Hoje Macau China / ÁsiaTibete | Pequim invoca riscos de segurança para restringir acesso de jornalistas a zona das cheias O Governo chinês invocou ontem riscos de segurança e a possibilidade de novos “desastres secundários” para justificar as restrições no acesso de jornalistas estrangeiros à zona do Tibete atingida pelas cheias da semana passada. “Neste momento, as estradas e as comunicações na zona afectada pelo desastre estão cortadas e existem riscos consideráveis de desastres secundários”, afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun. O porta-voz acrescentou que as operações de resgate decorrem “de forma intensa e ordenada” e garantiu que as autoridades vão continuar a divulgar informações sobre a situação e as operações de busca. Guo respondia a uma pergunta sobre as razões pelas quais as autoridades chinesas ainda não permitiram o acesso de órgãos de comunicação social estrangeiros à zona afectada, enquanto jornalistas da imprensa estatal chinesa têm feito reportagens a partir do local. Após as cheias, as autoridades suspenderam temporariamente a emissão de autorizações para as áreas fronteiriças sujeitas a controlo especial no município de Shigatse, incluindo Gyirong, e pediram às pessoas que já dispunham de autorizações válidas que evitassem deslocações à região. As autoridades justificaram a medida com os riscos para a população e para as operações de resgate, bem como com a possibilidade de ocorrência de novos desastres.
Hoje Macau China / ÁsiaGuangzhou Evergrande | Tribunal chinês abre processo de liquidação Um tribunal de Cantão, no sudeste da China, abriu formalmente o processo de liquidação por insolvência do Guangzhou FC, antigo Guangzhou Evergrande e um dos clubes mais bem-sucedidos do futebol chinês, após anos de dificuldades financeiras. O Tribunal Popular Intermédio de Cantão anunciou que aceitou, na segunda-feira, o pedido de liquidação apresentado pela Guangzhou Zhonghang Service Management contra o clube e nomeou uma equipa de liquidação como administradora da instituição. Os credores têm até 30 de Novembro para reclamar os respectivos créditos, estando a primeira assembleia de credores marcada para 08 de Dezembro. A decisão surge depois de o clube não ter obtido, no início de 2025, a licença necessária para participar nas competições profissionais chinesas, por não ter conseguido reunir fundos suficientes para liquidar as dívidas, situação que o deixou então à beira do desaparecimento. O Guangzhou FC viveu o período de maior sucesso sob a designação Guangzhou Evergrande, após o gigante imobiliário com o mesmo nome ter adquirido o clube em 2010. A equipa conquistou oito títulos da Superliga chinesa e venceu por duas vezes a Liga dos Campeões asiática, em 2013 e 2015. Pelo clube passaram futebolistas como os brasileiros Robinho e Paulinho, o colombiano e antigo jogador do FC Porto Jackson Martínez e o argentino Darío Conca, enquanto entre os treinadores estiveram os italianos Fabio Cannavaro e Marcello Lippi e o brasileiro Luiz Felipe Scolari. Os problemas do clube agravaram-se em paralelo com a crise da Evergrande, que entrou em incumprimento em 2021, após acumular um passivo de centenas de milhares de milhões de dólares. A equipa desceu da primeira divisão em 2022 e tentou posteriormente manter-se no segundo escalão, antes de ficar afastada do futebol profissional.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Governo propõe orçamento de defesa recorde centrado na IA O Ministério da Defesa japonês pediu ontem um orçamento recorde de 8,9 biliões de ienes (48 mil milhões de euros) focado na inteligência artificial (IA) para acelerar a tomada de decisões num contexto de tensão. Uma fonte parlamentar da coligação no poder admitiu ao jornal Nikkei, sob condição de não ser identificada, que o orçamento final da defesa para o ano fiscal que começa em Abril de 2027 poderá atingir os 10 biliões de ienes, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP). Os valores exactos atribuídos a cada rubrica deverão ser finalizados assim que o Governo concluir, até ao final do ano, a revisão dos principais documentos relativos à segurança nacional, disseram responsáveis do Ministério da Defesa. Com a proposta, o Governo pretende realizar uma ampla modernização das forças armadas para enfrentar as crescentes tensões com vizinhos como a China, a Coreia do Norte e a Rússia. A proposta orçamental foca-se no combate a “novas formas de guerra”, como a IA, drones (aparelhos telecomandados) e mísseis de longo alcance. O Ministério da Defesa espera implementar um sistema de apoio à tomada de decisões baseado em IA e adquirir drones de baixo custo capazes de atuar em conjunto com mísseis de longo alcance para neutralizar alvos inimigos. Planeia igualmente desenvolver mísseis hipersónicos lançados a partir de plataformas submarinas e criar uma nova unidade para reforçar as capacidades de defesa contra a guerra cognitiva. Trata-se de uma ameaça crescente que visa moldar a opinião pública através de campanhas de desinformação e de outras operações de influência. Com o pedido orçamental para o novo ano fiscal, o Japão prossegue os esforços para reforçar as capacidades militares de modo a responder a uma realidade geopolítica instável. O país afasta-se assim progressivamente da postura pacifista tradicional, que limitava o uso da força à estrita legítima defesa.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal enterra mortos após devastadoras inundações O Nepal enterra as vítimas da inundação devastadora ocorrida na fronteira com a China, sem esperar pela identificação de cadáveres nem pelo fim das operações de socorro, devido à magnitude do desastre. Mais de quatro mil pessoas, incluindo estrangeiros, continuam desaparecidas de ambos os lados da fronteira, nesta região dos Himalaias, isolada e muito procurada por alpinistas e peregrinos. A catástrofe já causou cerca de 900 mortos e danos consideráveis. As equipas de socorro trabalham incansavelmente, em condições perigosas e apesar dos riscos causados por uma nova subida das águas, na esperança, em particular, de salvar cerca de uma centena de trabalhadores bloqueados num túnel, escreveu a agência de notícias France-Presse (AFP). Mas cinco dias depois, a esperança de encontrar sobreviventes no mar de lama e detritos que devastou aldeias inteiras vai-se desvanecendo. Famílias e pessoas próximas dos desaparecidos acorrem aos hospitais e morgues na tentativa de encontrar sobreviventes, nomeadamente em Bharatpur, no sul do Nepal, onde imagens de cadáveres são exibidas num ecrã. A força das águas levou cerca de 250 cadáveres até á área de Chitwan, a mais de cem quilómetros a jusante do local da catástrofe. Shobha Adhikary está convencida que o corpo sem vida deitado junto a um rio é de um amigo de infância. “Parece-se com ele”, afirma a um voluntário. Mas só uma identificação por ADN permitirá confirmar a identidade da vítima, adverte o voluntário. Contra o relógio Um trabalho longo e difícil realizado sob pressão do tempo: no domingo, por razões sanitárias, as autoridades nepalesas começaram a enterrar vítimas sem sequer esperar pela identificação dos corpos, por motivos de saúde pública. Estes enterros ocorrem após a recolha de uma amostra de ADN, precisaram as autoridades, e têm carácter provisório para as vítimas de confissão hindu. Isto permitirá que as famílias, após a identificação formal, exumem os corpos e procedem à cremação, conforme manda a tradição. “Foram recuperados muitos corpos e estes começaram a decompor-se”, justificou o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Amrit Bahadur Rai. Entre as causas, destacam-se: infraestruturas insuficientes face ao número de corpos. Como a morgue de Bharatpur só tem capacidade para cerca de vinte, as autoridades tiveram de armazenar os cadáveres em instalações com ar condicionado da associação de comerciantes. Em Devghat, na mesma região, onde foram enterradas vítimas ainda não identificadas, a polícia colocou números nos locais de sepultamento, de acordo com imagens da AFP. Várias dezenas estavam armazenados e prontos a serem utilizados. Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades nepalesas e chinesas continuam sem notícias de mais de quatro mil outras, entre as quais centenas de estrangeiros. O trabalho das equipas de salvamento está ameaçado por uma nova catástrofe: no lado chinês, os socorristas que intervêm no Tibete foram “transferidos para um local seguro” após a formação de um novo lago de barragem, provocado por um deslizamento de terra, segundo meios de comunicação estatais. No Nepal, as autoridades apelaram à prudência devido ao aumento do caudal do rio Bhotekoshi, no zona de Rasuwa (norte).
Hoje Macau China / ÁsiaQuirguistão | Xi aborda cooperação com Zhapárov O Presidente chinês está na capital do Quirguistão para reforçar laços bilaterais, participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai e encontrar-se com Putin para discutir projecto do gasoduto Força da Sibéria-2 O Presidente chinês chegou ontem ao Quirguistão para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) e realizar uma visita oficial ao país, com uma agenda marcada pelas guerras na Ucrânia e no Irão. Após a chegada a Bisqueque, Xi Jinping teve uma reunião informal com o homólogo quirguiz, Sadir Zhapárov, na qual “abordaram questões actuais da cooperação bilateral e os principais temas que serão tratados durante as próximas reuniões oficiais”, segundo a agência Sputnik no Quirguistão. O Presidente chinês participará em Bishkek na cimeira da SCO, organização fundada em 2001 e que reúne actualmente China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. O bloco centra grande parte da sua actividade na cooperação política, económica e de segurança, incluindo o combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo, embora, ao contrário da NATO (aliança atlântica), não disponha de uma cláusula de defesa mútua e tome as suas decisões por consenso. Durante a cimeira, o Presidente chinês deverá trocar opiniões com os líderes participantes sobre o aprofundamento da cooperação nos diferentes domínios da organização, além de abordar o papel da SCO na reforma da governação global. Acordos pendentes Por seu lado, o Kremlin adiantou que os membros deverão assinar cerca de uma vintena de acordos e emitir uma declaração conjunta. Além disso, está previsto que Xi tenha uma reunião bilateral com o Presidente russo, Vladimir Putin, na qual será abordado o projecto do gasoduto Força da Sibéria-2, um acordo que não chegou a ser fechado durante a visita à China do líder russo em Maio passado. O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, confirmou ontem que Xi e Putin se reunirão em Bishkek e salientou que “o tema da interacção e cooperação no sector energético está sempre presente na agenda russo-chinesa”. “Trata-se de uma cooperação mutuamente benéfica. Cada país defende, naturalmente, os seus próprios interesses. Nós, pelo menos, continuaremos a fazê-lo. Os nossos amigos chineses farão o mesmo”, sublinhou. Guerras e cooperação As guerras na Ucrânia e no Irão estarão também presentes como pano de fundo, uma vez que a Rússia e o Irão são membros da SCO. A China defende, relativamente à Ucrânia, que a solução deve passar pelo diálogo e pelas negociações, tendo em conta as “preocupações legítimas” de todas as partes, enquanto, relativamente ao Irão, condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel e rejeitou as sanções e a “máxima pressão” sobre Teerão. Além da cimeira, Xi procurará reforçar os laços com o Quirguistão, país que visitará oficialmente e que ocupa um lugar de destaque nos projectos chineses de conectividade terrestre na Ásia Central. Xi e Zhapárov reuniram-se três vezes durante 2025, enquanto avança a construção da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, um dos principais projectos regionais promovidos por Pequim para abrir novas rotas para a Ásia Central e, a partir daí, para o Médio Oriente e a Europa. Após participar na cimeira da SCO e realizar a visita oficial ao Quirguistão, Xi seguirá para o Egipto, onde está previsto que se reúna com o Presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também marcará presença na cimeira em Bishkek, adiantou na sexta-feira o seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O líder da Organização das Nações Unidas (ONU) tem previsto discursar na reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Plus, um formato alargado que reúne os membros da OCX e convidados, observadores e outros parceiros. “Neste discurso, espera-se que o secretário-geral enfatize o valor da cooperação entre a ONU e a Organização de Cooperação de Xangai. Abordará também outros temas, incluindo os recentes acontecimentos no Médio Oriente”, disse Dujarric aos jornalistas. À margem da cimeira, Guterres deverá ter encontros bilaterais, nomeadamente com o Presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, bem como “com outros líderes presentes”.
Hoje Macau China / ÁsiaFabricante automóvel BYD aumenta lucros graças às exportações A fabricante automóvel chinesa BYD, maior vendedora mundial de veículos eléctricos, aumentou os lucros em 30 por cento entre Abril e Junho, a primeira subida em cinco trimestres, num contexto de fraqueza do mercado interno que tornou as exportações prioritárias. Segundo cálculos efetuados com base nas contas apresentadas na sexta-feira à noite à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa registou no segundo trimestre um lucro líquido atribuível de cerca de 8.241 milhões de yuan. As vendas no estrangeiro cresceram 33,9 por cento, para o equivalente a 26.947 milhões de dólares, e representaram 52,6 por cento do total, enquanto as vendas na China caíram 30,7 por cento, levando a facturação operacional total a recuar 7,1 por cento. “Apesar da fraqueza das vendas na China, o lucro trimestral da BYD poderá representar um impulso para o sector automóvel chinês. As vendas no estrangeiro poderão aumentar, tirando partido da sua força tecnológica e produtiva”, afirmou Ivan Li, analista da Loyal Wealth Management, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. Segundo o jornal, apenas no segundo trimestre, a BYD aumentou em 82,5 por cento as vendas de veículos no estrangeiro, para mais de 471.000 unidades. Nas contas apresentadas, a fabricante descreveu uma conjuntura marcada por “uma fase de profundos ajustamentos e divergências, caracterizada por uma procura fraca a nível nacional e um sólido crescimento das exportações”, acrescentando que “continuará a reforçar a dinâmica de crescimento no estrangeiro”. Perante uma conjuntura marcada, no mercado interno, pela fraca procura, excesso de capacidade produtiva e forte concorrência, que resultou numa prolongada guerra de preços, muitos fabricantes chineses de veículos eléctricos procuraram mercados alternativos. Fintar tarifas A expansão levou também à imposição de tarifas em mercados como os Estados Unidos ou a Europa, perante preocupações com o impacto dos fabricantes chineses na quota de mercado dos produtores locais. Em resposta, empresas como a BYD, SAIC, Leapmotor e Chery estão a optar pela abertura de fábricas locais, que lhes permitem contornar as novas tarifas, embora críticos apontem que algumas destas unidades funcionam sobretudo como linhas de montagem de componentes produzidos na China. Segundo estimativas do banco de investimento norte-americano JPMorgan, a margem líquida de lucro dos fabricantes chineses por cada veículo vendido na China continental é de apenas cerca de 744 dólares, enquanto nos mercados estrangeiros esse valor pode ser quatro vezes superior. Esta semana, na sequência da maior recolha de veículos para reparação da história do país, as autoridades chinesas anunciaram ainda uma campanha de um ano destinada a reforçar a segurança e a qualidade dos automóveis. A associação do sector alertou que as guerras de preços poderão resultar numa redução da segurança e da qualidade dos veículos.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | IA ameaça centenas de milhares de pessoas na indústria audiovisual A rápida adopção de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de vídeos e no comércio electrónico na China está a substituir actores e apresentadores humanos, num sector que emprega directamente centenas de milhares de pessoas. No primeiro trimestre deste ano, foram lançadas na China cerca de 128.000 séries de episódios curtos para plataformas digitais, mais do triplo das produzidas durante todo o ano anterior, segundo dados da Associação Chinesa de Serviços de Difusão pela Internet. Cerca de 95 por cento destas produções foram geradas através de IA, de acordo com a mesma organização. A transformação acelerou com o lançamento de modelos de geração de vídeo cada vez mais avançados, entre os quais o Seedance 2.0, desenvolvido pela ByteDance, proprietária da rede social TikTok e da sua versão chinesa, Douyin. Em Maio, 89 das 100 séries de animação mais populares na Douyin tinham sido produzidas com recurso a IA, segundo a DataEye, empresa especializada em análise de dados e marketing. O impacto potencial sobre o emprego é significativo num país onde a economia associada às plataformas digitais absorveu milhões de trabalhadores ao longo da última década. A indústria chinesa de séries de curta duração emprega directamente cerca de 690.000 pessoas, segundo um relatório de 2026 da Escola Nacional de Desenvolvimento da Universidade de Pequim. Já cerca de 15 milhões de pessoas identificavam as transmissões em directo (‘livestreaming’) como principal profissão, segundo um relatório publicado em 2024 pela Associação Chinesa de Serviços de Difusão pela Internet. Réplicas baratas A utilização da IA está também a alastrar ao comércio electrónico através de apresentadores virtuais capazes de promover produtos durante 24 horas por dia por cerca de 10 por cento do custo de um trabalhador humano, segundo estimativas divulgadas pela imprensa estatal chinesa. Em Março, mais de 70.000 comerciantes utilizavam já apresentadores digitais disponibilizados pela plataforma de comércio eletrónico JD.com, segundo o portal de notícias Yicai. A tecnologia permite ainda criar réplicas digitais de apresentadores conhecidos. Uma versão virtual do influenciador chinês Luo Yonghao conseguiu vender 55 milhões de yuan em produtos durante uma transmissão de apenas sete horas, segundo dados da tecnológica chinesa Baidu. A queda dos custos de produção constitui um dos principais fatores por detrás da rápida adopção da tecnologia. Em 2024, a produção de uma série com três a cinco minutos podia exigir uma equipa de cinco pessoas durante três meses. Actualmente, o mesmo trabalho pode ser realizado por uma única pessoa em apenas um ou dois dias, segundo dados citados pelo jornal britânico Financial Times. O custo médio da produção recorrendo a IA caiu para entre 600 e 800 yuan por minuto, aproximadamente um décimo do custo de uma produção realizada com trabalhadores humanos. A Zeelin, empresa chinesa especializada em animação com IA, publicou, só em Maio, cerca de 8.000 episódios de séries curtas com aproximadamente um minuto cada. Disputas laborais A automatização está também a suscitar disputas laborais relacionadas com a utilização da imagem, voz e estilo de interpretação dos trabalhadores para criar réplicas digitais capazes de desempenhar posteriormente as mesmas funções. Num dos primeiros processos judiciais conhecidos em Hangzhou, um dos principais polos tecnológicos chineses, envolvendo um trabalhador alegadamente substituído por IA, o tribunal determinou que a empresa pagasse uma indemnização superior ao funcionário. A expansão da IA generativa ocorre numa altura em que Pequim procura acelerar a aplicação comercial da tecnologia, considerada pelas autoridades chinesas um dos principais motores para aumentar a produtividade e desenvolver novas fontes de crescimento económico.
Hoje Macau China / ÁsiaONU | Cimeira na Mongólia termina sem acordo para o combate à seca A cimeira da ONU na Mongólia contra a desertificação terminou sexta-feira sem acordo global para o combate à seca, mas mobilizou 1,3 mil milhões de dólares para a recuperação de terras. Após intensas negociações, as partes (196 países e a União Europeia) decidiram adiar o acordo global sobre a seca para a próxima cimeira, a decorrer em 2028 no Egito. Na Mongólia, os participantes conseguiram mobilizar 1,3 mil milhões de dólares de financiamento, maioritariamente público, para a recuperação de terras e a resistência à seca em 23 países, sendo que o grosso do investimento a ser realizado se destina a pastagens. A ONU estima que a degradação de terras já afecta 40 por cento da superfície do planeta e que se nada for feito para a travar haverá até 2050 mais 11 por cento de terras degradadas, uma extensão equivalente à América do Sul, com graves consequências para o clima, biodiversidade e a produção de alimentos. Segundo as Nações Unidas, a seca aumentou 30 por cento no mundo desde 2000 e afectará três em cada quatro pessoas em 2050. No capítulo do combate a este flagelo, a cimeira lançou um fundo de investimento para a resistência à seca, que visa mobilizar 400 milhões de dólares de capital privado para financiar projectos. O ministro mongol do Meio Ambiente e das Alterações Climáticas, Sandag-Ochir Tsend, salientou, na conferência de imprensa de encerramento da cimeira, que seria necessário mais dinheiro, na ordem dos 355 mil milhões de dólares anuais para combater no mundo a degradação de terras, a desertificação e a seca, em vez dos 77 mil milhões de dólares mobilizados actualmente todos os anos. A 17.ª Conferência das Partes da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (COP17) decorreu durante duas semanas em Ulan Bator, capital da Mongólia.
Hoje Macau China / ÁsiaTailândia | Aprovadas novas leis contra turistas problemáticos O governo tailandês avisou sexta-feira que os turistas problemáticos poderão ser expulsos do país, quando entram em vigor novas regras que visam estrangeiros condenados por actividades ilegais. “Os turistas ou trabalhadores estrangeiros problemáticos que infringirem a lei têm de sair”, escreveu nas redes sociais o ministro do Turismo, Surasak Phancharoenworakul. Novas regras que regulamentam a expulsão de estrangeiros que cumpriram a sua pena foram publicadas sexta-feira no Diário Oficial Real, o jornal oficial tailandês. Estas regras abrangem infrações como a permanência no país após o termo do visto, o trabalho ilegal, a exploração fraudulenta de empresas, a utilização de documentos falsos ou infrações puníveis com, pelo menos, cinco anos de prisão. “A Tailândia tem como política acolher estrangeiros que desejem viajar, trabalhar ou fazer negócios. No entanto, verificou-se que alguns estrangeiros não agem em conformidade com a lei ou com os costumes do nosso povo”, indica o texto. Aprovadas em Julho pelo governo do primeiro-ministro conservador, Anutin Charnvirakul, estas medidas visam “preservar os valores culturais tailandeses”, segundo as autoridades. A Tailândia já tinha decidido, em Maio, reduzir de 60 para 30 dias a duração das estadias sem visto para turistas de mais de 90 países, com o objectivo declarado de combater a criminalidade após uma série de distúrbios. Voz grossa O governo tailandês resolveu apertar as medidas contra turistas após vários escândalos sexuais em público, corridas ilegais de motociclos e na sequência de uma polémica que envolveu o gerente francês de um pequeno parque zoológico na ilha de Koh Samui ter recusado a entrada de israelitas no seu estabelecimento. Os repetidos actos de incivilidade alimentaram o debate público e levaram as autoridades a endurecer o tom, apesar de o reino do Sudeste Asiático continuar a ser economicamente muito dependente do turismo, que representa mais de 10 por cento do seu produto interno bruto (PIB). A Tailândia espera receber cerca de 33,5 milhões de turistas estrangeiros em 2026, contra cerca de 33 milhões no ano passado.
Hoje Macau China / Ásia MancheteNepal | Governo alerta para subida do nível da água da enxurrada As vítimas causadas pela tragédia no Nepal e Tibete continuam a aumentar. Autoridades alertam os perigos nas áreas afectadas pela enxurrada O Nepal alertou ontem para a subida do nível da água na bacia do rio Bhote Koshi, onde uma enxurrada causou na quarta-feira mais de 700 mortos, no país e na vizinha região do Tibete. “De acordo com o Departamento de Polícia do Distrito de Rasuwa, o caudal do rio Bhote Koshi aumentou”, afirmou a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA, na sigla em inglês). “Assim, todo o pessoal envolvido nas operações de busca, salvamento e socorro, as pessoas nas zonas ribeirinhas e todas as outras pessoas nas zonas afectadas, incluindo Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Chitwan, é aconselhado a tomar precauções”, disse a NDRRMA. No entanto, num comunicado divulgado na manhã de ontem, a agência governamental indicou que actualmente não existe o risco de “grandes inundações”. Tanto o Nepal como a China continuam os esforços de resgate contra o tempo para localizar pessoas presas pela enxurrada e começaram a enterrar corpos não identificados. A sobrelotação das morgues e a rápida decomposição dos corpos retirados dos rios obrigaram as autoridades locais, como no distrito de Nawalparasi East (Nawalpur), a iniciar a recolha em massa de amostras de ADN antes de enterrar corpos não identificados ou irreconhecíveis em áreas florestais comunitárias. As equipas de resgate, que já assistiram mais de 7.500 pessoas, continuam a tentar localizar os que ficaram presos na lama e os que ficaram isolados depois de pontes e estradas terem sido levadas pela enxurrada. Pelo menos 750 pessoas morreram e mais de três mil permanecem desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal. Pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros, na sequência da enxurrada de quarta-feira, anunciou ontem a emissora estatal chinesa CCTV. A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português. Sempre a somar A contagem representa mais nove mortes e menos oito desaparecidos do que o balanço anterior divulgado pelas autoridades chinesas. No sábado à noite, a autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências anunciou que registava 675 mortos e 2.498 desaparecidos, incluindo mais de 500 estrangeiros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa tinha referenciado seis portugueses desaparecidos no Nepal, mas três foram, entretanto, encontrados com vida. Também ontem, as autoridades chinesas identificaram a causa do desastre, confirmando as avaliações dos cientistas. Os especialistas “concluíram que por volta das 10:52 do dia 26 de Agosto, um glaciar na encosta sul do Pico Lirung, no Nepal”, entrou em colapso, desencadeando uma avalanche de gelo e rochas, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. Uma equipa de especialistas da Academia Chinesa de Ciências disse que a estabilidade do glaciar foi afectada por um “período prolongado de aquecimento climático global”. O mais recente catálogo nacional de glaciares da China, publicado em 2025, estimou que a extensão dos glaciares na China diminuiu 26 por cento desde a década de 1960, com recuos de até 40 por cento em algumas áreas dos Himalaias e da Trans-Himalaia. 750 vítimas mortais Pelo menos 750 pessoas morreram e 3.044 continuam desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal, na sequência da enxurrada de quarta-feira, segundo um novo balanço nepalês divulgado ontem. A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal confirmou ontem a existência de 734 vítimas mortais no país, assim como 2.498 pessoas desaparecidas. A contagem representa mais 59 mortes do que o balanço anterior, divulgado pelas autoridades nepalesas responsável pela gestão de emergências no sábado à noite, enquanto o número de desaparecidos permaneceu inalterado. Do lado da China, a emissora estatal CCTV disse ontem que pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros. A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi Jinping a caminho do Quirguistão para cimeira regional e reunião com Putin O Presidente vai participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai e tem encontro marcado para hoje com o líder russo Vladimir Putin O líder da China, Xi Jinping, partiu ontem para o Quirguistão, para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) e encontrar-se com o Presidente russo, Vladimir Putin. Xi Jinping, cujo avião descolou de manhã, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, permanecerá fora da China até quinta-feira. Durante a estadia no Quirguistão, Xi vai manter conversações com o Presidente quirguiz, Sadyr Japarov, sobre as relações bilaterais, a “cooperação em sectores prioritários” e a situação internacional e regional, anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian. A SCO é composta por 10 Estados-membros, incluindo China, Índia, Paquistão, Rússia, Irão e nações da Ásia Central. A cimeira decorrerá em Bishkek, capital do Quirguistão, na próxima semana. Fundada em 2001, a OCX pretende contrabalançar as organizações ocidentais e reforçar a cooperação regional em matéria de política, segurança, combate ao terrorismo e comércio. À margem da cimeira, Xi Jinping irá reunir-se com vários líderes, incluindo o homólogo russo, Vladimir Putin, numa agenda dominada pelas guerras na Ucrânia e no Irão e pela crescente importância da Ásia Central na estratégia económica de Pequim. Segundo Lin Jian, Xi Jinping irá trocar opiniões com os líderes participantes sobre o “aprofundamento da cooperação nas várias áreas” da organização, bem como sobre o papel da SCO na reforma da governação global. Actualidade na mesa A reunião entre Putin e o Presidente chinês Xi Jinping terá lugar hoje e irá discutir o projecto do gasoduto Siberian Force-2, disse na sexta-feira Yuri Ushakov, conselheiro presidencial para política internacional, citado pela agência de notícias russa TASS. “Serão discutidas questões actuais relacionadas com o desenvolvimento da cooperação bilateral, bem como as questões internacionais mais importantes”, afirmou. O acordo sobre este gasoduto não pôde ser concluído, como era desejo de Moscovo, durante a visita do chefe do Kremlin ao gigante asiático em maio passado. A infraestrutura permitirá transportar gás natural dos campos da Sibéria ocidental para o mercado chinês, atravessando o território da Mongólia. “Será uma reunião muito importante. A segunda entre os dois líderes este ano”, explicou o diplomata. Putin e Xi “continuarão a comunicar pessoalmente nos próximos meses”, disse Ushakov. O conselheiro adiantou que os países membros da SCO assinarão cerca de 20 acordos e emitirão uma declaração em Bishkek, à qual também assistirão representantes de outros países observadores ou convidados, como Turquia, Azerbaijão, Arménia, Mongólia, Egipto, Laos, Vietname e Turquemenistão. “A OCX é atualmente uma das maiores alianças regionais e das que tem maior autoridade. E um dos centros do mundo multipolar incipiente”, disse o conselheiro presidencial russo. ONU presente O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também marcará presença na cimeira em Bishkek, adiantou na sexta-feira o seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O líder da ONU tem previsto discursar na reunião da Organização de Cooperação de Xangai Plus, um formato alargado que reúne os membros da OCX e convidados, observadores e outros parceiros. “Neste discurso, espera-se que o secretário-geral enfatize o valor da cooperação entre a ONU e a Organização de Cooperação de Xangai. Abordará também outros temas, incluindo os recentes acontecimentos no Médio Oriente”, disse Dujarric aos jornalistas. À margem da cimeira, Guterres deverá ter encontros bilaterais, nomeadamente com o Presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, bem como “com outros líderes presentes”.
Hoje Macau China / ÁsiaEx-chefe do PCC condenado a pena de morte suspensa por corrupção Um tribunal chinês condenou sexta-feira o antigo chefe do Partido Comunista da China na província de Hubei a uma pena de morte suspensa por dois anos por aceitar subornos no valor de mais 17 milhões de euros. O Tribunal Popular Intermédio de Nanjing, na província oriental de Jiangsu, privou ainda Jiang Chaoliang dos seus direitos políticos para o resto da vida, ordenou que fossem confiscados todos os seus bens pessoais e determinou que os activos obtidos ilegalmente e os respectivos rendimentos fossem entregues ao Tesouro do Estado. Jiang, que foi governador de Jilin entre 2013 e 2016 e chefe do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020, foi destituído deste último cargo em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da pandemia de covid-19, no meio de críticas à gestão inicial do surto de coronavírus em Wuhan. A sentença estabelece que, após o termo do período de dois anos de suspensão e a comutação da pena para prisão perpétua, Jiang permanecerá preso sem possibilidade de redução da pena nem de liberdade condicional. Com atenuantes De acordo com a sentença, entre 1995 e 2025, Jiang aproveitou-se dos cargos que ocupou em entidades financeiras estatais e governos provinciais para favorecer empresas e particulares em operações empresariais, empréstimos, adjudicação de projectos e promoções profissionais. O tribunal teve em conta como atenuantes o facto de ter confessado os crimes, fornecido informações sobre outros casos e devolvido os ganhos ilícitos, pelo que considerou que a pena de morte não deveria ser executada de forma imediata. Na China, é comum, em grandes casos de corrupção, que as penas de morte sejam suspensas por dois anos, sendo normalmente comutadas por prisão perpétua se o condenado não cometer novos crimes durante esse período. As penas de morte sem suspensão são menos frequentes neste tipo de casos e reservam-se para situações consideradas de extrema gravidade. Após a sua chegada ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, impulsionou uma ampla campanha anticorrupção que atingiu funcionários de todos os níveis e responsáveis de empresas estatais.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Aprovado orçamento de 6,5 mil ME para fabrico de drones militares Taiwan aprovou ontem um orçamento de 7,6 mil milhões de dólares para o fabrico local de drones militares. A proposta orçamental era apoiada pelos partidos da oposição, tendo o parlamento preferido esta a uma anteriormente apresentada pelo Governo, que havia sido chumbada pelos deputados. O governo de Lai Ching-te pretendia atribuir até 6,6 mil milhões de dólares a uma dotação orçamental específica destinada a veículos aéreos não tripulados fabricados em Taiwan, nomeadamente drones de vigilância costeira, de ataque e de superfície. Estas despesas teriam sido distribuídas ao longo de mais de cinco anos e supervisionadas pelo Ministério da Defesa. O Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan, os dois partidos da oposição que detêm a maioria dos assentos no parlamento, preferiram apoiar a proposta que prevê uma dotação de 7,6 mil milhões de dólares ao longo de seis anos, integrada no orçamento anual. O Yuan Legislativo aprovou, em meados de Agosto, o orçamento do Governo para 2026 com um atraso recorde de quase oito meses.
Hoje Macau China / ÁsiaTufões | Saudel aproxima-se do leste do país após passagem do Narra pelo sul O tufão Saudel aproximava-se ontem do leste da China, enquanto o tufão Narra continua a provocar chuvas no sul e sudoeste do país, após inundações que obrigaram a retirar mais de 54 mil pessoas. O Centro Meteorológico Nacional situou o Saudel, durante a madrugada de ontem, no mar do Leste da China, a cerca de 485 quilómetros da fronteira entre as províncias de Fujian e Zhejiang, no sudeste do país, com ventos máximos de 40 metros por segundo junto ao centro. O sistema, que enfraqueceu de tufão forte para tufão, avançava em direcção a oeste-sudoeste e poderá atingir terra na manhã de hoje, na faixa costeira entre Zhejiang e Fujian, segundo a imprensa estatal. As autoridades prevêem que o Saudel provoque ventos fortes no leste e sudeste da China, incluindo no mar do Leste da China, no estuário do rio Yangtzé, na baía de Hangzhou e nas costas de Zhejiang e Fujian, com rajadas mais intensas nas zonas próximas do centro do tufão. Em paralelo, as chuvas associadas ao tufão Narra, que atingiu esta semana as províncias de Hainan e Guangdong, depois de provocar inundações em Guangxi, vão continuar a afectar zonas do sul do país. Os meteorologistas alertaram que a combinação de vários sistemas tropicais recentes poderá aumentar o risco de enxurradas, deslizamentos de terras e inundações em áreas já afetadas pela chuva. A passagem do Narra e do Saudel ocorre num Verão marcado na China por tufões, chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terras, que causaram dezenas de mortos e levaram à retirada preventiva de centenas de milhares de pessoas.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Bill Gates pede cooperação entre EUA e China O co-fundador da Microsoft Bill Gates defendeu que Estados Unidos (EUA) e China devem cooperar na gestão dos riscos da inteligência artificial (IA), alertando que a tecnologia poderá tornar-se fonte de igualdade ou aprofundar injustiças. Num ensaio publicado na quarta-feira, no seu blogue Gates Notes, o empresário e filantropo considerou que a rápida evolução da IA está a conduzir o mundo para “um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade” e que os governos não estão suficientemente preparados para as consequências. Segundo Gates, a IA poderá tornar-se “o maior instrumento de igualdade alguma vez inventado ou a pior fonte de injustiça”. “Os países que acolhem os principais criadores de IA e controlam partes críticas da cadeia de abastecimento devem começar já a reunir-se para estabelecer normas comuns, antes que a pressão competitiva dificulte a cooperação”, escreveu. “Construir o quadro de que estou a falar levará anos, razão pela qual precisamos de começar agora”, acrescentou. No ensaio, com cerca de seis mil palavras, Gates argumentou que a actual transformação tecnológica difere das anteriores devido à velocidade dos avanços da IA e à dimensão do potencial impacto sobre as sociedades. “Desta vez é realmente diferente”, afirmou. Estados Unidos e China, as duas principais potências mundiais no desenvolvimento da IA, deverão discutir a governação da tecnologia em setembro, durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, embora ainda não sejam conhecidos os temas concretos das conversações. Gates afirmou que, em teoria, apoiaria um abrandamento global do desenvolvimento da IA, mas considerou improvável que isso aconteça devido aos incentivos geopolíticos e económicos para avançar “a toda a velocidade”. Linha da frente Em alternativa, defendeu que os líderes mundiais devem reunir especialistas para identificar falhas na preparação das instituições, destacando três áreas de risco: substituição de trabalhadores, crimes e vigilância facilitados pela IA e impacto sobre crianças e relações humanas. Gates destacou a China como o país que “foi mais longe” na adopção de salvaguardas para menores que utilizam IA, citando as recentes restrições de Pequim a aplicações de companheiros virtuais concebidas de forma a fomentar dependência emocional entre crianças e adolescentes. O empresário chamou ainda a atenção para os avanços chineses na robótica, que poderão ter consequências significativas para o mercado de trabalho. “Muitos dos trabalhos avançados” nesta área estão a ser realizados na China, escreveu Gates. “Penso que os robôs ‘inteligentes’ começarão a competir com as pessoas em algumas tarefas físicas – na construção e hotelaria, por exemplo – até ao final da década”, antecipou. Em mãos humanas Washington e Pequim acordaram, em 2024, manter seres humanos, e não sistemas de IA, no controlo das armas nucleares, naquele que continua a ser o único entendimento de alto nível entre os dois países sobre o desenvolvimento e utilização desta tecnologia. As duas potências mantêm, ao mesmo tempo, uma intensa competição pelo desenvolvimento dos modelos de IA e robôs mais avançados. Incidentes recentes envolvendo a utilização de modelos avançados de IA em ataques informáticos aumentaram, contudo, as expectativas de que Washington e Pequim possam encontrar áreas de interesse comum, incluindo o combate à eventual utilização da tecnologia por organizações terroristas. Gates está ainda a tentar finalizar uma reunião com Xi Jinping na China, provisoriamente prevista para Novembro, durante a qual pretende abordar as suas preocupações sobre o impacto da IA. Gates reuniu-se pela última vez com Xi em 2023, quando se tornou o primeiro líder empresarial estrangeiro recebido pelo Presidente chinês após a pandemia de covid-19.
Hoje Macau China / ÁsiaIndústria | Lucros das empresas chinesas sobem 17,6 por cento até Julho Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 17,6 por cento entre Janeiro e Julho, face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais ontem divulgados. Segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística chinês (NBS, na sigla em inglês), os lucros destas empresas atingiram cerca de 4,58 biliões de yuan nos primeiros sete meses de 2026. Apesar do abrandamento, o resultado ficou significativamente acima da previsão do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma desaceleração mais acentuada, para 16 por cento. Para elaborar esta estatística, o GNE considera apenas empresas industriais com uma facturação anual superior a 20 milhões de yuan. Só em Julho, os lucros destas empresas aumentaram 11,2 por cento, em termos homólogos. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da electrónica, cujos lucros mais do que duplicaram face ao período homólogo, graças à expansão da inteligência artificial (IA) e à crescente procura por sistemas de computação, que fez subir os preços e aumentou “rapidamente” os resultados das empresas. Dos 17,6 por cento de crescimento do indicador global, mais de metade – 9,3 pontos percentuais – deveu-se ao sector da electrónica, onde alguns segmentos, como o dos semicondutores, multiplicaram os lucros por mais de 18 vezes. Yu destacou também o “papel de liderança” da indústria transformadora de alta tecnologia e de sectores ligados às matérias-primas, como o dos metais não ferrosos, cujos lucros aumentaram 91,8 por cento, impulsionados pela subida dos preços do alumínio na sequência da guerra no Médio Oriente. Riscos internos e externos O responsável não mencionou, contudo, a situação da indústria automóvel, envolvida numa prolongada guerra de preços devido aos problemas de procura no mercado interno, que levou a uma queda de 20,4 por cento dos lucros do setor. Na análise dos dados, Yu reconheceu, porém, as “contradições proeminentes entre uma oferta forte e uma procura fraca no mercado interno” e apontou ainda outros factores de risco, incluindo uma conjuntura internacional “complexa e grave”. Em 2025, os lucros das empresas industriais chinesas registaram a primeira evolução positiva em quatro anos, com uma subida de 0,6 por cento, após três anos consecutivos de quedas. Os lucros recuaram 2 por cento em 2022, 2,3 por cento em 2023 e 3,3 por cento em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaChina rejeita acusações dos EUA sobre ciberataques contra NASA e Reserva Federal A China rejeitou ontem as acusações dos Estados Unidos de que duas plataformas de pirataria informática ligadas a Pequim foram usadas em ciberataques contra organismos norte-americanos, alegando falta de provas. Entre os organismos norte-americanos visados contam-se a agência espacial NASA e a Reserva Federal. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “firme oposição” e o “forte descontentamento” de Pequim perante o que classificou como uma nova tentativa dos Estados Unidos de utilizar a cibersegurança como “pretexto para difamar a China”. Lin acusou Washington de “abusar das medidas de aplicação da lei para fins políticos”, depois das autoridades norte-americanas terem anunciado a apreensão dos domínios utilizados pelas duas plataformas. O porta-voz afirmou que os Estados Unidos são “o maior autor mundial de pirataria informática e espionagem”, e referiu anteriores acusações de Pequim contra a Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana por alegados ciberataques contra infraestruturas chinesas. Em concreto, Lin afirmou que casos anteriormente divulgados sobre alegadas operações da NSA demonstraram que Washington introduziu capacidades para realizar ciberataques no Centro Nacional de Serviço Horário da China, visando, segundo Pequim, eventuais operações de sabotagem contra infraestruturas críticas do país. O porta-voz instou ainda os Estados Unidos a abandonarem os “dois pesos e duas medidas” e a “manipulação política” e a resolverem as divergências com a China em matéria de cibersegurança através do diálogo e de consultas “em pé de igualdade”. Anúncios americanos O Departamento de Justiça (DOJ) e o FBI norte-americanos anunciaram na quarta-feira a apreensão dos domínios da QScan e QTRouter, duas plataformas que, segundo Washington, permitiam infectar milhares de dispositivos ligados à Internet e utilizá-los para ocultar a origem de ciberataques. Segundo documentos judiciais norte-americanos, ambas as ferramentas eram operadas pelo grupo QTFY, ligado à empresa chinesa Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company, que terá prestado serviços de pirataria informática a clientes, entre os quais o Ministério da Segurança do Estado e o Exército de Libertação Popular da China.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam novos mecanismos para tentar resolver disputa fronteiriça China e Índia acordaram criar dois novos grupos de trabalho sobre a disputa fronteiriça e reforçar os canais militares de comunicação, entre oito consensos alcançados durante uma reunião em Pequim, anunciou ontem a diplomacia chinesa. Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após a reunião entre o ministro Wang Yi e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, as duas partes acordaram criar um grupo de peritos sobre delimitação e outro sobre controlo fronteiriço. O primeiro fica encarregado de avançar na delimitação dos sectores em disputa, enquanto o segundo abordará questões práticas relacionadas com a gestão da fronteira. Pequim e Nova Deli acordaram ainda acrescentar dois novos pontos para reuniões entre comandantes militares de nível general e estabelecer duas novas linhas directas militares nos sectores ocidental e central da fronteira. As partes comprometeram-se também a utilizar os “canais diplomáticos e militares existentes” para gerir “de forma atempada” quaisquer incidentes fronteiriços, resolver questões pendentes e evitar “mal-entendidos e erros de cálculo”. Encontros e desencontros O comunicado refere ainda o compromisso de prosseguir as negociações com base no acordo político alcançado em 2005 para a resolução da questão fronteiriça, visando encontrar uma solução “justa, razoável e aceitável para ambas as partes”. China e Índia avaliaram também positivamente a reabertura de três mercados de comércio fronteiriço e acordaram reforçar as trocas comerciais e as peregrinações nas zonas limítrofes. A reunião entre Wang e Doval ocorreu numa altura de aproximação bilateral e antes da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, prevista para Nova Deli, na qual poderá participar o Presidente chinês, Xi Jinping, noticiou esta semana o jornal indiano The New Indian Express, embora não exista, até ao momento, confirmação oficial da deslocação. China e Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020, no vale de Galwan, causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses e desencadeou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, os dois países têm dado passos para normalizar as relações, incluindo a retoma da emissão de vistos, do comércio fronteiriço e dos voos diretos, embora a questão territorial continue a ser o principal foco de fricção.
Hoje Macau China / ÁsiaJustiça | Hong Kong permite a liquidatários da Evergrande processar rede global da PwC Um tribunal de Hong Kong autorizou os liquidatários da gigante imobiliária chinesa Evergrande a avançar com um processo contra a estrutura global da PwC, no qual reclamam milhares de milhões de euros por alegadas falhas de auditoria. A decisão, proferida na quarta-feira, permite que os liquidatários processem a PwC International, entidade que coordena a rede mundial da consultora, juntamente com as afiliadas de Hong Kong e da China continental responsáveis pela auditoria das contas da Evergrande, noticiou o jornal Financial Times (FT). Os liquidatários reclamam cerca de 8,4 mil milhões de dólares em indemnizações às três entidades, depois de vários reguladores terem concluído que os auditores da PwC em Hong Kong e na China continental não cumpriram os padrões profissionais ao aprovarem as demonstrações financeiras da promotora imobiliária. “É pelo menos defensável que (…) a [PwC] International tinha um dever de diligência para com a [Evergrande]”, escreveu Patrick Fung, juiz-adjunto do Tribunal Superior de Hong Kong. “É crucial que haja divulgação de documentos e respostas a interrogatórios, o que, acredito, permitirá esclarecer melhor o caso”, acrescentou. A decisão representa uma vitória para Eddie Middleton e Tiffany Wong, da consultora Alvarez & Marsal, nomeados liquidatários da Evergrande. A Evergrande, que chegou a ser uma das maiores promotoras imobiliárias da China, entrou em incumprimento em 2021, acumulando cerca de 300 mil milhões de dólares em passivos. Os liquidatários alegam que a PwC International deve ser responsabilizada pelas falhas das firmas da rede em Hong Kong e na China continental, que terão permitido à Evergrande distribuir cerca de seis mil milhões de dólares em dividendos entre 2017 e 2020, apesar da situação financeira da empresa. Na China continental, a afiliada da PwC pagou, em 2024, uma multa de 441 milhões de yuan após o Ministério das Finanças chinês ter concluído que funcionários da consultora “ocultaram ou até toleraram” a fraude na Evergrande.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos em inundações Pelo menos 95 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas devido a uma avalanche de gelo e rocha que provocou ontem inundações relâmpago no Nepal, disseram as autoridades locais. Entre as mais de 400 pessoas desaparecidas estão 291 turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia, noticiou a agência de notícias Associated Press (AP). O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09:00 e destruiu várias aldeias, estradas e projectos hidroeléctricos. As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. “Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel. O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas. “As inundações são maciças e susceptíveis de ter afectado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP). A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres. As inundações afectaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE. China afectada Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua. Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada. As autoridades da China ainda não divulgaram qualquer balanço do número de vítimas. “A prioridade absoluta é a mobilização de todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realojar os habitantes em perigo, prestar cuidados médicos rápidos aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua. As causas Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro de ontem foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar. De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã. “O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização. “Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou. O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que obstrução causada pela avalanche no rio se manteve e “pode assim ocorrer uma segunda inundação”. A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela acção humana. Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul diz que aeronaves militares russas entraram em zona de defesa sul-coreana A Coreia do Sul anunciou ontem que mobilizou caças, na terça-feira, depois de várias aeronaves militares russas terem entrado na zona de identificação de defesa aérea do país. O Ministério da Defesa esclareceu que as aeronaves não violaram o espaço aéreo sul-coreano. “As forças armadas sul-coreanas detectaram as aeronaves russas após entrarem na zona e accionaram caças da força aérea como medida de precaução”, explicou o ministério, em comunicado. As aeronaves russas entraram e saíram da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul sobre o mar do Japão, segundo a mesma fonte. Esta é uma zona tampão, distinta do espaço aéreo soberano de um país, onde as aeronaves estrangeiras são obrigadas a identificar-se por motivos de segurança. As aeronaves militares notificam normalmente os países envolvidos antes de entrarem no seu espaço aéreo, embora esta não seja uma exigência legal. Um incidente semelhante ocorreu em Junho, quando mais de dez aeronaves militares chinesas e russas entraram no espaço aéreo da Coreia do Sul sem o violar. Pequim afirmou na altura que as forças chinesas e russas tinham realizado uma “patrulha aérea estratégica” sobre o mar do Japão, o mar do Leste da China e o oeste do Oceano Pacífico. Moscovo, por sua vez, afirmou que a operação fazia parte dos planos regulares de cooperação militar e “não era dirigida contra nenhum país terceiro”. Seul, no entanto, protestou junto de Moscovo e Pequim, solicitando que tais incidentes não se repetissem. Novas amizades Em 2024, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, deslocou-se a Pyongyang — a primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século — e assinou com Kim Jong-un uma aliança militar entre dois Estados nucleares. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando diretamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul permanecem tecnicamente em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia (1950-1953), desencadeada por um ataque do Norte, terminou apenas com um armistício, sem qualquer tratado de paz. Em 16 de Agosto, o líder da Coreia do Norte expressou orgulho pela relação com a Rússia, numa carta enviada a Vladimir Putin. De acordo com a imprensa estatal norte-coreana, Kim reafirmou ainda o apoio a Moscovo na guerra contra a Ucrânia, dizendo estar convicto de que o aliado prevalecerá sob a “sábia liderança” de Vladimir Putin. Dias antes, Putin tinha enviado uma carta a Kim por ocasião do 81.º aniversário da libertação, no final da Segunda Guerra Mundial, da península coreana da ocupação por parte do Japão. Em 13 de Agosto, o Presidente da Rússia visitou as ilhas Curilas, no Extremo Oriente, uma visita que provocou um forte protesto do Japão, que também reivindica o arquipélago.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | China com quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial A China representa quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial, percentagem que continuará a crescer, apontou ontem um representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). Numa apresentação sobre o sector organizada pela Câmara de Comércio França-Macau, o gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, Erik Chan, indicou que, no início do século, os Estados Unidos representavam dois terços (65 por cento) do tráfego interno mundial e a China detinha uma quota de apenas 6 por cento. Acrualmente, apontou, o cenário é de quase paridade, com a China a representar 29 por cento de todo o tráfego doméstico global (medido em passageiros-quilómetro pagos, só atrás dos Estados Unidos, que recuaram para 37 por cento. “Pode ver-se a força gigantesca da China a acontecer no mercado doméstico chinês, que está a crescer imenso”, afirmou Erik Chan. O responsável sublinhou que ter praticamente um terço dos voos internos do mundo concentrados no país reflecte “uma das maiores mudanças estruturais na história do sector, e demorou apenas 25 anos a concretizar-se”. Efeito dominó A expansão reflecte-se directamente no peso financeiro do sector. A China é actualmente o segundo maior mercado de aviação do mundo em contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando 253,6 mil milhões de dólares entre impacto directo, indirecto e turismo associado. A China registou 380 milhões de viagens individuais na primeira metade de 2026, um aumento de 1 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma sessão, Chan alertou que o actual conflito no Médio Oriente e os atrasos nas entregas de aeronaves deverão reduzir para metade os lucros da aviação comercial global em 2026. A dimensão do mercado interno chinês surge como um pilar crucial num momento de incerteza internacional, destacou Chan, ajudando a absorver os choques provocados pela subida dos combustíveis e pela escassez global de aeronaves que afetam as rotas de longo curso. Líderes ecológicos O vice-chefe da Administração Estatal de Aviação Civil da China, Han Jun, disse que companhias aéreas chinesas operavam em Julho rotas internacionais regulares de passageiros para 177 cidades em 80 países de cinco continentes. No primeiro semestre do ano as viagens de passageiros em rotas aéreas internacionais operadas por companhias aéreas chinesas ultrapassaram 40 milhões, um aumento anual de 5,7 por cento. Além da capacidade de passageiros e carga, a IATA aponta a China como um futuro líder na transição ecológica da aviação. Com o avanço das metas globais de descarbonização até 2050, projecta-se que o país assuma um papel central na produção e fornecimento em grande escala de Combustíveis Sustentáveis de Aviação. Perspectivando os próximos 25 anos, período em que a IATA prevê que o tráfego global mais do que duplique até alcançar 21 biliões de passageiros-quilómetros pagos em 2050, a liderança do mercado doméstico chinês será o grande motor da indústria. “A transição da América para a Ásia já aconteceu no espaço de 25 anos, e as projecções indicam que os próximos 25 anos vão empurram na mesma direcção”, concluiu Erik Chan. “Acima do horizonte, o centro de gravidade deste sector está a mover-se para a região da Ásia-Pacífico.”
Hoje Macau China / ÁsiaPequim prepara legislação anticorrupção com alcance além-fronteiras A China começou a analisar uma lei destinada a combater a corrupção transfronteiriça, que poderá alargar a jurisdição das autoridades chinesas ao estrangeiro e impor novas obrigações de conformidade às empresas do país com operações internacionais. A proposta de Lei Anticorrupção Transfronteiriça foi submetida na terça-feira a uma primeira apreciação pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo da China, durante uma sessão que decorre até sexta-feira. O texto integral da proposta, composto por seis capítulos e 47 artigos, ainda não foi divulgado ao público. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a legislação pretende completar o quadro jurídico aplicável a assuntos externos, proteger os interesses nacionais e promover operações empresariais no estrangeiro em conformidade com a lei. A proposta visa ainda reforçar o “arsenal jurídico” disponível para a repatriação de fugitivos, recuperação de activos e tratamento de casos de corrupção com dimensão internacional. A legislação procura transformar em lei as práticas desenvolvidas ao longo de uma década de campanha anticorrupção e colmatar lacunas jurisdicionais, visando crimes financeiros cometidos no estrangeiro, apontou a Xinhua. Novos padrões Entre os principais obstáculos identificados pelas autoridades estão as dificuldades em detectar crimes, recolher provas, recuperar activos ilícitos e processar infrações cometidas fora das fronteiras chinesas. A proposta estabelece princípios, âmbito de aplicação e mecanismos para combater a corrupção transfronteiriça e obriga empresas chinesas com operações no estrangeiro a adoptar padrões rigorosos de conformidade, segundo a Xinhua. A iniciativa surge no âmbito da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, após chegar ao poder, em 2012, e que se tornou uma das políticas emblemáticas da sua liderança. O presidente do Comité Permanente da APN, Zhao Leji, indicou no início do ano que a aprovação de uma lei contra a corrupção transfronteiriça seria uma das prioridades legislativas de 2026, no âmbito da aplicação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) chinês.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam negociações sobre disputa fronteiriça A China e a Índia acordaram terça-feira avançar nas negociações sobre a sua disputa fronteiriça, numa reunião em Pequim entre o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval. A decisão ocorre numa altura de aproximação entre os dois países e de uma possível visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Nova Deli. Wang e Doval lideraram terça-feira a 25.ª reunião de representantes especiais sobre a questão fronteiriça, na qual ambas as partes concordaram “procurar uma solução abrangente, justa, razoável e mutuamente aceitável para o problema fronteiriço”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Wang afirmou que os dois países devem colocar a questão fronteiriça numa posição “apropriada” dentro da relação bilateral, ao mesmo tempo que realçou que “as trocas e a cooperação institucionalizada entre os dois países tenham sido retomadas gradualmente”. Doval, por seu lado, assegurou no início da reunião que as conversações eram especialmente importantes quando se aproxima uma nova cimeira dos BRICS e destacou que, no último ano, a relação bilateral tem estado “a regressar de forma constante à normalidade”. A Índia está disposta “a gerir eficazmente as zonas fronteiriças” e a “explorar soluções para o problema”, afirmou o responsável político indiano, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O jornal indiano The New Indian Express noticiou esta semana que a reunião em Pequim ocorre num momento em que se admite como possível presença de Xi Jinping na cimeira dos BRICS, prevista para 12 e 13 de Setembro em Nova Deli, embora por agora não exista confirmação oficial da sua viagem. Se acontecer, seria a primeira visita do líder chinês à Índia em sete anos e abriria a porta a um novo encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, depois de ambos se terem reunido em Agosto de 2025 na cidade chinesa de Tianjin, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai. Desacatos territoriais A China e a Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da sua fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020 no vale de Galwan, deixou pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses mortos e provocou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, ambos os países têm avançado gradualmente na normalização das suas relações, com a recuperação de vistos, a reabertura do comércio fronteiriço e a retoma dos voos directos, embora persistam diferenças territoriais e comerciais. Doval encontrou-se terça-feira com o vice-presidente chinês, Han Zheng, que pediu para que se aumente a confiança mútua e amplie a cooperação bilateral.