Karting | Provas internacionais voltam ao Kartódromo de Coloane

As provas internacionais de karting vão regressar este ano ao Kartódromo de Coloane após três anos de ausência. O Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC, na sigla inglesa) tem duas provas calendarizadas para a temporada de 2023 no território

 

A organização do AKOC anunciou, nas redes sociais, a abertura das inscrições para a primeira prova, agendada para a RAEM no fim de semana de 1 e 2 de Julho. A prova estará aberta às categorias 125 Open Junior, 125 Open Master, 125 Open Sénior, 125 Open Veteranos, Cadete e Mini ROK. Em 2022, esta mesma organização tentou colocar de pé uma prova internacional de karting em Macau, mas esta acabou cancelada devido à pandemia.

Após três anos sem conseguir organizar eventos devido às restrições de viagens, aquela que foi a maior competição de karting do sudeste asiático, cuja organização tem sede na República das Filipinas, quer dar os primeiros passos rumo à reconstrução do campeonato. Por isso, para limitar os custos, o calendário neste primeiro ano “pós-COVID” vai cingir-se a apenas três eventos, dois em Macau e um na República das Filipinas, este último em data a determinar. Nenhuma das provas planeadas para Macau coincide com o calendário do Campeonato de Karting da AAMC, que este ano se está a disputar novamente no formato de seis provas.

Para o preparador e ex-piloto malaio Ryan Tan, “o apetite pelo karting em toda a Ásia não esmoreceu com a pandemia. Houve um abrandamento, mas não parou”. Os campeonatos nacionais das Filipinas, Indonésia, Malásia, Singapura ou Tailândia já recuperaram, portanto, “todos os agentes da modalidade, preparadores, equipas, importadores, querem corridas internacionais, até porque os pilotos começam a pedir mais. Se a economia ajudar estou em crer que vamos atingir os números do passado”, explicou ao HM.

Segunda data é em Dezembro

Antes da pandemia, o Kartódromo de Coloane era um dos palcos favoritos para acolher eventos do campeonato asiático da especialidade. Inaugurada no dia 17 de Outubro de 1996, a infra-estrutura continua a ser uma das melhores equipadas no continente asiático. Para além das competições de Macau, o kartódromo desenhado pelo arquitecto Carlos Couto recebia duas provas do AKOC, a ronda de abertura e a de encerramento, sendo que esta última costumava coincidir com o Grande Prémio Internacional de Karting.

Apesar do apetite de Macau por realizar grandes eventos internacionais, o futuro do Grande Prémio Internacional de Karting de Macau é uma incógnita. Aquele que já foi o maior evento de karting da região, não consta, por agora, do calendário internacional da Comissão Internacional de Karting da FIA. Porém, a segunda prova do AKOC está agendada para Macau no fim de semana de 9 e 10 de Dezembro, data que habitualmente acomodava o evento co-organizado pela Associação Geral-Automóvel Macau-China (AAMC), Instituto do Desporto (ID) e Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O finlandês Simo Puhakka, da TonyKart, venceu o último Grande Prémio Internacional de Karting, disputado em 2019.

28 Mai 2023

TCR China: Entra Couto, sai Ávila

O campeonato TCR China/Ásia arrancou no passado fim de semana no Circuito Internacional de Xangai com trinta e dois inscritos, três equipas de fábrica e nenhum piloto de Macau. Todavia, apesar de ausentes, os pilotos de Macau voltaram a ser notícia.

Uma das novas equipas oficiais esta temporada na competição de carros de Turismo mais importante da China representa a aliança Dongfeng Honda. A Dongfeng Honda Racing Team participou já na primeira prova da temporada, inscrevendo dois Honda Civic Type-R FK7 TCR, um para o britânico Jack Young e outro para chinês Martin Xie. No entanto, a equipa prevê participar com três novos Honda Civic Type-R FL5 TCR a partir da próxima prova, sendo que o terceiro carro vai ser entregue a André Couto.

“Só começo [o campeonato] a andar no carro novo. Para a próxima corrida já devo correr”, confirmou André Couto ao HM. “Eu vou estar no terceiro carro da Honda e eles desta vez só prepararam dois carros do modelo antigo e por isso eu não fui”.

A Dongfeng Honda Racing Team conta com o apoio da JAS Motorsport, a estrutura italiana que constrói as viaturas Honda da categoria TCR, e usa como muleta operacional a MacPro Racing, a equipa de Macau que já em 2019 defendeu as cores do construtor japonês neste mesmo campeonato. Este é um regresso de André Couto, não só as pistas, onde não compete desde o início de 2020, como também à Mac Pro Racing, equipa com que correu no Grande Prémio de Macau de 2018 e pontualmente no TCR China nesse mesmo ano.

MG deve parar

Com a presença das equipas oficiais da Hyundai, Honda e Link & Co, a grande ausência nesta primeira corrida da temporada em Xangai foi da equipa oficial da MG. O construtor sino-inglês foi nos últimos três anos um dos principais animadores das corridas da categoria TCR na China, tendo vencido o campeonato em 2021, com o piloto da RAEM, Rodolfo Ávila, e lutado por vitórias no Grande Prémio de Macau, com o convidado Rob Huff. Contudo, a MG XPower Racing, que tem homologado na categoria os modelos MG5 e MG6, não deverá regressar este ano à competição.

“Neste momento, a informação que temos é de que não vamos correr”, explicou Rodolfo Ávila ao HM. “Apesar da indefinição, realizamos alguns testes durante o defeso, mas não devemos correr mais.”

O “canto do cisne” da MG XPower Racing pode ter acontecido na pretérita semana. O piloto português foi protagonista de um violento despiste num teste privado da marca na pista de Zhuzhou. Após ter ficado sem travões no seu MG5 XPower TCR, Rodolfo Ávila teve um forte impacto contra as barreiras de protecção, felizmente sem consequências físicas para o piloto, que mesmo assim não escapou a uma noite de observação num hospital local. Porém, este acidente não estará relacionado com a decisão da MG de se afastar da competição automóvel por agora.

A equipa MG XPower Racing era gerida pela Shanghai Lisheng Racing, a estrutura que é propriedade da empresa que tem os direitos comerciais do TCR para República Popular da China e que via Lisheng Sports estendeu este acordo comercial até 2028. O TCR China/Ásia tem uma prova planeada para o programa da 70ª edição do Grande Prémio de Macau.

17 Mai 2023

GP | Associação de Pilotos prevê menos 60% de participantes locais

Num ano em que as despesas vão subir, fruto dos novos regulamentos desportivos, que obrigam a um investimento considerável em nova maquinaria, os pilotos de Macau uniram-se e transmitiram as suas preocupações

 

No passado domingo, a Associação de Pilotos de Automobilismo de Macau convocou a comunicação social para dar conta das suas preocupações, esperando que os apoios e subsídios governamentais cortados durante a pandemia sejam repostos.

O Grande Prémio de Macau já se realiza há sete décadas, tendo-se tornado um evento de marca do território. A Associação de Pilotos de Automobilismo de Macau (AAMC), pela voz do ex-piloto de Fórmula 3, Li Kit Meng, pediu que o governo continue a subsidiar os pilotos das corridas locais para que estes possam competir, de modo a que a cultura das corridas possa manter-se viva no território e mais pilotos locais possam ter a oportunidade de participar no Grande Prémio.

Citado pela imprensa de língua chinesa, Li Kit Meng referiu que tinha recebido notícias da Associação Geral Automóvel de Macau China de que os pilotos da RAEM não seriam subsidiados para participarem em competições fora do território esta temporada. Além disso, antes de participarem no 70.º Grande Prémio de Macau, os pilotos da casa voltarão a ser obrigados a participar em provas de qualificação a designar. Segundo dados recolhidos pela associação de pilotos, se nada mudar, prevê-se que o número de pilotos a participarem no Grande Prémio deste ano seja 60 por cento inferior ao do ano passado, o que inevitavelmente lançará uma nuvem escura sobre a promissora indústria das corridas.

Recorde-se que os pilotos de Macau não receberam qualquer apoio para realizarem provas fora do território em 2022, mas foram obrigados a participar num evento promovido pela AAMC, no Circuito Internacional de Guangdong, para se qualificarem para o 69.º Grande Prémio de Macau. Esta situação foi do desagrado de muitos concorrentes, porque o evento acarretou elevados custos num ano de muito poucos patrocínios comerciais disponíveis.

IDM não fecha a porta a apoios

De acordo com o Jornal “Ou Mun”, o Instituto do Desporto (IDM) respondeu que deseja continuar a apoiar os pilotos locais a participarem no Grande Prémio e noutros eventos de automobilismo, se as condições o permitirem. Uma vez que o Governo concentrou os seus recursos na luta contra a epidemia nos últimos anos, todos os sectores da sociedade concordam que a afectação racional dos recursos e a realização de um bom trabalho na luta contra a epidemia fossem os principais objectivos, estando actualmente o IDM a planear o Grande Prémio deste ano.

No que diz respeito à competição automóvel, se os pilotos locais cumprirem os requisitos de inscrição da competição correspondente, segundo a mesma fonte, o IDM dará as boas-vindas aos pilotos locais qualificados para participarem no Grande Prémio de Macau. O Instituto do Desporto reiterou que não há qualquer anúncio oficial de que os pilotos de Macau não serão patrocinados para competir fora do território.

Entretanto, a AAMC ainda não confirmou em que datas e moldes irá organizar estas corridas de qualificação para os pilotos do território. Antes da pandemia, a vontade da associação desportiva de Macau passava por realizar estas corridas no circuito de Zhuzhou, na Província de Hunan.

11 Mai 2023

Automobilismo | Rui Valente sobe ao pódio em Zongqing

Rui Valente deu início à sua temporada desportiva com um resultado muito positivo no Festival de Corridas da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, organizado pelo Circuito Internacional de Guangdong, em Zhongqing, no passado fim de semana

 

Desta vez o piloto da RAEM alinhou com o seu Mini Cooper S, um carro visto nos últimos anos no Grande Prémio de Macau, na prova destinada aos carros de Turismo “Open Grupo B”. Isto, porque o seu histórico Honda Integra DC5, que tantas alegrias deu ao piloto do território nas provas disputadas em Cantão, estar neste momento “a ser preparado, pois para dentro de três ou quatro semanas voltar para a China para participar em três ou quatro corridas de resistência”.

Depois de ter abandonado na corrida de sábado, Rui Valente voltou à carga para vencer uma muito animada segunda corrida. O piloto português travou um duelo até à bandeira de xadrez com o Toyota 86 GT (ZN6) de Chen Bingxiong, com o piloto chinês a impor a maior potência do seu carro para triunfar numa corrida em que os dois primeiros cortaram a linha de meta separados por menos de um segundo.

“Fui 1.º na classe e 2.º na geral, mas mesmo quase… Ainda andei na frente duas vezes mas não foi possível manter o meu adversário, que estava muito rápido, atrás”, explicou Rui Valente ao HM. “Nesta prova, o peso mínimo, piloto mais carro, eram 1150 kg e tivemos que colocar lastro para estarmos dentro do regulamento, o que foi uma tarefa bastante complicada, pois o Mini pesa apenas 970 kg. Nunca desejei tanto pesar de mais de 130 kg…”

O Toyota partiu da pole position, assumiu a liderança e Valente manteve o segundo lugar antes dos dois carros formarem gradualmente o grupo da frente. Um procedimento do Safety-Car começou na volta 6 e terminou na volta 9. A corrida foi retomada na volta 10. Após seis voltas, o Mini nº20 e o Toyota nº1 encenaram várias cenas de ultrapassagem, umas com mais sucesso outras com menos, nas duas rectas do GIC. Rui Valente passou o seu rival antes da linha de meta na volta 10, mas o Toyota recuperou o primeiro posto antes da T1 na volta 13. Sem baixar os braços, Rui Valente ultrapassou-o novamente na T1 na volta seguinte, mas na recta da meta ainda da mesma volta, o Toyota deu a estocada final, ultrapassando o robusto Mini branco.

GP é uma incógnita

Com a alteração de regulamentos nas corridas de carros de Turismo locais, que deixa de fora, por agora, as viaturas das classes Roadsport e 1600cc Turbo, incluindo o Mini Cooper S, Rui Valente ainda não sabe como irá materializar a sua participação no 70.º Grande Prémio de Macau.

O veterano piloto português não esconde que deseja voltar ao Circuito da Guia no mês de Novembro, mas por agora não tem “nada definido” para o evento, estando a avaliar diversas possibilidades. O programa de corridas do 70º. Grande Prémio de Macau ainda está por confirmar, assim como as tradicionais corridas de qualificação organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau – China (AAMC).

2 Mai 2023

F3 em negociações e mais novidades para a 70ª edição do Grande Prémio

O programa do 70.º Grande Prémio Macau vai ser preenchido certamente com várias competições internacionais e existe a possibilidade de o evento acolher provas de monologares de Fórmula 3, Fórmula Regional e Fórmula 4

 

O regresso da Taça do Mundo de Fórmula 3 é uma das metas mais desejadas pelas entidades organizadoras do evento em Macau e também pela própria federação internacional. Contudo, a revista inglesa Autosport, noticiou na sua última edição que existe uma barreira por ultrapassar: o transporte dos carros para Macau.

A última corrida da temporada do Campeonato FIA de Fórmula 3 está agendada para o fim de semana de 2 e 3 de Setembro, no circuito italiano de Imola. Habitualmente, a disciplina realiza um ou dois testes oficiais antes de dar por concluída a temporada, o que não limita o envio dos carros para Macau. A grande dúvida é o regresso dos carros, que não poderá ser feito por via marítima, pois a Mecachrome precisa de começar a fazer a morosa manutenção regular dos motores ainda no mês de Dezembro.

“Estamos a tentar ver se conseguimos organizar isto, porque ainda há interesse e apetite pela corrida”, disse François Sicard, o director da Mecachrome, a empresa francesa que fornece todos os motores da actual F3. “É uma situação delicada – a única forma de fazê-lo é de transporte aéreo de Macau para a Europa. Devido ao elevado custo, estamos à procura de uma solução e não é uma tarefa fácil. Estamos confiantes de que irá acontecer e ficaremos felizes por encontrar uma solução, mas ainda é cedo para dizê-lo”.

Novidades a caminho

A publicação britânica também adianta que mais duas competições poderão fazer a sua estreia na RAEM pelas mãos da Top Speed, empresa com sede em Xangai que no 60.º Grande Prémio de Macau ajudou a trazer a Volkswagen Scirocco Cup, o Lamborghini Super Trofeo Asia e a Formula Masters China.

Seis das dez equipas do campeonato FIA de F3 correm na Fórmula Regional do Médio Oriente (ex-Campeonato Asiático de F3) e na Fórmula 4 dos Emirados Árabes Unidos, duas competições organizadas pela Top Speed. “Estamos em discussões para termos ambos os campeonatos, e estou confiante que possamos ter entre 25 a 28 carros em cada corrida”, disse Davide DeGobbi, o responsável pela Top Speed.

A Fórmula Regional foi concebida para estar um degrau abaixo da F3 e um degrau acima da F4, enquanto a competição de F4 organizada pela Top Speed já utiliza os novos monolugares aprovados pela FIA, ao contrário do Campeonato da China de Fórmula 4, que vimos correr no Circuito da Guia nos últimos três anos, que ainda usa maquinaria antiga.

Apesar de ainda não ser oficial, a Top Speed deverá a partir deste ano assumir as rédeas do Campeonato de Fórmula 4 do Sudeste Asiático, daí o interesse da participação no evento de Macau.

Euroformula Open de fora

Entretanto, o campeonato de matriz espanhola Euroformula Open, que durante a pandemia foi apontado para substituir a Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau, não tem planos nem interesse em visitar a RAEM agora que o território regressou à normalidade.

“Não para este ano: para incluir Macau num calendário, é necessário um tempo significativo para o planeamento, orçamentos, etc, tanto para os organizadores como para as equipas. Não está claro quais seriam também os requisitos em matéria de saúde e segurança”, disse fonte oficial do campeonato gerido pela empresa GT Sport ao portal de automobilismo português SportMotores.com.

10 Mar 2023

AAMC | Mais exigência no pedido da primeira licença desportiva

A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) alterou para este ano os critérios para emitir licenças desportivas nacionais para todos aqueles que em Macau querem dar os primeiros passos na competição automóvel

 

O pedido da primeira licença desportiva nacional, que é o requisito mínimo para todas as corridas e eventos de campeonatos “nacionais” realizados pela AAMC, passa a ser a partir deste ano mais trabalhoso de requerer. Anteriormente, para obter esta licença, bastava ser titular de um Bilhete de Identidade de Residente emitido pelo Governo da RAEM e ser sócio da AAMC.

A partir deste ano, segundo o documento “Qualification criteria for requirement of National and International Automobile Driver’s Licence 2023”, publicado na página oficial da AAMC e apenas escrito em chinês e inglês, os aspirantes a pilotos têm uma série de etapas a cumprir que começa pela participação num curso teórico de treino de segurança nas corridas, organizado pela associação automóvel no Kartódromo de Coloane. Passar neste teste é indispensável.

Após aprovação na avaliação, os candidatos a pilotos têm que acumular um total de oito horas de prática de condução de um kart no Kartódromo de Coloane, no prazo de um ano após a candidatura à licença desportiva.

Quando estas duas condições forem cumpridas, um instrutor submeterá o relatório de avaliação do candidato à AAMC para consideração na aprovação. A taxa do instrutor para o curso de formação teórica sobre segurança nas corridas e para avaliação às oito horas de condução é de 2,000 patacas.

Para se salvaguardar, a AAMC, que tem sempre a última palavra na emissão das licenças, sejam elas nacionais ou internacionais, deixa claro que passa a emitir estas licenças desportivas nacionais segundo o artigo 9.3 do Código Desportivo Internacional (CDI) da Federação Internacional do Automóvel (FIA), respeitante ao direito de emissão das licenças, e ao anexo L do CDI.

Novas regras para renovações

A renovação de licenças desportivas nacionais também passará a ser mais criteriosa para os representantes da RAEM, algo que está em linha com outras associações desportivas nacionais devido ao maior grau de exigência requerido pela FIA aos seus associados nesta matéria.

A renovação da licença desportiva nacional exige agora a participação em qualquer corrida do campeonato de Macau de karting ou num campeonato automóvel sancionado pela AAMC nos últimos trinta e seis meses (ou três anos). Os pilotos que estiveram parados durante esse tempo serão considerados como iniciados, no sentido que terão que seguir os procedimentos de acordo com os regulamentos do primeiro pedido da licença.

20 Fev 2023

Automobilismo | Hong Kong quer novamente corridas

Durante décadas a fio os nossos vizinhos de Hong Kong tentaram ter o seu próprio Circuito da Guia, algo que só conseguiram entre 2016 e 2019, com a organização do Campeonato de Fórmula E. Enquanto a Kong Automobile Association (HKAA) trabalha com afinco para recuperar o seu evento FIA para monolugares eléctricos, estudando uma nova pista temporária na AsiaWorld-Expo ou no Distrito Cultural de Kowloon Oeste, a RAEHK prepara-se para acolher uma nova disciplina do automobilismo em Novembro: Ralicross.

A Teamwork Creative Events, uma empresa de Hong Kong, assinou no final do ano transacto um acordo com o promotor do Campeonato do Mundo FIA de Rallycross (WRX), a Rallycross Promoter GmbH, uma empresa co-propriedade da Red Bull GmbH e KW25 Beteiligungs GmbH, para ficar com os direitos do campeonato até 2025, o que permitirá ao território vizinho receber a última prova da temporada no fim de semana de 25 e 26 de Novembro, um fim de semana após o Grande Prémio de Macau.

A disciplina de ralicross é uma combinação entre ralis e corridas de circuito, com corridas agressivas de curta duração disputadas com viaturas do segmento B e C. O Campeonato do Mundo utiliza viaturas totalmente elétricas na sua categoria-rainha. São carros equipados com dois motores elétricos – um em cada eixo – e potências de 500kw, o equivalente a 680cv, com um binário de 880 Nm, disponível instantaneamente, o que faz deles mais rápidos que os F1 dos 0 aos 100 km/h. A competição que tem várias classes e vai sendo disputada por mangas, realiza-se em circuitos fechados de piso misto (asfalto e terra), com 850 a 1,5 quilómetros de extensão.
O calendário do mundial vai passar por três continentes – Europa, África e Ásia. Históricas pistas europeias, como Lydden Hill (Reino Unido), Mettet (Bélgica), Estering (Alemanha) e Montalegre (Portugal) estão de regresso ao mundial, assim como a popular prova na Cidade do Cabo, na África do Sul. Um mês depois, o mundial termina em Hong Kong. A Teamwork Creative Events pretende a partir de 2024 realizar dois eventos neste ponto do globo, acrescentando ao calendário uma visita ao Interior da China, mais precisamente a Xangai.

Procura de local
Apesar de ter garantida a data e ter já submetido o pedido para contar com o apoio do governo, a Teamwork Creative Events ainda não confirmou o local onde será realizado o evento. Para montar este “circo”, o promotor local reconhece que necessita de cinquenta mil metros quadrados de área.

“O Harbourfront seria uma grande atracção tanto para os pilotos como para os fãs e a espantosa linha do horizonte pode mostrar Hong Kong como uma cidade vibrante”, disse Leslie Wong, em entrevista recente ao South China Morning Post. “Se não for possível, o Distrito Cultural de Kowloon Ocidental ou algumas áreas abertas em Penny’s Bay, em Lantau, também podem servir o propósito, mas temos de obter a aprovação do governo antes de podermos iniciar o trabalho de preparação”.
Com os requerimentos da FIA e do promotor internacional, a organização de Hong Kong estima um orçamento de mais de 50 milhões de dólares de Hong Kon, algo que não poderá ser feito sem patrocínios comerciais.

Sucesso de Montalegre
O que Hong Kong pretende, a vila raiana de Montalegre já tem desde 2014. O Circuito Internacional de Montalegre é o palco habitual da prova portuguesa do mundial de ralicross. Para Fátima Fernandes, Presidente da Câmara de Montalegre, citada pelo portal da Câmara Municipal, “o ralicross dá muita visibilidade ao concelho, mas não só. Os hotéis e os alojamentos locais já começam a estar reservados [a prova está marcada para Agosto]. Sendo certo que Montalegre não tem capacidade para alojar todas as pessoas, toda a região vai beneficiar com esta prova.”
Ao contrário de Hong Kong, Montalegre tem um circuito permanente de ralicross, que acolhe eventos nacionais

“Os grandes investimentos já estão feitos. O investimento para a prova já estava equacionado no orçamento municipal. Toda a organização, em parceria com o Clube Automóvel de Vila Real (CAVR), envolve cerca de 200 a 250 mil euros”, diz a autarca.

10 Fev 2023

GP Macau | 70.º edição vai ter dois fins de semana

O 70.º Grande Prémio de Macau vai ser celebrado em dois fins de semana consecutivos, a exemplo das edições do 50.º e do 60.º aniversário, confirmou o Presidente do Instituto do Desporto e Coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, Pun Weng Kun, à margem do Torneio de Futebol de Comemoração do Ano de Coelho – Taça de Guangdong, Hong Kong e Macau 2023.

Em conversa com os jornalistas locais, Pun Weng Kun salientou que Macau fará história no mês de Novembro ao organizar o Grande Prémio por um período 70 anos consecutivos. O dirigente disse estar confiante de que a Taça do Mundo de Fórmula 3 voltará ao Circuito da Guia este ano, podendo assim o evento proporcionar aos espectadores um nível ainda mais elevado de corridas, e que tinha havido um “feedback” positivo sobre outras corridas de alto nível, como a de carros de GT.

Pun Weng Kun revelou também que a par do evento, cujo programa será desvendado mais tarde no ano, se realizará com uma série de carnavais e outras actividades periféricas para promover a atmosfera das corridas e permitir aos visitantes de todo o mundo desfrutar da “clássica” do Oriente.

A primeira vez que o Grande Prémio de Macau foi realizado em dois fins de semana consecutivos foi há mais de meio século, em 1972, no entanto, esta não foi a primeira vez que o Circuito da Guia recebeu dois eventos no mesmo ano.

Em 1969, no mês de Maio, realizou-se no circuito temporário do território a “Guia 101”, uma prova de resistência de 101 voltas totalmente independente do Grande Prémio.

Quem está convidado?

No último fim de semana duplo do Grande Prémio, em 2013, o programa foi dividido por seis corridas no primeiro fim de semana e por sete corridas no segundo. A Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau terá que encontrar um número semelhante de corridas para este ano, sabendo que durante a pandemia várias competições asiáticas de automóveis foram extintas ou vão reiniciar este ano.

Nenhuma das Taça do Mundo pretendidas por Macau foi ainda confirmada no calendário da Federação Internacional do Automóvel (FIA), mas dado o interesse da RAEM e o fim das restrições associadas à pandemia, o órgão máximo que regula o desporto não deverá colocar entraves ao regresso há muito esperado das Taças do Mundo da FIA de Fórmula 3 e de GT em Macau.

Já a Corrida da Guia, fará parte da “TCR World Tour”, uma competição que vai preencher a vaga deixada em aberto pelo fim da Taça do Mundo de Turismo da FIA – WTCR. Ainda no que respeita às provas internacionais, o Grande Prémio de Motos de Macau é praticamente um dado adquirido.

Entre as competições chinesas, o Campeonato da China de GT e o Campeonato da China de Carros de Turismo (TCR Asia/CTCC) já anunciaram os calendários para este ano, assinalando a sua presença em Macau no mês de Novembro.

O Campeonato da China de Fórmula 4, a competição que ocupou a vaga na prova do Grande Prémio em três anos de ausência da Fórmula 3, ainda não apresentou o seu calendário, mas às equipas fora-lhes dito que há mais um ano de contrato para correr no Circuito da Guia.

7 Fev 2023

GP | FIA decide em Fevereiro sobre a Taça do Mundo de F3

Oficialmente, o Grande Prémio de Macau de 2023 ainda não consta do calendário internacional da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Contudo, Gian Carlo Minardi, o presidente da Comissão de Monolugares da FIA, afirma que a reputação do Grande Prémio de Macau continua intacta e a confirmação do regresso da Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA ao Circuito da Guia deverá acontecer no próximo mês

 

“Existe actualmente o Campeonato de Fórmula 3 na pirâmide da FIA [cujo calendário já é conhecido], mas a Taça do Mundo está sujeita a confirmação na reunião da Comissão de Monolugares da FIA de 7 de Fevereiro”, esclareceu ao HM o presidente da Comissão de Monolugares da FIA, uma posição que no passado foi ocupada por Barry Bland, Gerhard Berger ou Michael Masi.

No paddock do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, as equipas aguardam um anúncio para breve sobre o muito ansiado regresso do Circuito da Guia no mês de Novembro. Apesar da RAEM ter ficado afastada da rota das principais competições automóveis mundiais por três anos consecutivos, o apelo do seu evento não parece ter esmorecido.

“Não creio que três anos de inactividade tenham diminuído o prestígio do Grande Prémio de Macau, que foi sempre como uma final mundial da categoria”, esclarece o influente Gian Carlo Minardi, fundador da extinta Minardi, uma equipa que entrou no campeonato mundial de F1 em 1985 e que hoje, após duas trocas de proprietário, se chama Scuderia AlphaTauri.

Apesar do optimismo no retorno da Taça do Mundo, Gian Carlo Minardi voltou a tocar num ponto muito importante e que em 2019 foi motivo de várias discussões, a segurança do Circuito da Guia. “Talvez o foco devesse ser a segurança e se os actuais monolugares de F3 estão ou não sobredimensionados para estes circuitos urbanos, mas isso também depende de avaliações a serem abordadas pela Comissão de Segurança de Circuitos da FIA”, referiu o italiano.

Recorde-se que a introdução destes carros mais potentes na 4.ª edição da mais recente iteração da Taça do Mundo de F3 da FIA foi tudo menos consensual. Várias questões de segurança foram levantadas devido às elevadas velocidades que estes monolugares construídos pela Dallara atingem. Felizmente, a edição de 2019 correu dentro da normalidade, mas para ser aprovado, o Circuito da Guia teve que receber uma nova homologação da FIA, passando de Grau 3 para Grau 2 após algumas alterações pontuais no circuito.

F4 é para os nacionais

Nos últimos três anos a prova principal do Grande Prémio ficou entregue aos monolugares de Fórmula 4 do campeonato nacional chinês, mas a categoria introdutória para os jovens pilotos provenientes do karting não deverá ganhar um protagonismo muito maior no futuro. Em Outubro de 2016, a FIA registou na Direcção dos Serviços de Economia de Macau a marca “F4 World Final”, mas a visão de hoje da FIA para esta categoria de promoção é que esta esteja confinada a campeonatos nacionais ou regionais.

“Hoje, a F4 é a fórmula mais propedêutica do mundo, mas penso que neste momento deve permanecer em campeonatos nacionais e não se tornar num Campeonato Mundial ou combiná-la com a Fórmula 1 [como a Fórmula 3 e Fórmula 2]. Temos a tarefa de salvaguardar, não só a segurança, mas também os custos e permitir que o maior número possível de pilotos se aproxime do nosso desporto”, concluiu Gian Carlo Minardi.

26 Jan 2023

Automobilismo | Corridas de carros de Turismo locais vão mudar em 2023

Ao fim de quase uma década, as corridas locais de automobilismo preparam-se para entrar numa nova era. O Ano Novo Chinês trará novos carros e uma mudança de filosofia no automobilismo de Macau

Vários pilotos conhecidos do automobilismo local confirmaram ao HM que foram contactados telefonicamente na última semana pela Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC), tendo recebido a informação que na próxima temporada as categorias Roadsport “1950cc & Acima” e “1600cc Turbo” irão ser substituídas por uma só categoria com base na Taça Toyota Gazoo Racing GR86/Subaru BRZ japonesa. Mais detalhes são esperados, desta vez por escrito, depois das festividades do Ano Novo Lunar.

O Toyota GR86 e o seu gémeo Subaru BRZ são ambos escolhas populares para eventos de velocidade em pista. As duas empresas reconheceram este facto e conhecendo o seu potencial para as corridas, agora vendem um pacote concebido no Japão para este fim, como também organizam em conjunto um campeonato no país do sol nascente.

Os carros são vendidos com uma gaiola (rollcage) completa com barras de intrusão lateral e um arnês de segurança de seis pontos para o condutor. Vêm igualmente equipados com um motor boxer de 2,4 litros, que permanece nos 228 cavalos de potência, com tracção às rodas traseiras através da transmissão manual de seis velocidades.

O custo dos carros deverá rondar as 250 a 280 mil patacas, sendo que os pilotos aguardam mais informações para perceberem exactamente quanto terão de investir em carros novos e material para a temporada de 2023 que se espera ser de retoma para o automobilismo local após os três últimos anos de quase estagnação.

Fim de uma era

Com a entrada de novos carros, as categorias Roadsport “1950cc & Acima” e “1600cc Turbo” serão muito provavelmente descontinuadas. Ambas as categorias, que na edição do 69º Grande Prémio de Macau preencheram a grelha de partida da Corrida Macau Roadsport Challenge, tinham uma forte componente local. Caracterizada pelos seus Mitsubishi, Nissan e Subaru que tinham tanto de potentes como de pouco fiáveis, a Roadsport, cujas raízes remontam à década de 1990s, ganhou força em 2008 com a entrada para o programa do Grande Prémio, onde foi uma presença assídua até 2022.

Por seu lado, a classe “1600cc Turbo” foi lançada em 2014 pela AAMC e pela sua congénere de Hong Kong, a HKAA. Apesar de rapidamente ter caído no desinteresse pelos pilotos de Hong Kong, manteve-se atractiva para os pilotos de Macau.

O facto de esta ser uma regulamentação técnica única no mundo, obrigava os preparadores e garagistas locais a construir os seus próprios carros de corrida. Este desenvolvimento acarretava custos elevadíssimos e desequilibrava a competição em pista. Com os carros a chegarem ao fim do seu ciclo de vida, as entidades responsáveis pelo desporto da RAEM, finalmente terão encontrado uma solução para revitalizar as populares corridas de Turismo, mas resta agora saber se os pilotos vão ter a capacidade financeira para acompanhar.

19 Jan 2023

Rui Valente não planeia parar e já definiu a nova temporada

Os anos passam, mas a motivação não esmorece. Rui Valente já começou a alinhavar a temporada que aí se avizinha e que promete ser novamente bastante preenchida entre corridas no Interior da China e a preparação para o sempre especial Grande Prémio de Macau.

O mais antigo piloto português de Macau em actividade não pensa em atirar a toalha ao chão, bem pelo contrário. “A licença desportiva já está renovada para o corrente ano”, destaca Rui Valente, acrescentando: “Gosto muito do que faço e ainda não é desta que vou pendurar o capacete”.

Apesar de todas as restrições nas viagens e limitações de toda a ordem que atravessamos nos últimos três anos, Rui Valente manteve-se sempre activo do outro lado das Portas do Cerco, conjugando participações no GIC Challenge, a competição organizada pelo Circuito Internacional de Guangdong (GIC, na sigla inglesa), com a presença habitual de fim de ano no Grande Prémio de Macau.

Com um orçamento que não lhe permite excessos ou extravagâncias, o regresso ao circuito dos arredores de
Zhaoqing está novamente nos planos de Rui Valente para esta temporada. O piloto luso tem somado bons resultados no GIC Challenge, muitas das vezes contra uma concorrência com outros meios e equipada com viaturas mais modernas e apetrechadas.

“Para as corridas de uma hora de resistência vou novamente fazer com o ‘velhinho’ Honda para manter a forma”, revelou ao HM o veterano piloto luso, fazendo referência ao seu fiável Honda Integra DC5 que já o acompanha há mais de uma dezena de anos. “É só fazer umas pequenas trocas na bomba de gasolina e está pronto a acelerar”.

Mini de boa saúde

Na roleta do Circuito da Guia, Rui Valente não tem sido muito feliz. Na edição do passado mês de Novembro, o piloto que competiu pela primeira vez em Macau em 1988 foi o mais rápido dos carros da classe 1600ccTurbo na qualificação para a primeira das duas corridas da Macau Roadsport Challenge. Após ter terminado no terceiro lugar na primeira corrida, Rui Valente liderava a segunda corrida confortavelmente e a tão desejada vitória estava à sua mercê. Contudo, na derradeira volta da corrida, como se um golpe de água fria se tratasse, a caixa de velocidades do seu Mini Cooper S atraiçoava-o e atirava Rui Valente para fora dos lugares cimeiros.

“Quando pensava que era desta, foi quando o pior aconteceu”, contou na altura Rui Valente. “Quando o Safety-Car saiu da pista fiquei [com o carro engatado] em sexta velocidade antes do Mandarim sem poder reduzir. Fiz a volta toda em sexta velocidade sem poder fazer nada. Estava em primeiro da classe e foi um azar enorme. Não havia nada a fazer, simplesmente aceitar, as corridas são assim”.

O meticulosamente bem preparado Mini Cooper S deverá apenas sofrer uma pequena revisão no defeso e o seu futuro, que mais uma vez deverá passar pelo Circuito da Guia no mês de Novembro, será decidido.

“Só preciso de ver a situação da caixa de velocidades quando ele voltar para a China, de resto está pronto”, afirma o piloto-preparador. Quanto ao futuro do Mini nas pistas, tudo depende do que os órgãos decisores definirem para as corridas locais de carros de Turismo e por isso Rui Valente é prudente: “Vamos aguardar até março. Até lá já deveremos ter uma resposta da organização”.

13 Jan 2023

GP Macau | Vencedor não sabe o que vai fazer a seguir

Andy Chang Wing Chung tornou-se o terceiro piloto de Macau, depois de André Couto e Charles Leong Hon Chio, a vencer a corrida principal do Grande Prémio de Macau. Apesar do êxito na prova que se realizou pelo terceiro ano consecutivo com monolugares de Fórmula 4, o piloto de 26 anos não sabe o que vai fazer a seguir na sua carreira desportiva

 

A vitória na prova rainha do Grande Prémio foi durante décadas um trampolim para uma carreira internacional de sucesso, mas as últimas três edições, realizadas sob as condicionantes da pandemia, não tiveram o mesmo impacto, e dificilmente terão os mesmos reflexos nas carreiras dos intervenientes como as anteriores. Se Charles Leong conseguiu “dar o salto” para as corridas de GT após o seu segundo triunfo no Circuito da Guia, Andy Chang ainda não sabe o que irá fazer a seguir.

“Ainda não tenho qualquer plano”, revelou Andy Chang ao HM, pois neste momento “estou concentrado nas minhas actividades profissionais”, acrescentou o piloto que antes do fim de semana da sua vitória reconhecia que “é bastante difícil entrar na categoria GT porque o orçamento é muito superior ao dos carros F4. Contudo, ainda estou a tentar encontrar uma oportunidade de experimentar um carro de GT”.

O piloto do território que deu os primeiros passos no automobilismo com apenas cinco anos, não esconde que gostaria ficar ligado ao desporto no dia em que poise definitivamente o capacete, e já começou a preparar terreno. “Planeio treinar alguns jovens pilotos no karting”, revelou o ex-piloto da equipa oficial TonyKart, “mas também espero treinar pilotos nos fórmulas”.

Chaves da vitória

Depois de ter conquistado o Campeonato da China de Fórmula 4 em 2021, Andy Chang não teve oportunidade de realizar qualquer corrida em 2022, o que não o impediu de triunfar no Grande Prémio de Macau de Fórmula 4. O piloto do território bateu os compatriotas Charles Leong Hon Chio de Macau e Gerrard Xie de Hong Kong, numa animada corrida que encerrou a 69.ª edição do maior evento desportivo de carácter anual da RAEM

Uma combinação de factores foram a chave do sucesso numa prova que podia ter acabado muito mal, quando na Corrida 1, no sábado, o piloto que fez a “pole-position” nas duas sessões de qualificação teve um mau arranque e saiu em frente na escapatória da travagem para a Curva Lisboa. Felizmente, este episódio não teve consequências de maior e uma recuperação notável levou-o ao terceiro lugar. No domingo, Chang impôs-se aos seus adversários com uma corrida isenta de erros.

“Embora tenha sido a minha primeira corrida do ano, estava familiarizado com o carro e tinha muita quilometragem na pista. Esta era a minha vantagem. Também fiz alguns treinos em Zhuhai. O carro era excelente e competitivo e a equipa trabalhou arduamente nele”, concluiu Andy Chang, que espera que esta não tenha sido a sua última corrida.

4 Jan 2023

GP Macau | Vencedor da Corrida da Guia pensa noutros voos

No ano em que a Corrida da Guia celebrava o seu quinquagésimo aniversário, Filipe Souza soube tirar proveito das circunstâncias e “quebrou um enguiço” dos pilotos de Macau, tornando-se o primeiro piloto do território a vencer a mais tradicional e emblemática corrida de carros de Turismo do sudeste asiático em 2022

 

Para o piloto macaense, que conta com mais de duas dezenas de participações no Grande Prémio de Macau, este era um objectivo há muito ambicionado, mas acabou por ter um sabor especial, até porque foi conquistado num ano particularmente complicado para o estagnado automobilismo da RAEM e ao volante de um carro que mal conhecia.

“A vitória na Corrida da Guia teve um significado muito especial para mim”, recordou Filipe Souza ao HM. “Foi muito importante, pois este é o meu terreno. Também acho que tem um significado muito especial para os pilotos e residentes de Macau, pois pela primeira vez um piloto de Macau conseguiu ganhar esta corrida.”

Depois de ter vencido a corrida de sábado no programa da 69.ª edição do Grande Prémio, para a qual arrancou mal mas soube como tirar partido dos erros dos seus principais adversários, Filipe Souza manteve-se sempre na frente no decisivo embate no domingo, aguentando a pressão dos rápidos pilotos de pelos pilotos de Hong Kong Lo Sze Ho (Hyundai i30 N TCR) e Andy Yan (Honda FK7 TCR). Para além de ter ganho a Corrida da Guia, Filipe Souza conquistou também a primeira edição do TCR Asia Challenge.

Novo carro cumpriu

Para esta corrida, o piloto do território tripulou a mais recente versão do Audi RS 3 LMS TCR, um carro que só foi entregue ao piloto a meio do ano, em pleno pico da pandemia e das restrições em Macau. Antes do Grande Prémio, Filipe Souza teve só um pequeno contacto com a sua nova máquina num evento provido pela associação automóvel local em Zhaoqing. Contudo, o pouco conhecimento do Audi não desmoralizou o piloto lusófono que sabia que era possível vencer.

“Parti para este Grande Prémio com muita confiança em mim próprio e também no meu novo carro. A experiência que ganhei nos dois últimos anos nesta corrida faziam me acreditar que era possível ganhar a Corrida da Guia desta vez”, explica Filipe Souza, que, no entanto, reconheceu que “não foi nada fácil”. Isto, porque “o novo carro é muito mais sensível comparando com o anterior”, no entanto o piloto relembra que “foi possível adaptar-me e encontrar uma boa afinação”, até porque o carro que foi eleito TCR Model of Year 2022 “é muito forte, mas para andar no limite é preciso testar muito mais do que eu testei.”

Outros voos

Depois de ter conquistado o seu grande objectivo nas corridas de Turismo, Filipe Souza está novamente a avaliar a possibilidade de transitar de classe e correr em carros de Grande Turismo (GT). A categoria GT4, que está em pleno crescimento neste ponto do globo, interessa ao piloto.

“Neste momento já estou a planear outras possibilidades para continuar. Estou a pensar na categoria de GT4, mas ainda estou a ver qual a marca é mais conveniente e a avaliar quais são os carros mais fortes ou competitivos”, revela Filipe Souza.

A esperada reabertura das fronteiras de Macau aguça o apetite do piloto de 46 anos para regressar a outros voos. Apesar de ainda ser cedo para definir a temporada de 2023, “estou a considerar fazer algumas provas internacionais, não só na Ásia, também gostaria de fazer algumas corridas na Europa”.

30 Dez 2022

GP Macau | Jovem americano chega à F1 mas quer voltar à Guia

Logan Sargeant é a mais recente esperança dos Estados Unidos da América na Fórmula 1. O piloto de 21 anos, que assinou contrato com a Williams para a próxima temporada, afirma que a sua corrida favorita foi o Grande Prémio de Macau de 2019 e por isso quer cá voltar.

O norte-americano, que fazia parte da academia de jovens pilotos da Williams, foi obrigado a completar a temporada de Fórmula 2 e esperar para ser anunciado oficialmente como piloto de F1 para a próxima temporada. O quarto posto na classificação de pilotos garantiu-lhe a ultrapassagem do último obstáculo – pontos para a superlicença – na sua caminhada para a F1, caminhada essa que ficou marcada pela passagem pelo Circuito da Guia.

“A corrida mais memorável da minha carreira foi em Macau em 2019. Penso que quando vais para lá, como piloto, não sabes muito bem o que te espera. Tinha feito muito trabalho de simulador, mas é muito difícil simular exactamente como quando se vai tão depressa entre aqueles muros”, recordou ao site oficial da Fórmula 2 o jovem Sargeant, o primeiro piloto norte-americano na F1 desde Alexander Rossi, em 2015, ele que vai substituir Nicholas Latifi e correr ao lado do tailandês Alex Albon.

Tal como a grande maioria dos pilotos estrangeiros que passam por Macau, Sargeant não esquece a vibrante atmosfera do evento como também recorda o desafio colocado por este circuito urbano nascido de uma conversa de café de um grupo de amigos portugueses, no Hotel Riviera em 1954.

Resultado inesperado

Sargeant correu em Macau no ano em que os monolugares do Campeonato FIA de Fórmula 3 fizeram até agora a sua única aparição na RAEM. O piloto da Flórida era nesse ano um dos jovens promissores da competição que habitualmente segue a F1 nos fins-de-semana europeus.

“O óptimo daquele fim-de-semana [em Macau] foi que não foi como um típico fim-de-semana de Grande Prémio de Fórmula 1, tivemos um pouco mais de tempo nos treinos para realmente encontrarmos os nossos pés nos chão. Eu só usei a primeira sessão de treinos para compreender a pista e para entrar num bom ritmo e na rotina. A segunda sessão de treinos foi quando comecei realmente a puxar e a encontrar o limite absoluto. Foi um pouco mais fácil do que o esperado no início”, confessou o então piloto da Carlin Buzz Racing.

“Honestamente, é um daqueles fins-de-semana em que nunca se sabe o que vai acontecer. É um circuito citadino e é sempre difícil, um erro e estás na parede. Por isso, tenta-se não colocar demasiadas expectativas”, relembra o piloto que usará o nº2 na sua temporada de estreia na F1. “Penso que, em última análise, durante todo o fim-de-semana, vimos que tínhamos um ritmo muito bom e o objectivo tornou-se entrar nos cinco primeiros, um pódio foi um bónus.”

Vontade de voltar

Nesse ano, quando chegou a Macau, Sargeant já sabia que em 2020 iria envergar as cores da super-competitiva Prema Racing, mas não era sequer um favorito, tendo terminado a sua primeira temporada de F3 num modesto 19.º lugar.

“Lembro-me que a Qualificação não me correu de feição, mas nas corridas tivemos um ritmo muito bom e fomos capazes de continuar a subir lugares. Conseguimos terminar em terceiro lugar na corrida final. Foi um grande fim-de-semana depois do que foi um 2019 difícil. Foi um fim-de-semana fantástico e que sempre quis lá voltar e fazer novamente a corrida. Infelizmente, com a COVID, ainda não o conseguimos”, realçou Sargeant que fez mais duas temporadas na F3 antes de dar o salto para a F2, dois anos em que a disciplina esteve arredada do Grande Prémio de Macau.

“Olhando para trás, se tivéssemos tido uma Qualificação ligeiramente melhor do que a que tivemos, possivelmente poderíamos ter lutado pela vitória. Isso foi uma pena, mas é uma grande parte da razão pela qual quero regressar e terminar o trabalho…”

São raros os casos de pilotos que passaram pela F1 e um dia regressaram ao Circuito da Guia para conduzirem monolugares. Todavia, são vários os casos de pilotos que se estrearam em Macau ao volante de monolugares, progrediram até à F1 e cá regressaram para conduzirem nas corridas de Turismos e GT. O português Tiago Monteiro é um desses exemplos de sucesso.

21 Dez 2022

GT4 | Classe está a ganhar espaço nas corridas locais

Num mundo em transformação, há uma tendência a que se está a assistir no automobilismo local que passa pela aposta na compra e participação nas corridas com carros da categoria GT4, a mais baixa das categorias de Grande Turismo (GT).

Durante décadas, as categorias de carros de Turismo ocuparam todo o espectro das corridas destinadas aos pilotos amadores. Contudo, com o desenvolvimento da tecnologia, e o afastamento gradual entre um carro do dia-a-dia e um carro de corrida, as viaturas das categorias GT, um dia proibitivas em termos de custos e tecnologicamente demasiado complexas, tornaram-se hoje muito mais simples e apelativas no panorama do automobilismo regional. Este fenómeno que se vem espalhando por todo o mundo, incluindo em Portugal, já se pode assistir em Macau.

Só na Taça GT Grande Baía, dos dezoito concorrentes que se inscreveram com carros da classe GT4, quinze tinham licença desportiva da RAEM. Este tipo de viaturas Grande Turismo “low cost” têm um preço que ronda os 2 milhões de patacas, podendo ser encontrados exemplares no mercado em segunda mão por preços muito mais acessíveis.

Com uma exigência técnica idêntica a um carro de Turismo da categoria TCR, estes GT4 são igualmente atractivos pelo facto de serem construídos por célebres marcas de superdesportivos como a Porsche, Mercedes-AMG, Audi, BMW, McLaren ou Aston Martin ou até por construtores mais pequenos como a Ginetta ou KTM.

“A GT4 está definitivamente a crescer na Ásia. Mas, como também foi o caso da Europa e da América, o seu sucesso não foi imediato”, explicou ao HM o francês Benjamin Franassovici, o responsável pela Ásia da SRO Motorsport Group, a empresa europeia que criou e tem os direitos da categoria GT4 para todo o mundo.

A ganhar terreno

Incluídos na Taça da Grande Baía do 69.º Grande Prémio de Macau, os carros da classe GT4, por ainda não serem em número suficiente, tiveram a companhia em pista dos mais rápidos carros de GT oriundos de alguns defuntos troféus monomarca. Este “convívio” entre carros de conceitos diferentes foi tudo menos “pacifico”, mas uma cerimónia de pódio à parte para os concorrentes que participaram com carros da classe GT4 permitiu apaziguar os ânimos.

“Penso que nos estávamos a aproximar de um ponto de viragem mesmo antes da COVID ter despontado”, recorda Benjamin Franassovici e “ainda estamos a sentir os efeitos disso. Mas assim que as coisas voltarem ao normal, penso que há espaço para os GT4 correrem sozinhos”.

O menor custo dos carros GT4, em comparação com a categoria FIA GT3, e a sua relativa fácil manutenção têm ajudado à implementação da categoria nesta parte do globo. “Os pilotos aspirarão sempre a competir na classe superior, mas a GT4 é um importante trampolim para lá chegar. Da mesma forma, e penso que é aqui que estamos a ver mudanças de atitude, também é agora visto como uma classe digna por direito próprio.”

O também responsável pelo campeonato Fanatec GT World Challenge Asia, que tem o seu escritório em Hong Kong, não esconde que “pessoalmente adoro o elemento multiclasse dentro do Fanatec GT World Challenge Asia e do campeonato britânico de GT, mas não há como negar o espectáculo das competições GT4 autónomas existentes na Europa e na América.”

9 Dez 2022

GP | Confirmados 57 pilotos de Macau e 19 de fora

Para além de Edoardo Mortara, anunciado pela Audi Sport Asia na pretérita semana, a Taça GT Macau vai contar com mais dois pilotos europeus de nível mundial, ambos ex-vencedores da Taça do Mundo de GT da FIA nas ruas de Macau – o alemão Maro Engel e o italiano Raffaele Marciello. Com dezasseis carros inscritos, onde também se destacam Darryl O’Young, vencedor da prova no ano passado, e Alexandre Imperatori, o suíço escolhido pela Porsche para defender as suas cores na prova, espera-se que a projecção mediática dos dois pilotos da Mercedes-AMG e do rival italo-suíço da Audi coloque novamente esta corrida na agenda internacional.
Igualmente há a destacar o regresso de Rob Huff, piloto que venceu por nove ocasiões na Corrida da Guia, e que optou por participar no Grande Prémio de Macau com a equipa oficial da MG, onde terá como companheiro de equipa o português Rodolfo Ávila, em vez de completar a temporada da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR, na qual ocupava o terceiro lugar na classificação de pilotos. Curiosamente, o inglês não irá lutar pela décima vitória na Corrida da Guia, visto que os concorrentes do campeonato TCR Asia e do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) foram colocados na Taça de Carros de Turismo de Macau. Já os ex-concorrentes da Taça de Carros de Turismo de Macau foram transferidos para a corrida Macau Roadsport Challenge. A Corrida da Guia, que este ano também irá oferecer o título do TCR Asia Challenge, será preenchida por carros da categoria TCR de vários pilotos privados de Macau, Hong Kong e também do Interior da China.
São quinze os concorrentes, todos eles estrangeiros, que vão dar corpo ao 54.º Grande Prémio de Motos de Macau. A lista dos participantes ontem desvendada revela que da dezena e meia de participantes apenas quatro correram anteriormente na prova. Nadieh Schoots, que será a primeira senhora a alinhar na prova, fará certamente as manchetes, está em evidência numa lista de inscritos que também conta com o português André Pires, um dos mais experientes à partida, e de Sheridan Morais, piloto nascido na África de Sul, mas com dupla nacionalidade, e que correrá com a licença portuguesa na prova da RAEM.

Casa com bom número
Apesar dos tempos conturbados por que passa a economia de Macau, serão cinquenta e sete os pilotos do território, dez dos quais de matriz portuguesa, que vão participar no evento que é o maior cartaz desportivo anual de Macau. Das sete corridas do programa, apenas na corrida de motociclismo a RAEM não estará representada. Ao todo estão quatro pilotos locais inscritos na prova de Fórmula 4, um na Taça GT Macau, sete na Corrida da Guia, um na Taça de Carros de Turismo de Macau, catorze na Taça GT Grande Baía e trinta e um na Macau Roadsport Challenge.

13 Nov 2022

“Sr. Macau” está de volta ao Circuito da Guia

Num comunicado enviado às redações na tarde de terça-feira, a Audi Sport customer racing Asia anunciou o regresso de Edoardo Mortara ao Circuito da Guia. O piloto italo-suíço vai tentar vencer pela oitava vez no circuito citadino de Macau e pela quinta vez na Taça GT Macau.

Esta temporada a militar no Campeonato do Mundo FIA de Fórmula E, o piloto que ficou conhecido por ser o “Sr Macau” vai conduzir um dos Audi R8 LMS GT3 evo II da equipa Audi Sport Asia Team Absolute na 69.ª edição do Grande Prémio de Macau. O regresso de Mortara a um palco que lhe trouxe tantas alegrias irá também projectar na imprensa internacional a corrida que um dia foi Taça do Mundo de GT da FIA. No entanto, Mortara não deverá ser o único piloto estrangeiro numa das corridas mais apetecíveis do programa.

Mortara fez história em Macau em 2010, quando se tornou o primeiro piloto a ganhar por duas vezes o Grande Prémio de Fórmula 3 de Macau. Porém, só em 2013 é que ganhou a alcunha de ‘Sr Macau’, após uma histórica terceira vitória consecutiva na Taça GT Macau, também com a Audi, no mesmo ano em que também ganhou a corrida da Taça Audi Sport R8 LMS, realizada durante as duas celebrações do 60.º Grande Prémio de Macau. Mortara acrescentou uma quarta vitória na Taça GT Macau, em 2017, já ao serviço da Mercedes AMG, para elevar a sete a sua conta de vitórias no Circuito Guia.

 

Combinação de interesses

A Audi Sport tem uma série de pilotos de GT sob contrato, mas para este desafio a marca de Ingolstadt foi buscar um dos seus ex-pilotos. Mortara correu pela Audi de 2011 a 2016, mas em 2017 rumou à rival Mercedes AMG. Apesar de ter conquistado a Taça do Mundo nas ruas de Macau nesse mesmo ano, o construtor de Estugarda viu mais utilidade em Mortara na Fórmula E. Na competição de monolugares eléctricos, em que foi vice-campeão na temporada 2020/2021, rompeu com a Mercedes e iniciou uma ligação com a equipa monegasca Venturi Racing, entretanto adquirida pela Maserati, com quem competirá em 2022/2023.

“O Grande Prémio de Macau é um evento verdadeiramente lendário, por isso é apropriado que levemos a lenda da Audi, o Edo Mortara, às ruas da cidade para competir pelo quinto título da Audi na Taça GT”, explicou Alexander Blackie, o director da Audi Sport customer racing Asia. “Agradecemos à sede da Audi Sport pelo seu forte apoio para levar isto avante”.

A Audi é um dos construtores que mais aposta no mercado chinês, principalmente nas corridas de carros de Grande Turismo (GT), e não vence a Taça GT Macau desde 2016, quando Laurens Vanthoor ganhou a corrida da Taça do Mundo com o seu Audi R8 literalmente virado ao contrário. A rival Mercedes venceu quatro das últimas cinco edições e posicionou-se como o construtor automóvel com mais vitórias na corrida implementada no programa do Grande Prémio em 2008, com seis triunfos. Por outro lado, a marca de Estugarda tem estado a ponderar enviar pilotos europeus para vencer novamente esta corrida.

Numa altura em que a Audi Sport está a reestruturar o seu departamento de competição cliente, muito por culpa da futura entrada da marca na Fórmula 1, os germânicos viram-se perante o dilema de não terem ninguém com a experiência necessária para vencer no Circuito da Guia. Como o piloto de 35 anos estava disponível nesta altura do ano, devido às limitações de testes da Fórmula E, e disposto a aceitar o desafio proposto pela Audi, mesmo tendo que cumprir a muito indesejada quarentena à chegada à RAEM, os interesses de ambas as partes acabaram por se combinar.

3 Nov 2022

Fórmula 4 | Piloto de Macau vai tentar vencer pela terceira vez

Charles Leong Hon Chio vai tentar obter um feito até aqui nunca alcançado em sessenta e oito edições do Grande Prémio de Macau. O jovem piloto do território vai tentar vencer este ano a prova principal do maior evento desportivo da RAEM pelo terceiro ano consecutivo

 

Após ter vencido em 2020 e 2021, duas edições que tal como este ano foram usados monolugares de Fórmula 4 na corrida principal, Charles Leong Hon Chio vai apostar na continuidade e tentar obter a sua terceira vitória consecutiva na prova. Isto, apesar de o piloto de 21 anos não conduzir um monolugar de Fórmula 4 desde do sucesso alcançado no ano passado nas curvas e contra-curvas do Circuito da Guia.

Esta temporada, Charles Leong tem guiado um bem mais potente Ferrari 488 GT3, da equipa chinesa Harmony Racing, no Campeonato de Endurance da China (CEC) e no Campeonato da China de GT, tendo somado vitórias e resultados muito positivos para um jovem estreante nesta categoria. Na teoria, especulava-se que o piloto de Macau fosse competir em frente ao seu público ao volante de um destes espectaculares carros da marca do “Cavallino Rampante”, mesmo tendo em consideração que o orçamento da Taça GT Macau é várias vezes superior àquele necessário para estar à partida com os monolugares de Fórmula 4.

“Foi algo que eu pensei, correr na Fórmula 4 e com o Ferrari, mas o Grande Prémio não o permite”, explicou o piloto ao HM, relembrando que desde 1996 a prova não autoriza que os pilotos participem em mais do que uma corrida durante o fim de semana. “Após ponderar, a prova de Fórmula 4 faz mais sentido, pois é a principal do programa do Grande Prémio e ainda ninguém venceu por três vezes consecutivas a corrida. Por outro lado, também julgo que tenho ainda muito a aprender nas corridas de GT”, reconhece.

A maior novidade da participação de Charles Leong será a troca de equipa. Depois de dois anos em que venceu pela Smart Life Racing, o ex-campeão de Fórmula 4 irá tripular um monolugar da equipa BlackJack Racing Team. A formação de Ningbo terminou em terceiro lugar em 2021, com o piloto Li Si Cheng, e tem o apoio técnico da equipa Asia Racing Team, fundada em Macau e cujo director desportivo é o piloto português Rodolfo Ávila.

Última chance de testar

Foi com surpresa que o Campeonato da China de Fórmula 4 se viu forçado a cancelar a prova que tinha agendado para o próximo fim de semana em Pingtan. Tanto a Fórmula 4 chinesa, como os GT, iam correr este fim de semana no novo circuito citadino na ilha de Fujian, mas na pretérita semana os Serviços de Saúde do Governo da RAEM anunciaram a imposição de quarentena a todos os indivíduos provenientes da Zona Experimental Abrangente de Pingtan, onde se realizaria o evento e onde já estavam algumas equipas e pilotos a testar. Correndo o risco de comprometer o evento ou a perder quórum para o Grande Prémio, ambas as competições concordaram em adiar o evento de Pingtan para Dezembro.

A três semanas do grande evento automobilístico da Grande Baía, esta situação acabou por beneficiar Charles Leong que assim deverá ser capaz de conduzir o Mygale M14 F4-Geely antes do Grande Prémio e ao pé de casa. “A equipa vai enviar o carro para Zhuhai”, revelou o piloto que não esconde que o adiamento do evento de Pingtan“acabou por ser melhor para mim”.

Mesmo que consiga vencer a edição deste ano, Charles Leong não será ainda o piloto com mais vitórias na prova principal do Grande Prémio, pois esse recorde ainda pertence a um ex-membro da Real Polícia de Hong Kong. John MacDonald ganhou no Grande Prémio por quatro ocasiões (1965, 1972, 1973 e 1975), com a particularidade de também ter triunfado no Grande Prémio de Motos de Macau (1969) e na primeira edição da Corrida da Guia (1972).

31 Out 2022

GP Motos de Macau | Pela primeira vez teremos uma senhora à partida

O 54.º Grande Prémio de Motos de Macau, para além de marcar o regresso de pilotos estrangeiros ao Grande Prémio de Macau, terá ainda um outro ponto de interesse, pois será a primeira vez que esta corrida criada em 1967 terá uma participação feminina

 

A holandesa Nadieh Schoots aceitou o convite da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau e vai fazer sua estreia numa prova em que esteve muito próxima de participar há quatro anos, quando uma lesão meses antes da prova a obrigou a abdicar da viagem ao continente asiático. Apesar de ainda estar a juntar dinheiro para esta sua participação através de uma campanha de crowdfunding, a piloto de 31 anos está entusiasmada na sua primeira participação na prova.

“Tenho sonhado em correr no Grande Prémio de Macau desde que conheci o piloto holandês Branko Srdanov em 2012, quando ambos competimos na IDM. Na verdade, na altura não acreditava que era algo que pudesse ou fosse um dia fazer, mas pensei que era a prova mais fixe que alguma vez tinha visto. No entanto, uma década e muito sangue, suor e lágrimas mais tarde, aqui estamos nós”, contou Nadieh Schoots

A mulher mais rápida de sempre na North West 200 junta-se ao leque de pilotos confirmados, espera-se que sejam quinze os pilotos à partida, onde também se encontra o português André Pires. Outros nomes já conhecidos, são os de Raul Torres, Erno Kostamo, Julian Trummer, Paul Williams, David Datzer, Rob Hodson, Joey Thompson, Matt Stevenson, Laurent Hoffman, Lucas Maurer e o sul-africano luso-descendente Sheridan Morais.

A edição deste ano do Grande Prémio de Motos de Macau regressará a um formato anteriormente utilizado, pois serão disputadas duas corridas de oito voltas cada no dia de sábado. No global, o tempo de pista da edição deste ano é menor do que em 2019, a última vez que o Grande Prémio de Motos de Macau foi realizado, o que não terá sido muito bem recebido do lado dos pilotos que certamente gostariam de rodar mais antes das duas sessões de qualificação.

Depois da Fernanda

Apesar de ser a primeira senhora a participar no Grande Prémio de Motos de Macau, a verdade é que Nadieh Schoots não é a primeira senhora a participar em corridas de motos no Circuito da Guia. Em 1997, a portuguesa Fernanda Ramos alinhou na Corrida Super Challenge, para Superbikes, com nota muito positiva. A piloto natural de Vila Real esperava, no entanto, fazer melhor na corrida, tendo em conta a evolução que revelou nos treinos.

“Gostei muito do circuito, mas o facto de não estar habituada à moto e de não conhecer a pista nunca me permitiu andar realmente depressa”, disse na altura ao jornal português AutoSport Fernanda Ramos, que terminou num honroso 12.º lugar. A transmontana disputou a prova com uma Ducati 916SP, uma moto que nunca tinha tripulado até aquele fim de semana de Novembro e muito mais potente que as 600cc com que competia em Portugal.

23 Out 2022

GP | Corrida da Guia recebe o primeiro TCR Asia Challenge

Horas depois da conferência de imprensa do 69.º Grande Prémio de Macau, o WSC Group, a entidade que tem os direitos de promoção e regulamentação da categoria TCR, emitiu um comunicado a referir que chegou a acordo com o Instituto do Desporto de Macau para organizar como parte da Corrida da Guia Macau o Challenge TCR Asia

 

A Corrida da Guia deveria, este ano, fazer parte do calendário da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo – WTCR pela primeira vez desde 2019, antes de questões logísticas terem resultado no cancelamento das etapas asiáticas da competição promovida pela Discovery Sports Events. Tendo feito parte dos calendários das TCR Asia Series e do Campeonato TCR China nos últimos dois anos, a Corrida da Guia vai agora pontuar para o TCR Asia Series e por um título recém-lançado que assegura que os carros TCR estarão novamente em acção no famoso circuito de rua.

“Estou muito orgulhoso e entusiasmado por anunciar que este ano se vai realizar o primeiro TCR Asia Challenge no âmbito do Grande Prémio de Macau, mantendo viva a tradição de ver os carros TCR a correr no Grande Prémio de Macau que começou em 2015”, disse o presidente do WSC Group, o italiano Marcello Lotti.

Para além do TCR Asia Challenge, nas curvas e contra-curvas do Circuito da Guia também estarão em jogo pontos a atribuir aos concorrentes do TCR Asia Series. A competição asiática, mas que apenas realiza este ano corridas em solo chinês, disputou apenas um evento esta temporada, no final do mês de Julho em Zhuzhou. Antes da visita à RAEM, o campeonato onde participa o piloto de Macau Rodolfo Ávila tem quatro corridas agendadas para Zheijiang, de 3 a 6 de Novembro, para terminar no primeiro fim de semana de Dezembro em Xangai.

Fim de linha para a WTCR

Na passada sexta-feira, a Discovery Sports Events revelou em comunicado que irá estudar alterações de fundo à Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo – WTCR para o futuro. A temporada de 2022 é a quinta do formato em curso e o seu final representa o fecho de um ciclo. Quer isto dizer que a WTCR, tal como a conhecíamos e vimos competir em Macau em 2018 e 2019, termina no fim de semana de 27 e 28 de Novembro na Arábia Saudita.

A competição de carros de Turismo que nos últimos três anos quis, sem sucesso, realizar a sua prova de final de temporada no Circuito da Guia, está em fase decadente. O desinvestimento dos construtores e das equipas é notório, agravando-se com a saída abrupta do construtor chinês Lynk & Co, insatisfeito pela forma como o equilíbrio de performance estava a ser gerido pelos organizadores, a meio da temporada. Estes foram motivos suficientes para Discovery Sports Events não accionar a opção de renovar o contrato por mais três anos.

19 Out 2022

GP Motos | André Pires confirma presença em Macau

O piloto português André Pires confirmou ao HM que irá participar no 54.º Grande Prémio de Motos de Macau, caso a prova se realize no programa do 69.º Grande Prémio de Macau

O motociclista de Vila Pouca de Aguiar, um dos poucos pilotos que nos últimos anos estava disposto a cumprir a quarentena obrigatória imposta à chegada a Macau para participar no evento desportivo do território, conseguiu reunir as condições para regressar à prova rainha do motociclismo asiático este ano. André Pires reconhece, no entanto, que esta não vai ser uma edição fácil.

Num ano em que a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau se está a empenhar para trazer de volta a popular competição de duas rodas ao programa de provas do evento, o piloto português tentou reunir uma equipa técnica portuguesa para o acompanhar em mais uma visita ao Oriente, algo que não se concretizou, dada a impossibilidade daqueles que habitualmente estão ao seu lado de cumprirem o número de dias que vão ser necessários para completar a edição deste ano da prova (ndr: está previsto que os pilotos partam no dia 3 de Novembro para regressarem aos seus destinos no dia 21).

“Vai ser um Grande Prémio difícil”, reconheceu André Pires ao HM. “Para além da quarentena, para participar consegui encontrar uma equipa francesa que aceitou o desafio. Este ano a organização do evento está a fazer um esforço para que haja Grande Prémio de Motos e, se os outros pilotos também aceitarem, não quero perder mais um Grande Prémio”.

Neste momento, não é ainda público o número de pilotos internacionais que aceitaram o repto lançado pelas autoridades desportivas da RAEM. No regulamento desportivo da última edição do Grande Prémio de Motos de Macau, podia ler-se que um “mínimo de 22 inscrições devem ser recebidas para a corrida se realizar”, porém, acredita-se que esse número será propositadamente reduzido este ano, precisamente para acomodar o expectável número inferior de interessados em participar na prova.

Dificuldades e recorde para bater

Para além de ter que ultrapassar o desconforto da quarentena obrigatória, que tem sido o maior obstáculo que a Comissão Organizadora tem encontrado para atrair nomes sonantes para a prova deste ano, André Pires revelou que vai tripular “uma mota desconhecida”, mas que espera “durante os treinos adaptar-se bem à mota” e deseja “que consigamos fazer um bom trabalho”.

O motociclista português, que vai conduzir uma Honda CBR 1000, não prevê dificuldades de maior por não competir no Circuito da Guia há dois anos, até porque “as coisas também estiveram paradas por cá. Depois tive o projecto do MotoE no MotoGP e andei sempre ocupado com as corridas por aqui”.

André Pires fez a sua estreia no Circuito da Guia em 2013, ano em que obteve a sua melhor classificação, um 13º lugar, e desde aí tem sido presença assídua no maior evento desportivo de carácter anual da RAEM. A confirmar-se a prova de motociclismo deste ano, esta será a oitava participação de André Pires no Grande Prémio de Motos de Macau, o que o tornará o piloto português com mais presenças nesta corrida.

13 Out 2022

EUA | Theodore Racing regressa com nomes de Macau

Depois de ter andado praticamente arredada dos grandes palcos internacionais desde 2019, a Theodore Racing regressa este fim de semana a uma casa muito querida pelo seu fundador Teddy Yip Sr, a Indianapolis Motor Speedway

 

Em parceria com a equipa Craft-Bamboo Racing, as cores da Theodore Racing serão vistas no Mercedes AMG GT3 da equipa de Hong Kong nas 8 Horas de Indianapolis, uma prova pontuável para o Intercontinental GT Challenge, a maior competição de resistência para viaturas da categoria FIA GT3.

Esta parceria entre Darryl O’Young, o vencedor da última edição da Taça GT Macau e director da Craft-Bamboo Racing, e Teddy Yip Jr conta com um trio de pilotos muito competente, sendo dois deles “caras conhecidas” do Circuito da Guia: o italiano Raffaele Marciello, vencedor da Taça do Mundo de GT da FIA nas ruas de Macau em 2019, e o espanhol Daniel Juncadella, vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2011. O terceiro piloto da equipa será o canadiano Daniel Morad, um velho conhecido de Yip Jr dos tempos da sua Status Grand Prix.

A Theodore Racing, mais conhecida entre nós pelas múltiplas participações e vitórias no Grande Prémio de Macau, participou pela primeira vez nas 500 milhas de Indianapolis há quarenta e cinco anos. Antes mesmo da sua incursão pela Fórmula 1, Yip Sr tentou a sua sorte nos Estados Unidos da América. Aliás, Yip Jr brinca invariavelmente com a situação de no dia do seu nascimento o seu pai estar nas 500 milhas de Indianapolis.

Para este regresso da Theodore Racing aos “States”, o Mercedes-AMG GT3 irá apresentar o número 77 nas portas, pois o ano de 1977 foi o primeiro dos oito anos consecutivos em que a equipa participou “Indy 500”, tendo obtido dois lugares no pódio em 1979 e 1981. A pintura do carro também foi escolhida com cuidado para incluir o vermelho e branco tradicional da Theodore Racing.

“Estou muito satisfeito pelo regresso da Theodore Racing à Indianapolis Motor Speedway. Sei que o Teddy Sr adorava este lugar, como eu também adoro. Não há outro lugar assim”, disse Teddy Yip Jr que ressuscitou o nome da equipa do pai em 2013. “Realizar esta prova com os meus amigos da Craft-Bamboo Racing, com quem eu trabalhei de perto e com tanto sucesso no passado, dá-nos confiança de uma boa exibição no dia da corrida. Isto, para além da nossa equipa de pilotos contar com veteranos de Macau e ex-Status Grand Prix que fazem este projecto ainda mais especial para mim.”

A pandemia não afastou totalmente a Theodore Racing do Grande Prémio de Macau, pois as cores da equipa de Yip Jr foram vistas nas últimas duas edições da prova. Em 2021, para além de ter apoiado pelo segundo ano consecutivo o Mercedes AMG de Darryl O’Young, o empresário que residiu muitos anos no Canadá também viabilizou a participação do piloto local Charles Leong Hon Chio, que triunfou pela segunda vez consecutiva no Grande Prémio de Macau de Fórmula 4.

7 Out 2022

GP | Piloto irlandês diz que as estrelas internacionais não vão participar

A possibilidade de termos um 54.º Grande Prémio de Motos de Macau com as grandes estrelas do “road racing” internacional em 2022 parece, por agora, uma possibilidade remota, mas não quer isso dizer que a corrida mais ansiada do 69.º Grande Prémio de Macau não se venha a realizar

 

Michael Sweeney, que conta com seis participações na prova, levantou um pouco o véu do que se passa nos bastidores numa entrevista à publicação irlandesa “News Letter” na semana passada. O motociclista de 40 anos referiu que não irá participar na prova, pois considera que a longa quarentena, imposta pelas autoridades de Macau no combate à pandemia, hipoteca à partida uma viagem ao Oriente, e afirmou que os ex-vencedores da corrida, como Michael Rutter ou Peter Hickman, não têm planos para regressar ao Circuito da Guia este ano.

“Eu não vou [participar no Grande Prémio de Macau] porque tens uma quarentena de dez dias”, disse o popular irlandês, que esta temporada já venceu cinco corridas aos comandos da sua BMW S1000RR. “Não podem esperar que o pessoal vá até lá e passe aquele tempo todo em quarentena. Eu não acredito que [o Grande Prémio de Motos de Macau] vá acontecer, porque precisas de tempo para organizar voos, reservas e transporte”.

A prova motociclismo de estrada mais conceituada do continente asiático não se disputa desde 2019, mas este ano a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau parece empenhada em recuperar uma corrida que será sempre afectada pelas medidas restritivas de combate à pandemia. Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau na pretérita semana, o presidente do Instituto do Desporto e Coordenador do Grande Prémio de Macau, Pun Weng Kun, reiterou que gostaria de ver em Macau equipas estrangeiras e que a maioria dos pilotos estrangeiros contactados pela organização concordaram em fazer quarentena para poderem participar na competição.

“Não sei qual o requisito mínimo para uma grelha para poderem realizar a corrida, mas todas as pessoas com quem falei – incluindo pessoas como o [John] McGuinness, o ‘Hicky’ [Peter Hickman] e o [Michael] Rutter, nenhum deles vai ficar em quarentena durante dez dias”, acrescentou à publicação de Belfast, sem, no entanto, deixar de mencionar que gostaria de voltar a competir na RAEM “no próximo ano, com certeza, mas quando [o evento] regressar em condições [sem quarentas obrigatórias]”.

No regulamento desportivo da última edição do Grande Prémio de Motos de Macau, podia ler-se que um “mínimo de 22 inscrições devem ser recebidas para a corrida se realizar”, porém, acredita-se que esse número será propositadamente reduzido este ano, precisamente para acomodar o número inferior de interessados em participar na prova.

Preparativos para a festa

Apesar do algum optimismo em redor da organização da prova, não há um único piloto que tenha confirmado publicamente a sua participação a dois meses do evento. Vários pilotos, alguns dos quais já apalavraram a sua presença em Macau, confirmaram ao HM que estão a trabalhar de forma a garantirem todas as condições para estarem à partida.

Um dos grandes problemas encontrados por aqueles que querem vir acelerar novamente ao território reside na dificuldade em arranjar mecânicos qualificados com disponibilidade e interesse para realizar esta longa aventura. Para além do esforço pessoal e financeiro dos intervenientes – convém lembrar que muitos deles não são sequer profissionais do desporto – e numa altura em que existe uma normalização em relação à doença no mundo ocidental, há ainda muitas dúvidas e receios sobre o que irá acontecer a quem acusar positivo à chegada a Macau ou mesmo durante o evento.

Por seu lado, a organização também vai alinhavando os preparativos. As motos e o equipamento das equipas serão transportados de avião para a RAEM através de um dos aeroportos de referência – Lisboa, Luxemburgo ou Londres – o que facilitará a logística, mas depois do evento regressará de barco como acontecia anteriormente.

O 69.º Grande Prémio de Macau irá decorrer de 17 a 20 de Novembro, devendo voltar ao formato anterior de quatro dias, em vez dos três dias dos últimos dois anos, para acomodar as seis ou sete corridas previstas para o programa.

26 Set 2022

GP | Pilotos e equipas com menos oportunidades de preparação

A temporada de 2022 tem sido especialmente difícil para o automobilismo chinês. As restrições nas deslocações e os diversos confinamentos locais têm causado inúmeros cancelamentos e adiamentos em todos os campeonatos nacionais e regionais. Quando o Grande Prémio de Macau se disputar de 17 a 20 de Novembro, a maioria dos participantes chegará ao Circuito da Guia com muito menos quilometragem do que em edições anteriores.

Questionado pelo HM, se estes obstáculos poderão vir a ter um reflexo na performance dos pilotos no Grande Prémio, o veterano piloto português de Macau Rui Valente reconhece que “um pouco”, relembrando que “há pilotos que estão parados desde Novembro”.

Como tem acontecido desde o início da crise pandémica, a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) não organizou este ano provas de qualificação para o Grande Prémio destinadas aos pilotos locais. No entanto, a associação, que no passado fim de semana colocou de pé um evento de treino para oficiais de prova no Kartódromo de Coloane, está a tentar organizar uma prova no Circuito Internacional de Guangdong para os pilotos do território ganharem um pouco mais de ritmo competitivo antes do grande evento do final do ano.

Estas limitações não atingem só os pilotos da Grande Baía. O ex-mecânico e chefe de equipa Franky Choi também concorda que a falta de oportunidades para competirem poderá limitar as prestações dos pilotos da Grande Baía, pois “o ideal para qualquer piloto é chegar a esta corrida com uma época preenchida de corridas às costas”, mas aponta para um cenário de equilíbrio entre todos os concorrentes, “visto que no Interior da China estão a ser muitas provas canceladas e não deverão participar muitos estrangeiros. Apesar dos pilotos de Macau terem realizado menos provas, os outros também não fizeram muito mais”.

Para Duarte Alves, engenheiro da Aston Martin Racing Asia, “uma boa parte dos pilotos tem testado muito, mas corrido menos. Sendo o Circuito da Guia um circuito muito difícil de ultrapassar, acho que a falta de tempo em pista em modo de competição não irá afectar a performance no cômputo geral, haverá, no entanto, outras dificuldades associadas”.

Preço a pagar

Depois de duas temporadas em que as competições de automobilismo da China continental conseguiram passar mais ou menos incólumes à pandemia, esta época tem sido a pior de que há memória. Há duas semanas, a Taça Porsche Carrera Ásia viu-se forçada a cancelar a sua prova em Zhuhai dois dias antes do início de actividades em pista, enquanto o circuito citadino de Pingtan, em Fujian, que este próximo fim de semana receberia os campeonatos da China de GT e Fórmula 4, foi chumbado na passada sexta-feira. A cidade de Xangai, aonde a Fórmula 1 espera voltar em 2023, ainda não organizou uma só corrida este ano nos seus dois circuitos permanentes.

Além dos elevados prejuízos que causa, este pára-arranca das competições chinesas também tem impacto negativo no funcionamento das estruturas que preparam os carros. “Os mecânicos e engenheiros perderam um pouco de ritmo, especialmente com a pressão dos timings que se vivem enquanto se compete”, salienta Duarte Alves.

“Portanto, será possível assistir a alguns erros, talvez mais falhas mecânicas ou afinações não tão boas. No ano passado, o Porsche do Alexandre Imperatori até saiu para a pista com a chave de rodas ainda na jante.”

O Campeonato da China de Carros de Turismo/TCR Asia ainda só realizou um evento este ano e não sabe sequer quando poderá organizar o próximo, o mesmo acontecendo com os campeonatos da China de GT, Endurance e Fórmula 4. As possibilidades dos pilotos correrem até ao fim de semana mais importante de Novembro vão ser dramaticamente escassas, portanto qualquer tempo de pista até lá será extremamente valioso.

20 Set 2022