Irão | Analistas apontam para maior espaço estratégico de Pequim

A guerra no Irão colocou a China numa posição complexa, oferecendo oportunidades diplomáticas e estratégicas, mas também riscos económicos e energéticos, segundo uma análise do instituto Brookings Institution, publicada na terça-feira.

Ryan Hass, investigador de política externa na unidade de investigação Centro John L. Thornton China, da Brookings Institution, que tem sede em Washington, afirmou que “os líderes chineses consideram as acções dos EUA no Irão como mais um espasmo violento de um sistema capitalista em declínio, projectando as suas contradições através do imperialismo e da guerra”.

“O principal interesse da China é manter aberto o caminho para a sua ascensão, com os EUA a constituir o principal obstáculo”, escreveu Hass no artigo – “A abordagem de Pequim ao conflito no Irão e as suas implicações para a China” -, que assina com outros quatro investigadores do Centro John L. Thornton China.

Pequim prefere assim “uma calma tensa com os EUA” e reage à guerra “sem mal-estar nem entusiasmo”, devido ao impacto económico e aos choques energéticos, observou Hass.

Yun Sun, investigadora não-residente do grupo de reflexão, observou que a China demonstrou “resiliência energética e das cadeias de abastecimento, graças a décadas de diversificação”, mas os custos são reais, como a queda de 25 por cento nas importações de crude do Golfo em Março de 2026. Sun acrescentou que Pequim “pode desempenhar um papel na reconstrução pós-conflito do Irão, dadas as opções limitadas de parceria de Teerão”.

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