Inglês | Deputados não o querem como língua oficial, mas pedem promoção

Encontrar um “enquadramento legal” para o Inglês de modo a facilitar traduções de documentos e evitar atrasos é uma sugestão deixada por deputados, que dizem que o Governo concorda com uma maior preponderância da língua de Shakespeare em Macau. A ideia não é transformar o idioma numa língua oficial, mas sim dar-lhe mais importância

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]questão de dar mais importância ao Inglês já levou a alguma discussão mais que uma vez, mas uma notícia avançada ontem pelo diário Ponto Final referia que um dos pontos constantes do relatório da Comissão de Acompanhamento das situação das Obras do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas era precisamente a transformação da língua inglesa num idioma oficial. Ho Ion Sang, presidente da Comissão, desmente contudo essa intenção: não explica exactamente o que quer dizer com “enquadramento legal”, mas assegura que a ideia é apenas promover a língua.
No documento, assinado pela totalidade dos deputados da Comissão e que ilustra alguns dos problemas associados às demoras do projecto de serviços de saúde da Taipa, pode ler-se que “o Inglês não tem estatuto legal em Macau, por isso, as opiniões em Inglês podem ter problemas de tradução”. A afirmação segue uma explanação relativa a consultas externas que têm sido feitas dentro do projecto e o relatório refere que é sugestão da Comissão “o incentivo a uma maior utilização da língua inglesa, ponderando a atribuição de um estatuto legal a esta língua”. Algo que poderia ter sido entendido como tornar a língua num idioma oficial, mas que Ho Ion Sang rejeita.
“Não me lembro de quem propôs a ideia, mas foi um deputado que reparou que, durante a tradução de algumas palavras de uma companhia de consultaria, existiam problemas na tradução de Inglês para as línguas legais. Se se mudou para uma companhia de Hong Kong [na consultoria] também é porque as nossas culturas são semelhantes, mas ele não quer dizer que quer tornar o Inglês como língua oficial. O que há é o desejo de, como o Inglês é agora a língua internacional, é necessário ter em conta a sua popularização e futura promoção”, explicou ao HM.

Especial mas nem tanto

Em resposta, segundo ainda os deputados, o Executivo admitiu que “o Inglês deve ter uma maior preponderância” no território. Ao que o HM pôde apurar, há efectivamente um consenso quanto à importância do Inglês em Macau, como em qualquer outro país, uma vez que é a língua considerada internacional. Mas, a possível moldura legal proposta não é, para analistas, necessária.
Melinda Chan, deputada que integra a Comissão que sugere esta legalização, afirma veemente que “as línguas a ter em conta na RAEM são efectivamente o Chinês e o Português”. Na sua opinião, “já há muita gente também fluente em Inglês”, mas não seria sequer bom para Macau considerar oficialmente a língua inglesa. O Inglês é usado na RAEM mas, essencialmente, em empresas privadas, como língua interna, adianta a deputada.
A presidente da Casa de Portugal, Amélia António, confessa ter ficado surpreendida, se de facto a intenção é criar um enquadramento legal.
“Se há instituições de que se dedicam ao ensino de línguas, não entendo porque é uma Comissão de Acompanhamento de um outro assunto é que vem fazer sugestões deste tipo.”
Para a dirigente da Casa de Portugal em Macau não são claros os fundamentos para este tipo de sugestão. O Inglês é de facto uma língua importante, considera Amélia António, “porque é a língua dos negócios”. Mas há um senão. “Quando temos duas línguas oficiais e uma delas é sistematicamente menosprezada e maltratada não entendo como é que se pretende dar a uma terceira língua um estatuto especial.”

Prioridade aos da casa

Outra questão levantada por Melinda Chan é a prioridade que deve, antes de mais, ser dada ao Português. “Mesmo enquanto legisladora encorajo os jovens ao estudo do Português”, admite ao HM.
Para a deputada é claro que é a língua de Camões que dá a Macau a “sua especificidade”. Enquanto plataforma sino-portuguesa, Macau é diferente de todas as regiões, o que é “uma coisa boa e é uma característica a manter”.
Também para Amélia António “prioritário é tratar a língua que é realmente oficial, como deve ser tratada”. A plataforma tantas vezes badalada é também chamada a discussão pela advogada. Falar-se do Inglês é “remar contra a maré numa altura em que se continua a falar sistematicamente em Macau como plataforma nomeadamente entre a China e os países de língua portuguesa”, sendo a tónica da necessidade a criação de condições “para que isso seja realidade”.
Não está em causa a necessidade de melhorias do ensino de outras línguas no território, nomeadamente da língua inglesa. No entanto, Melinda Chan considera ainda que “não só o ensino do Inglês, mas também o ensino do Português deve ser melhorado”. A escassez de professores de Língua Portuguesa em Macau não é admissível para a deputada, que ilustra a situação com o facto de “até na China continental haver mais pessoas a falar fluentemente Português do que em Macau”.
Amélia António também partilha da opinião de Melinda Chan: não está em causa o ensino do Inglês, que já é prática corrente em grande parte das escolas, mas o facto de a língua oficial “não ser tratada como deveria ser e é essa a prioridade”.

Um bocadinho mais

Dar mais importância ao ensino do Inglês faz sentido para o sociólogo e ex- professor de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Larry So. Mas, para o académico, RAEM e RAEHK são diferentes e cada uma tem as suas particularidades histórico-culturais que devem ser respeitadas.
O uso do Inglês em questões públicas também é questionável, ainda que necessário. Tendo em conta as afirmações de José Pereira Coutinho, deputado e dirigente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), “se Macau quer, de facto, internacionalizar-se, é evidente que a língua inglesa é um pressuposto fundamental para a consolidação das estruturas de uma cidade que pretende atrair turistas de outras partes do mundo”, como afirma peremptoriamente ao HM. Na sua opinião, é indubitável o maior reconhecimento que é dado à língua inglesa, sendo que o deputado destaca que é preciso ter em conta os investimentos que colocam muitas vezes os interessados em confronto com a barreira da língua.
“Uma das línguas oficiais é o Chinês, que não é acessível a muitos, e a outra é o Português que tem as mesmas características ao nível da acessibilidade para os estrangeiros no geral”, ilustra José Pereira Coutinho. O facto dos serviços públicos também só utilizarem as duas línguas oficiais também poderia na opinião do dirigente associativo, “ser revisto, nomeadamente no que respeita a politicas de sinalização”. Coutinho admite que por parte destes serviços tem “existido um esforço para disponibilizar informação nos meios, nomeadamente online, que já utilizam uma versão inglesa”.
Por outro lado, o deputado destaca ainda a vertente oficial de uso de línguas. “Muitos dos documentos que chegam a Macau provindos do estrangeiro carecem de uma tradução oficial para as línguas da região”, afirma, e “é por isso que existem os tradutores habilitados”. No entanto estes profissionais ainda são em número reduzido e não têm mãos a medir para “dar conta do recado e traduzir devidamente a quantidade enorme de documentos”.
O deputado é a favor de aumentar a utilização da língua inglesa nomeadamente no que respeita aos serviços públicos, à sinalização e indicações nas ruas, à semelhança do que se faz noutras partes do mundo. “Há margem de manobra e campo para investir para que a língua inglesa seja mais levada em consideração na RAEM”, remata.
O HM tentou averiguar junto do Executivo acerca do que que planeia vir a fazer acerca desta matéria, no entanto não obteve qualquer resposta até ao final da edição.

17 Ago 2016

Olímpicos | Recordes batidos, portugueses fora das medalhas e o reconhecimento de Usain Bolt

O nono dia de provas nos Jogos Olímpicos do Rio não deu sorte aos atletas portuguesas. As esperanças na maratona foram logradas, restando a persistência de Dulce Félix que terminou em 16º lugar e salvou a honra do convento. Sara Moreira e Jéssica Augusto desistiram da competição devido a lesões. A prova foi ganha por Jemina Sumgong, do Quénia. No triplo salto Patrícia Mamona bateu o recorde nacional, alcançando o sexto lugar na competição

[dropcap style=’circle’]S[/dropcap]ara Moreira, campeã europeia da meia maratona, garantiu estar a cem por cento sempre que questionada sobre os efeitos que a “pequena inflamação na zona do osso” poderiam ter no seu desempenho. No domingo, a atleta do Sporting abandonava a prova sem sequer ter completado sete quilómetros, saindo assim da sua terceira participação olímpica, sem glória.
Jéssica Augusto também abandonou a corrida devido a uma forte dor na virilha. A atleta tinha sido sétima classificada em Londres 2012.
Dulce Félix manteve-se na prova e apesar do intenso calor cumpriu à risca o plano traçado, mantendo a passada e crescendo ao longo do percurso. Terminou na 16ª posição, a 6.35 minutos da vencedora Jemina Sumgong, do Quénia. A maratonista portuguesa tinha ficado no 21º lugar em Londres, subiu agora cinco lugares.
Sumgong que fez o tempo de 2,24,04, não era uma desconhecida, mas foi com surpresa que a atleta foi batendo, na parte final da corrida, outras mais cotadas como Eunice Kirwa, do Bahrain, (2.24.13) e sobretudo a etíope Mare Dibaba (2.24.30), respectivamente segunda e terceira classificada.

O relâmpago Bolt

O atletismo concentra nomes maiores do desporto e um deles é Usain Bolt. No domingo voltou a reforçar a razão pela qual é um dos grandes, ao conquistar pela terceira vez a medalha de ouro nos 100 metros na final do Rio 2016. Um feito inédito.
Com efeito, o norte-americano Justin Gatlin partiu melhor e chegou a dar a sensação de que ia ganhar, mas depois viu o relâmpago Bolt passar e acabou em segundo, com 9,89, à frente do canadiano Andre de Grasse (9,91).
Mas há mais recordes. O sul-africano Wayde van Niekerk, que fez 43,03 segundos nos 400 metros. O atleta de 24 anos corre também na prova dos 200 metros. Van Niekert ‘destroçou’ por 15 centésimos um recorde que já tinha 17 anos, conseguindo assim um dos melhores registos do atletismo no século XXI.

Murray revalida título

No ténis, foi preciso esperar mais de quatro horas para que se definisse o desfecho da final entre o britânico Andy Murray e o argentino Juan Martin del Potro.
Murray tornou-se no primeiro tenista a conservar o título, mas Del Potro, que no torneio afastou o sérvio Novak Djokovik e o espanhol Rafael Nadal, deu-lhe muito que fazer. O britânico derrotou del Potro em quatro sets, pelos parciais de 7-5, 4-6, 6-2 e 7-5.
A modalidade coroou também mais dois pares, na sua jornada final: as russas Ekaterina Makarova e Elena Vesnina em pares femininos, e os norte-americanos Bethanie Mattek-Sands e Jack Sock, em pares mistos.

Biles soma pontos

Depois de ajudar os Estados Unidos no triunfo colectivo de ginástica desportiva e de conquistar o concurso completo individual, Biles foi a melhor no salto de cavalo e promete continuar.
Este domingo a jovem texana de 19 anos, tornou-se a primeira afro-americana a sagrar-se campeã, chegou aos 15,966 na final de aparelho muito à frente da russa Maria Paseka (15,242).
Biles deixou escapar uma das finais por aparelhos, as paralelas assimétricas, onde é mais fraca, que ficou para a russa Alya Mustafina, a revalidar assim o seu título olímpico e a conseguir a sétima medalha da carreira.

Prova de vida

A portuguesa Patrícia Mamona disse no domingo estar orgulhosa por ter feito a prova da sua vida no triplo salto, na qual foi sexta classificada, com novo recorde nacional.
“Foi a prova da minha vida”, afirmou Patrícia Mamona, após alcançar um novo recorde nacional, com 14,65 metros.
Apesar do sexto lugar, a atleta do Sporting acreditou sempre que podia chegar a uma medalha, mas mesmo não conseguindo, disse estar “muito orgulhosa” do seu trabalho e do treinador. “Senti muito o apoio do público, queria mais como é óbvio, queria ser a menina bonita que ganhou uma medalha, mas fui a menina que fez o recorde pessoal”.
Susana Costa também estava satisfeita com a sua prestação que lhe valeu o nono lugar. A atleta, que saltou 14,12 metros, disse que “foi uma final boa. É pena ter entrado com dois nulos, mas estou feliz com a minha prestação”, afirmou a saltadora, de 31 anos, depois de concluída a sua estreia em Jogos Olímpicos.
A colombiana Caterine Ibarguen venceu a prova com 15,17 metros, seguida pela venezuelana Yulmar Rojas, com 14,95, e pela cazaque Olga Rypakova, com 14,74.

Derrota lusitana

A portuguesa Telma Santos somou no domingo a terceira derrota em outros tantos encontros no torneio de badminton, ao despedir-se com novo desaire frente à belga Tan Lianne, por 2-0. Também Pedro Martins tinha sido eliminado ao sofrer a segunda derrota no torneio, perante Ka Long Angus NG, de Hong Kong, por 2-0.

Trigémeas em estreia

Nascidas no dia 15 de Outubro de 1985, na Estónia, Leila, Liina e Lily Luik foram as primeiras trigémeas a participarem nuns Jogos Olímpicos. Lily foi a melhor das três, terminando na 97.ª posição depois de percorrer os 42,195 quilómetros em 2:48.29 horas, a mais de 24 minutos da vencedora, a queniana Jemina Sumgong. Leila, a trigémea que partia com a melhor marca, foi 114.º classificada, e Liina desistiu pouco antes da passagem aos 20 quilómetros.

16 Ago 2016

Função Pública | Leong Veng Chai quer acesso as exames individuais

Não chega o acesso em grupo a exames de saúde e não chegam exames iguais para todos os funcionários públicos. É o que diz Leong Veng Chai, que pede a revisão do sistema ao Governo

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]deputado Leong Veng Chai quer que os funcionários públicos tenham acesso a exames psicológicos no Plano de Exames Médicos para os Trabalhadores dos Serviços Públicos. O pedido foi feito numa interpelação oral apresentada na semana passada pelo deputado, número dois de José Pereira Coutinho no hemiciclo, que frisou ainda a necessidade de se implementar exames individuais.
Leong Veng Chai relembra que desde 2007 que está em funcionamento o Centro de Exame Médico para Funcionários Públicos, cujo intuito é oferecer exames físicos adequados aos trabalhadores dos serviços públicos, “a fim de garantir a sua saúde física e psicológica”.
O Centro assegura a prestação de um exame médico periódico aos trabalhadores, bem como formações sobre cuidados de saúde e doenças crónicas. Contudo, as regras implicam que os exames sejam feitos de forma colectiva, sendo que cada serviço tem de inscrever os seus funcionários. Mas este não é o único problema levantado pelo deputado.
“Quanto aos detalhes do exame, os itens são uniformes para todos os trabalhadores e, independentemente do tipo de funções que asseguram, são todos submetidos ao mesmo exame. O que merece atenção é que são cada vez mais os trabalhadores que dizem que estão com pressão no trabalho, pois têm de fazer face a determinados desafios e diferentes tipos de críticas dos cidadãos, mas veja-se o exame que é facultado: não lhes disponibilizam qualquer auxílio psicológico ou apoio básico para o exercício de funções”, atira Leong Veng Chai.
O deputado, que foi funcionário do Estabelecimento Prisional de Macau e faz parte da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, considera que é preciso, para alguns trabalhadores com cargos mais intensos, exames individuais “excepcionais e específicos consoante as funções”. Por exemplo, exames a lesões musculares e de saúde psicológica são algumas das ideias que o deputado sugere ao Governo.

16 Ago 2016

Jogo | Campeonatos online “podem ser via” para a diversificação

A inclusão de jogos online na diversificação das actividades turísticas de Macau e por parte dos casinos é uma ideia a considerar por parte da Associação Grow Up eSports. Se noutras paragens o jogo no ecrã é um desporto a ter em conta, em Macau não é reconhecido como tal. Um negócio de milhões, com profissionais qualificados e uma modalidade ainda sem concepção legal ou operacional para integrar o negócio dos casinos, mas que não deixa de dar cartas

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]s jogos online são actualmente uma indústria de milhões. Milhões em gente e dinheiro. Já há atletas dos ecrãs e equipas especializadas. Para uns é um desporto, para outros nem por isso, mas na RAEM as cartas estão dadas para que, no futuro, se abram portas a uma actualização da indústria do Jogo e do Turismo.
Em Macau há pelo menos uma entidade empenhada em fazer valer uma nova modalidade na caminhada para a diversificação do turismo e das áreas associadas ao Jogo. Numa sociedade cada vez mais ligada à rede, e em que a vida física dá tantas vezes lugar a uma outra dentro de ecrãs, a Associação Grow Up eSports quer abraçar esta nova tendência no seu lado “saudável”. A Associação sem fins lucrativos, “filha” da homónima em Portugal, tem como objectivo “o desenvolvimento de actividades atentas às novas tendências e que promovam as preferências de entretenimento digital de uma comunidade maioritariamente jovem, incentivando a participação em eventos sociais e competitivos”, como afirma o presidente, Fernando Pereira, ao HM.
A Grow Up eSports, que teve início em terras lusas em 2002, conta por lá com cerca de mil membros e é reconhecida oficialmente pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) “como uma das Associações mais inovadoras de Portugal”. Em Macau, a competição virtual ainda está longe de ser vista como uma actividade desportiva, muito menos capaz de colocar desporto e Jogo no mesmo saco. Em resposta ao HM, o Instituto do Desporto (ID) afirma que “a prática do desporto visa a promoção da saúde física e mental enquanto que o Jogo pode trazer efeitos adversos à mesma”, lê-se.
No entanto, Fernando Pereira juntou-se a Frederico Rosário, membro da Associação, e os dois estão de mãos na massa. Para o presidente é claro que “a tendência dos Desportos Electrónicos como nova forma de entretenimento é inquestionável”. Numa actualidade em que o tempo dos mais jovens é passado em grande parte a jogar Playstation, telemóvel ou computador, é altura de assegurar que esta prática – em vez de acrescentar maleitas sociais – possa entes representar, com a ajuda de entidades como a Grow up, uma prática “saudável e que os benefícios da mesma sejam devidamente aproveitados”.

Perícia VS Sorte

De modo a diversificar também o público e o leque de apostadores daquela que é a indústria rainha da RAEM, Fernando Pereira realça que “as apostas em eSports já estão a começar a ser vistas como uma alternativa às tradicionais slot-machines”. Para o presidente da Associação de jogos online esta é uma área que pode vir a colorir com outros tons não só o tipo de apostas no Jogo, como ainda vir a representar uma área apelativa para faixas mais jovens, sendo que “além de serem acerca de jogos que os próprios jogam ou seguem em casa, são totalmente dependentes de habilidade e não do acaso”.
Também é baseado na habilidade que Frederico Rosário fala ao HM. Para além de membro da Associação, Frederico é um jogador. “Não sou profissional, sou um jogador amador”, apresenta-se. No entanto também lhe é óbvio que “enquanto nas máquinas, que já nem dão moedas mas sim o recibo para quem ganha, o apostador apenas depende da sorte, se falarmos de jogos online não estamos a apostar nas habilidades dos jogadores que são conhecidos”.
Para Frederico Rosário os jogos agora implicam aptidões de processamento cognitivo. “Já não é como no Super Mário”, jogo em que deu os primeiros passos na consola. “Os jogos agora podem incluir cerca de 780 acções por minuto”, diz, enquanto ilustra a complexidade que se vive no mundo virtual. Num minuto, o jogador tem que falar com a equipa de que faz parte e fazer um número de acções conjugando os instrumentos de que dispõe para atingir os objectivos.

Outros hábitos

Frederico Rosário é filho de um engenheiro e lembra-se de, aos dois anos, o pai “ter comprado a máquina” com que jogava na altura Super Mário. Se hoje em dia os jogos são muitas vezes apontados como alguma conotação anti-social, dado o número crescente, apesar de indefinido, de jovens que cada vez mais se fecham nos seus quartos ligados à rede, para este jogador o contentamento não é disfarçado quando fala nos tempos de meninice.
“Quando havia tufões os miúdos juntavam-se todos a jogar.” Agora esta vertente social acontece de outra forma. “Enquanto jogamos em rede não são raras as vezes em que acabamos por partilhar com os outros elementos da nossa equipa o que nos vai acontecendo na vida”, afirma o jogador. Por outro lado, Fernando Pereira refere ainda que, ao trazer os jovens para competições destas modalidades online, também se está a trazer estas pessoas para o convívio social.

Um desporto para fazer vida

Frederico joga por lazer mas também começa a participar em torneios. Em vésperas de competição em Hong Kong, já considera que “se passar a primeira etapa já é um vencedor”. Também é de vencedores que se trata quando se fala das competições online dirigidas por profissionais. “Cada vez mais se pode viver de jogos online.”
Em Macau já há quem o faça e participe nas equipas da China. E não se está a falar de tostões de ordenado. “São pagos cinco ou seis milhões ao ano”, afirma o jogador. No mundo da rede, que não se vê, existem equipas – como a Coreia do Sul, por exemplo – que, tal como no futebol, “roubam os melhores jogadores com contratos mais prometedores. “Quem é bom vai sendo contratado por equipas que pagam cada vez mais”, ilustra.
Para Frederico é como qualquer outro desporto. Há treinadores, equipas e mesmo nutricionistas e psicólogos para manterem em forma estes atletas virtuais. “Macau costuma ser mais lento do que os outros”, afirma, e a Grow Up quer trazer as modalidades para serem por cá disputadas como se faz nos outros sítios. “Acho que um dia o ID vai ver o nosso trabalho e reconhecer que somos uma Associação de desporto”, afirma o jogador.
Trazer a Macau cada vez mais eventos dentro dos parâmetros das competições online e com eles atrair os vizinhos espectadores da Coreia do Sul, China e Japão e das regiões de Taiwan e Hong Kong é um objectivo mais que definido da Associação. Tal como nos desportos com atletas de carne e osso, também aqui uma “grande maioria dos entusiastas destes jogos gosta de assistir aos seus ídolos jogar, tal como acontece em qualquer outra modalidade desportiva”, afirma Fernando Pereira.

Casinos de olho aberto

Frederico Rosário refere ainda que o MGM Cotai já pensou nesta área e o Studio city também estará a fazer o mesmo. O HM tentou resposta das operadoras, mas não conseguiu até ao final da edição. Ainda assim, o entusiasmo dos casinos é reiterado pelo presidente da Associação.
“Os casinos têm-se demonstrado muito abertos à introdução de eventos de eSports nas suas arenas, pois está comprovado serem espectáculos com elevada projecção, tanto offline como online.”
Para o promotor desta modalidade, é fundamental que as operadoras que queiram manter a sua relevância apostem nas novas tendências e comuniquem na língua que os seus possíveis futuros clientes comunicam. “Neste momento, essa língua são os eSports.”
Em Las Vegas, um outro epicentro do sector do Jogo que muito trouxe a Macau, “já existe a vontade de se avançar com esta componente de apostas”, como esclarece Fernando Pereira.

Dúvidas

Até este momento, Davis Fong, académico da área do Jogo da Universidade de Macau, “não consegue ver que exista ainda um modelo legal e operacional de cariz internacional capaz de regular esta área nos casinos. É necessário para Macau que existam estas molduras operacionais e legais em que o território se possa apoiar para eventualmente levar o jogo virtual ao casino. Mas “ainda é cedo” para que isso aconteça em Macau.
Para o investigador, o mercado local “ainda é muito pequeno e, por outro lado, ainda não há uma empresa de tecnologia local envolvida nos jogos virtuais”. Por isso, antes da existência de uma configuração legal e de uma estrutura económica dedicada ao desenvolvimento de meios necessários a esta área, não será fácil o seu estabelecimento no território. Davis Fong não põe de parte que no futuro possa ser uma área a considerar por cá.
Fernando Pereira alerta, por seu lado, para esta necessidade que também já foi pensada em Vegas. “Antes que isso seja possível, é necessário que todo um sistema de regulação e inspecção de jogos seja colocado em prática, de forma a que possa haver controlo sobre possíveis batotas, doping, ou mesmo resultados combinados”, remata.

Números

20 milhões de USD em prémios monetários no evento “The International 2” é o montante que bate todos os recordes estabelecidos até à data em iniciativas do género

200 milhões de RMB definido para 2016 definidos pela World Cyber Arena na China

670 milhões de internautas envolvidos

370 milhões de jogadores

325 milhões de USD em patrocínios em 2016

800 milhões de USD em patrocínios previstos para 2019

32 milhões de espectadores sendo que 8,2 milhões são telespectadores concorrentes

16 Ago 2016

Hesíodo – A aurora do Eu poético

[dropcap style=’circle’]H[/dropcap]esíodo era pastor e rapsodo (não tem nada a ver com rap) e recitava poemas de Homero. Saber acerca do seu nascimento, só isso dava um romance. Pois a data em que viveu tem vindo a alterar-se ao longo dos séculos. Hoje é comummente aceite que Hesíodo é posterior a Homero, mas ao tempo de Platão, por exemplo, Hesíodo era considerado como anterior a Homero. Se pensarmos acerca disso, o facto de não haver muitos registos, de as comunicações serem muito precárias, e de a Teogonia mostrar a genealogia dos deuses, não parecerá assim tão estranho. Pois seria fácil de pensar que a Teogonia era a base do conhecimento de Homero para escrever as suas obras. Por outro lado, Hesíodo, em Os Trabalhos e os Dias, reflecte a vida do campo, a vida do camponês e do proprietário rural, ao invés dos valores da nobreza e da guerra. Hesíodo é também um poeta de um profundo pessimismo, mostrando no seu poema Os Trabalhos e os Dias uma humanidade decadente e corrupta, bastante parecida com a dos nossos dias. Logo nos versos 25-26, podemos ler o seguinte: “O oleiro irrita-se com o oleiro, o carpinteiro com o carpinteiro; o mendigo inveja o mendigo, o poeta o poeta.”
Segundo o próprio Hesíodo, no início da Teogonia, a responsabilidade de ter passado de rapsodo a poeta deve-se a o facto de um dia ter encontrado as musas no monte Hélicon, que lhe insuflaram o talento de compor os seus próprios poemas. Contrariamente a Homero, e pela primeira vez na escrita do Ocidente, estamos diante de um poeta que fala em seu próprio nome, da sua própria história. Não só neste início da Teogonia, mas principalmente em Os Trabalhos e os Dias. Com a morte do pai, ele e o seu irmão Perses herdam a sua fortuna, que é dividida em maior favor de Perses, com a ajuda de juízes corruptos. Mais tarde, e novamente através da corrupção, Perses tenta retirar a parte da fortuna de Hesíodo. E é com este caso pessoal que ele começa a sua grande obra, Os Trabalhos e os Dias. Pela primeira vez, a poesia não se centra somente na repetição, recriação ou criação de mitos, mas passa também a ser veículo de vivências pessoais. E, além das vivências pessoais, que percorrem todo o poema, tem também a descrição da vida do campo. Há uma enorme ambiguidade no modo como o trabalho é cantado neste poema. Se por um lado há uma glorificação do trabalho, pela sua ligação estreita ao conceito de justiça, por outro lado não podemos falar de uma ética do mesmo. Pois o trabalho é uma necessidade, e tudo o que é necessário não tem valor. Valor e necessidade são antagónicos. Valor é algo a que atribuímos importância independentemente da sua necessidade. A amizade é um valor, pois podemos viver sem amizade; a honestidade é um valor, pois podemos viver sem ela; mas comer não é um valor, é uma necessidade; assim como o trabalho, para aqueles que não têm fortuna ou não são políticos de carreira. Por outro lado, o termo erga, trabalho, não tem hoje o mesmo sentido que tinha nesta altura na Grécia. Erga quer dizer trabalho agrícola, e não um outro tipo de trabalho. Mas há, e isto, sim, é de extrema importância, uma ligação estreita e profunda entre os conceitos de trabalho e de justiça, em Os Trabalhos e os Dias. Hesíodo escreve: “frequentemente uma cidade inteira sofre por causa dos crimes de um só homem, qualquer que seja: e em respostas às maldades deste, Zeus manda fome e peste, ‘e o povo perece’.” A honestidade está intrinsecamente ligada ao trabalho.
Há também neste poema aquilo que poderíamos considerar a primeira consciência de composição poética, no sentido formal. No final do mito de Prometeu, e de modo a conectar o mito de As Cinco Idades do Mundo, sem que se perca o sentido de exortação a Perses, ele tem de usar um artifício. Escreve Hesíodo, no final do mito de Prometeu: “Se quiseres, contar-te-ei um segunda história até ao fim. Acolhe-a, porém, no teu coração.” Temos, sem quaisquer dúvidas, um poeta diferente de Homero, um poeta que se coloca a si mesmo no centro da narrativa, para além de permanecer também na tradição dos deuses helénicos. Como escreve Alessandro Rolim de Moura, na introdução à edição da sua tradução de Os Trabalhos e os Dias: “Poderíamos talvez ver nessa diferença entre a postura homérica e essa guinada “autobiográfica” de Hesíodo o sinal de uma evolução, da passagem de um estágio em que o poeta se vê como um discreto intermediário das Musas para uma poética em que o artista está mais consciente de seus meios e apresenta uma individualidade mais delimitada.” (p. 19) Se é a vida do poeta que é relatada ou se trata de uma invenção, quando no poema o autor se refere a si próprio, é o que menos importa. E, como uma vez mais escreve Rolim de Moura “a pergunta sobre o estatuto verídico ou não desse “eu” hesiódico não é propriamente a questão mais interessante. Tem maior relevância a constatação de que o poeta se preocupa em apresentar uma individualidade assim definida e a investigação de como essa vida é imaginada e representada poeticamente.” (21)
Segundo Hesíodo, em Os Trabalhos e os Dias, foi dado a Prometeu e a seu irmão Epimeteu, que eram titãs e não homens, a tarefa de criar o homem e todos os outros animais. Epimeteu encarregou-se da obra e Prometeu encarregou-se de supervisioná-la. Epimeteu quer dizer “aquele que pensa depois”, assim como Prometeu “aquele que pensa antes”; isto é, Prometeu não pensa nas consequências dos seus actos e Epimeteu não pensa que algo de mal lhe possa acontecer. No poema de Hesíodo, Epimeteu distribui atributos por cada animal: coragem, força, rapidez, sagacidade… asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um outro ainda. E, quando chegou a vez do homem, formou-o do barro. Mas como já tinha gasto todos os atributos disponíveis, com os outros animais, pediu ajuda a Prometeu. Este, que não tinha como ajudar o irmão, roubou o fogo aos deuses e deu-o aos homens. Como castigo, Zeus ordenou a Hefeto que acorrentasse Prometeu no cume do Monte Cáucaso, onde todos os dias uma ave lhe comia o fígado, que também todos os dias se regenerava. Este castigo deveria durar trinta mil anos. Para todos os outros homens, o castigo foi Pandora. Pandora (pan dôran) quer dizer “um presente de todos”; presente esse que se vai revelar envenenado. Prometeu tinha já avisado o seu irmão para não aceitar nunca presentes dos deuses, mas ele, estando sozinho e nunca desconfiando de mal algum, esqueceu a advertência do irmão e introduziu a mulher no mundo. Sim, porque Pandora é a primeira mulher na mitologia grega, criada por Hefesto e Atena, auxiliados pelos outros deuses, sob as ordens de Zeus. Cada um dos deuses deu-lhe uma qualidade. Recebeu de um a graça, de outro a beleza, de outros a persuasão, a inteligência, a paciência, a ternura, a habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Hermes pôs ainda, no seu coração, a traição e a mentira. Estamos diante de uma equivalente da Eva bíblica. Mas enquanto a Eva é um presente bom ao homem (ainda que depois seja responsável pela queda da humanidade), Pandora é desde logo um mal que Zeus quis infligir na humanidade. Foi oferecida como presente a Epimeteu, que esquecendo as advertências de seu irmão Prometeu, a aceitou e desposou. Epimeteu tinha em seu poder uma caixa que os deuses lhe tinham dado, muito tempo antes, e que continha todos os males que existiam. Avisou a mulher que não a abrisse, mas Pandora não resistiu à curiosidade. Ao abrir a caixa, Pandora deixou que todos os males escapassem para o mundo, fazendo com que a humanidade passasse a ser afligida por eles. O mito de Prometeu explica a criação do homem, a aplicação da justiça divina e revela a relação com o trabalho.
Para além de se tratar de um mito da origem, de um génesis, é também um poema ético, que liga ao próprio tema do trabalho humano, e que não devemos aceitar presentes sem ter a certeza de os merecermos. A vida custa. Custa trabalho. Os deuses, e os outros, não nos dão nada, tudo tem de ser conquistado pelo trabalho. Cortar caminho, leva-nos seguramente a males maiores, como o exemplo da caixa de Pandora. Hesíodo é extremamente pessimista e isso é visível em vários versos, mas principalmente na própria concepção do poema Os Trabalhos e os Dias.
Na parte final do poema das “Cinco Idades”, também em Os Trabalhos e os Dias, a vida humana é pintada com cores negras, e é impressionante a actualidade dos seus versos, impressionante e aterrador, pois os versos mostra-nos claramente o quão pouco ou nada mudámos. Avançámos muito na tecnologia, mas quase nada no tocante ao que liga um humano ao outro ou a si próprio. O mito de “As Cinco Idades” divide-se em Idade do Ouro, Idade da Prata, Idade do Bronze, Idade dos Heróis e Semi-deuses, e Idade do Ferro (a Idade actual). Na primeira Idade os homens viviam à semelhança dos deuses, uma sequência constante de prazeres, pois desconheciam o cansaço, a doença e a dor. Depois de muitas anos de felicidade, a morte chegava como um suave adormecer. Esta idade foi totalmente destruída pelos erros do titã Cronos. Na segunda Idade, os homens eram todos fracos e tolos, incapazes de administrar as suas próprias vidas e incapazes de se ajudarem uns aos outros. Levavam anos para iniciar a vida adulta e não faziam distinção entre o bem e o mal. As suas vidas eram repletas de dor e de tristeza. Não se amavam uns aos outros e eram completamente indispostos para o trabalho. Roubavam-se e matavam-se uns aos outros. E, como não se submetiam aos deus, Zeus resolveu matá-los a todos. Seguiu-se então a Idade do Bronze, onde os homens eram altos e fortes, guerreiros destemidos, moldados em bronze, tal como as suas armas. Tudo era de bronze, nesta Idade. Não se cultivava a terra, viviam da caça e da colecta. Por fim, tornaram-se arrogantes e vaidosos e tentaram tomar o monte Olimpo, levando Zeus a matá-los a todos. A quarta Idade veio ao mundo com Hércules (Herácles, na nomenclatura grega), Teseu, Orfeu, Jasão, Aquiles, Agamémnon e todo o exército de heróis da mitologia grega. Os actos corajosos destes deu nome a esta idade, a Idade dos Heróis. Estes eram mais justos e mais nobres do que os das Idades anteriores. Recebiam frequentemente a visita dos deuses do Olimpo, partilhando com eles as alegrias e as tristezas. Muitos dos heróis eram filhos de algum deus, que os protegia. Grandes cidades floresceram nesta Idade: Atenas, Micenas, Esparta, Creta, Corinto e Maratona. Mas a Idade dos Heróis foi destruída. Muitos morreram as Sete Portas de Tebas, combatendo pelas riquezas do rei Édipo, e os outros morreram mais tarde, na luta que se travou durante dez anos nos muros de Tróia. Esta foi a geração ou a Idade representativa dos valores do homem helénico. Como final da idade dos Heróis, chega a Idade do Ferro. Zeus gerou da terra a abundante geração de ferro, que ainda hoje habita a terra. A vida é difícil para estes homens, pois têm de trabalhar para sobreviver, enfrentando diariamente problemas e provas. Os deuses também não lhes demonstra amor, já que se retiraram de vez para o Olimpo. Distribuíram algumas alegrias, mas o mal sempre excede o bem e obscurece a vida dos homens. Nesta Idade, os homens vivem com a lembrança da Idade que os precedeu, pois esta deixou uma rica herança cultural a ser seguida e, por isso mesmo, as suas histórias foram contadas pelos poetas.
Depois desta passagem pelos mitos do poema, regressemos ao trabalho, que é o que nos cabe, a todos nós, nesta Idade. Se honestidade está intrinsecamente ligada ao trabalho, como vimos anteriormente, o trabalho está intimamente ligado ao conceito de justiça. Este poema é também, como o próprio título parece anunciar, e não engana, um elogio do trabalho. Veja-se os versos de 308 a 311: “É com o trabalho que os homens se tornam ricos em rebanhos e em bens; / e ao trabalhar tornas-te preferido dos imortais e dos mortais, pois todos desprezam o ócio. / O trabalho não é nenhuma desonra, desonra é não trabalhar.” Podemos ver como estamos longe de Homero. Quase parecem palavras saídas da Bíblia. Mas o que está aqui em causa, em Hesíodo e na necessidade do trabalho, é a própria condição humana. O humano, nesta nossa quinta idade, foi condenado ao trabalho, e tem de assumir a sua pena de modo a cumprir os desígnios dos deuses. Estes deram-nos o trabalho como modo de nunca esquecermos a diferença enorme que nos separa. É preciso não esquecer que o trabalho era considerado uma actividade menor na cultura helénica arcaica, visto a maioria das tarefas serem asseguradas pelos escravos. Contrariamente a Homero, que glorifica o combate, ou a Píndaro, que glorifica a vitória, Hesíodo glorifica o trabalho. E isto, só por si, é uma revolução tremenda na Hélade. Aquilo que é comum a Homero e Hesíodo, é a não separação da ética da estética. Um poema tem uma carga ética. Um poema tem de ser formativo, exemplar. Mas os protagonistas de Os Trabalhos e os Dias são homens que precisam do trabalho diário para viver. Eles vivem da terra e dependem do esforço dos próprios braços para que a terra produza. Não podem contar com a ajuda de muitos escravos ou serviçais E este retrato contrasta profundamente com o que vemos nos poemas homéricos. Lá o foco principal da atenção são nobres guerreiros cuja relação com a dureza do trabalho agrícola está muito mediada. Certamente as comparações épicas trazem por vezes cenas de trabalho no campo, mas isso parece ocorrer numa realidade paralela à da Guerra de Tróia e das aventuras de Ulisses. Hesíodo expressa a mundividência de uma classe social diferente daquela cantada em Homero. Mas não se veja aqui uma espécie de luta de classes avant la lettre, pois nada mais errado pensar isso. Se por um lado, Hesíodo glorifica o trabalho e a vida do campo, por outro não desdenha da nobreza dos heróis, bem pelo contrário. Hesíodo apenas acrescenta um outro lado do mundo, um outro lado da vida, que estava afastado dos poemas homéricos e que, segundo ele, descreve melhor esta nossa era, a dele e a nossa. Nos versos 366-67, podemos inclusivamente ler algo que tem a ver muito com o nosso Portugal de hoje: aconselhar as pessoas a ter apenas um filho. No fundo, poderíamos dizer que com Hesíodo já não há heróis. Não há heróis antigos, os heróis são as pessoas que esgravatam na terra à procura de dias, de dias de vida. Desde o dealbar da poesia, que se sabe que não é o tema que faz a grande poesia, mas o talento com que se expressa esse tema. O que realmente está em causa na grande poesia, é que não há forma de distinguir o real do ficcional. A poesia é, na sua génese, mito, isto é, uma narrativa sobre as possibilidades do humano; e não uma narrativa sobre os factos humanos. É precisamente isso que Aristóteles, na sua Póetica, nos diz, quando escreve: “A história escreve acerca do que acontece, a poesia acerca do que poderia acontecer.” O poeta sente o tempo que é como se não houvesse outro, fazendo dele um para sempre, que é o que caracteriza a grande poesia. E não há para sempre estritamente real. O para sempre da poesia tem de ter um pé no mito, um pé bem fincado no que poderia ser.
Há que salientar a importância do conceito de justiça, para Hesíodo. No poema, quase no final, ele deixa claro que é através da justiça e não da força, que o humano pode prosperar em sociedade. A coragem é a coragem de ser justo e não a de vergar um outro. Não estou a dizer que não haja justiça em Homero, mas seguramente não desta forma explícita e valorativa que aparece em Hesíodo. Esta noção de justiça, como a grande diferença que nos separa dos animais, será o tom que irá reger grande parte do pensamento grego. E, por isso mesmo, a sabedoria também tem uma importância enorme em Hesíodo, aquilo que poderíamos chamar de trabalho intelectual. No início da parte seguinte de Os Trabalhos e os Dias, onde aparece uma ética do trabalho, ele escreve: “Também é nobre aquele que é convencido por quem diz boas coisas; / mas quem não recebe no seu espírito esses ensinamentos, / quer seja por si mesmo, quer seja ao ouvir o outro, esse homem é um inútil.” (295-97) O resto do poema desenvolve-se em tom de máximas para a família, o agricultor, o navegador, as relações sócias e a religião, intercalando sempre os conselhos pragmáticos com os práticos, o saber fazer com saber; por fim, faz uma espécie de fenomenologia dos dias, onde atribui a importância e a diferença de cada um dia do mês. Há um dia para cada coisa e ligado a uma razão específica; parte destas razões são mitos, parte são fruto da observação, do empirismo.
Fiquemos com este verso, quase no final do poema de Os trabalhos e os Dias: O dia, por vezes é mãe, por vezes madrasta.

16 Ago 2016

GP | Carros do CTCC bem-vindos na Corrida da Guia

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]Corrida da Guia vai, este ano pela primeira vez, aceitar os carros do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC). Segundo o regulamento da prova publicado na semana passada na página electrónica do Grande Prémio de Macau, a mais célebre corrida de carros de turismo do sudeste asiático irá colocar frente-a-frente, num duelo inédito, os carros do campeonato chinês e os carros da categoria internacional TCR.
Apesar de terem regulamentos técnicos diferentes, ambas as categorias reconhecidas pela FIA utilizam motores 2.0 litros turbo e por isso esperam-se andamentos muito parecidos entre as viaturas em confrontos.
Instado a comentar quem será superior no circuito citadino de Macau em Novembro, o piloto da casa, Rodolfo Ávila, disse ao HM que “é difícil dizer exactamente quem será mais rapido, pois dependerá de muitos factores, como os pneus, afinações, qualidade dos pilotos, etc”. O vice-campeão asiático do TCR Asia Series em 2015 e que este ano fez duas provas do CTCC com a Shanghai Volkswagen lembra que “em Zhuhai, por exemplo, os carros do CTCC são mais rápidos. Mas por outro lado os carros do TCR são mais fiáveis e as equipas muito mais experientes e conhecedoras do Circuito da Guia”.
Outro factor importante do regulamento da edição deste ano é o facto deste ditar que os pneus para a prova são livres. De acordo com o que apurou o HM junto de uma das equipas chinesas que participa no CTCC, os carros do mediático campeonato chinês deverão correr com pneus da marca Kumho, enquanto os participantes do TCR, pelos regulamentos próprios do campeonato, terão que correr com pneus da marca francesa Michelin.
Recorde-se que até à edição de 2015, e durante uma década, a Corrida da Guia pontuou para o Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC). O ano passado a prova foi palco da prova final do TCR International Series, uma competição lançada pelo ex-patrão do WTCC, Marcello Lotti e que tem ganho enorme afectado junto dos fãs e dos construtores automóveis.
A Corrida da Guia deste ano voltará a ter o formato de duas corridas de dez voltas, a disputar no domingo e separadas por apenas quinze minutos, sendo que será declarado o vencedor da Corrida da Guia aquele que vencer o segundo confronto.

AAMC revela quotas dos locais para o GP Macau

Em nota à imprensa, a Associação Geral Automóvel de Macau – China (AAMC) deu a conhecer o número de pilotos locais que têm entrada directa nas duas corridas carros de turismo de carácter regional da 63ª edição do Grande Prémio de Macau. No total, a AAMC abriu quarenta e uma vagas para os pilotos da RAEM nas corridas Taça de Carros de Turismo de Macau e Macau Road Sport Challenge, uma vaga a mais em relação ao ano passado.
Vinte e seis pilotos representarão a RAEM na Taça de Carros de Turismo de Macau, mais dois que em 2015, e 15 na Corrida Macau Road Sport Challenge, menos um que na edição transacta. Ambas as corridas têm um limite máximo de 36 concorrentes, sendo que os restantes deverão de outros pontos do continente asiático.
Praticamente todos os pilotos que participaram nas duas jornadas duplas de apuramento no Circuito Internacional de Zhuhai terão o direito de estar à partida do evento desportivo mais importante da RAEM. As inscrições para estas duas corridas abriram ontem e encerram a 9 de Setembro, tendo um custo de seis mil patacas.
As outras provas de automóveis confirmadas para o programa deste ano – Corrida da Guia, Fórmula 3 e Taça do Mundo FIA de GT – não têm quotas para os pilotos da casa. O Suncity Grupo 63º Grande Prémio de Macau terá lugar de 17 a 20 de Novembro de 2016.

16 Ago 2016

A morte do sonho presidencial de Donald Trump

“A President commands respect and requires people to look up to them in awe, but Trump has been the butt of jokes around the world for a while now. From his hideous hair to his attitude on the television show he hosts to the “infrastructure” his company builds – everything he does is a subject of roasts across the world. Do we really need a guy who is the center of jokes to be the most powerful person in, and the face of, our nation? This man will push back America’s cultural progress by about four to five decades, if not more! He is also one of the stupidest people to run for this position!”
Donald Trump: The Top Reasons He Must NOT Win The 2016 Presidential Election
Joseph Stewart

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]candidata presidencial democrata fez um longo, cerrado, atiçado e bem fundamentado discurso em Columbus, Ohio, a 21 de Junho de 2016, criticando magnificamente o plano económico do magnata e candidato republicano, que enviaria directamente todos os americanos para uma recessão, caso fosse eleito presidente, e que ficaria conhecida como a “Recessão Trump”.
Os mais prestigiados economistas de todos os quadrantes políticos dão a entender que as ideias do candidato republicano seriam economicamente desastrosas. Efectivamente Donald Trump escreveu muitos livros sobre negócios, mas todos parecem terminar no capítulo onze, numa irónica referência feita por Hillary Clinton ao “Código de Falências dos Estados Unidos”, em que o criticado afirmou que tudo faria para encontrar uma solução para o reembolso integral dos títulos da dívida soberana americana.
A candidata democrata que à data se encontrava praticamente nomeada candidata presidencial pelo Partido Democrata, afirmaria que a confiança que o mundo tem nos Estados Unidos e o crédito que lhe é dado, não dá lugar a jogos de qualquer natureza, e que poderiam causar uma catástrofe económica. A verdade é que mesmo que os Estados Unidos vendessem todos os aviões, a “Estátua da Liberdade”, ou se permitissem algum multimilionário converter o “Parque Nacional de Yosemite”, em um clube de campo privado, não conseguiria aproximar-se do valor da dívida.
A dívida dos Estados Unidos é de tal grandeza, que é de crer que ambos os candidatos não têm uma ideia correcta, o que explica que a ignorância do candidato republicano seja superior a essa dimensão, permitindo-lhe brincar com a dívida. É de lembrar a persistente negação do candidato republicano de publicar a sua situação fiscal, uma tradição nas campanhas presidenciais, e que o magnata afirma ser impossível de o fazer, porque está a ser objecto de uma auditoria pelo “Internal Revenue Service (IRS) ”, que é um serviço da receita do Governo Federal dos Estados Unidos e que faz parte do Departamento do Tesouro.
O que receia? Talvez queira que os americanos desconheçam que não pagou os impostos correspondentes às suas descomunais receitas, ou porque talvez não seja tão rico como diz, ou que não tenha contribuído tanto para obras de caridade como alardeia. Todavia, os americanos devem conhecer a sua situação fiscal, antes de 8 de Novembro de 2016, data da realização da 58.ª eleição presidencial dos Estados Unidos. A candidata democrata destruiu, assim, ponto por ponto, o plano económico do seu oponente nesse mordaz discurso que considera Donald Trump, como demasiado perigoso para gerir a economia dos Estados Unidos.
A ex-secretária de Estado, Hillary Clinton foi nomeada oficialmente candidata presidencial pelo Partido Democrata, na “Convenção Nacional do Partido Democrático”, a 26 de Julho de 2016, obtendo os votos de mais de dois mil e trezentos e oitenta e dois delegados na “ Wells Fargo Center” de Filadélfia, tornando-se a primeira mulher a representar um dos principais partidos políticos dos Estados Unidos, cabendo-lhe a árdua tarefa de unir o partido atrás da sua candidatura.
Terminou o tempo dos risos, piadas e palhaçadas, não apenas para o lado Republicano, mas também para o lado dos seus adversários. O caricaturado pretendente republicano converteu-se primeiro que Hillary Clinton, em oficial candidato presidencial pelo Partido Republicano, com uma liderança conservadora que perdeu o contacto com a realidade. A “Convenção Nacional do Partido Republicano”, realizou-se na “Quicken Loans Arena” em Cleveland, Ohio, de 18 a 21 de Julho de 2016, escolhendo os candidatos a Presidente e Vice-presidente dos Estados Unidos às eleições presidenciais. Existia a possibilidade de uma manobra para o fazer renunciar ao cargo durante a convenção do partido, mas que o iria fragmentar ainda mais nas várias facções existentes e quiçá nunca recuperasse.
Assim lançados os dados, serão todas as oportunidades de Hillary Clinton? Terá de enfrentar o tagarela de Donald Trump, que deixará detalhadamente registado tudo o que pensa sobre as mulheres, em geral, e sobre a sua oponente, em particular. Donald Trump parece que não terá a possibilidade de ganhar as eleições presidenciais, como punição pela tumultuosa, insidiosa e insultante campanha que realizou até ao momento, repleta de escândalos e conseguindo como nenhum outro candidato arrecadar ódio e dividir os americanos, principalmente os do seu partido, num juízo racional, mas será que na realidade, não terá mesmo a possibilidade de ganhar as eleições presidenciais?
O mesmo se dizia da sua potencial candidatura e tudo indica que a ordem política perdeu o contacto com o seu eleitorado. O aparecimento e aumento quase irresistível de popularidade de Donald Trump, explica-se pela ligação de três décadas contínuas de recuo e declínio das classes médias americanas e da estagnação do crescimento na produtividade que o país experimentou durante um século e meio. Existe muita raiva que é traduzida de alguma forma, no favorecimento de candidatos muito afastados do modelo presidencial tradicional.
O destino dos Estados Unidos, naturalmente preocupa os americanos, mas também o resto do mundo. Daí que muitos se interroguem que se por mero acaso, Donald Trump viesse a ganhar as eleições presidenciais, que faria em matéria de política externa? Ao longo da sua virulenta campanha deu pistas e sinais claros do que seriam as suas acções, desde logo sobressaindo a ideia de que as alianças pagam-se, ou seja, quem queira ser protegido pelos Estados Unidos deve pagar por essa protecção. O candidato presidencial republicano, defende que a Europa deve suportar na totalidade as despesas que os Estados Unidos gastam com a sua presença na NATO. Todavia esquece-se que a defesa do Atlântico Norte é uma questão primordial para segurança do país, e é uma região estratégica de eleição, impensável de ser posta em causa e sequer discutida.
Tal pensamento tem Donald Trump afirmado e propagado sem meias tintas, pois afirma que milhões de dólares são gastos em aviões, mísseis, barcos e toda a logística envolvida que tais acções não podem ser gratuitas. Os Aliados devem reintegrar o total ou grande parte dessas despesas, o mesmo sucedendo na Ásia, com o Japão e outros países protegidos pela frota do Pacífico, o que iria em sentido oposto ao que está a fazer o actual presidente americano.
O candidato presidencial republicano, ainda que as suas ideias não tenham em conta o sentido da história, razoabilidade e o equilíbrio dos interesses em presença, esclarece que não pediria a esses países que aumentem a sua despesa militar e não reclamaria que paguem as despesas de grande parte das bases americanas no exterior, mas exigiria que os países sob protecção americana, suportassem uma parte significativa do orçamento da defesa dos Estados Unidos, para continuarem a usufruir da permanência das forças armadas americanas nessas regiões.
O montante poderia ser de várias centenas de milhões de dólares anualmente, mas como nenhum país estaria disposto a pagar tal contribuição, o candidato presidencial republicano em total irresponsabilidade e falta de senso, remata que não restaria outro remédio que o de acabar com os actuais compromissos. Donald Trump não acredita que os Estados Unidos tenham interesses estratégicos nos continentes Europeu e Asiático, interpretando muito bem, o sentimento de muitos americanos que pedem uma retirada da América, e um retorno ao isolacionismo dos princípios do passado século.
O próximo presidente da União, quem quer que seja, sofrerá uma enorme pressão popular, contra o envolvimento dos Estados em todos os problemas e regiões do planeta. Talvez não se tenha entendido bem, que se deu uma mudança fundamental nas visões políticas dominantes nos Estados Unidos, pois vastos conjuntos de eleitores, classes médias e baixas, brancas, negras e latinas culpam a globalização, a cobiça desmedida das empresas, por todos os sofrimentos que tem passado, em especial, a falta de esperança em uma vida melhor para os seus filhos e netos.
Se Hillary Clinton vier a ganhar as eleições presidenciais americanas, como prevêem as sondagens de 5 de Agosto de 2016, que lhe dão 47, 4 por cento das intenções de votos, contra 40,6 por cento atribuídas a Donald Trump, a sua política será de desenvolvimento na continuidade da seguida por Barack Obama, tanto mais que a economia americana continuará a crescer 3,7 por cento no terceiro trimestre de 2016.
O candidato presidencial republicano está a atrair cada vez mais críticas, quer no seio do seu partido, como no partido rival, acerca dos comentários sobre os pais de Humayun Khan, capitão do exército americano, muçulmano-americano, falecido em combate, e cujo pai deu um inflamado discurso na “Convenção Nacional Democrata”. O presidente Barack Obama afirmou que Donald Trump não estava preparado para assumir a presidência dos Estados Unidos, e vários nomes sonantes do Partido Republicano, têm afirmado que irão votar na candidata democrata. A continuar este percurso, Donald Trump talvez se auto-destrua antes das eleições presidenciais, levando consigo a reboque o Partido Republicano, morrendo o seu sonho de ser presidente dos Estados Unidos.

16 Ago 2016

Finanças | Comissão da AL critica gestão do Governo sobre obras públicas

O Governo não pensa antecipadamente sobre as obras públicas. Depois, não as fiscaliza e não pune as empresas. São algumas das críticas dos deputados, que dizem que há problemas graves, omissões de contratos e gastos de milhões sem fiscalização para obras que “se calhar nem são necessárias”. É preciso reformar a lei que o Governo não quer rever, dizem

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]s deputados não estão satisfeitos com a forma como o Governo está a gerir as finanças da RAEM: a falta de um pensamento antecipado face a obras públicas e a própria fiscalização foram criticadas pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos das Finanças Públicas. Num relatório divulgado no site da Assembleia Legislativa (AL) sobre o Terminal Marítimo da Taipa, Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) e metro ligeiro, os deputados lançaram várias farpas ao Executivo, questionando até se as construções são mesmo necessárias.
“Por comparação com o sector privado, alguns deputados da Comissão têm a opinião que a gestão das empreitadas públicas apresenta insuficiências que requerem melhorias. Assim, constata-se a falta de uma gestão prospectiva das empreitadas, o que é visto como o motivo para a ocorrência de atrasos na execução das obras, de conflitos na determinação das responsabilidades pouco claras e da necessidade de alterações às empreitadas”, pode ler-se no relatório.
A forma de resolução destes problemas também não é eficaz, queixam-se os deputados, que apontam ainda a existência de “omissões de contratos” e acréscimos às obras anteriormente aprovadas, o que “têm vindo a gerar problemas graves”.

Altos preços, baixa qualidade

A Comissão de Acompanhamento para os Assuntos das Finanças Públicas aponta gastos de milhões nas diversas obras públicas em curso para dizer que há desconfiança na forma como o Governo leva a cabo estes trabalhos, especialmente no que à fiscalização diz respeito.
“Não obstante as despesas avultadas efectuadas pelas autoridades na contratação de serviços de supervisão continuam a registar-se situações de grandes atrasos na execução das obras, derrapagens orçamentais e adiamentos em diversas empreitadas públicas. (…) E mesmo que ocorram problemas com as obras públicas, essas empresas nunca estão sujeitas a penalização como consequência da sua incapacidade de supervisão.”
Até agora, só com as obras do metro que foram aprovadas, já foram gastos dez mil milhões de patacas – 600 milhões foram dedicadas a estudos, consultorias e estudos preliminares. No caso do Terminal, dos 3,5 mil milhões de patacas gastos, 12 milhões foram para a supervisão. Mais de 2,5 mil milhões de patacas foram entregues às obras para o EPM.
“Foi colocada em questão a forma como o Governo efectua a fiscalização de cada fase dos empreendimentos públicos [desde] a apreciação dos projectos, à adjudicação das empreitadas e à monitorização do processo e qualidade de execução das obras e dos materiais [nela utilizados]. Além disso, questionou-se ainda se os empreendimentos projectados correspondem, efectivamente, às necessidades reais dos serviços públicos para que foram construídos”, pode ler-se no relatório.

Lei desactualizada

As justificações dadas pelo Governo – representado por directores substitutos, chefes de departamento, técnicos superiores e chefes funcionais de diversos serviços na reunião de 1 de Abril que antecedeu este documento agora publicado – prendem-se especialmente com a necessidade de materiais de alto nível de exigência (no caso do EPM), de serem projectos inovadores (no caso do metro) e nas mudanças constantes.
O relatório está assinado por todos os membros da Comissão à excepção de Fong Chi Keong. Nela inclui-se ainda Mak Soi Kun (presidente), Gabriel Tong, José Chui Sai Cheong, Ng Kuok Cheong, Chan Chak Mo, Sio Chi Wai, Leong Veng Chai, Chan Hong e Si Ka Lon.
Os deputados pedem ainda a revisão do Regime Jurídico do Contrato das Empreitadas de Obras Públicas. “É um diploma que se encontra desactualizado depois de vários anos de vigência desde que foi aprovado [em 1999]. Sugere-se ao Governo a melhoria deste regime jurídico, a par do reforço de fiscalização das empreitadas.”
Esta é uma lei que já gerou debate no hemiciclo, onde, contudo, Raimundo do Rosário disse que não havia intenções para o alterar. Os pedidos de revisão inclinam-se sobretudo para a inclusão das chamadas cláusulas compensatórias nos contratos de obras públicas para quando há incumprimentos, tendo merecido também um relatório do Comissariado da Auditoria em 2015, onde o organismo sugere a mesma coisa. Mas o Secretário para os Transportes e Obras Públicas disse, em Março deste ano, que o regime em vigor “fez uma opção e a opção é pelo regime das multas”, pelo que se se quiser incluir este sistema da cláusula penal compensatória teria de se alterar a lei e o Governo “está mais inclinado para não alterar”.

16 Ago 2016

CCM | Mais uma sessão de InspirARTE no final do mês

[dropcap style=’circle’]C[/dropcap]rianças e pais estão convidados para participarem em mais uma sessão do InspirARTE, um evento organizado pelo Centro Cultural de Macau (CCM) onde não vão faltar workshops criativos, música, passagem de modelos e muitas actividades. Depois de sessões de teatro, que ocuparam os meses de Junho e Julho, a festa acontece agora no dia 28 de Agosto, a partir das 15h30.
Os festejos arrancam com workshops em diversas actuações, incluindo o “Musical GoGoGo!”, que vai levar os miúdos em palco a vestir a pele de leões, macacos e outras personagens inspiradas pelos clássicos musicais “O Feiticeiro de Oz” e “O Rei Leão”. Chega a vez de entrar na “Hora das Palhaçadas” e na d’ “Os Feiticeiros de Marionetas”, onde os participantes vão actuar em conjunto com os seus instrutores, exibindo truques e técnicas que aprenderam. Juntando-se à festa, o Coro Infantil do CCM dá um mini-concerto em que interpretará uma mescla de música e elementos de teatro físico.
“Para além do desfile de talento pelos pequenos participantes, artistas locais prepararam uma série de actividades e brincadeiras criativas. Os mais pequenos vão divertir-se com imaginativas sessões que vão dos contos de histórias e de uma visita secreta aos bastidores, a uma mini-sessão de cinema de animação local e jogos interactivos. Os pais também estão convidados a brincar em diversos workshops relacionados com a temática dos animais nas artes”, pode ler-ser no comunicado do CCM, que diz ainda haver outra novidade: uma mini-passagem de modelos que convida os mais pequeninos, maiores de três anos, a vestirem a pele dos seus animais favoritos.
Esta é já a quarta edição da InspirARTE, que assinala o fim da temporada de Verão. A festa cheia de iniciativas um pouco para todos os gostos convida a uma tarde didáctica em família onde a diversão vai estar presente. A entrada é gratuita.

16 Ago 2016

Fong Chi Keong não quer casas só para as classes baixas

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]elevada taxa de desocupação de habitação pública leva o deputado nomeado Fong Chi Keong a crer que o Governo deve proceder à rectificação de falhas nestas políticas. Para Fong Chi Keong , a “habitação pública não deve ser tida como um subsídio para as classes mais baixas, mas deve ser pensada tendo em conta todos os cidadãos, pois todos devem ter direito a casa que pode ser nestas instalações”, afirma. Caso contrário, é claro para o deputado que “as habitações públicas se vão transformar em favelas”.
O Executivo, por seu lado, argumenta que necessita de garantir um equilíbrio entre o direito de habitação dos cidadãos e o desenvolvimento económico. A discussão teve lugar num seminário que ocorreu no passado domingo, incluído no programa da Cimeira de Juventude. Fong Chi Keong mostrou dados e assinalou que, no final do ano passado, existiam em Macau cerca de 19 mil fracções vazias, sendo a taxa de disponibilidade geral acima de 7,3%. Dados os valores a sugestão feita ao Executivo foi no sentido de que este proceda à definição de medidas capazes de atribuir as fracções vazias. O deputado considera ainda que o Governo pode alargar as normas da habitação pública.
A vice-directora da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau (UM), Lai Neng apontou no mesmo seminário que a percentagem da hipoteca regulamentada pelo índice de concessão de empréstimos hipotecários para aquisição de habitação proposta pela Autoridade Monetária faz com que os jovens consigam pagar os empréstimos mas não consigam adiantar a entrada inicial da compra. Lai Neng espera ainda que este índice venha a ser alterado.

16 Ago 2016

“É preciso” tornar Macau mais agradável aos residentes

[dropcap style=’circle’]D[/dropcap]iversos especialistas estiveram em Macau para a Palestra sobre os Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Urbano da RAEM (2016-2030), onde defenderam a necessidade de criar mais locais que sirvam a cultura e a vida diária da população. O evento aconteceu sem a presença de jornalistas, mas um comunicado do Governo dá a conhecer alguns dos pontos discutidos.
A questão mais debatida prendeu-se com a falta de espaços para a população, mesmo a nível cultural. Wang Ying, professor associado da Universidade de Tsinghua, propôs por exemplo que Macau melhore “o ambiente habitacional e a fisionomia urbana”, através da construção de instalações ligadas à vida quotidiana e à cultura. O mesmo professor apresentou também três grandes objectivos de desenvolvimento – oferta mais flexível de habitações, oferta de serviços quotidianos propícios para uma vida mais agradável e oferta de uma melhor vida habitacional. Exemplificando com a falta de terrenos e espaços para o desenvolvimento, o académico sugeriu ainda ao Governo que tenha atenção à forma como conjuga as construções com as características específicas de Macau, sendo elas “o actual grau de investimento nas construções sociais, a densidade da população, o ambiente e as infra-estruturas” já existentes.
Também Tan Zongbo, da Faculdade de Arquitectura da Universidade Tsinghua, propôs a expansão dos espaços, alterando as estruturas e reforçando o bem-estar da população.
“Macau deve determinar um plano de desenvolvimento urbano baseado na óptica de gestão e controlo por zonas, com o estabelecimento de um regime racional de cedência de terrenos, cuja prioridade se funda na disponibilização de terrenos para o bem-estar da população, de modo a concretizar a gestão e o controlo racional do aproveitamento [dessas terras]”, indicou o professor.

Por terra e mar

Ao que indica o comunicado, as ideias foram alvo de um debate intensivo por parte dos académicos participantes, sendo que também os novos espaços marítimos não escaparam à análise dos professores convidados.
“Bian Lanchun, da Universidade Tsinghua, sugeriu posicionar o futuro espaço urbano de Macau numa cidade de lazer internacional à beira mar, diversificada e intensiva para mostrar a paisagem da cidade. Sobre esta matéria, houve ainda académicos que consideraram que o Governo deve reforçar o controlo do espaço urbano, de forma a aproveitar ao máximo o recurso da zona costeira, construindo um sistema pedonal em Macau.”
Já fora de água, voltou a referir-se a necessidade de “dar uma maior atenção quanto ao desenvolvimento dos micro-espaços públicos da cidade e aumentar as zonas verdes e instalações de serviços públicos.”
“O futuro desenvolvimento urbano de Macau deve preservar bem os arruamentos existentes, prestar um maior empenho no embelezamento das ruas, alterar a imagem urbana e alargar a fisionomia típicas das ruas aos novos aterros”, sugeriram ainda académicos.

Cidade ideal

Organizada pelo Gabinete de Estudo das Políticas do Governo, a palestra juntou mais de 40 especialistas e académicos da área de planeamento e concepção urbanística do interior da China, Hong Kong e Macau. O Gabinete compromete-se a juntar-se à Universidade de Tsinghua, encarregue de efectuar um relatório de estudos sobre as estratégias de desenvolvimento urbano de Macau, de forma a introduzir estas sugestões no documento.
“O grupo temático [da Universidade] entendeu que (…) para responder às expectativas e procura, por parte dos residentes, de uma vida ideal, Macau terá de ser transformada num lar com harmonia, beleza e elegância, alegria, com rico e diversificado conteúdo cultural, onde as pessoas podem sentir-se orgulhosos por ter condições ideais de habitação, vida e emprego”, remata o comunicado, que sublinha ainda a necessidade do Governo se focar no ambiente ecológico, ordenamento do espaço, a qualidade cultural e atracções especiais.

16 Ago 2016

Saúde | Troca de registos médicos chega no fim do ano pelos SS

Vai ser pelas mãos dos SS que o sistema de registo de saúde electrónico, que vai permitir o intercâmbio de dados entre instituições de saúde do território, vai chegar “no final do ano”. A empresa responsável pela sua instalação teve de desistir a meio

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]primeira fase do sistema de registo de saúde electrónico que viabiliza a troca de registos médicos entre os hospitais e centros de saúde poderá chegar no fim do ano. É o que dizem os Serviços de Saúde, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Kwan Tsui Hang, onde o organismo diz que vai ser ele próprio a criar o sistema.
O serviço liderado por Lei Chin Ion refere que, em Março do ano passado, se acabou o processo de concurso público para o Sistema de Registo de Saúde Electrónico. Segundo a proposta, a empresa candidata prometeu que iria concluir o sistema dentro de um ano depois da celebração do contrato, pelo que se previa que o sistema pudesse ser lançado no final do ano 2016. Entretanto, durante a elaboração do contrato, devido a problemas “internos”, a empresa voltou atrás, frisando não conseguir implementá-lo a tempo. Ainda sugeriu aos SS uma substituição da parceria, mas a sugestão foi rejeitada. Neste momento, é então o organismo quem está a acompanhar o processo.

Serviços empenhados

Foi à Companhia de Equipamentos Master que foi adjudicado o fornecimento do Sistema de Registo de Saúde Electrónico, tendo esta recebido mais de 38 milhões de patacas pelo serviço. Ainda que sem a empresa, os SS asseguram que o sistema está a ser preparado, sendo que “o projecto piloto deverá, com esforço próprio, ser implementado no final do ano”.
Numa primeira fase, o sistema vai permitir a troca de registos médicos entre o Centro Hospitalar Conde de S. Januário, o Hospital Kiang Wu e os centros de saúde. Na fase seguinte vai abranger as clínicas e as instituições médicas privadas. Os cidadãos podem participar voluntariamente.
Já em 2012, o organismo afirmou que iria promover o registo de saúde electrónico de toda a população. Na altura, o organismo previa que em meados de 2013 poderia realizar o concurso público para a criação deste sistema mas só em Julho do ano passado foi assinado o contrato com a companhia.

16 Ago 2016

Português vence maior concurso mundial para estudantes de língua chinesa

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]paixonado por teatro e seduzido pela cultura Oriental, o português Samuel Gomes foi este mês distinguido com o prémio “Melhor Performance Artística”, no maior concurso do mundo para alunos de língua chinesa, o Chinese Bridge. “Foi uma surpresa. Entre mais de cem países, com tanta gente boa, a última coisa que se espera é receber um prémio”, conta à agência Lusa o jovem de 25 anos, natural do Porto.
Licenciado em Línguas e Culturas Orientais, pela Universidade do Minho, Samuel Gomes completou no ano passado um mestrado em Estudos de Teatro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
A edição deste ano do Chinese Bridge, que decorre em Hunan, província no centro do país, conta com a participação de 146 estudantes de Mandarim, oriundos de 108 países. Samuel, que estuda actualmente no Instituto Confúcio (IC) da Universidade do Minho, é o único concorrente de Portugal.
A declamação do poema Qiang Jinjiu (“Trazei o Vinho”, em Chinês), de Li Bai (701-762 D.C.), um dos maiores poetas da China antiga, valeu-lhe a distinção.
O interesse de Samuel pelo Oriente vem “desde muito pequeno”, quando “adorava ouvir música tradicional chinesa” e se deliciava “com fotos de templos chineses”, que chegava a desenhar no infantário.
Em 2009, optou por estudar Chinês, ainda a China não era “moda” em Portugal e “os estereótipos sobre o país entre os portugueses eram bastante acentuados”. “Existia uma espécie de complexo em aprender Mandarim”, recorda. “Hoje, todos os portugueses falam da China”, diz Samuel.
Em 2011, o Instituto Politécnico de Leiria criou, em colaboração com o Instituto Politécnico de Macau (IPM), a primeira licenciatura em Portugal de Tradução e Interpretação Português/Chinês – Chinês/Português. Desde o ano passado, o ensino de Mandarim foi também introduzido em algumas escolas portuguesas, ao nível do secundário e do terceiro ciclo, como alternativa de língua estrangeira.
O Mandarim é a língua mais falada do mundo. Para Samuel, trata-se de “uma língua justa, que expõe nitidamente o grau de esforço de quem a estuda”. “Quem a quiser estudar seriamente não pode apenas reter a consciência da dimensão da sua diferença. Tem, sobretudo, de a aceitar e sentir”, realça. Mais do que o seu sistema de escrita, é a existência de tons que torna o chinês numa “língua especial”, defende.
Assimilar estes processos exige anos de dedicação: “Actualmente, estudo cerca de 12 horas por dia. Estudo vocabulário, pratico dicção, vejo televisão chinesa ou faço traduções”, descreve Samuel. Ainda assim, “tudo isto não chega para se atingirem resultados mais elevados”, admite.
Segundo Samuel, para obter um bom domínio da língua chinesa é indispensável imergir na sociedade onde esta é falada. “Preciso da China à minha volta 24 horas por dia”, conclui.

16 Ago 2016

Pequim vai conceder residência local consoante pontos acumulados

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]cidade de Pequim vai passar a conceder residência local (Hukou, em chinês), recorrendo a um sistema de acumulação de pontos, atribuídos consoante critérios como a situação profissional, idade ou o nível de formação académica.
Quase 40% dos 21,5 milhões de habitantes de Pequim não têm ‘Hukou’ local, estando assim privados de vários serviços básicos, como o acesso à educação e saúde pública.
O novo sistema, que vigorará entre o início de 2017 e o final de 2019, permite a quem trabalha na capital chinesa candidatar-se a uma ‘vaga’ como residente local, através do seu ‘danwei’ (unidade de trabalho).
Os candidatos terão de ser, obrigatoriamente, cidadãos chineses, em idade activa, sem registo criminal, com permissão temporária de residência em Pequim e sete anos consecutivos de descontos para a Segurança Social local.
Segundo os critérios difundidos pelas autoridades da capital chinesa, a atribuição dos pontos varia, por exemplo, consoante o grau académico do candidato: 15 pontos para licenciados, 26 para mestres e 37 para doutorados.
Quem tiver menos de 45 anos obtém, automaticamente, 20 pontos.
Para os empresários com negócios registados em Pequim, serão atribuídos pontos consoante as distinções atribuídas às suas empresas, tendo em conta critérios como inovação e o valor dos investimentos.
A autorização de residência ‘Hukou’ é um sistema implantado em 1958, durante o Governo de Mao Zedong, para controlar a migração massiva dentro do país e assegurar a continuidade da produção agrícola e a estabilidade social nos centros urbanos.

16 Ago 2016

G20 | Pequim quer melhor imagem da globalização

[dropcap style=’circle’]C[/dropcap]onstruir uma globalização mais “inclusiva”, sem sectores sociais que se sintam prejudicados, será um dos grandes objectivos da próxima Cimeira do G20, que se realiza nos dias 3 e 4 de Setembro, assinalaram ontem responsáveis chineses.
O encontro entre os líderes das 20 maiores economias do planeta está marcado para Hangzhou, capital da província de Zhejiang, na costa leste da China.
“É necessário criar um sentimento de maior satisfação, que as pessoas sintam que também são beneficiadas”, afirmou ontem o vice-ministro chinês das Finanças, Zhu Huangyao, numa conferência de imprensa dedicada aos objectivos do país anfitrião da Cimeira.
O encontro, que ocorre no Centro de Exposições Internacionais de Hangzhou, terá como lema “Avançar para uma economia mundial inovadora, vigorosa, interconectada e inclusiva”.
Para a China trata-se, também, de uma nova oportunidade para mostrar a sua capacidade de organizar grandes eventos.
“O objectivo é oferecer novas direcções para a economia mundial” e “alterar as soluções a curto prazo para a crise, por medidas sistemáticas de longo prazo”, afirmou o vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Li Baodong.
Li confirmou que o presidente da China, Xi Jinping, será o anfitrião da cimeira, e que, à margem do evento, realizará reuniões bilaterais com membros do G20, além de uma reunião informal dos BRICS, o bloco de grandes economias emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Questionado se o Mar do Sul da China, tema de fricção entre Pequim e Washington, fará parte das conversações, Li assegurou que o G20 “vai centrar-se na economia e não deve ser distraído por outros temas”.
A China espera ainda que a cimeira sirva para delinear um “Plano de Hangzhou”, visando enfrentar os novos desafios globais.
“Num momento em que faltam forças impulsionadoras, devemos promover reformas estruturais e oferecer novas soluções para um crescimento robusto, sustentável e equilibrado”, assinalaram ontem os representantes do Governo chinês.
Durante as reuniões, Pequim continuará a pressionar para que haja uma reforma no sistema de cotas na governação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que dê maior voz às economias emergentes e em desenvolvimento.
O vice-governador do Banco Popular da China, Yi Gang, destacou que a cimeira será celebrada poucas semanas antes da moeda chinesa, o yuan, integrar oficialmente o cabaz de moedas de reserva do FMI, pelo que a internacionalização da divisa chinesa será outra questão a abordar.
A cimeira ocorre num momento de incerteza face aos efeitos adversos da globalização nas economias desenvolvidas, algo que, segundo os observadores, explica fenómenos como o ‘brexit’ – a saída do Reino Unido da União Europeia – ou a ascensão de Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América.
 

16 Ago 2016

Metro | Definição de trajecto para a península no fim do ano

A definição do trajecto para a linha da península de Macau, que continua inexistente, será apresentada no fim do ano. Previsões para o final das obras na Taipa continuam a apontar para 2019 e o Governo vai mesmo implementar o novo sistema que pretende evitar atrasos

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]definição da linha do metro ligeiro na península de Macau ainda não está completa e o Governo não sabe como irá articular algumas ligações. No entanto, ficou a promessa de que a definição deste trajecto estará concluída até ao final do ano.
“O Governo vai definir ainda este ano qual o trajecto da península da Macau”, afirmou Ho Ion Sang, ontem, após a reunião da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas que o deputado preside. Na reunião, que contou com membros do Governo, foram assinados relatórios relativos às obras do metro, terrenos desaproveitados e hospital das Ilhas.
As obras do Centro Modal de Transportes da Barra estão “a ser executadas de forma contínua e em grande escala”, como afirma o deputado, e o Governo está ainda a discutir com os “serviços competentes do interior da China as questões da interconexão à Ilha da Montanha”, como se poder ler no relatório.
No entanto, a Comissão adianta que ainda não há pormenores acerca desta ligação. Por outro lado, e até ao final do ano, será analisada “novamente a ligação a Zhuhai pelas Portas do Cerco”.

Cumprir para evitar castigo

Foi ainda garantida a atenção sobre o novo mecanismo instituído pelo Executivo relativo ao sistema de punição e recompensa aplicado às empresas encarregues das obras. O presidente da Comissão reiterou que o objectivo é “castigar” as concessionárias a quem é entregue obra aquando do incumprimento de prazos, enquanto se atribui recompensas àquelas que realizam os seus trabalhos atempadamente. O mecanismo visa “tentar resolver os problemas associados ao cumprimento de prazos e excesso de despesa”, como afirma Ho Ion Sang.
Este é um método que já tinha sido anunciado anteriormente e que vai, agora, andar para a frente.

Taipa dentro de prazo

A entrada em funcionamento da linha da Taipa foi mais uma vez apontada pelo Governo para o ano de 2019. A construção do trajecto que integra 9,3km de extensão tem neste momento mais de 6,5 km com obra concluída. Também findas estão seis das 11 estações que integram o projecto da ilha.
Segundo o relatório assinado ontem, está prevista a conclusão da construção do viaduto do metro da Taipa na sua totalidade e das estações ainda em falta ainda este ano.
Após estes trabalhos ficarão ainda por dar por concluídas as obras relativas à conclusão do Parque de Materiais e Oficina da Taipa. O regresso aos trabalhos para a continuidade da construção do Parque está previsto para o último trimestre de 2016. Quanto à oficina, o concurso já foi lançado e a Comissão garante que vai “continuar a acompanhar o processo”.
Foi ainda transmitida a intenção do Governo em “tutelar 100% da exploração do metro ligeiro”.

16 Ago 2016

Chinesa sobreviveu 38 horas dentro de água

Uma chinesa, que caiu ao mar durante um cruzeiro entre a China e o Japão, foi salva após passar 38 horas dentro de água, a nadar e flutuar, informou ontem o jornal oficial China Daily.
A mulher de 32 anos, que o jornal identifica como Wang, chegou mesmo a dormir algumas horas enquanto flutuava na água, asseguram os médicos que a examinaram após o resgate.
Wang viajava de barco com os seus pais, que deram pelo seu desaparecimento na noite de quarta-feira, dia 10 de Agosto, após esta ter dito que ia passear sozinha pelo convés.
Após anunciado o desaparecimento, 100 voluntários realizaram buscas dentro da embarcação, e ao não encontrar a mulher, assumiram que esta teria caído do barco e deram-na como falecida, devido à altura do convés (20 metros).
Dois dias depois, o pai de Wang recebeu uma chamada a anunciar que a sua filha tinha acabado de ser resgatada.
“Só quando ouvi a voz da milha filha é que acreditei que estava viva? É um milagre!”, disse, em declarações ao jornal chinês The Paper.
A mulher foi avistada por pescadores perto da costa de Zhoushan, no litoral da província de Zhejiang, costa leste da China, e resgatada, “apenas com algumas feridas no braço”, segundo disse um dos homens que participou do salvamento.
A mulher disse que caiu ao mar quando se apoiava num corrimão.
 

16 Ago 2016

Joshua Wong condenado a trabalho comunitário

Um tribunal de Hong Kong sentenciou ontem a 80 horas de trabalho comunitário Joshua Wong, um dos rostos mais conhecidos dos protestos pró-democracia naquela região chinesa em 2014, condenado pelo crime de “reunião ilegal”. O tribunal considerou o jovem activista culpado de assembleia ilegal no âmbito de um protesto nos arredores de um edifício governamental, a 26 de Setembro de 2014, um incidente que acabaria por estar na origem de manifestações pró-democracia em larga escala e da ocupação das ruas de Hong Kong durante 79 dias. O mesmo tribunal condenou outros dois líderes estudantis. Nathan Law foi sentenciado a 120 horas de trabalho comunitário e Alex Chow, que na altura era secretário-geral da Federação de Estudantes de Hong Kong, foi condenado a três semanas de prisão suspensa por um ano, pelo que em princípio não terá de passar pela cadeia se não cometer delitos no período de suspensão marcado pelos juízes.

16 Ago 2016

Candidaturas abertas para stands nos Nam Van

Estão abertas as inscrições para a terceira e quarta fases da Feira de Artesanato do Lago Nam Vam, uma iniciativa do Instituto Cultural (IC). Até ao dia 19 de Agosto e 15 de Setembro, respectivamente, todas as entidades culturais e criativas, bem como particulares podem inscrever-se para participarem na feira, que acontece todos os fins-de-semana entre as 11h00 e as 22h00 nas margens do lago Nam Van.
Localizada no espaço do Anim’Arte NAM VAN, esta feira de artesanato tem 26 stands de exposição que podem ser utilizados por entidades culturais e criativas de Macau, interior da China e Hong Kong, que queiram vender os seus produtos criativos.
A terceira edição da Feira de Artesanato do Lago Nam Van realiza-se entre 5 de Setembro e 30 de Outubro e a quarta feira acontece entre 1 de Novembro de 2016 e 1 de Janeiro de 2017. Serão também realizados ocasionalmente workshops e actuações musicais para animar o espaço e atrair mais visitantes.
A inscrição é gratuita e pode ser feita tanto a título individual como colectivo. O IC irá seleccionar os responsáveis pelos stands de acordo com a originalidade e peculiaridade dos produtos.

16 Ago 2016

Grand Coloane incentiva ao desporto

Foi a pensar nos amantes do desporto que o Grand Coloane Resort criou o dia “Free Fitness Fiesta”, que vai acontecer no dia 28 de Agosto, entre as 11h00 as 17h00. Um dia passado ao som de música, boa disposição e muitas “aulas” de desporto diversificado, como se pode ler na página do Facebook do evento. Para participar basta inscrever-se e levar o seu equipamento. O “Free Fitness Fiesta”, assim se chama o evento, convida todos a participar numa série de actividades: urban bootcamp, kickboxing, yoga, spinning, pilates e aeróbica. O desporto vai desde o mais radical ao mais relaxante. “Sol, locais rodeados pela natureza e actividades fitness é o que pode encontrar nesse domingo no Garden Lawn e no Sea Patio”, segundo informação na página do Facebook. Todos os participantes têm ainda algumas vantagens, nomeadamente 50% de desconto na aquisição de um passe diário para aceder aos vários serviços do clube, 20% em despesas de restauração e no aluguer de bicicletas.

16 Ago 2016

Morreu Henrique Lages Ribeiro

O general Henrique Manuel Lages Ribeiro, que desempenhou as funções de Secretário-Adjunto para a Segurança do Governo de Macau até 1996, faleceu na noite de sábado para domingo em Lisboa, avançou ontem a rádio Macau. Não alheado da carreira militar, que construiu ao longo da vida, e das teses que fez e que foram premiadas pela NATO, Henrique Lages Ribeiro passou os últimos anos da sua vida dedicado à transmissão do conhecimento feito por leituras e experiências que foi fazendo um pouco por todos os cantos do mundo. Já na reforma, foi autor de múltiplas revisões científicas de obras essencialmente com temas ligados à estratégia e às relações internacionais. Lages Ribeiro tinha sido também comandante da Polícia de Segurança Pública, em 1963. Tinha 82 anos e o funeral realizou-se ontem.

16 Ago 2016

Água mais cara

A água vai ficar mais cara. Foi aprovada a actualização das taxas e tarifas, decorrentes da prorrogação da concessão do serviço público com a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau. Os novos preços entram em vigor a partir de 1 de Novembro: os primeiros 28 metros cúbicos de água vão custar 4,48 patacas, os segundos 32 metros cúbicos 5,8 patacas e os terceiros 19 metros cúbicos 6,04. Depois de exceder este consumo, paga-se 6,04 patacas por metro cúbico, um aumento de 8%.

16 Ago 2016

Condutor que fez ponte em sentido inverso estava drogado

O homem de cerca de 20 anos que fez, na madrugada de domingo, a Ponte da Amizade em sentido contrário estaria drogado. É o que diz a PSP, que indica que recebeu a denúncia de um cidadão sobre o caso e, quando viu os vídeos de vigilância na ponte, percebeu a marca e a matrícula do veículo. O carro seguia na direcção original, tendo depois virado em sentido contrário. As autoridades dizem agora que consumiu metanfetaminas e que não foi só este o incidente em que esteve envolvido, e que não provocou acidentes. Na sexta-feira passada também fugiu de dois locais de acidente, que ele próprio provocou.

16 Ago 2016

GAES apoia pedidos ao Cartão Internacional de Estudante

Entre 15 de Agosto e 31 de Outubro o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) vai prestar apoio aos estudantes do ensino superior que pedirem o Cartão Internacional de Estudante. A partir do final de Agosto vai haver stands em várias instituições que permitem tratar do cartão mais rápida e eficazmente. O GAES refere em nota à imprensa que, com esta ferramenta, os jovens estudantes do ensino superior em Macau e a estudar fora do país podem usufruir de uma série de vantagens quer interna quer fora das fronteiras. O Cartão Internacional de Estudante é o único cartão considerado como documento comprovativo de estudante, sendo reconhecido internacionalmente pela UNESCO. Os estudantes portadores do Cartão podem, no exterior, desfrutar de mais de 40 mil ofertas promocionais em mais de 130 países incluindo ofertas ou descontos em bilhetes de avião, alojamento, museus, concertos, pontos turísticos e eventos culturais.

16 Ago 2016