Combustíveis | Ella Lei defende regresso de subsídios

A deputada dos Operários aponta que os preços dos combustíveis regressaram a valores muito altos, tal como em Abril, e defende que o Executivo deve voltar a subsidiar parte do preço da gasolina, gasóleo e gás de petróleo liquefeito

 

Face ao aumento recente dos preços dos combustíveis, a deputada Ella Lei defende o regresso do subsídio dos preços, como aconteceu entre Maio e Julho deste ano. O assunto consta de uma interpelação escrita que foi divulgada ontem pela legisladora ligada à Associação dos Operários.

Na interpelação, a deputada indica que os “preços de venda a retalho do gasóleo e da gasolina sem chumbo em alguns postos de combustível já se aproximam ou até ultrapassam o nível médio registado em Abril”, altura em que foi decidido o subsídio.

A deputada exemplifica que, a 3 de Outubro, o preço a retalho da gasolina sem chumbo em Macau oscilou entre 17,67 e 18,67 patacas por litro, enquanto o do gasóleo se situou entre 20,7 e 21,65 patacas por litro. Por sua vez, o preço da garrafa de 13,5 quilos de gás de petróleo liquefeito (GPL) aproximou-se das 350 patacas.

“Os preços dos combustíveis não só afectam directamente os custos de deslocação dos residentes e as despesas familiares, como também aumentam os custos operacionais de diversos sectores, tais como os transportes públicos, pesca, navegação, transporte de mercadorias, táxis e restauração, levando ao aumento dos preços gerais”, avisou.

“Tendo em conta o recente aumento dos preços desses produtos, irão as autoridades reavaliar a capacidade de suporte real e o impacto sofrido pelos residentes e pelos sectores económicos, estudando a reintrodução de medidas de subsídio a curto prazo direccionadas aos combustíveis e ao GPL?”, questionou.

Segundo o subsídio anterior, o Executivo cobriu o preço do gasóleo em 3,3 patacas por litro e o preço da gasolina sem chumbo em 1,5 patacas por litro. Em relação ao GPL, o subsídio foi fixado em 2,55 patacas por quilo.

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Ao contrário do que acontece noutras jurisdições, como em Hong Kong, na RAEM as autoridades não fazem uma actualização permanente das oscilações do preço dos combustíveis, nem explicam os factores que contribuem para os preços praticados.

Na interpelação, a deputada defende mais transparência num assunto com tanto impacto para a vida da população. “Irão as autoridades tomar como referência a página ‘Oil Price Watch’ de Hong Kong para, com base na divulgação diária já existente dos preços dos combustíveis e do GPL, pormenorizar ainda mais os gráficos de tendência e os dados históricos dos preços a retalho e promocionais em Macau, facilitando a comparação das variações de preço e o reforço da fiscalização por parte do público”, perguntou.

Além disso, Ella Lei defende a divulgação de mais informação sobre o impacto da subida do preço dos combustíveis nos outros bens consumidos e que também apresentam aumentos.

Pesca | Associações querem subsídio para combustíveis

A Associação de Auxílio Mútuo dos Pescadores de Macau e a Associação para o Desenvolvimento da Pesca no Oceano e de Proprietários de Barcos de Macau querem que o Governo subsidie os combustíveis.

A posição foi tomada durante um colóquio de intercâmbio com representantes da indústria piscatória de Hong Kong. Segundo um comunicado das associações, o aumento do preço dos combustíveis não afecta apenas Macau, mas também Hong Kong, com o custo do combustível a atingir o dobro do que acontecia no início do ano.

Por isso, as associações apontaram que, actualmente, muitos barcos de pesca de pequeno e médio porte já deixaram de sair para o mar, o que afecta directamente a subsistência das famílias.

Além disso, as associações observaram que o número de embarcações continua a diminuir e sublinharam que, para atrair as novas gerações para o sector, é necessário enfrentar a questão dos custos elevadíssimos. Nesse sentido, esperam contar com diferentes apoios governamentais que criem condições favoráveis ao desenvolvimento da actividade.

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