Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi Jinping a caminho do Quirguistão para cimeira regional e reunião com Putin O Presidente vai participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai e tem encontro marcado para hoje com o líder russo Vladimir Putin O líder da China, Xi Jinping, partiu ontem para o Quirguistão, para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) e encontrar-se com o Presidente russo, Vladimir Putin. Xi Jinping, cujo avião descolou de manhã, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, permanecerá fora da China até quinta-feira. Durante a estadia no Quirguistão, Xi vai manter conversações com o Presidente quirguiz, Sadyr Japarov, sobre as relações bilaterais, a “cooperação em sectores prioritários” e a situação internacional e regional, anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian. A SCO é composta por 10 Estados-membros, incluindo China, Índia, Paquistão, Rússia, Irão e nações da Ásia Central. A cimeira decorrerá em Bishkek, capital do Quirguistão, na próxima semana. Fundada em 2001, a OCX pretende contrabalançar as organizações ocidentais e reforçar a cooperação regional em matéria de política, segurança, combate ao terrorismo e comércio. À margem da cimeira, Xi Jinping irá reunir-se com vários líderes, incluindo o homólogo russo, Vladimir Putin, numa agenda dominada pelas guerras na Ucrânia e no Irão e pela crescente importância da Ásia Central na estratégia económica de Pequim. Segundo Lin Jian, Xi Jinping irá trocar opiniões com os líderes participantes sobre o “aprofundamento da cooperação nas várias áreas” da organização, bem como sobre o papel da SCO na reforma da governação global. Actualidade na mesa A reunião entre Putin e o Presidente chinês Xi Jinping terá lugar hoje e irá discutir o projecto do gasoduto Siberian Force-2, disse na sexta-feira Yuri Ushakov, conselheiro presidencial para política internacional, citado pela agência de notícias russa TASS. “Serão discutidas questões actuais relacionadas com o desenvolvimento da cooperação bilateral, bem como as questões internacionais mais importantes”, afirmou. O acordo sobre este gasoduto não pôde ser concluído, como era desejo de Moscovo, durante a visita do chefe do Kremlin ao gigante asiático em maio passado. A infraestrutura permitirá transportar gás natural dos campos da Sibéria ocidental para o mercado chinês, atravessando o território da Mongólia. “Será uma reunião muito importante. A segunda entre os dois líderes este ano”, explicou o diplomata. Putin e Xi “continuarão a comunicar pessoalmente nos próximos meses”, disse Ushakov. O conselheiro adiantou que os países membros da SCO assinarão cerca de 20 acordos e emitirão uma declaração em Bishkek, à qual também assistirão representantes de outros países observadores ou convidados, como Turquia, Azerbaijão, Arménia, Mongólia, Egipto, Laos, Vietname e Turquemenistão. “A OCX é atualmente uma das maiores alianças regionais e das que tem maior autoridade. E um dos centros do mundo multipolar incipiente”, disse o conselheiro presidencial russo. ONU presente O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também marcará presença na cimeira em Bishkek, adiantou na sexta-feira o seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O líder da ONU tem previsto discursar na reunião da Organização de Cooperação de Xangai Plus, um formato alargado que reúne os membros da OCX e convidados, observadores e outros parceiros. “Neste discurso, espera-se que o secretário-geral enfatize o valor da cooperação entre a ONU e a Organização de Cooperação de Xangai. Abordará também outros temas, incluindo os recentes acontecimentos no Médio Oriente”, disse Dujarric aos jornalistas. À margem da cimeira, Guterres deverá ter encontros bilaterais, nomeadamente com o Presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, bem como “com outros líderes presentes”.
Hoje Macau China / ÁsiaEx-chefe do PCC condenado a pena de morte suspensa por corrupção Um tribunal chinês condenou sexta-feira o antigo chefe do Partido Comunista da China na província de Hubei a uma pena de morte suspensa por dois anos por aceitar subornos no valor de mais 17 milhões de euros. O Tribunal Popular Intermédio de Nanjing, na província oriental de Jiangsu, privou ainda Jiang Chaoliang dos seus direitos políticos para o resto da vida, ordenou que fossem confiscados todos os seus bens pessoais e determinou que os activos obtidos ilegalmente e os respectivos rendimentos fossem entregues ao Tesouro do Estado. Jiang, que foi governador de Jilin entre 2013 e 2016 e chefe do Partido Comunista em Hubei entre 2016 e 2020, foi destituído deste último cargo em Fevereiro de 2020, nas primeiras semanas da pandemia de covid-19, no meio de críticas à gestão inicial do surto de coronavírus em Wuhan. A sentença estabelece que, após o termo do período de dois anos de suspensão e a comutação da pena para prisão perpétua, Jiang permanecerá preso sem possibilidade de redução da pena nem de liberdade condicional. Com atenuantes De acordo com a sentença, entre 1995 e 2025, Jiang aproveitou-se dos cargos que ocupou em entidades financeiras estatais e governos provinciais para favorecer empresas e particulares em operações empresariais, empréstimos, adjudicação de projectos e promoções profissionais. O tribunal teve em conta como atenuantes o facto de ter confessado os crimes, fornecido informações sobre outros casos e devolvido os ganhos ilícitos, pelo que considerou que a pena de morte não deveria ser executada de forma imediata. Na China, é comum, em grandes casos de corrupção, que as penas de morte sejam suspensas por dois anos, sendo normalmente comutadas por prisão perpétua se o condenado não cometer novos crimes durante esse período. As penas de morte sem suspensão são menos frequentes neste tipo de casos e reservam-se para situações consideradas de extrema gravidade. Após a sua chegada ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, impulsionou uma ampla campanha anticorrupção que atingiu funcionários de todos os níveis e responsáveis de empresas estatais.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Aprovado orçamento de 6,5 mil ME para fabrico de drones militares Taiwan aprovou ontem um orçamento de 7,6 mil milhões de dólares para o fabrico local de drones militares. A proposta orçamental era apoiada pelos partidos da oposição, tendo o parlamento preferido esta a uma anteriormente apresentada pelo Governo, que havia sido chumbada pelos deputados. O governo de Lai Ching-te pretendia atribuir até 6,6 mil milhões de dólares a uma dotação orçamental específica destinada a veículos aéreos não tripulados fabricados em Taiwan, nomeadamente drones de vigilância costeira, de ataque e de superfície. Estas despesas teriam sido distribuídas ao longo de mais de cinco anos e supervisionadas pelo Ministério da Defesa. O Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan, os dois partidos da oposição que detêm a maioria dos assentos no parlamento, preferiram apoiar a proposta que prevê uma dotação de 7,6 mil milhões de dólares ao longo de seis anos, integrada no orçamento anual. O Yuan Legislativo aprovou, em meados de Agosto, o orçamento do Governo para 2026 com um atraso recorde de quase oito meses.
Hoje Macau China / ÁsiaTufões | Saudel aproxima-se do leste do país após passagem do Narra pelo sul O tufão Saudel aproximava-se ontem do leste da China, enquanto o tufão Narra continua a provocar chuvas no sul e sudoeste do país, após inundações que obrigaram a retirar mais de 54 mil pessoas. O Centro Meteorológico Nacional situou o Saudel, durante a madrugada de ontem, no mar do Leste da China, a cerca de 485 quilómetros da fronteira entre as províncias de Fujian e Zhejiang, no sudeste do país, com ventos máximos de 40 metros por segundo junto ao centro. O sistema, que enfraqueceu de tufão forte para tufão, avançava em direcção a oeste-sudoeste e poderá atingir terra na manhã de hoje, na faixa costeira entre Zhejiang e Fujian, segundo a imprensa estatal. As autoridades prevêem que o Saudel provoque ventos fortes no leste e sudeste da China, incluindo no mar do Leste da China, no estuário do rio Yangtzé, na baía de Hangzhou e nas costas de Zhejiang e Fujian, com rajadas mais intensas nas zonas próximas do centro do tufão. Em paralelo, as chuvas associadas ao tufão Narra, que atingiu esta semana as províncias de Hainan e Guangdong, depois de provocar inundações em Guangxi, vão continuar a afectar zonas do sul do país. Os meteorologistas alertaram que a combinação de vários sistemas tropicais recentes poderá aumentar o risco de enxurradas, deslizamentos de terras e inundações em áreas já afetadas pela chuva. A passagem do Narra e do Saudel ocorre num Verão marcado na China por tufões, chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terras, que causaram dezenas de mortos e levaram à retirada preventiva de centenas de milhares de pessoas.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Bill Gates pede cooperação entre EUA e China O co-fundador da Microsoft Bill Gates defendeu que Estados Unidos (EUA) e China devem cooperar na gestão dos riscos da inteligência artificial (IA), alertando que a tecnologia poderá tornar-se fonte de igualdade ou aprofundar injustiças. Num ensaio publicado na quarta-feira, no seu blogue Gates Notes, o empresário e filantropo considerou que a rápida evolução da IA está a conduzir o mundo para “um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade” e que os governos não estão suficientemente preparados para as consequências. Segundo Gates, a IA poderá tornar-se “o maior instrumento de igualdade alguma vez inventado ou a pior fonte de injustiça”. “Os países que acolhem os principais criadores de IA e controlam partes críticas da cadeia de abastecimento devem começar já a reunir-se para estabelecer normas comuns, antes que a pressão competitiva dificulte a cooperação”, escreveu. “Construir o quadro de que estou a falar levará anos, razão pela qual precisamos de começar agora”, acrescentou. No ensaio, com cerca de seis mil palavras, Gates argumentou que a actual transformação tecnológica difere das anteriores devido à velocidade dos avanços da IA e à dimensão do potencial impacto sobre as sociedades. “Desta vez é realmente diferente”, afirmou. Estados Unidos e China, as duas principais potências mundiais no desenvolvimento da IA, deverão discutir a governação da tecnologia em setembro, durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, embora ainda não sejam conhecidos os temas concretos das conversações. Gates afirmou que, em teoria, apoiaria um abrandamento global do desenvolvimento da IA, mas considerou improvável que isso aconteça devido aos incentivos geopolíticos e económicos para avançar “a toda a velocidade”. Linha da frente Em alternativa, defendeu que os líderes mundiais devem reunir especialistas para identificar falhas na preparação das instituições, destacando três áreas de risco: substituição de trabalhadores, crimes e vigilância facilitados pela IA e impacto sobre crianças e relações humanas. Gates destacou a China como o país que “foi mais longe” na adopção de salvaguardas para menores que utilizam IA, citando as recentes restrições de Pequim a aplicações de companheiros virtuais concebidas de forma a fomentar dependência emocional entre crianças e adolescentes. O empresário chamou ainda a atenção para os avanços chineses na robótica, que poderão ter consequências significativas para o mercado de trabalho. “Muitos dos trabalhos avançados” nesta área estão a ser realizados na China, escreveu Gates. “Penso que os robôs ‘inteligentes’ começarão a competir com as pessoas em algumas tarefas físicas – na construção e hotelaria, por exemplo – até ao final da década”, antecipou. Em mãos humanas Washington e Pequim acordaram, em 2024, manter seres humanos, e não sistemas de IA, no controlo das armas nucleares, naquele que continua a ser o único entendimento de alto nível entre os dois países sobre o desenvolvimento e utilização desta tecnologia. As duas potências mantêm, ao mesmo tempo, uma intensa competição pelo desenvolvimento dos modelos de IA e robôs mais avançados. Incidentes recentes envolvendo a utilização de modelos avançados de IA em ataques informáticos aumentaram, contudo, as expectativas de que Washington e Pequim possam encontrar áreas de interesse comum, incluindo o combate à eventual utilização da tecnologia por organizações terroristas. Gates está ainda a tentar finalizar uma reunião com Xi Jinping na China, provisoriamente prevista para Novembro, durante a qual pretende abordar as suas preocupações sobre o impacto da IA. Gates reuniu-se pela última vez com Xi em 2023, quando se tornou o primeiro líder empresarial estrangeiro recebido pelo Presidente chinês após a pandemia de covid-19.
Hoje Macau China / ÁsiaIndústria | Lucros das empresas chinesas sobem 17,6 por cento até Julho Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 17,6 por cento entre Janeiro e Julho, face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais ontem divulgados. Segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística chinês (NBS, na sigla em inglês), os lucros destas empresas atingiram cerca de 4,58 biliões de yuan nos primeiros sete meses de 2026. Apesar do abrandamento, o resultado ficou significativamente acima da previsão do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma desaceleração mais acentuada, para 16 por cento. Para elaborar esta estatística, o GNE considera apenas empresas industriais com uma facturação anual superior a 20 milhões de yuan. Só em Julho, os lucros destas empresas aumentaram 11,2 por cento, em termos homólogos. O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da electrónica, cujos lucros mais do que duplicaram face ao período homólogo, graças à expansão da inteligência artificial (IA) e à crescente procura por sistemas de computação, que fez subir os preços e aumentou “rapidamente” os resultados das empresas. Dos 17,6 por cento de crescimento do indicador global, mais de metade – 9,3 pontos percentuais – deveu-se ao sector da electrónica, onde alguns segmentos, como o dos semicondutores, multiplicaram os lucros por mais de 18 vezes. Yu destacou também o “papel de liderança” da indústria transformadora de alta tecnologia e de sectores ligados às matérias-primas, como o dos metais não ferrosos, cujos lucros aumentaram 91,8 por cento, impulsionados pela subida dos preços do alumínio na sequência da guerra no Médio Oriente. Riscos internos e externos O responsável não mencionou, contudo, a situação da indústria automóvel, envolvida numa prolongada guerra de preços devido aos problemas de procura no mercado interno, que levou a uma queda de 20,4 por cento dos lucros do setor. Na análise dos dados, Yu reconheceu, porém, as “contradições proeminentes entre uma oferta forte e uma procura fraca no mercado interno” e apontou ainda outros factores de risco, incluindo uma conjuntura internacional “complexa e grave”. Em 2025, os lucros das empresas industriais chinesas registaram a primeira evolução positiva em quatro anos, com uma subida de 0,6 por cento, após três anos consecutivos de quedas. Os lucros recuaram 2 por cento em 2022, 2,3 por cento em 2023 e 3,3 por cento em 2024.
Hoje Macau China / ÁsiaChina rejeita acusações dos EUA sobre ciberataques contra NASA e Reserva Federal A China rejeitou ontem as acusações dos Estados Unidos de que duas plataformas de pirataria informática ligadas a Pequim foram usadas em ciberataques contra organismos norte-americanos, alegando falta de provas. Entre os organismos norte-americanos visados contam-se a agência espacial NASA e a Reserva Federal. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “firme oposição” e o “forte descontentamento” de Pequim perante o que classificou como uma nova tentativa dos Estados Unidos de utilizar a cibersegurança como “pretexto para difamar a China”. Lin acusou Washington de “abusar das medidas de aplicação da lei para fins políticos”, depois das autoridades norte-americanas terem anunciado a apreensão dos domínios utilizados pelas duas plataformas. O porta-voz afirmou que os Estados Unidos são “o maior autor mundial de pirataria informática e espionagem”, e referiu anteriores acusações de Pequim contra a Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana por alegados ciberataques contra infraestruturas chinesas. Em concreto, Lin afirmou que casos anteriormente divulgados sobre alegadas operações da NSA demonstraram que Washington introduziu capacidades para realizar ciberataques no Centro Nacional de Serviço Horário da China, visando, segundo Pequim, eventuais operações de sabotagem contra infraestruturas críticas do país. O porta-voz instou ainda os Estados Unidos a abandonarem os “dois pesos e duas medidas” e a “manipulação política” e a resolverem as divergências com a China em matéria de cibersegurança através do diálogo e de consultas “em pé de igualdade”. Anúncios americanos O Departamento de Justiça (DOJ) e o FBI norte-americanos anunciaram na quarta-feira a apreensão dos domínios da QScan e QTRouter, duas plataformas que, segundo Washington, permitiam infectar milhares de dispositivos ligados à Internet e utilizá-los para ocultar a origem de ciberataques. Segundo documentos judiciais norte-americanos, ambas as ferramentas eram operadas pelo grupo QTFY, ligado à empresa chinesa Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company, que terá prestado serviços de pirataria informática a clientes, entre os quais o Ministério da Segurança do Estado e o Exército de Libertação Popular da China.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam novos mecanismos para tentar resolver disputa fronteiriça China e Índia acordaram criar dois novos grupos de trabalho sobre a disputa fronteiriça e reforçar os canais militares de comunicação, entre oito consensos alcançados durante uma reunião em Pequim, anunciou ontem a diplomacia chinesa. Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após a reunião entre o ministro Wang Yi e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, as duas partes acordaram criar um grupo de peritos sobre delimitação e outro sobre controlo fronteiriço. O primeiro fica encarregado de avançar na delimitação dos sectores em disputa, enquanto o segundo abordará questões práticas relacionadas com a gestão da fronteira. Pequim e Nova Deli acordaram ainda acrescentar dois novos pontos para reuniões entre comandantes militares de nível general e estabelecer duas novas linhas directas militares nos sectores ocidental e central da fronteira. As partes comprometeram-se também a utilizar os “canais diplomáticos e militares existentes” para gerir “de forma atempada” quaisquer incidentes fronteiriços, resolver questões pendentes e evitar “mal-entendidos e erros de cálculo”. Encontros e desencontros O comunicado refere ainda o compromisso de prosseguir as negociações com base no acordo político alcançado em 2005 para a resolução da questão fronteiriça, visando encontrar uma solução “justa, razoável e aceitável para ambas as partes”. China e Índia avaliaram também positivamente a reabertura de três mercados de comércio fronteiriço e acordaram reforçar as trocas comerciais e as peregrinações nas zonas limítrofes. A reunião entre Wang e Doval ocorreu numa altura de aproximação bilateral e antes da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, prevista para Nova Deli, na qual poderá participar o Presidente chinês, Xi Jinping, noticiou esta semana o jornal indiano The New Indian Express, embora não exista, até ao momento, confirmação oficial da deslocação. China e Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020, no vale de Galwan, causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses e desencadeou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, os dois países têm dado passos para normalizar as relações, incluindo a retoma da emissão de vistos, do comércio fronteiriço e dos voos diretos, embora a questão territorial continue a ser o principal foco de fricção.
Hoje Macau China / ÁsiaJustiça | Hong Kong permite a liquidatários da Evergrande processar rede global da PwC Um tribunal de Hong Kong autorizou os liquidatários da gigante imobiliária chinesa Evergrande a avançar com um processo contra a estrutura global da PwC, no qual reclamam milhares de milhões de euros por alegadas falhas de auditoria. A decisão, proferida na quarta-feira, permite que os liquidatários processem a PwC International, entidade que coordena a rede mundial da consultora, juntamente com as afiliadas de Hong Kong e da China continental responsáveis pela auditoria das contas da Evergrande, noticiou o jornal Financial Times (FT). Os liquidatários reclamam cerca de 8,4 mil milhões de dólares em indemnizações às três entidades, depois de vários reguladores terem concluído que os auditores da PwC em Hong Kong e na China continental não cumpriram os padrões profissionais ao aprovarem as demonstrações financeiras da promotora imobiliária. “É pelo menos defensável que (…) a [PwC] International tinha um dever de diligência para com a [Evergrande]”, escreveu Patrick Fung, juiz-adjunto do Tribunal Superior de Hong Kong. “É crucial que haja divulgação de documentos e respostas a interrogatórios, o que, acredito, permitirá esclarecer melhor o caso”, acrescentou. A decisão representa uma vitória para Eddie Middleton e Tiffany Wong, da consultora Alvarez & Marsal, nomeados liquidatários da Evergrande. A Evergrande, que chegou a ser uma das maiores promotoras imobiliárias da China, entrou em incumprimento em 2021, acumulando cerca de 300 mil milhões de dólares em passivos. Os liquidatários alegam que a PwC International deve ser responsabilizada pelas falhas das firmas da rede em Hong Kong e na China continental, que terão permitido à Evergrande distribuir cerca de seis mil milhões de dólares em dividendos entre 2017 e 2020, apesar da situação financeira da empresa. Na China continental, a afiliada da PwC pagou, em 2024, uma multa de 441 milhões de yuan após o Ministério das Finanças chinês ter concluído que funcionários da consultora “ocultaram ou até toleraram” a fraude na Evergrande.
Hoje Macau China / ÁsiaNepal | Pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos em inundações Pelo menos 95 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas devido a uma avalanche de gelo e rocha que provocou ontem inundações relâmpago no Nepal, disseram as autoridades locais. Entre as mais de 400 pessoas desaparecidas estão 291 turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia, noticiou a agência de notícias Associated Press (AP). O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09:00 e destruiu várias aldeias, estradas e projectos hidroeléctricos. As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. “Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel. O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas. “As inundações são maciças e susceptíveis de ter afectado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP). A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres. As inundações afectaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE. China afectada Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua. Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada. As autoridades da China ainda não divulgaram qualquer balanço do número de vítimas. “A prioridade absoluta é a mobilização de todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realojar os habitantes em perigo, prestar cuidados médicos rápidos aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua. As causas Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro de ontem foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar. De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã. “O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização. “Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou. O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que obstrução causada pela avalanche no rio se manteve e “pode assim ocorrer uma segunda inundação”. A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela acção humana. Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.
Hoje Macau China / ÁsiaSeul diz que aeronaves militares russas entraram em zona de defesa sul-coreana A Coreia do Sul anunciou ontem que mobilizou caças, na terça-feira, depois de várias aeronaves militares russas terem entrado na zona de identificação de defesa aérea do país. O Ministério da Defesa esclareceu que as aeronaves não violaram o espaço aéreo sul-coreano. “As forças armadas sul-coreanas detectaram as aeronaves russas após entrarem na zona e accionaram caças da força aérea como medida de precaução”, explicou o ministério, em comunicado. As aeronaves russas entraram e saíram da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul sobre o mar do Japão, segundo a mesma fonte. Esta é uma zona tampão, distinta do espaço aéreo soberano de um país, onde as aeronaves estrangeiras são obrigadas a identificar-se por motivos de segurança. As aeronaves militares notificam normalmente os países envolvidos antes de entrarem no seu espaço aéreo, embora esta não seja uma exigência legal. Um incidente semelhante ocorreu em Junho, quando mais de dez aeronaves militares chinesas e russas entraram no espaço aéreo da Coreia do Sul sem o violar. Pequim afirmou na altura que as forças chinesas e russas tinham realizado uma “patrulha aérea estratégica” sobre o mar do Japão, o mar do Leste da China e o oeste do Oceano Pacífico. Moscovo, por sua vez, afirmou que a operação fazia parte dos planos regulares de cooperação militar e “não era dirigida contra nenhum país terceiro”. Seul, no entanto, protestou junto de Moscovo e Pequim, solicitando que tais incidentes não se repetissem. Novas amizades Em 2024, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, deslocou-se a Pyongyang — a primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século — e assinou com Kim Jong-un uma aliança militar entre dois Estados nucleares. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando diretamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul permanecem tecnicamente em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia (1950-1953), desencadeada por um ataque do Norte, terminou apenas com um armistício, sem qualquer tratado de paz. Em 16 de Agosto, o líder da Coreia do Norte expressou orgulho pela relação com a Rússia, numa carta enviada a Vladimir Putin. De acordo com a imprensa estatal norte-coreana, Kim reafirmou ainda o apoio a Moscovo na guerra contra a Ucrânia, dizendo estar convicto de que o aliado prevalecerá sob a “sábia liderança” de Vladimir Putin. Dias antes, Putin tinha enviado uma carta a Kim por ocasião do 81.º aniversário da libertação, no final da Segunda Guerra Mundial, da península coreana da ocupação por parte do Japão. Em 13 de Agosto, o Presidente da Rússia visitou as ilhas Curilas, no Extremo Oriente, uma visita que provocou um forte protesto do Japão, que também reivindica o arquipélago.
Hoje Macau China / ÁsiaAviação | China com quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial A China representa quase um terço do tráfego aéreo doméstico mundial, percentagem que continuará a crescer, apontou ontem um representante da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês). Numa apresentação sobre o sector organizada pela Câmara de Comércio França-Macau, o gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, Erik Chan, indicou que, no início do século, os Estados Unidos representavam dois terços (65 por cento) do tráfego interno mundial e a China detinha uma quota de apenas 6 por cento. Acrualmente, apontou, o cenário é de quase paridade, com a China a representar 29 por cento de todo o tráfego doméstico global (medido em passageiros-quilómetro pagos, só atrás dos Estados Unidos, que recuaram para 37 por cento. “Pode ver-se a força gigantesca da China a acontecer no mercado doméstico chinês, que está a crescer imenso”, afirmou Erik Chan. O responsável sublinhou que ter praticamente um terço dos voos internos do mundo concentrados no país reflecte “uma das maiores mudanças estruturais na história do sector, e demorou apenas 25 anos a concretizar-se”. Efeito dominó A expansão reflecte-se directamente no peso financeiro do sector. A China é actualmente o segundo maior mercado de aviação do mundo em contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando 253,6 mil milhões de dólares entre impacto directo, indirecto e turismo associado. A China registou 380 milhões de viagens individuais na primeira metade de 2026, um aumento de 1 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma sessão, Chan alertou que o actual conflito no Médio Oriente e os atrasos nas entregas de aeronaves deverão reduzir para metade os lucros da aviação comercial global em 2026. A dimensão do mercado interno chinês surge como um pilar crucial num momento de incerteza internacional, destacou Chan, ajudando a absorver os choques provocados pela subida dos combustíveis e pela escassez global de aeronaves que afetam as rotas de longo curso. Líderes ecológicos O vice-chefe da Administração Estatal de Aviação Civil da China, Han Jun, disse que companhias aéreas chinesas operavam em Julho rotas internacionais regulares de passageiros para 177 cidades em 80 países de cinco continentes. No primeiro semestre do ano as viagens de passageiros em rotas aéreas internacionais operadas por companhias aéreas chinesas ultrapassaram 40 milhões, um aumento anual de 5,7 por cento. Além da capacidade de passageiros e carga, a IATA aponta a China como um futuro líder na transição ecológica da aviação. Com o avanço das metas globais de descarbonização até 2050, projecta-se que o país assuma um papel central na produção e fornecimento em grande escala de Combustíveis Sustentáveis de Aviação. Perspectivando os próximos 25 anos, período em que a IATA prevê que o tráfego global mais do que duplique até alcançar 21 biliões de passageiros-quilómetros pagos em 2050, a liderança do mercado doméstico chinês será o grande motor da indústria. “A transição da América para a Ásia já aconteceu no espaço de 25 anos, e as projecções indicam que os próximos 25 anos vão empurram na mesma direcção”, concluiu Erik Chan. “Acima do horizonte, o centro de gravidade deste sector está a mover-se para a região da Ásia-Pacífico.”
Hoje Macau China / ÁsiaPequim prepara legislação anticorrupção com alcance além-fronteiras A China começou a analisar uma lei destinada a combater a corrupção transfronteiriça, que poderá alargar a jurisdição das autoridades chinesas ao estrangeiro e impor novas obrigações de conformidade às empresas do país com operações internacionais. A proposta de Lei Anticorrupção Transfronteiriça foi submetida na terça-feira a uma primeira apreciação pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo da China, durante uma sessão que decorre até sexta-feira. O texto integral da proposta, composto por seis capítulos e 47 artigos, ainda não foi divulgado ao público. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a legislação pretende completar o quadro jurídico aplicável a assuntos externos, proteger os interesses nacionais e promover operações empresariais no estrangeiro em conformidade com a lei. A proposta visa ainda reforçar o “arsenal jurídico” disponível para a repatriação de fugitivos, recuperação de activos e tratamento de casos de corrupção com dimensão internacional. A legislação procura transformar em lei as práticas desenvolvidas ao longo de uma década de campanha anticorrupção e colmatar lacunas jurisdicionais, visando crimes financeiros cometidos no estrangeiro, apontou a Xinhua. Novos padrões Entre os principais obstáculos identificados pelas autoridades estão as dificuldades em detectar crimes, recolher provas, recuperar activos ilícitos e processar infrações cometidas fora das fronteiras chinesas. A proposta estabelece princípios, âmbito de aplicação e mecanismos para combater a corrupção transfronteiriça e obriga empresas chinesas com operações no estrangeiro a adoptar padrões rigorosos de conformidade, segundo a Xinhua. A iniciativa surge no âmbito da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, após chegar ao poder, em 2012, e que se tornou uma das políticas emblemáticas da sua liderança. O presidente do Comité Permanente da APN, Zhao Leji, indicou no início do ano que a aprovação de uma lei contra a corrupção transfronteiriça seria uma das prioridades legislativas de 2026, no âmbito da aplicação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) chinês.
Hoje Macau China / ÁsiaChina e Índia acordam negociações sobre disputa fronteiriça A China e a Índia acordaram terça-feira avançar nas negociações sobre a sua disputa fronteiriça, numa reunião em Pequim entre o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval. A decisão ocorre numa altura de aproximação entre os dois países e de uma possível visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Nova Deli. Wang e Doval lideraram terça-feira a 25.ª reunião de representantes especiais sobre a questão fronteiriça, na qual ambas as partes concordaram “procurar uma solução abrangente, justa, razoável e mutuamente aceitável para o problema fronteiriço”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Wang afirmou que os dois países devem colocar a questão fronteiriça numa posição “apropriada” dentro da relação bilateral, ao mesmo tempo que realçou que “as trocas e a cooperação institucionalizada entre os dois países tenham sido retomadas gradualmente”. Doval, por seu lado, assegurou no início da reunião que as conversações eram especialmente importantes quando se aproxima uma nova cimeira dos BRICS e destacou que, no último ano, a relação bilateral tem estado “a regressar de forma constante à normalidade”. A Índia está disposta “a gerir eficazmente as zonas fronteiriças” e a “explorar soluções para o problema”, afirmou o responsável político indiano, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. O jornal indiano The New Indian Express noticiou esta semana que a reunião em Pequim ocorre num momento em que se admite como possível presença de Xi Jinping na cimeira dos BRICS, prevista para 12 e 13 de Setembro em Nova Deli, embora por agora não exista confirmação oficial da sua viagem. Se acontecer, seria a primeira visita do líder chinês à Índia em sete anos e abriria a porta a um novo encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, depois de ambos se terem reunido em Agosto de 2025 na cidade chinesa de Tianjin, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai. Desacatos territoriais A China e a Índia mantêm uma disputa territorial ao longo da sua fronteira comum nos Himalaias, onde um confronto militar, em Junho de 2020 no vale de Galwan, deixou pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses mortos e provocou a pior crise bilateral em décadas. Desde 2024, ambos os países têm avançado gradualmente na normalização das suas relações, com a recuperação de vistos, a reabertura do comércio fronteiriço e a retoma dos voos directos, embora persistam diferenças territoriais e comerciais. Doval encontrou-se terça-feira com o vice-presidente chinês, Han Zheng, que pediu para que se aumente a confiança mútua e amplie a cooperação bilateral.
Hoje Macau China / ÁsiaIA | Fabricante chinesa de chips Enflame prepara entrada em bolsa A Enflame Technology, uma das principais ‘start-ups’ chinesas de semicondutores para inteligência artificial (IA), vai abrir em 02 de Setembro as subscrições para uma oferta pública inicial, visando captar 765 milhões de euros. Num comunicado enviado ontem à Bolsa de Valores de Xangai, a empresa indicou que vai vender cerca de 43 milhões de acções, a um preço ainda por determinar, embora na documentação apresentada no pedido de admissão à bolsa em Xangai tenha avançado que pretende captar cerca de seis mil milhões de yuan. A Enflame é conhecida como um dos “quatro pequenos dragões” chineses do sector dos semicondutores para IA, juntamente com a MetaX, Moore Threads e Biren Technology, sendo a última deste grupo a avançar para bolsa. As restantes protagonizaram ofertas públicas de grande dimensão entre o final do 2025 e o início de 2026. A estreia da Enflame servirá também para avaliar o apetite dos investidores, depois de a Moore Threads ter disparado 425 por cento na primeira sessão em bolsa, a MetaX 693 por cento e a Biren 76 por cento.
Hoje Macau China / ÁsiaChina vai defender-se face a ameaças comerciais dos Estados Unidos A China avisou ontem que fará tudo para “defender firmemente” os seus interesses, depois de os Estados Unidos terem anunciado a intenção de cortar os recursos económicos do Irão e ameaçado quem apoiar Teerão. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira um novo pacote de sanções ditas secundárias, visando não o Irão directamente, mas os parceiros comerciais de Teerão nos sectores do ouro, tecnologia, activos digitais, aviação e transporte marítimo. Washington impôs igualmente novas sanções a 60 indivíduos, empresas e navios acusados de ajudar o Irão a gerar receitas petrolíferas, a obter armas e a conduzir acções de guerra digital. As sanções da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, visam entidades em todo o mundo, nomeadamente nos Emirados Árabes Unidos, China, Singapura e Europa. “A China tomará todas as medidas necessárias para defender firmemente os seus direitos e interesses”, reagiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Lin disse que “as pressões máximas exercidas no âmbito de uma guerra económica não resolvem” os problemas. “Apenas servem para agudizar as tensões e os conflitos, provocar efeitos de contágio, desestabilizar a ordem económica e financeira mundial e prejudicar os direitos e interesses legítimos de outros países”, afirmou. A China é um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de Fevereiro, de acordo com a empresa de análise Kpler. “A cooperação entre a China e o Irão sempre se enquadrou no âmbito do direito internacional e não pode ser travada nem comprometida”, afirmou Lin Jian.
Hoje Macau China / ÁsiaGuangxi | Tufão Narra obriga à retirada de 54 mil pessoas O Narra obrigou a retirar mais de 54 mil pessoas no sul da China, após provocar chuvas torrenciais e inundações. Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, a tempestade afectou pelo menos 61 mil pessoas na região de Guangxi, das quais 54 mil foram retiradas de forma preventiva, para evitar riscos. As chuvas associadas ao tufão fizeram ainda com que 10 rios e 15 estações hidrológicas ultrapassassem os níveis de alerta. O estreito de Qiongzhou, entre a província de Guangdong e a ilha de Hainan, suspendeu ontem o tráfego marítimo como medida preventiva. O impacto do Narra concentrou-se sobretudo em zonas do sul de Guangxi, onde várias localidades sofreram inundações, cheias repentinas e danos em infraestruturas, enquanto as equipas de emergência prosseguem os trabalhos de prevenção e resposta. As autoridades meteorológicas chinesas prevêem que o núcleo do tufão, que se encontrava ontem sobre o norte do mar do Sul da China, continue a avançar lentamente para oeste e noroeste e atinja a costa com intensidade de tempestade tropical forte. A combinação do ciclone com os fluxos de monção poderá prolongar a precipitação e aumentar o risco de inundações urbanas, cheias em pequenos rios e deslizamentos de terras. Entretanto, a China mantém sob vigilância o Saudel, o 18.º tufão da temporada, que atingiu a categoria de supertufão e cuja trajectória poderá aproximá-lo do leste do país nos próximos dias, após atingir as ilhas de Okinawa, no sul do Japão.
Hoje Macau China / ÁsiaMédio Oriente | Xi defende solução diplomática para conflitos O rei Abdullah II da Jordânia encontrou-se com Xi Jinping Pequim para discutir a crise no Médio oriente e fortalecer os laços com o país asiático O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu segunda-feira um cessar-fogo abrangente e uma solução diplomática para o conflito no Médio Oriente, durante um encontro em Pequim com o rei Abdullah II da Jordânia. “Defendemos um cessar-fogo abrangente e a resolução dos litígios por meios políticos e diplomáticos, com o entendimento de que a soberania e a segurança dos países da região, incluindo a Jordânia, devem ser respeitadas”, afirmou Xi. O Presidente chinês considerou que a questão palestiniana está “no cerne” dos problemas do Médio Oriente e defendeu uma solução assente em quatro princípios. Xi apontou, em primeiro lugar, para uma solução política baseada na criação de dois Estados, defendendo o regresso às negociações de paz e a constituição de um Estado palestiniano “o mais rapidamente possível”. O líder chinês defendeu também uma governação palestiniana, incluindo na Cisjordânia, e a reconstrução da Faixa de Gaza após a guerra, assim como os princípios do humanitarismo, da equidade e da justiça. Pequim pretende que sejam abordados simultaneamente “os sintomas e as causas profundas”, através de medidas destinadas a alcançar uma solução “rápida, abrangente, justa e duradoura” para a questão palestiniana. Xi destacou igualmente o papel “único e importante” da Jordânia no Médio Oriente e manifestou o “firme apoio” da China à salvaguarda da soberania, segurança e interesses nacionais do país. O Presidente chinês defendeu o reforço dos contactos entre os dois países a diferentes níveis, incluindo entre governos, partidos políticos, órgãos legislativos e autoridades locais. “A cooperação entre a China e a Jordânia é essencialmente mutuamente benéfica”, afirmou Xi, defendendo o aprofundamento das relações em sectores tradicionais como comércio, infraestruturas, transportes e mineração, além da expansão para novas áreas. O líder chinês manifestou ainda disponibilidade para reforçar a coordenação com Amã em instituições multilaterais, incluindo as Nações Unidas, e para defender conjuntamente “a ordem internacional baseada no direito internacional”. Valores da imparcialidade Por seu lado, Abdullah II afirmou valorizar muito a posição “imparcial e consistente da China em relação aos assuntos regionais e o seu apoio à justa causa dos países árabes”. “A Jordânia está disposta a manter uma comunicação fluida com a China e a continuar a envidar esforços positivos para aliviar a situação actual, para que os povos do Médio Oriente possam desfrutar de paz e prosperidade”, acrescentou o líder jordano. O monarca reiterou também o apoio de Amã ao princípio de “Uma Só China”, considerando Taiwan “parte integrante” do território chinês, e manifestou interesse em receber mais investimentos de empresas chinesas na Jordânia. Abdullah II afirmou ainda esperar que a China desempenhe “um papel de liderança mais significativo a nível global”.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Deputados viajam para Pequim após aumento de tensões Um grupo de deputados japoneses viajou ontem para Pequim para se reunir com responsáveis chineses, pela primeira vez desde que as relações bilaterais se deterioraram, após comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan. A delegação vai reunir-se com responsáveis do Partido Comunista Chinês durante a visita, que se estende até quinta-feira. O grupo inclui Gaku Hashimoto, deputado do Partido Liberal Democrático (PLD), actualmente no poder, e antigo vice-ministro da Saúde e Bem-Estar, e um deputado de cada um dos partidos da oposição Komeito e Aliança Centrista Reformista (CRA, na sigla em inglês). “A comunicação foi interrompida em todas as áreas e estamos a começar a ver o impacto disto em muitos sectores”, disse Shinichi Isa, um dos porta-vozes do partido CRA. “Espero que possamos encontrar de alguma forma uma pista para reiniciar o diálogo”, acrescentou o dirigente, aos jornalistas antes de deixar o aeroporto de Haneda, em Tóquio. Isa, que serviu como diplomata na Embaixada do Japão na China, escreveu na rede social X, no início de Agosto, que os laços bilaterais atingiram o seu pior nível desde a normalização das relações em 1972. O deputado escreveu que as autoridades sempre mantiveram a comunicação, mesmo durante os momentos mais difíceis anteriores: “Agora, todos os canais entre as autoridades e os ministérios foram cortados.” A situação não é do interesse nacional de nenhum dos lados, disse Isa na altura, e o lado chinês aceitou um pedido dos deputados japoneses para uma “janela para o diálogo”. Palavras e acções As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan. Em 15 de Agosto, o Governo da China apresentou uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de Agosto, e noutras ocasiões. O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda. O santuário xintoísta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial. Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”.
Hoje Macau China / ÁsiaEspaço | Adiado lançamento de missão ao polo sul da Lua O lançamento da Chang’e-7 deverá ter lugar apenas em 2027 após estarem garantidas as condições de segurança necessárias ao sucesso da missão A China adiou o lançamento da missão lunar Chang’e-7, que órgãos especializados apontavam para ontem, após as autoridades terem concluído que não estavam reunidas as condições necessárias para a descolagem. A decisão foi tomada “segundo os princípios de prudência, fiabilidade e ausência de riscos”, informou, no domingo à noite, o organismo responsável pelo programa espacial chinês, num breve comunicado. Segundo a entidade, a missão Chang’e-7 “não reúne as condições para o lançamento” e não poderá ser realizada dentro da janela prevista para este ano. As autoridades não especificaram as causas concretas do adiamento nem anunciaram, até ao momento, uma nova data para o lançamento. Órgãos especializados tinham apontado o lançamento da missão para as 08:00 de ontem. Em 19 de Agosto, a sonda Chang’e-7 e o foguetão Longa Marcha-5 Y14 foram transportados para a plataforma de lançamento do centro espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, no sul da China, após a conclusão dos trabalhos de montagem e dos testes. Na altura, a agência de notícias oficial chinesa Xinhua indicou que, antes do lançamento, seriam realizadas verificações funcionais, testes conjuntos e o abastecimento de combustível, acrescentando que a descolagem estava prevista para os “próximos dias”, sem avançar uma data oficial. Bases de exploração A Chang’e-7 destina-se a explorar o polo sul da Lua, uma região que tem suscitado um interesse científico crescente devido à possível presença de gelo de água em crateras permanentemente à sombra. A missão integra um módulo orbital, um módulo de alunagem, um veículo de exploração, um pequeno veículo capaz de se deslocar através de saltos e um satélite de retransmissão, visando realizar operações em órbita, alunagem e exploração da superfície lunar. Entre os objectivos da missão estão o estudo do ambiente lunar, do regolito (a poeira que cobre o solo da Lua), dos componentes voláteis, da estrutura da superfície, da actividade sísmica, do campo magnético e das propriedades térmicas da região. Os dados recolhidos pela Chang’e-7 deverão servir de base à missão Chang’e-8, prevista para cerca de 2029 e destinada a testar tecnologias para uma futura estação internacional de investigação lunar. Em 2019, a China conseguiu, com a Chang’e-4, a primeira alunagem na face oculta da Lua e, em 2024, trouxe para a Terra, através da Chang’e-6, as primeiras amostras recolhidas naquela região, mantendo o objectivo de enviar astronautas chineses à Lua antes de 2030.
Hoje Macau China / ÁsiaChina acusa EUA de pressionarem América Latina a afastar tecnológicas chinesas A China acusou ontem os EUA de pressionarem países da América Latina e das Caraíbas a substituírem fornecedores tecnológicos chineses, após Washington ter alertado para alegados riscos de espionagem e ciberataques associados a empresas chinesas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian classificou, em conferência de imprensa, os avisos norte-americanos como “flagrante intimidação tecnológica” e afirmou que estes “fabricam factos e distorcem a realidade”. Lin instou Washington a “deixar de interferir no direito dos países soberanos de escolherem de forma independente os parceiros de cooperação” e a pôr fim ao que classificou como “manipulação política”. As declarações surgiram em resposta a uma mensagem divulgada na semana passada por Juan Pablo Segura, responsável pelos Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano, na qual apontou empresas como Huawei, ZTE, Hikvision, Hytera, Dahua e DJI. Segura afirmou que a legislação chinesa obriga estes fornecedores a cooperar com os serviços de informações de Pequim e alertou que as respectivas tecnologias representam riscos de espionagem, ciberataques e interrupções de redes, alegações rejeitadas pela China. O responsável norte-americano instou ainda os parceiros de Washington nas Américas “a mudarem rapidamente” para fornecedores considerados de confiança, de forma a protegerem os cidadãos e a soberania, numa mensagem posteriormente reproduzida por representações diplomáticas dos Estados Unidos na região. Práticas suspeitas Lin defendeu que as empresas tecnológicas chinesas cumprem as leis e regulamentos dos países onde operam e afirmou que os seus serviços têm contribuído para o desenvolvimento económico e a criação de emprego nos mercados latino-americanos. O porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de terem realizado, durante anos, actividades de vigilância e ciberataques na América Latina e nas Caraíbas, sem apresentar provas durante a conferência de imprensa que sustentassem a acusação. A disputa já motivou, durante o fim de semana, uma resposta da Embaixada da China na República Dominicana, depois de a representação diplomática norte-americana no país ter divulgado os avisos de Segura sobre as empresas chinesas.
Hoje Macau China / Ásia MancheteChina | Casas em leilão aumentam quase 24 por cento O número de imóveis colocados em leilão judicial na China aumentou 23,7 por cento nos primeiros sete meses do ano, pressionando ainda mais os preços da habitação e expondo o impacto da crise imobiliária sobre famílias endividadas. Segundo dados difundidos na sexta-feira pelo China Index Academy, instituto de investigação do sector imobiliário, 539 mil imóveis foram colocados em leilão por ordem judicial em 355 cidades chinesas entre Janeiro e Julho. O aumento da oferta fez cair em 9 por cento, em termos homólogos, os preços alcançados, numa altura em que tribunais e gestores de activos procuram vender casas confiscadas a proprietários que deixaram de pagar os empréstimos. Segundo dados divulgados pela imprensa chinesa, apenas cerca de um terço dos imóveis colocados em leilão encontrou comprador, a preços, em média, cerca de 30 por cento inferiores aos de propriedades comparáveis no mercado de casas usadas. Os descontos estão a afetar as expectativas no restante mercado, ao reforçarem, entre potenciais compradores, a percepção de que os preços ainda podem cair mais. A procura concentra-se, por isso, em casas bem localizadas, nas maiores cidades, próximas de escolas e com boas ligações de transportes, enquanto imóveis antigos, periféricos ou rurais continuam a ter dificuldade em encontrar comprador. “As transações de imóveis em leilão judicial aumentaram 42,7 por cento em termos homólogos nos primeiros sete meses de 2026, o que parece impressionante. Mas isto parece reflectir mais o recurso a cortes de preços pelos vendedores para escoar uma crescente oferta acumulada do que uma súbita recuperação da confiança dos compradores no mercado imobiliário”, indicou a colunista especializada no sector Jiang Xiaorong, num artigo publicado na plataforma Baidu Baijiahao. A crise de liquidez está a atingir também famílias que querem trocar de casa, mas não conseguem vender a atual. Lista negra Em Abril, oito milhões de pessoas estavam oficialmente registadas na China como incumpridoras após deixarem de pagar empréstimos à habitação, segundo outro comentador chinês, que escreve sob o pseudónimo Property Observer. Cerca de 60 por cento tinham menos de 35 anos e aproximadamente 45 por cento das famílias que deixaram de pagar os empréstimos tinham sofrido perdas de emprego, sobretudo em sectores como restauração, imobiliário e ensino privado. O mercado apresenta, contudo, fortes diferenças regionais. Entre Janeiro e Julho, foram colocadas em leilão 245 mil propriedades residenciais, das quais 89 mil encontraram comprador, equivalente a uma taxa de venda de 36,2 por cento. Em média, os imóveis leiloados foram vendidos este ano por cerca de 73 por cento do respectivo valor de avaliação. Quando uma casa não encontra comprador na primeira tentativa, o preço inicial de uma segunda ronda pode ser reduzido em até 20 por cento. A pressão estende-se ao mercado de segunda mão. Em Julho, os preços caíram 3,7 por cento em termos homólogos nas quatro maiores cidades, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. O investimento no desenvolvimento imobiliário recuou entretanto 19,2 por cento, em termos homólogos, nos primeiros sete meses, para 4,3 biliões de yuan, à medida que as promotoras reduziram novos projectos perante o prolongamento da crise.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão diz que países que apoiem “guerra económica” dos EUA serão considerados inimigos O Irão anunciou sábado que todos os países que participem na “imposição de restrições económicas” serão considerados inimigos do país, na sequência da guerra económica anunciada pelos Estados Unidos. “Declaramos a todos os países à nossa volta e a todos os países do mundo: não se juntem à guerra económica liderada pelos Estados Unidos”, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezai, na televisão estatal. “Qualquer país que participe na imposição de restrições económicas” contra o Irão será “considerado um inimigo”, afirmou. “Ainda não atacámos nenhum interesse económico norte-americano (…). Até agora, apenas visámos bases militares, mas se quiserem impor-nos sanções económicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e económicas na região do Irão e noutros locais, e iremos atacá-las”, prosseguiu Rezai. Se o Presidente norte-americano “tomar medidas [contra o Irão], o nosso confronto será como um terramoto”, ameaçou ainda. O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acusou na quinta-feira os Estados Unidos de “terrorismo económico”, após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter prometido que Washington iria “derrubar o regime” iraniano com as novas sanções. Na quarta-feira, Donald Trump, anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a “operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país”. Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas. A advertência foi reforçada na quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, que avisou que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington. “Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime”, disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo”, reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou “um dia D” contra a economia iraniana. China ao barulho Bessent apelou também à China para que “se alinhe” caso deseje “ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem”. Já na sexta-feira, a China respondeu opondo-se à “guerra económica” declarada pela administração norte-americana ao Irão, apontando que as “sanções unilaterais ilegais” e as pressões de Washington não são a solução para o problema. “As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis e resolvam o problema por via política e diplomática”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa. Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos e um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão. Mais de 80 por cento das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra, de acordo com a empresa de análise Kpler. Além da China, entre os países que mantêm laços económicos com Teerão contam-se os Emirados Árabes Unidos, que suspenderam esta semana todas as transacções com a República Islâmica, mas também a Turquia, a Rússia, Iraque, Índia e a Alemanha. As exportações alemãs para o Irão atingiram 870,5 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2025, segundo o Gabinete Federal de Estatística alemão (Destatis).
Hoje Macau China / ÁsiaSismo | Número de feridos em Tóquio sobre para 37 O número de feridos causados por um sismo de magnitude 5,9 que atingiu ontem a região de Tóquio subiu para 37, informaram as autoridades nipónicas. O abalo foi suficientemente forte para causar intensas oscilações na capital e arredores, accionando os sistemas de alerta que difundiram mensagens e sirenes nas ruas. De acordo com a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o sismo ocorreu às 02h00 locais na parte sul da província de Ibaraki, a 68 quilómetros de profundidade, sem risco de tsunami. Entre os feridos, está uma idosa de Yokohama que caiu ao sair da cama, fraturando a anca. Em Saitama, a norte de Tóquio, um edifício sofreu danos ligeiros, sem registo de colapsos estruturais. O tráfego ferroviário regional foi perturbado durante a manhã, informou a operadora East Japan Railroad Co, com atrasos nos comboios expresso que servem Tóquio e no Aeroporto de Narita, bem como noutros comboios locais que servem as regiões nordeste, mas os comboios de alta velocidade Shinkansen estavam a operar normalmente. A JMA alertou para risco acrescido de deslizamentos de terra, já que os solos se encontram fragilizados após chuvas torrenciais no sábado, e avisou ainda para a possibilidade de réplicas fortes nos próximos dias. Estado de alerta O Governo nipónico criou uma ‘task-force’ para avaliar a extensão dos possíveis danos, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, na rede social X. O tremor accionou alertas de emergência nos telemóveis e também foi sentido em Tóquio de forma significativa, mas a emissora televisiva pública NHK mostrou que o tráfego nas estradas de cidades próximas, incluindo Mito e Saitama, aparentemente circulava com normalidade. Não houve relatos de anomalias em cerca de uma dúzia de centrais nucleares e outras instalações que lidam com materiais nucleares, disse a Autoridade de Regulação Nuclear. No mês passado, um sismo de magnitude 7,1 atingiu a zona de Kumamoto, na ilha mais a sul do Japão, Kyushu, matando 38 pessoas e ferindo 364, e destruiu mais de 1.500 edifícios e danificou quase outros 20.000.