Futebol |Selecção feminina de Macau com toque português

Sara Kei Fonseca é barbeira de profissão e Ana Sofia da Silva trabalha em ‘design’, mas estas duas portuguesas têm algo em comum: lideram a nova geração de jogadoras de futebol de Macau.

Sara Kei jogou pela selecção de futebol feminino de Macau desde o primeiro jogo oficial da equipa, em 2014, uma derrota por 11 bolas a zero contra a ilha de Guam e lembra-se bem do dia em que ela e as companheiras conseguiram a primeira internacionalização.

“Foi um jogo muito difícil. Éramos todas novas no futebol de 11. Eu tinha acabado de chegar de Portugal, onde só jogava futsal. Senti-me super perdida em campo, também não me senti preparada fisicamente, lembro-me bem de estar a jogar, mas assim que olho para o relógio só tinham passado 10 minutos”, descreve à Lusa. “Tive que abrandar o ritmo para conseguir acabar a primeira parte. Não me recordo muito, mas sei que essa viagem foi uma ‘wake-up call’ para melhorar o meu cardio”.

Barbeira de profissão, portuguesa residente de Macau, e camisola 10 da selecção, Sara Kei é agora uma das figuras de renome do futebol feminino local. No entanto, tem ainda por viver uma vitória ou até a felicidade de marcar um golo pela equipa da cidade semiautónoma, actual 175.ª no ranking da FIFA. A meio-campista portuguesa espera conseguir marcar pela selecção de Macau um dia, algo que, se acontecer, “será um momento de muito orgulho”.

“É sempre um privilégio jogar pela selecção. É uma oportunidade única, tento sempre dar o meu máximo”, acrescenta. Sara Kei capitaneou a Associação Desportiva e Recreativa Académica de Macau (ADRAM) na conquista do primeiro campeonato feminino de futebol de 11 no território, realizado apenas no ano passado.

Apesar da ausência de jogadores portugueses na selecção masculina de futebol de Macau, as jogadoras portuguesas continuam a ser peças importantes da selecção feminina de futebol da cidade chinesa semi-autónoma.

A FIFA proibiu em 2024 os jogadores das selecções do território sem passaporte de Macau – apenas atribuído a cidadãos chineses com estatuto de residente permanente – de representarem o território. No entanto, algumas jogadoras que possuem passaporte de Macau e Portugal continuam a contribuir para uma selecção que só começou a competir em jogos oficiais há 12 anos.

Jogo limitado

Ana Sofia da Silva, colega de equipa e de selecção de Sara Kei, admite que Macau tem “limitações, quer em termos de infraestruturas, como poucos campos de futebol, quer em termos de jogadoras”. Portuguesa nascida e criada em Macau, saiu do território no ano da transferência de soberania para a China, em 1999, e voltou em 2009, passando a jogar pela selecção em 2015.

“Quando tinha à volta de 13 anos”, lembra-se, um grupo de amigos do Colégio D. Bosco criou uma equipa feminina para competir no campeonato escolar. E assim começou. “Foi engraçado. Éramos todas de idades diferentes e costumávamos perder contra todas as outras equipas. No último ano, o nome da nossa equipa era ‘Perder é connosco’, mas nesse ano conseguimos alcançar o 3.º lugar no campeonato escolar. Ficámos tão felizes e orgulhosas de nós próprias”, contou.

Tirando os 10 anos que esteve fora, Sofia jogou sempre. Ou quase. “Parei duas vezes, quando dei à luz a minha filha e o meu filho, mas consegui sempre regressar e voltar a jogar pela equipa”, diz. Em 2015 chegou à selecção. O futebol feminino em Macau tem pouca visibilidade e é “incomparável com o de outros países”, admite a defesa central.

“O território é pequeno, há poucos campos disponíveis para treinos, e no período em que decorre a primeira e segunda ligas de futebol masculino, os campos existentes sofrem bastante desgaste”, justifica a “designer”. Talvez um bom investimento, sugere, fosse a conversão de um ou dois dos campos de relva natural em relva sintética, o que permitiria maior uso.

É que as jogadoras “são todas amadoras” e vêem o futebol “como um hobby”, diz, mas o problema não está no facto de todas serem trabalhadoras ou estudantes ou do futebol surgir apenas ao fim do dia e ao fim de semana. A questão é que isto também só acontece “quando possível e/ou há disponibilidade de campos”. Por isso também, “o calendário de treinos varia mensalmente e só é partilhado no fim de cada mês, o que acrescenta mais dificuldades na conciliação de agendas”, descreve.

Não obstante tudo isto, Sofia destaca o desempenho de uma equipa muito jovem, mas “em progressão”. “O futebol feminino começa a ganhar mais presença e visibilidade em Macau, que esperamos venha a traduzir-se em mais interesse neste desporto e na captação de novos talentos”, diz.

Sem frutos

A realização do primeiro torneio escolar de futebol feminino de futsal e um maior investimento na formação de quadros locais de futebol são também razões de esperança, assinala.

Por outro lado, a selecção treinou em campos nas províncias chinesas de Hainão e Liaoning, participou nos recentes jogos nacionais da China e contratou treinadores profissionais. “Como a que temos actualmente, Meng Jun, nossa seleccionadora, ex-jogadora da seleção nacional da China”, aponta.

Mas os frutos não sucedem às sementes. A selecção compete pouco. Macau não participou em jogos internacionais entre 2019 e 2023, devido à pandemia da covid-19, e fez o último jogo amigável com Singapura em 2024. Há dias viajou para o Butão para dois jogos amigáveis.

Perdeu por 2-0 o primeiro jogo, contra a equipa da Royal Thimphu College, uma faculdade privada; e por 7-0 da selecção no Butão no jogo seguinte. “Nove das jogadoras seleccionadas eram sub-17, a Sofia e eu fomos as únicas representantes da formação sénior, com o objectivo de orientar e incentivar as mais novas”, conta Sara.

Sofia descreve dois jogos desafiantes, a uma altitude de mais de 2.000 metros, com oxigenação sanguínea reduzida, fadiga rápida, dor de cabeça e falta de ar, com o “aquecimento debaixo de chuva e com temperaturas abaixo dos 10°C”. O facto, no entanto, é que “o nível das equipas adversárias era muito superior” ao da sua equipa, reconhece Sofia.

O Butão tem uma liga de futebol feminina, que decorre durante seis meses por ano. Macau tem mulheres jovens que jogam futebol e treinam “quando há campo”.

13 Abr 2026

Combustíveis | Seul vai distribuir 3,5 mil milhões de euros para atenuar preços

A Coreia do Sul anunciou sábado que distribuirá 6,1 biliões de wons (3,5 mil milhões de euros) em ajudas a 32,5 milhões de cidadãos, para atenuar o impacto do aumento dos preços do petróleo.

Os fundos de ajuda destinam-se a “atenuar os elevados preços do petróleo” face ao “enorme impacto económico provocado pela guerra no Médio Oriente”, afirmou o ministro do Interior, Yoon Ho-joong, durante a apresentação do subsídio, segundo a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

A iniciativa implicará um desembolso entre 100.000 e 600.000 wons, dependendo do nível económico dos beneficiários, acrescentou a Yonhap, e os fundos começarão a ser distribuídos a partir de 27 de Abril. Os auxílios, que excluem os 30 por cento da população com rendimentos mais elevados, serão suportados por um orçamento suplementar de 26,2 biliões de wons (cerca de 14.870 milhões de euros) aprovado pelo Parlamento sul-coreano na sexta-feira.

O orçamento visa atenuar o impacto no país asiático do aumento dos preços do petróleo devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Tal como outros países da Ásia, a Coreia do Sul está a ser fortemente afectada pelo encerramento do Estreito de Ormuz.

13 Abr 2026

Tóquio insiste na deslocalização da base dos EUA na ilha japonesa de Okinawa

O governo japonês pretende finalizar a devolução da base aérea norte-americana de Futenma, província de Okinawa, trinta anos depois de o acordo entre Washington e Tóquio ter estipulado a deslocalização para a zona sul da ilha.

O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara disse sexta-feira em conferência de imprensa que o Executivo de Tóquio encara de forma “muito séria” o facto de, trinta anos depois, “a devolução ainda não se ter concretizado”. Kihara afirmou ainda que Tóquio defendeu a mudança da base militar para Henoko, também na ilha de Okinawa, como a única solução viável.

Recentemente, Washington indicou que não devolveria Futenma a não ser que lhe fosse garantida uma pista de aterragem com o mesmo comprimento em Henoko, argumentando que as pistas planeadas, por serem mais curtas do que a atual, reduziriam a capacidade operacional do Corpo de Fuzileiros.

No entanto, enquanto a pista de aterragem de Futenma, na cidade de Ginowan, tem 2.700 metros de comprimento, Henoko, em Nago, vai ser dotada de duas pistas dispostas em forma de V, cada uma com 1.800 metros de comprimento, segundo a estação de televisão japonesa NHK.

Invasão americana

O acordo inicial ocorreu nos anos 90 após pressão pública no sentido da redução da presença militar dos Estados Unidos na ilha, na sequência da violação de uma estudante local por um militar norte-americano e que desencadeou protestos em todo o país.

A base de Futenma, uma herança da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), situa-se no centro de Ginowan, numa zona onde se registaram inúmeros incidentes e onde são frequentes protestos por parte da população local.

As autoridades japonesas defenderam a transferência para uma zona menos povoada no norte da ilha. Aproximadamente um quinto da área da ilha principal de Okinawa é território militar dos Estados Unidos sendo que a região alberga quase dois terços dos cerca de 50 mil militares norte-americanos estacionados no Japão.

13 Abr 2026

Turismo | Preços do petróleo atingem sector de viagens

A guerra lançada por americanos e israelitas no Médio Oriente está a gerar uma das maiores crises energéticas globais de sempre e leva os viajantes a procurar outros destinos e meios de transporte alternativos ao avião

O sector de viagens e turismo da China está a sentir a pressão da escalada dos preços do petróleo desencadeada pela guerra no Médio Oriente, alertaram ontem representantes da indústria na 14.ª Exposição Internacional de Turismo de Macau (ver página 6).

“O aumento do preço do petróleo tem um enorme impacto no turismo”, afirmou Lin Dan Gui, responsável pelo departamento de viagens ao exterior da China International Travel Service (Macao). “Por exemplo, temos pacotes de voo+hotel, muitos clientes perguntam por eles, mas a taxa de reservas é relativamente baixa, porque o preço total, incluindo voos e taxas, está muito acima do orçamento esperado pelos clientes, e em seguida ajustam as escolhas de destino depois de compararem preços”, explicou.

A recente guerra lançada pelos Estados Unidos e Isrfael contra o Irão desencadeou uma das mais graves crises energéticas das últimas décadas, com o fecho do Estreito de Ormuz a perturbar os fornecimentos globais de petróleo e gás.

Na China, companhias aéreas como a Xiamen Airlines, a China United Airlines, a Spring Airlines e a China Southern Airlines aplicaram sobretaxas de combustível, enquanto no Japão espera-se que a All Nippon Airways (ANA) e a Japan Airlines (JAL) as dupliquem em voos internacionais em Junho e Julho.

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo, o combustível representa até 30 por cento dos custos operacionais das companhias aéreas, pelo que as flutuações significativas nos preços internacionais do petróleo afectam-nas substancialmente. Segundo Lin, a Air Macau poderá suspender alguns voos diretos para o Sudeste Asiático, incluindo Singapura e Malásia, devido ao custo do combustível.

A companhia de bandeira do território indicou recentemente à Lusa que teve que cancelar vários voos e alterar rotas devido a “condições de mercado e ao aumento do preço dos combustíveis”. Candy Leng, directora-geral da agência Multinational Tourism Group, partilhou preocupações semelhantes, sublinhando as sobretaxas introduzidas pelas companhias aéreas. “Basicamente, todas as companhias adicionaram uma taxa de combustível, desde de 01 de Abril”, disse.

Europa penalizada

“Nas viagens de longo curso, os clientes podem ter de pagar mais 200 a 300 dólares de Hong Kong por pessoa, o que é um grande encargo. Como resultado, a vontade de viajar diminuiu”, disse. Leng destacou, por outro lado, que o impacto é particularmente severo para os viajantes com destino à Europa, muitos dos quais dependem de transportadoras do Médio Oriente.

“A sobretaxa de combustível para a Europa pode ser quase dois a três mil dólares de Hong Kong adicionais”, afirmou. “Esses clientes não apenas se preocupam com a segurança como os preços do petróleo estão realmente altos. Assim, optam por viagens domésticas. As nossas rotas internas registam um aumento relativo”, acrescentou.

Caminhos de ferro

Em contrapartida, começa a assistir-se a mudanças nas preferências dos viajantes. Segundo Lin, as rotas de comboio de alta velocidade da China estão a beneficiar da conjuntura. “Actualmente, as rotas ferroviárias de alta velocidade estão a correr melhor, porque os preços não mudaram nada”, destacou.

Pequim e Chengdu, por exemplo, destacam-se como destinos domésticos populares, a par de Fujian, Guilin e Guizhou, todos acessíveis por comboio de alta velocidade. No estrangeiro, disse ainda Lin, “a maioria prefere o Sudeste Asiático. A principal escolha é Taiwan, incluindo Taichung e Kaohsiung. Para viagens mais longas, escolhem Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Vietname”.

Leng também observa uma tendência semelhante, mas distingue as províncias do norte do país, como Xinjiang e Harbin, entre as que ganharam tração no mercado interno.

“Comparando com Pequim e Xangai, mais pessoas estão a ir para o nordeste e noroeste”, disse à Lusa. No exterior, Japão e Coreia do Sul mantêm-se fortes, enquanto a Europa regista uma queda acentuada. “Quem se especializou em viagens de longo curso não está a ter bons resultados”, acrescentou.

13 Abr 2026

Chang’e-7 | Iniciados preparativos para explorar o polo sul lunar

A China deu início aos preparativos para o lançamento da missão lunar Chang’e-7, após a chegada desta sonda ao centro espacial de Wenchang, operação fundamental para analisar a presença de recursos como o gelo de água.

De acordo com a Agência Espacial de Missões Tripuladas da China (AEMT) na sexta-feira, todos os componentes da missão foram transferidos para o complexo de lançamento, onde terão início os testes e verificações prévias antes da partida, prevista para a segunda metade deste ano.

A Chang’e-7 faz parte da estratégia chinesa para intensificar a exploração do polo sul lunar, uma região de especial interesse científico devido à possível presença de gelo em crateras permanentemente na sombra, o que, a confirmar-se, permite o acesso a água, um recurso fundamental para futuras missões de longa duração.

A missão combinará diferentes operações, desde a órbita até à descida e deslocamento na superfície, com o objectivo de estudar o ambiente e os recursos dessa zona, bem como testar novas tecnologias para a exploração lunar. O programa Chang’e prevê continuar este roteiro com a missão Chang’e-8, prevista para 2029, que procurará avaliar a utilização dos recursos detetados e lançar as bases para uma futura presença humana na Lua.

A China tem reforçado o seu programa espacial nos últimos anos, com missões como a alunagem da sonda Chang’e 4 na face oculta da Lua e a chegada a Marte com a Tianwen-1, além da construção da Tiangong, que poderá tornar-se a única plataforma habitada em órbita baixa quando a Estação Espacial Internacional concluir a sua retirada, prevista para 2032.

13 Abr 2026

Camboja | Pequim anuncia financiamento parcial de canal no rio Mekong

A China anunciou sábado o financiamento parcial da construção de um canal de 180 quilómetros que ligará o rio Mekong, no Camboja, ao Golfo da Tailândia, orçamentado em 1,7 mil milhões de dólares. O embaixador da China no Camboja, Wang Wenbin, declarou durante uma cerimónia que empresas chinesas deterão 49 por cento da segunda secção da obra, a mais importante.

O diplomata acrescentou que o Presidente chinês, Xi Jinping, que visitou o país aliado no ano passado, prometeu “apoiar” este vasto projecto, que deverá estar concluído em 2028. Por seu lado, o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, reafirmou que este “projecto histórico” será uma bênção para o país, um dos mais pobres do Sudeste Asiático.

Por ocasião do lançamento da segunda fase da obra, Hun Manet apelou à população para que a “apoie”, afirmando que os aldeões expropriados receberão compensações “adequadas”. O futuro canal Funan Techo deverá permitir que os barcos que navegam no Mekong cheguem ao Golfo da Tailândia sem terem de passar pelo Vietname, onde se encontra a foz do rio mais longo da região.

Os benefícios económicos alardeados por Phnom Penh deparam-se, no entanto, com uma série de incertezas, nomeadamente quanto à utilização principal do canal, de capacidade limitada (100 metros de largura e 5,4 metros de profundidade).

Os defensores do ambiente também estão preocupados com o impacto do projecto no caudal do Mekong, já sujeito à pressão da poluição, da extracção de areia e das alterações climáticas. O Vietname, cuja produção de arroz depende em metade do rio, solicitou esclarecimentos ao país vizinho.

O canal é um dos projectos emblemáticos do antigo primeiro-ministro Hun Sen, que nele vê para o Camboja “um nariz para respirar”. Os analistas consideram que este grande empreendimento nacional tem o potencial de unificar o país e reforçar o apoio ao seu filho e sucessor, Hun Manet.

13 Abr 2026

Diplomacia | Eritreia e China anunciam vontade de aprofundar relações

O Presidente da Eritreia reuniu-se sexta-feira com o enviado especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China para o Corno de África, com o aprofundamento das relações bilaterais entre os dois países na agenda, informou o Governo eritreu.

Isaias Afwerki “reiterou a vontade da Eritreia em consolidar a sua cooperação construtiva com a República Popular da China e enfatizou a necessidade urgente de a China desempenhar um papel mais proeminente em várias questões globais e regionais nestes tempos turbulentos de crescente agitação e instabilidade”, declarou o ministro da Informação da Eritreia, Yemane G. Meskel, nas redes sociais.

Durante o encontro em Asmara, o líder africano falou ainda sobre “os imensos recursos naturais e humanos de África e destacou o papel inestimável que se espera que a China desempenhe no desenvolvimento e utilização destes recursos”, explicou o ministro.

Segundo Yemane, o enviado chinês manifestou a disponibilidade da China para trabalhar com a Eritreia para aprofundar a parceria estratégica bilateral existente para benefício mútuo.

Afwerki “reiterou a vontade da Eritreia em consolidar a parceria estratégica bilateral existente para benefício mútuo”. Hub afirmou ainda que Pequim deseja “aproveitar estratégias de desenvolvimento sinérgicas para promover conjuntamente a paz e a estabilidade em todo o Corno de África”.

A Eritreia e a China estabeleceram relações diplomáticas em 1993 e, nas últimas décadas, ambos os países têm demonstrado apoio mútuo em diversas questões. A Eritreia apoia o princípio de Uma Só China — segundo o qual Taiwan, autogovernado desde 1949, é uma “parte inalienável” da China — enquanto Pequim rejeitou as sanções unilaterais impostas à nação africana.

Além disso, a China tem sido o maior parceiro comercial bilateral de África durante pelo menos 15 anos e construiu numerosos projectos de infraestruturas no continente.

13 Abr 2026

Fundação Rui Cunha | Livro de Rui Rocha lançado hoje

Chama-se “A Oriente do Silêncio e outros Poemas” e é o novo livro de poesia de Rui Rocha, autor ligado à cultura clássica oriental e também ao universo do ensino da língua portuguesa. A obra, lançada hoje na Fundação Rui Cunha, reúne três livros de Rui Rocha já esgotados, “A Oriente do Silêncio” e “Taotologias”, agora revistos, bem como um terceiro livro inédito, “Uma Poética da Morte”

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje, a partir das 18h30, o lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas”, da autoria de Rui Rocha, sendo esta uma sessão co-organizada pela Associação dos Amigos do Livro em Macau.

“A Oriente do Silêncio e Outros Poemas” é uma obra que reúne três livros do autor: dois já esgotados, “A Oriente do Silêncio”, editado pela Esfera do Caos, em 2012; “Taotologias”, com edição da Labirinto, em 2016, sendo estas duas edições corrigidas e aumentadas, e ainda um terceiro inédito intitulado “Uma Poética da Morte”.

“Uma Poética da Morte” foi editado pela N9NA Poesia este mês, incluindo também “recensões críticas dos dois primeiros livros e uma nota introdutória do autor sobre a corrente literária chinesa que inspirou o seu novo trabalho, uma tradição poética com origem no Budismo Chan (Zen)”, descreve a FRC, em comunicado.

Na mesma nota, descreve-se que a poesia de Rui Rocha consiste em “registos do instante subtil, totalizante, intuitivo e, por isso mesmo, simples e conciso, captando a essência das tradições poéticas da China e do Japão”. Trata-se ainda de “um relato sensível do aqui e agora do lugar, transcendendo a dimensão do texto, reservando um espaço para o silêncio entre as palavras”.

Vida e Morte

Rui Rocha descreve, numa nota introdutória citada nesta nota, que “o poema da morte é um género de poesia que surgiu na tradição literária da China, tendo esta tradição literária sido legada aos países culturalmente tributários da China, como o Japão, a Coreia e o Vietname”. Este poema consta no seu livro inédito.

O Budismo Chan foi introduzido pela primeira vez no Japão em 653-656, adoptando o nome “Zen”, na transcrição fonética da palavra chinesa para a língua japonesa. Descreve Rui Rocha que “das ideias centrais do Chan (Zen), para além da meditação nas suas formas mais diversas, destacaria três”, nomeadamente “o conceito vazio, vacuidade (sunyata)”, no sentido de “ausência de essência nas coisas, mas não a sua não-existência como fenómenos – conceito, de resto, igualmente presente no Taoísmo”.

O autor destaca também “o conceito de transitoriedade, de finitude em que a consciência do ciclo natural da vida e da morte se inscrevem”, ou ainda “o conceito do viver o ‘aqui e o agora’, pois o aqui e agora é o único momento real que existe na finitude do nosso fio do tempo”.

Segundo Rui Rocha, “a poesia sobre a morte é afinal, paradoxalmente, uma reflexão sobre a importância da vida na sua finitude”. O lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas” está inserido no contexto da Exposição Colectiva de Fotografia e Arte, “Vanitas — Reflexões sobre Transitoriedade e Legado”, que pode ser visitada na FRC até este sábado, 18.

Relação oriental

Rui Rocha nasceu em Lisboa em 1948, descendente de uma família luso-chinesa, que vive no território há cerca de quatro décadas. Trabalhou na administração pública local, foi director da Fundação Oriente e do Instituto Português do Oriente, e exerceu funções docentes no Ensino Superior. Aposentou-se em 2017 do cargo de director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau. A formação académica em Sociologia, Ciência Política e Educação e Interculturalidade viria a influenciar toda a sua produção literária, com a geografia poética de Macau a permear a génese textual dos seus poemas.

Sobre a sua escrita, Isabel Cristina Mateus, professora de Literatura da Universidade do Minho, referiu que “é cada vez mais urgente escutar a voz do silêncio, sentir na pele o pulsar de uma natureza de que há muito culturalmente nos afastámos”.

Para Isabel Cristina Mateus, os poemas deste autor emanam “uma intensa quietude, um quase apagamento do eu lírico, uma linguagem objectiva, minimal, uma estilização do traço que, mais do que dizer, pretendem dar a ver esse instante intuitivo de revelação ou iluminação interior”.

Além disso, “embora o poeta enfatize esta proximidade à tradição poética chinesa e japonesa, convém notar que uma tal proximidade não anula ou rasura a sua ligação à tradição poética ocidental e, em especial, à tradição poética portuguesa, de Herberto Hélder ou Nuno Júdice, dois poetas que Rui Rocha confessa admirar”, assinala, citada pela mesma nota.

13 Abr 2026

25 de Abril | Consulado inaugura exposição sobre arte da revolução

Foi inaugurada ontem, domingo, a exposição “As Artes estão na Rua! Portugal 1974-1978”, que aborda a arte feita no período revolucionário do 25 de Abril de 1974, quando chegou ao fim o Estado Novo em Portugal. A mostra pode ser vista gratuitamente até ao dia 30 de Junho no jardim do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Esta é uma iniciativa do Consulado e do Instituto Português do Oriente (IPOR) e insere-se no programa de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, tendo curadoria de Margarida Brito Alves, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e Cristina Pratas Cruzeiro, também investigadora da UNL, ligada ao Instituto de História de Arte.

Segundo uma nota divulgada pelo IPOR, a exposição “parte do repertório imagético e artístico criado durante o período revolucionário português (1974-1978) para desenvolver uma narrativa crítica centrada na relação entre as artes e o espaço público, afirmando a relevância deste enquanto lugar de exercício da cidadania e da educação”.

Segundo a mesma nota, a chamada Revolução dos Cravos, que depôs o regime então liderado por Marcelo Caetano graças ao chamado Movimento dos Capitães, “impulsionou uma produção artística e cultural muito relevante em vários domínios”, tendo esta tido expressão “em suportes mais convencionais – como a pintura, a escultura ou a fotografia –, como através de meios então considerados mais experimentais – como a performance, o vídeo ou os formatos multimédia”.

Esta é “uma criação inédita do IPOR, inspirada e assessorada pela conselheira do Conselho Consultivo da área consular de Macau Catarina Cortesão Terra”, além do trabalho das duas curadoras, propondo “um olhar aprofundado sobre um dos períodos mais férteis da criação artística portuguesa”.

13 Abr 2026

Legionella | Detectado caso grave em residente de 65 anos

Os Serviços de Saúde anunciaram um caso “grave” de infecção por Legionella (também conhecida como Doença dos Legionários). De acordo com os dados oficiais, o homem está ligado a um ventilador desde o dia 5 de Abril, mas ainda apresenta sinais vitais.

“O caso foi diagnosticado num residente de Macau, do sexo masculino, com 65 anos de idade, com antecedentes de doenças crónicas e tosse persistente. No dia 1 de Abril, o paciente recorreu ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, devido ao aparecimento de sintomas como hemoptise e tonturas”, foi revelado.

“A radiografia do tórax revelou pneumonia, motivo pelo qual o paciente foi internado para tratamento médico. No dia 5, os sintomas agravaram-se, tendo sido necessária a utilização de ventilação mecânica para auxílio respiratório. No dia 8, o paciente foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos para tratamento contínuo”, foi acrescentado. A origem da infecção é desconhecida, mas o homem não deixou Macau em viagem.

13 Abr 2026

Turismo | Macau quer pagar transportes a turistas de Guangzhou

A medida é uma forma de lidar com o aumento dos preços, explicou Maria Helena de Senna Fernandes. Actualmente, o Governo cobre os custos dos transportes para os turistas vindos do Aeroporto Internacional de Hong Kong

As autoridades de Turismo de Macau declararam que estão a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território “para atrair visitantes”.

“Estamos a considerar cobrir os custos de transporte para os hóspedes internacionais que cheguem ao Aeroporto Internacional de Guangzhou Baiyun, para que possam viajar para Macau após a chegada”, disse a directora dos Serviços de Turismo (DST) de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes. Guangzhou, capital da província de Guangdong, fica a cerca de 150 quilómetros de Macau.

O Governo de Macau, realçou Senna Fernandes, já cobre os custos de transporte para os turistas internacionais que chegam através do Aeroporto Internacional de Hong Kong, no âmbito do trabalho para diversificar a base de visitantes do território.

A directora afirmou que a nova medida visa responder à “redução de voos do Médio Oriente e da Europa” para Hong Kong devido à guerra no Irão. “Há voos directos da Europa para Xangai, Pequim, Chengdu e Guangzhou,” acrescentou. A responsável falava aos jornalistas no primeiro dia da 14.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau (MITE).

Muita incerteza

Nesta ocasião, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse, durante a cerimónia de abertura, que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas.

“O Governo da RAEM continuará a diversificar a oferta de produtos turísticos, organizar grandes eventos, melhorar as infra-estruturas de apoio e reforçar a divulgação e promoção, aproveitando as oportunidades em tempos de risco e apostando proactivamente na expansão dos mercados internacionais de fonte de visitantes” acrescentou.

O evento, com duração de três dias no hotel-casino Venetian Macau e realizado sob o tema “Convergência Global, Horizontes do Futuro”, incluiu mais de 130 actividades, entre sessões de promoção turística, fóruns do sector, workshops e espectáculos. De acordo com a DST, os sectores abrangidos pelo evento vão desde a hotelaria até aos transportes, empresas culturais e criativas, bem como áreas relacionadas com a estratégia de diversificação económica “1+4” do Governo.

A estratégia “1+4” é o plano de diversificação económica de Macau que visa reduzir a dependência da indústria do jogo. Envolve o reforço do sector principal do turismo e lazer, ao mesmo tempo que promove quatro sectores chave: ‘big health’, finanças modernas, alta tecnologia e convenções, exposições, comércio e desporto.

A DST acrescentou que a expo contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa, salientando que a iniciativa vai “ajudar a expandir as redes de negócios” e “promover o intercâmbio turístico regional e internacional”.

13 Abr 2026

Disponibilizados 1.000 estágios para recém-licenciados no Interior

O Governo vai disponibilizar cerca de 1.000 estágios para recém-licenciados locais este ano no Interior, no âmbito de um esforço mais amplo para aliviar a pressão sobre o emprego jovem. Os estágios, coordenados pelo Grupo de Trabalho para a Promoção do Emprego do Governo do território, tem como objectivo proporcionar aos jovens experiência prática em sectores industriais e profissionais.

Apesar da taxa de desemprego local continuar baixa, em anos recentes tem sido difícil aos recém-licenciados do território entrar no mercado de trabalho, com as autoridades locais a referir repetidamente aos jovens locais que procurem oportunidades de trabalho no interior da China, especialmente na província vizinha de Guangdong.

Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego entre os detentores de um diploma universitário era de 3,3 por cento no segundo trimestre de 2025, acima da taxa global de 1,9 por cento para toda a população de Macau. No ano passado, cerca de 62.463 estudantes estavam registados em universidades de ensino superior do território.

Após uma reunião na sexta-feira, o Grupo de Trabalho descreveu que a maioria dos diplomados deste ano da cidade concluiu cursos nas áreas de Humanidades e Comércio, com os estágios oferecidos complementados por sessões de recrutamento em larga escala e programas de formação, agendados para coincidir com a época de graduação.

O secretário para a Economia e Finanças e coordenador do Grupo de Trabalho, Tai Kin Ip, afirmou que o ligeiro aumento no número de licenciados em comparação com o ano passado torna essencial expandir as oportunidades para além de Macau, incluindo a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong–Macau em Hengqin (Ilha da Montanha), a Grande Baía e outras cidades do interior da China.

Outros planos

No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL)de Macau iniciou também um plano de estágios na China Continental para estudantes locais com a duração de três meses e um subsídio mensal de 8.000 patacas. Dentro deste plano, cerca de 42 vagas são destinadas a oportunidades no Interior, especialmente em Zhuhai e na Zona de Cooperação da Ilha da Montanha, com foco em tecnologia e finanças.

No mesmo encontro, Tai realçou também a necessidade de aperfeiçoar as estratégias de correspondência entre oferta e procura de emprego e de mobilizar apoios em toda a sociedade para garantir um ambiente laboral estável. Para responder à procura, prevê-se que mais de 2.000 vagas sejam oferecidas nas próximas feiras de emprego, enquanto outras 600 posições estarão disponíveis através de um programa “Emprego+Formação”, em parceria com empresas privadas.

O Grupo de Trabalho acrescentou que já organizou sessões de recrutamento específicas para os sectores da aviação, tecnologia e banca, que, segundo afirmou, despertaram grande interesse tanto entre recém-licenciados como entre trabalhadores activos.

13 Abr 2026

Urbanismo | Wong Kit Cheng quer mais construção

A deputada Wong Kit Cheng defende que o Governo deve seguir o exemplo do sucedido com o prédio Soi Lei, no Iao Hon. O edifício viu recentemente aprovada uma nova planta de condições urbanas que vai permitir avançar com os trabalhos de renovação.

Segundo a legisladora, actualmente existem mais de 5.000 edifícios com mais de 30 anos no território pelo que é necessário “prestar maior atenção à questão do envelhecimento dos edifícios”.

“Os residentes dos bairros antigos queixam-se frequentemente das más condições de higiene e das instalações obsoletas, bem como dos riscos de infiltrações de água e de danos estruturais nas fachadas decorrentes do envelhecimento dos edifícios, o que afecta a qualidade de vida e a segurança na zona”, afirmou. Wong Kit Cheng destacou ainda o facto de a nova planta ir permitir aumentar o número de habitações do edifício e considerou que o exemplo deve ser seguido.

13 Abr 2026

Combustíveis | Associação de motoristas pede subsídio

A Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau e a Associação dos Profissionais de Macau no Transporte de Mercadorias em Camiões pedem subsídios para lidar com o aumento do preço dos combustíveis, tendo, segundo o jornal Ou Mun, realizado uma “reunião urgente” sobre o assunto.

Os dirigentes explicaram que os preços de combustíveis têm aumentado, com os valores do gasóleo a registaram o aumento mais significativo. Desta forma, persiste a preocupação com o consequente aumento do preço dos transportes, sobretudo marítimos e terrestres, que pode ter impacto junto dos consumidores.

Nesta reunião foi, assim, sugerido que o Governo de Macau adopte medidas semelhantes às aplicadas na região vizinha de Hong Kong, de concessão de um subsídio de três dólares de Hong Kong por litro de gasóleo durante dois meses. Já o deputado Leong Sun Iok, referiu que Macau deve ter um apoio financeiro semelhante, criticando o maior aumento dos preços em Macau, esperando que o Governo reforce a supervisão a este nível. Tudo para prevenir que alguns comerciantes aumentem os preços junto dos consumidores de forma abusiva.

13 Abr 2026

MUST | Inaugurado laboratório sino-português de optoelectrónica

Um novo laboratório sino-português inaugurado ontem em Macau quer ajudar a desenvolver tecnologia que pode levar à criação de um “avião eléctrico” e supercomputadores sustentáveis.

O novo laboratório sino-português de optoelectrónica vai juntar o Instituto de Nano-estruturas, Nano-modelação e Nano-fabricação (i3N) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês).

Segundo Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA e Presidente da Academia Europeia de Ciências, a iniciativa pretende impulsionar uma tecnologia emergente capaz de transformar sectores estratégicos, desde a aviação eléctrica até aos supercomputadores de baixo consumo energético, enquanto reforça a ligação científica entre Portugal, Macau e a China.

A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas. Entre os projectos em desenvolvimento, Martins apontou o sonho de criar um avião eléctrico, dependente de sistemas de armazenamento ultraleves, como baterias feitas de papel.

“Com as baterias actuais seria impossível levantar voo. Estamos a desenvolver sistemas ultraleves, incluindo baterias feitas de papel, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”, destacou o cientista. Martins referiu também a necessidade de repensar os supercomputadores, que hoje consomem “mais energia do que a cidade de Lisboa”, destacando que o “caminho não é a energia nuclear, mas sim novos componentes electrónicos de ultra-baixo consumo.”

10 Abr 2026

Coreias | Seul vai reduzir militares na fronteira até 2040

As autoridades sul-coreanas vão reduzir gradualmente o destacamento militar ao longo da fronteira intercoreana até 2040, apesar das preocupações com a diminuição da presença de tropas num período de tempo muito curto.

O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu Back, afirmou em conferência de imprensa que os planos incluem a redução do contingente nos postos de controlo fronteiriços com a Coreia do Norte para aproximadamente 5.000 soldados, face aos actuais 22.000. O plano é substituir a presença militar por sistemas de monitorização e vigilância que incorporarão inteligência artificial, uma medida que gerou controvérsia dentro das Forças Armadas, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

As suas declarações suscitaram acusações de uma possível redução das capacidades de vigilância militar nestas áreas. “Espera-se que este plano esteja concluído até 2040”, apesar de estar previsto que tenha revisões frequentes, explicou Ahn numa mensagem publicada nas redes sociais.

“Isto não deve ser interpretado como uma medida que levará a uma redução significativa do número de militares amanhã”, observou, esclarecendo que o plano “será eficiente” e adaptado “às mudanças demográficas”, dado que o país se prepara para um declínio populacional. No entanto, o ministro sublinhou a importância de reforçar a estrutura militar através de sistemas de recrutamento selectivo para fazer face à diminuição de natalidade no futuro.

10 Abr 2026

Hong Kong | Restaurantes com cláusulas de segurança nacional

Todas as licenças de restaurantes de Hong Kong vão incluir cláusulas de segurança nacional até Setembro, anunciaram as autoridades da região.

O anúncio foi feito pelo secretário do Ambiente e da Ecologia de Hong Kong, Tse Chin-wan, quase um ano após o Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD, na sigla em inglês) ter introduzido, em Maio, estas disposições nos processos de renovação de licenças, de acordo com a emissora pública de Hong Kong RTHK. “Com os restaurantes a renovar as licenças gradualmente, esperamos que, até Setembro deste ano, todas as licenças dos restaurantes contenham as cláusulas”, disse Tse numa entrevista na terça-feira.

Essas cláusulas, acrescentou o dirigente, servem como um lembrete constante aos gerentes e funcionários dos restaurantes para que protejam a segurança nacional. Até hoje, não foram detectadas quaisquer violações das cláusulas de segurança nacional, referiu ainda Tse, ainda de acordo com a emissora pública de Hong Kong, cidade vizinha de Macau.

Numa carta enviada no ano passado pelo FEHD a restaurantes, estabelecimentos de lazer e outros negócios, titulares de licenças e “pessoas relacionadas” que se envolvam em “condutas ofensivas” à segurança nacional ou ao interesse público podem ver as licenças revogadas, escreveu ontem o portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP). As “pessoas relacionadas”, explica-se na carta, incluem directores, gestores, empregados, agentes e subcontratados.

Pontos de esclarecimento

Este jornal ‘online’ referiu ainda declarações de proprietários de estabelecimentos de restauração ao jornal Ming Pao, no ano passado, que temiam que as novas condições fossem demasiado vagas e que pudessem perder as licenças devido a falsas acusações. No entanto, diz a HKFP, o Chefe do Executivo, John Lee, afirmou que a FEHD está obrigada por lei a salvaguardar a segurança nacional e que a “conduta ilícita” contra a segurança nacional está “claramente definida” nas condições.

“Conduta ilícita significa qualquer ofensa que ponha em risco a segurança nacional, ou actos e eventos que sejam contrários à segurança nacional e ao interesse público em Hong Kong. É muito claro”, afirmou o líder do Governo da região em Junho.

Ainda de acordo com o HKFP, o conselheiro do Governo Ronny Tong disse em entrevista ao HK01, no ano passado, que é “difícil dizer” se as novas condições visam as “lojas amarelas” (‘yellow shops’), um termo que se refere a negócios que expressaram posições pró-democracia. Pequim impôs uma lei de segurança nacional a Hong Kong em Junho de 2020, após um ano de protestos, por vezes violentos.

10 Abr 2026

Pyongyang confirma realização de vários testes com mísseis

A Coreia do Norte reconheceu ontem ter realizado vários testes com mísseis nos últimos dias, incluindo um com um míssil balístico equipado com uma ogiva de fragmentação, confirmando as denúncias feitas anteriormente pela Coreia do Sul e Japão.

Segundo a agência noticiosa estatal norte-coreana, KCNA, os testes foram realizados nos dias 06, 07 e 08 de Abril sob a direcção do general Kim Jong Sik, vice-director de departamento do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Um dos testes serviu para “avaliar as aplicações de combate” do míssil balístico Hwasongpho-11 Ka, equipado com uma ogiva de fragmentação.

O armamento “pode reduzir a cinzas qualquer alvo que cubra uma área de 6,5 a 7 hectares com a potência máxima”, detalhou o meio de comunicação estatal norte-coreano. Além disso, as autoridades do regime norte-coreano testaram um “sistema de armamento electromagnético e bombas de fibra de carbono” e um sistema móvel de mísseis antiaéreos de curto alcance.

Mar de enganos

O Exército sul-coreano informou esta quarta-feira do lançamento de vários projécteis da Coreia do Norte em direção ao Mar do Japão, e afirmou que também foi registado um lançamento a partir da zona de Pionyang na terça-feira.

Estes ensaios ocorreram depois de o primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Jang Kum-chol, ter minimizado o recente optimismo de Seul, na sequência dos elogios da liderança de Pionyang ao Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, pelas suas palavras conciliatórias sobre as incursões de drones civis sul-coreanos em território norte-coreano entre Setembro de 2025 e janeiro de 2026.

A Coreia do Sul tinha interpretado como um sinal positivo uma mensagem invulgar emitida esta semana por Kim Yo-jong, a influente irmã do líder norte-coreano, Kim Jong-un, na qual ela afirmava que o líder considerava que Lee demonstrou uma atitude “honesta e de mente aberta” ao expressar pesar pelas incursões dos drones.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano sublinhou, no entanto, que a mensagem de Kim Yo-jong não era conciliadora, mas sim um aviso para se evitar novas provocações. Antes do teste de terça-feira, o último lançamento de mísseis balísticos norte-coreanos ocorreu a 14 de Março, quando em simultâneo decorriam exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington.

10 Abr 2026

Xangai | Aguiar-Branco sublinha convergência com a China na defesa do multilateralismo

O presidente da Assembleia da República deu seguimento à sua visita à China com encontros em Pequim e Xangai, onde destacou a importância da visão de ambos os países sobre a ordem internacional

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, destacou ontem, em Xangai, a importância do multilateralismo e da cooperação internacional, sublinhando que Portugal e China partilham uma visão comum sobre o papel das instituições internacionais.

Em declarações à agência Lusa, após um almoço com membros da comunidade portuguesa em Xangai, no segundo dia de uma visita oficial à República Popular da China, Aguiar-Branco afirmou que “há uma ideia comum da importância do multilateralismo” e da necessidade de respeitar o direito internacional na resolução de conflitos.

“A nova ordem internacional que, eventualmente, possa querer ser construída com a desvalorização do papel da Organização das Nações Unidas, não deve acontecer”, disse, acrescentando que Portugal defende o reforço do papel da ONU como “plataforma multilateralista” para alcançar consensos.

O presidente do parlamento português referiu ainda ter agradecido o apoio chinês à candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027-2028. A visita decorre no âmbito da diplomacia parlamentar e inclui encontros institucionais e contactos com autoridades chinesas, sendo acompanhada pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – China, composto por deputados de cinco partidos.

Segundo Aguiar-Branco, esta presença multipartidária demonstra “o reconhecimento da importância da relação de Portugal com a China”, que classificou como “uma relação que deve ser estimulada e desenvolvida em benefício de ambos”. O responsável sublinhou que os laços bilaterais têm vindo a consolidar-se nas últimas duas décadas, após a assinatura da parceria estratégica entre os dois países, com crescimento “brutal” das exportações e do investimento chinês em Portugal.

Em 2025, o comércio bilateral atingiu 9,4 mil milhões de euros, representando um crescimento homólogo de 8,2 por cento. Até ao terceiro trimestre de 2025, a China foi o quinto maior país de origem do investimento estrangeiro em Portugal, com um investimento direto acumulado de 14,4 mil milhões de euros, desde 2012, segundo dados oficiais.

Confiança reforçada

Aguiar-Branco destacou também a relevância de Macau, considerando que o modelo “um país, dois sistemas” na região semiautónoma da China continua a ser reconhecido como uma base importante da relação bilateral. A 20 de Dezembro de 1999, a administração de Macau passou de Portugal para a China, sob o princípio “um país, dois sistemas”, que garante à região alto grau de autonomia, sistema jurídico próprio, moeda e passaporte próprios, distintos da China continental.

“Senti, do lado chinês, uma grande confiança no que diz respeito às relações com Portugal”, afirmou Aguiar-Branco, referindo ainda a disponibilidade para aprofundar a cooperação parlamentar e económica, nomeadamente em áreas como a transição energética e as energias renováveis. Questionado sobre a posição chinesa face à guerra na Ucrânia, reiterou que a posição portuguesa é diferente da de Pequim, mantendo-se “inequívoca” desde o início do conflito.

“Condenamos a invasão e a violação do direito internacional e defendemos o respeito pela soberania e integridade territorial da Ucrânia”, disse, sublinhando que Portugal mantém essa posição “sem desvio de um milímetro”. Pequim tem defendido que é neutra no conflito, mas intensificou a sua relação política e económica com Moscovo, desde a invasão da Ucrânia.

De Pequim a Macau

A visita de Aguiar-Branco ocorre num contexto de retoma dos contactos políticos presenciais de Portugal com a China após a pandemia, incluindo recentes deslocações ao mais alto nível, como a do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esteve em Pequim em Setembro passado. Em Pequim, Aguiar-Branco reuniu-se com o vice-presidente chinês, Han Zheng, e com o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Zhao Leji.

Ontem, em Xangai, Aguiar-Branco participou em encontros com autoridades locais e visitou instituições culturais e de planeamento urbano, seguindo depois para Macau e Hong Kong, para contactos com as comunidades portuguesas e autoridades locais.

10 Abr 2026

Coreia do Norte | Wang Yi de visita a Pyongyang

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, iniciou ontem uma visita de dois dias à Coreia do Norte, na mesma semana em que Pyongyang realizou vários testes com mísseis balísticos, incluindo um com uma ogiva de fragmentação.

A visita de Wang “é um passo importante para que ambas as partes ajam conforme os entendimentos comuns entre os mais altos líderes dos dois partidos e dos dois países e para impulsionar o desenvolvimento” das relações, afirmou na quarta-feira a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning.

Esta será a primeira visita de Wang à Coreia do Norte desde 2019, e ocorre a convite do ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, segundo informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem avançar detalhes sobre a agenda ou encontros previstos.

A viagem tinha sido já anunciada pela agência estatal norte-coreana KCNA, que ontem revelou que Pyongyang realizou esta semana vários testes de mísseis (ver página 13).

A visita ocorre também num contexto em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou a intenção de voltar a tentar organizar uma reunião com Kim Jong-un, após a tentativa falhada do ano passado, o que aumentou as expectativas de que o líder norte-americano possa aproveitar a sua passagem pela China, prevista para meados de Maio, para uma cimeira bilateral.

A visita de Wang surge após o reforço dos laços bilaterais resultante da cimeira entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e Kim, em Setembro de 2025, após a qual os países expandiram os seus intercâmbios comerciais e reativaram ligações ferroviárias e voos que ligam ambas as nações, depois de cerca de seis anos de encerramento.

10 Abr 2026

Médio Oriente | Pequim pede “calma e contenção” após ataques israelitas no Líbano

A China pediu ontem “calma e contenção” após ataques de Israel no Líbano que causaram centenas de vítimas, sublinhando, em plena trégua entre Estados Unidos e Irão, que a soberania e segurança dos países não devem ser violadas. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que “as vidas e os bens dos civis devem ser protegidos” e apelou às partes envolvidas para “promoverem um arrefecimento da situação regional”.

A responsável reiterou ainda que a China mantém contactos com as partes desde o início do conflito e manifestou o desejo de que a trégua seja aproveitada para resolver as divergências “através do diálogo e da negociação”.

As declarações surgem depois de Israel ter lançado, na quarta-feira, bombardeamentos em larga escala contra mais de uma centena de alvos no Líbano em apenas dez minutos, dos quais resultaram pelo menos 254 mortos e mais de 1.100 feridos, a maioria civis, segundo as autoridades libanesas, que decretaram um dia de luto nacional.

O ataque intensificou a tensão na frente libanesa, onde o grupo xiita Hezbollah denunciou a violação do cessar-fogo e retomou os ataques contra Israel.

A ofensiva coincide com uma trégua de duas semanas acordada entre Washington e Teerão para facilitar negociações de paz no Paquistão, com base num plano de dez pontos apresentado pelo Irão, após mais de um mês de guerra iniciada no final de Fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra alvos iranianos. O acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, essencial para o comércio energético global, embora persistam dúvidas quanto ao seu alcance e sobre se a frente no Líbano está abrangida pelo cessar-fogo.

10 Abr 2026

Contrabando | Mulher fez-se passar por grávida em Hengqin

As autoridades de Gongbei anunciaram um caso de contrabando em que uma mulher se fez passar por uma grávida, para tentar entrar em Hengqin, vinda de Macau, com 19 quilos de grãos de prata.

O caso foi registado a 13 de Março por volta das 10h59, embora apenas tenha sido divulgado ontem. Segundo o relato citado pelo jornal Ou Mun, as autoridades na fronteira de Hengqin suspeitaram da mulher, que se encontrava ao volante de uma viatura, por considerarem que estava demasiado nervosa. Além disso, os agentes suspeitaram das formas físicas pouco naturais da interceptada.

Quando procederam à revista da mulher, aperceberam-se que não estavam diante de uma grávida, mas antes de uma pessoa que carregava 19 quilos de grãos de prata numa bolsa que simulava a barriga de uma grávida. O objectivo deste tipo de contrabando visa evitar o pagamento de impostos à entrada no Interior.

10 Abr 2026

Metro | Compras de peças custam quase 80 milhões

O Metro Ligeiro vai comprar peças à representação de Macau da Mitsubishi Heavy Industries no valor de 79,3 milhões de patacas. A informação foi revelada através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) e o contrato foi atribuído por ajuste directo.

As peças são indicadas como “necessárias” para a operação de manutenção dos equipamentos de grande porte do Metro Ligeiro. O contrato assinado entre as partes entrou em vigor a 27 de Março e vai prolongar-se até 31 de Março de 2028. A Mitsubishi Heavy Industries é representada em Macau pela MHI Mobilidade Macau, Sociedade Unipessoal Limitada.

Zona Sul | Obras de aterro a partir de Julho

A obra de aterro e diques no Aterro para Resíduos de Materiais de Construção, localizada na Zona Sul, vai arrancar a partir de Julho. O Governo procedeu ontem à abertura das 21 propostas recebidas para a realização das obras no âmbito do concurso público. A obra está a ser executada em duas fases, a primeira fase, na zona sudoeste, foi iniciada em Outubro de 2025.

A segunda fase que está agora a ser atribuída, fica localizada na zona sul e tem uma área de cerca de 81 mil metros quadrados. Após a conclusão das duas fases da obra, prevê-se que o aterro fique com capacidade para suportar cerca de um total de 711 mil metros quadrados de solo mole. A obra abrange a construção de canais de drenagem, de ensecadeira e de muros de contenção.

10 Abr 2026

Consumo | Grande Prémio arranca hoje

A partir de hoje, tem lugar a nova ronda do Grande Prémio Para o Consumo Nas Zonas Comunitárias 2026 que vai distribuir 400 milhões de patacas em descontos, durante 10 semanas. A iniciativa foi justificada pelo Governo com o objectivo de promover o consumo e incentivar os residentes a permanecerem e a consumirem em Macau durante os fins-de-semana.

Segundo o novo modelo da iniciativa, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizarem meios de pagamento electrónicos para contas superiores a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. No entanto, as carteiras virtuais nas aplicações electrónicas de pagamentos têm de estar registadas com o nome real. No caso de receberem cupões com os três sorteios, os consumidores vão poder utilizar os descontos entre segunda-feira e quinta-feira.

Os cupões têm valores de 10 patacas, 20 patacas, 50 patacas, 100 patacas e 200 patacas e podem ser utilizados em mais de 20 mil lojas. Para utilizarem os cupões, os residentes têm de fazer compras com um valor igual ou superior ao triplo do valor nominal do cupão, ou seja, se quiserem gastar um cupão de 10 patacas têm de fazer compras de pelo menos 30 patacas.

10 Abr 2026