Exército | Xi quer acelerar utilização militar da inteligência artificial

O Presidente chinês, Xi Jinping, instou a acelerar a utilização militar da inteligência artificial e de tecnologias não tripuladas no âmbito da modernização das Forças Armadas, visando avançar para um “sistema militar inteligente”.

Xi, que preside à Comissão Militar Central (CMC), o mais alto órgão de direcção das Forças Armadas chinesas, fez estas declarações durante uma sessão de estudo do Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC), realizada na véspera do 99.º aniversário da fundação do Exército de Libertação Popular (ELP), que se assinalou no sábado, informou sexta-feira a agência de notícias oficial Xinhua.

O líder chinês afirmou que o principal critério para avaliar os progressos da modernização militar deve ser a capacidade de combate e apelou ao reforço da aplicação militar de tecnologias inteligentes e de sistemas não tripulados, ao aprofundamento do desenvolvimento de sistemas de informação em rede e ao avanço gradual para a criação de um “sistema militar inteligente”.

Xi defendeu ainda o reforço da integração das capacidades de combate, a intensificação dos testes e avaliações em condições reais e o avanço contínuo do treino e da preparação militar para salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país.

O Presidente chinês insistiu também no reforço da liderança absoluta do PCC sobre as Forças Armadas e no aprofundamento da campanha anti-corrupção no Exército, através de um maior controlo dos grandes projectos militares e dos mecanismos de supervisão.

As declarações surgem quando Pequim intensificou as medidas para reforçar a disciplina e o controlo político sobre a cúpula militar, após uma série de investigações por corrupção que atingiram responsáveis das Forças Armadas e antigos dirigentes da Defesa. Nos últimos meses, Xi promoveu novas normas de supervisão para oficiais superiores e reiterou a necessidade de reforçar a lealdade política no seio das Forças Armadas.

3 Ago 2026

Japão | Sobe para 28 o número de mortos provocados pelo sismo

O balanço das vítimas mortais do sismo de magnitude 7,1 que atingiu na terça-feira o sudoeste do Japão aumentou para 28, confirmou ontem um porta-voz do Governo japonês em conferência de imprensa. “O balanço subiu agora para 28 mortos, incluindo pessoas cujo óbito ainda está a ser investigado para determinar se está relacionado com o sismo”, declarou o secretário-geral do Governo japonês, Minoru Kihara.

Segundo a Agência Meteorológica do Japão, o terramoto teve como epicentro a Prefeitura de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sudeste do país e foi seguido por dezenas de réplicas.

A agência alertou que sismos de magnitude semelhante poderiam ocorrer nos próximos dias, e ainda para o risco de chuvas intensas nos próximos dias, que podem provocar deslizamentos de terra nas áreas já fragilizadas.

As autoridades locais indicaram que mais de 300 pessoas ficaram feridas, várias em estado grave, e que cerca de 40.000 habitações permanecem sem electricidade. Equipas de resgate continuam a procurar desaparecidos em zonas de desabamentos de terra, enquanto o Exército japonês mobilizou 3.600 militares para apoiar operações de socorro.

Centenas de equipas de socorro continuavam também a tentar alcançar sobreviventes nos escombros de um centro comercial em Kashima. O centro comercial tinha sido evacuado após o sismo, mas cerca de 50 minutos depois foi devastado por uma explosão, quando ainda estavam funcionários no interior.

31 Jul 2026

Kuwait | Pelo menos um morto em ataque contra empresa chinesa

Pelo menos uma pessoa morreu ontem num ataque atribuído ao Irão contra uma empresa chinesa no norte do Kuwait, afirmou o ministério da Defesa do país do Golfo Pérsico.

“A hedionda agressão iraniana teve como alvo um edifício pertencente a uma empresa chinesa no norte do país, provocando a morte de um trabalhador e avultados danos materiais no imóvel”, afirmou o porta-voz do ministério da Defesa, Saud al Atwan, em comunicado.

O responsável acrescentou que “as autoridades competentes iniciaram de imediato as medidas necessárias e estão a lidar com a situação em coordenação com as partes envolvidas”.

Al Atwan reiterou ainda que as Forças Armadas do Kuwait “reafirmam o compromisso de cumprir as suas responsabilidades com a máxima eficiência e de adoptar todas as medidas necessárias para proteger a soberania nacional e salvaguardar a segurança e a estabilidade do país, de forma a garantir a segurança dos cidadãos e residentes”.

O porta-voz militar não especificou se o ataque foi realizado com drones ou mísseis, nem identificou a empresa chinesa visada. As declarações surgem poucas horas depois de o Exército da Jordânia ter anunciado a intercepção e destruição de cinco mísseis lançados contra o seu território, um ataque igualmente atribuído ao Irão.

A Guarda Revolucionária iraniana ainda não reivindicou estes novos ataques, mas nas últimas semanas tem sido acusada de lançar dezenas de ataques com mísseis e drones contra aliados dos Estados Unidos no Médio Oriente, incluindo o Bahrein, a Jordânia e o Kuwait.

Os ataques de ontem ocorreram também depois de o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciar a conclusão de uma nova vaga de bombardeamentos contra o Irão, atingindo dezenas de alvos militares, em resposta a uma tentativa de lançamento de mísseis contra tropas norte-americanas destacadas no Médio Oriente.

31 Jul 2026

China | Chuvas fortes obrigam à retirada de mais de 46.000 pessoas

As fortes chuvas que atingiram várias regiões da China obrigaram à retirada preventiva de mais de 46.000 pessoas nas províncias de Sichuan e Jilin, enquanto as autoridades mantêm alertas para precipitação intensa em grande parte do país.

Na província de Sichuan, no centro da China, cerca de 40.000 pessoas foram retiradas preventivamente entre a manhã de quarta-feira e a de ontem em 14 municípios, informou a televisão estatal CCTV, citando as autoridades provinciais.

A cidade de Ya’an registou o maior número de evacuações, com 13.225 pessoas deslocadas. No mesmo período, várias zonas da província, que tem uma área semelhante à da Suécia e cerca de 83 milhões de habitantes, registaram chuva torrencial, com um máximo de 155,4 milímetros na cidade de Guangyuan.

Desde o início da época das cheias, Sichuan contabiliza já 686.515 retiradas preventivas de pessoas, segundo a mesma fonte. No nordeste da China, o distrito de Wangqing, na província de Jilin, registou na quarta-feira precipitação até 225,5 milímetros.

As autoridades retiraram de urgência 7.379 pessoas de nove municípios mais afectados, depois de elevarem para o nível máximo a resposta de emergência devido às cheias e determinarem a suspensão das aulas, do trabalho, da actividade comercial, dos transportes e das atividades coletivas ao ar livre.

O Centro Meteorológico Nacional manteve ontem um alerta amarelo para chuva intensa em várias províncias chinesas, prevendo acumulados locais entre 100 e 200 milímetros. As autoridades meteorológicas alertaram para o risco de cheias repentinas em zonas montanhosas, desastres geológicos, transbordo de rios de pequena e média dimensão e inundações urbanas.

O mês de Julho tem sido marcado na China pela passagem de tufões, precipitação extrema e deslizamentos de terras, que provocaram dezenas de vítimas em várias províncias.

31 Jul 2026

PCC | Procura interna e cadeias industriais definidas como prioridades

A reunião de meio do ano do PCC definiu metas e princípios a aplicar no segundo semestre para fortalecer o crescimento económico

O Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC) pediu ontem que se “explore o potencial da procura interna”, afectada pela falta de confiança dos consumidores, e um reforço do “controlo independente” das cadeias industriais.

Estas são algumas das conclusões da aguardada reunião de meio do ano, que normalmente define as orientações para a política económica no segundo semestre. O partido defendeu a necessidade de “consolidar as bases” do crescimento, apesar da “forte resiliência e vitalidade” demonstradas pela economia no primeiro semestre, que registou uma expansão de 4,7 por cento.

“É necessário (…) promover a auto-suficiência científica e tecnológica e o controlo independente das cadeias industriais”, refere o comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua após a reunião, acrescentando que é igualmente necessário “expandir continuamente a procura interna e optimizar a oferta”.

Neste âmbito, as autoridades anunciaram medidas como o aumento da oferta de “bens e serviços de elevada qualidade”, a expansão da capacidade e a melhoria da qualidade do sector dos serviços, bem como a construção de novas infraestruturas, incluindo redes eléctricas, de computação e de comunicações.

Os analistas já antecipavam que o Politburo não anunciasse grandes medidas de estímulo na reunião económica de meio do ano, prevendo que a principal prioridade fosse estabilizar a economia, que tem vindo a desacelerar nos últimos anos, recorrendo sobretudo às políticas orçamentais já em vigor.

Nesse sentido, o órgão dirigente do PCC reiterou ontem o “princípio geral de procurar o progresso preservando a estabilidade” e indicou que dará prioridade à “estabilização do emprego, das empresas, dos mercados e das expectativas”.

Outros domínios

No domínio da política industrial, Pequim afirmou que vai “acelerar a construção de um sistema industrial moderno”, apostar no desenvolvimento de “novas formas de economia inteligente” e reforçar a “governação da inteligência artificial (IA)”. O partido prometeu também aprofundar as campanhas para eliminar a fragmentação do mercado interno e combater a chamada “concorrência destrutiva”, numa referência às guerras de preços intensas registadas em vários sectores.

Na política monetária, as autoridades reiteraram que continuarão a assegurar uma “liquidez abundante” nos mercados e a manter a “estabilidade básica” da taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan, “num nível razoável e equilibrado”, sem alterações ao discurso oficial.

Entre os riscos identificados pelo partido destaca-se a crise do sector imobiliário, relativamente à qual voltou a prometer “esforços para estabilizar” o mercado, bem como os problemas de “dívida oculta” das administrações locais e regionais, que, segundo o comunicado, “devem ser resolvidos de forma ordenada”.

O Politburo anunciou ainda novas reformas para as instituições financeiras de pequena e média dimensão, com o objectivo de “reforçar a confiança nos mercados de capitais”, definiu o emprego como prioridade política, prometeu mais investimento em infraestruturas nas áreas da educação, saúde e apoio à infância, e melhorias nos mecanismos de assistência social “para garantir que não ocorram recaídas na pobreza nem um aumento significativo da população em situação de pobreza”.

“É necessário enfrentar de forma sistemática os desafios e impactos externos, reforçar a segurança energética e dos recursos e responder às diversas incertezas com a certeza proporcionada por um desenvolvimento de elevada qualidade”, aponta o documento.

Quinto plenário em Outubro

O Partido Comunista Chinês (PCC) vai realizar em Outubro a quinta sessão plenária do actual Comité Central, uma reunião centrada na disciplina interna e na “governação rigorosa” do partido, informou ontem a agência oficial chinesa Xinhua.

A decisão foi tomada durante uma reunião do Politburo do PCC, presidida pelo secretário-geral do partido e Presidente chinês, Xi Jinping, na qual foi acordado analisar “várias questões importantes” para reforçar de forma contínua o controlo interno da organização.

Segundo o comunicado oficial, divulgado ontem pela Xinhua, o partido considera que esta tarefa deve ser encarada como essencial para consolidar a sua posição no poder numa altura em que as mudanças no contexto internacional, na China e no seio da própria organização colocam “novas situações e desafios”. O documento sublinha a necessidade de manter a direcção “centralizada e unificada” do Comité Central, reforçar a capacidade do PCC para governar a longo prazo e preservar a sua “pureza”.

31 Jul 2026

Comércio | China alcança consenso com a UE para uma relação equilibrada

A China afirmou ontem ter alcançado um consenso com a União Europeia para definir as relações bilaterais como uma parceria comercial “estável e equilibrada”, apesar das crescentes tensões entre as duas partes em matéria de comércio.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, disse, em conferência de imprensa, que esse entendimento foi alcançado na primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE).

Segundo He, ambas as partes acordaram, de forma preliminar, realizar uma segunda reunião no Outono. O responsável indicou que Pequim trabalhou nas últimas semanas para aplicar os resultados do primeiro encontro e preparar a próxima ronda de consultas, através de uma coordenação interna “intensa” e de contactos “frequentes” e a vários níveis com Bruxelas.

Segundo o porta-voz, as equipas técnicas da China e da UE realizaram já mais de 20 consultas, enquanto quatro grupos de trabalho analisaram de forma “aprofundada e profissional” as respectivas posições em matéria económica e comercial.

He afirmou que a China está disponível para manter um diálogo frequente com a UE, com base no “respeito mútuo” e na procura de soluções “práticas e viáveis” para responder às preocupações de ambas as partes.

O objectivo, acrescentou, é promover um comércio bilateral mais equilibrado e preservar uma relação entre parceiros comerciais estratégicos “estável e equilibrada”.

Tempo de luta

As declarações surgem após meses de fricções entre Pequim e Bruxelas, com a UE a considerar “insustentável” a relação económica com a China devido ao défice comercial anual, estimado em cerca de 360 mil milhões de euros, e ao impacto das exportações chinesas em sectores como os veículos eléctricos, baterias, painéis solares e produtos químicos.

Pequim rejeita as acusações de excesso de capacidade industrial, negando que este resulte de subsídios estatais ou de uma procura interna insuficiente, e acusa Bruxelas de politizar as divergências comerciais e de avançar com medidas que considera “proteccionistas”.

A tensão agravou-se também devido a investigações comerciais recíprocas, restrições europeias em sectores estratégicos e à multa de 550 milhões de euros aplicada este mês pela Comissão Europeia à plataforma chinesa AliExpress por alegadas falhas no combate à venda de produtos ilegais, decisão condenada por Pequim.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que Bruxelas está preparada para adoptar novas medidas comerciais a partir do Outono caso não sejam alcançados progressos nas negociações com a China.

31 Jul 2026

Mar do Sul | Instalada maior estação conversora de energia eólica offshore do mundo

Pequim instalou a maior estação conversora eólica offshore do mundo no mar do Sul da China, um projecto que vai beneficiar directamente a zona económica da Grande Baía, onde está localizada Macau, foi noticiado pela comunicação social estatal.

A maior e mais potente estação conversora offshore do mundo, com o nome de “Heart of Offshore Wind”, foi instalada em 23 de Julho, a cerca de 100 quilómetros ao largo da costa de Yangjiang, na província de Guangdong, sul da China, informou a emissora estatal CCTV.

Trata-se da primeira estação conversora offshore flexível de corrente contínua (CC) de 500 quilovolts e 2.000 megawatts do mundo.

O projecto está agora na fase final de ligação dos cabos submarinos e de testes conjuntos entre as instalações offshore e em terra, indicou a CCTV, notando que, quando estiver operacional, prevê-se que forneça seis mil milhões de quilowatts-hora de electricidade limpa por ano à Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau.

A Grande Baía é um projecto de Pequim que tem como objetivo criar uma metrópole mundial a partir das regiões administrativas especiais chinesas de Macau e de Hong Kong e outras nove cidades da província vizinha de Guangdong (Guangzhou, Shenzhen, Dongguan, Foshan, Zhongshan, Huizhou, Jiangmen, Zhuhai e Zhaoqing), onde habitam mais de 80 milhões de habitantes.

Exemplo para o futuro

No final de Maio, esta instalação de 25 mil toneladas, partiu de Nantong, na província de Jiangsu (este), a bordo de uma embarcação semi-submersível até ao sul da China, para ser instalada através de um método de flutuação de precisão, de acordo com notícia da agência de notícias Xinhua.

“Irá recolher electricidade de 163 turbinas eólicas offshore, converter energia CA [corrente alternada] de 66 kV em energia CC de 500 kV e enviar energia eólica offshore limpa para as redes terrestres com maior eficiência e menores perdas, levando, em última instância, electricidade às casas e às comunidades”, escreveu a gigante estatal de energia China Three Gorges Corporation (CTG), envolvida no projecto.

A estação mede 85,5 metros de comprimento, 82,5 metros de largura e 44 metros de altura, cobrindo uma área equivalente a um campo de futebol convencional e com a altura de um edifício de 15 andares.

No interior, alberga “um sofisticado sistema de equipamento eléctrico, de ventilação e de combate a incêndios, todo especialmente reforçado para resistir às condições de elevada salinidade e humidade do oceano profundo, ainda de acordo com a notícia da Xinhua.

A estação foi concebida para funcionar sem tripulação permanente, recorrendo a sistemas de monitorização remota e de manutenção inteligente. “O arranque bem-sucedido proporcionará um modelo técnico replicável para o futuro desenvolvimento da energia eólica em águas profundas na China e além-fronteiras”, lê-se ainda.

30 Jul 2026

HK | Livraria anuncia fecho após detenções de funcionários

A livraria Greenfield, em Hong Kong, anunciou ontem nas redes sociais que vai encerrar, duas semanas depois de dois funcionários do espaço terem sido detidos pela polícia de segurança nacional.

“Esta loja vai fechar assim que o contrato de arrendamento terminar”, escreveu a Greenfield Book Store numa publicação na rede social Instagram, não especificando a data. Aos leitores, a livraria agradeceu ainda “o apoio incondicional ao longo dos últimos 50 anos, desde a inauguração”.

A publicação, que já conta mais de 400 partilhas, foi feita duas semanas após as autoridades de Hong Kong levarem a cabo rusgas em duas livrarias – incluindo a Greenfield – e deterem cinco pessoas por suspeita de venderem publicações alegadamente sediciosas, de acordo com meios de comunicação social locais. Vídeos e fotos de vários órgãos de comunicação social mostraram no dia 15 de Julho agentes da polícia a apreender caixas no edifício que alberga a livraria Have A Nice Stay, fundada por ex-jornalistas.

A poucos quarteirões de distância, na Greenfield Book Store, ocorreu uma acção semelhante, com caixas a serem apreendidas no edifício que alberga o espaço, de acordo com um vídeo do portal de notícias online The Collective.

A polícia informou posteriormente que fez rusgas em duas lojas no distrito de Mong Kok, sem as identificar. Dois homens e três mulheres foram detidos por suspeita de violação da Lei de Segurança Nacional de 2024, de acordo com um comunicado da corporação.

A polícia refere no comunicado que uma investigação revelou que as cinco pessoas são suspeitas de exibir e vender materiais sediciosos no local. O conteúdo das publicações inclui incitamento ao ódio contra o Governo, o poder judicial e as forças de segurança da cidade, segundo o comunicado.

A polícia informou que o caso foi encaminhado para a alfândega após a descoberta de livros alegadamente sediciosos num lote de mercadorias enviadas do estrangeiro para Hong Kong, sem especificar os títulos.

30 Jul 2026

Japão | Sobe para 18 o número de mortos no sismo

Pelo menos 18 pessoas morreram devido ao sismo que atingiu o sudoeste do Japão na terça-feira, segundo um novo balanço das autoridades, enquanto as equipas de resgate trabalham para encontrar sobreviventes presos sob escombros de edifícios.

Além das 13 mortes anteriormente relatadas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, outras cinco pessoas morreram no colapso de uma chaminé na fábrica da Nippon Paper Industries, em Yatsushiro, declarou ontem um porta-voz da câmara municipal de Kumamoto numa conferência de imprensa.

Outras quatro pessoas podem ainda estar soterradas sob os escombros, acrescentou o porta-voz. Cerca de 36.900 casas ainda estavam sem electricidade, 9.500 sem gás e as redes de comunicação não funcionavam em algumas áreas, disse o porta-voz do Governo, Minoru Kihara, aos jornalistas.

Mais de 9.000 pessoas deixaram as suas casas para se abrigarem em mais de 500 centros de acolhimento, onde foram instaladas fontes de energia para que estes locais tivessem ar condicionado. O Japão tem enfrentado uma onda de calor contínua e as temperaturas na região deverão ultrapassar os 32º graus Celsius.

Os serviços de comboio de alta velocidade e algumas operações aeroportuárias permanecem suspensos. As Forças de Autodefesa do Japão juntaram-se às equipas de resgate nas operações de busca e salvamento no centro comercial Aeon, gravemente danificado devido a uma explosão depois do sismo, na cidade de Kashima.

O sismo atingiu Kyushu, a ilha mais a sul das quatro principais ilhas do arquipélago japonês, às 08:27 de terça-feira, com uma magnitude de 7,1, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), e de magnitude 6,8 na escala de Richter, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

A primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu na terça-feira que as equipas de resgate trabalhariam “incansavelmente” durante à noite, dando prioridade “ao resgate e à segurança dos afectados”.

30 Jul 2026

População do Japão diminuiu para menos de 120 milhões de habitantes

A população do Japão caiu para menos de 120 milhões pela primeira vez em 42 anos, segundo dados governamentais divulgados ontem, numa altura em que o país enfrenta uma baixa taxa de natalidade e o envelhecimento da população.

A 01 de Janeiro de 2026, o número de cidadãos japoneses residentes no país (excluindo os estrangeiros) era de 119.736.483 — uma queda de 0,76 por cento face ao ano anterior —, segundo dados governamentais.

A população do Japão tem vindo a diminuir há 17 anos consecutivos, após ter atingido um valor máximo em 2009. Em contrapartida, o número de residentes estrangeiros no Japão atingiu o nível mais elevado desde o início dos registos, segundo o Ministério dos Assuntos Internos do Executivo de Tóquio.

Incluindo o grupo de cidadãos estrangeiros, a população total do Japão é de 123,76 milhões. O Japão tem a segunda população mais idosa do mundo (com uma idade média de 49,9 anos), ficando apenas atrás do Mónaco, segundo o Banco Mundial.

Dados oficiais anteriores, divulgados no início do mês de Junho, mostraram que a taxa de natalidade do Japão desceu para um nível recorde de 1,14 filhos por mulher em 2025, evidenciando a crise demográfica que afecta a quarta maior economia do mundo.

Crise e preconceitos

O Japão apresenta também uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, o que gera uma série de problemas, incluindo escassez de mão-de-obra, custos crescentes da segurança social e uma redução do número de trabalhadores contribuintes.

O número de recém-nascidos no Japão foi de 671.236 em 2025 — quase menos 15 mil do que no ano anterior e o índice mais baixo desde o início dos registos, em 1899, sendo que os dados abrangem apenas as crianças japonesas nascidas no país.

Embora a imigração seja frequentemente apontada como uma solução para o declínio demográfico, a primeira-ministra conservadora Sanae Takaichi defende medidas mais rigorosas em relação à entrada de estrangeiros.

Nos últimos anos, os líderes japoneses — tanto a nível nacional como local — tentaram, com sucesso limitado, promover o casamento e a natalidade através do aumento das ajudas para a educação dos filhos, dos subsídios para a licença parental e até do lançamento de aplicações digitais para encontros.

Dados oficiais divulgados este mês revelaram que 265 casais se juntaram após se terem conhecido numa aplicação digital de encontros, lançada pelo Governo de Tóquio em 2024.

30 Jul 2026

China / Europa | Comércio ferroviário supera 450 mil milhões de euros em dez anos

Os comboios de mercadorias entre a China e a Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, transportando bens avaliados em mais de 450 mil milhões de euros, anunciou ontem a principal entidade chinesa de planeamento económico.

Os dados foram divulgados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), o principal órgão de planeamento económico da China, durante uma conferência de imprensa em Pequim.

Citado pelo jornal oficial Global Times, Liang afirmou que o volume mensal de mercadorias actualmente transportado por esta ligação ferroviária equivale ao total movimentado durante todo o ano de 2016.

Segundo o responsável, o número de viagens aumentou de 1.702 em 2016, ano em que os serviços passaram a operar sob uma designação unificada, para mais de 20 mil em 2025, o que representa uma taxa média de crescimento anual superior a 30 por cento.

Liang acrescentou que a digitalização dos procedimentos aduaneiros permitiu reduzir o tempo médio de desalfandegamento para cerca de 30 minutos.

A introdução de horários fixos para os comboios também encurtou em mais de um terço o tempo de trânsito em rotas como a que liga Xi’an, no centro da China, a Duisburgo, no oeste da Alemanha, reduzindo a viagem de 15 para 11 dias.

Segundo o responsável, os comboios partem há 46 meses consecutivos com a capacidade de carga totalmente preenchida.

Liang destacou ainda que o volume de mercadorias exportadas da China e o de bens transportados no sentido inverso está próximo de um equilíbrio de um para um, o que, segundo afirmou, demonstra uma procura robusta nos dois sentidos.

Corredor atractivo

O alargamento das ligações ferroviárias entre a China e a Europa aumentou também a atractividade deste corredor para o comércio transfronteiriço, acrescentou, referindo a abertura de novas rotas através do corredor do mar Cáspio, da Turquia e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha.

A volatilidade das rotas marítimas, provocada pelo agravamento das tensões geopolíticas, também favoreceu o transporte ferroviário, sobretudo para empresas que procuram reduzir os prazos de entrega.

Liang apontou como exemplo as fabricantes chinesas de aparelhos de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram o tempo de entrega para a Europa de cerca de 40 para aproximadamente 15 dias, em resposta à vaga de calor que afecta o continente europeu.

30 Jul 2026

China e Rússia concluem patrulha naval conjunta no Pacífico ocidental

Uma força naval conjunta da China e da Rússia chegou ontem a Vladivostoque, no extremo oriente russo, após concluir uma patrulha no Pacífico iniciada a 13 de Julho, anunciou a agência oficial chinesa Xinhua.

A flotilha integrou os contratorpedeiros chineses equipados com mísseis guiados Kaifeng e Anshan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e a corveta russa Rezkiy, indicou a Xinhua. Os navios partiram de Qingdao, no leste da China, após o encerramento dos exercícios navais “Mar Conjunto-2026”, atravessando os estreitos de Miyako, Etorofu e Soya antes de chegarem a Vladivostoque.

Durante a patrulha, as forças dos dois países realizaram exercícios de aterragem de helicópteros, operações anti-terroristas conjuntas, missões de busca e salvamento humanitário, inspecção e captura de embarcações, além de outros exercícios “orientados para condições reais de combate”.

Pequim apresentou a missão como parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas chinesas e russas, destinada a reforçar a capacidade de actuação conjunta e a responder de forma coordenada a “ameaças à segurança marítima”.

A agência oficial chinesa acrescentou que a operação “não está relacionada com a actual situação internacional e regional”. A patrulha decorreu após os exercícios “Mar Conjunto-2026”, realizados em águas e espaço aéreo próximos de Qingdao e centrados, segundo a parte chinesa, na resposta conjunta a ameaças à segurança marítima.

Essas manobras incluíram missões de reconhecimento conjunto, defesa anti-aérea e anti-míssil, ataques contra alvos marítimos e operações de salvamento submarino, envolvendo meios navais, submarinos, aéreos e de apoio.

Nos últimos anos, China e Rússia intensificaram a cooperação militar através de exercícios navais, patrulhas aéreas conjuntas e contactos de alto nível entre os respectivos comandos, em paralelo com o estreitamento das relações políticas entre os Presidentes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, que, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, em 2022, proclamaram uma parceria bilateral “sem limites”.

30 Jul 2026

Segurança nacional | EUA acusados de reprimir empresas chinesas após proibição de robôs

A China acusou ontem os Estados Unidos de tentarem reprimir as empresas chinesas, depois de Washington anunciar a proibição da importação de robôs humanoides fabricados no estrangeiro por razões de segurança nacional.

A Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, acrescentou na terça-feira os robôs humanoides e quadrúpedes à lista de produtos proibidos de entrar nos Estados Unidos, no âmbito de medidas destinadas a proteger a segurança nacional.

A maioria dos robôs humanoides comercializados nos Estados Unidos é fabricada no estrangeiro, nomeadamente na China, cujas empresas e ‘startups’ se afirmaram como pioneiras num setor em rápida expansão.

“A China sempre se opôs firmemente à tendência dos Estados Unidos para invocar abusivamente a segurança nacional para reprimir empresas chinesas”, afirmou ontem a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning, em conferência de imprensa.

“O proteccionismo não melhora a competitividade dos Estados Unidos. Apenas prejudica os interesses das empresas e dos consumidores norte-americanos”, acrescentou.

Mao garantiu ainda que Pequim tomará “as medidas necessárias” para defender os interesses das empresas chinesas. Os chamados “dispositivos robóticos avançados”, categoria que inclui “robôs móveis”, foram acrescentados à lista da Comissão Federal das Comunicações (FCC), regulador norte-americano das telecomunicações.

30 Jul 2026

China | Novas regras para travar guerra de preços no sector dos painéis solares

As autoridades chinesas anunciaram novas regras contabilísticas para os fabricantes de painéis solares e vão reunir-se esta semana com responsáveis do sector, numa nova etapa da campanha destinada a travar a guerra de preços na indústria.

Segundo o portal económico Yicai, a nova regulamentação pretende “resolver o caos provocado pelos diferentes métodos de contabilidade” utilizados pelas empresas do sector, que enfrenta uma forte pressão sobre as margens de lucro devido à concorrência baseada na redução de preços, levando algumas fabricantes a operar com prejuízo.

Esta situação, que se prolonga desde 2024, resulta de um excesso de capacidade produtiva e fez com que, das 26 empresas chinesas cotadas que já divulgaram previsões para o primeiro semestre, apenas quatro esperem manter-se lucrativas.

As restantes poderão acumular prejuízos entre Janeiro e Junho equivalentes a 2,7 mil milhões e 3,2 mil milhões de dólares, segundo o Yicai. Pequim acredita que a introdução de um método normalizado para calcular os custos permitirá dar um “passo fundamental” para impedir que as empresas continuem a vender abaixo do custo de produção.

Entretanto, outro importante órgão económico chinês, o Cailianshe, adiantou ontem que a Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR) vai reunir-se na sexta-feira com a associação da indústria solar e representantes de empresas do sector para prestar orientações sobre a aplicação das novas regras de fixação de preços.

Especialistas citados pelo Cailianshe consideram que esta iniciativa representa uma mudança da política de Pequim para uma postura mais intervencionista. Já o Yicai enquadra as medidas desta semana num plano mais vasto para criar um quadro regulatório completo para o sector, após a introdução, nas últimas semanas, de novas normas de segurança e eficiência.

30 Jul 2026

Japão | Sismo faz desabar andar de centro comercial

Um dos andares de um centro comercial no Japão caiu na sequência do terramoto de 7,1 de magnitude que abalou o sudoeste do país, prendendo várias pessoas nos destroços, avançou ontem a televisão pública NHK.

O desabamento causou uma forte explosão, relatada inicialmente pela polícia, que ainda desconhece se há vítimas mortais e a extensão dos danos. A NHK já tinha avançado existirem pelo menos 50 feridos causados pelo desabamento de prédios, incêndios e cortes de energia na sequência do sismo.

“Ainda estamos a avaliar a extensão dos ferimentos e dos danos materiais, mas fui informada de que há vários feridos. Há falhas de energia e incêndios em algumas áreas, estradas e pontes foram danificadas e edifícios desabaram”, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, num comunicado televisivo.

Segundo as autoridades locais, pelo menos 12 pessoas estão em estado grave devido a fraturas e ferimentos causados pelo colapso parcial de estruturas, sendo que 12 casas ruíram perto da cidade de Yatsushiro, na região central da província de Kumamoto.

Além disso, adiantaram, um grande apagão deixou cerca de 48.000 casas sem eletricidade na província. A Agência Meteorológica do Japão chegou a emitir um alerta de ‘tsunami’ (maremoto) logo após o sismo, mas o aviso foi suspenso pouco tempo depois por o terramoto ter ocorrido em terra firme.

Nível grave

O sismo, que abalou violentamente a região, atingiu o nível máximo (7) numa escala separada utilizada no Japão, que mede a intensidade dos terramotos num determinado local. Imagens televisivas mostram pontes rodoviárias parcialmente destruídas, edifícios em chamas e comboios de mercadorias tombados.

Não foram detectadas anomalias imediatas nas centrais nucleares da região, de acordo com a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão. Kumamoto já tinha sido atingida, há 10 anos, por dois sismos devastadores — um de magnitude 6,5, e outro, dois dias depois, de magnitude 7,3 na escala de Richter – que mataram 273 pessoas e feriram mais de 2.800.

Um sismo de magnitude 7,2 também atingiu o norte do Japão a 25 de Junho, mas sem causar mortes ou danos significativos. O Japão é um dos países do mundo mais propensos a sismos, já que fica localizado na junção de quatro grandes placas tectónicas ao longo da orla oeste do Círculo de Fogo do Pacífico.

O arquipélago, com uma população de cerca de 125 milhões de habitantes, sofre normalmente centenas de tremores de terra todos os anos e é responsável por cerca de 18 por cento dos sismos registados no mundo. A grande maioria destes sismos é de baixa intensidade, embora os danos que causam variem consoante a sua localização e a profundidade a que ocorrem abaixo da superfície da Terra.

O país ainda carrega as cicatrizes do sismo submarino de magnitude 9,0 de 2011, responsável por um ‘tsunami’ que fez cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos e provocou o desastre nuclear de Fukushima.

29 Jul 2026

HK | Ex-líder da oposição autorizado a ficar seis meses no Reino Unido

O activista Wu Chi-wai foi autorizado a permanecer no Reino Unido como visitante, indicou ontem o advogado do antigo líder do Partido Democrático de Hong Kong, que já se reuniu com a família, após problemas na imigração.

O advogado Paul Harris disse à agência Associated Press (AP) que as autoridades de imigração enviaram uma carta à defesa de Wu a indicar que o activista iria obter autorização para permanecer como visitante durante seis meses. A família de Wu reside no Reino Unido.

A decisão das autoridades britânicas surgiu depois de a entrada de Wu, na semana passada, ao abrigo de uma fiança de imigração de sete dias, ter suscitado preocupações por parte de grupos de defesa dos direitos humanos e de cidadãos de Hong Kong que vivem no Reino Unido e no território chinês, escreveu a AP.

Wu Chi-wai saiu da prisão de Hong Kong no mês passado, após cumprir quatro anos e cinco meses de pena por conspiração para subversão no âmbito do processo conhecido como “Hong Kong 47”, considerado o maior julgamento ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim.

Wu foi o 20.º arguido a concluir a pena, num caso que envolveu 47 activistas acusados de planear “uma crise constitucional” através de eleições primárias não oficiais em 2020. Quarenta e cinco arguidos foram condenados e dois foram absolvidos neste processo.

Wu afirmou numa entrevista à AP, no domingo, que só lhe foi permitido permanecer no Reino Unido até quarta-feira, uma vez que as autoridades fronteiriças britânicas consideravam que pudesse ter outros objectivos além de uma simples visita, incluindo a procura de residência de longa duração.

Wu afirmou num vídeo publicado pelo meio de comunicação online Green Bean que se sentiu angustiado nos últimos dias e que estava feliz por, afinal, ter sido autorizado a passar mais tempo com a família. “Espero que todos os habitantes de Hong Kong possam viver bem e valorizar os seus entes queridos”, afirmou.

29 Jul 2026

Naufrágio | Resgatados 48 tripulantes de navio vietnamita afundado no mar do Sul

O número de sobreviventes do navio de carga vietnamita que se afundou no sábado junto a um recife ocupado pela China subiu para 48, enquanto prosseguem as operações de busca por 14 tripulantes ainda desaparecidos.

As operações de busca e salvamento envolvem equipas do Vietname, das Filipinas e da China. As autoridades vietnamitas anunciaram na segunda-feira o resgate de mais três dos 62 tripulantes que seguiam a bordo, sem divulgarem pormenores sobre a operação.

O cargueiro Khoi Nguyen 18 afundou-se no sábado à noite nas imediações do recife Fiery Cross, uma ilha artificial construída pela China no mar do Sul da China.

O ministério dos Negócios Estrangeiros vietnamita indicou que o navio se afundou devido ao mau tempo no mar do Sul da China e acrescentou que os 48 sobreviventes já foram entregues às autoridades vietnamitas, que lhes prestam assistência médica antes do regresso ao continente.

Segundo plataformas de monitorização marítima, o Khoi Nguyen 18 é um navio de carga geral construído em 2017. O sistema de identificação automática (AIS) do navio registou a sua última posição em Março, ao largo da costa do Vietname, de acordo com a plataforma MarineTraffic.

Ao abrigo de uma convenção das Nações Unidas sobre segurança marítima ratificada pelo Vietname, os navios de carga de grande porte devem manter permanentemente ligado o sistema AIS, que transmite a identidade, posição e rumo da embarcação.

Hanói afirmou que mobilizou de imediato meios de busca e salvamento, em coordenação com navios de resgate chineses, helicópteros e outras embarcações que se encontravam na zona.

A Guarda Costeira das Filipinas, que destacou um navio-patrulha e uma aeronave após um pedido das autoridades vietnamitas, afirmou que a operação decorre ao abrigo de acordos internacionais de segurança marítima e da cooperação bilateral entre Manila e Hanói.

29 Jul 2026

Presidente eslovaco defende em Pequim maior cooperação entre China e UE

O Presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, afirmou ontem, em Pequim, que o seu país está disposto a promover o diálogo entre a União Europeia e a China, durante uma visita destinada a reforçar as relações bilaterais.

Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Pellegrini defendeu que as diferenças entre Pequim e Bruxelas devem ser resolvidas “através da consulta” e manifestou a disponibilidade da Eslováquia para contribuir para uma relação “mais estável” entre as duas partes.

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou a Bratislava para desempenhar um papel “construtivo” na promoção do entendimento entre a China e a UE, numa altura em que as relações entre Pequim e o bloco comunitário atravessam um período de tensões políticas e comerciais.

O líder chinês afirmou que ambas as partes devem concentrar-se nos interesses comuns e gerir as divergências através do diálogo, reiterando que Pequim considera a UE um “parceiro”.

Pellegrini manifestou também o interesse da Eslováquia em atrair novos investimentos chineses, enquanto Xi propôs reforçar os intercâmbios nos domínios da cultura, turismo, desporto, juventude e cooperação entre administrações locais.

Mais perto

China e Eslováquia elevaram as relações bilaterais ao nível de parceria estratégica em Novembro de 2024, durante uma visita do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, a Pequim, na qual os dois governos acordaram aprofundar a cooperação.

A aproximação política ficou também patente em Setembro de 2025, quando Fico foi o único chefe de Governo de um país da UE a participar no desfile militar realizado em Pequim para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, ao lado de Xi Jinping, do Presidente russo, Vladimir Putin, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Após a cerimónia, Fico afirmou que tinha sido “uma honra” participar no evento e criticou a ausência dos restantes dirigentes europeus, considerando que quem ficou isolada não foi a China, mas sim a União Europeia.

A visita de Pellegrini, que termina na quarta-feira, dá continuidade à estratégia do Governo eslovaco de reforçar os laços económicos e políticos com Pequim.

No início da deslocação, o chefe de Estado escreveu na rede social X que esta é a sua primeira visita oficial à China desde que assumiu a Presidência, em Junho de 2024, e apenas a segunda visita de um Presidente eslovaco ao país asiático. “Nestes tempos dinâmicos, é crucial para o nosso futuro reforçar estes laços”, escreveu.

29 Jul 2026

Quota das marcas automóveis estrangeiras cai abaixo de 25% pela primeira vez

A quota de mercado dos fabricantes estrangeiros de automóveis na China caiu este ano abaixo dos 25 por cento pela primeira vez, devido ao rápido crescimento das marcas chinesas, sobretudo no segmento dos eléctricos, segundo dados citados ontem pela imprensa local.

De acordo com a estimativa apresentada recentemente por Wang Qian, director-geral adjunto da fabricante automóvel chinesa Dongfeng, durante um fórum do sector, a percentagem inclui também as joint ventures’, como a que a Dongfeng mantém com a japonesa Nissan, classificando a situação como “inimaginável há apenas três anos”.

O responsável afirmou que o crescimento do mercado chinês de veículos eléctricos pôs fim ao modelo tradicional do sector, em que os fabricantes estrangeiros forneciam a tecnologia e os parceiros chineses asseguravam a distribuição e vantagens de custos, em troca do acesso a um mercado de grande dimensão.

Queda contínua

Dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) mostram que os fabricantes estrangeiros e as suas empresas conjuntas com parceiros locais controlavam mais de 60 por cento do mercado chinês em 2020.

Essa quota caiu para 28 por cento no primeiro semestre deste ano, um valor ligeiramente superior à estimativa apresentada por Wang.

Segundo o portal de notícias Yicai, todas as grandes marcas estrangeiras registaram quedas significativas nas vendas na China entre Janeiro e Junho. A Volkswagen viu as vendas recuar 26 por cento, enquanto as japonesas Toyota, Nissan e Honda registaram descidas de 17 por cento, 15 por cento e 35 por cento, respectivamente.

O segmento de luxo também foi afectado, com as vendas da Mercedes-Benz a caírem 28 por cento em termos homólogos no primeiro semestre, enquanto a Audi e a BMW registaram descidas de 19 por cento e 20 por cento, respectivamente.

Perante este cenário, os fabricantes estrangeiros estão a acelerar a localização das suas operações na China, atribuindo maior autonomia às equipas locais na tomada de decisões e no desenvolvimento tecnológico, numa tentativa de recuperar competitividade e responder mais rapidamente às mudanças do mercado.

Segundo Wang, a empresa conjunta Dongfeng Nissan conseguiu aumentar as vendas em 192 por cento em termos homólogos depois de elevar a proporção de veículos eléctricos nas vendas totais de 7 por cento para 30 por cento este ano, após o lançamento de três novos modelos eléctricos.

29 Jul 2026

Estudo | Financiamento chinês para energia verde no exterior atinge máximo histórico

O investimento chinês em projectos de energia limpa alcançou, no primeiro semestre deste ano, valores nunca antes registados

O financiamento chinês para projectos de energia verde atingiu um recorde de 20,1 mil milhões de dólares no primeiro semestre, ultrapassando o total de 2025, segundo um estudo divulgado ontem.

Os dados constam de um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, e do Green Finance & Development Center, em Xangai, a “capital” económica da China. Do montante total, 11,8 mil milhões de dólares correspondem a projectos de construção e 8,3 mil milhões de dólares a investimentos.

Segundo Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e financiamento da China na Universidade de Queensland e autor do estudo, o menor custo das energias renováveis continuou a impulsionar o investimento chinês, apesar das tensões comerciais.

“O menor custo da energia verde tem impulsionado de forma consistente o investimento chinês e os países que cooperam com a China neste sector poderão beneficiar de uma menor volatilidade dos preços da energia causada pela guerra com o Irão”, apontou.

O valor total dos projectos da iniciativa Faixa e Rota, um gigantesco projecto internacional de infraestruturas lançado por Pequim, também atingiu um máximo histórico de 126,3 mil milhões de dólares no primeiro semestre, acima dos 123,3 mil milhões de dólares registados no mesmo período do ano passado.

Desse total, 49,8 mil milhões de dólares corresponderam a investimento directo e 76,5 mil milhões de dólares a projectos de construção.

Ritmo a acelerar

Além da energia, aumentou igualmente o financiamento destinado aos sectores da indústria transformadora, tecnologia, metais e mineração.

O ritmo do investimento acelerou num contexto em que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão fizeram disparar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo que aumentou a procura por infraestruturas eléctricas e centros de dados para responder ao crescimento da inteligência artificial (IA).

Os dados oficiais das alfândegas chinesas mostram igualmente um aumento das exportações chinesas de tecnologias limpas nos últimos meses. Lançada por Xi Jinping em 2013, poucos meses após assumir a liderança da China, a iniciativa Faixa e Rota é considerada o principal instrumento de Pequim para reforçar a influência económica e as ligações comerciais com os países em desenvolvimento.

Na semana passada, Xi anunciou uma nova coligação internacional destinada a promover a influência chinesa no desenvolvimento da IA, reforçando a ambição de competir com os Estados Unidos na liderança deste sector.

Novo perfil

O estudo indica também uma alteração do perfil dos participantes na iniciativa, com um peso crescente das empresas privadas.

A participação do sector privado representou 48 por cento dos projectos no primeiro semestre, face a apenas 13 por cento em 2022. A iniciativa Faixa e Rota tem sido alvo de críticas devido ao alegado agravamento do endividamento de vários países em desenvolvimento, sobretudo em África.

Apesar dessas críticas, os dados mostram que o interesse africano na iniciativa continua elevado, com o investimento chinês no continente a quase triplicar em termos homólogos no semestre em análise, para 33,5 mil milhões de dólares.

Em contrapartida, não foram anunciados novos projectos no Paquistão nem na Rússia. Segundo Christoph Nedopil Wang, o envolvimento da Rússia permanece reduzido desde a invasão da Ucrânia, devido às dificuldades em substituir grandes projectos estatais por investimentos privados.

O especialista acrescentou que o Paquistão, durante anos um dos principais parceiros da iniciativa, parece estar a reforçar a aproximação aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que as relações entre a China e a Índia estabilizaram.

29 Jul 2026

Naufrágio | China resgata 47 marinheiros de navio vietnamita

O Governo chinês informou ontem que já foram resgatados 47 dos 62 marinheiros que se encontravam a bordo do navio vietnamita que se afundou na noite de sexta-feira em águas do mar do Sul da China.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian actualizou, numa conferência de imprensa, o número de sobreviventes, que passou de 44 para 47, e indicou que todos já foram entregues de forma ordenada às autoridades vietnamitas.

“Depois de ter sido conhecida a situação de perigo em que o navio se encontrava, a parte chinesa iniciou de imediato operações de resgate, um gesto pelo qual a parte vietnamita expressou o seu agradecimento”, afirmou Lin.

Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, o navio ‘Nanhaijiu 115’, operado pelo ministério dos Transportes, detectou um sinal luminoso de emergência e localizou dois grupos de botes salva-vidas que foram arrastados para águas próximas do recife Fiery Cross, conhecido na China como Yongshu, permitindo o resgate inicial de vários marinheiros de nacionalidade vietnamita.

Apesar dos esforços realizados, vários tripulantes continuam desaparecidos, pelo que as operações de busca e salvamento prosseguem.

28 Jul 2026

Ucrânia | Seul acompanha cooperação entre russos e norte-coreanos

O Governo sul-coreano acompanha de perto a cooperação militar entre Moscovo e Pyongyang, depois de o Presidente ucraniano ter alertado para a possibilidade de a Coreia do Norte enviar mais 30 mil soldados para a Rússia.

“O Governo está a acompanhar de perto os desenvolvimentos relacionados com a cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado divulgado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap. Segundo a Yonhap, não há, de momento, indícios de qualquer envio adicional de tropas norte-coreanas.

No sábado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nas redes sociais que Moscovo procura recrutar 30 mil soldados da Coreia do Norte, depois de ter sofrido quase 225 mil baixas militares em menos de sete meses de guerra na Ucrânia neste ano, 131 mil mortos e quase 93 mil feridos.

O Governo sul-coreano insistiu que a cooperação militar entre Pyongyang e Moscovo viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e “deve cessar imediatamente”.

Já o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, afirmou ontem que a cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte, como o envio de tropas e a aquisição de armas e munições norte-coreanas pela Rússia, “não só agrava a situação na Ucrânia, como é motivo de séria preocupação devido ao seu impacto na segurança regional”.

“Da nossa parte, continuaremos a recolher e a analisar informações relevantes, incluindo os últimos acontecimentos”, declarou Kihara.

Segundo os serviços de informação sul-coreanos, Pyongyang enviou aproximadamente 15.000 soldados em apoio da Rússia na sua guerra contra a Ucrânia. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu moeda estrangeira, bens e tecnologia de Moscovo. O Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu a ministra dos Negócios Estrangeiros norte-coreana, Choe Son-hui, no Kremlin, em meados deste mês, pela segunda vez em menos de um ano.

28 Jul 2026

Xi manifesta apoio ao Brasil e rejeita “interferências externas” face a taxas dos EUA

O Presidente chinês, Xi Jinping, manifestou ontem apoio ao Brasil na defesa da sua soberania e rejeitou “interferências externas”, durante uma conversa com o homólogo brasileiro, Lula da Silva, em plena tensão comercial entre Brasília e Washington.

Xi fez estas declarações durante uma conversa por telefone com Lula, informou o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC).

O chefe de Estado chinês afirmou que Pequim atribui “grande importância” ao estatuto internacional e à influência do Brasil e manifestou apoio para que o país sul-americano continue a dar “contributos” para a paz e a estabilidade regionais e mundiais.

Xi defendeu ainda que a China e o Brasil, enquanto “membros importantes do Sul Global”, devem posicionar-se do “lado certo da história”, da “civilização e do progresso”, desempenhando um papel “mais construtivo” na reforma do sistema de governação global e na “defesa da justiça internacional”.

Lula afirmou que a cooperação bilateral “desenvolveu-se rapidamente” em vários domínios, que o comércio entre os dois países voltou a atingir um máximo histórico e que o Brasil pretende reforçar a colaboração com a China nas áreas da inteligência artificial, energia e minerais, além de atrair mais investimento de empresas chinesas, segundo o Diário do Povo.

Malditas tarifas

A conversa ocorreu depois de os Estados Unidos terem anunciado recentemente tarifas de 25 por cento sobre determinados produtos brasileiros, na sequência de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974.

O Brasil rejeitou a legitimidade dessa investigação, anunciou que vai acionar a sua Lei da Reciprocidade e afirmou que vai voltar a apresentar o caso ao mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Governo de Lula defendeu que “não existe qualquer justificação” para medidas unilaterais contra o Brasil e acusou a família do ex-líder Jair Bolsonaro (2019-2023) de colaborar com a narrativa que, na sua perspectiva, conduziu ao novo agravamento das tarifas norte-americanas.

Bons parceiros

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um máximo histórico de 171 mil milhões de dólares, mais 8,2 por cento do que no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Governo brasileiro.

O Brasil foi também o país que mais investimento chinês recebeu nesse ano, com 6,1 mil milhões de dólares, e, em Abril de 2026, tornou-se o principal destino das exportações chinesas de automóveis, veículos de novas energias e automóveis totalmente eléctricos, num contexto de crescente presença de empresas chinesas nos sectores automóvel, energético, mineiro e das infraestruturas.

28 Jul 2026

China | Empresas industriais aumentam lucros em 18,7 por cento no primeiro semestre

Os lucros das principais empresas industriais da China cresceram 18,7 por cento no primeiro semestre, em termos homólogos, ligeiramente abaixo do ritmo registado até Maio, mas mantendo a trajectória positiva iniciada em 2025, após três anos consecutivos de descidas.

De acordo com dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE), os lucros destas empresas totalizaram cerca de 3,95 biliões de yuan entre Janeiro e Junho. O crescimento até junho representa uma desaceleração de 0,1 pontos percentuais face ao registado até Maio, contrariando as previsões do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma subida para 19,2 por cento.

Para esta estatística, o GNE considera apenas as empresas industriais com um volume anual de negócios superior a 20 milhões de yuan.

O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da eletrónica, cujos lucros quase duplicaram (+96,9 por cento) no semestre, impulsionados pela maior procura de capacidade de computação, na sequência do desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Segundo Yu, este sector foi responsável por 8,5 pontos percentuais do crescimento total do indicador. Entre os casos mais expressivos, figura a indústria de fabrico de circuitos integrados, cujos lucros aumentaram quase 27 vezes.

O responsável assinalou ainda a melhoria registada na indústria de matérias-primas (+71,7 por cento), impulsionada sobretudo pelos metais, como o cobre e o alumínio, bem como o rápido desenvolvimento de novos setores de crescimento, incluindo os materiais não metálicos – como a borracha reciclada e os produtos de grafite e carbono – e os cabos de fibra ótica destinados a centros de dados.

Perigos internacionais

Outro factor favorável ao sector industrial foi a redução dos custos por unidade produzida, que, segundo Yu, tem vindo a diminuir desde o início do ano, permitindo que a margem média de lucro das empresas analisadas atingisse 5,7 por cento, o nível mais elevado desde 2024.

O analista oficial alertou, porém, para o impacto de um contexto internacional “complexo e volátil”, para a incerteza quanto à evolução dos preços das matérias-primas e para desafios como a fraca procura interna e a pressão “significativa” sobre os fluxos de caixa das empresas.

Em 2025, os lucros das empresas industriais cresceram 0,6 por cento, registando a primeira evolução positiva após três anos consecutivos de descidas: em 2022, recuaram 2 por cento; em 2023, 2,3 por cento; e, em 2024, 3,3 por cento.

28 Jul 2026