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Heidi Li cresceu a ouvir e cantar ópera cantonesa, uma paixão que herdou dos pais. Aos 17 anos, a cantora sai de Hong Kong para estudar. Vive no Canadá, Reino Unido, França até se fixar em Itália. A vida que levou está na génese do EP “Third Culture Kid” que pode ser escutada ao vivo, em três línguas, no domingo às 19h no What’s Up POP UP, na Calçada do Amparo

Ao longo da história da música, e das artes no geral, a fusão de influências tem sido um motor criativo que nos trouxe revoluções como o rock n’ roll, o punk e o jazz. É frequente que na génese destas correntes estejam pessoas que também são elas próprias resultado de fusão cultural. Heidi Li é a personificação desse tipo de caleidoscópio cultural. A cantora sobe ao palco do What’s Up POP UP no domingo, às 19 horas, para um concerto onde vai interpretar músicas do disco “Third Culture Kid” e a adaptação de “belíssimas músicas de folk italiano”. Em palco estará um pianista e Heidi Li a cantar em três línguas.

O trilinguismo surge natural para quem teve o percurso que a cantora teve. Começou cedo, com apenas três anos de idade, a cantar ópera cantonense, algo que aconteceu porque era o que se escutava em casa. “Ouvia essa música a toda a hora porque é uma paixão dos meus pais, até que um dia me levaram a um ensaio com orquestra”, conta. Esse episódio demarca-a da maioria dos comuns mortais, não é qualquer pessoa que tem a hipótese de actuar informalmente com uma orquestra. “Ajudou-me a construir a confiança para cantar em público, algo que se tornou muito natural para mim. Quando tinha 4 ou 5 anos os meus pais incentivaram-me a cantar, era como um jogo para mim, era divertido. Acho que nunca fui tímida em relação a cantar em público”, conta.

Aos 17 anos, Heidi Li deixou Hong Kong e partiu mundo fora para estudar. O primeiro destino foi o Canadá, seguindo-se o Reino Unido e a França, até se fixar em Perúgia, em Itália.

Più Bella

Itália trouxe ao de cima a cantora que havia dentro de Heidi Li. Mudou-se para Perúgia em 2010, quis o destino que a sua casa se situasse em cima de um clube de jazz. “Conheci alguns músicos locais e foi assim que as coisas começaram, fazíamos algumas jams sessions, fui aprendendo e nasceu a vontade de fazer algo sério”, conta.

Em Maio lançou o seu primeiro disco, um EP, intitulado “Third Culture Kid”, um termo para designar quem nasceu no seio de uma família multicultural e que vive num país onde se fala uma terceira língua. “Tenho tido sempre a influência directa de diferentes culturas e esse álbum reflecte esse multiculturalismo, com músicas cantadas em inglês, cantonense e italiano”, revela.

As viagens que faz são uma inevitável fonte de inspiração para a cantora. De momento, Heidi Li anda em tourné com um projecto chamado “Heidi sings in all italian dialects”, que fará parte da performance que traz a Macau no próximo domingo. O projecto começou por ser uma ideia pensada para o Youtube, com a cantora a viajar pelo culturalmente assimétrico território italiano e a colaborar com artistas locais. “Viajei por Itália e cantei nos dialectos locais músicas de folclore dessas terras, também com músicos locais”, explica. O objectivo da cantora é transformar esta experiência e estes episódios do seu canal de Youtube num disco, que a natural de Hong Kong espera poder gravar assim que regressar a Itália, no próximo Verão. Para já, essas músicas ganham vida em palco através de uma rearranjos para voz e piano.

Apesar do contexto muito etnográfico como começou a sua carreira musical, Heidi Li tem um gosto ecléctico que extravasa em muito o jazz clássico, apesar do amor a Bill Evans. Na aparelhagem da cantora tem-se tocado muito Dhafer Youssef, um músico tunisino que descobriu ao vivo em França. Além disso, Heidi Li tem mantido um vício auditivo com a música da baixista e cantora norte-americana Esperanza Spalding e a banda de neo-soul australiana Hiatus Kaiyote.

As notas da multiculturalidade vão soar no final da tarde de domingo na Calçada do Amparo.

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