Automobilismo | Taça Porsche Ásia regressa ao GP de Macau e traz novidades

A 68.ª edição do Grande Prémio de Macau voltará a ter no seu programa seis corridas, tendo na pretérita quarta-feira a Porsche Motorsport Ásia-Pacific confirmado que a Taça Porsche Carrera Ásia (PCCA na sigla inglesa) voltará ao Circuito da Guia em Novembro

[dropcap]P[/dropcap]ara a Taça Porsche Carrera Ásia, competição que contou com a presença do piloto do território André Couto nas duas primeiras provas deste ano, este será um evento extra campeonato. E para além das habituais três classes da PCCA – Pro, Pro-Am e Am – que usam o novo modelo 911 GT3 Cup (992), será introduzida uma categoria para a geração 991 de carros germânicos, permitindo que as duas gerações de modelos da Porsche corram juntas pela primeira vez na Ásia.

Sobre o regresso da competição regional da Porsche a Macau, Alexandre Gibot, o director da Porsche Motorsport Asia Pacific, disse que “a Taça Porsche Carrera Ásia teve uma excelente temporada em 2021 e com o novo carro 992 um grande sucesso. Correr em Macau é uma grande honra e estou muito contente por ver o campeonato regressar ao incrível Circuito da Guia. O Grande Prémio de Macau é sempre um evento fantástico e sei que este ano vai ser fantástico mais uma vez”.

Única alternativa

Se o Grande Prémio queria mesmo voltar a ter um programa de seis corridas diferentes depois do cancelamento expectável das três Taças do Mundo da FIA, a Taça Porsche era a única alternativa de valor possível. Os riscos de colocar de pé uma prova de duas rodas seriam demasiado elevados dada a inexistência de provas de motociclismo de estrada no continente asiático e não há mais nenhum outro campeonato de automobilismo no Interior na China que se diferenciasse da oferta existente no evento da RAEM.

Devido à pandemia, todos os grandes construtores cancelaram os seus troféus monomarca na Ásia em 2020 e 2021, com a excepção da Porsche que conseguiu realizar a sua competição inteiramente na China com dezanove concorrentes permanentes. Esta corrida por convite marca o regresso do troféu monomarca da Porsche e da própria marca de Estugarda a Macau. A RAEM recebeu por cinco vezes a Taça Porsche Carrera Ásia entre 2003 e 2007, para além da visita pontual em 2013 integrada no fim de semana duplo da celebração do 60º aniversário do maior evento desportivo do território.

Para além da corrida para os concorrentes da Taça Porsche Carrera Ásia, o 68.º Grande Prémio de Macau deverá ser composto ainda pelas corridas de Fórmula 4, Taça GT, Taça de Carros de Turismo, Taça GT – Corrida da Grande Baía e ainda pela Corrida da Guia que celebra cinquenta anos.

6 Out 2021

GP Macau | Peças do puzzle começam a encaixar-se

A apenas dois meses do 68.º Grande Prémio de Macau, as equipas e pilotos locais ultimam os preparativos para o grande evento de fim de ano. As inscrições na Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC) para as provas do Grande Prémio terminam hoje e, por isso mesmo, para grande parte dos pilotos locais as decisões já têm que estar tomadas. Apesar da turbulência causada pela pandemia, as peças do puzzle começam a encaixar-se.

Charles Leong Hon Chio, o primeiro vencedor de uma corrida de Fórmula 4 no Circuito da Guia, vai tentar repetir a proeza de 2020. O piloto de 20 anos confirmou ao HM que “em princípio, vou fazer a corrida de F4 outra vez”, mas ainda não revela pormenores por “estar ainda em negociações”. O Campeonato da China de Fórmula 4, que realizará dois eventos antes do Grande Prémio, não organiza uma prova desde Novembro de 2020. Leong Hon Chio também tem estado parado, portanto aproveitou o feriado para testar no circuito de Zhuhai com um monolugar Mygale-Geely da equipa chinesa SmartLife.

Com mais quilómetros esta temporada, Rodolfo Ávila continua a aguardar uma tomada de posição da sua equipa, a MG XPower Team. O piloto português, que terminou no segundo posto na última prova do TCR China disputada em Xangai, diz que a participação no evento anual do território com um dos MG6 XPower TCR oficiais “é uma decisão da MG e que por agora ainda não foi comunicada aos pilotos”.

Num programa que deverá incluir seis corridas diferentes, a Corrida da Guia comemora a sua 50ª edição este ano e deverá ser disputada nos moldes da pretérita edição, combinando os participantes do TCR Ásia, TCR China e concorrentes locais, só que desta vez com um só fornecedor de pneus. Haverá novamente uma forte representação de Macau. Filipe Souza, Henry Ho, Kelvin Wong ou Eurico de Jesus participaram nas corridas da Taça Ásia-Pacifico para as viaturas da categoria TCR, em Zhaoqing, a pensar na corrida de Novembro.

À espera de decisões

O interesse nas corridas de GT por parte de pilotos locais tem crescido nos últimos anos e tanto a Taça da Grande Baía, para carros da classe GT4, como a Taça GT Macau, cujo principal enfoque são os carros da classe GT3, deverão ter uma forte participação de pilotos da RAEM. Os repetentes Liu Lic Ka e Billy Lo são esperados à partida, mas as atenções na Taça GT Macau certamente irão voltar-se para o eventual regresso de André Couto.

O vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 em 2000 tem admitido desde o início da temporada “a possibilidade de voltar a correr no Grande Prémio, uma vez que a Toro Racing tem três ou quatro Mercedes AMG GT3”, algo que voltou a reiterar ao HM. O piloto de Macau aguarda uma decisão da equipa chinesa que no ano transacto venceu a Taça GT Macau com Leo Ye.

28 Set 2021

Automobilismo | Competições nacionais na China voltam três meses depois

Depois de três meses de interregno forçado, o automobilismo voltou à República Popular da China. Isto é, competições motorizadas de carácter nacional foram novamente autorizadas, pois aquelas com estatuto meramente regional terão continuado a ser organizadas um pouco por todo o país, como são exemplo as corridas realizadas nos últimos meses em Zhaoqing e Zhuzhou.

No passado dia 27 de Maio, a Federação dos Desportos Automóveis e Motociclos da República Popular da China (CAMF) suspendeu, com efeito imediato, todas as actividades de automobilismo e motociclismo no país, seguindo assim as recomendações da autoridade máxima dos desportos do país. Todos os circuitos, organizadores e partes interessadas no desporto foram obrigados a rever os seus procedimentos de segurança e emergência. Esta medida, que também abrangeu outros desportos ao ar livre, surgiu depois da tragédia numa prova de atletismo no noroeste da China que vitimou vinte e um participantes.

No pretérito fim de semana, em Ningbo, houve finalmente “luz verde” para recomeçar, com a Taça Porsche Carrera Ásia a disputar a sua terceira prova do ano, enquanto o Campeonato da China de Resistência (CEC na sigla inglesa) teve honras de abertura de temporada. A RAEM esteve representada no “Ningbo Carnival” por um trio de pilotos locais – Ng Kin Veng, Cheung Chi On e Ip Tak Meng – que alinhou na corrida do CEC, com um Volkswagen Golf TCR, integrado na categoria de carros de Turismo.

Ausência esperada

Depois de ter disputado as duas primeiras provas da temporada de 2021 da Taça Porsche Carrera Ásia, André Couto não esteve presente no evento de Ningbo. Desde o início da temporada que era sabido que o experiente piloto do território não previa participar por inteiro na época desportiva do troféu da marca alemã. No entanto, Couto deveria ter estado presente na pista da província de Zhejiang para participar prova do CEC com a Toro Racing, algo que não veio a acontecer devido a uma súbita mudança de planos. A equipa chinesa inscreveu dois dos seus Mercedes-AMG GT3 na prova de Ningbo, mas optou por retirá-los já durante a semana que antecedeu o evento.

Assim, e se não existirem mais atrasos ou contratempos causados pela pandemia, André Couto deverá voltar ao volante do Mercedes-AMG GT3 da Toro Racing, fazendo dupla com o o piloto amador chinês Zang Kan, na prova do Campeonato da China de GT no circuito Qinghuangdao Shougang. A pista montada numa zona fabril na província de Hebei está designada para acolher a primeira prova do campeonato no fim de semana de 18 e 19 de Setembro, porém a data final do evento ainda carece confirmação oficial.

Optimismo para o recomeço

Quem regressa já este fim de semana às pistas é Rodolfo Ávila. No Circuito Internacional de Xangai, o piloto de Macau voltará aos comandos do MG6 XPower TCR na segunda jornada do TCR Ásia/TCR China. Depois de um início de temporada em que os carros da marca sino-britânica não conseguiram medir forças de igual para igual com os favoritos Lynk & Co, Ávila espera uma melhoria de performance já nesta prova.

“Já muito tempo passou desde a nossa última prova, mas estou feliz e preparado para este regresso”, afirmou Ávila, em entrevista publicada pela organização do campeonato nas redes sociais chinesas. “O desempenho do carro tem melhorado a cada ano. A experiente equipa 333 tem contribuído muito. Trabalho com esta equipa há mais de seis anos, pelo que nos conhecemos muito bem, o que também nos permite comunicar e trabalhar de forma mais eficiente, optimizando as afinações e assim melhorando os resultados nas corridas. Ir atrás de melhores resultados é sempre o nosso principal objetivo”.

6 Set 2021

Automobilismo | Regresso (pontual) de Isaías do Rosário às corridas em Portimão

Um convite inesperado levou Isaías do Rosário a regressar à competição automóvel no fim de semana de 21 e 22 de Agosto no Autódromo Internacional do Algarve. O piloto e comentador de automobilismo de Macau voltou a calçar as luvas e a colocar o capacete, alinhando à partida nas 12 Horas de Portimão, uma prova pontuável para o Troféu C1

 

Arredado das pistas há cerca de dez anos, o sócio fundador do Automóvel Clube de Macau foi convidado para participar na prova algarvia do troféu monomarca português que usa o modelo Citroen C1. Este convite surgiu por parte da equipa Silver Team, uma das trinta e seis formações inscritas no evento, tendo dividido a condução do pequeno carro francês com Miguel Pereira, Manuel Melo, João Silva e Raul Castro.

A corrida de doze horas no circuito de Fórmula 1 de Portimão foi dividida em duas corridas com a duração de seis horas. Na primeira corrida, Isaías do Rosário e os seus companheiros de equipa foram os décimos segundos classificados, enquanto que no segundo confronto terminaram no décimo sexto posto.

“O circuito não é fácil, pois tem várias zonas cegas. Não é fácil memorizar todas as curvas, mas com o tempo fui ganhando confiança e fui melhorando”, explicou ao HM o piloto da RAEM, que foi o segundo piloto do território a realizar uma corrida em Portimão, após a participação de Andy Chang na prova do europeu de Fórmula 3 em 2015.

Missão cumprida

Com pouco tempo de pista, Isaías do Rosário lamentou ter feito “pouco tempo de pista” nos treinos livres e nos treinos cronometrados “tivemos um problema com o carro”, o que atirou a equipa para a 28ª posição da grelha de partida.

Na primeira partida da prova de seis horas, que começou ao final da manhã de sábado e terminou já ao fim da tarde, Isaías do Rosário entrou para o quarto turno de condução. “Entreguei o carro em 13º, o que não foi nada mau. Quem veio atrás de mim ainda conseguiu ganhar uma posição e terminamos de 12º. Foi muito bom, porque saímos lá de trás”, rematou.

Na segunda parte da corrida, disputada no final do dia, o quinteto do Citroen C1 nº126 perdeu tempo com uma estratégia infeliz na escolha de pneus e depois acabou penalizada por não cumprir correctamente o procedimento do safety-car. “No cômputo geral até foi bom, pois começamos em 26º lugar e chegamos em 16º”.

No final da corrida, Isaías do Rosário admitiu que ficou com “a satisfação de terem visto na fase final da corrida, que eu era o quarto piloto mais rápido em pista. Ainda estou um pouco longe dos melhores pilotos, mas com um pouco mais de experiência e conhecimento do carro, que não é assim tão simples, poderia certamente rodar mais próximo dos pilotos da frente”.

Regressar à competição não está por agora nos planos de Isaías do Rosário que, no entanto, não fecha a porta “a futuros convites…”

31 Ago 2021

FIA | Canceladas as três Taças do Mundo em Macau

Este era um desfecho previsível, mas que só ontem foi oficializado. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) tinha dado como prazo limite o fim de Agosto para a RAEM aliviar as restrições de entrada a cidadãos estrangeiros, colocadas no contexto do controlo da pandemia, mas como tal não aconteceu, nem irá acontecer a curto prazo, o órgão máximo que rege o desporto motorizado viu-se forçado a antecipar uma decisão inevitável e anulou a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA, a Taça do Mundo de GT da FIA e a prova pontuável para a Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR do 68.º Grande Prémio de Macau.

As equipas foram informadas na quarta-feira da decisão da FIA, no entanto só ontem a federação internacional comunicou a sua posição. Em comunicado, a FIA referiu que “como a maioria dos concorrentes que participam nos eventos da FIA são de fora da região, isto apresenta para os pilotos, equipas e fornecedores condições difíceis de cumprir. Como resultado, a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA e a Taça do Mundo da FIA de GT não terão lugar em 2021, com o objectivo de regressar no próximo ano”.

Segundo uma comunicação enviada aos concorrentes inscritos na Taça do Mundo de GT da FIA na quarta-feira, a prova tinha já vinte e sete concorrentes que iriam representar seis construtores, o que demonstra bem o interesse que ainda existe em redor do evento. Também era esperada a presença no território dos trinta bólides do Campeonato FIA de Fórmula 3 e de duas dezenas de concorrentes da FIA – WTCR no Circuito da Guia. O comunicado da FIA de ontem menciona também que o “Promotor da WTCR, a Eurosport Events, confirmou a sua intenção de regressar ao Circuito da Guia em 2022”.

O Secretário Geral do Desporto da FIA, Pete Bayer, disse que “Durante muitos anos, o Grande Prémio de Macau foi o tradicional evento de encerramento de temporada para muito do mundo dos desportos motorizados e tem um significado especial para a FIA como o único evento que reúne três Taças do Mundo da FIA no mesmo programa.

Embora vamos sentir falta de não estar lá, desejamos aos organizadores um seguro e bem-sucedido Grande Prémio de Macau em Novembro. Vamos começar a trabalhar imediatamente no evento de 2022”.

Episódio repetido

O cancelamento expectável das Taças do Mundo da FIA não deverá colocar em risco o evento. “A 68.ª edição do Grande Prémio de Macau está agendada para Novembro de 2021 e irá apresentar competições de nível internacional. Mais detalhes sobre o programa do evento serão anunciados pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) em breve”, é possível ainda ler no comunicado da FIA.

Apesar de não ter sido comunicada qualquer decisão sobre uma das mais populares corridas do programa, a realização do Grande Prémio de Motos de Macau, que no ano passado também não se materializou, deverá ter o mesmo destino das Taças do Mundo da FIA. Sendo totalmente composta por concorrentes estrangeiros, a prova não se disputou em 2020 por manifesta ausência de quórum. Neste caso particular, a obrigatoriedade de cumprir catorze dias de quarentena obrigatória, tornou a prova do território inviável para a grande maioria dos pilotos que cumpre os requisitos mínimos para poder alinhar à partida.

Os trabalhos para o 68.ª Grande Prémio de Macau continuam a decorrer e este deverá manter um programa semelhante ao já visto no ano transacto, com a disciplina de Fórmula 4 a ocupar o espaço que normalmente pertencia à Fórmula 3 como prova “cabeça de cartaz”. Com uma forte presença de participantes do Interior da China, o programa do Grande Prémio de 2020 contou ainda com a Corrida da Guia Macau, a Taça GT Macau, a Taça de Carros de Turismo de Macau e a Taça GT – Corrida da Grande Baía.

20 Ago 2021

Federação portuguesa de motociclismo pretende aumentar laços com Macau

Manuel Marinheiro irá cumprir um terceiro e último mandato à frente da Federação de Motociclismo de Portugal no próximo quadriénio (2021-2025). O presidente da direcção do organismo que gere os destinos do motociclismo português quer manter os laços com a RAEM, apesar da presença de pilotos lusos na única prova de estrada do continente asiático ter diminuído nos últimos anos

 

Desde 1986, quando pela primeira vez pilotos vindos de Portugal participaram no Grande Prémio de Motos de Macau, que a prova do território se tornou um “ponto alto” no motociclismo português. Infelizmente, o fim das corridas de apoio de motas e os critérios mais apertados de selecção para a Grande Prémio de Motos impostos pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) tiveram um impacto na dimensão da comitiva portuguesa.

“A participação de pilotos portugueses no Grande Prémio de Macau dependeu sempre de convite da AAMC”, explicou Manuel Marinheiro ao HM. “Com a introdução nos últimos anos do critério de selecção dos pilotos baseado na experiência em corridas com estatuto e desafio semelhante ao Grande Prémio de Macau, nomeadamente o North West 200 (NW200), a Ilha de Man Tourist Trophy (OIM TT) e o Grande Prémio do Ulster (UGP), reduziu a presença portuguesa a um único piloto, o André Pires”.

Contudo, o advogado, de 55 anos, natural da Figueira da Foz, entende que “a ligação entre instituições deve respeitar, nomeadamente, a história e a tradição”. E são estas ligações que Manuel Marinheiro quer fortalecer, independentemente da dimensão da comitiva lusa que se desloque a futuras edições do evento. “Independentemente da participação de pilotos portugueses no Grande Prémio de Macau, pretendo incrementar as ligações entre as duas entidades – FMP e AAMC – que visam o mesmo propósito: fomentar a prática do motociclismo.”

Macau sem versão portuguesa

Quando há cerca de três anos, se falava que os organizadores do Circuito de Vila Real, no norte de Portugal, ponderavam voltar a acolher competições de motociclismo de gabarito internacional, André Pires disse ao HM que acreditava que se tal se concretizasse “ficaria mais fácil termos mais que um português a participar em Macau”.

Todavia, infelizmente para as pretensões de André Pires, e certamente de outros pilotos portugueses, as provas de estrada não voltarão a ser vistas em Portugal tão cedo.

“A nível nacional não prevemos a realização de competições Road Racing em circuitos citadinos pois a segurança dos pilotos e do público são factores cada vez mais exigentes e que tornam a realização deste tipo de competição cada vez mais remota, não sendo tradicional no panorama do motociclismo desportivo português”, esclareceu o presidente da FMP.

Fenómeno Miguel Oliveira

Depois de vários anos de quase esquecimento, o motociclismo de velocidade voltou a ser falado na comunicação social generalista em Portugal. Isto, apenas e só, graças à participação e aos resultados de vulto de Miguel Oliveira no MotoGP. “Os excelentes desempenhos do Miguel Oliveira aumentaram a exposição do motociclismo nos meios de comunicação social”, reconhece Manuel Marinheiro. “Como consequência directa desta exposição, associada à imagem discreta e profissional do Miguel Oliveira, verificámos o aparecimento de um ídolo que motiva os jovens para a prática do motociclismo, um exemplo a ser seguido, e também o aumento exponencial das audiências das transmissões do MotoGP.”

A federação lusa não quer perder o comboio e está já a capitalizar este fenómeno, tendo para isso criado iniciativas que permitam aos mais novos enveredarem pelo desporto ainda mais cedo. Os resultados estão à vista. “Há quatro anos a FMP criou novas classes de iniciação à velocidade e, com a Oliveira Cup, uma escola de motociclismo de velocidade, proporcionou a captação de novos valores e o aumento do número de jovens pilotos nas corridas do Campeonato Nacional de Velocidade”.

11 Ago 2021

Automobilismo de regresso a Guangdong com forte presença de Macau

Com uma forte presença de pilotos de Macau, as corridas de automóveis voltaram à província de Guangdong, com a realização dos dois eventos da Taça Ásia-Pacifico, que se disputaram no pretérito fim de semana, e no anterior, no Circuito Internacional de Guangdong (GIC). Os resultados foram na generalidade positivos para os pilotos de matriz portuguesa 

Como a Associação Geral-Automóvel de Macau-China (AAMC) optou por não organizar qualquer “Festival de Corridas de Macau” esta temporada, a empresa de Hong Kong, Richburg Motors, avançou com estes eventos no Interior da China com corridas para as diversas categorias que formam o esqueleto do automobilismo local: TCR (Hong Kong & Macau), Roadsport, Taça GT da Grande Baía (GT4) e GT3.

Com a maior parte dos pilotos arredados das pistas desde Novembro do ano passado, a adesão superou as seis dezenas de concorrentes, maioritariamente de Macau, mas também alguns oriundos do Interior da China e uns poucos de Hong Kong. Contudo, como estas provas não foram de qualificação para o Grande Prémio de Macau, a abordagem dos pilotos às corridas acabou por ser ligeiramente mais relaxada, focando-se a grande maioria na preparação dos carros para quando realmente for a valer.

Com o foco na sua próxima participação no Campeonato TCR China, Filipe Souza alinhou com o seu Audi RS 3 LMS TCR nas corridas da categoria TCR Hong Kong e Macau. Os Honda Civic Type-R a mostraram uma certa supremacia sobre a concorrência, mas o piloto macaense subiu ao pódio em todas as corridas. “Era difícil fazer melhor, porque o BoP (balance of performance) era vantajoso para eles. Correram mais leves do que habitualmente correm. Porém, estas corridas serviram apenas para preparar a minha participação nas corridas do TCR China em Setembro”, explicou Souza ao HM.

 

Valente e Lameiras sorriem

O muito calor que se fez sentir no circuito erguido dos arredores de Zhaoqing foi um obstáculo para as mecânicas e para os pilotos. “Esteve muito calor, na tarde do primeiro sábado, a temperatura chegou quase aos 40ºC”, reconheceu o português Rui Valente, que optou por alinhar com o seu “velhinho” Honda Integra DC5. O Mini Cooper S, com que vai enfrentar o Grande Prémio, foi poupado destas corridas, mas é garantido que vai aparecer no Circuito da Guia no fim de semana de 18 a 21 de Novembro.

Com o DC5 a correr junto dos mais potentes carros que perfazem as grelhas de partida das corridas Carros de Turismo de Macau – 1600cc Turbo e 1950cc e Acima, Rui Valente obteve as seguintes classificações: 12º, 11º, 15º e 16º. Perante este cenário, o veterano piloto local considerou que “para o Honda, estes resultados obtidos foram bons, dado que a oposição era muito forte com vários Mitsubishi Evo a andar muito bem este fim de semana”.

Ainda na mesma prova, onde eram mais de quarenta os concorrentes inscritos, Luciano Lameiras foi uma agradável surpresa, tendo vencido as três primeiras corridas com autoridade no seu “renovado” Mitsubishi Evo9, terminando a quarta contenda de 12 voltas no segundo lugar. Leong Wong (Mitsubishi Evo10) venceu a corrida final. Nas corridas dos carros de Grande Turismo (GT), Billy Lo (Porsche 911 GT3 Cup) foi quem mais se destacou dos pilotos da RAEM, obtendo vitórias à geral.

4 Ago 2021

Taça do Mundo | Macau tem até ao final de Agosto para responder à FIA

Na quinta-feira passada, o Conselho Mundial da FIA anunciou que a Taça do Mundo de GT da FIA vai voltar a ser disputada no Circuito da Guia, dentro do programa do 68.º Grande Prémio de Macau, com a condição que haja um relaxamento nas actuais restrições de entrada de estrangeiros no território

 

“A data, o local e a regulamentação desportiva para a Taça do Mundo FIA de GT de 2021 foi aprovada, com o evento a regressar ao Circuito da Guia em Macau de 17 a 21 de Novembro”, é possível ler no comunicado emitido pela FIA.

O mesmo comunicado diz que “o evento apenas terá lugar caso seja eliminada previamente a obrigatoriedade de quarentena à chegada a Macau”. E sobre isto, a comunicação vai ainda mais longe, pois “foi acordado um prazo para tal entre a FIA e a Autoridade Desportiva Nacional local, a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC).”

A federação internacional não revelou o prazo limite dado às entidades de Macau, mas segundo uma nota informativa disponibilizada aos pilotos, equipas e partes interessadas, pela SRO Motorsport Group, os co-organizadores da corrida, este será no final do próximo mês: “caso as restrições nas viagens ainda estejam em vigor aquando o fim das inscrições a 31 de Agosto (e não existir uma data confirmada para o seu relaxamento), a Taça do Mundo de GT da FIA talvez poderá não se realizar em 2021”.

Organizada em Macau desde 2015, a Taça do Mundo esteve marcada para Macau no calendário internacional em 2020, mas foi cancelada devido às restrições provocadas pela crise sanitária em curso. Porém, a Taça GT Macau, precursora da Taça do Mundo e que se realiza ininterruptamente desde 2008, voltou a disputar-se com a presença de pilotos locais. O chinês Ye Hongli venceu a corrida ao volante de um Mercedes-AMG GT3 Evo. Maro Engel (Mercedes), Laurens Vanthoor (Audi), Edoardo Mortara (Mercedes), Augusto Farfus (BMW) e Raffaele Marciello (Mercedes) foram os pilotos que se sagraram vencedor da Taça do Mundo nas edições anteriores.

O Conselho Mundial da FIA da pretérita semana não fez qualquer referência às outras Taças do Mundo agendadas para Novembro na RAEM: Fórmula 3 e Turismos. Contudo, é expectável que na data limite estipulada para a Taça do Mundo de GT da FIA, o órgão máximo que rege o desporto automóvel vá também decidir o que fazer com estas duas competições. Há um sentimento de confiança sobre um regresso a Macau dentro do paddock do Campeonato FIA de Fórmula 3, com os intervenientes praticamente todos vacinados desde o início da época, e sujeitos a um rigoroso sistema de testagem e controlo nas provas até aqui realizadas em conjunto com a Fórmula 1.

Porta volta a abrir-se aos amadores

Caso a Taça do Mundo de GT da FIA avance, esta terá o mesmo formato de 2019, com uma Corrida de Qualificação de 12 voltas, no sábado, e que decidirá a grelha de partida para a corrida de 16 voltas, no domingo, que irá atribuir o troféu. As inscrições vão abrir no final do mês e encerram a 31 de Agosto. Os interessados deverão pagar um depósito de 2,500 euros e, caso sejam aceites, o preço de inscrição na prova é de 10,000 euros.

A maior novidade é que a Taça do Mundo de GT da FIA voltará a aceitar a participação de pilotos categorizados pela FIA como “Bronze”, que na sua grande maioria são pilotos amadores, mais velhos e sem resultados de vulto nas principais competições internacionais. Esta medida vai de encontro à vontade de muitos “Gentleman Drivers” da região de quererem participar numa prova que na realidade foram eles que ajudaram a construir. Por outro lado, esta medida deverá permitir que o número de concorrentes nesta corrida volte a ser acima das duas dezenas, algo extremamente difícil de conseguir apenas com pilotos profissionais.

Caso o Governo da RAEM e as autoridades de saúde optarem pelo não relaxamento das medidas actualmente em vigor, então a Taça do Mundo de GT da FIA deverá novamente dar lugar à Taça GT Macau, com a possibilidade do regresso dos concorrentes do Campeonato da China GT, competição que tem a sua prova final calendarizada para Macau.

12 Jul 2021

Automobilismo | Ao fim de 119 anos um automóvel chinês venceu em Portugal

Este fim de semana escreveu-se história em Portugal. Pela primeira vez em 119 anos da história do automobilismo português – primeira corrida de automóveis disputada em Portugal foi em Agosto de 1902 no hipódromo de Belém – uma corrida foi ganha por um automóvel de um construtor chinês. Contudo, esta foi uma vitória tudo menos pacifica

 

Em vésperas da “Corrida de Portugal” da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR caiu uma bomba no paddock do campeonato. O Zhejiang Geely Holding Group, proprietário da subsidiária que detém o circuito chinês de Ningbo (MiTime Group) e da marca Lynk & Co, anunciou na passada quinta-feira que suspendia o apoio ao Eurosport Events no que respeita à promoção da prova da WTCR na China.

Esta decisão do maior construtor automóvel privado chinês surgiu no seguimento do descontentamento da Cyan Racing, a equipa que coloca em pista os quatro Lynk & Co na WTCR, sobre o BoP (Balance of Performance) da principal categoria de carros de Turismo da FIA. A equipa da marca chinesa sente-se prejudicada face às rivais Honda e Hyundai, tendo mostrado logo o seu descontentamento após a primeira prova do ano na Alemanha. O eco dos protestos da Cyan Racing chegou a Zhejiang e a casa-mãe respondeu com o cancelamento do apoio à prova chinesa do campeonato, que estava agendada para o fim de semana de 6 e 7 de Novembro.

“Ficou bem claro que não faz sentido estarmos envolvidos em promover comercialmente as corridas da FIA WTCR na China”, disse Victor Yang, Vice Presidente do Zhejiang Geely Holding Group. “Não temos mais confiança nas organizações TCR / WTCR e suspendemos a cooperação e apoio ao Eurosport Events e à corrida de Ningbo da FIA WTCR. Esta corrida é um evento chave para nós, para ligarmos os programas de corridas do Lynk & Co 03 e os carros de estrada. Contudo, quando os carros de corrida não estão nivelados, não faz sentido para nós investirmos comercialmente num fim de semana de corridas da WTCR apenas para os nossos clientes, fãs e marca agonizarem no nosso maior mercado caseiro”.

A Eurosport Events não comentou a posição do grupo chinês, mas a suspensão deste apoio poderá ter colocado um ponto final definitivo na planeada visita a Ningbo, até porque as limitações na entrada de estrangeiros no país fazem com que actualmente o evento seja impossível de realizar. A WTCR tem ainda a sua última prova marcada para Macau, mas também tal só será possível se forem levantadas algumas das restrições que estão em vigor desde o início da pandemia.

De que se queixa afinal

Para que exista um equilíbrio entre os diferentes carros da WTCR, a organização da competição joga com três parâmetros: altura ao solo, peso e potência. A Lynk & Co queixou-se logo no final da primeira jornada, em Nurburgring (Alemanha), que os seus carros não tinham velocidade de ponta para a concorrência. A WSC – a empresa que tem os direitos da categoria TCR e faz o BoP do campeonato – não fez qualquer alteração para a prova do passado fim de semana no Estoril, o que deixou a Cyan Racing indignada.

Os homens que usam os carros da marca chinesa não compreendem o porquê do novo Hyundai Elantra N poder rodar com mais potência e menos peso do que o antecessor i30 N, enquanto que no primeiro ano do Lynk & Co 03 TCR, em 2019, teve que correr com o peso máximo e só com 97,5% da potência. Ao mesmo tempo também critica a redução de peso de 20 kg que os Honda receberam, isto após homologarem uma série de novos componentes.

No Estoril, após a qualificação, onde o melhor Lynk & Co foi apenas o sétimo mais rápido, Yvan Muller dizia que “perdia 6 km/h. É o que é. Mesmo tendo um dos melhores carros do pelotão, com o actual BoP, nós tínhamos como fazer muito mais que isso”. Para o campeão em título, Yann Ehrlacher, “quando andas sozinho não sentes a diferença de potência, mas 2,5% a menos quando andas lá no meio faz a diferença”.

Apesar das contrariedades, aproveitando o facto da grelha de partida da primeira corrida da WTCR inverter nas dez primeiras posições da qualificação e um pouco do azar alheio, a Lynk & Co colocou três dos seus quatro carros nas três primeiras posições da primeira corrida. O francês Ehrlacher deu assim, inesperadamente e contra as expectativas da sua própria equipa, o primeiro triunfo de um carro de uma marca chinesa em solo português.

O Patinho Feio

A verdade é que Lynk & Co, construído pela mesma equipa que fazia os Volvo do WTCC, tem sido o “Patinho Feio” do campeonato desde o primeiro dia. Sendo a WTCR uma competição só para equipas privadas, a presença da Lynk & Co é vista aos olhos dos rivais como um programa totalmente oficial, com orçamento e pilotos providenciados pela marca, o que é contra o espírito do campeonato. Por outro lado, a disponibilidade para venda a terceiros do carro que venceu a Corrida da Guia em 2019 e 2020 continua a levantar muitas dúvidas. Apenas quatro carros foram vendidos em três anos, sendo que três dessas unidades são da equipa oficial chinesa no TCR China.

30 Jun 2021

Filipe Souza pensa correr de Hyundai no GP Macau

Depois de ter terminado no quarto lugar na passada edição da Corrida Guia do Grande Prémio de Macau, o melhor resultado de sempre de um piloto local naquela que é a mais importante corrida de carros de Turismo do continente asiático, Filipe Souza pretende ir mais além este ano. A evolução da pandemia trocou-lhe os planos iniciais, mas o piloto macaense já tem na manga um “Plano B”.

“A ideia para esta temporada passava por fazer algumas provas do campeonato TCR China, como preparação para o Grande Prémio de Macau. Em princípio não ia fazer as corridas do ‘Circuit Hero’ no Circuito Internacional de Zhuhai e as corridas organizadas pela AAMC não devem acontecer este ano, mas agora estou a ver como evolui a situação da COVID”, explicou o piloto do território ao HM. “Até porque na China pararam todas as corridas e temos que aguardar pelo recomeço”.

Depois do cancelamento da prova do TCR China marcada para Zhuzhou a 13 de Junho, o campeonato nacional chinês de carros de Turismo espera retomar no último fim de semana de Agosto, em Ningbo. Caso contrário, a competição terá que aguardar autorização para retomar a 13 de Setembro, em Xangai. Segundo o comunicado publicado pela federação chinesa no passado dia 27 de Maio, todos os circuitos, organizadores e partes interessadas no desporto terão que “rever os seus procedimentos de segurança e emergência”, não tendo sido estipulada uma data para o regresso à normalidade.

Oportunidade aliciante

Com ou sem uma forte presença do contingente internacional, a 68ª edição do Grande Prémio de Macau irá avante, o que obriga os pilotos locais a planearem o seu regresso ao tradicional cartaz desportivo do mês de Novembro. Após ter delineado a sua temporada para voltar a conduzir o Audi RS3 LMS TCR inscrito pela T.A. Motorsport, o que deverá ainda acontecer em algumas ocasiões, com este volte-face surgiu uma outra oportunidade igualmente aliciante.

“Este ano quero voltar à Corrida da Guia e estou em contacto com o Engstler sobre um novo projecto com um Hyundai para fazer Macau”, revelou Filipe Souza. “Mas ainda não está confirmado, porque neste momento os elementos da equipa ainda não podem entrar em Macau ou na China”.

Apesar da forte presença da Hyundai nas corridas de carros de Turismo a nível mundial, a verdade é que a marca sul-coreana nunca conseguiu ter uma representação neste ponto do globo. Ocupada na Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR com dois novos Hyundai Elantra N TCR apoiados pela marca, a Team Engstler pretendia esta temporada colocar nas pistas asiáticas os seus ainda competitivos i30 N TCR, utilizados no ano passado na competição mundial, ideia que não terá esmorecido às mãos das contrariedades causadas pela pandemia.

Por seu lado, Filipe Souza é um velho conhecido da equipa alemã do ex-piloto Franz Engstler. Em 2014, o piloto da RAEM conduziu um BMW 320 TC da formação germânica nas quatro provas pontuáveis para o Troféu Asiático do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA (WTCC). Dois anos depois, nas provas do TCR Asia em Singapura e na Malásia, Filipe Souza regressou ao Team Engstler para tripular um dos Volkswagen Golf Gti.

25 Jun 2021

Vencedor do Grande Prémio aposta nos simuladores

Num momento em que a sua carreira enquanto piloto se encontra em “banho-maria”, o vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 4, Charles Leong Hon Chio, iniciou um projecto que pretende trazer “novo sangue” ao automobilismo de Macau, usando para isso os simuladores e o entusiasmo em redor do “sim racing”, a modalidade electrónica que replica os desportos motorizados

 

Mesmo após ter triunfado na corrida de Fórmula 4 do Grande Prémio de Macau do ano transacto, Charles Leong estava ciente que este resultado poucas possibilidades lhe poderia abrir no desporto motorizado. A pandemia veio afectar fortemente o ecossistema do automobilismo no continente asiático e as oportunidades de um jovem da RAEM evoluir nestas circunstâncias fora de portas são diminutas. Não querendo desperdiçar a sua experiência e conhecimento do desporto, Charles Leong co-fundou a G Racing Simulation, uma empresa que dá instrução de condução em simuladores.

Durante muitos anos, o karting era a escola única para a formação de pilotos para o automobilismo, mas cada vez há mais jovens a usarem os simuladores – pelo seu menor custo e conveniência – como ferramenta de aprendizagem. Charles Leong não hesitou em afirmar ao HM que “acredita em ambas, pois para o ex-praticante “tanto o karting, como os simuladores, são muito importantes. O karting é insubstituível. Porém, o simulador é uma ferramenta muito boa para testes e para ajustar hábitos de condução”.

Por outro lado, e apesar de ter no Kartódromo de Coloane a mais sofisticada infra-estrutura para a prática de karting no sudeste asiático, a regulamentação local é bastante desfavorável à iniciação na modalidade. A idade mínima para alugar um karting no Kartódromo de Coloane é de dezoito anos. Em Portugal, por exemplo, a idade de iniciação em competição no karting é aos cinco anos.

Por isso mesmo, “o simulador pode ajudar muitos pais a compreenderem o que realmente são as corridas e assim permitirem que os seus filhos possam experimentar o que se sente nas corridas”, explicou Charles Leong, que co-dirige a empresa localizada nas imediações da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.

Perceber o real valor

Existe sempre a dúvida se um bom piloto no mundo virtual pode demonstrar o mesmo talento na vida real. O ex-campeão chinês de Fórmula 4 acredita que “tudo depende da pessoa”, mas “com um treino adequado”, o salto dos simuladores para os carros da vida real pode ser mais fácil e não há nada que o impeça de se “tornar num bom piloto”.

Esta transição de um mundo para o outro é passo muito exigente, até porque se uma realidade praticamente não requer investimento, a outra, reclama fundos que não estão disponíveis a todas as bolsas. “Primeiro de tudo, tenho que construir este mercado em Macau e permitir que as pessoas compreendam o que são as corridas e o ‘sim racing’”, admite Charles Leong. “Tenho que construir a comunidade e fazer parcerias com as pessoas certas”.

Depois, no que ao financiamento diz respeito, “precisamos da ajuda do mercado chinês de ‘sim racing’. Isto poderá ajudar-nos a promover e a criar uma boa proposta para diferentes pessoas”, explica o piloto-empresário de apenas 19 anos. “O financiamento poderá vir da Federação de União de Desportos Electrónicos de Macau ou do governo.

Contudo, a única forma de encontrar patrocínios será construir uma boa reputação, criar valor e permitir que as pessoas compreendam melhor o que são as corridas em Macau”.

GP por pensar

O primeiro piloto chinês de Macau a vencer a prova rainha do Grande Prémio ainda não sabe se voltará a competir na prova do mês de Novembro. Depois de ter competido na prova de Fórmula 3 por duas ocasiões e ter sido o vencedor na estreia da Fórmula 4 no Circuito da Guia, Charles Leong ainda não tem nada alinhavado para o maior cartaz automobilístico da RAEM.

“Para ser honesto, ainda não estou certo”, confirmou, salientando o facto do programa das corridas do evento estarem por definir, lembrando também que para além dos seus projectos empresariais, onde se incluí também o Pátio Café na Taipa, tem ainda compromissos universitários. “Provavelmente irei ao Reino Unido no mês de Setembro…” e talvez nessa altura tome uma decisão.

17 Jun 2021

Automobilismo | O triste fim de vida dos carros de corrida locais

Longe vão os tempos em que os pilotos locais participavam no Grande Prémio de Macau com os seus carros do dia-a-dia. Hoje, os carros de corrida são máquinas construídas ao detalhe a pensar nas pistas, o que lhes tem dado uma vida curta nesta região do globo. Depois de cumprido o seu ciclo de vida, a impossibilidade de terem uma segunda vida nas corridas, faz com que muitas viaturas, algumas com “pedigree”, se percam para sempre.

Tal como o ser humano, os automóveis envelhecem. Foram excelentes companheiros de aventura, prestaram bons serviços, com eles celebramos alegrias, mas chega aquela altura e a esmagadora maioria está condenada ao abate.

Há alguns, ora por valor sentimental ou pela sua raridade, têm outro destino. Infelizmente, nas últimas quatro décadas, a grande parte dos carros que vimos correr nas provas locais do Circuito da Guia desapareceram.

Um ciclo de vida de um carro de corrida ao mais alto nível dura entre três a quatro anos, mas não é assim tão excêntrico ver viaturas com mais de dez anos ainda em actividade. Onde o automobilismo está mais desenvolvido, um carro de corrida é considerado muitas vezes um objecto de arte e pode ser guardado em colecção privadas, ou então competir em corridas de carros da sua geração, habitualmente chamadas de corridas de clássicos ou históricos.

“Até ao início dos anos 1990s, os carros que competiam nas corridas para os pilotos locais do Grande Prémio eram carros de estrada de matrícula de Macau. Depois do Grande Prémio, como não podiam andar na rua assim, era necessário voltar a colocá-los na forma original. Era preciso remover o arco de segurança, que era aparafusado, ou montar os bancos dos passageiros”, esclareceu ao HM, o ex-piloto e co-fundador do Automóvel Clube de Macau, Isaías do Rosário.

“Foi mais ou menos nessa altura que começaram a aparecer carros de pilotos de Hong Kong provenientes do Japão. No início existia uma regra que impedia os pilotos de Macau conduzirem carros que não fossem de Macau. No entanto, mais tarde, passou a ser autorizado para os pilotos de Macau o uso de carros provenientes de outras origens, mas estes só podiam permanecer no território na semana do Grande Prémio e depois tinham que sair do território, ficando a maior parte deles em Hong Kong ”, acrescenta Isaías do Rosário, recordando ainda que “só em 1995, quando eu como engenheiro dos serviços de viação de Macau, consegui esclarecer, tranquilizar e sugerir os procedimentos de importação desses carros de competição a uma alta dirigente dos serviços de economia e que dessa forma os mesmos não iriam circular nas estradas de Macau, aspeto que era de grande preocupação por parte das autoridades, é que finalmente foi possível manter os carros de corrida em Macau”. Curiosamente, ainda hoje vigoram esses procedimentos.

Poucas alternativas

O ciclo de vida de um automóvel de competição está intimamente ligado à sua performance e à estabilidade dos regulamentos técnicos que regem os campeonatos e corridas. Quando um carro deixa de ser competitivo, ou quando um campeonato muda de regulamentos, impossibilitando a sua participação nas corridas, o seu destino fica periclitante. Até porque para os proprietários não há muitas alternativas quando estas viaturas saem de circulação.

Guardar estes carros no outro lado das Portas do Cerco podia ser uma solução razoável em termos logísticos e de espaço, mas estes só podem entrar no Interior da China em regime provisório e sujeitos a pagar a sua estadia diária nos circuitos que os acolhem.

Vender é sempre a primeira opção quando um carro está em fim de vida, caso contrário, “temos que guardar dentro de uma garagem ou podes enviá-lo para alguns circuitos do Interior da China para poderes treinares ou realizares testes”, explicou ao HM o piloto macaense Álvaro Mourato. “Eu tentei oferecer o meu Honda Civic EK4 ao Museu do Grande Prémio de Macau, mas foram criados muitos entraves e por isso acabei por levá-lo para a sucata”.

Felizmente, para o piloto macaense, o seu “Honda Integra DC5 e o Peugeot RCZ foram vendidos”, mas a realidade é que “é muito difícil de guardar carros em Macau, pois o custo é elevado”.

Chance em Zhaoqing

Os tempos idos em que os carros de competição podiam voltar à sua forma original, “reformando-se” como viaturas de uso diário, já não se repetem. Segundo o experiente piloto português Rui Valente, na actualidade, tal coisa “é quase impossível, pois acaba por ser caro e estes carros (de corrida e em final do ciclo de vida) não valem muito”.

É quase unânime que se estes bólides, alguns deles ainda com saúde para muitos quilómetros, tivessem mais oportunidades para terem uma segunda vida naquilo que os ingleses chamam de “club racing”, ou automobilismo de lazer, haveria outra vontade dos seus proprietários em mantê-los. “Neste momento, já há quem se tenha arrependido de ter abatido os antigos Honda (da categoria N2000), pois nunca pensaram que poderiam continuar a correr com eles no Circuito Internacional de Guangdong em Zhaoqing”.

Com o ciclo de vida das viaturas das categorias 1600cc Turbo e 1950cc ou Superior apenas prolongado pela pandemia, cerca de meia centena de carros corre o risco de terminar as suas carreiras dentro de pouco tempo esquecidos numa sucata qualquer. A menos que haja quem siga as pisadas de Rui Valente e descubra que um carro não precisa de ser novo para dar gosto de conduzir.

11 Jun 2021

Automobilismo | Max Mosley, ex-presidente da FIA, faleceu aos 81 anos

Faleceu na passada segunda-feira, aos 81 anos e após ter perdido a batalha contra um cancro, Max Mosley, o ex-presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA) de 1993 a 2009. Figura controversa, dentro e fora do desporto, o advogado e ex-piloto britânico sugeriu por diversas vezes que Macau organizasse um Grande Prémio de Fórmula 1 nos anos 1990s.

Depois de uma curta carreira como piloto, que terminou na Fórmula 2 em 1969, Mosley dedicou-se à gestão de equipas de Fórmula 1, para rapidamente optar por cargos políticos dentro do desporto. Foi eleito presidente da então Federação Internacional do Desporto Automóvel (FISA) em 1991, tornando-se presidente da FIA em 1993. Por lá ficou até Outubro de 2009, quando abandonou a presidência da FIA, já com a sua imagem manchada após uma reportagem publicada num tabloide britânico em que participava numa orgia com conotações nazis, as quais sempre negou.

Criticado por muitos por ter uma visão muito centrada na Fórmula 1 e esquecer o resto das disciplinas do automobilismo, Mosley foi o grande impulsionador da segurança no desporto e, com o apoio do seu velho amigo Bernie Ecclestone, ajudou a que o “Grande Circo” conquistasse a relevância mundial que hoje goza. Visionário em muitos aspectos, Mosley cedo percebeu a importância do continente asiático e foi com ele que começou realmente a expansão asiática das principais competições de automobilismo.

Ao contrário do seu antecessor, o francês Jean-Marie Balestre, Mosley sempre manteve uma boa relação com as autoridades desportivas de Macau. À conta da sua amizade pessoal e confiança com Alfredo César Torres, o então influente responsável máximo do desporto motorizado em Portugal, o Grande Prémio caiu nas boas graças da FIA, recebendo a corrida de Fórmula 3 o título de Taça Intercontinental da FIA em 1997.

Quando visitou o Grande Prémio em 1993, durante o 40º aniversário do evento, Mosley terá perguntado à Comissão Organizadora da prova “porquê que Macau não organiza uma corrida de Fórmula 1”? Aliás, à época, aos olhos da FIA, Macau, que tinha acabado de estrear uma sofisticada infra-estrutura permanente, reunia mais condições que o Mónaco para receber a caravana da disciplina rainha do desporto automóvel. Contudo, na altura, a Comissão Organizadora, com o português João Manuel Costa Antunes ao leme, considerava a que não havia condições para acolher os monolugares de Fórmula 1 e, por condições, referia-se às ruas estreitas e outras necessidades que um circuito de Grau 1 da FIA já exigia há trinta anos.

Nos primeiros anos da década de 1990s, este foi um assunto falado por várias vezes na imprensa, pois Bernie Ecclestone e a FIA, por intermédio de Max Mosley, gostariam de ter no no calendário do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 o território ultramarino sob administração portuguesa, pois este era visto como uma excelente porta de entrada para a China, numa época em que não existia qualquer outra alternativa na região. O assunto só caiu no esquecimento quando Zhuhai avançou com a construção do seu circuito permanente.

O Circuito Internacional de Zhuhai foi politicamente acarinhado por Mosley desde a primeira hora. Com indicações claras que Macau não iria cair na tentação da Fórmula 1, o primeiro circuito permanente da República Popular da China teve todo o apoio do inglês. A pista da cidade adjacente à RAEM chegou mesmo a fazer parte do calendário do mundo de Fórmula 1 em 1999, mas a crise financeira que afectou o sudeste asiático atirou o circuito chinês para fora do calendário. Mosley teve a oportunidade de ver o seu sonho finalmente cumprido em 2004, quando o “Império do Meio” quando a caravana do mundial de Fórmula 1 desembarcou no ultra-moderno e imponente circuito de Xangai.

26 Mai 2021

Grande Baía | Construtor fez um carro da categoria TCR

Durante algum tempo ouviu-se com frequência no bas-fond do automobilismo chinês falar sobre a existência de um terceiro construtor chinês, cuja identidade nunca foi propriamente revelada, muito interessado em juntar-se à Lynk & Co e à MG na popular categoria de carros de Turismo TCR. Tratava-se da GAC Motor, um construtor automóvel de Cantão

 

Em 2017, a BAIC Motor e a Shanghai Lisheng Racing Co. Ltd apresentaram o BAIC Senova D50 TCR. O carro, desenhado em parceria com a empresa italiana Hexathron Racing Systems, foi inspirado na regulamentação técnica da categoria TCR, mas nunca recebeu a homologação TCR para ser aceite noutras competições que usam esta plataforma. No entanto, este carro foi usado durante três temporadas no troféu monomarca do Interior da China, tendo sido visto entre nós por duas ocasiões, durante os Grande Prémios de Macau de 2016 e 2017, dando corpo à Taça da Corrida Chinesa.

A BAIC é uma presença regular no desporto automóvel nacional e internacional, tanto no Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), como em provas de todo-o-terreno, inclusive tendo participado na última edição do rali Dakar. Durante alguns anos o construtor automóvel de Pequim terá avaliado a possibilidade de construir um verdadeiro TCR, tendo como base no Senova D50 de troféu. No entanto, essa ideia, por diversas razões, nunca se materializou. Já o TCR da Grande Baía saiu do papel.

O GA6 TCR da GAC ​​Trumpchi foi construído pela Maxpeeding Rods em parceria com a Chongqing Guogui Racing Technology. Este carro, que foi totalmente modificado e fabricado de acordo com as especificações TCR, terá recebido apoio do grupo Guangzhou Automobile Group Motor Co Ltd (GAC Motor). O grupo tem uma forte presença dentro do Interior da China, estando igualmente a entrar em novos mercados no Sudeste Asiático, Médio Oriente e América do Sul. Ao mesmo tempo, a marca fundada em 1955 também não é estranha aos desportos motorizados, com participações em ralis, todo-o-terreno e velocidade. A ideia de construir um TCR passava por colocá-lo a competir no TCR China, para depois projectar a marca noutras paragens internacionais, usando para isso a plataforma criada pelo empresário italiano Marcello Lotti e usada em inúmeros campeonatos e corridas internacionais como a Corrida da Guia.

Feito como lá fora

O GAC ​​Trumpchi GA6 TCR foi equipado com um motor de dois litros turboalimentado e com uma caixa de velocidades sequencial da francesa Sadev, igual àquela utilizada nos TCR das marcas Audi, SEAT ou Volkswagen. Segundo o preparador: “vale ressaltar que a carroceria do carro adopta um esquema modular, e a gaiola de protecção em liga que atende aos regulamentos da federação de automobilismo da China é personalizada por meio de digitalização 3D”.

Para o ECU (centralina electrónica), foi escolhido um Emtron KV12, com o preparador a fazer igualmente referência “ao sistema de suspensão independente personalizada, aos travões (da marca inglesa) AP, ao tanque de combustível de 60 litros da ATL, ao sistema de levantamento automático pneumático do chassis aos extintores da OMP que garantem o profissionalismo e a segurança do carro de corrida”.

Fim prematuro

Dois exemplares do GA6 TCR foram vistos a testar no circuito de Tianma, em Xangai, pela primeira vez no Verão de 2019 e já com os números e autocolantes oficiais do TCR China nas portas. Um carro chegou mesmo a ser colocado em exposição no Salão do Automóvel Modificado da China, realizado no Complexo de Feiras de Importação e Exportação da China em Pazhou, Guangzhou, no final do ano de 2019. Em 2020, quando se esperava a estreia dos GA6 TCR nas pistas, deu-se a pandemia e os calendários de todas as competições automóveis chinesas foram dilacerados. Isto, apesar do campeonato TCR China ter conseguido as suas doze corridas inicialmente planeadas, incluindo a finalíssima de luxo nas ruas da RAEM.

Do projecto do GA6 TCR nunca mais se ouviu falar, este terá sido colocado numa gaveta a aguardar melhores dias e, essencialmente, verbas da casa-mãe para poder ombrear com os Lynk & Co do grupo Geely e os MG do grupo SAIC.

Apesar dos carros ainda existirem, estes nunca foram homologados pela organização internacional do TCR, o que na teoria os impede de correr em qualquer competição que cumpra a regulamentação, incluíndo o TCR China. Para obter esta homologação seria necessário enviar um exemplar para a Europa, de modo a que este fosse avaliado pelos técnicos competentes, o que neste cenário de crise sanitária e restrições nas viagens internacionais, não é definitivamente fácil para qualquer estrutura com base na China Interior.

17 Mai 2021

André Couto regressou em Xangai e Rui Valente voltou em Zhaoqing

Para além da participação de Rodolfo Ávila na prova de abertura do Campeonato TCR China, que ontem aqui noticiamos, houve mais três pilotos do território em acção num fim de semana agitado para as cores de Macau.

Também no Circuito Internacional de Xangai, e depois de um ano praticamente afastado das pistas, André Couto fez o seu regresso ao automobilismo na prova de abertura da Taça Porsche Carrera Ásia. O piloto português não deixou “créditos por mãos alheias” na sessão de qualificação e realizou o segundo melhor tempo. A pole-position escapou-lhe por meros 0,169 segundos, a favor do jovem sino-inglês Daniel Hibbitt Lu do Team Jebsen.

Na corrida de sábado, Lu defendeu-se bem do ataque inicial de Couto e na segunda volta entrou em pista o Safety-Car para remover um carro imobilizado em zona perigosa. No recomeço, Couto ultrapassou Lu, mas não conseguiu descolar do pelotão perseguidor. Couto, Lu e Ling Kang realizaram várias voltas muito próximos, até que a duas voltas do fim, Couto alargou a trajectória e Lu, que vinha também ele a ser pressionado, tentou a ultrapassagem, tocando no Porsche 911 GT3 Cup (Tipo 992) nº7 de Couto que entrou em pião. O piloto da RAEM ainda voltou à pista para ver a bandeira de xadrez no 13º lugar.

Como a grelha de partida da segunda corrida da Taça Porsche é determinada pela segunda melhor volta na qualificação, Couto arrancou do 5º lugar para o segundo embate do seu fim de semana de estreia na disciplina. O piloto luso da equipa chinesa Toro Racing segurou a quinta posição na primeira metade da corrida, mas no final, claramente com dificuldades com o seu carro, algo que o piloto acredita ter sido derivado ao toque sofrido no dia anterior, acabou por ceder duas posições, terminando assim no sétimo lugar.

Ainda por Xangai, o piloto de Macau Alex Liu participou na prova de estreia do campeonato GT Super Sprint Challenge, que reuniu três dezenas de pilotos amadores com carros das categorias GT3, GT4 e GTC. Ao volante do seu Mercedes AMG GT3, Alex Liu foi o sexto classificado na primeira corrida e abandonou na segunda corrida devido a uma colisão com um adversário.

Maldita jante

No Circuito Internacional de Guangdong, Rui Valente voltou a vestir o fato e a calçar as luvas para o quarto evento do “GIC Super Track Festival”. Com as maleitas que apoquentaram o Honda Integra DC5 nas últimas provas já resolvidas, o veterano piloto das corridas de carros de Turismo obteve o quinto lugar na qualificação para a prova. Contudo, no domingo, quando a corrida de uma hora de duração caminhava para o fim e tudo apontava para mais um pódio de Rui Valente, uma jante construída localmente partida fez ruir as esperanças de um bom resultado.

“Estava tudo a correr nos conformes, até que a quinze minutos do fim deu nisto”, explicou Valente ao HM, apontando para os estragos na sua jante. “Estava no segundo lugar da geral no momento em que a jante partiu. Ainda assim fui às boxes e trocámos de jante, deu para terminar no 15º lugar”.

Entretanto, o quarteto macaense composto por Rui Valente, Ricardo Lopes, José Mariano da Rosa e Belmiro Aguiar adiou o seu regresso às pistas devido a compromissos que alguns dos elementos tinham na data prevista para a prova de seis horas. O objectivo de um regresso às pistas ainda esta temporada continua de pé e deverá acontecer mais tarde ainda este ano na pista dos arredores de Zhaoqing.

11 Mai 2021

TCR China | Ávila inicia temporada este fim-de-semana em Xangai

Rodolfo Ávila começa este fim-de-semana a temporada no TCR China, e regressa ao campeonato onde foi vice-campeão no ano passado ao volante do MG 6 XPower, com as cores da equipa MG XPower Racing. A primeira prova decorre no Circuito Internacional de Xangai, que normalmente é utilizado para receber a Fórmula 1 na ronda chinesa.

Com corridas agendadas para sábado e domingo, Ávila traça como metas lutar pelos títulos. “Estou muito satisfeito pela confiança que a MG XPower Racing voltou a depositar em mim. No ano passado, quando ninguém esperava, conseguimos lutar pelo primeiro lugar do campeonato  de pilotos até à última corrida e vencemos o campeonato de equipas”, afirmou o piloto de Macau, em comunicado. “Este ano vamos tentar voltar a oferecer muitas alegrias aos fãs da marca um pouco por todo o mundo e quem sabe estar na luta por ambos os títulos”, sublinhou.

Ávila parte em desvantagem face a alguma concorrência, uma vez que não conduz o monolugar desde Novembro, altura em que competiu em Macau. “Já não conduzo o MG 6 XPower TCR desde Novembro do ano passado. Vou precisar de tempo para voltar a ganhar o ritmo, mas, felizmente, conheço bem o carro e o circuito”, indicou. Porém, o piloto não se mostrou muito preocupado: “Esta é uma pista que também é familiar à equipa e acredito que vamos rapidamente recuperar o tempo em que estivemos parados”, conclui o único piloto de Macau inscrito no campeonato.

6 Mai 2021

Asa do acidente de Sophia Floersch em Macau desaparecida devolvida em Portugal

A história do acidente de Sophia Floersch no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2018 teve um dos seus últimos episódios no passado fim de semana quando a asa dianteira do Dallara F317 “desaparecida” em Macau foi finalmente devolvida à equipa Van Amersfoort Racing (VAR) em Portugal.

A edição de 2018 ficará para sempre marcada pelo violentíssimo acidente da piloto alemã, que depois de um toque com Jehan Daruvala e a seguir embater em Sho Tsuboi voou em direcção ao palanque dos fotógrafos na Curva Lisboa. Para além dos ferimentos provocados em alguns fotógrafos e comissários de pista, Floersch fracturou a coluna, tendo, entretanto, todos os intervenientes recuperado das mazelas. Na altura, vários destroços do carro não foram entregues à equipa holandesa.

Para além do restritor de ar do motor, a asa da frente, que ficou separada do carro, não foi devolvida à equipa. Dias depois, esta mesma asa feita em fibra de carbono apareceu à venda num portal de leilões online sem autorização e para total espanto da equipa. A VAR conseguiu arranjar forma de apresentar queixa na Polícia em Macau e a asa foi prontamente recuperada pelas autoridades do território.

No sábado, a VAR anunciou nas redes sociais que finalmente a asa chegou às mãos da equipa, com uma fotografia da mesma e com a legenda: “reunidos em Portimão, dois anos e meio depois do acidente de Sophia Floersch em Macau”.

Mão portuguesa

A “desaparecida” asa dianteira foi entregue a Frits van Amersfoort, dono e fundador da equipa sediada em Zeewolde, pelas mãos de Rodrigo Brum, o ex-Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau e que também exerceu funções em Macau nos anos 1990.

“Foi-nos devolvida enquanto estávamos em Portugal, na pista de Portimão, para a primeira corrida do campeonato Euroformula Open. Obrigado ao Sr Brum por trazer a parte que faltava”, é possível ler na rede social da equipa.

Através de um contacto comum, o economista português conseguiu “resgatar” a asa dianteira perdida do monolugar de construção italiana. Visto que a VAR não regressou ao Grande Prémio em 2019 e apesar de esta peça ter valor comercial não foi requisitada com urgência, a asa dianteira acabou por viajar com Rodrigo Brum de Macau até Lisboa.

No fim de semana transacto, a caravana da Euroformula Open, uma competição em tudo semelhante à Fórmula 3, esteve no Algarve, fazendo parte do programa de corridas do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1. Aproveitando a ocasião, foi devolvida ao seu dono. O acidentado Dallara F317 Mercedes de Floersch nunca foi recuperado e ainda está nas oficinas da VAR. O que lhe irá acontecer a seguir será com certeza o último capítulo desta saga.

5 Mai 2021

Automobilismo | André Couto com duplo programa desportivo na China

Após um ano em que esteve praticamente arredado das pistas, André Couto vai regressar ao activo este ano com dois programas desportivos na República Popular da China. O piloto português da RAEM vai participar no Campeonato da China de GT e na Taça Porsche Carrera Ásia

 

No final da pretérita semana, Couto participou nos dois dias oficiais de testes do Campeonato da China de GT que se realizaram no Circuito Internacional de Zhuhai. O piloto do território aproveitou para voltar a ganhar ritmo competitivo, enquanto se ambientou à sua nova equipa, a Toro Racing, e a um carro que até aqui nunca tinha conduzido, o Mercedes-AMG GT3.

“No global, foi um bom teste”, admitiu Couto ao HM. “A minha última corrida foi em Janeiro do ano passado, na Austrália, e o meu último teste, em Março, no Japão. No início estava um pouco apreensivo, pois foram muitos meses parado, mas no fim, acabou por correr tudo bem. Não tive dificuldades em termos físicos e senti-me confortável com a equipa”.

Dividido em duas categorias, uma para carros da categoria FIA GT3, e outra para os menos potentes carros da classe GT4, o Campeonato da China de GT é composto por cinco provas pontuáveis e uma extra-campeonato no Grande Prémio de Macau, em Novembro. Com início marcado para o último fim de semana de Maio, em Ningbo, Couto fará equipa com o piloto amador chinês Zang Kan, visto que os regulamentos obrigam a que as duplas tenham um piloto profissional e outro amador.

“Os meus planos passam por tentar fazer a época toda, mas tudo vai depender um pouco da evolução das restrições das viagens entre Macau e a China Interior. Se não houver nenhuma alteração na actual política de atribuição de vistos, talvez seja obrigado a faltar a uma prova”, explicou Couto que assim regressa ao campeonato onde se estreou em 2017.

Tempos prometedores

Apesar de ter uma vasta experiência em carros da categoria FIA GT3, a verdade é que Couto nunca tinha conduzido o Mercedes-AMG até à passada quinta-feira. E esta experiência com o carro da marca de Estugarda não podia ter corrido melhor, pois o piloto luso marcou o melhor tempo no cômputo dos dois dias de testes, superando Cheng Congfu (Audi R8 LMS GT3), o piloto oficial da Audi Sport Asia, ou Ye Hongli (Porsche 911 GT3-R), o vencedor da última edição da Taça GT Macau do Grande Prémio.

“Nunca tinha andado com o Mercedes. Fiquei positivamente impressionado com o carro, pois tem uma base muito boa, uma suspensão eficaz e tem uma traseira muito estável”, destacou o novo recruta da Toro Racing. “Também gostei muito da forma de trabalhar da equipa, que se aproxima ao que estou habituado. Falam inglês e compreendem as necessidades do piloto. O meu companheiro de equipa conseguiu tempos interessantes para um ‘gentleman driver’ e os patrões da equipa têm ambições. É uma equipa nova, com um grupo forte por detrás, e que quer crescer. Julgo que podemos ter um conjunto interessante para o futuro”.

Estreia na Taça Porsche

O convite da Toro Racing ao piloto de Macau estendeu-se do campeonato chinês de GT também para a Taça Porsche Carrera Ásia. Couto será o sexto piloto da RAEM a participar na competição monomarca da Porsche para o continente asiático, isto no ano de estreia do novo modelo Porsche 911 GT3 Cup (Tipo 992). Também será a primeira vez que Couto participa numa competição de automobilismo monomarca desde 2000, quando competiu no Campeonato Internacional de Fórmula 3000.

“A equipa vai ter dois carros, um deles para um piloto semi-amador e outro para mim. Vou fazer corrida a corrida, pois não sei se será possível completar a temporada devido aos vistos. A minha prioridade ainda são os GT, mas a Taça Porsche é igualmente competitiva e quero aproveitar ao máximo depois de um ano praticamente parado”, esclareceu Couto que na próxima semana viaja para Xangai, para os dias oficiais de testes da Taça Porsche que antecedem a primeira corrida do ano.

Após dezasseis anos a conduzir ao mais alto nível no Japão, Couto não esconde que ambiciona voltar ao país do sol nascente. “Mantenho contactos com o Japão e, quando as fronteiras reabrirem, gostava de regressar”, reconhece Couto, que aos 44 anos está longe de abrandar.

27 Abr 2021

Automobilismo | Rui Valente apronta regresso do quarteto macaense

Depois de um pódio e dois abandonos consecutivos, Rui Valente, o piloto de matriz portuguesa há mais tempo no activo, está confiante para a próxima prova, aquela que juntará novamente quatro nomes portugueses que escreveram alguns capítulos da história do automobilismo e motociclismo de Macau nas últimas quatro décadas

 

No fim de semana de 9-11 de Abril, no Circuito Internacional de Guangdong (GIC), Rui Valente disputou a sua terceira corrida da temporada, ele que foi até agora o único piloto da RAEM a realizar corridas de automobilismo esta temporada de 2021. Após uma qualificação prometedora, onde colocou o Honda Integra DC5 na primeira linha da grelha de partida, e uma perseguição inicial ao primeiro classificado à geral na corrida, um mais potente Lotus Exige, o experiente piloto do território viu-se traído por um problema eléctrico na sua viatura, o que o obrigou a abandonar.

Este infortúnio não foi o primeiro revés sofrido este ano. Na prova de abertura do “GIC Super Track Festival”, em Janeiro, Rui Valente terminou em terceiro lugar, mas na corrida anterior a esta, em Março, um problema da válvula de pressão do tanque de gasolina não permitiu que o nº14 realizasse uma corrida isenta de problemas. Depois de uma longa paragem nas boxes, Rui Valente ainda viria a ver a bandeira de xadrez, mas já muito longe dos lugares da frente.

Mesmo assim, a confiança continua alta antes da próxima prova, aquela que reunirá novamente no mesmo carro um quarteto de luxo composto por Rui Valente, Belmiro Aguiar, Ricardo Lopes e José Mariano da Rosa. Nos últimos dois anos, o piloto português com mais participações no Grande Prémio de Macau fez questão de tirar do retiro os seus ex-rivais de outros tempos que assim se viram “forçados” a ir buscar ao fundo do armário o fato e o capacete para alinharem nas corridas de longa duração organizadas pelo circuito dos arredores da cidade continental chinesa de Zhaoqing.

A equipa ainda terá avaliado a aquisição de um carro novo, mas, por agora, o “velhinho” Integra DC5 continuará a ser o “cavalo de batalha” nestas corridas de longa distância, aonde a fiabilidade e o consumo acabam por ter mais peso que a potência ou velocidade de ponta. Para enfrentar as agruras que terá pela frente, o carro japonês vai passar por uma cura de rejuvenescimento. “O carro vai receber um novo motor e uma nova caixa de velocidades e vamos resolver o problema dos ‘relays’ (ndr: um interruptor eletromecânico) de uma só vez”, explicou Rui Valente ao HM.

De forma a dinamizar a indústria do automobilismo na província de Guangdong, o GIC organiza este ano um campeonato com dez corridas com a duração de uma hora, aquelas que Rui Valente participa a solo, com o nome de “GIC Super Track Festival”, e três provas de seis, sete e oito horas de duração, que compõem o campeonato “GIC Super Endurance Race”, em que o quarteto macaense irá alinhar.

Expectativas à medida

A prova de seis horas está agendada para o fim de semana de 4 e 5 de Maio. Acima de tudo, esta é uma iniciativa em que os intervenientes querem desfrutar do prazer de voltar a competir, deixando para segundo plano os resultados.

Contudo, ninguém acredita que o quarteto lusófono da RAEM vá participar só por participar, e em termos desportivos o objectivo está bem definido, como refere Rui Valente, e passa por “fazer melhor que no ano passado”.

Entretanto, enquanto não há ainda datas oficiais para as corridas de apuramento para o Grande Prémio de Macau, o MINI Cooper S preparado na oficina situada no GIC está pronto para mais uma temporada em cheio. “É só mudar óleos, rever os travões e pronto”, revela o seu proprietário que o ano passado regressou ao pódio do Grande Prémio, com um terceiro lugar na categoria “1600cc Turbo” da Taça de Carros de Turismo de Macau.

19 Abr 2021

GP F3 | Prestígio da prova aguenta um segundo cancelamento

O anúncio da pretérita semana dos organizadores do Campeonato da China de Fórmula 4, em que se revelou que o Grande Prémio de Macau faz parte do calendário para 2021, relembra-nos que se a evolução da pandemia não melhorar, uma tradição com quase quarentena anos poderá novamente não se repetir este ano: o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3

 

Como dizia Trevor Carlin, o fundador da equipa de Fórmula 3 Carlin, “Novembro não é Novembro, sem a ida a Macau”. Sem surpresas, portanto, o último Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA) decidiu colocar a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA no calendário internacional, mas esta acção não é vinculativa.

A última palavra, sobre a realização da prova, está sempre do lado da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau e das autoridades de saúde. Recorde-se que no ano passado a prova de Fórmula 3 não se realizou, pois os catorze dias de quarentena obrigatórios à chegada não eram viáveis para as equipas provenientes do estrangeiro.

O macaense Mário Sin, ex-membro da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, acredita que hoje as prioridades são outras. “O Grande Prémio de Macau é propriedade do Governo, não tem um problema de sobrevivência, daí a prioridade que o Governo tem agora é evitar ao máximo o contágio da COVID-19. Sendo assim, é muito provável que não vá baixar a guarda que tem tido até agora”, afirma esta figura incontornável do automobilismo local, acrescentando que “possivelmente não vamos receber a corrida de Fórmula 3 e outras se [o Governo] achar que a situação não é aconselhável. Veja que a China, por causa da pandemia, também abdicou da sua corrida de Fórmula 1. Por isso, se Macau tiver que desistir [da corrida de F3], está apenas a seguir os ‘bons’ conselhos de segurança da China em relação ao novo coronavírus”.

O piloto português Álvaro Parente, campeão britânico de Fórmula 3 em 2005 e que correu no Circuito da Guia tanto na prova de Fórmula 3, como na Taça do Mundo de GT da FIA, reconheceu ao HM que “é evidente que não é a situação ideal, dado que seria já o segundo ano sem competições internacionais em Macau. Mas atendendo à situação actual, é compreensível, dado que vão muitos pilotos e equipas da Europa e existem riscos na presente conjectura. Contudo, penso que o Grande Prémio de Macau é um nome muito forte no mundo do automobilismo e acredito que conseguirá manter o seu estatuto depois de dois anos sem provas internacionais”.

Estatuto intacto

O rumo que a FIA escolheu para a Fórmula 3 não é consensual. O que em tempos era uma competição que colocava frente a frente diversos construtores de chassis e motores é hoje uma competição monomarca Dallara-Mecachrome, o que tem sido alvo de várias críticas de alguns sectores.

“A F3 real perdeu a sua tradição quando a FIA passou de uma fórmula livre com competições em vários países para uma competição única, a FIA F3. Infelizmente, [Gerhard] Berger não ajudou enquanto presidente da Comissão de Monolugares da FIA, pois quis fechar os campeonatos nacionais para tornar a F3 europeia mais forte”, explicou ao HM Peter Briggs, ex-presidente da FOTA – Formula Three Association.

O inglês e ex-chefe de equipa que em tempos colaborou com Barry Bland, quando este último co-organizava a corrida de Fórmula 3 no território, afirma que “infelizmente, com o GP a tornar-se um evento de uma competição só (FIA F3), perdeu o seu sabor internacional de quando as equipas japonesas podiam encontrar as equipas europeias”.

Contudo, nem todos partilham da mesma opinião, como esclarece Álvaro Parente: “É um evento em que muitos pilotos gostam e querem participar. Estou seguro de que quando voltar a ter provas internacionais, Macau voltará a ser um evento com a projecção de que gozou até ao ano passado.”

Mesmo que não se realize a prova de Fórmula 3 nas ruas da RAEM este ano, tudo indica que isto não quererá dizer que a prova vai perder fôlego. Aliás, enquanto Macau conseguiu manter o seu evento de pé em 2020, outros, como o Grande Prémio de Pau, em França, ou até mesmo o Grande Prémio do Mónaco, não foram capazes de o fazer.

“O circuito da Guia não tem outro igual para uma prova de Fórmula 3 e a FIA há-de voltar com a Taça do Mundo”, sustenta Mário Sin. “Precisamos é manter a ‘nossa tradição’ de continuamente organizar o Grande Prémio de Macau, todos os anos e sem interrupção quaisquer que sejam as circunstâncias. É o único circuito que correu 65 anos sem parar, isto é uma mais valia que temos no nosso Grande Prémio de Macau e não deve haver um outro circuito das mesmas condições”.

A escolha possível

A escolha do campeonato chinês de Fórmula 4, como prova de substituição da corrida de Fórmula 3, fez franzir alguns sobrolhos, mas a realidade é que esta foi a única alternativa à disposição da organização do evento, visto que nenhuma outra competição de monolugares estava disposta a cumprir as zelosas imposições das autoridades de saúde locais. Para Peter Briggs, a solução encontrada “foi boa para os locais, mas para mais ninguém”.

“Caso o Governo consiga eliminar a situação obrigatória da quarentena para entrar em Macau, todo o problema ficará resolvido”, realça Mário Sin, no entanto, “quem sabe, um dia, um dos pilotos chineses que correram em Macau aparece nos campeonatos internacionais e possivelmente chegue até à F1. Daqui a alguns anos podemos orgulhosamente mencionar que este ou aquele piloto chinês correu aqui no Circuito da Guia”.

O Grande Prémio de Macau está agendado provisoriamente de 18 a 21 de Novembro, pendendo ainda de uma decisão final do Governo sobre se o evento avança e se sim, em que moldes. Para além de estar no calendário internacional como Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 e aparecer no Campeonato da China de Fórmula 4, o Grande Prémio também faz parte dos calendários da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR e do Campeonato da China de GT.

7 Abr 2021

China F4 anuncia corrida no Grande Prémio Macau

A organização do Campeonato da China de Fórmula 4, o MiTime Group, anunciou ontem nas redes sociais o calendário para a temporada de 2021, aonde se destaca um possível regresso ao Circuito da Guia no mês de Novembro.

Segundo a publicação, o campeonato “irá ao Circuito da Guia Macau pelo segundo ano consecutivo, tornando-se o destaque da 68ª edição do Grande Prémio de Macau”. Ainda é possível ler que “a grandiosidade do Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 ainda está fresco na nossa memória.

Na temporada de 2021, o Campeonato da China de F4 Shell Heineken da FIA e o Grande Prémio da China Fórmula na sua corrida final irá novamente colocar um pé na Região Administrativa Especial de Macau, com duas corridas como foco do 68º Grande Prémio de Macau, com os pilotos e as equipas em acção no Circuito da Guia”.

O calendário de quatro provas ontem anunciado revela que o início da temporada está agendado para o fim de semana de 19 e 20 de Junho aqui ao lado, no Circuito Internacional de Zhuhai. Depois, a caravana da Fórmula 4 chinesa desloca-se ao circuito citadino de Wuhan, numa data a designar no mês de Setembro. Por fim, os monolugares Mygale-Geely irão acompanhar a Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo – WTCR em Ningbo, quinze dias antes da deslocação a Macau.

Este anúncio acaba por ser uma surpresa, pois acontece três semanas depois da Federação Internacional do Automóvel (FIA) ter colocado a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA em Macau no calendário internacional. O regresso das máquinas de Fórmula 3 ao evento de automobilismo da RAEM está obviamente pendente do alívio das restrições impostas à chegada de estrangeiros ao território.

A presença da Fórmula 3, não impede, no entanto, que haja também a corrida de Fórmula 4. No passado, houve programas do Grande Prémio de Macau que incluíram a prova de Fórmula 3, em concomitância com outras corridas de monolugares, como a Fórmula Renault, a Fórmula BMW, a Fórmula Masters China, a Fórmula Ásia ou a Fórmula Campus.

A estreia da Fórmula 4 em Macau aconteceu no ano passado, como alternativa ao cancelamento da habitual corrida de Fórmula 3, que se disputou ininterruptamente de 1983 a 2019. Charles Leong, piloto da RAEM, foi o vencedor de uma corrida que colocou em pista dezassete concorrentes.

1 Abr 2021

WTCR anuncia que correrá na China 15 dias antes do Grande Prémio de Macau

A organização da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR anunciou ontem que irá disputar uma corrida na China Continental, nos dias 6 e 7 de Novembro, quinze dias antes da edição deste ano do Grande Prémio de Macau.

No seguimento de um acordo entre o grupo chinês MiTime e o promotor da WTCR, a Eurosport Events, a competição de carros de Turismo da FIA vai visitar pela terceira vez o circuito de Ningbo, na província de Zhejiang. Inaugurado 2017, o traçado de quatro quilómetros de perímetro pertence ao Grupo MiTime, uma subsidiária do Geely Auto Group, os donos das marcas automóveis Volvo, Lotus ou Lynk & Co.
Xavier Gavory, o director da WTCR e da Eurosport Events, disse que “a perspectiva de ter a WTCR a regressar ao Ningbo International Speedpark é bastante excitante e significa que a temporada de 2021 está completa”.

Já Weng Xiaodong, o presidente do grupo MiTime, acrescentou que foi “um acontecimento histórico trabalhar com a Eurosport Events para tornar possível o regresso de um evento da FIA WTCR à China. Estamos confiantes que faremos o melhor evento da história da WTCR”.

Mesmo com restrições

As 13ª e 14ª corridas da temporada da WTCR serão realizadas entre a prova no Inje Speedium, na Coreia do Sul, e a prova do Grande Prémio de Macau, que deverá fechar a temporada, de 19 a 21 de Novembro. Contudo, neste momento, são mais as dúvidas que as certezas, devido às restrições nas viagens internacionais, principalmente para o continente asiático. Por isso, existe uma ressalva no comunicado enviado às redações que diz que os “três eventos estão pendentes da redução das restrições que estão a afectar as viagens a nível mundial e os movimentos marítimos”.

Num mundo perfeito, esta prova na cidade costeira de Ningbo serviria os intentos de vários pilotos de carros de Turismo de Macau que quisessem preparar a sua participação na Corrida da Guia, ou numa outra corrida onde pudessem usar os seus carros da categoria TCR.

31 Mar 2021

Automobilismo | Cancelamento do GP seria doloroso para a indústria local

Além de ser um grande evento internacional de elevada importância para o Turismo local, o Grande Prémio de Macau também tem uma enorme influência na pequena, mas vibrante, indústria ligada ao automobilismo da região da Grande Baía. Um eventual cancelamento do maior cartaz desportivo de carácter anual da RAEM seria infausto para os intervenientes, mas não fatal para a indústria

 

A província de Guangdong é um dos maiores polos da indústria ligada aos desportos motorizados na República Popular da China. É do outro lado das Portas do Cerco que estão localizados o circuito de Zhuhai, o primeiro circuito permanente construído no país, e o circuito de Guangdong (Zhaoqing), que servem de base para as dezenas de pequenas e médias empresas que fazem mover o desporto. Sendo o Grande Prémio de Macau o evento mais importante do sul da China, este é uma locomotiva de referência para o desenvolvimento e sustento de muitas empresas da região.

“O Grande Prémio é muito importante para as equipas que estão envolvidas e para todos nós que fazemos vida disto. 2020 foi um ano difícil, com muito poucas corridas, tanto na China Continental, como em todo o continente asiático. O facto de termos tido o Grande Prémio no ano passado foi uma ajuda”, esclareceu ao HM, Rodolfo Ávila, que combina as suas actividades de piloto profissional, com o cargo de director desportivo da Asia Racing Team, uma das mais fortes equipas com base operacional em Zhuhai e com múltiplas passagens pelo Grande Prémio de Macau nas corridas de GT, Fórmulas e Turismos.

O piloto Rui Valente, um conhecedor da realidade das equipas sediadas no circuito dos arredores de Zhaoqing, partilha da mesma opinião. “Sem o Grande Prémio de Macau, esta malta deixava de facturar como seria naturalmente, pois não vinha cá ninguém. Seriam carros parados, sem pilotos para andar neles, transportadoras sem nada para transportar, mecânicos e equipas sem trabalho fora do continente, fornecedores de pneus, combustível, tudo em contentores. Seria com certeza um ano sem muitos renminbis para muitos”, explicou ao HM.

Para além de ser uma montra internacional altamente respeitada, a prova que se realiza tradicionalmente no terceiro fim de semana de Novembro no Circuito da Guia reveste-se de real importância, não só para equipas e pilotos, como para uma vasta panóplia de provedores e prestadores de serviços que flutuam na órbita das corridas de automobilismo.

“O Grande Prémio é um fim de semana só, mas gera entusiasmo e serve como alavanca para a realização de outros eventos. Antes do evento, há corridas de apuramento e preparação, treinos privados e uma série de preparativos que proporcionam o sustento a uma série de empresas e pessoas que não têm outro meio de sobrevivência sem ser as corridas”, refere Rodolfo Ávila.

Preparadas para o impacto

Por estarem no topo da pirâmide, as equipas locais seriam as primeiras a sentir o forte impacto de um possível cancelamento do evento. Contudo, com o crescente nas duas últimas décadas do profissionalismo no desporto neste ponto do globo, estas foram diversificando as suas actividades para outras competições e outras áreas de negócio para não ficarem tão dependentes de um só evento.

“Se o Grande Prémio de Macau fosse cancelado, teria certamente um impacto financeiro nas equipas participantes”, reforçou ao HM, Paul Hui, o chefe de equipa da Teamworks, a equipa que venceu a Taça de Macau de Carros de Turismo por uma série de vezes e a Corrida da Guia em 2020. “Contudo, a maioria das equipas serão capazes de navegar num cancelamento de curto termo. As maiores equipas diversificaram os seus fluxos de receitas estabelecidos no seu modelo de negócios. As equipas locais serão capazes de utilizar a sua flexibilidade para compensar a falta de diversidade. Em suma, um cancelamento de curto termo irá afectar as equipas, mas não irá danificá-las de forma permanente”.

Rui Valente refere também que a anulação do evento da RAEM “não seria terminal para a grande maioria das equipas”, isto porque, nos tempos que correm, “muitas ainda têm as corridas da China e agora tu tens muitos campeonatos”.

Importância da Grande Baía

O Grande Prémio de Macau representa o cartaz desportivo internacional mais antigo na região da Grande Baía, que para além do território e da RAE de Hong Kong, inclui nove outras cidades da província de Guangdong – Jiangmen, Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan e Zhaoqing. Desde 2018 que há no programa do Grande Prémio uma corrida destinada aos pilotos da Grande Baía, mas a integração do evento na estratégia da região deverá acentuar-se nos próximos anos.

“O Grande Prémio de Macau deve ir para além de ‘Macau’, mas posicionar-se para servir como evento especializado situado na região da Grande Baía, ajudando a apoiar as indústrias relacionadas com o apoio e desenvolvimento automóvel e performance”, afirma Paul Hui. “Mas claro, eu não sei se a indústria automóvel faz parte das indústrias-alvo para a estratégia da região da Grande Baía.”

18 Mar 2021

GP | FIA marca Taça do Mundo de F3 no cartaz internacional

O Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizado na passada sexta-feira em Genebra, determinou a colocação da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3, no Circuito da Guia, no calendário internacional de provas de 2021. Contudo, esta decisão ainda não é a confirmação que haverá Grande Prémio de Macau este ano.

É possível ler no comunicado publicado pela federação internacional que: “A Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA foi confirmada no Calendário Desportivo Internacional e está agendada para ter lugar a 21 de Novembro de 2021, em Macau, China (sujeito a contrato com o promotor)”.

A data da 68.ª edição do Grande Prémio de Macau já era conhecida, pois a prova consta do calendário de 2021 da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR. Todavia, as autoridades locais ainda não decidiram se o evento, que nunca foi interrompido desde 1954, irá acontecer este ano. O Governo da RAEM ainda estará a analisar a evolução da pandemia na Europa para depois tomar uma decisão. Ao contrário de 2020, o evento deste ano não terá qualquer contrato em vigor com promotores internacionais.

O calendário do Campeonato de Fórmula 3 da FIA de 2021 encaixa na realização da habitual corrida de fim de época em Macau, embora a última prova do campeonato esteja agendada para o fim de semana de 23 e 24 de Outubro em Austin, nos Estados Unidos da América. Perante este cenário, os carros terão que viajar de avião directamente para Macau, o que irá impedir, muito provavelmente, que as equipas realizem testes de preparação para a prova.

Recorde-se que no ano passado, pela primeira vez desde 1983, a tradicional corrida de Fórmula 3 não se realizou no Circuito da Guia, tendo sido substituída por uma prova do Campeonato da China de Fórmula 4. A corrida, que marcou a estreia da Fórmula 4 em Macau, foi ganha por Charles Leong da RAEM.

Em Novembro do ano passado, Jean Todt, o presidente do organismo que tutela o automobilismo, afirmou que gostaria de ver novamente as três Taças do Mundo a serem decididas nas ruas de Macau em 2021. No entanto, do primeiro Conselho Mundial da FIA deste ano não saiu qualquer observação sobre a Taça do Mundo de GT da FIA, que poderá, ou não, ser realizada na RAEM. Na pretérita edição, a Taça GT Macau realizou-se com a participação de vários concorrentes do Campeonato da China de GT, competição que já revelou o seu calendário para este ano, constando novamente Macau como prova de encerramento de temporada.

Vencedor das motas em 2017 quer voltar

Se houver Grande Prémio de Motos de Macau em 2021, o vencedor da fatídica edição de 2017 não esconde que se tiver uma oportunidade regressa à prova. Glenn Irwin foi declarado vencedor na corrida de 2017, que foi interrompida à sétima volta devido ao acidente fatal na Curva dos Pescadores do inglês Dan Hegarty. O piloto da Irlanda do Norte disse numa entrevista recente à publicação News Letter que hoje se sente mais confiante em regressar ao desafiante circuito citadino do território.

Esta mudança de atitude do vencedor de 2017, que voltou a elogiar o evento e a pista, segundo o próprio, deve-se também ao envolvimento de Stuart Higgs e Mervyn Whyte na co-organização da corrida. O Grande Prémio de Motos de Macau não se realizou no ano passado devido à falta de quórum, visto que grande parte dos pilotos considerou inviável a quarentena obrigatória à chegada a Macau.

8 Mar 2021