Hoje Macau China / ÁsiaEstudo | Financiamento chinês para energia verde no exterior atinge máximo histórico O investimento chinês em projectos de energia limpa alcançou, no primeiro semestre deste ano, valores nunca antes registados O financiamento chinês para projectos de energia verde atingiu um recorde de 20,1 mil milhões de dólares no primeiro semestre, ultrapassando o total de 2025, segundo um estudo divulgado ontem. Os dados constam de um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, e do Green Finance & Development Center, em Xangai, a “capital” económica da China. Do montante total, 11,8 mil milhões de dólares correspondem a projectos de construção e 8,3 mil milhões de dólares a investimentos. Segundo Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e financiamento da China na Universidade de Queensland e autor do estudo, o menor custo das energias renováveis continuou a impulsionar o investimento chinês, apesar das tensões comerciais. “O menor custo da energia verde tem impulsionado de forma consistente o investimento chinês e os países que cooperam com a China neste sector poderão beneficiar de uma menor volatilidade dos preços da energia causada pela guerra com o Irão”, apontou. O valor total dos projectos da iniciativa Faixa e Rota, um gigantesco projecto internacional de infraestruturas lançado por Pequim, também atingiu um máximo histórico de 126,3 mil milhões de dólares no primeiro semestre, acima dos 123,3 mil milhões de dólares registados no mesmo período do ano passado. Desse total, 49,8 mil milhões de dólares corresponderam a investimento directo e 76,5 mil milhões de dólares a projectos de construção. Ritmo a acelerar Além da energia, aumentou igualmente o financiamento destinado aos sectores da indústria transformadora, tecnologia, metais e mineração. O ritmo do investimento acelerou num contexto em que os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão fizeram disparar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo que aumentou a procura por infraestruturas eléctricas e centros de dados para responder ao crescimento da inteligência artificial (IA). Os dados oficiais das alfândegas chinesas mostram igualmente um aumento das exportações chinesas de tecnologias limpas nos últimos meses. Lançada por Xi Jinping em 2013, poucos meses após assumir a liderança da China, a iniciativa Faixa e Rota é considerada o principal instrumento de Pequim para reforçar a influência económica e as ligações comerciais com os países em desenvolvimento. Na semana passada, Xi anunciou uma nova coligação internacional destinada a promover a influência chinesa no desenvolvimento da IA, reforçando a ambição de competir com os Estados Unidos na liderança deste sector. Novo perfil O estudo indica também uma alteração do perfil dos participantes na iniciativa, com um peso crescente das empresas privadas. A participação do sector privado representou 48 por cento dos projectos no primeiro semestre, face a apenas 13 por cento em 2022. A iniciativa Faixa e Rota tem sido alvo de críticas devido ao alegado agravamento do endividamento de vários países em desenvolvimento, sobretudo em África. Apesar dessas críticas, os dados mostram que o interesse africano na iniciativa continua elevado, com o investimento chinês no continente a quase triplicar em termos homólogos no semestre em análise, para 33,5 mil milhões de dólares. Em contrapartida, não foram anunciados novos projectos no Paquistão nem na Rússia. Segundo Christoph Nedopil Wang, o envolvimento da Rússia permanece reduzido desde a invasão da Ucrânia, devido às dificuldades em substituir grandes projectos estatais por investimentos privados. O especialista acrescentou que o Paquistão, durante anos um dos principais parceiros da iniciativa, parece estar a reforçar a aproximação aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que as relações entre a China e a Índia estabilizaram.
Hoje Macau China / ÁsiaNaufrágio | China resgata 47 marinheiros de navio vietnamita O Governo chinês informou ontem que já foram resgatados 47 dos 62 marinheiros que se encontravam a bordo do navio vietnamita que se afundou na noite de sexta-feira em águas do mar do Sul da China. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian actualizou, numa conferência de imprensa, o número de sobreviventes, que passou de 44 para 47, e indicou que todos já foram entregues de forma ordenada às autoridades vietnamitas. “Depois de ter sido conhecida a situação de perigo em que o navio se encontrava, a parte chinesa iniciou de imediato operações de resgate, um gesto pelo qual a parte vietnamita expressou o seu agradecimento”, afirmou Lin. Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, o navio ‘Nanhaijiu 115’, operado pelo ministério dos Transportes, detectou um sinal luminoso de emergência e localizou dois grupos de botes salva-vidas que foram arrastados para águas próximas do recife Fiery Cross, conhecido na China como Yongshu, permitindo o resgate inicial de vários marinheiros de nacionalidade vietnamita. Apesar dos esforços realizados, vários tripulantes continuam desaparecidos, pelo que as operações de busca e salvamento prosseguem.
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | Seul acompanha cooperação entre russos e norte-coreanos O Governo sul-coreano acompanha de perto a cooperação militar entre Moscovo e Pyongyang, depois de o Presidente ucraniano ter alertado para a possibilidade de a Coreia do Norte enviar mais 30 mil soldados para a Rússia. “O Governo está a acompanhar de perto os desenvolvimentos relacionados com a cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul num comunicado divulgado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap. Segundo a Yonhap, não há, de momento, indícios de qualquer envio adicional de tropas norte-coreanas. No sábado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nas redes sociais que Moscovo procura recrutar 30 mil soldados da Coreia do Norte, depois de ter sofrido quase 225 mil baixas militares em menos de sete meses de guerra na Ucrânia neste ano, 131 mil mortos e quase 93 mil feridos. O Governo sul-coreano insistiu que a cooperação militar entre Pyongyang e Moscovo viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e “deve cessar imediatamente”. Já o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, afirmou ontem que a cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte, como o envio de tropas e a aquisição de armas e munições norte-coreanas pela Rússia, “não só agrava a situação na Ucrânia, como é motivo de séria preocupação devido ao seu impacto na segurança regional”. “Da nossa parte, continuaremos a recolher e a analisar informações relevantes, incluindo os últimos acontecimentos”, declarou Kihara. Segundo os serviços de informação sul-coreanos, Pyongyang enviou aproximadamente 15.000 soldados em apoio da Rússia na sua guerra contra a Ucrânia. Em troca, o regime de Kim Jong-un recebeu moeda estrangeira, bens e tecnologia de Moscovo. O Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu a ministra dos Negócios Estrangeiros norte-coreana, Choe Son-hui, no Kremlin, em meados deste mês, pela segunda vez em menos de um ano.
Hoje Macau China / ÁsiaXi manifesta apoio ao Brasil e rejeita “interferências externas” face a taxas dos EUA O Presidente chinês, Xi Jinping, manifestou ontem apoio ao Brasil na defesa da sua soberania e rejeitou “interferências externas”, durante uma conversa com o homólogo brasileiro, Lula da Silva, em plena tensão comercial entre Brasília e Washington. Xi fez estas declarações durante uma conversa por telefone com Lula, informou o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC). O chefe de Estado chinês afirmou que Pequim atribui “grande importância” ao estatuto internacional e à influência do Brasil e manifestou apoio para que o país sul-americano continue a dar “contributos” para a paz e a estabilidade regionais e mundiais. Xi defendeu ainda que a China e o Brasil, enquanto “membros importantes do Sul Global”, devem posicionar-se do “lado certo da história”, da “civilização e do progresso”, desempenhando um papel “mais construtivo” na reforma do sistema de governação global e na “defesa da justiça internacional”. Lula afirmou que a cooperação bilateral “desenvolveu-se rapidamente” em vários domínios, que o comércio entre os dois países voltou a atingir um máximo histórico e que o Brasil pretende reforçar a colaboração com a China nas áreas da inteligência artificial, energia e minerais, além de atrair mais investimento de empresas chinesas, segundo o Diário do Povo. Malditas tarifas A conversa ocorreu depois de os Estados Unidos terem anunciado recentemente tarifas de 25 por cento sobre determinados produtos brasileiros, na sequência de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974. O Brasil rejeitou a legitimidade dessa investigação, anunciou que vai acionar a sua Lei da Reciprocidade e afirmou que vai voltar a apresentar o caso ao mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Governo de Lula defendeu que “não existe qualquer justificação” para medidas unilaterais contra o Brasil e acusou a família do ex-líder Jair Bolsonaro (2019-2023) de colaborar com a narrativa que, na sua perspectiva, conduziu ao novo agravamento das tarifas norte-americanas. Bons parceiros A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um máximo histórico de 171 mil milhões de dólares, mais 8,2 por cento do que no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Governo brasileiro. O Brasil foi também o país que mais investimento chinês recebeu nesse ano, com 6,1 mil milhões de dólares, e, em Abril de 2026, tornou-se o principal destino das exportações chinesas de automóveis, veículos de novas energias e automóveis totalmente eléctricos, num contexto de crescente presença de empresas chinesas nos sectores automóvel, energético, mineiro e das infraestruturas.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Empresas industriais aumentam lucros em 18,7 por cento no primeiro semestre Os lucros das principais empresas industriais da China cresceram 18,7 por cento no primeiro semestre, em termos homólogos, ligeiramente abaixo do ritmo registado até Maio, mas mantendo a trajectória positiva iniciada em 2025, após três anos consecutivos de descidas. De acordo com dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE), os lucros destas empresas totalizaram cerca de 3,95 biliões de yuan entre Janeiro e Junho. O crescimento até junho representa uma desaceleração de 0,1 pontos percentuais face ao registado até Maio, contrariando as previsões do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma subida para 19,2 por cento. Para esta estatística, o GNE considera apenas as empresas industriais com um volume anual de negócios superior a 20 milhões de yuan. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da eletrónica, cujos lucros quase duplicaram (+96,9 por cento) no semestre, impulsionados pela maior procura de capacidade de computação, na sequência do desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Segundo Yu, este sector foi responsável por 8,5 pontos percentuais do crescimento total do indicador. Entre os casos mais expressivos, figura a indústria de fabrico de circuitos integrados, cujos lucros aumentaram quase 27 vezes. O responsável assinalou ainda a melhoria registada na indústria de matérias-primas (+71,7 por cento), impulsionada sobretudo pelos metais, como o cobre e o alumínio, bem como o rápido desenvolvimento de novos setores de crescimento, incluindo os materiais não metálicos – como a borracha reciclada e os produtos de grafite e carbono – e os cabos de fibra ótica destinados a centros de dados. Perigos internacionais Outro factor favorável ao sector industrial foi a redução dos custos por unidade produzida, que, segundo Yu, tem vindo a diminuir desde o início do ano, permitindo que a margem média de lucro das empresas analisadas atingisse 5,7 por cento, o nível mais elevado desde 2024. O analista oficial alertou, porém, para o impacto de um contexto internacional “complexo e volátil”, para a incerteza quanto à evolução dos preços das matérias-primas e para desafios como a fraca procura interna e a pressão “significativa” sobre os fluxos de caixa das empresas. Em 2025, os lucros das empresas industriais cresceram 0,6 por cento, registando a primeira evolução positiva após três anos consecutivos de descidas: em 2022, recuaram 2 por cento; em 2023, 2,3 por cento; e, em 2024, 3,3 por cento.
Hoje Macau China / Ásia‘Chips’| Fabricante CXMT estreia em bolsa com valorização superior a 500% A fabricante chinesa de semicondutores CXMT valorizou ontem mais de 500 por cento na estreia em bolsa, impulsionada pela forte procura de acções ligadas à inteligência artificial (IA), tornando-se a empresa cotada mais valiosa da China continental. As acções abriram a negociar na Bolsa de Xangai a 49,50 yuan, face ao preço de oferta pública inicial (IPO) de 8,66 yuan, e continuaram a subir durante a sessão, atingindo 54,65 yuan. A valorização elevou a capitalização bolsista da empresa para cerca de 3,65 biliões de yuan, ultrapassando a tecnológica Tencent, cotada em Hong Kong, e tornando a CXMT na empresa chinesa cotada de maior valor. A empresa arrecadou 57,9 mil milhões de yuan com a emissão de 6,69 mil milhões de acções, naquela que foi a maior oferta pública inicial na China continental desde a entrada em bolsa do Agricultural Bank of China, em 2010. A operação inclui ainda a possibilidade de emitir cerca de mil milhões de acções adicionais, o que poderá elevar o montante angariado para perto de 10 mil milhões de dólares. O entusiasmo dos investidores reflecte a crescente procura por empresas ligadas à cadeia de abastecimento da IA, numa altura em que a escassez global de ‘chips’ de memória, impulsionada pela expansão desta tecnologia, tem sustentado a subida dos preços e dos lucros do sector. No topo A CXMT é actualmente o quarto maior produtor mundial de memória DRAM, utilizada em equipamentos como servidores, computadores, câmaras e outros dispositivos electrónicos, atrás da sul-coreana SK Hynix, da Samsung Electronics e da norte-americana Micron. Segundo o prospeto da oferta, os recursos obtidos serão utilizados para aumentar a capacidade de produção e reforçar a investigação e desenvolvimento de chips DRAM. A empresa opera três fábricas de produção de ‘chips’ de memória em Pequim e Hefei, capital da província oriental de Anhui, e afirma pretender aumentar continuamente a produção e reforçar a quota no mercado mundial. A consultora SemiAnalysis estima que a empresa atinja uma capacidade de produção de 350 mil ‘chips’ por mês até ao final deste ano, aproximando-se dos 385 mil da Micron, e alcance 500 mil até ao final de 2028. Depois de acumular perdas de cerca de 37 mil milhões de yuan ao longo da última década, a empresa regressou aos lucros este ano, registando um resultado líquido de 33 mil milhões de yuan apenas no primeiro trimestre. Grande parte destes lucros resulta da venda de ‘chips’ de memória para computadores pessoais, electrodomésticos e outros produtos eletrónicos de consumo, embora a empresa esteja também a desenvolver memória de elevada largura de banda (HBM), utilizada em centros de dados para IA. Contudo, analistas sublinham que a CXMT continua atrasada face aos principais concorrentes internacionais neste segmento, devido às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de equipamento avançado de fabrico de semicondutores, incluindo máquinas da neerlandesa ASML.
Hoje Macau China / ÁsiaÍndia | Ministro da Educação demite-se após semanas de protestos O ministro da Educação da Índia demitiu-se ontem, após semanas de protestos devido a alegados fugas de informação nos exames de admissão no Ensino Superior mais competitivos do país e a irregularidades no sistema educativo. Segundo avança a agência de notícias Associated Press (AP), a saída de Dharmendra Pradhan foi a primeira concessão do governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, depois de o movimento “Partido das Baratas” ter realizado semanas de manifestações, ocupações e greves de fome a nível nacional a exigir aquela demissão. Os manifestantes estão há um mês acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito após um conceituado engenheiro e ativista ambiental Sonam Wangchuk ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária. O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes. Estas manifestações tornaram-se um dos sinais mais visíveis da oposição pública ao governo de Modi nos últimos anos, com milhares de pessoas a regressarem às ruas mesmo após a polícia ter utilizado gás lacrimogéneo e bastões para dispersar, no início desta semana, os manifestantes que tentavam chegar ao Parlamento.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim diz que guerras comerciais não beneficiam ninguém A China criticou sexta-feira as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre importações de dezenas de economias, justificadas por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado, e defendeu que “as guerras comerciais não beneficiam ninguém”. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, numa conferência de imprensa, que a posição de Pequim sobre as questões económicas e comerciais com Washington é “constante e clara”. “A China opõe-se a todas as formas de medidas tarifárias unilaterais”, afirmou Lin. O porta-voz acrescentou que “as guerras tarifárias e comerciais não beneficiam nenhuma das partes”, depois de o Gabinete do Representante para o Comércio dos Estados Unidos ter anunciado, na quarta-feira, novas tarifas entre 10 por cento e 12,5 por cento sobre importações provenientes de 60 países e regiões. A decisão, adoptada ao abrigo da secção 301 da Lei do Comércio de 1974, é justificada por Washington com a alegada insuficiência de medidas para impedir a entrada de bens produzidos com recurso a trabalho forçado. O novo regime substitui a tarifa global temporária imposta pelos Estados Unidos, que expirava sexta-feira. Canais abertos A nova ronda de tarifas surge numa altura em que Pequim e Washington mantêm canais de diálogo económico, após a visita de Estado do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China, em Maio, durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping. Na quinta-feira, o ministério do Comércio chinês afirmou que as equipas económicas e comerciais dos dois países mantêm uma “comunicação fluida” sobre a estrutura e as funções de um novo Conselho de Comércio bilateral e estudam uma redução recíproca de tarifas no valor de 30 mil milhões de dólares para cada parte. O braço de ferro tarifário entre as duas maiores economias do mundo atingiu o auge no ano passado, com tarifas recíprocas superiores a 100 por cento, traduzindo-se num embargo comercial de facto, antes das tréguas comerciais posteriormente alcançadas. A relação bilateral continua marcada por divergências em torno das tarifas, dos controlos tecnológicos, das terras raras, de Taiwan e das restrições impostas a empresas chinesas, embora ambas as partes tenham procurado manter contactos nas áreas do comércio, investimento, agricultura, aviação e segurança militar.
Hoje Macau China / ÁsiaChina / EUA | Cooperação no repatriamento de fugitivos e luta contra o narcotráfico Altos responsáveis pelo sector da segurança de ambos os países estiveram reunidos em Pequim para acertar agulhas em matérias como a repatriação de fugitivos e o combate ao narcotráfico O ministro da Segurança Pública da China e o director do FBI norteamericano acordaram na sextafeira aprofundar a cooperação na repatriação de fugitivos e no combate ao narcotráfico. A reunião entre Kash Patel e Wang Xiaohong em Pequim ocorreu depois de dois recentes repatriamentos de fugitivos entre a China e os Estados Unidos, países que não possuem tratado de extradição. Segundo o comunicado oficial, Wang defendeu que ambos os lados devem “envolverse em um diálogo mais construtivo, com base no respeito mútuo, e reforçar a cooperação prática” contra crimes como tráfico de drogas, fraude online e nas telecomunicações, pornografia infantil, branqueamento de capitais e captura de fugitivos. Patel afirmou, numa declaração publicada na rede social X, que regressou a Pequim para “continuar o trabalho extraordinário sob a Administração Trump” de “encerrar canais de fornecimento de precursores de fentanil”, além de expandir operações conjuntas contra centros de fraude, combater crimes violentos contra crianças, e desenvolver maior cooperação na captura e entrega de fugitivos. Na quintafeira, o Ministério da Segurança Pública da China informou ter entregue às autoridades norteamericanas um fugitivo procurado por crimes violentos graves, incluindo o alegado homicídio da esposa e a agressão sexual de uma menor. O homem era procurado desde 2004, quando foi emitido um mandado de prisão nos EUA por crimes violentos. Dias antes da sua entrega, autoridades dos EUA repatriaram para Pequim um fugitivo acusado de sequestrar e matar cidadãos chineses no exterior. Segundo Patel, “estes resultados históricos” foram possíveis graças aos contactos diretos com o Ministério da Segurança Pública”, acrescentando que a reunião com conselheiro de Estado e ministro Wang Xiaohong foi a “primeira reunião deste tipo na história do FBI”. Linhas traçadas Durante a reunião, Wang recordou que o encontro histórico entre os chefes de Estado dos dois países, realizado em Maio, “traçou o rumo para a cooperação bilateral em todos os sectores”. O ministro da Segurança Pública manifestou a esperança de que ambas as partes “cumpram plenamente os entendimentos comuns alcançados pelos dois líderes e conduzam diálogos mais construtivos com base no respeito mútuo”. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o líder chinês, fará uma visita diplomática a Washington no dia 24 de Setembro deste ano. As autoridades chinesas acrescentaram que as forças de segurança dos dois países têm desenvolvido “uma série de acções práticas de cooperação” em áreas como combate ao narcotráfico, repatriamento de imigrantes ilegais, recuperação de fugitivos, fraude cibernética e luta contra o branqueamento de capitais. A crise dos opioides causou centenas de milhares de mortes por overdose em solo americano na última década, com os EUA a apontar que os ingredientes químicos usados para o fabrico de fentanil, um opioide extremamente forte, vêm principalmente da Ásia, com forte participação da China. O Governo norte-americano classificou o fentanil como uma ameaça extrema, equiparando-o a uma arma de destruição em massa, usando essa justificação para ampliar sanções financeiras à China, que rejeita a responsabilidade direta pela crise dos opioides nos EUA, classificando o problema como uma questão estritamente interna da sociedade norte-americana. Em setembro de 2025 o Presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma tarifa de 20 por cento sobre as importações chinesas, pressionando Pequim a conter o fluxo de opioides sintéticos, mas após uma reunião bilateral no mês seguinte a tarifa foi formalmente reduzida para 10 por cento, com a China a concordar em apertar o controlo de exportação de precursores químicos.
Hoje Macau China / ÁsiaTóquio com maior número de hospitalizações num só dia desde 2010 devido ao calor Tóquio registou na quarta-feira o maior número de hospitalizações num só dia desde 2010 devido à onda de calor, com um morto e quatro pessoas em estado crítico, anunciaram ontem os serviços de emergência. Os bombeiros da capital japonesa informaram que 453 pessoas foram hospitalizadas em Tóquio na quarta-feira, um recorde desde que os registos começaram em 2010, e que o accionamento dos serviços de emergência atingiu um nível que não se via há pelo menos 63 anos. “Instamos o público a manter-se hidratado e a usar ar condicionado”, disse ontem um porta-voz do corpo de bombeiros. Os bombeiros de Tóquio também responderam a 3.612 chamadas na quarta-feira, um número recorde desde que os registos começaram em 1963, segundo o porta-voz. Das pessoas hospitalizadas na quarta-feira, uma morreu, quatro estavam em estado crítico e 18 em estado grave. Dia cruel Quatro localidades japonesas registaram temperaturas acima dos 40 graus Celsius, um dia apelidado de “kokushobi” pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), um neologismo que pode ser traduzido como “dia cruelmente quente”. Pelo menos outras seis localidades registaram temperaturas de 39,8 graus na quarta-feira. Os alertas de ondas de calor estão em vigor em quase todo o país e os serviços de emergência informaram na quarta-feira que pelo menos 14 pessoas morreram por causas relacionadas com o calor na última semana. Quase 11.000 pessoas procuraram cuidados médicos de emergência no Japão na última semana, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. No ano passado, o país viveu o Verão mais quente de que há registo, e a temperatura mais elevada foi registada a 05 de Agosto de 2025, atingindo os 41,8°C em Isesaki, a norte de Tóquio. De acordo com os cientistas, as alterações climáticas provocadas pela actividade humana estão a aumentar a frequência e a intensidade dos eventos de calor extremo no Japão e noutros locais.
Hoje Macau China / ÁsiaTimor-Leste | Lançado projecto fotovoltaico para reduzir dependência de combustíveis O primeiro-ministro de Timor-Leste lançou ontem a primeira pedra do Projecto Fotovoltaico Solar de Laleia, um dos maiores investimentos privado no país, que vai permitir reduzir a dependência de combustíveis para fornecer electricidade. “Precisamos de diversificar as nossas fontes de energia e reduzir a nossa dependência dos combustíveis importados. É por isso que o Projecto Solar Fotovoltaico de Laleia é também extremamente importante”, disse Xanana Gusmão na cerimónia. O projecto, que deverá ser construído durante 24 meses, terá uma capacidade de geração solar de 72 megawatts, com um sistema de armazenamento de energias em baterias com capacidade 36 megawatts-hora. “Irá fornecer mais electricidade à rede nacional e ajudar a diversificar como Timor-Leste produz energia. Isto é particularmente importante porque vivemos num período de incerteza internacional”, salientou Xanana Gusmão. “Timor-Leste não pode controlar os preços internacionais dos combustíveis. Não pode controlar as interrupções nas cadeias globais de energia. Mas pode tomar medidas para reduzir a nossa vulnerabilidade”, continuou o primeiro-ministro timorense. O projecto de energia solar, segundo Xanana Gusmão, deverá reduzir os custos anuais de combustível em Timor-Leste em cerca de 25 a 30 milhões de dólares. “Isto permitirá utilizar mais recursos para apoiar a saúde, a educação, as infraestruturas e outras prioridades nacionais”, disse.
Hoje Macau China / ÁsiaWuhan | Retomadas licenças para ‘robotáxis’ após incidente A China retomou a emissão de licenças para ‘robotáxis’, suspensa desde Abril após um incidente com veículos autónomos da tecnológica Baidu em Wuhan, depois de concluir uma revisão de segurança em todo o sector, avançou ontem a Bloomberg. Segundo a agência de notícias, que cita fontes próximas do processo, a retoma está a ocorrer de forma gradual em algumas cidades, após a conclusão, no final de Junho, de uma revisão de segurança. Os reguladores chineses ordenaram essa revisão depois de mais de uma centena de ‘robotáxis’ da Apollo Go, o serviço de condução autónoma da Baidu, terem ficado imobilizados de forma repentina, no final de Março, em várias ruas de Wuhan. O incidente motivou várias chamadas para a Polícia de Trânsito da cidade, deixou passageiros temporariamente retidos e perturbou a circulação rodoviária, embora não tenham sido registados acidentes nem feridos. As primeiras investigações, citadas na altura pelas autoridades locais, atribuíram o problema a um “erro de sistema”. Na sequência do incidente, três organismos governamentais, entre os quais o ministério da Indústria e Tecnologias da Informação, reuniram-se com responsáveis de cidades que operam serviços de ‘robotáxis’ ou projectos-piloto de condução autónoma para exigir uma revisão completa e o reforço da supervisão em matéria de segurança, informou a Bloomberg. A Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos distribuídos por mais de uma dezena de cidades. A Baidu anunciou, entretanto, acordos com a Lyft e a Uber para expandir estes serviços à Europa, Ásia e Médio Oriente.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | China e Japão falam pela primeira vez desde disputa sobre Taiwan Os chefes da diplomacia do Japão, Toshimitsu Motegi, e da China, Wang Yi, mantiveram esta semana uma breve conversa, a primeira desde o agravamento da disputa diplomática em torno de Taiwan, no ano passado, avançou ontem a imprensa japonesa. O ministro japonês afirmou que ambos abordaram “as relações bilaterais”, sem adiantar pormenores sobre o conteúdo da conversa, segundo o diário japonês Nikkei. O breve encontro decorreu à margem da reunião anual dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Manila. Além de Wang, Motegi reuniu-se também, durante um jantar, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, com quem discutiu “as relações bilaterais e questões regionais”, acrescentou o jornal. As relações entre Tóquio e Pequim atravessam um período de forte tensão desde Novembro do ano passado, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia representar uma ameaça à sobrevivência do Japão, justificando uma intervenção das Forças de Autodefesa japonesas. Em resposta, o Governo chinês impôs várias medidas de retaliação económica contra o Japão, incluindo a recomendação aos cidadãos chineses para evitarem viajar para o arquipélago e restrições às exportações para o Japão de bens de dupla utilização e minerais críticos.
Hoje Macau China / ÁsiaEurodeputados querem esgotar negociações com Pequim para evitar guerra comercial A União Europeia pretende evitar uma guerra comercial com a China e privilegiar o diálogo para resolver as actuais disputas económicas, afirmaram ontem eurodeputados europeus, que defenderam relações futuras baseadas na reciprocidade e na transparência. Citado pela agência EFE, o eurodeputado espanhol Nicolás Pascual de la Parte (Partido Popular Europeu) disse que a UE “quer esgotar todas as possibilidades de negociação antes de adotar medidas de retaliação”. “Não queremos uma guerra comercial, queremos evitá-la”, afirmou. O também espanhol Javi López (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) advertiu que “qualquer medida unilateral no domínio comercial desencadeará uma medida equivalente da outra parte”. “Sabemos onde isso conduz: a uma escalada comercial com um país com o qual mantemos relações muito intensas e que, sendo honestos, tem uma grande capacidade de resistência e sofre menos pressão da opinião pública na tomada de decisões”, acrescentou, citado pela agência de notícias espanhola. Apesar do que classificou como um “desequilíbrio insustentável” na balança comercial entre a UE e a China, Pascual de la Parte explicou que, nas reuniões com responsáveis chineses, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, Pequim rejeitou as críticas. “Eles consideram que o desequilíbrio não resulta de práticas proteccionistas chinesas, mas da dinâmica dos mercados e, por isso, entendem que não têm qualquer responsabilidade”, afirmou. Segundo López, as autoridades chinesas responderam que cumprem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e desafiaram Bruxelas a recorrer aos mecanismos da organização caso considere existirem violações. O eurodeputado lamentou as “consequências de grande alcance” que o desequilíbrio comercial tem para as economias europeias e apelou às autoridades chinesas para serem “imaginativas” na procura de soluções. Pascual de la Parte afirmou ainda que Wang Yi acusou Bruxelas de “politizar” as divergências comerciais. “Fazem uma selecção das regras que querem cumprir e das que não querem cumprir. É isso que tem de ser resolvido”, disse o eurodeputado, citando o ministro chinês. Segundo Pascual de la Parte, Pequim mostra-se particularmente incomodada com a classificação da China como “rival sistémico” por parte da UE. “Não se vêem como rivais da União Europeia, mas como parceiros. No fundo, o objectivo final é afastar os Estados Unidos da Europa e aproximar a Europa da China”, afirmou. Questionado sobre a multa de 500 milhões de euros aplicada pela UE à plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress, Pascual de la Parte considerou que a decisão constitui “um sinal de que a Europa leva as questões comerciais a sério”. “Vamos analisar tudo com atenção e aplicar o princípio da reciprocidade. A partir de agora, as relações comerciais, económicas e políticas assentarão na transparência e na reciprocidade”, afirmou. Benefícios tecnológicos O eurodeputado defendeu ainda que o desenvolvimento tecnológico chinês beneficiou da transferência de tecnologia ocidental. “A China chegou onde está graças à transferência maciça de tecnologia ocidental, sobretudo de empresas norte-americanas e alemãs. Hoje produz, por exemplo, comboios de alta velocidade mais baratos e vende-os aos antigos fornecedores”, disse, apontando casos semelhantes nos sectores do alumínio, painéis solares e veículos elétricos. Outro dos temas abordados durante a visita foi a acusação, feita por líderes da França e da Alemanha, de que a China manipula a taxa de câmbio da sua moeda para reforçar a competitividade das exportações, uma crítica também repetidamente formulada pelos Estados Unidos. López estimou que essa “desvalorização artificial” ronde entre 20 por cento e 30 por cento. Já Pascual de la Parte considerou que Pequim “está a perceber que esse modelo chegou aos seus limites”, tanto nas relações com os Estados Unidos como com a Europa. Na sua opinião, após a pandemia e a invasão russa da Ucrânia, a segurança das cadeias de abastecimento passou a prevalecer sobre os ganhos económicos imediatos, mesmo que isso implique custos acrescidos para os consumidores. “A Europa tem de encontrar o seu lugar num mundo em mudança, hostil e incómodo. Não tínhamos o vocabulário nem as estruturas adequadas, mas acredito que aprenderemos rapidamente a lição”, apontou.
Hoje Macau China / ÁsiaASEAN | Pequim defende que disputas marítimas não devem comprometer relações A China defendeu ontem, que as disputas no mar do Sul da China não devem tornar-se um obstáculo às relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), numa altura de crescente tensão com as Filipinas. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou ontem em conferência de imprensa que essa foi a mensagem transmitida na quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, durante a reunião ministerial China – ASEAN, realizada em Manila. Segundo a versão divulgada por Pequim, Wang afirmou que o mar do Sul da China é a “casa comum” dos países da região e que a China e a ASEAN têm a sabedoria e a capacidade para gerir as divergências e preservar a paz e a estabilidade. “A questão do mar do Sul da China não deve tornar-se um obstáculo às relações entre a China e a ASEAN”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, apelando a que a iniciativa para preservar a estabilidade nessas águas permaneça firmemente nas mãos dos países da região. Wang acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a ASEAN para “eliminar factores de interferência” e acelerar as negociações sobre o Código de Conduta para o mar do Sul da China, segundo Lin. Esse mecanismo, negociado há vários anos, visa estabelecer normas de conduta numa área marítima onde Pequim mantém disputas de soberania com vários países da região, entre os quais as Filipinas e o Vietname. Tensões a subir As declarações surgem num contexto de agravamento das tensões entre a China e as Filipinas, que esta semana trocaram protestos diplomáticos na sequência de um incidente junto ao recife Second Thomas, onde Manila mantém encalhado o navio Sierra Madre e ambos os países se acusaram mutuamente de agressões. Os dois países divergiram também sobre um outro incidente em águas próximas do atol de Scarborough, onde a Guarda Costeira chinesa afirmou ter expulsado dois navios oficiais filipinos. A reunião da ASEAN contou igualmente com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que se reuniu com Wang Yi e recordou que Washington mantém um tratado de defesa com as Filipinas. A China reclama soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, em sobreposição com as reivindicações territoriais das Filipinas, Vietname, Malásia, e Brunei.
Hoje Macau China / ÁsiaTrump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático O Presidente norte-americano, Donald Trump, suavizou ontem o tom sobre as alegadas interferências da China nas eleições presidenciais de 2020, antes do encontro entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi. “Vamos falar com eles sobre isso”, afirmou Trump aos jornalistas, referindo-se às acusações de interferência eleitoral dirigidas à China na semana passada. O chefe de Estado norte-americano acrescentou, contudo, que os alegados acontecimentos “ocorreram há muito tempo” e admitiu que “a China pode ser um pouco diferente hoje do que era nessa altura”. “Eles fazem-nos coisas e nós fazemos-lhes coisas. Para ser honesto, também lhes fazemos coisas. Não é uma rua de sentido único, mas vamos falar sobre isso”, declarou. Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que cita fontes familiarizadas com os preparativos, Rubio e Wang deveriam reunir-se ontem, à margem dos encontros ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital filipina. O encontro ocorre menos de uma semana depois de Trump ter acusado Pequim de protagonizar “o maior comprometimento de dados eleitorais da história”, alegando que a China obteve ilicitamente mais de 200 milhões de registos de eleitores norte-americanos. Negas de Pequim A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, classificando-as como “calúnias completamente infundadas” e reiterando que Pequim segue o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países. “A China não tem interesse nem nunca interferiu nas eleições dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da missão diplomática, Liu Chang, citado pelo jornal. Questionado no domingo sobre se iria abordar o tema com Wang, Rubio recusou revelar a agenda do encontro, alegando tratar-se de “assuntos delicados”. O secretário de Estado indicou que continua prevista para setembro uma visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. “Quando existem dois países grandes e poderosos como os Estados Unidos e a China, haverá sempre divergências e assuntos em que não concordamos. Mas cabe a países importantes como os nossos continuarem a dialogar e a manter uma relação”, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaTSMC | China acusa Taiwan de “vender” ilha aos EUA O Governo chinês acusou ontem as autoridades Taiwan de “vender os interesses da ilha aos Estados Unidos”, numa reacção ao anúncio da fabricante de semicondutores TSMC de um investimento adicional em fábricas no estado norteamericano do Arizona. A portavoz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, atribuiu o deteriorar da economia taiwanesa à “dependência dos Estados Unidos para alcançar a independência”, alegadamente promovida pelas autoridades da ilha, em declarações proferidas ontem numa conferência de imprensa. Zhang acusou o Partido Democrático Progressista (PDP) de ter “esvaziado os alicerces da economia” ao sacrificar os interesses da indústria local, prejudicando o futuro industrial e os meios de subsistência da população. A TSMC anunciou este mês um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares para construir cinco fábricas de microchips no estado do Arizona, aumentando para 265 mil milhões de dólares o montante prometido de investimento no estado norteamericano. Na semana passada, o presidente e director executivo da TSMC, CheChia Wei, afirmou perante investidores que a nova aposta se destina à construção de fábricas de chips avançados e unidades de embalamento de última geração, no âmbito da expansão da empresa nos Estados Unidos. “Acreditamos que este investimento contribuirá para reforçar o ecossistema de semicondutores norteamericano, fortalecer a cadeia de abastecimento e sustentar um número crescente de empregos de alta tecnologia e bem remunerados”, declarou o empresário. O anúncio coincidiu com a divulgação de um salto de 77 por cento nos lucros líquidos da empresa no segundo trimestre, que ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares entre Abril e Junho.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Nike abandona distribuidores ‘online’ após anos de queda nas vendas A Nike vai deixar de vender produtos através de distribuidores ‘online’ na China, concentrando as vendas digitais nos seus próprios canais, numa tentativa de reforçar a marca após uma queda de quase 30 por cento das receitas no mercado chinês. Numa carta publicada no sítio oficial da empresa, a nova vice-presidente e diretora-geral da Nike para a China, Cathy Sparks, anunciou que, a partir de Janeiro de 2027, os consumidores chineses só poderão adquirir produtos da marca através do portal oficial, da aplicação da empresa e das lojas oficiais nas plataformas de comércio electrónico Tmall, JD.com e Douyin, a versão chinesa do TikTok. “Não se trata de reduzir o acesso, mas de reduzir a fragmentação e reforçar a experiência dos consumidores. Quando a experiência é sólida, a marca fortalece-se”, afirmou a responsável. Segundo Sparks, a Nike pretende criar um “destino único e premium” para os consumidores, proporcionando uma apresentação “mais clara” dos produtos e uma comunicação da marca “mais forte”. A cadeia norte-americana CNBC indicou que a estratégia anterior da Nike na China, baseada na venda através de múltiplos distribuidores, gerava inconsistências ao nível da imagem da marca e dos preços, embora tenha alertado que a mudança poderá ter um impacto negativo nas vendas no país. Além da fraca procura, a empresa enfrenta a crescente concorrência de marcas chinesas como a Li Ning e a Anta Sports. Após o anúncio, a Topsports, principal distribuidora da Nike na China, confirmou que deixará de vender produtos da marca através da internet a partir do próximo ano, mas manifestou apoio à decisão e assegurou que continuará a cooperar com a empresa norte-americana através da rede de lojas físicas, mantendo uma parceria com 27 anos.
Hoje Macau China / ÁsiaCiência | Operações em megaacelerador de partículas para simular Big Bang A China iniciou operações num acelerador de partículas de grande escala que pretende explorar os limites dos núcleos atómicos e desvendar os processos fundamentais da matéria e do universo. Segundo a agência Xinhua, na terça-feira foi iniciada a fase de operações experimentais do Acelerador de Iões Pesados de Alta Intensidade (HIAF, na sigla em inglês) em Huizhou, na província de Guangdong, que visa explorar os limites dos núcleos atómicos, revelar processos de astrofísica nuclear e impulsionar o desenvolvimento da energia nuclear e das suas aplicações. O professor Yang Jiancheng, vicedirector do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências e engenheirochefe do projecto, indicou à Xinhua que esta instalação dispõe da maior intensidade de feixe pulsado de iões pesados do mundo e do espetrómetro de anel mais preciso para medição de massas nucleares. Aceleradores de partículas são equipamentos complexos que utilizam campos electromagnéticos para impulsionar partículas carregadas — como electrões, protões e iões — a velocidades próximas à da luz. Segundo Yang, os iões pesados de alta velocidade funcionam como “balas microscópicas” que colidem com alvos, criando condições extremas de temperatura e pressão. Toca a acelerar Construído pelo Instituto de Física Moderna, o HIAF gerou o seu primeiro feixe em Outubro de 2025, após sete anos de obras. A estrutura estende-se por 80 acres e inclui uma linha de feixe de dois quilómetros situada a 13 metros de profundidade. Tratase de um dos maiores aceleradores de iões do mundo, capaz de acelerar todos os tipos de iões, com uma linha de feixe total de dois quilómetros, mais de 6.000 conjuntos de equipamentos de grande porte e quase cinco milhões de componentes. Na fase de testes, a instalação atingiu níveis inéditos de intensidade para feixes de oxigénio e bismuto, superando os recordes internacionais anteriores em três vezes e 7,5 vezes, respectivamente. Em termos de investigação fundamental, o HIAF permitirá simular ambientes extremos como o interior das estrelas, explosões de supernovas e os primeiros instantes do Big Bang, ajudando a explorar a estrutura profunda da matéria. No plano das aplicações, o acelerador poderá testar a resistência à radiação de naves espaciais, apoiar o desenvolvimento da energia nuclear e facilitar a investigação de materiais funcionais. Na área médica, por exemplo, deverá contribuir para avanços significativos na terapia contra o cancro com iões pesados e na criação de novos radiofármacos.
Hoje Macau China / ÁsiaChina condena multa da União Europeia à AliExpress e promete “medidas firmes” O Governo chinês condenou ontem a multa de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia à plataforma de comércio electrónico AliExpress e prometeu adoptar “medidas firmes” para defender os interesses da empresa. “A China opõe-se firmemente a que a parte europeia crie barreiras digitais sob o pretexto da regulamentação das plataformas e adote medidas discriminatórias para restringir e reprimir o funcionamento normal das empresas chinesas de comércio electrónico na Europa”, afirmou um porta-voz do ministério do Comércio chinês. O porta-voz instou a União Europeia a “deixar de abusar da ambiguidade da legislação, e pediu que trate as empresas chinesas “de forma justa e imparcial”. Pequim vai apoiar as empresas chinesas no recurso a instrumentos legais para defenderem os seus direitos e adoptará “medidas firmes” para salvaguardar os seus interesses, acrescentou. Castigo europeu A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira, uma multa recorde de 550 milhões de euros à AliExpress, acusando a plataforma de não combater de forma “eficaz” a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos. Bruxelas acusou ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detetar e remover este tipo de anúncios. A empresa chinesa respondeu que “esteve e continua empenhada em cumprir as suas obrigações perante os consumidores” e anunciou que vai recorrer da sanção, que classificou como “desproporcionada”. A condenação do Governo chinês coincide com a visita ao país de uma delegação de eurodeputados, que mantém contactos sobre as crescentes fricções entre Pequim e Bruxelas em questões como o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica. Entre Março e Abril, uma delegação de eurodeputados da Comissão do Mercado Interno e da Protecção dos Consumidores visitou também a China para transmitir a plataformas como a Shein, a Temu e a AliExpress que as regras europeias de segurança e concorrência devem ser cumpridas no comércio digital. Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais, que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a sanção à AliExpress é a mais elevada. A Comissão multou também a plataforma chinesa Temu em 200 milhões de euros, em Maio, por não prevenir a venda de produtos ilegais, e a rede social X em 120 milhões de euros, em Dezembro de 2025, por falta de transparência.
Hoje Macau China / ÁsiaAliExpress vai recorrer da “desproporcionada” multa europeia de 550 milhões de euros A plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress anunciou ontem que vai recorrer da multa recorde de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia, classificando como “desproporcionada” a sanção por alegado incumprimento no combate à venda de produtos ilegais. “Estamos surpreendidos com a decisão da União Europeia (UE) e com a multa desproporcionada, e não concordamos com ela. (…) O AliExpress tem estado e continua comprometido com as suas obrigações para com os consumidores”, afirmou a empresa, num comunicado publicado no portal de notícias corporativas da sua casa-mãe, o grupo Alibaba. “A decisão (…) ignora o nosso sólido quadro de gestão de riscos e as melhorias significativas e proactivas que implementámos. Vamos recorrer da decisão”, acrescentou a plataforma. Segundo o comunicado, o AliExpress “trabalhou de forma construtiva” com a Comissão Europeia para introduzir “muitas melhorias e compromissos voluntários”, respeitando um “espírito de cooperação e transparência”. A empresa sublinhou ainda ter investido “recursos consideráveis” na gestão e mitigação de riscos, na segurança dos produtos e na protecção dos consumidores. Falta de controlo A Comissão Europeia anunciou ontem a aplicação da multa, por considerar que o AliExpress não dispõe de pessoal suficiente para fiscalizar a presença de produtos ilegais na plataforma, como artigos contrafeitos ou que violam normas de segurança, acusando ainda a empresa de “sobrestimar” a capacidade dos seus sistemas informáticos para detectar e remover esse tipo de anúncios. Segundo Bruxelas, muitos dos produtos identificados continuam disponíveis durante “várias semanas”, os vendedores podem manter as lojas activas apesar de terem sido sancionados e os mecanismos de controlo da plataforma podem ser contornados “com facilidade”. De acordo com o executivo comunitário, esta situação prejudica não só os consumidores, mas também as “empresas legítimas que investem em design, testes de segurança e inovação, obrigando-as a competir com produtos que evitam esses custos”. “A proliferação de roupa contrafeita, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e outros produtos ilegais e nocivos não é um custo inevitável das compras ‘online’, mas sim um incumprimento, por parte do AliExpress, das suas obrigações”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política digital, Henna Virkkunen. Multa pesada O AliExpress tem agora até 20 de outubro para apresentar à Comissão Europeia um plano com as medidas que pretende adoptar para corrigir estas práticas. Bruxelas disporá depois de um mês para o avaliar e propor um calendário “razoável” para a sua implementação. Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a do AliExpress é a mais elevada. Em Maio, Bruxelas multou a também chinesa Temu em 200 milhões de euros por não impedir a venda de produtos ilegais e, em Dezembro do ano passado, aplicou uma multa de 120 milhões de euros à rede social X por falta de transparência.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | China rejeita críticas da Alemanha e de França sobre desequilíbrio comercial Enquanto uma delegação da União Europeia visita Pequim para discutir questões como as fricções comerciais, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica, entre outras, as autoridades chinesas rejeitam as críticas de Merz e Macron e dizem estar abertas a um diálogo construtivo Pequim rejeitou ontem críticas da Alemanha e de França sobre os desequilíbrios comerciais com a União Europeia, assegurando que não manipula a moeda, não procura deliberadamente um excedente comercial nem concede subsídios proibidos pela Organização Mundial do Comércio. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que Pequim “atribui grande importância” às divergências económicas e comerciais com a União Europeia (UE), mas defendeu que estas podem ser resolvidas através do “diálogo e da consulta” e não devem tornar-se “um obstáculo” à confiança mútua nem um argumento para a “desvinculação económica”. Lin garantiu ainda que não existe “compra ou venda forçada”, depois de Merz e Macron terem defendido recentemente, na Alemanha, um diálogo com Pequim para corrigir os desequilíbrios comerciais e abordar questões como as transferências de tecnologia, a política cambial e os subsídios. “A China não procura deliberadamente um excedente comercial com a Europa”, afirmou o porta-voz, sustentando que a estrutura do comércio bilateral resulta da divisão internacional do trabalho, das vantagens comparativas de cada país e de outros factores. O responsável acrescentou que a China cumpre as regras da OMC e os princípios do comércio livre, da concorrência leal, da abertura e da cooperação, negando a existência de subsídios proibidos por aquela organização. Lin atribuiu a competitividade da indústria chinesa ao sistema produtivo do país, à dimensão do mercado interno, ao ecossistema de inovação e ao investimento sustentado das empresas chinesas. O porta-voz rejeitou também as críticas relativas à taxa de câmbio, afirmando que a China, enquanto “grande potência responsável”, nunca manipulou a sua moeda, “não pratica desvalorizações competitivas” nem utiliza a taxa de câmbio como instrumento para responder a disputas comerciais ou perturbações externas. Por outro lado Na sexta-feira, Merz afirmou, ao lado de Macron, que nenhum país da UE mantém um saldo comercial positivo com a China e que o défice comercial anual do bloco ultrapassa os 300 mil milhões de euros. O Presidente francês defendeu igualmente a necessidade de “corrigir as disfunções” relacionadas com a taxa de câmbio e a relação monetária com a China. Macron defendeu ainda que a Europa obtenha transferências de tecnologia da China, em vez de se limitar a importar produtos chineses. A resposta de Pequim coincide com a visita à capital chinesa de uma delegação de eurodeputados, chefiada pelo alemão David McAllister, que está a discutir com as autoridades chinesas vários pontos de fricção entre Pequim e Bruxelas, incluindo o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica Eurodeputados de visita Uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu iniciou ontem uma visita de três dias à China para discutir com responsáveis chineses os principais pontos de tensão entre Pequim e Bruxelas, incluindo comércio, Ucrânia ou direitos humanos. A delegação, composta por oito eurodeputados e chefiada pelo alemão David McAllister, começou ontem a visita em Pequim, com um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, Engin Eroglu, afirmou na rede social X que já se reuniu com o seu homólogo chinês, Fu Ziying, defendendo que o diálogo é “um requisito para o entendimento mútuo e para uma política responsável”. Eroglu considerou ainda que a reunião entre a delegação do Parlamento Europeu e Wang Yi é pouco habitual e constitui “um sinal claro de que a parte chinesa também procura o diálogo e está interessada em melhorar as relações com a União Europeia (UE)”. Os eurodeputados deverão também reunir-se, em Pequim, com outras autoridades chinesas e com representantes das missões diplomáticas da UE, seguindo depois para Xangai, no leste da China, onde os encontros se centrarão em temas tecnológicos, como a soberania tecnológica, a competitividade do sector e a governação global da inteligência artificial (IA).
Hoje Macau China / ÁsiaImportações | China reforça compras de soja ao Brasil O Brasil vê reforçadas as suas vendas à China, enquanto se acentua o declínio das exportações de soja, e não só, dos Estados Unidos para o gigante asiático As importações chinesas de soja brasileira aumentaram 13,7por cento em Junho, para um recorde de 12,08 milhões de toneladas, enquanto as compras aos Estados Unidos caíram 20,6 por cento, apesar do compromisso assumido por Pequim de reforçar as aquisições. Segundo dados divulgados na segunda-feira pela Administração-Geral das Alfândegas da China, no total, as importações chinesas de soja atingiram 13,55 milhões de toneladas em Junho, um máximo histórico para este mês, impulsionadas pela oferta brasileira e pelo desbloqueio de cargueiros que estavam retidos em portos chineses. Em Junho de 2025, o Brasil exportou para a China 10,62 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos venderam 1,6 milhões de toneladas. Os dados do primeiro semestre mostram uma tendência mais prolongada de queda das importações provenientes dos Estados Unidos. Entre Janeiro e Junho, a China comprou 9,31 milhões de toneladas de soja norte-americana, menos 42,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, apesar do compromisso assumido por Pequim de importar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028, ao abrigo do acordo alcançado entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping. No mesmo período, as importações de soja brasileira cresceram 9,1 por cento, para 34,75 milhões de toneladas. O compromisso sino-americano é calculado numa base anual, pelo que os carregamentos de Junho reflectem compras efectuadas semanas ou meses antes, deixando margem para que as aquisições aos Estados Unidos aumentem na segunda metade do ano. O objectivo anual foi mantido após uma segunda ronda de contactos ao mais alto nível entre Trump e Xi, realizada em Maio. Quadro alargado A evolução das importações acompanha uma mudança mais ampla no comércio externo brasileiro. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil – China, as exportações do Brasil para a China aumentaram 22 por cento no primeiro semestre, para um recorde de 58,3 mil milhões de dólares, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram 13 por cento, para 17,4 mil milhões de dólares. No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25 por cento sobre vários produtos brasileiros, na sequência de uma investigação que incidiu sobre questões como desflorestação ilegal, acesso ao mercado do etanol e divergências em torno do sistema de pagamentos instantâneos Pix. Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a medida poderá afectar mais de 11 mil milhões de dólares em exportações industriais e agrícolas brasileiras, embora produtos como café, carne bovina, sumo de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais tenham ficado isentos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Marcio Elias Rosa, os Estados Unidos levantaram também, durante as negociações, a questão dos minerais críticos, defendendo que a exploração destes recursos fosse vedada a entidades que “não operam em condições de mercado”, numa referência implícita à China. Rosa afirmou que o Governo brasileiro rejeitou a proposta, argumentando que as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro. Apesar do aumento das receitas obtidas com a soja, o volume exportado pelo Brasil para a China manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. As vendas renderam 20,2 mil milhões de dólares, mais 7 por cento do que um ano antes, graças sobretudo à subida dos preços, já que o volume embarcado recuou 0,2 por cento. Por partes A soja representou 34,7 por cento das exportações brasileiras para a China, menos 4,8 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto o petróleo bruto ganhou peso. As vendas de crude para o mercado chinês aumentaram 62 por cento, para 15,1 mil milhões de dólares, impulsionadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo receio de perturbações no estreito de Ormuz. As exportações brasileiras de minério de ferro para a China atingiram igualmente um máximo histórico no primeiro semestre, com 135 milhões de toneladas, no valor de 9,2 mil milhões de dólares. As exportações de carne bovina cresceram 50 por cento, para 4,8 mil milhões de dólares, à medida que os exportadores procuraram aproveitar uma quota de 1,1 milhões de toneladas antes da entrada em vigor de uma sobretaxa de 55 por cento sobre os volumes que excedam esse limite.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Panamá e China negoceiam renovar acordo marítimo Panamá e China “prosseguirão com os trâmites de renovação” do acordo marítimo após reunião entre autoridades dos dois países num momento de redução da escalada da tensão bilateral devido a conflito portuário e comercial, informou ontem o Governo panamiano. “De 16 a 17 de Julho de 2026, delegações da República do Panamá e da República Popular da China realizaram negociações em Pequim sobre a renovação do Acordo de Transporte Marítimo China-Panamá e alcançaram um consenso sobre os temas pertinentes. Ambas as partes prosseguirão com os trâmites de renovação”, indicou, sem mais, um breve comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Panamá. O chamado Acordo de Transporte Marítimo foi assinado em 2017, meses depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Panamá e a China, em detrimento de Taiwan, e está prestes a expirar este ano após uma renovação anterior em 2021. O acordo concede aos navios com bandeira panamiana, uma das maiores frotas mercantes do mundo, o estatuto de ‘Nação Mais Favorecida’ nos portos chineses, o que implica uma série de vantagens como tarifas portuárias preferenciais e procedimentos mais ágeis. A renovação desse acordo ocorre depois do crescimento do número de navios panamianos retidos em portos na China, uma situação que surgiu após a saída, em Fevereiro passado, do operador chinês CK Hutchison de dois portos próximos ao Canal do Panamá porque a concessão foi anulada por ser considerada inconstitucional pelo Supremo do país. A saída forçada, por sua vez, ocorreu depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar retomar o Canal – que foi construído e administrado pelos EUA durante o século XX -, devido à “influência maligna” chinesa, e após anos de denúncias internas contra a concessão, qualificada pelo Supremo como lesiva para o Estado. No bom caminho O vice-chanceler panamiano Carlos Hoyos disse ontem à cadeia Telemetro que as detenções de navios de bandeira panamiana na China diminuíram desde Junho e já se encontram em números normais, uma tendência sobre a qual o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já tinha falado. “Parece que [a situação com a China] tem uma volta positiva e vai no sentido de anular qualquer tipo de tensão que possa existir, o que certamente não é o que queremos”, acrescentou Hoyos. Das 30 ou 40 detenções habituais de navios com bandeira panamiana, este ano aumentaram para 140, o que impactou directamente a marinha mercante do Panamá, com mais de 200 navios a abandonar a bandeira do Panamá, segundo Mulino.