EventosAlbergue SCM | Pedro Proença apresenta pinturas sobre Luís de Camões Andreia Sofia Silva - 27 Out 2026 É inaugurada amanhã “Amor e Entendimento, Luís Vaz de Camões – Exposição de Pedro Proença, Comemorações do Quinto Centenário”, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau. O público pode ver uma série de 40 aguarelas influenciadas pela escrita daquele que é considerado o maior poeta português de sempre, autor de alguns dos mais belos e conhecidos poemas de amor O poeta português Luís Vaz de Camões, autor de “Os Lusíadas”, obra maior da língua portuguesa, e de muitos sonetos de amor, é protagonista da nova exposição de pintura de Pedro Proença, inaugurada amanhã, quarta-feira, dia 28, na galeria A2 do Albergue da Santa Casa da Misericórdia. “Amor e Entendimento, Luís Vaz de Camões – Exposição de Pedro Proença, Comemorações do Quinto Centenário” apresenta-se ao público a partir das 18h30, numa iniciativa do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau. São 40 obras em aguarela onde Pedro Proença interpreta o tema “Amor e Entendimento”, numa tentativa de tradução da “sensibilidade literária numa linguagem visual”. Convida-se, assim, o público a “descobrir o encanto singular do encontro entre a literatura portuguesa e a pintura”, aponta o Albergue SCM, em comunicado. Pedro Proença cita as palavras do próprio poeta para justificar a temática. Camões escreveu um dia “E sabei que segundo o amor tiverdes / Tereis o entendimento de meus versos”, enunciando-se a “experiência necessária para entrar na ‘sua’ poesia”. “Nesta exposição é a arquitectura do amor, tão platónico quanto erótico, que nos faz mover. Mesmo quando revisito episódios dos Lusíadas, que por diversas vezes ilustrei, é a doce cor de oriental safira (Dante) que viceja contra a retórica tronitonante e os maneirismos do épico – mais esgalhada, pincelada, aguarelada, rápida”, escreve Pedro Proença. O artista assume que desde a adolescência que desenha e pinta com o “comum pincel chinês”, mesmo “quando em puro preto e branco imito, noutra escala, gravuras quinhentistas e seiscentistas”. “Nos últimos seis anos enamorei-me da aguarela e das subtilezas desta técnica. Por vezes de um só gesto saem, como por magia, coisas muito concretas, o que ainda me surpreende”, acrescenta Pedro Proença. Entre a Babilónia e o Sião Camões, poeta que viveu entre os anos de 1525 e 1580, escreveu os “Lusíadas” que não é mais do que um longo poema que conta, em verso, a Epopeia dos Descobrimentos portugueses. Mas são conhecidos muitos dos seus sonetos de amor, como o célebre “Amor é fogo que arde sem se ver”, que nos traz os contrastes e contradições deste sentimento, que pode acarretar um “contentamento descontente” ou ser uma “ferida que dói e não se sente”. Com recurso às tintas e aos pincéis, Pedro Proença transfere para a arte as interpretações destas palavras e poemas, nomeadamente do poema “Sôbolos rios que vão”, a “longa redondilha do fim da vida de Camões”, e que se apresenta na série “Babel & Sião”. “Embora não acompanhe o ‘pathos’ pessimista do poeta, sinto-me embriagado do estilo”, confessa. “Nas composições arquitectónicas aqui presentes uso o tema para compor com o descalabro, o desequilíbrio, como se o pensamento fosse émulo do mundo, entre a catástrofe e o seu contrário, num equilíbrio difícil, e, no entanto, naturalíssimo”, acrescenta o artista na sua nota. Em “Sôbolos rios que vão”, Luís Vaz de Camões olha para a sua vida passada, descrevendo como se encontrou na Babilónia e chorou sentado “as lembranças de Sião e quanto nela passei”. “Ali, o rio corrente / de meus olhos foi manado, / e, tudo bem comparado, / Babilónia ao mal presente, / Sião ao tempo passado”, descreve o poema. Nascido em Lubango, Angola, em 1962, Pedro Proença vive e trabalha actualmente em Lisboa. Começou a participar em exposições colectivas em 1981 e realizou a sua primeira exposição individual em 1984. Desde então, apresentou exposições individuais em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian (1994), o Frankfurter Kunstverein (1988) e a Galeria Camargo Vilaça (1988), entre outras. Mais recentemente, expôs no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em 2025. Esta mostra tem entrada gratuita e está patente até ao dia 6 de Dezembro deste ano.