DSEDJ quer que escolas contratem professores de português locais

O director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, considera que as escolas devem contratar residentes locais para leccionar língua portuguesa. Foi desta forma que o responsável reagiu ao impacto das restrições na emissão de autorizações de residência no que toca à contratação de docentes de língua portuguesa.

“Se as escolas querem leccionar a língua portuguesa e se precisam de professores de língua portuguesa, elas têm quadros qualificados aqui em Macau”, afirmou Kong Chi Meng, citado pela Rádio Macau, à margem das celebrações do Dia do Estabelecimento da República Popular da China.

“Os [quadros qualificados] podem candidatar-se na Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais e, de acordo com as necessidades das escolas, vamos continuar estes trabalhos para que as escolas tenham sucesso no ensino da língua portuguesa”, acrescentou.

O ensino do português em Macau foi um dos temas da reunião da Subcomissão Mista Portugal-Macau de Língua Portuguesa e Educação. O encontro teve lugar no início de Setembro e Kong Chi Meng foi um dos representantes do Governo da RAEM.

Desenvolver o português

Segundo a posição do Governo da RAEM, o desenvolvimento da língua portuguesa é um dos objectivo e, para isso, será dada prioridade à geminação de unidades de ensino com estabelecimentos em Portugal.

“Fizemos uma reunião preparatória com a parte portuguesa focada no âmbito da língua portuguesa. Vamos ter geminação de escolas. Queremos desenvolver o ensino da língua portuguesa e lançámos programas para promover, junto das escolas, o ensino da língua portuguesa e a geminação de escolas”, declarou.

Estas medidas são vistas como uma forma de criar mais oportunidades para leccionar português em Macau, mas também para promover o ensino do mandarim em Portugal. A reunião da Subcomissão Mista Portugal-Macau de Língua Portuguesa teve como objectivo preparar a futura Comissão Mista Portugal-RAEM, que não se realiza há sete anos.

5 Out 2026

Trânsito | Colisão entre motas causa oitava vítima mortal deste ano

Com a morte do jovem de 20 anos, o número de acidentes fatais este ano já ultrapassou o registo total do ano passado, com oito vítimas. A Ponte da Amizade é o local com mais acidentes da RAEM

 

Um jovem com cerca de 20 anos perdeu a vida no sábado, depois de ter estado envolvido numa colisão entre duas motas na Ponte da Amizade. O sinistro aconteceu por volta das 19h, e a morte faz com que até sábado o número de vítimas mortais nas estradas do território em 2026 ultrapasse o registo total do ano passado.

Até ontem, as causas do acidente ainda estavam a ser investigadas pelas autoridades, mas a colisão foi registada ao final da tarde, quando as motas circulavam no sentido da Taipa para Macau, junto à berma da faixa de rodagem.

Quando os bombeiros e a polícia chegaram ao local, o jovem de 20 anos apresentava ferimentos graves, como hemorragias no nariz e na boca, uma laceração no lado esquerdo da testa, escoriações no joelho esquerdo e contusão no ombro esquerdo. Além disso, foi encontrado pelas autoridades sem respiração nem batimentos cardíacos. O jovem foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde o óbito foi declarado pelas 20h16.

A polícia esteve no local a recolher provas do acidente e obteve as imagens das câmaras de vigilância instaladas na ponte. No entanto, ontem, a causa exacta do acidente ainda continuava sob investigação.
As autoridades pediram ainda a eventuais testemunhas da colisão que se apresentem para prestar declarações e auxiliar na investigação.

Zona perigosa

De acordo com os dados mais recentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública, entre Janeiro e Agosto deste ano houve um total de 9.277 acidentes, o que representou uma redução de 5,75 por cento face ao período homólogo.

Apesar da redução do número de acidentes, o número de vítimas mortais nas estradas tem vindo a aumentar. No ano passado, houve um total de sete vítimas mortais devido a acidentes de trânsito, com quatro mortes a serem registadas até Agosto. Contudo, este ano o número de vítimas mortais até Agosto foi de sete. Além disso, a morte de sábado fez subir o registo de mortes para oito, quando ainda faltam cerca de três meses para o fim do ano.

Segundo os dados disponibilizados pelo CPSP, que se iniciam em 2009, o ano com maior número de mortes nas estradas foi 2013 com um total de 19 óbitos.

Além disso, a morte de sábado aconteceu naquele que é o local mais perigoso do trânsito de Macau. No primeiro semestre deste ano, registaram-se 6.941 acidentes de trânsito em todo o território. A estrada com maior número de acidentes foi a Ponte da Amizade, com um total de 181 colisões, seguida pela Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues (170 casos), Estrada do Istmo no Cotai (142 casos), Avenida de Wai Long na Taipa (133 casos) e Ponte de Sai Van (129 casos).

5 Out 2026

Metro Ligeiro | Governo defende adjudicação directa

O Executivo defendeu a opção de adjudicar directamente à empresa Hangzhou Golong a substituição dos torniquetes de acesso ao Metro Ligeiro devido à incapacidade da Mitsubishi de instalar equipamentos que aceitem “as plataformas de pagamento electrónico amplamente utilizadas”.

A posição consta da resposta a uma interpelação do deputado Pereira Coutinho, assinada pelo director dos Serviços de Obras Públicas, Lam Wai Hou. Na interpelação, Coutinho contestava a adjudicação directa, por considerar que a empresa escolhida não tem experiência nesta área.

Ao mesmo tempo, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau apontou que havia outras empresas para fornecer o serviço, como a China Railway Electrification Bureau Group e a Founder International Software (Beijing).

Lam Wai Hou defendeu ainda a opção, por considerar que a Hangzhou Golong tem parcerias com as principais fornecedoras de pagamentos electrónicos do Interior da China e Macau.

5 Out 2026

Jogo | Alerta para impacto de controlo de investimentos no Interior

A CreditSights acredita que a fiscalização de Pequim a investimentos no exterior pode sentir-se em Macau. Os analistas alertam para a possível redução de grandes apostadores, sem prejuízo de dificuldades em mobilizar capitais

A política de fiscalização no Interior da China a investimentos feitos no exterior pode ser um novo obstáculo à expansão das receitas do jogo. O cenário foi traçado pela empresa de investigação de mercado e crédito CreditSights Inc, num relatório citado pelo portal GGRAsia.

Segundo o documento elaborado pelos analistas Nicholas Chen e David Bussey, a fiscalização mais apertada deverá ter como “efeito secundário” a menor vontade de os grandes apostadores se deslocarem a Macau para jogar.

Desde 24 de Julho que as autoridades centrais impuseram um imposto sobre os activos colocados por residentes fiscais singulares chineses em fundos offshore e sobre os rendimentos gerados por esses activos.

Na perspectiva da CreditSights Inc, não se deve esperar um efeito directo desta política ligado a uma maior dificuldade em mobilizar o dinheiro do Interior para Macau, porque “os canais de financiamento do jogo em Macau já estão sujeitos a controlos rigorosos”.

Apesar desta abordagem, os analistas colocam a hipótese do controlo já ter “pesado no sentimento dos apostadores” em Agosto. Nesse mês, as receitas brutas do jogo apresentaram uma redução anual de 1,2 por cento para 21,89 mil milhões de patacas, de acordo com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. Os números ficaram abaixo do consenso dos mercados que apontava para um crescimento anual das receitas de 1 por cento.

Ajuda dos concertos

Apesar de apontarem os riscos negativos para o sector, os analistas da CreditSights acreditam que a procura pelo jogo pode encontrar um alicerce na segunda metade do ano, com a realização de espectáculos musicais para grandes audiências.

Nicholas Chen e David Bussey apontam que os espectáculos da banda ITZY, Donghae, Henry Lau e i-dle podem trazer mais jogadores ao território. No relatório, a empresa de crédito indica que apesar do eventual impacto indirecto, as receitas devem atingir as previsões do orçamento da RAEM, que estima um total de 236 mil milhões de patacas. No documento é indicado que 72 por cento deste valor foi acumulado até Agosto.

Os analistas apontaram ainda que até Agosto o número de visitantes cresceu 6 por cento em termos anuais e que houve um novo recorde nesse mês, com Macau a receber cerca de 4,5 milhões de pessoas, registo acima dos números pré-pandemia. Contudo, o número de visitantes estrangeiros e provenientes de Hong Kong e Taiwan registou uma queda em Agosto.

Todavia, os autores do relatório alertam que a chegada de mais visitantes não significa que o volume das receitas do jogo aumente, porque muitos dos turistas nem sequer frequentam as mesas de jogo.

30 Set 2026

Estacionamento | Definidos pagamentos máximos em cinco parques

A partir de Novembro, o modelo de cobrança do estacionamento por períodos de meia-hora será alargado a mais 16 parques públicos. Já o preço dos passes mensais vai aumentar 10 por cento

 

O Governo anunciou que, a partir de Novembro, vai limitar o pagamento diário máximo e em certos períodos de horas em cinco parques de estacionamento público. De acordo com o comunicado de ontem da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), os parques afectados pela medida são: Pak Lok, da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, Pak Kai, do Jardim de Iao Hon e do Jardim das Artes.

Com as alterações, nos parques Pak Lok, da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção e Pak Kai, o estacionamento de automóveis ligeiros entre as 20h e as 08h do dia seguinte nunca vai custar mais de 24 patacas. No caso do parque de estacionamento Pak Lok, o estacionamento durante 24 horas para motociclos e ciclomotores fica ainda limitado a um máximo de 10 patacas.

Em relação aos parques de estacionamento Jardim de Iao Hon e do Jardim das Artes as mudanças anunciadas pela DSAT destinam-se exclusivamente a motociclos e ciclomotores. No parque do Jardim de Iao Hon, a tarifa máxima diurna fica limitada a 12 patacas. Esta encontra-se em vigor entre as 08h e as 20h. Em ambos os parques a tarifa máxima nocturna fica com um tecto máximo de seis patacas, e aplica-se entre as 20h e as 08h do dia seguinte.

As alterações foram justificadas com o objectivo de “incentivar os condutores a fazer bom uso dos parques de estacionamento público e a aumentar a eficiência global da utilização dos recursos de estacionamento”.

Períodos de meia hora

Além da implementação de tectos máximos de tarifas em certos horários, a DSAT revelou que 16 parques de estacionamento público vão adoptar o modelo de cobrança dos bilhetes simples por períodos de meia hora. Nestes locais haverá também ajustes nos passes mensais.

“Estas medidas visam optimizar, em diferentes vertentes, a gestão dos parques de estacionamento público e assegurar uma utilização mais racional dos recursos de estacionamento público”, justificou a DSAT.

Os parques que vão passar a adoptar o pagamento por períodos de meia hora são Pak Wai, Pak Vai, Pak Leng, Pak Lai, Pak Kong, Pak Keng, do Jardim de Vasco da Gama, Pak Lek, Pak Tou, da ETAR, da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, do Jardim de Iao Hon, Pak Wu, Pak Kai, Pak Lok e do Jardim das Artes.

A esperança da DSAT é que nestes lugares haja mais rotatividade dos veículos estacionados. Dependendo da classe dos veículos e do estacionamento acontecer no período diurno ou nocturno, o preço por meia-hora varia entre 50 avos e cinco patacas.

Também nos parques indicados vão aumento os preços dos passes mensais em 10 por cento que, dependendo do tipo de veículos, passam a custar entre 450 e 3.300 patacas. O aumento foi explicado com o facto de o preço destes passes se manter inalterado “há mais de 10 anos” e tendo em conta a comparação com os preços praticados no mercado privado.

30 Set 2026

Air Macau | Song Pek Kei pede mecanismo de compensação

A deputada exige um mecanismo para obrigar a empresa detida pela estatal Air China a compensar os clientes afectados pelos constantes cancelamentos de voos

 

A deputada Song Pek Kei pretende que o Governo estabeleça um mecanismo para obrigar a Air Macau a efectivamente compensar os passageiros pelos danos causados pelos frequentes cancelamentos de voos. O assunto consta de uma interpelação escrita da legisladora depois da onda de cancelamentos e atrasos da empresa explorada pela companhia estatal Air China.

No documento, Song aponta que, nos últimos tempos, a Air Macau cancelou mais de 600 voos e que esta estratégia perturbou os planos de viagem dos residentes e turistas.

A deputada criticou igualmente a companhia aérea devido a uma estratégia de cancelamento em que se limita a devolver o dinheiro pago pelos clientes pelas viagens. Segundo Song, a companhia recusa-se a cobrir as perdas económicas relacionadas com dormidas em hotéis ou com bilhetes para eventos a que os clientes da Air Macau faltam devido aos cancelamentos e atrasos dos voos.

Além disso, a deputada considera ainda que o mecanismo de aviso aos passageiros sobre os cancelamentos e atrasos também não está a funcionar. Song considera que as disputas económicas que surgem desta forma de actuar da empresa podem prejudicar a imagem turística de Macau.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da companhia aérea. Além da nomeação de dois dirigentes pelo Chefe do Executivo, o Governo escolhe igualmente o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), entidade reguladora da aviação, através do secretário para os Transportes e Obras Públicas.

Nova mentalidade

Tendo em conta o cenário traçado, a legisladora pretende que o Governo explique como vai rever o actual mecanismo de supervisão para obrigar o sector da aviação a melhorar a qualidade dos serviços, promover o desenvolvimento de Macau e defender o interesse público.

Neste sentido, a deputada quer que o Governo elabore novas normas para as companhias aéreas que adoptem os padrões internacionais de compensação, ao contrário do que acontece actualmente. Segundo Song Pek Kei é também necessário definir as obrigações das companhias de aviação quanto à antecedência com que comunicam os atrasos e cancelamentos dos voos.

Além disso, no documento, a deputada mostra-se preocupada com as obras de expansão da pista do Aeroporto Internacional de Macau que arrancam no final de Outubro. O horário disponível para voos vai ser reduzido e Song defende que é necessário que as autoridades garantam que a situação não vai aumentar ainda mais os voos cancelados.

30 Set 2026

Crime | Aluno ataca colega de turma com uma faca

O ataque terá sido motivado por uma rivalidade relacionada com videojogos e a vítima não corre perigo de vida. Esta é a segunda agressão grave numa escola local desde o início do ano lectivo

 

Um aluno esfaqueou um colega de turma devido a uma discussão relacionada com um videojogo. O caso aconteceu na quinta-feira, por volta do meio-dia, numa escola da zona norte da península, mas apenas foi tornado público pela Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira.

Segundo a versão das autoridades, a vítima sofreu ferimentos ligeiros na cara e teve de receber assistência hospitalar. Os ferimentos não foram considerados graves e o jovem não corre risco de vida. A agressão terá sido motivada pelo que as autoridades descreveram como uma “rivalidade anterior” relacionada com videojogos.

Os problemas entre os dois alunos terão começado este mês, na sequência de uma conversa sobre estratégias do jogo. O diálogo terá levado a que a vítima começasse a troçar do agressor, o que gerou um mal-estar entre os dois que nunca foi ultrapassado.

Na quinta-feira passada, por volta do meio-dia, a vítima terá dado um encontrão acidental na cadeira do agressor. No entanto, a situação levou a uma troca de argumentos e insultos que escalou para agressões físicas. Durante a altercação, o agressor tirou da mala uma faca borboleta com uma lâmina de 11 centímetros e golpeou a vítima no rosto, causando igualmente ferimentos no pescoço.

A situação terminou rapidamente devido à intervenção de colegas e de docentes, com as autoridades a serem chamadas à escola.

Ofensa à integridade física

Segundo a PJ, após o ataque, o agressor e a família foram encaminhados para o Ministério Público (MP), que vai assumir a investigação do caso. O jovem, que é menor, está indiciado pelos ilícitos de ofensa à integridade física simples e posse ilegal de arma.

No primeiro interrogatório, o aluno afirmou ter comprado a faca na internet com o objectivo de aprender a manusear este tipo de arma branca. Nesse dia, terá estado a fazer exercícios com a faca, mas esqueceu-se de deixar a arma em casa. O jovem admitiu também ter cometido a agressão.

Esta é a segunda vez que as autoridades são chamadas a intervir numa escola de Macau devido a agressões, desde o início do ano lectivo, no início de Setembro. Logo no primeiro dia do ano lectivo, um aluno de 18 anos atacou uma professora com um líquido corrosivo. A docente sofreu queimaduras químicas graves na cara. Na origem desta disputa terá estado um diferendo antigo entre a professora e o aluno.

Na sexta-feira, a PJ apelou aos jovens para que evitem conflitos e nunca recorrerem à violência. As autoridades pediram também ao alunos que, em caso de bullying, procurem ajuda nas instituições de ensino e que não se remetam ao silêncio.

29 Set 2026

Terminal Marítimo | TUI absolve grupo CSI de pagar multa

O Tribunal de Última Instância (TUI) revogou a aplicação de uma multa de 60 mil patacas imposta pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas ao Grupo CSI, no âmbito do contrato de gestão e exploração dos espaços comerciais do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa.

A decisão foi divulgada pelos tribunais na sexta-feira e termina um diferendo que se prolongava desde 2023. Em causa está o facto de a empresa, no período pós-covid-19, não ter conseguido preencher as obrigações sobre o número mínimo de negócios a funcionar dentro do terminal, depois de o período especial de isenção relacionado com a pandemia ter chegado ao fim.

Segundo o entendimento dos juízes do TUI, o secretário aplicou a multa máximas permitida, mas devia ter aplicado uma penalização “com base no grau de lesão do interesse público, maximizando a reparação dos danos sofridos”. A penalização foi revogada por ser considerada excessiva face à infracção.

29 Set 2026

Segurança | Macau adopta saudações do Exército de Libertação

A RAEM segue o exemplo de Hong Kong e, a partir de amanhã, as continências e as marchas das forças de segurança passam a seguir o modelo do Exército de Libertação do Povo Chinês. O Governo opta assim por eliminar a tradição portuguesa

 

A partir de amanhã as continências e honras das forças de segurança passam a adoptar as formas do Exército de Libertação do Povo Chinês, acabando com as influências de matriz portuguesa. A nova política foi anunciada na sexta-feira passada, numa conferência de imprensa, e foi justificada com a “soberania nacional”.

Segundo Wong Sio Chak, porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça, a adopção dos padrões do Interior tem “o objectivo de dar continuidade ao aprofundamento e à implementação da educação do amor pela pátria e por Macau” e “demonstrar melhor a soberania nacional e o espírito da nação”.

A mudança é feita através da alteração de um regulamento administrativo e aplica-se ao Corpo de Polícia de Segurança Pública, ao Corpo de Bombeiros, aos Serviços de Alfândega e ao Corpo de Guardas Prisionais, assim como aos formandos que frequentam cursos de formação para ingressar nestas instituições.

Com a alteração anunciada na sexta-feira, Macau segue o exemplo de Hong Kong, que em 2022 se afastou dos padrões britânicos de continências e honras e passou a seguir o modelo do Exército de Libertação do Povo Chinês. Na região vizinha, a alteração aconteceu no dia do 25º aniversário da transferência de soberania.

Trabalhos antigos

Na conferência de imprensa, Wong Sio Chak admitiu ainda que a revisão das saudações e da forma de marcha tinha começado em 2020. No entanto, devido à pandemia da covid-19 as autoridades optaram por suspender a revisão.

Por sua vez, Wong Chi Fai, director da Escola Superior das Forças de Segurança de Macau, que esteve igualmente presente na conferência de imprensa, considerou que se vive o “momento mais adequado” para adoptar os padrões chineses. “Achamos que este momento é o momento mais adequado, por isso procedemos a esta mudança que serve para concretizar a educação de amor à pátria e por Macau e, também, para demonstrar a soberania nacional e o espírito da nação”, disse. “Estamos preparados e é esta a altura mais útil para procedermos ao lançamento desta mudança”, completou.

Apesar da preparação, Wong Chi Fai admitiu que haverá algumas pessoas que ainda precisam de mais tempo para treinar, dado que se vive uma “fase de transição” entre os dois modelos.

29 Set 2026

MGM Resorts | Multimilionário retira oferta para adquirir empresa

Barry Diller retirou a proposta para adquirir a gigante americana por considerar que as negociações não seguiram o rumo desejado. O negócio que teria implicações MGM China, concessionária do jogo no território, estava avaliado em 18 mil milhões de dólares americanos

O grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, retirou a proposta para adquirir o controlo total da MGM Resorts International. O anúncio foi feito na manhã de ontem, e fez com que as acções da empresa-mãe da concessionária MGM China caíssem 8 por cento.

“Não sentimos que as coisas estivessem a caminhar na direcção que esperávamos e, por isso, tivemos de decidir deixar de tentar tornar a companhia privada, por agora”, afirmou Barry Diller, através de um comunicado citado pela agência Reuters.

Em Junho deste ano, o grupo People Incorporated apresentou uma proposta de cerca de 18 mil milhões de dólares americanos para comprar a totalidade da empresa americana. Se a proposta tivesse sido bem-sucedida, a MGM iria deixar de estar cotada na Bolsa de Nova Iorque.

Apesar da compra falhada, o grupo do empresário americano continua a manter 26,1 por cento do capital social daquela que é uma das principais empresas do jogo nos Estados Unidos. “O que permanece inabalável é a nossa crença no futuro da MGM Resorts. Continuamos a deter 66,8 milhões de acções, o que representa aproximadamente 27 por cento da MGM Resorts, e temos total confiança tanto na gestão como nas perspectivas da empresa”, destacou o empresário.

O negócio era relevante para Macau porque a MGM Resorts International é a principal accionista da MGM China, uma das seis concessionárias do jogo no território, e que conta igualmente com a empresária Pansy Ho como uma das principais accionista.

Apesar deste desfecho, no comunicado divulgado ontem, Barry Diller admitiu “continuar interessado na possibilidade de uma transacção estratégica” da MGM e mostrou abertura para futuras parcerias.

Confiança no futuro

Face ao colapso das negociações, Paul Salem, presidente do Conselho de Administração da MGM Resorts, considerou que a direcção da empresa está entusiasmada com as condições actuais.

“O Conselho de Administração continua entusiasmado com a ideia de continuar a liderar a MGM Resorts como uma empresa independente. A nossa posição de liderança em Las Vegas, as nossas propriedades regionais de referência e o contínuo dinamismo da BetMGM destacam o valor que oferecemos aos nossos accionistas”, afirmou Salem.

O responsável vincou ainda a importância dos investimentos em Macau e no Japão, onde a empresa deverá abrir um novo casino, em Osaka, em 2030. “O nosso portfólio internacional da MGM China e a oportunidade significativa que se avizinha com o MGM Osaka sustentam um caminho claro para o aumento do valor para os accionistas”, destacou o responsável.

25 Set 2026

Air Macau | Leong Sun Iok pede investigação a cancelamentos

O deputado ligado à FAOM compreende que a subida do preço dos combustíveis cria desafios à empresa de aviação e alguns cancelamentos de voos. No entanto, nega que a tendência de cancelamentos seja comum a nível mundial e avisa que a política da transportadora prejudica a imagem de Macau

O deputado Leong Sun Iok apelou às autoridades para investigarem a onda de cancelamentos e atrasos nos voos operados pela Air Macau. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, numa altura em que a companhia aérea está a ser cada vez mais criticada.

O legislador ligado aos Operários considerou que, se a situação actual for mantida, a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer corre um sério risco de ser afectada. Segundo Leong, a reputação dos destinos turísticos está intimamente ligada à qualidade da rede de transporte aéreo, e maus transportes afastam turistas e criam uma percepção negativa.

No mesmo sentido, se os voos não forem realizados com regularidade e segurança, o deputado considera que se estão a criar mais obstáculos à estratégia de explorar o mercado dos visitantes internacionais e de longa distância.

Leong Sun Iok indicou ainda que a situação actual vai fazer com que cada vez menos residentes recorram aos serviços da Air Macau, que no ano passado apresentou um prejuízo de 765 milhões de patacas, um recorde negativo.

Além de defender a investigação à empresa, o membro da Assembleia Legislativa argumentou que as autoridades devem coordenar-se com a companhia aérea para encontrarem uma solução que permita colocar um fim aos cancelamentos e atrasos frequentes.

Ao mesmo tempo, Leong pretende a melhoria das políticas de resposta aos cancelamentos, para minimizar ao máximo o impacto para os passageiros afectados e assegurar os seus direitos. Sobre este aspecto, o deputado apelou ao Governo para garantir a existência de compensações apropriadas.

Mau exemplo

Na quarta-feira, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), Pun Wa Kin, veio defender a Air Macau e considerar que a política de cancelamentos é uma tendência mundial, face ao aumento do preço dos combustíveis.

No entanto, Leong Sun Iok apresentou uma visão diferente. O legislador concorda que a Air Macau e a aviação estão a sofrer com o preço dos combustíveis e com o aumento dos custos de exploração das empresas.

Contudo, o deputado apontou que a nível mundial a taxa de cancelamentos está longe de ser comparável à da Air Macau, onde o número de voos que ficam em terra é mais elevado.

Nas declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok recordou que desde Fevereiro deste ano entrou em vigor a nova lei da actividade de aviação civil que, entre os diferentes objectivos, pretendia terminar com o monopólio da Air Macau e dar uma nova dinâmica ao mercado local. O deputado considera que o diploma está a contribuir para uma “abertura progressiva do mercado”, mas espera que o Executivo seja mais activo.

Envolvimento da RAEM

A postura da Air Macau e os pedidos de investigação podem deixar o Executivo numa posição complicada, além de colocarem em xeque a empresa-estatal Air China.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da empresa. Ainda em Junho deste ano, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, nomeou O Hoi Fan como membro no Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Air Macau para os próximos três anos. No mesmo despacho, publicado no Boletim Oficial, também Pun Keng Sang foi escolhido para o Conselho de Administração da Air Macau por um período de três anos.

Se, por um lado, o Governo, através do Chefe do Executivo, nomeia parte dos dirigentes da empresa, por outro, o Governo, desta feita através do secretário para os Transportes e Obras Públicas, nomeia o presidente da AACM, que regula o sector da aviação civil.

Além disso, uma eventual investigação vai incidir sobre as opções de uma empresa que é controlada pela companhia estatal Air China, a maior accionista da Air Macau com uma participação de quase 75 por cento.

25 Set 2026

Aviação | Pedidos para minimizar impacto de cancelamentos

O presidente da Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, veio a público mostrar compreensão face ao cancelamento frequente de voos e defendeu que Macau tem cada vez mais ligações internacionais de longo curso

Face à vaga de cancelamentos de voos da Air Macau, que já começou a afectar as ligações previstas para a Semana Dourada, o presidente Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, afirmou que a autoridade pediu às companhias de aviação para “minimizarem” o impacto dos cancelamentos. As declarações foram prestadas, ontem, ao canal chinês da Rádio Macau, à margem do programa matinal Fórum Macau.

Pun garantiu ainda que a AACM pediu às companhias de aviação para “assegurarem os direitos dos passageiros” afectados pelos cancelamentos, de acordo com as orientações emitidas anteriormente pela autoridade.

Nas declarações prestadas, o presidente da AACM defendeu a política de cancelamentos, que relacionou com o aumento dos combustíveis. “Desde Abril que houve uma subida muito grande dos preços dos combustíveis, o que afecta todas as companhias aéreas, dado que se trata de uma grande pressão em termos dos custos de exploração. Quanto mais sobem os preços, maiores os custos para as companhias áereas”, justificou Pun Wa Kin. “Observámos a situação dos voos cancelados e pedimos às companhias aéreas para assegurarem os direitos dos passageiros. O nosso desejo é que as companhias cancelem ou alterem o menor número de voos possível”, acrescentou.

Para continuar

Na terça-feira, a Air Macau divulgou através da Rádio Macau que vai continuar a cancelar voos. Com o anúncio, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumento do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Apesar desta posição, a Air Macau prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência, de forma a evitar criar inconvenientes.

Segundo o Conselho de Consumidores, desde o início do ano até 10 de Setembro foram recebidas 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC apelou também à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Mais ligações

Durante a participação no Fórum Macau, Pun Wa Kin ouviu vários residentes pedirem mais rotas aéreas para destinos na Europa ou na América do Norte. Face a estes pedidos, o responsável indicou que a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau lançou um programa de estímulo para promover novas rotas de longa distância, através da isenção de tarifas cobradas aos voos e passageiros.

Pun considerou ainda que houve companhias aéreas que já lançaram voos de longa distância, com partida em Macau. Sobre estas ligações, o responsável explicou que há várias ligações para Taipé, onde os passageiros depois apanham voos para os Estados Unidos.

Em termos do transporte de cargas, Pun Wa Kin informou que actualmente a autoridade está a analisar o pedido de uma companhia aérea para estabelecer uma base de transporte de carga em Macau.

24 Set 2026

Medicina chinesa | Sam destaca saúde para diversificar a economia

Sam Hou Fai sublinhou a importância do Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa num encontro com o director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa

O Chefe do Executivo defende que a diversificação da economia através da saúde começa na Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A posição foi tomada, na terça-feira, durante um encontro entre Sam Hou Fai e o subdirector da Comissão Nacional de Saúde e director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa, Liu Jinfeng.

Segundo o comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai explicou ao dirigente do Interior que a estratégia de “diversificação económica adequada” e a “optimização activa da estrutura industrial” inclui a “promoção da indústria de big health tendo como ponto de partida a medicina tradicional chinesa”.

Como parte destes esforços, Sam Hou Fai destacou o Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa e a criação do Centro de Transferência e de Transformação de Tecnologia das Instituições de Ensino Superior na área da Medicina Tradicional Chinesa e do Centro de Internacionalização da Indústria de Saúde e Medicina Tradicional Chinesa.

O líder do Governo vincou que os centros vieram “aumentar continuamente” a “capacidade de investigação científica”. “Este factor, em conjugação com as vantagens políticas locais, torna possível uma promoção eficaz da integração entre a indústria-universidade-investigação bem como a aplicação prática dos seus resultados”, realçou.

Sam afirmou que “as empresas de medicina tradicional chinesa do Interior da China podem aproveitar a plataforma de Macau como ponte para o mundo, promovendo os produtos de qualidade no mercado internacional”.

Novos resultados

Por sua vez, Liu Jinfeng elogiou Sam Hou Fai que indicou ter levado Macau a alcançar “novos resultados”. Liu confessou ainda que “a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa acompanha com particular atenção o desenvolvimento do sector em Macau, garantindo o empenho contínuo na implementação de forma profunda dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping sobre a construção de uma ‘China saudável’ e os trabalhos no sector da medicina tradicional chinesa”.

Liu Jinfeng garantiu ainda que as autoridades centrais vão continuar a “apoiar Macau na melhoria da qualidade e eficiência da indústria de big health e medicina tradicional chinesa”. O responsável apontou também que a construção do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau é essencial nesta estratégia.

24 Set 2026

Citigroup | Jogo atravessa um dos piores períodos da história recente

A análise mais recente do banco de investimento traça um cenário negativo na principal indústria do jogo, mas os analistas George Choi e Timothy Chau admitem que ainda é cedo para tirar grandes conclusões

O segmento mais elevado do mercado de massas está a atravessar um dos piores períodos recentes. O cenário é traçado no último relatório do banco de investimento Citigroup, citado pelo portal GGRAsia, e levou a uma revisão em baixa da estimativa das receitas para o mês de Setembro.

Como consequência das observações mais recentes, o banco de investimento espera agora receitas brutas do jogo de 18 mil milhões de patacas em Setembro, quando antes esperava que atingissem 19 mil milhões de patacas. A nova estimativa implica uma redução queda de 4 por cento das receitas no terceiro trimestre face ao período homólogo.

As observações dos analistas George Choi e Timothy Chau mostram que o volume das apostas no mercado premium de massas apresentou uma redução anual de 45 por cento face ao mesmo período do ano anterior. Este ano, as apostas observadas totalizaram 6,8 milhões de dólares de Hong Kong, enquanto em Setembro do ano passado tinham atingido 12,3 milhões de dólares de Hong Kong.

Além do montante apostado estar em quebra, o mesmo aconteceu com o número de jogadores do segmento mais alto do mercado de massas. O relatório indica que houve uma redução de 20 por cento do número de jogadores para 401 apostadores. Estes números representam uma média de apostas de 16.958 dólares por mão, uma diminuição de 31 por cento, dado que no período homólogo a média de aposta era de 24.550 dólares de Hong Kong por mão.

“Os resultados da pesquisa nas mesas de jogo em Macau durante Setembro estão entre os piores da história recente”, escrevem os analistas.

Ambiente mais tranquilo

George Choi e Timothy Chau indicaram ainda que o ambiente foi mais tranquilo do que há três meses, quando começou o Campeonato Mundial de Futebol de 2026. No entanto, o banco de investimento admite que ainda não é possível concluir que os jogadores estão menos dispostos a jogar: “Não podemos concluir categoricamente que os fracos resultados são fruto de uma menor disposição dos jogadores para gastar ou da realização da nossa pesquisa num momento desfavorável”, foi vincado.

Apesar do ambiente pouco optimista, o banco explica que os resultados das observações ainda não permitem tirar grandes conclusões porque, em Setembro de 2024 as observações também indicaram resultados fracos, mas seguiu-se uma forte recuperação em Outubro desse ano.

A realidade de Setembro representa uma inversão face a Agosto, quando a pesquisa do Citi tinha revelado um crescimento anual de 7 por cento do volume de apostas no segmento premium de massas. Nesse mês, o total de apostas atingiu 14,3 milhões de dólares, apesar de uma quebra do número de jogadores na ordem dos 16 por cento.

23 Set 2026

Aviação | Air Macau vai manter política de cancelamento de voos

A empresa de Macau controlada pela Air China defende-se das críticas e afirma que o cancelamento de voos é “uma prática internacional comum” para lidar com o aumento do preço dos combustíveis

Após o surgimento de várias críticas à Air Macau devido aos numerosos cancelamentos de voos, a empresa veio justificar a política com o aumento dos preços dos combustíveis.

Em resposta ao canal chinês da Rádio Macau, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumentos do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Na tomada de posição, a Air Macau admitiu ainda que vai continuar a cancelar voos, mas prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência.

Numa altura em que se aproximam as férias do Festival do Bolo Lunar, com um fim-de-semana prologando, e ainda os feriados da Semana Dourada, a Air Macau indicou também que vai fazer todos os possíveis para garantir a “estabilidade dos voos”.

Segundo os dados da Air Macau, entre Julho e Agosto deste ano, foram realizados menos 400 voos face ao período homólogo. Em Setembro, até ao dia 21, a diminuição dos voos em comparação com Setembro do ano passado foi de 200 ligações.

Apesar dos sobressaltos, a Air Macau considera que tem minimizado os inconvenientes para os passageiros ao celebrar acordos de transferência de passageiros com várias companhias aéreas de maior dimensão. Desta forma, a companhia indica que os passageiros podem apanhar outros voos e a empresa assume os custos extra relacionados com a necessidade de recorrer a outros meios de transporte. Como alternativa, se os passageiros já não quiserem viajar após o cancelamento, a empresa garante que devolve o dinheiro pago.

Quase 40 queixas

Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC) revelou que desde o início do ano, e até 10 de Setembro, recebeu 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC também apelou à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Todavia, os passageiros arriscam-se sempre a não serem compensados por eventuais danos dos cancelamentos. Segundo o presidente da Associação Seguradora de Macau, Ivan Cheung, geralmente os cancelamentos ou atrasos por motivos comerciais, como os que têm acontecido na Air Macau, não são cobertos pelos seguros de viagem.

Sobre a política de cancelamentos, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considerou que actualmente as agências de viagem que organizam deslocações ao Interior ainda escolhem a Air Macau como primeira opção.

Todavia, como depois das férias de Verão a frequência dos voos da companhia se tornou instável, o dirigente admite que o cenário possa sofrer alterações. Por isso, Andy Wu aconselhou a Air Macau a assegurar a realização regular dos voos e a avisar os passageiros com antecedência sobre eventuais cancelamentos.

Empresa Estatal

Actualmente, a principal accionista da Air Macau é empresa-estatal Air China, com uma participação social de cerca de 75 por cento do capital social fixado em aproximadamente 2,38 mil milhões de patacas. Esta participação está avaliada em 1,78 mil milhões de patacas.

O segundo maior accionista da Air Macau é a RAEM, com uma participação social de 24 por cento, o equivalente a 573 milhões de patacas. Constam ainda como accionistas com participações inferiores a 1 por cento a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, Serviços Aéreos Evergreen (Macau), IPE (Macau) – Investimentos e Participações Empresariais, Centro de Comércio Mundial Macau e Companhia de Seguros de Macau.

23 Set 2026

DICJ | Pereira Coutinho questiona futura dispensa de estagiários

O deputado ligado à ATFPM pede à secretária para a Economia e Finanças que pressione a DICJ para integrar nos quadros do organismo, pelo menos, mais 35 estagiários para colmatar a falta de recursos humanos

O deputado Pereira Coutinho defende que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) deve contratar mais estagiários para colmatar a falta de trabalhadores. A posição surge numa carta enviada à secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, na sequência do programa mais recente de estágios para inspectores nestes serviços.

Segundo o legislador, em 2023, a DICJ anunciou a abertura de um programa de estágios com 120 vagas para inspectores de 2.ª classe. Desde o início que estava prevista a contratação inicial de 60 estagiários para os quadros. A promessa foi cumprida, com a integração nos serviços dos 60 melhores classificados entre os 120 estagiários.

No entanto, Coutinho afirma ter recebido várias queixas de estagiários que não conseguiram um desempenho no estágio entre os 60 melhores classificados. No entender do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), uma vez que há falta de recursos humanos na DICJ, o Governo devia incentivar o emprego local e suprimir essas falhas.

“Lembramos que, em audiência na comissão da Assembleia Legislativa, em Dezembro de 2023, a direcção da DICJ justificou a abertura de 120 vagas de estágio (para um preenchimento inicial de 60 vagas) pela existência de um défice estrutural de pessoal. Foi publicamente assumido que, além das 60 vagas iniciais, o serviço carecia de pelo menos 35 inspectores para fazer face às necessidades decorrentes da reorganização dos turnos de trabalho”, foi recordado pelo deputado. “Não proceder ao recrutamento dos candidatos aprovados, quando tais carências de pessoal subsistem, entra em contradição com o planeamento técnico previamente apresentado”, foi acrescentado.

Contra o relógio

Como argumento a favor da contratação, o deputado indica ainda que a lista classificativa do estágio vai expirar em menos de cinco meses. Se a lista não for aproveitada para as novas contratações, a DICJ vai ter de lançar um novo programa de estágios.

“Uma vez que a carreira de inspecção de jogos corresponde a um regime especial exclusivo da DICJ, não sendo possível o recrutamento por mobilidade a partir das carreiras gerais dos restantes serviços públicos, a caducidade da lista classificativa implicará o desperdício integral de uma parte substancial do investimento público efectuado”, explicou. “Adicionalmente, a abertura de um novo concurso demorará pelo menos dois anos, período durante o qual a DICJ ficará sem capacidade de resposta rápida para suprir as saídas ocorridas no último ano e meio por motivo de aposentação ou rescisão de contrato”, avisou.

O deputado argumenta também que estes estagiários foram prejudicados na procura de trabalho no sector privado dado que o seu nome foi publicado no Boletim Oficial. Como os estagiários surgem como candidatos aprovados, Coutinho considera que as empresas do sector privado não lhes oferecem emprego por temerem que ingressem logo a DICJ, abandonando o posto de trabalho no sector privado.

23 Set 2026

Fundo | Investimento e Gestão de Macau passa a instituição financeira

A empresa criada para gerir os 11 mil milhões da reserva que vão ser investidos em Macau e Hengqin foi autorizada a estabelecer-se na RAEM como instituição financeira

A Sociedade de Investimento e Gestão de Macau, criada pelo Governo para gerir os 11 mil milhões de patacas que vão ser investidos na economia, foi autorizada a estabelecer-se como uma instituição financeira. A informação foi divulgada ontem, através de um despacho do Chefe do Executivo publicado no Boletim Oficial.

“É autorizada a Sociedade de Investimento e Gestão de Macau Limitada […] com sede na Região Administrativa Especial de Macau, como instituição financeira, para o exercício da actividade de gestão de activos”, pode ler-se no documento divulgado ontem.

A empresa, que tem um capital social de 100 milhões de patacas e é presidida por Che Weng Keong, foi anunciada em Maio para gerir os denominados “fundos de orientação” que se espera contribuam para a diversificação da economia, com o dinheiro a ser canalizado para Macau e Hengqin.

O primeiro investimento neste tipo de fundos é de 11 mil milhões de patacas, montante proveniente da reserva financeira de Macau e que foi acumulado ao longo dos anos, principalmente devido às receitas do jogo. Che Weng Keong foi escolhido pelo Executivo para presidente, cargo que acumula com as funções de presidente do Conselho de Administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Entre os administradores da Sociedade Investimento e Gestão de Macau constam também Tam Chi Neng e Chan Chou Weng, ambos com um salário anual de 95.880 patacas, de acordo com o portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

Fábula da multiplicação

Desde o estabelecimento, a Sociedade Investimento e Gestão de Macau criou duas subsidiárias denominadas Macau Gestão de Projecto (Número Um) e Macau Gestão de Projecto (Número Dois).

Tanto a Macau Gestão de Projecto (Número Um) como a Macau Gestão de Projecto (Número Dois) têm um capital social de 25 mil patacas, apresentam como objecto social a gestão de investimento de projectos e revelam como único administrador Tam Chi Neng.

Quando o Executivo anunciou a criação da Sociedade Investimento e Gestão de Macau prometeu que a empresa iria ter uma postura de investimento focada no longo prazo orientada pelas políticas governativas e pelos mercados. Estes valores foram explicados com a intenção de “garantir que a afectação dos investimentos dos fundos de orientação esteja em conformidade com as orientações das indústrias emergentes prioritárias constantes das políticas industriais do Governo da RAEM, promovendo a modernização industrial e a sinergia entre Macau e Hengqin”.

22 Set 2026

Mercados | Che Sai Wang alerta para “impacto sem precedentes” no consumo

A concorrência do Interior da China e a abertura de mais lojas de produtos frescos está a arrasar os mercados tradicionais. O deputado ligado à ATFPM pede ao Executivo que flexibilize as condições de exploração das bancas para revitalizar estes espaços

Che Sai Wang alertou o Governo para os efeitos da redução da procura nos mercados tradicionais e pede medidas para flexibilizar as condições de exploração. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

No documento, Che indica que apesar dos esforços para dar uma nova vida aos mercados municipais, as medidas do Executivo não estão a surtir o efeito desejado, com a redução dos clientes.

Segundo o deputado, a ausência de procura justifica-se com “a rápida expansão das cadeias de supermercados e de lojas especializadas em produtos frescos nas comunidades”, assim como com a política local de promover a circulação de veículos de Macau na província de Guangdong. Na perspectiva de Che Sai Wang, estes dois aspectos levaram a “um impacto estrutural sem precedentes nos mercados tradicionais das zonas residenciais”.

A falta de clientes nos mercados tradicionais é ainda mais notada “durante os feriados e fins-de-semana” porque “grande parte do poder de consumo local se desloca para o norte”.

Neste cenário de dificuldades, o legislador recorre aos dados do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para apontar que nos oito mercados públicos do território há 329 bancas vazias, uma taxa de desocupação de 30 por cento de todas as bancas existentes.

Três obstáculos

Como forma de revitalizar o ambiente de consumo nos mercados tradicionais de Macau, Che Sai Wang apresenta uma lista com três obstáculos que têm de ser ultrapassados.

Em primeiro lugar, o deputado indica que é necessário criar um mecanismo de substituição directa do arrendatário da banca. Em causa está o problema de a banca não poder ser assumida por familiares ou os trabalhadores dos arrendatários, quando estes decidem reformar-se ou ficam doentes. Segundo o modelo actual, é necessário um procedimento com intervenção da administração pública, através da realização de concursos públicos de arrendamento. No entanto, Che defende que este modelo afasta as pessoas mais experientes do mercado e contribui para a desocupação, dado que o negócio da banca não pode ser “herdado” ou transmitido directamente.

Em segundo lugar, o deputado indica que os procedimentos de substituição de um arrendamento por outro levam vários meses e até anos. Por este motivo, o deputado pede ao Executivo que crie mecanismos de arrendamento mais flexíveis, mais rápidos e menos burocráticos.

Como último obstáculo, Che Sai Wang aponta que o modelo de gestão dos mercados está ultrapassado e sugere a contratação de empresas para procurarem activamente no mercado comerciantes interessados em explorar as bancas.

22 Set 2026

Crime | Detido por tentativa de homicídio relacionada com dívida

Uma dívida de 15 mil dólares terá estado na origem do diferendo que terminou com mais de 10 facadas. O alegado criminoso esteve praticamente um ano em excesso de permanência, sem que tivesse sido interceptado pelas autoridades

Um homem em situação irregular em Macau foi detido por, alegadamente, ter esfaqueado outro devido a uma dívida de 15 mil dólares de Hong Kong. O crime foi divulgado na sexta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), e o detido foi encaminhado para o Ministério Público (MP).

O caso aconteceu na sexta-feira de madrugada, durante um encontro entre os dois homens, num restaurante na Avenida de D. Rodrigo Rodrigues. Nessa ocasião, o detido terá pedido a devolução do montante emprestado para apostar nos casinos do território.

Como o devedor se recusou pagar a dívida, o detido foi à cozinha, pegou numa faca e atacou a vítima na cabeça e na parte superior do corpo. O agredido tentou defender-se do ataque com um banco de madeira, mas sofreu ferimentos em várias zonas do corpo, com pelo menos 10 golpes na cabeça e parte superior do corpo.

Após o ataque com a faca, o agressor colocou-se em fuga. No entanto, os trabalhadores do restaurante auxiliaram a vítima, que foi transportada para o Hospital Kiang Wu, e alertaram a polícia para o sucedido. As autoridades procederam à detenção na manhã de sexta-feira, numa casa de massagens no NAPE.

Promessa de gorjeta

Segundo a informação da PJ, a vítima e o suspeito conheceram-se no mês passado, quando também se encontraram num restaurante. Nesse encontro, o agressor aceitou emprestar 15 mil dólares de Hong Kong à vítima, com a condição de receber uma “gorjeta” em caso de vitória do jogador, além da devolução do dinheiro emprestado.

No entanto, nas mesas dos casinos, a sorte não esteve do lado do devedor, que perdeu o dinheiro todo e ficou sem capacidade financeira para devolver o dinheiro. Com o empréstimo por pagar, os dois reuniram-se pela primeira vez na noite de quarta-feira. Nessa altura, o agressor não conseguiu cobrar a dívida, mas ambos agendaram um novo encontro para a madrugada de sexta-feira.

No segundo encontro, como o homem que estava ilegalmente em Macau considerou que o devedor não estava a lidar com o assunto de forma séria e não tinha planos para pagar a dívida decidiu partir para a agressão.

Segundo o relatório médico, a vítima sofreu lesões na cabeça, rosto e tronco, além de uma fractura na falange média do dedo mindinho da mão direita. O jornal Ou Mun indica que os médicos estimaram o período de recuperação em três meses.

O suspeito tem 36 anos, é residente do Interior e afirmou estar desempregado. Encontrava-se em excesso de permanência no território há cerca de um ano.

Durante a intervenção, a polícia apreendeu a faca de cozinha com uma lâmina de 18 centímetros que foi utilizada no crime. Como as autoridades consideraram que o atacante visou zonas vitais da vítima, a Polícia Judiciária concluiu que houve intenção de matar, pelo que indiciou o suspeito por homicídio na forma tentada, detenção de arma proibida e empréstimo ilícito para a prática do jogo. A situação de excesso de permanência do suspeito será objecto de um processo autónomo.

21 Set 2026

Futebol | Torneio da Soberania realiza-se a 28 e 29 de Novembro

A selecção de veteranos de Macau, o Sporting Clube de Portugal, o Macallum Sports Club, da Malásia, e uma equipa de Pequim vão ser as quatro formações participantes na edição deste ano do Torneio da Soberania. Ao contrário do habitual, a 26.ª edição da competição organizada pela Associação dos Veteranos de Futebol de Macau é antecipada para 28 e 29 de Novembro.

“As nossas expectativas são sempre as melhores. E este ano o torneio é um bocado especial, porque nós decidimos convidar uma equipa da Malásia”, afirmou Francisco Manhão, ex-presidente da associação e actual consultor, ao HM. “E, por feliz coincidência, o nosso Chefe do Executivo também esteve recentemente na Malásia numa viagem para reforçar os laços de amizade. Por isso, vamos aproveitar este torneio para reforçar os laços, um aspecto que nos recorda um bocado a política de pingue-pongue que foi utilizada para aproximar as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China”, apontou.

Entre as equipas convidadas consta também uma formação de veteranos do Sporting, um regresso ao território. Sobre esta formação, Manhão indicou que o torneio só faz sentido se houver uma equipa de Portugal, dado que o torneio assinala a transferência da administração de Macau. “Se estamos a assinalar esta data, só faz sentido se também houver uma equipa de Portugal”, vincou.

Velhos conhecidos

Em relação à equipa que viaja de Portugal para participar no evento, Francisco Manhão destacou um velho conhecido do território, o guarda-redes Mário Fonseca, que entre os anos de 1993 e 1994 representou as cores do Negro Rubro.

“Foi um jogador que se sagrou campeão de futebol de 11 e de futebol de 7 – a nossa Bolinha – também participou na Taça dos Campeões da Ásia, num ano em que bateram uma equipa de Cantão por 4-3”, recordou o consultor do torneio.

A equipa de Lisboa é ainda integrada por jogadores como Diogo Salomão, que realizou cerca de 15 jogos pela equipa principal do Sporting, Edgar Marcelino e João Paiva. Todos estes atletas passaram pela Academia de Alcochete e foram internacionais por Portugal nos anos de formação.

Sobre a antecipação da data do torneio, que normalmente se realiza em Dezembro e no Canídromo, Manhão justificou a mudança com a dificuldade em arranjar um campo de futebol, devido à realização de obras, durante as datas tradicionais. Os jogos vão assim decorrer no Campo Desportivo da Universidade de Macau, o que o consultor reconheceu tornar mais complicadas as deslocações para os jogos.

18 Set 2026

Habitação | Compras e vendas com queda de 16% em Agosto

Ao longo do último mês, o mercado de habitação voltou a contrair, com menos transacções e a preços mais baratos. Coloane foi a zona mais cara do território para comprar casa

Em Agosto, o número de compras e vendas de habitação registou uma redução mensal de 15,9 por cento, para 253 transacções. Em Julho deste ano, o número de transacções no território tinha sido de 301.

Os dados mais recentes do mercado imobiliário foram divulgados ontem pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF) e mostram que Agosto é o segundo mês consecutivo de contracção, depois de em Junho ter sido registado um total de 433 compras e vendas.

No corrente ano, o mês com mais actividade no mercado foi Fevereiro, quando foram totalizadas 494 transacções de habitação. Em relação aos dados de Agosto deste ano, o maior número de transacções ocorreu na Península de Macau (187), mercado seguido pela Taipa (46) e por Coloane (20).

A Península e a Taipa foram os locais que pressionaram negativamente o mercado, dado que em Julho tinham registado 241 e 49 compras e vendas, respectivamente. No entanto, Coloane apresentou uma tendência contrária, com as transacções a crescerem, dado que no mês anterior tinham sido inscritas 11 compras e vendas.

Quando a comparação do número de compras e vendas é feita em termos anuais, o mercado apresenta um crescimento de 7,7 por cento. Em Agosto de 2025 houve um total de 235 transacções, uma diferença de 18 compras e vendas. Os números estão muito longe da realidade pré-covid, dado que em Agosto de 2019 foram registadas 770 transacções.

Preços em queda

Em relação aos valores praticados em Agosto, o preço médio por metro quadrado foi de 65.998 patacas, o que representou uma redução mensal de 2,5 por cento, dado que em Julho o preço médio tinha sido de 67.667 patacas.

Na Península, o preço médio do metro quadrado foi de 63.851 patacas, na Taipa de 63.466 patacas e em Coloane de 85.388 patacas. Em relação a Julho, os preços médios ficaram mais baixos na Península e na Taipa, dado que anteriormente atingiram 66.932 e 69.347 patacas, respectivamente. Todavia, o cenário foi diferente em Coloane, onde o valor médio do metro quadrado valorizou, dado que em Julho tinha sido de 72.835 patacas.

Em termos anuais, o metro quadrado apresentou uma desvalorização de 17,9 por cento, uma vez que em Agosto de 2025 o preço atingiu 80.370 patacas. No corrente ano, o preço por metro quadrado mais elevado foi registado em Junho, com 87.869 patacas.

Também em relação ao preço, o mercado está muito afastado da realidade pré-pandemia. Em Agosto de 2019, o metro quadrado era comercializado, em média, por 116.856 patacas, uma diferença negativa de 43,5 por cento.

18 Set 2026

Jogo | CLSA revê estimativas de crescimento em baixa

A CLSA estima que as receitas do jogo se expandam 2,4 por cento no próximo ano e 4,3 por cento em 2028. Em relação aos lucros das concessionárias, a corretora alerta para uma redução, devido ao aumento dos custos operacionais

A corretora CLSA confessa ter adoptado uma visão “mais cautelosa” sobre o mercado do jogo e cortou as previsões de crescimento para 2027 e 2028. A informação foi divulgada através do mais recente relatório sobre a principal indústria de Macau, citado na terça-feira pelo portal GGRAsia.

Segundo as novas previsões, a estimativa do crescimento de 2027 situa-se em 2,4 por cento, num total de 259,2 mil milhões de patacas. Este valor significa um corte de 4 por cento, face à estimativa anterior, que era de 269,1 mil milhões de patacas.

Em relação a 2028, o relatório assinado pelo analista Jeffrey Kiang apresenta receitas de 270,4 mil milhões de patacas, o que significaria um crescimento de 4,3 por cento em comparação com 2027. Todavia, face aos números anteriores, este valor representa uma redução de 3 por cento, dado que a previsão anterior era de 280,1 mil milhões de patacas.

A média diária das receitas brutas seria assim de 710 milhões de patacas em 2027 e de 739 milhões de patacas em 2028.

Apesar do ambiente mais conservador, em relação ao ano em curso, a previsão fica “praticamente inalterada”, com a CLSA a indicar que as receitas deverão atingir 253,2 mil milhões de patacas.

Jeffrey Kiang reconhece que após o Mundial de Futebol, que afastou os jogadores do território, houve uma “recuperação notável” que se reflecte tanto ao nível das receitas como do número de visitantes. No entanto, a realidade não permite grandes recuperações: “não achamos que o cenário macroeconómico seja favorável o suficiente para impulsionar um crescimento incremental a partir do ritmo de receita actual”, justificou.

Menos propício

Como parte do ambiente menos favorável às receitas dos casinos de Macau, a corretora aponta os números mais recentes do índice de lucros industriais do Interior, mercado de onde vem a maioria dos jogadores.

Jeffrey Kiang defende que o índice de lucros industriais do Interior e as receitas brutas do jogo em Macau têm uma correlação positiva, ou seja, quando os lucros industriais aumentam as receitas do jogo crescem, e quando os lucros industriais caem as receitas também sofrem uma diminuição. “Assumindo que essa correlação se mantenha, os ventos contrários macroeconómicos permanecem para Macau, uma vez que o referido diferencial tem sido negativo desde Fevereiro”, foi indicado.

A CLSA espera ainda que a margem de EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) se mantenha sob pressão em 2027, devido ao crescimento rápido das despesas operacionais das concessionárias. O aumento das despesas deverá ultrapassar o crescimento das receitas e ser impulsionado por aumentos salariais.

“Na nossa perspectiva, a pressão sobre as despesas operacionais não se dissipa facilmente, uma vez que tem havido uma pressão ascendente sobre os custos com pessoal”, explicou a CLSA. “Houve um aumento salarial consistente para funcionários não gestores de pelo menos 2,5 por cento a cada ano, anunciado em 2024, 2025 e 2026. Estes ajustes salariais são altamente semelhantes em toda a linha”, foi vincado.

17 Set 2026

Macau Pass | Pai de vítima de falha exige pedido de desculpas

O progenitor da criança quer que a Macau Pass venha a público explicar as falhas de segurança. Além disso, argumenta que as dúvidas sobre a segurança da plataforma Mpay são demasiado sérias para serem levadas de ânimo leve

O pai da alegada vítima de uma falha de segurança da MPay, que resultou na perda de 2 mil patacas, quer que a Macau Pass venha a público assumir os erros. A posição foi tomada através de uma publicação nas redes sociais, com o progenitor do lesado a pedir à empresa do grupo Alibaba medidas necessárias para garantir a confiança dos clientes.

A polémica que envolve a plataforma MPay surgiu nas redes sociais, quando um internauta denunciou que a titularidade da carteira electrónica do seu filho de 10 anos tinha sido transferida para outra pessoa.

Segundo a mesma queixa, o facto de o número de telemóvel do filho ter sido reciclado, ou seja, ter pertencido anteriormente a outra pessoa, foi suficiente para convencer a Macau Pass a entregar-lhe a conta associada a esse número, sem verificações de segurança. Como resultado, o filho, que actualmente está na posse do número de telemóvel associado à conta, ficou sem acesso à sua carteira digital e às 2 mil patacas que tinha guardadas.

Agora, numa nova publicação, o pai do lesado insiste que a empresa ligada à Alibaba tem de assumir os erros e falhas para justificar merecer a confiança dos residentes. “Como uma das plataformas de pagamentos com maior taxa de utilização em Macau, os residentes depositam capital na MPay por terem confiança [na empresa]. A MPay tem a obrigação de garantir a segurança de cada cêntimo”, afirmou.

O autor também considerou que a falha não pode ser tratada de “ânimo leve” porque resultou de erro humano, em conjunto com falhas sistémicas. Quando fez a denúncia do caso pela primeira vez, o progenitor do lesado revelou que o antigo proprietário do número conseguiu ficar com a carteira do filho, sem nunca ter de confirmar através de um código SMS que estava na posse do número de telefone associado à conta da MPay. A transferência terá resultado de uma conversa com o serviço ao cliente.

Maior segurança

Ao longo da publicação foram ainda expostas outras falhas de segurança, como a ausência de um mecanismo de alerta interno: “Quando registamos uma conta na plataforma MPay, o sistema não nos alerta que o número de telefone já tinha sido registado anteriormente. Isto significa que o sistema do back-office não tem um mecanismo para associar e remover os números de telefone aos bilhetes de identidade, o que faz com que possa haver confusão nos registos da empresa sobre a identidade do real proprietário das carteiras electrónicas”, indicou.

O progenitor também alertou para os riscos de os proprietários de números reciclados poderem ficar sem carteiras electrónicas, dado que é possível recuperar carteiras digitais associadas a números, sem a verificação de segurança por código enviado por SMS.

No texto mais recente, o autor vincou ainda que não está disponível para negociar com a empresa uma compensação de forma privada, e que o assunto exige vários esclarecimentos públicos, assim como um pedido de desculpas.

Anteriormente, na primeira reacção a este caso, a Macau Pass, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, prometeu total cooperação com a investigação em curso das autoridades e defendeu que “os seus mecanismos de segurança estão a funcionar normalmente, não tendo sido detectada qualquer anomalia ao nível da segurança do sistema”.

17 Set 2026

Bairros Históricos | Loi I Weng diz que programa está a falhar às PME

A deputada das Mulheres pede ao Executivo que repense a estratégia de promover eventos culturais nos bairros históricos. A legisladora sugere uma nova estratégia para “reter” os turistas por mais tempo naqueles locais

A deputada Loi I Weng pede ao Governo que apresente novas medidas para ajudar a promover os negócios nos bairros históricos. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, em que a legisladora das Mulheres aponta as falhas do modelo económico baseado na promoção de eventos culturais nestes bairros.

Segundo a opção do Executivo, as concessionárias ficam obrigadas a promover eventos em determinadas zonas históricas, como a Barra ou a Rua da Felicidade. A esperança é que estes eventos levem mais pessoas àqueles locais e incentivem o consumo nas pequenas e médias empresas.

No entanto, Loi I Weng aponta que apesar dos investimentos nos bairros o dinheiro não está a chegar às empresas com menor dimensão: “analisando o funcionamento actual das zonas históricas, verifica-se que os avultados recursos afectados ainda não foram eficazmente convertidos em benefícios reais para a economia comunitária, subsistindo várias contradições estruturais profundas que urge resolver”, justifica a deputada.

Sobre os problemas, Loi considera que a coordenação entre o discurso político e a implementação “não é suficientemente eficaz”, com a prática a não corresponder ao pretendido.

Fornecedores fixos

Além disso, Loi I Weng explica que as concessionárias recorrem quase sempre aos seus fornecedores de há vários anos na organização dos eventos, pelo que o número de empresas beneficiadas por estas iniciativas acaba por ser limitado.

Em relação a este aspecto, a deputada quer saber se a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e a Direcção dos Serviços de Turismo vão criar “mecanismos” para obrigar “as entidades operadoras dos bairros históricos a publicar periodicamente listas de aquisição e de recrutamento” de serviços. O objectivo passa por criar mais oportunidades para outras empresas serem beneficiadas com os eventos.

Por último, a legisladora explica que os turistas visitam as iniciativas, mas muitas vezes nem consomem nos locais: “a atracção de visitantes mantém-se ao nível superficial, faltando um mecanismo de longo prazo que conduza os visitantes às ruas e vielas interiores”, aponta. “As actividades nas zonas históricas concentram-se sobretudo nas praças principais ou em troços específicos, onde os turistas fazem uma visita rápida e partem, sem se deslocarem às ruas e vielas das zonas antigas envolventes para consumir. Muitos comerciantes das lojas antigas referem não ter beneficiado do fluxo de pessoas gerado pelo programa”, acrescentou.

Neste capítulo, a deputada defende que a aprovação dos projectos financiados com capitais públicos deve ser mais criteriosa, com a atribuição de prioridade a propostas que façam com que os turistas caminhem pelas zonas envolventes dos bairros históricos.

16 Set 2026