China / ÁsiaFretilin felicita acordo para compra de parte australiana do Greater Sunrise Hoje Macau - 29 Out 2026 O líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, felicitou ontem o acordo para aquisição pela Timor GAP da participação da empresa australiana Woodside no consórcio para explorar o campo de petróleo e gás Greater Sunrise. “Esta aquisição coloca Timor-Leste numa posição mais forte no que diz respeito ao desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, afirmou Mari Alkatiri, em comunicado divulgado à imprensa. O líder da oposição timorense salientou também que a aquisição é coerente com a exigência que fez enquanto primeiro-ministro de que, por uma questão de justiça, o gasoduto do Greater Sunrise deveria vir para Timor-Leste, depois de o gasoduto do Bayu-Undan ter sido construído para a Austrália. A petrolífera Woodside e a Timor GAP anunciaram na terça-feira a celebração de um acordo no valor de 200 milhões de dólares para a aquisição pela petrolífera timorense da participação da empresa australiana (33,44 por cento) no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise. A Timor GAP, que detém uma participação de 56,56 por cento, anunciou em Setembro a aquisição dos 10 por cento da japonesa Ozaka Gas. Quando os dois acordos estiverem finalizados, a Timor GAP passará a deter 100 por cento do consórcio para exploração do Greater Sunrise. “Uma participação de 100 por cento significa 100 por cento de responsabilidade, mas isto não implica que Timor-Leste seja agora o único decisor no desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, salvaguardou Mari Alkatiri. O líder da Fretilin explicou que o Tratado de Fronteiras Marítimas de 2018 entre Timor-Leste e a Austrália no Regime Especial do Greater Sunrise estabelece que qualquer desenvolvimento daquele campo de gás está sujeito a aprovação do Conselho de Governação, onde estão representados os dois países, que decide por consenso. Ou seja, segundo Mari Alkatiri, apesar de a Timor GAP passar a ser a “única titular de interesses, com 100 por cento de participação no Greater Sunrise, não detém o poder exclusivo de decidir sobre o desenvolvimento do campo”. Perigos à espreita No comunicado, o secretário-geral da Fretilin alerta também para o “perigo real” de o país “cair num abismo fiscal” e pediu prudência ao Governo na utilização dos recursos financeiros para evitar que o Greater Sunrise se “torne num fardo e uma maldição”. “A Fretilin considera que este é o momento oportuno para o Governo envolver todas as partes interessadas, de modo a garantir que o Greater Sunrise sirva de pilar para a diversificação económica com vista ao desenvolvimento sustentável e que não seja transformado numa mera mercadoria eleitoral”, acrescentou. Localizado no Mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico. Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.