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Macau e Hong Kong preparam-se para receber o super tufão “Mangkhut” este fim-de-semana, enquanto outras seis tempestades espalham o pânico em zonas costeiras problemáticas dos oceanos Pacífico e Atlântico. Ágata Alveirinho Dias, da Universidade de São José, nota um incremento de tufões e furacões devido ao aquecimento global

 

Otufão “Bajirat” perdeu força e não chegou, sequer, a ser içado o sinal 8 em Macau, mas o Mar do Sul da China já está a preparar-se para a chegada daquele que é considerado um super tufão, de nome “Mangkhut”. Contudo, esta não é a única tempestade tropical multiplicar preocupações neste momento, uma vez que mais seis deverão causar estragos nas zonas do Atlântico e Pacífico.

Um deles é o furacão “Helene” que, de acordo com previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), deverá afectar todas as ilhas dos Açores. O “Helene” deve chegar ao arquipélago amanhã, esperando-se que os seus efeitos se sintam em todas as ilhas, especialmente no grupo ocidental.

“O furacão está a deslocar-se para norte a 20 quilómetros por hora, prevendo-se que diminua de intensidade durante quinta-feira [ontem], passando a classificar-se como tempestade tropical. De acordo com a previsão, é provável que as ilhas do grupo ocidental [Flores e Corvo] comecem a sentir os efeitos desta tempestade, a partir da tarde de sábado”, refere o comunicado do IPMA, citado pela agência Lusa.

A partir da tarde de amanhã far-se-á sentir nas ilhas um “vento muito forte do quadrante sul com rajadas até 120 quilómetros por hora, chuva forte e ondas do quadrante sul entre 6 a 8 metros de altura” nas ilhas Flores e no Corvo.

“Nas restantes ilhas do arquipélago também se prevê um agravamento do estado do tempo, devido à passagem da tempestade tropical, no entanto será de forma menos significativa”, acrescentou o IPMA

Para as ilhas do grupo central – Faial, Pico, Terceira, Graciosa e São Jorge – está previsto vento forte do quadrante sul com rajadas até 80 quilómetros por hora e períodos de chuva forte, enquanto no grupo oriental – São Miguel e Santa Maria – é expectável vento do quadrante sul moderado a fresco com rajadas até 50 quilómetros por hora e períodos de chuva forte.

“Joyce” é o nome da tempestade subtropical que também se está a formar no oceano Atlântico. De acordo com informações anunciadas esta quarta-feira pelo Centro Nacional de Furacões norte-americano, o “Joyce” começou por não constituir uma ameaça para terra, esperando-se novos desenvolvimentos no dia de ontem. A tempestade “Isaac” também se encontra em formação no Atlântico e que deverá dirigir-se para a zona da América Central.

Estados Unidos à espera

Mais grave será o furacão Florence, que pode deixar 2,4 milhões de pessoas sem energia nos Estados Unidos, anunciaram esta quarta-feira meteorologistas da Universidade de Michigan, acrescentando que algumas interrupções poderão mesmo ser prolongadas.

Seth Guikemam, professor associado no Michigan, afirmou que as interrupções podem ser mais generalizadas se o furacão Florence virar para o norte ou parar, levando a inundações. As estimativas são baseadas na previsão do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos em relação à rota e à velocidade do vento.

A porta-voz da Duke Energy, Grace Rountree, disse que a empresa está a antecipar problemas que possam ocorrer com “um furacão desta magnitude”.

Grace Rountree afirmou que a empresa está a levar cerca de 2000 trabalhadores de outros locais para aumentar os 4.600 funcionários que tem na Carolina do Norte e na Carolina do Sul. A Duke Energy tem cerca de quatro milhões de clientes nestes dois estados. As companhias aéreas estão também a começar a cancelar voos devido à chegada do furacão Florence.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Governo federal está “absolutamente, totalmente preparado” para responder ao furacão Florence, que chegou a alcançar a categoria 4 (na escala de Saffir-Simpson, composta por cinco níveis, com ventos até 220 quilómetros/hora) e dirige-se para a costa leste dos EUA.

Trump declarou estado de emergência na Carolina do Norte e Carolina do Sul, o que permite libertar meios de agências federais. O Florence, que já obrigou à retirada de mais de um milhão de pessoas, pode ser um dos furacões mais destruidores das últimas décadas na costa atlântica dos Estados Unidos, alertaram especialistas. Depois de ter passado pelas Bahamas e Bermudas, o Florence, que promete trazer “cheias catastróficas e colocar vidas em risco”, vai atingir a costa norte-americana. Chegou a atingir o sinal 5 ao nível das categorias de furacões, tendo descido para sinal 2, mantendo-se, contudo, as piores previsões ao nível dos estragos em terra.

No Pacífico esperam-se o furacão Olívia, que deverá chegar ao Havai, e o ciclone subtropical Paul, que vai atingir a costa oeste do México.

Ágata Alveirinho Dias, docente do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, referiu ao HM que a ocorrência de mais tempestades tropicais está relacionada com o aquecimento global.

“Como os oceanos têm vindo a aquecer, isso faz com que nas alturas mais quentes do ano haja mais evaporação. Quando isso acontece, facilmente se formam tufões e furacões. Estas tempestades acontecem num período normal, mas pelo que tenho visto parece haver um pequeno incremento, e que poderá estar relacionado com o aquecimento da água dos oceanos.”

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