China | Regras duras para investimentos no estrangeiro devido a segurança nacional

A China reforçou ontem o controlo sobre os investimentos no estrangeiro, com a entrada em vigor de novas regras destinadas a salvaguardar a “segurança nacional” em sectores considerados sensíveis, num contexto de rivalidade tecnológica com os Estados Unidos.

As novas disposições, anunciadas inicialmente em 1 de Junho, conferem às autoridades um quadro jurídico mais abrangente para orientar e controlar os fluxos de capitais e de trabalhadores qualificados da China para o exterior.

Pequim considera áreas como a inteligência artificial (IA), os semicondutores e as tecnologias verdes fundamentais do ponto de vista económico e estratégico, procurando acelerar o seu desenvolvimento no país. Em simultâneo, as medidas visam “melhorar a qualidade e o nível dos investimentos no exterior”, segundo o regulamento divulgado pelo Governo chinês.

Os investimentos internacionais deverão respeitar o conceito de “segurança nacional global”, procurando simultaneamente “equilibrar as considerações nacionais e internacionais”, refere o documento.

Na prática, o novo quadro permite ao Governo submeter a escrutínio investimentos ou transferências susceptíveis de afectar a “segurança nacional”, numa altura em que Pequim mantém uma postura cautelosa em relação às transações transfronteiriças.

Em Abril, o principal organismo de planeamento económico da China bloqueou a tentativa da empresa norte-americana Meta, proprietária do Facebook, de adquirir a ‘startup’ de inteligência artificial Manus, criada por uma empresa fundada na China, apesar de esta estar actualmente sediada em Singapura.

Ao abrigo das novas regras, as restrições às transações internacionais deixam de abranger apenas a transferência de bens e dados, passando também a incluir a exportação de serviços, como o envio de especialistas técnicos para o estrangeiro ou a realização de acções de formação fora da China.

Margem larga

As medidas suscitaram preocupações entre alguns investidores, que receiam que o reforço do controlo limite a capacidade do sector tecnológico chinês de aceder aos mercados internacionais.

A Comissão de Revisão Económica e de Segurança Estados Unidos–China (US-China Economic and Security Review Commission) considerou, esta semana, nas redes sociais, que o endurecimento das regras “reforça uma tendência” que acompanha “há vários meses”.

Em Maio, a comissão bipartidária norte-americana alertou que, “como acontece frequentemente com as leis chinesas relacionadas com a segurança nacional”, as autoridades dispõem de uma ampla margem para determinar o que constitui uma infração, aumentando os riscos para as empresas estrangeiras estabelecidas na China.

2 Jul 2026

EUA | Magnata Guo Wengui condenado a 30 anos de prisão por fraude

Foto: Guo Wengui via Twitter / X

O magnata chinês Guo Wengui, empresário exilado nos Estados Unidos e antigo crítico de Pequim, foi ontem condenado a 30 anos de prisão por um tribunal federal de Nova Iorque por fraude que lesou mais de mil investidores.

A juíza Analisa Torres proferiu a sentença num tribunal de Manhattan, onde afirmou que Guo “explorou pessoas que procuravam levar a democracia à China”, utilizando o dinheiro dos investidores para sustentar um estilo de vida luxuoso.

Antes da leitura da sentença, Guo queixou-se das condições de detenção, afirmando que foi transportado para um hospital de manhã devido a problemas de saúde. Contestou ainda a caracterização feita pela acusação de que estaria a fingir doença para atrasar o processo. “Quando cheguei aqui, disse: ‘Tenho dores de barriga, preciso de ir à casa de banho, não me sinto bem'”, afirmou Guo, através de um intérprete.

Referindo-se ao processo criminal, limitou-se a defender as suas motivações políticas. E afirmou: “a razão pela qual vim para os Estados Unidos foi destruir o Partido Comunista Chinês”. Na leitura da sentença, a juíza citou cartas enviadas por vítimas que relataram ter perdido as poupanças de uma vida, sofrido ansiedade e vergonha e enfrentado conflitos familiares devido aos investimentos realizados.

Segundo Torres, Guo “não assume qualquer responsabilidade pelos seus actos e insiste, de forma inacreditável, que a sua conduta não causou perdas nem prejudicou ninguém”. A magistrada acrescentou que o empresário “incitou apoiantes a assediar e intimidar aqueles que ousaram denunciá-lo”. O tribunal ordenou ainda o confisco de 889 milhões de dólares para efeitos de restituição às vítimas.

1 Jul 2026

Hong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.

1 Jul 2026

Japão | Iene bate recordes e cai para o valor mais baixo em quase 40 anos

A moeda japonesa caiu ontem para 162 ienes por dólar, atingindo o nível mais baixo desde 1986, após uma intervenção falhada das autoridades japonesas que apenas teve efeitos temporários perante a valorização da divisa norte-americana

 

Desde 1986 que o iene não desvalorizava para o valor que atingiu ontem: 162 ienes por dólar. Mesmo com as medidas lançadas pelo Governo, a estabilidade cambial foi sol de pouca dura devido à valorização do dólar.
Durante a madrugada de ontem, o iene chegou a ser transaccionado a 161,98 por dólar, registando valores entre 161,90 e 162,36 mesmo após a abertura da bolsa de Tóquio, segundo a emissora pública NHK.

Este patamar representa a queda mais acentuada em 39 anos e meio, desde Dezembro de 1986, quando a moeda oscilava entre 158 e 163 por dólar no mercado cambial.

A desvalorização do iene reflecte as expectativas de que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos avance nos próximos meses com uma subida das taxas de juro, que em Junho se mantiveram inalteradas entre 3,5 e 3,75 por cento, acompanhadas da divulgação do relatório trimestral de projecções económicas.

Assim, a divisa nipónica apagou os ganhos obtidos após a intervenção no mercado cambial entre Abril e Maio pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e pelo Banco do Japão, que tinham levado a uma valorização do iene de 160 para 155 por dólar nos primeiros dias de Maio.

Firme e hirto

“Tomaremos as medidas adequadas em qualquer momento e conforme necessário”, afirmou ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, em conferência de imprensa, acrescentando que o Executivo pretende “construir uma estrutura económica resistente” às flutuações cambiais.

As autoridades japonesas não excluíram uma nova intervenção na semana passada, depois de a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, ter mantido conversações com o homólogo norte-americano, Scott Bessent, garantindo que ambos os países actuariam “com firmeza quando fosse necessário”.

A nova queda ocorreu apesar de o Banco do Japão ter aumentado a taxa de juro de referência de curto prazo para 1 por cento, o nível mais alto em mais de três décadas, prosseguindo os esforços para controlar os riscos inflaccionistas derivados da subida dos preços do petróleo e da fraqueza do iene.

1 Jul 2026

Partido Comunista ultrapassa 101 milhões de membros antes do 105º aniversário

O Partido Comunista Chinês (PCC) contabilizava 101,28 milhões de membros no final de 2025, mais 1 por cento do que um ano antes, segundo dados divulgados ontem, na véspera do 105º aniversário da fundação da organização.

De acordo com um relatório publicado pelo Departamento de Organização do Comité Central do partido, 31,91 milhões de militantes eram mulheres, o equivalente a 31,5 por cento do total, enquanto 7,87 milhões pertenciam a minorias étnicas, representando 7,8 por cento. O documento indica ainda que 59,76 milhões de membros, ou 59 por cento do total, possuíam formação superior.

Por faixas etárias, o maior grupo continuava a ser o dos militantes com 61 ou mais anos, com 29,91 milhões de membros, seguido pelos que tinham entre 36 e 40 anos, com 12,19 milhões, e pelos que tinham até 30 anos, com 12,09 milhões. O PCC admitiu em 2025 cerca de 2,08 milhões de novos membros, dos quais 1,75 milhões, ou 84 por cento, tinham 35 anos ou menos.

Muitos anos de vida

Fundado em 1921 e no poder desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, o partido assinala hoje o 105º aniversário, num contexto marcado pela crescente centralização do poder em torno do Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping.

Sob a liderança de Xi, o partido reforçou o controlo sobre as instituições do Estado, as Forças Armadas e o sector privado, num processo que incluiu a eliminação, em 2018, do limite constitucional de dois mandatos presidenciais, a obtenção de um terceiro mandato como secretário-geral do PCC, em 2022, e a recondução na Presidência da China, em 2023.

Xi, que também preside à Comissão Militar Central, o principal órgão dirigente das Forças Armadas chinesas, elevou o seu pensamento político a orientação ideológica central do partido, enquanto o PCC consolidou um modelo em que a autoridade se concentra cada vez mais na direcção da organização e na figura do líder. Este processo foi acompanhado por uma intensa campanha de disciplina interna e combate à corrupção, que serviu simultaneamente para afastar quadros do partido e consolidar a liderança de Xi.

1 Jul 2026

Indústria | Expansão em Junho, na China, graças às exportações de tecnologia

A actividade industrial na China acelerou em Junho, segundo um inquérito oficial divulgado ontem, impulsionada pela forte procura externa de equipamento relacionado com a inteligência artificial (IA).

O índice oficial de gestores de compras (PMI) da indústria transformadora subiu para 50,3 pontos, face aos 50 registados em Maio, superando as previsões dos economistas, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas. Numa escala de zero a 100, um valor acima de 50 indica expansão da actividade, enquanto um resultado inferior sinaliza contracção.

O subíndice de novas encomendas aumentou para 51,2 pontos em Junho, depois dos 49,9 de Maio, enquanto o indicador da produção avançou para 51,4 pontos, face aos 51,2 do mês anterior. “O dinamismo da economia chinesa recuperou algum ímpeto recentemente. Mas continua a depender fortemente das exportações e da tecnologia ligada à inteligência artificial”, escreveu ontem Julian Evans-Pritchard, economista para a China da consultora Capital Economics. “O principal motor de crescimento da indústria transformadora chinesa continua a ser a procura externa”, acrescentou.

Huo Lihui, estatístico do Gabinete Nacional de Estatísticas, afirmou, em comunicado, que os dados de Junho mostram que “o clima económico da China está a melhorar”. Ainda assim, vários economistas alertaram que os consumidores chineses continuam cautelosos, após vários anos de crise no sector imobiliário, e que a procura interna permanece fraca.

Os dirigentes chineses fixaram para este ano uma meta de crescimento económico entre 4,5 e 5 por cento, objectivo que, segundo os economistas, deverá ser alcançado com o apoio do forte crescimento das exportações relacionadas com a inteligência artificial.

1 Jul 2026

União Europeia | Pequim disponível para reforçar diálogo comercial

O Governo chinês manifestou-se ontem disponível para reforçar a comunicação com a União Europeia (UE) em matéria comercial, um dia depois de ambas as partes terem acordado manter abertos canais de diálogo para evitar uma guerra comercial.

Numa conferência de imprensa regular, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que “a essência da cooperação económica e comercial entre ambas as partes é o benefício mútuo” e que Pequim e Bruxelas são “parceiros, não rivais”.

Guo sustentou que os problemas enfrentados pela UE “não têm origem na China” e defendeu que as questões nas relações económicas e comerciais entre as duas partes devem ser resolvidas através do aprofundamento da cooperação para alcançar um desenvolvimento comum.

“A China está disposta a reforçar a comunicação e as consultas com a parte europeia e, com base nos princípios da igualdade, do respeito mútuo e da reciprocidade, gerir adequadamente as divergências comerciais de forma construtiva”, acrescentou o porta-voz.

Na segunda-feira, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, comprometeram-se a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar uma guerra comercial, durante uma reunião realizada em Bruxelas.

Šefčovič e Wang participaram na primeira sessão das Consultas sobre Comércio e Investimento, o novo mecanismo criado para procurar “soluções práticas” em quatro áreas: o equilíbrio entre comércio e investimento, os controlos às exportações, a propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio.

1 Jul 2026

China | Previsão de vendas de habitações novas revista em baixa

A Fitch Ratings reviu em baixa a previsão de vendas de habitações novas na China em 2026, estimando uma queda entre 11 e 13 por cento, devido à “persistente fraqueza nas cidades de menor dimensão”. A estimativa anterior antecipava uma redução de vendas entre 7 e 8 por cento

 

O mercado imobiliário chinês deverá continuar a enfrentar dificuldades este ano. A agência Fitch Ratings reviu as estimativas para 2026 relativas a vendas de casas novas, projectando uma descida anual entre 11 e 13 por cento. A anterior previsão apontava para uma quebra entre 7 e 8 por cento.

Segundo a agência de notação financeira, a revisão reflecte a persistente debilidade do mercado imobiliário nas cidades de menor dimensão, que continua a anular a recuperação observada num número reduzido de mercados mais fortes.

A Fitch aponta ainda para um aumento da procura de habitação usada, sobretudo nas cidades de maior dimensão, em detrimento das casas novas, devido a “uma maior parcela da procura habitacional estar a ser absorvida pelas transações de habitação existente”.

Apesar da revisão, a agência considera que a contração será menos acentuada do que em 2025 e prevê uma nova moderação da queda em 2027, apoiada na continuidade das medidas de estímulo e na “melhoria gradual da confiança”, liderada pelas cidades de primeira linha.

A Fitch assinala que a descida dos preços da habitação usada abrandou desde o início do ano nas 70 maiores cidades chinesas e que a diferença entre a evolução dos preços da habitação nova e usada também diminuiu, sinalizando “menos vendas motivadas pelo pânico” no mercado de habitação usada.

Poder de concentração

A recuperação, contudo, permanece desigual. Xangai continua a apresentar o mercado residencial mais resiliente entre as cidades de primeira linha desde o início da crise imobiliária, na segunda metade de 2021, seguida por Pequim e Shenzhen, enquanto Cantão enfrenta maiores dificuldades devido à maior oferta de terrenos.

Segundo a agência, esta polarização levou muitas promotoras imobiliárias classificadas pela Fitch a abandonarem cidades mais fracas para concentrarem a actividade em 10 a 15 mercados considerados estratégicos, onde a oferta e a procura estão mais equilibradas.

A Fitch acrescenta que todas as promotoras estatais classificadas pela agência que divulgam dados mensais registaram crescimento das vendas nos primeiros cinco meses do ano, com excepção da Yuexiu Property, cuja quebra deverá, ainda assim, atenuar-se ao longo do segundo semestre.

A agência prevê igualmente que as margens de lucro do sector permaneçam sob pressão em 2026, devido à necessidade de escoar projectos desenvolvidos em terrenos adquiridos nos anos de maior expansão do mercado, antecipando uma recuperação gradual apenas nos próximos anos. O fluxo de caixa operacional deverá estabilizar com a recuperação das vendas e uma política mais prudente de aquisição de terrenos, aponta.

1 Jul 2026

Irão | Suspensão de ataques, mas Teerão nega reuniões marcadas

Teerão e Washington aceitaram ontem suspender temporariamente qualquer ataque e planeiam reunir-se no Qatar, na terça-feira (30), para tentar resolver os diferendos em torno do estreito de Ormuz, noticiou o portal de notícias norte-americano Axios.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou, na Truth Social, que o “Irão solicitou uma reunião”, agendada para hoje em Doha. No entanto, Teerão já tinha negado a existência de reuniões com os EUA marcadas para esta semana. “Decidimos parar todas as actividades [militares]”, informou o Axios, citando um responsável norte-americano que não foi identificado.

Apesar do acordo assinado a 17 de Junho, os dois países trocaram ataques nos últimos dias, acusando-se mutuamente de violar o cessar-fogo, com o controlo de Ormuz no centro das tensões.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse, entretanto, que não há reuniões previstas entre Irão e Estados Unidos esta semana no Qatar, negando notícias da imprensa norte-americana sobre um encontro.

“Não há nenhuma reunião técnica dos grupos de trabalho planeada para esta semana”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, segundo a televisão estatal, classificando as notícias como incorrectas.

30 Jun 2026

Hong Kong | Momenta estreia-se na bolsa em operação de 5,9 mil milhões

A tecnológica chinesa especializada em condução autónoma Momenta estreia-se na bolsa de Hong Kong no início de Julho, numa operação que deverá captar cerca de 5,894 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo o prospecto enviado ontem pela empresa à bolsa da antiga colónia britânica, a oferta pública inicial compreende cerca de 19,9 milhões de ações, ao preço unitário de 295,6 dólares de Hong Kong. De acordo com o documento, a estreia em bolsa está prevista para 8 de Julho.

A tecnológica prevê aplicar 60 por cento das receitas da operação em investigação e desenvolvimento (I&D), com o objectivo de “impulsionar soluções de condução autónoma de nova geração”, incluindo um reforço da capacidade para inteligência artificial (IA), armazenamento de dados e melhorias nos algoritmos. Outros 20 por cento serão destinados a acelerar a comercialização dos serviços de táxis autónomos (‘robotaxis’), incluindo a expansão de frotas com condução autónoma de nível 4, numa escala de cinco níveis, em que os veículos conseguem circular sem intervenção humana, embora mantenham comandos para permitir a tomada de controlo por um condutor.

Entre os investidores que apoiam a operação figuram a fabricante automóvel alemã Mercedes-Benz, já acionista relevante da Momenta, uma subsidiária da chinesa BYD, maior fabricante mundial de veículos eléctricos, e fundos como a BlackRock, a Boyu Capital e a GIC.

No final de 2025, mais de 680 mil veículos utilizavam ‘software’ de assistência à condução de nível 2 desenvolvido pela Momenta, que tinha estabelecido parcerias com 24 fabricantes internacionais, entre os quais a Mercedes-Benz, a BYD, a Toyota, a General Motors, a BMW, a Hyundai-Kia, a Volkswagen e a Honda.

30 Jun 2026

Coreia do Norte | EUA e Japão acusados de “ensaio de guerra”

As autoridades norte-coreanas criticaram as recentes manobras militares realizadas pelos Estados Unidos da América (EUA) e pelo Japão na região, descrevendo os exercícios como parte de um “ensaio de guerra” destinado a “fortalecer suas capacidades de invasão”.

Num artigo publicado pela agência de notícias estatal da Coreia do Norte, a KCNA, Pyongyang condena a participação do Japão nas manobras e acusa o país de “agravar a situação de segurança regional ao aprofundar seus laços militares com os Estados Unidos”. “O Japão tenta tornar-se uma potência militar e demonstra essas ambições de forma cada vez mais aberta”, lê-se, além de criticas a testes de mísseis balísticos de longo alcance destinados a “atacar países vizinhos”.

A Coreia do Norte acusou as autoridades japonesas de explorarem a “confusa situação geopolítica global para justificar a sua transformação numa nação beligerante”, que “pode levar a um fim trágico”.

“Eles querem tornar-se líderes da Ásia, mais cedo ou mais tarde, capitalizando a situação actual e o conceito de conter inimigos e rivais regionais para concretizar suas ambições hegemónicas”, continua o texto. As manobras militares começaram em 20 de Junho perto das ilhas de Okinawa e Kyushu, no sudoeste do Japão, e devem terminar hoje.

30 Jun 2026

IA | Coreia do Sul anuncia plano de mais de um bilião de euros

O Governo sul-coreano apresentou ontem um plano para dez anos, avaliado em mais de um bilião de euros, para construir fábricas de semicondutores e centros de dados destinados à inteligência artificial (IA).

Um primeiro projecto, no valor de 800 biliões de wons (455 mil milhões de euros), incluirá quatro fábricas de semicondutores – duas construídas pela gigante Samsung Electronics e as outras duas pela concorrente SK hynix –, além de outras infra-estruturas, anunciou o ministro da Indústria, Kim Jung-kwan.

Outro projecto, avaliado em 568 mil milhões de euros, prevê até 2035 a construção de novos centros de dados dedicados à IA, elevando a capacidade total do país para 10 gigawatts (GW), acrescentou o ministro da Ciência, Bae Kyung-hoon, na mesma conferência de imprensa.

Trata-se do terceiro mega-investimento em IA anunciado na Coreia do Sul em menos de um ano, e de longe o mais significativo. O montante supera largamente os 450 biliões de wons (256 mil milhões de euros) prometidos pela Samsung e os 125 biliões de wons (71 mil milhões de euros) anunciados pela Hyundai Motor no final de 2025.

“Graças a isso, manteremos uma posição de liderança esmagadora no mercado e uma vantagem tecnológica decisiva no sector dos semicondutores de memória”, afirmou Kim Jung-kwan.

30 Jun 2026

Timor-Leste | Polícia deteve 61 pessoas por suspeita de burla ‘online’

A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) deteve na sexta-feira 61 cidadãos indonésios por suspeita de envolvimento em esquemas de burla ‘online”, disse ontem superintendente-chefe da Polícia João Belo dos Reis.

Segundo o porta-voz da PNTL, a detenção foi feita na sexta-feira no âmbito de uma operação na zona de Tibar, arredores de Díli, para desmantelar um ‘scam call center’, um centro de burla ‘online’.
Os 61 detidos foram ontem presentes ao Tribunal de Primeira Instância de Díli para um primeiro interrogatório e o processo de investigação prossegue.

“O centro de burla ‘online’ é um centro criado por criminosos para enganar pessoas, divulgando informações e propaganda para as ludibriar”, explicou João Belo dos Reis, citado num comunicado divulgado à imprensa. O porta-voz da polícia timorense precisou também que as pessoas detidas estão relacionadas com outro centro de burla ‘online’ desmantelado pelas autoridades do Camboja.

“Fugiram para realizar novamente estas operações no nosso país. Fizemos o rastreio das suas viagens e podemos afirmar que cerca de 90 por cento dos autores actualmente detidos são antigos membros provenientes do Camboja”, disse.

A PNTL voltou a alertar os timorenses para os riscos das compras ‘online’. “Não devem confiar nas informações divulgadas nas redes sociais sobre a venda de produtos”, salientou o porta-voz da polícia.

30 Jun 2026

Bielorrússia | Xi recebe Lukashenko durante périplo asiático

O Presidente chinês, Xi Jinping, reuniu-se ontem, em Pequim, com o homólogo bielorrusso, Alexander Lukashenko, no âmbito de uma digressão do líder europeu pelo Leste e Sudeste Asiático, informaram órgãos de comunicação estatais dos dois países.

O encontro decorreu durante a manhã, na residência oficial de hóspedes de Diaoyutai, indicou a televisão estatal chinesa CCTV, que não adiantou, para já, pormenores sobre o conteúdo da reunião nem sobre a duração da estadia de Lukashenko na China.

A agência oficial bielorrussa Belta noticiou no domingo que Lukashenko partira para uma visita ao Leste e Sudeste Asiático, com passagens por três países não especificados. Segundo a Belta, as partes deverão abordar projectos “de grande escala” em diferentes áreas, na sequência de um trabalho preparatório realizado antes de cada uma das visitas.

O órgão estatal bielorrusso acrescentou que o reforço da cooperação com os países asiáticos constitui uma das prioridades da política externa de Minsk. O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês não anunciou previamente a visita de Lukashenko ao país.

30 Jun 2026

Europa | Exportações de ventiladores sobem até 97% até fim de Maio

As exportações chinesas de ventiladores eléctricos para vários países europeus aumentaram entre 20 e 97 por cento nos primeiros cinco meses do ano, antes da vaga de calor na Europa e reacendeu o debate sobre equipamentos de arrefecimento, como o ar condicionado.

Os dados resultam de uma análise divulgada ontem pelo portal económico chinês Yicai, com base em estatísticas oficiais das alfândegas sobre as vendas de ventiladores para Bélgica, França, Alemanha, Países Baixos, Portugal, Espanha e Reino Unido.

Li Mingyang, director-geral da fabricante de electrodomésticos Luckyway, afirmou ao portal que o valor das vendas de ventiladores da empresa para a Europa aumentou cerca de 20 por cento em relação ao ano passado. “O clima na Europa está extremamente quente, algo que não esperávamos.

Esperamos que as encomendas continuem a aumentar no próximo ano”, afirmou o responsável, revelando ainda que uma “grande cadeia retalhista” europeia contactou a empresa para desenvolver ventiladores com função de vaporização.

Segundo Li, a popularidade dos ventiladores na Europa deve-se, em parte, aos elevados custos associados à instalação de aparelhos de ar condicionado. No entanto, também os ventiladores registaram aumentos de preços nos últimos meses, entre 7 e 8 por cento no caso da Luckyway, devido à subida dos preços de matérias-primas essenciais, como o cobre e o plástico, bem como ao impacto das flutuações cambiais.

De acordo com um trabalhador de uma fábrica de ventiladores na província de Guangdong, citado pelo Yicai, o aumento das encomendas provenientes da Europa levou algumas empresas a manter uma postura de “prudência” quanto às margens de lucro.

30 Jun 2026

UE | Pequim sinaliza posição negocial mais firme em disputas comerciais

Pequim acredita estar em posição de resistir à pressão comercial de Bruxelas e prepara uma postura negocial mais dura nas disputas sobre veículos eléctricos, terras raras e investimento, segundo um comentário divulgado pela televisão estatal chinesa

 

A leitura consta de uma análise publicada pela Yuyuantantian, plataforma de comentário político da televisão estatal chinesa CCTV, antes da reunião prevista entre o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, em Bruxelas, num momento em que as tensões comerciais entre as duas partes continuam a intensificar-se.

Segundo a análise, Pequim considera que Bruxelas ignorou duas prioridades chinesas nas negociações: encontrar uma solução para as tarifas impostas aos veículos eléctricos fabricados na China e aliviar os controlos às exportações europeias de tecnologias avançadas.

O comentário defende que a China chegou às negociações “com sinceridade”, mas acusa a UE de não ter dado qualquer resposta às preocupações chinesas e de se limitar a exigir esclarecimentos sobre o fornecimento de terras raras. A análise acrescenta que, “se a UE insistir em transformar as negociações num mero ritual, a China tem capacidade para enfrentar um maior agravamento das relações económicas e comerciais, ou até um deslizamento para um ponto de congelamento”, acrescentando que “a China não deseja chegar a esse ponto, mas também não o teme”.

Em contrapartida, a União Europeia tem insistido nas preocupações com o fornecimento de terras raras e desenvolvido novos instrumentos de defesa comercial, bem como políticas destinadas a reduzir dependências estratégicas da China.

Entre economia e geopolítica

O comentário da CCTV afirma que a China pode suportar um agravamento das relações económicas com a Europa, chegando mesmo a sugerir que conseguiria enfrentar um eventual congelamento dos laços comerciais.

Para sustentar esse argumento, aponta que as empresas chinesas dependem hoje menos do mercado europeu, uma vez que as exportações para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) já ultrapassam as destinadas à UE, enquanto regiões como o Médio Oriente, a América Latina e África assumem importância crescente para produtos chineses, incluindo veículos eléctricos.

A análise sugere igualmente que o investimento chinês na Europa poderá tornar-se um instrumento de pressão. Segundo o texto, caso Bruxelas continue a endurecer as restrições comerciais, projectos industriais chineses que algumas regiões europeias procuram atrair poderão ser adiados ou cancelados.

O artigo identifica ainda uma divergência de fundo entre as duas partes. Enquanto Pequim pretende separar os diferendos comerciais de questões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia ou as relações com os Estados Unidos, Bruxelas considera que comércio, segurança económica e política externa estão hoje estreitamente ligados.

O comentário defende que a União Europeia deve questionar “não se a China vai ceder, mas se consegue suportar o custo” da actual estratégia comercial, argumentando que tarifas e investigações não resolverão os problemas de competitividade europeus.

30 Jun 2026

Sichuan | Sismo de magnitude 5,5 fez ontem 13 feridos ligeiros

Um sismo de magnitude 5,5 abalou ontem a província chinesa de Sichuan, no centro do país, sem causar vítimas mortais, mas provocou 13 feridos ligeiros e obrigou à retirada de 196 pessoas, informaram as autoridades.

O abalo foi registado às 00h12 locais no condado de Gao, que pertence à cidade de Yibin, com epicentro a seis quilómetros de profundidade, segundo a medição oficial do Centro de Redes Sismológicas da China. O epicentro localizou-se na vila de Shahe, nas coordenadas 28,5 graus de latitude norte e 104,69 graus de longitude leste, de acordo com o organismo.

O comando local de resposta ao sismo, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, informou que não foram registadas vítimas mortais e que os 13 feridos ligeiros foram transportados para unidades de saúde, onde receberam tratamento.

O presidente da câmara de Shahe explicou que 21 habitações apresentavam fendas, três das quais com danos mais graves, levando ao realojamento das dez pessoas afectadas em casas de familiares ou conhecidos.
Sichuan, com cerca de 83 milhões de habitantes situa-se numa zona de elevada actividade sísmica. Em 2022, um sismo de magnitude 6,8 provocou 93 mortos e 24 desaparecidos na província.

Em Maio de 2008, Sichuan foi atingida por outro sismo catastrófico, de magnitude 8 que causou mais de 90 mil mortos e desaparecidos.

30 Jun 2026

Venezuela | Pequim envia ajuda de emergência de 100 milhões de yuan

A China vai enviar ajuda material de emergência no valor de 100 milhões de yuan para a Venezuela, para apoiar as operações de socorro e reconstrução após os sismos da passada quarta-feira.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que os materiais serão enviados para o país sul-americano “o mais rapidamente possível”, acrescentando que se juntam à ajuda financeira directa já disponibilizada anteriormente. Guo indicou ainda que a China forneceu à Venezuela imagens de satélite das zonas afectadas para apoiar as operações de resposta ao desastre.

Segundo o porta-voz, empresas chinesas presentes na Venezuela e associações da comunidade chinesa no país disponibilizaram também maquinaria de engenharia e material médico de primeira necessidade para as operações de socorro. Essas entidades organizaram igualmente equipas de salvamento que participam nas operações de busca e resgate, acrescentou.

“A China está disposta a continuar a prestar mais apoio à Venezuela, de acordo com a evolução da situação no terreno e das necessidades decorrentes do desastre”, afirmou Guo.

30 Jun 2026

APEC | China quer isenção de vistos e inovação para expandir turismo

Pequim quer políticas para facilitar a mobilidade na Ásia-Pacífico, nomeadamente em áreas como a isenção de visto, declarou no sábado o ministro do Turismo num encontro em Macau, marcado pela ausência de representantes de alto-nível norte-americanos.

“A China está pronta para aprofundar a coordenação de políticas e medidas de facilitação, por exemplo, como em áreas de isenção de vistos e de pagamentos transfronteiriços”, afirmou Sun Yeli na sessão de abertura da reunião ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC).

A 13ª reunião ministerial e a 67ª reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC arrancaram em Macau na quarta-feira e decorreram até domingo.

Ainda sobre a política de vistos, o ministro da Cultura e do Turismo chinês reforçou que, “graças às expansões de transporte livre de visto”, a região da Ásia-Pacífico tem “assegurado visitas mútuas” entre turistas.

Ainda no que diz respeito à expansão do turismo, Sun Yeli afirmou que a região deve “empoderar o sector” e “embarcar na inovação digital”: “Devemos trabalhar juntos para aprofundar a integração do turismo e da tecnologia para que possamos ter melhores e maiores modelos de negócios para o desenvolvimento da indústria do turismo”, continuou.

Sobre Macau, que não é membro da APEC e participa como economia convidada, Sun indicou que, enquanto “ponte importante para a abertura da China e uma janela para a partilha das civilizações”, a RAEM “está a caminho de se tornar num ponto de turismo de lazer mundial”. “Oferece-nos uma plataforma para aprofundar a cooperação”, refletiu.

29 Jun 2026

Filipinas | Sismo de magnitude 6,5 atingiu Mindanau

Um sismo de magnitude 6,5 na escala de Richter atingiu na sexta-feira a costa sul das Filipinas às 19h42 locais, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O sismo ocorreu a 65,7 quilómetros de profundidade e a cerca de 21 quilómetros da cidade de Sarangani, na ilha de Mindanau, segundo o USGS. Nenhum alerta de tsunami foi emitido até ao momento, de acordo com as autoridades.

“Foi bastante forte, mas rápido. Vimos a mesa e algumas lâmpadas tremerem”, disse à agência de notícias francesa AFP Jerson Talahig, chefe das operações de socorro na cidade de Santa Maria. Não há registo de vítimas ou danos até ao momento.

Um sismo de magnitude 7,8 atingiu as Filipinas em 8 de Junho, provocando a derrocada de edifícios e deslizamentos de terra, 81 mortos, mais de 1.300 feridos e milhares de desalojados. Os sismos são muito frequentes nas Filipinas, que se encontram no chamado “Anel de Fogo do Pacífico”, uma área de intensa actividade sísmica que se estende do Japão ao sudeste asiático.

29 Jun 2026

Coreia do Sul | 500 mil soldados vão ser formados no uso de drones

O governo sul-coreano vai formar 500 mil soldados para o uso de drones e adquirir 20 mil destes aparelhos, apostando em “mudar a natureza” das suas forças armadas, confrontadas com a ameaça da Coreia do Norte.

“No futuro, todos os soldados estarão equipados com a capacidade de operar drones como uma segunda arma pessoal”, afirmou o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Ahn Gyu-baek. O ministério da Defesa sul-coreano declarou que o treino de meio milhão de “guerreiros de drones” alinha-se aos planos de “mudar a própria natureza das suas forças armadas, indo além de um simples aumento no poderio militar”.

A Coreia do Norte — tecnicamente ainda em guerra com o Sul — “continua a desenvolver suas diversas capacidades aéreas não tripuladas, representando uma ameaça crescente” às forças armadas, infra-estruturas críticas e instalações civis”, acrescentou Ahn.

Seul manifestou ainda que pretende adquirir mais de 20 mil drones de baixo custo, incluindo unidades de reconhecimento de curto alcance e pequenos drones “kamikaze” e avançar com o programa K-LUCAS — um drone de longo alcance projectado para atacar alvos mais importantes.

As forças armadas sul-coreanas também querem adquirir gradualmente capacidade antidrone — como armas de energia direccionada (lasers) e drones interceptores, promovendo a produção nacional neste sector da indústria de Defesa.

29 Jun 2026

Camboja | China elogia combate às burlas digitais num encontro em Pequim

O Presidente chinês elogiou a “determinação e as acções” do Camboja no combate às burlas digitais, durante um encontro em Pequim com o antigo primeiro-ministro cambojano Hun Sen no qual defendeu mais cooperação bilateral

 

Xi Jinping teceu elogios à forma determinada e pragmática como as autoridades do Camboja têm combatido o fenómeno das burlas digitais, durante uma reunião com o antigo primeiro-ministro cambojano Hun Sen em Pequim. Segundo um comunicado divulgado pela agência oficial Xinhua, Xi afirmou que a China está disposta a colaborar com Phnom Penh para “erradicar completamente este flagelo” da criminalidade cibernética.

Nos últimos anos, o Camboja tornou-se um dos principais centros de burlas digitais do Sudeste Asiático, muitas delas operadas por redes criminosas de origem chinesa e com vítimas em todo o mundo, incluindo em Portugal, segundo denúncias das Nações Unidas e de organizações não-governamentais.

Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, em Pequim, Xi afirmou que a China pretende estabelecer uma “parceria de segurança” com o Camboja, país que classificou como uma prioridade da diplomacia chinesa de boa vizinhança. Pequim e Phnom Penh anunciaram, nos últimos meses, um reforço da cooperação no combate às burlas informáticas. No entanto, especialistas e organizações não-governamentais acusam as autoridades cambojanas de conivência com redes criminosas que transformaram este tipo de fraude num negócio altamente lucrativo.

Xi reiterou ainda o apoio da China ao Camboja na defesa da sua soberania e segurança, bem como na escolha de um modelo de desenvolvimento “adequado às suas condições nacionais”.

Foco completo

Em Maio, um sobrinho de Hun Sen anunciou que detinha 30 por cento das acções de uma empresa financeira ligada a um centro de burlas online e branqueamento de capitais. Ainda assim, segundo a Xinhua, Hun Sen, que é pai do actual primeiro-ministro do país, afirmou que o combate às fraudes nas telecomunicações constitui uma “prioridade actual” do Camboja e manifestou disponibilidade para aprofundar a cooperação com Pequim nesta área.

Hun Sen, de 73 anos, governou o Camboja entre 1985 e 2023. Actualmente preside ao Senado e ao Partido Popular do Camboja (CPP), mantendo uma forte influência política, apesar de ter sido sucedido como primeiro-ministro pelo filho, Hun Manet.

O encontro decorreu no âmbito de uma visita de Hun Sen à China, à frente de uma delegação de alto nível que deverá reunir-se também com outros dirigentes chineses.

A China é um dos principais parceiros económicos e políticos do Camboja, tendo financiado grandes projectos de infra-estruturas e reforçado a cooperação nas áreas da segurança e da defesa, incluindo a renovação da base naval de Ream, cujo alegado uso militar pela China tem sido negado por Pequim.

29 Jun 2026

DeepSeek | Preparada vaga de contratações em disputa por talento na IA

A empresa chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek lançou uma campanha de recrutamento para duplicar a dimensão de muitas das suas equipas, procurando acelerar a comercialização da tecnologia e reforçar a competitividade. Em comunicado, a empresa afirmou que pretende “expandir todos os departamentos”, acrescentando que muitas equipas deverão duplicar de dimensão.

A iniciativa assinala uma nova fase para a DeepSeek, que procura evoluir de um laboratório centrado na investigação para uma empresa de produtos de IA, ao mesmo tempo que prepara a sua primeira ronda de financiamento externo.

As vagas abertas abrangem gestores de produto, especialistas em operações, engenheiros de infra-estruturas e gestores de dados, incluindo perfis com experiência em áreas como direito, medicina e linguística, sinalizando uma aposta no desenvolvimento de aplicações específicas para diferentes sectores.

29 Jun 2026

Piloto de avioneta que chocou com edifício mais alto de Pequim faleceu

Pequim confirmou que o piloto da avioneta que chocou contra um arranha-céus da capital chinesa morreu e que outras 13 pessoas ficaram feridas, na primeira referência pública ao incidente por parte de autoridades ou meios de comunicação chineses.

O acidente ocorreu às 17h55, hora local de sexta-feira, nas imediações da terceira rodovia de contorno de Pequim, onde uma aeronave desportiva leve, monomotor e biposto, colidiu em voo contra “um edifício de grande altura”, segundo uma conta das autoridades do distrito de Chaoyang, em Pequim, na rede social Wechat.

A escassa comunicação não identifica o piloto nem precisa o nome do edifício contra o qual o avião colidiu, embora o acidente tenha ocorrido contra o China Zun, também conhecido como CITIC Tower, o arranha-céus mais alto de Pequim.

A fonte indicou que o piloto era o único ocupante do aparelho e que os 13 feridos recebem tratamento médico, embora se desconheça se correm perigo de vida ou as circunstâncias em que sofreram lesões.

O texto acrescenta que “os departamentos competentes investigam as circunstâncias do acontecimento”, sem dar mais pormenores sobre o incidente. O comunicado também não esclarece de onde descolou a aeronave ou qual era o seu destino previsto, nem as causas pelas quais colidiu contra o edifício.

Até à publicação da mensagem oficial, os meios de comunicação chineses não tinham referido qualquer informação sobre o caso e as buscas em plataformas locais como Weibo ou Douyin não apresentavam resultados recentes sobre o impacto, enquanto as imagens e vídeos do incidente circulavam no X, rede social bloqueada na China.

A mensagem

Mesmo após as informações das autoridades, as imagens dos danos causados na sexta-feira pelo impacto e dos destroços da pequena aeronave continuavam sem circular nas redes sociais do gigante asiático.

O incidente ocorreu em Guomao, um dos principais distritos financeiros da capital chinesa, uma área de intensa actividade empresarial onde têm sede numerosas empresas chinesas e estrangeiras e que costuma registar uma elevada afluência no final da semana laboral.

O impacto provocou um buraco na fachada envidraçada do China Zun, a grande altura, e a queda de fragmentos da aeronave numa via próxima ao arranha-céus e peças dos níveis superiores.

A base de dados Aviation Safety Network, da Flight Safety Foundation, já tinha incluído na sexta-feira uma entrada sobre o incidente na qual identificava a aeronave como um Sunward SA 60L Aurora com matrícula B-12PP, embora advertisse que a informação disponível procedia por enquanto de fontes não oficiais.

O sinistro ocorreu numa capital submetida a um estrito controlo de segurança devido à condição de sede do Governo Central e do Partido Comunista Chinês, com amplos dispositivos de vigilância e restrições sobre o uso de drones e do espaço aéreo de baixa altitude reforçadas nos últimos meses. O China Zun tem 528 metros de altura, foi inaugurado em 2018 e tornou-se então no arranha-céus mais alto da capital chinesa.

29 Jun 2026