Acções da Shein caem até 14% em Hong Kong após queda de 66,6% do lucro

A plataforma de ‘moda rápida’ Shein caiu ontem até 14 por cento na bolsa de Hong Kong, após divulgar os primeiros resultados desde a entrada em bolsa, que revelaram uma queda de 66,6 por cento do lucro ajustado no segundo trimestre.

No relatório enviado na segunda-feira à bolsa de valores de Hong Kong, a empresa indicou que, entre Abril e Junho, o lucro líquido aumentou 247 por cento, para cerca de 2.398 milhões de dólares, mas o lucro ajustado caiu 66,6 por cento, para cerca de 228 milhões de dólares. A diferença deveu-se sobretudo a ganhos relacionados com o valor de mercado de ações convertíveis, sem que a empresa tenha fornecido mais detalhes.

No segundo trimestre, a Shein facturou 11.082 milhões de dólares, mais 0,9 por cento em termos homólogos, enquanto o resultado operacional caiu 66,3 por cento, para 235 milhões de dólares.

O fundador e presidente da empresa, Chris Xu, atribuiu o desempenho a “uma forte subida dos preços do petróleo e dos custos logísticos perante as tensões geopolíticas no Médio Oriente”. “Tomámos a decisão deliberada de absorver estes custos, que consideramos transitórios, em vez de os transferir para os consumidores, para manter os preços estáveis e a dinâmica das encomendas”, acrescentou.

A distribuição geográfica das receitas mostra também o impacto das tarifas e taxas aplicadas nos dois principais mercados da Shein, os Estados Unidos e a Europa. Nos Estados Unidos, as receitas caíram 6 por cento em termos homólogos e, na Europa, recuaram 13,9 por cento.

À espera do Pai Natal

O peso dos restantes mercados mundiais na facturação total aumentou de 36,1 por cento, em meados de 2025, para 43,7 por cento, após as receitas nestes destinos terem crescido 21,6 por cento. A plataforma atribuiu esta evolução ao “crescimento do volume de encomendas e à expansão da base de clientes, especialmente na América Latina”.

No conjunto do primeiro semestre, a Shein mais do que duplicou (+111,7 por cento) o lucro líquido atribuível, para 2.299 milhões de dólares (2.023 milhões de euros), após aumentar a facturação em 0,97 por cento. As despesas operacionais cresceram 3,95 por cento.

Para a segunda metade do actual exercício, Xu antecipou que a conjuntura mundial continuará “incerta”, devido aos “ventos contrários das tarifas e à volatilidade dos custos logísticos”.

O responsável destacou, no entanto, que o último trimestre do ano, marcado pela campanha de Natal e por períodos de promoções como a ‘Black Friday’, constitui a “principal janela de promoções” da empresa, pelo que espera uma recuperação das encomendas.

30 Set 2026

Guizhou | Sete mortos após automóvel embater em camião

Sete pessoas morreram ontem na província chinesa de Guizhou, no sul do país, depois de o automóvel em que seguiam ter embatido na traseira de um camião, anunciaram as autoridades locais. O acidente ocorreu às 01h42 locais, numa avenida do distrito de Longli, informou a polícia local, em comunicado.

As primeiras investigações indicam que o condutor, um jovem de 19 anos identificado apenas pelo apelido Wang, conduzia um automóvel homologado para cinco ocupantes, mas no qual seguiam sete pessoas, quando embateu num veículo pesado estacionado no lado direito da via. Os sete ocupantes do automóvel morreram na sequência do acidente, segundo as autoridades.

As análises realizadas ao condutor, que se encontrava entre as vítimas mortais, detectaram uma concentração de álcool no sangue de 66 miligramas por 100 mililitros. A polícia indicou que continua a investigar as circunstâncias do acidente e pediu aos condutores que respeitem as regras de trânsito e evitem o excesso de velocidade, a sobrelotação dos veículos e a condução sob o efeito do álcool ou em situação de fadiga.

O acidente ocorreu quase um ano depois de outro condutor sob o efeito do álcool ter causado oito mortos e quatro feridos, após atropelar vários ciclistas na província oriental chinesa de Shandong. Nesse caso, o homem apresentava uma concentração de álcool no sangue de 195,3 miligramas por 100 mililitros.

30 Set 2026

Economia | JPMorgan reforça aposta e prevê duplicar clientes empresariais

O banco de investimento JPMorgan pretende reforçar as contratações e o investimento na China continental e em Hong Kong, antecipando que o número de empresas chinesas clientes volte a duplicar na próxima década, afirmou o presidente executivo, Jamie Dimon.

“Prestamos serviços bancários a 300 ou 400 empresas – empresas chinesas na China – e esse número provavelmente duplicou nos últimos 10 anos”, afirmou Dimon, citado pelo jornal South China Morning Post (SCMP), durante uma visita a Hong Kong. “Provavelmente vai duplicar novamente nos próximos 10 anos”, acrescentou.

O JPMorgan Chase, o maior banco mundial em capitalização bolsista, pretende reforçar as contratações e o investimento em tecnologia na região, procurando beneficiar da recuperação dos mercados de capitais de Hong Kong e do papel da cidade como porta de entrada para o mercado chinês.

Nos primeiros oito meses de 2026, a captação de capital através de ofertas públicas iniciais (IPO) na Bolsa de Valores de Hong Kong aumentou 153 por cento em termos homólogos, para 342.400 milhões de dólares de Hong Kong.

30 Set 2026

Índia | Novo balanço aponta para 81 mortos devido a chuvas torrenciais

Três dias de chuvas torrenciais e inundações causaram pelo menos 81 mortos no estado de Uttar Pradesh, no nordeste da Índia, o mais populoso do país, de acordo com um novo balanço divulgado ontem

 

O anterior balanço da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres indiana apontava para pelo menos 62 vítimas mortais. O governo de Uttar Pradesh informou que 62 pessoas ficaram feridas e mais de mil casas foram danificadas. As escolas foram encerradas ontem em partes do estado, incluindo a capital, Lucknow, enquanto as equipas de resgate transferiam os residentes de áreas inundadas para locais mais seguros.

A população foi aconselhada a evitar deslocações desnecessárias por zonas inundadas e a manter distância de rios, ribeiros e canais de drenagem com corrente forte. A previsão era de que as chuvas diminuíssem a partir de ontem, com o enfraquecimento de um sistema meteorológico sobre a Baía de Bengala, afirmou Atul Kumar Singh, cientista sénior do Centro Meteorológico Regional de Lucknow. As chuvas fracas poderão persistir nas regiões leste e oeste do estado até hoje, acrescentou.

Uttar Pradesh, que tem mais de 240 milhões de habitantes, é frequentemente atingido por chuvas e tempestades durante a estação das monções, de Junho a Setembro.

As fortes chuvas causaram ainda danos significativos às plantações, deixando os agricultores preocupados com atrasos no plantio para a próxima colheita. As inundações também afectaram o estado de Odisha, no leste do país, onde mais de 75 mil pessoas foram retiradas para zonas seguras, segundo as autoridades.

Massacre continua

No vizinho Nepal, 21 pessoas morreram em incidentes relacionados com o clima entre quinta-feira e domingo, informou ontem a agência de gestão de catástrofes do país. Cinco pessoas continuavam desaparecidas e outras cinco ficaram feridas, enquanto as inundações e os deslizamentos de terras danificaram 194 casas. O anterior balanço apontava para 12 vítimas mortais no Nepal.

O Nepal está a recuperar de inundações devastadoras ocorridas em Agosto, que mataram mais de 1.400 pessoas e deixaram quase seis mil desaparecidos. Também pelo menos dez alpinistas e guias, todos nepaleses, foram dados como desaparecidos no acampamento-base do Himlung — um pico próximo do Tibete — atingido por uma avalanche no domingo.

Nos últimos anos, cientistas têm alertado para o aumento de fenómenos meteorológicos extremos no Sul da Ásia, associando-os à subida das temperaturas e às mudanças climáticas.

29 Set 2026

Tailândia | Inundações causam pelo menos oito mortos

Oito pessoas morreram na Tailândia desde 16 de Setembro devido a inundações provocadas por chuvas torrenciais, informou ontem o Governo.

Em Banguecoque, onde foi declarado o estado de desastre, não foi registada oficialmente qualquer morte. Segundo a agência France-Presse, chuvas fortes e inundações foram registadas em, pelo menos, um bairro da zona oriental da capital, onde os moradores tinham de caminhar por águas que chegavam quase à altura dos joelhos.

As oito pessoas morreram em províncias do leste do país (cinco em Sa Kaeo, duas em Chanthaburi e uma em Saraburi), segundo as autoridades, que não adiantaram mais pormenores.

Fora de Banguecoque, mais de 500 mil casas e 1,7 milhões de pessoas em 27 províncias do país do Sudeste Asiático foram afectadas pelas cheias, indicou a mesma fonte. Cerca de 52 mil casas adicionais foram afectadas na capital, que declarou o estado de desastre geral no sábado, após quase 48 horas de chuvas fortes que fizeram transbordar os canais e inundaram as vias.

As escolas foram encerradas e a população foi aconselhada a trabalhar remotamente. “Algumas zonas de Banguecoque ainda enfrentam níveis elevados de água”, declarou o porta-voz do Governo, Ekkapob Pianpises, durante uma conferência de imprensa. Os sistemas de drenagem permitiram reduzir o nível da água o suficiente para que mais pessoas se pudessem deslocar, acrescentou.

A Tailândia está habituada a tempo chuvoso e Setembro marca o pico da estação das chuvas, mas muitos residentes afirmaram que este ano parece pior do que os anteriores.

29 Set 2026

EUA | Confirmada prorrogação de trégua comercial até Janeiro de 2027

A China confirmou ter chegado a acordo com os Estados Unidos para prorrogar até 10 de Janeiro de 2027 a trégua comercial que expirava em 10 de Novembro, depois de Washington ter anunciado a prorrogação

 

A prorrogação surge após a recente visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos da América (EUA). O ministério do Comércio chinês detalhou pela primeira vez a prorrogação do chamado “acordo conjunto” alcançado em Kuala Lumpur em Outubro de 2025, poucos dias antes do encontro entre Xi e o homólogo norte-americano, Donald Trump, na cidade sul-coreana de Busan. Esse acordo suspendeu, até Novembro deste ano, determinadas medidas pautais e não pautais adoptadas durante a escalada comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Pequim evitou, até agora, confirmar explicitamente a prorrogação anunciada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Após a cimeira entre os dois presidentes, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês limitou-se a referir que as equipas económicas alcançaram um novo “acordo conjunto”.

O ministério do Comércio indicou que ambas as partes continuarão a negociar durante a prorrogação, visando alcançar uma “solução acordada”. “Este acordo proporciona margem para que ambas as partes revejam e avaliem a implementação do acordado e ponderem como impulsionar as relações económicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos”, indicou o ministério.

O ministério detalhou ainda outros resultados da oitava ronda de consultas económicas e comerciais, realizada entre 20 e 23 de Setembro em Nova Iorque e Washington, antes da cimeira entre Xi e Trump. Entre estes destaca-se um quadro de redução recíproca de taxas alfandegárias sobre produtos avaliados em cerca de 30 mil milhões de dólares por cada parte, pelo qual aproximadamente 90 por cento dos bens incluídos verão as suas tarifas reduzidas para os níveis de “nação mais favorecida”, uma vez concluídos os procedimentos legais internos.

Diálogo inteligente

Ambos os países concordaram igualmente em criar um Conselho de Comércio bilateral, cuja primeira tarefa será abordar esse pacote tarifário, e um Conselho de Investimento para tratar de oportunidades e obstáculos empresariais.

O Conselho de Comércio contará ainda com um grupo de trabalho agrícola, enquanto o carvão norte-americano será incluído no regime de redução de direitos aduaneiros, o que Pequim considera que facilitará as suas importações dessa mercadoria durante 2027 e 2028.

No domínio da inteligência artificial, a China confirmou ainda que o vice-primeiro-ministro He Lifeng e Bessent vão liderar um diálogo específico, cuja primeira sessão já teve lugar, e que as partes vão estabelecer um canal de comunicação sobre “incidentes” relacionados com esta tecnologia antes de se reunirem novamente antes do final de Novembro.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que o país tem participado na governação mundial desta tecnologia com uma atitude “construtiva e responsável”. “Sempre defendemos que deve ser construído um sistema mundial de governação da IA justo e razoável”, afirmou Guo, acrescentando que a China está disposta a manter a comunicação e os intercâmbios com os Estados Unidos através dos canais de diálogo.

29 Set 2026

ONU | China garante apoio a Cuba após pedir fim do bloqueio

A China garantiu que apoiará Cuba “independentemente das mudanças que ocorram no panorama internacional”, após o vice-presidente chinês, Han Zheng, ter pedido o levantamento do bloqueio à ilha durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que, nos 66 anos decorridos desde o estabelecimento de relações diplomáticas, a amizade entre os dois países “tem sido transmitida de geração em geração”.

“Independentemente das mudanças que ocorram no panorama internacional, a China continuará, como sempre, a apoiar firmemente Cuba na exploração de um caminho de desenvolvimento socialista adequado às suas condições nacionais”, afirmou Guo. O porta-voz acrescentou que Pequim apoia a ilha na defesa da soberania nacional e se opõe à ingerência externa.

Durante o discurso nas Nações Unidas, Han defendeu uma visão de segurança comum, afastada do “confronto entre blocos” e da “mentalidade de Guerra Fria”, e advogou a resolução de conflitos através do diálogo e da cooperação. Além de apelar ao respeito pela soberania e segurança dos países do Médio Oriente, o representante chinês pediu também o levantamento do bloqueio.

A ilha das Caraíbas atravessa uma profunda crise energética desde meados de 2024, situação agravada pelo actual bloqueio petrolífero imposto por Washington e pela falta de investimento na renovação do sistema eletroenergético nacional.

Pequim tem condenado repetidamente aquilo que classifica como “diplomacia coerciva” dos Estados Unidos contra Cuba e reiterado o apoio à ilha na defesa da soberania, além de se opor às sanções unilaterais e a qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos.

29 Set 2026

China | Lucros das maiores empresas crescem 15,7% até Agosto

Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,7 por cento entre Janeiro e Agosto, um ritmo 1,9 pontos percentuais inferior ao registo homólogo anterior do indicador, afectado sobretudo pela forte desaceleração registada no mês passado. De acordo com dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatística (GNE), os lucros das empresas em causa situaram-se em cerca de 5,27 biliões de yuans ao longo dos primeiros oito meses de 2026.

O resultado constituiu uma surpresa para os especialistas: o portal especializado Trading Economics não só não previa uma desaceleração, como esperava que o indicador continuasse a recuperar, acumulando um aumento de 18 por cento entre Janeiro e Agosto. Para a elaboração desta estatística, o GNE tem em conta apenas as empresas industriais com um volume de negócios anual superior a 20 milhões de yuans.

No mês de Agosto, as empresas registaram um aumento de 4,2 por cento em termos homólogos, uma taxa de crescimento bastante inferior aos 11,2 por cento que tinham registado em Julho. O chefe de estatística do GNE, Yu Weining, atribuiu a desaceleração ao efeito da “base comparativa elevada” de Agosto de 2025 e preferiu centrar-se no bom desempenho de sectores específicos, como o da electrónica, que duplicou os lucros e contribuiu com quase dois terços do crescimento total do indicador.

Como tem sido habitual, esse desempenho esteve ligado a tecnologias como a inteligência artificial (IA), centros de dados ou veículos eléctricos, sectores que, no seu conjunto, fizeram disparar a procura de chips.

29 Set 2026

Hong Kong | China retém peças sensíveis de caça F-35

A China mantém na sua posse componentes potencialmente sensíveis de um caça furtivo F-35, desviados para Hong Kong quando eram transportados da Austrália para os Estados Unidos, noticiou ontem a agência Bloomberg.

A UPS transportou, no final de Maio, uma cobertura da cabina e uma porta do compartimento de armamento de um F-35 das forças armadas australianas para os Estados Unidos, onde seriam inspeccionadas e eventualmente reparadas ou eliminadas, noticiou ontem a agência financeira.

As peças, fornecidas pela Lockheed Martin, estavam revestidas com material absorvente de radar, utilizado para reforçar as capacidades furtivas do aparelho, segundo fontes conhecedoras do incidente, citadas pela Bloomberg. O envio fez escala na Coreia do Sul e foi posteriormente encaminhado, “sem explicação”, para Hong Kong, desconhecendo-se até agora se o desvio foi acidental ou deliberado.

As autoridades chinesas tomaram posteriormente posse das peças e ainda não as devolveram, segundo a Bloomberg, que acrescentou que pelo menos duas comissões do Congresso norte-americano estão a investigar como os componentes a acabarem em mãos chinesas.

O Pentágono afirmou estar a trabalhar com outros departamentos do Governo norte-americano para recuperar os componentes, investigar o incidente e adoptar medidas destinadas a impedir a repetição de um caso semelhante. Fabricado pela Lockheed Martin, o F-35 é um dos mais avançados caças dos Estados Unidos.

25 Set 2026

UE | Câmara de Comércio saúda trégua entre EUA e China

A Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China elogiou ontem a prorrogação da trégua comercial entre Washington e Pequim, mas alertou para “incertezas” para as empresas europeias devido aos controlos chineses às terras raras.

O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira que os Estados Unidos e a China acordaram prolongar por mais dois meses a trégua alcançada a 30 de Outubro de 2025 em Busan, na Coreia do Sul, após conversações com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, na preparação da cimeira entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

O pacto, que devia expirar a 10 de Novembro, inclui compromissos para suspender a imposição de tarifas adicionais e controlos à exportação de terras raras e produtos de alta tecnologia, recordou a Câmara europeia num comunicado.

A organização empresarial afirmou que a extensão é positiva porque a aplicação dos controlos previstos sobre terras raras teria um “impacto paralisante” na indústria, mas sublinhou que continua a existir uma “incerteza significativa” sobre a evolução da situação para além do novo prazo de 10 de Janeiro.

A Câmara apelou aos dois países para que utilizem a prorrogação para avançar para uma “solução permanente” que atenda às preocupações de ambas as partes e garanta a previsibilidade e fiabilidade das cadeias de abastecimento globais.

No entanto, alertou que a extensão não resolve os problemas de fundo enfrentados pelas empresas ao solicitar licenças de exportação, tanto individuais como gerais.

Trunfos raros

Em 2025, em plena escalada comercial com Washington que culminou mais tarde na trégua de Busan, a China tinha anunciado controlos à exportação de terras raras, restrições sujeitas a licença que afetavam não apenas os Estados Unidos, mas todos os países.

Estes materiais são insumos fundamentais para indústrias como a automóvel, a electrónica, as energias renováveis, a defesa ou os semicondutores, pelo que os controlos podiam afetar amplamente as cadeias globais de abastecimento.

A Câmara alertou que, apesar da prorrogação anunciada por Bessent, continuam por resolver os problemas enfrentados pelas empresas ao solicitar licenças, entre os quais a falta de coordenação entre o Ministério do Comércio chinês e a Administração Geral das Alfândegas, a “ausência de critérios padronizados” sobre a informação que as empresas devem fornecer e sobre os motivos pelos quais alguns pedidos são recusados.

25 Set 2026

Coreia do Norte anuncia que testou novo sistema de lança-foguetes

As autoridades da Coreia do Norte anunciaram que realizaram um teste a um novo sistema de lança-foguetes atualizado, avançou ontem a imprensa estatal norte-coreana.

O teste de foguetes guiados de lançamento múltiplo de 240 milímetros actualizados foi realizado na terça-feira, “no âmbito do plano de modernização das forças de artilharia e mísseis”, indicou a KCNA. Segundo a agência de notícias, os foguetes são capazes de atingir alvos situados a 100 quilómetros de distância através de um modo de voo balístico e alvos a 115 quilómetros através de um modo combinado.

“O teste realizado demonstrou a precisão de impacto e a superioridade dos foguetes de alcance alargado”, apontou a KCNA, acrescentando que o desenvolvimento “garante uma alteração significativa na capacidade de poder de fogo na fronteira sul”.

A agência sublinhou a “necessidade de concentrar as forças de ataque mais letais e destrutivas” na fronteira com a vizinha Coreia do Sul. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz.

Dúvidas e aplausos

Na terça-feira, a KCNA disse que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, tinha acompanhado no domingo o teste de uma arma de “novo tipo”, sem adiantar mais pormenores.

No domingo, a Coreia do Sul e o Japão tinham dado conta do lançamento, pelo Norte, de dois mísseis balísticos de curto alcance, com um intervalo de poucas horas, em direcção ao mar do Japão. Seul denunciou um “acto grave” e Tóquio enviou um “protesto veemente” a Pyongyang.

Segundo a KCNA, a autoridade responsável pelo programa de mísseis “testou com sucesso um novo tipo de arma” no domingo, na presença de Kim Jong-un. Pyongyang não forneceu informações mais precisas sobre as características do armamento.

Kim saudou o disparo, descrevendo-o como “sem dúvida uma demonstração impressionante de uma tecnologia de defesa ultramoderna e representou um progresso claro na modernização das suas forças armadas”, segundo a KCNA.

Nas fotos divulgadas pela agência, o líder norte-coreano surge acompanhado pela filha adolescente, Kim Ju-ae, considerada pela inteligência sul-coreana uma potencial sucessora na liderança do regime. Uma das imagens mostra ambos a observar um ecrã com a inscrição do míssil “Hwasong-11”, o que sugeriria que este tipo de míssil balístico hipersónico poderia ter sido testado.

O ecrã indicava também um alcance de 908,2 quilómetros. No entanto, especialistas citados pela agência de notícias sul-coreana Yonhap levantaram a possibilidade de Pyongyang ter alterado o número para apresentar o teste como bem-sucedido.

O gabinete presidencial sul-coreano instou a Coreia do Norte a suspender imediatamente os lançamentos de mísseis balísticos, proibidos por resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e acrescentou que Seul realizou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para discutir a situação.

25 Set 2026

Defesa | Taiwan apontado “assunto mais importante” nas relações com Estados Unidos

A China apontou hoje Taiwan como “o assunto mais importante” nas relações com os Estados Unidos e pediu a Washington “máxima prudência”, antes da reunião entre os Presidentes Xi Jinping e Donald Trump.

O porta-voz do ministério da Defesa chinês, Jiang Bin, afirmou, em conferência de imprensa, que manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan constitui o “principal denominador comum” entre Pequim e Washington. Jiang respondia a uma pergunta sobre a visita de Estado de Xi aos Estados Unidos.

O porta-voz afirmou que a diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel de “orientação estratégica insubstituível” nas relações entre os dois países e as respetivas forças armadas e assegurou que a China está disposta a reforçar a comunicação e o diálogo com os Estados Unidos.

Pequim pretende ainda desenvolver uma cooperação “pragmática”, gerir as divergências e manter relações militares “estáveis e saudáveis”, acrescentou. A questão de Taiwan deverá estar presente na cimeira, depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado na quarta-feira que qualquer venda de armas à ilha deve ser equilibrada com as necessidades de defesa dos Estados Unidos.

Washington ainda não deu luz verde a um pacote de armamento para Taipé avaliado em 14 mil milhões de dólares, que, caso se concretize, será o maior de sempre destinado à ilha.

25 Set 2026

Visita | Xi Jinping diz que China e EUA devem ser “parceiros, e não rivais”

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem que China e Estados Unidos devem ser “parceiros, e não rivais” e apelou à cooperação entre as duas potências, na véspera das aguardadas conversações com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

“Os nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais”, afirmou Xi, numa mensagem divulgada pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, acrescentando que “os povos chinês e norte-americano mantêm há muito intercâmbios amistosos e os nossos interesses estão estreitamente ligados”.

As declarações surgem na véspera das aguardadas conversações entre os líderes da China e dos Estados Unidos, que trocaram um aperto de mão à chegada de Xi Jinping a Washington. As discussões deverão abordar o comércio, a concorrência tecnológica – em particular no domínio da inteligência artificial – e o apoio de Pequim ao Irão.

O Presidente chinês afirmou também estar “ansioso por manter conversações aprofundadas com o Presidente Trump sobre as principais questões relativas às nossas relações bilaterais e à situação mundial”, segundo a Xinhua.

Os dois países devem “trabalhar em conjunto para promover uma relação estável, tendo a cooperação como principal pilar, a concorrência dentro de limites razoáveis, divergências controláveis e perspectivas pacíficas”, afirmou Xi.

Numa referência ao lema de Donald Trump, o líder chinês acrescentou que “o grande rejuvenescimento da nação chinesa e o objectivo de tornar a América novamente grande podem perfeitamente avançar lado a lado”.

“Acredito que, com os esforços conjuntos, esta visita produzirá resultados frutíferos, melhorará o bem-estar dos nossos dois povos e trará uma nova esperança para a paz mundial”, acrescentou.

IA na agenda

Também ontem, a China confirmou que manteve com os Estados Unidos o primeiro diálogo sobre inteligência artificial (IA) no âmbito do mecanismo de consultas económicas e comerciais entre os dois países.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, afirmou, em conferência de imprensa, que as equipas económicas e comerciais dos dois países realizaram recentemente nos Estados Unidos a oitava ronda de consultas bilaterais.

Segundo He, as duas partes mantiveram uma troca de opiniões “franca, aprofundada e construtiva” sobre questões económicas e comerciais de interesse comum e alcançaram “vários consensos”, sob a orientação dos entendimentos alcançados pelos Presidentes dos dois países, Xi Jinping e Donald Trump.

O porta-voz acrescentou que, no âmbito do mesmo mecanismo de consultas, China e Estados Unidos mantiveram “o primeiro diálogo” sobre inteligência artificial, uma questão que tem ganho peso na agenda bilateral devido à rivalidade tecnológica entre as duas potências e aos debates sobre a segurança dos modelos avançados.

He não forneceu, no entanto, detalhes sobre o conteúdo das conversações nem esclareceu se foram abordados mecanismos de notificação ou gestão de incidentes relacionados com a IA, uma possibilidade discutida em contactos anteriores entre as duas partes.

O responsável referia-se aos encontros mantidos nos últimos dias nos Estados Unidos entre o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

25 Set 2026

China e EUA devem evitar “Guerra Fria” na inteligência artificial, diz especialista

China e Estados Unidos devem evitar que a competição na inteligência artificial evolua para uma nova “Guerra Fria”, afirmou ontem um académico chinês, defendendo que nenhuma das potências consegue gerir isoladamente os riscos da tecnologia.

“Cooperar é essencial para construir um quadro internacional. Não podemos ter dois sistemas separados, um norte-americano e outro chinês”, afirmou Zheng Yongnian, decano da Escola de Políticas Públicas da Universidade Chinesa de Hong Kong, na cidade de Shenzhen (sudeste da China), em entrevista ao jornal South China Morning Post.

“Se isso acontecer, acabaremos numa dinâmica de Guerra Fria ao estilo Estados Unidos – União Soviética, o que seria muito, muito terrível”, acrescentou. As declarações surgem no dia da reunião, em Washington, entre os Presidentes chinês, Xi Jinping, e norte-americano, Donald Trump, na qual a inteligência artificial deverá ocupar um lugar de destaque.

Os dois países realizaram esta semana o primeiro diálogo dedicado à IA no âmbito do mecanismo bilateral de consultas económicas e comerciais, após negociações nos Estados Unidos lideradas pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

Segundo Bessent, Washington propôs um novo “mecanismo de notificação” para incidentes de alto nível relacionados com IA susceptíveis de afectar a segurança nacional, procurando ao mesmo tempo estabelecer uma “visão partilhada de objectivos e ameaças comuns”.

Zheng considerou que nem Pequim nem Washington conseguem gerir sozinhos os riscos associados à tecnologia e argumentou que estes podem superar os colocados pelas armas nucleares. Ao contrário dos arsenais nucleares, sujeitos a mecanismos internacionais de supervisão e que permanecem inativos durante longos períodos, a IA está a evoluir rapidamente num vazio regulatório, advertiu.

Modelos distintos

A aproximação ocorre num contexto de crescente rivalidade tecnológica entre as duas maiores economias mundiais e divergências sobre o desenvolvimento da IA. Os Estados Unidos têm privilegiado um modelo assente em sistemas avançados de elevado custo e procuram assegurar cadeias de abastecimento de semicondutores e minerais críticos menos dependentes da China.

Pequim tem defendido modelos de código aberto e de menor custo, apresentando-os como uma alternativa mais acessível para economias emergentes e países do chamado Sul Global. Zheng considerou, ainda assim, que a actual competição difere da rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria.

“Ao contrário da Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética estavam completamente divididos em dois blocos isolados, os Estados Unidos e a China continuam a relacionar-se”, mas há um “baixo nível de confiança política” mútua.

As tensões agravaram-se este mês após a administração Trump ter acusado empresas chinesas de copiarem modelos norte-americanos através de campanhas de “destilação à escala industrial”. Pequim respondeu acusando Washington de procurar estabelecer um “monopólio” sobre a tecnologia e advertiu que poderá retaliar.

Zheng rejeitou a possibilidade de uma separação completa dos dois ecossistemas tecnológicos, argumentando que o desenvolvimento norte-americano da IA “não consegue separar-se da China”, nomeadamente devido à importância do talento tecnológico chinês.

O académico defendeu que regras internacionais eficazes terão de envolver as principais potências tecnológicas. “O mundo é realista: as regras têm de ser apoiadas por poder e capacidade reais. Sem força, quem vai ouvir as regras”, questionou.

“É por isso que regras reais e eficazes têm de ser construídas por países capazes, como a China e os Estados Unidos”, acrescentou, defendendo, no entanto, um sistema aberto à participação de outros países.

Na segunda-feira, 20 países e a União Europeia divulgaram uma declaração conjunta a pedir cooperação internacional para manter a IA sob controlo humano e propuseram a criação de uma nova entidade global para regular os sistemas mais avançados. China e Estados Unidos não subscreveram a declaração.

25 Set 2026

Elon Musk elogia Presidente chinês antes de encontro com Trump

O empresário norte-americano Elon Musk elogiou ontem o Presidente chinês, que classificou como “líder excepcional”, e destacou avanços alcançados pela China durante a sua liderança, na véspera do encontro com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

“Sob a sua liderança, a China alcançou enormes progressos no seu desenvolvimento”, afirmou o presidente executivo da Tesla, numa entrevista à televisão estatal chinesa CCTV, que divulgou ontem vários excertos da conversa. Noutro excerto, Musk afirmou que a prosperidade do país “aumentou enormemente” durante a liderança de Xi e descreveu o dirigente chinês como “muito sábio e com visão de futuro”.

O magnata elogiou também as operações da Tesla na China e atribuiu o sucesso da fábrica de Xangai à equipa local, que descreveu como “talentosa, trabalhadora e de confiança”, com uma qualidade dos produtos e eficiência de produção “de primeiro nível”.

“A Gigafábrica de Xangai é uma joia”, afirmou Musk sobre a unidade, que entregou cerca de 468 mil veículos no primeiro semestre de 2026, mais 28,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela CCTV.

Durante a entrevista, Musk abordou ainda o futuro dos robôs humanoides e antecipou que o número destes equipamentos poderá atingir pelo menos mil milhões dentro de 10 anos, 10 mil milhões dentro de 15 anos e 100 mil milhões dentro de duas décadas.

O empresário previu que estes robôs poderão cuidar de idosos e crianças, servir como tutores particulares ou desempenhar todo o tipo de trabalhos, e que uma única pessoa poderá chegar a controlar centenas ou mesmo milhares de robôs físicos e agentes digitais.

Sobre a inteligência artificial (IA), Musk aconselhou a aquisição de conhecimentos abrangentes, tanto nas áreas das humanidades e artes como da ciência e engenharia, por considerar que a capacidade de formular boas perguntas será cada vez mais importante. “Quanto mais amplos forem os teus conhecimentos, melhor serás a fazer perguntas”, afirmou.

Na mesa com Xi

As declarações surgem também em pleno debate sobre a segurança da IA, depois de Musk ter defendido este mês que os principais criadores de modelos de inteligência artificial devem testar mutuamente os respectivos sistemas em matéria de segurança, tema que deverá também estar em cima da mesa no encontro entre Xi e Trump.

Os excertos da entrevista foram divulgados no mesmo dia em que Xi inicia uma visita de Estado aos Estados Unidos, onde se reúne na quinta-feira com Trump, no segundo encontro entre ambos este ano, após a reunião realizada em Maio, em Pequim.

Musk, que participou, juntamente com outros empresários norte-americanos, na visita de Trump à capital chinesa em Maio, está também entre os empresários cuja presença está prevista no jantar de Estado que a Casa Branca vai oferecer a Xi.

24 Set 2026

Ouro | Pequim importa valor recorde de 158.800 milhões de dólares

A China gastou um valor recorde de 158.800 milhões de dólares na importação de ouro nos primeiros oito meses do ano, numa altura em que investidores e banco central procuram diversificar activos.

Segundo dados citados pelo jornal Financial Times, o país importou mais de mil toneladas de ouro entre Janeiro e Agosto, superando já as 886 toneladas adquiridas durante todo o ano de 2025, por 96.500 milhões de dólares.

O aumento ocorre depois de a China ter reduzido as compras no ano passado, durante uma forte valorização do metal precioso, cujo preço passou de cerca de 2.625 dólares por onça troy no início de 2025 para um máximo de 5.595 dólares em Janeiro.

A China é também o maior produtor mundial de ouro, tendo extraído 384 toneladas no ano passado, segundo o Conselho Mundial do Ouro.

O aumento das importações surge num contexto de procura crescente por parte de investidores chineses de alternativas para diversificar as poupanças, perante a prolongada crise do sector imobiliário, o fraco desempenho do mercado accionista e os baixos rendimentos da dívida pública.

24 Set 2026

Japão | Aumentou para dez o número de mortes provocadas pelo tufão Dujuan

O número de vítimas da passagem do tufão Dujuan pelo Japão aumentou para dez mortos, quatro desaparecidos e 28 feridos, depois de o fenómeno ter provocado chuvas, deslizamentos de terra e inundações, sobretudo na região de Tóquio.

O Departamento de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão atualizou, às 12:00 locais, o balanço para seis mortos em Chiba, três em Kanagawa e um em Miyazaki, além de quatro desaparecidos — dois em Chiba e outros dois em Kanagawa.

As autoridades registaram ainda um ferido grave e 27 com ferimentos ligeiros. Os seis mortos em Chiba foram vítimas de deslizamentos de terras, noticiou a estação de televisão japonesa NHK.

O tufão Dujuan provocou estragos em 659 habitações sendo que 22 ficaram destruídas. O Dujuan atingiu o leste do Japão entre segunda e terça-feira atingindo um valor máximo de precipitação em 48 horas em Oshima, atingindo os 832 milímetros, segundo a Agência Meteorológica do Japão.

No auge da tempestade, as autoridades emitiram ordens de retirada para mais de 1,9 milhões de pessoas em seis províncias: Saitama, Ibaraki, Chiba, Tóquio, Shizuoka e Kanagawa.

Na segunda-feira, o Dujuan provocou ainda o cancelamento de cerca de 500 voos nos aeroportos de Haneda e Narita, em Tóquio, e obrigou à antecipação em um dia do encerramento da Tokyo Game Show, a maior feira de videojogos da Ásia, realizada em Chiba.

24 Set 2026

Irão | Avião comercial iraniano aterra em Guangzhou apesar de ameaças dos EUA

Um avião comercial de uma companhia iraniana aterrou ontem na China, apesar da ameaça norte-americana de punir quem contribua para as operações de companhias do Irão, informou o ‘site’ de rastreio aéreo Flightradar24.

Um Airbus A340 da Mahan Air, proveniente de Teerão, aterrou em Guangzhou, no sul da China, por volta das 16:40 locais, informou o Flightradar24, de acordo com a agência francesa AFP. O Governo norte-americano colocou na lista negra todo o sector aéreo iraniano.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou na segunda-feira que qualquer pessoa ou entidade que forneça combustível ou apoio à aterragem será alvo de sanções, podendo chegar à exclusão do sistema financeiro em dólares.

O plano norte-americano é vago, no entanto, incluindo o momento exacto em que entra em vigor. O Tesouro norte-americano não respondeu a pedidos de esclarecimento da AFP.

A questão da posição da China coloca-se particularmente no contexto da visita do Presidente Xi Jinping aos Estados Unidos. A China é um parceiro diplomático e económico fundamental para o Irão. Desde o início da guerra, a China não deu qualquer sinal de reconsiderar as relações com o Irão, apesar da pressão norte-americana.

Um porta-voz dos Negócios Estrangeiros chinês, questionado sobre as companhias iranianas, reiterou ontem a oposição da China a sanções “unilaterais ilegais”. A China recebe todas as semanas vários voos da companhia iraniana Mahan Air em Pequim, Xangai e Cantão.

O pessoal do escritório da Mahan Air em Xangai disse ontem à AFP que não tinha recebido qualquer aviso de cancelamento de voos e que a venda de bilhetes para a próxima semana prosseguia normalmente.

24 Set 2026

Cubo mágico | Menina chinesa de seis anos estabelece recorde mundial

Uma menina chinesa de seis anos estabeleceu um novo recorde mundial feminino ao resolver um cubo mágico (modelo 3×3) em pouco mais de quatro segundos, segundo um meio de comunicação social oficial.

Inventado na década de 1970 pelo arquitecto húngaro Ernö Rubik, o também designado “Cubo de Rubik” é um puzzle em forma de cubo composto por pequenos quadrados coloridos que são rodados para reconstituir seis faces de cor sólida, cada uma com uma cor diferente.

A jovem Lian Yunzhi bateu por duas vezes, em Setembro, o recorde mundial de média de tempo para este cubo, durante duas competições homologadas pela World Cube Association, a organização internacional que rege as competições de cubo mágico, segundo a estação pública CCTV.

Estes torneios foram realizados na China, nas cidades de Wuhan e Cantão. Na primeira ocasião, a menina registou uma média de 4,52 segundos em cinco resoluções, enquanto na segunda, alcançou uma média de 4,27 segundos.

Lian Yunzhi é “a primeira mulher a baixar a média para menos de 4,5 segundos”, informou a CCTV. O recorde mundial masculino na mesma categoria pertence a outro chinês, Yiheng Wang, com uma média de 3,51 segundos, segundo a World Cube Association.

Num vídeo divulgado pela CCTV, vê-se a jovem campeã, com um laço vermelho na cabeça, a rodar e a manipular as faces do cubo com uma destreza impressionante. Assim que resolve o puzzle, ela coloca-o em cima da mesa, aplaude e levanta o punho no ar.

O cubo mágico é uma das suas muitas atividades extracurriculares, juntamente com a dança e a música, contou a sua mãe, Lin Yangxi, ao veículo chinês Red Star News. Para Lin Yangxi, é “uma excelente actividade para desenvolver as capacidades globais da criança”. A menina já memorizou mais de 1.300 sequências de movimentos, os ‘algoritmos’ que permitem resolver o cubo, e treina duas a três horas por dia, segundo Lin Yangxi.

24 Set 2026

EUA | Embaixador chinês adverte para “linhas vermelhas”

O embaixador chinês nos Estados Unidos, Xie Feng, afirmou ontem que Taiwan, o sistema político chinês e o “direito ao desenvolvimento” do país asiático são “linhas vermelhas” que Washington não deve desafiar.

Num artigo publicado no Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), Xie defendeu que a visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos deve servir para “avançar” na relação de “estabilidade estratégica construtiva” acordada pelos dois líderes em Pequim, em Maio passado.

O embaixador afirmou que esta fórmula “não é apenas retórica”, mas um apelo para que os dois países actuem “na mesma direcção”, e defendeu que devem “ampliar a lista de cooperação” e “reduzir a lista de problemas” em vários domínios.

Em matéria de inteligência artificial (IA), Xie apelou a que se evite uma nova “cortina de silício” e rejeitou uma “guerra das estrelas” neste sector, numa referência à rivalidade tecnológica entre as duas potências.

O representante chinês defendeu que a concorrência entre Pequim e Washington deve ser “benigna” e não assumir uma dinâmica de “tudo ou nada”, e acusou os Estados Unidos de recorrerem a conceitos como “segurança nacional”, “desequilíbrios económicos” ou “trabalho forçado” para conter e pressionar a China.

Evitar tragédias

Xie afirmou que os dois países devem “superar a armadilha de Tucídides” e evitar uma “tragédia da política entre grandes potências”, uma ideia que Xi já transmitiu a Trump durante o encontro entre ambos, em maio, em Pequim.

A “armadilha de Tucídides” refere-se à teoria, popularizada pelo politólogo norte-americano Graham Allison a partir das guerras do Peloponeso, segundo a qual uma potência dominante e outra emergente tendem para o conflito quando a primeira considera a sua liderança ameaçada.

Em paralelo, um editorial assinado por “Zhong Sheng” no mesmo jornal, pseudónimo utilizado para veicular posições da liderança chinesa sobre política externa, instou Washington a manter a “continuidade” e a “estabilidade” da sua política em relação à China e a “valorizar o actual impulso positivo, alcançado com esforço, para manter o rumo correcto”.

24 Set 2026

Encontro | Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

Segundo Jörg Wuttk, ex-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington deverá servir para baixar tarifas e facilitar o comércio entre as duas potências

A aguardada reunião entre os Presidentes da China e dos Estados Unidos deverá decorrer esta semana num clima de distensão, com ambos os líderes interessados em evitar o regresso a uma guerra comercial aberta, segundo o analista Jörg Wuttke.

“Haverá uma redução de tarifas em determinados sectores, facilidades para o comércio (…) e algum tipo de acordo sobre inteligência artificial [IA], que provavelmente será ‘falaremos sobre isto mais tarde'”, antecipou o sócio da consultora DGA-Albright Stonebridge, num encontro com jornalistas organizado em Xangai pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China.

Wuttke, com quase três décadas de experiência empresarial na China e que presidiu àquela câmara em três períodos distintos, afirmou que os Estados Unidos vão procurar mais compras das chamadas “três B” – carne de bovino (‘beef’), leguminosas (‘beans’) e aviões Boeing – e mais investimento. Neste último domínio, porém, vê “muito pouco apetite” por parte de Pequim, perante uma situação de “falta de confiança”.

O analista considerou certo que as duas partes vão prolongar a trégua comercial acordada no ano passado e que termina em 10 de Novembro, restando apenas saber por quanto tempo. “A China quer que seja até ao fim [do mandato] de Trump e os Estados Unidos querem seis meses”, afirmou. Em todo o caso, nem Pequim nem Washington “têm interesse em que isto lhes expluda na cara”, acrescentou.

Wuttke considerou que a cimeira poderá traduzir-se numa espécie de troca de concessões. “Xi aprecia que Trump esteja a travar legislação negativa para a China (…) e [os chineses] sabem que Trump precisa de algo concreto, sobretudo antes das eleições intercalares”, afirmou.

Petróleo e IA

Questionado sobre se Pequim tentará pressionar Washington relativamente à guerra com o Irão, devido ao impacto nos mercados energéticos, Wuttke citou uma fonte de alto nível na região do Golfo Pérsico, que resumiu a posição chinesa da seguinte forma: “Querem estabilidade, mas não responsabilidade”. “A China não gosta da guerra, claro. (…) Mas é um dos países menos afectados”, acrescentou.

O analista apontou as reservas de petróleo chinesas, suficientes para mais de 200 dias, o facto de o consumo ter atingido um pico há dois ou três anos, devido à aposta nos veículos eléctricos e nas energias renováveis, e a segurança do abastecimento de petróleo e gás através das ligações à Rússia e Ásia Central.

Sobre a IA, um dos mais recentes focos de tensão entre as duas potências, Wuttke considerou que Pequim vai concentrar-se no acesso a semicondutores avançados, face às restrições impostas por Washington. Quanto às vendas de armas norte-americanas a Taiwan, um dos tradicionais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, Wuttke considerou que “Trump não tem intenção de romper os acordos” existentes.

Segundo Wuttke, o principal problema não será a assinatura de acordos de venda de armamento a Taipé, mas eventuais limitações no fornecimento, devido ao elevado consumo de munições na guerra com o Irão.

24 Set 2026

Nuclear | Seul defende congelamento do programa de Pyongyang

O Presidente da Coreia do Sul disse que os Estados Unidos devem trabalhar para congelar o programa nuclear do Norte, em vez de procurar a sua eliminação imediata, em troca do alívio das sanções.

“Acredito que há um interesse considerável em encontrar um meio-termo entre as sanções — que, de qualquer forma, não são particularmente eficazes — e a interrupção do desenvolvimento de novas armas nucleares e de tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais”, declarou Lee Jae-myung.

“Procurar a desnuclearização nas circunstâncias actuais garante que nada será alcançado”, afirmou o líder da Coreia do Sul, numa entrevista ao jornal norte-americano New York Times, publicada ontem. Uma posição reiterada por Lee em respostas por escrito a perguntas feitas pela agência de notícias Associated Press, antes de partir para Nova Iorque, onde irá participar na sessão anual da Assembleia Geral da ONU.

“Para mudar a direcção de um veículo em movimento, é preciso primeiro pará-lo”, disse o Presidente sul-coreano. “Uma abordagem faseada — paragem, redução e desmantelamento — é uma forma prática de resolver eficazmente a questão nuclear norte-coreana”, acrescentou.

“Dada a extensão do avanço das capacidades nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, não é uma solução realista esperar até que a desnuclearização completa possa ser alcançada de uma só vez”, disse Lee. A imprensa oficial da Coreia do Norte disse ontem que o país testou no domingo uma arma de “novo tipo”, num teste acompanhado pelo líder Kim Jong-un, sem adiantar mais pormenores.

23 Set 2026

UE e Filipinas concluem as negociações sobre tratado comercial

A União Europeia (UE) e as Filipinas alcançaram ontem um “acordo substancial” sobre um tratado de livre comércio, que deverá ser assinado oficialmente em 2027, após vários anos de negociações. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou o avanço na rede social X, após uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr.

“Acabámos de chegar a um acordo sobre o pacto de livre comércio! [O acordo] chega exactamente três anos após a minha visita a Manila para relançar as negociações”, disse Von der Leyen numa mensagem acompanhada de um comunicado em que sublinha a intenção de regressar ao arquipélago em 2027 para assinar o tratado.

“Um avanço e uma vitória para ambas as partes”, escreveu o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, nas redes sociais, após uma videoconferência com a secretária do Comércio e Indústria das Filipinas, Maria Cristina Roque.

O pacto, segundo Sefcovic, aprofunda os laços com “uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático”, apresentando uma ampla margem de crescimento além das trocas actuais, que rondam os 18 mil milhões de euros em bens e os 10 mil milhões em serviços.

Entretanto, a presidente da Câmara de Comércio Europeia das Filipinas, Diana Edralin, destacou que o pacto é um “marco significativo na longa relação económica entre as Filipinas e a União Europeia”, alcançado “após anos de empenho e trabalho”.

“A conclusão destas negociações é um testemunho do compromisso de ambas as partes com a construção de uma relação comercial mais sólida e previsível”, afirmou, em comunicado.

Bom caminho

Em Julho, as chefes da diplomacia europeia e filipina assinaram um acordo em Manila para reforçar laços políticos e económicos, no contexto das negociações do tratado de livre comércio e da incerteza global.

“A relação entre a União Europeia e as Filipinas encontra-se numa trajectória positiva. Hoje, concordámos em reforçar os nossos laços através do lançamento da Parceria Reforçada”, declarou a responsável europeia, Kaja Kallas, ao lado da homóloga Theresa Lazaro.

O reforço das relações com as Filipinas surge no âmbito dos esforços de Bruxelas para diversificar os parceiros comerciais e reduzir a dependência do bloco em relação aos Estados Unidos, na sequência da política de tarifas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde o final de 2025, Bruxelas assinou com Indonésia, Índia e Austrália acordos de livre comércio que estavam em suspenso há uma ou duas décadas, e que se somam aos que já tinha na região com Singapura, Vietname, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia, bem como ao que está a ser negociado com a Tailândia.

23 Set 2026

MNE | “China e UE não devem travar guerra comercial”, diz chefe da diplomacia chinesa

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou ao homólogo alemão, Johann Wadephul, que a China e a União Europeia (UE) “não devem travar uma guerra comercial”, informou a diplomacia chinesa.

Wang fez as declarações durante uma conversa telefónica realizada na segunda-feira com Wadephul, na qual ambos abordaram as relações bilaterais, a situação internacional e as tensões comerciais entre a China e a UE.

De acordo com o comunicado chinês, Wang afirmou que a China e a Alemanha, enquanto duas grandes economias e parceiros estratégicos abrangentes, devem “reforçar a comunicação estratégica”, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação prática face ao “impacto do unilateralismo e da desglobalização”.

O chefe da diplomacia chinesa defendeu que ambos os países enviem um sinal positivo de defesa conjunta do multilateralismo e do comércio livre, bem como contribuam para reforçar a confiança da comunidade internacional nas relações entre Pequim e Bruxelas.

Wang manifestou a esperança de que “a Alemanha mantenha uma atitude racional e pragmática, desempenhe um papel positivo no seio da UE e incentive o bloco a defender o comércio livre”.

O ministro afirmou ainda que a China e a UE são “parceiros estratégicos abrangentes” e que as duas partes não devem entrar numa guerra comercial, num contexto de endurecimento do tom europeu sobre o défice comercial, o excesso de capacidade industrial chinesa e o acesso das empresas europeias ao mercado chinês.

Wadephul, segundo a versão chinesa, afirmou que a Alemanha mantém a vontade de reforçar os intercâmbios de alto nível com a China, aprofundar a cooperação no comércio e no investimento e elevar o nível dos laços bilaterais.

23 Set 2026