Crime | Detido por tentativa de homicídio relacionada com dívida

Uma dívida de 15 mil dólares terá estado na origem do diferendo que terminou com mais de 10 facadas. O alegado criminoso esteve praticamente um ano em excesso de permanência, sem que tivesse sido interceptado pelas autoridades

Um homem em situação irregular em Macau foi detido por, alegadamente, ter esfaqueado outro devido a uma dívida de 15 mil dólares de Hong Kong. O crime foi divulgado na sexta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), e o detido foi encaminhado para o Ministério Público (MP).

O caso aconteceu na sexta-feira de madrugada, durante um encontro entre os dois homens, num restaurante na Avenida de D. Rodrigo Rodrigues. Nessa ocasião, o detido terá pedido a devolução do montante emprestado para apostar nos casinos do território.

Como o devedor se recusou pagar a dívida, o detido foi à cozinha, pegou numa faca e atacou a vítima na cabeça e na parte superior do corpo. O agredido tentou defender-se do ataque com um banco de madeira, mas sofreu ferimentos em várias zonas do corpo, com pelo menos 10 golpes na cabeça e parte superior do corpo.

Após o ataque com a faca, o agressor colocou-se em fuga. No entanto, os trabalhadores do restaurante auxiliaram a vítima, que foi transportada para o Hospital Kiang Wu, e alertaram a polícia para o sucedido. As autoridades procederam à detenção na manhã de sexta-feira, numa casa de massagens no NAPE.

Promessa de gorjeta

Segundo a informação da PJ, a vítima e o suspeito conheceram-se no mês passado, quando também se encontraram num restaurante. Nesse encontro, o agressor aceitou emprestar 15 mil dólares de Hong Kong à vítima, com a condição de receber uma “gorjeta” em caso de vitória do jogador, além da devolução do dinheiro emprestado.

No entanto, nas mesas dos casinos, a sorte não esteve do lado do devedor, que perdeu o dinheiro todo e ficou sem capacidade financeira para devolver o dinheiro. Com o empréstimo por pagar, os dois reuniram-se pela primeira vez na noite de quarta-feira. Nessa altura, o agressor não conseguiu cobrar a dívida, mas ambos agendaram um novo encontro para a madrugada de sexta-feira.

No segundo encontro, como o homem que estava ilegalmente em Macau considerou que o devedor não estava a lidar com o assunto de forma séria e não tinha planos para pagar a dívida decidiu partir para a agressão.

Segundo o relatório médico, a vítima sofreu lesões na cabeça, rosto e tronco, além de uma fractura na falange média do dedo mindinho da mão direita. O jornal Ou Mun indica que os médicos estimaram o período de recuperação em três meses.

O suspeito tem 36 anos, é residente do Interior e afirmou estar desempregado. Encontrava-se em excesso de permanência no território há cerca de um ano.

Durante a intervenção, a polícia apreendeu a faca de cozinha com uma lâmina de 18 centímetros que foi utilizada no crime. Como as autoridades consideraram que o atacante visou zonas vitais da vítima, a Polícia Judiciária concluiu que houve intenção de matar, pelo que indiciou o suspeito por homicídio na forma tentada, detenção de arma proibida e empréstimo ilícito para a prática do jogo. A situação de excesso de permanência do suspeito será objecto de um processo autónomo.

21 Set 2026

Futebol | Torneio da Soberania realiza-se a 28 e 29 de Novembro

A selecção de veteranos de Macau, o Sporting Clube de Portugal, o Macallum Sports Club, da Malásia, e uma equipa de Pequim vão ser as quatro formações participantes na edição deste ano do Torneio da Soberania. Ao contrário do habitual, a 26.ª edição da competição organizada pela Associação dos Veteranos de Futebol de Macau é antecipada para 28 e 29 de Novembro.

“As nossas expectativas são sempre as melhores. E este ano o torneio é um bocado especial, porque nós decidimos convidar uma equipa da Malásia”, afirmou Francisco Manhão, ex-presidente da associação e actual consultor, ao HM. “E, por feliz coincidência, o nosso Chefe do Executivo também esteve recentemente na Malásia numa viagem para reforçar os laços de amizade. Por isso, vamos aproveitar este torneio para reforçar os laços, um aspecto que nos recorda um bocado a política de pingue-pongue que foi utilizada para aproximar as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China”, apontou.

Entre as equipas convidadas consta também uma formação de veteranos do Sporting, um regresso ao território. Sobre esta formação, Manhão indicou que o torneio só faz sentido se houver uma equipa de Portugal, dado que o torneio assinala a transferência da administração de Macau. “Se estamos a assinalar esta data, só faz sentido se também houver uma equipa de Portugal”, vincou.

Velhos conhecidos

Em relação à equipa que viaja de Portugal para participar no evento, Francisco Manhão destacou um velho conhecido do território, o guarda-redes Mário Fonseca, que entre os anos de 1993 e 1994 representou as cores do Negro Rubro.

“Foi um jogador que se sagrou campeão de futebol de 11 e de futebol de 7 – a nossa Bolinha – também participou na Taça dos Campeões da Ásia, num ano em que bateram uma equipa de Cantão por 4-3”, recordou o consultor do torneio.

A equipa de Lisboa é ainda integrada por jogadores como Diogo Salomão, que realizou cerca de 15 jogos pela equipa principal do Sporting, Edgar Marcelino e João Paiva. Todos estes atletas passaram pela Academia de Alcochete e foram internacionais por Portugal nos anos de formação.

Sobre a antecipação da data do torneio, que normalmente se realiza em Dezembro e no Canídromo, Manhão justificou a mudança com a dificuldade em arranjar um campo de futebol, devido à realização de obras, durante as datas tradicionais. Os jogos vão assim decorrer no Campo Desportivo da Universidade de Macau, o que o consultor reconheceu tornar mais complicadas as deslocações para os jogos.

18 Set 2026

Habitação | Compras e vendas com queda de 16% em Agosto

Ao longo do último mês, o mercado de habitação voltou a contrair, com menos transacções e a preços mais baratos. Coloane foi a zona mais cara do território para comprar casa

Em Agosto, o número de compras e vendas de habitação registou uma redução mensal de 15,9 por cento, para 253 transacções. Em Julho deste ano, o número de transacções no território tinha sido de 301.

Os dados mais recentes do mercado imobiliário foram divulgados ontem pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF) e mostram que Agosto é o segundo mês consecutivo de contracção, depois de em Junho ter sido registado um total de 433 compras e vendas.

No corrente ano, o mês com mais actividade no mercado foi Fevereiro, quando foram totalizadas 494 transacções de habitação. Em relação aos dados de Agosto deste ano, o maior número de transacções ocorreu na Península de Macau (187), mercado seguido pela Taipa (46) e por Coloane (20).

A Península e a Taipa foram os locais que pressionaram negativamente o mercado, dado que em Julho tinham registado 241 e 49 compras e vendas, respectivamente. No entanto, Coloane apresentou uma tendência contrária, com as transacções a crescerem, dado que no mês anterior tinham sido inscritas 11 compras e vendas.

Quando a comparação do número de compras e vendas é feita em termos anuais, o mercado apresenta um crescimento de 7,7 por cento. Em Agosto de 2025 houve um total de 235 transacções, uma diferença de 18 compras e vendas. Os números estão muito longe da realidade pré-covid, dado que em Agosto de 2019 foram registadas 770 transacções.

Preços em queda

Em relação aos valores praticados em Agosto, o preço médio por metro quadrado foi de 65.998 patacas, o que representou uma redução mensal de 2,5 por cento, dado que em Julho o preço médio tinha sido de 67.667 patacas.

Na Península, o preço médio do metro quadrado foi de 63.851 patacas, na Taipa de 63.466 patacas e em Coloane de 85.388 patacas. Em relação a Julho, os preços médios ficaram mais baixos na Península e na Taipa, dado que anteriormente atingiram 66.932 e 69.347 patacas, respectivamente. Todavia, o cenário foi diferente em Coloane, onde o valor médio do metro quadrado valorizou, dado que em Julho tinha sido de 72.835 patacas.

Em termos anuais, o metro quadrado apresentou uma desvalorização de 17,9 por cento, uma vez que em Agosto de 2025 o preço atingiu 80.370 patacas. No corrente ano, o preço por metro quadrado mais elevado foi registado em Junho, com 87.869 patacas.

Também em relação ao preço, o mercado está muito afastado da realidade pré-pandemia. Em Agosto de 2019, o metro quadrado era comercializado, em média, por 116.856 patacas, uma diferença negativa de 43,5 por cento.

18 Set 2026

Jogo | CLSA revê estimativas de crescimento em baixa

A CLSA estima que as receitas do jogo se expandam 2,4 por cento no próximo ano e 4,3 por cento em 2028. Em relação aos lucros das concessionárias, a corretora alerta para uma redução, devido ao aumento dos custos operacionais

A corretora CLSA confessa ter adoptado uma visão “mais cautelosa” sobre o mercado do jogo e cortou as previsões de crescimento para 2027 e 2028. A informação foi divulgada através do mais recente relatório sobre a principal indústria de Macau, citado na terça-feira pelo portal GGRAsia.

Segundo as novas previsões, a estimativa do crescimento de 2027 situa-se em 2,4 por cento, num total de 259,2 mil milhões de patacas. Este valor significa um corte de 4 por cento, face à estimativa anterior, que era de 269,1 mil milhões de patacas.

Em relação a 2028, o relatório assinado pelo analista Jeffrey Kiang apresenta receitas de 270,4 mil milhões de patacas, o que significaria um crescimento de 4,3 por cento em comparação com 2027. Todavia, face aos números anteriores, este valor representa uma redução de 3 por cento, dado que a previsão anterior era de 280,1 mil milhões de patacas.

A média diária das receitas brutas seria assim de 710 milhões de patacas em 2027 e de 739 milhões de patacas em 2028.

Apesar do ambiente mais conservador, em relação ao ano em curso, a previsão fica “praticamente inalterada”, com a CLSA a indicar que as receitas deverão atingir 253,2 mil milhões de patacas.

Jeffrey Kiang reconhece que após o Mundial de Futebol, que afastou os jogadores do território, houve uma “recuperação notável” que se reflecte tanto ao nível das receitas como do número de visitantes. No entanto, a realidade não permite grandes recuperações: “não achamos que o cenário macroeconómico seja favorável o suficiente para impulsionar um crescimento incremental a partir do ritmo de receita actual”, justificou.

Menos propício

Como parte do ambiente menos favorável às receitas dos casinos de Macau, a corretora aponta os números mais recentes do índice de lucros industriais do Interior, mercado de onde vem a maioria dos jogadores.

Jeffrey Kiang defende que o índice de lucros industriais do Interior e as receitas brutas do jogo em Macau têm uma correlação positiva, ou seja, quando os lucros industriais aumentam as receitas do jogo crescem, e quando os lucros industriais caem as receitas também sofrem uma diminuição. “Assumindo que essa correlação se mantenha, os ventos contrários macroeconómicos permanecem para Macau, uma vez que o referido diferencial tem sido negativo desde Fevereiro”, foi indicado.

A CLSA espera ainda que a margem de EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) se mantenha sob pressão em 2027, devido ao crescimento rápido das despesas operacionais das concessionárias. O aumento das despesas deverá ultrapassar o crescimento das receitas e ser impulsionado por aumentos salariais.

“Na nossa perspectiva, a pressão sobre as despesas operacionais não se dissipa facilmente, uma vez que tem havido uma pressão ascendente sobre os custos com pessoal”, explicou a CLSA. “Houve um aumento salarial consistente para funcionários não gestores de pelo menos 2,5 por cento a cada ano, anunciado em 2024, 2025 e 2026. Estes ajustes salariais são altamente semelhantes em toda a linha”, foi vincado.

17 Set 2026

Macau Pass | Pai de vítima de falha exige pedido de desculpas

O progenitor da criança quer que a Macau Pass venha a público explicar as falhas de segurança. Além disso, argumenta que as dúvidas sobre a segurança da plataforma Mpay são demasiado sérias para serem levadas de ânimo leve

O pai da alegada vítima de uma falha de segurança da MPay, que resultou na perda de 2 mil patacas, quer que a Macau Pass venha a público assumir os erros. A posição foi tomada através de uma publicação nas redes sociais, com o progenitor do lesado a pedir à empresa do grupo Alibaba medidas necessárias para garantir a confiança dos clientes.

A polémica que envolve a plataforma MPay surgiu nas redes sociais, quando um internauta denunciou que a titularidade da carteira electrónica do seu filho de 10 anos tinha sido transferida para outra pessoa.

Segundo a mesma queixa, o facto de o número de telemóvel do filho ter sido reciclado, ou seja, ter pertencido anteriormente a outra pessoa, foi suficiente para convencer a Macau Pass a entregar-lhe a conta associada a esse número, sem verificações de segurança. Como resultado, o filho, que actualmente está na posse do número de telemóvel associado à conta, ficou sem acesso à sua carteira digital e às 2 mil patacas que tinha guardadas.

Agora, numa nova publicação, o pai do lesado insiste que a empresa ligada à Alibaba tem de assumir os erros e falhas para justificar merecer a confiança dos residentes. “Como uma das plataformas de pagamentos com maior taxa de utilização em Macau, os residentes depositam capital na MPay por terem confiança [na empresa]. A MPay tem a obrigação de garantir a segurança de cada cêntimo”, afirmou.

O autor também considerou que a falha não pode ser tratada de “ânimo leve” porque resultou de erro humano, em conjunto com falhas sistémicas. Quando fez a denúncia do caso pela primeira vez, o progenitor do lesado revelou que o antigo proprietário do número conseguiu ficar com a carteira do filho, sem nunca ter de confirmar através de um código SMS que estava na posse do número de telefone associado à conta da MPay. A transferência terá resultado de uma conversa com o serviço ao cliente.

Maior segurança

Ao longo da publicação foram ainda expostas outras falhas de segurança, como a ausência de um mecanismo de alerta interno: “Quando registamos uma conta na plataforma MPay, o sistema não nos alerta que o número de telefone já tinha sido registado anteriormente. Isto significa que o sistema do back-office não tem um mecanismo para associar e remover os números de telefone aos bilhetes de identidade, o que faz com que possa haver confusão nos registos da empresa sobre a identidade do real proprietário das carteiras electrónicas”, indicou.

O progenitor também alertou para os riscos de os proprietários de números reciclados poderem ficar sem carteiras electrónicas, dado que é possível recuperar carteiras digitais associadas a números, sem a verificação de segurança por código enviado por SMS.

No texto mais recente, o autor vincou ainda que não está disponível para negociar com a empresa uma compensação de forma privada, e que o assunto exige vários esclarecimentos públicos, assim como um pedido de desculpas.

Anteriormente, na primeira reacção a este caso, a Macau Pass, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, prometeu total cooperação com a investigação em curso das autoridades e defendeu que “os seus mecanismos de segurança estão a funcionar normalmente, não tendo sido detectada qualquer anomalia ao nível da segurança do sistema”.

17 Set 2026

Bairros Históricos | Loi I Weng diz que programa está a falhar às PME

A deputada das Mulheres pede ao Executivo que repense a estratégia de promover eventos culturais nos bairros históricos. A legisladora sugere uma nova estratégia para “reter” os turistas por mais tempo naqueles locais

A deputada Loi I Weng pede ao Governo que apresente novas medidas para ajudar a promover os negócios nos bairros históricos. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, em que a legisladora das Mulheres aponta as falhas do modelo económico baseado na promoção de eventos culturais nestes bairros.

Segundo a opção do Executivo, as concessionárias ficam obrigadas a promover eventos em determinadas zonas históricas, como a Barra ou a Rua da Felicidade. A esperança é que estes eventos levem mais pessoas àqueles locais e incentivem o consumo nas pequenas e médias empresas.

No entanto, Loi I Weng aponta que apesar dos investimentos nos bairros o dinheiro não está a chegar às empresas com menor dimensão: “analisando o funcionamento actual das zonas históricas, verifica-se que os avultados recursos afectados ainda não foram eficazmente convertidos em benefícios reais para a economia comunitária, subsistindo várias contradições estruturais profundas que urge resolver”, justifica a deputada.

Sobre os problemas, Loi considera que a coordenação entre o discurso político e a implementação “não é suficientemente eficaz”, com a prática a não corresponder ao pretendido.

Fornecedores fixos

Além disso, Loi I Weng explica que as concessionárias recorrem quase sempre aos seus fornecedores de há vários anos na organização dos eventos, pelo que o número de empresas beneficiadas por estas iniciativas acaba por ser limitado.

Em relação a este aspecto, a deputada quer saber se a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e a Direcção dos Serviços de Turismo vão criar “mecanismos” para obrigar “as entidades operadoras dos bairros históricos a publicar periodicamente listas de aquisição e de recrutamento” de serviços. O objectivo passa por criar mais oportunidades para outras empresas serem beneficiadas com os eventos.

Por último, a legisladora explica que os turistas visitam as iniciativas, mas muitas vezes nem consomem nos locais: “a atracção de visitantes mantém-se ao nível superficial, faltando um mecanismo de longo prazo que conduza os visitantes às ruas e vielas interiores”, aponta. “As actividades nas zonas históricas concentram-se sobretudo nas praças principais ou em troços específicos, onde os turistas fazem uma visita rápida e partem, sem se deslocarem às ruas e vielas das zonas antigas envolventes para consumir. Muitos comerciantes das lojas antigas referem não ter beneficiado do fluxo de pessoas gerado pelo programa”, acrescentou.

Neste capítulo, a deputada defende que a aprovação dos projectos financiados com capitais públicos deve ser mais criteriosa, com a atribuição de prioridade a propostas que façam com que os turistas caminhem pelas zonas envolventes dos bairros históricos.

16 Set 2026

Segurança Nacional | Iau Teng Pio diz que plataforma com Ocidente cria riscos

O deputado e vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende que as associações têm de se subordinar à segurança nacional e incluir o patriotismo nos estatutos

O deputado Iau Teng Pio considera que o facto de Macau ser uma plataforma entre a China e o Ocidente contribui para a existência de vários riscos para a segurança nacional.

A posição foi tomada através da publicação de um artigo de opinião no jornal Ou Mun, em que o também vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende maiores exigências patrióticas para as associações locais. “Como centro de intercâmbio entre a cultura chinesa e a ocidental, Macau enfrenta riscos potenciais de segurança nacional que revestem um carácter mais dissimulado e complexo”, escreve Iau Teng Pio.

“Ao aperfeiçoar o seu sistema de governação através de reformas legislativas, a RAEM cria um novo panorama focado em áreas de alto risco — como as relações externas das associações, a circulação de fundos e a disseminação em redes —, aplicando um controlo de conformidade regular para dissipar os riscos na origem e tecer uma rede de protecção multidimensional e tridimensional para a segurança nacional”, é acrescentado.

A opinião surge numa altura em que decorre uma consulta pública sobre a futura lei das associações, que se espera que dê poderes às autoridades para encerrarem qualquer associação que não seja considerada patriota.

Apesar deste aspecto, o especialista em direito considera que não se está a limitar a liberdade de associação: “O aperfeiçoamento do regime de conformidade com a segurança nacional para as associações não visa limitar a liberdade de associação, mas sim seguir a lógica internacional de governação centrada em ‘regulamentar para promover a saúde e garantir a conformidade para alavancar o desenvolvimento’, purificando o ecossistema associativo e padronizando a ordem operacional”, sustenta.

À imagem da Rússia

Em defesa do diploma do Governo que ainda não é conhecido, o deputado considera que a “liberdade de associação é um direito fundamental, mas não um direito absoluto”.

Iau Teng Pio aponta que as associações têm de estar subordinadas à segurança nacional, e que o mesmo acontece “em todos os países do mundo”. “Todos os países do mundo delimitam claramente os seus regimes de direitos, estabelecendo a salvaguarda da segurança nacional e da ordem pública como limites legais indispensáveis para o funcionamento das associações”, escreve. “Assim, observa-se que a aplicação de supervisão e controlo de conformidade no âmbito da segurança nacional às associações representa um princípio jurídico e uma prática internacional comummente aceites a nível global”, frisou.

Entre os exemplos citados pelo deputado de jurisdições que limitam a liberdade de associação surgem a Rússia, o Reino Unido e ainda a Alemanha.

Iau Teng Pio indica também que o conceito de “amor pela Pátria e por Macau” e o “cumprimento da lei e salvaguarda da segurança deve ser incorporado nos estatutos sociais e integrado nas operações diárias” das associações. O deputado pede ainda às associações para deixarem de ser “meros sujeitos de prestação de serviços sociais” e evoluam para “guardiãs da segurança nacional na base comunitária”.

16 Set 2026

MPay | AMCM “atenta” a acusações sobre falhas de segurança

A MPay foi acusada de permitir o roubo de uma conta, ao transferir a titularidade sem verificar a identidade do dono da conta, resultando na perda de 2 mil patacas do novo titular, uma criança de 10 anos. A AMCM assegura que está atenta ao caso e a possíveis falhas de segurança

 

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) afirma estar “atenta” às acusações de existência de fragilidades na segurança da plataforma de pagamentos MPay, explorada pela Macau Pass, que integra o grupo Alibaba. A plataforma de pagamentos está a ser acusada de transferir a titularidade da conta de um utilizador sem qualquer verificação de identidade por SMS, o que terá permitido um alegado roubo de fundos.

A polémica que envolve a plataforma MPay surgiu durante o fim-de-semana nas redes sociais, quando um internauta denunciou que a titularidade da carteira electrónica do seu filho de 10 anos tinha sido transferida para outra pessoa, com perdas de 2 mil patacas.

A transferência de titularidade terá sido possível porque anteriormente o número de telemóvel da criança tinha pertencido a outra pessoa. Esta pessoa também tinha registado uma conta na plataforma MPay com o mesmo número.

Contudo, com o passar dos anos, o número ficou inactivo e foi reciclado pela CTM e atribuído ao filho do denunciante. Este utilizou o número para registar uma conta na plataforma MPay para a criança, para onde transferia todas as semanas 70 patacas.

Todavia, o antigo proprietário do número de telemóvel terá contactado a MPay para recuperar a conta antiga, o que conseguiu: “Afinal, aquele número de telefone já tinha sido usado anteriormente para registar uma conta na MPay. O antigo titular da conta pediu para reaver a conta sem precisar do código de verificação por SMS, e a MPay, sem qualquer tipo de aviso, transferiu directamente a conta do actual titular do número para o nome do antigo titular…”, relatou o queixoso numa publicação num grupo de Facebook.

“Só posso dizer que esta falha no sistema da MPay fez com que o meu filho ficasse a usar a conta antiga de outra pessoa. Naquele momento fiquei de queixo caído e só me apetecia perguntar: afinal, para que serve o código de verificação do telemóvel?”, acrescentou.

Investigação em curso

O relato difundido nas redes sociais tornou-se viral, com o denunciante a recomendar que as pessoas nunca mais utilizem a aplicação MPay. O homem divulgou também ter apresentado queixa à Polícia Judiciária (PJ), pelo que o caso está sob investigação.

Na publicação online, o autor reconheceu estar conformado com a perda de 2 mil patacas, e recomendou às pessoas que registem sempre os números de telemóvel em todas as aplicações possíveis, para impedir roubos deste género.

Numa resposta citada pelo canal chinês da Rádio Macau, a AMCM indicou que o caso denunciado se trata de uma disputa sobre a titularidade da conta e que está a ser acompanhado pelos órgãos judiciários.

A AMCM afirmou ainda que presta muita atenção à segurança do uso dos pagamentos electrónicos, pelo que exige às instituições de pagamento o estabelecimento de medidas adequadas de verificação de identidade em etapas como o registo de conta, redefinição de palavra-passe, transacções e verificação de identidade, de modo a garantir a segurança dos pagamentos e a salvaguardar os direitos e interesses dos clientes.

Por sua vez, a Macau Pass prometeu total cooperação com a investigação e defendeu que “os seus mecanismos de segurança estão a funcionar normalmente, não tendo sido detectada qualquer anomalia ao nível da segurança do sistema”.

15 Set 2026

Edifícios | FAOM quer criminalizar arremesso de objectos em altura

Após a queda de uma faca de um edifício na Zona A dos Novos Aterros, Cheang Kai Lok, membro dos Operários no Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, defende a criminalização da conduta

 

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defende a criminalização do arremesso de objectos em altura. Foi desta forma que o membro dos Operários reagiu a um caso recente em que uma faca de cozinha caiu dos andares superiores de um prédio na Zona A dos Novos Aterros.

Através de um comunicado divulgado ontem, Cheang considerou a legislação actual ultrapassada por punir com “sanções relativamente ligeiras” o arremesso de objectos em altura, desde que não haja feridos nem danos materiais. O conselheiro sugere, assim, ao Executivo que siga o exemplo das “regiões vizinhas” para criar um novo tipo de crime autónomo para esta conduta.

No entanto, se o Governo não quiser criar o novo tipo de crime, o membro da FAOM defende que se devem “agravar as sanções administrativas” para estabelecer “normas jurídicas mais claras e severas”.

Sobre as opiniões que defendem a instalação de mais câmaras de videovigilância na cidade viradas para as habitações, de forma a detectar os infractores deste tipo de práticas, Cheang Kai Lok pediu cautela. O conselheiro explicou que “a instalação adicional de equipamentos de vigilância em altura pode entrar em conflito com as disposições relativas à protecção da privacidade individual no actual regime jurídico da videovigilância em espaços públicos”.

Cheang considera que o mais importante passa pelas as autoridades encontrarem “um equilíbrio razoável” entre a salvaguarda da segurança pública e a garantia da privacidade individual dos residentes.

Comunidade preocupada

Sobre o episódio da queda de uma faca de cozinha, Cheang Kai Lok alertou para os riscos e para o facto de ser uma prática repetida. “Dado o risco extremo que a queda de objectos em altura representa, e considerando que no passado já tinham ocorrido de forma esporádica episódios de diferente gravidade nessa zona, o caso gerou rapidamente uma enorme preocupação e apreensão entre os residentes do bairro”, descreveu.

No seguimento do alerta, o conselheiro pediu à população para ter mais cuidado com a forma como guarda as coisas em casa, principalmente perto das janelas.

Cheang defendeu ainda que os “moradores devem inspeccionar proactivamente o seu ambiente doméstico, especialmente espaços abertos como varandas e parapeitos de janelas, evitando a colocação de vasos de plantas, ferramentas, utensílios de cozinha ou outros objectos susceptíveis de cair”.

Além da negligência acidental, Cheang Kai Lok assinalou que alguns comportamentos de arremesso de objectos em altura podem ter origem em oscilações emocionais ou no stress do quotidiano de determinados indivíduos. Face a estes casos, o responsável entende que as famílias devem acompanhar e apoiar os membros que se mostrem mais fragilizados.

15 Set 2026

Autocarros | Song Pek Kei pede melhores ligações para Hac Sá

Apesar do aproximar do fim do Verão, a deputada defende que a Praia de Hac Sá continua a ser muito procurada, pelo que é necessário aumentar a frequência dos autocarros públicos

A deputada Song Pek Kei pediu ao Governo para criar melhores ligações de autocarro para a Praia de Hac Sá, devido à crescente procura por residentes e turistas. A solicitação consta de uma interpelação divulgada ontem e tem em conta a redução do número de autocarros ligada ao fim da época balnear.

Segundo a deputada ligada à comunidade de Fujian, “o número de residentes e turistas que se deslocam” à Praia de Hac Sá e zonas próximas “não pára de crescer”, independentemente da época do ano.

Todavia, a legisladora avisa que as ligações por transportes públicos são tidas como insuficientes. “Todos os fins-de-semana e feriados continuam a registar-se problemas como o congestionamento das estradas em redor de Hac Sá, tempo excessivo de espera pelos autocarros e a escassez de lugares de estacionamento”, descreve Song Pek Kei.

A deputada alerta ainda que não se espera que a situação melhore a curto prazo, uma vez que com o final do Verão o autocarro n.º 15 deixou de passar pela Praia de Hac Sá, assim como o autocarro nocturno N3.

Neste cenário, as viagens são feitas nos autocarros n.º 26A e n.º 21A, que para Song têm muitos problemas. Em relação ao autocarro 21A, a deputada aponta que o “intervalo entre as viagens é relativamente longo”, o que faz acumular o número de passageiros. No 26A, tido como a ligação principal, a situação não é muito melhor, e Song indica que a viatura “fica frequentemente cheia a meio do percurso, fazendo com que os residentes por vezes enfrentem longos tempos de espera ou não consigam embarcar”.

Face às dificuldades, a deputada questiona o Executivo sobre a existência de planos para ajustar a frequência dos autocarros e facilitar as deslocações para a praia.

Os mais utilizados

Além das ligações à praia, a deputada alerta também para a necessidade de melhorar outras carreiras. Com recurso aos dados oficiais, a deputada aponta que entre Janeiro e Junho o volume de passageiros dos autocarros públicos atingiu os 120 milhões, o que representa um aumento anual de 6,12 por cento.

Contudo, Song Pek Kei considera que as ligações de autocarros ainda apresentam muitos problemas, como acontece quando existe uma “sobreposição de rotas em zonas turísticas muito frequentadas”, indicando os exemplos da Praia Grande e a Avenida de Almeida Ribeiro. Para a deputada, esta sobreposição “provoca filas de veículos nas paragens que resultam em congestionamentos na rede viária”, além de fazer com que o sistema seja menos eficiente.

Em relação a este problema, Song questiona o Governo sobre a possibilidade de repensar as ligações existentes, com uma maior aposta em autocarros que liguem pontos específicos, de forma a reduzir a sobreposição excessiva.

11 Set 2026

Museu da Cultura | Aberto concurso para projecto de arquitectura

O Instituto Cultural convidou 10 equipas de arquitectura para apresentarem propostas para o futuro Museu Nacional da Cultura. O edifício vai ficar localizado perto da Torre de Macau, à frente do Tribunal de Segunda Instância, e a data de abertura está prevista para 2029

O Governo convidou 10 equipas a apresentarem propostas de arquitectura para o futuro Museu Nacional da Cultura. A informação foi revelada ontem, através de uma conferência de imprensa do Instituto Cultural (IC), e o objectivo passa por fazer com que a primeira fase do museu entre em funcionamento em 2029.

Segundo a apresentação de ontem, o futuro museu vai ficar localizado na Zona B dos Novos Aterros, à frente do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e do Edifício do Tribunal de Segunda Instância.

No entanto, o projecto de concepção arquitectónica ainda tem de ser definido, o que vai ser feito depois de um concurso por convite com a participação de 10 equipas de arquitectura: “O museu é uma instalação cultural de referência para o futuro de Macau, vai ser uma obra de grande escala e com elevadas exigências de concepção arquitectónica, devendo corresponder aos padrões técnicos internacionais de alto nível”, afirmou a presidente do IC. “O Governo da RAEM já convidou sete equipas de concepção arquitectónica de renome mundial e de topo, bem como três equipas locais de concepção arquitectónica, num total de dez equipas, para apresentarem propostas”, acrescentou.

Além das três equipas locais, três das convidadas são provenientes do Interior, havendo igualmente quatro equipas de Portugal, Suíça, Reino Unido e Holanda. Após a elaboração das propostas vai haver uma selecção, por parte de um júri constituído por membros dos serviços públicos e especialistas em planeamento urbano, arquitectura e museologia.

Funcionamento em 2029

As autoridades esperam que o projecto de arquitectura seja escolhido até ao final do ano. Por este motivo, a presidente do IC, Deland Leong, avançou que ainda não é possível fazer uma previsão sobre o orçamento da infra-estrutura.

Além disso, as autoridades esperam que o museu entre em funcionamento em 2029. A construção vai ser dividida em duas fases, com a primeira, que se espera de menor dimensão, a entrar em funcionamento nesse ano. A segunda fase só será aberta posteriormente.

O edifício do museu vai ter uma área de cerca de 100 mil metros quadrados, dos quais 80 mil metros quadrados vão ser destinados ao edifício principal, que vai receber as áreas de exposição, depósito de colecções, espaços de investigação, salas para intercâmbio cultural, entre outros espaços. Haverá também uma zona comercial destinada ao lazer e à cultura, com cerca de 20 mil metros quadrados, para lojas, restaurantes, instalações de lazer para as famílias e um centro de incubação para artistas. O projecto prevê igualmente um estacionamento, mas a dimensão ainda não foi decidida.

Zona Cultural

O Museu Nacional da Cultura é um dos três projectos da futura Zona Cultural do território, que tem como designação oficial Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. Além deste museu, fazem ainda parte do projecto o Centro Internacional das Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

“A Zona Cultural tem como objectivo constituir um novo marco cultural do futuro de Macau, e o Museu Nacional da Cultura de Macau vai ser lançado em primeiro lugar”, explicou a presidente do IC. “Este museu tornar-se-á uma ponte cultural entre a China e o Ocidente, uma área de divulgação de conhecimento, uma sala de visitas da cidade e um motor de turismo cultural”, destacou.

Deland Leong apontou também que o Museu Nacional da Cultura vai ser desenvolvido em coordenação com o Museu Nacional da China, em Pequim, e que se espera criar um centro de visita para mostrar a cultural de Macau, onde existe uma fusão com predominância da cultura chinesa.

Autocarros nas Ilhas

O Museu Nacional de Cultura vai ocupar parte de um espaço que actualmente serve para o estacionamento de autocarros públicos e de turismo. Com as obras a começar no próximo ano, o estacionamento destes veículos será alterado. Ontem, o chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, Leong Io Hong, indicou que as autoridades vão encontrar alternativas na Taipa ou em Coloane. No entanto, não foram indicados pormenores sobre os futuros estacionamentos dos veículos pesados.

11 Set 2026

Restauração | Desvalorizado impacto da valorização do renminbi

Com 60 por cento dos produtos importados do Interior, a valorização pode fazer com que os produtos fiquem mais caros para os consumidores. A Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau aponta que há capacidade de manter os preços nos próximos tempos

Apesar da valorização do renminbi face ao dólar, a Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau considera que a pressão do aumento dos custos operacionais para os negócios locais ainda não se faz sentir.

Nas últimas semanas, o renminbi tem valorizado face à moeda americana e ontem um dólar equivalia a 6,7 renminbis. No entanto, esta variação pode ter um impacto na restauração local, uma vez que a pataca acompanha as flutuações da moeda americana e muitos dos produtos são importados do Interior, logo pagos em renminbis.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Ieong Weng Seng, destacou que no futuro mais próximo os negócios vão conseguir lidar com a valorização da moeda chinesa.

Ieong explicou que 60 por cento dos produtos da restauração provêm do Interior, enquanto 40 por cento têm origem em outros mercados. No entanto, como os empresários tendem a assinar contratos de abastecimento e a fazer pagamentos mensais, a subida dos preços demora cerca de 30 dias a fazer-se sentir.

O presidente da associação também recusou, para já, a possibilidade de haver um aumento dos preços para os consumidores. Ieong Weng Seng argumentou que, como o território atravessa uma situação económica mais exigente, os comerciantes tendem a sacrificar a margem de lucro para não afastar os clientes.

Ao mesmo tempo, Ieong clarificou que o aumento dos preços não deve acontecer a curto prazo, porque todos os aumentos têm de ser previamente indicados ao Governo.

Stocks ajudam

Além disso, o responsável destacou que há stock dos produtos importados do Interior, principalmente no que diz respeito à carne congelada. Por esta razão, para a maioria dos restaurantes de Macau, onde cerca de 70 por cento usam carne congelada, temporariamente não se vai sentir o impacto da valorização do renminbi. No entanto, nas cozinhas de luxo, como por exemplo, os restaurantes com estrelas Michelin, Ieong Weng Seng apontou que vão sofrer mais pressão, dado que usam mais ingredientes frescos.

No caso dos vegetais, a pressão vai ser mais generalizada porque são produtos com uma vida útil curta.

Num olhar mais geral sobre a restauração, Ieong Weng Seng afirmou que o maior problema são as mudanças estruturais no modelo de consumo e da origem dos consumidores. O presidente da Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau explicou que desde que os jogadores deixaram de frequentar o ZAPE devido ao encerramento dos casinos-satélite, que o consumo teve uma redução significativa. O responsável também explicou que os novos clientes daquela zona gastam muito menos dinheiro.

10 Set 2026

Dia do Professor | FAOM pede medidas para garantir empregos

Numa altura de redução da natalidade, Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Executivo que tome medidas para assegurar emprego para os docentes, mesmo que tenha de haver uma reconversão profissional

Os deputados Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Governo que tome medidas para assegurar os empregos dos professores, numa altura de redução do número de alunos. A mensagem foi divulgada ontem pelos membros da Federação das Associações dos Operários, em antecipação ao Dia do Professor, assinalado hoje na China.

Segundo os legisladores, no ano passado houve um total de 2.870 nascimentos no território, com 1.421 a ocorrerem na primeira metade do ano. Contudo, Entre Janeiro e Junho deste ano registou-se uma redução de 81 nascimentos, para um total de 1.340.

A tendência é tida como preocupante pelos quatro deputados: “O declínio contínuo da taxa de natalidade afecta gravemente a estabilidade profissional dos docentes”, foi alertado. “Algumas escolas enfrentam sérios desafios na captação de alunos, tendo já surgido situações de redução de turmas e de pessoal, prevendo-se que essa tendência de redução se possa intensificar no futuro”, foi acrescentado.

Neste contexto de maior insegurança laboral, os legisladores pedem às autoridades que “optimizem a afectação de recursos educativos em função das variações da população em idade escolar”, “ajustem o número de alunos por turma no regime de turmas reduzidas”, “optimizem o rácio professor-turma”, “revejam o sistema de redução de horas lectivas e tentem” e procurem “estabilizar e optimizar a equipa docente através do fluxo natural de saídas”.

Ao mesmo tempo em que surgem cada vez mais planos de escolas para se fundirem e transformarem, Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Executivo que desenvolva acções de formação para os docentes, para que possam adaptar-se a novas carreiras e encontrar outras oportunidades profissionais.

Na mensagem, os professores são considerados uma das pedras basilares da sociedade, pelo que se pede uma maior valorização da profissão.

Saúde mental

Apesar de o dia ser de celebração dos docentes, os legisladores não esquecem os alunos, apelando a que o Governo e a sociedade prestem mais atenção à saúde mental.

Em concreto, os deputados pretendem que as escolas reforcem os quadros com profissionais que ajudem os estudantes a lidar com os problemas mentais: “Com as mudanças no desenvolvimento socio-económico, os problemas de saúde mental dos estudantes têm atraído gradualmente a atenção da sociedade”, foi reconhecido. “Sugere-se que as autoridades aumentem o investimento de recursos e elevem a proporção de pessoal especializado, como conselheiros escolares, permitindo que as escolas, ao desenvolverem um ensino diversificado, prestem também atenção ao desenvolvimento da saúde mental dos alunos, promovendo o seu crescimento integral”, foi defendido.

10 Set 2026

Desporto | Vong pede esclarecimentos sobre pista no gelo prometida

O deputado Vong Hou Pio recorda a promessa do Instituto do Desporto de construir uma pista de gelo e pergunta quanto tempo o projecto vai continuar suspenso

O deputado Vong Hou Pio quer saber se o Governo mantém os planos para construir uma pista de gelo. O tema surge numa interpelação escrita elaborada pelo legislador e contabilista.

Na perspectiva do deputado, a população está cada vez mais interessada em envolver-se em actividades desportivas e o número de praticantes tem aumentado nos últimos anos. No entanto, o território enfrenta o problema crónico de falta de terrenos para instalações e de excesso de utilização das existentes.

Vong pretende saber se o Instituto do Desporto (ID) vai construir instalações para “desportos especiais”, que haviam sido prometidas no passado. “Relativamente à garantia de instalações para desportos especiais, como o hóquei no gelo, o Governo tinha planeado a construção de uma pista de gelo padrão na Taipa, embora o plano tenha sido posteriormente suspenso”, relatou o deputado. “O ID manifestou que continuará a procurar locais adequados e a estudar a viabilidade da construção de uma pista de gelo. As autoridades vão reservar terrenos na Zona A ou noutros locais apropriados para a construção de uma pista de gelo conforme os padrões internacionais?”, perguntou.

A promessa do ID de fazer uma pista de gelo surgiu em 2022, em plena pandemia, quando Pequim organizou os Jogos Olímpicos de Inverno. Durante esse período, vários deputados e membros do Governo defenderam a necessidade de apostar em desportos de Inverno.

Como consequência da onda de entusiasmo, surgiu a promessa de construção de uma pista com as dimensões oficiais para a prática de hóquei no gelo. No passado, havia uma pista no Parque de Diversões da Future Bright, junto ao Jardim de Camões, mas sem tamanho suficiente para corresponder aos padrões internacionais da modalidade.

Casa às costas

Vong Hou Pio lamenta ainda que a falta de uma pista de gelo esteja a prejudicar a selecção de Macau. “Tomando como exemplo o hóquei no gelo, a equipa de hóquei no gelo de Macau já obteve excelentes resultados em várias competições internacionais e chegou mesmo a representar Macau nos Jogos Asiáticos de Inverno”, relatou. “Contudo, esta selecção, que tantas vezes alcançou grandes feitos, enfrenta actualmente a difícil realidade de ‘não ter pista para treinar’. A única pista de gelo existente em Macau encontra-se em obras desde 2023, sem previsão de reabertura”, indicou.

Face à falta de instalações, o deputado revela que os atletas estão “obrigados a deslocar-se a Zhuhai para treinar após o trabalho ou as aulas, regressando muitas vezes a Macau já ao final da noite, o que aumenta significativamente o custo em termos de tempo e reduz drasticamente a eficácia do treino”. “A escassez de instalações não só afecta a preparação dos atletas em actividade, como também desencoraja novos talentos, podendo a médio e longo prazo provocar uma ruptura na formação de novos talentos qualificados”, defendeu.

10 Set 2026

Editorial – Mudança de direcção

Um homem muito mais sábio do que nós disse há muito tempo que aquilo que somos é a soma do que fazemos repetidamente. O que fazemos é, de certa forma, o que somos. Uma máxima cruelmente parafraseada que nos resume com precisão cirúrgica: um jornal diário de Macau, em português, que comemora 25 anos de resistência, tinta e palavra impressa. Nesta terra de contínuas metamorfoses, que acumula novas eras e fases a uma velocidade vertiginosa, iniciamos hoje uma nova direcção e plural edição.

Há 25 anos, o fundador do Hoje Macau, Carlos Morais José, construiu com rigor e audácia as bases sólidas de um projecto que sempre se focou em testemunhar, registar e narrar a história quotidiana da Macau. Esta permanece a nossa missão inabalável e esperamos honrar sempre esta herança.

O nosso propósito fundamental é manter viva a portugalidade, a matriz da nossa língua e o valioso legado histórico e cultural que confere a Macau as especificidades de uma cidade verdadeiramente única no mundo, sem nunca tirarmos os olhos da evolução constante e do pulsar desta China que nos abraça.

Nada disto, porém, seria possível sem a equipa que move esta redacção dia após dia com enorme dedicação e que recusa o caminho mais fácil na hora de informar os nossos leitores.

É com este espírito que assumimos o dever de ser um espaço de acolhimento que dá voz activa a todas as comunidades de Macau — das mais antigas às mais recentes, sem excepções ou preconceitos. Também não esquecemos a nossa missão de relatar o dia-a-dia de Macau para todas as comunidades.

Guiados sempre pela bússola inflexível da independência, da imparcialidade e do posicionamento singular de Macau no mundo, renovamos hoje o compromisso solene com o nosso léxico jornalístico mais puro: manter um olhar mordaz, acutilante e humorístico, envelopado num design arrojado e original que nos caracteriza desde o primeiríssimo número, até esta bonita e simbólica data de um quarto de século.

Venham mais 25 de uma assentada que eu escrevo já.

9 Set 2026

ANIMA | Admitidas dificuldades com dívida de 1,4 milhões

A presidente da ANIMA reconhece que gostaria de ajudar a controlar o número de animais vadios nas ruas de Macau, mas que o campo de acção da associação está cada vez mais limitado, pela falta de recursos

A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) admite que a sua capacidade de intervenção face aos recentes ataques de cães vadios na Taipa está limitada, devido ao acumular de uma dívida de 1,4 milhões de patacas. O cenário foi traçado pela presidente da associação, Zoe Tang, em declarações ao jornal Exmoo.

Na semana passada, a questão dos cães vadios no território voltou a ganhar relevância face à ocorrência de ataques contra transeuntes na Taipa. Ao contrário de outros tempos, a ANIMA revelou que a sua capacidade para intervir e resgatar os animais está mais limitada, devido à dívida acumulada e ao facto de os seus abrigos estarem sobrelotados.

Tang apontou que as despesas mensais fixas da associação rondam as 600 mil patacas e que apesar de as campanhas de angariação de fundos terem uma boa participação, o ritmo de recolha de dinheiro não acompanha o aumento das despesas. Para fazer face aos custos de operação, a associação teve de demitir cerca de cinco funcionários, e Tang reconheceu que houve períodos em que os salários foram pagos com atrasos.

Tang indicou também que a associação teve de adoptar um sistema de triagem face ao resgate de novos animais, uma vez que tem a seu cargo mais de 700 cães e gatos. A nova estratégia passa, assim, por resgatar os animais vadios que apresentem ferimentos ou outros problemas de saúde.

Por isso, a responsável defendeu que o Governo deve lidar com este problema através de uma política de captura, esterilização e devolução (TNR, na sigla em inglês), para evitar que os animais se reproduzam nas ruas.

Zoe Tang apontou que a zona mais afectada por animais vadios é Coloane, e que a equipa da ANIMA realiza diariamente esterilizações, com prioridade para os animais do sexo feminino. Contudo, a responsável avisou que a legislação em vigor dificulta a intervenção das associações, porque a captura apenas pode ser feita em espaços privados e não em públicos.

Multas mais pesadas

Em relação às políticas de controlo dos animais, a presidente da ANIMA defendeu um agravamento das multas por abandono e a obrigação de colocar chips tanto em gatos como em cães.

No âmbito da necessidade de adaptar as leis, Tang apontou que a Lei de Protecção dos Animais entrou em vigor há quase 10 anos e que a multa por abandono está fixada em 1.000 patacas. A responsável defende uma subida para pelo menos 5.000 patacas, mas admite que o valor até possa ser superior. O objectivo é combater os abandonos.

Em relação à colocação de chips, que permite sempre identificar a quem pertenciam os animais abandonados, Tang considera que a obrigação deve passar a abranger igualmente os gatos.

9 Set 2026

Ferries | Associação pede a empresas que coordenem horários

Segundo Paul Wong, presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, as empresas de ferries precisam de se coordenar, para garantir uma maior oferta e manter a vontade dos passageiros de recorrer a este tipo de transporte

Com o número de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior em queda contínua, a Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau defende que as duas transportadoras devem coordenar os horários, para haver maior oferta. As declarações foram prestadas por Paul Wong, presidente da associação, em declarações à estação televisiva TVB.

Apesar dos números mais negativos e da maior concorrência dos autocarros que atravessam a ponte e do transporte privado, Paul Wong considerou que as viagens de ferry podem revelar-se mais convenientes, dada a centralidade dos portos e os horários de navegação.

“As companhias de transporte devem coordenar-se para que haja partidas de ferries mais frequentes e em diferentes horários. Desta forma, os passageiros, tal como acontecia no passado, podem conseguir sempre apanhar um ferry, sem necessidade de esperarem”, argumentou o presidente da associação. Actualmente, o serviço de ferries para Hong Kong é assegurado pela TurboJET e Cotai Water Jet.

Segundo os dados oficiais, no ano passado, o número de visitantes que utilizou o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior e o Terminal Marítimo da Taipa foi de 7,36 milhões. No entanto, este dado representa uma redução de 70 por cento do volume de passageiros, em comparação com 2017, quando 22,94 milhões de pessoas utilizaram os terminais.

A tendência continua negativa, e desde o início do ano, o volume de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior voltou a sofrer uma redução de 12 por cento em termos anuais.

Futuro em causa

Em Dezembro do ano passado, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, admitiu que as autoridades estão a ponderar o encerramento de um dos terminais. Tam afirmou que a decisão nunca seria fácil de tomar, mas face à perda de empregos destacou que o Executivo pode aproveitar o terminal encerrado para “explorar a economia nocturna”.

Em relação às partidas e chegadas de ferries nos dois terminais, registou-se um volume de 53 mil viagens, uma redução de cerca de 61 por cento em comparação com 2017.

Quanto ao facto de ter sido anunciada recentemente a suspensão das viagens regulares de helicóptero entre Hong Kong e Macau, o responsável considerou que o serviço pode ser reconvertido e transformado em turismo aéreo. O presidente da associação explicou que desta forma a Sky Shuttle, responsável pelos helicópteros, pode continuar a aproveitar a licença existente.

9 Set 2026

Burlas | Vong Hou Pio pede alertas direccionados a idosos

O legislador e contabilista alerta as autoridades para a necessidade de se adoptarem novas estratégias de prevenção contra burlas. Os idosos e a classe média são os grupos que mais preocupam o deputado

O deputado Vong Hou Pio defende a adopção de medidas de prevenção de burlas desenhadas especialmente para os idosos. O assunto faz parte de uma interpelação escrita do legislador eleito indirectamente pelo sector profissional.

Segundo o cenário traçado por Vong, nos últimos anos têm ocorrido com frequência burlas de investimento que prometem “ganhos garantidos e sem perdas” ou investimentos com “baixo risco” e “retorno elevado”.

O deputado reconhece que o assunto não é totalmente novo e que a Polícia Judiciária (PJ) tem adoptado “diversas acções de combate”, que levaram a uma redução do número de crimes. No entanto, destaca que “as perdas económicas decorrentes das burlas de investimento continuam elevadas” e que os “os métodos utilizados pelos burlões não cessam de evoluir”.

Os idosos, tidos como um grupo mais vulnerável, são uma das principais preocupações de Vong, que pede medidas direccionadas: “A análise da estrutura das vítimas demonstra que o grupo etário dos idosos, devido à sua menor literacia digital, continua a ser um alvo prioritário dos burlões”, justifica. “As autoridades vão considerar a experiência das regiões vizinhas e a possibilidade de criar um mecanismo para a divulgação regular ao domicílio de prevenção de burlas, especialmente dirigido a idosos com mobilidade reduzida ou que saem pouco de casa?”, pergunta.

O também contabilista pretende uma maior proximidade das campanhas de sensibilização contra burlas porque considera que a aplicação anti-burla da Polícia Judiciária e os alertas de risco do serviço de “Transferência Fácil” não são suficientes, devido à reduzida literacia digital dos idosos.

Classe média em risco

Além dos idosos, Vong Hou Pio alerta que existem várias pessoas da classe média apanhadas nas burlas, muitas delas trabalhadores, e que se deixam enganar, apesar de possuírem um nível de escolaridade mais elevado.

O deputado pede assim novas medidas: “Que ajustamentos específicos serão introduzidos na estratégia de divulgação de prevenção de burlas?”, questiona. “Será efectuada, através de associações profissionais ou organizações sectoriais, uma sensibilização de risco específica e dirigida a profissionais do sector financeiro, quadros de gestão de empresas e profissionais reformados, entre outros?”, acrescenta.

Tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos, Vong defendeu também a necessidade de ser criado um novo sistema de alerta contra burlas relacionadas com activos virtuais e investimentos ligados à inteligência artificial.

9 Set 2026

Consulado | Marta Cowling deverá suceder a Alexandre Leitão

Marta Sofia Cowling deverá chegar a Macau quando o actual cônsul partir para Manila, numa data que ainda está por definir. Cowling será a primeira mulher a desempenhar as funções de cônsul de Portugal no território

Marta Sofia Cowling deverá ser a futura consulesa de Portugal em Macau e Hong Kong, ocupando o lugar de Alexandre Leitão, quando este se mudar para a Embaixada de Portugal nas Filipinas. A informação foi adiantada pela TDM, e a Cowling pode ser a primeira mulher a ocupar o cargo.

Segundo a emissora, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, decidiu que Alexandre Leitão vai liderar a Embaixada de Portugal nas Filipinas, quando esta representação consular localizada em Manila for reaberta. A data da reabertura ainda não está decidida, mas poderá acontecer ao longo do próximo ano.

Como consequência desta alteração, o cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong vai ficar disponível, e o ministro decidiu atribuir a posição a Marta Sofia Cowling.

Segundo a informação publicada no Diário da República, a futura consulesa tem 52 anos e actualmente desempenha as funções de subdirectora-geral da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.

Natural do Porto, Cowling é licenciada em Relações Internacionais (Relações Culturais e Políticas) pela Universidade do Minho e mestre em Estudos Internacionais e Diplomacia pela School of Oriental and African Studies (SOAS) da Universidade de Londres.

Experiência internacional

Entrou para o corpo diplomático em 1999, assumindo diferentes cargos em embaixadas de Portugal em países como Timor-Leste ou Irlanda. Foi também chefe de divisão de Desarmamento e Não-Proliferação de Armas Ligeiras e de Destruição Maciça, na Direcção de Serviços para os Assuntos de Segurança e Defesa da Direcção-Geral de Política Externa e membro da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas.

A nomeação para o Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong não vai ser uma experiência totalmente nova para Cowling, que entre 2018 e 2022 desempenhou as funções de Consulesa-Geral de Portugal em Vancouver, no Canadá. Esta cidade alberga a segunda maior comunidade de falantes de cantonês do país.

Marta Cowling vai ser a sétima pessoa a ocupar o cargo de cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong e a primeira mulher a liderar a representação diplomática portuguesa nestes territórios.

Por sua vez, Alexandre Leitão deverá partir para Manila, onde até 2007 funcionou uma Embaixada de Portugal. Contudo, nesse ano, o Governo português optou por encerrar o posto diplomático devido a motivos financeiros. Como resultado, os assuntos diplomáticos passaram a ser acompanhados pela Embaixada de Portugal em Jacarta.

8 Set 2026

Plano Quinquenal | Governo assume diversificação da economia

Numa sessão de apresentação do Plano Quinquenal, a secretária para a Economia e Finanças avisou os convidados que a diversificação económica é “uma questão de resposta obrigatória”

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, comprometeu-se a trabalhar para que até 2030 a riqueza criada pelos sectores não-jogo para a economia atinja 60 por cento do Produto Interno Bruto. A meta foi traçada numa sessão de apresentação do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico de Macau a um grupo de convidados ligados às áreas da economia e finanças, que decorreu ontem de manhã.

Segundo a secretária, o Governo vai reforçar a aposta nas áreas da saúde, através da medicina tradicional chinesa, finanças, tecnologia de ponta, convenções, exposições, comércio, cultura e desporto com o objectivo de concretizar a diversificação económica. O objectivo passa por fazer com que o “peso do valor acrescentado das indústrias extrajogo no Produto Interno Bruto local” atinja “cerca de 60 por cento”.

O esforço do Governo não se fica pela aposta nas áreas referidas, mas passa também por medidas para criar um ambiente económico mais dinâmico para as Pequenas e Médias Empresas (PME). “O Governo da RAEM empenhar-se-á também em criar um ambiente de negócios mais competitivo, construindo um ecossistema favorável ao desenvolvimento industrial, e continuará a optimizar as diversas medidas de apoio, ajudando as PME na sua reconversão e modernização, para que possam desempenhar um papel mais relevante no novo quadro da diversificação adequada da economia”, vincou a responsável.

A secretária considerou ainda que o “Chefe do Executivo tem reiterado que a diversificação adequada da economia é o caminho obrigatório para manter a prosperidade e a estabilidade duradouras de Macau” e que se trata, para a RAEM, de “uma questão de resposta obrigatória” que “deve ser bem concretizada”.

Todos envolvidos

Na sessão para convidados, Ng Wai Han avisou ainda que “diversas tarefas e objectivos” do plano quinquenal são “uma missão que requer a participação proactiva e o forte apoio de todos os sectores da sociedade, com concentração de esforços e perseverança, bem como paciência a longo prazo e convicção firme para a concretizar”.

A secretária também reconheceu que o “trabalho da área da economia e finanças abrange múltiplas vertentes, como o bem-estar da população, o emprego e o ambiente de negócios, estando intimamente ligado aos cidadãos e aos diversos sectores”.

Em relação ao Plano Quinquenal, Ng defendeu que reflecte plenamente “a cientificidade” e “a exequibilidade” e que tem objectivos que passam por “promover o desenvolvimento adequado e diversificado da economia” e “alcançar novos progressos”.

8 Set 2026

Operadoras de jogo apoiam com 40 milhões de patacas vítimas da enxurrada no Tibete

As seis operadoras de jogo anunciaram que vão doar 40 milhões de patacas para apoiar as vítimas afectadas pela enxurrada na região autónoma chinesa do Tibete.

Em comunicado, a SJM Resorts, S.A. referiu que “respondeu ao apelo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), doando cinco milhões de patacas, através do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, para apoiar as operações de socorro de emergência”.

A administradora-executiva da SJM, Daisy Ho, citada no comunicado, afirma que a empresa “tem acompanhado com atenção” os desenvolvimentos do incidente ocorrido nos Himalaias no passado dia 26 de Agosto e as necessidades sociais.

“Face a esta catástrofe, esperamos que a nossa doação contribua para apoiar os esforços de socorro e recuperação em curso”, acrescentou.

Também em comunicado, a Wynn Macau Limited, anunciou uma doação de cinco milhões de patacas destinada à mesma região, para apoiar as operações de socorro e emergência e os trabalhos de recuperação pós-catástrofe. A administradora-executiva da Wynn Macau, Linda Chen, afirma no texto que a empresa “se mantém solidária” com a comunidade local neste período difícil.

“Esperamos que esta doação proporcione um apoio significativo para os esforços de socorro, realojamento e reconstrução, ajudando os residentes afetados a superar este período difícil”, afirmou Linda Chen.

Galaxy e fundação

Por sua vez, a concessionária Galaxy Entertainment Group (GEG) anunciou uma doação, em conjunto com a Fundação de Caridade da Família Lui Che Woo, de 10 milhões de patacas.

“Estamos profundamente entristecidos pela devastadora enxurrada no condado de Gyirong, em Xigaze, na Região Autónoma do Tibete, e endereçamos as nossas sinceras condolências aos residentes afectados”, afirma Francis Lui, presidente do GEG, citado num comunicado do grupo.

Também a Sands China, doou dez milhões de patacas e a Melco Resorts & Entertainment Limited doou cinco milhões de patacas, este último um montante igual ao da doação da MGM China.

Pelo menos 1.259 pessoas morreram nas inundações de 26 de Agosto, provavelmente causadas pelo colapso de um glaciar, e mais de 5.000 continuam desaparecidas, de acordo com a agência de gestão de catástrofes do Nepal. A China informou na passada quarta-feira à noite que 21 pessoas morreram e 541 estão desaparecidas no lado tibetano da fronteira.

7 Set 2026

Diplomacia | Alexandre Leitão vai assumir embaixada nas Filipinas

O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong foi escolhido para ocupar a posição de embaixador nas Filipinas, avançou a TDM. A data da mudança é incerta, porque primeiro a embaixada em Manila vai ter de reabrir

O actual cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, vai ser o embaixador de Portugal nas Filipinas quando reabrir a embaixada em Manila. A informação foi avançada no sábado pelo canal português da TDM.

Segundo a emissora, a reabertura da embaixada de Portugal nas Filipinas é um projecto que vai mesmo avançar, e Alexandre Leitão já foi escolhido para assumir o cargo de embaixador.

No entanto, o momento é de alguma incerteza, porque ainda não há data certa para a reabertura da embaixada em Manila. Todavia, a TDM cita fontes anónimas que garantem que o processo de reabertura está em andamento e pode concretizar-se no próximo ano.

Em Abril, Paulo Rangel defendeu que Portugal devia reforçar a presença no Indo-Pacífico, dado “o activo extraordinário em termos de reputação, em termos de branding [marca]” que Portugal tem nesta zona.

Na ocasião, num seminário realizado em Matosinhos, o ministro português recordou a abertura, em Fevereiro, da embaixada em Hanói, no Vietname e admitiu reabrir a embaixada nas Filipinas. Em termos da região Indo-Pacífico, Portugal tem embaixadas na Coreia do Sul, Japão, China, Tailândia, Singapura, Indonésia, Timor-Leste e Camberra.

Afirmação na Ásia

Nesse seminário, Paulo Rangel admitiu que gostaria de abrir uma embaixada na Malásia, por causa da relação com Malaca. No entanto, o ministro do Governo de Montenegro reconheceu não haver fundos para o projecto.

Paulo Rangel recordou ainda ter determinado a subida do estatuto do consulado-geral de Goa para chefia de missão, bem como a abertura de um escritório consular em Katmandu, no Nepal.

Antes destas declarações, em entrevistas à TDM, no final de 2024, em Lisboa, e Março de 2025, em Macau, o ministro classificou como “estratégica” a afirmação de Portugal na Ásia e indicou que a abertura de novos postos diplomáticos no continente iria ser concretizada em breve.

Mais tarde, já em Maio, numa chamada telefónica com a ministra dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Theresa Lazaro, o chefe da diplomacia portuguesa reafirmou a decisão de Portugal.

A embaixada em Manila foi fechada em 2007 por motivos financeiros. Com o encerramento, os assuntos diplomáticos passaram a ser acompanhados pela Embaixada de Portugal em Jacarta.

7 Set 2026

Sudeste Asiático | Sam Hou Fai fez balanço positivo de deslocações

A promoção no exterior do “sucesso” do princípio um país, dois sistemas foi um dos objectivos que o Chefe do Executivo considerou alcançado durante as visitas a Singapura, Indonésia e Malásia

O Chefe do Executivo fez um balanço positivo das visitas da última semana a Singapura, Indonésia e Malásia. Segundo Sam Hou Fai, a deslocação alcançou “os resultados previstos” de “promover plenamente ao exterior o sucesso da implementação do ‘princípio um país, dois sistemas’”, assim como o “3.º Plano Quinquenal da RAEM”, “intensificar o intercâmbio e a aprendizagem mútua”, e “aprofundar a cooperação” na economia, comércio, turismo, educação e cultura.

Na perspectiva de Sam Hou Fai, ao longo da viagem “foram aproveitadas todas as oportunidades” para “apresentar o sucesso da implementação do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau” e o futuro plano quinquenal. Além disso, o líder do Governo indicou que contou “a história de Macau de forma a demonstrar a forte vitalidade e o valor único” do princípio ‘um país, dois sistemas’” e promoveu “uma compreensão mais completa e objectiva […] das enormes conquistas de desenvolvimento de Macau desde o seu regresso à Pátria”.

O Chefe do Executivo afirmou ainda que não se limitou a promover os feitos políticos da RAEM e que também se focou em “aprofundar ainda mais o conhecimento sobre a situação geral e o desenvolvimento socioeconómico” dos destinos visitados.

Neste âmbito, Sam Hou Fai apontou que Singapura é um exemplo para o Governo da RAEM devido a projectos como “um parque industrial, instalações culturais e turísticas, projectos de renovação urbana e de habitação pública”.

Mais investimentos

O representante máximo da RAEM destacou igualmente os esforços feitos para promover Macau e Hengqin como uma zona económica dinâmica, apostada na diversificação da economia. Sam apontou que durante a visita “apresentou-se de forma destacada aos empresários dos três países o ambiente de negócios e as oportunidades de desenvolvimento de Macau e Hengqin”.

Estes esforços resultaram em 370 sessões de bolsas de contacto empresarial e 189 acordos de cooperação com os governos e sectores empresariais dos três países, em áreas como a economia, comércio, indústria de convenções e exposições, tecnologia de ponta, saúde, medicina tradicional chinesa, produtos halal e promoção de marcas.

Em termos de turismo, Sam manifestou o desejo que regressem as ligações aéreas entre Macau e a Indonésia, dado que no ano passado mais de 200 mil turistas deste país visitaram a RAEM. O líder do Governo apontou que durante a visita houve encontros exploratórios para concretizar o desejo, mas não deixou qualquer promessa.

7 Set 2026

JLL | Apenas jogo e turismo têm bom desempenho económico

A imobiliária prevê que no resto do ano o mercado de habitação vai continuar estagnado, uma vez que faltam factores de crescimento em todos os sectores, com excepção do jogo e do turismo. Nos primeiros meses, tanto na habitação como nos espaços comerciais, as rendas ficaram mais baixas

A imobiliária JLL considera que em termos económicos apenas o jogo e do turismo apresentam um bom desempenho, enquanto todos os outros sectores, incluindo o imobiliário, apresentam uma falta de factores que impulsionem o crescimento. A situação vem descrita no mais recente relatório da JLL sobre o mercado imobiliário de Macau.

“Com a excepção dos sectores do jogo e do turismo, que apresentaram um bom desempenho, todas as restantes indústrias em Macau continuaram a apresentar uma falta de factores de crescimento”, pode ler-se no texto divulgado ontem.

Em relação ao mercado do imobiliário para a habitação, a JLL indica que a procura se manteve “fraca”, com as transacções a registarem uma “estagnação durante a primeira metade do ano”.

Sobre os meses entre Janeiro e Março, a imobiliária reconhece que houve uma “breve recuperação”, que se deveu à redução das taxas de juro, isenções de imposto de selo e a maior facilidade no acesso ao crédito. Contudo, no segundo trimestre a situação apresentou uma alteração: “a procura limitada de habitação própria por parte dos residentes locais levou a uma desaceleração no volume de transacções”, foi explicado.

Neste ambiente, e até ao final do ano, a JLL aponta que o mercado da habitação vai ficar estagnado: “Olhando para a segunda metade do ano, a crescente pressão inflacionista e a instabilidade económica externa poderão arrefecer o sentimento de compra. Prevê-se que o mercado imobiliário se mantenha estável/estagnado no segundo semestre do ano”, é previsto.

Mais do mesmo

Em termos do imobiliário comercial, como os escritórios e as lojas o ambiente não é muito diferente. “A JLL prevê que o mercado se mantenha cauteloso no segundo semestre do ano, com os preços dos escritórios e do comércio a retalho a continuarem sob a pressão de consolidação”, é indicado.

A imobiliária indica que de acordo com os dados do seu índice, “o valor global das rendas de escritórios no primeiro semestre de 2026 diminuiu 1,1 por cento em comparação com o final do ano passado”.

Também o valor dos escritórios apresentou uma redução, neste caso de 8,7 por cento, em comparação com os preços no final do ano passado. “Os valores de capital dos escritórios continuarão sob pressão devido ao fraco sentimento de investimento e ao número crescente de activos em incumprimento, tornando improvável uma recuperação a curto prazo”, foi explicado.
O valor das rendas das lojas seguiu a tendência e apresentou uma redução de cerca de 3,9 por cento face ao final de 2025.

4 Set 2026