Coreia do Norte anuncia que testou novo sistema de lança-foguetes

As autoridades da Coreia do Norte anunciaram que realizaram um teste a um novo sistema de lança-foguetes atualizado, avançou ontem a imprensa estatal norte-coreana.

O teste de foguetes guiados de lançamento múltiplo de 240 milímetros actualizados foi realizado na terça-feira, “no âmbito do plano de modernização das forças de artilharia e mísseis”, indicou a KCNA. Segundo a agência de notícias, os foguetes são capazes de atingir alvos situados a 100 quilómetros de distância através de um modo de voo balístico e alvos a 115 quilómetros através de um modo combinado.

“O teste realizado demonstrou a precisão de impacto e a superioridade dos foguetes de alcance alargado”, apontou a KCNA, acrescentando que o desenvolvimento “garante uma alteração significativa na capacidade de poder de fogo na fronteira sul”.

A agência sublinhou a “necessidade de concentrar as forças de ataque mais letais e destrutivas” na fronteira com a vizinha Coreia do Sul. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz.

Dúvidas e aplausos

Na terça-feira, a KCNA disse que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, tinha acompanhado no domingo o teste de uma arma de “novo tipo”, sem adiantar mais pormenores.

No domingo, a Coreia do Sul e o Japão tinham dado conta do lançamento, pelo Norte, de dois mísseis balísticos de curto alcance, com um intervalo de poucas horas, em direcção ao mar do Japão. Seul denunciou um “acto grave” e Tóquio enviou um “protesto veemente” a Pyongyang.

Segundo a KCNA, a autoridade responsável pelo programa de mísseis “testou com sucesso um novo tipo de arma” no domingo, na presença de Kim Jong-un. Pyongyang não forneceu informações mais precisas sobre as características do armamento.

Kim saudou o disparo, descrevendo-o como “sem dúvida uma demonstração impressionante de uma tecnologia de defesa ultramoderna e representou um progresso claro na modernização das suas forças armadas”, segundo a KCNA.

Nas fotos divulgadas pela agência, o líder norte-coreano surge acompanhado pela filha adolescente, Kim Ju-ae, considerada pela inteligência sul-coreana uma potencial sucessora na liderança do regime. Uma das imagens mostra ambos a observar um ecrã com a inscrição do míssil “Hwasong-11”, o que sugeriria que este tipo de míssil balístico hipersónico poderia ter sido testado.

O ecrã indicava também um alcance de 908,2 quilómetros. No entanto, especialistas citados pela agência de notícias sul-coreana Yonhap levantaram a possibilidade de Pyongyang ter alterado o número para apresentar o teste como bem-sucedido.

O gabinete presidencial sul-coreano instou a Coreia do Norte a suspender imediatamente os lançamentos de mísseis balísticos, proibidos por resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e acrescentou que Seul realizou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para discutir a situação.

25 Set 2026

Defesa | Taiwan apontado “assunto mais importante” nas relações com Estados Unidos

A China apontou hoje Taiwan como “o assunto mais importante” nas relações com os Estados Unidos e pediu a Washington “máxima prudência”, antes da reunião entre os Presidentes Xi Jinping e Donald Trump.

O porta-voz do ministério da Defesa chinês, Jiang Bin, afirmou, em conferência de imprensa, que manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan constitui o “principal denominador comum” entre Pequim e Washington. Jiang respondia a uma pergunta sobre a visita de Estado de Xi aos Estados Unidos.

O porta-voz afirmou que a diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel de “orientação estratégica insubstituível” nas relações entre os dois países e as respetivas forças armadas e assegurou que a China está disposta a reforçar a comunicação e o diálogo com os Estados Unidos.

Pequim pretende ainda desenvolver uma cooperação “pragmática”, gerir as divergências e manter relações militares “estáveis e saudáveis”, acrescentou. A questão de Taiwan deverá estar presente na cimeira, depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado na quarta-feira que qualquer venda de armas à ilha deve ser equilibrada com as necessidades de defesa dos Estados Unidos.

Washington ainda não deu luz verde a um pacote de armamento para Taipé avaliado em 14 mil milhões de dólares, que, caso se concretize, será o maior de sempre destinado à ilha.

25 Set 2026

Visita | Xi Jinping diz que China e EUA devem ser “parceiros, e não rivais”

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem que China e Estados Unidos devem ser “parceiros, e não rivais” e apelou à cooperação entre as duas potências, na véspera das aguardadas conversações com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

“Os nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais”, afirmou Xi, numa mensagem divulgada pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, acrescentando que “os povos chinês e norte-americano mantêm há muito intercâmbios amistosos e os nossos interesses estão estreitamente ligados”.

As declarações surgem na véspera das aguardadas conversações entre os líderes da China e dos Estados Unidos, que trocaram um aperto de mão à chegada de Xi Jinping a Washington. As discussões deverão abordar o comércio, a concorrência tecnológica – em particular no domínio da inteligência artificial – e o apoio de Pequim ao Irão.

O Presidente chinês afirmou também estar “ansioso por manter conversações aprofundadas com o Presidente Trump sobre as principais questões relativas às nossas relações bilaterais e à situação mundial”, segundo a Xinhua.

Os dois países devem “trabalhar em conjunto para promover uma relação estável, tendo a cooperação como principal pilar, a concorrência dentro de limites razoáveis, divergências controláveis e perspectivas pacíficas”, afirmou Xi.

Numa referência ao lema de Donald Trump, o líder chinês acrescentou que “o grande rejuvenescimento da nação chinesa e o objectivo de tornar a América novamente grande podem perfeitamente avançar lado a lado”.

“Acredito que, com os esforços conjuntos, esta visita produzirá resultados frutíferos, melhorará o bem-estar dos nossos dois povos e trará uma nova esperança para a paz mundial”, acrescentou.

IA na agenda

Também ontem, a China confirmou que manteve com os Estados Unidos o primeiro diálogo sobre inteligência artificial (IA) no âmbito do mecanismo de consultas económicas e comerciais entre os dois países.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, afirmou, em conferência de imprensa, que as equipas económicas e comerciais dos dois países realizaram recentemente nos Estados Unidos a oitava ronda de consultas bilaterais.

Segundo He, as duas partes mantiveram uma troca de opiniões “franca, aprofundada e construtiva” sobre questões económicas e comerciais de interesse comum e alcançaram “vários consensos”, sob a orientação dos entendimentos alcançados pelos Presidentes dos dois países, Xi Jinping e Donald Trump.

O porta-voz acrescentou que, no âmbito do mesmo mecanismo de consultas, China e Estados Unidos mantiveram “o primeiro diálogo” sobre inteligência artificial, uma questão que tem ganho peso na agenda bilateral devido à rivalidade tecnológica entre as duas potências e aos debates sobre a segurança dos modelos avançados.

He não forneceu, no entanto, detalhes sobre o conteúdo das conversações nem esclareceu se foram abordados mecanismos de notificação ou gestão de incidentes relacionados com a IA, uma possibilidade discutida em contactos anteriores entre as duas partes.

O responsável referia-se aos encontros mantidos nos últimos dias nos Estados Unidos entre o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

25 Set 2026

China e EUA devem evitar “Guerra Fria” na inteligência artificial, diz especialista

China e Estados Unidos devem evitar que a competição na inteligência artificial evolua para uma nova “Guerra Fria”, afirmou ontem um académico chinês, defendendo que nenhuma das potências consegue gerir isoladamente os riscos da tecnologia.

“Cooperar é essencial para construir um quadro internacional. Não podemos ter dois sistemas separados, um norte-americano e outro chinês”, afirmou Zheng Yongnian, decano da Escola de Políticas Públicas da Universidade Chinesa de Hong Kong, na cidade de Shenzhen (sudeste da China), em entrevista ao jornal South China Morning Post.

“Se isso acontecer, acabaremos numa dinâmica de Guerra Fria ao estilo Estados Unidos – União Soviética, o que seria muito, muito terrível”, acrescentou. As declarações surgem no dia da reunião, em Washington, entre os Presidentes chinês, Xi Jinping, e norte-americano, Donald Trump, na qual a inteligência artificial deverá ocupar um lugar de destaque.

Os dois países realizaram esta semana o primeiro diálogo dedicado à IA no âmbito do mecanismo bilateral de consultas económicas e comerciais, após negociações nos Estados Unidos lideradas pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

Segundo Bessent, Washington propôs um novo “mecanismo de notificação” para incidentes de alto nível relacionados com IA susceptíveis de afectar a segurança nacional, procurando ao mesmo tempo estabelecer uma “visão partilhada de objectivos e ameaças comuns”.

Zheng considerou que nem Pequim nem Washington conseguem gerir sozinhos os riscos associados à tecnologia e argumentou que estes podem superar os colocados pelas armas nucleares. Ao contrário dos arsenais nucleares, sujeitos a mecanismos internacionais de supervisão e que permanecem inativos durante longos períodos, a IA está a evoluir rapidamente num vazio regulatório, advertiu.

Modelos distintos

A aproximação ocorre num contexto de crescente rivalidade tecnológica entre as duas maiores economias mundiais e divergências sobre o desenvolvimento da IA. Os Estados Unidos têm privilegiado um modelo assente em sistemas avançados de elevado custo e procuram assegurar cadeias de abastecimento de semicondutores e minerais críticos menos dependentes da China.

Pequim tem defendido modelos de código aberto e de menor custo, apresentando-os como uma alternativa mais acessível para economias emergentes e países do chamado Sul Global. Zheng considerou, ainda assim, que a actual competição difere da rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria.

“Ao contrário da Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética estavam completamente divididos em dois blocos isolados, os Estados Unidos e a China continuam a relacionar-se”, mas há um “baixo nível de confiança política” mútua.

As tensões agravaram-se este mês após a administração Trump ter acusado empresas chinesas de copiarem modelos norte-americanos através de campanhas de “destilação à escala industrial”. Pequim respondeu acusando Washington de procurar estabelecer um “monopólio” sobre a tecnologia e advertiu que poderá retaliar.

Zheng rejeitou a possibilidade de uma separação completa dos dois ecossistemas tecnológicos, argumentando que o desenvolvimento norte-americano da IA “não consegue separar-se da China”, nomeadamente devido à importância do talento tecnológico chinês.

O académico defendeu que regras internacionais eficazes terão de envolver as principais potências tecnológicas. “O mundo é realista: as regras têm de ser apoiadas por poder e capacidade reais. Sem força, quem vai ouvir as regras”, questionou.

“É por isso que regras reais e eficazes têm de ser construídas por países capazes, como a China e os Estados Unidos”, acrescentou, defendendo, no entanto, um sistema aberto à participação de outros países.

Na segunda-feira, 20 países e a União Europeia divulgaram uma declaração conjunta a pedir cooperação internacional para manter a IA sob controlo humano e propuseram a criação de uma nova entidade global para regular os sistemas mais avançados. China e Estados Unidos não subscreveram a declaração.

25 Set 2026

Elon Musk elogia Presidente chinês antes de encontro com Trump

O empresário norte-americano Elon Musk elogiou ontem o Presidente chinês, que classificou como “líder excepcional”, e destacou avanços alcançados pela China durante a sua liderança, na véspera do encontro com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

“Sob a sua liderança, a China alcançou enormes progressos no seu desenvolvimento”, afirmou o presidente executivo da Tesla, numa entrevista à televisão estatal chinesa CCTV, que divulgou ontem vários excertos da conversa. Noutro excerto, Musk afirmou que a prosperidade do país “aumentou enormemente” durante a liderança de Xi e descreveu o dirigente chinês como “muito sábio e com visão de futuro”.

O magnata elogiou também as operações da Tesla na China e atribuiu o sucesso da fábrica de Xangai à equipa local, que descreveu como “talentosa, trabalhadora e de confiança”, com uma qualidade dos produtos e eficiência de produção “de primeiro nível”.

“A Gigafábrica de Xangai é uma joia”, afirmou Musk sobre a unidade, que entregou cerca de 468 mil veículos no primeiro semestre de 2026, mais 28,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela CCTV.

Durante a entrevista, Musk abordou ainda o futuro dos robôs humanoides e antecipou que o número destes equipamentos poderá atingir pelo menos mil milhões dentro de 10 anos, 10 mil milhões dentro de 15 anos e 100 mil milhões dentro de duas décadas.

O empresário previu que estes robôs poderão cuidar de idosos e crianças, servir como tutores particulares ou desempenhar todo o tipo de trabalhos, e que uma única pessoa poderá chegar a controlar centenas ou mesmo milhares de robôs físicos e agentes digitais.

Sobre a inteligência artificial (IA), Musk aconselhou a aquisição de conhecimentos abrangentes, tanto nas áreas das humanidades e artes como da ciência e engenharia, por considerar que a capacidade de formular boas perguntas será cada vez mais importante. “Quanto mais amplos forem os teus conhecimentos, melhor serás a fazer perguntas”, afirmou.

Na mesa com Xi

As declarações surgem também em pleno debate sobre a segurança da IA, depois de Musk ter defendido este mês que os principais criadores de modelos de inteligência artificial devem testar mutuamente os respectivos sistemas em matéria de segurança, tema que deverá também estar em cima da mesa no encontro entre Xi e Trump.

Os excertos da entrevista foram divulgados no mesmo dia em que Xi inicia uma visita de Estado aos Estados Unidos, onde se reúne na quinta-feira com Trump, no segundo encontro entre ambos este ano, após a reunião realizada em Maio, em Pequim.

Musk, que participou, juntamente com outros empresários norte-americanos, na visita de Trump à capital chinesa em Maio, está também entre os empresários cuja presença está prevista no jantar de Estado que a Casa Branca vai oferecer a Xi.

24 Set 2026

Ouro | Pequim importa valor recorde de 158.800 milhões de dólares

A China gastou um valor recorde de 158.800 milhões de dólares na importação de ouro nos primeiros oito meses do ano, numa altura em que investidores e banco central procuram diversificar activos.

Segundo dados citados pelo jornal Financial Times, o país importou mais de mil toneladas de ouro entre Janeiro e Agosto, superando já as 886 toneladas adquiridas durante todo o ano de 2025, por 96.500 milhões de dólares.

O aumento ocorre depois de a China ter reduzido as compras no ano passado, durante uma forte valorização do metal precioso, cujo preço passou de cerca de 2.625 dólares por onça troy no início de 2025 para um máximo de 5.595 dólares em Janeiro.

A China é também o maior produtor mundial de ouro, tendo extraído 384 toneladas no ano passado, segundo o Conselho Mundial do Ouro.

O aumento das importações surge num contexto de procura crescente por parte de investidores chineses de alternativas para diversificar as poupanças, perante a prolongada crise do sector imobiliário, o fraco desempenho do mercado accionista e os baixos rendimentos da dívida pública.

24 Set 2026

Japão | Aumentou para dez o número de mortes provocadas pelo tufão Dujuan

O número de vítimas da passagem do tufão Dujuan pelo Japão aumentou para dez mortos, quatro desaparecidos e 28 feridos, depois de o fenómeno ter provocado chuvas, deslizamentos de terra e inundações, sobretudo na região de Tóquio.

O Departamento de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão atualizou, às 12:00 locais, o balanço para seis mortos em Chiba, três em Kanagawa e um em Miyazaki, além de quatro desaparecidos — dois em Chiba e outros dois em Kanagawa.

As autoridades registaram ainda um ferido grave e 27 com ferimentos ligeiros. Os seis mortos em Chiba foram vítimas de deslizamentos de terras, noticiou a estação de televisão japonesa NHK.

O tufão Dujuan provocou estragos em 659 habitações sendo que 22 ficaram destruídas. O Dujuan atingiu o leste do Japão entre segunda e terça-feira atingindo um valor máximo de precipitação em 48 horas em Oshima, atingindo os 832 milímetros, segundo a Agência Meteorológica do Japão.

No auge da tempestade, as autoridades emitiram ordens de retirada para mais de 1,9 milhões de pessoas em seis províncias: Saitama, Ibaraki, Chiba, Tóquio, Shizuoka e Kanagawa.

Na segunda-feira, o Dujuan provocou ainda o cancelamento de cerca de 500 voos nos aeroportos de Haneda e Narita, em Tóquio, e obrigou à antecipação em um dia do encerramento da Tokyo Game Show, a maior feira de videojogos da Ásia, realizada em Chiba.

24 Set 2026

Irão | Avião comercial iraniano aterra em Guangzhou apesar de ameaças dos EUA

Um avião comercial de uma companhia iraniana aterrou ontem na China, apesar da ameaça norte-americana de punir quem contribua para as operações de companhias do Irão, informou o ‘site’ de rastreio aéreo Flightradar24.

Um Airbus A340 da Mahan Air, proveniente de Teerão, aterrou em Guangzhou, no sul da China, por volta das 16:40 locais, informou o Flightradar24, de acordo com a agência francesa AFP. O Governo norte-americano colocou na lista negra todo o sector aéreo iraniano.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou na segunda-feira que qualquer pessoa ou entidade que forneça combustível ou apoio à aterragem será alvo de sanções, podendo chegar à exclusão do sistema financeiro em dólares.

O plano norte-americano é vago, no entanto, incluindo o momento exacto em que entra em vigor. O Tesouro norte-americano não respondeu a pedidos de esclarecimento da AFP.

A questão da posição da China coloca-se particularmente no contexto da visita do Presidente Xi Jinping aos Estados Unidos. A China é um parceiro diplomático e económico fundamental para o Irão. Desde o início da guerra, a China não deu qualquer sinal de reconsiderar as relações com o Irão, apesar da pressão norte-americana.

Um porta-voz dos Negócios Estrangeiros chinês, questionado sobre as companhias iranianas, reiterou ontem a oposição da China a sanções “unilaterais ilegais”. A China recebe todas as semanas vários voos da companhia iraniana Mahan Air em Pequim, Xangai e Cantão.

O pessoal do escritório da Mahan Air em Xangai disse ontem à AFP que não tinha recebido qualquer aviso de cancelamento de voos e que a venda de bilhetes para a próxima semana prosseguia normalmente.

24 Set 2026

Cubo mágico | Menina chinesa de seis anos estabelece recorde mundial

Uma menina chinesa de seis anos estabeleceu um novo recorde mundial feminino ao resolver um cubo mágico (modelo 3×3) em pouco mais de quatro segundos, segundo um meio de comunicação social oficial.

Inventado na década de 1970 pelo arquitecto húngaro Ernö Rubik, o também designado “Cubo de Rubik” é um puzzle em forma de cubo composto por pequenos quadrados coloridos que são rodados para reconstituir seis faces de cor sólida, cada uma com uma cor diferente.

A jovem Lian Yunzhi bateu por duas vezes, em Setembro, o recorde mundial de média de tempo para este cubo, durante duas competições homologadas pela World Cube Association, a organização internacional que rege as competições de cubo mágico, segundo a estação pública CCTV.

Estes torneios foram realizados na China, nas cidades de Wuhan e Cantão. Na primeira ocasião, a menina registou uma média de 4,52 segundos em cinco resoluções, enquanto na segunda, alcançou uma média de 4,27 segundos.

Lian Yunzhi é “a primeira mulher a baixar a média para menos de 4,5 segundos”, informou a CCTV. O recorde mundial masculino na mesma categoria pertence a outro chinês, Yiheng Wang, com uma média de 3,51 segundos, segundo a World Cube Association.

Num vídeo divulgado pela CCTV, vê-se a jovem campeã, com um laço vermelho na cabeça, a rodar e a manipular as faces do cubo com uma destreza impressionante. Assim que resolve o puzzle, ela coloca-o em cima da mesa, aplaude e levanta o punho no ar.

O cubo mágico é uma das suas muitas atividades extracurriculares, juntamente com a dança e a música, contou a sua mãe, Lin Yangxi, ao veículo chinês Red Star News. Para Lin Yangxi, é “uma excelente actividade para desenvolver as capacidades globais da criança”. A menina já memorizou mais de 1.300 sequências de movimentos, os ‘algoritmos’ que permitem resolver o cubo, e treina duas a três horas por dia, segundo Lin Yangxi.

24 Set 2026

EUA | Embaixador chinês adverte para “linhas vermelhas”

O embaixador chinês nos Estados Unidos, Xie Feng, afirmou ontem que Taiwan, o sistema político chinês e o “direito ao desenvolvimento” do país asiático são “linhas vermelhas” que Washington não deve desafiar.

Num artigo publicado no Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), Xie defendeu que a visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos deve servir para “avançar” na relação de “estabilidade estratégica construtiva” acordada pelos dois líderes em Pequim, em Maio passado.

O embaixador afirmou que esta fórmula “não é apenas retórica”, mas um apelo para que os dois países actuem “na mesma direcção”, e defendeu que devem “ampliar a lista de cooperação” e “reduzir a lista de problemas” em vários domínios.

Em matéria de inteligência artificial (IA), Xie apelou a que se evite uma nova “cortina de silício” e rejeitou uma “guerra das estrelas” neste sector, numa referência à rivalidade tecnológica entre as duas potências.

O representante chinês defendeu que a concorrência entre Pequim e Washington deve ser “benigna” e não assumir uma dinâmica de “tudo ou nada”, e acusou os Estados Unidos de recorrerem a conceitos como “segurança nacional”, “desequilíbrios económicos” ou “trabalho forçado” para conter e pressionar a China.

Evitar tragédias

Xie afirmou que os dois países devem “superar a armadilha de Tucídides” e evitar uma “tragédia da política entre grandes potências”, uma ideia que Xi já transmitiu a Trump durante o encontro entre ambos, em maio, em Pequim.

A “armadilha de Tucídides” refere-se à teoria, popularizada pelo politólogo norte-americano Graham Allison a partir das guerras do Peloponeso, segundo a qual uma potência dominante e outra emergente tendem para o conflito quando a primeira considera a sua liderança ameaçada.

Em paralelo, um editorial assinado por “Zhong Sheng” no mesmo jornal, pseudónimo utilizado para veicular posições da liderança chinesa sobre política externa, instou Washington a manter a “continuidade” e a “estabilidade” da sua política em relação à China e a “valorizar o actual impulso positivo, alcançado com esforço, para manter o rumo correcto”.

24 Set 2026

Encontro | Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

Segundo Jörg Wuttk, ex-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington deverá servir para baixar tarifas e facilitar o comércio entre as duas potências

A aguardada reunião entre os Presidentes da China e dos Estados Unidos deverá decorrer esta semana num clima de distensão, com ambos os líderes interessados em evitar o regresso a uma guerra comercial aberta, segundo o analista Jörg Wuttke.

“Haverá uma redução de tarifas em determinados sectores, facilidades para o comércio (…) e algum tipo de acordo sobre inteligência artificial [IA], que provavelmente será ‘falaremos sobre isto mais tarde'”, antecipou o sócio da consultora DGA-Albright Stonebridge, num encontro com jornalistas organizado em Xangai pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China.

Wuttke, com quase três décadas de experiência empresarial na China e que presidiu àquela câmara em três períodos distintos, afirmou que os Estados Unidos vão procurar mais compras das chamadas “três B” – carne de bovino (‘beef’), leguminosas (‘beans’) e aviões Boeing – e mais investimento. Neste último domínio, porém, vê “muito pouco apetite” por parte de Pequim, perante uma situação de “falta de confiança”.

O analista considerou certo que as duas partes vão prolongar a trégua comercial acordada no ano passado e que termina em 10 de Novembro, restando apenas saber por quanto tempo. “A China quer que seja até ao fim [do mandato] de Trump e os Estados Unidos querem seis meses”, afirmou. Em todo o caso, nem Pequim nem Washington “têm interesse em que isto lhes expluda na cara”, acrescentou.

Wuttke considerou que a cimeira poderá traduzir-se numa espécie de troca de concessões. “Xi aprecia que Trump esteja a travar legislação negativa para a China (…) e [os chineses] sabem que Trump precisa de algo concreto, sobretudo antes das eleições intercalares”, afirmou.

Petróleo e IA

Questionado sobre se Pequim tentará pressionar Washington relativamente à guerra com o Irão, devido ao impacto nos mercados energéticos, Wuttke citou uma fonte de alto nível na região do Golfo Pérsico, que resumiu a posição chinesa da seguinte forma: “Querem estabilidade, mas não responsabilidade”. “A China não gosta da guerra, claro. (…) Mas é um dos países menos afectados”, acrescentou.

O analista apontou as reservas de petróleo chinesas, suficientes para mais de 200 dias, o facto de o consumo ter atingido um pico há dois ou três anos, devido à aposta nos veículos eléctricos e nas energias renováveis, e a segurança do abastecimento de petróleo e gás através das ligações à Rússia e Ásia Central.

Sobre a IA, um dos mais recentes focos de tensão entre as duas potências, Wuttke considerou que Pequim vai concentrar-se no acesso a semicondutores avançados, face às restrições impostas por Washington. Quanto às vendas de armas norte-americanas a Taiwan, um dos tradicionais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, Wuttke considerou que “Trump não tem intenção de romper os acordos” existentes.

Segundo Wuttke, o principal problema não será a assinatura de acordos de venda de armamento a Taipé, mas eventuais limitações no fornecimento, devido ao elevado consumo de munições na guerra com o Irão.

24 Set 2026

Nuclear | Seul defende congelamento do programa de Pyongyang

O Presidente da Coreia do Sul disse que os Estados Unidos devem trabalhar para congelar o programa nuclear do Norte, em vez de procurar a sua eliminação imediata, em troca do alívio das sanções.

“Acredito que há um interesse considerável em encontrar um meio-termo entre as sanções — que, de qualquer forma, não são particularmente eficazes — e a interrupção do desenvolvimento de novas armas nucleares e de tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais”, declarou Lee Jae-myung.

“Procurar a desnuclearização nas circunstâncias actuais garante que nada será alcançado”, afirmou o líder da Coreia do Sul, numa entrevista ao jornal norte-americano New York Times, publicada ontem. Uma posição reiterada por Lee em respostas por escrito a perguntas feitas pela agência de notícias Associated Press, antes de partir para Nova Iorque, onde irá participar na sessão anual da Assembleia Geral da ONU.

“Para mudar a direcção de um veículo em movimento, é preciso primeiro pará-lo”, disse o Presidente sul-coreano. “Uma abordagem faseada — paragem, redução e desmantelamento — é uma forma prática de resolver eficazmente a questão nuclear norte-coreana”, acrescentou.

“Dada a extensão do avanço das capacidades nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, não é uma solução realista esperar até que a desnuclearização completa possa ser alcançada de uma só vez”, disse Lee. A imprensa oficial da Coreia do Norte disse ontem que o país testou no domingo uma arma de “novo tipo”, num teste acompanhado pelo líder Kim Jong-un, sem adiantar mais pormenores.

23 Set 2026

UE e Filipinas concluem as negociações sobre tratado comercial

A União Europeia (UE) e as Filipinas alcançaram ontem um “acordo substancial” sobre um tratado de livre comércio, que deverá ser assinado oficialmente em 2027, após vários anos de negociações. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou o avanço na rede social X, após uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr.

“Acabámos de chegar a um acordo sobre o pacto de livre comércio! [O acordo] chega exactamente três anos após a minha visita a Manila para relançar as negociações”, disse Von der Leyen numa mensagem acompanhada de um comunicado em que sublinha a intenção de regressar ao arquipélago em 2027 para assinar o tratado.

“Um avanço e uma vitória para ambas as partes”, escreveu o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, nas redes sociais, após uma videoconferência com a secretária do Comércio e Indústria das Filipinas, Maria Cristina Roque.

O pacto, segundo Sefcovic, aprofunda os laços com “uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático”, apresentando uma ampla margem de crescimento além das trocas actuais, que rondam os 18 mil milhões de euros em bens e os 10 mil milhões em serviços.

Entretanto, a presidente da Câmara de Comércio Europeia das Filipinas, Diana Edralin, destacou que o pacto é um “marco significativo na longa relação económica entre as Filipinas e a União Europeia”, alcançado “após anos de empenho e trabalho”.

“A conclusão destas negociações é um testemunho do compromisso de ambas as partes com a construção de uma relação comercial mais sólida e previsível”, afirmou, em comunicado.

Bom caminho

Em Julho, as chefes da diplomacia europeia e filipina assinaram um acordo em Manila para reforçar laços políticos e económicos, no contexto das negociações do tratado de livre comércio e da incerteza global.

“A relação entre a União Europeia e as Filipinas encontra-se numa trajectória positiva. Hoje, concordámos em reforçar os nossos laços através do lançamento da Parceria Reforçada”, declarou a responsável europeia, Kaja Kallas, ao lado da homóloga Theresa Lazaro.

O reforço das relações com as Filipinas surge no âmbito dos esforços de Bruxelas para diversificar os parceiros comerciais e reduzir a dependência do bloco em relação aos Estados Unidos, na sequência da política de tarifas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde o final de 2025, Bruxelas assinou com Indonésia, Índia e Austrália acordos de livre comércio que estavam em suspenso há uma ou duas décadas, e que se somam aos que já tinha na região com Singapura, Vietname, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia, bem como ao que está a ser negociado com a Tailândia.

23 Set 2026

MNE | “China e UE não devem travar guerra comercial”, diz chefe da diplomacia chinesa

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou ao homólogo alemão, Johann Wadephul, que a China e a União Europeia (UE) “não devem travar uma guerra comercial”, informou a diplomacia chinesa.

Wang fez as declarações durante uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com Wadephul, na qual ambos abordaram as relações bilaterais, a situação internacional e as tensões comerciais entre a China e a UE.

De acordo com o comunicado chinês, Wang afirmou que a China e a Alemanha, enquanto duas grandes economias e parceiros estratégicos abrangentes, devem “reforçar a comunicação estratégica”, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação prática face ao “impacto do unilateralismo e da desglobalização”.

O chefe da diplomacia chinesa defendeu que ambos os países enviem um sinal positivo de defesa conjunta do multilateralismo e do comércio livre, bem como contribuam para reforçar a confiança da comunidade internacional nas relações entre Pequim e Bruxelas.

Wang manifestou a esperança de que “a Alemanha mantenha uma atitude racional e pragmática, desempenhe um papel positivo no seio da UE e incentive o bloco a defender o comércio livre”.

O ministro afirmou ainda que a China e a UE são “parceiros estratégicos abrangentes” e que as duas partes não devem entrar numa guerra comercial, num contexto de endurecimento do tom europeu sobre o défice comercial, o excesso de capacidade industrial chinesa e o acesso das empresas europeias ao mercado chinês.

Wadephul, segundo a versão chinesa, afirmou que a Alemanha mantém a vontade de reforçar os intercâmbios de alto nível com a China, aprofundar a cooperação no comércio e no investimento e elevar o nível dos laços bilaterais.

23 Set 2026

Corrupção | PCC expulsa duas altas patentes militares

O general de mais alta patente do Exército chinês e outro alto oficial militar foram expulsos do Partido Comunista, por suspeitas de corrupção e deslealdade, noticiou ontem a imprensa estatal.

As expulsões dos generais Zhang Youxia — vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central e segundo na hierarquia militar, atrás apenas do Presidente Xi Jinping — e Liu Zhenli — chefe do Estado-Maior Conjunto da comissão — enquadram-se numa ampla e contínua campanha de purga de oficiais militares e de combate à corrupção, segundo a agência AP.

Ambos foram acusados de serem “desleais e desonestos para com o Partido”, bem como de abusarem dos seus poderes para favorecer promoções de terceiros e de aceitarem indevidamente presentes e uma “enorme quantidade de dinheiro”, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

Os dois “violaram gravemente a disciplina e as normas políticas” e também falharam na “supervisão dos seus familiares e de membros próximos das suas equipas”, adiantou a Xinhua. Os casos, resultantes de uma longa investigação, foram encaminhados para os procuradores militares, acrescentou a agência.

Xi Jinping tem exigido que a alta cúpula militar esteja livre de corrupção e demonstre uma lealdade inabalável à liderança do Partido Comunista. “Não pode haver ninguém nas forças armadas que nutra deslealdade para com o Partido (Comunista)”, disse Xi em declarações publicadas pela Xinhua em Março.

23 Set 2026

APEC | Ministro de Taiwan participa em reunião na China “sem contratempos”

O ministro do Trabalho de Taiwan, Hung Sun-han, participou na segunda-feira numa reunião da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) na China “sem contratempos”, numa deslocação invulgar face às actuais tensões entre Taipé e Pequim.

“A participação de Hung e da sua delegação decorreu sem contratempos e o lado chinês tomou as disposições necessárias segundo as práticas e normas da APEC”, indicou o ministério do Trabalho de Taiwan, num comunicado citado pela agência CNA.

O governante chegou no domingo à noite ao aeroporto internacional de Nanjing, no leste da China, para participar, no dia seguinte, na oitava Reunião Ministerial sobre Desenvolvimento de Recursos Humanos da APEC, realizada na mesma cidade.

A deslocação constituiu a primeira visita à China de um ministro taiwanês desde a tomada de posse, em Maio de 2024, do líder da ilha, William Lai, frequentemente descrito pelas autoridades de Pequim como “independentista” e “perturbador”.

Embora as visitas de políticos taiwaneses à China sejam relativamente frequentes – a líder da oposição, Cheng Li-wun, reuniu-se em Abril passado, em Pequim, com o Presidente chinês, Xi Jinping –, são menos comuns as deslocações de figuras ligadas ao governante Partido Democrático Progressista (DPP).

23 Set 2026

IA | Lançado novo chip três vezes mais potente que modelo anterior

A corrida tecnológica não pára com a Alibaba a apresentar uma estratégia assente em modelos de IA, chips e computação em nuvem

A tecnológica chinesa Alibaba apresentou ontem um novo chip de inteligência artificial (IA), que classificou como o “mais potente” da China, numa altura em que as restrições norte-americanas aceleram o desenvolvimento de alternativas domésticas.

O anúncio foi feito pelo presidente executivo do grupo, Eddie Wu, durante a conferência anual Apsara, realizada em Hangzhou, no leste da China, onde a empresa apresentou uma estratégia assente em três pilares: modelos de IA, chips e computação em nuvem.

Wu afirmou, segundo uma transcrição divulgada pelo portal corporativo Alizila, que o novo Zhenwu V900, desenvolvido pela T-Head, a unidade de semicondutores da Alibaba, oferece um desempenho três vezes superior ao do Zhenwu M890, o modelo anterior.

Segundo o responsável, um ‘cluster’ baseado no V900 poderá suportar até 500 mil placas para tarefas de treino e inferência de modelos avançados, e a empresa prevê um forte aumento das entregas anuais de chips de IA.

A apresentação ocorre em plena corrida das tecnológicas chinesas para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, como a norte-americana Nvidia, cujos semicondutores mais avançados estão sujeitos a controlos de exportação de Washington por motivos de segurança nacional.

As restrições transformaram a capacidade computacional num dos principais obstáculos enfrentados pelas empresas chinesas de IA. O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, afirmou nos últimos meses que a maior diferença face aos Estados Unidos não reside no talento nem na tecnologia, mas nos “recursos computacionais”.

Mais capacidade

A Alibaba anunciou também que pretende que a capacidade global dos centros de dados operados pela Alibaba Cloud ultrapasse os 20 gigawatts em 2032, perante uma procura por IA que Wu classificou como “excepcionalmente forte”.

O responsável reconheceu que a procura do sector a médio e longo prazo “supera largamente” a capacidade de oferta da empresa. A tecnológica indicou ainda que a equipa responsável pela Qwen, a sua família de modelos de IA e um dos principais eixos da aposta na computação em nuvem, planeia treinar um novo sistema com entre cinco e 10 biliões de parâmetros.

A empresa apresentou em Agosto o Qwen3.8-Max, com 2,4 biliões de parâmetros, e tem apostado também em modelos de código aberto destinados a programadores e empresas.

A Alibaba lançou no mesmo mês uma emissão de acções superior a 10 mil milhões de dólares para financiar infraestruturas de IA, no âmbito de um plano para investir 380 mil milhões de yuan em IA e computação em nuvem ao longo de três anos.

23 Set 2026

Rússia/Eleições | Putin renova maioria parlamentar

O partido que apoia o regime do Presidente Vladimir Putin, Rússia Unida (RU), revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram ontem as autoridades eleitorais russas.

O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP. Numa primeira reacção, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que os resultados “demonstram um nível excepcional de coesão da sociedade russa em torno” de Putin.

Os resultados de mais de 95 por cento das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58 por cento dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central.

Outros 225 deputados foram escolhidos em círculos uninominais, e os resultados mostraram os candidatos do partido afecto ao Kremlin (presidência) a liderar em 208 dessas disputas, noticiou a agência norte-americana AP.

A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, disse que os resultados preliminares indicavam que o RU deverá obter pelo menos 355 lugares dos 450 que compõem a Duma Federal, a câmara baixa da Assembleia Federal.

Pamfilova congratulou-se com um recorde de afluência às urnas, que ultrapassou oficialmente os 59 por cento. “Trata-se, precisamente, da taxa de participação mais elevada de sempre registada em eleições deste nível”, afirmou. Os resultados definitivos estão previstos para sexta-feira.

Votos em tempo de guerra

A votação decorreu entre sexta-feira e domingo, naquelas que foram as primeiras legislativas russas desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022.

Foi a primeira votação a incluir residentes de quatro regiões da Ucrânia que foram ocupadas e ilegalmente anexadas por Moscovo no final de 2022. A votação também se realizou na Crimeia, ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.

A Ucrânia denunciou como ilegal a votação nas cinco regiões, cuja soberania reclama a Moscovo com o apoio dos aliados ocidentais de Kiev. Já a China felicitou ontem a Rússia pelas “bem-sucedidas eleições” e considerou que “os resultados reflectem a vontade popular”.

“A China apoia firmemente a escolha independente [dos eleitores] e está preparada para trabalhar com a Rússia para avançar nas relações bilaterais”, disse o porta-voz da diplomacia de Pequim Guo Jiakun, citado pela agência espanhola EP.

O partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em Agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia. O Yabloko apresentou apenas algumas dezenas de candidatos em círculos uninominais. Alguns políticos antiguerra foram presos ou forçados a fugir para o estrangeiro antes da campanha eleitoral.

O Yabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspetos da política governamental mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, disseram que muitos dos seus observadores foram impedidos de entrar nas assembleias de voto.

A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a acusar o organismo de “duplos critérios” pelas críticas a Moscovo.

22 Set 2026

Japão | Tufão Dujuan aproxima-se com chuvas fortes

O forte tufão Dujuan avançava ontem em direcção à costa do leste do Japão, com rajadas de até 198 quilómetros por hora e chuvas intensas na região de Tóquio, provocando restrições de trânsito.

O Dujuan, o 25.º tufão da temporada segundo a classificação japonesa, estava às 09:00 a cerca de 120 quilómetros a oeste-sudoeste da ilha de Hachijo e avançava para nordeste a 25 quilómetros por hora, com ventos sustentados de até 144 quilómetros por hora, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês).

O Gabinete Nacional de Estradas de Chiba começou, durante a madrugada, a restringir de forma preventiva o trânsito numa passagem subterrânea da cidade, após a emissão de um aviso de perigo devido às fortes chuvas.

O temporal obrigou também a Tokyo Game Show, a maior feira de videojogos da Ásia, a encerrar um dia mais cedo do que o previsto. A 30.ª edição do evento — a maior da sua história — terminou no domingo, em vez de ontem.

A JMA prevê, até às 06:00 de hoje, um volume de chuva até 350 milímetros em Tokai, 300 milímetros em Kanto (região que inclui Tóquio) e nas ilhas Izu, e 200 milímetros em Tohoku. A agência prevê ventos muito fortes na zona oeste dos 23 distritos de Tóquio e alertou ainda para o risco de deslizamentos de terras, inundações e transbordo de rios.

22 Set 2026

Austrália | Peças de caças F-35 em Hong Kong

A Austrália defendeu ontem os seus protocolos de segurança após notícias de que peças sobressalentes do avião de combate norte-americano F-35, fabricadas perto de Sydney e destinadas aos Estados Unidos, foram parar a Hong Kong.

“O Governo australiano leva muito a sério a proteção de tecnologias classificadas e sujeitas a controlos de exportação”, declarou um porta-voz das forças de defesa australianas em comunicado.

O meio de comunicação Politico relatou que uma carga de peças sobressalentes do F-35 foi desviada para Hong Kong após sair da Austrália, levantando receios de que a China possa ter tido acesso ao sistema de armas.

A carga incluía uma cúpula com um revestimento especial para cobrir a cabina de pilotagem cuja tecnologia permite reduzir a assinatura de radar, de acordo com a agência francesa AFP. O Politico referiu que se desconhece o motivo pelo qual o material foi desviado para a região chinesa e quem o detém actualmente.

O fabricante Lockheed Martin disse ao órgão de comunicação social que não podia prestar declarações sobre as exportações por razões de segurança. A Austrália possui 72 aviões F-35 e faz parte dos sete países, fora dos Estados Unidos, que partilham um inventário global de peças sobressalentes.

A lista integra ainda o Canadá, a Dinamarca, a Itália, os Países Baixos, a Noruega e o Reino Unido. Doze outros países compraram o caça F-35, entre os quais o Japão, Singapura e a Coreia do Sul.

22 Set 2026

Visita | Confirmada ida de Xi aos EUA entre 23 e 25 de Setembro

A visita de Estado do Presidente chinês aos Estados Unidos está confirmada. O encontro entre Xi e Trump deverá colocar em cima da mesa temas como a Inteligência Artificial, relações comerciais ou a guerra no Irão

A China confirmou ontem que o Presidente, Xi Jinping, vai realizar uma visita de Estado aos Estados Unidos entre amanhã e sexta-feira, a convite do homólogo norte-americano, Donald Trump, deslocação já anunciada por Washington.

A confirmação foi divulgada numa breve nota pela agência noticiosa oficial Xinhua, que não forneceu, para já, mais pormenores sobre a agenda do chefe de Estado chinês.

A visita decorrerá poucos dias depois das negociações realizadas em Nova Iorque entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e deverá ter na agenda questões como a guerra no Irão, a inteligência artificial (IA), disputas comerciais ou Taiwan.

Segundo a agenda anunciada por Washington, Xi chegará na quarta-feira aos Estados Unidos e será recebido no dia seguinte, juntamente com a mulher, Peng Liyuan, por Trump e pela primeira-dama, Melania Trump, na Casa Branca.

Estão previstas uma cerimónia de boas-vindas, uma reunião entre os dois chefes de Estado e um jantar de Estado.

IA e outras histórias

Será o segundo encontro entre Xi e Trump este ano, depois da visita que o Presidente norte-americano realizou a Pequim em Maio, durante a qual os dois governos acordaram, entre outras questões, criar um canal intergovernamental de diálogo sobre inteligência artificial.

No plano comercial, os dois países mantêm desde Outubro de 2025 uma trégua na guerra comercial, que expira em 10 de Novembro. No âmbito daquele acordo, Washington e Pequim suspenderam parte das tarifas e restrições adoptadas durante meses de escalada, incluindo alguns controlos chineses sobre as exportações de terras raras.

As conversações de domingo entre He e Bessent abordaram precisamente a aplicação dos acordos alcançados em anteriores rondas, o comércio e o investimento bilateral, e incluíram também um diálogo sobre inteligência artificial, que as duas partes prevêem prosseguir.

22 Set 2026

Hong Kong | Arranca julgamento de ex-marido e sogros de modelo assassinada Abby Choi

Arrancou ontem o julgamento do ex-marido e sogros de Abby Choi, mais de três anos após serem descobertas partes do corpo da modelo e socialite, num caso que chocou Hong Kong, onde os crimes violentos são raros.

O ex-marido de Choi, Alex Kwong, o pai deste, Kwong Kau, e o irmão, Anthony Kwong, foram acusados de assassinar Choi em Fevereiro de 2023. Se forem condenados por homicídio, enfrentam prisão perpétua. Além disso, foram também acusados de impedir o enterro legal de um corpo.

Choi, de 28 anos, partilhava uma vida glamorosa de sessões fotográficas e desfiles de moda no Instagram. Dias antes de morrer, publicou uma entrada nas redes sociais sobre a participação num desfile da Dior na Semana da Moda de Paris.

O homicídio da modelo chocou a população no centro financeiro asiático – cidade vizinha de Macau -, que apresenta um nível muito baixo de crimes violentos. Dezenas de pessoas aguardavam ontem no exterior do tribunal pelo início da audiência, tendo sido organizada uma transmissão em directo para que se pudesse assistir do exterior.

Os três arguidos usavam máscaras e, de acordo com a agência de notícias Associated Press, pareciam calmos no tribunal. Kwong Kau vestia uma t-shirt branca, enquanto os filhos estavam de fato.

Em 2023, a polícia afirmou ter encontrado algumas partes do corpo no interior de uma habitação numa aldeia em Tai Po, uma área suburbana de Hong Kong. Posteriormente, os agentes revistaram um aterro sanitário à procura de provas.

Choi teve dois filhos com Alex Kwong e casou-se novamente após o divórcio, tendo outros dois filhos mais novos com o segundo marido. Espera-se que a acusação apresente as alegações numa data posterior. Prevê-se que o julgamento com júri tenha a duração de 45 dias.

22 Set 2026

PCC | Quinto plenário a 26 de Outubro centrado na disciplina

O Partido Comunista Chinês (PCC) vai realizar entre 26 e 29 de Outubro, em Pequim, a quinta sessão plenária do seu XX Comité Central, uma reunião que terá como temas centrais a disciplina interna. O Politburo decidiu ontem as datas durante uma reunião presidida pelo secretário-geral do PCC e Presidente chinês, Xi Jinping, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

A cúpula do partido ouviu um relatório sobre as consultas realizadas em torno de uma proposta sobre o reforço da disciplina interna da organização política e concordou em alterar o documento antes de o submeter ao plenário.

O comunicado oficial indicou que o documento deve reforçar a capacidade do PCC para governar a longo prazo, preservar a sua “pureza” e manter o seu “vínculo com o povo”, além de aprofundar mecanismos de “autodepuração” e “autoaperfeiçoamento”.

A reunião concretiza assim o calendário anunciado em Julho, quando o Politburo adiantou que a quinta sessão plenária seria realizada em Outubro.

O encontro ocorre num período de intensificação da campanha anticorrupção promovida por Xi desde que chegou ao poder, em 2012, e que atingiu quadros locais, responsáveis provinciais, ministros, dirigentes de empresas estatais e altos responsáveis militares.

Segundo uma análise publicada recentemente pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, os organismos disciplinares chineses puniram, em 2025, 983.000 pessoas, com medidas que variaram entre advertências e investigações e processos penais, enquanto o número de altos responsáveis afastados triplicou face a 2013.

O plenário decorrerá cerca de um ano antes do XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027, quando deverão ser renovados os principais órgãos dirigentes da formação.

22 Set 2026

Casa Branca | Líderes da OpenAI e Nvidia presentes em jantar com Xi Jinping

Os responsáveis da tecnológicas OpenAI e da Nvidia vão participar na quinta-feira de um jantar oferecido em honra de Xi Jinping na Casa Branca, indicou um responsável norte-americano. “Será um evento muito concorrido, com lugares extremamente disputados”, declarou um responsável não identificado durante uma conversa com jornalistas, reportou a agência France-Presse.

Segundo a mesma fonte, numa altura em que a inteligência artificial (IA) estará no centro da visita do Presidente chinês a Washington, além de Sam Altman e Jensen Huang, outros grandes nomes do sector tecnológico, como Jeff Bezos e Elon Musk, também estarão presentes.

A IA deverá ocupar um lugar de destaque nas conversações entre Donald Trump e Xi Jinping, uma vez que os Estados Unidos e a China são as duas principais potências na corrida ao desenvolvimento desta tecnologia. Embora a China ainda não tenha confirmado oficialmente a visita do líder chinês aos Estados Unidos, esta está prevista para 24 de Setembro, segundo as autoridades norte-americanas.

Apesar dos crescentes apelos à moderação perante o risco de perda de controlo, o governo norte-americano considera que os principais intervenientes do sector, como a OpenAI, a Anthropic, a Google e a Meta, não se podem dar ao luxo de abrandar, receando que a China ganhe vantagem.

Durante muito tempo considerada atrasada no domínio da IA avançada, Pequim está a recuperar rapidamente o atraso em relação aos Estados Unidos. Apesar da rivalidade com Pequim, mantém-se a esperança de que as duas superpotências possam chegar a um acordo durante o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.

21 Set 2026