Jogo | Seaport diz que receitas superaram as expectativas

Após ter sido revelado um crescimento anual de 6,7 por cento das receitas do jogo em Maio, a Seaport Research Partners aponta que o resultado foi melhor do que o esperado

Um resultado que “superou as expectativas mais recentes”. Foi desta forma que a correctora Seaport Research Partners reagiu à divulgação das receitas brutas do jogo nos casinos, que atingiram 22,61 mil milhões de patacas em Maio, um crescimento anual de 6,7 por cento.

Segundo o relatório mais recente da Seaport sobre o mercado de Macau, citado pelo portal GGR Asia, Maio superou as expectativas dos analistas, o que foi justificado com “uma forte actividade no segmento premium”. Este é um segmento do mercado de massas em que as apostas podem chegar às 100 mil patacas por mão.

Apesar dos resultados positivos, a Seaport Research Partners indica que o segmento dos grandes dos apostadores, também conhecido como VIP, apresentou receitas mais “modestas”, o que se poderá ter ficado a dever a uma maior incapacidade para motivar os jogadores a regressarem às mesas de jogo.

“Acreditamos que as receitas brutas do jogo em Maio foram afectadas negativamente pela baixa retenção dos jogadores VIP, que se segue igualmente a uma baixa retenção em Abril”, foi explicado.
Também no relatório divulgado na segunda-feira, o analista Vitaly Umansky afirma que a procura pelo jogo continua “saudável”, dado que é apoiada pelo mercado premium e pela liquidez continua.

Em relação ao que resta do ano, a Seaport Research Partners espera um abrandamento da taxa de crescimento das receitas. Nos primeiros cinco meses do ano houve um crescimento anual de 10,9 por cento, para 108,4 mil milhões de patacas. No entanto, Umansky perspectiva que na segunda metade este ritmo abrande, pelo que no final do ano as receitas irão apresentar um amento de 6,2 por cento.

Força do segmento premium

No documento de análise ao mercado do jogo, a Seaport Research Partners aponta que a recuperação do jogo pós-covid está a ser impulsionada principalmente pelo segmento premium, tido como o “principal motor da recuperação do mercado”.

Sobre este segmento, em comparação com 2019, o último ano em que as receitas não foram afectadas pela pandemia da covid-19, Vitaly Umansky aponta que o segmento premium apresenta um crescimento de aproximadamente 170 por cento.

Como factores positivos para este segmento do mercado, o analista aponta as políticas de emissão de vistos mais flexíveis e o fácil acesso ao crédito. Em Maio, as receitas do jogo cresceram anualmente 6,7 por cento de 21,2 mil milhões de patacas para 22,6 mil milhões de patacas. Nos primeiros cinco meses do ano o crescimento anual foi de 10,9 por cento, de 97,7 mil milhões de patacas para 108,4 mil milhões de patacas.

3 Jun 2026

Comunidades | Presidência de Rui Marcelo confirmada

O diferendo na secção local de Macau do Conselho das Comunidades Portuguesas continua a marcar as reuniões do Conselho Permanente. Desta vez, foi revelado que Rita Santos tentou marcar uma reunião para escolher o presidente da secção local

O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas confirmou Rui Marcelo como presidente da secção local da China/Macau. A decisão foi tomada a 21 de Março, era contestada por Rita Santos, e consta da acta da reunião do Conselho Permanente.

Segundo o documento que relata o encontro de 21 de Março, é possível perceber que Rui Marcelo marcou uma reunião electrónica para 10 de Março com os membros efectivos da secção de Macau do Conselho das Comunidades Portuguesas: o próprio, a secretária do conselho Marília Coutinho e ainda Rita Santos.

No dia da votação apenas terão comparecido Rui Marcelo e Marília Coutinho, com o actual presidente a ser eleito com os dois votos necessários, entre os três membros efectivos do conselho. Todavia, a data da votação foi contestada por Rita Santos, que tentou marcar a reunião para 11 de Março, embora sem sucesso, porque estaria ocupada na data de 10 de Março: “A Conselheira Rita Santos contestou, afirmando que havia convocado reunião para 11 de Março, a qual foi declarada ilegal por Rui Marcelo, que em alternativa marcou eleições para 10 de Março, data incompatível com as suas obrigações associativas”, pode ler-se no documento oficial.

Rita Santos criticou também Rui Marcelo por não ter convocado os conselheiros suplentes para a reunião electrónica. “Rita Santos criticou ainda a exclusão dos conselheiros suplentes da reunião electrónica”, é indicado.

Suplentes com Rita

As críticas de Rita Santos foram apoiadas pelos suplentes Luís Nunes e Maria João Gregório: “Os suplentes do Círculo da China, Luís Nunes e Maria João Gregório, lamentaram a ruptura com a prática anterior de inclusão, afirmando que, desde que Rui Marcelo assumiu a coordenação, os suplentes foram afastados das reuniões e das actividades, e que o tom utilizado pelo Presidente da Secção era frequentemente inquisitivo”, foi relatado.

No encalço das dúvidas, Maria João Gregório “solicitou formalmente” e “por escrito” um “esclarecimento definitivo sobre o papel, os direitos de participação e os limites de actuação dos suplentes”.

Na resposta, Flávio Alves Martins, presidente do Conselho Permanente, “reconheceu a legitimidade da eleição do Conselheiro Rui Marcelo, baseada na maioria dos membros efectivos presentes”, dado que houve uma maioria de dois membros efectivos num total de três. O presidente do Conselho Permanente também indicou que “qualquer juízo de valor sobre o desempenho deverá ser emitido futuramente pela comunidade local em sede eleitoral”.

Sobre o papel dos conselheiros suplentes, Flávio Alves Martins prometeu uma resposta por escrito, mas esclareceu que podem “ser convidados a participar nas reuniões com direito de voz, mas não de voto”.
Flávio Alves Martins avisou também os membros suplentes que não podem emitir “qualquer documento escrito em nome do CCP” se que haja a assinatura de um membro efectivo, que “assume a responsabilidade perante o Conselho”.

3 Jun 2026

Cheque | 56 mil pedidos de residentes com menos de 183 dias na RAEM

Entre os pedidos de residentes, que estiveram menos de 183 dias em Macau, para receber o cheque pecuniário, cerca de 53 mil foram aprovados, 1.000 foram recusados e os restantes estão a ser avaliados

Até ontem, as autoridades receberam cerca de 56 mil pedidos de cidadãos que passaram menos de 183 dias no território em 2024 e que pretendem receber o Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico para o Ano de 2025. O número foi adiantado ontem por Chan Pou Wa, presidente do Conselho de Administração do Fundo de Segurança Social (FSS), durante uma conferência de imprensa.

“Em relação ao ano de 2025, até agora recebemos 56 mil requerimentos [de pessoas que não ficaram 183 dias em Macau]. Entre estes, 53 mil requerimentos foram aprovados e já receberam o dinheiro”, afirmou Chan Pou Wa. “Mas o número vai aumentar porque o tempo para apresentar pedidos ainda está a correr”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, a responsável indicou que foram recusados cerca de 1.000 pedidos por não reunirem os requisitos, enquanto os “restantes” ainda estão a ser analisados.

Segundo as novas regras de atribuição do plano de comparticipação pecuniária, que entraram em vigor no ano passado, apenas os residentes que passam pelo menos 183 dias na RAEM ficam habilitados a receber 10 mil patacas, se forem residentes permanentes, ou 6 mil patacas, se forem residentes não-permanentes.

No entanto, as regras contemplam excepções, para menores de 22 anos cujo um dos pais esteja habilitado a receber o cheque, as pessoas que recebam pensão de invalidez ou subsídio de invalidez, aqueles que precisam de estar fora de Macau para receberem tratamento médico, que estudam no exterior ou trabalham na Grande Baía.

Ontem, os representantes do FSS afirmaram não terem ainda dados sobre o montante que foi efectivamente gasto no âmbito do programa de 2025. No entanto, Chan admitiu que foram aceites pedidos de residentes não-permanentes que passam menos de 183 dias em Macau. Os pedidos de isenção em relação ao cheque de 2025 podem ser entregues até 31 de Dezembro de 2028.

Avisos à navegação

Durante a conferência de imprensa de ontem, o chefe de Divisão de Assuntos Gerais do Regime de Previdência do FSS, Ho Hoi Sang, avisou a população para não tentar falsificar documentos comprovativos da ausência do território, para receberem o cheque pecuniário. “Se houver declarações falsas, além de terem de devolver a verba recebida, também têm de assumir responsabilidade criminal”, afirmou.

No entanto, o responsável reconheceu que no ano passado não se registou qualquer caso de falsificação.

A conferência de imprensa de ontem serviu essencialmente para o FSS apresentar as alterações e simplificação dos procedimentos de preenchimento dos pedidos de isenção dos 183 dias face ao cheque deste ano, através da Conta Única.

O portal para os pedidos de isenção vai ser publicado online a 15 e Junho, data em que os pedidos também podem ser apresentados através da Conta Única e nos balcões de atendimentos dos serviços da RAEM.

Uma vez que os pedidos de isenção podem ser apresentados durante um prazo de três anos, até 31 de Dezembro de 2029, Chan Pou Wa pediu à população para não correr para os balcões de atendimento logo nos primeiros dias.

3 Jun 2026

Tribunais | Escrivães portugueses devem desaparecer este ano

No início do ano passado, os tribunais da RAEM contavam com cinco escrivães judiciais especialistas portugueses. No entanto, dois regressaram a Portugal, um vai regressar brevemente e os restantes têm novos vínculos que terminam antes do final do ano. A situação pode dificultar a comunicação com advogados portugueses

Até ao final do ano, os tribunais da RAEM deverão ficar sem qualquer escrivão judicial especialista português, depois dos actuais terem atingido o limite máximo para trabalharem como funcionários judiciais. Segundo o HM apurou, no espaço de dois anos, os tribunais deverão perder um total de cinco portugueses, o que poderá ter um impacto maior na utilização da língua portuguesa nos tribunais.

No início do ano passado, os tribunais da RAEM contavam com cinco escrivães com nacionalidade portuguesa. Estes mantinham o vínculo com a Administração Pública em Portugal, que autorizava a permanência na RAEM, mas integravam os tribunais de Macau, onde os seus contratos eram anualmente renovados. A permanência em Macau estava assim dependente da autorização de Portugal e também da renovação dos contratos a nível local, uma situação que se mantinha pelo menos há 20 anos, nos casos mais recentes.

No entanto, o facto de os funcionários judiciais em Macau também estarem sujeitos à legislação para os funcionários públicos da RAEM faz com que não possam continuar a exercer funções com mais de 65 anos. Como todos os cinco escrivães completam a idade máxima limite até Junho deste ano, os tribunais começaram a deixá-los sair.

Sobre o impacto na nova situação, uma das fontes ouvidas pelo HM e conhecedora do processo afirmou que as saídas “não vão levar ao encerramento dos tribunais”, mas terão “um impacto importante”, porque estes trabalhadores eram fundamentais para garantir a utilização da língua portuguesa “de forma mais correcta” e assegurar a comunicação sem dificuldades com os advogados que se expressam em português.

As primeiras saídas começaram ainda no ano passado, com duas escrivãs a optarem por regressar a Portugal, para continuarem as carreiras profissionais, dado que no país europeu não se aplica este limite e havia uma ligação contratual.

Autorização especial

Também no ano passado, um terceiro escrivão atingiu a idade limite de trabalho. Contudo, neste caso, em vez de regressar a Portugal, o escrivão apresentou, por sua iniciativa, um pedido para continuar a trabalhar nos tribunais da RAEM.

Os tribunais mostraram abertura à sua continuidade. No entanto, por motivos legais, foi adoptado um regime especial que impede que o escrivão mantenha os direitos laborais anteriores.

Esta situação implica mudanças nas condições laborais que passam por um novo contrato com um vencimento com uma redução salarial de cerca de 50 por cento face ao valor anterior, ausência de subsídios e habitação e outros benefícios como o direito ao pagamento de horas extraordinárias. A situação é igualmente temporária, pelo que o vínculo tem de ser renovado em Macau em períodos de seis meses, além de exigir uma nova autorização em Portugal, dado que estes trabalhadores continuam ligadas à Administração Pública do país europeu.

Desde o final do ano passado, um outro escrivão propôs-se continuar nos tribunais e aceitar as novas condições laborais. Contudo, estes vínculos terminam até ao final deste ano, pelo que existe a possibilidade de não serem renovados mais do que duas vezes ou de serem rejeitados. No caso do restante escrivão, apurou o HM, o regresso a Portugal para continuar a carreira profissional também está confirmado.

O HM contactou o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância para obter uma reacção às várias saídas e tentar perceber se os funcionários vão ser substituídos e em que moldes. Apesar do contacto telefónico, o gabinete pediu ao HM para enviar um fax com as questões, o que foi feito, mas até ao fecho da edição não foi recebida qualquer resposta.

2 Jun 2026

Kevin Ho quer medicamentos transportados por drones na Grande Baía

O deputado Kevin Ho defende a utilização de drones para entregas urgentes de medicamentos na Grande Baía. A proposta consta de uma interpelação escrita do empresário, que foi divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

De acordo com as explicações do deputado, desde o ano passado que Hong Kong lançou um conjunto de normas para permitir que as empresas privadas focadas nos produtos da economia de baixa altitude, como os drones, possam realizar testes. Além disso, foi inaugurada “uma rota aérea transfronteiriça com drones para transporte de materiais médicos, com um percurso de cerca de 12 quilómetros e a duração aproximada de 20 minutos”.

Kevin Ho pretende que o exemplo seja copiado porque “segundo as informações disponíveis” a adopção desta rota “representa uma poupança superior a 60 por cento, face ao transporte marítimo tradicional”.

Para o legislador, a nova forma de transporte de medicamentos é um exemplo válido da movimentação de medicamentos, em caso de emergências, entre diferentes ilhas.

Por isso, o sobrinho de Edmund Ho pede que se siga o exemplo: “A promoção do transporte regularizado de materiais médicos transfronteiriços por meio de drones não só reforça a capacidade de emergência em saúde pública de Macau, como também constitui uma importante medida para integrar a estratégia nacional da economia de baixa altitude e desenvolver uma nova produtividade de qualidade”, argumenta.

Espaços reservados

Kevin questiona também se vão ser reservados espaços e construídas “estações especiais” para descolagem e aterragem de drones, assim como instalação de carregamentos e trocas de baterias, no Hospital Conde de São Januário e no Complexo Médico das Ilhas para promover esta forma de transporte de medicamentos.

No que diz respeito à Grande Baía, Ho pergunta se as autoridades se vão coordenar para criarem mecanismos de reconhecimento de licenças para os drones circularem e fazerem entregas de medicamentos entre as diferentes regiões.

O empresário pede ainda ao Governo que avance com uma proposta de legislação para permitir a empresas privadas começarem a testar o transporte de medicamentos e desenvolver a economia de baixa altitude.

2 Jun 2026

Atropelamento | Governo envia condolências à família da criança

A mensagem de condolências após a morte do menino de 10 anos foi enviada pelo Chefe do Executivo, através de Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça e porta-voz do Conselho Executivo. Sam Hou Fai pediu uma revisão rápida da lei do trânsito, com o lançamento para breve de uma consulta pública

Com a cidade de luto, após a morte de um menino de 10 anos atropelado numa passadeira na Avenida do Conselheiro Borja, o Chefe do Executivo enviou condolências à família, numa conferência do Conselho Executivo, através do porta-voz Wong Sio Chak. A mensagem foi deixada na sexta-feira, numa altura em que as críticas às políticas de trânsito e à desvalorização da governação de Macau se propagavam online.

“Através de mim, o Chefe do Executivo pretende apresentar as condolências à família do rapaz”, afirmou Wong Sio Chak.

Embora Sam Hou Fai não tenha estado presente nem tenha dado a cara após o acidente, a ocasião foi utilizada por Wong para revelar as “ordens” do líder do Governo. “O Chefe do Executivo dá grande importância ao acidente, pediu imediatamente ao secretário para a Segurança para organizar as entidades e ir ao local tratar do caso e investigar rigorosamente”, leu o porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça. “Também pediu à DSEDJ [Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] para prestar as condolências do Governo da RAEM”, acrescentou.

Sam Hou Fai terá ainda indicado à DSEDJ e ao Instituto de Acção Social para “prestarem todo o apoio necessário” e “acompanharem” a família a “ultrapassar este momento difícil”. A missiva revelou igualmente que Sam Hou Fai “ordenou” às entidades governamentais que “tomem medidas preventivas para evitar o acontecimento destas tragédias”.

“Falta de consenso”

Durante a conferência de imprensa Wong Sio Chak foi também confrontado com o facto de a Assembleia Legislativa ter deixado cair a proposta do Governo para alterar a lei de trânsito. Na altura, os deputados afirmaram que não havia condições para aprovar o diploma devido a “problemas técnicos”, “operacionais” e “por falta de maturidade”.

Segundo o secretário, a queda do diploma no hemiciclo ficou a dever-se à falta de consenso da sociedade. “Como sabem a Lei de Trânsito Rodoviário, por vários motivos, não conseguiu obter o consenso da sociedade. Durante o processo de revisão legislativa houve certas dificuldades, por isso, no final, com muita pena, não se conseguiu avançar [com a aprovação do diploma]”, apontou.

E face às críticas da sociedade face à inacção na revisão da lei, Wong Sio Chak revelou que Sam Hou Fai quer lançar uma nova consulta pública o mais rapidamente possível para alterar a legislação: “No início o nosso plano era de abrir uma consulta pública fazer rever a lei em 2028”, confessou Wong. “Mas, o Chefe do Executivo pediu que se faça a revisão o mais rapidamente possível. Não vamos esperar por 2028, mas ainda não consigo adiantar uma data para o início da consulta”, contou.

Doadas mais de 700 mil patacas

Uma campanha de doações do jornal Ou Mun arrecadou mais de 700 mil patacas para a família da criança falecida. Segundo a publicação, foram recebidos donativos que totalizaram 667.909 patacas, 52.630 dólares de Hong Kong e 2.000 renminbis.

O jornal Ou Mun informou, na noite da sexta-feira, que entregou o dinheiro à Escola Lin Fong Pou Chai, onde a criança estudava. O director da escola, Ho Man Fai, confirmou ter recebido o dinheiro e prometeu entregá-lo à família. Os donativos foram recolhidos, apesar de a família enlutada ter comunicado a partir da escola que não tem dificuldades financeiras. Ainda assim, agradeceu o dinheiro recolhido.

1 Jun 2026

Acidente | Criança de 10 anos é atropelada na passadeira e morre

A morte mais recente por atropelamento em passadeiras mobilizou grande parte da população, que se deslocou ao local para deixar coroas de flores, guloseimas, refeições e chorar. Desde 2013, esta é a segunda morte de crianças em idades escolar em passadeiras da Avenida do Conselheiro Borja

Um menino com 10 anos morreu na noite de quarta-feira, depois de ter tentado atravessar a Avenida do Conselheiro Borja, numa passadeira. A criança, atropelada por uma viatura com sete lugares, por volta das 20h18, foi transportada para o hospital, mas declarada sem vida minutos depois.

Segundo um vídeo partilhado online, que terá captado parte do atropelamento, é possível ver o veículo a atingir a criança e a passar-lhe por cima, embora, nesse momento, a criança não seja atingida por qualquer roda da viatura.

Após o embate, o menino ficou estendido na estrada, enquanto o veículo pára e o condutor se aproxima da criança para verificar o seu estado. Quando as autoridades chegaram ao local, encontraram a vítima no chão, numa grande poça de sangue, pelo que fecharam a via ao trânsito, enquanto eram realizadas as operações de salvamento.

A criança foi assistida pelo Corpo de Bombeiros (CB) e transportada, de urgência, para o Hospital Kiang Wu. No entanto, os esforços das equipas de salvamento mostraram-se inglórios, com o menino a ser declarado morto por volta das 20h42.

Segundo os dados divulgados pela polícia, tanto a vítima mortal como o condutor são residentes de Macau. O condutor, que tem cerca de 40 anos, realizou o teste do álcool e o resultado foi negativo, o que as autoridades indicaram corresponder às declarações prestadas no local.

Segundo as imagens que circularam ontem nas redes sociais, o veículo envolvido no embate é um monovolume com sete lugares, da marca Honda e modelo Stepwgn, com cor preta.

Ontem, as autoridades comunicaram que o homem foi indiciado pelo crime de homicídio por negligência, e que o caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP). Também foi divulgado que o condutor confessou não ter reparado que havia uma pessoa a tentar atravessar a passadeira.

Homenagem geral

Ontem, depois das notícias do acidente se terem espalhado nas redes sociais, várias pessoas deslocaram-se ao lugar do atropelamento para prestarem homenagem à vítima.

Com o passar das horas, acumularam-se junto do local do atropelamento coroas de flores, doces, brinquedos e até refeições. No local, era ainda possível ver alguns cidadãos emocionados com lágrimas nos olhos. A escola frequentada pela vítima também teve uma reacção pública, ao mudar a cor do portal da escola para tons de cinzento.

Ao mesmo tempo nas redes sociais surgiram várias reacções a criticar o condutor por estar ao telemóvel, momento depois do acidente. A matrícula do veículo, que acabou rebocado pelas autoridades para investigação, foi igualmente amplamente partilhada, assim como alegados dados do condutor.

As autoridades também foram alvo das críticas, pela complacência face aos condutores ao telemóvel e aos casos de não cedência de passagem nas passadeiras.

Histórias repetidas

Esta não é a primeira criança a morrer na Avenida do Conselheiro Borja ao tentar atravessar na passadeira. Em Junho de 2013, a cerca de 300 metros do local do acidente de ontem, também um menino com nove anos perdeu a vida.

As circunstâncias do acidente são bastantes semelhantes, porque o atropelamento se deveu igualmente ao facto do condutor de uma carrinha não ter cedido a passagem na passadeira e de a criança também estar vestida com o uniforme escolar. O embate aconteceu por volta das 18h30, o menino foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde minutos depois foi declarado morto.

Multas a aumentar

No ano passado, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) passou 619 multas por não cedência de passagem nas passadeiras. No entanto, este ano, o número multas está a aumentar. Entre Janeiro e Abril deste ano o número de multas foi de 247, uma subida face ao período homólogo de 17,62 por cento, dado que entre Janeiro e Abril de 2025 o número tinha sido de 210.

No ano passado, houve ainda 7.651 pessoas multadas por atravessarem a estrada fora da passadeira. Entre Janeiro e Abril de 2025, houve 3.252 pessoas multadas por este motivo, um número que registou uma queda de 46,43 por cento nos primeiros quatro meses deste ano, com um total de 1.742 multas por esse motivo.

30 Mai 2026

Assiduidade | Detectado caso suspeito de falsificação

A situação foi verificada numa escola pública, não identificada, e envolve três professores e um técnico informático. Durante a investigação, dois dos suspeitos tentaram destruir provas

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou um caso em que três professores e um técnico informático de uma escola pública falsificaram o registo de assiduidade, entre 2019 e 2024. As conclusões da investigação tornada pública ontem foram divulgadas através de um comunicado.

“Segundo o que foi apurado, entre 2019 e 2024, três professores e um técnico informático ajudaram-se mutuamente, a picar o ponto, a fim de encobrir os seus atrasos e saídas antecipadas, com vista a falsificar os registos de assiduidade”, foi comunicado. “Durante a investigação, o CCAC descobriu ainda que o técnico informático em causa e um dos professores actuaram em conluio, alterando parcialmente os registos de gravação de vídeo, para evitar a descoberta do facto de ‘ajudarem’ outras pessoas a picar o ponto”, foi acrescentado.

O comunicado não permite saber como é que foi iniciada a investigação e se terá havido uma denúncia por parte da instituição, com base nas imagens de videovigilância. Também o nome da instituição pública onde aconteceu a alegada ilegalidade não foi revelado.

Os quatro indivíduos foram indiciados pelos crimes de falsificação informática, que de acordo com a lei de combate à criminalidade informática tem uma moldura penal que pode chegar aos três anos de prisão. No entanto, como nesta situação o ilícito é cometido por funcionários no exercício das funções existe a possibilidade de a moldura penal aplicada obrigar a uma pena mínima de um ano de prisão e uma máxima de cinco anos.

Encaminhado para o MP

Em relação à responsabilidade penal, o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Contudo, foi igualmente comunicado à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Em reacção, a DSEDJ, através de comunicado, revelou que vai instaurar um processo disciplinar aos visados e que qualquer decisão tomada vai ser “justa e rigorosa, de acordo com as leis em vigor”. A DSEDJ pediu também às escolas para que reforcem os mecanismos de supervisão e pediu ao estabelecimento de ensino onde ocorreu o caso, um relatório sobre o incidente.

Por sua vez, o CCAC alertou ainda os funcionários para evitarem a falsificação da assiduidade. “Nos últimos anos, têm sido descobertos casos de trabalhadores da função pública suspeitos de falsificação de registos de assiduidade, o CCAC vem advertir todos os trabalhadores da função pública de que a assiduidade e pontualidade são deveres que devem ser cumpridos rigorosamente, e que a falsificação dos registos de assiduidade constitui um crime, pelo que não devem infringir a lei”, foi indicado.

O CCAC pediu também aos serviços públicos para serem pró-activos na fiscalização: “Os serviços públicos devem estar atentos e empenhar-se no aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização da assiduidade”, pode ler-se na mensagem.

30 Mai 2026

Construção | Empresas locais com mais de 500 milhões por receber

A revelação foi feita pelo deputado José Pereira Coutinho, e decorreu de uma reunião com representantes das empresas locais. As empresas foram subcontratadas para trabalhos públicos na prisão de Coloane, neste caso realizada por uma empresa estatal, e nos dormitórios da Universidade de Macau

Nove empresas locais de construção subcontratadas para obras públicas e em concessionárias de jogo estão com dificuldades em receber mais de 500 milhões de patacas pelos serviços prestados. A situação foi revelada pelo deputado José Pereira Coutinho, depois de uma reunião com representantes das empresas, na terça-feira.

“Ontem [terça-feira], dia 26 de Maio de 2026, recebi representantes de nove empresas de construção locais que actuam como empresas directamente subcontratadas para tratar da questão da cobrança de mais de 500 milhões de patacas em pagamentos de obras”, relatou o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. “A situação é extremamente grave e já está a causar uma enorme pressão de liquidez (especialmente no que diz respeito a despesas correntes)”, acrescentou.

O deputado apontou que “obras em questão incluem os dormitórios da Universidade de Macau, a terceira fase da prisão de Coloane e obras referentes a uma das concessionárias de jogos”.

Segundo José Pereira Coutinho a responsabilidade destes atrasos nos pagamentos também recai nos serviços públicos, que assinam contratos que permitem às empresas subcontratar outras para a prestação de serviços, sem acautelarem os interesses de todas as partes envolvidas. “Os serviços públicos competentes que atribuíram estas obras têm uma responsabilidade de garantir que as empresas subcontratadas estão protegidas no pagamento das obras realizadas”, vincou. “Esta situação continua a ser comum em Macau, devendo ser melhoradas as cláusulas contratuais dos contratos de construção e empreitadas”, destacou.

Novos contratos

Ainda na perspectiva do deputado, os serviços públicos têm de alterar os contratos que assinam como resultado de concursos públicos ou adjudicações directas para incluírem cláusulas a obrigar as empresas a pagarem os serviços prestados pelas subempreiteiras.

De acordo com a informação da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, a 3.ª fase da Prisão de Coloane foi construída pela Sociedade de Construção e Engenharia – Grupo de Construção de Xangai – SCG (Macau), a sucursal na RAEM do Grupo de Construção de Xangai, uma empresa estatal. A empresa estatal recebeu 739,8 milhões de patacas pelas obras.

A restante informação divulgada pelo deputado não permite apurar as outras empresas envolvidas nos projectos, nem a identidade da concessionária. O HM tentou entrar em contacto com José Pereira Coutinho, mas até ao fecho da edição o deputado mostrou-se incontactável.

28 Mai 2026

Plano Director | Consulta Pública sobre novas alterações arranca amanhã

Os detalhes sobre as alterações só deverão ser conhecidos amanhã, com a divulgação do documento de consulta. Porém, visam os chamados “grandes projectos” como a zona cultural e turística, o pólo de ciência e investigação e o hub de cargas em Hengqin

Começa amanhã a consulta pública sobre as alterações ao Plano Director da RAEM que visam promover a integração no “desenvolvimento nacional”. A informação foi anunciada ontem, através de um comunicado da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

A consulta vai decorrer entre sexta-feira e 27 de Agosto e tem como objectivo o “aprofundamento da integração e do serviço à conjuntura do desenvolvimento nacional”, permitir “a concretização dos projectos de grandes empreendimentos públicos” do Governo da RAEM e garantir “a disponibilização de reservas territoriais” para o desenvolvimento do território.

As alterações propostas pelo Executivo só vão ser tornadas públicas amanhã, e a informação divulgada ontem foi limitada. Contudo, o comunicado aponta que as alterações ao Plano Director vão ser desenvolvidas em duas vertentes. A primeira inclui as alterações para concretizar os chamados grandes projectos que incluem a “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau”, o “Parque Ciên-Tec de Macau” e o “Hub de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas”.

Em relação à zona de turismo e cultura, o projecto foi alvo de consulta pública no final do ano passado e vai incluir a três projectos: o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

Ciência e cargas

O Parque Ciên-Tec de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção foi adjudicado no mês passado, e vai ser um espaço para empresas tecnológicos do Interior da China se instalarem em Macau a pensar na internacionalização. Segundo a informação revelada anteriormente pelo Executivo, o objectivo é atrair empresas que operam em áreas como os circuitos integrados, biomedicina, tecnologia digital e tecnologia aeroespacial.

Já o Porto de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas vai ficar na Ilha da Montanha, e tem como objectivo facilitar as companhias que transportam cargas do Interior da China através do Aeroporto Internacional de Macau.

O comunicado do Governo foi críptico no que diz respeito à segunda vertente das alterações, limitando-se a indicar que envolvem “alterações decorrentes de outras actualizações” relacionadas com “os planos de nível superior, diplomas legais e regulamentares, avisos e despachos do Chefe do Executivo” assim como “projectos e estudos, publicados nos últimos anos”.

28 Mai 2026

Pintura | Fernando Madruga Gomes estreia-se com exposição no Beco dos Artilheiros

Mais de 100 quadros do artista de Macau estão em exibição na “Arkorigin Exposição a Solo”, até 12 de Junho, na escadaria de acesso à Fortaleza do Monte. A figura feminina é o principal tema da mostra

Até 12 de Junho, mais de uma centena de pinturas de Fernando Madruga Gomes estão em exposição no Beco dos Artilheiros, na escadaria de acesso à Fortaleza do Monte, no evento denominado “Arkorigin Exposição a Solo”. A exibição marca a estreia do artista nascido em Macau. Entre os quadros com traços impressionistas, destacam-se os vários retratos femininos, muitos imaginados pelo artista, mas também de pessoas como a Princesa Diana ou Anita Mui, a actriz e cantora de Hong Kong.

“Eu gosto de pintar retratos porque são as pinturas mais difíceis, e quando pinto gosto desse desafio, de nunca saber se vou conseguir fazer a pintura como quero ou se vou deixar o retrato por fazer, porque já não vou conseguir obter o resultado pretendido”, explicou Fernando Madruga Gomes, ontem, em declarações ao HM.

Sobre a predominância da figura feminina, Gomes explica que a escolha se prende com o sentido estético: “Eu não vejo muita beleza nos homens para se traduzir em pinturas. Mas, nas expressões femininas acho que há ali muita beleza, que eu gosto de imaginar e de pintar, e também nas várias roupas que podem ser pintadas nos retratos, e que também são difíceis de desenhar. É uma beleza que se alia ao desafio de pintar elementos mais difíceis”, reconheceu.

Os “modelos” utilizados nos retratos são provenientes de diferentes culturas exibindo roupas diversas. Em alguns casos a inspiração provém mesmo da animação, como o caso de um dos retratos em que surge uma mulher vestida como Navegante da Lua, uma inspiração da série de desenhos animados japoneses altamente popular.

“No início utilizava modelos para as pinturas, só que nem sempre conseguia que as pessoas que estavam comigo fizessem as expressões que eu procurava. Por isso, com o tempo comecei a recorrer mais a imagens online para me inspirar e pintar”, admite o pintor.

Os retratos surgem para Fernando também como uma forma de canalizar as suas emoções: “Quando estou a pintar as caras dos retratos, transmito algumas das minhas emoções, estou a lidar também com aquilo que sinto ou senti e que quero levar para a tela”, revelou.

Pintar como cura

Além de retratos femininos a exposição apresenta outros dois temas: gatos e flores. E os motivos destas temáticas na obra de Fernando Madruga Gomes têm propósitos opostos.

“Pintar flores é algo mais fácil, algo que me sai de forma muito natural, e que tecnicamente não é assim difícil. É uma pintura quase de recuperação”, afirmou. “Não leva muito tempo, mas depois de pensar em como quero pintar as flores é fácil conseguir os resultados que pretendo, é uma pintura mais de recuperação, para relaxar”, reconheceu.

No entanto, as obras com os gatos são mais pessoais, têm uma carga emocional maior, ligada à infância e ao crescimento, dividido entre Macau e o Pico, nos Açores. Os retratos de gatos são assim alguns dos animais com quem o artista partilhou parte da vida e dos quais guarda memórias.

Filho do proprietário do restaurante Fernando, o pintor de 43 anos afirmou ao HM que a pintura surgiu na sua vida por acaso, depois de um acidente doméstico, por altura da covid-19.

Quando fazia exercícios numa barra fixa, durante os confinamentos, Fernando caiu e partiu uma perna, depois da barra ter cedido. Internado no hospital, a pintura tornou-se uma forma de passar o tempo. “Antes de começar a pintar, uns 10 anos antes, tive alguma experiência, muito breve, no desenho de tatuagens. Só que não gostava da forma como desenhava, pelo que acabei por parar. Depois no hospital, para passar o tempo, comecei a desenhar, e percebi que era capaz de pintar”, confessou.

Entre experiências e ímpetos, Fernando Gomes admite que em quase três anos pintou mais de 200 retratos. E muitos deles por impulso como aconteceu com o quadro da Princesa Diana. “Foi um quadro que resultou de um dia em que acordei e senti que queria pintá-la, não foi nada planeado. E durante dois dias estive à volta do quadro, sem dormir”, indicou. A exposição apresenta três pinturas de Diana, embora Gomes considere que não tem grande admiração pela figura. “Foram obras feitas por impulso, embora confesse que não são pinturas que me façam feliz, até me senti algo mal, devido à história trágica que a envolve”, contou.

No entanto, um dos quadros, com o nome a Última Rosa, valeu Fernando Gomes um “Prémio de Ouro” na categoria de pinturas com óleo nos FADA – Future Art & Design Awards de 2025.

Olhos no futuro

A exposição “Arkorigin Exposição a Solo” marca a estreia do artista em Macau, e Fernando Madruga Gomes mostrou-se satisfeito por ter oportunidade de mostrar o seu trabalho, tão perto de uma das zonas mais icónicas da cidade, a Fortaleza do Monte.

“Surgiu a oportunidade de mostrar os meus trabalhos neste espaço e achei que devia aproveitar a oportunidade. Tenho quadros mais do que suficientes para exibir, por isso, depois tive de fazer a escolha com base no local e no facto de saber que passam muitas pessoas aqui”, explicou sobre os trabalhos em exibição. “Acho que as pinturas em exposição são as mais interessantes para as muitas pessoas que passam por aqui, e foi esse o meu critério”, vincou.

Em relação ao futuro, o pintor espera ter oportunidade de ter mais exposições, em diferentes locais, embora o foco esteja em pintar e fazer retratos. A exposição está disponível até 12 de Junho, entre as 7h e as 19h, com entrada livre.

27 Mai 2026

Consumo | Defendida extensão do Grande Prémio até ao fim de Agosto

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Lei Cheok Kuan, considera que o Governo deveria estender até ao fim de Agosto o Grande Prémio de Consumo. O responsável pede também a criação de promoções específicas para o Verão

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, defende que o Governo deveria prolongar a edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias até final de Agosto. A iniciativa arrancou em Abril e inclui a distribuição de 400 milhões de patacas em descontos por um período de dez semanas, para aumentar o consumo nos bairros com menos turismo por parte de quem tem residência de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável afirmou que é necessário dar continuidade ao programa e responder ao potencial de consumo de residentes durante o Verão, defendendo ainda a criação de campanhas promocionais específicas só para esta época do ano.

A ideia seria criar campanhas sazonais em coordenação com comerciantes das zonas centro, Sul e Norte, a fim de impulsionar o consumo potenciado pelos subsídios atribuídos pelo Governo e pelas promoções criadas pelos comerciantes.

Celebrar o património

Em relação ao tipo de actividades a criar, Lei Cheok Kuan argumentou que podem ser implementados eventos culturais e artísticos relacionados com o património cultural e que aproveitem a zona costeira de Macau. Um dos exemplos apontados é a criação, em Junho, de actividades relacionadas com o património cultural, como exposições à noite, com guias, em locais como as Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má, para que os turistas possam tirar fotografias.

Também para Julho, o dirigente associativo sugeriu actividades relacionadas com a gastronomia local, ligadas à revitalização do Mercado Nocturno do Pagode do Bazar e de Rua 5 de Outubro, no Porto Interior. Já em Agosto poderiam ser organizadas actividades dedicadas a produtos culturais e criativos para pais e filhos, nomeadamente feiras de artesanato e pacotes de entretenimento pensados para famílias.

Em termos de infra-estruturas de trânsito, Lei Cheok Kuan sugere que o Governo crie rotas específicas de autocarros para as zonas centro e sul, com ligação a zonas comerciais e diferentes atracções turísticas.

Lei Cheok Kuan espera que estas rotas de autocarro possam ser mais frequentes, pedindo também a criação de guias de consumo para zonas comerciais junto de hotéis e postos fronteiriços. A ideia é incentivar os comerciantes a prolongar o horário de funcionamento dos estabelecimentos em conjugação com a realização de espectáculos de rua, construindo-se, assim, um ambiente de economia e consumo à noite.

27 Mai 2026

Portugueses | Número de imigrantes para Macau a cair

Em 2024, 14 portugueses imigraram para Macau, o número mais baixo desde o ano 2000. A informação consta do Relatório Emigração Portuguesa, elaborado pelo Observatório da Emigração

Em 2024, o número de imigrantes portugueses a mudar-se para Macau baixou para 14 e atingiu o número mais baixo desde 2000, de acordo com os dados do Relatório Emigração Portuguesa 2025, elaborado pelo Observatório da Emigração. Em relação à parte de Macau, o documento tem por base os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo o documento, o valor de 14 imigrantes de Portugal representa uma diminuição anual de 73,6 por cento em comparação com 2023, quando chegaram ao território 53 imigrantes do país europeu.

De acordo com o relatório, primeiramente citado pelo portal Macau News Agency, para encontrar um registo pior que o do ano passado é necessário recuar a 2000, o primeiro ano depois da transferência. Nessa altura houve apenas quatro portugueses a imigrarem para Macau.

No entanto, os dados divulgados não permitem perceber se aos novos imigrantes foram concedidos bilhetes de identidade de residentes (BIR) ou cartões de trabalhador não-residente, o cartão azul.

Em termos da imigração total para Macau, o relatório indica que em 2024 houve 1.074 novos imigrantes, e os 14 portugueses representam 1,3 por cento deste universo. Neste capítulo, a percentagem de portugueses no total de imigrantes é a baixa desde que este tipo de estatística surge no relatório, em 2007. Para encontrar um valor semelhante é preciso recuar a 2009, quando houve um total de 9.489 imigrantes e em que 137 eram portugueses, o que se concretizou numa proporção de 1,4 por cento.

Pior que na covid-19

Os dados mais recentes mostram também que o número de imigrantes vindos de Portugal está abaixo mesmo dos anos da covid-19, quando os não-residentes nem podiam entrar em Macau, devido à política de zero casos. A covid prolongou-se entre 2020 e 2023 e as restrições e entrada foram sendo flexibilizadas ou apertadas de acordo com o surgimento de casos em Macau e também a situação no Interior.

Em 2020, houve 67 portugueses a imigrarem para Macau, o número baixou para 18 no ano seguinte, em 2021, e subiu para 20 em 2022. Em 2023, ano em que entraram em vigor as restrições para dificultar a obtenção de bilhete de identidade de residente pelos portugueses, houve 53 portugueses a imigrarem. Finalmente, em 2024, os dados mais recentes mostram o valor a baixar para 14.

26 Mai 2026

Aperfeiçoamento Contínuo | Auditoria aponta falhas a programa

Faltas frequentes, inexistência de registos de comparência e um docente que ministrava 26 cursos na mesma área. Estas são algumas das conclusões do relatório do Comissariado de Auditoria sobre o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo

O Comissariado de Auditoria (CA) apurou que mais de metade dos alunos de nove instituições faltaram frequentemente às aulas, falhando a presença legalmente exigida, no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O número consta do relatório mais recente do CA, que foi divulgado na sexta-feira, e que critica a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) por falhas na fiscalização das presenças.

Segundo os moldes do programa, os alunos têm de frequentar 70 por cento das aulas de cada formação em que se inscrevem, para obterem o montante do subsídio, que pode chegar a 6 mil patacas. O subsídio é pago de acordo com o valor da formação em que os interessados se inscrevem. Mesmo sem as presenças necessárias, as inscrições são importantes porque permite que os cursos sejam realizados e subsidiados.

No entanto, em nove instituições 65,13 por cento de todos os alunos perderam sempre a caução paga, por nunca atingiram a presença exigida para receberem o subsídio. Nessas instituições, que não foram identificadas, o CA revelou que “86 cursos que não dispunham de registos relativos à restituição das cauções” e que em quatro desses cursos “não foram encontrados quaisquer comprovativos de presença dos formandos”.

Os potenciais abusos das instituições não terão ficado por aqui, dado que 302 formandos estavam “inscritos em dois ou mais cursos na mesma instituição […] sem qualquer prova de comparência”. Entre estes, 42 alunos inscriveram-se em cinco ou mais cursos na mesma instituição, também sem provas de que tenham frequentado as aulas.

No relatório o CA indica também que detectou o caso de “um único formador” que foi responsável por 29 cursos “da mesma tipologia” em nove instituições abrangidas pelo programa. “Em sete dessas instituições, o mesmo formador foi responsável por todos os cursos realizados nessas instituições, perfazendo 26 cursos no total. Verificou-se, ainda, que 18 formandos inscritos em dois cursos ministrados pelo mesmo formador e organizados por instituições diferentes sem evidência de comparência”, foi revelado.

DSEDJ criticada

Face às situações detectadas, o CA criticou a DSEDJ pelas falhas na análise dos dados recolhidos através das inspecções in loco. “A DSEDJ não realizou uma análise integrada com base nos dados disponíveis, situação que, associada à inexistência de mecanismos de alerta que permitissem a detecção atempada de irregularidades, revela fragilidades na prevenção de irregularidades e na identificação de riscos” foi considerado. “Assim, importa que a DSEDJ aproveite melhor os dados ao seu dispor e implemente uma metodologia orientada para a gestão de riscos, de modo a identificar e prevenir situações irregulares, garantindo, assim, uma aplicação mais eficaz e rigorosa do erário público afecto ao Programa”, foi acrescentado.

Em reacção ao relatório, a DSEDJ afirmou que “concorda” com as conclusões e indicou ter tomado medidas para corrigir as falhas identificadas ao nível das presenças, com as alterações introduzidas no programa a 1 de Abril. Com o novo modelo, os formandos têm de pagar os cursos logo no início, em vez de pagarem apenas uma caução, e só recebem o dinheiro do subsídio da DSEDJ depois de terem frequentado pelo menos 70 por cento das aulas.

A DSEDJ indicou também ter adoptados novos modelos de análise dos dados sobre os cursos para detectar possíveis irregularidades de forma eficaz.

26 Mai 2026

Inquérito | Residentes crêem precisar de 6,6 milhões na reforma

Os residentes aspiram reformar-se aos 62 anos de idade, e acreditam precisarem de 6,6 milhões de patacas para o resto da vida. Um inquérito encomendado pela seguradora FWD mostra que a maioria dos residentes está pressionada face ao ritmo de crescimento das suas poupanças

Os residentes de Macau têm a expectativa de se reformar aos 62 anos e acreditam que com 6,6 milhões de patacas em poupanças podem enfrentar a vida pós-trabalho. A conclusão consta de um inquérito apresentado pela seguradora FWD, sobre os planos de reforma dos residentes da RAEM e de Hong Kong.

Segundo o inquérito, citado pelo portal Macau News Agency, 64 por cento dos 1.008 residentes de Macau e Hong Kong inquiridos afirmou sentir-se “ansioso, preocupado ou a tentar lidar com” o estado das suas finanças pessoais.

As respostas mostram um sentimento generalizado de inquietação em relação às poupanças. O inquérito foi encomendado pela seguradora a uma empresa de estudos com os inquiridos a situarem-se numa faixa etária entre os 21 e os 65 anos.

Entre aqueles que reconheceram estar sob pressão financeira, 58 por cento apontaram como principal causa da preocupação o aumento continuo do custo de vida. Ao mesmo tempo, 48 por cento indicaram estar preocupados com o custo da saúde e 47 por cento reconheceu estar a ter problemas para lidar com o facto de não conseguir poupar dinheiro suficiente para ter uma reforma “confortável”.

Apesar do montante indicado de 6,6 milhões de patacas, os responsáveis apontam que pode haver uma discrepância entre o dinheiro indicado e os gastos reais. “Num contexto de inflação crescente e em que há um aumento das despesas com cuidados de saúde, surge uma situação potencial para se verificar uma discrepância entre as poupanças para a reforma previstas pelo público e as suas necessidades reais de poupança”, afirmou Ken Lau, director-geral da FWD para a Grande China e director executivo em Hong Kong, num comunicado. “Este risco de longevidade não deve ser ignorado”, alertou.

Jovens preocupados

Os resultados mostram também que os jovens adultos são cada vez mais exigentes quanto ao dinheiro que consideram ser necessário para a vivência pós-profissional. Os inquiridos com idades entre os 21 e 29 anos afirmaram terem planos para se reformarem aos 60 anos e necessitarem de cerca de 7,8 milhões de patacas para a reforma. A média quando são considerados todos os inquiridos é mais baixa, e fixa-se nos 6,6 milhões de patacas.

Ao mesmo tempo, os residentes com idades entre os 30 e 44 anos admitem terem problemas para conseguirem lidar com o facto de terem de contribuir ao mesmo tempo para as despesas com os pais e os filhos. Cerca de 71 por cento afirmaram abdicarem das suas poupanças pessoais, para cuidar da família.

Ao mesmo tempo, 57 por cento das pessoas com idades entre os 30 e 44 anos confessou que gasta mensalmente pelo menos 20 por cento do orçamento para pagar despesas com os pais e os filhos. Já as pessoas com idades entre 45 e 62 anos, 62 por cento afirmaram estarem preocupados com o facto de as suas poupanças não estarem a crescer ao ritmo necessário para cobrir as despesas da reforma.

22 Mai 2026

Turismo | Andy Wu dá voto de confiança ao novo plano quinquenal

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considera viável o objectivo do 3º Plano Quinquenal que prevê um crescimento de 5 por cento ao ano do número de turistas internacionais

A Associação de Indústria Turística de Macau acredita que os objectivos do novo Plano Quinquenal do Governo ao nível do turismo são “viáveis”. A posição sobre o plano para os anos entre 2026 e 2030 foi tomada pelo presidente da associação, Andy Wu Keng Kuong, em declarações ao jornal Ou Mun.

O documento que foi colocado em consulta pública na terça-feira estabelece como metas para o turismo um crescimento anual de cinco por cento do número de turistas internacionais até 2030 e a “expansão das fontes internacionais de turismo”. Em termos de metas qualitativas, o documento contempla objectivos menos mesuráveis como a “melhoria da qualidade do desenvolvimento do turismo”. Ainda assim, na perspectiva do presidente da associação, as metas são “pragmáticas” e “viáveis” e existe confiança na indústria que vai ser possível aumentar o número de turistas internacionais.

Andy Wu explicou que as previsões do Governo para este ano apontam que Macau deverá receber cerca de 3 milhões de turistas internacionais, o nível de 2019, antes da pandemia da covid-19, que levou o Executivo a impor forte restrições de entrada no território. Em 2025, o número de turistas internacionais foi de 2,75 milhões, cerca de 90 por cento dos níveis de 2019.

Face a esta evolução, o dirigente associativo explicou que a tendência actual é “encorajadora”, mesmo se alguns mercados internacionais mais tradicionais, como a Coreia do Sul e o Japão, tenham apresentado uma recuperação mais lenta. A retoma nestes mercados foi justificada com “o ambiente económico internacional”. No entanto, Andy Wu apontou que o número de turistas de outros destinos, como a Rússia, Filipinas e outros países do Sudeste Asiático têm compensado o menor crescimento dos mercados tradicionais.

Desafios por ultrapassar

No entanto, para alcançar os resultados, Andy Wu defende o reforço da cooperação do Governo com companhias aéreas internacionais e resolver o problema da falta de voos para Macau. Wu explicou que a falta de voos directos de destinos internacionais para Macau continua a ser um problema crónico, sem resolução, principalmente ao nível dos voos com longa duração. Para o presidente da associação, esta é mesmo a principal fragilidade ao nível do turismo.

O dirigente associativo demonstrou ainda apoio à nova estratégia do Executivo de tentar melhorar as ligações com os grandes centros de aviação do Interior da China, como Xangai ou Pequim, para atrair visitantes que utilizam esses aeroportos para viajar para Macau. Como parte desta estratégia, Wu apontou que se podem atrair mais turistas da Rússia para Macau.

22 Mai 2026

Jogo | Citigroup aponta para receitas superiores a 22,5 mil milhões em Maio

A principal indústria de Macau continua a crescer, à medida que aumenta o fluxo de turistas. O banco de investimento acredita que as receitas deste mês superem 22,5 mil milhões de patacas, com a ajuda da Semana Dourada e do cartaz de espectáculos

O Citigroup estima que as receitas dos casinos vão ser superiores a 22,5 mil milhões de patacas ao longo deste mês, o que representaria uma subida anual de 6 por cento. As previsões do banco, citadas ontem pela Rádio Macau, contrastam com a performance de Maio de 2024 quando as receitas do jogo totalizaram 20,2 mil milhões de patacas.

Segundo a emissora pública, os analistas apontam que as receitas do jogo nos primeiros 17 dias de Maio tenham sido ligeiramente inferiores a 13 mil milhões de patacas. Para este valor representou uma média diária de 693 milhões de patacas por dia, entre 11 e 17 de Maio.

Contudo, os analistas acreditam que nos restantes dias até ao final do mês a média diária das receitas terá de rondar 704 milhões de patacas, o que irá permitir superar o valor dos 22,5 milhões patacas.

A previsão dos analistas do Citigroup é sustentada com o aumento do número de visitantes na segunda metade do mês associada a vários espectáculos que vão ser organizados nos empreendimentos turísticos das concessionárias, como o concerto da girlband coreana IVE, o espectáculo da boyband EXO e o evento de luta UFC Fight Night.

Perto dos melhores registos

Caso a previsão do banco de investimento se confirme, as receitas de Maio, que inclui o pico de turismo ligado à Semana Dourada, vão ficar perto dos melhores registos mensais deste ano. Até Abril, o mês com receitas de jogo mais elevado foi Janeiro, com um total de 22,63 mil milhões de patacas, seguido pelo registo de Março, em que as receitas foram de 22,61 mil milhões de patacas.

Nos primeiros quatro dos meses deste ano, os casinos registaram receitas brutas de 85,8 mil milhões de patacas, o que correspondeu a um aumento anual de 12,1 por cento, uma vez que o montante acumulado entre Janeiro e Abril foi de 76,5 mil milhões de patacas.

Apesar da recuperação do jogo no pós-pandemia, o valor das receitas ainda se encontra a 86,1 por cento do nível de 2019, quando entre Janeiro e Abril as receitas do jogo atingiram 99,7 mil milhões de patacas.

21 Mai 2026

UMTec | Subsidiária com perdas de 10 mil renminbis

No ano passado, a Companhia de Desenvolvimento Tecnológico da UMTec em Guangdong Hengqin apresentou perdas de 10.356 renminbis, de acordo com a informação divulgada no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

Segundo a mesma informação, a empresa pouca actividade apresentou, mas as perdas foram reduzidas em relação a 2024, quando o prejuízo tinha atingido 14.260 renminbis.

Desde que foi criada em 2019, com um capital social de 300.000 renminbis a empresa tem acumulado perdas que totalizada 241.878 renminbis. Apesar disso, não apresenta qualquer actividade e as receitas limitam-se aos juros do dinheiro inicialmente investido.

A Companhia de Desenvolvimento Tecnológico da UMTec em Guangdong Hengqin foi criada no Interior da China como uma das duas subsidiárias da UMTec, a empresa de investimento da Universidade de Macau.

A empresa registou como possíveis actividades, que ainda não foram desenvolvidas, a formação na área da educação, consultadoria na área da tecnologia, transferência tecnológica, assim como investigação na área das ciências agrícolas, sociais e participação em actividades de investimento.

O conselho de administração é liderado por Xu Jian, na condição de presidente, tendo também Chen Guokai, Leung Lai Han, Zhou Jiantao e Wang Yizhe como administradores.

21 Mai 2026

Turismo | Lam Lon Wai alerta para limitações durante feriados nacionais

O legislador da Federação das Associações dos Operários de Macau pede ao Governo para tomar medidas, de forma a aumentar a capacidade para acolher o crescente número de turistas

O deputado Lam Lon Wai escreveu uma interpelação a avisar o Governo sobre a falta de capacidade para acolher mais visitantes. Segundo o membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) o problema prende-se com os feriados prolongados no Interior da China, sendo necessário aumentar a capacidade das infra-estruturas.

“Durante a “semana dourada” do “1.º de Maio” no Interior da China, que terminou recentemente, Macau recebeu um total de 873 mil visitantes, e o número de visitantes num só dia atingiu 248 mil, batendo um novo recorde histórico, o que demonstra o aumento contínuo da atractividade de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer”, escreveu o legislador. “No entanto, à medida que o número de visitantes continua a aumentar, e que são cada vez mais frequentes os concertos e as actividades festivas de grande envergadura, surgem, mais uma vez, problemas relacionados com a capacidade de acolhimento de visitantes e com as instalações complementares da cidade”, alertou. Como partes destes problemas, o deputado indica “o grande fluxo de pessoas nos pontos turísticos mais procurados”, “a pressão dos transportes públicos” e “o escoamento de multidões após os concertos”.

Face a este cenário, o deputado pretende saber como o Governo vai “melhorar os seus planos relativos ao fluxo de pessoas, ao trânsito e às instalações turísticas complementares, durante as férias longas do Interior da China, os feriados e concertos de grande envergadura de Macau”.

Caminhos futuros

Ao mesmo tempo, Lam Lon Wai sugere “o reforço dos serviços de autocarros de ligação”, “desvio de fluxo de pessoas nos pontos turísticos mais procurados”, “monitorização inteligente do fluxo de pessoas” e optimização “da frequência dos autocarros do plano Autocarro de Turismo e Lazer”, que procura levar os turistas aos bairros residenciais.

O deputado volta a abordar o serviço “Cruzeiro Turístico”, atribuído à Turbojet, cujo funcionamento tem ficado marcado por várias suspensões. A mais recente foi anunciada a 9 e Abril devido à “inspecção e manutenção anual dos pontões flutuantes da Ponte-Cais da Barra”. O legislador quer saber se o serviço vai ser “optimizado”, com passeios nocturnos transfronteiriços e visitas a Hengqin, para aumentar a competitividade do turismo de Grande Baía.

21 Mai 2026

Renovação urbana | Paulo Tse lidera empresa de capitais públicos

O empresário Paulo Tse vai substituir Peter Lam Kam Seng, que ficou de fora do novo conselho de administração da Macau Renovação Urbana. O Chefe do Executivo também afastou os vice-presidentes Tommy Lau Veng Seng e Leong Keng Seng

O empresário Paulo Tse vai assumir a presidência da Macau Renovação Urbana a partir de domingo. A decisão do Chefe do Executivo foi divulgada ontem no Boletim Oficial, e o novo presidente vai substituir Peter Lam Kam Seng, cuja nomeação política não foi renovada.

Apesar da manutenção no conselho de administração da empresa liderada por Paulo Tse, que é o 1.º vice-presidente, Sam Hou Fai promoveu uma renovação deste órgão ao nível dos cargos de liderança, ao deixar de fora do novo mandato o actual presidente, Peter Lam, o 2.º vice-presidente, Leong Keng Seng, e o 3.º vice-presidente da empresa, o ex-deputado Tommy Lau Veng Seng.

Paulo Tse está ligado a vários cargos, como administrador na empresa Golden Crown Development, ex-presidente e membro da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau, presidente honorário da Câmara de Comércio Americana de Macau, administrador na Associação de Comércio de Macau e também na Câmara de Comércio Canadiana de Macau.

Além de substituir alguns membros que estavam na empresa há mais tempo, Sam Hou Fai reduziu o tamanho do conselho de administração da Macau Renovação Urbana, dado que entre os 11 membros existentes cinco não tiveram os mandatos renovados, e apenas houve três nomeações novas, cortando para nove o número de administradores.

Os novos nomeados são Mok Chi Wai, Xiao Dongwen e Chan Weng Hei. Mok Chi Wai é empresário, membro da Associação de Comércio de Macau, do Conselho de Curadores da Fundação Macau e administrador na empresa pública Macau Investimento e Desenvolvimento.

Homem das máquinas

Por seu turno, Xiao Dongwen é presidente da Associação dos Proprietários de Máquinas de Construção Civil de Macau e vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau.

Já Chan Weng Hei tem uma carreira ligada à administração pública e às obras públicas, tendo sido nomeado, em 2022, assessor do então secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, actual presidente da Assembleia Legislativa.

A Macau Renovação Urbana foi criada em 2019, com capitais públicos, e foi responsável por projectos como a construção do Novo Bairro de Macau em Hengqin e construção da habitação para substituição do Lote P, na Areia Preta. Espera-se também que seja a empresa responsável pela renovação de alguns edifícios antigos de habitação, cumprindo aquele que foi o seu propósito inicial.

No ano passado, a empresa apresentou um lucro de 787,9 milhões de patacas, uma redução face a 2024, quando o lucro atingiu 1.791 milhões de patacas.

21 Mai 2026

Imobiliário | Mais transacções mas a preços mais baixos

Em Abril, foram compradas e vendidas 338 habitações, o que representou um aumento mensal de 3 por cento e um crescimento anual de 19 por cento. No entanto, os preços estão em quebra

No mês de Abril, foram registadas 338 compras e vendas de casa, o que representou um aumento mensal de 3 por cento. Os números foram revelados no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF), com o preço médio por metro quadrado a cair para 68 mil patacas.

No último mês, houve 338 transacções de habitações, com um total de 227 a serem comercializadas na Península de Macau, o que representou 68 por cento de todas as compras e vendas de habitação em Abril. O segundo mercado mais activo, foi o da Taipa com 76 transacções, o que significou 22 por cento das transacções. O mercado menos activo foi o de Coloane, com 35 compras e vendas, 10 por cento do total.

Os números de transacções em Abril mostram um aumento de 3 por cento face a Março, mês em que o número de negócios registados foi de 328 unidades. Ao mesmo tempo, a comparação anual do número de transacções mostra um aumento de 19 por cento, dado que em Abril de 2025 o número de compras e vendas tinha sido de 283.

Em termos dos preços mais recentes, o preço médio em Abril foi de 68.000 patacas por metro quadrado. Esta foi uma redução mensal de 2,3 por cento, dado que em Março o valor do metro quadrado era de 69.625 patacas.

Os preços mais elevados foram praticados em Coloane, com o metro quadrado a ser comercializado por 81.261 patacas. No pólo oposto, os preços mais baratos estão na Península de Macau, com uma média de 66.304 patacas por metro quadrado. Na Taipa, a compra e venda de habitação teve um custo médio em Abril de 67.970 patacas por metro quadrado.

Em baixa

Os dados mais recentes da DSF revelam que em Abril foram registados os preços mais baratos do ano. Em Janeiro, o metro quadrado foi comercializado por 69.241 patacas, um valor que atingiu o pico do ano em Fevereiro, ao saltar para 77.747 patacas. No entanto, desde essa altura caiu para 69.625 patacas em Março e agora foi reduzido para 68.000, uma diferença de 13 por cento face ao valor mais elevado deste ano.

Quando a comparação é feita com o ano anterior, Abril apresentou um aumento anual de 19 por cento, em termos do número de transacções, dado que em Abril de 2025 houve um total de 283 transacções, uma diferença de 55 transacções no espaço de um ano.

Em relação aos preços, a comparação anual reforça a tendência de redução, dado que em Abril de 2025 o preço médio do metro quadrado era de 75.183 patacas, mais quase 7.200 patacas do que acontece actualmente.

20 Mai 2026

Ponte de Amizade | Conselheiro pede medidas para evitar impacto de obras

Cheang Kai Lok avisa o Executivo que as obras na Ponte da Amizade podem tornar o trânsito caótico e pede medidas não só junto à ponte, mas também na zona norte da cidade, onde se espera um maior impacto na circulação rodoviária

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defendeu a necessidade de o Governo apresentar brevemente medidas provisória para minimizar o impacto das obras que vão decorrer na Ponte da Amizade. As obras na ponte foram reveladas na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação de Obras Viárias e arrancam no sábado, prolongando-se até meados de Agosto.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Cheang apoiou a decisão de realizar a manutenção da ponte por questões de segurança. No entanto, o também membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) alertou que a Ponte de Amizade tem uma taxa de utilização muito elevada, porque é a escolha preferencial dos veículos que precisam de se deslocar para o Pac On, aeroporto ou o aterro para resíduos de materiais de construção.

Tendo em conta que o trânsito em condições normais já apresenta congestionamentos na ponte, Cheang alertou que se deve esperar um agravamento considerável da situação.

Marcha lenta

Porém, o membro da FAOM entende que o impacto vai estender-se igualmente à Ponte Macau, porque a infra-estrutura vai ser a alternativa para os veículos pesados que circulam entre Macau e a Taipa e que vão ficar impedidos de usar a Ponte da Amizade, enquanto durarem as obras.

Cheang Kai Lok vincou também que os congestionamentos podem chegar à Zona A dos novos aterros e à Zona Norte de Macau, e identificou como lugares críticos a Rotunda da Amizade, a Avenida 1 de Maio e a Via de Acesso A2, que faz a ligação entre a Zona A dos Novos Aterros e a Areia Preta. O conselheiro mostrou-se especialmente preocupado porque estas vias já apresentam níveis de congestionamentos elevados.

Para aliviar o impacto rodoviário, Cheang Kai Lok sugere que o Governo controle “de forma rigorosa” progresso da obra na Ponte Amizade, e reforce a supervisão, estudando formas de acelerar os trabalhos.

Além disso, pediu ao Governo que acompanhe o trânsito nas zonas mais congestionadas, através das novas tecnologias, e que sejam destacados agentes de trânsito para os locais, para tornar o trânsito mais fluído.

O associado da FAOM pediu também ao Governo para actualizar regularmente o progresso das obras com a divulgação de medidas provisórias de trânsito, para que residentes e condutores possam planear mais cedo as suas deslocações.

Segundo o Grupo de Coordenação de Obras Viárias, a intervenção na Ponte da Amizade será a primeira obra de grande escala na Ponte da Amizade dos últimos 25 anos.

20 Mai 2026

HK | Adrian Ho ofereceu 100 bifanas a deputados e jornalistas

Na quarta-feira, o deputado o Conselho Legislativo voltou a considerar que as bifanas de Hong Kong são superiores às de Macau e comprou 100 unidades para deputados e jornalistas, para “provar” as suas declarações

Adrian Pedro Ho King Hon comprou 100 bifanas para oferecer aos colegas e jornalistas no Conselho Legislativo, em Hong Kong, na quarta-feira. Esta foi a reacção mais recente do deputado e sobrinho de Edmund Ho, depois de afirmar que as bifanas de Macau não são tão boas como as de Hong Kong e que a comida na RAEM é “extremamente banal”.

Segundo o portal HK01, as bifanas foram todas comidas em minutos por deputados e jornalistas, o que levou o deputado ligado ao partido Novo Poder Popular a considerar que tinha provado a veracidade das suas afirmações sobre a qualidade superior da comida em Hong Kong. Ainda assim, o legislador admitiu que o gosto é sempre uma questão pessoal.

O sobrinho do primeiro Chefe do Executivo de Macau confessou também que devido à grande quantidade de bifanas encomendadas na mesma loja, o proprietário exigiu pré-pagamento, por temer que o deputado não pagasse a totalidade da conta.

No entanto, nem todos ficaram convencidos. Mark Chong Ho-fung, deputado ligado ao partido Mesa Redonda, comeu a bifana oferecida, mas horas depois escreveu nas redes sociais que preferia as bifanas em Macau. “Acho que as bifanas de Macau são mais saborosas”, escreveu nas redes sociais.

Cidade Criativa Gastronómica

A polémica sobre a qualidade das bifanas de Macau e Hong Kong foi gerada por Adrian Pedro Ho King Hong durante uma sessão parlamentar, em que questionou a qualidade dos produtos à venda na Rua do Cunha.

Nessa ocasião, Ho afirmou que os residentes de Hong Kong só preferem comer em Macau este tipo de comida, porque se deixaram atrair pela “fama” da gastronomia. “Tudo isto se pode comer em Hong Kong, mas não sei por que razão é apresentado como uma iguaria”, afirmou Adrian Ho. “Atrevo-me a dizer que a bifana de Hong Kong é mais saborosa que a de Macau. Por que razão os turistas vão a Macau para comer aquela bifana? Por foi criado um certo ambiente propício”, vincou.

Os comentários de Ho não se limitaram à bifana, com o deputado a lançar dúvidas sobre a qualidade dos pastéis de nata, carne seca e bolos de amêndoa em Macau, categorizando-os como “extremamente normal” e abaixo da qualidade de Hong Kong. Segundo o jornal HK01, a Direcção de Serviços de Turismo de Macau foi abordada sobre e limitou-se a responder que Macau foi escolhida como Cidade Criativa Gastronómica pela UNESCO.

15 Mai 2026

Cotai | Wong Ka Lon quer melhores condições contra incêndios

O deputado alerta o Executivo para a falta de segurança no Cotai, em particular em dias com grandes multidões, como a passagem de ano. Wong teme a falta de recursos para lidar com emergências e acha que Hong Kong é exemplo a seguir no que diz respeito a incêndios

O deputado Wong Ka Lon defende que o Executivo tem de adoptar mais medidas de segurança para a possibilidade de se verificarem incidentes no Cotai, um local com grande concentração de pessoas. O assunto foi abordado pelo deputado eleito pela via indirecta, através de uma interpelação escrita, em que indica que os recursos de emergência não estão preparados para situações de grandes emergências.

No documento, Wong traça uma situação preocupante no Cotai, onde indica viverem mais de 30 mil pessoas, às quais se juntam 37 mil quartos de hotéis, com uma taxa de ocupação que por vezes é superior a 90 por cento. Além destas, o legislador aponta que também é comum que durante certos eventos, como a passagem de ano, haja grandes multidões no local.

“Quanto à distribuição dos recursos contra incêndios na zona do COTAI, o número de estações do Corpo de Bombeiros é limitado. Perante uma área urbana extensa, edifícios de grande dimensão e um fluxo enorme de pessoas em curtos períodos, a capacidade de resposta a emergências e a uma evacuação em larga escala enfrenta pressões estruturais”, alertou o legislador.

Por isso, o deputado quer saber se o Governo vai “proceder a uma investigação específica sobre os riscos de segurança” e criar “mecanismos dinâmicos de avaliação desses riscos” para reforçar “a distribuição dos recursos de combate a incêndios”.

Pessoas paradas

Wong Ka Lon pede também ao Executivo que aprenda com o exemplo de Hong Kong, onde em Novembro do ano passado as chamas no complexo habitacional Wang Fuk Court causaram 168 pessoas, segundo os números oficiais.

“O grave incêndio no Wang Fuk Court, em Hong Kong, onde as chamas deflagraram por um longo período, causou numerosas vítimas, bem como expôs perigos fatais, como materiais de construção inflamáveis, distância reduzida entre edifícios, instalações de combate a incêndios obsoletas e dificuldades na evacuação e resgate”, apontou. “Em Macau, após os grandes eventos, registam-se frequentemente aglomerações e permanência prolongada de multidões, e isso também poderá desencadear facilmente acidentes graves de debandada, resultando em esmagamento de pessoas caso ocorresse repentinamente um incêndio, portanto, os riscos para a segurança não podem ser ignorados”, avisou.

“Face ao risco de aglomeração de pessoas quando existem grandes eventos e aos ensinamentos que devemos ter aprendido dos acidentes graves na sequência de incêndios ocorridos noutros locais, o Governo deve aperfeiçoar o mecanismo interdepartamental de inspecção e execução da lei, optimizando os planos de contingência para a evacuação dos fluxos de pessoas”, considerou.

15 Mai 2026