Coreia do Norte | Exigido “maior respeito” de Seul para retoma do diálogo

A irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Yo-jong, exigiu que a Coreia do Sul demonstre “mais respeito” por Pyongyang caso pretenda retomar o diálogo entre os dois países.

“Se realmente desejam restabelecer as relações entre a RPDC e a Coreia do Sul, devem ter em consideração os sentimentos da outra parte em cada palavra e em cada acção, começando por demonstrar mais respeito, maior consideração sinceridade”, declarou Kim Yo-jong num comunicado divulgado pelos meios de comunicação oficiais, utilizando o nome oficial da Coreia do Norte – República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

A declaração surge depois de as Forças Armadas sul-coreanas terem exigido um pedido de desculpas a Pyongyang na sequência de explosões de minas que feriram três soldados sul-coreanos a 21 de Setembro na Zona Desmilitarizada (DMZ), que separa as duas Coreias. Seul acusa a Coreia do Norte de ter colocado as minas no lado sul da linha de demarcação, em violação do armistício que pôs termo à Guerra da Coreia (1950-1953).

Apesar deste incidente, o Governo sul-coreano liderado pelo Presidente Lee Jae-myung apelou, a 1 de Outubro, à Coreia do Norte para que “restabeleça a confiança e retome o diálogo”.

Pyongyang negou qualquer responsabilidade pelas explosões na DMZ. Kim Yo-jong, considerada uma das figuras mais influentes do regime norte-coreano, classificou o incidente como uma “encenação organizada pelo próprio Sul”. “À luz das acções das autoridades de Seul, tudo está repleto de julgamentos unilaterais, decisões unilaterais e anúncios unilaterais”, afirmou a irmã de Kim Jong-un. “Ou são politicamente imaturos, ou são verdadeiramente incorrigíveis, tolos por natureza”, acrescentou.

Posições imutáveis

Os contactos entre Seul e Pyongyang estão totalmente interrompidos desde o final de 2023, quando Kim Jong-un renunciou oficialmente a qualquer perspectiva de reunificação da Península Coreana e passou a designar a Coreia do Sul como o “principal inimigo”.

Desde então, a Coreia do Norte reforçou a posição na DMZ, uma zona-tampão com quatro quilómetros de largura e cerca de 250 quilómetros de comprimento. Pyongyang passou a considerar a linha de demarcação que atravessa a zona não como uma divisão provisória, mas como uma fronteira com um Estado hostil.

Desde que assumiu o poder em Seul, em Junho de 2025, Lee Jae-myung tem procurado reabrir canais de diálogo com o Norte, mas sem sucesso até ao momento. A “posição absoluta e imutável” da Coreia do Norte é que “não haverá qualquer intercâmbio, qualquer compromisso, nem sequer qualquer contacto presencial com a Coreia do Sul”, reiterou Kim Yo-jong.

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