ideia da necessidade de mais promoção da gastronomia macaense e de Macau, sendo que aqui a comida está “no melhor que se poderá encontrar na Ásia”. Além disso, diz, há que perceber que “as tradições da terra” se possam diluir, remata Gonçalo Loureiro. Os dois mentores do “Bocas do mundo” chegaram a Macau, já passaram por Hong Kong e estão agora na Tailândia, sendo que a descoberta dos segredos das mesas onde se vão sentando podem ser acompanhados em https://nasbocasdomundo.com.
Hoje Macau EventosAFA | Tong Chong expõe pinturas na próxima semana “Quanto mais depressa correres mais seguro estarás” dá o mote para “The Good World”. A mais recente exposição de pintura de Tong Chong convida a entrar num mundo em que, não havendo mais onde viver, é altura de fugir, de procurar um novo lar, de regressar a uma segurança desejada [drocap style=’circle’]A[/dropcap]bre ao público no próximo dia 27 de Abril, pelas 18h30, a exposição de pintura de Tong Chong “The Good World”, na Art for All Society (AFA). A mostra inclui um total de 26 trabalhos da série “Wilderness”. Nascido em 1977, Tong mudou-se para Macau em 1984 e tem-se dedicado à criação artística há mais de dez anos, tendo neste momento e segundo a organização, um papel central na arte contemporânea da região. O nome da exposição é inspirado no Cantonês “zau dak fai, ho sai gaai”, cujo significado será “quanto mais depressa correres, mais seguro estarás”. Ao olhar para as criações de Tong podem ser notados alguns elementos humorísticos, sendo que por detrás das suas pinturas há sempre uma questão digna de reflexão, adianta a organização. Tong recorre ao uso de animais enquanto personagens nos seus trabalhos da série “Wilderness”, em que os mesmos apesar de representados com características de felicidade, estão muitas vezes inseridos num fundo desértico e vazio constituindo um conceito marcado pelo contraste em que o artista pretende que o público se debruce, acerca da questão da relação entre o homem e o animal. Numa sociedade contemporânea em que os desenvolvimentos tecnológicos também abarcam o levantamento de questões e dilemas relativos ao progresso e com o aumento das necessidades das pessoas, os animais que anteriormente viveriam entre a natureza também têm que mudar hábitos. Nas pinturas de Tong estes animais são representados constantemente a correr, a fugir, como quem perdeu o seu lar. “Zau dak fai, ho sai gaai”, pode assim ser interpretado como aquando da chegada de problemas o melhor será fugir enquanto possível, levantando ainda a questão de se haverá ou não algum lugar de destino a salvo. A exposição estará patente até 21 de Maio e conta com entrada livre.
Hoje Macau Eventos25 de Abril | João Afonso actua terça-feira no CCM [dropcap style=’circle’]O[/dropcap] músico português João Afonso vai actuar em Macau na próxima terça-feira, num concerto integrado nas comemorações do 25 de Abril em que vai dar a conhecer o seu mais recente álbum “Sangue Bom”. O álbum foi editado em Fevereiro de 2014 e é constituído por 14 canções, todas compostas por João Afonso, exclusivamente com poemas dos escritores José Eduardo Agualusa e Mia Couto, de quem é amigo e “grande admirador das suas obras”. “Neste concerto vamos apresentar as canções de ‘Sangue Bom’ mas iremos também viajar no universo do meu trabalho, desde [o álbum] ‘Missangas’, e apresentar canções do meu tio José Afonso relacionadas com o 25 de Abril e com a liberdade”, disse à agência Lusa João Afonso. “Sangue Bom” é o sexto álbum de João Afonso, seguindo-se a “Missangas” (1997), “Barco Voador” (1999), “Zanzibar” (2002), “Outra Vida” (2006) e “Um Redondo Vocábulo” (2009). “Com a excepção de ‘Um Redondo Vocábulo’, que se compõe de canções de José Afonso, “Sangue Bom” tem a particularidade de não ter palavras ou textos meus, ao contrário dos restantes CD. Este trabalho tem músicas minhas sobre os poemas de dois grandes escritores e grandes amigos: José Eduardo Agualusa e Mia Couto”, destacou. Macau no coração Com várias passagens por Macau e outras partes da Ásia, o músico recordou a actuação na RAEM em 2008 com o pianista João Lucas para fazer a apresentação do trabalho “Um Redondo Vocábulo”. “Macau está presente na minha vida e no meu imaginário desde sempre pois o meu pai viveu aí na infância e ainda hoje tenho familiares muito próximos e alguns amigos em Macau. No ‘Barco Voador’ tenho uma canção dedicada a Macau chamada ‘Rio das Pérolas’”, afirmou. “Todos os públicos são especiais e com características diferentes. Macau é particular e, apesar da distância geográfica, sinto que há uma atenção especial pelo que se faz em Portugal. Tenho sido sempre recebido com muito carinho por um público atento e participativo com o qual tenho muita vontade de partilhar as novas canções”, acrescentou. Por outro lado, considerou emocionante cantar e comemorar em Macau a “Revolução da Liberdade”. O concerto de terça-feira, que acontece no Centro Cultural de Macau às 20h00, é promovido pela Casa de Portugal em Macau. No âmbito das comemorações do 25 de Abril vai ser ainda apresentado um disco com poemas alusivos à data de vários poetas portuguesas e musicados por artistas que trabalham com esta associação, disse a presidente Casa de Portugal, Amélia António, à Rádio Macau. Os bilhetes custam 50 patacas. LUSA/HM
Hoje Macau EventosCasa Garden | Exposição de pintura a óleo inaugura na terça-feira Levou oito anos a ler o livro “O Sonho do Pavilhão Vermelho” e agora retrata-o em diversas pinturas a óleo. Obras para ver na Casa Garden a partir da próxima semana [dropcap style=’circle’]A[/dropcap] galeria principal da Casa Garden vai inaugurar a 19 de Abril, pelas 18h30, a exposição de pintura a óleo de Zhang Bin “O Sonho do Pavilhão Vermelho”, numa iniciativa da Fundação do Oriente. Segundo o curador Yao Feng, esta exposição tem origem num desafio a que o artista se propôs para uma interpretação do livro homónimo do título da exposição. O “Sonho do Pavilhão Vermelho” de Cao Xueqin é um livro clássico com uma forte conotação cultural. “Na China, não há nenhuma outra obra de literatura que expresse de forma tão magistral a beleza da natureza humana como este livro”, acrescenta o curador, sendo que existe um grande número de artistas na área da literatura, pintura, teatro, cinema e outras formas de arte que têm interpretado este clássico da literatura. Em forma de pintura, Zhang Bin é um dos poucos que terá posto mãos à obra. “Não importa de que forma, para mostrar o profundo significado do Sonho do Pavilhão Vermelho é preciso lê-lo e amá-lo.” Zhang Bin, após oito anos de leitura, mostra agora ao mundo uma série de pinturas inspiradas na obra em que “o objecto da pintura é a alma, tentando, na sua forma original, mostrar uma ideia bonita e irreal através da alternância da cor do mundo, com a expectativa de conduzir o observador através do sonho que ele pretende representar”, remata o curador. Identidade O artista é natural da cidade de Harbin e estudou na Faculdade de Design e Belas Artes e no Centro de Artes Performativas em Pequim, de 1989 a 1994. Em 1994, formou-se e foi destacado pelo Governo Central para o “Orient Song and Dance Group” como designer. Tem desempenhado sempre funções de designer e foi responsável pela concepção de palcos em algumas grandes companhias de arte performativa de música e de dança, como a Beijing TV Party, a Shangai TV Party, a Shanghai International Automobile Expo, etc. Tem exposto na China e em diversas partes do mundo, como nos Estados Unidos, Coreia, etc. As suas obras já foram referidas em diversas publicações e fazem parte de colecções nacionais e estrangeiras. A exposição estará patente até 19 de Maio e conta com entrada livre.
Hoje Macau EventosExposição da arte de Weingart estará patente em Macau [dropcap style=’circle’]I[/dropcap]naugura amanhã, pelas 18h30, na Galeria do Tap Seac, a exposição “Tipografia Weingart” do designer internacional homónimo. Com a exibição de mais de 200 obras, esta mostra foi curada especialmente pelo Museu de Design de Zurique para o artista, sendo que todas as peças são pertença das colecções do próprio museu. Weingart, segundo a organização, é visto como “enfant terrible da tipografia moderna suíça”, cabendo-lhe ainda o título de mentor da revolução desta arte na medida em que representa a “escrita de um novo capítulo na história internacional do design”. Terá dado início à violação das regras estabelecidas na tipografia a partir de meados dos anos 60, “libertando as letras do espartilho do ângulo recto, reajustando os espaços entre as letras e reorganizando a sua composição topográfica”. Nos anos 70 começou o processo de transformação de filmes de reticula em colagens depois impressas em offset numa espécie de prelúdio da amostragem digital da “Nova Vaga” pós-moderna, ao mesmo tempo que esgotava a manualidade da impressão tipográfica. São também conhecidos os seus trabalhos posteriores em que faz uso da fotocopiadora nas suas criações. Actualmente é também professor na Escola de Design de Basileia e tem deixado marca em várias gerações de designers. Mais abrangente De modo a proporcionar aos visitantes a possibilidade de apreciação da arte e da composição tipográfica característica dos trabalhos do designer, marcada pelo uso da colagem e da combinação de diversas técnicas no desenvolvimento das suas obras, a organização adianta que a exposição foi especialmente concebida de modo a que incluísse um leque abrangente e representativo de trabalhos, tendo sido seleccionadas peças que contemplam diferentes temas entre os quais obras experimentais provenientes do projecto “Composições Circulares” das “Imagens de Linhas” bem como vários estudos e experiências de “ A Letra M” e ensinamentos do próprio autor através de obras dos seus alunos em que o visitante poderá aceder aos seus métodos de ensino. Este evento é organizado pelo Instituto Cultural e conta com o apoio do Consulado Geral da Suíça em Hong Kong e Macau, do Instituto de Design, o Instituto de Educação Vocacional e da “Conecting Spaces” e estará patente até 12 de Junho, com entrada livre.
Hoje Macau EventosMúsica | Rádio Macau convida população a assinalar dia do disco Idos os tempos de andar na rua com o disco debaixo do braço para emprestar ao amigo, há ainda quem não queira deixar este objecto de lado. O “Record Store day” existe para o lembrar e o território também quer fazer parte. Assim, a Rádio Macau vai dar essa possibilidade a quem quiser mostrar o seu vinil preferido, num programa durante todo o dia de amanhãPessoal e transmissível O convite é “mesmo para todos” e as escolhas são pessoais, do mais antigo ao mais recente amante do vinil e aos djs que possuem colecções substanciais. Os interessados devem dirigir-se amanhã ao longo do dia, de vinil na mão, às instalações da Rádio Macau, no sétimo andar do Edifício Nam Kwong. O “Record Store Day” foi criado em 2007 por um conjunto de lojas de discos independentes e dos seus funcionários de forma a celebrar e divulgar a sua cultura única. O primeiro foi celebrado a 19 de Abril de 2008 e desde aí todos os terceiros sábados desse mês são festejados, sendo que actualmente a comemoração já cobre o mundo inteiro. O dia é ainda assinalado com a promoção das mais diversas iniciativas que incluem vários eventos, lançamentos de edições especiais de CDs e vinil e de produtos promocionais associados.
Hoje Macau EventosPatrick Deville na Livraria Portuguesa este sábado [dropcap]O[/dropcap] autor francês Patrick Deville vai estar na Livraria Portuguesa no próximo sábado, pelas 18h00 para uma conversa acerca do seu percurso enquanto autor, do seu trabalho e do projecto “Casa dos Escritores e Tradutores Estrangeiros”. Numa iniciativa promovida pela Alliance Française de Macau, em conjunto com o Festival Literário Rota das Letras, os interessados poderão conhecer mais detalhadamente Patrick Deville e o que é, para ele, ser também escritor de viagens. Segundo a organização, Deville não escreve histórias de viagens, mas sim crónicas protagonizadas por personagens excepcionais, que o autor vai procurando aquando das suas deslocações. Também director da “Casa dos Escritores e Tradutores Estrangeiros” em França, cargo que “encaixa nesta sua paixão pelas histórias de outros lugares”, este é ainda o lugar que representa uma espécie de “céu que dá as boas vindas a autores de todos os cantos do mundo” enquanto também organiza colóquios, tem a seu cargo a publicação de uma revista e diversos textos bilingues. O seu trabalho “Peste e Cólera”, que retrata a vida de um bacteriologista, é considerado um dos seus mais relevantes romances estando nomeado para diversos prémios literários tendo sido já galardoado com o prémio Fnac e Femina. Esta é ainda uma ocasião para os interessados em ter esta obra ou o livro Kampuchea autografado pelo autor. A entrada é livre.
Hoje Macau EventosiAOHiN | Exposição de arte tradicional e proibida marca reabertura Para dar a conhecer um Tibete longínquo, chega a Macau a arte dos mosteiros lado a lado com o trabalho de artistas contemporâneos filhos da terra, enquanto exilados [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]Galeria iAOHiN vai reabrir após remodelações com a inauguração de uma exposição dedicada ao Tibete. Agendada para 22 de Abril às 18h00, a mostra “Tibete Revelado: um olhar profundo da arte do topo do mundo” tem entrada livre e, segundo a iAOHiN, muito para além do aspecto religioso, a arte tibetana do séc. XXI será apresentada de modo a dar a conhecer o espírito multifacetado da região, num caminho que vai desde as pinturas de rolo budistas oriundas de mosteiros remotos ao “olhar” de artistas agora exilados. Tendo em conta a procura, nomeadamente, ocidental, do “exotismo” da cultura tibetana é objectivo desta exposição dar a conhecer a mesma através de diferentes abordagens. Para Simon Lam, curador da exposição onde estarão patentes cerca de 20 pinturas contemporâneas e 30 pinturas de rolo, os chamados Thangka, a galeria pretende mostrar “como a cultura e a religião tibetana estão preservadas tanto na região como no exílio, como é que os tibetanos vivem e como a sua história é vista na sua perspectiva”. Dos Thanka à arte contemporânea A tradição centenária criada pelos monges budistas e com transmissão geracional, representada pelos Thanka, conta com trabalhos mais antigos cedidos pela Instituto de Arte Étnica de Pequim, alguns dos quais da altura da dinastia Qing. Peças mais recentes vêm do mosteiro de Wutun em Rebgong conhecido pela sua tradição no ensino desta arte. Paralelamente aos Thanka estão os trabalhos, agora pela primeira vez apresentados em solo chinês, de artistas contemporâneos da região que estão exilados. O que, segundo o site da galeria, “espera pôr a mexer a controvérsia e testar o sistema independente de Macau” dada a sua proibição em território continental. Tashi Norbu, artista da diáspora tibetana com cidadania belga e neste momento a viver e trabalhar na Holanda, cresceu na arte tradicional dos Thanka nos escritórios do Dalai Lama em Dharamsala, na Índia. Terminou a sua formação na Academia de Artes Visuais de São Lucas, Bélgica, e tem vindo a desenvolver trabalho numa perspectiva abrangente onde cabem as suas primeiras influências tradicionais ligadas ao Budismo e ao Tibete mescladas com os conhecimentos e a arte ocidental. Tashi Norbu virá directamente da semana da Ásia em Nova Iorque para a RAEM e irá levar a cargo um workshop para crianças a 23 de Abril, também na galeria. Também em exposição e vindos do Museu Rubin de Nova Iorque estarão trabalhos de Rabkar Wangchuk, que têm vindo a correr mundo. Filho de pais refugiados, o artista estudou Filosofia Budista Tibetana durante 17 anos na Universidade Tantrica Gyudmed, também na Índia, onde recebeu formação na pintura dos Thangka e desenvolveu trabalho na escultura em madeira e areia, nos mandalas de areia e arquitectura Stupa. Ao longo dos anos muitas têm sido as suas influências, entre as quais Dali, Gaugin ou Picasso. Segundo a organização, de destaque é também a presença de três obras da colecção pessoal do artista de renome internacional Karma Phuntsok, agora exilado na Austrália. Nascido em Lhasa em 1952 também estudou pintura Thanka, no Nepal, depois do refúgio na Índia, e vive actualmente na Austrália. Diz a galeria que a “beleza e riqueza do seu trabalho é influenciada pela diversidade das suas experiências de vida desde a infância no Tibete sob a opressão chinesa, até à vida de refugiado na Índia, à vida actual no ‘bush’ australiano e a veneração que tem ao Dalai Lama”. A exposição estará patente até 20 de Junho e conta com entrada livre.
Flora Fong Eventos ManchetePintura | Filipe Miguel das Dores é premiado em Inglaterra e recorda Luís Amorim Filipe Miguel das Dores, jovem pintor de Macau, ficou em segundo lugar num prémio atribuído pelo Royal Institute of Painters in Water Colours, no Reino Unido, com uma pintura da Livraria Portuguesa. Com outra obra – “The September after 18 years” – o jovem chamou a atenção para a morte de Luís Amorim [dropcap style=’circle’]P[/dropcap]inta com aguarelas e está a fazer sucesso no Reino Unido. É assim o jovem Filipe Miguel das Dores, que participou pela segunda vez com duas obras na exposição anual do Royal Institute of Painters in Water Colours. De entre mais de duas mil obras provenientes de todo o mundo, a obra de Filipe Miguel das Dores, intitulada “Working Alone”, acabou por ficar em segundo lugar no “Leatherseller’s Award”. A obra premiada apresenta a Livraria Portuguesa como pano de fundo. “Numa noite escura, num canto do edifício, revelou-se um pouco de luz onde se trabalhou sozinho. Numa rua sem ninguém, mostrou-se um pouco dos traços pelos quais os humanos passaram”, descreveu o artista na sua página do Facebook. “É bastante difícil pintar a proporção de centenas de azulejos nas paredes do edifício com tanta precisão”, descreveu. Filipe Miguel das Dores “gosta muito” de mostrar a sua visão do mundo e do espaço através dos desenhos de edifícios. Nesta obra, o jovem levou mais de 300 horas para concluir sozinho a pintura em aguarelas, feita com papéis grossos pintados com múltiplas camadas. Ao HM, o artista explicou que estava muito nervoso antes da atribuição do prémio, porque já tinha ganho o “The John Purcell Paper Prize” o ano passado, com a obra “A noite de Mário”. “Muitos amigos pressionaram-me, de certa forma, porque já ganhei uma vez. Acho que tive a sorte de ganhar novamente, foi uma espécie de bónus para mim.” Filipe Miguel das Dores confessou que outra das surpresas foi ter artistas estrangeiros e o próprio público a observar a sua obra e a tecer comentários positivos. Lágrimas por Luís Outra obra de Filipe Miguel das Dores chama-se “The September after 18 years”. A pintura mostra a parte de baixo da ponte Governador Nobre de Carvalho e, ainda que não tenha ganho qualquer prémio, revela um outro sentido, referindo-se ao aniversário de Luís Amorim, jovem que apareceu morto em Macau. “Quantas lágrimas se podem esconder num céu escuro? Criei esta obra por causa do meu amigo Luís Amorim, que morreu em 2007. As autoridades de Macau defenderam que ele se suicidou e decidiram acabar com a investigação, mas os pais não acreditaram. Afinal a autópsia em Portugal revelou que o Luís morreu por ter sido espancado. Mas Macau não quis voltar a investigar o caso. Então nós passamos todos os dias naquele lugar como de costume, mas os pais dele perderam o mundo a partir daquele dia”, contou ao HM. A morte de Luís Amorim e a criação desta obra levou Filipe Miguel das Dores a participar em competições internacionais para que mais pessoas lá fora tenham conhecimento do caso. “Sendo cidadãos de Macau acreditamos que todos têm o direito de exigir uma nova investigação ao caso, para que voltemos a acreditar nos órgãos judiciais e numa sociedade de Direito”, rematou.
Hoje Macau EventosLiteratura | “Macau Confidencial” é o novo livro de João Guedes Sabia que o Iberismo teve origem em Macau? E que o Partido Comunista do Vietname foi fundado por cá, no Hotel Cantão? São estes segredos e outros que o investigador João Guedes desvenda, no seu mais recente livro [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]hama-se “Macau Confidencial” e é o novo livro do investigador da História de Macau João Guedes. A obra, recentemente publicada, relata episódios guardados a sete chaves durante décadas, como o jantar que desencadeou o Iberismo ou a fundação do Partido Comunista do Vietname. O livro fala “de variadíssimos episódios situados nos finais do século XIX mas principalmente nos inícios do século XX, até à ascensão de Salazar, que foi um período interessantíssimo da história de Macau”, explicou João Guedes à agência Lusa, destacando três momentos: o Iberismo, a coincidência (ou não) da I República em Portugal e na China e a fundação do Partido Comunista do Vietname. O “Iberismo”, ideologia que defende a unificação política de Portugal e Espanha, que teve o seu apogeu na segunda metade do século XIX, como narra João Guedes, é “bem conhecido”. Contudo, talvez poucos saibam que a ideia de união ibérica, dois séculos depois da restauração de Portugal em 1640, teve o seu nascimento, de facto, no Paço Episcopal de Macau. A corrente que pretendia unir as duas coroas teve como impulsionadores Jerónimo José da Mata, bispo da diocese de Macau, Carlos José Caldeira (seu primo), enviado especial do Governo português à China, Sinibaldo de Mas, catalão de origem e ministro plenipotenciário de Espanha na China, o padre canonista J. Foixa e o dominicano espanhol J. Fernando, que “selaram num jantar”, no Verão de 1850, um pacto “em que se brindou à Ibéria e à ‘conveniência da união pacífica e legal de Portugal e Espanha’”, escreve o também jornalista na sua mais recente obra. “Esses vultos da altura entendiam que Portugal e Espanha deviam unir-se porque estavam em perigo os seus respectivos impérios ultramarinos”, detalha o jornalista e investigador, observando que “este assunto é substancialmente mais tratado e publicado em Espanha do que em Portugal”. Da terra ao mar Relacionado com o Iberismo surge outro “episódio raramente contado”: “O mistério do maior desastre naval ultramarino português dos últimos 200 anos”, em 1850. “Na explosão da fragata D. Maria II [enviada para Macau após o assassínio do governador Ferreira do Amaral, em Agosto de 1849], na Taipa, morre quase toda a tripulação constituída por 200 marinheiros. Foi um desastre que resultou de uma acção das seitas, das tríades, porque estava em Macau como parte de uma força expedicionária – que incluía depois a Corveta Íris e uma outra fragata – com a missão de invadir a região” vizinha em torno da então colónia portuguesa, desvenda João Guedes. “Esse projecto, completamente peregrino, não chegou depois a ser subscrito em Portugal mas tinha defensores no governo português. Mas, com a explosão da fragata, esse plano tolo caiu completamente”, realça. Neste livro de João Guedes “há também a história completamente escondida do movimento anarquista chinês que tem em Macau o seu quartel-general no início do século XX”. “E depois tento esclarecer – mas não esclareço – a coincidência de datas na proclamação das duas repúblicas (1910 em Portugal, 1911 na China). Penso que não é apenas coincidência e dou algumas achegas nesse sentido, mas é preciso ainda estudar mais sobre isso”, continuou João Guedes. Outro episódio revelado no livro prende-se com a fundação do Partido Comunista do Vietname, no Hotel Cantão, “um segredo que é guardado durante mais de 70 anos”. “O Komintern, a Internacional Comunista desse tempo, está em pleno vigor e Macau é um dos centros de controlo do Komintern – clandestino, claro. E realiza-se aqui o primeiro congresso do Partido Comunista do Vietname, com Ho Chi Minh, que vivia em Macau”, explica. “São estes episódios que eu diria confidenciais porque Macau era uma cidade demasiado pequenina para ter segredos verdadeiros. Creio que muita gente saberia do que se passava, mas o consenso era o de que era melhor não se falar sobre isso”, considera. Também, “nessa altura já da formação do Partido Comunista Salazar já estava no poder, pelo que era melhor não tocar em assuntos incómodos”. “Macau Confidencial” tem por uma base uma série de artigos escritos semanalmente no Jornal Tribuna de Macau ao longo de mais de dois anos, de uma forma esparsa. A obra integra a colecção do Instituto Internacional de Macau (IIM) intitulada “Suma Oriental”, obra de Tomé Pires, o primeiro embaixador designado por Portugal para ser presente ao Imperador da China, e dos primeiros autores que escreveram sobre o Oriente. A colecção pretende dar “modesta continuidade” à “Suma Oriental” iniciada no século XVI. LUSA/HM