Preços | Registada inflação de 1,43 por cento em Maio

Em Maio, Macau registou uma inflação de 1,43 por cento, em termos anuais, o que significa que os preços ficaram mais caros. Os dados foram revelados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), através de um comunicado emitido ontem.

A subida dos preços foi impulsionada pelos preços dos transportes que registaram um aumento de 4,79 por cento “em virtude da ascensão dos preços da gasolina”, explicou a DSEC. Outra área onde os consumidores sentiram que a vida ficou mais cara foi na alimentação e bebidas não alcoólicas, com um aumento generalizado dos preços de 1,19 por cento. Este crescimento foi explicado com “a subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away’”.

Também os preços de “produtos e serviços diversos”, como produtos para cuidados pessoais, seguros, relógios e joalharia apresentaram um aumento de 3,56 por cento. Ao mesmo tempo, os preços das roupas e de calçado tiveram um crescimento de 2,91 por cento.

Em termos mensais, entre Abril e Maio, houve uma inflação de 0,17 por cento, com a DSEC a destacar que no espaço de um mês os preços do vestuário e calçado aumentaram 1,29 por cento. Quando a variação dos preços é medida tendo em conta o período de 12 meses terminado em Maio deste ano, ou seja, entre Junho de 2025 e Maio deste ano, a inflação foi 0,71 por cento.

23 Jun 2026

Hotelaria | Península perde negócio para Zhuhai e Hengqin

Os hotéis na Península de Macau estão a sofrer cada vez mais concorrência e a perder clientes para o Interior. A revelação foi feita pela presidente da Associação de Hotéis de Macau

 

A competição dos hotéis em Zhuhai e em Hengqin está a ter impacto nos negócios na Península de Macau, com a taxa de ocupação e os preços dos hotéis a caírem, em comparação com o ano passado. O cenário foi traçado pela presidente da Associação de Hotéis de Macau e directora executiva do Hotel Royal Macau, Jocelyn Wong Suk Yan, em declarações ao jornal Ou Mun.

Segundo a responsável, a menor procura pelos hotéis na Península está principalmente ligada a “novos padrões” de consumo dos turistas, que deixam o território e vão passar a noite do outro lado da fronteira, tanto em Zhuhai como Hengqin, na busca de estadias mais baratas.

As zonas mais afectadas com nova realidade são o NAPE e outras mais antigas localizadas na Península. Estas áreas foram afectadas no final do ano passado pelo encerramento de vários casinos-satélites. Como resultados das novas tendências, explicou Wong, nos primeiros seis meses a taxa de ocupação dos hotéis foi de 80 por cento e os preços diminuíram entre cinco e seis por cento, em comparação com o período homólogo.

No entanto, a competição de fora não é o único facto que agrava as condições de exploração. A presidente da Associação de Hotéis de Macau revelou ainda que os negócios mais antigos enfrentam mais competição interna, porque têm aberto novos hotéis em Macau, com o número de quartos a crescer os preços acabam por ficar mais baratos. Além de dirigente associativa, Jocelyn Wong é director executiva do Hotel Royal Macau

Taxa de 90 por cento

Em relação à época do Verão, Jocelyn Wong anteviu que a ocupação dos hotéis pode chegar aos 90 por cento, principalmente durante os meses de Julho e de Agosto. Esta previsão foi feita especificamente para os hotéis na Península de Macau, que estão a sofrer mais com a concorrência, ao contrário do que acontece em outros locais como o Cotai.

Apesar da taxa de ocupação de 90 por cento, a presidente da associação acredita que os preços não vão subir de forma significativa.

A dirigente associativa revelou ainda que os hotéis prepararam estratégias para atrair mais clientes no Verão, e que as apostas passam por ter uma oferta com descontos e preços mais baratos para estadias mais longas. Há também mais promoções a pensar nas famílias. Como parte destas estratégias, Jocelyn Wong revelou que alguns hotéis que estão a oferecer pacotes que incluem jantares mais luxuosos.

Sobre a segunda metade do ano, Wong deixou a esperança que o Governo organize mais espectáculos e eventos desportivos, porque são factores que contribuem para aumentar o número de turistas que pernoitam no território.

23 Jun 2026

Financiamento da EPM e acampamento patriota alvos de críticas no congresso do PSD

O financiamento da Escola Portuguesa de Macau (EPM) por parte do Governo de Macau foi alvo de críticas durante o 43º Congresso Nacional do Partido Social Democrata, que decorreu no fim-de-semana. A intervenção foi realizada por Vitório Cardoso, português nascido em Macau e membro do principal partido de Governo em Portugal.

“Não podemos aceitar que seja o Governo Chinês de Macau a assumir o orçamento da Escola Portuguesa de Macau, situação criada por Vítor Sereno há 10 anos. Más políticas públicas trazem más consequências”, afirmou Vitório Cardoso, durante uma intervenção que tinha na plateia Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal.
No entanto, o orador não referiu que na semana passada o financiamento de Portugal à EPM para o ano 2025/2026, de cerca de 10,4 milhões de patacas ainda estava por ser realizado.

Sobre a instituição de ensino e Macau, Vitório Cardoso criticou ainda a participação de um grupo de alunos num acampamento de promoção da identidade nacional chinesa. “Não podemos aceitar que a EPM tenha, em Abril passado, enviado 15 dos seus alunos, de farda de escola, para quartéis chineses para cursos e cursinhos de defesa nacional da China ou da doutrinação da defesa patriótica chinesa”, considerou. “Vergonha. Isto é um escândalo”, atirou.

Críticas a Sereno

Vitório Cardoso criticou ainda a escolha de Vítor Sereno para a posição de secretário-geral do Sistema de Informações em Portugal. “Há um velho ditado português: não sirvas a quem serviu e não peças a quem pediu. Portugal não pedincha, senhor primeiro-ministro. Certas brincadeiras de mau-gosto por parte de um titular desse cargo e num país civilizado teria levado a que fosse exonerado na hora”, declarou.

“Não confiamos num diplomata português que esteve imposto em Macau e que, em simultâneo, tenha tido a sua mulher a trabalhar para o Governo Chinês de Macau e que esteja hoje a assumir o cargo de secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa”, acrescentou.

23 Jun 2026

Justiça | Formação em português suficiente para necessidades

Face à saída dos escrivães de língua portuguesa dos tribunais da RAEM, o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância assegura que as formações internas em língua portuguesa chegam para responder às necessidades

 

Os tribunais consideram que a formação interna em língua portuguesa dos escrivães permite responder às necessidades de trabalho. A posição foi tomada numa resposta ao HM, depois de o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância ter sido questionado sobre a possibilidade de os tribunais ficarem sem qualquer escrivão judicial especialista português.

Face ao impacto da alteração do quadro pessoal, com a saída dos escrivães portugueses, o gabinete de Song Man Lei considerou que os funcionários contratados nos processos normais de admissão têm formação para responder às necessidades do trabalho. “O recrutamento de novos funcionários de justiça dos Tribunais tem sido realizado de forma ordenada de acordo com as leis e as necessidades reais de trabalho, e para efeitos de ingresso e acesso, o referido pessoal está sujeito a frequentar cursos de formação que incluem a disciplina de língua portuguesa, no sentido de responder às necessidades de trabalho”, foi comunicado.

A resposta dos tribunais demorou 17 dias depois de um contacto inicial. Por responder ficaram perguntas relacionadas com o possível impacto da saídas destes escrivães no processo de recrutamento de juízes em Portugal, assim como o enquadramento desta medida na política de aprofundamento das relações entre Macau e os Países de Língua Portuguesa.

Segundo a mesma resposta, “actualmente há três funcionários de justiça portugueses que trabalham nos Tribunais de Macau em regime de prestação de serviços ou de contrato individual de trabalho”. Todavia, o HM apurou que um destes está de saída.

Os tribunais esclareceram igualmente que os contratos destes trabalhadores têm sido renovados, a não ser nos casos em que é atingido o limite de idade para trabalhar na Administração Pública.

Vagas de saídas

No início do ano passado, os tribunais da RAEM contavam com cinco escrivães de nacionalidade portuguesa. Estes mantinham o vínculo com a Administração Pública em Portugal, que autorizava a permanência na RAEM, mas integravam os tribunais de Macau, onde os seus contratos eram anualmente renovados.

No entanto, o facto de os funcionários judiciais em Macau também estarem sujeitos à legislação para os funcionários públicos da RAEM faz com que não possam continuar a exercer funções com mais de 65 anos. Como todos os cinco escrivães completam a idade máxima limite até Junho deste ano, os tribunais começaram a deixá-los sair ou a permitir a permanência em condições laborais muito piores e com contratos de cerca de seis meses.

Sobre o impacto na nova situação, uma das fontes ouvidas pelo HM e conhecedora do processo considerou que as saídas “não vão levar ao encerramento dos tribunais”, mas que terão “um impacto importante”. A mesma fonte indicou que estes trabalhadores eram fundamentais para garantir a utilização da língua portuguesa “de forma mais correcta” e assegurar a comunicação sem dificuldades com os advogados que se expressam em português.

23 Jun 2026

Grande Prémio de Macau | Presidente da FIA defende Fórmula 4

O presidente da Federação Internacional do Automóvel afastou, para já, a possibilidade de a competição de Fórmula 3 regressar ao circuito da Guia e elogiou a Fórmula 4, que “está cada vez mais forte”

 

O presidente da FIA (Federação Internacional do Automóvel), Mohammed Ben Sulayem, defendeu ontem a aposta na Fórmula 4, em vez do regresso à competição com os Fórmula 3. A posição foi tomada numa conferência de imprensa, durante uma visita ao Kartódromo de Macau, em que o responsável mostrou total abertura para se adaptar e apoiar as necessidades da Associação Geral de Automóvel de Macau (AAMC) e do Grande Prémio de Macau.

Quando questionado sobre a possibilidade do regresso da Fórmula 3 ao circuito da Guia, o responsável defendeu que os carros Fórmula 4 são os mais indicados para esta parte do mundo. Actualmente, a prova principal do Grande Prémio é disputada com carros da Fórmula Regional, um nível intermédio entre a Fórmula 3 e Fórmula 4.

“Algumas pessoas podem pensar, como estava a falar com o AAMC, que a Fórmula 3 é melhor do que a Fórmula 4. Não, a Fórmula 4 está cada vez mais forte. Se formos a ver, há mais pessoas envolvidas na Fórmula 4 do que na Fórmula 3”, começou por indicar. “E porquê? Porque é muito popular, porque tem preços mais acessíveis e isso é bom para o público”, vincou.

Quando questionado sobre o facto de a Fórmula 3 ter maior visibilidade internacional, Mohammed Ben Sulayem considerou que são as provas que constroem essa visibilidade e não as categorias por si. “Nós criamos as categorias de classe mundial, vocês [Grande Prémio de Macau] e os vossos fãs criam as categorias de classe mundial e os fãs também. A classe mundial não se cria a partir do topo, vem da base”, defendeu.

“A classe mundial é criada quando as pessoas têm a oportunidade de pegar num carro, participar numa prova qualquer e tentar bater os outros pilotos. Por isso, a Fórmula 4 vai ter um futuro muito bom”, indicou. “[Os Fórmula 4] são campeonatos feitos especificamente para esta parte do mundo. Não acredito que exista uma fórmula que sirva todo o mundo. As necessidades desta parte da Ásia não são as mesmas de outras partes, já para não falar do Médio Oriente, de África ou da América Latina. Por isso sou um grande crente que estamos a criar um campeonato em conjunto, tendo em conta as necessidades do AAMC”, vincou.

Sem GP? “Impensável”

Mohammed Ben Sulayem destacou ainda que é “impensável” que se deixe de realizar o Grande Prémio de Macau e mostrou-se aberto a mudar as regras que forem necessárias para acomodar os desejos do AAMC. “As regras não foram escritas por Deus. As regras foram escritas por homens e podem ser melhoradas pelos homens”, explicou.

“Por isso, para mim, e na FIA, vamos ajustar as regras que for necessário. Não é só ajustar, nós vamos apoiar o Grande Prémio de Macau. E se eles quiserem [AAMC] vamos adaptar e homologar um certo campeonato. Ficaríamos mais do que felizes por fazê-lo, porque para nós a Ásia é muito importante”, prometeu.

Mohammed Ben Sulayem está em Macau para participar nas Conferências da FIA deste ano, que decorrem entre 23 e 25 de Junho. No dia 26 decorre, também em Macau, a Assembleia Geral Extraordinária da FIA.

22 Jun 2026

Apostas | Lucros da Macau Slot com quebra de 3% em 2025

No ano passado, a única empresa de apostas desportivas em Macau teve uma redução de lucros de três por cento. No entanto, com o mundial de futebol em curso, as perspectivas da empresa controlada por Ângela Leong são mais optimistas

 

A Sociedade de Lotarias e Apostas Desportivas de Macau (Macau Slot) registou lucros líquidos de 126,94 milhões de patacas em 2025, uma queda anual de 3 por cento, segundo um relatório financeiro divulgado pela empresa.

A Macau Slot, que tem a única concessão para exploração de apostas em futebol e basquetebol no território, anunciou que continuará a desenvolver “produtos mais diversificados” de apostas desportivas e a reforçar “serviços de informação para acompanhar a evolução do sector”.

No mesmo relatório, o presidente da companhia, Ng Chi Sing, afirmou que “apesar das alterações no ambiente comercial e dos desafios económicos nas regiões vizinhas”, as políticas do Governo mantiveram a economia local estável.

O parlamento de Hong Kong aprovou em Setembro do ano passado a legalização das apostas em jogos de basquetebol, a serem operadas pelo Hong Kong Jockey Club, replicando o modelo já existente para corridas de cavalos e apostas em futebol.

No entanto, em Abril deste ano, o Governo do território vizinho anunciou o adiamento da medida, justificando a decisão com receios de que pudesse levar ao crescimento de apostas clandestinas no mercado global de previsões.
Em 2024, a Macau Slot registou um lucro líquido de 130,88 milhões de patacas, mais 5,6 por cento em termos homólogos, o valor mais elevado desde o início da pandemia.

Ano de mundial, ano feliz

Um total de 163 milhões de patacas em receitas brutas de apostas em futebol e basquetebol foram reportadas no primeiro trimestre deste ano em Macau, mas com mais de mil milhões de patacas em apostas realizadas no mesmo período, segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos do território.

O ano anterior terminou com um total de 609 milhões de patacas em receitas brutas de apostas desportivas no território, com mais de 6 mil milhões de patacas em apostas registadas. Os montantes em apostas desportivas no território costumam registar aumentos em anos de competições de futebol internacionais, como o campeonato do mundo de futebol organizado este ano.

Fundada em 1989, a Macau Slot obteve direitos exclusivos para apostas no futebol em 1998 e no basquetebol em 2000. Perdeu o estatuto de exclusividade em 2021, mas nenhum novo operador entrou no mercado até hoje. Desde 2024, a concessão tem sido renovada anualmente.

No ano passado, o Executivo prorrogou a concessão por mais um ano, até 5 de Junho de 2027, mas impondo à empresa uma redução progressiva do número de não-residentes e a retenção de trabalhadores locais. De acordo com uma declaração financeira de Novembro de 2025, a deputada Ângela Leong On Kei, co-presidente e directora executiva da operadora de casinos SJM Holdings, detém 72 por cento da Macau Slot.

22 Jun 2026

Economia | Mais de 80% preocupados com despesas médicas

Cerca de 30 por cento dos residentes com mais de 50 anos admite não conseguir poupar dinheiro, por ter rendimentos baixos. Esta é uma das conclusões de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau

 

Mais de 80 por cento dos residentes com mais de 50 anos admite ter preocupações com a capacidade financeira para enfrentar despesas médicas após a reforma. As conclusões fazem parte de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau, que foi citado pelo Canal Macau da TDM.

O estudo, feito com base num inquérito que contou com a participação de 792 residentes, mostra que 84 por cento apontou temer não ter capacidade para cobrir gastos com cuidados de saúde e despesas associadas, depois de se reformar.

Os resultados mostram também que apenas 20 por cento dos inquiridos não tem um plano de poupança a pensar na reforma e que 30 por cento admite não conseguir fazer poupanças a pensar no futuro, por ter rendimentos considerados insuficientes.

Para Yin Yifen, vice-presidente da Associação de Segurança Social de Macau, citado pelo Canal Macau, os resultados mostram que a população do território tem um elevada “percepção do risco”, mas também uma “baixa preparação” para enfrentar a idade da reforma.

Como nem todos os idosos têm necessidades financeiras, Yin Yifen pede apoios mais específicos e mais dirigidos a quem tem necessidades: “A sustentabilidade financeira do Governo é muito importante. Se ajudarmos todos os idosos por igual, isso, na verdade, não é realista. Por isso, acho que o Governo deve adoptar uma abordagem que combine o sector público e as opções de mercado”, afirmou. “Os idosos com capacidade financeira devem resolver os seus problemas e procurar assistência, tendo por base a oferta do mercado”, clarificou.

O responsável reiterou que “apenas os grupos verdadeiramente desfavorecidos devem receber um apoio total por parte do Governo.”

Todos para a Montanha

A TDM ouviu alguns idosos sobre este problema, e as pessoas mostraram-se disponíveis para viver na Ilha da Montanha, onde os preços são mais baixos. No entanto, apontaram problemas estruturais: “Ir para Hengqin pode ser uma solução, mas é preciso assegurar transportes para os idosos. Devem existir ambulâncias ou transportes de idade e volta para Macau”, afirmou um dos ouvidos pela emissora, que não foi identificado. “São necessários mais benefícios para os idosos. Macau arrecada tantas receitas fiscais e isso devia permitir oferecer mais qualidade de vida aos idosos”, acrescentou.

Outra residente, igualmente não identificada, apresentou queixas sobre as despesas diárias. Quando questionada sobre o que faz quando tem problemas de saúde, a mulher indicou recorrer aos Serviços de Saúde. Depois lamentou não conseguir poupar mais dinheiro, por ter despesas como o condomínio, no valor de 360 patacas, contas de água e telecomunicações.

22 Jun 2026

Empresas públicas | Avaliação de desempenhos abaixo de 85 pontos

Nenhuma das 16 empresas com capitais públicas cujo desempenho foi avaliado pela Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) conseguiu atingir 85 pontos, numa escala de 0 a 100 pontos. A informação sobre a avaliação do desempenho de exploração e funcionamento do ano passado foi divulgada no portal oficial da DSSGAP.

Em termos das empresas com um fim comercial, a UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia e a Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau conseguiram os melhores resultados, com uma avaliação de “A-”, o que significa entre 80 e 84 pontos.

Nesta categoria as piores classificadas foram a Inovação Tecnológica da UPM, Centro de Comércio Mundial Macau e Macau Renovação Urbana, com uma avaliação de “B”, o que significa mais de 70 pontos, mas menos do que 75 pontos. Em termo das empresas que têm um objectivo social, a melhor classificada foi o Centro de Ciência de Macau, com uma avaliação de “A-”.

No pólo oposto, a Companhia de Consultadoria em Educação da Universidade de Turismo de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada teve a pior classificação com “B-”, o que significa menos de 70 ponto, mas mais de 65 pontos.

22 Jun 2026

Criminalidade | Aumento anual de 1,3% no primeiro trimestre

O ano começou com mais crimes e ocorrências graves, de acordo com o Balanço da Criminalidade feito pelo Governo. Apesar desta tendência, os dados oficiais mostram que até Março não foram registados homicídios em Macau

O ano arrancou com um aumento da criminalidade, e até Março foram cometidos 3.332 crimes, mais 43 crimes do que no mesmo período do ano passado, quando tinha havido 3.289 ocorrências. Os dados constam do Balanço da Criminalidade, revelado no final da semana passada pelas autoridades.
“Embora o número total de crimes em Macau tenha registado uma ligeira subida de 1,3 por cento em comparação com o período homólogo de 2025, os crimes violentos tais como o homicídio, o rapto e as ofensas corporais graves continuam a manter uma taxa zero ou uma taxa de ocorrência muito baixa”, foi considerado no relatório.

Os dados mostram que os crimes contra a pessoa estão a crescer a um ritmo acelerado, com uma subida de 15,9 por cento no espaço de um ano. Este ano foram registados 655 crimes contra a pessoa, quando no ano passado o número tinha sido de 565. O aumento foi explicado com mais ofensas simples à integridade física (325 crimes, mais 10,9 por cento), ameaças (43 crime, mais 26,5 por cento) e ainda os crimes classificados como outros (226 crimes, mais 27,7 por cento).

“No âmbito deste tipo de crimes, o número de casos de ofensa simples à integridade física registou uma subida relativamente maior, sendo os pontos turísticos, casinos e hotéis e suas redondezas os locais de maior incidência”, foi indicado. “Face a esta situação, a Polícia intensificou o patrulhamento e vigilância nos referidos locais e reforçou o mecanismo de cooperação e de comunicação com as empresas de lazer”, foi acrescentado. No primeiro trimestre não houve qualquer registo de homicídios, à imagem do período homólogo.

Mais criminalidade violenta

O relatório mostra também que a criminalidade violenta está a crescer, com 63 ocorrências, quando até Março de 2025 tinham sido registadas 56, uma diferença de 12,5 por cento. Este aumento deve-se principalmente aos crimes de tráfico e venda de drogas (19 crimes, mais 58,3 por cento) e fogo posto (12 crimes, mais 20 por cento).

“Neste tipo de crimes, o número de casos de tráfico e venda de drogas registou uma subida relativamente maior, pelo que a polícia continuou a promover o aperfeiçoamento das tabelas anexas à ‘Lei de Combate à Droga’ e aprofundou a cooperação na repressão de drogas com os serviços de correios e os sectores de logística e de transporte aéreo, prevenindo de forma rigorosa a entrada de drogas em Macau”, foi relatado.

A nível das violações, o início do ano trouxe uma redução de 10 para sete crimes, uma diferença de cerca de 30 por cento.

Menos burlas

Ao contrário dos crimes violentes e contra pessoas, os relatório mostra que houve menos burlas no primeiro trimestre do ano. As ocorrências daquele que é um dos principais crimes em que os residentes são as vítimas apresentou uma redução de 10,6 por cento, com 496 ocorrências.

No período homólogo o número de crimes tinha sido de 555. “O número de casos de burla que envolvem telecomunicações tem vindo a diminuir, o que reflecte um aumento significativo da consciência dos cidadãos para a prevenção de burla”, foi considerado pelas autoridades. Ao mesmo tempo, foi indicado que um dos factores que conduziu à redução das ocorrências são os esforços de maior promoção sobre os perigos de burlas.

Taxistas bem comportados

No primeiro trimestre do ano, os taxistas cometeram menos irregularidades, com uma redução de 25,7 por cento, de 773 ocorrências até Março de 2025 para 574 irregularidades registadas no primeiro trimestre deste ano.

A maior parte das irregularidades foram classificadas como outras infracções, com um total de 512. Porém, também houve menos casos de recusa de transporte, 54 registos, quando no período homólogo tinham ocorrido 129, e menos cobranças abusivas de tarifas, com 6 registos, quando até Março de 2025 tinha havido 13 ocorrências.

22 Jun 2026

PJ | Menores envolvidos em roubo, agressão e gravações ilícitas

A vítima do ataque é uma menor. Antes do episódio de segunda-feira, tinha havido um desentendimento online num grupo de conversação de Wechat com mais de 100 pessoas

A Polícia Judiciária (PJ) revelou o caso de uma menor que foi agredida, roubada e gravada ilegalmente por outros seis menores. A investigação do caso foi espoletada por vídeos que circularam online, alegadamente gravados pelos menores responsáveis pelas agressões.

Na conferência de imprensa, a PJ revelou que os menores responsáveis pelo bullying são seis, três rapazes e três raparigas, com idades entre os 11 e os 15 anos. A vítima, do sexo feminino, também é menor.

A situação que levou à intervenção da PJ aconteceu na segunda-feira por volta das 18h, quando a vítima e uma amiga passavam por um estabelecimento de comidas e se cruzaram com os seis suspeitos. Nessa altura, segundo a versão das autoridades, o grupo de menores ordenou à vítima e à amiga que entrassem no restaurante. A vítima entrou, mas a amiga abandonou o local, mencionando um motivo pessoal.

Depois, uma das seis crianças exigiu à vítima que pagasse 200 patacas, como custo de portagem por atravessar a rua. Após a recusa, um dos menores pediu a outros três que levassem a vítima para umas escadas ao lado do restaurante, onde aconteceram as primeiras agressões, com murros e pontapés.

Sem conseguirem o pagamento, o grupo levou a vítima para um terraço de um outro edifício, onde se seguiram mais agressões. Durante o segundo ataque, os membros que não estavam envolvidos nas agressões incentivaram os outros e gravaram as cenas.

Após a segunda vaga de ataques, a agredida aceitou fazer a transferência de 200 patacas, através de uma plataforma de pagamentos. Apesar disso, a agressões não ficaram por aí. A PJ indica que mesmo após o pagamento, só depois de mais alguns murros e pontapés é que a vítima conseguiu abandonar o local.

Imagens online

Nos vídeos divulgados online, que se tornaram virais, é possível ver uma menor a agredir a vítima com murros, que se tenta defender, como se estivesse num combate de boxe. Em outro vídeo, pode ver-se o grupo dos menores a aproximarem-se da vítima e a troçarem dela. Esta aparenta estar a ser filmada contra a sua vontade.

A PJ indicou que, após a realização de um exame médico a vítima apresentava múltiplas contusões no corpo. O telemóvel que serviu para gravar o vídeo foi também apreendido.

Face às imagens, a polícia pediu à Direcção de Serviços de Educação de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) que contactasse os pais da vítima, para se deslocarem à esquadra para responder a perguntas e decidirem se queriam apresentar queixa.

A PJ também identificou os alegados agressores, que foram contactados através das escolas que frequentam.

Segundo a investigação, todos os envolvidos no caso conheceram-se online, através de um grupo da aplicação WeChat com mais de uma centena de jovens. Foi nesse grupo de conversa que terá havido um desentendimento anterior, por motivos fúteis, que depois terá levado à situação de segunda-feira.

Os seis membros do grupo são suspeitos da prática de roubo e de ofensa simples à integridade física. Um deles é também suspeito da prática do crime de gravações e fotografias ilícitas. O caso foi remetido para o Ministério Público.

DSEDJ avisa crianças

Após o caso ter sido tornado público, a DSEDJ emitiu um comunicado a indicar que “está a acompanhar com elevada preocupação” o caso. “Assim que tomou conhecimento do incidente, a DSEDJ coordenou-se imediatamente com a escola e as instituições de aconselhamento para prestar um acompanhamento directo aos alunos e encarregados de educação envolvidos, tendo também providenciado a deslocação de conselheiros escolares às autoridades policiais para prestar o devido apoio”, foi comunicado. “A DSEDJ apela aos jovens para que cumpram rigorosamente a lei, ponderem as consequências antes de qualquer acto e nunca desafiem a lei por impulso. Ao mesmo tempo, apela aos pais para que estejam atentos e se preocupem com a vida quotidiana e as amizades dos seus filhos”, foi acrescentado.

Também o deputado José Pereira Coutinho recebeu a família da vítima e defendeu que está na altura de criminalizar o bullying. O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) considerou que há “muitos casos semelhantes” que ficam por ser acompanhados porque as vítimas têm medo e não fazem queixa.

18 Jun 2026

Habitação | Preço médio do metro quadrado acima de 70 mil patacas

Depois de em Abril o preço do imobiliário ter caído para o valor mais baixo desde 2013, Maio trouxe uma ligeira recuperação com o preço médio do metro quadrado a subir para 70.806 patacas

Em Maio, o preço médio do metro quadrado da habitação foi negociado por 70.806 patacas, o que representou um aumento mensal de 17,4 por cento, de acordo com os dados da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Abril o preço médio do metro quadrado tinha sido de 68.000 patacas, o valor mais baixo desde Agosto de 2013.

Em termos dos diferentes mercados do território, o preço médio mais elevado foi registado em Coloane, com um valor de 76.910 metros quadrados. Ainda assim, e ao contrário da tendência global, este mercado apresentou uma redução de 5,4 por cento, dado que em Abril o metro quadrado tinha sido comprado e vendido a uma média de 81.261 patacas.

Nos mercados da Península de Macau e da Taipa, os preços mostraram um aumento mensal. Em Macau, a subida mensal foi de aproximadamente 4,7 por cento de 66.304 patacas para 69.420 patacas. Na Taipa, as casas ficaram mais caras 6,6 por cento, passando de 67.970 patacas para 72.488 patacas.

Quando a comparação dos preços é feita com Maio do ano passado, o crescimento é menos acentuado, na ordem 1,5 por cento. Em Maio de 2025, o preço médio do metro quadrado tinha sido de 69.735 patacas, com preços médios na Península de Macau de 67.386 patacas, na Taipa de 70.934 patacas e em Coloane de 92.184 patacas.

Menos transacções

Os números revelados na terça-feira à tarde pela DSF mostram também que com preços mais caros o mercado registou menos transacções. Em Maio, o número de vendas de habitação registou uma redução mensal anual de 10,4 por cento. As compras e vendas totalizaram assim 303 transacções no último mês, quando em Abril tinham sido 338.

No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 209 transacções, menos 18 do que no período homólogo, quando houve 227 compras e vendas neste mercado. Também em Coloane o número de transacções registou uma redução de 35 compras e vendas, em Abril, para 16 em Maio. No entanto, na Taipa a tendência foi oposta, com o número de transacções a crescer mensalmente de 76 em Abril para 78 em Maio.

Em termos anuais, o número de transacções teve um aumento de 54,6 por cento, de 196 transacções em Maio de 2025 para as 303 transacções de Maio deste ano. No período homólogo tinham sido registadas 209 transacções na Península de Macau, 78 na Taipa e 16 em Coloane.

18 Jun 2026

Quadros qualificados | Kong Chi Meng continua à frente de comissão

Além de manter a confiança no director da DSEDJ como líder da comissão responsável pelo desenvolvimento de talentos, Sam Hou Fai também renovou a nomeação Che Weng Keong como presidente do IPIM

O director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, vai continuar a ser o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), a tempo parcial. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, e a nomeação vai vigorar por um ano.

Esta é a segunda vez que o mandato de Kong como secretário-geral da comissão é renovado, depois de ter sido escolhido para o cargo em Agosto de 2023, por Ho Iat Seng. Durante o próximo ano, Kong vai ter uma remuneração mensal de 28.200 patacas pelo desempenho destas funções, que acumula com o cargo de director da DSEDJ.

Além da renovação do mandato de Kong Chi Meng, Sam Hou Fai também optou por manter Wong Kin Mou como secretário-geral adjunto na CDQQ. As funções são desempenhadas a tempo inteiro. O novo mandato tem a duração de um ano, e segundo a informação publicada no Boletim Oficial, Wong vai receber 79.900 patacas por mês, para o desempenho das funções.

A CDQQ foi criada em 2014, ainda durante o período de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, e tem como funções definir a estratégia de desenvolvimento de quadros qualificados do território, tanto ao nível da formação como de retenção de profissionais.

IPIM sem alterações

Através da edição de ontem do Boletim Oficial foi também revelado que Sam Hou Fai renovou o mandato de Che Weng Keong como presidente do Conselho Administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Che Weng Kong é nomeado no regime de “comissão eventual de serviço”, uma vez que se encontra ligado ao gabinete da secretária para a Economia e Finanças, na condição de assessor. Che foi nomeado para as funções actuais no Verão do ano passado e segundo a renovação do mandato vai manter-se na posição, em condições normais, até 6 de Fevereiro do próximo ano.

O IPIM tem como funções atrair investimento para Macau e apoiar as empresas locais na exploração de novos mercados, assim como promover a indústria de convenções e exposição. Parte destes esforços são virados para o intercâmbio económico com os Países de Língua Portuguesa.

18 Jun 2026

Espaços públicos | Pedidas punições mais duras para infracções

O legislador dos Moradores, Leong Hong Sai, está preocupado com o arremesso de objectos de edifícios altos para a rua e pede que se pondere a criminalização da conduta, mesmo que não haja feridos ou mortos a registar

O deputado Leong Hong Sai, ligado aos Moradores, defendeu a necessidade de o regulamento geral dos espaços públicos prever punições mais pesadas. A posição foi tomada durante uma palestra na União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), realizada na segunda-feira, que visou a discussão do regulamento.

Na perspectiva de Leong Hong Sai, as punições previstas no regulamento para certos comportamentos têm de ser revistas pelo Governo. O deputado explicou que actualmente uma pessoa que atire objectos para a via pública não recebe qualquer punição, a não ser que cause danos ou ferimentos. Também quem atira lixo para a rede de escoamento de águas, que depois pode causar inundações, é multado em 600 patacas, quantia tida como insuficiente.

“Anteriormente, o Governo abordou este assunto e considerou que o valor da multa em 600 patacas não acompanhou o desenvolvimento social nem responde às expectativas da população”, argumentou Leong. “Achamos que a multa deve ser elevada de forma apropriada para conseguir um melhor efeito dissuasor, para evitar que seja mais barato para os comerciantes deitar o lixo na rede de esgotos, em vez de fazerem o tratamento correcto”, acrescentou.

Leong Hong Sai também considerou que a direcção da alteração do regulamento deve ter em conta o grau de perigo criado para o público pelos comportamentos que espera ver penalizados, assim como a reincidência.

Lançamento de objectos

O legislador vincou também que Macau precisa de acompanhar Hong Kong e o Interior da China, onde a conduta de atirar objectos dos edifícios para a rua é considerada um crime e é penalizada com pena de prisão. Leong Hong Sai afirmou que a intenção de criminalizar o comportamento é criar um maior efeito dissuasor, e que a prisão das pessoas deve acontecer, mesmo quando os actos não causem feridos nem mortos.

Sobre este tipo de comportamentos, Leong Hong Sai afirmou ter recebido queixas de vários residentes, principalmente porque é muito difícil identificar os responsáveis pelo arremesso dos objectos para a rua. O legislador defendeu assim um mecanismo de investigação que não privilegie tanto a privacidade, de forma a garantir a segurança pública. “O Governo deve aumentar os mecanismos de videovigilância nos locais onde são registados mais casos de arremesso de objectos para a via pública e onde há maiores riscos para a segurança”, defendeu.

O deputado apontou ainda que os residentes também se queixam que o facto de muitos objectos serem deixados nos espaços comuns dos edifícios, como forma de armazenamento temporária, cria riscos acrescidos e bloqueia caminhos de emergência.

17 Jun 2026

Jogo | Início do mês confirma tendência de redução anual de receitas

Segundo o banco de investimento Citigroup, o Campeonato Mundial é o principal responsável pela menor disponibilidade para apostar em Macau. Com um calendário desportivo recheado, o foco passou das mesas de jogo dos casinos para as partidas de futebol

Nos primeiros 14 dias de Junho, os casinos registaram cerca de 9 mil milhões de patacas em receitas brutas do jogo. O número consta no relatório do banco de investimento Citigroup, divulgado na segunda-feira.

Segundo a instituição, citada pelo portal GGRAsia, a semana que terminou a 14 de Junho registou um abrandamento das apostas para uma média diária de 586 milhões de patacas de receitas. Este valor representa uma redução de 20 por cento face a Maio, quando a média diária das receitas atingiu 729 milhões de patacas.

Os números mais recentes revelam igualmente uma diminuição de 16 por cento em comparação com a primeira semana do próprio mês de Maio, quando as receitas estavam a entrar nos casinos a um ritmo médio de 700 milhões de patacas por dia.

Na perspectiva do Citigroup, este abrandamento das receitas “está provavelmente” ligado ao início do Campeonato Mundial de Futebol, que decorre até 20 de Julho no Canadá, Estados Unidos e México. Para os analistas, as apostas no campeonato estão a reduzir o orçamento que os jogadores normalmente reservam para as mesas do território.

Pela primeira vez o Mundial de futebol conta com a participação de 48 equipas, o que se vai traduzir num total de 104 jogos. Segundo o Citigroup, a expansão do torneio vai ter um impacto maior no jogo de Macau face às edições anteriores, que duravam menos tempo e tinham menos jogos. Como indícios desta tendência, os analistas apontam também que o segmento VIP está a ter maiores problemas para manter os jogadores nas mesas de jogo.

Previsão mantida

No relatório de segunda-feira, e apesar do cenário menos optimista, o Citigroup manteve a previsão das receitas de jogo em 19 mil milhões de patacas, como havia referido anteriormente. Este valor significa uma redução anual de 10 por cento.

Todavia, para que este valor seja efectivamente alcançado, os analistas estimam que as receitas médias diárias do jogo a partir de 15 de Junho têm de atingir os 625 milhões de patacas.

Este valor não é tido como inalcançável devido à realização de mais espectáculos nas propriedades das concessionárias na segunda metade deste mês, que se espera que contribua para um maior número de visitantes e apostadores.

O banco de investimento destaca em particular os espectáculos de Keung To, estrela de Hong Kong, membro do grupo Mirror, no Galaxy Arena, e Wakin Chau, cantor de Taiwan, com o espectáculo a ser organizado pela Sands China na Arena Londoner. “Acreditamos que estes espectáculos podem ajudar a atenuar o potencial da quebra das receitas brutas do jogo”, foi indicado.

17 Jun 2026

EPM | Financiamento de Portugal aprovado, mas ainda não chegou

A poucos dias do fim do ano lectivo, a EPM ainda não terá recebido o dinheiro atribuído pelo Governo de Portugal. O montante ronda 1,12 milhões de euros, inferior aos 1,5 milhões de euros pretendidos

A semanas do fim do ano lectivo, o financiamento do Governo português à Escola Portuguesa de Macau (EPM) ainda está por ser recebido. A revelação foi feita pelo Canal Macau da TDM, após a autorização para libertar as verbas ter sido aprovada a 8 de Junho.

Segundo a televisão pública, o financiamento para o ano lectivo de 2025/2026 foi aprovado a 8 de Junho, nas vésperas do ministro da Educação, Fernando Alexandre, viajar para Macau, onde participou nas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

No entanto, o dinheiro ainda não terá entrada nas contas da instituição de ensino, que este ano serviu como lugar da tradicional recepção do cônsul à comunidade portuguesa. Pelo menos desde o mandato de Vítor Sereno como cônsul-geral de Portugal em Macau que a recepção era realizada na residência oficial consular.

Além disso, aponta a mesma fonte que o valor que vai ser recebido é inferior em 300 mil euros (2,8 milhões patacas) ao pedido pela Fundação da Escola Portuguesa às autoridades portuguesas, em Novembro do ano passado. O valor do financiamento será assim de cerca de 1,12 milhões de euros (10,4 milhões de patacas).

Sobe e desce

No ano passado, depois de ter sido anunciado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante uma visita a Macau, o apoio do Estado português à EPM aumentou para 1,12 milhões de euros. De acordo com a TDM, em 2012 os 1,12 milhões de euros encolheram para 810 mil euros (7,6 milhões de patacas) e no ano seguinte sofreram novo corte para 766 mil euros (7,2 milhões de patacas).

As notícias sobre o financiamento da EPM surgem depois de na semana passada o ministro da Educação ter anunciado, durante a visita em Macau, que o director da EPM está a caminho da Escola Portuguesa de Luanda. A revelação apanhou de surpresa o Conselho de Administração da Escola Portuguesa de Macau, que semanas antes tinha votado a continuidade de Acácio Brito, numa decisão que não foi consensual.

O nome do sucessor ainda não é conhecido, mas existe a possibilidade de o escolhido ser João Miguel Gonçalves. Na viagem a Macau, Fernando Alexandre recusou comentar esta possibilidade.

16 Jun 2026

Conselho das Comunidades | Renovação das associações é prioridade

A partir de Agosto, o Conselho das Comunidades Portuguesas vai promover reuniões quinzenais presenciais e online para abordar vários assuntos e ouvir directamente as pessoas

O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas na China, Rui Marcelo, identificou como principais desafios para a comunidade questões como os “atrasos” nos processos de nacionalidade e registos, a preservação da língua e a necessidade de renovar as associações. Os assuntos foram identificados no âmbito de um seminário com o nome “Raízes e Rumo: Fortalecer o Presente, Construir o Futuro”, realizado no sábado, na sede do Instituto Internacional de Macau.

Segundo um comunicado sobre o evento, Rui Marcelo fez um balanço do actual mandato, que começou em 2024, e apontou como desafios “prioritários” para a comunidade “os atrasos em processos de nacionalidade e registos”, “a necessidade de preservar a língua portuguesa entre jovens e luso-descendentes” e ainda a “urgente necessidade de renovação geracional no associativismo”.

Os problemas foram indicados após uma sessão de abertura que contou com um discurso por vídeo do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e com a presença do cônsul de Portugal em Macau, Alexandre Leitão.

De acordo com a informação oficial, foi também anunciado que a partir de Agosto o Conselho das Comunidades Portuguesas vai começar a realizar reuniões quinzenais com os membros da comunidade. Estes encontros vão ser feitos em “formato presencial” e “por videoconferência” e abordar “questões consulares, sociais, educativas, fiscais e associativas”, decorrendo “numa lógica de escuta activa e apoio personalizado” à comunidade.

Balanço e Contas

Rui Marcelo apresentou também um balanço do actual mandato dos conselheiros e sublinhou os esforços de “consolidação institucional” e “reforço da representação junto das autoridades portuguesas e locais”, assim como o maior “apoio consular, social e educativo” principalmente ao nível do “acompanhamento de aposentados e pensionistas” e “em processos de nacionalidade e registos”.

O conselheiro destacou ainda as iniciativas de “promoção da língua e cultura portuguesas, através de seminários, celebrações do Dia de Portugal e participação em eventos culturais” e a “cooperação institucional com entidades como o AICEP, o IPOR, o Consulado-Geral e associações de matriz portuguesa”.

O evento contou com a colaboração do Instituto Internacional de Macau, da Associação dos Jovens Macaenses, do Conselho das Comunidades Macaenses, e com o apoio da Casa de Portugal em Macau, da Associação dos Macaenses e da Associação dos Estudos da Cultura Macaense.

15 Jun 2026

Polícia | Pedida supervisão mais eficaz após caso de prostituição

Song Pei Kei sugeriu a criação de mecanismos mais eficazes de controlo das polícias, para evitar que pessoas em posições de poder utilizem os cargos para cometer ilegalidades. Johnson Ian critica as autoridades pela dualidade de critérios na divulgação de informações

A deputada Song Pek Kei defendeu a introdução de “melhorias” no mecanismo de supervisão das polícias, após ter sido revelado que o 2º Comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foi um dos principais suspeitos envolvidos numa rede de prostituição desmantelada. O pedido consta de uma interpelação escrita da deputada ligada à comunidade de Fujian.

A deputada elogiou as autoridades por conseguirem indiciar os vários arguidos, em de uma investigação que alegadamente terá durado sete anos. Todavia, para Song Pek Kei, esta situação também mostra que é necessário melhorar a supervisão das polícias e fazer uma revisão do mecanismo de fiscalização existentes.

Na perspectiva da legisladora, o actual mecanismo disciplinar dentro das polícias também é insuficiente porque a única forma de lidar com os casos é a penalização ou reparação da situação criadas, depois de serem detectadas as potenciais ilegalidades. Song acredita que esta forma de actuar mostra uma “lacuna estrutural” e que as autoridades deviam ter outras formas de controlar as polícias.

Neste sentido, Song Pek Kei quer saber como vai o Governo criar um sistema nas polícias mais eficaz de “avaliação de riscos” das condutas dos agentes, um “sistema regular de rotação de funções” e um mecanismo de auditorias frequentes para “evitar o abuso de poder” pelos agentes em posições de chefias.

Críticas abrangentes

Song Pek Kei não foi a única a criticar os mecanismos de controlo das políticas. Também o ex-candidato à Assembleia Legislativa, Johnson Ian, censurou o Governo pelo que considerou a falta transparência na divulgação da identidade das chefias envolvidas no caso.

Numa coluna de opinião publicada no jornal Son Pou, o também ex-jornalista recordou que na primeira conferência de imprensa sobre o caso, a polícia apenas indicou que estavam envolvidos na rede de prostituição três agentes do CPSP e dois agentes reformados da Polícia Judiciária.

Segundo Ian, a transparência exigia que desde o primeiro momento houvesse mais informação sobre os nomes, posição na hierarquia dos envolvidos, assim como a idade.

Johnson Ian apontou ainda que a falta de informação nas comunicações das autoridades não impediu que algumas pessoas identificassem os envolvidos, como aconteceu em publicações nas redes sociais, associações locais e até entre jornalistas.

O cronista referiu também que alguns internautas conseguiram reconhecer o 2º comandante do CPSP, Leong Heng Hong, devido às roupas que utilizaram na altura em que foi transportado para o Ministério Público, antes de haver confirmação sobre os envolvidos.

Outros Casos

Johnson Ian argumentou ainda que noutros casos mediáticos, como os que envolveram Ao Man Long, Ho Chio Meng e Kong Chi, as identidades foram reveladas. Porém, desta vez os procedimentos foram diferentes, o que no seu entender apenas contribuiu para haver mais danos à credibilidade.

No início do mês, a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas. Entre os detidos está Leong Heng Hong, 2º comandante do CPSP.

15 Jun 2026

EPM | João Gonçalves apontado como sucessor de Acácio de Brito

Depois do anúncio de que Acácio de Brito estará de partida para Luanda, João Miguel Gonçalves foi apontado como o único nome em cima da mesa, até ao momento, para dirigir a Escola Portuguesa de Macau. O Ministro da Educação português salientou que a decisão cabe ao conselho de administração da Fundação da EPM

Com Acácio de Brito de saída da direcção da Escola Portuguesa de Macau (EPM), para liderar a Escola Portuguesa de Luanda, o primeiro nome a ser avançado pelo Canal Macau da TDM como possibilidade para dirigir a EPM é João Miguel Gonçalves, director-geral dos Estabelecimentos Escolares de Portugal até ao próximo dia 1 de Julho.

Um despacho do gabinete do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, publicado na segunda-feira no Diário da República declara a extinção da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, liderada desde 2020 por João Miguel Gonçalves.

Na quarta-feira, à margem das comemorações na RAEM do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o ministro Fernando Alexandre não comentou a possibilidade de João Miguel Gonçalves vir a substituir Acácio de Brito à frente da EPM, vincando que a decisão teria de caber ao conselho de administração da Fundação Escola Portuguesa de Macau.

A Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares foi apenas um dos dominós que caíram no rol de extinções de organismos públicos de ensino público português, numa reestruturação anunciado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

A reestruturação aprovada em Conselho de Ministros há sensivelmente um ano, foi justificada com a necessidade de reformar uma “estrutura anacrónica”, fragmentada em termos organizacionais, com sistemas de informação desintegrados e governação desarticulada.

Cartão de apresentação

João Miguel Gonçalves é director-geral dos Estabelecimentos Escolares desde Junho de 2020, desde de ter sido delegado regional de educação do norte da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, entre Outubro de 2018 e Maio de 2020. Antes disso, dirigiu a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses desde Julho de 2013.

Em termos académicos, João Gonçalves também tem um vasto currículo, com destaque para a licenciatura em Filosofia – Ramo Educacional, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e ter frequentado o Curso Avançado em Gestão Pública, pelo ISCTE, e o Programa de Formação em Gestão Pública, pela Universidade do Minho.

Segundo informação divulgada num portal da Direcção-Geral da Educação, João Miguel Gonçalves é também licenciado em Canto Teatral pela Conservatório Superior de Música de Gaia, e tem “uma carreira como cantor lírico, com trabalhos realizados em Portugal e no estrangeiro”.

12 Jun 2026

Veteranos | Associação faz torneio de homenagem a Dédé

Depois de quase 40 anos em Macau a jogar futebol, José Cruz, mas conhecido como Dédé, está de regresso a Portugal. Mas, antes, vai ser homenageado pela sua carreira, forma de estar e importância para a modalidade no território

Após 40 anos a viver em Macau, José Cruz, mais conhecido como Dédé, vai regressar a Portugal para prosseguir a carreira profissional. No entanto, a marca deixada no futebol local levou a Associação dos Veteranos do Futebol de Macau a realizar um torneio de futebol para homenagear aquele que é um dos membros fundadores.

A iniciativa vai decorrer amanhã, no Campo D. Bosco, a partir das 17h, e foi explicada pelo fundador e ex-presidente da associação, Francisco Manhão, com a popularidade do português no futebol local.

“O Dédé vai regressar em definitivo a Portugal, mas ele contribuiu para o futebol de Macau, jogou durante muitos anos na primeira divisão, terá sido o jogador que passou por mais equipas no futebol local e que mais jogos realizou”, justificou Manhão, ao HM.

Após a abertura das inscrições para o evento foram reunidas quase de pronto 30 inscrições. Segundo o responsável pelo torneio, este facto mostra a importância do jogador e ex-funcionário público local. “Só mostra que o Dédé é muito popular no círculo do futebol de Macau, mas também em todas as comunidades”, vincou. “Ele é muito boa pessoa, muito simpático e, como costumo dizer, não faz mal a ninguém, por isso as pessoas gostam muito dele. Por isso, decidimos fazer esta homenagem para estar mais uma vez com ele, uma presença que valorizamos muito. É uma homenagem muito merecida”, acrescentou.

Percurso longo

Dédé admitiu estar “muito feliz e honrado” com a homenagem, que destacou ser a primeira feita a uma pessoa em vida pela Associação dos Veteranos do Futebol de Macau.

O atleta de 65 anos foi um dos membros fundadores da associação em 1999: “É um torneio que mostra o reconhecimento da associação pela minha dedicação ao grupo, personalidade, interesse e maneira de estar na associação”, disse ao HM. “É uma homenagem que tem a ver com a minha saída de Macau, mas é apenas uma saída física. Vou estar sempre disponível para continuar a contribuir para a associação no que conseguir e não me vou desligar”, prometeu.

Chegado a Macau em 1989 para jogar futebol, na altura como ponta-de-lança, Dédé representou clubes como o Sporting de Macau, Casa do Futebol Clube do Porto, Monte Carlo, Negro Rubro e até a formação do Consulado de Macau, no projecto liderado pelo cônsul Vítor Sereno. O percurso, que vai continuar em Portugal, não se limitou ao futebol de 11 também incluiu jogos de futsal, Bolinha e vários troféus. Contudo, com o passar dos anos, Dédé foi recuando no terreno, até chegar a defesa.

“Joguei em muitas equipas, algumas com nomes mais relevantes, mas também é natural porque as pessoas procuram jogadores versáteis, que conseguem desempenhar várias funções em campo. Além disso, como viram que eu era uma pessoa com quem conseguiam lidar facilmente, que não queria quezílias, isso fortaleceu a minha vida desportiva”, comentou sobre o percurso.

“Também é natural que uma pessoa que vive quase 40 anos em Macau tenha jogado futebol de salão, futebol de 11, Bolinha e jogos de amizade. E mesmo sem se querer, ou planear, acaba-se por mudar de equipa, por razões pessoais, e também monetárias, mais no início da vida em Macau, embora eu não tenha propriamente jogado por dinheiro”, partilha Dédé sobre o percurso. “Aliás, acho que o facto de eu não jogar por dinheiro, porque consegui uma vida estável como escrivão nos tribunais, permitiu-me encarar o futebol pelo meu bem-estar, por me sentir melhor. Esta minha postura levou a que fosse reconhecido, fizesse mais amigos e posso dizer que estou muito bem integrado em Macau, em todas as comunidades, seja a chinesa, a portuguesa, a tailandesa ou filipina”, apontou.

Saudades a bater

Com o aproximar da despedida do território, o funcionário público e futebolista admite que já sente muitas saudades de Macau, um território onde afirma que foi muito bem tratado e que sente como porto de abrigo.

“Ainda não me fui embora e já estou cheio de saudades. São quase 40 anos de Macau e como estou com 65 anos posso dizer que foram anos que me construíram muito como homem”, reconhece Dédé. “Macau para mim é um porto de abrigo e quero voltar frequentemente. Não tenho aqui família de sangue, mas tenho uma família de adopção muito grande. Aliás, esta família adoptiva é tão grande, que tenho antes de considerar que é uma população adoptada, não é só um povo nem uma família. Estou completamente identificado com Macau”, confessou.

12 Jun 2026

Estudo | Dois terços dos alunos de cursos de saúde sofrem de depressão

Um estudo académico da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, procurou ligações entre depressão, insónias e utilização da internet. Macau apresentou resultados negativos que se destacaram de outras regiões

Cerca de 68,8 por cento dos estudantes de cursos superiores na área da saúde em Macau afirmam sofrer de depressão. O resultado consta de um estudo elaborado por académicos da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou com o título “A utilização problemática da Internet e a depressão entre estudantes de ciências da saúde em Macau: o papel mediador da insónia”.

Segundo o trabalho, que foi disponibilizado a 6 de Junho numa versão preliminar, os académicos realizaram 264 questionários a estudantes de instituições locais, entre Janeiro e Fevereiro de 2025. Entre os inquiridos, 68,8 por cento, cerca de 182, consideraram sofrer de depressão. O trabalho aponta também que entre os 264 estudantes, 40,2 por cento reconhecia sofrer de depressão ligeira, 18,6 por cento de depressão moderada, 6,4 por cento de depressão acentuada e 3,4 por cento de depressão grave.

Como parte das conclusões, os autores reconhecem que os valores em Macau são superiores aos de outros locais: “No total, 68,8 por cento dos estudantes da área da saúde incluídos neste estudo referiram sofrer de depressão, uma prevalência substancialmente superior à registada entre os estudantes de áreas da saúde na Arábia Saudita (32,2 por cento)”, foi indicado. “Vários estudos também relataram taxas elevadas de depressão em grupos específicos de alunos nas áreas da saúde, incluindo enfermagem (34,0 por cento), medicina laboratorial (51,4 por cento) e farmácia (35,1 por cento). No entanto, todas estas taxas continuam a ser inferiores aos nossos resultados”, foi constatado.

Episódios anteriores

Durante a investigação, os académicos procuraram a ligação entre a insónia, depressão e a utilização incorrecta da internet. Este último termo, que veio substituir o conceito de vício da internet, é utilizado para definir uma condição de mal-estar psicológico quando não se consegue aceder à internet ou se está offline.

Mais uma vez, os resultados registados em Macau aparentam superar a situação de outros locais. “Neste estudo, cerca de 70 por cento dos estudantes da área da saúde em Macau preencheram os critérios para o uso problemático da Internet”, foi revelado. “Estudos anteriores estimam que a incidência do uso problemático da Internet se situe entre 4 por cento e 51 por cento entre os estudantes universitários”, foi apontado.

No estudo é também indicado que a pandemia da covid-19 pode ter contribuído para uma maior utilização incorrecta da internet entre os alunos, dado que durante alguns anos as aulas passaram a ser online, o que obrigou as pessoas a passarem mais tempo ligados à Internet.

Os autores do estudo são Lei Zeng, da Universidade de Sun Yat-sen, e Chong Wai Sin, Bernice Nogueira, Ngan Ka U, Luo Zhimin, Gao Lingling, Yuan Haobin, Man Chan Yok e Meng Lirong, todos da Universidade Politécnica de Macau.

11 Jun 2026

Casinos | DICJ rejeita qualquer tipo de batota

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos alerta a população para não acreditar em publicações que anunciam “reembolsos” nos casinos de Macau, depois de serem apresentadas queixas por batota

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio mais uma vez negar a existência de batota com as máquinas que baralham as cartas nos casinos e alerta para possíveis burlas. A mensagem foi deixada através de um comunicado e visa combater campanhas recentes de desinformação lançadas nas redes sociais chinesas.

De acordo com o comunicado, “ultimamente” têm “surgido continuamente várias mensagens não confirmadas” sobre pessoas que alegam terem sido reembolsados pelos casinos, depois de terem sido enganadas no jogo. A DICJ aponta também que neste tipo de mensagens há pessoas a apresentarem-se como vítimas de batota e a aconselhar os clientes dos casinos em Macau a “contactarem determinados indivíduos em busca de ajuda” para serem reembolsadas.

“Uma vez que tais mensagens podem até envolver burla, apela-se ao público para não acreditar nem partilhar informações não confirmadas, e que tenha cuidado para não ser enganado”, pede a DICJ.

Na semana passada, surgiram publicações, na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, que acusavam os casinos de batota, ao manipularem as máquinas para baralharem as cartas. Segundo as mensagens, as caixas que baralham as cartas seriam manipuladas por alguém que está nas mesas de jogo, de forma a alterar a distribuição e atribuir uma mão mais fraca aos jogadores.

Controlo rigoroso

No comunicado de ontem, as autoridades voltam a insistir que todo o equipamento é inspeccionado, para não permitir qualquer manipulação do jogo por parte dos casinos.

“Todo o equipamento de jogo em funcionamento nos casinos de Macau está sujeito a uma regulamentação rigorosa, devendo cumprir as leis, as normas técnicas e os requisitos de segurança. Todo o equipamento de jogo electrónico deve ser submetido a testes por entidades independentes, acreditadas pela DICJ, e só pode entrar em funcionamento após análise e autorização”, foi comunicado. “A DICJ realiza também inspecções regulares e surpresa para verificar no local as versões dos softwares dos equipamentos, a integridade dos selos e os mecanismos de geração de números aleatórios, entre outros, garantindo assim a conformidade contínua. Recentemente, não foram detectadas quaisquer anomalias ou situações de incumprimento nos equipamentos”, foi acrescentado.

A DICJ também “avisa” que “todas as controvérsias relacionadas com o jogo devem ser comunicadas através de canais oficiais” e que em todos os casinos há “inspectores” que investigam as queixas “em tempo real”. “Caso suspeite de ter sido vítima de burla, deve interromper imediatamente a transacção e apresentar queixa junto da Polícia Judiciária o mais rapidamente possível”, foi aconselhado.

11 Jun 2026

FM | Governo aposta na continuidade de Wu Zhiliang

Além do actual presidente da Fundação Macau, Sam Hou Fai manteve os nomes ligados às comunidades portuguesa e macaense, ao renovar os mandatos de Carlos Marreiros, André Ritchie e Cristina Neto Valente

Wu Zhiliang vai cumprir o 16.º ano como presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau (FM). A renovação do mandato foi anunciada ontem, através de um despacho de Sam Hou Fai publicado pelo Boletim Oficial.

O presidente da FM vai manter um salário de cerca de 103.400 patacas por mês, como aconteceu nos anos anteriores. Ao mesmo tempo, também o mandato de Zhong Yi Seabra de Mascarenhas, vice-presidente do Conselho de Administração, foi renovado. A dirigente mantém o salário de cerca e 90.240 patacas por mês, como aconteceu na renovação do mandato do ano passado.

Zhong Yi Seabra de Mascarenhas desempenha o cargo de vice-presidente na instituição responsável por grande parte do financiamento para as associações desde 2016, pelo que está prestes a cumprir 11 anos neste cargo. Tanto no caso de Wu Zhiliang, como de Zhong Yi Seabra de Mascarenhas, os novos mandatos têm a duração de um ano, como tradicionalmente acontece para as nomeações para a Fundação Macau.

O Conselho Fiscal da Fundação Macau continua igualmente sem alterações, com Vong Hin Fai o presidente da Associação dos Advogados de Macau, manter-se presidente, com uma remuneração de 19.740 patacas por mês. A continuidade abrange igualmente os outros membros Ho Mei Va e Lau Veng Lin, que vão receber mensalmente 16.450 patacas por mês.

Grupo de elite

Em relação ao Conselho de Curadores, o Chefe do Executivo optou igualmente por manter tudo na mesma, depois de no ano passado ter realizado alguns ajustes. Os mandatos do arquitecto de Carlos Marreiros, da advogada Cristina Neto Valente e do arquitecto André Ritchie foram renovados por um ano.

Ng Siu Lai, presidente da Associações dos Moradores de Macau, Iong Weng Ian, ligada à Associação das Mulheres, a empresária Angela Leong, e os ex-deputados Chan Meng Kam, Chan Hong e Chan Wa Keong são igualmente mantidos neste órgão.

Os mandados de Mok Chi Wai, presidente da Federação da Juventude de Macau, Ma Chi Wa, empresário e Liu Cai Seng, administrador do Banco de Desenvolvimento de Macau, assim como Lao Ion Fai, vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, também foram renovados pelo prazo de um ano.

O Conselho de Curadores da FM tem como objectivos garantir a manutenção dos fins da fundação, apreciar o plano de actividades, o relatório de exercício, o orçamento para o ano seguinte e o relatório financeiro relativo ao ano anterior. Além destas funções, tem ainda competência para aprovar a concessão de apoios financeiros de valor superior a um milhão de patacas.

11 Jun 2026

Jogo | Receitas com ritmo “sólido” em Junho, mas Mundial terá impacto

O banco UBS acredita que as receitas do jogo deste mês vão sofrer uma redução anual, dado o valor elevado de Junho de 2025, mas também porque é estimado que muito do dinheiro que iria parar às mesas dos casinos seja canalizado para apostas no Mundial de Futebol

Na primeira semana de Junho, as receitas brutas dos casinos atingiram um montante “sólido”, mas espera-se que o Campeonato Mundial de Futebol tenha um impacto negativo, devido às apostas nos jogos. O cenário foi traçado pelo banco de investimento UBS, através de um relatório citado pelo portal GGRAsia.

Segundo os dados avançados pelos analistas, com base nas verificações feitas nas mesas de jogo de Macau, até 7 de Junho as receitas médias diárias foram de 700 milhões de patacas, um valor que não apresentou alterações em comparação com os dados de Junho do ano passado. Nesse mês as receitas brutas nos casinos de Macau atingiram 21,1 mil milhões de patacas.

No entanto, até ao final deste mês espera-se uma redução das receitas, por causa do Campeonato Mundial de Futebol e também pelo facto de as receitas do ano passado terem sido elevadas.

No cenário actual, os analistas explicam que os casinos precisam de gerar 695 milhões de patacas por dia ao longo de todo o mês para que a redução face ao período homólogo fosse apenas de 1 por cento. Para atingir esse valor negativo era necessário que nos 23 dias do mês que não foram contabilizados no relatório da UBS, as receitas médias diárias fossem de 694 milhões de patacas.

O banco de investimento não acredita que essa média seja alcançável: “A realização do próximo Campeonato Mundial de Futebol (entre 11 de Junho e 19 e Julho) e o efeito de base elevada de comparação anual vão provavelmente conduzir a uma ligeira queda homóloga nas receias brutas em Junho e em Julho”, é previsto.

Queda mensal

Em termos mensais, as receitas entre Maio e Junho apresentam igualmente uma redução: “Entre os segmentos, a receita diária média no mercado de massas apresentou uma descida entre 3 por cento e 5 por cento face ao mês anterior. O volume médio diário das receitas do segmento VIP registou uma descida de cerca de 5 por cento a 8 por cento, em relação ao mês anterior, com a taxa de retenção do segmento VIP a situar-se entre cerca de 2,9 por cento e 3,1 por cento”, foi revelado.

A diferença do mercado, tendo em conta todos os segmentos, é quatro por cento. No entanto, os analistas consideram que os números de Maio foram bastante elevados, quando as receitas atingiram 22,6 mil milhões de patacas.

Apesar da redução, a UBS destaca que a diferença entre Maio e Junho é inferior este ano em relação ao que se verificava antes da pandemia, e principalmente entre 2015 e 2019. Nesses anos, as receitas de Junho costumavam apresentar uma redução média mensal de 9 por cento.

10 Jun 2026

Preços | Fornecedores admitem subida de bens essenciais

O aumento dos custos do combustível e a valorização do renminbi face ao dólar americano está a fazer com que bens essenciais como vegetais e ovos vindos do Interior cheguem com preços mais altos a Macau. O cenário é mais grave nas importações internacionais

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, reconheceu que os bens alimentares estão mais caros, embora a subida seja considerada dentro de níveis aceitáveis. As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun, num artigo em que é abordada a inflação dos produtos alimentares.

Segundo Ip Sio Man os bens alimentares estão mais caros, principalmente em produtos como a carne de frango, porco, mariscos, frutas, vegetais e ovos. Estes aumentos são explicados com o facto de grande parte destes produtos serem importados do Interior, numa altura em que o renminbi está num período de valorização face ao dólar americano e ao dólar de Hong Kong e à pataca.

Ao mesmo tempo, estes produtos têm de ser transportados para Macau, o que também está a contribuir para este aumento devido aos preços dos combustíveis.

Ip Sio Man explicou que os maiores aumentos de preços têm acontecido ao nível dos ovos, embora tenha considerado que a subida “não foi significativa” e que “não representa um encargo grande nas despesas diárias dos residentes”.

De fora é pior

Quando os produtos são importados do estrangeiro, o cenário também é de subida, e neste caso de forma mais signifcativa.

Segundo os números apontados no jornal Ou Mun, o preço da viagem de um contentor para o transporte de produtos congelados entre os Estados Unidos e a Ásia mais do que duplicou. Anteriormente, o transporte de um contentor custava cerca de 10 mil patacas, mas nos últimos tempos subiu para valores entre 20 mil e 30 mil patacas.

Esta diferença faz com que os produtos de mercados como a Europa, Estados Unidos, América do Sul e Sudeste Asiáticos estejam cada vez mais caros e de forma acentuada para os importadores. Contudo, face a esta situação, Ip Sio Man explicou que os importadores estão a absorver grande parte dos aumentos, passando apenas uma pequena parte do aumento para os consumidores.

O artigo do jornal local com maior número de leitores cita também um importador anónimo a explicar que muitas vezes os produtos que vêm para Macau do Interior sofrem flutuações diferentes, porque nem sempre são pagos em renminbis, mas em dólares americanos ou dólares de Hong Kong. Ainda assim, indica que o principal desafio para a economia local não é o aumento dos preços, mas antes o facto de cada vez mais residentes consumirem no outro lado da fronteira.

10 Jun 2026