Saúde | Macau reforça rastreio devido a “pneumonia desconhecida”

Macau anunciou o reforço do rastreio dos viajantes vindos da região da Rússia onde morreu, devido a uma “pneumonia de origem desconhecida”, uma investigadora de um instituto que estuda a peste pneumónica

Macau anunciou o reforço da vigilância e rastreio nos postos fronteiriços a pessoas do histórico de viagem na região russa onde morreu na semana passada uma cientista com uma “pneumonia de origem desconhecida”. A vítima mortal era investigadora de um instituto que estuda a peste pneumónica.

Assim sendo, as pessoas que tenham estado na região de Irkutsk, na Sibéria, nos 14 dias anteriores, “devem declarar voluntariamente esta informação” à chegada a Macau e cooperar com os procedimentos de triagem médica, disseram na segunda-feira à noite os Serviços de Saúde (SS).

Em 5 de Outubro, a agência nacional de saúde pública da Rússia, Rospotrebnadzor, anunciou a morte de uma investigadora no Instituto de Investigação da Peste em Shelekhov, na região de Irkutsk.

Num comunicado, os SS indicaram que vão obrigar todos os viajantes a preencher uma declaração de saúde individual nas principais fronteiras de Macau. Qualquer pessoa que apresente sintomas suspeitos de “pneumonia de origem desconhecida” será “imediatamente transferida” para o hospital público “para avaliação e exames médicos adicionais”, garantiram os serviços.

Os SS prometeram “reforçar ainda mais o rastreio de saúde” nas fronteiras de Macau, através da monitorização da temperatura e a avaliação de saúde dos viajantes. As autoridades de saúde sublinharam que “o risco imediato que este incidente representa para Macau continua a ser baixo”, mas prometeram acompanhar de perto a situação e obter mais informações junto da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os SS admitiram que, “como o agente patogénico responsável pela morte da pessoa permanece por identificar, persiste a incerteza”. Horas antes, o Serviço para a Protecção da Saúde de Hong Kong tinha também anunciado um reforço dos controlos de saúde para quem chega ao aeroporto local vindo da Rússia.

Doente zero

A Rospotrebnadzor desmentiu rumores, surgidos nas redes sociais, que apontavam a morte de Daria Shipilova, de 28 anos, como um caso de peste pneumónica e indicou que detectou apenas dois casos de covid-19 e dois de infecção por rinovírus.

Inicialmente, a imprensa noticiou que a chamada “doente zero” contraiu a bactéria Yersinia Pestis, transmitida entre animais e humanos, na Tailândia, de onde a cidadã russa tinha regressado recentemente. O Departamento de Controlo de Doenças da Tailândia informou estar em contacto com a OMS, mas não confirmou a viagem da cidadã russa ao país.

A Rospotrebnadzor negou a ocorrência de qualquer acidente durante o manuseamento de microrganismos no instituto e salientou que a investigação confirmou o cumprimento de todos os protocolos durante o trabalho laboratorial. O organismo recordou ainda que a jovem estava vacinada e possuía uma forte imunidade contra possíveis infecções.

Por outro lado, acrescentou que Irkutsk não enfrenta riscos epidémicos e que já estão concluídas mais de 90 por cento das análises junto das pessoas que contactaram com a vítima.

Nos quase cinco mil testes, não foi encontrado “nenhum microrganismo patogénico perigoso”, facto sobre o qual a OMS teria sido devidamente informada, disse a Rospotrebnadzor. Mesmo assim, a OMS solicitou mais transparência para despistar riscos epidemiológicos.

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