China / ÁsiaUE | Acordo sobre híbridos garante crescimento às empresas chinesas Hoje Macau - 13 Out 2026 A China defendeu ontem que o entendimento alcançado com a União Europeia (UE) sobre automóveis híbridos garante “espaço para as exportações” e um “crescimento estável” às empresas chinesas, apesar das restrições previstas por Bruxelas. O ministério do Comércio chinês respondeu assim a uma pergunta sobre notícias relativas aos limites quantitativos previstos no acordo, depois de a agência de notícias Bloomberg ter avançado que Bruxelas vai limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades anuais. A tutela afirmou que as duas partes mantiveram negociações “intensas” sobre veículos híbridos e eléctricos, no âmbito do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento, e que o resultado permitiu “evitar uma escalada” das tensões comerciais. Relativamente aos automóveis híbridos, o ministério destacou três princípios fundamentais: respeito pelos factos, não discriminação e cumprimento das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Pequim, as importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram de 107 mil unidades, em 2024, para 302 mil, em 2025. O entendimento toma como referência os valores de 2025 para estabelecer um mecanismo que permita aumentar as exportações e preservar as perspetivas de crescimento das empresas chinesas, acrescentou. O ministério do Comércio sublinhou que nenhuma medida deverá visar especificamente os produtos chineses ou tratar as empresas do país de forma “discriminatória”, garantindo que a quota atribuída à China “não será inferior” à de qualquer outro país exportador. Pequim advertiu ainda que reserva todos os seus direitos no âmbito da OMC, incluindo o recurso aos mecanismos de resolução de litígios ou a apresentação de pedidos de compensação comercial. Lei dos números A Bloomberg noticiou ontem que a UE prevê limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades no primeiro ano, numa medida que poderá entrar em vigor em 01 de Dezembro. A partir do segundo ano, o limite aumentará 6 por cento anualmente, segundo a agência. O plano vigoraria durante quatro anos e abrangeria todos os automóveis híbridos importados, e não apenas os chineses, para respeitar o princípio da não discriminação previsto nas regras da OMC. Na sexta-feira, após reuniões em Pequim com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e com o vice-primeiro-ministro He Lifeng, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que o entendimento sobre os híbridos abre a possibilidade de reduzir as exportações chinesas destes veículos para a UE “em mais de metade”. O responsável esclareceu, contudo, que o cálculo tem como referência um cenário sem alterações nas actuais tendências comerciais e abrange um período de quatro anos. Segundo Sefcovic, o acordo permitiria evitar a entrada de “vários milhões” de automóveis chineses no mercado europeu durante esse período, um número que considerou “significativo” para uma indústria automóvel europeia sob pressão. O comissário não revelou os detalhes do mecanismo, explicando que precisava primeiro de apresentar os seus parâmetros à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aos Estados-membros e aos líderes europeus, que deverão analisar o entendimento este mês, durante o Conselho Europeu.