Manchete SociedadeJogo | CLSA avisa que mais visitantes não se traduzem em receitas João Santos Filipe - 14 Out 2026 Apesar dos recordes de visitantes em Macau, nos casinos as receitas estão longe dos melhores dias. O problema explica-se com uma alteração do perfil dos turistas Apesar do aumento do número de turistas, as receitas do jogo estão em contracção, devido ao perfil dos novos visitantes. O cenário foi traçado pelo analista Jeffrey Kiang, ligado à correctora CLSA Ltd, num relatório citado pelo portal GGRAsia. Em termos da indústria do jogo, os melhores clientes dos casinos são os visitantes que pernoitam no território. Estes contrastam com os turistas que apenas passam umas horas em Macau, que entram e saem no mesmo dia, evitando passar a noite nos hotéis locais. No entanto, o número de visitantes que pernoitam está em quebra: “Em Julho e Agosto, os visitantes que pernoitam em Macau tiveram uma contracção de 2,5 por cento em relação ao ano anterior para 3,05 milhões”, indicou o analista Jeffrey Kiang. Em termos de receitas de jogo geradas por este tipo de visitantes, foi apontado que o número “permanece estável” em comparação com o ano anterior, pelo que a redução é explicada com a vinda em menor número de turistas que passam mais tempo nas mesas de jogo. “O total de visitas a Macau cresceu 4,5 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 8,02 milhões durante os meses de Julho e Agosto. Isso indica que um maior número de visitantes que ficam menos de um dia no território não se traduziu num aumento do total das receitas do jogo”, é constatado no documento da CLSA Ltd. Lucros com quebra Em relação ao terceiro trimestre, a CLSA Ltd prevê que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, na sigla inglesa) da indústria diminua 11 por cento, em termos anuais, para um valor inferior a 14,9 mil milhões de patacas. A previsão da correctora explica que a queda dos lucros acontece em simultâneo com a redução de cerca de 3,8 por cento das receitas do jogo no terceiro trimestre deste ano. No entanto, para as concessionárias, nem tudo foram más notícias e a sorte esteve do seu lado. “Os ventos contrários nas margens de lucro devem ser mitigados por uma taxa de retenção da casa no segmento VIP mais alta do que o normal”, foi indicado. Apesar destas variações, a correctora indica que os números apresentados não têm impacto nas previsões para este ano. “Não esperamos que os resultados do terceiro trimestre de 2026 alterem a nossa visão neutra sobre o sector nos próximos seis meses”. Todavia, o analista reconhece que a situação do mercado no pós-Semana Dourada vai ser crucial para as estimativas relativas ao próximo ano.