João Santos Filipe Manchete PolíticaDesporto | Sector quer atrair federações internacionais para Macau Ma Chi Seng prometeu levar para a apresentação das Linhas de Acção Governativa as sugestões das associações locais que sugerem a criação de marcas locais de roupa e organização de mais eventos internacionais As associações desportivas e culturais locais esperam que o Governo trabalhe para atrair federações desportivas internacionais a estabelecerem representações em Macau. O pedido foi transmitido por Ma Chi Seng, deputado ligado ao sector desportivo, no balanço do ano legislativo de 2025/2026. Poucos dias depois de ter começado o novo ano da Assembleia Legislativa, o legislador ligado ao clã Ma fez uma conferência de imprensa, em conjunto com a deputada Ângela Leong, para abordar o trabalho feito no ano legislativo transacto. No entanto, o deputado abordou igualmente a recolha de opiniões das associações culturais e desportivas para a apresentação das Linhas de Acção Governativa. Segundo Ma Chi Seng, uma das opiniões aponta como caminho para o desenvolvimento do desporto local a atracção de sedes e representações de federações desportivas internacionais, para dar maior visibilidade ao território. Outra das sugestões para o sector desportivo, em sinergia com as indústrias culturais, é a criação de marcas de roupa desportiva locais, que possam apresentar designs inovadores e explorar os direitos de propriedade intelectual desses produtos, não só localmente, mas nos mercados do Interior e asiático. O deputado revelou também que houve opiniões a defender a realização de mais eventos internacionais para reforçar a “marca” de Macau, assim como a construção de mais espaços desportivos e uma melhor gestão dos existentes. Economia de espectáculos Segundo declarações citadas pelo Jornal do Cidadão, Ma Chi Seng acredita igualmente que a economia do território passa pela realização de mais eventos, tanto desportivos como culturais. O deputado considerou que estes espectáculos vão movimentar a economia local. No entanto, avisou que as pequenas e médias empresas também têm de se preparar para as novas formas de consumo, utilizando a inteligência artificial para dinamizar a oferta aos turistas. Por sua vez, a deputada Ângela Leong assegurou que as opiniões que foram recolhidas pelos deputados vão continuar a ser transmitidas ao Governo, para que os legisladores cumpras as suas funções de representação.
João Santos Filipe Manchete SociedadeRuído | Pedida mais eficácia no tratamento das queixas O deputado ligado à comunidade de Fujian, Nick Lei, defende um regime que facilite a recolha de provas nos casos de excesso de ruído e alerta que em média, a cada hora, há pelo menos uma queixa O deputado Nick Lei defende que o Governo tem de melhorar a eficácia do mecanismo de queixas sobre ruído, principalmente no que diz respeito à recolha de provas. A posição consta de uma interpelação escrita do legislador ligado à comunidade de Fujian. Nick Lei aponta, de acordo com os dados oficiais, que no ano passado, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) registou 10.182 queixas sobre ruído. Este número representou uma queda anual de 372 queixas face às 10.554 de 2024, mas o legislador destaca que continua a ser registada uma queixa a cada hora. Além disso, Lei apontou que entre as 10.182 denúncias, apenas em 117 casos foi possível identificar os infractores e multá-los, o que significa uma proporção de 1,1 por cento de todas as queixas. Por isso, Lei entende que é necessário facilitar a recolha de provas sobre a existência de ruído para lidar com o impacto na vida dos residentes: “A região vizinha [Hong Kong] introduziu tecnologias para ajudar na execução da lei e no tratamento das queixas, com ferramentas para localizar o ruído de alta frequência vindo de origem desconhecida ou de forma irregular”, aponta. “O Governo pode seguir estas experiências […] e estudar a introdução das tecnologias e ferramentas para resolver as dificuldades de recolha de provas?”, questiona. Desde 2020, Hong Kong passou a utilizar câmaras acústicas para os agentes do Departamento de Protecção Ambiental investigarem a origem do ruído. Estes equipamentos recolhem som e imagem e conseguem identificar a origem do som. Apesar desta sugestão, Lei reconhece que identificar a origem do ruído é um grande desafio, porque, muitas vezes, tratam-se de fenómenos repentinos e aleatórios com origem em residências ou lojas. Revisão da lei Além de pedir ao Governo que facilite a recolha de provas, Nick Lei espera igualmente uma apresentação de um calendário para a revisão da lei porque “há muitas vozes na sociedade a pedir a revisão”. O deputado recorda que no passado o Executivo recusou fazer a revisão, por indicar que é necessário haver um consenso social e um equilíbrio entre as rotinas diárias dos residentes e as suas actividades. Contudo, o membro da Assembleia Legislativa considera que estão reunidas as condições para avançar com a revisão. No documento, Nick Lei sugere que o Governo dê formação sobre mediação do ruído aos administradores de condomínios, para que estes possam intervir e pedir o respeito pelos limites do volume do som, quando identificarem potenciais casos de infracção.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEventos | Chan Hao Weng quer novo pavilhão com 50 mil lugares Inspirado no exemplo de Hong Kong, Chan defende a criação de uma nova infra-estrutura para diversificar a economia e gerar mais empregos e pergunta se há planos para organizar grandes eventos internacionais em Macau Chan Hao Weng defende a necessidade de Macau construir um pavilhão com capacidade para 50 mil lugares e receber grandes eventos desportivos e culturais. A posição do deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita sobre as políticas de diversificação económica. Chan considera que “actualmente Macau carece de um grande recinto fechado com capacidade para 50.000 pessoas, operável durante todo o ano”. O deputado argumenta que esta realidade “dificulta a realização de grandes eventos internacionais e limita o espaço de desenvolvimento da indústria não relacionada com o jogo”. Chan Hao Weng explica ainda que o actual Estádio de Macau tem apenas 15.700 lugares disponíveis, ficando “muito aquém do padrão exigido” para a organização dos grandes eventos da Confederação Asiática de Futebol. Segundo o legislador, um estádio precisa de, pelo menos, 50.000 lugares para receber uma final da Taça da Ásia. Mesmo um jogo das meias-finais exige 40.000 lugares. Como tal, o deputado argumenta que a RAEM está impossibilitada de “se candidatar, independentemente ou em co-organização”, à organização das competições internacionais de futebol de topo. Por isso, questiona o Executivo se planeia a construção de um “pavilhão desportivo multifuncional coberto, com capacidade para 50.000 lugares” e que cumpra os padrões internacionais da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Chan Hao Weng questiona ainda quando vai ser feita a escolha do local para receber o pavilhão, o estudo de viabilidade, se existe uma estimativa de custos e um calendário da execução das obras. Contactos internacionais Para apostar na economia dos grandes eventos, o legislador questiona o Executivo sobre a intenção de “estabelecer contactos com a Confederação Asiática de Futebol (AFC), a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e a Associação de Futebol de Macau” para “promover, de forma sistemática, a candidatura e cooperação para a organização da Taça da Ásia, de competições internacionais de clubes e de torneios juvenis”. Chan Hao Weng defende igualmente a realização de jogos de futebol com equipas europeias de topo no território para “revitalizar” a “marca de Macau como sede de grandes eventos desportivos internacionais”. No documento, o deputado reconhece que as suas questões têm por base o “sucesso do Parque Desportivo Kai Tak em Hong Kong”. Esta foi uma zona desenvolvida no antigo aeroporto que inclui um estádio com capacidade para 50.000 pessoas, um pavilhão para espectáculos, com 10.000 lugares, e ainda um pavilhão desportivo, mais reduzido, que disponibiliza 5.000 lugares. “As grandes actividades desportivas e artísticas em Hong Kong impulsionaram milhares de milhões de dólares em consumo e valor acrescentado, estimulando eficazmente o emprego nos sectores hoteleiro, de restauração, de comércio a retalho e de serviços, constituindo um motor importante para a economia diversificada da cidade”, afirmou Chan Hao Weng sobre a cidade vizinha.
João Santos Filipe SociedadeSeaport antecipa que concessionárias viram lucro diminuir no terceiro trimestre No terceiro trimestre do ano, os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) das concessionárias terão sofrido uma quebra de 10,6 por cento em termos anuais. A estimativa consta no relatório mais recente da Seaport Research Partners, que é citado pelo portal GGRAsia, e a tendência deverá prolongar-se até ao final do ano. No documento, o analista Vitaly Umansky explica que a redução dos lucros no terceiro trimestre resulta da comparação face ao período homólogo. No entanto, entre o segundo e o terceiro trimestre a margem de lucro terá apresentado um aumento, tido como esperado devido a factores de sazonalidade. A redução do lucro não deve ficar estancada no terceiro trimestre e o mesmo cenário é antecipado para os meses de Outubro até Dezembro. “Estima-se que o quarto trimestre traga contratempos contínuos, mas não tão graves como no terceiro trimestre, com as receitas brutas do jogo a recuarem cerca de 0,7 por cento em termos anuais e o EBITDA a cair 3,4 por cento”, previu Umansky. A Seaport Research Partners aponta que no mercado actual, em que a expansão acontece a um ritmo lento, a competição entre as diferentes concessionárias passa a ganhar importância acrescida: “O ganho de quota de mercado, o controlo das despesas operacionais e a optimização das estratégias de comissões e do reinvestimento em jogadores são agora factores diferenciadores e muito mais importantes”, explicou. Galaxy em altas As receitas do jogo totalizaram 60,21 mil milhões de patacas no terceiro trimestre, uma redução anual de 3,8 por cento. Em termos do desempenho das concessionárias, Vitaly Umansky apontou que Sands China e o Grupo Galaxy Entertainment terão apresentado maiores ganhos de quota de mercado, seguidas pela MGM China Holdings. Esta tendência significa que a Wynn Macau, a Melco Resorts & Entertainment e a SJM Holdings terão perdido espaço. No entanto, em termos das receitas, o analista considera que só a Galaxy vai apresentar melhorias: “No terceiro trimestre em Macau, estimamos que apenas a Galaxy Entertainment mostre ganhos anuais de EBITDA operacional, com a MGM China amplamente estável e os restantes a apresentarem quedas em termos anuais”, apontou. Texas Capital Securities | Melco é a concessionária menos “apetecível” A corretora Texas Capital Securities deixou de aconselhar a compra de acções da concessionária Melco Resorts & Entertainment. A posição surge no relatório assinado pelo analista David Bain, e citado pelo portal GGRAsia. Segundo a corretora, a modificação é justificada com as menores expectativas face ao crescimento das receitas do jogo, assim como o aumento da concorrência entre as concessionárias, que vai ter impacto nos lucros a curto prazo. David Bain revelou ainda que as previsões da corretora para os lucros declarados pela Melco Resorts no terceiro e quarto trimestres de 2026 ficaram “significativamente” abaixo do consenso do mercado.
João Santos Filipe Manchete SociedadeImobiliário | Preços com nova redução anual em Setembro A diminuição dos preços foi acompanhada de um aumento ligeiro no número de transacções, com mais quatro compras e vendas. A comparação anual trimestral confirma também uma redução dos preços, acompanhada do aumento de transacções Em Setembro deste ano, os preços da habitação apresentaram uma redução anual de cerca de 8,5 por cento, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). No nono mês deste ano, o preço médio do metro quadrado foi de 69.236 patacas, quando em igual período de 2025 tinha sido de 75.655, o que representa uma diferença de 6.419 patacas. Em Setembro de 2025, o preço médio mais elevado do metro quadrado tinha sido registado na Taipa, com 80.454 patacas. Este ano, o valor diminuiu para 64.454 patacas por metro, uma diferença de 16.000 patacas, o que representa 19,89 por cento. Coloane voltou a ser o local onde a habitação é mais cara, como normalmente acontece. E neste capítulo, os números mostram uma valorização de 13.883 patacas no valor do metro quadrado, de 72.180 patacas para 86.063 patacas. Este valor representa um aumento do preço de 19,23 por cento. Em relação à Península de Macau, o metro quadrado desvalorizou 7,77 por cento, o equivalente a 5.758 patacas, de 74.127 patacas, em Setembro de 2025, para 68.369 patacas em Setembro deste ano. Mais transacções Os preços mais baixos reflectiram-se num aumento ligeiro do número de transacções, com mais quatro compras e vendas de habitação. Em Setembro de 2025, o mercado tinha registado 247 transacções, número que aumentou para 251 no mês mais recente, uma diferença de 1,62 por cento. O mercado mais activo foi o da Península com um total de 183 compras e vendas, menos duas do que no período homólogo (185), uma diminuição de 1,08 por cento. Na Taipa, a redução do número de transacções foi mais acentuada, de 19,23 por cento, de 52 para 42 compras e vendas. A excepção aconteceu em Coloane, onde houve mais 16 transacções, um crescimento de 160 por cento, de 10 compras e vendas para 26. A Península de Macau é o mercado dominante com uma quota de 72,91 por cento, seguida pela Taipa, 16,73 por cento e Coloane (10,36 por cento). Números trimestrais Em termos do terceiro trimestre do ano, verificou-se uma desvalorização média de 12,33 por cento nos preços por metro quadrado, que valiam 77.147 patacas no terceiro trimestre de 2025 e passaram a valer 67.634 patacas, no trimestre mais recente. A queda dos preços levou a um crescimento de 4,14 por cento no número de compras e vendas de habitação em Macau, que aumentaram de 773 no terceiro trimestre de 2025 para 805 no trimestre mais recente. Este crescimento foi impulsionado por Coloane, onde o número de negócios mais do que duplicou, passando de 28 para 57 transacções. Na península registaram-se mais cinco transacções, que cresceram de 606 para 611, enquanto na Taipa houve uma redução, de 139 para 137 compras e vendas de habitação.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConcertação Social | Comissão passa a custar 874 mil patacas por ano Com o novo regime do Conselho Permanente de Concertação Social, o pagamento dos membros da Comissão Executiva deixa de estar dependente de senhas de presença e da apresentação de despesas Desde o início de Setembro que o Chefe do Executivo passou a destinar 874 mil patacas por ano dos cofres da RAEM para os membros da Comissão Executiva do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial e substitui parte do regime de pagamento de acordo com as senhas de presença. Actualmente, o CPCS é composto por 13 membros, entre representantes da Administração, do patronato e de associações ligadas aos trabalhadores, tendo como presidente a secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han. Esta é a única participante das reuniões que não é remunerada especificamente pela participação nas reuniões. Além disso, entre os restantes 12 membros, há seis que constituem a Comissão Executiva do CPCS, entre os quais Chan Un Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais, como coordenador, e Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, como coordenador-adjunto. Com as novas regras, Chan passa a auferir uma remuneração mensal de 15.040 patacas, e Yau um pagamento mensal de 12.690 patacas. Estes dois salários, assumindo que são pagos apenas 12 meses, custam 332.760 patacas por ano aos cofres da RAEM. No entanto, a Comissão Executiva é ainda constituída por dois representantes do patronato, o ex-deputado Chan Chak Mo e Alan Wong Yeuk Lai, e dois representantes do sector laboral, Kuong Chi Fong e O Lai Heong. Cada um destes membros da comissão vai auferir um pagamento mensal de 11.280 patacas, o que representa 135.360 patacas por ano. O total destes quatro membros da Comissão Executiva vai custar aos cofres da RAEM 541.440 patacas por ano. A Comissão Executiva passa, assim, a receber do Orçamento da RAEM 874.200 patacas por ano. Maiores certezas Até às alterações divulgadas ontem, os quatro membros da Comissão Executiva do CPCS, excluindo o coordenador e o coordenador-adjunto, eram pagos com base em senhas de presença e apresentação de despesas associadas ao desempenho das funções. O valor das despesas realizadas pelos membros não é divulgado publicamente no portal do CPCS. No entanto, cada senha de presença por reunião representa um pagamento de 940 patacas e o Orçamento da RAEM para este ano destina cerca de 1 milhão de patacas com a despesa com os 13 membros do CPCS. Ao longo de 2023, 2024 e 2025, tendo em conta o número de reuniões do CPCS, cada representante do patronato e dos trabalhadores na Comissão Executiva recebeu 17.860 patacas (19 reuniões em 2023), 14.100 patacas (15 reuniões em 2024) e 15.980 patacas (17 reuniões em 2025). Por isso, estes quatro membros custaram aos cofres da RAEM, nos anos em causa, 71.440 patacas, 56.400 patacas e 63.920 patacas. Estes são valores abaixo das 541.440 patacas por ano definidos pelo Chefe do Executivo. Todavia, o valor não tem em conta as despesas apresentadas pelos membros. Em relação ao coordenador e ao coordenador-adjunto, o portal da CPCS não divulga o regime de remuneração especial aprovado pelo Chefe do Executivo que esteve em vigor até Setembro.
João Santos Filipe PolíticaCerca de 16% dos trabalhadores não é compensada por horas extra Cerca de 16 por cento dos trabalhadores que fazem horas extra não recebe a totalidade dos pagamentos previstos na lei laboral. A conclusão consta de um estudo, com 1.077 inquéritos válidos, realizado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Entre os 1.077 inquiridos que responderam de forma válida à sondagem, 52 por cento (560 inquiridos) admitiram fazer horas extra todas as semanas. Cerca de 35 por cento dos 560 trabalhadores fazem entre uma e três horas extra por semana e 13 por cento entre três e oito horas extra por semana. No entanto, apesar de as horas serem tidas como necessárias pelas entidades patronais, os patrões não cumprem a totalidade das obrigações laborais. Entre os 560 entrevistados, 89 trabalhadores (16 por cento) admitiram que não recebem qualquer compensação pelas horas extra. Segundo a legislação em vigor, o trabalhador pode ser obrigado a prestar horas extra de trabalho, mesmo que contrariado, em situações específicas. No entanto, nesses casos o trabalhador além do pagamento normal por cada hora de trabalho deve ser ainda compensado com um acréscimo de 50 por cento sobre o valor da hora trabalhada. Por exemplo, se o patrão paga 100 patacas pela hora de trabalho, nesta situação terá de pagar 150 patacas por hora. Outras situações As horas extra estão ainda previstas para as situações em que o patrão pede e o trabalhador concorda, ou quando é o próprio trabalhador a pedir ao patrão para fazer horas extras. Nestas situações, a lei prevê o pagamento de uma compensação de 20 por cento acrescida ao salário por hora. Nestes cenários, se o patrão paga 100 patacas pela hora de trabalho vai ter de pagar 120 patacas por hora. Face aos resultados, a equipa responsável pelo estudo, liderada por Leong Pou U, deputado e vice-presidente da FAOM, considerou que é preciso rever a lei para proteger estes trabalhadores. O inquérito apurou ainda que 54 por cento dos trabalhadores estão disponíveis para continuar a estudar e melhorar a sua formação profissional em áreas como o reforço das capacidades de atendimento ao cliente, domínio de diferentes línguas, gestão de equipas e liderança.
João Santos Filipe Manchete PolíticaFunção pública | População acha que bom atendimento depende de cunha Um estudo feito por associações ligadas aos trabalhadores da função pública alerta que os residentes acreditam que as relações pessoais são importantes para ter um bom atendimento em serviços públicos Os residentes consideram que a eficácia dos serviços públicos na resolução dos problemas depende da existência de cunhas. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública de Macau e pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa de Macau, apresentado no sábado. Segundo o jornal Ou Mun, o trabalho de investigação teve por base 2.063 respostas válidas de residentes, reunidas entre Março e Junho deste ano, e tentou avaliar a percepção sobre os Serviços Públicos. Os autores utilizaram uma escala de 1 a 5 e confrontaram os inquiridos com diferentes cenários. Quanto mais alta a pontuação dos cenários, maior a percepção de que estes se verificam na realidade. Quando os inquiridos foram confrontados com a necessidade de conhecer alguém nos serviços públicos para verem os seus problemas resolvidos, a resposta atingiu 2,89 pontos. Este resultado mostra que os inquiridos acreditam que um bom atendimento nos serviços públicos de Macau depende da existência de conhecidos. Apesar do que percepcionam como uma prática existente, os residentes afirmam não concordar com esta forma de actuação (2,13 pontos). Face a estes indicadores, as equipas das associações responsáveis pelo estudo apontaram que “os residentes são obrigados a recorrer a relações pessoais devido à falta de eficácia nos serviços”, mesmo que desaprovem esta cultura. Os investigadores destacaram ainda que este resultado alerta a sociedade para a necessidade de “elevar a eficácia e a imparcialidade dos serviços públicos”. Meios electrónicos aprovados Em termos das percepções, foi ainda apurado que os residentes consideram que o atendimento online acarreta menores encargos administrativos para a população, o que mostra o apoio a esta opção, em vez dos atendimentos presenciais. Os investigadores apontaram também que os residentes defendem a existência de mecanismos de queixas convenientes e eficazes e que estes contribuem para legitimar as acções da administração. O estudo mostrou ainda que os residentes admitem compreender com dificuldade a linguagem utilizada nos documentos oficiais (2,6 pontos) e as funções dos serviços públicos (3,13 pontos). Face aos números foi concluído que a população sente dificuldades em entender os documentos oficiais e identificar as funções dos diferentes organismos. Na conferência de imprensa, os investigadores defenderam ainda “uma melhoria geral da qualidade dos serviços” e a reforma dos serviços com tempos de atendimento mais longos, que criam a percepção da necessidade de cunhas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDeficientes Visuais | Pedida mais atenção para necessidades especiais O deputado Nick Lei alerta que as falhas na manutenção do piso táctil nos passeios estão a criar situações de perigo para os cidadãos com dificuldades visuais. Lei pede também uma nova legislação para obrigar os espaços privados a criarem melhores condições de acessibilidade O deputado Nick Lei considera que é necessário fazer mais para garantir uma cidade sem barreiras de acordo com as expectativas da sociedade. Em causa, está o facto de o legislador considerar que existem várias falhas na manutenção do piso táctil, instalado nos passeios e utilizado para orientar as pessoas com dificuldades visuais. Num comunicado, o deputado ligado à comunidade de Fujian apontou que existem problemas relacionados com os pisos tácteis com danos, materiais soltos ou fora de posição, o que impede a sua utilização. No entanto, Lei destacou que mais perigoso do que esses pisos tácteis impedirem a utilização é o facto de, em algumas situações, orientarem de forma errada as pessoas com dificuldades visuais, criando situações de perigo ou levando os utilizadores por caminhos bloqueados ou interrompidos. Além disso, Nick Lei salientou que em vários bairros antigos, centros comerciais ou lojas, faltam instalações de acessibilidade, o que traz dificuldades para as pessoas com deficiência visual dificuldades visitarem estes locais sem o apoio de terceiros, limitando ainda mais a sua vida quotidiana. Outras expectativas O deputado destaca ainda que a sociedade tem a expectativa de criar um ambiente pedonal acessível e conveniente, como decorre do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM. Neste sentido, Nick Lei sugere que o Governo preveja e analise todas as instalações destinadas às pessoas com deficiência visual na cidade e melhore as instalações para facultar a acessibilidade, com vista a reforçar o ambiente social nos âmbitos da inclusão e integração. Quanto à manutenção diária das instalações destinadas às pessoas com deficiência visual, o legislador sugeriu que o Governo crie um mecanismo de inspecção permanente e que a manutenção dos pisos tácteis e das instalações seja incluída no âmbito da manutenção municipal diária. Por outro lado, o deputado pediu ao Governo que garanta o correcto funcionamento do guia dos pisos tácteis, em rigorosa conformidade com as normas arquitectónicas para a concepção de design universal e livre de barreiras, na RAEM. Nick Lei sugeriu ainda a aprovação de nova legislação para regular o ambiente sem barreiras, criando novas obrigações de acessibilidade para espaços privados, de forma a evitar discriminações.
João Santos Filipe Manchete PolíticaHengqin | UPM e UTM investem 2,14 mil milhões em terrenos A Zona de Cooperação Aprofundada continua a lucrar com terrenos para as universidades de Macau, desta vez com um investimento superior a 2,14 mil milhões de patacas. Anteriormente, recebeu cerca de 1,4 mil milhões de patacas da Universidade de Macau As empresas da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e da Universidade de Turismo de Macau (UTM) vão investir 2,14 mil milhões de patacas em terrenos na Ilha da Montanha, no local onde está a ser desenvolvida a Cidade Universitária Internacional de Macau e Hengqin. A informação foi divulgada ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Em relação à empresa controlada pela UPM, a Inovação Tecnológica da UPM Sociedade Unipessoal Limitada, o investimento vai ser de 884 milhões de renminbis, o que equivale a cerca de 1,07 mil milhões de patacas. O mesmo acontece com a empresa da UTM, a Desenvolvimento de Cultura e Turismo da Universidade de Turismo de Macau, Sociedade Unipessoal Limitada, que vai igualmente entrar com 884 milhões de renminbis no negócio. Estes 1,77 mil milhões de renminbis vão ser utilizados, numa primeira fase, como o capital de constituição da Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, Lda. Esta empresa resulta de uma parceria entre as duas instituições de ensino para desenvolver o campus na Ilha da Montanha. Todavia, a informação divulgada ontem pelo DSSGAP revela que o dinheiro vai ter como destino final apoiar “a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau na aquisição dos terrenos de uso educativo no campus na Zona de Cooperação Aprofundada”. Até ontem, cada uma das empresas das instituições de ensino tinha realizado 585 milhões da participação social de 884 milhões de renminbis. Além das participações através das empresas, cada uma das universidades vai ainda injectar directamente 43 milhões de renminbis na parceira, que tem um capital social de 1,85 mil milhões de renminbis. Acordo em Setembro A divulgação do montante a ser gasto com os terrenos no Interior surge depois de, no mês passado, ter sido divulgado um acordo entre a UTM e a UPM com a Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O contrato prevê a transferência do uso de terrenos e utilização do futuro campus universitário. O projecto da UPM e UTM na Cidade Universitária tem mais de 459 mil metros quadrados, com as duas instituições de ensino a desenvolverem um campus em conjunto com edifícios de aulas, laboratórios, biblioteca, residências universitárias e instalações desportivas. Segundo a informação, espera-se que as obras arranquem em 2027 e fiquem “praticamente” concluídas em 2030. Anteriormente também a Universidade de Macau tinha assinado um contrato semelhante para a utilização de terrenos na Zona de Cooperação, ao gastar 946 milhões de renminbis (1,4 mil milhões de patacas). A cidade universitária é um projecto comercial falhado em Hengqin, com arquitectura de inspiração alemã, que está a ser reaproveitado como um campus para a expansão das universidades públicas da RAEM. Desde o Verão que o espaço começou a acolher os primeiros docentes, mas o objectivo é receber 20 mil estudantes até 2029.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJunkets | Bens de Levo Chan colocados em venda judicial Os imóveis do ex-presidente do Grupo Tak Chun foram colocados à venda a pedido do Banco Industrial e Comercial da China (Macau), devido a uma dívida de 198,9 milhões de patacas Sete imóveis propriedade de Levo Chan Weng Ling, anterior presidente do Grupo Tak Chun, estão em venda judicial, de acordo com a informação disponibilizada no portal dos Tribunais da RAEM. A venda é realizada a pedido do Banco Industrial e Comercial da China (Macau) que, segundo o portal Macau News Agency, pretende recuperar de Levo Chan uma dívida superior a 198,9 milhões de patacas. Os interessados podem apresentar as propostas até 19 de Novembro, através de carta fechada, e no dia seguinte é conhecido o resultado da venda judicial. Se todos os bens forem vendidos ao preço base, os activos poderão render pelo menos 137,0 milhões de patacas. O activo identificado como tendo o valor mais elevado é uma habitação perto do Hotel da Boa Vista que surge avaliada em 71,1 milhões de patacas. Contudo, este é o preço mínimo, pelo que dependendo das propostas, o imóvel até pode ser vendido por um valor superior. O segundo activo mais valioso é uma moradia situada na Estrada de Cheoc Van que tem um preço mínimo de venda de 25,6 milhões de patacas. Entre o pódio dos bens mais caros, surge ainda uma fracção autónoma num edifício industrial, avaliada em 24,0 milhões de patacas. No pólo oposto, o activo menos valioso é um lugar de estacionamento num prédio na Taipa, que tem um preço mínimo de 741 mil patacas. A MNA indica também que estes activos foram indicados por Levo Chan, em 2016, como garantias de diferentes empréstimos que totalizaram 336,6 milhões de dólares de Hong Kong. Caído em desgraça Levo Chan foi detido em Fevereiro de 2022, numa altura em que as autoridades locais lançaram uma campanha contra as principais empresas de promoção do jogo do território. Como resultado, Levo Chan foi condenado, em Dezembro de 2024, a uma pena de prisão de 13 anos devido à prática de 27 crimes: 24 crimes de exploração ilícita de jogo em local autorizado, 1 crime de associação ou sociedade secreta, 1 crime de exploração ilícita de jogo e 1 crime agravado de branqueamento de capitais. O empresário, actualmente a cumprir a pena de prisão, foi igualmente condenado a pagar uma dívida à RAEM de 1,83 mil milhões de dólares de Hong Kong. Este valor terá de ser pago em conjunto com os restantes condenados deste julgamento. Na sequência desta condenação, a RAEM arrestou cerca de 36 imóveis do empresário para cobrir a dívida. Levo Chan foi o segundo caso judicial mais mediático entre os promotores de jogo, depois de em Julho de 2024, Alvin Chau Cheok Wa, presidente do Grupo Suncity, ter sido condenado a uma pena de prisão de 18 anos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeUBS | Receitas de jogo em Outubro podem ficar abaixo do previsto O banco de investimento admite que vai ser “um desafio” as receitas de jogo atingirem os valores apontados anteriormente pelos analistas Entre 5 e 11 de Outubro, as receitas médias diárias do jogo atingiram 729 milhões de patacas, de acordo com o mais recente relatório do banco de investimento UBS. No documento, citado pelo portal GGRAsia, a instituição admite que vai ser “um desafio” as receitas atingirem as previsões iniciais dos diferentes analistas para este mês. As verificações mais recentes no território mostram uma tendência de redução das receitas face aos primeiros quatro dias da Semana Dourada, entre 1 a 4 de Outubro, quando se registou um ritmo médio diário de 1.000 milhões de patacas. O banco UBS aponta que os primeiros 11 dias de Outubro deste ano apresentam uma média diária de receitas de 836 milhões de patacas, acima da média dos primeiros 12 dias de Outubro do ano passado, quando a média foi de 804 milhões de patacas. Todavia, os analistas reconhecem que as receitas de Outubro do ano passado foram afectadas por factores negativos que tenderam a afastar as pessoas das mesas dos casinos, como a passagem de um tufão, a 5 de Outubro, e o Festival do Meio do Outono, a 6 de Outubro. O banco UBS explica ainda que para as receitas atingirem o consenso dos analistas, que ronda os 24 mil milhões de patacas, é necessária uma média diária de 777 milhões de patacas na totalidade dos 31 dias de Outubro. Estas contas indicam que para se atingir o consenso, nos restantes 20 dias de Outubro a média diária das receitas tem de ser de 744 milhões de patacas, o que o banco UBS indica parecer “um desafio” face à situação actual. Premium em quebra No relatório, o banco UBS explica ainda que o segmento dos maiores apostadores do mercado de massas apresenta uma quebra. Ainda assim, e como esperado, os números de Outubro são superiores aos de Setembro, quando as receitas médias diárias foram de 602 milhões de patacas. Nesse mês, as receitas totais apresentaram uma redução anual de 1,2 por cento para 187,1 mil milhões de patacas. Anteriormente, o banco UBS associou o enfraquecimento das receitas do jogo no segmento premium do mercado de massas às novas regras de impostos no Interior. Desde 24 de Julho que as autoridades centrais impuseram um imposto sobre os activos colocados por residentes fiscais singulares chineses em fundos offshore e sobre os rendimentos gerados por esses activos. Nos últimos quatro meses, as receitas do jogo apresentam quebras, em termos anuais, mas apesar disso, entre Janeiro e Setembro, o montante acumulado atingiu 187,1 milhões de patacas, um crescimento de 3,2 por cento face ao mesmo período de 2025.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | CLSA avisa que mais visitantes não se traduzem em receitas Apesar dos recordes de visitantes em Macau, nos casinos as receitas estão longe dos melhores dias. O problema explica-se com uma alteração do perfil dos turistas Apesar do aumento do número de turistas, as receitas do jogo estão em contracção, devido ao perfil dos novos visitantes. O cenário foi traçado pelo analista Jeffrey Kiang, ligado à correctora CLSA Ltd, num relatório citado pelo portal GGRAsia. Em termos da indústria do jogo, os melhores clientes dos casinos são os visitantes que pernoitam no território. Estes contrastam com os turistas que apenas passam umas horas em Macau, que entram e saem no mesmo dia, evitando passar a noite nos hotéis locais. No entanto, o número de visitantes que pernoitam está em quebra: “Em Julho e Agosto, os visitantes que pernoitam em Macau tiveram uma contracção de 2,5 por cento em relação ao ano anterior para 3,05 milhões”, indicou o analista Jeffrey Kiang. Em termos de receitas de jogo geradas por este tipo de visitantes, foi apontado que o número “permanece estável” em comparação com o ano anterior, pelo que a redução é explicada com a vinda em menor número de turistas que passam mais tempo nas mesas de jogo. “O total de visitas a Macau cresceu 4,5 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 8,02 milhões durante os meses de Julho e Agosto. Isso indica que um maior número de visitantes que ficam menos de um dia no território não se traduziu num aumento do total das receitas do jogo”, é constatado no documento da CLSA Ltd. Lucros com quebra Em relação ao terceiro trimestre, a CLSA Ltd prevê que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, na sigla inglesa) da indústria diminua 11 por cento, em termos anuais, para um valor inferior a 14,9 mil milhões de patacas. A previsão da correctora explica que a queda dos lucros acontece em simultâneo com a redução de cerca de 3,8 por cento das receitas do jogo no terceiro trimestre deste ano. No entanto, para as concessionárias, nem tudo foram más notícias e a sorte esteve do seu lado. “Os ventos contrários nas margens de lucro devem ser mitigados por uma taxa de retenção da casa no segmento VIP mais alta do que o normal”, foi indicado. Apesar destas variações, a correctora indica que os números apresentados não têm impacto nas previsões para este ano. “Não esperamos que os resultados do terceiro trimestre de 2026 alterem a nossa visão neutra sobre o sector nos próximos seis meses”. Todavia, o analista reconhece que a situação do mercado no pós-Semana Dourada vai ser crucial para as estimativas relativas ao próximo ano.
João Santos Filipe Manchete PolíticaNovo Bairro | Comissão de agentes imobiliários sobe para 5% O anúncio surge dias depois de alguns compradores de habitação no Novo Bairro de Macau se terem manifestado contra a comissão paga aos agentes imobiliários e a nova política de descontos Subiu para 5 por cento a comissão paga pela empresa Macau Renovação Urbana aos agentes imobiliários responsáveis pela venda de habitações no Novo Bairro de Macau. A informação foi divulgada ontem, no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), dois dias depois de compradores insatisfeitos se terem manifestado contra o valor das comissões e a nova política de descontos do projecto. “A partir de 9 de Outubro de 2026, a taxa de serviço de mediação imobiliária do projecto ‘Novo Bairro de Macau’ em Hengqin passou de três por cento para cinco por cento do valor da transacção do imóvel”, pode ler-se na secção do portal da DSSGAP dedicada à Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai), Limitada. A Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai) é controlada a 100 por cento pela Macau Renovação Urbana, tem como presidente do Conselho de Administração Paulo Tse, tal como a empresa-mãe, e é responsável pela venda e arrendamento das habitações, lojas e parques de estacionamento no Novo Bairro de Macau. O valor da nova comissão entrou em vigor na sexta-feira. Mas, anúncio surge depois de no sábado alguns dos proprietários de habitações no projecto se terem deslocado ao centro de vendas e acusado as autoridades de os terem enganado por terem indicado que a venda das habitações no projecto de Hengqin era feita ao preço de custo. O caso foi divulgado através de vídeos partilhados online. No entanto, na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a nova campanha de promoções “triplo incentivo”, que beneficia os novos compradores com descontos ou créditos na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e despesas com a gestão do condomínio. Comissões visadas Além da política de descontos, os proprietários insatisfeitos visaram especificamente o valor da comissão paga aos agentes imobiliários de Macau ou do Interior da China que vendam fracções nos edifícios do empreendimento. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, perguntou. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo”, interrogou uma das manifestantes. Este é o segundo aumento do valor da comissão promovido pela Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai) em menos de um ano. Em Maio, a comissão subiu de um para três por cento, e agora é aumentada para cinco por cento. Além disso, desde Janeiro que qualquer mediador pode promover as vendas neste projecto, quando antes a escolha dos mediadores estava restrita a um grupo seleccionado pela empresa de capitais públicos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeNovo Bairro | Insatisfação com descontos e qualidade de construção Obrigados a pagar o que consideram defeitos de construção e insatisfeitos com a política recente de descontos para novos compradores, alguns proprietários de habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, foram ao centro de vendas mostrar o seu estado de espírito A qualidade de construção das habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, e a adopção de descontos para atrair novos compradores levaram alguns moradores a manifestar-se. Segundo vídeos partilhados nas redes sociais, cerca de 10 pessoas, algumas com máscaras e outras com bandeiras da República Popular da China, deslocaram-se ao centro de vendas do projecto, no outro lado da fronteira, a pedir explicações e a mostrar insatisfação. Nas imagens é possível ver uma mulher, com a cara destapada, a mostrar-se insatisfeita com o facto de os moradores terem de pagar os reparos relacionados com defeitos de construção. “As janelas caem e as paredes apresentam fissuras, e temos de ser nós a pagar a reparação do nosso bolso porque nos dizem que o prazo de garantia das obras chegou ao fim”, criticou. O Novo Bairro de Macau foi construído pela empresa Macau Renovação Urbana, uma entidade financiada a 100 por cento com capitais públicos. O empreendimento situado em Hengqin tem cerca de 4 mil habitações que apenas podem ser compradas por residentes. Além das bandeiras, os manifestantes apresentavam ainda papéis com imagens de cebolinhas chinesas por se sentirem explorados. Na sociedade chinesa, a expressão remete para os pequenos investidores nas bolsas financeiras que são enganados ou explorados por grandes empresários, mas que mesmo assim não abdicam de defender os seus direitos. Todavia, a expressão evoluiu e deixou de ser utilizada apenas no contexto financeiro. Gota de água Na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a campanha de promoções “triplo incentivo”, que atribui aos novos compradores do projecto regalias na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e reduções das despesas com a gestão do condomínio. Além disso, a empresa também anunciou que a venda dos apartamentos no projecto passa a poder ser feita por qualquer agente imobiliário, a troco do pagamento de uma comissão de três por cento. Até agora, apenas alguns agentes estavam autorizados a realizar as vendas. No entanto, as medidas criaram insatisfação entre os manifestantes que acusam o Governo de ter faltado à verdade ao indicar que as suas compras foram feitas ao preço de construção. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, vê-se a mulher perguntar. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo?”, interrogou. A mesma pessoa indica ainda que as vendas deste projecto dependem da credibilidade das autoridades e que estas acções prejudicam esse activo. O HM contactou ontem a Macau Renovação Urbana sobre o incidente, mas até ao fecho de edição não recebeu qualquer resposta.
João Santos Filipe Manchete SociedadeComércio | Patrick Dumont considera que “trégua” beneficia EUA e China O director-executivo da Las Vegas Sands está confiante no futuro do jogo em Macau e confirmou os planos de investimento na criação de um jardim icónico. Além de estar ligado à concessionária, Dumont é proprietário dos Dallas Mavericks O director-executivo da empresa norte-americana Las Vegas Sands, empresa-mãe da concessionária Sands China, afirmou que a China e os Estados Unidos (EUA) “só têm a ganhar” com a trégua comercial. No final de Setembro, os dois países chegaram a acordo para prorrogar até 10 de Janeiro de 2027 a trégua comercial alcançada em Outubro de 2025 e que iria expirar em 10 de Novembro. “As duas maiores economias do mundo só têm a ganhar ao encontrar melhores formas de colaborar e investir mutuamente, gerando resultados benéficos para ambos os lados”, disse Patrick Dumont. “As economias de ambos os países podem beneficiar de melhores relações, mais investimento e mais intercâmbios”, acrescentou o executivo, numa entrevista à agência de notícias financeiras Bloomberg. “Esperemos que isso continue a longo prazo e que possamos colher os frutos, pois o turismo é um sector fantástico que aproxima as pessoas”, defendeu Dumont. Patrick Dumont esteve em Macau, onde a concessionária Sands China organizou dois jogos de pré-época da NBA, em parceria com a própria liga, entre os Dallas Mavericks Dallas e os Houston Rockets. Além de estar ligado à Sands China, Dumont é o proprietário dos Mavericks Dallas, equipa do Texas. Optimista face ao jogo Em Setembro, as receitas do jogo em Macau registaram o quarto mês consecutivo com quedas homólogas, caindo 17,5 por cento para o valor mais baixo dos últimos dois anos: 18,1 mil milhões de patacas. Ainda assim, Patrick Dumont disse que permanece optimista quanto às perspectivas para o território. “Para nós, investir em Macau é algo que queremos mesmo fazer. Estamos muito entusiasmados com os nossos investimentos em áreas para além do jogo”, disse o director-executivo da Las Vegas Sands, empresa-mãe da Sands China. As declarações de Dumont surgem depois de, na terça-feira, o presidente da Sands China, Grant Chum Kwan Lock, ter garantido que a empresa vai investir mais 33,4 mil milhões de patacas no território, incluindo na criação de “um jardim de inverno icónico” com 50 mil metros quadrados. “Continuaremos a investir em instalações e infra-estruturas, incluindo o jardim de inverno previsto no nosso contrato de concessão de jogo, que acreditamos que se tornará um novo marco de Macau após a conclusão”, afirmou Chum, citado pelo jornal Ou Mun. Sobre estes investimentos, o director-executivo da Las Vegas Sands afirmou que a longo prazo “irão (…) criar experiências únicas que façam os visitantes voltar a Macau e que tragam mais turistas vindos de locais mais distantes”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPE | Macau rejeita ingerência nos assuntos internos As autoridades de Macau negam legitimidade à União Europeia para se pronunciar sobre o julgamento de Au Kam San e pedem uma correcção desta postura. O Parlamento Europeu considera haver “uma grave deterioração das liberdades fundamentais” em Macau O Governo e a Assembleia Legislativa (AL) consideram que o Parlamento Europeu (PE) fez “acusações infundadas” contra o julgamento do ex-deputado Au Kam San, a primeira pessoa na RAEM a ser acusada ao abrigo da Lei de Segurança Nacional. A posição das autoridades de Macau foi divulgada na sexta-feira, depois de o hemiciclo europeu ter aprovado, na quarta-feira, uma lista com recomendações para as relações políticas com a China. No comunicado, o Governo local “manifesta a sua firme oposição e condena veementemente” o texto aprovado pelo PE e aponta que faz “considerações e acusações infundadas contra o julgamento, nos termos da lei, do primeiro caso de segurança nacional”. “O julgamento, nos termos da lei, pelos tribunais da RAEM de casos relativos a crimes contra a segurança nacional constitui um assunto estritamente interno da RAEM, não se permitindo, de modo algum, qualquer ingerência por parte de forças externas”, foi vincado. “A independência judicial da RAEM é estritamente garantida pela ‘Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau’”, foi acrescentado. O Executivo vincou também que, ao abrigo da Lei Básica, das convenções sobre direitos humanos aplicáveis à RAEM e de outras leis internas, “todos os arguidos em processo penal gozam de direitos processuais na RAEM, tendo os direitos processuais do arguido do primeiro caso de segurança nacional sido também plenamente garantidos nos termos da lei”. “O Parlamento Europeu, alheio aos factos e aplicando dois pesos e duas medidas em relação à excelente situação do Estado de Direito na RAEM, pretende interferir na justiça da RAEM, numa provocação flagrante ao Direito Internacional e às normas fundamentais que regem as relações internacionais, demonstrando claramente à comunidade internacional o seu atropelo grosseiro ao espírito do Estado de Direito”, foi igualmente considerado pelo Executivo. “O Governo da RAEM insta veementemente o Parlamento Europeu a cessar imediatamente a ingerência, sob qualquer pretexto, nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, bem como cessar, de imediato, qualquer forma de perturbação e de interferência nos procedimentos judiciais da RAEM”, foi pedido. AL condena Por sua vez, o comunicado da AL “manifesta firme oposição e condena veementemente o Relatório sobre a recomendação relativa às relações políticas entre a União Europeia e a China, recentemente aprovado pelo Parlamento Europeu, o qual lançou acusações infundadas contra o julgamento do primeiro caso de segurança nacional pelo tribunal da RAEM de acordo com a lei, apresentando ainda exigências ilegais”, foi indicado. “Em conformidade com o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais, o Parlamento Europeu não tem qualquer legitimidade para se pronunciar ou intervir nesta matéria”, foi vincado. A AL indica também que a “defesa da segurança nacional pela RAEM em conformidade com a lei é absolutamente justa e irrepreensível”. “O julgamento, pelos tribunais da RAEM, de processos relacionados com a segurança do Estado, em estrita observância da legalidade, constitui um assunto exclusivamente interno da RAEM”, foi considerado. O comunicado termina com o apelo da AL para que o PE “reflicta sobre a sua postura, corrija o seu rumo e cesse imediatamente a interferência nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, bem como qualquer ingerência no processo judicial da RAEM”. Recomendação do PE O documento aprovado pelo PE na quarta-feira surge como uma “recomendação” das posições a serem adoptadas pelo Conselho Europeu, pela Comissão Europeia, e pela Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros na condução das relações com a China. O texto aborda assuntos relacionados com política, economia, direitos humanos e outras áreas no Interior, em Macau e Hong Kong. Em relação à parte que foca a RAEM, há apenas duas menções, onde o PE considera que há “uma grave deterioração das liberdades fundamentais”, tal como também indica acontecer em Hong Kong. O PE recomenda aos diferentes organismos europeus a condenação do “julgamento de Au Kam San, antigo parlamentar pró-democracia, ao abrigo da Lei da Segurança Nacional em vigor em Macau” e que “apelem à sua libertação imediata e incondicional”.
João Santos Filipe SociedadeSJM | Concessionária quer integrar desenvolvimento nacional A presidente da SJM Resorts, Daisy Ho, afirmou que a concessionária vai trabalhar para se integrar no panorama de desenvolvimento no país. A promessa foi deixada ontem, durante uma cerimónia da empresa de celebração do 77º aniversário da Implantação República Popular da China. Citada pelo jornal Ou Mun, a presidente da empresa fundada por Stanley Ho, e filha do magnata falecido, indicou que o desenvolvimento interno da operadora de casinos vai seguir “três grandes direcções” que são o “desenvolvimento ecológico”, “integração entre Hengqin e Macau” “e inovação do turismo”. Estes objectivos acompanham as metas de governação traçadas pelo Governo da RAEM. Daisy Ho defendeu ainda que as lições dos mais de 60 anos de percurso da empresa demonstram que “só” com a integração “no panorama geral do desenvolvimento nacional” será possível “alcançar perspectivas ainda mais amplas”. Por isso, a responsável prometeu que a SJM vai “acompanhar o pulsar da época, manter a inovação com base nos princípios fundamentais e contribuir para o desenvolvimento de alta qualidade de Macau”. Por sua vez, a deputada e administradora da empresa, Angela Leong, indicou que “a SJM Resorts tem mantido sempre a sua intenção original de amor pela pátria e por Macau”. Leong destacou ainda que Stanley Ho sempre insistiu num conceito empresarial “centrado nas pessoas” e que cuidasse de forma dedicada dos trabalhadores do grupo. A cerimónia de ontem contou com uma cerimónia de içar da bandeira que ficou a cargo da equipa de hasteamento da bandeira da SJM.
João Santos Filipe Manchete SociedadeÓbito | Jornalista Mário Cardoso morreu na quarta-feira O ex-jornalista e ex-advogado Mário Cardoso morreu na quarta-feira aos 83 anos de idade. A informação foi divulgada pelo Clube de Jornalistas, ao qual o falecido se associou durante a fundação. “A direcção do Clube de Jornalistas apresenta sentidas condolências a todos os familiares e amigos de Mário Cardoso”, pode ler-se numa nota de imprensa emitida ontem. Mário Cardoso viveu durante mais de 40 anos em Macau, onde chegou em 1980 com o propósito de contribuir para a criação da Teledifusão de Macau (TDM). Para esta escolha, contou o facto de o ex-jornalista ter integrado o grupo de fundadores da RTP Açores, em 1975. No entanto, o seu percurso começou anos antes, quando integrou a redacção do Diário de Lisboa. Foi nessas funções que Cardoso esteve no Largo do Carmo no 25 de Abril de 1974, acompanhando de perto as acções de Salgueiro Maio e a Revolução dos Cravos. Nos anos 70, o futuro residente de Macau integrou também a redacção do jornal A Capital. Além das funções de jornalista, em 1988, Mário Cardoso foi um dos primeiros alunos do curso de Direito na Universidade da Ásia Oriental, actualmente Universidade de Macau. Com as novas qualificações, em 1998, o jornalista começou a desempenhar as funções de técnico superior da Administração Pública de Macau. Em 2011, deixou a Administração Pública e dedicou-se a uma nova aventura na advocacia, até ter decidido regressar a Portugal.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDelinquência Infantil | Nick Lei pede reforma da educação cívica Nos últimos 10 anos, os casos de delinquência infantil aumentaram 167 por cento. O deputado ligado à comunidade de Fujian considera que parte do problema está relacionada com a falta de sensibilidade para questões cívicas O deputado Nick Lei considera que as autoridades têm de reformar o ensino da educação cívica face ao que afirma ser o aumento da delinquência infantil no território. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, em que o legislador ligado à comunidade de Fujian aborda o ataque de um aluno a uma professora com um líquido corrosivo. No documento, Nick Lei aponta que “no primeiro semestre deste ano foram registados 87 casos de criminalidade juvenil, o que representa um acréscimo de seis casos em relação ao período homólogo do ano anterior” e uma “subida de 7,4 por cento”. Todavia, o deputado está mais preocupado com a tendência mostrada pela comparação dos dados mais recentes com os de 2016, ano em que foram registadas 34 situações de delinquência infantil: “em comparação com os 34 casos registados em 2016, verifica-se um aumento substancial de 167 por cento”, avisa. Entre as situações mais extremas, Lei recorda o ataque, no início do ano lectivo, a uma professora com um químico e a situação dos seis menores que foram detidos em Junho deste ano, depois de um caso de bullying na Areia Preta. “Além de revelarem a falta de consciência do Estado de Direito por parte de alguns jovens, [os casos] demonstram ainda as lacunas existentes na educação para o Estado de Direito”, apontou. A interpelação foi escrita antes de mais um caso de violência nas escolas do território, no qual um aluno esfaqueou outro devido a um desentendimento relacionado com videojogos. Reforço da educação Neste contexto, Lei pretende uma reforma do ensino da educação cívica: “Actualmente, os trabalhos de educação cívica em Macau encontram-se dispersos por diferentes departamentos, carecendo de um planeamento e de uma organização sistemáticos”, considera. “O Governo da RAEM deve estudar a criação de um ‘Conselho de Educação Cívica’ normalizado ou de um mecanismo especializado de nível superior, para agrupar e integrar, de forma abrangente, os recursos existentes, formular planos concretos e proceder a revisões e ajustes periódicos, com vista a aumentar a eficácia dos respectivos trabalhos. Vai fazê-lo?”, pergunta. Lei questiona ainda o Executivo se no que diz respeito ao ensino da educação cívica vai haver uma nova abordagem que concilie o ensino das punições com uma abordagem também focada na prevenção. Apesar do enfoque dado à questão da delinquência infantil, Nick Lei considera que o problema da educação cívica é transversal à sociedade e que está muito presente no trânsito local. Para sustentar esta posição, o deputado menciona a postura dos condutores: “Entre os acidentes de trânsito com feridos, muitos foram causados pela não cedência de prioridade. É evidente que a fraca consciência de segurança, a insuficiente noção de cedência de prioridade e o desrespeito pela ordem de trânsito por parte de alguns utentes da via constituem as principais causas de acidentes rodoviários”, justificou.
João Santos Filipe Manchete SociedadeHengqin | UPM e UTM pagam 203,6 milhões a instituto do Interior O projecto de arquitectura e planeamento do campus da UPM e da UTM em Hengqin vai custar 203,6 milhões de renminbis. O serviço fica a cargo de um instituto da Universidade de Tecnologia do Sul da China, também responsável pelo projecto da UM no mesmo campus A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM) vão pagar cerca de 203,6 milhões de renminbis (245,1 milhões de patacas) pelo projecto de arquitectura e planeamento para o campus da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O serviço vai ser prestado pelo Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China. A informação foi divulgada no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) e a empresa terá sido escolhida por ajuste directo, o que implicou a dispensa de concurso público. O investimento vai ser feito através da Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, uma empresa que resulta da parceria entre as duas instituições de ensino. Dos 203,6 milhões de renminbis, 201,6 milhões são justificados com o valor do contrato pelos serviços prestados e os restantes 2 milhões são fundamentados com a “reserva para despesas/fundo de maneio”. A adjudicação foi feita a 23 de Setembro e foi revelada na terça-feira. A somar milhões Este é o segundo contrato que é adjudicado directamente ao Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China no âmbito do projecto da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. Em Julho do ano passado foi revelado que a empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, propriedade da Universidade de Macau, acordou pagar 153,8 milhões de renminbis (173,3 milhões de patacas), também por ajuste directo, ao instituto do Interior da China. À semelhança do contrato mais recente, também o de 2025 previa o projecto de design arquitectónico do campus na Cidade Universitária. Face a estes valores, no espaço de dois anos, o Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China somou 357,4 milhões de renminbis (cerca de 430 milhões de patacas) em contratos para projectar campus em Hengqin. O campus em Hengqin está instalado na “Cidade Alemã”, um projecto falhado que pretendia captar investimento germânico para a Ilha da Montanha. As obras estão a ser realizadas em diferentes fases e o objectivo do Executivo da RAEM é criar condições para receber 20 mil alunos até 2029. A primeira fase do projecto foi inaugurada no Verão deste ano, quando foram recebidos os primeiros estudantes e docentes.
João Santos Filipe Manchete PolíticaIAS | Prometida revisão de mecanismo de segurança após abusos O presidente do Instituto de Acção Social garante que todas as instituições de acolhimento de crianças vão ser alvo de avaliação de riscos para reforçar a segurança dos menores Na sequência dos alegados abusos cometidos por um trabalhador de uma instituição de acolhimento de crianças, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, promete um reforço da segurança. As declarações foram prestadas ontem ao canal chinês da Rádio Macau. Segundo o responsável, as instituições de acolhimento locais vão passar a ser alvo de avaliações de risco, tendo em conta aspectos como o espaço, a idade dos utentes, as suas capacidade de comunicação e o tipo de cuidados disponibilizados. Após a identificação de potenciais riscos, as autoridades vão implementar novas formas de protecção para os utentes. “A nossa prioridade passa por responder aos principais riscos de cada lar. Por exemplo, se alguns quartos estiverem vazios, então precisam de ser trancados, e vai ser necessário definir procedimentos padronizados para o registo e monitorização das horas de trabalho”, afirmou o responsável. Hon Wai considerou ainda que o caso recente é um sinal de alerta para melhorar alguns procedimentos em vigor, como os critérios aplicados na altura de contratar funcionários para este tipo de instituições. O presidente do IAS apontou igualmente que as autoridades estão a ponderar adoptar uma regra que exige que por cada turno de trabalho estejam sempre presentes dois trabalhadores, de forma a poderem supervisionar-se mutuamente. Intervenção imediata Em relação ao caso do homem de 34 anos detido devido a alegados abusos de menor na instituição de acolhimento, Hon Wai foi confrontado com o facto de ter passado um mês entre as primeiras suspeitas do caso e a apresentação de queixa às autoridades. Em resposta, defendeu a actuação do IAS e explicou que foi necessário o consentimento da família da vítima para apresentar a queixa: “Nós aplicámos medidas de prevenção imediatamente, por exemplo, o trabalhador investigado foi logo afastado dos turnos nocturnos. Só que também tivemos de verificar as imagens de videovigilância, falar com os outros trabalhadores para confirmar que existia um caso e ainda contactar os pais da vítima para que concordassem com a queixa”, justificou. Hon Wai revelou ainda que a vítima está a ser acompanhada e que está “estável”. As declarações do presidente do IAS estão em linha com a posição da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. Após o caso ter vindo a público, a secretária presidiu a uma reunião com representantes dos serviços sociais e públicos, e pediu a revisão de mecanismos e procedimentos internos nas instituições de acolhimento para garantir a protecção das crianças e dos jovens. Foi no início deste mês que a Polícia Judiciária revelou ter detido um homem de 34 anos, residente local, e trabalhador numa instituição de acolhimento de crianças. O homem está indiciado da prática de actos de abuso sexual contra uma criança acolhida – um menino de nove anos. O caso foi descoberto depois de a vítima ter denunciado a situação à mãe, que entrou em contacto com a instituição. A PJ também descobriu no telemóvel do detido 37 vídeos com imagens de cinco crianças do lar a tomar banho.
João Santos Filipe Desporto MancheteVenetian | Carnaval da NBA antecipa jogos de sexta e domingo Na preparação da nova época da NBA, os Dallas Mavericks e os Houston Rockets têm encontros marcados na Arena Venetian, e os fãs vão poder ver ao vivo estrelas como Kevin Durant e Kyrie Irving A festa da NBA (National Basketball Association) começa hoje no Venetian com o arranque de um “carnaval” dedicado à liga de basquetebol mais famosa do mundo. No entanto, os pontos altos da programação preparada pela Sands China estão agendados para sexta-feira e domingo, quando se realizam os jogos de pré-época entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets. O primeiro jogo está agendado para as 19h30 de sexta-feira e a segunda partida acontece no domingo, pelas 17h30. Do lado dos Rockets, a maior estrela é Kevin Durant, campeão da NBA em 2017 e 2018 e seleccionado 16 vezes para o NBA All-Star, assim como Alperen Sengun, escolhido duas vezes para o NBA All-Star, e ainda Amen Thompson, considerado um dos melhores jogadores defensivos da época 2024-25. Na formação de Dallas, as principais estrelas a pisar a Arena Venetian são Kyrie Irving, jogador campeão da NBA em 2016 e participante em nove encontros NBA All-Star, Cooper Flagg, estreante do ano 2025-26, e ainda Morez Johnson Jr., que foi a nona escolha do Draft da NBA de 2026. Para aquecer o público, durante o intervalo da partida, os fãs podem assistir ao espectáculo da banda KiiiKiii, composta pelas cantoras e dançarinas coreanas Leesol, Sui, Jiyu, Haum e Kya. Carnaval da NBA Além dos jogos, o programa inclui o Carnaval “NBA House”, uma espécie de convenção sobre a NBA que é inaugurada hoje e se prolonga até domingo. A entrada é gratuita e o espaço inclui exposições de 30 marcas envolvidas na NBA e no evento promovido pela Sands China. Nos Halls A e B do espaço Cotai Expo, os fãs vão ainda ter acesso a diferentes tipos de gastronomia, música, entretenimento, moda, comércio e tecnologia interactiva. As portas estão abertas das 11h às 22h e o acontecimento vai ainda contar com a presença de ex-jogadores da NBA como Ray Allen, Carlos Boozer, Chris Bosh, Jeremy Lin, Stephon Marbury, Shawn Marion, Cuttino Mobley, Mitch Richmond, Luis Scola e P.J. Tucker. Em termos dos espectáculos musicais na NBA House, os fãs podem contar com actuações das bandas KiiiKiii e SB19, assim como de Keung Tou, cantor de Hong Kong que integra a banda MIRROR. O Dia do Fã No sábado, dia sem jogos, a Arena Venetian será palco para celebrar o Dia do Fã, um evento com a participação da estrela de K-pop Evan, também conhecido como Heeseung, e do cantor, actor e membro dos MIRROR Keung To. A apresentação fica a cargo do rapper e actor MC Jin. Durante este dia, espera-se a subida ao palco dos jogadores que fazem parte das equipas dos Mavericks e dos Rockets, assim como as mascotes destes clubes. Em termos de basquetebol, os jogadores vão ser desafiados a participar em concursos de habilidades, lançamentos triplos e afundanços. A passagem da NBA por Macau faz parte de um acordo assinado com a Sands China, em Dezembro de 2024, que prevê a realização de jogos de pré-época durante cinco anos. Este é o segundo ano do acordo, e na pré-temporada transacta passaram pela RAEM as equipas Phoenix Suns e Brooklyn Nets.
João Santos Filipe Manchete PolíticaOperários | Ella Lei defende mais apoios no acesso ao emprego Os deputados da FAOM identificaram jovens e idosos como os grupos com maiores dificuldades de emprego. Os principais pedidos de apoio na última sessão legislativa visaram questões laborais Os problemas no acesso ao emprego foram a principal preocupação manifestada pelos residentes aos deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). A revelação foi feita ontem pelos legisladores Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou U, numa conferência de imprensa de balanço da última sessão legislativa. Segundo os dados apresentados, no ano legislativo de 2025/2026, a FAOM recebeu cerca de 4.500 pedidos de apoio e consultas. “Estes pedidos de ajuda visaram principalmente questões laborais, apoios sociais e o tema da habitação”, revelou Ella Lei. A deputada garantiu ainda que o mercado laboral é a grande preocupação da bancada da FAOM. “O emprego é sempre a questão a que prestamos maior atenção”, vincou. “Os residentes de meia-idade e os mais velhos, próximos da idade de reforma, têm uma grande dificuldade em encontrar emprego ou em mudar de carreira devido ao encerramento de empresas. Já os jovens têm dificuldades de acesso ao emprego no início de carreira, por falta de experiência, pelo que precisam de mais formação”, explicou. Face a esta situação, Ella Lei espera que o Governo lance mais medidas de apoio no acesso ao emprego destes grupos. A legisladora sugeriu, como exemplo de medidas, formações para ensinar os jovens a prepararem-se melhor para entrevistas de trabalho. A deputada salientou ainda que as pessoas de meia-idade e as mais velhas enfrentam problemas de adaptação quando tentam mudar de carreira. Inteligência artificial Ella Lei e Leong Sun Iok mostraram-se igualmente preocupados com o impacto da inteligência artificial no mercado laboral, que poderá vir a substituir alguns postos de trabalho. Leong Sun Iok destacou que o desenvolvimento tecnológico deve beneficiar o ser humano em vez de o substituir. Em relação aos contratos públicos para a prestação de serviços por privados, Leong deixou o desejo de que as adjudicações feitas pelo Governo reservem sempre vagas de emprego para os grupos vulneráveis. Por sua vez, Lam Lon Wai destacou que o apoio ao emprego dos jovens não deve focar-se apenas na quantidade de cursos de formação realizados, mas incidir sobre o aprofundamento do conhecimento e o desenvolvimento de capacidades que respondam às necessidades das empresas. O deputado defendeu que as formações devem ser direccionadas para a realidade local, permitindo às empresas participar mais cedo na formação e selecção de quadros qualificados, com vista a garantir o acesso directo a estágios, a entrevistas e, em última análise, ao recrutamento.