Turismo | Residentes impedidos de embarcar para o México

Três residentes terão sido impedidos de viajar para o México, em Pequim, pela Hainan Airlines. A companhia aérea justificou a recusa de embarque com alterações à política de isenção de vistos entre a RAEM e o México. A RAEM nega qualquer alteração da política

A Direcção dos Serviço de Identificação (DSI) confirmou que pelo menos um residente de Macau foi impedido de viajar de Pequim para o México, devido a um erro sobre as políticas de isenção de visto. O caso foi divulgado no fim-de-semana, através das redes sociais, e o Governo destaca que os residentes de Macau continuam a estar dispensados de visto quando viajam para o país do continente americano.

O caso aconteceu a 31 de Outubro, quando três residentes tentaram viajar de Hong Kong para o México, com uma escala em Pequim. O objectivo da viagem era turístico, nomeadamente assistir às celebrações do Dia dos Mortos, de acordo com o relato divulgado nas redes sociais.

No entanto, quando fizeram escala em Pequim, os residentes foram impedidos de embarcar para o México pela Hainan Airlines. Segundo os representantes da companhia aérea, havia uma nova política em vigor e os detentores de passaporte da RAEM estavam sujeitos às mesmas políticas dos residentes do Interior, pelo que tinham de pedir um visto antes da viagem.

Apesar de os residentes contestarem a postura da companhia aérea, inclusive mostrando a informação dos portais da RAEM e do México, os trabalhadores impediram o embarque. Além disso, os representantes da empresa do Interior mostraram comunicações internas da companhia, feitas através do WeChat, nas quais constava informações sobre a necessidade de os residentes de Macau pedirem visto antes da viagem.

Dado o impedimento de embarcarem, e uma vez que os feriados dos Dia do Mortos se celebram principalmente entre 1 e 2 de Novembro, os residentes terão optado por regressar à RAEM.

Tudo como dantes

Face à divulgação do caso, e contactada pelo HM, a DSI explicou que não houve alterações na política em vigor. “Após tomar conhecimento da situação, a DSI contactou imediatamente o interessado e solicitou esclarecimentos ao Consulado Geral do México em Hong Kong. Em resposta, o mesmo consulado geral informou que, até à data, não houve qualquer alteração na política de isenção de vistos para os titulares do Passaporte da RAEM”, foi revelado. “A DSI está a contactar activamente a respectiva companhia aérea para apurar os pormenores do ocorrido, mantendo o acompanhamento contínuo do caso”, foi acrescentado.

A DSI menciona apenas “o relato do interessado”, não indicando o número de residentes que foram impedidos de embarcar.

O acordo de isenção de vistos entre a RAEM e os Estados Unidos Mexicanos foi assinado, em Macau, a 19 de Setembro de 2008 e entrou em vigor 30 dias depois. A isenção de visto aplica-se aos residentes de Macau com passaporte da RAEM ou aos nacionais mexicanos que pretendam deslocar-se aos territórios, sem intenção de obter um emprego ou exercer uma profissão.

4 Nov 2026

Hebei | Dora Ng quer seguir o exemplo da Nova Área de Xiong’an

A secretária para a Economia e Finanças foi ao Interior da China estudar referências para aplicar no desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin

A secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, considera que a Zona de Cooperação Aprofundada deve seguir o modelo da Nova Área de Xiong’an em termos da digitalização da sociedade e desenvolvimento da indústria. A posição foi tomada durante uma visita à província de Hebei, que decorreu na segunda quinzena de Outubro, e que foi divulgada ontem.

Localizada a 100 quilómetros de Pequim, a Nova Área de Xiong’an foi criada em 2017 pelas autoridades centrais para servir de centro de desenvolvimento do triângulo económico Pequim-Tianjin-Hebei. Além disso, o objectivo passou por retirar de Pequim, para aliviar a concentração de pessoas, algumas sedes de empresas tidas como não essenciais.

A visita foi definida pela secretaria da Economia e Finanças como “de estudo” e incluiu passagens pelo Centro de Serviços Integrados da Zona de Arranque de Xiong’an, para observar os serviços ‘one-stop’ destinados às empresas, pelo Centro de Inovação Científica e Tecnológica da Cidade Inteligente, pelo Centro de Exposição Mingzhu N.º 1.

Após a visita, de acordo com uma nota de imprensa oficial, Ng Wai Han “afirmou que as práticas da Nova Área de Xiong’an na construção de cidade digital, no fomento de suportes industriais e na inovação da governação urbana constituem uma referência valiosa para Macau promover a transformação de resultados de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico” e “aprofundar a interligação entre Macau e Hengqin”.

Plataforma à mesa

Durante a deslocação ao Interior, Dora Ng participou na 20.ª Reunião do Conselho de Cooperação de Ciência e Tecnologia entre o Interior da China e Macau. Neste evento assinou, com Zhang Guangjun, vice-Ministro da Ciência e Tecnologia, um memorando de cooperação para apoiar a participação de Macau no Plano de Acção para a Inovação Científica e Tecnológica da Iniciativa “Faixa e Rota”. Segundo a nota de imprensa, o memorando tem como objectivo promover mais trocas e cooperação científica com os países envolvidos na política “Faixa e Rota” e fomentar a integração de Macau no Interior.

No itinerário houve ainda encontros com líderes da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, do Ministério do Comércio e da Administração Nacional de Regulamentação Financeira.

Entre os assuntos discutidos, destaque para a construção do Parque Ciên-Tec de Macau e do Centro Internacional da Indústria de Ciências e Tecnologias de Macau, o reforço do papel da plataforma entre a China e os países de língua portuguesa e a implantação de plataformas nacionais de investigação e desenvolvimento em Macau e Hengqin.

As trocas comerciais de empresas chinesas com o exterior, através de Hengqin, foram outro dos assuntos discutidos, assim como a expansão das actividades dos bancos e instituições de seguros de capital chinês em Macau.

4 Nov 2026

André Cheong destaca trabalhos para proteger Segurança Nacional

A defesa da Segurança Nacional foi a área mais destacada por André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa, no relatório dos trabalhos da sessão 2025/2026. O relatório foi divulgado na sexta-feira no portal do hemiciclo.

André Cheong considerou que a Lei da Comissão de Defesa da Segurança do Estado consagra “o regime relativo à natureza, à composição, às atribuições e ao funcionamento” da comissão e que “constitui, em conjunto com a Lei relativa à defesa da segurança do Estado e demais legislação, um regime jurídico completo de defesa da segurança do Estado”.

André Cheong apontou também que o novo diploma foi “mais um passo na consolidação da base do Estado de Direito” e que proporcionou “um sólido suporte institucional à organização e coordenação dos diversos trabalhos de defesa da segurança do Estado”.

Ainda no âmbito da segurança do Estado, o ex-secretário apontou a actualização da lei da proibição da produção, do tráfico e do consumo ilícitos de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, que incide sobre 13 novos tipos de drogas.

Face ao novo ano legislativo, que arrancou a 15 de Outubro, André Cheong indica que a agenda dos deputados vai passar por “implementar integralmente o princípio da predominância do poder Executivo”, “promover uma interacção eficiente e positiva entre o Executivo e o Legislativo” e “reforçar ainda mais a sua consciência política, defender, com firmeza, a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do país” e “realizar bem os trabalhos de participação e discussão política partindo sempre dos interesses globais do país e de Macau”.

Relatório e contas

O relatório legislativo mostra que os deputados com mais faltas foram Ângela Leong e José Pereira Coutinho, cada um com quatro faltas justificadas, em mais de 60 reuniões. No pólo oposto, 20 deputados não tiveram qualquer falta. Ho Ion Sang, Nick Lei Leong Wong, Ngan Iek Hang e Chan Lai Kei foram os deputados mais participativos em termos das interpelações escritas, cada um com um total de 51. A nível das interpelações orais houve vários com quatro, o maior número.

Finalmente, no que diz respeito às intervenções antes da ordem do dia, o maior número de participações foi de 12, o que correspondeu igualmente à participação de vários deputados. Os restantes tiveram 11 intervenções antes da ordem do dia, à excepção do presidente da AL, que realizou zero, como é tradição.

3 Nov 2026

Grande Baía | Sam Hou Fai promete mais integração e inovação

O líder do Governo reforçou o compromisso com a construção da Grande Baía através do desenvolvimento científico e tecnológico e prometeu que a Zona de Cooperação Aprofundada vai funcionar como um suporte do projecto nacional

O Chefe do Executivo garante que Macau vai assumir um papel importante na “construção do sistema de inovação científica e tecnológica da Grande Baía”, e que a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin vai funcionar como “suporte importante” da cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau. A mensagem foi deixada no domingo por Sam Hou Fai, num discurso proferido no Fórum Científico da Grande Baía 2026.

“Macau vai integrar-se activamente e colaborará na construção do sistema de inovação científica e tecnológica da Grande Baía”, traçou como caminho o dirigente máximo do Governo. “Persistindo num planeamento prospectivo e numa iniciativa proactiva, com determinação para progredir e um espírito pragmático e realista, Macau envidará esforços contínuos no aprofundamento da cooperação regional e na promoção do intercâmbio de recursos de inovação”, prometeu.

Sam Hou Fai indicou também que o seu Governo “impulsionará a promoção mútua entre a inovação científica e tecnológica e o desenvolvimento industrial, empenhará esforços em alcançar reformas, inovações, avanços e resultados concretos, contribuindo, assim, com a força de Macau para a construção de um centro internacional de inovação científica e tecnológica”.

Ainda sobre o papel da RAEM na construção do sistema de inovação nacional, Sam vincou que a “cooperação aprofundada entre Guangdong, Hong Kong e Macau funcionará como motor e o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin como suporte importante”.

Papel definido

Em termos do posicionamento de Macau na Grande Baía, o Chefe do Executivo garantiu que a RAEM vai manter o “posicionamento de ‘um centro, uma plataforma, uma base’ e ‘um pólo’”, e fazer “uso” das “suas vantagens únicas de interligação interna e externa e de fusão das culturas chinesa e ocidental”.

Sam Hou Fai sublinhou que “Macau é uma das quatro cidades centrais da Grande Baía” e que a “participação na construção conjunta de alta qualidade da Grande Baía representa uma concretização importante da integração e contribuição na conjuntura do desenvolvimento nacional”.

Sobre os trabalhos que vão ser realizados, e a continuidade da integração nacional, Sam reconheceu que são objectivos que constam do 15.º Plano Quinquenal da China e do 3.º Plano Quinquenal da RAEM. “Olhando para o futuro, Macau acelerará a implementação e a obtenção de resultados concretos dos quatro projectos prioritários e dos fundos de orientação governamental, promoverá de forma sólida o desenvolvimento da diversificação adequada da economia e abrirá perspectivas mais amplas para a inovação tecnológica e a modernização industrial”, reforçou. “Macau enfrentará os desafios com um espírito empreendedor e agirá com empenho, pragmatismo e sentido de responsabilidade. De mãos dadas com as cidades irmãs da Grande Baía e com parceiros nacionais e internacionais, Macau desenvolverá esforços para abrir uma nova conjuntura de desenvolvimento de alta qualidade, dando novos contributos para a promoção da modernização ao estilo chinês”, prometeu o governante.

3 Nov 2026

Música | Grupo japonês DOES estreia-se em Hong Kong a 8 de Novembro

Foi preciso esperar mais de 20 anos, mas a banda conhecida pela ligação com a série de anime Gintama vai finalmente actuar pela primeira vez em Hong Kong. Este vai ser o primeiro espectáculo do trio após o vocalista, Wataru Ujihara, ter revelado sofrer de problemas musculares que o impedem de tocar guitarra

Após mais de 20 anos de carreira, a banda japonesa de rock DOES vai estrear-se em Hong Kong com um concerto na sala de espectáculos Portal, no edifício The Burrow, em Kowloon, às 20h. Na região vizinha, os fãs vão ter a oportunidade de ouvir os êxitos da banda como Shura, Donten, Guren ou Bakuchi Dancer.

Os DOES chegam a Hong Kong como parte da digressão “Thanksloving! Overseas” que começa na RAEHK e inclui ainda espectáculos em Banguecoque, na Tailândia, e em Kuala Lumpur, na Malásia. Criado em 2000, na cidade de Fukuoka, o grupo de rock alternativo/garagem é constituído pelo vocalista e guitarrista Wataru Ujihara, pelo baixista Yasushi Akatsuka, e pelo baterista Keisaku Morita.

Nos primeiros anos da carreira, quando o trio não tinha contrato com qualquer produtora, Wataru, Yasushi e Keisaku lançaram músicas como “DOES”, “Outside”, “Fish for You” e “Fish for You No. 2”. Os êxitos comerciais surgem a partir de 2006, quando o grupo se muda para Tóquio e assina um contrato com a produtora Ki/oon Records, que faz parte da gigante Sony Music Entertainment.

Com o apoio de uma grande produtora, os DOES lançam os singles “Shura” (2007) e “Donten” (2008). Esta última música garantiu a entrada no top três do ranking de vendas Oricon, um dos mais importantes do Japão.

Mundo Gintama

As duas faixas foram ainda escolhidas como as músicas de introdução (Donten) e encerramento (Shura) da 5.ª temporada da série Gintama, um dos animes mais populares no Japão entre 2003 e 2019. Esta escolha marcou também o percurso musical dos três artistas ao iniciar a ligação com a indústria televisiva.

A ligação com a série de comédia Gintama valeu aos DOES o reconhecimento do grande público jovem, e o grupo foi ainda responsável pelas músicas de introdução (Bakuchi Dancer) e encerramento (Baku) do filme Gintama (2010) e da música de introdução da 17.º temporada da série com o tema “Know Know Know (2016). Este tema foi o último produzido antes de uma pausa na carreira dos DOES, que se prolongou entre 2016 e 2020.

Os sucessos de “Shura” e “Donten” abriram as portas a outras parcerias na indústria do anime, e em 2012 os DOES lançaram o tema “The World Seen in Dreams”, utilizado como introdução da terceira temporada da série Space Brothers. Em 2015, chega um novo sucesso, com o lançamento de “Guren”, tema que foi utilizado como introdução da série de anime Naruto: Shippuden.

Além do sucesso televisivo, o grupo foi lançando diferentes álbuns como Newold (2006), Subterranean Romance (2007), The World’s Edge (2009), Modern Age (2010), Katharsivilization (2012) Other side of DOES (2013), DOES (2014) e Innocence (2016).

Regresso em força

Com as celebrações do 10.º aniversário, em 2016, os DOES anunciaram uma interrupção na actividade da banda, que foi justificada com a pretensão dos membros de descansarem e se dedicarem a projectos pessoais.

Em 2019, surgiu o primeiro sinal de um regresso à actividade, quando o trio foi convidado a participar no festival da série Gintama. O espectáculo na Arena Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, contou com cerca de 20 mil fãs, actuações das bandas musicais ligadas à série, e a recriação de alguns dos momentos mais marcantes da série, com os actores a darem voz à animação, em directo, enquanto as imagens eram transmitidas nos ecrãs da arena.

No ano seguinte, os DOES confirmaram o regresso à actividade, com o lançamento de novos singles como Douraku Shinjou (2021), Backbeat (2022) ou In The Sun (2022).

Este regresso levou também à realização de vários espectáculos no Japão, no Interior e uma grande digressão na América, com concertos esgotados em países como o México, Chile, Peru ou Estados Unidos.

A estreia em Hong Kong dos DOES acontece numa altura extramente complicada para o vocalista e guitarrista Wataru Ujihara. Na semana passada, o músico revelou sofrer de problemas no nervo ulnar que fazem com que sinta os dedos da mão direita dormentes, o que o impede de tocar guitarra. Apesar disso, Wataru vai continuar a cantar nos espectáculos ao vivo. A guitarra vai ficar a cargo de um substituto.

Os preços dos bilhetes para estreia dos DOES no território vizinho já se encontram à venda e podem ser adquiridos por 580 ou 780 dólares de Hong Kong.

30 Out 2026

LAG | Restauração e Associação Comercial pedem mais apoios

Representantes do comércio local mostram-se preocupados com o ambiente de negócios para as pequenas e médias empresas e pedem soluções para a fuga do consumo para o outro lado da fronteira

A União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau defendem a necessidade do Governo adoptar mais medidas de apoio à economia. As posições foram tomadas por dirigentes das associações, em declarações ao jornal Ou Mun, como antevisão das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano.

Segundo o vice-presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Fong Kin Fu, a esperança é que o Governo de Sam Hou Fai inclua nas LAG medidas que beneficiem directamente as empresas de restauração, bem como planos a médio e longo prazo para apoiar a economia local em cada zona da cidade. Este aspecto é visto como uma necessidade para assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento das empresas.

“Não devemos depender de uma única política que possa mudar imediatamente a situação. É necessário um plano para desenvolver gradualmente a confiança do mercado”, afirmou Fong.

O dirigente associativo e empresário considerou ainda que o Governo deve ouvir a sociedade, assim como os médicos auscultam os pacientes, antes de fazerem um diagnóstico. Neste sentido, Fong sugeriu ao Governo realizar estudos para compreender as razões pelas quais os residentes não querem consumir em Macau e preferem gastar dinheiro no Interior. O responsável apontou que estes trabalhos são também importantes para se compreenderem as novas formas de voltar a atrair os consumidores para a RAEM.

Fong Kin Fu apontou ainda que os Prémios de Consumo nas Zonas Comunitárias, programa de atribuição de vales de desconto, não estão a ter impacto no mercado. O empresário exemplificou que observou que um restaurante com 70 mesas para banquetes só conseguiu ocupar cinco, durante o período de normal funcionamento. Além disso, os horários nocturnos tornaram-se um período com falta crónica de clientes.

Problemas públicos

Por sua vez, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, considera que as pequenas e médias empresas estão a enfrentar vários desafios para continuarem a operar e que o consumo dos residentes fora de Macau se tornou uma questão de “interesse público”.

Ng Wah Wai alertou ainda que, dada a maior conectividade entre Macau e a Grande Baía, as empresas locais precisam de melhorar a qualidade dos serviços e dos produtos para atrair o consumo de residentes e turistas e se manterem competitivas.

Quanto ao relatório das LAG, Ng Wah Wai espera medidas que apoiem as empresas na exploração de mercados externos, uma vez que, nos últimos anos, muitas pequenas e médias empresas têm manifestado interesse em expandir-se para fora de Macau.

No que diz respeito ao investimento externo em Macau, o responsável considerou que o ambiente de investimento está mais animado em comparação com o ano passado. Ng Wah Wai afirmou ainda que as visitas de prospecção realizadas por “muitos investidores internacionais” a Macau mostram uma maior vontade de investir no território.

30 Out 2026

Aeroporto | Número de passageiros cai 0,9% no terceiro trimestre

No terceiro trimestre, o número de passageiros diminuiu para 1,87 milhões, tendência decrescente acompanhada pela redução do número de voos. Entre Maio e Setembro, o número de passageiros caiu todos os meses, excepto em Agosto

No terceiro trimestre, o número de passageiros que utilizaram o Aeroporto de Macau diminuiu 0,9 por cento em termos anuais para 1,87 milhões. A redução acontece numa altura em que o sector da aviação foi afectado pela escalada dos preços do combustível, a nível mundial, e em Macau registou-se uma onda de cancelamento de voos.

Em Julho, o número de passageiros foi de 619,3 mil, em Agosto de 702,3 mil e em Setembro de 549,2 mil, que totalizaram 1,87 milhões. No terceiro trimestre de 2025, o número de passageiros tinha atingido 1,91 milhões, com o registo de 579 mil passageiros em Junho, 633,3 mil em Agosto e 698,1 mil em Setembro.

Em relação aos primeiros nove meses do ano, o Aeroporto Internacional de Macau apresenta um aumento do número de passageiros de 4,87 por cento face ao período homólogo. Entre Janeiro e Setembro deste ano utilizaram o aeroporto local 5,77 milhões de passageiros, mais 268 mil do que os registados até Setembro de 2025, atingindo quase 80 por cento do nível registado no mesmo período de 2019, antes da pandemia de Covid-19.

Os dados oficiais sobre a utilização do aeroporto permitem identificar duas tendências opostas. Entre Janeiro e Abril, o aeroporto viu o número de passageiros aumentar, com variações de 0,60 por cento e 25,18 por cento, em comparação com o período homólogo.

No entanto, desde Maio, com excepção do mês de Agosto, o número de passageiros esteve sempre em quebra em termos anuais, com as reduções a variarem entre 0,45 por cento e 9,32 por cento, como aconteceu em Junho.

Menos voos

Os dados mais recentes mostram ainda que no terceiro trimestre deste ano o número de aterragens e descolagens totalizou 13.484, o que se traduz numa diminuição de 6,65 por cento (menos 960 movimentos) face aos 14.444 movimentos registados no período homólogo.

Os três meses do trimestre em análise apresentaram uma contracção homóloga. Em Julho houve uma descida de 6,7 por cento face a 2025, para 4.594 movimentos. Em Agosto foram registados 4.884 movimentos, uma descida de 4,42 por cento, e em Setembro o número caiu para 4.006 movimentos, uma quebra de 9,16 por cento.

A diminuição ocorreu numa altura em que a Air Macau, a companhia aérea local, cancelou ou alterou os horários de centenas de voos, uma opção justificada com a subida acentuada dos preços internacionais do petróleo. A companhia operou menos 400 voos em Julho e Agosto e menos 200 voos em Setembro, de acordo com o relatório.

29 Out 2026

Idosos | Novo programa coloca serviços a uma distância de 15 minutos

O IAS está a desenvolver um novo programa para colocar todos os serviços essenciais para os idosos num raio de 15 minutos. O programa piloto vai arrancar primeiro em Seac Pai Van

O Instituto de Acção Social (IAS) está a desenvolver um programa experimental para colocar todos os serviços necessários aos idosos a uma distância máxima de 15 minutos. A ideia foi revelada por U Ka Wai, chefe do Departamento de Solidariedade Social do IAS, no programa Fórum Macau, emitido pelo canal chinês da Rádio Macau.

No período experimental, a medida vai ser aplicada em Seac Pai Van, na ilha de Coloane, e a informação sobre os serviços disponíveis vai poder ser encontrada na aplicação Conta Única. “Vamos disponibilizar funções como um mapa electrónico, inscrição em diferentes actividades, aluguer de equipamentos auxiliares nesta secção de informações”, contou U. “Esperamos que desta forma haja mais idosos a considerarem que é conveniente participar nas actividades comunitárias, criando uma maior ligação destes com a comunidade, ao mesmo tempo que podem sentir que é fácil obter apoio”, acrescentou.

U Ka Wai apontou também que muitos dos idosos preferem viver nas próprias casas, em vez de se mudarem para lares, e que o Governo aceita esta escolha e vai criar medidas para tornar essa opção mais cómoda.

Apesar disso, o responsável sublinhou que o IAS está a construir mais redes de apoio comunitário, como centros de dia para os idosos nas diferentes zonas da cidade. Também as pessoas com mais idade que vivem em zonas com centros de dia são convidadas a participar nas actividades. Este esforço governamental está a ser levado a cabo em conjunto com diferentes associações.

Quanto aos idosos que moram sozinhos ou têm dificuldade de deslocação, o IAS promete melhorar os serviços de entrega de refeições, acompanhamento a consultas médicas, limpeza domiciliária, cuidados de saúde e terapia de reabilitação.

Refeições saudáveis

Durante o programa matinal, U Ka Wai revelou ainda que o Governo vai lançar o “programa de refeições saudáveis para idosos”, em conjunto com a Universidade de Turismo de Macau.

Este programa vai levar à definição de normas para as refeições que visam aspectos como a quantidade de comida, o tipo de alimentos mais recomendado e a forma de confecção. “Também vamos, em cooperação com a UTM, criar formações para os cozinheiros confeccionarem as nossas refeições de forma mais saudável. Esperamos incentivar a restauração a disponibilizar refeições mais saudáveis para os idosos terem mais escolha”, destacou U Ka Wai.

Por sua vez, o secretário-geral da Cáritas Macau, Paul Pun, indicou que planeia operar cantinas comunitárias para idosos. A Cáritas vai abrir dois restaurantes na Areia Preta e na Rua da Praia do Manduco. O espaço da Rua da Praia do Manduco vai abrir no próximo mês e fornecer almoço e jantar aos idosos. O principal objectivo é criar um espaço de convívio para os mais velhos à hora refeição.

29 Out 2026

Ginásios | CCAC acusa ID de negligência na fiscalização

O relatório mais recente da instituição liderada por Ao Ieong Seong acusa o Instituto do Desporto de falhar nas tarefas de fiscalização de ginásios que se apresentam como associações, mas que têm fins comerciais

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) considera que o Instituto do Desporto (ID) actuou de forma negligente nas funções de fiscalização dos ginásios explorados como actividades comerciais em nome de associações desportivas ou de ginástica. A posição consta de uma investigação espoletada por queixas de cidadãos cujas conclusões foram ontem divulgadas.

Segundo o comunicado, face às “queixas de diversos cidadãos”, nos últimos dois anos, o CCAC abriu uma investigação por suspeitas de que os centros de fitness estivessem a “violar o disposto no Decreto-Lei n.º 47/98/M”, dado que estas actividades comerciais precisam de uma autorização prévia para poderem operar. Além disso, o ID foi visado por não ter cumprido as suas funções de fiscalização.

“O CCAC considera que embora o ID tenha acompanhado o assunto em causa, é evidente a existência de negligência e omissão na sua actuação, não tendo cumprido efectivamente a função de fiscalização que lhe está conferida por lei, incorrendo em erro na interpretação dos procedimentos de investigação e sancionatórios relativamente às infracções administrativas”, consta nas conclusões.

O órgão de investigação liderado por Ao Ieong Seong explicou ainda que o ID abriu “procedimentos sancionatórios contra nove estabelecimentos suspeitos da violação” da lei, mas que “não foram levantados os respectivos autos de multa contra sete desses estabelecimentos, nem tomadas quaisquer medidas para acompanhamento da situação”.

Lei em revisão

Por sua vez, o ID justificou a suspensão dos procedimentos sancionatórios aos ginásios porque o Executivo estava a trabalhar no novo Regime para a Regulamentação de Determinadas Actividades. Esta lei, que está a ser discutida na Assembleia Legislativa, foi apresentada como uma tentativa de eliminar a burocracia de algumas actividades, ao mesmo tempo que se tornou mais exigente para outras.

A explicação não convenceu: “O CCAC entende que os trabalhos de revisão legislativa não podem constituir causa legal para suspender a promoção dos procedimentos sancionatórios dos casos”, foi apontado. “Além disso, os elementos constantes dos processos revelam que o ID, antes de receber a notificação relativamente à revisão da lei, suspendeu os respectivos processos sancionatórios durante oito meses, tendo igualmente sido suspensos o tratamento de novas queixas e o encaminhamento de casos individuais para outros serviços”, revelou o CCAC.

As conclusões indicam ainda que “o ID interpretou erradamente o método de investigação e de recolha de provas no âmbito das infracções administrativas, entendendo nomeadamente que era necessário entrar nos locais em causa para proceder a inspecções e para constatar, com os próprios olhos, os respectivos factos ilícitos, de forma a que os mesmos actos pudessem servir de fundamento à decisão a tomar”.

O comunicado revela ainda que após conhecer as conclusões, o ID “procedeu a uma revisão geral de todos os casos” e comprometeu-se a iniciar “os procedimentos administrativos sancionatórios relativos aos casos de infracção, cumprindo efectivamente a função de fiscalização que lhe está conferida por lei”.

28 Out 2026

Maternidade | Atribuídas 481,5 mil patacas a patrões até Setembro

Apesar de o subsídio que apoia as empresas a suportar os custos com as licenças de maternidade ter passado a cobrir 20 dias, em vez de 14, o montante gasto pela DSAL diminuiu 37 por cento até ao final de Setembro

 

Desde Janeiro até ao final de Setembro, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) atribuiu 481,5 mil patacas aos empregadores, no âmbito do Subsídio Complementar à Remuneração Paga na Licença de Maternidade. Este programa visa ajudar pequenas e médias empresas a suportar os custos extra com o aumento dos dias da licença de maternidade.

De acordo com os dados revelados pela Direcção dos Serviços da Supervisão da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), ao longo deste ano e até ao final de Setembro o montante gasto com o subsídio para cobrir o aumento da licença de maternidade foi de 481,5 mil patacas.

Em termos trimestrais, entre Janeiro e Março a DSAL atribuiu subsídios no valor de 161,6 mil patacas. No segundo trimestre, o valor subiu para 164,7 mil patacas, mas os dados mais recentes mostram uma diminuição dos apoios para 153,3 mil patacas entre Julho e Setembro.

O montante de cada subsídio depende da remuneração de base das trabalhadoras que gozam de licença de maternidade. Até 28 de Julho deste ano, o subsídio cobria até 14 dos 70 dias da licença de maternidade. A medida foi implementada quando a licença de maternidade no sector privado aumentou de 56 para 70 dias.

No dia 28 de Julho o subsídio passou a cobrir 20 dias de remuneração de base das trabalhadoras, dado que nessa data a licença de maternidade foi novamente aumentada, nesta ocasião de 70 para 90 dias. Em condições excepcionais, até ao final do ano, há casos em que o subsídio pode chegar a cobrir até 34 dias de remuneração de base

No entanto, apesar de a DSAL cobrir mais dias de trabalho o valor distribuído não aumentou, o que pode indicar uma redução da natalidade nesse trimestre. Porém, a diminuição também pode ser explicada com o facto de as trabalhadoras que estão de licença de maternidade terem ordenados mais baixos.

De acordo com os dados da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, entre Janeiro e Junho foram registados 1.340 nascimentos, 690 no primeiro trimestre e 650 no segundo trimestre. Os dados do terceiro trimestre ainda não estão disponíveis, mas há uma tendência de redução. O subsídio também cobre situações de aborto espontâneo ou de nados-mortos.

Redução anual

Em termos anuais, os dados mostram uma quebra de 37 por cento do montante atribuído no âmbito do Subsídio Complementar à Remuneração Paga na Licença de Maternidade. Entre Janeiro e Setembro de 2025, a DSAL tinha distribuído 764 mil patacas como apoio ao pagamento das licenças de maternidade, o que significa uma redução de 282,5 mil patacas nos apoios.

No primeiro trimestre do ano passado, os apoios distribuídos atingiram 383,5 mil patacas. No segundo trimestre o montante gasto pelo Executivo foi de 284,8 mil patacas, caindo para 95,7 mil patacas no terceiro trimestre, o valor mais baixo do período analisado.

Neste período de 2025, houve um total de 2.130 nascimentos, com 750 no primeiro trimestre, 671 no segundo e 709 no terceiro. O Subsídio Complementar à Remuneração Paga na Licença de Maternidade não pode ser pedido por empresas de capitais públicos, concessionárias do jogo, instituições de ensino e empresas com mais de 100 trabalhadores.

28 Out 2026

IA | Associação admite substituição de trabalhadores

A Associação Económica de Macau acredita que os trabalhadores não residentes vão ser os mais afectados pela implementação da inteligência artificial, mas reconhece que vai ficar mais complicado para os jovens de Macau entrarem no mercado de trabalho

A Associação Económica de Macau admite que os recém-licenciados vão ter cada vez mais dificuldades em encontrar um emprego devido à implementação da inteligência artificial (IA), mas defende que a tendência não se verifica apenas em Macau. A posição consta de um artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun pelo subchefe do Conselho de Jovens da associação, Leong Ka Hou.

No artigo, o responsável explicou que os trabalhos caracterizados por uma elevada repetição de tarefas, processos padronizados e fácil adaptação da tecnologia vão ser os mais afectados pela substituição.

Leong apontou que os exemplos fora da RAEM mostram que a adopção das novas tecnologias está a reduzir gradualmente os postos de trabalho que normalmente eram ocupados pelos mais jovens, quando iniciavam a carreira profissional. O responsável destacou os casos de Hong Kong e Singapura e afirmou que, nestas cidades, as vagas de emprego a tempo inteiro para profissionais em início de carreira continuam a diminuir.

Leong Ka Hou argumentou ainda que face à expansão da inteligência artificial as empresas mostram-se mais cautelosas nas contratações.

Macau melhor

Apesar do cenário negativo, o subchefe do Conselho de Jovens da Associação Económica de Macau considera que o impacto em Macau vai ser sentido de forma mais gradual, do que nas outras jurisdições mais ligadas à indústria manufactureira.

Leong Ka Hou argumentou que a economia de Macau se foca principalmente no sector dos serviços, no qual a maioria das posições depende do atendimento presencial e que dificilmente é substituída por máquinas.

O membro da associação considera que a substituição dos trabalhadores até pode ter um efeito positivo em Macau, com a redução do conflito entre residentes e trabalhadores não residentes (TNR). Leong Ka Hou explicou este ponto de vista com o facto de os TNR ocuparem maioritariamente os trabalhos menos qualificados, pelo que serão os primeiros a ser afectados pelo fenómeno. Como os TNR são os mais afectados, Leong indica que a substituição é uma oportunidade para melhorar a estrutura dos recursos humanos de Macau.

Apesar destas alterações, devido ao envelhecimento populacional, Leong Ka Hou considerou que a oferta de mão-de-obra em Macau é inerentemente insuficiente, pelo que sugere ao Governo a adopção de uma estratégia para a transformação da força de trabalho, com base nas tendências futuras de emprego e através da requalificação profissional dos residentes, de forma a prepará-los para os futuros empregos.

Leong Ka Hou pediu ainda um mecanismo de formação em tecnologias de IA e a formação de quadros nas indústrias de saúde, finanças, tecnologias de ponta e desporto, cultura, exposições e convenções.

27 Out 2026

Estudo | Mais de 60% das empresas inquiridas congelaram salários

O Inquérito sobre Salários e Benefícios da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2026 revela que metade das empresas inquiridas despediu trabalhadores, afectando 0,1 por cento dos postos de trabalho

Cerca de 61 por cento das empresas do território participantes no Inquérito sobre Salários e Benefícios da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2026 congelaram salários entre Julho de 2025 e Junho de 2026. O dado foi avançado pelo jornal Ou Mun, e representa 23 empresas num total de 38 participantes de Macau no inquérito.

Tendo em conta todas as 38 empresas, o aumento salarial médio no território foi de 1,1 por cento. No entanto, quando são consideradas apenas as 15 empresas que efectivamente aumentaram ordenados, o incremento médio foi de 2,5 por cento.

Os resultados apurados no inquérito realizado pela Hong Kong Baptist University, e que conta com a colaboração da Universidade de Macau, mostram ainda que os aumentos têm vindo a ficar mais pequenos. No ano transacto, entre Julho de 2024 e Junho de 2025, o aumento médio geral do salário nas empresas inquiridas tinha atingido 2,5 por cento, acima do valor mais recente.

Porém, nem tudo são más notícias para os trabalhadores, os inquiridos estimam que em 2027 os aumentos médios atinjam 3,1 por cento. “As previsões de aumento salarial para 2027 recuperaram tanto em Hong Kong como Macau e nas cidades da província de Cantão. Isto reflecte o facto de, embora as empresas continuem a enfrentar desafios decorrentes do ambiente económico externo e pressões de custos, manterem a confiança no seu desenvolvimento futuro e na necessidade de quadros qualificados”, afirmou Ray Leung, presidente da Associação de Gestão de Talentos de Hong Kong e presidente da Comissão do Inquérito sobre Salários e Benefícios da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2026. Importa realçar que todas as empresas de Macau inquiridas previram aumentar salários no próximo ano.

Metade despediram

Os dados citados pelo jornal Ou Mun mostram também que 19 das 38 empresas tiveram “funcionários que saíram de forma involuntária”. Este número significa que houve saídas forçadas de trabalhadores em metade (50 por cento) das empresas inquiridas. Em termos da dimensão dos despedimentos, o inquérito concluiu que envolveram 0,9 por cento do total de funcionários das empresas inquiridas.

No capítulo das políticas de contratação, 14 empresas tinham vagas por preencher que equivalem a 1 por cento do total de funcionários, número que foi apontado como uma redução em comparação com o ano anterior.

No período analisado, as empresas inquiridas revelaram taxas de rotatividade de pessoal entre 5,6 por cento e 7,3 por cento dos trabalhadores. Esta rotatividade inclui as pessoas forçadas a sair, mas também as que saem de forma voluntária.

A principal razão indicada pelos trabalhadores que abandonaram as empresas de forma voluntária foi terem encontrado outros trabalhos com melhores oportunidades de promoção e desenvolvimento, seguida pela oferta de melhores condições salariais. A rotatividade aconteceu principalmente ao nível dos trabalhadores dos quadros médios, chefias e trabalhadores especializados.

27 Out 2026

Turismo | Governo emite alerta de viagens para deslocações a França

Face aos episódios de violência nas ruas francesas, onde até 17 de Outubro 1.500 lojas e negócios foram saqueados e 3.000 pilhados, a DST apela aos residentes que viajam para França para adoptarem medidas especiais de precaução

O Governo da RAEM emitiu um alerta de viagem para França, de nível 1, o mais baixo da escala, numa altura em que decorrem manifestações e actos de vandalismo no país europeu. O aviso foi divulgado no sábado, quatro dias depois de o Governo de Hong Kong ter emitido um alerta equivalente.

“Considerando a actual situação de segurança em França, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau adoptou medidas de reforço, emitindo o Alerta de Viagens de Nível 1 para França. Os residentes de Macau que planeiam viajar para o país ou que já se encontram no local devem reforçar as medidas de segurança e acompanhar de perto os anúncios mais recentes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China e da Embaixada da China em França”, pode ler-se no comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo (DST). “Se necessário, devem contactar a Embaixada da China em França, a Linha Directa Global de Emergência dos Serviços de Protecção e Assistência Consular ou a Linha Aberta para o Turismo”, foi acrescentado.

Segundo a DST, o nível representa uma “ameaça à segurança pessoal” daqueles que se encontram no país. “Os residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino devem estar em alerta quanto à sua segurança pessoal. É sugerido que se mantenham atentos e que acompanhem o desenvolvimento dos acontecimentos”, é recomendado.

O aviso de Macau segue o exemplo de Hong Kong, que tomou medidas semelhantes a 20 de Outubro, e das autoridades do Interior, que a 19 de Outubro tinham pedido aos cidadãos chineses em França, ou que tivessem intenção de visitar o país, que adoptassem medidas especiais de cautela.

Sem pedidos de apoio

No comunicado de sábado, a DST revelou ainda que até àquele dia a Linha Aberta para o Turismo não tinha recebido “quaisquer pedidos de informação ou assistência relacionados com residentes de Macau”.

Desde Setembro que se têm realizado várias manifestações em França. No início, os protestos partiram dos alunos dos liceus e visaram a falta de condições nos liceus do país. No entanto, a situação foi evoluindo, e, ao longo deste mês, passou a visar as condições económicas actuais, contando com o envolvimento de sindicatos, professores e alguns movimentos políticos.

Além de pessoas que se manifestam de forma pacífica, os episódios de vandalismo, pilhagem e violência têm sido recorrentes, o que levou à detenção de 5.060 pessoas, até 6 de Outubro, dos quais 87 por cento menores. Houve ainda o registo de 715 polícias e 215 menores feridos.

Além disso, de acordo com os dados da BBC, até 17 de Outubro 1.500 lojas e negócios tinham sido saqueados e 3.000 tinham sido pilhados.

26 Out 2026

Desporto | Sector quer atrair federações internacionais para Macau

Ma Chi Seng prometeu levar para a apresentação das Linhas de Acção Governativa as sugestões das associações locais que sugerem a criação de marcas locais de roupa e organização de mais eventos internacionais

As associações desportivas e culturais locais esperam que o Governo trabalhe para atrair federações desportivas internacionais a estabelecerem representações em Macau. O pedido foi transmitido por Ma Chi Seng, deputado ligado ao sector desportivo, no balanço do ano legislativo de 2025/2026.

Poucos dias depois de ter começado o novo ano da Assembleia Legislativa, o legislador ligado ao clã Ma fez uma conferência de imprensa, em conjunto com a deputada Ângela Leong, para abordar o trabalho feito no ano legislativo transacto.

No entanto, o deputado abordou igualmente a recolha de opiniões das associações culturais e desportivas para a apresentação das Linhas de Acção Governativa. Segundo Ma Chi Seng, uma das opiniões aponta como caminho para o desenvolvimento do desporto local a atracção de sedes e representações de federações desportivas internacionais, para dar maior visibilidade ao território.

Outra das sugestões para o sector desportivo, em sinergia com as indústrias culturais, é a criação de marcas de roupa desportiva locais, que possam apresentar designs inovadores e explorar os direitos de propriedade intelectual desses produtos, não só localmente, mas nos mercados do Interior e asiático.

O deputado revelou também que houve opiniões a defender a realização de mais eventos internacionais para reforçar a “marca” de Macau, assim como a construção de mais espaços desportivos e uma melhor gestão dos existentes.

Economia de espectáculos

Segundo declarações citadas pelo Jornal do Cidadão, Ma Chi Seng acredita igualmente que a economia do território passa pela realização de mais eventos, tanto desportivos como culturais. O deputado considerou que estes espectáculos vão movimentar a economia local. No entanto, avisou que as pequenas e médias empresas também têm de se preparar para as novas formas de consumo, utilizando a inteligência artificial para dinamizar a oferta aos turistas.

Por sua vez, a deputada Ângela Leong assegurou que as opiniões que foram recolhidas pelos deputados vão continuar a ser transmitidas ao Governo, para que os legisladores cumpras as suas funções de representação.

23 Out 2026

Ruído | Pedida mais eficácia no tratamento das queixas

O deputado ligado à comunidade de Fujian, Nick Lei, defende um regime que facilite a recolha de provas nos casos de excesso de ruído e alerta que em média, a cada hora, há pelo menos uma queixa

O deputado Nick Lei defende que o Governo tem de melhorar a eficácia do mecanismo de queixas sobre ruído, principalmente no que diz respeito à recolha de provas. A posição consta de uma interpelação escrita do legislador ligado à comunidade de Fujian.

Nick Lei aponta, de acordo com os dados oficiais, que no ano passado, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) registou 10.182 queixas sobre ruído. Este número representou uma queda anual de 372 queixas face às 10.554 de 2024, mas o legislador destaca que continua a ser registada uma queixa a cada hora.

Além disso, Lei apontou que entre as 10.182 denúncias, apenas em 117 casos foi possível identificar os infractores e multá-los, o que significa uma proporção de 1,1 por cento de todas as queixas.

Por isso, Lei entende que é necessário facilitar a recolha de provas sobre a existência de ruído para lidar com o impacto na vida dos residentes: “A região vizinha [Hong Kong] introduziu tecnologias para ajudar na execução da lei e no tratamento das queixas, com ferramentas para localizar o ruído de alta frequência vindo de origem desconhecida ou de forma irregular”, aponta. “O Governo pode seguir estas experiências […] e estudar a introdução das tecnologias e ferramentas para resolver as dificuldades de recolha de provas?”, questiona.

Desde 2020, Hong Kong passou a utilizar câmaras acústicas para os agentes do Departamento de Protecção Ambiental investigarem a origem do ruído. Estes equipamentos recolhem som e imagem e conseguem identificar a origem do som.

Apesar desta sugestão, Lei reconhece que identificar a origem do ruído é um grande desafio, porque, muitas vezes, tratam-se de fenómenos repentinos e aleatórios com origem em residências ou lojas.

Revisão da lei

Além de pedir ao Governo que facilite a recolha de provas, Nick Lei espera igualmente uma apresentação de um calendário para a revisão da lei porque “há muitas vozes na sociedade a pedir a revisão”.

O deputado recorda que no passado o Executivo recusou fazer a revisão, por indicar que é necessário haver um consenso social e um equilíbrio entre as rotinas diárias dos residentes e as suas actividades. Contudo, o membro da Assembleia Legislativa considera que estão reunidas as condições para avançar com a revisão.

No documento, Nick Lei sugere que o Governo dê formação sobre mediação do ruído aos administradores de condomínios, para que estes possam intervir e pedir o respeito pelos limites do volume do som, quando identificarem potenciais casos de infracção.

22 Out 2026

Eventos | Chan Hao Weng quer novo pavilhão com 50 mil lugares

Inspirado no exemplo de Hong Kong, Chan defende a criação de uma nova infra-estrutura para diversificar a economia e gerar mais empregos e pergunta se há planos para organizar grandes eventos internacionais em Macau

Chan Hao Weng defende a necessidade de Macau construir um pavilhão com capacidade para 50 mil lugares e receber grandes eventos desportivos e culturais. A posição do deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita sobre as políticas de diversificação económica.

Chan considera que “actualmente Macau carece de um grande recinto fechado com capacidade para 50.000 pessoas, operável durante todo o ano”. O deputado argumenta que esta realidade “dificulta a realização de grandes eventos internacionais e limita o espaço de desenvolvimento da indústria não relacionada com o jogo”.

Chan Hao Weng explica ainda que o actual Estádio de Macau tem apenas 15.700 lugares disponíveis, ficando “muito aquém do padrão exigido” para a organização dos grandes eventos da Confederação Asiática de Futebol. Segundo o legislador, um estádio precisa de, pelo menos, 50.000 lugares para receber uma final da Taça da Ásia. Mesmo um jogo das meias-finais exige 40.000 lugares. Como tal, o deputado argumenta que a RAEM está impossibilitada de “se candidatar, independentemente ou em co-organização”, à organização das competições internacionais de futebol de topo.

Por isso, questiona o Executivo se planeia a construção de um “pavilhão desportivo multifuncional coberto, com capacidade para 50.000 lugares” e que cumpra os padrões internacionais da Confederação Asiática de Futebol (AFC).

Chan Hao Weng questiona ainda quando vai ser feita a escolha do local para receber o pavilhão, o estudo de viabilidade, se existe uma estimativa de custos e um calendário da execução das obras.

Contactos internacionais

Para apostar na economia dos grandes eventos, o legislador questiona o Executivo sobre a intenção de “estabelecer contactos com a Confederação Asiática de Futebol (AFC), a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e a Associação de Futebol de Macau” para “promover, de forma sistemática, a candidatura e cooperação para a organização da Taça da Ásia, de competições internacionais de clubes e de torneios juvenis”.

Chan Hao Weng defende igualmente a realização de jogos de futebol com equipas europeias de topo no território para “revitalizar” a “marca de Macau como sede de grandes eventos desportivos internacionais”.

No documento, o deputado reconhece que as suas questões têm por base o “sucesso do Parque Desportivo Kai Tak em Hong Kong”. Esta foi uma zona desenvolvida no antigo aeroporto que inclui um estádio com capacidade para 50.000 pessoas, um pavilhão para espectáculos, com 10.000 lugares, e ainda um pavilhão desportivo, mais reduzido, que disponibiliza 5.000 lugares.

“As grandes actividades desportivas e artísticas em Hong Kong impulsionaram milhares de milhões de dólares em consumo e valor acrescentado, estimulando eficazmente o emprego nos sectores hoteleiro, de restauração, de comércio a retalho e de serviços, constituindo um motor importante para a economia diversificada da cidade”, afirmou Chan Hao Weng sobre a cidade vizinha.

22 Out 2026

Seaport antecipa que concessionárias viram lucro diminuir no terceiro trimestre

No terceiro trimestre do ano, os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) das concessionárias terão sofrido uma quebra de 10,6 por cento em termos anuais. A estimativa consta no relatório mais recente da Seaport Research Partners, que é citado pelo portal GGRAsia, e a tendência deverá prolongar-se até ao final do ano.

No documento, o analista Vitaly Umansky explica que a redução dos lucros no terceiro trimestre resulta da comparação face ao período homólogo. No entanto, entre o segundo e o terceiro trimestre a margem de lucro terá apresentado um aumento, tido como esperado devido a factores de sazonalidade.

A redução do lucro não deve ficar estancada no terceiro trimestre e o mesmo cenário é antecipado para os meses de Outubro até Dezembro. “Estima-se que o quarto trimestre traga contratempos contínuos, mas não tão graves como no terceiro trimestre, com as receitas brutas do jogo a recuarem cerca de 0,7 por cento em termos anuais e o EBITDA a cair 3,4 por cento”, previu Umansky.

A Seaport Research Partners aponta que no mercado actual, em que a expansão acontece a um ritmo lento, a competição entre as diferentes concessionárias passa a ganhar importância acrescida: “O ganho de quota de mercado, o controlo das despesas operacionais e a optimização das estratégias de comissões e do reinvestimento em jogadores são agora factores diferenciadores e muito mais importantes”, explicou.

Galaxy em altas

As receitas do jogo totalizaram 60,21 mil milhões de patacas no terceiro trimestre, uma redução anual de 3,8 por cento.

Em termos do desempenho das concessionárias, Vitaly Umansky apontou que Sands China e o Grupo Galaxy Entertainment terão apresentado maiores ganhos de quota de mercado, seguidas pela MGM China Holdings. Esta tendência significa que a Wynn Macau, a Melco Resorts & Entertainment e a SJM Holdings terão perdido espaço.

No entanto, em termos das receitas, o analista considera que só a Galaxy vai apresentar melhorias: “No terceiro trimestre em Macau, estimamos que apenas a Galaxy Entertainment mostre ganhos anuais de EBITDA operacional, com a MGM China amplamente estável e os restantes a apresentarem quedas em termos anuais”, apontou.

Texas Capital Securities | Melco é a concessionária menos “apetecível”

A corretora Texas Capital Securities deixou de aconselhar a compra de acções da concessionária Melco Resorts & Entertainment. A posição surge no relatório assinado pelo analista David Bain, e citado pelo portal GGRAsia.

Segundo a corretora, a modificação é justificada com as menores expectativas face ao crescimento das receitas do jogo, assim como o aumento da concorrência entre as concessionárias, que vai ter impacto nos lucros a curto prazo. David Bain revelou ainda que as previsões da corretora para os lucros declarados pela Melco Resorts no terceiro e quarto trimestres de 2026 ficaram “significativamente” abaixo do consenso do mercado.

21 Out 2026

Imobiliário | Preços com nova redução anual em Setembro

A diminuição dos preços foi acompanhada de um aumento ligeiro no número de transacções, com mais quatro compras e vendas. A comparação anual trimestral confirma também uma redução dos preços, acompanhada do aumento de transacções

Em Setembro deste ano, os preços da habitação apresentaram uma redução anual de cerca de 8,5 por cento, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). No nono mês deste ano, o preço médio do metro quadrado foi de 69.236 patacas, quando em igual período de 2025 tinha sido de 75.655, o que representa uma diferença de 6.419 patacas.

Em Setembro de 2025, o preço médio mais elevado do metro quadrado tinha sido registado na Taipa, com 80.454 patacas. Este ano, o valor diminuiu para 64.454 patacas por metro, uma diferença de 16.000 patacas, o que representa 19,89 por cento.

Coloane voltou a ser o local onde a habitação é mais cara, como normalmente acontece. E neste capítulo, os números mostram uma valorização de 13.883 patacas no valor do metro quadrado, de 72.180 patacas para 86.063 patacas. Este valor representa um aumento do preço de 19,23 por cento.

Em relação à Península de Macau, o metro quadrado desvalorizou 7,77 por cento, o equivalente a 5.758 patacas, de 74.127 patacas, em Setembro de 2025, para 68.369 patacas em Setembro deste ano.

Mais transacções

Os preços mais baixos reflectiram-se num aumento ligeiro do número de transacções, com mais quatro compras e vendas de habitação. Em Setembro de 2025, o mercado tinha registado 247 transacções, número que aumentou para 251 no mês mais recente, uma diferença de 1,62 por cento.

O mercado mais activo foi o da Península com um total de 183 compras e vendas, menos duas do que no período homólogo (185), uma diminuição de 1,08 por cento. Na Taipa, a redução do número de transacções foi mais acentuada, de 19,23 por cento, de 52 para 42 compras e vendas. A excepção aconteceu em Coloane, onde houve mais 16 transacções, um crescimento de 160 por cento, de 10 compras e vendas para 26.

A Península de Macau é o mercado dominante com uma quota de 72,91 por cento, seguida pela Taipa, 16,73 por cento e Coloane (10,36 por cento).

Números trimestrais

Em termos do terceiro trimestre do ano, verificou-se uma desvalorização média de 12,33 por cento nos preços por metro quadrado, que valiam 77.147 patacas no terceiro trimestre de 2025 e passaram a valer 67.634 patacas, no trimestre mais recente.

A queda dos preços levou a um crescimento de 4,14 por cento no número de compras e vendas de habitação em Macau, que aumentaram de 773 no terceiro trimestre de 2025 para 805 no trimestre mais recente. Este crescimento foi impulsionado por Coloane, onde o número de negócios mais do que duplicou, passando de 28 para 57 transacções. Na península registaram-se mais cinco transacções, que cresceram de 606 para 611, enquanto na Taipa houve uma redução, de 139 para 137 compras e vendas de habitação.

21 Out 2026

Concertação Social | Comissão passa a custar 874 mil patacas por ano

Com o novo regime do Conselho Permanente de Concertação Social, o pagamento dos membros da Comissão Executiva deixa de estar dependente de senhas de presença e da apresentação de despesas

Desde o início de Setembro que o Chefe do Executivo passou a destinar 874 mil patacas por ano dos cofres da RAEM para os membros da Comissão Executiva do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial e substitui parte do regime de pagamento de acordo com as senhas de presença.

Actualmente, o CPCS é composto por 13 membros, entre representantes da Administração, do patronato e de associações ligadas aos trabalhadores, tendo como presidente a secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han. Esta é a única participante das reuniões que não é remunerada especificamente pela participação nas reuniões.

Além disso, entre os restantes 12 membros, há seis que constituem a Comissão Executiva do CPCS, entre os quais Chan Un Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais, como coordenador, e Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, como coordenador-adjunto. Com as novas regras, Chan passa a auferir uma remuneração mensal de 15.040 patacas, e Yau um pagamento mensal de 12.690 patacas. Estes dois salários, assumindo que são pagos apenas 12 meses, custam 332.760 patacas por ano aos cofres da RAEM.

No entanto, a Comissão Executiva é ainda constituída por dois representantes do patronato, o ex-deputado Chan Chak Mo e Alan Wong Yeuk Lai, e dois representantes do sector laboral, Kuong Chi Fong e O Lai Heong. Cada um destes membros da comissão vai auferir um pagamento mensal de 11.280 patacas, o que representa 135.360 patacas por ano. O total destes quatro membros da Comissão Executiva vai custar aos cofres da RAEM 541.440 patacas por ano. A Comissão Executiva passa, assim, a receber do Orçamento da RAEM 874.200 patacas por ano.

Maiores certezas

Até às alterações divulgadas ontem, os quatro membros da Comissão Executiva do CPCS, excluindo o coordenador e o coordenador-adjunto, eram pagos com base em senhas de presença e apresentação de despesas associadas ao desempenho das funções.

O valor das despesas realizadas pelos membros não é divulgado publicamente no portal do CPCS. No entanto, cada senha de presença por reunião representa um pagamento de 940 patacas e o Orçamento da RAEM para este ano destina cerca de 1 milhão de patacas com a despesa com os 13 membros do CPCS.

Ao longo de 2023, 2024 e 2025, tendo em conta o número de reuniões do CPCS, cada representante do patronato e dos trabalhadores na Comissão Executiva recebeu 17.860 patacas (19 reuniões em 2023), 14.100 patacas (15 reuniões em 2024) e 15.980 patacas (17 reuniões em 2025). Por isso, estes quatro membros custaram aos cofres da RAEM, nos anos em causa, 71.440 patacas, 56.400 patacas e 63.920 patacas. Estes são valores abaixo das 541.440 patacas por ano definidos pelo Chefe do Executivo. Todavia, o valor não tem em conta as despesas apresentadas pelos membros.

Em relação ao coordenador e ao coordenador-adjunto, o portal da CPCS não divulga o regime de remuneração especial aprovado pelo Chefe do Executivo que esteve em vigor até Setembro.

21 Out 2026

Cerca de 16% dos trabalhadores não é compensada por horas extra

Cerca de 16 por cento dos trabalhadores que fazem horas extra não recebe a totalidade dos pagamentos previstos na lei laboral. A conclusão consta de um estudo, com 1.077 inquéritos válidos, realizado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Entre os 1.077 inquiridos que responderam de forma válida à sondagem, 52 por cento (560 inquiridos) admitiram fazer horas extra todas as semanas. Cerca de 35 por cento dos 560 trabalhadores fazem entre uma e três horas extra por semana e 13 por cento entre três e oito horas extra por semana.

No entanto, apesar de as horas serem tidas como necessárias pelas entidades patronais, os patrões não cumprem a totalidade das obrigações laborais. Entre os 560 entrevistados, 89 trabalhadores (16 por cento) admitiram que não recebem qualquer compensação pelas horas extra.

Segundo a legislação em vigor, o trabalhador pode ser obrigado a prestar horas extra de trabalho, mesmo que contrariado, em situações específicas. No entanto, nesses casos o trabalhador além do pagamento normal por cada hora de trabalho deve ser ainda compensado com um acréscimo de 50 por cento sobre o valor da hora trabalhada. Por exemplo, se o patrão paga 100 patacas pela hora de trabalho, nesta situação terá de pagar 150 patacas por hora.

Outras situações

As horas extra estão ainda previstas para as situações em que o patrão pede e o trabalhador concorda, ou quando é o próprio trabalhador a pedir ao patrão para fazer horas extras. Nestas situações, a lei prevê o pagamento de uma compensação de 20 por cento acrescida ao salário por hora. Nestes cenários, se o patrão paga 100 patacas pela hora de trabalho vai ter de pagar 120 patacas por hora.

Face aos resultados, a equipa responsável pelo estudo, liderada por Leong Pou U, deputado e vice-presidente da FAOM, considerou que é preciso rever a lei para proteger estes trabalhadores.

O inquérito apurou ainda que 54 por cento dos trabalhadores estão disponíveis para continuar a estudar e melhorar a sua formação profissional em áreas como o reforço das capacidades de atendimento ao cliente, domínio de diferentes línguas, gestão de equipas e liderança.

20 Out 2026

Função pública | População acha que bom atendimento depende de cunha

Um estudo feito por associações ligadas aos trabalhadores da função pública alerta que os residentes acreditam que as relações pessoais são importantes para ter um bom atendimento em serviços públicos

Os residentes consideram que a eficácia dos serviços públicos na resolução dos problemas depende da existência de cunhas. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública de Macau e pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa de Macau, apresentado no sábado.

Segundo o jornal Ou Mun, o trabalho de investigação teve por base 2.063 respostas válidas de residentes, reunidas entre Março e Junho deste ano, e tentou avaliar a percepção sobre os Serviços Públicos. Os autores utilizaram uma escala de 1 a 5 e confrontaram os inquiridos com diferentes cenários. Quanto mais alta a pontuação dos cenários, maior a percepção de que estes se verificam na realidade.

Quando os inquiridos foram confrontados com a necessidade de conhecer alguém nos serviços públicos para verem os seus problemas resolvidos, a resposta atingiu 2,89 pontos. Este resultado mostra que os inquiridos acreditam que um bom atendimento nos serviços públicos de Macau depende da existência de conhecidos. Apesar do que percepcionam como uma prática existente, os residentes afirmam não concordar com esta forma de actuação (2,13 pontos).

Face a estes indicadores, as equipas das associações responsáveis pelo estudo apontaram que “os residentes são obrigados a recorrer a relações pessoais devido à falta de eficácia nos serviços”, mesmo que desaprovem esta cultura.

Os investigadores destacaram ainda que este resultado alerta a sociedade para a necessidade de “elevar a eficácia e a imparcialidade dos serviços públicos”.

Meios electrónicos aprovados

Em termos das percepções, foi ainda apurado que os residentes consideram que o atendimento online acarreta menores encargos administrativos para a população, o que mostra o apoio a esta opção, em vez dos atendimentos presenciais.

Os investigadores apontaram também que os residentes defendem a existência de mecanismos de queixas convenientes e eficazes e que estes contribuem para legitimar as acções da administração. O estudo mostrou ainda que os residentes admitem compreender com dificuldade a linguagem utilizada nos documentos oficiais (2,6 pontos) e as funções dos serviços públicos (3,13 pontos).

Face aos números foi concluído que a população sente dificuldades em entender os documentos oficiais e identificar as funções dos diferentes organismos.

Na conferência de imprensa, os investigadores defenderam ainda “uma melhoria geral da qualidade dos serviços” e a reforma dos serviços com tempos de atendimento mais longos, que criam a percepção da necessidade de cunhas.

20 Out 2026

Deficientes Visuais | Pedida mais atenção para necessidades especiais

O deputado Nick Lei alerta que as falhas na manutenção do piso táctil nos passeios estão a criar situações de perigo para os cidadãos com dificuldades visuais. Lei pede também uma nova legislação para obrigar os espaços privados a criarem melhores condições de acessibilidade

O deputado Nick Lei considera que é necessário fazer mais para garantir uma cidade sem barreiras de acordo com as expectativas da sociedade. Em causa, está o facto de o legislador considerar que existem várias falhas na manutenção do piso táctil, instalado nos passeios e utilizado para orientar as pessoas com dificuldades visuais.

Num comunicado, o deputado ligado à comunidade de Fujian apontou que existem problemas relacionados com os pisos tácteis com danos, materiais soltos ou fora de posição, o que impede a sua utilização.

No entanto, Lei destacou que mais perigoso do que esses pisos tácteis impedirem a utilização é o facto de, em algumas situações, orientarem de forma errada as pessoas com dificuldades visuais, criando situações de perigo ou levando os utilizadores por caminhos bloqueados ou interrompidos.

Além disso, Nick Lei salientou que em vários bairros antigos, centros comerciais ou lojas, faltam instalações de acessibilidade, o que traz dificuldades para as pessoas com deficiência visual dificuldades visitarem estes locais sem o apoio de terceiros, limitando ainda mais a sua vida quotidiana.

Outras expectativas

O deputado destaca ainda que a sociedade tem a expectativa de criar um ambiente pedonal acessível e conveniente, como decorre do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM.

Neste sentido, Nick Lei sugere que o Governo preveja e analise todas as instalações destinadas às pessoas com deficiência visual na cidade e melhore as instalações para facultar a acessibilidade, com vista a reforçar o ambiente social nos âmbitos da inclusão e integração.

Quanto à manutenção diária das instalações destinadas às pessoas com deficiência visual, o legislador sugeriu que o Governo crie um mecanismo de inspecção permanente e que a manutenção dos pisos tácteis e das instalações seja incluída no âmbito da manutenção municipal diária.

Por outro lado, o deputado pediu ao Governo que garanta o correcto funcionamento do guia dos pisos tácteis, em rigorosa conformidade com as normas arquitectónicas para a concepção de design universal e livre de barreiras, na RAEM.

Nick Lei sugeriu ainda a aprovação de nova legislação para regular o ambiente sem barreiras, criando novas obrigações de acessibilidade para espaços privados, de forma a evitar discriminações.

16 Out 2026

Hengqin | UPM e UTM investem 2,14 mil milhões em terrenos

A Zona de Cooperação Aprofundada continua a lucrar com terrenos para as universidades de Macau, desta vez com um investimento superior a 2,14 mil milhões de patacas. Anteriormente, recebeu cerca de 1,4 mil milhões de patacas da Universidade de Macau

As empresas da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e da Universidade de Turismo de Macau (UTM) vão investir 2,14 mil milhões de patacas em terrenos na Ilha da Montanha, no local onde está a ser desenvolvida a Cidade Universitária Internacional de Macau e Hengqin. A informação foi divulgada ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Em relação à empresa controlada pela UPM, a Inovação Tecnológica da UPM Sociedade Unipessoal Limitada, o investimento vai ser de 884 milhões de renminbis, o que equivale a cerca de 1,07 mil milhões de patacas.

O mesmo acontece com a empresa da UTM, a Desenvolvimento de Cultura e Turismo da Universidade de Turismo de Macau, Sociedade Unipessoal Limitada, que vai igualmente entrar com 884 milhões de renminbis no negócio.

Estes 1,77 mil milhões de renminbis vão ser utilizados, numa primeira fase, como o capital de constituição da Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, Lda. Esta empresa resulta de uma parceria entre as duas instituições de ensino para desenvolver o campus na Ilha da Montanha.

Todavia, a informação divulgada ontem pelo DSSGAP revela que o dinheiro vai ter como destino final apoiar “a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Turismo de Macau na aquisição dos terrenos de uso educativo no campus na Zona de Cooperação Aprofundada”.

Até ontem, cada uma das empresas das instituições de ensino tinha realizado 585 milhões da participação social de 884 milhões de renminbis.

Além das participações através das empresas, cada uma das universidades vai ainda injectar directamente 43 milhões de renminbis na parceira, que tem um capital social de 1,85 mil milhões de renminbis.

Acordo em Setembro

A divulgação do montante a ser gasto com os terrenos no Interior surge depois de, no mês passado, ter sido divulgado um acordo entre a UTM e a UPM com a Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O contrato prevê a transferência do uso de terrenos e utilização do futuro campus universitário.

O projecto da UPM e UTM na Cidade Universitária tem mais de 459 mil metros quadrados, com as duas instituições de ensino a desenvolverem um campus em conjunto com edifícios de aulas, laboratórios, biblioteca, residências universitárias e instalações desportivas. Segundo a informação, espera-se que as obras arranquem em 2027 e fiquem “praticamente” concluídas em 2030.

Anteriormente também a Universidade de Macau tinha assinado um contrato semelhante para a utilização de terrenos na Zona de Cooperação, ao gastar 946 milhões de renminbis (1,4 mil milhões de patacas).

A cidade universitária é um projecto comercial falhado em Hengqin, com arquitectura de inspiração alemã, que está a ser reaproveitado como um campus para a expansão das universidades públicas da RAEM. Desde o Verão que o espaço começou a acolher os primeiros docentes, mas o objectivo é receber 20 mil estudantes até 2029.

16 Out 2026

Junkets | Bens de Levo Chan colocados em venda judicial

Os imóveis do ex-presidente do Grupo Tak Chun foram colocados à venda a pedido do Banco Industrial e Comercial da China (Macau), devido a uma dívida de 198,9 milhões de patacas

Sete imóveis propriedade de Levo Chan Weng Ling, anterior presidente do Grupo Tak Chun, estão em venda judicial, de acordo com a informação disponibilizada no portal dos Tribunais da RAEM. A venda é realizada a pedido do Banco Industrial e Comercial da China (Macau) que, segundo o portal Macau News Agency, pretende recuperar de Levo Chan uma dívida superior a 198,9 milhões de patacas.

Os interessados podem apresentar as propostas até 19 de Novembro, através de carta fechada, e no dia seguinte é conhecido o resultado da venda judicial. Se todos os bens forem vendidos ao preço base, os activos poderão render pelo menos 137,0 milhões de patacas.

O activo identificado como tendo o valor mais elevado é uma habitação perto do Hotel da Boa Vista que surge avaliada em 71,1 milhões de patacas. Contudo, este é o preço mínimo, pelo que dependendo das propostas, o imóvel até pode ser vendido por um valor superior.

O segundo activo mais valioso é uma moradia situada na Estrada de Cheoc Van que tem um preço mínimo de venda de 25,6 milhões de patacas. Entre o pódio dos bens mais caros, surge ainda uma fracção autónoma num edifício industrial, avaliada em 24,0 milhões de patacas.

No pólo oposto, o activo menos valioso é um lugar de estacionamento num prédio na Taipa, que tem um preço mínimo de 741 mil patacas. A MNA indica também que estes activos foram indicados por Levo Chan, em 2016, como garantias de diferentes empréstimos que totalizaram 336,6 milhões de dólares de Hong Kong.

Caído em desgraça

Levo Chan foi detido em Fevereiro de 2022, numa altura em que as autoridades locais lançaram uma campanha contra as principais empresas de promoção do jogo do território.

Como resultado, Levo Chan foi condenado, em Dezembro de 2024, a uma pena de prisão de 13 anos devido à prática de 27 crimes: 24 crimes de exploração ilícita de jogo em local autorizado, 1 crime de associação ou sociedade secreta, 1 crime de exploração ilícita de jogo e 1 crime agravado de branqueamento de capitais.

O empresário, actualmente a cumprir a pena de prisão, foi igualmente condenado a pagar uma dívida à RAEM de 1,83 mil milhões de dólares de Hong Kong. Este valor terá de ser pago em conjunto com os restantes condenados deste julgamento. Na sequência desta condenação, a RAEM arrestou cerca de 36 imóveis do empresário para cobrir a dívida.

Levo Chan foi o segundo caso judicial mais mediático entre os promotores de jogo, depois de em Julho de 2024, Alvin Chau Cheok Wa, presidente do Grupo Suncity, ter sido condenado a uma pena de prisão de 18 anos.

15 Out 2026