Hong Kong | Sete detidos por corrupção em manutenção de edifícios

A agência anticorrupção de Hong Kong anunciou a detenção de cinco pessoas por alegada corrupção ligada à manutenção de um edifício residencial, semelhante àqueles em que ocorreu em Novembro o incêndio mais mortífero na cidade desde 1948.

A Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC, na sigla em inglês) disse que as detenções surgem após uma denúncia em torno do concurso para o projecto de manutenção de um edifício em Mong Kok.

Num comunicado divulgado na terça-feira, a ICAC revelou que deteve cinco homens e duas mulheres, com idades entre 37 e 75 anos, incluindo o presidente da associação de proprietários do edifício. As detenções aconteceram em 27 e 28 de Abril, numa operação contra o que a agência descreve como “um grupo organizado de corrupção”, que incluía um empreiteiro, assim como directores e um inspector de uma empresa de consultoria.

As investigações revelaram que o empreiteiro controlava alegadamente a empresa de consultoria, que obteve o contrato de consultoria para o projecto de manutenção a um preço baixo, referiu a ICAC. O presidente da associação de proprietários do edifício é suspeito de receber subornos para encobrir o esquema, que acabou por não resultar, sublinhou a agência.

Os proprietários “suspeitaram de irregularidades no processo” e o empreiteiro não conseguiu o contrato, no valor de 20 milhões de dólares de Hong Kong. A investigação da ICAC revelou ainda que o inspector “pode não ter cumprido as suas obrigações de inspecção” do edifício. A agência diz que impediu ainda que a empresa de consultoria e o empreiteiro conquistassem outros dois contratos a que tinham concorrido, no valor total de seis milhões de dólares de Hong Kong.

No final de Março, a ICAC e a polícia de Hong Kong detiveram 42 pessoas por suspeita de infiltração de grupos da máfia chinesa, conhecidos como tríades, em projectos de manutenção de edifícios residenciais.

7 Mai 2026

MNE chinês afirma ao homólogo iraniano que guerra é “ilegítima”

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, disse ontem, em Pequim, ao seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, que a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão é “ilegítima”.

Na primeira visita do ministro iraniano à China desde o início do conflito, em Fevereiro passado, o diplomata chinês afirmou que a declaração de um cessar-fogo é “necessária e inevitável”, indicou a agência iraniana Tasnim. Wang garantiu ainda que a região se encontra num “ponto de inflexão decisivo”, durante o encontro, realizado uma semana antes da visita do Presidente norte‑americano, Donald Trump, à China.

Pequim tem condenado repetidamente os ataques contra o Irão e pedido um cessar‑fogo no Médio Oriente, assim como a livre navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás.

O Governo chinês avisou recentemente, através do seu embaixador junto das Nações Unidas, Fu Cong, que a situação em torno do Estreito de Ormuz marcaria a agenda da visita de Trump caso a via permanecesse bloqueada por Washington e Teerão. “Estamos dispostos a continuar os nossos esforços para reduzir as tensões”, explicou agora o chefe da diplomacia chinesa, sublinhando a importância de “reuniões directas entre ambas as partes”.

Aragchi valorizou a “postura firme” da China, “especialmente na condenação aos Estados Unidos e Israel”, segundo a agência Tasnim. O diplomata iraniano afirmou ainda que Pequim é “uma amiga sincera” de Teerão e declarou que, “nas actuais circunstâncias, a cooperação entre os dois países será mais sólida do que nunca”.

A visita ocorre após o secretário de Estado norte‑americano, Marco Rubio, ter garantido na terça-feira que a ofensiva lançada a 28 de Fevereiro contra o Irão “terminou” e que se abriu uma nova fase com uma operação “defensiva”, destinada a facilitar a navegação por Ormuz.

Amigos sinceros

O conflito aumentou de forma directa os custos energéticos e logísticos na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente para limitar a subida interna dos combustíveis.

O encontro de ontem inseriu-se ainda num contexto de uma relação bilateral reforçada nos últimos anos. Pequim e Teerão assinaram em 2021 um acordo de cooperação estratégica de 25 anos, que estabelece um quadro de colaboração nos domínios económico, tecnológico, energético e de segurança, enquanto a China continua a ser o principal parceiro comercial do Irão e um dos principais destinos do seu crude.

7 Mai 2026

Hong Kong | Mês passado foi o segundo Abril mais quente de sempre

A agência meteorológica de Hong Kong anunciou que o mês passado terminou com uma temperatura média de 25,5 graus Celsius, o segundo valor mais elevado de sempre para Abril. O Observatório de Hong Kong indicou que a temperatura média subiu 2,5 graus em relação ao normal

O Observatório de Hong Kong revelou que no mês passado a temperatura média na região vizinha atingiu os 25,5 graus Celsius, tornando a registo mensal no segundo mês de Abril mais quente em, pelo menos, quase um século e meio. De acordo com um comunicado divulgado na terça-feira pela agência meteorológica, a temperatura média esteve 2,5 graus acima do normal para o quarto mês do ano.

A agência meteorológica refere que as temperaturas mínimas (23,8 graus) e máxima (27,9 graus) estiveram muito acima da média e atingiram os segundos mais elevados alguma vez registados em Abril.

O recorde histórico para o quarto mês do ano foi fixado em 2024, quando Hong Kong registou uma temperatura média de 26,4 graus, o valor mais elevado desde que há registos, em 1884. O observatório justifica um Abril “excepcionalmente quente” principalmente com “as temperaturas da superfície do mar mais elevadas do que o normal” no mar do Sul da China.

O comunicado refere ainda que a precipitação total foi de 160,4 milímetros, cerca de 5 por cento acima da média para Abril. Choveu mais 20 por cento do que a média em Hong Kong durante os primeiros quatro meses do ano, sublinhou a agência. Em 16 de Fevereiro, o Observatório anunciou que tinha registado a temperatura de 27,9 graus Celsius, o valor mais elevado de sempre, para uma véspera do Ano Novo Lunar.

Do mar para o ar

De acordo com cientistas, as alterações climáticas estão a provocar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos em todo o mundo. Em 2025, Hong Kong foi afectada por 12 tempestades tropicais e tufões, o valor anual mais elevado desde que começaram os registos, em 1917, indicou em Outubro a agência meteorológica da região vizinha.

Tanto em Hong Kong como em Macau, a escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10 (o mais elevado), com a emissão a depender da proximidade da tempestade e da intensidade do vento. No caso de Macau, desde o ano de 1974 que não havia tantas tempestades tropicais e tufões a afectar o território. A Protecção Civil de Macau sublinhou que dois dos 12 ciclones tropicais levaram mesmo à emissão do sinal 10, o último dos quais em 24 de Setembro, devido ao supertufão Ragasa, a mais poderosa tempestade registada no planeta em 2025.

Os tufões são fenómenos recorrentes no Sudeste Asiático, quando as águas quentes do oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones, e o sul da China é atingido todos os anos por dezenas dessas tempestades tropicais, especialmente na estação das chuvas, que geralmente começa em Junho e termina em Novembro ou Dezembro.

Segundo um estudo publicado em Julho de 2024, os tufões na região estão a formar-se mais perto da costa do que no passado, intensificando-se mais rapidamente e permanecendo mais tempo sobre terra, em consequência das alterações climáticas.

7 Mai 2026

HSBC | Lucro cai 2,4% no 1.º trimestre

O banco HSBC anunciou ontem lucros de 7.394 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano, numa redução de 2,4 por cento em termos homólogos. Livre de impostos, o resultado caiu 1,1 por cento para 9.376 milhões de dólares, segundo um comunicado ontem divulgado pela instituição financeira. O banco registou receitas de 18.624 milhões de euros e despesas operacionais de 8.721 milhões de dólares.

Por sua vez, a margem financeira avançou 7,7 por cento para 8.945 milhões de dólares, enquanto as comissões cresceram 11,9 por cento, para 3.719 milhões de dólares. No final de Março, o HSBC tinha uma carteira de empréstimos de um bilião de dólares, mais 6 por cento que um ano antes, enquanto os depósitos totalizavam 1,78 biliões de dólares, numa subida homóloga de 6,9 por cento.

Em comunicado, o grupo disse estar “bem posicionado para gerir as mudanças e as incertezas predominantes no ambiente global em que opera, incluindo as relacionadas com o conflito no Médio Oriente”.

6 Mai 2026

Câmara luso-chinesa | Subida dos custos pode afectar exportações

O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse ontem à Lusa que o aumento dos custos de transporte devido ao conflito no Médio Oriente poderá afectar as exportações portuguesas.

Na segunda-feira, o líder da Associação de Fabricantes Chineses de Hong Kong (CMA, na sigla em inglês) disse que algumas empresas reportaram subidas de até 100 por cento nos custos de logística de longa distância com o Médio Oriente e a Europa. De acordo com a emissora pública RTHK, Wingco Lo Kam-wing acrescentou, num almoço com a imprensa local, que também os custos dos seguros de transporte aumentaram.

“Claro que isto vai afectar as exportações portuguesas”, confirmou Bernardo Mendia, que é também presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong. Por um lado, explicou o empresário, a subida dos custos de logística torna os produtos portugueses “mais caros, logo, menos competitivos” no mercado internacional.

Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram hostilidades contra o Irão, em 28 de Fevereiro, Teerão controla o estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica, por onde passa normalmente um quinto do consumo mundial de petróleo. Cerca de 20 mil marinheiros estão retidos na região, de acordo com a agência de segurança marítima UKMTO, que acompanha navios em todo o mundo e está sob a tutela do exército do Reino Unido.

O bloqueio de Ormuz fez disparar o preço do petróleo nos mercados mundiais. Desde o início do ano, a cotação do Brent, crude do Mar do Norte, de referência na Europa, já subiu 88 por cento. A cotação do petróleo Brent para entrega em Julho terminou a sessão de segunda-feira no mercado de futuros de Londres a aumentar 5,8 por cento, para 114,44 dólares.

Efeito dominó

Ao tornar o transporte mais caro, a subida da cotação do crude irá arrastar os preços de todos os produtos e alimentar pressões inflaccionistas, alertou Bernardo Mendia. Ou seja, “também os mercados de destino [das exportações portuguesas] terão menos dinheiro para os adquirir”, explicou o secretário-geral da CCILC.

Em 2025, Portugal exportou mercadorias no valor de 2,85 mil milhões de dólares para o mercado chinês, menos 10,2 por cento do que no ano anterior. No sentido contrário, o mercado português comprou bens à China no valor de 7,19 mil milhões de dólares, mais 17,7 por cento do que em 2024, de acordo com dados oficiais dos Serviços de Alfândega chineses.

Na segunda-feira, o presidente da CMA advertiu que um prolongamento do conflito poderá provocar uma recessão económica global, caso afecte ainda mais a cadeia de abastecimento global e o prazo de entrega dos produtos. Wingco Lo sublinhou que, mesmo no que toca à logística de curta e média distância, algumas empresas que fazem parte da associação reportaram subidas de 10 por cento a 30 por cento nos custos.

6 Mai 2026

Hunan | Explosão em fábrica de fogo de artifício deixa pelo menos 21 mortos

Pelo menos 21 pessoas morreram e 61 ficaram feridas numa explosão numa fábrica de fogos de artifício na província de Hunan, no centro da China, informou ontem a emissora estatal chinesa CCTV. A explosão ocorreu por volta das 16:40 de segunda-feira, por razões ainda desconhecidas, numa oficina da empresa de fabrico e exibição de fogo de artifício Huasheng, localizada no município de Liuyang, sob a administração da capital provincial, Changsha.

Imagens que circulam nas redes sociais chinesas mostram uma densa coluna de fumo a subir para o ar no local da explosão. As principais redes sociais e plataformas ocidentais, como o Facebook, WhatsApp e X – estão bloqueadas na China continental, mas não nas regiões semiautónomas de Hong Kong e Macau.

Após o acidente, o líder chinês, Xi Jinping, pediu às autoridades que acelerassem as buscas por desaparecidos, fizessem “todo o possível” para salvar os feridos e esclarecessem as causas do incidente “o mais rapidamente possível”, além de “responsabilizarem rigorosamente os culpados”. As autoridades policiais já impuseram medidas de coação aos responsáveis da empresa Changhsa Liuyang Huasheng Fireworks Manufacturing and Display e está a decorrer uma investigação sobre as causas do acidente.

Estado de emergência

Xi Jinping enfatizou que todas as regiões e departamentos devem retirar “lições profundas” da explosão e “reforçar e cumprir rigorosamente as suas responsabilidades” em matéria de segurança.

O Ministério da Gestão de Emergências enviou dirigentes para o local do acidente, enquanto a província de Hunan mobilizou recursos para tratar os feridos e gerir a emergência no local, acrescentou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

Cinco equipas de resgate, com um total de 482 pessoas, foram mobilizadas para o local do acidente, juntamente com médicos provinciais e municipais para tratar os resgatados.

A China regista frequentemente acidentes relacionados com a indústria do fogo de artifício. Em Fevereiro, 12 pessoas morreram numa explosão numa loja de fogo de artifício na vizinha província central de Hubei, e outras oito morreram num incidente semelhante no mesmo mês na província de Jiangsu (leste).

6 Mai 2026

Filipinas | Actividade do vulcão Mayon obriga à retirada de 300 famílias

Mais de 300 famílias foram retiradas de casa depois do vulcão Mayon ter lançado enormes quantidades de cinzas durante o fim de semana, devido ao colapso de depósitos de lava, informaram ontem as autoridades filipinas.

Não houve nenhuma erupção explosiva do Mayon, que tem entrado em erupção de forma moderada e intermitente desde Janeiro, mas enormes depósitos de lava na encosta sudoeste do vulcão desceram repentinamente numa corrente piroclástica — uma avalanche de rochas quentes, cinzas e gás — antes do anoitecer de sábado, informou o director do Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia, Teresito Bacolcol.

As autoridades afirmaram que não foram registadas mortes nem feridos, mas enormes nuvens de cinzas espalharam-se por 87 aldeias em três cidades, apanhando muitos de surpresa e afectando o trânsito rodoviário devido à fraca visibilidade. “A queda de cinzas foi tão densa que a visibilidade era nula, mesmo na nossa estrada nacional”, informou o presidente da Câmara de Camalig, Caloy Baldo, cuja cidade fica perto do sopé do vulcão.

“Alguns aldeões entraram em pânico, mas aconselhámos que se acalmassem”, disse Baldo, em declarações à agência de notícias Associated Press. As explorações agrícolas foram danificadas pela queda de cinzas, que também matou quatro búfalos e uma vaca em Camalig, disse Baldo, acrescentando que estava em curso uma operação de limpeza na cidade de oito mil habitantes, na província filipina de Albay.

“Agora está tudo calmo novamente, mas o perigo está sempre presente”, disse Bacolcol, sobre o estado do Mayon ontem. O vulcão de 2.462 metros é uma das principais atracções turísticas das Filipinas devido à forma cónica quase perfeita. Mas é também o mais activo dos 24 vulcões do país.

5 Mai 2026

Coreias | Equipa feminina de futebol do Norte esperada em torneio no Sul

O Governo sul-coreano disse ontem que uma equipa feminina de futebol do Norte deverá jogar na Coreia do Sul este mês, num raro intercâmbio desportivo entre rivais, que tecnicamente continuam em guerra desde 1953. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul, responsável pelos assuntos intercoreanos, afirmou em comunicado que a equipa feminina Naegohyang FC é esperada em 20 de Maio.

A Naegohyang FC, da capital norte-coreana Pyongyang, deverá defrontar a Suwon FC, na meia-final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês). A Associação Coreana de Futebol (KFA, na sigla em inglês), entidade máxima do futebol na Coreia do Sul, disse ter sido notificada pela AFC de que a Naegohyang FC enviou uma lista de jogadoras e membros da equipa técnica que irão a Suwon.

A KFA sublinhou que a Coreia do Norte será multada pela AFC, caso a equipa não participe na meia-final em Suwon, cidade situada a sul da capital sul-coreana Seul. Os meios de comunicação estatais norte-coreanos não fizeram qualquer menção a esta viagem. Pyongyang enviou atletas a Seul pela última vez em dezembro de 2018, para um evento de ténis de mesa, num período marcado pela participação de atletas norte-coreanos nos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, no início de 2018.

5 Mai 2026

Hong Kong | Regulador financeiro defende paridade da moeda face ao dólar

A paridade cambial do dólar de Hong Kong face ao dólar americano foi discutida numa comissão parlamentar da antiga colónia britânica que admitia a anexação ao renminbi

O regulador financeiro de Hong Kong, Eddie Yue Wai-man, defendeu ontem o mecanismo de paridade cambial da moeda da região chinesa face ao dólar norte-americano, apesar de reconhecer o impacto do conflito no Médio Oriente. De acordo com a imprensa local, numa comissão parlamentar, vários deputados mencionaram a possibilidade do alargamento da banda de negociação, através da indexação à moeda da China continental, o renmimbi.

Mas o líder da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês), o banco central de facto do território, reiterou a determinação em manter um mecanismo que proporciona estabilidade à cidade. Eddie Yue disse que a paridade do dólar de Hong Kong com a moeda norte-americana torna o mercado financeiro da antiga colónia britânica “altamente atractivo” para os investidores internacionais.

O regulador disse que alargar a paridade a outras moedas seria algo “extremamente difícil” em termos técnicos e que poderia ter um impacto significativo, ao enfraquecer a confiança dos investidores. Eddie Yue admitiu que o conflito no Médio Oriente tornou mais atrativa o ‘carry trade’, algo que enfraqueceu o dólar de Hong Kong desde meados de Março e levou os bancos locais a descer as taxas de juro.

Na chamada estratégia de ‘carry trade’, investidores contraem empréstimos, mais baratos, em dólares de Hong Kong para investir em activos denominados em dólares norte-americanos, com rendimentos mais elevados. O conflito começou em 28 de Fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial.

Mais estabilidade

Ainda assim, o líder da HKMA disse que as taxas de juro estabilizaram face à melhoria do sentimento e garantiu que o mercado cambial de Hong Kong não foi muito afectado pela “considerável volatilidade” a nível mundial. Eddie Yue disse que o sector dos transportes e logística da região chinesa poderá ser significativamente afectado caso o conflito no Médio Oriente continue e se intensifique.

Mas o regulador sublinhou que a economia de Hong Kong manteve um forte ritmo de crescimento no primeiro trimestre, com uma expansão contínua das exportações de mercadorias, especialmente de tecnologia. No domingo, o secretário para a Economia, Paul Chan Mo-po, disse que o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade tinha crescido mais de 4 por cento entre Janeiro e Março, sobretudo graças a uma subida de 17 por cento no número de turistas.

Desde 2005

O actual regime cambial foi introduzido em 2005 e permite que a moeda local flutue numa banda entre 7,75 e 7,85 dólares de Hong Kong por dólar norte-americano. Em 2025, a HKMA foi obrigada a intervir duas vezes, em Maio e Julho, comprando dólares de Hong Kong, para defender a paridade cambial face ao dólar norte-americano.

De acordo com dados divulgados ontem pela HKMA, o fundo cambial usado para defender a moeda local registou entre Janeiro e Março o menor retorno dos investimentos desde 2024, devido ao impacto da crise no Médio Oriente. A pataca da vizinha região chinesa de Macau está oficialmente indexada ao dólar de Hong Kong e, como tal, indirectamente ligada ao dólar norte-americano.

5 Mai 2026

Líbano | Israel ordena novas evacuações para lá da zona que controla

O exército israelita emitiu ontem novas ordens de evacuação “urgentes” para localidades situadas para além da zona que controla no sul do Líbano e que designa como uma “zona de segurança”. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) em língua árabe, Avichai Adraee, publicou na rede social X um aviso dirigido aos habitantes de várias localidades, incluindo Nabatiyé.

Esta cidade situa-se vários quilómetros a norte da chamada “linha amarela”, que delimita a “zona de segurança” com cerca de dez quilómetros de profundidade, no interior da qual Israel se autoriza a operar desde a entrada em vigor, a 17 de Abril, de um frágil cessar-fogo com o Hezbollah, aliado do Irão no Líbano.

“Qualquer ameaça (…) mesmo para além da linha amarela e a norte do rio Litani [a cerca de 30 quilómetros da fronteira] será eliminada”, advertiu na quarta-feira o chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, durante uma visita a esta zona do território libanês. Dois soldados israelitas e um contratado do exército foram mortos, e dezenas de militares ficaram feridos no espaço de uma semana, devido a ataques com drones explosivos no sul do Líbano.

O movimento xiita libanês passou recentemente a recorrer a este tipo de aparelhos, guiados por fibra óptica, praticamente indetectáveis e com um alcance de várias dezenas de quilómetros, para realizar ataques diários contra as tropas israelitas no Líbano.

Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, continuam a trocar ataques apesar da trégua em vigor desde 17 de Abril, tendo o exército israelita já realizado bombardeamentos além da “linha amarela”. O Presidente libanês, Joseph Aoun, apelou na quarta-feira a Israel para que cumpra “plenamente o cessar-fogo”, antes do arranque das negociações de paz previstas entre os dois países, sob mediação dos Estados Unidos.

De acordo com os termos do acordo de cessar-fogo, Israel reserva-se “o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa” contra o Hezbollah.

4 Mai 2026

Taiwan | William Lai criticado por abandonar a ilha Taiwan após sismo

A China criticou a viagem do líder taiwanês a Essuatíni, acusando William Lai Ching-te de abandonar a população após um sismo e de sair da ilha de “forma dissimulada”, num avião estrangeiro.

Num comunicado divulgado no sábado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que Lai deixou Taiwan poucas horas após um sismo no nordeste taiwanês, “abandonando a população” e “desperdiçando fundos públicos”, numa atitude que, segundo Pequim, o torna um “alvo de troça internacional”.

O Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (executivo) chinês classificou a viagem como “um artifício”, sem valor diplomático e acusou o governante de agir de forma furtiva, para chegar a Essuatíni. Também este gabinete, questionou a gestão de Lai ao não ter prestado atenção à situação decorrente do sismo. Os dois organismos reiteraram a rejeição às iniciativas de Taiwan no âmbito internacional e defenderam que as acções não alteram a posição da comunidade internacional sobre a ilha.

4 Mai 2026

Irão | Pequim trava sanções dos EUA contra empresas chinesas

Pequim bloqueou a aplicação das sanções de Washington contra cinco empresas chinesas devido às alegadas ligações com o comércio de petróleo iraniano, através de uma ordem que proíbe pessoas e entidades de cumprir, reconhecer ou executar essas medidas. O Ministério do Comércio explicou, no sábado, que a ordem, conhecida como “blocking ban”, visa neutralizar dentro da China o efeito das sanções norte-americanas, impedindo que empresas ou indivíduos adiram às mesmas ou colaborem na aplicação.

De acordo com o comunicado oficial, as medidas adoptadas por Washington, que envolvem a inclusão em listas de sanções, o congelamento de activos e a proibição de transações, interferem nas “actividades comerciais normais” entre empresas chinesas e países terceiros e violam “o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais”.

A ordem baseia-se no quadro jurídico chinês contra a aplicação extraterritorial de leis estrangeiras, desenvolvido nos últimos anos e reforçado recentemente, em Abril, com novas normas que ampliam a capacidade de Pequim para contrariar sanções adoptadas por outros países.

As autoridades chinesas reiteraram a oposição às sanções unilaterais sem o apoio das Nações Unidas e sublinharam que a medida não afecta o cumprimento das obrigações internacionais do país nem a protecção dos direitos das empresas estrangeiras na China.

Rota da crise

A decisão surge depois de Washington ter sancionado — na semana passada — dezenas de entidades e indivíduos pela alegada participação em redes financeiras ligadas ao petróleo iraniano, no âmbito da política de pressão sobre Teerão.

Entre as empresas afectadas, encontram-se várias refinarias e grupos petroquímicos chineses, apontados pelos Estados Unidos pelo suposto papel na comercialização de petróleo iraniano, um fluxo que Washington considera fundamental para o financiamento de actividades militares e de grupos aliados da República Islâmica.

A medida de Pequim coincide com a preocupação expressa pela China quanto ao impacto do conflito no Irão na estabilidade energética global, com especial atenção para o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento de petróleo bruto.

4 Mai 2026

Korean Air proíbe galos a bordo dos EUA para as Filipinas

Organizações de defesa dos direitos dos animais congratularam-se ontem com a decisão da companhia aérea Korean Air de proibir o transporte de galos dos Estados Unidos apara as Filipinas, onde as lutas com estes animais constituem uma indústria lucrativa.

As autoridades estimam receitas na ordem das dezenas de milhões de dólares por semana geradas por lutas entre galos equipados com esporões metálicos afiados, dinheiro que alegadamente alimenta o crime organizado. Activistas e um criador filipino, Eduardo Eugenio, indicaram à AFP que os Estados Unidos da América (EUA) fornecem um grande número de galos destinados a estas lutas, pelo que a proibição da companhia aérea Korean Air promete ter um “impacto enorme”.

A companhia sul-coreana confirmou, num comunicado enviado ontem à AFP, ter “suspendido o transporte de galos de qualquer idade nas ligações entre os Estados Unidos e as Filipinas”. “A Korean Air compromete-se a garantir o transporte legal e seguro de animais vivos, em conformidade com as leis e regulamentos em vigor”, acrescentou.

A organização não-governamental (ONG) americana de defesa dos animais Animal Wellness Action declarou que a Korean Air era, na sua opinião, “a maior companhia aérea do mundo envolvida no transporte ilegal de galos de combate”. Embora a transportadora não tenha mencionado explicitamente os galos de combate no seu comunicado, várias organizações afirmaram que esta proibição é o resultado da sua campanha destinada a proibir uma prática que consideram cruel.

Por ar e por terra

Jana Sevilla, porta-voz da organização PETA nas Filipinas, declarou à AFP que a decisão, aplaudida pelo grupo, visa “certamente” as lutas de galos. “Esperamos […] que outras companhias aéreas sigam este exemplo”, acrescentou Jana Sevilla, recordando que as Filipinas fazem parte dos países onde as lutas de galos ainda são autorizadas.

Esta semana, a ONG Animal Wellness Action reivindicou, num comunicado, o mérito desta medida, que surge na sequência de vários meses de investigação e troca de correspondência. “A Korean Air concordou em atender ao nosso pedido de pôr fim a todos os envios de galos para as Filipinas”, indicou a organização, referindo que criadores americanos fornecedores destas aves se fazem frequentemente passar por agricultores ou criadores inofensivos e enviam todos os anos “dezenas de milhares” de animais para as Filipinas.

Outros galos criados nos EUA são transportados por via terrestre e aérea para o México, onde as lutas continuam a ser autorizadas em alguns estados. Segundo Eduardo Eugenio, responsável por uma exploração de 300 aves na cidade de Tagum, no sul do país, “a actividade nas Filipinas depende muito” dos criadores americanos.

4 Mai 2026

Importações de vinho na China caíram para metade face a 2018

O director-geral de uma das maiores importadoras de vinho na China descreveu à Lusa uma transformação profunda do sector, marcada por uma quebra de 50 por cento nas importações face a 2018 e maior sofisticação dos consumidores. “O mercado que existia em 2018, hoje, é menos de metade”, afirmou à Lusa o português Francisco Henriques, director-geral da China Wines & Spirits, com sede em Xangai, a “capital” económica da China, que celebrou esta semana o seu 20.º aniversário.

Em entrevista à Lusa, o responsável, que está há quase duas décadas na China, descreveu uma transformação profunda do sector, marcada por uma quebra “brutal” do consumo, associada a uma combinação de factores, desde a campanha anticorrupção e de austeridade promovida por Pequim, que inclui restrições ao consumo de álcool em eventos oficiais, até ao impacto da crise no sector imobiliário, que reduziu o apetite por bens considerados de luxo.

Dados recentes indicam que, só no último ano, as importações chinesas de vinho recuaram 11 por cento, situando-se agora em cerca de metade dos níveis registados em 2018, quando o país comprou vinho estrangeiro no valor de quase 3 mil milhões de dólares.

Durante anos, a China foi um dos principais motores do sector vinícola global, com produtores de regiões como Bordéus ou Austrália a dependerem fortemente da procura chinesa. Em 2019, cerca de um quarto das exportações de Bordéus tinham como destino o país asiático.

Mas a quebra recente está a ter impacto global. Produtores enfrentam excesso de oferta, queda de preços e, em alguns casos, estão a arrancar vinhas ou a deixar uvas por colher. Além do contexto económico e político, Henriques apontou também para uma transformação cultural, sobretudo entre os mais jovens, que “bebem menos e bebem diferente”.

Segundo o responsável, há duas décadas o vinho era consumido sobretudo por uma elite e dominado quase exclusivamente por França, sendo muitas vezes associado a ofertas e banquetes oficiais. Hoje, disse, o mercado está “em vias de maturidade”, com maior diversidade de origens e um consumo mais individualizado. “Há 20 anos bebia-se uma garrafa por pessoa, hoje as pessoas preferem beber um copo, mas melhor”, explicou.

Tempos modernos

O consumo deslocou-se também para novos contextos, com o crescimento das entregas ao domicílio e das compras através de aplicações móveis. “Os consumidores podem encomendar uma garrafa no telemóvel e recebê-la meia hora depois”, disse, sublinhando a necessidade de adaptação do sector a estes novos hábitos.

Apesar da contracção do mercado, Henriques considerou que a China continua a ser uma aposta estratégica para países como Portugal, embora exija um trabalho de longo prazo. “Quando o consumidor prova, gosta”, afirmou, destacando a tipicidade das castas portuguesas como uma vantagem competitiva.

O principal desafio, disse, é garantir presença consistente no mercado, nomeadamente na restauração, hotéis e canais de distribuição. “É preciso que o vinho esteja disponível (…) e esse é o trabalho difícil”, afirmou.

Henriques alertou que muitos produtores falham ao encarar a China como um mercado de oportunidades rápidas, sem investimento continuado. “Aquele produtor que vem à China, exporta um contentor e depois fica à espera (…) não resulta”, disse, defendendo a importância de parcerias estáveis com importadores locais.

Num mercado que descreveu como “muito dinâmico”, onde empresas entram e saem com frequência, encontrar o parceiro certo pode ser “como uma agulha no palheiro”. O responsável sublinhou que a dimensão e evolução do mercado justificam o esforço. “É um trabalho que demora anos, mas que traz frutos”, afirmou.

4 Mai 2026

ONU | MNE chinês presidirá debate do Conselho de Segurança

A China, que preside este mês ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, anunciou sexta-feira que organizará um debate de nível ministerial visando “defender a Carta da ONU”, que será presidido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

O representante permanente da China junto das Nações Unidas (ONU), Fu Cong, apresentou sexta-feira à imprensa a agenda mensal de Pequim, indicando que o ministro Wang Yi presidirá ao debate de alto nível subordinado ao tema “Defender os Propósitos e Princípios da Carta da ONU e Fortalecer o Sistema Internacional Centrado na ONU”, agendado para 26 de Maio.

“Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente turbulência no panorama internacional. Os conflitos estão a aumentar, as divisões estão a aprofundar-se e o sistema multilateral — juntamente com o direito internacional — está sob considerável restrição”, afirmou o diplomata, em Nova Iorque.

“Tudo isto aconteceu não porque a ONU esteja desactualizada ou tenha falhado. Pelo contrário, isto acontece porque os propósitos e os princípios da Carta não são efectivamente respeitados e o sistema internacional centrado na ONU não é mantido com afinco”, acrescentou Cong.

Nesse sentido, o embaixador defendeu que a comunidade internacional deve tomar medidas urgentes para defender a autoridade da Carta e reforçar o papel das Nações Unidas, a fim de evitar que o “mundo recaia na lei da selva” e “salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”. A segunda prioridade da presidência rotativa chinesa será promover a solução política no Médio Oriente, região que classificou como o lugar do mundo “onde se desenrolam a maioria dos problemas críticos”.

“O Conselho de Segurança deve instar as partes relevantes, em particular Israel, a observarem integralmente o acordo de cessar-fogo em Gaza, a garantirem o acesso humanitário, a interromperem as actividades de colonato e a trabalharem para revitalizar a perspetiva da solução de dois Estados”, instou Fu Cong.

Ainda sobre Gaza, o diplomata afirmou que a “negação dos legítimos direitos nacionais do povo palestiniano é a maior injustiça dos nossos tempos”. Em relação ao Líbano, o diplomata notou que a situação continua muito instável e frágil, frisando que os ataques contra civis libaneses e contra as forças de manutenção da paz da ONU “são inaceitáveis”.

O Conselho de Segurança deve enviar uma mensagem clara de apoio à soberania, segurança e integridade territorial do Líbano, apelou o representante de Pequim, defendendo ainda apoio ao Governo libanês na estabilização da situação interna e na garantia da paz.

Questão iraniana

Questionado sobre o papel da China nas negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerão e sobre o que Pequim está disposto a fazer para reabrir o Estreito de Ormuz, Cong optou por sublinhar que a causa principal da situação actual é a “guerra ilegítima dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão”.

“Francamente, estamos muito preocupados com algumas das declarações que temos ouvido recentemente sobre este cessar-fogo ser temporário, sobre a necessidade de iniciar outra ronda de ataques. Penso que a comunidade internacional deve mobilizar-se e elevar a voz contra o retomar dos combates naquela parte do mundo”, declarou.

“Sobre o papel da China, temos defendido a paz e estamos a falar com todos os lados. O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tem estado ao telefone quase constantemente e também apoiamos totalmente os esforços do Paquistão de mediação entre as partes. Esperamos que estes esforços possam trazer resultados positivos”, adicionou.

Sobre a situação no Estreito de Ormuz, Fu Cong disse estar certo de que, se esse bloqueio ainda se mantiver quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, visitar a China nos dias 14 e 15 de Maio, essa questão estará entre os principais temas da agenda das conversações bilaterais.

A terceira prioridade apontada por Cong para este mês diz respeito à estabilidade e ao desenvolvimento dos países africanos, garantindo que Pequim apoiará os esforços para “resolver as questões africanas de forma africana”. Este mês, o Conselho de Segurança vai também realizar o seu debate anual sobre a protecção de civis em conflitos armados.

4 Mai 2026

China | Descobertos jazigos de petróleo com reservas estimadas em 100 milhões de toneladas

A China anunciou a descoberta de vários jazigos de petróleo e gás de grande e média dimensão, com reservas de crude superiores a 100 milhões de toneladas, no âmbito de uma estratégia para reforçar a segurança energética. O ministério dos Recursos Naturais da China indicou que foram identificados 225 jazigos nas bacias de Tarim (noroeste), Ordos (norte) e na baía de Bohai (nordeste), segundo órgãos de comunicação locais.

Desde o início desta nova ronda de exploração, Pequim deu prioridade ao petróleo e ao gás, com um investimento total próximo de 450 mil milhões de yuan, acrescentou um porta-voz. Entre as descobertas, incluem-se 13 campos petrolíferos com reservas superiores a 100 milhões de toneladas e 26 campos de gás com reservas acima de 100 mil milhões de metros cúbicos.

O ministério destacou também avanços na exploração em profundidade, tanto em terra como no mar. Em terra, a China desenvolveu o seu primeiro poço de exploração até 10.000 metros de profundidade, denominado “Deep Earth Tak 1”, que permitiu detectar petróleo em camadas profundas.

No mar, o campo de gás em águas ultraprofundas “Deep Sea One” entrou em fase de produção, colocando o país entre os mais avançados na exploração e extração de hidrocarbonetos em águas profundas, segundo as autoridades. O porta-voz sublinhou que os recursos de petróleo e gás são “cruciais” para a economia nacional, o bem-estar da população e a segurança energética.

30 Abr 2026

Wuhan | Suspensas novas licenças para ‘robotáxis’

A China suspendeu a emissão de novas licenças para veículos autónomos após mais de uma centena de ‘robotáxis’ da gigante tecnológica Baidu ficarem imobilizados na cidade de Wuhan, informou ontem a agência Bloomberg.

A medida impede as empresas de condução autónoma de acrescentarem novos veículos às frotas, iniciarem novos projectos-piloto ou expandirem-se para outras cidades, segundo a agência, que cita fontes com conhecimento do caso e não especifica a duração da suspensão. A medida ocorreu depois de as autoridades se mostrarem alarmadas com um incidente registado em 31 de Março em Wuhan, onde vários veículos do serviço Apollo Go, da Baidu, pararam subitamente, deixando passageiros temporariamente presos e perturbando o tráfego.

A polícia de trânsito local indicou que o centro de emergências recebeu chamadas a reportar múltiplos veículos parados no meio da estrada, sem capacidade de se mover. Segundo investigações preliminares citadas pelas autoridades, o problema terá sido causado por um “erro de sistema”. Não foram registados acidentes nem feridos, e os passageiros conseguiram sair dos veículos em segurança.

Após o incidente, três organismos, incluindo o ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, reuniram-se este mês com responsáveis de cidades com projcetos de ‘robotáxis’ ou testes de condução autónoma, de acordo com as fontes citadas pela Bloomberg. Os reguladores pediram aos governos locais uma revisão completa e o reforço da supervisão de segurança, para evitar episódios semelhantes.

Em expansão

O Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos em mais de uma dezena de cidades, e anunciou em Agosto um acordo com a norte-americana Lyft para lançar este ano serviços na Europa, começando pelo Reino Unido e Alemanha. Um mês antes, a Baidu tinha também estabelecido uma parceria com a Uber para disponibilizar táxis autónomos noutras regiões da Ásia e no Médio Oriente.

A empresa, frequentemente apelidada de “Google chinês” por operar um motor de busca dominante num país onde o acesso ao Google é bloqueado, vinha a expandir os testes do Apollo Go a um número crescente de cidades, com o objectivo de atingir cerca de 100 até 2030. Segundo previsões da própria Baidu, o mercado de ‘robotáxis’ na China poderá ultrapassar 1,3 biliões de yuan nos próximos anos.

30 Abr 2026

Ormuz | Japão considera passagem de petroleiro “sucesso diplomático”

O Governo japonês classificou ontem a passagem pelo estreito de Ormuz de um navio ligado à empresa petroquímica nipónica Idemitsu Kosan, com dois milhões de barris de crude, como um “sucesso diplomático”, informou a emissora pública NHK.

“A passagem de navios ligados ao Japão pelo estreito de Ormuz tem sido solicitada repetidamente”, referiu um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros – não identificado pela NHK -, notando que, para a diplomacia japonesa, “isto pode ser considerado um sucesso diplomático”.

Uma outra fonte governamental citada pela NHK, também não identificada, recordou que outros navios ainda não podem atravessar livremente este estreito crucial. “Para garantir um abastecimento energético estável para o Japão, devemos continuar a exigir que todos os países garantam a liberdade de navegação e a segurança dos seus navios”, afirmou.

Embora a empresa japonesa tenha recusado comentar a situação do navio por motivos de segurança, de acordo com um comunicado divulgado pela NHK, o portal de monitorização MarineTraffic indicou que o petroleiro Idemitsu Maru se encontrava ontem no golfo de Omã às 12:30, hora local, após ter atravessado o estreito de Ormuz, e espera-se que chegue à cidade japonesa de Nagoya em meados de Maio.

A televisão estatal iraniana Press TV informou na terça-feira à noite sobre a travessia do Idemitsu Maru, um navio com bandeira panamenha gerido por uma filial da refinaria japonesa Idemitsu Kosan e carregado com petróleo bruto desde março passado na Arábia Saudita. “A passagem exigiu coordenação com Teerão”, indicou a Press TV. No entanto, fontes oficiais japonesas garantiram à NHK que Tóquio não pagou qualquer taxa ao Irão.

30 Abr 2026

HK | Multa ou prisão para posse ou consumo de cigarros electrónicos

Uma nova lei em Hong Kong, que regula a posse de cigarros eletrónicos e que contempla penas de prisão, entrou ontem em vigor. O Governo do território pretende encerrar o mercado de dispositivos electrónicos de fumo, tabaco aquecido e cigarros sem tabaco, colocando a região semiautónoma na vanguarda das restrições globais contra os ‘vapes’.

As novas normas visam produtos alternativos ao tabaco, proibindo a sua importação, fabrico, venda, promoção e, de forma inédita, posse e consumo em espaços públicos.

A entrada destes artigos é proibida tanto por viajantes como através de mercadorias, com excepções técnicas em trânsito aeroportuário. As infrações por importação podem implicar multas até dois milhões de dólares de Hong Kong e penas de até sete anos de prisão. A produção, distribuição ou posse com fins comerciais é penalizada com até 50.000 dólares de Hong Kong e seis meses de prisão.

30 Abr 2026

Diplomacia | Defendido reforço da ONU para evitar que prevaleça “lei da selva” no mundo

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu ontem o reforço das Nações Unidas e do multilateralismo num contexto de crescente instabilidade global, para evitar que prevaleça a “lei da selva”. Wang expressou esta posição durante um encontro em Pequim com a presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Perante um cenário internacional marcado por tensões crescentes e pela adoção de abordagens baseadas na força por alguns países, “é necessário manter o rumo correcto da unidade e da cooperação e não permitir que prevaleça a lei da selva”, afirmou Wang, citado no comunicado.

O diplomata considerou que a organização e o multilateralismo enfrentam “sérios desafios” e alertou contra a hegemonia, a intimidação e a imposição da vontade do mais forte, defendendo antes um sistema baseado na equidade e na justiça. Wang descreveu a Assembleia Geral da ONU como a principal plataforma para a prática do multilateralismo e assegurou que a China continuará a defender este sistema internacional, promovendo o desenvolvimento comum e reforçando a governação global.

Unidos venceremos

Baerbock agradeceu o apoio da China às Nações Unidas e destacou o seu “papel fundamental” como membro fundador e permanente do Conselho de Segurança na defesa do direito internacional, segundo o mesmo comunicado. “Perante a crescente pressão sobre o multilateralismo e os ataques directos à Carta da ONU, os países devem unir-se mais do que nunca para apoiar a organização”, afirmou.

Desde o início do conflito no Médio Oriente, Pequim tem apelado a uma solução negociada, apoiando iniciativas que contribuam para reduzir tensões, e defendendo que o Conselho de Segurança deve desempenhar um papel de desanuviamento e não “compactuar com actos de guerra ilegais”.

A China tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

30 Abr 2026

1 de Maio | Voos encarecem com subida das sobretaxas de combustível

Os voos domésticos na China para o feriado de 1 de Maio registam este ano preços mais elevados do que em 2025 e antes da pandemia, pressionados pela subida dos custos energéticos ligada à guerra no Médio Oriente. O preço médio dos bilhetes em classe económica situava-se em 971 yuan em 27 de Abril, mais 12,9 por cento do que em 2025 e 23,2 por cento acima de 2019, segundo o portal de notícias Yicai.

Os dados indicam ainda uma ligeira descida nos dias anteriores ao feriado, que decorre de 1 a 5 de Maio, com o valor médio a recuar de cerca de 1.000 yuan registados a 22 de Abril, numa tendência interpretada por alguns utilizadores como uma “queda” de preços em determinadas rotas.

Contudo, fontes do sector citadas pelo mesmo meio referem que não se trata de uma descida generalizada, mas de ajustes normais em função da procura, após tarifas iniciais mais elevadas. O aumento dos preços surge depois da subida das sobretaxas de combustível aplicada desde o início de Abril, que fixam suplementos de 60 yuan para trajectos inferiores a 800 quilómetros e de 120 yuan para distâncias superiores.

Apesar da pressão sobre os custos, o sector mantém previsões de “normalidade” na operação durante o feriado, com uma oferta de voos semelhante à do ano passado, indicou recentemente a Associação de Transporte Aéreo da China. A subida dos preços ocorre num contexto de impacto do conflito no Médio Oriente e das tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa das importações energéticas da China, aumentando a incerteza nos mercados.

A guerra já encareceu directamente os custos energéticos e logísticos no país, obrigando as autoridades a intervir temporariamente para limitar a subida dos combustíveis.

30 Abr 2026

Cuba | Pequim defende cooperação “legítima e transparente” em resposta a EUA

A China defendeu ontem como “legítima e transparente” a cooperação com Cuba e rejeitou as acusações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre alegadas actividades de inteligência perto dos Estados Unidos.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que “a cooperação entre a China e Cuba é legítima e transparente”, quando questionado sobre se Pequim se considerava visada pelas declarações de Washington.

Lin acrescentou que “fabricar pretextos, difundir rumores e difamar outros não pode servir de justificação” para o “bloqueio brutal e as sanções ilegais” impostas pelos Estados Unidos a Cuba. Segundo o responsável, essas medidas “não podem ocultar” que Washington “violou gravemente os direitos de sobrevivência e desenvolvimento” da ilha e “as normas básicas das relações internacionais”.

O porta-voz reiterou que a China “apoiará firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania nacional e segurança” e instou os Estados Unidos a “pôr termo de imediato ao bloqueio, às sanções e a qualquer forma de coerção e pressão” contra o país. Rubio afirmou numa entrevista que os Estados Unidos “não permitirão” que países considerados adversários realizem operações de inteligência ou instalem bases militares perto do seu território.

As declarações surgem num contexto de crescente pressão de Washington sobre Havana, que inclui sanções e advertências sobre possíveis medidas adicionais, bem como acusações recorrentes sobre a cooperação da ilha com outros países em áreas estratégicas.

A China tem denunciado repetidamente o que classifica como “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos em relação a Cuba e reiterado o seu apoio à ilha na defesa da soberania, opondo-se a sanções unilaterais e a qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos.

30 Abr 2026

China | Energia solar deve superar o carvão até ao final do ano

A capacidade instalada de energia solar na China deverá superar pela primeira vez a do carvão em 2026 e, juntamente com a eólica, representar metade do total, segundo previsões do sector eléctrico.

O Conselho de Electricidade da China (CEC) indicou num relatório divulgado ontem que o consumo de eletricidade no país deverá crescer entre 5 por cento e 6 por cento este ano, impulsionado por uma expansão estável da economia e pelo desenvolvimento de novas infraestruturas ligadas à inovação e modernização industrial.

Segundo o documento, intitulado “Relatório de análise e previsão sobre a situação nacional da oferta e da procura de electricidade”, a capacidade instalada de energia solar deverá ultrapassar a do carvão pela primeira vez, enquanto a soma da energia eólica e solar deverá atingir cerca de metade da capacidade total instalada até ao final de 2026.

No âmbito dos objectivos de “duplo carbono” – que prevêem atingir o pico das emissões antes de 2030 e a neutralidade carbónica até 2060 –, a incorporação de novas energias deverá manter um ritmo elevado. A nova capacidade instalada este ano deverá ultrapassar os 400 milhões de quilowatts, dos quais mais de 300 milhões corresponderão a fontes renováveis.

Como resultado, a capacidade total instalada de geração eléctrica na China deverá atingir cerca de 4.300 milhões de quilowatts até ao final do ano, com aproximadamente 63 por cento proveniente de fontes não fósseis, enquanto o peso do carvão deverá recuar para cerca de 31 por cento.

Organizações como a Greenpeace consideram que a China se encontra num ponto de inflexão na transição energética, com o rápido crescimento da energia eólica e solar a poder contribuir para antecipar o pico de emissões. Ainda assim, alertam que a expansão do uso do carvão continua e que o ritmo de instalação de renováveis começa a mostrar sinais de abrandamento.

29 Abr 2026

Índia | Homem leva corpo da irmã a banco para levantar dinheiro

Um homem de uma comunidade tribal no estado de Odisha, no leste da Índia, levou os restos mortais da sua irmã a uma agência bancária para levantar as suas poupanças, depois de o banco se ter recusado a conceder-lhe acesso aos fundos.

“Fui ao banco várias vezes e as pessoas disseram-me para trazer a titular da conta para levantar o dinheiro depositado em nome dela. Mesmo dizendo que estava morta, não me ouviram e insistiram para que a trouxesse ao banco. Cavei a campa e retirei o seu esqueleto como prova da sua morte”, contou Jeetu Munda aos meios de comunicação social.

O incidente ocorreu depois de o banco ter exigido a certidão de óbito da irmã de Munda, documento necessário para processar o levantamento legalmente. Quando os funcionários se recusaram a processar o levantamento sem a certidão, Munda, que o banco alegou estar embriagado, colocou os restos mortais da irmã em frente à agência para comprovar a sua morte.

Segundo o comunicado de imprensa divulgado ontem pelo Indian Overseas Bank, o principal do banco rural do país, a intenção da instituição era proteger os fundos na conta desta mulher que pertencia a uma comunidade tribal pobre, sublinhando que “não houve nenhum caso de assédio”.

Segundo a polícia, a irmã de Munda faleceu há dois meses e tinha aproximadamente 19.300 rupias indianas (cerca de 170 euros) na sua conta bancária. O homem, que as autoridades dizem ser analfabeto, está a receber auxílio da polícia com a documentação necessária para obter a certidão de óbito que lhe permitirá recuperar o dinheiro da sua família.

29 Abr 2026