Hoje Macau China / ÁsiaChina | Detido veterano repórter de investigação Um veterano jornalista de investigação chinês foi detido pelas autoridades da província de Sichuan, no sudoeste da China, após publicar um artigo crítico da actuação de dirigentes locais, informou ontem a imprensa local. A polícia do distrito de Jinjiang, em Chengdu, capital da província, informou na segunda-feira, através das redes sociais, que duas pessoas, identificadas apenas pelos apelidos Liu (50 anos) e Wu (34 anos), foram colocadas sob “medidas coercivas criminais de acordo com a lei”, por suspeitas de “falsas acusações” e “operações comerciais ilegais”. De acordo com o jornal chinês Caixin, os detidos são o jornalista Liu Hu e a assistente, Wu Lingjiao. Liu Hu é conhecido pelo trabalho como repórter de investigação no jornal New Express, sediado em Cantão. Nos últimos anos, tem mantido uma conta nas redes sociais onde publica reportagens independentes, sobretudo sobre conflitos entre empresas privadas e autoridades locais. Na quinta-feira passada, Liu publicou um artigo, que foi, entretanto, apagado, no qual citava uma fonte que acusava Pu Fayou, secretário do Partido Comunista na vila de Pujiang (sob jurisdição de Chengdu), de abuso de poder e repressão a empresários locais. O artigo também referia a alegada ligação de Pu à demolição forçada de duas propriedades do professor universitário Tuo Jiguang, que se suicidou em 2021 após um prolongado litígio com as autoridades. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um funcionário do comité do Partido em Pujiang confirmou que foi criada uma equipa de investigação conjunta entre Chengdu e Pujiang, afirmando que as autoridades “estão a dar grande prioridade” às alegações feitas por Liu. No entanto, recusou fornecer mais detalhes.
Hoje Macau China / ÁsiaDepressão Kristin | Timor-Leste aprova donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal O Governo de Timor-Leste aprovou ontem, em conselho de ministros, um donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal para fazer face à destruição ocorrida na sequência da depressão Kristin. “Este apoio financeiro visa contribuir para os esforços de resposta imediata e recuperação das áreas mais afectadas”, pode ler-se no comunicado do conselho de ministros. Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Protecção Civil contabilizou cinco mortes directamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Hoje Macau China / ÁsiaJapão | Fortes nevões fazem 35 vítimas mortais Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram ontem as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afectados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura. Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de Janeiro. Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve. Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata. Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias. “Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve”, disse Minoru Kihara aos jornalistas. Eleições no caminho O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de Janeiro. Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de Inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | Pequim denuncia “proteccionismo” após investigação ao fabricante eólico Goldwind A China acusou ontem a União Europeia de protecionismo por abrir uma investigação ao fabricante de energia eólica Goldwind por alegados subsídios estatais, advertindo que este tipo de medidas “mina a confiança” das empresas chinesas na Europa. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Lin Jian instou Bruxelas a respeitar os seus compromissos de abertura de mercado e os princípios da concorrência leal, apelando ao fim do “abuso de instrumentos comerciais unilaterais”, ao mesmo tempo que defendeu um ambiente empresarial “justo, transparente e não discriminatório” para empresas de todos os países. Lin escusou-se a comentar o caso concreto, remetendo eventuais esclarecimentos para as “autoridades competentes” chinesas, mas afirmou que a União Europeia tem recorrido de forma reiterada a medidas “discriminatórias e restritivas” contra empresas chinesas, o que, segundo disse, prejudica a imagem do bloco e afecta a disponibilidade das companhias chinesas para investir na Europa. O porta-voz reiterou ainda que Pequim “salvaguardará firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas”, em linha com a posição assumida pela China noutros processos comerciais instaurados pela UE em sectores considerados estratégicos. A reacção chinesa surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de uma investigação ao fabricante chinês de turbinas eólicas Goldwind, por suspeitas de que os subsídios concedidos por Pequim –como apoios diretos, benefícios fiscais ou financiamento em condições favoráveis – possam distorcer a concorrência no mercado interno da UE. A Goldwind opera em vários países europeus através de filiais, entre as quais a alemã Vensys, desenvolvendo na UE actividades que vão desde a produção de turbinas até serviços de investigação, manutenção e gestão de parques eólicos.
Hoje Macau China / ÁsiaDiplomacia | Xi conversa por videoconferência com Putin O Presidente chinês, Xi Jinping, manteve ontem uma conversa por videoconferência com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem adiantar, para já, o conteúdo do encontro. China e Rússia mantêm fortes laços económicos, diplomáticos e militares, que se intensificaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Xi Jinping e Vladimir Putin trocaram, em 31 de Dezembro, mensagens de felicitações por ocasião do Ano Novo. Os dois líderes encontraram-se no início de Setembro, em Pequim, à margem do desfile militar organizado pela China para assinalar os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Esta nova conversa entre Xi e Putin ocorre numa altura em que os Estados Unidos afirmam estar próximos de alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Russos e ucranianos continuam hoje com as reuniões iniciadas ontem para novas rondas de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A China apresenta-se como uma parte neutra neste conflito e afirma não fornecer ajuda letal a nenhum dos lados, ao contrário dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.
Hoje Macau China / ÁsiaEncontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim. O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé. Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito. “Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou. Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito. “A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim. Um só país O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano. O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha. A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.
Hoje Macau EventosPatrimónio cultural de Chongqing e Xinjiang em exposição O Instituto Cultural (IC), juntamente com uma série de entidades da China, prepara-se para apresentar em Macau uma exposição que irá revelar algum do património cultural imaterial das regiões chineses de Chongqing e Xinjiang, nomeadamente tapeçaria tradicional. A mostra, apresentada na Galeria do Tap Seac a partir da próxima quarta-feira, 11, intitula-se “Cores Esplêndidas: Exposição de Arte do Bordado de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang”, cuja inauguração acontece a partir das 18h30. Segundo uma nota do IC, esta exposição apresenta uma “cuidadosa selecção” de 154 obras ou conjuntos de bordados artísticos das cidades de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang, incluindo o bordado Shu, o bordado matrimonial de Wuxi, o bordado Miao de Youzhou e o brocado “Xilankapu” (tecelagem tradicional Tujia), assim como as três técnicas de bordado dos grupos étnicos Uigur, Quirguize e Cazaque de Xinjiang. “Todas estas técnicas foram inscritas como itens representativos de património cultural intangível a nível nacional ou municipal, e todas as obras são criadas por transmissores de património cultural intangível e mestres em artesanato e arte, mostrando-se a elegância dos bordados do Sul e as cores vibrantes e ousadas dos bordados do Norte.” O IC acrescenta, na mesma nota, que estas obras feitas em bordado “não só revelam uma técnica notável e um estilo variado, como também contêm a profundidade cultural das etnias envolvidas”. Apresentam-se materiais, motivos e esquemas de cores que “incorporam a sensibilidade estética e a criatividade transmitidas de geração em geração, expressando as aspirações e o anseio do povo por uma vida melhor”. Arte de bem bordar O dia da inauguração, bem como o dia 12 de Fevereiro, promete surpresas para os participantes e interessados, uma vez que nos horários das 10h, 11h30, 15h e 17h estarão presentes vários transmissores de património cultural intangível que farão demonstrações das técnicas de bordado, com a duração aproximada de uma hora por cada sessão. Além disso, em Março, nomeadamente nos dias 7 e 8, decorrem workshops temáticos com os mesmos transmissores deste património. Um deles, é o workshop sobre a técnica do bordado Shu de Chongqing, programado para o dia 7 de Março; já no dia seguinte decorre o workshop sobre a técnica do bordado de Xinjiang. As duas iniciativas acontecem na Sala de Actividades do Museu Memorial de Xian Xinghai, localizada na Rua de Francisco Xavier Pereira. A participação nos workshops é gratuita e as sessões serão conduzidas em mandarim, com um máximo de 16 participantes por sessão. Os residentes com idade igual ou superior a 16 anos poderão inscrever-se a partir das 10h do dia 12 de Fevereiro, através da secção “Inscrição em Actividades” da Conta Única de Macau. O IC descreve a arte do bordado como sendo “um dos artesanatos tradicionais mais representativos da etnia chinesa, contendo uma profunda herança histórica e rica criatividade artística, com múltiplos valores práticos, estéticos, de etiqueta e de transmissão cultural”. Esta mostra pode ser visitada até ao dia 15 de Março.
Hoje Macau Via do MeioStarmer em Pequim e a visão ampla da História Por Xu Zeyu Enquanto Sir Keir Starmer passeava pela Cidade Proibida, o monumento de seis séculos do poder dinástico chinês, as redes sociais fervilhavam com comparações sarcásticas à visita de Donald Trump em 2017, quando o presidente dos EUA foi pessoalmente acompanhado por Xi Jinping pelos mesmos salões e pátios com toda a pompa de um dignitário. Os críticos de poltrona criticaram avidamente a presença relativamente discreta de Starmer: sem multidão isolada por cordas, sem líderes proeminentes ao seu lado. Bem em frente ao Salão da Harmonia Suprema, onde Starmer parou para apreciar a grandiosidade, Trump questionou uma vez a reivindicação da China à antiguidade: «Acho que a cultura mais antiga, dizem eles, é a do Egipto, com 8.000 anos.» Xi respondeu: “O Egipto é um pouco mais antigo. Mas a única civilização que continua ininterrupta é a China.” Mais cedo naquele dia, durante conversas formais antes da visita de Starmer à Cidade Proibida, Xi tocou um tema histórico semelhante com o primeiro-ministro britânico, invocando o que chamou de “visão ampla da história”. Ao contrário do que as ridicularizações online sugerem, Pequim estendeu o tapete vermelho para o primeiro líder britânico a visitar a China em oito anos, que foi recebido sucessivamente pelas três principais figuras da política chinesa: o presidente Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Qiang e o presidente do Congresso Nacional do Povo, Zhao Leji. A reunião formal com o presidente Xi, originalmente programada para 40 minutos, se estendeu por 80 minutos, resultando em trocas produtivas que as autoridades de ambos os lados descreveram como “calorosas e construtivas”. Foi nessa ocasião que Xi disse a Starmer: “A China está pronta para trabalhar com o Reino Unido na defesa de uma visão ampla da história, superando as diferenças e promovendo o respeito mútuo, a fim de transformar o potencial promissor da cooperação em realizações notáveis, abrir novas perspectivas para as relações e a cooperação entre a China e o Reino Unido, para melhor beneficiar os dois povos e o mundo em geral.” A formulação é particularmente pouco ortodoxa num contexto diplomático. Xi Jinping abordou o conceito de «visão ampla da história» em fevereiro de 2021, quando exortou uma sala cheia de altos funcionários do Partido a estudar história antes do próximo centenário do Partido Comunista Chinês. Na conferência, ele observou: «Devem ser envidados esforços para educar e orientar todo o Partido a ter em conta a estratégia de rejuvenescimento nacional da China num contexto de mudanças globais de uma escala nunca vista num século, desenvolver uma grande visão da história, examinar a dinâmica da mudança e identificar padrões históricos a partir do longo curso da história, da maré dos tempos e do panorama global, formular estratégias e políticas correspondentes e avançar o nosso trabalho com uma abordagem holística, perspicaz e inovadora.» Como uma terminologia distintamente partidária enraizada na ideologia marxista, a “visão ampla da história” raramente tem sido invocada em público, mesmo quando o líder máximo se dirige aos quadros do partido. Utilizar tal termo ideológico durante uma reunião com um chefe de governo estrangeiro em visita foi, portanto, uma jogada altamente calculada, codificada com subtexto. No voo para Pequim, Starmer advertiu que as relações sino-britânicas não devem desviar-se de uma “era de ouro” para uma “era glacial”. Mas as observações sobre uma “visão ampla da história” pareciam refletir a perspectiva de Pequim sobre essa trajetória — ou seja, o abandono por Londres do seu compromisso com a “era de ouro” assumido há uma década. Quando Xi fez a sua primeira visita de Estado à Grã-Bretanha em 2015, fazia pouco mais de uma década que os dois países haviam estabelecido uma “parceria estratégica abrangente”. Na época, a Grã-Bretanha era o segundo maior parceiro comercial da China e o principal destino de investimentos na Europa. Londres posicionou-se como pioneira em finanças, tornando-se o primeiro país ocidental a emitir títulos soberanos em RMB e a primeira grande potência ocidental a aderir ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, iniciado por Pequim. Barbara Woodward, então embaixadora britânica na China, anunciou que a visita estabeleceria «uma parceria global para o século XXI e daria início a uma década dourada nas relações entre a China e o Reino Unido». A «década dourada» que se seguiu, no entanto, desenrolou-se precisamente na direção oposta. Meses depois da visita de Trump à Cidade Proibida em 2017, Washington lançou a primeira ronda da guerra comercial contra a China. A Grã-Bretanha, seguindo os passos de Washington na estratégia de contenção, adoptou uma postura cada vez mais adversária em relação a Pequim em questões como os distúrbios em Hong Kong, o algodão de Xinjiang, a «redução de riscos» nas cadeias de abastecimento e o bloqueio tecnológico contra a China, desmantelando efetivamente a visão comum de aprofundamento das relações bilaterais. Hoje, enquanto os EUA lançam olhares cobiçosos sobre a Gronelândia, denigrem a memória dos soldados britânicos mortos e ameaçam uma ofensiva tarifária contra a parceria transatlântica sob a chamada “Doutrina Donroe”, a iniciativa de Londres de restabelecer as relações com Pequim parece menos uma mudança estratégica e mais uma proteção desesperada contra a “Discordia Americana”. Do ponto de vista de Pequim, este súbito aquecimento diplomático parece lamentavelmente desprovido de uma visão histórica genuína a longo prazo. As aberturas da Grã-Bretanha parecem a mais recente oscilação política impulsionada pelos caprichos inconstantes de Washington. Isto levanta naturalmente uma questão: se um presidente menos idiossincrático entrar na Casa Branca em 2029, será que o número 10 voltará a considerar aceitável um regresso à «era glacial» com a China? Este cepticismo é ainda mais profundo. Um importante estudioso chinês de política americana certa vez comparou a relação entre os EUA e a Europa a um casamento: eles podem “brigar na cabeceira, mas reconciliam-se nos pés da cama”. Esta expressão chinesa captura o sentimento predominante nos círculos estratégicos chineses: apesar de todos os atritos recentes, o Ocidente continua a ser um clube exclusivo, mesmo que temporariamente disfuncional. Enquanto políticos ocidentais como Mark Carney se preocupam com uma «ruptura» na ordem pós-Guerra Fria, para grande parte do Sul Global, não há sinais de uma ruptura — apenas a continuação de uma hegemonia liderada pelos EUA sob a qual eles vivem há muito tempo. A “nova ordem mundial” é simplesmente um caso de um novo rei que começa a abusar dos nobres da mesma forma que antes abusava dos plebeus. Os nobres agora clamam contra ele como um tirano, não porque consideram a hierarquia injusta, mas porque perderam suas prerrogativas de agir com impunidade. A «visão ampla da história» pode muito bem servir como um lembrete incisivo aos líderes europeus para que não sucumbam à amnésia na sequência dos choques trumpianos. A Europa nunca foi igual a Washington, e Pequim não tem intenção de servir de alavanca para a Europa comprar o seu regresso a um passado «liberal». A visita de Starmer revelou este realismo económico sem retoques. Ao aterrar em Pequim com uma comitiva de titãs dos negócios, ele twittou que seu objectivo era “cumprir com o povo britânico”. Certamente, Pequim acolheu a iniciativa de expandir os laços comerciais, estendendo acordos sobre uísque escocês, produtos farmacêuticos e viagens sem visto — acordos que, compreensivelmente, despertaram a ira de Trump. No entanto, a China espera que a Grã-Bretanha seja mais do que “estranhos à porta” obcecados pelo comércio. O que Pequim realmente busca é que a Grã-Bretanha actue como uma “grande potência” nos assuntos globais, um termo que Xi usou repetidamente durante sua visita de Estado em 2015. Ele usou-o novamente na última quinta-feira, embora em termos cautelosos: “O direito internacional só pode funcionar quando todos os países o obedecem, e as grandes potências devem liderar pelo exemplo, ou o mundo voltará à lei da selva”. A China não procura um aliado na Grã-Bretanha; em vez disso, procura um parceiro com pensamento estratégico independente, capaz de injectar certeza no sistema global cada vez mais volátil. No entanto, mesmo essa expectativa modesta parece exceder as ambições da Grã-Bretanha. Durante a década outrora anunciada como a «década dourada», a Grã-Bretanha parece ter renunciado voluntariamente à identidade de «grande potência» invocada por Pequim. A natureza autodepreciativa da política externa britânica diverge acentuadamente da forma como a maioria dos chineses vê o papel histórico do país insular — algo que até os próprios britânicos não compreendem. A Guerra do Ópio de 1840, iniciada pela Grã-Bretanha, é amplamente considerada como o ponto de partida do «século de humilhação» da China. O objectivo geral do Partido, o “grande rejuvenescimento da nação chinesa”, visa restaurar a posição internacional da China ao que era antes da chegada dos navios de guerra britânicos. Referido nos livros didáticos chineses como “o império sobre o qual o sol nunca se põe”, o legado colonial da Grã-Bretanha não se reflecte apenas nos artefactos chineses saqueados e exibidos no Museu Britânico, mas também continua a manifestar-se nas disputas fronteiriças entre a China e a Índia e na agitação em Hong Kong. No entanto, a China vê a Grã-Bretanha não apenas como uma potência outrora formidável, que deixou uma marca indelével na sua história moderna e no panorama geopolítico, mas também como uma nação autónoma e pragmática que demonstrou visão histórica no envolvimento global. A Grã-Bretanha foi a primeira potência ocidental a reconhecer a República Popular da China, no segundo ano da sua fundação, para ser exacto — três décadas antes dos EUA seguirem o exemplo. Essa decisão continua, aos olhos dos chineses, a ser uma rara demonstração de independência estratégica e pragmatismo para um império em declínio. Como Winston Churchill disse uma vez, «quanto mais longe se consegue olhar para trás, mais longe se consegue ver para a frente». Esta pode ser agora uma oportunidade rara, e talvez definitiva, para a Grã-Bretanha e outras nações europeias, que despertaram para a dura realidade de que a «ordem liberal» liderada pelos Estados Unidos não abraça valores liberais genuínos nem proporciona uma ordem previsível. Têm a oportunidade de se afirmar como um «pólo» verdadeiramente autónomo num mundo multipolar emergente, em vez de simplesmente dançar ao som dos caprichos dos Estados Unidos com reviravoltas diplomáticas. Quando Donald Trump esteve na Cidade Proibida em 2017 não compreendeu ou optou por ignorar a subtil metáfora histórica transmitida pelo seu anfitrião chinês: a necessidade imperativa de evitar um “choque de civilizações” por meio do diálogo e do respeito mútuo. Em vez disso, em poucos meses, o seu governo arrastou o mundo inteiro para uma era de intensificação do confronto entre os EUA e a China, embora o desenrolar dos acontecimentos tenha ficado muito aquém da Guerra Fria que ainda está viva na memória. A forma como Sir Keir Starmer interpretará a «ampla visão da história» durante a sua própria caminhada por esses mesmos salões imperiais pode ainda revelar-se um momento crítico — um momento que os historiadores do futuro citarão com admiração ou comiseração ao emitir o seu veredicto sobre o destino da Grã-Bretanha e da Europa.
Hoje Macau SociedadeAeroporto | CAM aponta para 8,14 milhões de passageiros em 2026 Após um ano de 2025 em que o aeroporto perdeu passageiros e voos comerciais, os responsáveis pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau acreditam que 2026 vai ser diferente. De acordo com os números apresentados durante um almoço de Ano Novo Lunar, organizado ontem, a empresa estima receber 8,14 milhões de passageiros e 63 mil chegadas e partidas de voos comerciais ao longo deste ano. Os números indicados pela empresa, e citados pelo jornal Ou Mun, representam um aumento anual de 8,2 por cento do número de passageiros e de 8,6 por cento do número de chegadas e partidas de voos comerciais. A estimativa anual do número de passageiros de 2026 não deixa de ficar abaixo do que acontecia antes da pandemia. Em 2019, o aeroporto recebeu um total de 9,61 milhões de passageiros, o valor mais elevado desde que começou a funcionar, e no ano anterior tinha recebido 8,26 milhões de passageiros. O aumento do número de passageiros é esperado, apesar do presidente da Comissão Executiva da empresa, Simon Chan Weng Hong, ter revelado que a partir de Outubro deste ano e até Outubro de 2029 o aeroporto vai estar encerrado entre a noite as 8h da manhã. O encerramento foi justificado com a expansão da infra-estrutura e o aterro de terrenos. Em relação a estas obras, Simon Chan afirmou que se espera um “impacto mínimo” no funcionamento do aeroporto. O presidente da Comissão Executiva da CAM revelou também que em Abril vão abrir novos restaurantes no aeroporto, com a disponibilização de refeições confeccionadas por algumas das marcas locais mais conhecidas.
Hoje Macau Manchete SociedadeVírus Nipah | Governo prepara capacidade de resposta do sector da aviação Os Serviços de Saúde realizaram na terça-feira a palestra “Conhecimentos sobre a infecção pelo vírus Nipah”, destinada a representantes da Autoridade de Aviação Civil, da CAM, Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, S.A.R.L. e das companhias aéreas. Os Serviços de Saúde (SS) indicaram ontem que o evento teve como objectivo informar e reforçar a sensibilização para os casos de infecção pelo vírus Nipah detectados no Estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, assim como aperfeiçoar a capacidade de resposta do sector da aviação. Mais de 100 gestores e trabalhadores de linha da frente ouviram as explicações sobre vias de transmissão, sintomas clínicos e pontos importantes de protecção individual. As autoridades salientaram a importância do posto fronteiriço como “a primeira linha de defesa contra a importação de doenças infecciosas graves”, dos profissionais do aeroporto e companhias aéreas para a protecção da saúde dos residentes. Os SS garantiram também o reforço da avaliação e o exame médico aos indivíduos com história de viagem relevante que apresentem sintomas nos postos fronteiriços. Para tal, foi criado um “mecanismo de coordenação interdepartamental eficaz com o aeroporto, a Autoridade de Aviação Civil e os serviços competentes”. Além disso, “de acordo com a investigação global nacional e a avaliação de risco da Organização Mundial de Saúde”, actualmente, o impacto do vírus Nipah para Macau é “relativamente baixo”.
Hoje Macau PolíticaChefe do Executivo destaca contributos da Universidade Cidade de Macau O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu esta terça-feira com Chan Meng Kam, empresário, ex-deputado e também chanceler e presidente do Conselho de Administração da Universidade da Cidade de Macau (UCM). O encontro serviu para discutir “o desenvolvimento do ensino superior em Macau e a formação de quadros qualificados”, tendo o Chefe do Executivo destacado que, numa altura em que a UCM celebra 45 anos de existência, “esta tem respondido activamente às orientações e directrizes do País e da RAEM no domínio do ensino superior, tendo conquistado resultados amplamente reconhecidos na melhoria da qualidade do ensino, na formação de quadros qualificados, na inovação científica e no serviço à sociedade”. Sam Hou Fai entende ainda que a instituição de ensino superior “está alinhada com a estratégia de desenvolvimento da diversificação adequada ‘1+4′”, tendo alcançado “resultados significativos no impulso do desenvolvimento interdisciplinar e na construção de uma instituição internacional e abrangente”. Planear o futuro Na reunião com Chan Meng Kam, o governante máximo da RAEM não descurou os conselhos. A UCM deve “adaptar-se às necessidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau ao nível do desenvolvimento industrial e de quadros qualificados, optimizar os currículos nas disciplinas emergentes, como inteligência artificial, Big Health, finanças e tecnologia”, além de “promover a transformação dos resultados da investigação científica e a sua aplicação”. Foi também pedido à UCM para “formar mais quadros qualificados de elevada qualidade e com conhecimentos práticos”, além de “continuar a alargar os canais de intercâmbio internacional”. As declarações de Sam Hou Fai surgem numa nota oficial que não contém testemunhos de Chan Meng Kam.
Hoje Macau EventosSantos Populares | Marchas vencedoras actuam em Macau Dois grupos portugueses, as marchas populares de Alcântara e Bairro Alto, vencedoras ‘ex aequo’ da edição de 2025, vão participar no desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo, anunciaram ontem as autoridades de Macau. “Esta vez temos dois grupos de Portugal, achamos que vão gostar de Macau, assim como achamos que as actuações deles também vão trazer muita alegria aos nossos visitantes e às nossas comunidades”, afirmou a directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, em declarações aos jornalistas. As celebrações do Ano Novo Lunar decorrem entre 19 de Fevereiro e 08 de Março e contam com um conjunto de eventos que dispôs este ano de um orçamento de 36,8 milhões de patacas, representando um aumento de 5 por cento face ao ano anterior. O programa inclui fogo de artifício, espectáculos de ‘drones’, um desfile de 17 carros alegóricos e a participação de cerca de 1.300 artistas de Macau, Hong Kong, China continental, Itália, Espanha, Filipinas, Coreia do Sul e Portugal. “Estamos todos preparados para uma grande celebração do Ano Novo Chinês. Com nove dias de feriado, prevemos uma média diária de 158 mil a 175 mil visitantes”, adiantou Helena Fernandes. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão nesta edição. Recentemente, vários espectáculos com artistas japoneses foram cancelados em Macau. Questionada sobre o assunto, a directora referiu não ter “informação concreta sobre a situação”. “Não me cabe comentar estes arranjos específicos. Mas importa referir que Macau recebe actualmente uma grande variedade de espectáculos, tanto da China continental como de artistas internacionais. Os organizadores vão continuar a procurar trazer grupos diversificados a Macau”, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaSondagem | Putin e Trump são os líderes menos apreciados por portugueses Os presidentes da Federação Russa e dos Estados Unidos da América (EUA) são os responsáveis políticos mundiais com maior taxa de rejeição entre os portugueses, segundo um estudo de opinião da Intercampus. O líder do Kremlin, Vladimir Putin, viu a sua acção política condenada por 83 por cento dos inquiridos, enquanto o ‘inquilino’ da Casa Branca, Donald Trump, mereceu apreciação negativa por parte de 70 por cento. O primeiro lugar destacado de Putin no ranking da impopularidade é ainda mais visível noutros países europeus: Suécia (95 por cento), Dinamarca (96 por cento), Noruega (94 por cento), Finlândia (92 por cento) e Países Baixos (85 por cento). Pelo contrário, o papa Leão XIV foi a única personalidade internacional com um índice de aprovação claramente positivo, com 64 por cento da amostra portuguesa que respondeu ao inquérito a ter opinião algo ou muito favorável do chefe da Igreja Católica. O director-geral da empresa portuguesa que realizou a sondagem de opinião de um consórcio internacional efectuada em 61 países de todo o Mundo, António Salvador, concluiu que o retrato “é o de uma opinião pública cada vez mais exigente na avaliação do poder político global”. Segundo a Intercampus, foram inquiridas 64.097 pessoas e, em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa de cerca de mil homens e mulheres, entre Outubro e Dezembro, nas modalidades presencial, via telefone ou através da Internet e a margem de erro estimada foi de 03 a 05 por cento, num nível de confiança de 95 por cento.
Hoje Macau SociedadeAMCM | Lucros dos bancos de Macau quase duplicam em 2025 Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento), foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 8,4 por cento, para 17,5 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos. Isto apesar da AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana. Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, diminuíram 0,4 por cento em comparação com o final de Dezembro de 2024, fixando-se em 1,02 biliões de patacas. Pelo contrário, os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram 9,6 por cento, para 1,39 biliões de patacas no final do ano passado, disse a AMCM. Apesar dos proveitos terem disparado em 2025, ficaram longe do ano mais lucrativo de sempre para a banca da região: 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas. Outras contas Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O BNU anunciou em Novembro lucros líquidos de 315,3 milhões de patacas nos três primeiros trimestres de 2025, uma diminuição homóloga de 29 por cento, que o banco atribuiu à evolução das taxas de juro. O crédito malparado caiu 11,6 por cento ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas. Foi a primeira queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013. Os empréstimos vencidos representavam 4,9 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa. A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5 por cento dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
Hoje Macau China / ÁsiaFortes nevões no Japão causam pelo menos 30 vítimas mortais nas últimas duas semanas Fortes nevões mataram 30 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, incluindo uma mulher de 91 anos encontrada soterrada na neve em frente à sua casa, anunciaram ontem as autoridades. A maioria das mortes, 12, ocorreu na província de Niigata, na região central do arquipélago. Outras 324 pessoas ficaram feridas em todo o país, algumas com gravidade, enquanto nove mortes, possivelmente relacionadas com a neve, ainda não foram oficialmente registadas, aguardando investigação. O Governo japonês mobilizou militares para auxiliar os residentes da província de Aomori, a zona mais atingida, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. A primeira-ministra Sanae Takaichi convocou ontem uma reunião de emergência do seu gabinete, instando os ministros a fazerem todo o possível para proteger vidas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. De 20 de janeiro até ontem, 30 pessoas morreram na sequência do mau tempo, segundo a Agência Japonesa de Gestão de Incêndios e Desastres. Entre elas estava Kina Jin, de 91 anos, cujo corpo foi encontrado debaixo de três metros de neve, em frente à sua casa em Aomori, no norte de Honshu, a maior ilha do arquipélago, disse um agente da polícia local à agência de notícias France-Presse. A polícia acredita que foi soterrada pela neve que caiu do telhado e morreu por asfixia, disse o agente. Uma pá foi encontrada junto ao corpo. O governador de Aomori, Soichiro Miyashita, disse na segunda-feira que pediu ao exército que oferecesse assistência em caso de desastre e ajudasse os idosos a limpar a neve das suas casas. Paredes de neve que atingem os 183 centímetros de altura cobrem o solo na capital da província — também chamada Aomori —, acrescentou Miyashita, referindo que as equipas de remoção de neve estavam sobrecarregadas. “O risco de acidentes potencialmente fatais, por exemplo, devido à queda de neve dos telhados ou ao colapso de edifícios, é iminente”, alertou o governador, em conferência de imprensa. Sobe e desce As autoridades meteorológicas esperam que as temperaturas subam ligeiramente a partir de hoje, mas voltem a descer durante o fim de semana em todo o arquipélago. A neve poderá regressar à costa do mar do Japão já no domingo, o mesmo dia em que o país realiza eleições gerais antecipadas. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições em Fevereiro.
Hoje Macau China / ÁsiaVisita | Xi defende mundo multipolar e globalização inclusiva em encontro com PR do Uruguai A viagem do Presidente uruguaio à China fica assinalada pela assinatura de vários acordos e o reforço das relações entre as duas nações O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem à promoção de um mundo “multipolar e equitativo” e a uma “globalização económica inclusiva”, durante um encontro com o homólogo uruguaio, Yamandú Orsi, no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Durante a reunião, Xi reafirmou que a China “atribui sempre grande importância às relações com a América Latina” e reiterou o apoio de Pequim aos países da região “na defesa dos seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento”. “A China está disposta a trabalhar com o Uruguai e os países latino-americanos para promover de forma profunda e substancial a construção de uma comunidade de futuro partilhado China – América Latina”, declarou, segundo a transcrição divulgada pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês. O líder chinês manifestou ainda o apoio à actuação do Uruguai em fóruns multilaterais, como a presidência rotativa do Grupo dos 77 e China, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Mercosul. Xi enquadrou estas declarações num cenário internacional de “complexidade e turbulência crescentes”, com o aumento de práticas unilaterais e de pressão entre Estados, uma posição recorrente no discurso diplomático chinês. O líder chinês defendeu o reforço do multilateralismo, do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e de uma globalização “inclusiva e benéfica para todos”, como princípios que devem nortear a cooperação entre países em desenvolvimento. Entre amigos No plano bilateral, Xi apelou ao aprofundamento da parceria estratégica integral entre a China e o Uruguai, com reforço do apoio mútuo em assuntos centrais e ampliação da cooperação nas áreas do comércio, agricultura, infraestruturas, finanças e tecnologias de informação. O líder chinês mencionou ainda oportunidades em sectores emergentes como desenvolvimento verde, economia digital, inteligência artificial e energias limpas, além de destacar a importância dos intercâmbios culturais, educativos e entre governos locais. Orsi elogiou os avanços da China nas últimas décadas e afirmou que a relação bilateral atravessa o seu “melhor momento histórico”, sublinhando que o fortalecimento dos laços com Pequim é uma política de Estado, com apoio transversal no Uruguai. O Presidente uruguaio manifestou vontade de aprofundar a cooperação com o país asiático em áreas económicas, científicas e tecnológicas e reiterou o apoio ao princípio de ‘Uma Só China’. Parceiro principal Após o encontro, os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de mais de uma dezena de acordos e emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica integral, quando se assinala o 38.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A China é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Uruguai, representando cerca de 26 por cento das exportações do país, sobretudo de produtos agroindustriais. A agenda de Orsi em Pequim inclui ainda encontros com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo), Zhao Leji, antes de seguir viagem para Xangai, onde terá compromissos de carácter económico e comercial.
Hoje Macau China / ÁsiaPC Chinês e oposição taiwanesa defendem “nação comum” e rejeitam confronto Responsáveis do Partido Comunista Chinês e do principal partido da oposição em Taiwan concordaram ontem que os povos de ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma nação e rejeitaram um cenário de confronto. “Embora a China continental e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, os povos de ambos os lados pertencem à mesma nação, são descendentes do imperador Yan e do imperador Amarelo, e devem apoiar-se mutuamente e cooperar para revitalizar a China”, afirmou o vice-presidente do Kuomintang (KMT), Hsiao Hsu-tsen, citado pela agência de notícias oficial taiwanesa CNA. “O confronto ou mesmo o conflito entre as duas margens do Estreito não serve os interesses do povo taiwanês, nem os interesses comuns de ambos os povos, muito menos os interesses gerais da nação chinesa”, acrescentou. Também o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Song Tao, defendeu que a situação actual é “complexa e grave” e sublinhou que o Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT têm uma “responsabilidade inelutável” de promover o “desenvolvimento pacífico” das relações através do diálogo. Song reiterou ainda a “firme oposição” de Pequim à independência de Taiwan, afirmando que não haverá “tolerância nem mão branda” face ao secessionismo. Todos juntos As declarações foram proferidas durante um fórum realizado ontem em Pequim, promovido por institutos de investigação associados aos dois partidos, e que marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o PCC e o KMT após quase uma década de interrupção, informou a televisão estatal chinesa CCTV. Participaram no evento representantes partidários, especialistas, académicos e empresários, que discutiram temas como turismo, indústria, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de “deliberar em conjunto sobre o rumo das relações” e “promover o bem-estar das populações de ambos os lados do Estreito”. A delegação do KMT foi liderada por Hsiao Hsu-tsen e pelo vice-presidente da Fundação de Política Nacional, Lee Hong-yuan. Estão previstas outras visitas e encontros em Pequim, segundo a CCTV, que não avançou pormenores. O fórum é visto como um possível passo preparatório para uma eventual reunião, ainda este semestre, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova líder do KMT, Cheng Li-wun.
Hoje Macau China / ÁsiaSegurança | Proibidas maçanetas embutidas em carros a partir de 2027 A China vai proibir, a partir de 2027, a venda de veículos equipados unicamente com pegas embutidas na carroçaria, populares por razões estéticas, mas consideradas perigosas em caso de acidente, anunciou o Governo chinês. Estas maçanetas, comuns em muitos veículos eléctricos vendidos no país, têm ganho popularidade ao longo da última década pelo seu design aerodinâmico e minimalista. No entanto, podem tornar-se um risco mortal se o sistema eléctrico falhar, impedindo a abertura manual das portas. Segundo as novas regras divulgadas na segunda-feira pelo ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação, os veículos vendidos no mercado chinês deverão, a partir de 01 de Janeiro de 2027, estar obrigatoriamente equipados com mecanismos mecânicos de abertura, tanto exteriores como interiores. Os modelos já homologados terão um prazo adicional de dois anos para se adaptarem à nova norma, indicou o ministério, sublinhando que a medida visa “melhorar o nível de segurança”. A decisão surge na sequência de crescente preocupação na China com a segurança destas maçanetas embutidas. Um caso mediático ocorreu em Outubro, quando os socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo eléctrico da marca Xiaomi que se incendiou após um acidente em Chengdu, no sudoeste do país. O condutor, que estaria alcoolizado, morreu no local. As novas regras determinam ainda que os fabricantes reforcem a visibilidade das maçanetas interiores, exigindo sinalização obrigatória dentro do veículo. A China é actualmente o maior mercado mundial de veículos elétricos, com dezenas de construtores a operar no sector e a expandir as suas actividades para o exterior. Segundo estatísticas divulgadas em Janeiro, o fabricante chinês BYD ultrapassou, pela primeira vez, a norte-americana Tesla em vendas anuais de veículos eléctricos em 2025, tornando-se o maior produtor mundial deste segmento.
Hoje Macau EventosMostra de Alexandre Simões apresentada na Livraria Portuguesa A Livraria Portuguesa acolhe, a partir desta quinta-feira, 18h, a exposição de fotografia de Alexandre Simões. “What Are You Doing The Rest of Your Life?” é o nome do projecto que, segundo uma nota de imprensa, “reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade”. Trata-se de “apontamentos num diário visual, captados no universo autoral”, com os quais Alexandre Simões construiu “um labirinto de imagens em múltiplos planos temporais que subjectivamente providenciam a preservação da identidade de uma época inextinta”. Nesta mostra, revela-se “uma devoção à fotografia analógica”, mas na qualidade de “narrativa na permanência”, em termos de “conexão com as pessoas e a vida real, os encontros e intimidade”, sem esquecer “a presença da música e do cinema”. Descreve-se ainda que a “riqueza estética” do trabalho de Alexandre Simões “atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. Neste caso, “as fotografias assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio”. Sem distracções Em “What Are You Doing The Rest of Your Life?” revela-se um “trabalho fotográfico que submerge através do diálogo entre as imagens”, bem como “na significação das experiências [que ocorrem] na passagem inexorável do tempo”. Há uma “escolha estética que não é causal” e onde não existem “distracções” de quem está atrás da lente. “O olhar recai nas sombras e no inaudito, na subtileza de quem empresta a sua alma para captar o que observa e sente. O tempo corre lento no olhar de quem é convidado à viagem pelas fotografias, acoplado à poética, à beleza das coisas, às linhas e aos planos, aos corpos e às relações volúveis”, descreve-se sobre a mostra. A exposição está disponível para visita na cave da Livraria Portuguesa até ao dia 26 deste mês.
Hoje Macau SociedadeMédicos | Abertas inscrições para exame do Interior da China Os Serviços de Saúde indicaram ontem que estão abertas as inscrições para o Exame Nacional de Qualificação de Médico do Interior da China de 2026, para médicos, médicos dentistas e médicos de medicina tradicional chinesa autorizados a exercer em Macau. São elegíveis profissionais autorizados para a prática da actividade em Macau, e que exerçam actividade de prestação de cuidados de saúde no território há mais de um ano, com um “grau académico superior ao de licenciado em especialidade de medicina ou de estomatologia (medicina dentária) no Interior da China”. Os médicos devem ser residentes permanentes da RAEM. As condições para clínicos de medicina tradicional chinesa são semelhantes, mas é pedida licenciatura, ou grau académico superior, conferido por instituição de ensino superior do Interior da China reconhecida pelo Serviço Administrativo de Educação do Conselho de Estado, ou pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O primeiro passo, é a inscrição online, no portal da Rede Nacional de Exames Médicos, até 11 de Fevereiro. Em seguida, os candidatos devem deslocar-se à Divisão de Licenciamento para o Exercício de Actividades de Saúde dos Serviços de Saúde (no Centro de Saúde da Ilha Verde), entre 3 e 10 de Março.
Hoje Macau Manchete SociedadeMetro Ligeiro | Ano arranca com recorde de passageiros em Janeiro Impulsionado pelo turismo, o Metro Ligeiro é cada vez mais utilizado. No primeiro mês do ano, o transporte público registou uma média diária de 30 mil passageiros O Metro Ligeiro registou, em média, 30 mil passageiros por dia em Janeiro, o número mais elevado para o primeiro mês do ano desde a inauguração, disse ontem a operadora. De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 8,7 por cento, em comparação com Dezembro, e subiu 18,6 por cento em relação ao mesmo mês de 2024. O Metro Ligeiro foi inaugurado a 10 de Dezembro de 2019 e esse mês continua a deter o recorde absoluto, com uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas. Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O Metro Ligeiro voltaria a registar este valor mínimo em Julho de 2022, mês em que a cidade esteve em confinamento durante duas semanas devido a um surto de covid-19. Em Dezembro de 2024, começou a operar a extensão do Metro Ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Ilha da Montanha, com 2,2 quilómetros. Um mês antes, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, um bairro de Coloane onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública. O Metro Ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de 10 a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias. A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Com a extensão do Metro Ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030. Linha Leste em construção O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com a China continental. No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o Metro Ligeiro. Está a decorrer, até 28 de Fevereiro, uma consulta pública sobre o desenvolvimento do transporte, que prevê que a construção da Linha Leste seja concluída em 2029. Os planos incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, uma Linha Oeste, da fronteira de Qingmao à Barra, e uma ligação à vila de Coloane. A primeira linha, prometida durante mais de uma década, custou 10,2 mil milhões de patacas.
Hoje Macau Manchete PolíticaComissão vai escolher advogados em casos de Segurança Nacional A lei que enquadra a futura Comissão de Defesa da Segurança de Estado de Macau vai mexer nas audiências em julgamentos de processos relativos a segurança nacional passando o juiz a decidir se serão abertos, foi segunda-feira anunciado. O secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, que apresentou a proposta de lei “Comissão de Defesa da Segurança de Estado [CDSE] da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM], referiu ainda que os mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Este tipo de processos, mas não exclusivamente, vão passar a ser julgados por “um juiz especial”, disse também o governante no final da reunião do Conselho Executivo. De acordo com um comunicado do Conselho, o articulado “procede à alteração e aditamento” da Lei de Bases da Organização Judiciária, “estabelecendo disposições excepcionais sobre a audiência nos processos judiciais, as situações especiais de jurisdição e o regime relativo aos actos processuais dos mandatários judiciais, quando estes intervenham em assuntos envolvendo a segurança do Estado”. Segue para a AL A discussão da proposta de lei foi concluída na segunda-feira pelo Executivo de Sam Hou Fai e segue para a Assembleia Legislativa para apreciação, “sem carácter de urgência”, especificou Wong, sem esclarecer, nas declarações aos jornalistas, se a apreciação geral e na especialidade do articulado será concluída pelo parlamento ainda este ano. Do ritmo dos trabalhos no parlamento de Macau dependerá se Au Kam San, ex-deputado e cidadão português, detido no final de Julho do ano passado e até agora o primeiro e único caso relacionado com a Lei de Segurança Nacional, será julgado sob a nova moldura legal. Até agora não é conhecido o nome do advogado, ou “mandatário”, na terminologia jurídica utilizada, do ex-deputado, assim como também nada se sabe sobre a acusação nem quando será julgado. Uma vez aprovada em votação final no parlamento, a lei entrará em vigor no dia seguinte ao da publicação, e substituirá o Regulamento Administrativo nº 22/2018, que criou a CDSE, estrutura que manterá, no entanto, várias características orgânicas e competências, designadamente a de continuar a ser presidida pelo chefe do Executivo. A futura lei dispõe ainda sobre os cargos de assessor para os assuntos de segurança nacional e de assessor técnico para os assuntos de segurança nacional, “bem como sobre o serviço de execução e apoio da CDSE”, segundo um comunicado divulgado pelo Governo.
Hoje Macau SociedadePortugal | Macau e Hong Kong alertam para atrasos no correio Os Correios das regiões chinesas de Macau e Hong Kong alertaram ontem que as cartas e encomendas com destino a Portugal poderão sofrer atrasos devido à destruição causada pela depressão Kristin. Num comunicado, o Hongkong Post anunciou que “os serviços de entrega de correio para Portugal estão sujeitos a atrasos devido às condições meteorológicas adversas”, de acordo com indicação dos CTT – Correios de Portugal. Os Correios da vizinha região de Macau disseram, numa resposta escrita à Lusa, que também foram notificados pelos CTT que, “devido às condições meteorológicas adversas em Portugal, os serviços de entrega de correio de Macau para aquele destino vão sofrer atrasos”. O Governo português decretou situação de calamidade, que foi no domingo prolongada até 08 de Fevereiro, numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
Hoje Macau SociedadeTNR | Macau contratou mais de 1.100 trabalhadores migrantes em 2025 As empresas e famílias de Macau contrataram 1.100 trabalhadores migrantes em 2025, segundo dados oficiais ontem divulgados. De acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, no final de Dezembro, Macau tinha 183.679 trabalhadores sem estatuto de residente, mais 1.137 do que no fim de 2024. A mão-de-obra vinda do exterior, incluindo da China continental, está no valor mais elevado desde Junho de 2020, no início da pandemia de covid-19. Desde o pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019, antes da pandemia, e até Janeiro de 2023, a cidade perdeu quase 45 mil não-residentes, que correspondiam a 11,3 por cento da população activa. Em Janeiro de 2023, quando acabou o fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau e na China continental durante quase mais de três anos, Macau tinha menos de 152 mil migrantes, o número mais baixo desde Abril de 2014. As estatísticas, divulgadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, revelam que, desde o fim da política ‘zero covid’, o número de trabalhadores não-residentes aumentou em 31.801. A principal razão para o crescimento da mão-de-obra migrante em 2025 foram os empregados domésticos, cujo número ultrapassou 28.611 no final de Dezembro, o valor mais elevado desde Março de 2021. Em todo o ano passado, as famílias de Macau contrataram mais 1.176 empregados domésticos. A partir de Agosto, a DSAL passou a apresentar de forma separada as estatísticas para os empregados domésticos dos restantes trabalhadores migrantes, não os incluindo na soma total da mão de obra não residente.