Novo Bairro | Insatisfação com descontos e qualidade de construção

Obrigados a pagar o que consideram defeitos de construção e insatisfeitos com a política recente de descontos para novos compradores, alguns proprietários de habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, foram ao centro de vendas mostrar o seu estado de espírito

A qualidade de construção das habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, e a adopção de descontos para atrair novos compradores levaram alguns moradores a manifestar-se. Segundo vídeos partilhados nas redes sociais, cerca de 10 pessoas, algumas com máscaras e outras com bandeiras da República Popular da China, deslocaram-se ao centro de vendas do projecto, no outro lado da fronteira, a pedir explicações e a mostrar insatisfação.

Nas imagens é possível ver uma mulher, com a cara destapada, a mostrar-se insatisfeita com o facto de os moradores terem de pagar os reparos relacionados com defeitos de construção. “As janelas caem e as paredes apresentam fissuras, e temos de ser nós a pagar a reparação do nosso bolso porque nos dizem que o prazo de garantia das obras chegou ao fim”, criticou.

O Novo Bairro de Macau foi construído pela empresa Macau Renovação Urbana, uma entidade financiada a 100 por cento com capitais públicos. O empreendimento situado em Hengqin tem cerca de 4 mil habitações que apenas podem ser compradas por residentes.

Além das bandeiras, os manifestantes apresentavam ainda papéis com imagens de cebolinhas chinesas por se sentirem explorados. Na sociedade chinesa, a expressão remete para os pequenos investidores nas bolsas financeiras que são enganados ou explorados por grandes empresários, mas que mesmo assim não abdicam de defender os seus direitos. Todavia, a expressão evoluiu e deixou de ser utilizada apenas no contexto financeiro.

Gota de água

Na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a campanha de promoções “triplo incentivo”, que atribui aos novos compradores do projecto regalias na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e reduções das despesas com a gestão do condomínio.

Além disso, a empresa também anunciou que a venda dos apartamentos no projecto passa a poder ser feita por qualquer agente imobiliário, a troco do pagamento de uma comissão de três por cento. Até agora, apenas alguns agentes estavam autorizados a realizar as vendas.

No entanto, as medidas criaram insatisfação entre os manifestantes que acusam o Governo de ter faltado à verdade ao indicar que as suas compras foram feitas ao preço de construção. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, vê-se a mulher perguntar. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo?”, interrogou.

A mesma pessoa indica ainda que as vendas deste projecto dependem da credibilidade das autoridades e que estas acções prejudicam esse activo. O HM contactou ontem a Macau Renovação Urbana sobre o incidente, mas até ao fecho de edição não recebeu qualquer resposta.

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