Seul diz que aeronaves militares russas entraram em zona de defesa sul-coreana

A Coreia do Sul anunciou ontem que mobilizou caças, na terça-feira, depois de várias aeronaves militares russas terem entrado na zona de identificação de defesa aérea do país. O Ministério da Defesa esclareceu que as aeronaves não violaram o espaço aéreo sul-coreano.

“As forças armadas sul-coreanas detectaram as aeronaves russas após entrarem na zona e accionaram caças da força aérea como medida de precaução”, explicou o ministério, em comunicado. As aeronaves russas entraram e saíram da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul sobre o mar do Japão, segundo a mesma fonte.

Esta é uma zona tampão, distinta do espaço aéreo soberano de um país, onde as aeronaves estrangeiras são obrigadas a identificar-se por motivos de segurança. As aeronaves militares notificam normalmente os países envolvidos antes de entrarem no seu espaço aéreo, embora esta não seja uma exigência legal.

Um incidente semelhante ocorreu em Junho, quando mais de dez aeronaves militares chinesas e russas entraram no espaço aéreo da Coreia do Sul sem o violar. Pequim afirmou na altura que as forças chinesas e russas tinham realizado uma “patrulha aérea estratégica” sobre o mar do Japão, o mar do Leste da China e o oeste do Oceano Pacífico.

Moscovo, por sua vez, afirmou que a operação fazia parte dos planos regulares de cooperação militar e “não era dirigida contra nenhum país terceiro”. Seul, no entanto, protestou junto de Moscovo e Pequim, solicitando que tais incidentes não se repetissem.

Novas amizades

Em 2024, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, deslocou-se a Pyongyang — a primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século — e assinou com Kim Jong-un uma aliança militar entre dois Estados nucleares. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando diretamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang.

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul permanecem tecnicamente em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia (1950-1953), desencadeada por um ataque do Norte, terminou apenas com um armistício, sem qualquer tratado de paz. Em 16 de Agosto, o líder da Coreia do Norte expressou orgulho pela relação com a Rússia, numa carta enviada a Vladimir Putin.

De acordo com a imprensa estatal norte-coreana, Kim reafirmou ainda o apoio a Moscovo na guerra contra a Ucrânia, dizendo estar convicto de que o aliado prevalecerá sob a “sábia liderança” de Vladimir Putin. Dias antes, Putin tinha enviado uma carta a Kim por ocasião do 81.º aniversário da libertação, no final da Segunda Guerra Mundial, da península coreana da ocupação por parte do Japão.

Em 13 de Agosto, o Presidente da Rússia visitou as ilhas Curilas, no Extremo Oriente, uma visita que provocou um forte protesto do Japão, que também reivindica o arquipélago.

27 Ago 2026

Aviação | China com quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial

A China representa quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial, percentagem que continuará a crescer, apontou ontem um representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).

Numa apresentação sobre o sector organizada pela Câmara de Comércio França-Macau, o gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, Erik Chan, indicou que, no início do século, os Estados Unidos representavam dois terços (65 por cento) do tráfego interno mundial e a China detinha uma quota de apenas 6 por cento.

Acrualmente, apontou, o cenário é de quase paridade, com a China a representar 29 por cento de todo o tráfego doméstico global (medido em passageiros-quilómetro pagos, só atrás dos Estados Unidos, que recuaram para 37 por cento. “Pode ver-se a força gigantesca da China a acontecer no mercado doméstico chinês, que está a crescer imenso”, afirmou Erik Chan.

O responsável sublinhou que ter praticamente um terço dos voos internos do mundo concentrados no país reflecte “uma das maiores mudanças estruturais na história do sector, e demorou apenas 25 anos a concretizar-se”.

Efeito dominó

A expansão reflecte-se directamente no peso financeiro do sector. A China é actualmente o segundo maior mercado de aviação do mundo em contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando 253,6 mil milhões de dólares entre impacto directo, indirecto e turismo associado.

A China registou 380 milhões de viagens individuais na primeira metade de 2026, um aumento de 1 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na mesma sessão, Chan alertou que o actual conflito no Médio Oriente e os atrasos nas entregas de aeronaves deverão reduzir para metade os lucros da aviação comercial global em 2026.

A dimensão do mercado interno chinês surge como um pilar crucial num momento de incerteza internacional, destacou Chan, ajudando a absorver os choques provocados pela subida dos combustíveis e pela escassez global de aeronaves que afetam as rotas de longo curso.

Líderes ecológicos

O vice-chefe da Administração Estatal de Aviação Civil da China, Han Jun, disse que companhias aéreas chinesas operavam em Julho rotas internacionais regulares de passageiros para 177 cidades em 80 países de cinco continentes.

No primeiro semestre do ano as viagens de passageiros em rotas aéreas internacionais operadas por companhias aéreas chinesas ultrapassaram 40 milhões, um aumento anual de 5,7 por cento. Além da capacidade de passageiros e carga, a IATA aponta a China como um futuro líder na transição ecológica da aviação.

Com o avanço das metas globais de descarbonização até 2050, projecta-se que o país assuma um papel central na produção e fornecimento em grande escala de Combustíveis Sustentáveis de Aviação.

Perspectivando os próximos 25 anos, período em que a IATA prevê que o tráfego global mais do que duplique até alcançar 21 biliões de passageiros-quilómetros pagos em 2050, a liderança do mercado doméstico chinês será o grande motor da indústria.

“A transição da América para a Ásia já aconteceu no espaço de 25 anos, e as projecções indicam que os próximos 25 anos vão empurram na mesma direcção”, concluiu Erik Chan. “Acima do horizonte, o centro de gravidade deste sector está a mover-se para a região da Ásia-Pacífico.”

27 Ago 2026

Pequim prepara legislação anticorrupção com alcance além-fronteiras

A China começou a analisar uma lei destinada a combater a corrupção transfronteiriça, que poderá alargar a jurisdição das autoridades chinesas ao estrangeiro e impor novas obrigações de conformidade às empresas do país com operações internacionais.

A proposta de Lei Anticorrupção Transfronteiriça foi submetida na terça-feira a uma primeira apreciação pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo da China, durante uma sessão que decorre até sexta-feira. O texto integral da proposta, composto por seis capítulos e 47 artigos, ainda não foi divulgado ao público.

Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a legislação pretende completar o quadro jurídico aplicável a assuntos externos, proteger os interesses nacionais e promover operações empresariais no estrangeiro em conformidade com a lei.

A proposta visa ainda reforçar o “arsenal jurídico” disponível para a repatriação de fugitivos, recuperação de activos e tratamento de casos de corrupção com dimensão internacional.

A legislação procura transformar em lei as práticas desenvolvidas ao longo de uma década de campanha anticorrupção e colmatar lacunas jurisdicionais, visando crimes financeiros cometidos no estrangeiro, apontou a Xinhua.

Novos padrões

Entre os principais obstáculos identificados pelas autoridades estão as dificuldades em detectar crimes, recolher provas, recuperar activos ilícitos e processar infrações cometidas fora das fronteiras chinesas.

A proposta estabelece princípios, âmbito de aplicação e mecanismos para combater a corrupção transfronteiriça e obriga empresas chinesas com operações no estrangeiro a adoptar padrões rigorosos de conformidade, segundo a Xinhua.

A iniciativa surge no âmbito da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, após chegar ao poder, em 2012, e que se tornou uma das políticas emblemáticas da sua liderança.

O presidente do Comité Permanente da APN, Zhao Leji, indicou no início do ano que a aprovação de uma lei contra a corrupção transfronteiriça seria uma das prioridades legislativas de 2026, no âmbito da aplicação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) chinês.

27 Ago 2026

China e Índia acordam negociações sobre disputa fronteiriça

A China e a Índia acordaram terça-feira avançar nas negociações sobre a sua disputa fronteiriça, numa reunião em Pequim entre o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval.

A decisão ocorre numa altura de aproximação entre os dois países e de uma possível visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Nova Deli.

Wang e Doval lideraram terça-feira a 25.ª reunião de representantes especiais sobre a questão fronteiriça, na qual ambas as partes concordaram “procurar uma solução abrangente, justa, razoável e mutuamente aceitável para o problema fronteiriço”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Wang afirmou que os dois países devem colocar a questão fronteiriça numa posição “apropriada” dentro da relação bilateral, ao mesmo tempo que realçou que “as trocas e a cooperação institucionalizada entre os dois países tenham sido retomadas gradualmente”.

Doval, por seu lado, assegurou no início da reunião que as conversações eram especialmente importantes quando se aproxima uma nova cimeira dos BRICS e destacou que, no último ano, a relação bilateral tem estado “a regressar de forma constante à normalidade”.

A Índia está disposta “a gerir eficazmente as zonas fronteiriças” e a “explorar soluções para o problema”, afirmou o responsável político indiano, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O jornal indiano The New Indian Express noticiou esta semana que a reunião em Pequim ocorre num momento em que se admite como possível presença de Xi Jinping na cimeira dos BRICS, prevista para 12 e 13 de Setembro em Nova Deli, embora por agora não exista confirmação oficial da sua viagem.

Se acontecer, seria a primeira visita do líder chinês à Índia em sete anos e abriria a porta a um novo encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, depois de ambos se terem reunido em Agosto de 2025 na cidade chinesa de Tianjin, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai.

Desacatos territoriais

A China e a Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da sua fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020 no vale de Galwan, deixou pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses mortos e provocou a pior crise bilateral em décadas.

Desde 2024, ambos os países têm avançado gradualmente na normalização das suas relações, com a recuperação de vistos, a reabertura do comércio fronteiriço e a retoma dos voos directos, embora persistam diferenças territoriais e comerciais.

Doval encontrou-se terça-feira com o vice-presidente chinês, Han Zheng, que pediu para que se aumente a confiança mútua e amplie a cooperação bilateral.

27 Ago 2026

IA | Fabricante chinesa de chips Enflame prepara entrada em bolsa

A Enflame Technology, uma das principais ‘start-ups’ chinesas de semicondutores para inteligência artificial (IA), vai abrir em 02 de Setembro as subscrições para uma oferta pública inicial, visando captar 765 milhões de euros.

Num comunicado enviado ontem à Bolsa de Valores de Xangai, a empresa indicou que vai vender cerca de 43 milhões de acções, a um preço ainda por determinar, embora na documentação apresentada no pedido de admissão à bolsa em Xangai tenha avançado que pretende captar cerca de seis mil milhões de yuan.

A Enflame é conhecida como um dos “quatro pequenos dragões” chineses do sector dos semicondutores para IA, juntamente com a MetaX, Moore Threads e Biren Technology, sendo a última deste grupo a avançar para bolsa.

As restantes protagonizaram ofertas públicas de grande dimensão entre o final do 2025 e o início de 2026. A estreia da Enflame servirá também para avaliar o apetite dos investidores, depois de a Moore Threads ter disparado 425 por cento na primeira sessão em bolsa, a MetaX 693 por cento e a Biren 76 por cento.

27 Ago 2026

China vai defender-se face a ameaças comerciais dos Estados Unidos

A China avisou ontem que fará tudo para “defender firmemente” os seus interesses, depois de os Estados Unidos terem anunciado a intenção de cortar os recursos económicos do Irão e ameaçado quem apoiar Teerão.

O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira um novo pacote de sanções ditas secundárias, visando não o Irão directamente, mas os parceiros comerciais de Teerão nos sectores do ouro, tecnologia, activos digitais, aviação e transporte marítimo.

Washington impôs igualmente novas sanções a 60 indivíduos, empresas e navios acusados de ajudar o Irão a gerar receitas petrolíferas, a obter armas e a conduzir acções de guerra digital. As sanções da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, visam entidades em todo o mundo, nomeadamente nos Emirados Árabes Unidos, China, Singapura e Europa.

“A China tomará todas as medidas necessárias para defender firmemente os seus direitos e interesses”, reagiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Lin disse que “as pressões máximas exercidas no âmbito de uma guerra económica não resolvem” os problemas.

“Apenas servem para agudizar as tensões e os conflitos, provocar efeitos de contágio, desestabilizar a ordem económica e financeira mundial e prejudicar os direitos e interesses legítimos de outros países”, afirmou.

A China é um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de Fevereiro, de acordo com a empresa de análise Kpler. “A cooperação entre a China e o Irão sempre se enquadrou no âmbito do direito internacional e não pode ser travada nem comprometida”, afirmou Lin Jian.

26 Ago 2026

Guangxi | Tufão Narra obriga à retirada de 54 mil pessoas

O Narra obrigou a retirar mais de 54 mil pessoas no sul da China, após provocar chuvas torrenciais e inundações.

Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, a tempestade afectou pelo menos 61 mil pessoas na região de Guangxi, das quais 54 mil foram retiradas de forma preventiva, para evitar riscos. As chuvas associadas ao tufão fizeram ainda com que 10 rios e 15 estações hidrológicas ultrapassassem os níveis de alerta. O estreito de Qiongzhou, entre a província de Guangdong e a ilha de Hainan, suspendeu ontem o tráfego marítimo como medida preventiva.

O impacto do Narra concentrou-se sobretudo em zonas do sul de Guangxi, onde várias localidades sofreram inundações, cheias repentinas e danos em infraestruturas, enquanto as equipas de emergência prosseguem os trabalhos de prevenção e resposta.

As autoridades meteorológicas chinesas prevêem que o núcleo do tufão, que se encontrava ontem sobre o norte do mar do Sul da China, continue a avançar lentamente para oeste e noroeste e atinja a costa com intensidade de tempestade tropical forte.

A combinação do ciclone com os fluxos de monção poderá prolongar a precipitação e aumentar o risco de inundações urbanas, cheias em pequenos rios e deslizamentos de terras.

Entretanto, a China mantém sob vigilância o Saudel, o 18.º tufão da temporada, que atingiu a categoria de supertufão e cuja trajectória poderá aproximá-lo do leste do país nos próximos dias, após atingir as ilhas de Okinawa, no sul do Japão.

26 Ago 2026

Médio Oriente | Xi defende solução diplomática para conflitos

O rei Abdullah II da Jordânia encontrou-se com Xi Jinping Pequim para discutir a crise no Médio oriente e fortalecer os laços com o país asiático

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu segunda-feira um cessar-fogo abrangente e uma solução diplomática para o conflito no Médio Oriente, durante um encontro em Pequim com o rei Abdullah II da Jordânia.

“Defendemos um cessar-fogo abrangente e a resolução dos litígios por meios políticos e diplomáticos, com o entendimento de que a soberania e a segurança dos países da região, incluindo a Jordânia, devem ser respeitadas”, afirmou Xi. O Presidente chinês considerou que a questão palestiniana está “no cerne” dos problemas do Médio Oriente e defendeu uma solução assente em quatro princípios.

Xi apontou, em primeiro lugar, para uma solução política baseada na criação de dois Estados, defendendo o regresso às negociações de paz e a constituição de um Estado palestiniano “o mais rapidamente possível”. O líder chinês defendeu também uma governação palestiniana, incluindo na Cisjordânia, e a reconstrução da Faixa de Gaza após a guerra, assim como os princípios do humanitarismo, da equidade e da justiça.

Pequim pretende que sejam abordados simultaneamente “os sintomas e as causas profundas”, através de medidas destinadas a alcançar uma solução “rápida, abrangente, justa e duradoura” para a questão palestiniana.

Xi destacou igualmente o papel “único e importante” da Jordânia no Médio Oriente e manifestou o “firme apoio” da China à salvaguarda da soberania, segurança e interesses nacionais do país. O Presidente chinês defendeu o reforço dos contactos entre os dois países a diferentes níveis, incluindo entre governos, partidos políticos, órgãos legislativos e autoridades locais.

“A cooperação entre a China e a Jordânia é essencialmente mutuamente benéfica”, afirmou Xi, defendendo o aprofundamento das relações em sectores tradicionais como comércio, infraestruturas, transportes e mineração, além da expansão para novas áreas.

O líder chinês manifestou ainda disponibilidade para reforçar a coordenação com Amã em instituições multilaterais, incluindo as Nações Unidas, e para defender conjuntamente “a ordem internacional baseada no direito internacional”.

Valores da imparcialidade

Por seu lado, Abdullah II afirmou valorizar muito a posição “imparcial e consistente da China em relação aos assuntos regionais e o seu apoio à justa causa dos países árabes”.

“A Jordânia está disposta a manter uma comunicação fluida com a China e a continuar a envidar esforços positivos para aliviar a situação actual, para que os povos do Médio Oriente possam desfrutar de paz e prosperidade”, acrescentou o líder jordano.

O monarca reiterou também o apoio de Amã ao princípio de “Uma Só China”, considerando Taiwan “parte integrante” do território chinês, e manifestou interesse em receber mais investimentos de empresas chinesas na Jordânia.

Abdullah II afirmou ainda esperar que a China desempenhe “um papel de liderança mais significativo a nível global”.

26 Ago 2026

Japão | Deputados viajam para Pequim após aumento de tensões

Um grupo de deputados japoneses viajou ontem para Pequim para se reunir com responsáveis chineses, pela primeira vez desde que as relações bilaterais se deterioraram, após comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan.

A delegação vai reunir-se com responsáveis do Partido Comunista Chinês durante a visita, que se estende até quinta-feira.

O grupo inclui Gaku Hashimoto, deputado do Partido Liberal Democrático (PLD), actualmente no poder, e antigo vice-ministro da Saúde e Bem-Estar, e um deputado de cada um dos partidos da oposição Komeito e Aliança Centrista Reformista (CRA, na sigla em inglês).

“A comunicação foi interrompida em todas as áreas e estamos a começar a ver o impacto disto em muitos sectores”, disse Shinichi Isa, um dos porta-vozes do partido CRA. “Espero que possamos encontrar de alguma forma uma pista para reiniciar o diálogo”, acrescentou o dirigente, aos jornalistas antes de deixar o aeroporto de Haneda, em Tóquio.

Isa, que serviu como diplomata na Embaixada do Japão na China, escreveu na rede social X, no início de Agosto, que os laços bilaterais atingiram o seu pior nível desde a normalização das relações em 1972.

O deputado escreveu que as autoridades sempre mantiveram a comunicação, mesmo durante os momentos mais difíceis anteriores: “Agora, todos os canais entre as autoridades e os ministérios foram cortados.” A situação não é do interesse nacional de nenhum dos lados, disse Isa na altura, e o lado chinês aceitou um pedido dos deputados japoneses para uma “janela para o diálogo”.

Palavras e acções

As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan.

Em 15 de Agosto, o Governo da China apresentou uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de Agosto, e noutras ocasiões.

O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda.

O santuário xintoísta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial.

Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”.

25 Ago 2026

Espaço | Adiado lançamento de missão ao polo sul da Lua

O lançamento da Chang’e-7 deverá ter lugar apenas em 2027 após estarem garantidas as condições de segurança necessárias ao sucesso da missão

A China adiou o lançamento da missão lunar Chang’e-7, que órgãos especializados apontavam para ontem, após as autoridades terem concluído que não estavam reunidas as condições necessárias para a descolagem. A decisão foi tomada “segundo os princípios de prudência, fiabilidade e ausência de riscos”, informou, no domingo à noite, o organismo responsável pelo programa espacial chinês, num breve comunicado.

Segundo a entidade, a missão Chang’e-7 “não reúne as condições para o lançamento” e não poderá ser realizada dentro da janela prevista para este ano. As autoridades não especificaram as causas concretas do adiamento nem anunciaram, até ao momento, uma nova data para o lançamento. Órgãos especializados tinham apontado o lançamento da missão para as 08:00 de ontem.

Em 19 de Agosto, a sonda Chang’e-7 e o foguetão Longa Marcha-5 Y14 foram transportados para a plataforma de lançamento do centro espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, no sul da China, após a conclusão dos trabalhos de montagem e dos testes.

Na altura, a agência de notícias oficial chinesa Xinhua indicou que, antes do lançamento, seriam realizadas verificações funcionais, testes conjuntos e o abastecimento de combustível, acrescentando que a descolagem estava prevista para os “próximos dias”, sem avançar uma data oficial.

Bases de exploração

A Chang’e-7 destina-se a explorar o polo sul da Lua, uma região que tem suscitado um interesse científico crescente devido à possível presença de gelo de água em crateras permanentemente à sombra.

A missão integra um módulo orbital, um módulo de alunagem, um veículo de exploração, um pequeno veículo capaz de se deslocar através de saltos e um satélite de retransmissão, visando realizar operações em órbita, alunagem e exploração da superfície lunar.

Entre os objectivos da missão estão o estudo do ambiente lunar, do regolito (a poeira que cobre o solo da Lua), dos componentes voláteis, da estrutura da superfície, da actividade sísmica, do campo magnético e das propriedades térmicas da região. Os dados recolhidos pela Chang’e-7 deverão servir de base à missão Chang’e-8, prevista para cerca de 2029 e destinada a testar tecnologias para uma futura estação internacional de investigação lunar.

Em 2019, a China conseguiu, com a Chang’e-4, a primeira alunagem na face oculta da Lua e, em 2024, trouxe para a Terra, através da Chang’e-6, as primeiras amostras recolhidas naquela região, mantendo o objectivo de enviar astronautas chineses à Lua antes de 2030.

25 Ago 2026

China acusa EUA de pressionarem América Latina a afastar tecnológicas chinesas

A China acusou ontem os EUA de pressionarem países da América Latina e das Caraíbas a substituírem fornecedores tecnológicos chineses, após Washington ter alertado para alegados riscos de espionagem e ciberataques associados a empresas chinesas.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian classificou, em conferência de imprensa, os avisos norte-americanos como “flagrante intimidação tecnológica” e afirmou que estes “fabricam factos e distorcem a realidade”. Lin instou Washington a “deixar de interferir no direito dos países soberanos de escolherem de forma independente os parceiros de cooperação” e a pôr fim ao que classificou como “manipulação política”.

As declarações surgiram em resposta a uma mensagem divulgada na semana passada por Juan Pablo Segura, responsável pelos Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano, na qual apontou empresas como Huawei, ZTE, Hikvision, Hytera, Dahua e DJI.

Segura afirmou que a legislação chinesa obriga estes fornecedores a cooperar com os serviços de informações de Pequim e alertou que as respectivas tecnologias representam riscos de espionagem, ciberataques e interrupções de redes, alegações rejeitadas pela China.

O responsável norte-americano instou ainda os parceiros de Washington nas Américas “a mudarem rapidamente” para fornecedores considerados de confiança, de forma a protegerem os cidadãos e a soberania, numa mensagem posteriormente reproduzida por representações diplomáticas dos Estados Unidos na região.

Práticas suspeitas

Lin defendeu que as empresas tecnológicas chinesas cumprem as leis e regulamentos dos países onde operam e afirmou que os seus serviços têm contribuído para o desenvolvimento económico e a criação de emprego nos mercados latino-americanos.

O porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de terem realizado, durante anos, actividades de vigilância e ciberataques na América Latina e nas Caraíbas, sem apresentar provas durante a conferência de imprensa que sustentassem a acusação.

A disputa já motivou, durante o fim de semana, uma resposta da Embaixada da China na República Dominicana, depois de a representação diplomática norte-americana no país ter divulgado os avisos de Segura sobre as empresas chinesas.

25 Ago 2026

China | Casas em leilão aumentam quase 24 por cento

O número de imóveis colocados em leilão judicial na China aumentou 23,7 por cento nos primeiros sete meses do ano, pressionando ainda mais os preços da habitação e expondo o impacto da crise imobiliária sobre famílias endividadas.

Segundo dados difundidos na sexta-feira pelo China Index Academy, instituto de investigação do sector imobiliário, 539 mil imóveis foram colocados em leilão por ordem judicial em 355 cidades chinesas entre Janeiro e Julho.

O aumento da oferta fez cair em 9 por cento, em termos homólogos, os preços alcançados, numa altura em que tribunais e gestores de activos procuram vender casas confiscadas a proprietários que deixaram de pagar os empréstimos.

Segundo dados divulgados pela imprensa chinesa, apenas cerca de um terço dos imóveis colocados em leilão encontrou comprador, a preços, em média, cerca de 30 por cento inferiores aos de propriedades comparáveis no mercado de casas usadas. Os descontos estão a afetar as expectativas no restante mercado, ao reforçarem, entre potenciais compradores, a percepção de que os preços ainda podem cair mais.

A procura concentra-se, por isso, em casas bem localizadas, nas maiores cidades, próximas de escolas e com boas ligações de transportes, enquanto imóveis antigos, periféricos ou rurais continuam a ter dificuldade em encontrar comprador.

“As transações de imóveis em leilão judicial aumentaram 42,7 por cento em termos homólogos nos primeiros sete meses de 2026, o que parece impressionante. Mas isto parece reflectir mais o recurso a cortes de preços pelos vendedores para escoar uma crescente oferta acumulada do que uma súbita recuperação da confiança dos compradores no mercado imobiliário”, indicou a colunista especializada no sector Jiang Xiaorong, num artigo publicado na plataforma Baidu Baijiahao.

A crise de liquidez está a atingir também famílias que querem trocar de casa, mas não conseguem vender a atual.

Lista negra

Em Abril, oito milhões de pessoas estavam oficialmente registadas na China como incumpridoras após deixarem de pagar empréstimos à habitação, segundo outro comentador chinês, que escreve sob o pseudónimo Property Observer.

Cerca de 60 por cento tinham menos de 35 anos e aproximadamente 45 por cento das famílias que deixaram de pagar os empréstimos tinham sofrido perdas de emprego, sobretudo em sectores como restauração, imobiliário e ensino privado.

O mercado apresenta, contudo, fortes diferenças regionais. Entre Janeiro e Julho, foram colocadas em leilão 245 mil propriedades residenciais, das quais 89 mil encontraram comprador, equivalente a uma taxa de venda de 36,2 por cento.

Em média, os imóveis leiloados foram vendidos este ano por cerca de 73 por cento do respectivo valor de avaliação. Quando uma casa não encontra comprador na primeira tentativa, o preço inicial de uma segunda ronda pode ser reduzido em até 20 por cento.

A pressão estende-se ao mercado de segunda mão. Em Julho, os preços caíram 3,7 por cento em termos homólogos nas quatro maiores cidades, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.

O investimento no desenvolvimento imobiliário recuou entretanto 19,2 por cento, em termos homólogos, nos primeiros sete meses, para 4,3 biliões de yuan, à medida que as promotoras reduziram novos projectos perante o prolongamento da crise.

25 Ago 2026

Irão diz que países que apoiem “guerra económica” dos EUA serão considerados inimigos

O Irão anunciou sábado que todos os países que participem na “imposição de restrições económicas” serão considerados inimigos do país, na sequência da guerra económica anunciada pelos Estados Unidos.

“Declaramos a todos os países à nossa volta e a todos os países do mundo: não se juntem à guerra económica liderada pelos Estados Unidos”, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezai, na televisão estatal. “Qualquer país que participe na imposição de restrições económicas” contra o Irão será “considerado um inimigo”, afirmou.

“Ainda não atacámos nenhum interesse económico norte-americano (…). Até agora, apenas visámos bases militares, mas se quiserem impor-nos sanções económicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e económicas na região do Irão e noutros locais, e iremos atacá-las”, prosseguiu Rezai.

Se o Presidente norte-americano “tomar medidas [contra o Irão], o nosso confronto será como um terramoto”, ameaçou ainda.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acusou na quinta-feira os Estados Unidos de “terrorismo económico”, após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter prometido que Washington iria “derrubar o regime” iraniano com as novas sanções.

Na quarta-feira, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a “operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país”.

Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.

A advertência foi reforçada na quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, que avisou que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.

“Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime”, disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo”, reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou “um dia D” contra a economia iraniana.

China ao barulho

Bessent apelou também à China para que “se alinhe” caso deseje “ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem”.

Já na sexta-feira, a China respondeu opondo-se à “guerra económica” declarada pela administração norte-americana ao Irão, apontando que as “sanções unilaterais ilegais” e as pressões de Washington não são a solução para o problema.

“As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis e resolvam o problema por via política e diplomática”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa.

Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos e um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra, de acordo com a empresa de análise Kpler.

Além da China, entre os países que mantêm laços económicos com Teerão contam-se os Emirados Árabes Unidos, que suspenderam esta semana todas as transacções com a República Islâmica, mas também a Turquia, a Rússia, Iraque, Índia e a Alemanha. As exportações alemãs para o Irão atingiram 870,5 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2025, segundo o Gabinete Federal de Estatística alemão (Destatis).

24 Ago 2026

Sismo | Número de feridos em Tóquio sobre para 37

O número de feridos causados por um sismo de magnitude 5,9 que atingiu ontem a região de Tóquio subiu para 37, informaram as autoridades nipónicas.

O abalo foi suficientemente forte para causar intensas oscilações na capital e arredores, accionando os sistemas de alerta que difundiram mensagens e sirenes nas ruas. De acordo com a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o sismo ocorreu às 02h00 locais na parte sul da província de Ibaraki, a 68 quilómetros de profundidade, sem risco de tsunami.

Entre os feridos, está uma idosa de Yokohama que caiu ao sair da cama, fraturando a anca. Em Saitama, a norte de Tóquio, um edifício sofreu danos ligeiros, sem registo de colapsos estruturais.

O tráfego ferroviário regional foi perturbado durante a manhã, informou a operadora East Japan Railroad Co, com atrasos nos comboios expresso que servem Tóquio e no Aeroporto de Narita, bem como noutros comboios locais que servem as regiões nordeste, mas os comboios de alta velocidade Shinkansen estavam a operar normalmente.

A JMA alertou para risco acrescido de deslizamentos de terra, já que os solos se encontram fragilizados após chuvas torrenciais no sábado, e avisou ainda para a possibilidade de réplicas fortes nos próximos dias.

Estado de alerta

O Governo nipónico criou uma ‘task-force’ para avaliar a extensão dos possíveis danos, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, na rede social X.

O tremor accionou alertas de emergência nos telemóveis e também foi sentido em Tóquio de forma significativa, mas a emissora televisiva pública NHK mostrou que o tráfego nas estradas de cidades próximas, incluindo Mito e Saitama, aparentemente circulava com normalidade.

Não houve relatos de anomalias em cerca de uma dúzia de centrais nucleares e outras instalações que lidam com materiais nucleares, disse a Autoridade de Regulação Nuclear. No mês passado, um sismo de magnitude 7,1 atingiu a zona de Kumamoto, na ilha mais a sul do Japão, Kyushu, matando 38 pessoas e ferindo 364, e destruiu mais de 1.500 edifícios e danificou quase outros 20.000.

24 Ago 2026

Seul restaura estação ferroviária na fronteira com o Norte como gesto de reconciliação

Perto da fronteira fortemente vigiada que divide a península coreana há mais de sete décadas, a renovação da antiga estação ferroviária de Woljeongri é apresentada como símbolo das esperanças sul-coreanas de reconciliação com a Coreia do Norte.

Mas o projecto do Governo sul-coreano de reconectar ao sistema ferroviário a estação mais setentrional da Coreia do Sul surge num momento delicado: Pyongyang ignora a mão estendida de Seul, enquanto Washington, aliado-chave da segurança sulcoreana, conduz uma política unilateral de abertura ao Norte.

Desde que assumiu funções em Junho do ano passado, o presidente sulcoreano Lee Jae Myung enviou sinais conciliatórios a Pyongyang, recebidos com frieza. Entretanto, o Presidente noerte-americano, Donald Trump, decidiu encurtar abruptamente as manobras conjuntas com a Coreia do Sul, considerando que estes exercícios anuais transmitiam “um sinal totalmente inadequado e hostil” ao Norte.

O líder dos Estados Unidos também criticou Seul por recusar apoiar as forças dos EUA na ofensiva contra o Irão. Trump assegurou na quartafeira que se reuniria este ano com Kim Jong Un, procurando relançar a relação que afirma ter estabelecido com o líder nortecoreano em três encontros durante o seu primeiro mandato.

Por seu lado, Pyongyang respondeu na quintafeira com o lançamento de uma dezena de mísseis balísticos de curto alcance. Estes desenvolvimentos eclipsaram a política de mão estendida do governo Lee, ilustrada pela renovação da estação de Woljeongri com vista a uma potencial ligação ferroviária ao Norte.

Gesto simbólico

A modesta estação integrava outrora a linha que ligava Seul ao extremo norte da península, mas foi abandonada durante a guerra da Coreia (19501953). Hoje é uma atracção para visitantes da zona desmilitarizada, enquanto o antigo terminus da linha – Wonsan – se encontra em território nortecoreano.

As autoridades sulcoreanas iniciaram a restauração em 2015, vendo nela uma forma de dinamizar a economia da região fronteiriça e enviar um gesto simbólico a Pyongyang. Os trabalhos foram suspensos após o quarto ensaio nuclear nortecoreano em 2016.

Alguns habitantes de Cheorwon encaram o projecto com cepticismo. “Parece que tentam sempre reconciliarse com a Coreia do Norte através do projecto ferroviário, mas do nosso ponto de vista não é realista”, disse à agência France-Presse Moon Jaeyong, de 70 anos, natural da cidade fronteiriça.

O programa de reconciliação prevê restabelecer ligações ferroviárias entre as duas Coreias. Lee também propôs conversações sem précondições, incluindo para pôr fim oficialmente à guerra da Coreia.

O ministro da Unificação declarou em Julho que Seul dá prioridade a limitar a expansão do programa nuclear existente de Pyongyang, em vez de insistir na desnuclearização. Mas o Norte, que repetidamente afirmou ser “irreversível” a sua capacidade nuclear, não se mostra abalado.

Voltar aos carris

Ao tentar promover novo encontro com Kim Jong Un, Trump parece procurar um êxito de política externa antes das eleições intercalares, após o fracasso da ofensiva contra o Irão, relegando Seul para segundo plano.

“A Coreia do Sul teme ser marginalizada – a China, a Rússia e agora os EUA estão todos envolvidos com Pyongyang de diferentes formas, enquanto Seul não está”, disse à agência France-Presse Vladimir Tikhonov, professor de estudos coreanos na Universidade de Oslo. “Mesmo que pouco possa fazer além de tentar relançar o projecto ferroviário.”

Ao longo da linha desactivada entre Woljeongri e Baengmagoji, a vegetação tomou conta dos carris. Um painel afirma: “O cavalo de ferro quer correr”, acompanhado da frase em “Queremos voltar aos carris”.

O projecto visa também estimular o turismo junto à fronteira. Perto da estação de Woljeongri, permanece uma locomotiva bombardeada da guerra da Coreia, como lembrança persistente da divisão entre Sul e Norte.

Restaurar infraestruturas no Sul poderia poupar tempo caso as ligações intercoreanas sejam um dia retomadas, explicou Lim Eulchul, professor da Universidade Kyungnam. “Mas, na realidade, é praticamente impossível nas circunstâncias actuais, e todos o sabem”, acrescentou.

24 Ago 2026

Comércio | Navio sul-coreano segue para a Europa pela rota do Ártico

Com o aquecimento global e os constrangimentos provocados pela guerra desencadeada pelos EUA e Israel no Médio- Oriente, países asiáticos procuram diversificar as rotas marítimas

Um porta-contentores sul-coreano partiu ontem para a Europa pela rota do Ártico, num momento em que se mantém o bloqueio do tráfego no Médio Oriente devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

“O navio destinado a testar a rota ártica partiu do porto às 21:30 (hora local)”, anunciou o Ministério dos Oceanos da Coreia do Sul, em comunicado enviado à Agence France-Presse (AFP). Este navio, da companhia local PanStar Line Dot Com, deverá fazer escala nos portos europeus de Felixstowe (Inglaterra), Roterdão (Países Baixos) e Gdansk (Polónia), antes de regressar.

A viagem deverá demorar cerca de 45 dias, segundo o ministério. Embora se tenha tornado mais navegável devido ao aquecimento global, esta rota marítima apresenta inúmeras limitações que restringem o seu potencial comercial e suscitam receios ambientais.

Os países asiáticos, cujo abastecimento de hidrocarbonetos foi fortemente afectado pela guerra desencadeada há cerca de seis meses pela ofensiva americano-israelita contra o Irão, veem nela uma forma de diversificar as suas opções. A rota ártica “está destinada a tornar-se uma alternativa às rotas do Médio Oriente”, afirmou, recentemente, o vice-ministro sul-coreano dos Oceanos, Nam Jae-hon.

Caminho alternativo

Desde o início do ano, com o bloqueio do estreito de Ormuz por Teerão e as ameaças dos houthis à travessia do Mar Vermelho, num contexto de conflito com os Estados Unidos, o tráfego marítimo entre a Ásia e a Europa passa agora pelo Cabo da Boa Esperança, a sul do continente africano.

Ao passar pelo Ártico, as distâncias percorridas são reduzidas em 30 a 40 por cento em comparação com a rota pelo Canal do Suez, no Egipto, e em quase metade em comparação com a rota pelo Cabo da Boa Esperança, de acordo com um estudo da seguradora de crédito Coface, publicado em Abril.

O estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã, é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás e tornou-se um dos principais pontos de tensão no conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

24 Ago 2026

China | Activado alerta de cheias em três províncias costeiras com aproximação de tufão Narra

A China activou no sábado uma resposta de emergência de nível IV para cheias, o mais baixo, nas províncias de Guangdong, Guangxi e Hainan, no sul do país, perante a previsão de chuvas torrenciais provocadas pelo tufão Narra.

O 19.º tufão registado pelo país este ano, deverá trazer precipitação intensa ao sul e oeste de Guangxi, Guangdong e Hainan, com algumas zonas a registarem chuvas extremas, indicou o Ministério dos Recursos Hídricos da China, citado pela agência Xinhua.

A China possui um sistema de resposta a emergências de controle de enchentes com quatro níveis, sendo o Nível I o mais grave. Os níveis da água deverão subir em vários rios das três províncias, incluindo os afluentes Zuojiang e Mingjiang do rio Yujiang, bem como cursos de pequena e média dimensão nas áreas mais afectadas.

As autoridades locais foram instadas a reforçar a monitorização da evolução do tufão, dos rios e da precipitação, garantindo a operação segura de projectos hidráulicos e a protecção de barragens.

O ministério sublinhou a necessidade de prevenir enxurradas e cheias em rios de menor dimensão, assegurar a segurança dos reservatórios e implementar medidas de protecção para turistas e trabalhadores da construção. Também no sábado, a sede nacional de controlo de cheias e secas e o Ministério da Gestão de Emergências activaram uma resposta de nível IV para controlo de cheias e tufões na província de Fujian.

Tripla ameaça

A Administração Meteorológica da China (CNA, na sigla em inglês) assinalou também uma situação rara, com três tufões activos em simultâneo no mar do Sul da China e Pacífico noroeste: Gaenari, Narra e Saudel. O tufão Gaenari, formado no sábado, é já o 20.º ciclone tropical do ano, número muito acima da média histórica de 13,4 entre Janeiro e Agosto.

Sun Qianqian, analista meteorológico da CMA, alertou para riscos acrescidos em actividades marítimas, transportes e turismo costeiro, com possibilidade de deslizamentos de terra, aluimentos e inundações, segundo o jornal Global Times.

O tufão Saudel, por sua vez, deverá intensificarse rapidamente devido às altas temperaturas da superfície do mar, podendo atingir força de supertufão ao atravessar as ilhas Ryukyu em direcção ao mar da China Oriental.

24 Ago 2026

Taiwan | Lançado primeiro foguetão sonda de fabrico interno

A Organização Nacional Espacial de Taiwan (TASA) realizou com sucesso sábado o lançamento do seu primeiro foguetão sonda desenvolvido na ilha, completando um voo experimental que validou sistemas essenciais como propulsão, controlo de voo e comunicações.

Segundo a TASA, o foguetão Maraho descolou às 7:10 locais de sábado do Centro de Lançamento de Xuhai, no condado de Pingtung, atingindo uma velocidade máxima de 408 metros por segundo e subiu até 8,1 quilómetros de altitude em 49 segundos, antes de concluir um voo de 432 segundos, segundo a agência CNA.

O aparelho accionou um sistema de paraquedas em duas fases antes de cair no mar. As equipas de recuperação não conseguiram resgatálo devido ao estado do mar e à deriva, mas todos os dados de voo foram transmitidos em tempo real para a estação terrestre, garantiu a agência.

Entre os principais objectivos da missão estava a verificação da capacidade do foguetão sonda em manter comunicações contínuas com as estações de controlo e transmitir dados durante todo o voo. Foram também recolhidas informações sobre propulsão, estrutura, electrónica de bordo, rastreamento, apoio terrestre e sistemas de recuperação.

Um foguetão sonda é um veículo de investigação de pequena dimensão, concebido para transportar instrumentos até à alta atmosfera por curtos períodos, sem colocar satélites em órbita. Ao contrário dos foguetões orbitais, regressa à Terra após o voo, permitindo recolher dados atmosféricos e testar tecnologias aeroespaciais.

O Maraho, anteriormente designado SR400, recebeu o nome da borboleta de cauda larga, espécie nativa de Taiwan, e considerada símbolo da região. O foguetão tem 7,2 metros de comprimento, 0,4 metros de diâmetro e utiliza um sistema híbrido de propulsão alimentado por 90 por cento de peróxido de hidrogénio e polipropileno.

24 Ago 2026

Robôs chineses batem recordes humanos na prova de 100 metros e no salto em altura

Robôs chineses bateram sábado recordes atléticos estabelecidos por humanos, incluindo o recorde mundial nos 100 metros do atleta jamaicano Usain Bolt, no dia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim.

Numa prova de velocidade de 100 metros, um robô humanoide alcançou um tempo de 9,39 segundos, batendo o recorde humano de 9,58 segundos estabelecido por Usain Bolt em 2009.

No salto em altura a partir da posição em pé, um robô humanoide conseguiu atingir 2,88 metros, bem acima dos 0,95 metros alcançados por um robô na primeira edição dos jogos, no ano passado e superando o recorde humano de salto em altura de 2,45 metros, estabelecido pelo cubano Javier Sotomayor em 1993. Ambos os robôs eram da empresa X-Humanoid, sediada em Pequim.

Antes da abertura, um robô humanoide da empresa chinesa de smartphones Honor completou uma corrida de 100 metros num tempo recorde de 9,32 segundos durante um ensaio dos jogos, segundo a empresa, a uma velocidade máxima de 14,5 metros por segundo.

No entanto, especialistas afirmam que os robôs humanoides continuam a ser utilizados principalmente para demonstrações, espectáculos e investigação e que ainda levará algum tempo até alcançarem uma implantação em massa no mundo real. Mais de 2.000 robôs humanoides participaram no evento, segundo a organização.

Corrida tecnológica

Os jogos, semelhantes aos Jogos Olímpicos, com duração de cinco dias e agora na sua segunda edição, constituem um espectáculo que demonstra o rápido progresso da China na robótica avançada, à medida que a corrida tecnológica com os Estados Unidos (EUA) se intensifica, com 51 provas e mais de 1.000 competições a decorrer, incluindo corrida, ténis de mesa e futebol.

Os jogos, que decorreram no Oval Nacional de Patinagem de Velocidade construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, tiveram início na mesma semana em que Pequim acolheu a Conferência Mundial de Robótica de 2026, onde as empresas apresentaram cerca de 3.000 produtos.

A China fabrica a maioria dos robôs humanoides do mundo. Centenas de robôs humanoides marcharam em formação para o campo numa enorme demonstração de coordenação sincronizada na abertura do evento. Os jogos de robôs deste ano que, segundo o organizador, contam com a participação de 16 países, entre os quais a Alemanha, o Japão e os EUA, incluem também outras provas, como o levantamento de peso.

24 Ago 2026

China | Novas medidas para impulsionar consumo interno no segundo semestre

A China está a planear introduzir um novo pacote de políticas e medidas para incentivar o consumo interno na segunda metade deste ano, revelou sexta-feira o vice-ministro das Finanças do país, Liao Min.

Segundo a agência Xinhua, durante em conferência de imprensa em Pequim, Liao anunciou que o Ministério das Finanças chinês irá formular e aplicar “medidas práticas e eficazes” em função da evolução macroeconómica na segunda metade do ano, com as políticas fiscais do país a continuar a centrar-se na aceleração da utilização de fundos e na expansão da procura interna.

Liao considerou que expandir a procura interna tornouse cada vez mais importante para a China sustentar o crescimento e reforçar a resiliência da economia perante incertezas externas, com o país a ser actualmente o segundo maior mercado mundial de consumo de bens e o maior mercado de retalho online.

Este ano, o Ministério das Finanças chinês já destacou 187,5 mil milhões de yuan para apoiar programas de incentivo ao consumo, que geraram 178 milhões de compras e vendas combinadas de aproximadamente 1,32 biliões de yuan.

Foram também introduzidos subsídios de juros para empréstimos de consumo pessoal e para empresas do sector dos serviços, além de medidas de apoio ao emprego e ao empreendedorismo em grupos prioritários.

Segundo o ministério, desde 01 de Agosto todas as compras em prestações com cartão de crédito, incluindo automóveis e renovação de habitações, passaram a estar incluídas no quadro de apoio, com consumidores chineses a poder beneficiar de subsídios de juros sempre que utilizem este mecanismo.

O número de instituições financeiras autorizadas a tratar de subsídios de juros para empréstimos a micro, pequenas e médias empresas e ao sector dos serviços, por exemplo, aumentou de cerca de 100 para 400, indicou a agência Xinhua.

Ao mesmo tempo, os limites de empréstimo ao abrigo da política de subsídios de juros foram elevados de 50 milhões de yuan para 75 milhões de yuan para micro, pequenas e médias empresas, e de 10 milhões de yuan para 20 milhões de yuan para negócios do sector dos serviços. O tecto para empréstimos de consumo pessoal subiu também de 3.000 yuan para 5.000 yuan.

Foco na população

Em comentários ao jornal Global times, o académico Hu Qimu, da Universidade Huaqiao, indicou que as novas medidas demonstram que o Governo chinês está a dar maior ênfase ao uso de fundos fiscais como alavanca para mobilizar recursos financeiros adicionais para a economia real.

A procura de consumo está a tornarse cada vez mais um motor central do crescimento económico da China. O país tem uma população de 1,4 mil milhões e um grupo de rendimento médio superior a 400 milhões de pessoas, segundo o Ministério das Finanças.

Em 2025, as vendas a retalho a atingiram 50 biliões de yuan e o consumo final contribuiu com 52 por cento para o crescimento económico.

No primeiro semestre de 2026, o crescimento económico e o consumo interno da China enfrentaram uma desaceleração, devido a factores como incertezas económicas e dificuldades persistentes no sector imobiliário.

O crescimento do PIB da China desacelerou no segundo trimestre deste ano para 4,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, o valor mais baixo em três anos.

Actualmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta um crescimento de 4,6 por cento para a economia chinesa em 2026, graças principalmente a investimentos em infraestrutura pública, indústria de alta tecnologia, e exportações nas áreas da inteligência artificial e energia verde.

24 Ago 2026

Robôs humanoides | “Momento ChatGPT” deve chegar em “dois a dez anos”

O fundador da Unitree, a maior empresa chinesa de robótica, indicou ontem que os robôs humanoides deverão alcançar o “momento ChatGPT” num prazo de “dois a dez anos”, dependendo da evolução da inteligência artificial (IA).

Inspirado no impacto global do lançamento do ChatGPT no final de 2022, o termo “momento ChatGPT” é uma metáfora utilizada no meio tecnológico e empresarial para descrever o instante em que uma tecnologia emergente atinge um nível de maturidade e acessibilidade tão elevado que passa a ser compreendida, adoptada e reconhecida massivamente pelo público geral.

Durante um discurso intitulado ‘De produto em exposição a produto comercial: a próxima década dos robôs humanóides’, proferido na Conferência Mundial de Robótica de Pequim, Wang Xingxing considerou que esse “momento ChatGPT” será alcançado quando robôs humanoides forem capazes de completar cerca de 80 por cento das tarefas em 80 por cento dos ambientes desconhecidos mediante instruções.

Wang identificou como principal obstáculo a “capacidade limitada de generalização” da inteligência incorporada, que se refere à integração da IA em sistemas físicos.

Em “cenários fixos”, explicou, um modelo treinado com dados suficientes pode aproximar-se dos 100 por cento de eficácia, mas a sua taxa de sucesso “cai consideravelmente” assim que mudam os objectos que tem de manipular ou o ambiente em que trabalha.

Wang, citado pela imprensa local, calculou que o salto poderá ocorrer em dois ou três anos no cenário mais rápido, embora também se possa atrasar entre cinco e dez anos. A seu ver, a actual aceleração da IA também poderá fazer com que a evolução do sector “supere as previsões”.

Entrada de leão

A Unitree concentra a maior parte da equipa de IA na melhoria da capacidade dos robôs para realizarem tarefas reais em lares e fábricas, e colabora com fabricantes de automóveis para os testar em linhas de produção, segundo o executivo.

Na quarta-feira, a empresa protagonizou uma das listagens em bolsa mais antecipadas dos últimos tempos, ao tornar-se a primeira companhia do setor a vender ações num mercado da China continental, concretamente no de Xangai, onde angariou o equivalente a 904 milhões de dólares.

Na estreia, as acções chegaram a multiplicar por mais de sete o seu valor de abertura, dando à companhia uma avaliação de 66 mil milhões de dólares e a Wang uma fortuna próxima de 16 mil milhões de dólares com apenas 36 anos.

A Conferência Mundial de Robótica, que decorre até domingo, reúne mais de três mil produtos de mais de 300 empresas e tem nos humanoides um dos principais destaques.

21 Ago 2026

Japão | Comércio externo bate recordes mas défice persiste

As importações e exportações do Japão bateram recordes em Julho, com aumento dos custos de energia e a fraqueza do iene a ajudara a prolongar o défice comercial pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do governo.

O défice comercial do Japão totalizou 634,5 mil milhões de ienes no mês passado, marcando o terceiro mês consecutivo no vermelho, informou o Ministério das Finanças num relatório preliminar divulgado quinta-feira. As importações aumentaram 27,8 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo um valor ajustado sazonalmente de 12,15 biliões de ienes.

A guerra no Irão fez disparar os preços do petróleo bruto, e o Japão, que importa quase todo o seu petróleo, dependia anteriormente em grande medida das importações de petróleo do Médio Oriente através do estreito de Ormuz, que permanece efectivamente fechado.

As exportações subiram 23,2 por cento, alcançando os 11,51 biliões de ienes, impulsionadas pela força contínua das exportações de automóveis para os EUA e para outras nações. Os envios de semicondutores e de outros dispositivos electrónicos também mantiveram um bom desempenho. As exportações do Japão registaram crescimentos todos os meses há quase um ano.

Em termos de valor, tanto as importações como as exportações subiram para os níveis mais altos de sempre num mês de Julho, desde que dados comparáveis começaram a ficar disponíveis em Janeiro de 1979, segundo o ministério.

21 Ago 2026

Evergrande | Fundador condenado a prisão perpétua

A justiça da China condenou ontem Hui Ka Yan, fundador da gigante Evergrande, a promotora imobiliária mais endividada do mundo, a prisão perpétua por fraude em grande escala.

Numa mensagem publicada na rede social chinesa WeChat, um tribunal de Shenzhen considerou Hui culpado de vários crimes, incluindo falsificação de informação financeira, emissão fraudulenta de ações, suborno e peculato.

O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen decretou ainda o confisco de todos os bens e activos e a “interdição vitalícia dos direitos civis” do antigo executivo, também conhecido como Xu Jiayin. A justiça chinesa aplicou ainda multas no valor de 8,82 mil milhões de yuan ao grupo Evergrande e de sete mil milhões de yuan à principal subsidiária, Evergrande Real Estate.

O tribunal da cidade situada junto a Hong Kong anunciou também penas que variam entre um ano e dez meses e 18 anos de prisão para outros 56 arguidos ligados à Evergrande, o caso mais visível da crise imobiliária que assola o gigante asiático desde o início da década.

21 Ago 2026

Tarifas | China acusa EUA de discriminar os seus produtos

A China acusou ontem os Estados Unidos de discriminarem os seus produtos, depois de Washington ter anunciado na semana passada uma tarifa aduaneira de 100 por cento sobre drones, defendendo que a maioria se destina a uso civil.

Numa conferência de imprensa de rotina, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, apresentou ontem as novas tarifas como exemplos de “unilateralismo e proteccionismo aplicados sob o pretexto da segurança nacional”.

He salientou que as exportações chinesas de drones para os Estados Unidos se destinam principalmente a utilizações civis, como a agricultura, a inspecção de equipamentos e os sectores audiovisual e do entretenimento.

As medidas norte-americanas “generalizam excessivamente o conceito de segurança nacional, discriminam os produtos chineses em questão, prejudicam gravemente os interesses das empresas chinesas, perturbam a cadeia de abastecimento mundial de drones e corroem ainda mais um ambiente de mercado justo e competitivo”, afirmou o porta-voz, que instou os Estados Unidos a retirarem imediatamente as medidas.

Por portas travessas

A decisão, anunciada pela Casa Branca na quinta-feira, não menciona directamente o gigante asiático, mas afecta-o directamente, uma vez que se centra num sector dominado pela empresa chinesa DJI.

Washington prevê uma taxa de 100 por cento para as aeronaves não tripuladas com mais de 25 kg de peso máximo à descolagem e modelos com capacidade de detecção térmica, enquanto os drones mais pequenos sem essas capacidades e outros componentes estariam sujeitos apenas a uma taxa de 25 por cento, com uma lista de países com tarifas reduzidas, como a União Europeia ou o Japão.

A Casa Branca salientou que a medida visa reduzir a dependência dos EUA em relação a fornecedores estrangeiros de componentes críticos para os sistemas aéreos não tripulados e fortalecer a produção nacional, ao mesmo tempo que a Administração Trump alegou riscos de segurança e cibersegurança decorrentes das cadeias de abastecimento internacionais.

Rejeição total

A China rejeitou ainda o relatório norte-americano que a acusa de utilizar o transbordo de mercadorias noutros países para contornar os direitos aduaneiros, um texto que considera criar uma “narrativa falsa”.

He Yadong afirmou, numa conferência de imprensa, que o documento divulgado há uma semana pela Casa Branca, “ignora os factos e deturpa a realidade, ao qualificar de fraude o comércio e o investimento internacionais normais”.

Trata-se, segundo o porta-voz, de uma prática “típica do unilateralismo e do proteccionismo”, destinada a “reprimir e bloquear os produtos chineses”, face à qual manifestou a sua firme rejeição. O relatório, intitulado “A fraude do transbordo em massa: origem, alcance e custo”, acusava Pequim de causar a Washington perdas multimilionárias e a perda de postos de trabalho através destas práticas.

He defendeu que, pelo contrário, “os elevados direitos aduaneiros diferenciados impostos pelos Estados Unidos são a verdadeira causa que ameaça a segurança das cadeias de abastecimento mundiais”.

O porta-voz do Ministério do Comércio acusou os Estados Unidos de “atribuir os seus próprios problemas económicos a factores externos” e exigiu que a parte norte-americana pusesse imediatamente fim a estas acusações que afirma serem de “irresponsáveis”.

21 Ago 2026