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“A Linguagem e a Arte de Xu Bing” é a exposição da vida do mestre chinês da gravura, caligrafia e instalação. A mostra estará patente no Museu de Arte de Macau até ao dia 4 de Março e oferece ao público uma visão sobre os trinta anos de um dos artistas chineses mais influentes da actualidade

Xu Bing é um artista singular que, além do fascínio pela linguagem e a caligrafia chinesa, gosta de incorporar o mundo na sua criação e colocar em confronto a arte contemporânea e a criação com raízes mais clássicas. Na sequência dos protestos da Praça de Tiananmen de 1989, o artista aproveitou uma bicicleta espalmada pela passagem de um tanque e incorporou-a numa mostra que deu pelo nome de “Background Story”. Outro dos “itens coleccionados”, como lhe chama, foi pó resultante da queda das Torres Gémeas depois do ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001.
Aliás, a instalação em que Xu Bing utilizou a bicicleta espalmada foi interpretada como uma crítica ao Governo de Pequim, o que originou um crescendo de pressão sobre o artista que o levaria a fugir do país, e a exilar-se nos Estados Unidos, em 1990.
No fundo, as criações do chinês não fogem a temas fracturantes, ao longo de uma carreira de 30 anos onde a hibridização e a multiplicidade são aspectos chaves da criação artística.
A exposição “A Linguagem e a Arte de Xu Bing” reúne o melhor da obra do artista. O público que se deslocar ao Museu de Artes de Macau terá uma visão do processo criativo do chinês, as experiências e esboços da sua produção que demonstram o seu raciocínio e lógica.
Uma das obras em destaque, e que foi comissionada pelo museu, é a “Viola Chinesa”, um trabalho no qual o artista recorre ao tema “Caligrafia das Palavras Quadradas” para transcrever um excerto de um poema de Camilo de Pessanha como o mesmo nome.

Pintar a língua

A exposição reúne ainda esboços, notas e trabalhos de menor escala, onde se incluem “Livro do Céu”, “Um Estudo de Caso sobre Transferência” , “Caligrafia de Palavras Quadradas”, “Livro da Terra”, “Escrita de Paisagem” , “‘Projecto da Floresta’ – Série da Floresta IV”, “Rolo de Paisagens do Jardim da Semente de Mostarda” e “O Carácter dos Caracteres”.
O mestre da gravura, caligrafia e instalação é professor associado da prestigiada universidade norte-americana Cornell University e foi vice-presidente da Academia Central de Belas Artes da China.
Assim que começou a sua carreira, Xu Bing deixou bem evidente o fascínio pelos caracteres chineses, sobretudo do ponto de vista da reflexão entre forma e significado. Essa tensão está no cerne dos seus trabalhos, principalmente na maneira como o artista apreende os objectos do quotidiano, o que origina debates constantes que extravasam a apreciação artística e entram em discussões sobre a civilização contemporânea.
Com mais de 30 anos de carreira, Xu Bing é um artista cuja criação se mantém fresca e actual.
A exposição estará patente até 4 de Março. Quem se deslocar ao Museu de Arte de Macau aos sábados, domingos e feriados tem visitas guiadas das 15h às 16h no segundo piso do museu.

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